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sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

A NATUREZA NÃO DÁ SALTOS; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

A pessoa indiferente às questões espirituais ou mesmo a que se diz descrente de tudo dentro do ateísmo em que vive, em nossa Dimensão, ao adentrar o Mundo Espiritual reconhece o engano a que se prendeu? As informações resultantes das manifestações dos Espíritos desencarnados demonstra que não. No número de maio de 1863, a REVISTA ESPÍRITA na seção Questões e Problemas, Allan Kardec esclarece duvidas sobre manifestações havidas na Sociedade Espírita de Paris, na reunião de 27 de março de 1863, justamente propondo à Espiritualidade as seguintes perguntas: Como podem os Espíritos ser incrédulos? O meio em que se acham não é, para eles, a negação da incredulidade? Explica o dirigente da reunião: - Pedimos aos Espíritos que quiserem comunicar-se, que tratem dessa questão, caso julguem conveniente. Através do médium Sr. d’Ambel, obtiveram a seguinte resposta: -. A explicação que me pedis não está escrita minuciosamente em vossas obras? Perguntais por que os Espíritos incrédulos ficaram comovidos. Mas vós mesmos não tendes dito que os Espíritos que se acham na erraticidade aí haviam entrado com suas aptidões, conhecimentos e maneira de ver passados? Meu Deus! Sou ainda muito incipiente para resolver a contento as questões espinhosas da doutrina. Não obstante posso, por experiência, a bem dizer recentemente adquirida, responder às questões de fatos. No mundo em que habitais, acreditava-se geralmente que a morte vem de repente modificar a opinião dos que se foram e que a venda da incredulidade é violentamente arrancada aos que na Terra negavam Deus. Aí está o erro, porque, para estes, a punição começa justamente em permanecerem na mesma incerteza relativamente ao Senhor de todas as coisas e a conservarem a mesma dúvida da Terra. Não, crede-me; a vista obscurecida da inteligência humana não percebe instantaneamente a luz. Procede-se na erraticidade ao menos com tanta prudência quanto na Terra; assim, não se deve projetar os raios de luz elétrica sobre os olhos dos doentes que se queira curar. A passagem da vida terrestre à espiritual oferece, é certo, um período de confusão, de perturbação para a maioria dos que desencarnam. Alguns há, no entanto, que, desprendidos dos bens terrenos ainda em vida, realizam essa transição tão facilmente quanto uma pomba que se eleva no ar. É fácil perceberdes essa diferença examinando os hábitos dos viajantes que embarcam para atravessar os oceanos. Para alguns a viagem é um prazer; para a maioria um sofrimento, uma aflição que durará até o desembarque. Pois bem! Ocorre o mesmo com quem viaja da Terra ao mundo dos Espíritos. Alguns se desprendem rapidamente, sem sofrimento e sem perturbação, ao passo que outros são submetidos ao mal da travessia etérea. Mas acontece isto: assim como os viajantes que tocam a terra, ao sair do navio, recuperam o equilíbrio e a saúde, também o Espírito que transpõe os obstáculos da morte acaba por se achar, como no ponto de partida, com a consciência limpa e clara de sua individualidade. É, pois, certo, meu caro Sr. Kardec, que os incrédulos e os materialistas absolutos conservam sua opinião além do túmulo, até a hora em que a razão ou a graça tiver despertado em seu coração o pensamento verdadeiro, ali escondido. Por isso essa difusão de ideias nas manifestações e essa divergência nas comunicações dos Espíritos de além-túmulo; por isso alguns ditados impregnados de ateísmo ou de panteísmo.


Quando a gente dá uma esmola a um mendigo, nem sempre a gente dá porque quer dar, mas também para se ver livre do pedinte. Isso pode ser considerado caridade? (Alexandre)


A caridade está no bem que fazemos, quando temos consciência de que estamos fazendo esse bem. Portanto, o ato de dar alguma coisa a alguém é caridade, quando está revestido de um verdadeiro sentimento de amor ao semelhante. Logo, não basta o ato mecânico, tampouco uma boa ação forçada pelas circunstâncias, como se ver livre do pedinte ou querer aparecer para os outros. Jesus definiu a caridade como fazer ao outro aquilo que queremos que o outro nos faça. Ele valorizou a intenção e não apenas o resultado da ação.


O ato de ajudar ou de ser solidário implica, no mínimo, em existir alguém que dá e alguém que recebe. Desse modo, mesmo que a pessoa receba, mesmo que esse ato lhe traga benefícios imediatos ele só pode ser considerado caridade, se a pessoa deu com a intenção de ajudar e não com outras intenções. Por isso, Jesus deixou bem claro quando disse “não saiba a vossa mão esquerda o que deu a direita”.


A esmola, quase sempre, é dada mais por uma obrigação social do que propriamente por causa de um sentimento de amor ao próximo. N’O LIVRO DOS ESPIRITOS encontramos um comentário, dizendo que “ a esmola degrada o individuo” e que, portanto, ela deve ser o último recurso. O ideal seria uma ação social mais ampla, em que toda a comunidade se engajasse, para evitar ou combater a mendicância pela raiz. A mais significativa ajuda, que podemos prestar a alguém, é dar-lhe condições para superar seus problemas e passar a viver com dignidade.


Isso, porém, quase sempre não é possível, porque a sociedade ainda não aprendeu a se organizar em torno dessa intrincada questão. Mendigos sempre existiram, desde os primórdios da civilização, como pessoas excluídas do convívio social. Oxalá venhamos, no mais breve tempo, unir esforços dos vários segmentos da sociedade – inclusive das várias religiões - para amparar pessoas desajustadas ou doentes, antes que elas se entreguem à mendicância, que é uma vida de degradação e de fuga da realidade.

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