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domingo, 20 de maio de 2018

DUAS QUESTÕES SOBRE SAUDE E DOENÇAS

Se dividirmos os males da vida em duas categorias, uma a dos que o homem não pode evitar, e outra das atribulações que ele mesmo provoca por sua falta de cuidado e excessos, veremos que esta última é muito mais numerosa que a primeira. A afirmação de Allan Kardec está contida n’ O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO. Para termos uma ideia da extensão e implicações da saúde, na sequencia duas esclarecedoras respostas: 1- Abordando o tema suicídio, o Espiritismo o vincula a efeitos ou repercussões não só no retorno e permanência do Espírito no Mundo Invisível, mas a encarnações posteriores. É possível ter-se uma ideia de doenças derivadas do suicídio cometido? No suicídio intencional, sem as atenuantes da moléstia ou da ignorância, há que se considerar não somente o problema da infração ante as Leis Divinas, mas também o ato de violência que a criatura comete contra si mesma, através da premeditação mais profunda, com remorso mais amplo. Atormentada de dor, a consciência desperta no nível de sombra a que se precipitou, suportando compulsoriamente as companhias que elegeu para si própria, pelo tempo indispensável à justa renovação. Contudo, os resultados não se circunscrevem aos fenômenos de sofrimento íntimo, porque surgem os desequilíbrios consequentes nas sinergias do corpo espiritual, com impositivos de reajuste em existências próximas. É assim que após determinado tempo de reeducação, nos círculos de trabalho fronteiriços da Terra, os suicidas são habitualmente reinternados no Plano Carnal, em regime de hospitalização na cela física, que lhes reflete as penas e angústias na forma de enfermidades e inibições. (Lembrando que cada caso é um caso, algumas associações que podem demonstrar essas correlações): 1-doenças do aparelho digestivo, do sangue e disfunções endocrínas, tanto quanto outros males de etiologia obscura - Os que se envenenaram, conforme os tóxicos de que se valeram.  2- ictiose ou pênfigo - os que incendiaram a própria carne. 3- processos mórbidos das vias respiratórias, como no caso do enfisema ou dos cistos pulmonares - os que se asfixiaram, seja no leito das águas ou nas correntes de gás  4- distúrbios do sistema nervoso, como sejam as neoplasias diversas e a paralisia cerebral infantil - os que se enforcaram. 5- desarmonias da mesma espécie, notadamente as que se relacionam com o cretinismo - estilhaçaram o crânio ou deitaram a própria cabeça sob rodas destruidoras. 6 - distrofia muscular progressiva ou da osteíte difusa - os que se atiraram de grande altura, enquadrando se entre eles, o nanismo derivado das lesões causadas no corpo espiritual que vão interferir no próximo corpo, prejudicando particularmente a produção de hormônios, daí a formação do corpo anão, e as diversas formas de nanismo, mais ou menos graves, segundo o comprometimento do Espírito. 7-orgânicas derivadas correspondendo a diversas calamidades congênitas, inclusive a mutilação e o câncer, a surdez e a mudez, a cegueira e a loucura - suicídio, direto ou indireto. (RE, 62) 2- E quanto às doenças infecciosas causadas por micro-organismos patogênicos como botulismo, tétano, hansenísase, meningite bacteriana, sífilis, cólera, leptospirose, tuberculose, etc. Sua ação sobre o corpo físico se dá apenas no nível material?  Os micróbios patogênicos se associam a elementos sutilíssimos de ordem espiritual. (NRCX; 41) A grande maioria das doenças tem a sua causa profunda na estrutura semimaterial do corpo espiritual.  Havendo o Espírito agido erradamente, nesse ou naquele setor da experiência evolutiva, vinca o corpo espiritual com desequilíbrios ou distonias, que o predispõem à instalação de determinadas enfermidades, conforme o órgão atingido. (LA, 1)




