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domingo, 17 de janeiro de 2021

ENTENDENDO O REALIDADE ATUAL COM O ESPIRITISMO; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 

1- O progresso alcançado pela Humanidade nos últimos dois séculos, transformando a Terra num mundo Globalizado, em tese deveria ter contribuído para a solução dos grandes problemas sociais como a violência, a fome, as questões habitacionais. Todavia a situação atual - incluindo o drama da tal Pandemia sobre a qual todos opinam sem explicar a origem do mal e seus efeitos, demonstram que longe está a criatura humana de alcançar uma realidade de Paz e Felicidade. Como, com base no Espiritismo, explicar esse fenômeno?

Os males da Humanidade provêm da imperfeição dos homens; pelos seus vícios é que eles se prejudicam uns aos outros. Enquanto forem viciosos, serão infelizes, porque a luta dos interesses gerará constantes misérias. Sem dúvida, boas leis contribuem para melhorar o estado social, mas são impotentes para tornar venturosa a Humanidade, porque mais não fazem do que comprimir as paixões ruins, sem as eliminar. Em segundo lugar, porque são mais repressivas do que moralizadoras e só reprimem os mais salientes atos maus sem lhes destruir as causas. Aliás, a bondade das leis guarda relação com a bondade dos homens; enquanto estes se conservarem dominados pelo orgulho e pelo egoísmo, farão leis em benefício de suas ambições pessoais. A lei civil apenas modifica a superfície; somente a lei moral pode penetrar o foro íntimo da consciência e reformá-lo. Reconhecido, pois, que o atrito oriundo do contato dos vícios é que faz infortunados os homens, o único remédio para seus males está em se melhorarem eles moralmente. Uma vez que nas imperfeições se encontra a causa dos males, a felicidade aumentará na proporção em que as imperfeições diminuírem.

 

2- Os sistemas legislativos idealizados por aqueles que, na estrutura das Nações, são os responsáveis por isso, em muitos aspectos parecem criar regras baseadas na ânsia de resolver as distorções observadas no coletivo. Porque não produzem os efeitos esperados?

Por melhor que seja uma instituição social, sendo maus os homens, eles a falsearão e lhe desfigurarão o espírito para a explorarem em proveito próprio. Quando os homens forem bons, organizarão boas instituições, que serão duráveis, porque todos terão interesse em conservá-las. A questão social não tem, pois, por ponto de partida a forma de tal ou qual instituição; ela está toda no melhoramento moral dos indivíduos e das massas. Aí é que se acha o princípio, a verdadeira chave da felicidade do gênero humano, porque então os homens não mais cogitarão de se prejudicarem reciprocamente. Não basta se cubra de verniz a corrupção, é indispensável extirpar a corrupção. O princípio do melhoramento está na natureza das crenças, porque estas constituem o móvel das ações e modificam os sentimentos. Também está nas ideias inculcadas desde a infância e que se identificam com o Espírito; está ainda nas ideias que o desenvolvimento ulterior da inteligência e da razão podem fortalecer, nunca destruir. É pela educação, mais do que pela instrução, que se transformará a Humanidade.

 

3- Ilusão acreditar então que os problemas crônicos da sociedade ampliados pela explosão demográfica dos últimos 70 anos possam ser resolvidos um dia na Dimensão Existencial em que nos encontramos?

O homem que se esforça seriamente por se melhorar assegura para si a felicidade, já nesta vida. Além da satisfação que proporciona à sua consciência, ele se isenta das misérias materiais e morais, que são a consequência inevitável das suas imperfeições. Terá calma, porque as vicissitudes só de leve o roçarão. Gozará de saúde, porque não estragará o seu corpo com os excessos Será rico, porque rico é sempre todo aquele que sabe contentar-se com o necessário. Terá a paz do espírito, porque não experimentará necessidades fictícias, nem será atormentado pela sede das honrarias e do supérfluo, pela febre da ambição, da inveja e do ciúme. Indulgente para com as imperfeições alheias, menos sofrimentos lhe causarão elas, que, antes, lhe inspirarão piedade e não cólera. Evitando tudo o que possa prejudicar o seu próximo, por palavras e por atos, procurando, ao invés, fazer tudo o que possa ser útil e agradável aos outros, ninguém sofrerá com o seu contato. Garante a sua felicidade na vida futura, porque, quanto mais ele se depurar, tanto mais se elevará na hierarquia dos seres inteligentes e cedo abandonará esta Terra de provações, por mundos superiores, porquanto o mal que haja reparado nesta vida não terá que o reparar em outras existências; porquanto, na erraticidade, só encontrará seres amigos e simpáticos e não será atormentado pela visão incessante dos que contra ele tenham motivos de queixa. Vivam juntos alguns homens, animados desses sentimentos, e serão tão felizes quanto o comporta a nossa Terra. Ganhem assim, passo a passo, esses sentimentos todo um povo, toda uma raça, toda a Humanidade e o nosso globo tomará lugar entre os mundos ditosos.

 

4- Isso não será isto uma utopia, uma fantasia?

