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sexta-feira, 3 de julho de 2026

O MUNDO INVISÍVEL E A GUERRA SEGUNDO O ESPIRITISMO; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 

-“O Mundo Invisível é composto dos que deixaram seu envoltório corporal ou, por outras palavras, das almas que viveram na Terra. Estas almas ou Espíritos, o que é a mesma coisa, povoam o Espaço, estão em toda parte, ao nosso lado, como nas regiões mais afastadas”. O comentário pode ser lido na edição de dezembro de 1859 da REVISTA ESPÍRITA, publicação mensal financiada pelo próprio Allan Kardec para manter atualizados os seguidores do Espiritismo em várias partes da Europa. Quando do lançamento do livro A GÊNESE, no ultimo capítulo, encontra-se reproduzida uma mensagem assinada por um Espírito identificado como Dr Barry em que, entre outras coisas, diz: -“Uma coisa que vos parecerá estranhável, mas que por isso não deixa de ser rigorosa verdade, é que o Mundo dos Espíritos, mundo que vos rodeia, experimenta o contrachoque de todas as comoções que abalam o mundo dos encarnados. Digo mesmo que aquele toma parte ativa nessas comoções. Nada tem isto de surpreendente, para quem sabe que os Espíritos fazem corpo com a Humanidade; que eles saem dela e a ela têm de voltar, sendo, pois, natural se interessem pelos movimentos que se operam entre os homens. Ficai, portanto, certos de que, quando uma revolução social se produz na Terra, abala igualmente o mundo invisível, onde todas as paixões, boas e más, se exacerbam, como entre vós. Indizível efervescência entra a reinar na coletividade dos Espíritos que ainda pertencem ao vosso mundo e que aguardam o momento de a ele volver”. Em meados do século 20, o Orientador Espiritual Emmanuel através do médium Chico Xavier, transmitiu um interessante livro intitulado ROTEIRO (feb, 1951) em que revela: - Mais de vinte bilhões de almas conscientes, desencarnadas, sem nos reportarmos aos bilhões de inteligências sub-humanas que são aproveitadas nos múltiplos serviços do progresso planetário, cercam o domicílio terrestre, demorando-se noutras faixas de evolução. Tal dado até então inédito permite-nos avaliar a discrepante população invisível em relação à visível. No que tange às guerras, um série de questões merecem consideração. E, elas surgem das páginas d’O LIVRO DOS ESPÍRITOS, onde Allan Kardec  obtem os seguintes esclarecimentos: 1 Durante uma batalha, há Espíritos assistindo e amparando cada um dos exércitos? Sim, e que lhes estimulam a coragem.” Os antigos figuravam os deuses tomando o partido deste ou daquele povo. Esses deuses eram simplesmente Espíritos representados por alegorias. 2- Estando, numa guerra, a justiça sempre de um dos lados, como pode haver Espíritos que tomem o partido dos que se batem por uma causa injusta? “Bem sabeis haver Espíritos que só se comprazem na discórdia e na destruição. Para esses, a guerra é a guerra. A justiça da causa pouco os preocupa.” 3- Podem alguns Espíritos influenciar o general na concepção de seus planos de campanha?  “Sem dúvida alguma. Podem influenciá-lo nesse sentido, como com relação a todas as concepções.” 4- Poderiam maus Espíritos suscitar-lhe planos errôneos com o fim de levá-lo à derrota? “Podem; mas, não tem ele o livre-arbítrio? Se não tiver critério bastante para distinguir uma ideia falsa, sofrerá as consequências e melhor faria se obedecesse, em vez de comandar.” 5- Pode, alguma vez, o general ser guiado por uma espécie de dupla vista, por uma visão intuitiva, que lhe mostre de antemão o resultado de seus planos? “Isso se dá amiúde com o homem de gênio. É o que ele chama inspiração e o que faz que obre com uma espécie de certeza. Essa inspiração lhe vem dos Espíritos que o dirigem, os quais se aproveitam das faculdades de que o veem dotado.” 6- No tumulto dos combates, que se passa com os Espíritos dos que sucumbem? Continuam, após a morte, a interessar-se pela batalha? “Alguns continuam a interessar-se, outros se afastam.” Dá-se, nos combates, o que ocorre em todos os casos de morte violenta: no primeiro momento, o Espírito fica surpreendido e como que atordoado. Julga não estar morto. Parece-lhe que ainda toma parte na ação. Só pouco a pouco a realidade lhe surge. 7- Após a morte, os Espíritos, que como vivos se guerreavam, continuam a considerar-se inimigos e se conservam encarniçados uns contra os outros? “Nessas ocasiões, o Espírito nunca está calmo. Pode acontecer que nos primeiros instantes depois da morte ainda odeie o seu inimigo e mesmo o persiga. Quando, porém, se lhe restabelece a serenidade nas ideias, vê que nenhum fundamento há mais para sua animosidade. Contudo, não é impossível que dela guarde vestígios mais ou menos fortes, conforme o seu caráter.” 8-Continua a ouvir o rumor da batalha? “Perfeitamente.” 9- O Espírito que, como espectador, assiste calmamente a um combate observa o ato de separar-se a alma dom corpo? Como é que esse fenômeno se lhe apresenta à observação? “Raras são as mortes verdadeiramente instantâneas. Na maioria dos casos, o Espírito, cujo corpo acaba de ser mortalmente ferido, não tem consciência imediata desse fato. Somente quando ele começa a reconhecer a nova condição em que se acha, é que os assistentes podem distingui- lo, a mover-se ao lado do cadáver. Parece isso tão natural, que nenhum efeito desagradável lhe causa a vista do corpo morto. Tendo a vida toda se concentrado no Espírito, só ele prende a atenção dos outros. É com ele que estes conversam, ou a ele é que fazem determinações.”

EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR JOSÉ BENEVIDES CAVALCANTE

Se um homem é condenado a uma pena de 100 anos, por exemplo, é claro que ele não vai cumprir toda essa pena aqui na Terra? Será que ele volta numa próxima encarnação para cumpri-la?

Na lei divina, cada um responde pelo mal que fez, assim como colhe as benesses pelo bem que praticou. Esta ideia de justiça está no homem, mas nós ainda temos muita dificuldade de fazer a verdadeira justiça por causas das parcas condições morais que nos rodeiam.

Como a nossa justiça é limitada, ainda que seja feita com o maior rigor, existe a justiça divina que não falha em hipótese alguma. Apenas que se dá de uma forma diferente da nossa.

Quando um homem é condenado por um crime, de duas uma: ou ele é realmente culpado ou pode ser até inocente. A lei humana pode errar. Ele pode estar respondendo por crimes praticados anteriormente, mas isso não é uma regra.

Se for culpado e condenado a uma longa pena de prisão, ele poderá cumprir essa pena e até alcançar a liberdade.

Diante da lei divina, contudo, o crime nem sempre é visto da mesma forma que vemos aqui na Terra. Existem muitas implicações de ordem espiritual que a nossa justiça não conhece e nem pode levar em consideração, sejam elas a em favor ou em desfavor do réu.

Portanto, o fato de ele cumprir totalmente a pena, ou até mesmo de não a cumprir, não quer dizer que está quite perante a lei de Deus. Sendo assim, não é possível igualar a lei humana com a lei divina.

Diante do código divino – vamos dizer assim – todos nós respondemos pelos nossos erros, agora ou depois, de um jeito ou de outro. Se não for nesta vida, será depois. O tempo, do lado de lá, não funciona como aqui.

Desse modo, para o caso específico de homem que foi condenado a 100 anos de prisão e não a cumpriu totalmente, até é possível que ele seja condenado numa vida posterior, embora inocente, mas isso é apenas uma probabilidade.

Depende muito da consciência moral desse Espírito.  Pode ser que ele mesmo pediu essa situação para se sentir em paz consigo mesmo.