quarta-feira, 16 de maio de 2018

ABRAHAM LINCOLN E O SEU MATADOR

Poucos dias após a posse no início de 1865, para um segundo mandato, Abraham Lincoln, eleito para ser o decimo sexto presidente norte-americano, morreu aos 56 anos, atingido por um tiro na cabeça desferido por um inimigo politico, enquanto assistia a uma peça de teatro. Unificador dos Estados do Norte e do Sul, libertador dos escravos, Lincoln, nascido no Kentucky, de origem humilde, depois de abandonar as rudes tarefas na fazenda do pai aos 21 anos, fixou-se em New Salem, ali vivendo por cinco anos, trabalhando como empregado de fábrica, caixeiro de armazém, agente de correios, até mudar-se para Springfield, onde passou a trabalhar como advogado entrando definitivamente para a politica, que o conduziu ao primeiro mandato de Presidente em 1861. Antevira em sonho premonitório vivido dias antes, seu próprio assassinato. Lincoln e a esposa participaram também de várias sessões com a médium Nettie Colburn Maynard, conforme relatos publicados por ela em 1891, mais tarde recuperados e traduzidos para o português pelo erudito Wallace Leal Rodrigues e publicados sob o título SESSÕES ESPÍRITAS NA CASA BRANCA (clarim). A morte do grande estadista repercutiu no mundo todo, gravando seu nome na História como um exemplo de politico íntegro e honesto. Dois anos depois, Allan Kardec na edição de março de 1867, publicava uma matéria extraída do BANNER OF LIGHT, de Boston, EUA, que, por sua vez, veiculou a análise de uma comunicação de Abraham Lincoln, por um médium chamado Ravenswood. Pelo que se confirma no seu conteúdo, títulos ou posições ocupados na nossa Dimensão, não fazem nenhuma diferença na transição dela para o Plano Espiritual em consequência da morte física. Vamos ao texto: “-Quando Lincoln voltou de seu atordoamento e despertou no Mundo dos Espíritos, ficou surpreendido e perturbado, porque não tinha a menor ideia de que estivesse morto. O tiro que o feriu suspendeu instantaneamente toda sensação e não compreendeu o que lhe havia acontecido. Esta confusão e essa perturbação, contudo, não duraram muito. Ele era bastante espiritualista para compreender o que é a morte e, como muitos outros,  não ficou admirado da nova existência para a qual foi transportado. Viu-se cercado por muitas pessoas que sabia de há muito tempo mortas e logo soube a causa de sua morte. Foi recebido cordialmente por muita gente por quem tinha simpatia. Compreendeu sua afeição por ele e, num olhar, pôde abarcar o mundo feliz no qual tinha entrado. No mesmo instante experimentou um sentimento de angústia pela dor que devia experimentar sua família, e uma grande ansiedade a propósito das consequências que sua morte poderia ter para o País. Seus pensamentos o trouxeram violentamente à Terra. Tendo sabido que William Booth estava mortalmente ferido, veio a ele e curvou-se sobre o seu leito de morte. Nesse momento Lincoln tinha recuperado a perfeita consciência e a tranquilidade de Espírito, e esperou com calma o despertar de Both para a Vida Espiritual. Booth não ficou espantado ao despertar, porque esperava sua morte. O primeiro Espírito que encontrou foi Lincoln; olhou-o com muita afoiteza, como se se glorificasse do ato que havia praticado. O sentimento de Lincoln a seu respeito, entretanto, não alimentava nenhuma ideia de vingança, muito ao contrário; mostrava-se suave e bom e sem a menor animosidade. Booth não pode suportar este estado de coisas, e o deixou cheio de emoção. O ato que cometeu teve vários motivos; primeiro, sua falta de raciocínio, que lho fazia considerar como meritório e, depois, seu amor desregrado aos elogios que o tinham persuadido que seria cumulado deles e olhado como mártir. Depois de ter vagado, sentiu-se de novo atraído  para Lincoln. Às vezes, enchia-se de arrependimento, outras seu orgulho o impedia de emendar-se. Entretanto compreendia quanto seu orgulho era vão, sabendo, sobretudo, que não pode ocultar como em vida, nenhum dos sentimentos que o agitam, e que seus pensamentos de orgulho, vergonha ou remorso são conhecidos pelos que o rodeiam. Sempre em presença de sua vítima e não recebendo dela senão sinais de bondade, eis o seu estado atual e sua punição”. Comentando essas informações Kardec comenta: “-A situação destes dois Espíritos é, em todos os pontos, conforme aquela que diariamente vemos exemplos nos relatos de além-túmulo. É perfeitamente racional e está em relação com o caráter dos dois indivíduos”.