Sê-lo-á para aquele que não crê no progresso da alma; não o será para aquele que crê na sua perfectibilidade indefinita. O progresso geral é resultante de todos os progressos individuais; mas, o progresso individual não consiste apenas no desenvolvimento da inteligência, na aquisição de alguns conhecimentos. Nisso mais não há do que uma parte do progresso, que não conduz necessariamente ao bem, pois que há homens que usam mal do seu saber. O progresso consiste, sobretudo, no melhoramento moral, na depuração do Espírito, na extirpação dos maus germens que em nós existem. Esse o verdadeiro progresso, o único que pode garantir a felicidade ao gênero humano, por ser o oposto mesmo do mal. Muito mal pode fazer o homem de inteligência mais cultivada; aquele que se houver adiantado moralmente só o bem fará. É, pois, do interesse de todos o progresso moral da Humanidade.

 

5- Mas, que importam a melhora e a felicidade das gerações futuras, àquele que acredita que tudo se acaba com a vida? Que interesse tem ele em se aperfeiçoar, em se constranger, em domar suas paixões inferiores, em se privar do que quer que seja a benefício de outrem?

Nenhum. A própria lógica lhe diz que seu interesse está em gozar depressa e por todos os meios possíveis, visto que amanhã, talvez, ele nada mais será. A doutrina do “não fazer nada” é a paralisia do progresso humano, porque circunscreve as vistas do homem ao imperceptível ponto da presente existência; porque lhe restringe as ideias e as concentra forçosamente na vida material. Com essa doutrina, o homem nada sendo antes, nem depois, cessando com a vida todas as relações sociais, a solidariedade é vã palavra, a fraternidade uma teoria sem base, a abnegação em favor de outrem mero embuste, o egoísmo, com a sua máxima — cada um por si, um direito natural; a vingança, um ato de razão; a felicidade, privilégio do mais forte e dos mais astuciosos; o suicídio, o fim lógico daquele que, baldo de recursos e de expedientes, nada mais espera e não pode safar-se do tremedal. Uma sociedade fundada sobre o nadismo traria em si o gérmen de sua próxima dissolução. Outros, porém, são os sentimentos daquele que tem fé no futuro; que sabe que nada do que adquiriu em saber e em moralidade lhe estará perdido; que o trabalho de hoje dará seus frutos amanhã; que ele próprio fará parte das gerações porvindouras, mais adiantadas e mais ditosas. Sabe que, trabalhando para os outros, trabalha para si mesmo. Sua visão não se detém na Terra, abrange a infinidade dos mundos que lhe servirão um dia de morada; entrevê o glorioso lugar que lhe caberá, como o de todos os seres que alcançam a perfeição.

 

6- A proposta do Espiritismo segundo a qual a vida física é apenas parte de um processo mais amplo que não começou na concepção nem terminará na morte do corpo, processo que se repetira na caminhada do Espírito na direção de sua iluminação pode alterar esse quadro?

Com a fé na vida futura, dilata-se-lhe o círculo das ideias; o porvir lhe pertence; o progresso pessoal tem um fim, uma utilidade real. Da continuidade das relações entre os homens nasce a solidariedade; a fraternidade se funda numa lei da Natureza e no interesse de todos. A crença na vida futura é, pois, elemento de progresso, porque estimula o Espírito; somente ela pode dar ao homem coragem nas suas provas, porque lhe fornece a razão de ser dessas provas, perseverança na luta contra o mal, porque lhe assina um objetivo. A formar essa crença no espírito das massas é, portanto, o em que devem aplicar-se os que a possuem.

 

7- Essa ideia não parece utópica numa sociedade que fez do materialismo sua razão de ser?

Ela é inata no homem. Todas as religiões a proclamam. Por que, então, não deu, até hoje os resultados que se deviam esperar? É que, em geral a apresentam em condições que a razão não pode aceitar. Conforme a pintam, ela rompe todas as relações com o presente; desde que tenha deixado a Terra, a criatura se torna estranha à Humanidade: nenhuma solidariedade existe entre os mortos e os vivos; o progresso é puramente individual; cada um, trabalhando para o futuro, unicamente para si trabalha, só em si pensa e isso mesmo para uma finalidade vaga, que nada tem de definido, nada de positivo, sobre que o pensamento se firme com segurança; enfim, porque é mais uma esperança que uma certeza material. Daí resulta, para uns, a indiferença, para outros, uma exaltação mística que, isolando da Terra o homem, é essencialmente prejudicial ao progresso real da Humanidade, porquanto negligencia os cuidados que reclama o progresso material, para o qual a Natureza lhe impõe o dever de contribuir.

 

8- Porque então as religiões Ocidentais ou Orientais nas diferentes Civilizações e Eras em que praticamente subjugaram a Ciência e a Política do Mundo não tiveram êxito?

Por muito incompletos que sejam os resultados, não deixam de ser efetivos. Quantos homens não se sentiram encorajados e sustentados na senda do bem por essa vaga esperança! Quantos não se detiveram no declive do mal, pelo temor de comprometer o seu futuro! Quantas virtudes nobres essa crença não desenvolveu! Não desdenhemos as crenças do passado, por imperfeitas que sejam, quando conduzem ao bem: elas estavam em correspondência com o grau de adiantamento da Humanidade. Mas, tendo progredido, a Humanidade reclama crenças em harmonia com as novas ideias. Se os elementos da fé permanecem estacionários e ficam distanciados pelo Espírito, perdem toda influência; e o bem que hajam produzido, em certo tempo, não pode prosseguir, porque aqueles elementos já não se acham à altura das circunstâncias.