 

quarta-feira, 1 de julho de 2026

O UNICO CAMINHO; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 

“-Quando se pensa na massa de indivíduos diariamente lançados na corrente da população, sem princípios, sem freios, entregues aos próprios instintos, deve-se admirar das consequências desastrosas desse fato? Quando essa arte (educação moral) for conhecida, compreendida e praticada, o homem seguirá no mundo os hábitos de ordem e previdência para si mesmo e para os seus, de respeito pelo que é respeitável, hábitos que lhe permitirão atravessar de maneira menos penosa os maus dias inevitáveis. A desordem e a imprevidência são duas chagas que somente uma educação bem compreendida pode curar. Nisto está o ponto de partida, o elemento real do bem estar, a garantia da segurança de todos”. A analise feita por Allan Kardec em meados do século 19, continua sendo atual no século 21. No século 20, o Espírito Emmanuel, através do médium Chico Xavier, manifestou-se ao final do primeiro livro escrito por ele dentro do programa a ser cumprido com o médium mineiro, enfatizando o ponto que, segundo ele é realmente o caminho para a construção de uma sociedade melhor. Diz ele: -“Todas as reformas sociais, necessárias em vossos tempos de indecisão espiritual, têm de processar-se sobre a base do Evangelho. Como? – podereis objetar-nos. Pela educação, replicaremos. O plano pedagógico que implica esse grandioso problema tem de partir ainda do simples para o complexo. Ele abrange atividades multiformes e imensas, mas não é impossível. Primeiramente, o trabalho de vulgarização deverá intensificar-se, lançando, através da palavra falada ou escrita do ensinamento, as diminutas raízes do futuro. Toda essa demagogia filosófico-doutrinária, que vedes nas fileiras do Espiritismo, tem sua razão de ser. As almas humanas se preparam para o bom caminho. A missão do Cristianismo na Terra não era a de mancomunar-se com as forças políticas que lhe desviassem a profunda significação espiritual para os homens. O Cristo não teria vindo ao mundo para instituir castas sacerdotais e nem impor dogmatismos absurdos. Sua ação dirigiu-se, justamente, para a necessidade de se remodelar a sociedade humana, eliminando-se os preconceitos religiosos, constituindo isso a causa da sua cruz e do seu martírio, sem se desviar, contudo, do terreno das profecias que o anunciavam. Todas essas atividades bélicas, todas as lutas antifraternas no seio dos povos irmãos, quase a totalidade dos absurdos, que complicam a vida do homem, vieram da escravização da consciência ao conglomerado de preceitos dogmáticos das Igrejas que se levantaram sobre a doutrina do Divino Mestre, contrariando as suas bases, digladiando-se mutuamente, condenando-se umas às outras em nome de Deus. Aliado ao Estado, o Cristianismo deturpou-se, perdendo as suas características divinas. Sabemos todos que a Humanidade terrena atinge, atualmente, as cumeadas de um dos mais importantes ciclos evolutivos. Nessas transformações, há sempre necessidade do pensamento religioso para manter-se a espiritualidade das criaturas em momentos tão críticos. A ideia cristã se encontrava afeto o trabalho de sustentar essa coesão dos sentimentos de confiança e de fé das criaturas humanas nos seus elevados destinos; todavia, encarcerada nas grades dos dogmas, a doutrina de Jesus não poderia, de modo algum, amparar o espírito humano nessas dolorosas transições. Todas as exterioridades da Igreja deixam nas almas atuais, sedentas de progresso, um vazio muito amargo. (...) As atividades pedagógicas do presente e do futuro terão de se caracterizar pela sua feição evangélica e espiritista, se quiserem colaborar no grandioso edifício do progresso humano. Os estudiosos do materialismo não sabem que todos os seus estudos se baseiam na transição e na morte. Todas as realidades da vida se conservam inapreensíveis às suas faculdades sensoriais. Suas análises objetivam somente a carne perecível. O corpo que estudam, a célula que examinam, o corpo químico submetido à sua crítica minuciosa, são acidentais e passageiros. Os materiais humanos postos sob os seus olhos pertencem ao domínio das transformações, através do suposto aniquilamento. Como poderá, pois, esse movimento de extravagância do espírito humano presidir à formação da mentalidade geral que o futuro requer, para a consecução dos seus projetos grandiosos de fraternidade e de paz? A intelectualidade acadêmica está fechada no circulo da opinião dos catedráticos, como a ideia religiosa está presa no cárcere dos dogmas absurdos. Os continuadores do Cristo, nos tempos modernos, terão de marchar contra esses gigantes, com a liberdade dos seus atos e das suas ideias. Por enquanto, todo o nosso trabalho objetiva a formação da mentalidade cristã, por excelência, mentalidade purificada, livre dos preceitos e preconceitos que impedem a marcha da Humanidade. (...)  Toda a tarefa, no momento, é formar o espírito genuinamente cristão; terminado esse trabalho, os homens terão atingido o dia luminoso da paz universal e da concórdia de todos os corações.

EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR JOSÉ BENEVIDES CAVALCANTE

   Estou vendo novamente a novela A VIAGEM e acho um tanto exagerado um Espírito obsidiar toda a família, mostrando que ele tem um grande poder de manipular as pessoas. Será que é assim mesmo que funciona?

Em primeiro lugar, devemos dizer que os Espíritos, sejam bons ou maus, não fazem o que querem, mas o que eles podem. Nem sempre eles têm o que necessitam para atingir suas metas da mesma que nós, os encarnados, temos as nossas limitações.

Filmes e novelas, no entanto, quando tratam dessas questões espirituais, procuram carregar com grande dose de violência e realismo as obsessões para que elas se mostrem perigosas e assustadoras.

Assim, eles podem exagerar as cenas para melhor sensibilizar o público, de modo que o importante é mostrarem como pode ser a realidade; no caso de obsessão, para que possamos aprender como nos prevenir.

Em tese, a ação do Espírito sobre o encarnado é de ordem mental e, portanto, depende da sintonia de pensamentos entre eles. Depende também do grau de mediunidade das pessoas envolvidas. Assim, o Espírito pode obter êxito ao obsidiar alguém e não conseguir o mesmo efeito com outro.

É possível ocorrer algum fenômeno de efeitos físicos – como deslocamento de objetos e alteração de temperatura – mas isso acontece por conta da mediunidade da pessoa assediada.

As sensações de presença estranha também ocorrem por via mental. É o cérebro do encarnado que trabalha para dar a impressão de alguém presente.

Mas, uma coisa é certa. O obsessor, por pior que seja, não vai conseguir mudar os valores morais de uma pessoa de boa índole como, por exemplo, não podem fazer com que um homem honesto passe a praticar atos de desonestidade.

Os autores de filmes e novelas nem sempre observam esse aspecto, de modo que passam por cima de muita coisa que o Espiritismo ensina. A ação obsessiva, seja de quem for, apenas aproveita as disposições que o encarnado já traz consigo, para que essas disposições se manifestem com mais intensidade ou com mais frequência.

Assim, uma pessoa intransigente, quando envolvida pelo pensamento do obsessor, vai desenvolver mais ainda a sua intransigência e uma pessoa maldosa vai demonstrar ainda mais a sua maldade.

A obsessão depende muito da capacidade que o obsessor tem de manipular as pessoas, de modo que, de uma maneira geral, ele potencializa as más tendências das pessoas obsidiadas.