domingo, 13 de maio de 2018

INSATISFAÇÃO, ESPÍRITO DA VERDADE E CONTROVERSIAS


O professor José Benevides Cavalcante (FUNDAMENTOS DA DOUTRINA ESPÍRITA, eme) esclarece duvidas de leitores: Às vezes, não acredito que estou vivendo num mundo tão violento como o nosso, onde o egoísmo predomina, fazendo vítimas. Gostaria de viver num mundo superior, onde o homem não tivesse mais necessidade de mentir, de corromper e de agredir violentamente seu semelhante por causa de dinheiro.  Não pertencemos à Humanidade por acaso. Este mundo em que vivemos, da forma como se nos apresenta, com todas suas contradições e absurdos, desonestidade e violência, é o mundo que temos construído para nós, ao longo dos milênios. Já não estamos mais num mundo primitivo, porque superamos essa fase inicial da experiência humana, e tampouco nos encontramos num mundo superior, porque ainda não reunimos condições para tanto. O ambiente cultural da Terra retrata exatamente o nível de evolução de seus habitantes, que somos nós. Espíritos superiores, quando reencarnam em nosso Planeta, não são aceitos pelos homens e quase sempre se tornam vítimas de sua incompreensão, justamente porque procedem de um mundo onde o nível moral é bem superior ao da Terra. Por outro lado, nós, que aqui vivemos – hoje, no início do século XXI - ainda não estamos preparados para viver num mundo sem violência e dominação; nossas atitudes e comportamentos feririam logo seus princípios, causariam perturbação e desequilíbrio e nós, não os compreendendo, seríamos desajustados em seu ambiente, do mesmo modo que um troglodita, pela sua condição de homem primitivo, se sentiria perdido e confuso se tivesse que conviver numa família civilizada de nosso tempo. Qual é o certo: “Espírito da Verdade”, “Espírito de Verdade” ou “Espírito Verdade”. Não percebemos haja um consenso em relação ao nome exato do Espírito que, desde o início da Codificação, se manifestou a Kardec . Alguns chegam a afirmar que não se trata apenas de um Espírito, mas de uma falange de Espíritos, mas não é isso que vemos em OBRAS PÓSTUMAS. Traduções brasileiras antigas das obras kardequianas, como O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO, de Torrieri Guimarães, revista por Carlos Imbassahy, Editora LAKE, utilizam “Espírito da Verdade”. Herculano Pires, Roque Jacintho, Salvador Gentile preferem “Espírito de Verdade”. E é com esta mesma grafia que encontramos as traduções da FEB. Lendo a Bíblia, constata-se que Noé tinha 950 anos de idade, Adão morreu com 930 anos de idade. Ouvindo um pastor falar, ele dizia que Adão tinha 4 metros de altura. Mais impressionante é ver pessoas esclarecidas – como médicos, advogados, promotores de justiça – acreditarem piamente no que