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quarta-feira, 18 de outubro de 2017

TODOS SÃO MÉDIUNS

Fenômeno presente em todas as épocas da Humanidade, foi explicado de forma racional e lógica pela revolucionária proposta da Doutrina Espírita. Na sequência alguns desses elementos para a melhor compreensão do fato. 1- O que quer dizer mediunato? Trata-se de um termo sugerido pelos próprios Espíritos para identificar aqueles que renascem com a missão de exercerem a mediunidade. É o caso das criaturas que, por vezes, desde a infância, convivem com o fenômeno mediúnico visto por eles como algo normal e interpretado por outras pessoas como uma anormalidade patológica, um transtorno psiquiátrico. (IPME). Chico Xavier é um dos mais eloquentes exemplos pelo que sua história de vida confirma.  2-Supondo-se como válida a informação de que muitos renascem comprometidos com o exercício da mediunidade, como explicar a existência de tão poucos reconhecidos nessa condição?  Nesse terreno de assistência espiritual, muitos são os pretextos inventados pelas criaturas terrestres para fugir ao testemunho da Verdade Divina, nas tarefas que lhes são próprias. Os mordomos da responsabilidade alegam excesso de deveres, os servidores da obediência afirmam ausência de ensejo. Os que guardam possibilidades financeiras montam guarda ao patrimônio amoedado, os que receberam a bênção da pobreza de recursos monetários aconselham-se com a revolta. Os moços declaram-se muito jovens para cultivar as realidades sublimes, os mais idosos afirmam-se inúteis para servi-las. Os casados reclamam quanto à família, os solteiros queixam-se da ausência dela. Dizem os doentes que não podem, comentam os sãos que não precisam. Raros companheiros encarnados conseguem viver sem a contradição. (M; 28) 3- Como a pessoa pode saber se é médium com essa característica? Até o momento não se conhece nenhum diagnóstico para a mediunidade. (...). Experimentar é o único meio de saber se existe ou não a percepção. De resto, os médiuns são muito numerosos, sendo bastante raro que, se não o somos nós mesmos, não encontremos alguns em membros de nossas famílias ou em nosso círculo de amizades. O sexo, a idade, o temperamento são indiferentes. São encontrados entre os homens e entre as mulheres, as crianças e os velhos, as pessoas que tem boa saúde e as que estão doentes. (OQE) 4- Há sinais exteriores que podem sugerir a mediunidade? Se a mediunidade se traduzisse por um sinal exterior, isso implicaria na permanência da faculdade, e, ao contrário, esta é essencialmente móvel e fugidia. Sua causa física está na assimilação mais ou menos fácil dos fluídos perispirituais do encarnado e do desencarnado. (OQE) 5- Como desenvolver a mediunidade? Conquanto cada um encerre em si mesmo o germe das qualidades necessárias para tornar-se médium, essas qualidades não existem senão em graus muito diferentes, e seu desenvolvimento provém de causas que não dependem de ninguém fazê-las nascer à vontade. As regras da poesia, da pintura e da música não fazem nem poetas, nem pintores e nem músicos daqueles que não lhes tem a propensão: elas guiam no emprego de faculdades naturais (...). O estudo preliminar da teoria é indispensável, se se querem evitar os inconvenientes inseparáveis da inexperiência. (LM, Introdução / 27) 6- Quais os principais requisitos para alcançar esse objetivo? A calma e o recolhimento unidos a um desejo ardente e à firme vontade de ser bem sucedido; e, por vontade não entendemos uma vontade efêmera que atua por intervalos, e que a cada minuto se interrompe por outras preocupações; mas uma vontade febril. O recolhimento é favorecido pela solidão, pelo silêncio e o isolamento de tudo que possa causar distrações. Não resta mais, então, do que renovar todos os dias as tentativas durante dez minutos ou um quarto de hora ou mais de cada vez, e isso durante quinze dias, um mês, dois meses ou mais se for preciso. Conhecemos médiuns que não se formaram senão depois de seis meses de exercício, enquanto que outros escrevem corretamente desde a primeira vez. (LM; 27/204)