 

9 – Ante os fracassos históricos observados nas sociedades humanas, para se evitar repetições qual ponto deve ser enfatizado nessa luta titânica do EU contra o Todo para se operar as mudanças que muitos anseiam?

Para que a doutrina da vida futura doravante dê os frutos que se devem esperar, é preciso, antes de tudo que satisfaça completamente à razão; que corresponda à ideia que se faz da sabedoria, da justiça e da bondade de Deus; que não possa ser desmentida de modo algum pela Ciência. É preciso que a vida futura não deixe no espírito nem dúvida, nem incerteza; que seja tão positiva quanto a vida presente, que é a sua continuação do mesmo modo que o amanhã é a continuação do dia anterior. É necessário seja vista, compreendida e, por assim dizer, tocada com o dedo. Faz-se mister, enfim, que seja evidente a solidariedade entre o passado, o presente e o futuro, através das diversas existências. Tal a ideia que da vida futura apresenta o Espiritismo. O que a essa ideia dá força é que ela absolutamente não é uma concepção humana com o mérito apenas de ser mais racional, sem contudo oferecer mais certeza do que as outras. É o resultado de estudos feitos sobre os testemunhos oferecidos por Espíritos de diferentes categorias nas suas manifestações, que permitiram se explorasse a vida extracorpórea em todas as suas fases, desde o extremo superior ao extremo inferior da escala dos seres. As peripécias da vida futura, por conseguinte, já não constituem uma simples teoria, ou uma hipótese mais ou menos provável: decorrem de observações. São os habitantes do mundo invisível que vêm eles próprios, descrever os seus respectivos estados e há situações que a mais fecunda imaginação não conceberia, se não fossem patenteadas aos olhos do observador.

 

10- Porque devemos acreditar no sucesso dessa nova (velha) ideia?

Ministrando a prova material da existência e da imortalidade da alma, iniciando-nos nos mistérios do nascimento, da morte, da vida futura, da vida universal, tornando-nos palpaveis as inevitáveis consequências do bem e do mal, a Doutrina Espírita, melhor do que qualquer outra, põe em relevo a necessidade da melhoria individual. Por meio dela, sabe o homem donde vem, para onde vai, por que está na Terra; o bem tem um objetivo, uma utilidade prática. Ela não se limita a preparar o homem para o futuro, forma-o também para o presente, para a sociedade. Melhorando-se moralmente os homens prepararão na Terra o reinado da paz e da fraternidade. A Doutrina Espírita é assim o mais poderoso elemento de moralização, por se dirigir simultaneamente ao coração, à inteligência e ao interesse pessoal bem compreendido.

(adaptação de texto elaborado por Allan Kardec)


 Agora é a vez de José Donizete Dias que nos trouxe a seguinte solicitação:  “Gostaria de saber se, quando a pessoa morre num acidente de carro, por exemplo, se ela sente no Mundo Espiritual o impacto da morte violenta”.

  Quem aborda muito bem essa questão da morte e da desencarnação é o autor espiritual André Luiz, pela mediunidade de Chico Xavier. Depois das obras de Kardec, as obras de André Luiz, foram as que mais informações trouxeram sobre o mundo espiritual , particularmente no que se refere aos primeiros momentos do Espírito após a desencarnação.  Há uma outra obra de grande valor informativo, que busca sintetizar as de André Luiz, além de buscar outras informações em diversas cartas de entes queridos desencarnados, recebidas pelo médium Chico Xavier. Trata-se do livro intitulado  NOSSA VIDA NO ALÉM, autoria de Marlene Nobre.

  Não resta dúvida de que o gênero de morte influi na condição do Espírito que acaba de desencarnar. Uma morte, que acontece com o esgotamento natural do corpo por enfermidade, de uma maneira geral, é mais confortável para o Espírito desencarnante, justamente porque segue o ritmo da natureza, sem precipitação. Na ordem natural, o Espírito passa a se desprender do corpo a partir desse momento e pode demorar horas para desencarnar. Ou seja, desencarnação é diferente de morte. A morte é a cessação das funções orgânicas e a desencarnação é o desprendimento do espírito do corpo morto. Logo morte e desencarnação, no processo natural, não se dá ao mesmo tempo: primeiro a morte e em seguida começa a desencarnação.

   A morte causada por acidente, Donizete, sobretudo a morte instantânea (aquela que se dá no local e no momento do acidente),  vai ter uma repercussão imediata no Espírito. Muitas vezes, ela ocorre no auge da vida orgânica da pessoa – quando ela está na plenitude da vida – e isso lhe causa um grande impacto. Primeiro, porque a desencarnação se dá se forma instantânea, como se o indivíduo fosse arrancado de seu corpo, e esse impacto pode lhe deixar sequelas. É claro que o acidente não atinge o espírito diretamente, mas vai atingi-lo através do corpo que a ele está ligado.

Contudo, Donizete, precisamos considerar um fator de grande influência nessa situação, que é a condição moral do Espírito. Em geral, toda desencarnação é assistida por Espíritos benfeitores, de modo a facilitar o desprendimento do espírito. E essa assistência vai depender da condição moral da pessoa. Quanto mais espiritualizada ela for – ou seja, quanto menos apegada à vida material, quanto mais puros seus sentimentos e quanto mais boas ações tenha praticado em vida – mais campo ela vai oferecer para ser atendida pelos Benfeitores, seja nesse processo de desencarnação ou em qualquer outra situação.