Mas o obsidiado pode jogar um contra o outro, aproveitando as disposições de um deles e, assim de forma indireta, atingir outras pessoas da família.


terça-feira, 30 de junho de 2026

SABEDORIA DE CHICO XAVIER; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Sempre útil, vez ou outra, rever passagens da vida do inesquecível Chico Xavier. Há situações em que recolhe-se precisos ensinamentos para os momentos em que os desafios da vida nos procuram afastar das experiências típicas dos habitantes de um planeta de Expiação e Provas. Vejamos alguns:. 1- Um companheiro espírita, certa vez, disse: - Chico, o Evangelho está ultrapassado. Chico respondeu: - Emmanuel está aqui e pede para dizer a vocês que o Evangelho só vai ficar ultrapassado o dia em que toda a Humanidade colocá-lo em prática. 2- Uma pessoa que, ao observar os necessitados tomando sopa, perguntou para Chico Xavier: - O senhor acha que um prato de sopa vai resolver o problema da fome no mundo? Chico, sem titubear respondeu: - O banho também não resolve o problema da higiene no mundo, mas nem por isso podemos dispensá- lo. 3- Certa vez, alguém perguntou a Chico Xavier, sobre o que os Espíritos dizem a respeito da natureza do corpo de Jesus, ele respondeu: - Jesus é como o Sol num dia de céu azul, e nós somos apenas palitos de fósforo acesos, à hora do meio-dia. O que é importante saber, e discutir, é sobre os seus ensinamentos e sua Vivência Gloriosa. 4- Muita gente procurava Chico em seu emprego e isto começou a causar-lhe problemas. Certa vez uma senhora, em adiantado estado de perturbação, foi procurá-lo. O chefe não queria que ele atendesse ninguém em seu ambiente de trabalho, então, foi dito à senhora que o Chico estava em casa. Para lá se dirigiu ela, sendo informada que o Chico estava trabalhando. Voltou, novamente, ao emprego e disseram que o nosso amigo saíra, a serviço. Ela resmungou qualquer palavrão e se foi. À noite, quando as portas do Centro se abriram, ela avançou sobre ele e deu-lhe inúmeros bofetões no rosto. Quando acabou de desabafar, através da agressão, falou com voz nervosa e trêmula: - Está pensando que tenho tempo para andar atrás de você para cima e para baixo? E, agora, já para aquela sala que você vai me dar um passe, cachorro. A senhora sentou-se numa cadeira e ficou esperando. O Chico começou a pensar: “Senhor Jesus, para se transmitir um passe precisamos estar calmos, com o coração voltado para o amor ao próximo. O Senhor sabe todas as coisas e sabe que não estou com raiva dela, mas ela me deixou num estado meio diferente. Ajude-me, Senhor”. Então, o espírito de Emmanuel lhe aparece e diz: - Para ajudá-la é preciso alcançar-lhe o coração. Converse com ela. E o Chico, falou para a irmã em sofrimento: - Minha irmã, a senhora me perdoe ser uma pessoa tão ocupada. Não pude atendê-la em meu emprego porque meu chefe não permite. A senhora compreende, estou ali para servir porque tenho muitos irmãos para ajudar. Foi conversando... conversando, e a mulher se acalmando, para, em seguida, começar a chorar. O Chico, então, transmitiu-lhe o passe e ela foi devolvida à razão. Depois de sua saída, o médium perguntou ao Espírito de Emmanuel: - Emmanuel, eu não estou com a razão? A resposta foi esta jóia da caridade cristã: - Você está com a razão, mas ela está com a necessidade. No outro dia, quando o Chico chegou ao serviço, estava com o rosto todo inchado. Seu chefe indagou o que ocorrera. E ele respondeu: - Bati na porta. Ele, então, olhou-o por sobre os óculos e perguntou, novamente: - Mas, dos dois lados? 5- O Chico passava por grandes dificuldades. Problemas gigantescos se avolumavam sobre sua cabeça. E tão gigantescos que ele perguntou ao Espírito Emmanuel se não era possível rogar às esferas superiores um conselho de Maria de Nazaré, que ajudasse naqueles dias tão difíceis. Alguns dias se passaram, quando o espírito de Emmanuel lhe disse que o generoso espírito de Maria havia atendido ao seu pedido, enviando-lhe a seguinte frase: Isso Também Passa. Contou Chico: - A frase foi para mim como anestesia sobre uma dor imensa. Fez-me tanto bem que a escrevi num papel e o coloquei sobre a cabeceira de minha cama. Todas às noites e todas as manhãs eu lia, sentindo grande consolo. Certo dia, um amigo ao entrar em meu quarto, achou a frase muito interessante, e disse; - Chico, vou fazer o mesmo; colocar esta frase sobre a cabeceira de minha cama. - Faça isso mesmo, meu filho, mas não se esqueça de que o espírito Emmanuel também me disse que ela serve tanto para os momentos tristes, como para os momentos alegres


EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR JOSÉ BENEVIDES CAVALCANTE

A primeira questão de hoje, levantada por um ouvinte, é a seguinte: “De que maneira os Espíritos obsessores usam as pessoas para fazer mal ao obsidiado”?

  Esta é uma questão muito presente no meio espírita, tratada por inúmeras obras mas que, pela sua importância, sempre exige novas abordagens.

O que chamamos obsessão, no dizer de Allan Kardec, é a ação de um Espírito mau intencionado sobre um encarnado.

  O porquê da obsessão? Evidentemente, essa atuação não vem por mero acaso, sempre existem motivos – às vezes muito fortes – que fazem com que um desencarnado queira prejudicar um encarnado.

  Quase sempre trata-se de uma ação de vingança de um dano ou prejuízo que o obsessor sofreu do obsidiado nesta ou em precedente existência, uma dívida moral. A obsessão não acontece entre Espíritos de elevada conduta.

  Como se dá a obsessão? O primeiro passo é a localização do obsidiado por parte do obsessor. Quando se trata de um mal causado em encarnação anterior, quase sempre essa localização demora um certo tempo para acontecer.

  Por isso mesmo, na maioria das vezes, o obsessor só vai localizar o obsidiado quando este já é adulto, e este é um dos fatores que contribuem para que haja muito pouca obsessão em crianças.

  Mas, quando a desavença entre ambos se deu nesta mesma encarnação, o processo obsessivo pode começar imediatamente. O ódio, como dizem os Espíritos instrutores, aproximam mais as pessoas que o amor.

  A ação obsessiva pode ser das mais variadas formas. A mais simples é quando o obsessor entra em contato mental com o obsidiado, porque geralmente são Espíritos que estão na mesma faixa de pensamento e pelo princípio da reciprocidade são atraídos um ao outro.

O que facilita a localização do culpado pelo obsessor é seu sentimento de culpa que perdura subliminarmente na sua consciência moral e produz onda mental de baixa frequência. Esse sentimento vai atrair o inimigo, como o odor do lixo atrai insetos.

Quanto ao envolvimento de outras pessoas- esta é a questão que o ouvinte coloca – ela realmente pode acontecer. Mas não ocorre aleatoriamente. Essas pessoas podem estar envolvidas na questão, podem ter vínculos com o obsessor ou podem ser apenas inimigos que não simpatizam com o obsidiado.

Logo, os Espíritos podem se servir de outras pessoas para nos atingir, sempre que haja vínculo e o fazem pelo processo da sintonia de pensamentos.

 