segunda-feira, 16 de outubro de 2017

O ESPIRITISMO, AS PREVISÕES, A INDULGÊNCIA E O PERDÃO

O professor José Benevides Cavalcante (FUNDAMENTOS DA DOUTRINA ESPÍRITA, eme) segue com suas participações esclarecendo dúvidas dos leitores.1- PREVISÕES Se existem pessoas que podem ver o futuro, como o Espiritismo fala, é porque o futuro já está determinado. Nesse caso, nada adianta o nosso esforço para modificar as coisas, pois o que vai acontecer ninguém pode mudar. A premissa está certa: há pessoas - ou, eventualmente, qualquer pessoa - que podem prever acontecimentos. Mas a conclusão não é correta. O fato de uma pessoa prever algum fato e esse fato, posteriormente, ocorrer, não significa que não havia possibilidade de muda-lo. Significa apenas que ele não foi mudado e, por isso mesmo, se confirmou a previsão. A princípio, não existe o que não pode ser modificado, porque a vida é dinâmica e o Espírito é senhor de sua vontade. Portanto, é fácil concluir que as previsões só se aplicam aos fatos que, estando previstos, não foram mudados. É sabido, no meio espírita, que a Espiritualidade, e até mesmo o Espírito, podem planejar uma encarnação, sabendo antecipadamente as probabilidades de se dar tal ou tal fato. Alguém pode ter acesso a essa informação por vias anímicas ou mediúnicas e captar, por exemplo, uma cena, geralmente, trágica que pode acontecer nesta encarnação. Isto geralmente significa um alerta para o protagonista da tragédia, que poderá alterar o rumo dos acontecimentos ou não, dependendo de sua vontade e de seu esforço. Se tudo que estivesse previsto não fosse passível de alteração, teríamos que aceitar o destino irremediável ou a predestinação e, então, de nada valendo nossa vontade e nossos esforços para melhorar, seríamos apenas e tão somente marionetes, sem mérito ou culpa pelo que nos acontece. Esta ideia do destino irrevogável, portanto, não é uma concepção espírita. Para o Espiritismo nós somos os construtores do próprio destino: “a cada um segundo as suas obras”. 2- INDULGÊNCIA E PERDÃO Qual a diferença que existe entre indulgência e perdão? No sentido utilizado em O LIVRO DOS ESPÍRITOS ( questão 886), quando Kardec pergunta qual o sentido de caridade utilizado por Jesus, a indulgência e o perdão têm um ponto comum, que é a compreensão quanto aos defeitos ou erros dos outros. No entanto, a indulgência se refere mais à compreensão que devemos ter em relação às pessoas que estão mais distantes de nós, quando elas não procedem bem na vida familiar, na vida social, ou quando as julgamos erradas por se conduziram desta ou daquela maneira. Como nada temos a ver com a vida delas, se não podemos ajudá-las, não nos cabe o direito de alardear suas fraquezas ou de comentar seus deslizes ( maledicência), uma vez que também somos imperfeitos e nos sentimos prejudicados quando os outros comentam nossos defeitos. Referindo-se à indulgência, Jesus proclamou o "não julgueis para que não sejais julgados", um dos princípios básicos de sua Doutrina. Quanto ao perdão, trata-se da compreensão que devemos ter em relação aos nossos ofensores, ou seja, a pessoas que, relacionando-se diretamente conosco, nos ofenderam, nos feriram, nos prejudicaram de alguma forma. Neste caso, somos a vítima de seu erro ou de sua imperfeição ( independente se o seu ato foi deliberado ou não), e o perdão consiste em compreender os seus limites, não desejando-lhes o mal e, muito menos, alimentando contra elas ideias de revide ou de vingança, propiciando-lhe, inclusive, a oportunidade de reparação. Não resta dúvida de que o perdão é a mais alta expressão da caridade por ser bem mais difícil que a indulgência e, portanto, reunir maiores méritos por parte da vítima. Jesus se referiu muitas vezes ao perdão, como expressão de completa abnegação, respondendo a Pedro que perdoasse não apenas sete vezes, mas setenta vezes sete vezes, ou seja, quantas vezes fosse necessário.