Desse modo, há desencarnações motivadas por mortes em acidente em que o Espírito está tão bem consigo mesmo, tão em paz com sua consciência pela boa conduta que tem demonstrado, que ele nem assiste a esse desligamento brusco do corpo. É que ele está sob uma proteção maior. Os seus protetores, que perceberam antes o acidente que ia sofrer, o acudiram em tempo para livrá-lo de uma situação angustiosa e dar o amparo que ele necessita.

Nesses casos, segundo as informações colhidas por cartas recebidas pelo médium Chico Xavier, o Espírito é resgatado por benfeitores espirituais que o encaminham para um acolhimento num posto de socorro, onde vai ser devidamente tratado até ter condições de tomar consciência do que lhe aconteceu, evitando o trauma da morte. Portanto, como você pode perceber, existe no plano espiritual esse tipo de serviço de atendimento para alguns casos. Todavia, de uma maneira geral, podemos dizer que cada caso é um caso, pois depende do histórico do individuo; como dissemos, de como ele viveu, de seus valores morais, de sua conduta – pois isso somado é que vai lhe proporcionar a necessária tranquilidade de consciência, que o coloca em prontidão para qualquer eventualidade.

 

 

sábado, 16 de janeiro de 2021

ESPIRITUALIDADE E FAMÍLIA; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

O grande líder budista Dalai Lama define Espiritualidade como “aquilo que produz no Ser humano uma mudança interior”. Trata-se de uma conquista do Ser na sua caminhada evolutiva. Como o homem não nasce um “ produto acabado”, vai sofrendo as influências do meio, às quais reage conforme sua realidade interior, sofrendo quedas e se erguendo durante grande parte de sua vida física. O aprendizado seja pela força das circunstâncias, seja pelas decisões conscientes, é constante. Oportuno, portanto, referências. Quando emanadas de quem lidou grande parte de sua vida com a problemática humana, mais respeito merece. Daí a razão de buscarmos opiniões do grande médium Chico Xavier. Recolhemos da vasta obra construída com suas opiniões, sete corriqueiros temas relacionados à família para nossas análises e reflexões: 1 – LAR – “Sem a família organizada caminharíamos para a selva e isso não tem razão de ser. A família terá de fazer grandes aberturas, porque estamos aí com os anticoncepcionais, com os problemas psicológicos, com os conflitos da mente, com as exigências afetivas de várias nuances (...). A família precisa abrir novas pistas de compreensão para que os componentes dela possam viver em regime de respeito recíproco, com os problemas de que são portadores, sem a agressão que tantas vezes se verifica, contra criaturas que sofrem aflitivos problemas dentro da constituição psicológica diferente da maioria”. 2 – CASAMENTO - “-União de almas simpáticas é uma raridade sobre a Terra. Quase todos estamos vinculados aos nossos compromissos de existências anteriores. Com o passar do tempo, o casal que descobre entre si certas diferenças não deve se assustar; é natural que assim seja. Se não houver amor, que pelo menos haja respeito. Tenho visto muitos casamentos se desfazerem por causa do extremo egoísmo dos cônjuges, que não se dispõe a um mínimo de sacrifício e de renúncia. Ora, estamos ainda muito longe do amor com  que devemos nos consagrar uns aos outros, mas nada nos impede de começar a exercitar a paciência, o perdão, o silêncio... Se “um não revidasse quando fosse ofendido pelo outro, teríamos um número infinitamente menor de separações conjugais”. 3 – ESFRIAMENTO NO INTERESSE AFETIVO APÓS O NASCIMENTO DOS FILHOS - “Grande número de enlaces na Terra obedece a determinações de resgates, escolhidas pelos próprios cônjuges, antes do renascimento no berço físico. E aqueles amigos que serão filhos do casal, muitas vezes, agindo no Além, transformam, ou melhor, omitem as dificuldades prováveis do casamento em perspectiva para que os cônjuges se aproximem afetuosamente um do outro, segundo os preceitos das Leis Divinas e formem o lar, desfazendo dentro dele determinadas dificuldades das existências anteriores em motivos de amor e compreensão maior.. O “namoro e o noivado, em muitas ocasiões, estão presididos pelos Espíritos que serão filhos do casal”. 4 – LIMITAÇÃO DOS FILHOS - “-Temos a obrigação de examinar este assunto com muito respeito à vida e, consequentemente a Deus, em nossos deveres de uns para com os outros, para não cairmos em qualquer calamidade de omissão ou de deserção de encargos assumidos”. 5 – PATERNIDADE/MATERNIDADE - “-Temos a obrigação de examinar este assunto com muito respeito à vida e, consequentemente a Deus, em nossos deveres de uns para com os outros, para não cairmos em qualquer calamidade de omissão ou de deserção de encargos assumidos”.  6 - EDUCAÇÃO DOS FILHOS - “- Se não encontrarmos criaturas que nos concedam amor e segurança, paz e ordem, será muito difícil o proveito da nova reencarnação que estejamos encetando. A Educação não é um processo que possa ser levado a efeito quando a criatura já adquiriu hábitos. Aquilo que se precisa aprender começa aos 6 meses de idade. Toda criança deve ser educada no trabalho. Trabalhei desde pequeno e, não fosse por semelhante providência, com certeza eu teria me perdido”. 7 – FILHO ESPECIAL - “A criança excepcional, em regra geral, é o suicida reencarnado depois de suicídio recente, porque a pessoa quando pensa que se liquida, está apenas estragando ou perdendo a roupa de que a Providência Divina permite que se sirva durante a existência, que é o corpo físico(...) Volta à Terra com os remanescentes que levou daqui mesmo, após o suicídio(...) Sentem e ouvem, registram e sabem de que modo estão sendo tratadas; ela são profundamente lúcidas na intimidade do próprio Ser. A criança especial vem somente com aqueles que são capazes de amá-la e ajuda-la a passar aquele transe temporário de treze, vinte, trinta anos, pois geralmente os excepcionais desencarnam muito cedo(...). Os filhos excepcionais são confiados somente às grandes mulheres que tem capacidade de amar até o Infinito”.