está escrito. Qual livro espírita vem esclarecendo esses pontos e muitos outros? A princípio, parece que as pessoas com mais escolaridade, especialmente as que obtiveram formação universitária, estão mais propensas ao pensamento crítico em relação a todos os campos do conhecimento humano. Mas essa posição pode ser facilmente contestada, quando deparamos com universitários e profissionais, detentores de títulos de graduação e pós-graduação, estudiosos e até cientistas, que utilizam o pensamento racional para algumas coisas e o pensamento mágico para outras, numa flagrante contradição de que não se dão conta, talvez porque não estejam emocionalmente preparados para compreender os grandes problemas da vida. Por atavismo religioso impregnado no inconsciente coletivo, separam acintosamente a fé da razão, o divino do humano. A fé eles colocam apenas no campo do sagrado, onde não prevalece a racionalidade e onde tudo é possível, porquanto incompreensível, justamente onde se encontram os dogmas ou verdades intocáveis. O pensamento religioso tradicional, desde suas raízes mitológicas mais antigas, sempre estabeleceu a dicotomia sagrado-profano, humano-divino. No terreno do sagrado, todo questionamento é proibido, porque nele impera a fé passiva e ingênua; somente no domínio do profano ( ou seja, no mundo que nada teria a ver com Deus, mas somente com o homem) se pode raciocinar com lógica e objetividade. A teologia, que etimologicamente quer dizer “estudo de Deus”, difere da filosofia porque, embora use a razão, parte de princípios de fé ( ainda que absurdos), onde a racionalidade não participa, erigindo um edifício sem base crítica, diferentemente do Espiritismo que edificou sua doutrina sobre princípios de racionalidade. Portanto, é comum se deparar com leitores que tomam a Bíblia por verdade absoluta e inquestionável, não sabendo diferenciar a realidade da alegoria, e que preferem fechar os olhos à ciência quando se trata de alimentar a fé: é a forma como se sentem seguros diante de tanta insegurança. Mas, felizmente, nos meios religiosos comuns, vamos encontrar também pessoas que já se libertaram dessas amarras culturais arcaicas, que já questionam e buscam suas respostas com objetividade e lógica. Existem, no meio espírita, algumas obras que tratam do aspecto lendário da Bíblia e que procuram analisá-la com base em estudos sérios, embora a quase totalidade esteja voltada para o estudo do Novo Testamento, que contém o aspecto moral dos ensinos de Jesus, realçados por Allan Kardec. Que abordam a problemática do Velho Testamento, podemos citar “ A BÍBLIA E SEUS ABSURDOS” de Carlos Bernardo Loureiro e “O ESPIRITISMO E AS IGREJAS REFORMADAS” de Jayme Andrade. Devem existir outras obras.