sábado, 14 de outubro de 2017

O ESPIRITISMO É CRISTÃO

Desconhecido em sua essência pela maioria das pessoas, o Espiritismo ao contrário do que se pensa é uma proposta derivada da mensagem de Jesus. No número de setembro de 1867 da REVISTA ESPÍRITA, Allan Kardec apresenta alguns argumentos lógicos a respeito. Escreve ele: - Sendo Deus o eixo de todas as crenças religiosas e o objetivo de todos os cultos, o caráter de todas as religiões é conforme à ideia que elas dão de Deus. As religiões que fazem de Deus um ser vingativo e cruel julgam honrá-lo com atos de crueldade, com fogueiras e torturas; as que têm um Deus parcial e cioso são intolerantes e mais ou menos meticulosas na forma, por crerem-no mais ou menos contaminado das fraquezas e ninharias humanas. Toda a doutrina do Cristo se funda no caráter que ele atribui à Divindade. Com um Deus imparcial, soberanamente justo, bom e misericordioso, ele fez do amor de Deus e da caridade para com o próximo a condição indeclinável da salvação, dizendo: Aí estão toda a lei e os profetas; não existe outra lei. Sobre esta crença, assentou o princípio da igualdade dos homens perante Deus e o da fraternidade universal. (...) Entretanto, o Cristo acrescenta: “Muitas das coisas que vos digo ainda não as compreendeis e muitas outras teria a dizer, que não compreenderíeis; por isso é que vos falo por parábolas; mais tarde, porém, enviar-vos-ei o Consolador, o Espírito de Verdade, que restabelecerá todas as coisas e vo-las explicará todas.” Se o Cristo não disse tudo quanto poderia dizer, é que julgou conveniente deixar certas verdades na sombra, até que os homens chegassem ao estado de compreendê-las. Como ele próprio o confessou, seu ensino era incompleto, pois anunciava a vinda daquele que o completaria; previra, pois, que suas palavras não seriam bem interpretadas, e que os homens se desviariam do seu ensino; em suma, que desfariam o que ele fez, uma vez que todas as coisas hão de ser restabelecidas: ora, só se restabelece aquilo que foi desfeito. Por que chama ele Consolador ao novo Messias? Este nome, significativo e sem ambiguidade, encerra toda uma revolução. Assim, ele previa que os homens teriam necessidade de consolações, o que implica a insuficiência daquelas que eles achariam na crença que iam fundar. Talvez nunca o Cristo fosse tão claro, tão explícito, como nestas últimas palavras, às quais poucas pessoas deram atenção bastante, provavelmente porque evitaram esclarecê-las e aprofundar-lhes o sentido profético. Se o Cristo não pôde desenvolver o seu ensino de maneira completa, é que faltavam aos homens conhecimentos que eles só podiam adquirir com o tempo e sem os quais não o compreenderiam; há muitas coisas que teriam parecido absurdas no estado dos conhecimentos de então. Completar o seu ensino deve entender-se no sentido de explicar e desenvolver, não no de ajuntar-he verdades novas, porque tudo nele se encontra em estado de gérmen, faltando-lhe só a chave para se apreender o sentido das palavras. (...) Os homens, cada vez mais esclarecidos, à medida que novos fatos e novas leis se forem revelando, saberão separar da realidade os sistemas utópicos. Ora, as ciências tornam conhecidas algumas leis; o Espiritismo revela outras; todas são indispensáveis à compreensão dos Textos Sagrados de todas as religiões, desde Confúcio e Buda até o Cristianismo. Quanto à teologia, essa não poderá judiciosamente alegar contradições da Ciência, visto como também ela nem sempre está de acordo consigo mesma. O Espiritismo, partindo das próprias palavras do Cristo, como este partiu das de Moisés, é consequência direta da sua doutrina. À ideia vaga da vida futura, acrescenta a revelação da existência do mundo invisível que nos rodeia e povoa o espaço, e com isso precisa a crença, dá-lhe um corpo, uma consistência, uma realidade à ideia. Define os laços que unem a alma ao corpo e levanta o véu que ocultava aos homens os mistérios do nascimento e da morte. Pelo Espiritismo, o homem sabe donde vem, para onde vai, por que está na Terra, por que sofre temporariamente e vê por toda parte a justiça de Deus. Sabe que a alma progride incessantemente, através de uma série de existências sucessivas, até atingir o grau de perfeição que a aproxima de Deus. Sabe que todas as almas, tendo um mesmo ponto de origem, são criadas iguais, com idêntica aptidão para progredir, em virtude do seu livre-arbítrio; que todas são da mesma essência e que não há entre elas diferença, senão quanto ao progresso realizado; que todas têm o mesmo destino e alcançarão a mesma meta, mais ou menos rapidamente, pelo trabalho e boa vontade. 