Gostaria de saber como o Espiritismo lida com essa questão de cura espiritual.

Todos temos compromisso com a saúde; com a nossa saúde e com a saúde dos outros, especialmente num momento como este. Somos Espíritos encarnados que precisamos viver na Terra para aprender e evoluir, razão pela qual a vida é muito preciosa. Por isso, devemos envidar esforços tanto para curar como para prevenir doenças. Porém, muitos procuram médiuns e centros espíritas a procura de milagres. Preferem acreditar numa cura mágica do que num tratamento recomendado pela medicina. É um direito que as pessoas têm.

 No entanto, dentro da concepção espírita, a medicina tem um papel primordial nos cuidados com os doentes e consegue dar solução para a maioria das doenças. A medicina é fruto de séculos e séculos de estudos e pesquisas que, não sendo perfeita, é o principal instrumento de cura que Deus permitiu fosse criado pelo homem com a inspiração dos Espíritos. Por isso é ao serviço de saúde que, primeiramente, devemos recorrer, qualquer que for o caso.

 Mas entende o Espiritismo que o paciente sempre deve ser visto e tratado como um ser integral: corpo e alma. Por essa razão, o bom senso recomenda que, ao lado do tratamento médico ou psicológico, procuremos os serviços espirituais, seja num centro espírita ou em qualquer templo religioso das mais variadas denominações. Infelizmente, muitos só procuram Deus nessas horas.

 Quando falamos em “ser integral”, estamos nos referindo ao tratamento paciente como pessoa humana e como ser espiritual. Na verdade, os problemas que nos afetam nesta vida sempre têm relação com o nosso estado de alma e, muitas vezes, eles começam no espírito antes de atingir o corpo ou, se tiverem início no corpo, com certeza, atingirão a alma. Algumas vezes, uma mudança interior da pessoa, em termos de sentimentos, contribui decisivamente para melhorar a saúde.

O ambiente espiritual do centro espírita –  com o esclarecimento espiritual, as palestras, os passes e  a água fluidificada - quando bem assimilado pelo paciente, vai ajuda-lo a se conhecer melhor e a se fortalecer interiormente, dando suporte para o tratamento médico. Trata-se do que chamamos de medicina complementar, mesmo no caso de doenças de pouca gravidade. Mas vai auxiliar mais no caso de enfermidades crônicas ou graves, principalmente aquelas em que parece terem esgotados os recursos da ciência médica.

  Diante desse quadro, ainda podemos afirmar que, vez ou outra,  é possível se obter a melhora e até a cura do paciente, mesmo de uma doença grave, não só através do centro espírita, mas de todos esses recursos reunidos. A mediunidade de cura é um dos instrumentos utilizados pelo centro espírita nesse sentido, mas não se trata apenas da cura do corpo – eis a diferença. É preciso que a pessoa se conscientize das causas que deram origem à doença e das mudanças que devem proceder em sua maneira de viver e, principalmente, de conviver.

 Conforme a lei de causa e efeito – e, particularmente, a lei da reencarnação  - é importante que nos conscientizemos que toda doença tem suas causas. Se as causas não estiverem nesta vida, com certeza elas provêm de outras. Além do mais a verdadeira cura é a cura espiritual, porque o Espirito é imortal. A cura do corpo será sempre passageira, porque o corpo, mais cedo ou mais tarde, vai morrer.

 Dependendo da jornada do Espírito, ao passar pela presente existência, a doença se tornou para ele uma necessidade, para que aprendesse a lidar com determinadas situações, para que se voltasse mais para a reforma de seu mundo interior, reexaminando seu modo de viver e para que,  sobretudo, se fortalecesse espiritualmente ante o enfrentamento da enfermidade. Por isso, em muitos casos, a doença é o remédio para a cura do Espírito. 


















sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

FAMÍLIA; ASCENDENTES ESPIRITUAIS DAS DOENÇAS; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 




CAUSA E EFEITO. A grande preocupação do momento, a COVID-19. Muitos questionamentos sobre o sentido espiritual da pandemia, como este: “A COVID-19, doença causada pelo novo coronavirus, está fazendo vítimas no mundo todo. Para boa parte das pessoas, o vírus não causará maiores danos; nalgumas a doença não se manifestará, em outras ela causará um pequeno dano que logo é curado, noutras ainda poderá exigir até uma internação com alguns dias de sofrimento, mas numa minoria (entre elas as dos grupos de risco), a doença levará as pessoas a óbito. A pergunta é: essas diferentes condições que a infecção do vírus provocará estão no carma de cada pessoa? A pessoa realmente deveria passar por isso?”