quinta-feira, 10 de maio de 2018

O MAL E ALIMENTAÇÃO DO PERISPÍRITO




COMPLEXO DE CULPA NO PROCESSO EVOLUTIVO


Revelam os Espíritos através de André Luiz pela mediunidade de Chico Xavier que “expressando-nos coletivamente, sabemos hoje que o Espírito humano lida com a razão há precisamente 40 mil anos”. (LI, 4) Informam também que encarcerados pela Lei do Retorno, temos efetuado multisseculares recapitulações, por milênios consecutivos. (LI, 1) Isso porque, segundo afirmam “quanto mais esclarecida a criatura, tanto mais responsável, entregue naturalmente aos arestos da consciência, na Terra ou fora dela, toda vez que se envolve nos espinheiros da culpa. (AR, pref). Na sequência duas questões para refletirmos sobre o tema: 1 - O erro revelado por nossas ações implica em inevitáveis constrangimentos ou vicissitudes nas nossas experiências evolutivas? Quando fugimos ao dever, precipitamo-nos no sentimento de culpa, do qual se origina o remorso, com múltiplas manifestações, impondo-nos brechas de sombra aos tecidos sutis da alma.  E o arrependimento, incessantemente fortalecido pelos reflexos de nossa lembrança amarga, transforma-se num abcesso mental, envenenando-nos, pouco a pouco, e expelindo, em torno, a corrente miasmática de nossa vida íntima, intoxicando o hausto espiritual de quem nos desfruta o convívio.  A feição do ímã, que possui campo magnético específico, toda criatura traz consigo o halo ou aura de forças criativas ou destrutivas que lhe marca a índole, no feixe de raios invisíveis que arroja de si mesma.  É por esse halo que estabelecemos as nossas ligações de natureza invisível nos domínios da afinidade. Operando a onda mental em regime de circuito, por ela incorporamos, quando moralmente desalentados, os princípios corrosivos que emanam de todas as Inteligências, encarnadas ou desencarnadas, que se entrosem conosco no âmbito de nossa atividade e influência.  Projetando as energias dilacerantes de nosso próprio desgosto, ante a culpa que adquirimos, quase sempre somos subitamente visitados por silenciosa argumentação interior que nos converte o pesar, inicialmente alimentado contra nós mesmos, em mágoa e irritação contra os outros.  É que os reflexos de nossa ação, a torvelinharem junto de nós, assimilam, de imediato, as indisposições alheias, carreando para a acústica de nossa alma todas as mensagens inarticuladas de revolta e desânimo, angústia e desespero que vagueiam na atmosfera psíquica em que respiramos, metamorfoseando nos em autênticos rebelados sociais, famintos de insulamento ou de escândalo, nos quais possamos dar pasto à imaginação virulada pelas mórbidas sensações de nossas próprias culpas. 2- O Ser ou Individualidade está sempre preso aos efeitos de seus atos? O Espírito tem livre-arbítrio, e sempre busca o que lhe é agradável e o satisfaz.  Se for um Espírito inferior e material, procura suas satisfações na materialidade e, então, dará impulso aos seus fluidos corporais, que dominarão, mas tenderão sempre a crescer e elevar-se materialmente. Assim, as aspirações desses encarnados serão materiais e, voltando à condição de Espírito, buscará nova encarnação, em que satisfará suas necessidades e desejos materiais; porque, notai bem, a aspiração corporal não pode pedir, como realização, senão uma nova corporeidade, ao passo que a aspiração espiritual não se prende senão às sensações do Espírito.  A isto será solicitado por seus fluidos, que deixou que se materializassem; e como no ato da reencarnação os fluidos agem para atrair o Espírito no corpo que foi formado, havendo, portanto, atração e união dos fluidos, a reencarnação se opera em condições que darão satisfação às aspirações de sua existência precedente.  Há fluidos espirituais como fluidos materiais, se estes dominarem; mas, então quando o espiritual sobreleva o material, o Espírito, que julga de modo diferente, escolhe ou é atraído por simpatias diferentes; como necessita de depuração e a esta só chega pelo trabalho, as encarnações escolhidas lhe são mais penosas porque, depois de haver dado supremacia à matéria e a seus fluidos, deve constrangê-la, lutar contra ela e dominá-la.  Daí essas existências tão dolorosas e que, muitas vezes, parecem injustamente infligidas a Espíritos bons e inteligentes.  Estes fazem sua última etapa corporal e entram, ao sair deste mundo, nas Esferas Superiores, onde suas aspirações superiores encontrarão a sua realização.