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

ESQUECIMENTO DO PASSADO

Tema sempre oportuno, o esquecimento do passado é racionalmente justificado pelo Espiritismo. Nas chamadas OBRAS BÁSICAS, encontramos alguns tópicos apresentados a seguir ilustrando esse argumento: 1 - Em que momento se opera o esquecimento do passado? Desde que o Espírito é preso ao laço fluídico que o liga ao germe (embrião, feto), a perturbação apodera-se dele, crescendo à medida que o laço se aperta, e, nos últimos momentos, o Espírito perde toda a consciência de si mesmo, de sorte que ele nunca é testemunha consciente de seu nascimento. No momento em que a criança respira, o Espírito começa a recobrar suas faculdades, que se se desenvolveram à medida que se formam e consolidam os órgãos que devem servir para a sua manifestação.(G,XI,20) 2 - Isso seria o esquecimento do passado? Não. Ao mesmo tempo que o Espírito recobra a consciência de si mesmo, perde a lembrança de seu passado, sem perder as faculdades, qualidades e aptidões adquiridas anteriormente, aptidões que estavam, momentaneamente, estacionadas em seu estado latente e que, em retomando sua atividade, vão ajudá-lo a fazer mais e melhor que fazia precedentemente. Ele renasce como fizera na encarnação anterior; sendo seu renascimento agora um novo ponto de partida, um novo degrau a subir. (G,XI,21) 3 - Esse esquecimento é mesmo necessário? Aí a Bondade do Criador se manifesta, porquanto, adicionada aos amargores de uma nova existência, a lembrança, muitas vezes aflitiva e humilhante do passado, poderia perturbá-lo e lhe criar embaraços. Ele apenas se lembra do que aprendeu, ou lhe será útil. Se às vezes lhe é dada uma intuição dos acontecimentos passados, é como uma lembrança de um sonho fugidio. Ei-lo, pois, novo homem, por mais antigo que seja como Espírito.. Adota novos processos, auxiliado, pelas suas aquisições precedentes. (...) Cada Espírito é sempre o mesmo “EU”, antes, durante e depois da encarnação, sendo esta, apenas uma fase da sua existência. (G,XI,21) Saudando o primeiro centenário da Doutrina Espírita na Terra, o Espírito Emmanuel resumiu os estudos realizados em torno d’ O LIVRO DOS ESPÍRITOS na obra RELIGIÃO DOS ESPÍRITOS (1961, feb) em psicografia de Chico Xavier, onde revela dado importante- Tanto nos casos em que o processo do sono que assinala os preparativos para a reencarnação é longo como naquele que perdura durante a vida fetal, o Espírito experimenta a prostração