Abrindo O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO, no capítulo 5, “Bem aventurados os aflitos”, onde Allan Kardec esclarece, no item 4: “As vicissitudes da vida são de duas espécies ou, se assim se quer, têm duas fontes bem diferentes que importa distinguir: umas têm sua causa na vida presente, outras fora dela.”  Depois disso, Kardec esclarece cada uma dessas situações em dois itens: “Causas Atuais das aflições” e “Causas Anteriores das Aflições”.

 Apesar de a questão estar muito bem clara na obra de Kardec, há uma tendência, mesmo no meio espírita, de se atribuir as aflições humanas somente a condutas de vidas passadas; esquecem dos erros que estão sendo cometidos nesta vida, agora, neste momento Este é um primeiro ponto sobre o qual chamamos atenção.

 A palavra “carma” não é espírita. Ela foi trazida do hinduísmo, mas quando utilizada no meio espírita ela vem com essa conotação de expiação do passado.  Kardec preferiu o termo expiação, embora o termo “carma” já existisse. No Espiritismo temos os conceitos de expiação, prova e missão.

 Outro ponto é a confusão que se faz entre expiação e prova, razão pela qual é comum se ouvir a respeito de alguém, que está sofrendo muito, a seguinte observação:  “É uma prova que fulano está passando.”   Prova ou expiação? Geralmente não há a preocupação de se fazer essa distinção. É o segundo ponto de nossa conversa de hoje.

 Comecemos por provas e expiações. As expiações são as consequências naturais de nossos erros, de qualquer erro – grande ou pequeno, cometido nesta vida ou em outras, agora ou anteriormente. Vamos utilizar a palavra “erro”, que é mais fácil para entender como se se dá a resposta da natureza. Se você der uma forte martelada no dedo, porque não tomou cuidado ou não soube manejar o martelo, com certeza, sentirá dor imediatamente e provavelmente perderá a unha;  e se você varar o ano letivo sem estudar, no final do ano se surpreenderá com um resultado negativo de aproveitamento.

 Essas duas situações retratam o que é expiação: expiação é você sofrer as consequências de seus erros e enganos. Não é Deus que castiga, é o efeito natural do que você fez. O resultado pode ser imediato ou futuro, mas não vai deixar de aparecer. Dependendo do erro cometido (muitas vezes a gente vem cometendo o mesmo erro durante toda a vida), o resultado pode ser imediato, a médio ou a longo prazo. Mas, uma coisa é certa, não é você que escolhe o resultado, cedo ou tarde ele virá.

 Nas provas, sim, é você que decide. Por isso, as provas são situações difíceis e sofridas, a que o Espírito se submete, reconhecendo suas necessidades e pensando em dar um impulso na sua evolução. Logo, a prova é escolhida, demonstrando que o Espírito já tem consciência de seus erros e se sente responsável por ele. Enquanto na expiação o Espírito não aceita o revés e se revolta contra o sofrimento, na prova geralmente ele o recebe com paciência e resignação, porque este é o estado natural de quem tem certeza de que nada acontece por acaso.

 Após tais distinções podemos voltar à questão das vítimas da pandemia. De fato, após a pandemia, teremos alguns resultados, mostrando que: 1º) uma grande parte não foi contaminada pelo vírus; 2º) outra parte foi contaminada, mas a doença não se manifestou; 3º) outra parte foi infectada, ficou doente, passou pelo tratamento, e ficou curada; 4º) uma minoria morreu.

Considerando os princípios acima expostos, não seria correto afirmar que todos os casos, mesmo dos que foram a óbito, dependeram única  e exclusivamente de erros do passado, porque, então, estaríamos ignorando as causas do presente.

Em Espiritismo não existe fatalidade no sentido absoluto dessa palavra, até porque o Espírito é livre para redirecionar seu destino a qualquer momento. É nisso que consiste o seu livre arbítrio. Se a sua sorte estivesse determinada antes desta encarnação, com certeza, nada que ele fizesse em contrário valeria a pena. Mas o livre arbítrio existe justamente para dar ao Espírito a liberdade de escolher ou modificar  o caminho que deseja trilhar.

 A doença, tanto quanto a morte – ou qualquer adversidade que surja na vida do Espírito – depende de vários fatores: depende do que ele veio fazendo em encarnações anteriores e depende do que ele está fazendo agora, na presente encarnação. Desse modo, o fato de um indivíduo ser acometido da COVID 19 e morrer desta doença depende da trajetória espiritual que veio fazendo, mas depende principalmente do que ele está fazendo agora em termos de cuidados com a saúde. Assim, o individuo pode vir a falecer, por negligência ou por abuso, porque não se preveniu, não fez o que deveria ter feito para se livrar da doença.

 Allan Kardec afirma que, diante de uma aflição, devemos primeiro verificar se ela adveio de alguma falta cometida nesta vida. Só no caso de não se verificar nenhuma causa presente (o que é muito difícil).  é que se pode deduzir que se trata de uma expiação apenas do passado. Eis porque o próprio Kardec, com relação à pandemia do Cólera, que aconteceu no seu tempo, recomendou que todos adotassem as medidas de prevenção. Na edição de outubro de 1865 da REVISTA ESPÍRITA, em pleno surto de cólera, a pandemia da época, respondendo a uma carta de um leitor de Constantinopla, Kardec deixou bem claro a necessidade de todos seguirem as recomendações das autoridades sanitárias, afim de prevenirem a doença que se espalhava.