segunda-feira, 29 de junho de 2026

NINGUÉM FOGE DE SI MESMO; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 

NINGUÉM FOGE DE SI MESMO!... Haverá princípio capaz de infundir mais confiança na Justiça de Deus que este? A partir dele entende-se a recomendação de Jesus quanto ao “não julgar”, pois ele conhecia o sentido oculto do “a cada um conforme as próprias obras”. Através dele, temos a garantia de que todos, do explorador ao explorado, do corruptor ao corrupto, do algoz à vítima, do opressor ao oprimido, todos enfim, experimentarão os efeitos das próprias ações ou reações no devido tempo. Estamos destinados ao progresso espiritual (fim) através das vidas sucessivas (meio), que nos conduzirá à felicidade e à paz tão sonhada, tendo como roteiro o caminho do auto-descobrimento, do auto-conhecimento. Uma reencarnação sob o ângulo da Eternidade, representa “menos que um relâmpago”, como informaram os Espíritos à Allan Kardec (questão 738, L.E.), e inexoravelmente o pedágio da morte aguarda a todos na estrada da vida. O Codificador através de observações, comparações, deduções e conclusões, analisando o depoimento de centenas de espíritos, delineou o conjunto que ele denominou CÓDIGO PENAL DA VIDA FUTURA, inserido no livro “O CÉU E O INFERNO” (Capítulo 7), ou a Justiça Divina Segundo o Espiritismo. Por serem informações que precisam ser difundidas e meditadas para que um número cada vez maior desperte para a responsabilidade de viver, alinhamos a seguir alguns desses artigos. 1- Onde está escrita a Lei de Deus? – Na consciência. 2- A completa felicidade prende-se à perfeição, isto é, à purificação completa do Espírito. Toda imperfeição é, por sua vez, causa de sofrimento e da privação da satisfação, do mesmo modo que toda perfeição adquirida é fonte de prazer e atenuante de sofrimentos (2.º). 3- O Espírito sofre, quer no mundo corporal, quer no espiritual, a conseqüência das suas imperfeições. As misérias, as vicissitudes padecidas na vida corpórea, são oriundas das nossas imperfeições, são expiações de faltas cometidas na presente ou em precedentes existências. Pela natureza dos sofrimentos e vicissitudes da vida corpórea, pode julgar-se a natureza das faltas cometidas em anterior existência, e das imperfeições que as originaram. (10.º) 4- Não há uma única imperfeição da alma que não importe funestas e inevitáveis conseqüências, como não há uma só qualidade boa que não seja fonte de prazer. (3.º) 5- Toda falta cometida, todo mal realizado é uma dívida contraída que deverá ser paga; se não for em urna existência, sê-lo-á na seguinte ou seguintes. (9.º) 6- O arrependimento, conquanto seja o primeiro passo para a regeneração, não basta por si só; são precisas a expiação e a repara- ção. Arrependimento, expiação e reparação constituem, portanto, as três condições necessárias para apagar os traços de uma falta e suas conseqüências. O arrependimento suaviza os travos da expiação, abrindo pela esperança o caminho da reabilitação; só a reparação, contudo, pode anular o efeito destruindo-lhe a causa. Do contrário, o perdão seria uma graça, não uma anulação. (16.º) 7- O arrependimento pode dar-se por toda parte e em qualquer tempo; se for tarde, porém, o culpado sofre por mais tempo. Até que os últimos vestígios da falta desapareçam, a expiação consiste nos sofrimentos físicos e morais que lhe são conseqüentes, seja na vida atual, seja na vida espiritual após a morte, ou ainda em nova existência corporal. A reparação consiste em fazer o bem àqueles a quem se havia feito o mal. Quem não repara os seus erros numa existência, por fraqueza ou má-vontade, achar-se-á numa existência ulterior em contacto com as mesmas pessoas que de si tiverem queixas, e em condições voluntariamente escolhidas, de modo a demonstrar-lhes reconhecimento e fazer-lhes tanto bem quanto mal lhes tenha feito. Nem todas as faltas acarretam prejuízo direto e efetivo; em tais casos a reparação se opera, fazendo-se o que se deveria fazer e foi descurado; cumprindo os deveres desprezados, as missões não preenchidas; praticando o bem em compensação ao mal praticado, isto é, tornando-se humilde se se tem sido orgulhoso, amável se se foi austero, caridoso se se tem sido egoísta, benigno se se tem sido perverso, laborioso se se tem sido ocioso, útil se se tem sido inútil, frugal se se tem sido intemperante, trocando em suma por bons os maus exemplos perpetrados. E desse modo progride o Espírito, aproveitando-se do próprio passado. (17.º) NOTA – A necessidade da reparação é um princípio de rigorosa justiça, que se pode considerar verdadeira lei de reabilitação moral dos Espíritos. Entretanto, essa doutrina religião alguma ainda a proclamou. Algumas pessoas repelem-na porque acham mais cômodo o poder quitarem-se das más ações por um simples arrependimento, que não custa mais que palavras, por meio de algumas fórmulas; contudo, crendo-se, assim, quites, verão mais tarde se isso lhes bastava. Nós poderíamos perguntar se esse princípio não é consagrado pela lei humana, e se a justiça divina pode ser inferior à dos homens? E mais, se essas leis se dariam por desafrontadas desde que o indivíduo que as transgredisse, por abuso de confiança, se limitasse a dizer que as respeita infinitamente. Por que hão de vacilar tais pessoas perante uma obrigação que todo homem honesto se impõe como dever, segundo o grau de suas forças? Quando esta perspectiva de reparação for inculcada na crença das massas, será um outro freio aos seus desmandos, e bem mais poderoso que o inferno e respectivas penas eternas, visto como interessa à vida em sua plena atualidade, podendo o homem compreender a procedência das circunstâncias que a tornam penosa, ou a sua verdadeira situação. 8- A expiação varia segundo a natureza e gravidade da falta, podendo, portanto, a mesma falta determinar expiações diversas, conforme as circunstâncias, atenuantes ou agravantes, em que for cometida. (11.º) 9- A responsabilidade das faltas é toda pessoal, ninguém sofre por erros alheios, salvo se a eles dê origem, quer provocando-os pelo exemplo, quer não os impedindo quando poderia fazê-lo. Assim, o suicida é sempre punido; mas aquele que por maldade impele outro a cometê-lo, esse sofre ainda maior pena. (21.º) 10- Dependendo o sofrimento da imperfeição, como o gozo da perfeição, a alma traz consigo o próprio castigo ou prêmio, onde quer que se encontre, sem necessidade de lugar circunscrito. O inferno está por toda parte em que haja almas sofredoras, e o céu igualmente onde houver almas felizes. (5.º) 11- O único meio de evitar ou atenuar as conseqüências futuras de uma falta, está no repará-la, desfazendo-a no presente. Quanto mais nos demorarmos na reparação de uma falta, tanto mais penosas e rigorosas serão, no futuro, as suas conseqüências. (27.º) 12- A situação do Espírito, no mundo espiritual, não é outra senão a por si mesmo preparada na vida corpórea. Mais tarde, outra encarnação se lhe faculta para novas provas de expiação e reparação, com maior ou menor proveito, dependentes do seu livre arbítrio; e se ele não se corrige, terá sempre uma missão a recomeçar, sempre e sempre mais acerba, de sorte que pode dizer-se que aquele que muito sofre na Terra, muito tinha a expiar; e os que gozam uma felicidade aparente, em que pesem aos seus vícios e inutilidades, paga-la-ão mui caro em ulterior existência. Nesse sentido foi que Jesus disse: – "Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados," (O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. V.) (28.º) 13- O bem e o mal que fazemos decorrem das qualidades que possuímos. Não fazer o bem quando podemos é, portanto, o resultado de uma imperfeição. Se toda imperfeição é fonte de sofrimento, o Espírito deve sofrer não somente pelo mal que fez como pelo bem que deixou de fazer na vida terrestre. (6.º) 14- O Espírito sofre pelo mal que fez, de maneira que, sendo a sua atenção constantemente dirigida para as conseqüências desse mal, melhor compreende os seus inconvenientes e trata de corrigir-se. (7.º) 15- Sendo infinita a Justiça de Deus, o bem e o mal são rigorosamente considerados, não havendo uma só ação, um só pensamento mau que não tenha conseqüências fatais, como não há uma única ação meritória, um só bom movimento da alma que se perca, mesmo para os mais perversos, por isso que constituem tais ações um começo de progresso. (8.º) 16- Não há regra absoluta nem uniforme quanto à natureza e duração do sofrimento: – a única lei geral é que toda falta terá punição, e terá recompensa todo ato meritório, segundo o seu valor. (12.º) 17- A duração do sofrimento depende da melhoria do Espírito culpado. Nenhuma condenação por tempo determinado lhe é prescrita. O que Deus exige por termo de sofrimentos é um melhoramento sério, efetivo, sincero, de volta ao bem. Deste modo o Espírito é sempre o árbitro da própria sorte, podendo prolongar os sofrimentos pela pertinácia no mal, ou suavizá-los e anulá-los pela prática do bem. Uma condenação por tempo predeterminado teria o duplo inconveniente de continuar o martírio do Espírito renegado, ou de libertá-lo do sofrimento quando ainda permanecesse no mal. Ora, Deus, que é justo, só pune o mal enquanto existe, e deixa de o punir quando não existe mais; por outra, o mal moral, sendo por si mesmo causa de sofrimento, fará este durar enquanto subsistir aquele, ou diminuirá de intensidade à medida que ele decresça. (13.º) 18- Como o Espírito tem sempre o livre-arbítrio, o progresso por vezes se lhe torna lento, e tenaz a sua obstinação no mal. Nesse estado pode persistir anos e séculos, vindo por fim um momento em que a sua contumácia se modifica pelo sofrimento, e, a despeito da sua jactância, reconhece o poder superior que o domina. Então, desde que se manifestam os primeiros vislumbres de arrependimento, Deus lhe faz entrever a esperança. Nem há Espírito incapaz de nunca progredir, votado a eterna inferioridade, o que seria a negação da lei de progresso, que providencialmente rege todas as criaturas. (19.º) 19- Em virtude da lei do progresso que dá a toda alma a possibilidade de adquirir o bem que lhe falta, como de despojar-se do que tem de mau, conforme o esforço e vontade próprios, temos que o futuro é aberto a todas as criaturas. Deus não repudia nenhum de seus filhos, antes recebe-os em seu seio à medida que atingem a perfeição, deixando a cada qual o mérito das suas obras. (4.º) 20- Dependendo da melhoria do Espírito a duração do sofrimento, o culpado que jamais melhorasse sofreria sempre, e, para ele, a pena seria eterna. (14.º) 21- Uma condição inerente à inferioridade dos Espíritos é não verem o termo da provação, acreditando-a eterna, como eterno lhes deva ser um tal sofrimento (15)

EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR JOSÉ BENEVIDES CAVALCANTE


Gostaria de uma explicação sobre a passagem em que uma mãe vai pedir a Deus que reserve lugares para seus dois filhos no reino de Deus. Isso me faz lembrar das pessoas que querem obter privilégios para seus familiares, o tal do nepotismo no mundo político.

De fato, é um momento interessante que uma mãe amorosa  intercede junto a Jesus em favor de seus dois filhos, os jovens João e Tiago que estavam entre os seus apóstolos.

Mateus narra assim esse fato: “Aproximou-se de Jesus a mãe dos filhos de Zebedeu com seus filhos, prostrando-se para lhe fazer um pedido. Jesus disse: que queres?

Ela respondeu: Ordena que estes meus dois filhos se sentem no teu reino, um à sua direita e outro à sua esquerda.

Jesus respondendo, disse: Não sabeis o que pedis. Podeis vos beber o cálice que hei de beber? Eles responderam: Podemos. 

Disse-lhes Jesus:  Efetivamente haveis de beber o meu cálice, mas quanto a estardes sentados à minha direita e à minha esquerda, não pertence a mim conceder-lhes, mas será para aqueles para quem está reservado por meu Pai.

É fácil perceber que, como toda mãe, aquela mulher queria o melhor para seus filhos. Como ouvira Jesus falar sobre o reino de Deus, ela achava que se tratava de um reino material como os da Terra, em que o rei sempre tem seus protegidos.

Mas Jesus não falava de um reino material, mas sim de um reino espiritual, do qual participariam aqueles que fazem a vontade de Deus.

  Nesse reino, portanto, o mérito está em ser bom e, principalmente, em amar o próximo como a si mesmo. Só quem cumprisse a lei do Amor, que é a lei de Deus, poderia participar desse reino.

Aliás, esse reino de que fala Jesus não é conseguido a partir de pedidos, mas, sim, pelo mérito que a pessoa reúne, pois é uma concessão de Deus.

Muitos não entendiam Jesus, mesmo quando usava de uma linguagem figurada, como é o caso da palavra “reino”.

Jesus procurou explicar que o reino de Deus é a conquista da paz íntima e, portanto, o maior bem espiritual.

“O reino de Deus está entre vós”- explicou certa ocasião.

Mas, ele percebeu que aquela mãe, ansiosa em proteger os filhos, não adquirira esse entendimento e, portanto, lhe pedia algo que não competia a ele resolver.


quinta-feira, 25 de junho de 2026

SENTIMOS FOME; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Admitindo-se como verdadeira a visão proposta pelo Espiritismo sobre a continuidade da vida, dizendo-a mera continuação desta que desfrutamos, falando sobre tratamentos hospitalares; sobre organizações beneméritas ou criminosas; sobre regiões de confinamento o sofrimento; como encarar, por exemplo, a questão da alimentação, das dependências químicas, a que os indivíduos se prendem no tempo de permanência no corpo chamado físico? Se sentimos fome ou necessidade da satisfação das transtornantes sensações dos vícios, como as suprimos? Allan Kardec, em manifestação ocorrida na Sociedade Espírita de Paris, ouvira depoimento emocionado do Espírito do padre Bizet, morto aos 47 anos, em virtude de incansável atuação durante epidemia de cólera agravada pela fome na região de Sétif, Bélgica, e, que, descrevendo seus primeiros momentos no despertar no Plano Espiritual, diz ter tido sob os olhos o atroz espetáculo da fome entre os Espíritos. Mortos nas torturas da fome, ainda procurando em vão satisfazer uma necessidade imaginária, lutando uns contra os outros para arrancar um pedaço de comida que se esconde nas mãos, se entre rasgando e, se assim posso dizer, se entredevorando; uma cena horrível, pavorosa, ultrapassando tudo quanto a imaginação humana pode conceber”. Indagado sobre a situação após a morte física das pessoas que não foram más e que também não se interessaram pelo conhecimento das coisas espirituais durante a vida física, Chico Xavier respondeu que “oitenta por cento das criaturas que desencarnam, voltam-se para a retaguarda sem condições de ascenderem aos planos elevados. Apenas vinte por cento gravitam para os Planos mais altos. A maioria delas, portanto, fica vinculada aos familiares e amigos”. Isso nos faz lembrar cena descrita pelo Espírito André Luiz em seu livro MISSIONÁRIOS DA LUZ (1945, feb), psicografado pelo médium mineiro, na qual, acompanhando o Instrutor Alexandre, visitam a casa de uma viúva, localizada em rua modesta e, que embora relativamente confortável, parecia habitada por muitas entidades de condição inferior, o que observou sem dificuldade, pelo movimento de entradas e saídas, antes mesmo da penetração deles no ambiente doméstico, o que aconteceu sem que os desencarnados infelizes identificassem a presença dos visitantes, em virtude do baixo padrão vibratório que lhes caracterizava as percepções. Relata André Luiz que a família, constituída da viúva, três filhos e um casal de velhos, permanecia à mesa de refeições, no almoço muito simples, observando um fato até então inédito para ele: seis entidades envolvidas em círculos escuros acompanhavam-nos ao repasto, como se estivessem tomando alimentos por absorção. Aturdido, questionando o Instrutor, ouve dele que os quadros de viciação mental e sofrimento nos lares sem equilíbrio religioso, são muito grandes. Onde não existe organização espiritual, não há defesas da paz de espírito, o que é intuitivo para todos os que estimem o pensamento reto. Acrescenta que “os que desencarnam em condições de excessivo apego aos que deixaram na Crosta, neles encontrando as mesmas algemas, quase sempre se mantêm ligados à casa, às situações domésticas e aos fluidos vitais da família. Alimentam-se com a parentela e dormem nos mesmos aposentos onde se desligaram do corpo físico”. A propósito da satisfação das entidades ali congregadas, absorvendo gostosamente as emanações dos pratos fumegantes, ouviu de Alexandre a contra pergunta: - Tanta admiração somente por vê-los tomando alimentos pelas narinas? E nós outros? Desconhece você, porventura, que o próprio homem encarnado recebe mais de setenta por cento da alimentação comum através dos princípios atmosféricos, captados pelos condutos respiratórios? Você não ignora também que as substâncias cozidas ao fogo sofrem profunda desintegração. Ora, nossos irmãos, viciados nas sensações fisiológicas, encontram nos elementos desintegrados o mesmo sabor que experimentavam quando em uso no envoltório carnal. Opinando considerar desagradável tomar refeições na companhia de desconhecidos, mormente da espécie ali observada, o Benfeitor esclareceu “não se tratar de gente anônima, mas sim familiares diversos, que os próprios encarnados retêm com suas pesadas vibrações de apego doentio. Admitindo-se a hipótese que a mesa doméstica estivesse rodeada de entidades indignas, estranhas aos laços consanguíneos, resta a certeza de que obedecem às tendências que lhes são características e à circunstância de que cada Espírito tem as companhias que prefere”. Pondera que “a mesa familiar é sempre um receptáculo de influencias de natureza invisível. Valendo-se dela, medite o homem no Bem, e os trabalhadores espirituais, nas vizinhanças do pensador, virão partilhar-lhe o serviço no campo abençoado dos bons pensamentos (...). Entretanto, pelos mesmos dispositivos da Lei da Afinidade, a maledicência atrairá os caluniadores invisíveis e a ironia buscará, sem dúvida, as entidades galhofeiras e sarcásticas, que inspirarão o anedotário menos digno, deixando margem vastíssima à leviandade e à perturbação (...). É o vampirismo recíproco”.

EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR JOSÉ BENEVIDES CAVALCANTE

 “Se a obsessão é, quase sempre, o resultado de uma vingança exercida por um Espírito e que, na maioria das vezes, tem sua origem das relações que ambos tiveram numa existência anterior, eu pergunto:  como o obsessor pode localizar o obsidiado, se este está reencarnado em outro corpo e, às vezes, até num corpo do sexo oposto de sua reencarnação passada?” ( Cristiano Alves)

Vamos entender melhor pergunta do Cristiano.  Há uma pessoa, que está sofrendo a ação de um obsessor, com quem se relacionou em vida passada. Como é que esse Espírito conseguiu localizar seu desafeto nesta encarnação, se ele (o obsidiado), além de estar ocupando um outro corpo , pode, inclusive, ter um sexo diferente do que teve naquela vida?

A questão é interessante para mostrar como o Espiritismo pensa. Devemos entender que o sentimento que une os Espíritos entre si – pode ser um sentimento amor, mas também pode ser um sentimento de ódio – perdura além desta vida.

Ora o sentimento não é uma coisa material, mas espiritual. É por isso que ele sobrevive à morte do corpo, mantendo essa conexão entre os Espíritos.

Ora, para nós, os encarnados, um inimigo também encarnado pode se esconder de diferentes maneiras, até mesmo usando um disfarce, como por exemplo, assumindo as feições de uma pessoa do sexo oposto.

Nossos sentidos são limitados (a visão, por exemplo) e eles podem nos enganar, mas em relação aos desencarnados é diferente, porque os desencarnados não se utilizam de sentidos físicos para localizar as pessoas, mas conseguem localizá-las por meio das vibrações mentais.

No entanto, devemos lembrar que, mesmo nessa questão de percepção, há diferenças entre os Espíritos. Dependendo de suas condições, alguns têm mais facilidade de perceber essas vibrações, outros têm mais dificuldade.

Mas, certamente, de conformidade com a lei de atração, pela qual os sentimentos se identificam, os Espíritos que se ligam por amor ou mesmo por ódio, se sentem atraídos uns pelos outros. Então, nesses casos, eles podem se localizar.

Em vários casos de obsessão, que chegam ao centro espírita, o processo de desobsessão – ou seja, o afastamento do obsessor – torna-se difícil e, às vezes, impossível, porque o pensamento do obsidiado atrai o obsessor.

Um exemplo típico dessa situação é o caso em que o encarnado traz em seu inconsciente mais profundo um grande sentimento de culpa pelo mal que causou ao atual obsessor em vida passada. Tanto a culpa quanto a mágoa podem servir de ligação entre ambos.

Por outro lado, existem Espíritos que procuram se esconder do inimigo e fazem uso da reencarnação para não serem identificados. Dependendo do grau de ligação que existe entre eles e o inimigo, eles podem ser localizados pelo princípio da atração.

 

segunda-feira, 22 de junho de 2026

PROFUNDA BELEZA; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Na prodigiosa contribuição do Espírito Emmanuel através do médium Chico Xavier, existem textos que revelam superior inspiração. Um deles, ao que tudo indica, constituiu-se em mensagem dirigida a um grande trabalhador da Doutrina Espírita, desencarnado em acidente automobilístico em 1978, aos 65 anos de idade. Seu nome Rubens Romanelli, cujo histórico de vida revela um Espírito que cumpriu um programa reencarnatorio marcado por extremas dificuldades, mas que certamente cumpriu a maioria dos desafiantes itens previstos. Tendo iniciado sua vida profissional aos onze anos o que impossibilitou continuar os estudos, aos 21 anos, em seis meses fez o chamado curso de madureza, aos 26, ingressou por vocação na Faculdade de Filosofia, ingressando, posteriormente no magistério onde lecionou durante alguns anos, para, posteriormente, dedicar-se a professor na mesma Faculdade em que se formara, ligado à Universidade Federal de Minas Gerais. A suposição baseia-se no fato de que o texto pode ser encontrado em duas obras. A primeira, em PRIMADO DO ESPÍRITO (2000;Lachâtre),  próprio Romanelli, publicada inicialmente pelos fins da década de 50. A segunda, no livro PAZ E LIBERTAÇÃO, (1966; CEU), de Autores Diversos. A suposição prende-se ao início da primeira transcrição onde o autor dirige-se ao destinatário “Meu filho”. Na segunda, o tratamento é omitido. Excetuando-se o título – na primeira QUANDO e na segunda MEDITAÇÃO e, o final da primeira em que se observa um paragrafo a mais, todo o resto é de profunda beleza. O teor da carta é o seguinte:  - “Quando, nas horas de íntimo desgosto, o desalento te invadir a alma e as lágrimas te aflorarem aos olhos, busca-me: "eu sou aquele que sabe sufocar-te o pranto e estancar-te as lágrimas”.

Quando te julgares incompreendido dos que te circundam e vires que em torno há indiferença, acerca-te de mim: "eu sou a luz, sob cujos raios te aclaram a pureza de tuas intenções e a nobreza de teus sentimentos!"

Quando se te extinguir o ânimo para arrostares as vicissitudes da vida e te achares na iminência de desfalecer, chama-me: "eu sou a força capaz de remover-te as pedras do caminho e sobrepôrte às adversidades do mundo!"

Quando inclementemente te açoitarem os vendavais da sorte e se já não souberes onde reclinar a cabeça, corre para junto de mim: "eu sou o refúgio em cujo seio encontrarás guarida para teu corpo e tranquilidade para teu espírito!..."

Quando te faltar a calma, nos momentos de maior aflição e te considerares incapaz de conservar a serenidade de espírito, invoca-me: "eu sou a paciência que te faz vencer os transes mais dolorosos e triunfar nas situações mais difíceis."

Quando te debateres nos paroxismos da dor e tiveres a alma ulcerada pelos abrolhos, grita por mim: "eu sou o bálsamo que cicatriza as chagas e te minora os padecimentos!"

Quando o mundo te iludir com suas promessas falazes e perceberes que ninguém pode inspirar-te confiança, vem a mim: "eu sou a sinceridade que sabe corresponder à franqueza de tuas atitudes e à excelsitude de teus ideais!"

Quando a tristeza e a melancolia te povoarem o coração e tudo te causar aborrecimento, chama por mim: "eu sou a alegria que insufla um alento novo e te faz conhecer os encantos do teu mundo interior!"

Quando, um a um, te fenecerem os ideais mais belos e te sentires no auge do desespero, apela por mim: "eu sou a esperança que te robustece a fé e te acalenta os sonhos!"

Quando a impiedade recusar-se a relevar-te as faltas e experimentares a dureza do coração humano, procura-me: "eu sou o perdão que te levanta o ânimo e promove a reabilitação do teu espírito!"

Quando duvidares de tudo, até de tuas próprias convicções, e o ceticismo te avassalar a alma, recorre-te a mim: "eu sou a crença que te inunda de luz e entendimento e te habilita para a conquista da felicidade!"

Quando já não provares a sublimidade de uma afeição terna e sincera e te desiludires do sentimento do teu semelhante, aproxima-te de mim: "eu sou a renúncia que te ensina a olvidar a ingratidão dos homens e a esquecer a incompreensão do mundo!"