psíquica nos primeiros sete anos da tenra instrumentação fisiológica, perfazendo mais ou menos três mil dias de sono induzido ou hipnose terapêutica, que acrescidas dos fenômenos naturais de restringimento do corpo espiritual, no refúgio uterino, induzem o entorpecimento das recordações do passado, para que se alivie a mente na direção de novas conquistas. O despertar se faz, gradativamente, na adolescência, com a vida propondo ao Espírito a continuidade do serviço devido à regeneração ou à evolução clara e simples, fazendo com que o mesmo retorne à herança de si mesmo, na estruturação psicológica do destino, reavendo o patrimônio das realizações e das dívidas que acumulou, em forma de tendências inatas, e reencontrando pessoas e as circunstâncias com as quais se ache afinizado ou comprometido. Outro argumento forte oferecido por Allan Kardec em O QUE É O ESPIRITISMO é o seguinte:  -Suponhamos ainda — o que é um caso muito comum — que em vossas relações, em vossa família mesmo se encontre um indivíduo que vos deu outrora muitos motivos de queixa, que talvez vos arruinou, ou desonrou em outra existência, e que, Espírito arrependido, veio encarnar-se em vosso meio, ligar-se a vós pelos laços de família, a fim de reparar suas faltas para convosco, por seu devotamento e afeição; não vos acharíeis mutuamente na mais embaraçosa posição, se ambos vos lembrásseis de vossas passadas inimizades? Em vez de se extinguirem, os ódios se eternizariam. Disso resulta que a reminiscência do passado perturbaria as relações sociais e seria um tropeço ao progresso. Quereis uma prova? Supondo que um indivíduo condenado às galés tome a firme resolução de tornar-se um homem de bem, que acontece quando ele termina o cumprimento da pena? A sociedade o repele, e essa repulsa o lança de novo nos braços do vício. Se, porém, todos desconhecessem os seus antecedentes, ele seria bem acolhido; e, se ele mesmo os esquecesse, poderia ser honesto e andar de cabeça erguida, em vez de ser obrigado a curvá-la sob o peso da vergonha do que não pode olvidar. Isto está em perfeita concordância com a Doutrina dos Espíritos, a respeito dos mundos superiores ao nosso planeta, nos quais, só reinando o bem, a lembrança do passado nada tem de penosa; eis por que seus habitantes se recordam da sua existência precedente, como nós nos recordamos hoje do que ontem fizemos. Quanto à lembrança do que fizeram em Mundos Inferiores, ela produz neles a impressão de um mau sonho