 É preciso considerar, portanto, que o momento presente é sempre o mais importante de nossa vida, pois é o único momento em que podemos agir e interferir na realidade à nossa volta. O passado já foi e o futuro depende do presente. Os erros do passado devem estar refletindo em nossa vida hoje, mas só hoje é que conseguimos atenuar ou até mesmo anular seus efeitos, se soubermos agir com discernimento e vontade. Eis a importância do livre arbítrio.

Sabemos, portanto, que nada acontece por acaso; que por alguma razão estamos aqui neste momento, que muitos serão infectados pelo coronavirus e que alguns poderão vir a óbito e retornando ao mundo espiritual. Contudo, as causas que determinaram os sofrimentos individuais não são fáceis de se situar, embora saibamos que, coletivamente, acometidos por essa pandemia todos, como indivíduos e como coletividade, temos muito a aprender.
















quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

A VIDA NO MUNDO ESPIRITUAL; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 A insuficiência de conhecimentos astronômicos da Antiguidade nas tentativas de explicar a origem de tudo durante o tempo em que se imaginava a Terra o centro do Universo, levaram os estudiosos a escalonarem os Céus, acomodando diversos graus de beatitude, sendo o último, a morada da suprema felicidade. Segundo a opinião mais comum, havia sete deles; daí a expressão “estar no Sétimo Céu”, para exprimir uma felicidade perfeita. Os muçulmanos admitem nove, em cada um aumentando a felicidade dos crentes. O astrônomo Ptolomeu que viveu na Alexandria, no Egito, contou onze, sendo o último chamado Empíreo, por causa da ofuscante luz que ali reinava. A Teologia Católica reconhece três Céus: o primeiro é o da região do ar e das nuvens; o segundo o espaço onde se movem os astros; o terceiro, além da região dos astros, é a morada do Mais Alto, a região dos eleitos que contemplam ao Deus face a face, crença que levou a se dizer que São Paulo foi elevado ao Terceiro Céu. O surgimento do Espiritismo apresentou uma visão mais racional da questão ao dizer que a fim do período de ligação com o corpo físico, libera o chamado períspirito ou corpo espiritual para a reintegração no Mundo Espiritual de onde a individualidade saiu um dia para mais uma experiência reencarnatória. Aglutinam-se conforme os diferentes estados em que se desprendem do revestimento fisiológico. Observa-se que alguns não se afastam do meio em que viveram, enquanto outros se elevam a outros espaço ou mundo enquanto certos Espíritos culpados erram em regiões sombrias, constituindo também, diferentes moradas, não localizadas nem circunscritas, encaixadas nas “muitas moradas na Casa do Pai” referidas por Jesus aos seus seguidores mais próximos. Em interessante observação reproduzida na REVISTA ESPÍRITA de junho de 1868, Allan Kardec explica: -“A quem quer que não conheça a verdadeira constituição do Mundo Invisível, parecerá estranho que Espíritos, segundo eles, seres abstratos, semi-materiais, indefinidos, sem corpo, sejam vítimas de sensação como a fome, por exemplo. O espanto cessa quando se sabe que esses mesmos Espíritos são seres como nós: tem um corpo, fluídico é verdade, mas que não deixa de ser matéria; que deixando o seu invólucro carnal, certos Espíritos continuam a vida terrena com as mesmas vicissitudes, durante um tempo mais ou menos longo. Isto parece singular, mas é; e a observação nos ensina que tal é a situação dos Espíritos que viveram mais a vida material que a espiritual, situação por vezes terrível, porque a ilusão das necessidades da carne se faz sentir, e se tem todas as angústias de uma necessidade impossível de saciar. O suplício mitológico de Tântalo, nos antigos, acusa um conhecimento mais exato do que se supõem, do estado do Mundo de Além-túmulo, sobretudo mais exato do que entre os modernos. Outra, contudo, é a posição dos que, desde essa vida, se desmaterializaram pela elevação de seus pensamentos e sua identificação com a vida futura. Todas as dores da vida corporal cessam com o último suspiro e logo o Espírito plana, radioso, no mundo etéreo, feliz com um prisioneiro livre de suas algemas. Quem nos disse isto? ´E um sistema, uma teoria? Alguém disse que deveria ser assim e se acredita sob palavra? Não; são os próprios habitantes do Mundo Invisível que o repetem em todos os pontos do Globo, para ensinamento dos encarnados. Sim, legiões de Espíritos continuam como na vida corporal com suas torturas e suas angústias. Mas quais? Os que anda estão muito presos à matéria para dela se destacarem instantaneamente. É uma crueldade do Ser Supremo? Não; é uma Lei da Natureza inerente ao estado de inferioridade dos Espíritos e necessária ao adiantamento; é um prolongamento misto da vida terrestre durante alguns dias, meses ou anos, conforme o estado mora dos indivíduos. (...). As evocações nos mostram uma porção de Espíritos que ainda se julgam deste mundo: suicidas, supliciados que não suspeitam que estão mortos e sofrem o seu gênero de morte; outros que assistem ao próprio enterro, como ao de um estranho; avarentos que guardam seus tesouros, soberanos que julgam mandar ainda e ficam furiosos por não serem obedecidos; depois de grandes naufrágios, náufragos que lutam contra o furor das ondas; depois de uma batalha, soldados que se batem e, ao lado disto, Espíritos radiosos, que nada mais tem de terrestres e são para os encarnados o que a borboleta é para a lagarta. Pode-se perguntar para que serve as evocações, quando nos dão a conhecer, até nos mínimos detalhes, esse mundo que nos espera a todos ao sairmos deste? É a Humanidade encarnada que conversa com a Humanidade desencarnada; o prisioneiro que fala com o homem livre. Não, por certo, elas para nada servem ao homem superficial que nisto só vê um divertimento; elas não lhe servem mais que a física e a química recreativas para sua instrução. Mas para o filósofo, o observador sério, que pensa no amanhã da vida, é uma grande e salutar lição; é todo um mundo novo que se descobre; é a luz atirada sobre o futuro; é a destruição dos preconceitos seculares sobre a alma e a vida futura; é a sanção da solidariedade universal que liga todos os seres. Dirão que se pode estar enganado. Sem dúvida, como se o pode sobre todas as coisas, mesmo as que se vê e se toca. Tudo depende da maneira de observar”.