E quando, enfim, quiseres saber quem sou, pergunta ao riacho que murmura e ao pássaro que canta, à flor que desabrocha e à estrela que cintila, ao moço que espera e ao velho que recorda.

"Chamo-me AMOR, o remédio para todos os males que te atormentam o espírito! Eu, sou JESUS!"

EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR JOSÉ BENEVIDES CAVALCANTE

Um  ouvinte habitual de nosso programa pergunta se o obsessor pode causar insônia no obsidiado.

Na verdade a insônia pode ser causada por inúmeros fatores, sobretudo os de ordem psíquica ou emocional.

Ansiedade, por exemplo, pode tirar o sono de qualquer um de nós. Basta termos algum problema que nos preocupe muito e acabamos por manter o cérebro em vigilância à noite, trabalhando a todo vapor e dificultando o sono.

Portanto, não podemos atribuir toda situação insônia aos Espíritos, por mais que o problema persista. Geralmente a causa principal da insônia está no encarnado e o tratamento é de ordem médica ou psicológica.

Entretanto, é possível que um Espírito, aproximando-se do encarnado, provoque um estado de sonolência. E é possível que esse obsessor, aproveitando a insônia do obsidiado, procura complicá-la ainda mais.

Mas a influência espiritual nesses casos não precisa partir necessariamente de um obsessor. Pode ser até mesmo um Espírito familiar ou de um amigo em busca de ajuda.

Essa aproximação se faz pela sintonia de pensamento ou de sentimento, que pode estar relacionada com relações de afetividade no caso de membro da família.

Cada caso é um caso, como dizemos sempre.  Mas recomendamos para casos de insônia também o tratamento espiritual por meio de passes, por exemplo, independente da causa do problema e da assistência médico-psicológica.

O passe, porém, não tem poder mágico. Somente o passe não resolve. Ele serve para dar alívio, disposição e autoconfiança. Mas precisa de um complemento.

O complemento está no estilo de vida que levamos no dia a dia, principalmente na convivência com familiares, com amigos  e com colegas de trabalho.

 É a nossa capacidade de estabelecermos relações fraternas com as pessoas da nossa convivência, e mesmo estranhos, que ao final vai determinar a qualidade de nosso sono. 

 

 

 

 

domingo, 21 de junho de 2026

MORTE - RESPOSTAS QUE O ESPIRITISMO DÁ; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Buscando esclarecimentos substanciais e lógicos, parte dos que se veem inesperadamente diante da perda de em ente querido quer respostas. E, cumprindo sua missão principal, a Doutrina Espírita esclarece dúvidas de muitos. Eis 5 delas: 1 - Supondo que a existência do Espírito seja real, qual a situação dos Espíritos encarnados cujos corpos ficam meses, e até anos em estado de coma ? Dependerá da sua situação mental. Há casos em que o Espírito permanece como aprisionado ao corpo, dele não se afastando até que permita receber auxílio dos Benfeitores Espirituais. São pessoas, em geral, muito apegadas à vida material e que não se conformam com a situação. Em outros casos, os Espíritos, apesar de manterem uma ligação com o corpo físico, por intermédioB do períspirito, dispõem de uma relativa liberdade. Em muitas ocasiões, pessoas saídas do coma descrevem paisagens e contatos com seres que já os precederam na passagem para a vida Espiritual. É comum que após essas experiências elas passem a ver a vida com novos olhos, reavaliando seus valores íntimos. Em qualquer das circunstâncias, o Plano Espiritual sempre estende seus esforços na tentativa de auxílio. Daí a importância da prece, do equilíbrio, da palavra amiga e fraterna, da transmissão de paz, das conversações edificantes para que haja maiores condições ao trabalho do Bem que se direciona, nessas horas, tanto ao enfermo como aos encarnados (familiares e médicos) 2- Como o Espiritismo vê a Eutanásia, Ortotanásia ou Distanásia? Emmanuel - Os profissionais e responsáveis por pacientes que consentem com a prática da eutanásia, imbuídos de ideias materialistas, desconhecem a realidade maior quanto à mortalidade do Espírito. A morte voluntária é entendida como o fim de todos os sofrimentos, mas trata-se de considerável engano. A fuga de uma situação difícil, como a enfermidade, não resolverá as causas profundas que a produziram, já que estas se encontram em nossa consciência. É necessário confiar, antes de tudo, na Providência Divina, já que tais situações consistem em valiosas lições em processos de depuração do Espírito.”. (PR,61) 3 - Doação do corpo ou de órgãos do mesmo para transplantes pode causar sofrimento para o Espírito do doador?  Espírito André Luiz - Excetuando-se determinados casos de mortes em acidentes e outros casos excepcionais, em que a criatura necessita daquela provação, ou seja, o sofrimento intenso no momento da morte esta de um modo geral, não traz dor alguma porque a demasiada concentração do dióxido de carbono no organismo determina anestesia do sistema nervoso central, sem qualquer repercussão no Espírito que se afasta. 4 - Cremação pode causar sofrimento ao Espírito?  Emmanuel -  “Geralmente, nas primeiras horas após a morte, ainda sente o Espírito ligado aos elementos cadavéricos. Laços fluídicos, imperceptíveis ao nosso poder visual, ainda se conservam unindo a alma recém-liberta ao corpo exausto.; esses elos impedem a decomposição imediata da matéria. E, por esta razão, na maioria dos casos, o Espírito pode experimentar os sofrimentos oriundos da cremação, a qual, nunca deverá ser levada a efeito antes do prazo de 50 horas após o desenlace. 5- No retorno ao Plano Espiritual, a pessoa encontra os que a precederam nesta passagem? O Espírito encontra aqueles que conheceu na Terra e morreram antes dele, segundo a afeição que tenham mantido reciprocamente. Quase sempre eles o vêm receber na sua volta ao Mundo dos Espíritos e o ajudam a se libertar das faixas da matéria. Vê também a muitos que havia perdido de vista durante a passagem pela Terra; vê os que estão na erraticidade, bem como os que se encontram encarnados, que vai visitar. (LE, 160)

EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR JOSÉ BENEVIDES CAVALCANTE

– “No livro VIDA E SEXO, ditado por Emmanuel, psicografia de Chico Xavier, cap. 21, “Homossexualidade”, lemos: “Observadas as tendências homossexuais dos companheiros reencarnados nessa faixa de prova ou de experiência é forçoso se lhes dê o amparo educativo adequado, tanto quanto se administra instrução à maioria heterossexual”, pergunto: substituir a expressão “tendências homossexuais” por “tendências transgêneras” e substituir a expressão “a maioria heterossexual” por maioria cisgênera deixaria a frase ainda de acordo com a Doutrina Espírita”?

Tudo é uma questão de nomenclatura, caro ouvinte. Na época em que VIDA E SEXO foi lançado, ano de 1970, aqui no Brasil dávamos o nome de homossexuais indiscriminadamente a todos os homens com tendências femininas e de lésbicas a todas as mulheres que demonstravam tendências masculinas.

Emmanuel se baseou nessa forma generalizada de tratar a questão, qualificando as pessoas de homossexuais e heterossexuais.

Foi somente nos últimos anos da década de 1980 que o termo transexual, mais amplo e abrangente, passou a ser utilizado no Brasil, por influência de autores ingleses, que já cunharam o termo “transgender”, que depois originou “transgênero” em língua portuguesa.

O termo “cisgênero” veio a propósito dos que são identificados segundo as características dos órgãos sexuais com que nasceram.

  Essas mudanças de nomenclatura ocorreram, antes nos países de língua inglesa e anos depois no Brasil, principalmente a partir da década de 1990, em razão dos novos entendimentos que os cientistas passaram a ter em relação à complexa questão.   

É importante ressaltar que Emmanuel, na sua afirmação, ao falar dos então conhecidos por “homossexuais” fala em “companheiros reencarnados nessa faixa de prova ou de experiência”.

Isso significa, segundo a Doutrina Espírita, que cada caso é um caso específico, de modo que cometemos muitos equívocos se quisermos enquadrar todos os casos como se tivessem a mesma causa.