domingo, 6 de maio de 2018

ATUALISSIMO


Abrindo a pauta da REVISTA ESPÍRITA de novembro de 1859, Allan Kardec apresenta interessante matéria intitulada “DEVEMOS PUBLICAR TUDO QUANTO OS ESPÍRITOS DIZEM?” que se mostra atualíssima, especialmente diante da profusão de títulos que disputam lugar nos expositores das livrarias ou catálogos de editoras e distribuidoras, demonstrando acirrada disputa por qual apresenta “revelações” ou “novidades” mais originais. Como livros espíritas se tornaram até meio de vida, revisões doutrinárias ou fundamentadas no bom senso, inexistem. O alvo é um público ávido por conteudos que chegam a ser estapafúrdios. As ponderações de Kardec sugerem reflexões. Diz ele: “- Esta pergunta nos foi dirigida por um dos nossos correspondentes. Respondemo-la da maneira seguinte: Seria bom publicar tudo quanto dizem e pensam os homens? Quem quer que possua uma noção do Espiritismo, por superficial que seja, sabe que o mundo invisível é composto de todos aqueles que deixaram na Terra o envoltório visível. Despojando-se, porém, do homem carnal, nem todos se revestiram, por isso mesmo, da túnica dos anjos. Há Espíritos de todos os graus de conhecimento e de ignorância, de moralidade e de imoralidade – eis o que não devemos perder de vista. Não esqueçamos que entre os Espíritos, assim como na Terra, há seres levianos, desatentos e brincalhões; falsos sábios, vãos e orgulhosos, de um saber incompleto; hipócritas, malévolos e, o que nos parecia inexplicável, se de algum modo não conhecêssemos a fisiologia desse mundo, há sensuais, vilões e crapulosos que se arrastam na lama. Ao lado disto, sempre como na Terra, temos seres bons, humanos, benevolentes, esclarecidos, de sublimes virtudes. Como, entretanto, nosso mundo não está na primeira nem na última posição, embora mais vizinho da última que da primeira, disso resulta que o mundo dos Espíritos abrange seres mais avançados intelectual e moralmente que nossos homens mais esclarecidos, e outros que ainda estão abaixo dos homens mais inferiores. Desde que esses seres têm um meio patente de comunicar-se com os homens, de exprimir seus pensamentos por sinais inteligíveis, suas comunicações devem ser um reflexo de seus sentimentos, de suas qualidades ou de seus vícios. Serão levianas, triviais, grosseiras, mesmo obscenas, sábias, científicas o sublimes, conforme seus caráter e sua elevação. Revelam-se por sua própria linguagem. Daí a necessidade de não aceitar cegamente tudo quanto vem do mundo oculto, e submetê-lo a controle severo. Com as comunicações de certos Espíritos, do mesmo modo que com os discursos de certos homens, poder-se-ia fazer uma coletânea muito pouco edificante(...). Ao lado dessas comunicações francamente más, e que chocam qualquer ouvido um pouco delicado, outras há que são simplesmente triviais ou ridículas (...). O mal é dar como sérias, coisas que chocam o bom senso, a razão e as conveniências. Nesse caso, o perigo é maior do que se pensa. Para começar, tais publicações tem o inconveniente de induzir em erro as pessoas que não estão em condições de examiná-las e discernir entre o verdadeiro e o falso, principalmente numa questão tão nova como o Espiritismo. Em segundo lugar, são armas fornecidas aos adversários que não perdem a oportunidade para tirar deste fato argumentos contra a alta moralidade do ensino espírita; porque, diga-se mais uma vez, o mal está em apresentar seriamente coisas que são notórios absurdos (...). As pessoas que estudaram a fundo a ciência espírita sabem qual a atitude que convêm a este respeito. Sabem que os Espíritos zombeteiros não tem o menor escrúpulo de enfeitar-se com nomes respeitáveis. Mas sabem também que esses Espíritos só abusam daqueles que gostam de se deixar abusar, que não sabem ou não querem esclarecidas suas astúcias pelos meios já conhecidos (...). Os Espíritos vão aonde acham simpatia e onde sabem que serão ouvidos (...).Publicar sem exame, ou sem correção, tudo quanto vem dessa fonte, seria, em nossa opinião, dar prova de pouco discernimento