Todo mundo sabe que Jesus trouxe o verdadeiro significado do amor ao mundo. Desde os primeiros cristãos se fala nisso e ninguém duvida. Tivemos o exemplo de muitos cristãos, homens santos e devotados ao bem, que deram exemplo de abnegação e amor. Por que precisaria do Espiritismo para lembrar de novo essa mensagem, se ela já existia?

 Pergunta semelhante foi feita por Kardec, caro ouvinte, conforme questão 627 de O LIVRO DOS ESPÍRITOS. Vamos ler a questão formulada por Allan Kardec  aos instrutores espirituais:  “Visto que Jesus ensinou as verdadeiras leis de Deus, qual é a utilidade do ensinamento dado pelos Espíritos? Terão a nos ensinar alguma coisa a mais?”

 Antes de ler a resposta dos Espíritos, vamos nos reportar ao evangelho de João, quando Jesus, se dirigindo aos discípulos, disse: “Se me amais, guardai os meus mandamentos e eu pedirei a meu Pai e ele vos enviará um outro consolador, a fim de que permaneça eternamente com vós: o Espírito da Verdade, que o mundo não pôde receber, porque não o vê e não o conhece.”

 “Mas, quanto a vós – continuou Jesus – conhecê-lo-eis porque permanecerá convosco e estará em vós. Mas, o consolador que o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará TODAS AS COISAS e fará relembrar de tudo quanto vos tenho dito”.

 Há dois pontos importantes que merecem ser destacados nessa fala de Jesus. Primeiro, quando ele recomenda “guardar os seus mandamentos”.  Ora, guardar aqui não quer dizer manter fechado num lugar seguro, mas quer dizer aplicar esses mandamentos na vida, adotá-los como norma de conduta uns diante dos outros no dia a dia, principalmente diante dos inimigos.

 Não quer dizer também apenas e tão somente devotar a vida a orações, cultos e louvores, a celebrações e glorificações por meio de práticas exteriores, mas, sim, vivenciar a lei do amor na convivência com o próximo, de forma a dar testemunho de que realmente acredita na vida eterna e naquilo que ele ensinou, pois vivenciar o amor não é tirar vantagens e buscar recompensas materiais. Muitas vezes, e o contrário de tudo isso.

 Em segundo lugar, quando Jesus se refere ao consolador ou Espírito da Verdade ou – ainda, Espírito Santo ou Santo Espírito - Jesus estará se referindo àquele que vem em nome de Deus, não só para relembrar o que ele (Jesus) já havia dito ( pois muito do que disse certamente seria esquecido), mas ensinar outras coisas que ele não podia dizer naquela época, pois o povo não estava preparado para compreender. Desse modo, quem veio preencher esses quesitos, que Jesus prometeu, foi a Doutrina Espírita, através do ensino dos Espíritos.

 Voltando à questão formulada, portanto, que pergunta o porquê do Espiritismo retomar Jesus e se aprofundar no ensino de sua doutrina, os instrutores responderam na questão 627:  “A palavra de Jesus era frequentemente alegórica e em parábolas, porque ele falava segundo os tempos e lugares. É necessário, agora, que a verdade seja compreensível para todo mundo. É preciso bem explicar e desenvolver essas leis, uma vez que há pouca gente que as compreende e ainda menos gente que as pratica”.

E completam os Espíritos, respondendo a Kardec: “Nossa missão é impressionar os olhos e os ouvidos para confundir os orgulhosos e desmascarar os hipócritas, aqueles que tomam a aparência da virtude e da religião para ocultar suas torpezas. O ensinamento dos Espíritos deve ser claro e inequívoco, a fim de que ninguém possa alegar ignorância e cada pessoa possa julgá-lo e apreciá-lo com sua razão. Estamos encarregados de preparar o reino do bem anunciado por Jesus. Por isso não é preciso que cada um interprete a lei de Deus ao capricho de suas paixões, nem deturpe o sentido de uma lei toda de amor e caridade”.