Em 1980, quando o Dr. Jorge Andréa publicou AS FORÇAS SEXUAIS DA ALMA pela Federação Espírita Brasileira, a nomenclatura ainda era a antiga, mas mesmo assim os conceitos utilizados pelo autor naquela obra, conformando-os ao entendimento espírita, parecem corresponder aos estudos que se verificaram posteriormente.

 

 

 

quinta-feira, 18 de junho de 2026

PARA COMPREENDERMOS A FUNÇÃO DO EGOÍSMO; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 

Um dos principais intelectuais do Espiritismo no Brasil ao longo do século 20, Herculano Pires é pouco conhecido pelos estudiosos contemporâneos. Olhar crítico sobre o comportamento daqueles que fundaram e dirigiam Obras Sociais em nome da Doutrina Espírita, pelo conhecimento adquirido fez análises precisas sobre os desvios revelados nas ações observadas. Na obra CURSO DINÂMICO DE ESPIRITISMO – o grande desconhecido (paidéia,1979), várias dessas análises. Numa delas, sentimos a profundidade e racionalidade de seus raciocínios.-“Tudo tem a sua utilidade na Natureza. O Universo é teleológico, finalista, busca sempre e em tudo uma finalidade. Os filósofos ante finalistas apoiam suas teorias no erro humano, de todos os tempos, que interpreta a Natureza como criada especialmente para o homem. Esse erro surgiu nas selvas, permaneceu nas civilizações primitivas e projetou-se nas civilizações posteriores. Os próprios deuses e demônios de toda a Antiguidade foram postos ao serviço do homem, que embora os reverenciando, pretendiam utilizá-los como seus auxiliares. O Universo tem, naturalmente, uma finalidade única e superior, em que todas as finalidades se conjugam num resultado único. Mas esse resultado escapa às nossas possibilidades de pesquisa, de compreensão e mesmo de imaginação. A mais inútil das coisas e os mais prejudiciais dos seres são necessários. E ser necessário é ser indispensável, é pertencer a um elo da cadeia inimaginável que Kardec nos apresenta nesta frase tantas vezes repetida no Livro dos Espíritos: Tudo se encadeia no Universo. (...) O egoísmo, a vaidade, o orgulho, a pretensão, a ambição representam elementos negativos da constituição do ser humano, que devem ser eliminados. Mas essa eliminação não se dá pelos métodos antigos das corporações religiosas, até hoje empregados, apesar dos terríveis malefícios causados. Kardec e os Espíritos Superiores, em suas comunicações, consideraram o egoísmo como verdadeira praga que impediu .o desenvolvimento real do Cristianismo na Terra. Mas jamais aconselharam métodos artificiais para o combate ao egoísmo. (...) Todos nós carregamos ainda as marcas profundas e dolorosas, deformantes, do relacionamento humano na Terra. Com a caridade os homens vão aprendendo a sair do egoísmo para o altruísmo, a não pensar, apenas nos seus problemas particulares, a não dividir o seu tempo e bem-estar apenas com os familiares, mas levar um pouco de si mesmos e dos seus recursos para a família maior que sofre lá fora. É essa a finalidade do princípio cristão da caridade no Espiritismo. Por isso a caridade espírita não pode cercar-se de barreiras e dificuldades, de exigências e desconfianças. Deve ser ampla e generosa, acessível a todos, evitando constranger ou humilhar os que a recebem. O ego é como uma flor que primeiro se fecha no botão para depois desabrochar na corola e por fim doar-se nos frutos.  Tentemos visualizar o processo de formação do ego, para compreendermos a função do egoísmo. A dialética espírita nos ensina que o espírito (não individualizado, mas como o elemento espiritual catalisador, capaz de atrair e aglutinar a matéria esparsa no espaço) liga-se à matéria para lhe dar forma, estrutura. Podemos seguir esse processo no caso humano, em que o ego aparece como um pivô da personalidade em formação, desde a infância. A criança é egocêntrica, é um pivô em torno do qual giram as atenções e as afeições da família. Ela se torna, naturalmente, no centro do mundo. Porque esse é o meio de consolidação da sua individualidade. Tudo quanto ela atrai e absorve do ambiente, do exemplo familial, das relações progressivas na escola e nos brinquedos, é automaticamente centralizado no ego, que é o seu ponto interior de segurança ante a dispersividade do mundo. O botão fechado centraliza as suas energias, preparando o momento de abrir-se na corola colorida e perfumada. Essa a primeira função do ego, e essa função não é egoísta, mas centralizadora por necessidade de estruturação interna. Quando essa estruturação se define como tal, a criança se abre timidamente para oferecer ao mundo a sua contribuição inicial de beleza e ternura. E um novo ser que surge no mundo, vestido com a roupagem da inocência, como diz Kardec, e ao mesmo tempo trazendo a incógnita de um passado que se revelava pouco a pouco no esquema de um destino com ideias e hábitos negativos que nos foram impostos à força milênios de brutalidade civilizadora. Por isso o nosso tempo, em que tomamos consciência do absurdo desse massacre universal realizado em nome de Deus, mostra-se dominado por inquietações e desesperos, revolta e loucura, psicopatias e obsessões que levam a espécie humana a todos os desvarios e ao suicídio individual e coletivo. Temos de examinar essa situação à luz do Evangelho desfigurado e mal interpretado, muitas vezes contraditado frontalmente pelas teologias do absurdo.

EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR JOSÉ BENEVIDES CAVALCANTE

Eu ainda não entendi – disse um companheiro de estudo - porque Jesus disse ao povo “sede perfeitos como vosso Pai celestial é perfeito”. Ora, ninguém pode chegar à perfeição de Deus. Por que ele disse isso?

Muito das falas atribuídas a Jesus acabam parecendo estranhas, ou porque são mal traduzidas, ou porque não encontram uma correspondente em nossa língua, ou ainda porque são mal interpretadas.

Mas, nesse caso específico, convém analisar a frase com um pouco mais de cuidado com as palavras. Ao dizer “como vosso Pai celestial é perfeito”, Jesus não estava dizendo que devemos ser tão perfeitos quanto Deus.

Se fosse assim, Jesus teria dito “sede perfeitos quanto vosso Pai celestial é perfeito”, ou seja utilizando a o advérbio “quanto” e não o advérbio “como”. Prestem atenção nos advérbios.

O advérbio “quanto” se refere à quantidade e o advérbio “como” se refere à qualidade.

Logo, o advérbio “como” é sua para comparar, mas não para quantificar: ”Sede perfeitos como Vosso Pai Celestial é perfeito”.

No caso de Jesus o advérbio foi de comparação e não de quantificação, de modo que Jesus poderia ter dito “sede perfeitos assim ou do mesmo modo que vosso Pai celestial é perfeito”.

Neste caso, Jesus quis dizer o seguinte: O Pai é perfeito e vós também devem ser perfeitos”. Porém, precisamos considerar que a perfeição de Deus é Absoluta, não existe outra.

 Já a nossa perfeição, que somos filhos de Deus, é relativa – ou seja, cada um de seus filhos vai alcançar a sua própria perfeição (que é relativa), como Deus tem a sua perfeição ( que é absoluta).

No cômputo geral, Jesus estava se referindo à Lei de Evolução, segundo a qual todos os seres relativos, como nós, chegaremos à nossa própria perfeição por meio de um processo constante de aperfeiçoamento, o que vai acontecer através das reencarnações.

Para melhor compreensão do ouvinte, vamos dar exemplo do que acontece nesta vida. José, ao longo de sua experiência profissional, alcançará sua perfeição como mecânico. Maria também alcançará a sua perfeição como cozinheira. Isso é perfeição relativa.

  Seguindo este mesmo raciocínio em relação à jornada do Espírito: cada um, percorrendo seu longo processo de aperfeiçoamento, atingirá a sua própria perfeição, de tal modo que a perfeição de um não será a perfeição de outro.

Estamos dando este exemplo para entendermos o que é perfeição relativa, que cada um de nós vai alcançar. Deus, porém, só Deus tem a perfeição absoluta.