sábado, 5 de maio de 2018

COMPLEXO DE CULPA E O MUNDO ESPIRITUAL




FLUIDOS E SEUS EFEITOS




REINO DOS CÉUS E CULPA


O professor José Benevides Cavalcante (FUNDAMENTOS DA DOUTRINA ESPÍRITA, eme) esclarece as dúvidas de dois leitores: REINO DOS CÉUS Li na Bíblia que certa vez, Jesus falou que as meretrizes e os publicanos entrariam primeiro no Reino dos Céus. Neste caso, Jesus não está aprovando o pecado em lugar de combatê-lo? Podemos ler os Evangelhos de várias maneiras. O Espiritismo nos recomenda uma leitura crítica, ou seja, uma leitura atenta e racional, pela qual possamos examinar o texto sob os mais diversos ângulos, considerando a doutrina moral de Jesus, o povo a que pertencia e a cultura de seu tempo. Esse tipo de leitura nos leva a ver Jesus como um “demolidor de preconceitos”. Se você já leu todos os Evangelhos, certamente pode verificar que Jesus importunou os fariseus com as suas colocações e o fez de maneira acintosa e muito bem pensada. Ele combatia, sobretudo, a hipocrisia, pois as pessoas que se diziam religiosas achavam que “fazer a vontade de Deus” era simplesmente cumprir com as obrigações do “culto”, satisfazer as exigências dos sacerdotes, frequentar as sinagogas e o templo, guardar o sábado, observar o jejum , oferecer sacrifícios – essas coisas, que as religiões, de um modo geral, costumam estabelecer para os seus adeptos, Jesus no entanto, não vê essa prática liturgica como a verdadeira religião ou seja, como religação do homem com Deus. Para ele, religiosidade é pensar, falar e agir com amor em relação ao próximo, ou seja, praticando o Bem, exercitando a caridade, com o fez o samaritano da parábola. A prática religiosa convencional é mero formalismo. Por isso, insistia em chocar os fariseus com as suas atitudes e afirmações, curando no sábado, defendendo a prostituta, protegendo os doentes e mendigos, deixando-se levar pela meretriz, exaltando o publicano e o samaritano, porque esses eram os discriminados daquela sociedade, os pecadores, contra quem recaiam toda condenação do farisaísmo dominante e opressor. Com isso demostrava que não tinha preconceito contra quem quer que fosse e que o essencial na vida das pessoas não como elas se apresentam por fora e como são vistas pela sociedade, mas como elas são por dentro, ante a própria consciência. Daí o “não julgueis”, porque só Deus conhece o intimo de cada um e de seus filhos e o Ser Perfeito pode fazer sobre eles o verdadeiro e único julgamento CULPA Por que muitos Espíritos, talvez a maioria, se sentem culpados, depois da desencarnação? Porque sentem que não fizeram o que deviam ter feito em vida ou fizeram o que fazer não deviam. A desencarnação nos desveste não só da roupagem física, mas pode nos desvestir também de alguns valores menos dignos que alimentavamos na Terra. Muitas pessoas só vão valorizar seus familiares, seus amigos, sua coletividade, quando se veem do outro lado da vida, quando sentem que perderam a oportunidade de conviver bem e de desfrutar da companhia daqueles que lhe são caros. Nunca lhes dirigiram uma palavra de aprovação ou de carinho, nunca lhes estendeu a mão ou lhes deu um abraço, nunca os apoiaram ou os ajudaram em algum empreendimento. De repente, percebem que perderam tudo e aí vêm o remorso, o sentimento de culpa, a ideia de Deus, a concepção de uma vida eterna e um julgamento implacável desfere de sua consciência contra elas mesmas. Então explode o desespero, muitas vezes, por sentirem que já entraram na eternidade das penas, pois começam a sofrer e não sabem quando tudo termina. A desencarnação, quer queiramos ou não, reserva-nos algumas surpresas desagradáveis. Por isso, seria bom que começássemos a nos reformular ainda hoje, passando a pôr em prática tudo aquilo que a nossa consciência moral nos tem mandado fazer, malgrado a nossa desobediência. Os recém-desencarnados costumam ser educados e dóceis para com os seus, porque, cientes da grande oportunidade que deixaram escapar, querem fazer agora por eles tudo o que não fizeram quando estavam na Terra.