terça-feira, 10 de outubro de 2017

AUTODESCOBRIMENTO

O estudo continuado da Doutrina Espírita conduz naturalmente à convicção de que existimos para evoluir incessantemente, sendo a condição humana uma das etapas do processo e a vida no Planeta Terra parte do mesmo. Na sequencia alguns tópicos importantes para avaliação: 1- Todos alimentam o desejo muito natural de progredir, para forrar-se à penosa condição desta vida. Os próprios Espíritos nos ensinam a praticar o bem com esse objetivo. Será, então, um mal pensarmos que, praticando o bem, podemos esperar coisa melhor do que temos na Terra? Não, certamente; mas aquele que faz o bem, sem ideia preconcebida, pelo só prazer de ser agradável a Deus e ao seu próximo que sofre, já se acha num certo grau de progresso. Isso lhe permitirá alcançar a felicidade muito mais depressa do que seu irmão que, mais positivo, faz o bem por cálculo e não impelido pelo ardor natural do seu coração. (LE; 897)  2- Qual o meio prático mais eficaz que tem o homem de se melhorar nesta vida e de resistir à atração do mal? O conhecimento de si mesmo é a chave do progresso individual.  Mas, direis, como há de alguém julgar- se a si mesmo?  Não está aí a ilusão do amor-próprio para atenuar as faltas e torná-las desculpáveis?  O avarento se considera apenas econômico e previdente; o orgulhoso julga que em si só há dignidade.  Isto é muito real, mas tendes um meio de verificação que não pode iludir-vos. Quando estiverdes indecisos sobre o valor de uma de vossas ações, inquiri como a qualificaríeis, se praticada por outra pessoa.  Se a censurais noutrem, não na podereis ter por legítima quando fordes  o seu autor, pois que Deus não usa de duas medidas na aplicação de sua justiça. Procurai também saber o que dela pensam os vossos semelhantes e não desprezeis a opinião dos vossos inimigos, porquanto esses nenhum interesse têm em mascarar a verdade e Deus muitas vezes os coloca ao vosso lado como um espelho, a fim de que sejais advertidos com mais franqueza do que o faria um amigo.  Perscrute, conseguintemente, a sua consciência aquele que se sinta possuído do desejo sério de melhorar-se, a fim de extirpar de si os maus pendores, como do seu jardim arranca as ervas daninhas; dê balanço no seu dia moral para, a exemplo do comerciante, avaliar suas perdas e seus lucros e eu vos asseguro que a conta destes será mais avultada que a daquelas.  Se puder dizer que foi bom o seu dia, poderá dormir em paz e aguardar sem receio o despertar na outra vida. Formulai, pois, de vós para convosco, questões nítidas e precisas e não temais multiplicá-las gastem alguns minutos para conquistar uma felicidade eterna. (LE; 920) 3- Em que medida a aceitação e o estudo do princípio da reencarnação nos moldes colocados pelo Espiritismo pode ser útil no processo de autodescobrimento?O estudo da reencarnação não interessa unicamente ao exame do passado, às demonstrações do renascimento da alma na ascenção evolutiva; fala, mais profundamente, ao reequilíbrio de nós mesmos. Não precisamos exumar personalidades que já desapareceram na ronda inflexível do tempo, a fim de nos certificarmos quanto à realidade dos princípios reencarnacionistas. Recorramos à introspecção. Pausemos na atividade cotidiana de quando em quando para observar-nos, no âmago do Ser, e constataremos a expressão multiface de nosso Espírito. Aí, na solidão do plano íntimo, em análise correta e desapaixonada, surpreenderemo-nos tais quais somos e, confrontando os impulsos que nos caracterizam a índole com os conhecimentos superiores que vamos adquirindo, esbarramos, de chofre, com as individualidades que temos vivido em muitas existências. Depois de semelhante auto-auscultação, vejamos o próprio comportamento na vida exterior. Encontraremos, então, o traço dominante de nossa natureza múltipla no trato com pessoas e situações pelas reações que elas nos causam. O que mais nos assombra é o desnível de nosso senso de amor e justiça, de vez que há circunstâncias em que pleiteamos tolerância e desculpa, quando por dentro estamos plenamente convencidos de que somos responsáveis e puníveis por faltas graves e, há criaturas que nos merecem o máximo apreço, sem que sintamos por elas nada mais que aversão e vice-versa. Determinemos, por nós mesmos, as oportunidades que falamos disso ou daquilo, escondendo cautelosamente a opinião verdadeira que alimentamos no assunto, atendemos à nossa arte de despistar quando os nossos interesses estejam em jogo e verificaremos que a cortesia, em certas ocasiões, não passa de capa atraente que nos guarnece a astúcia, no encalço de certos fins.  Não nos propomos ao comentário no intuito de arrasar-nos ou deprimirmos.  Longe disso, sugerimos o tema com o objetivo de fomentar a pesquisa clara e benéfica da reencarnação, em nós mesmos, sem necessidade de quaisquer recursos à revelações outras, ao modo de pessoa que acende um luz para conhecer os escaninhos da própria casa. Estudemos a lei dos renascimentos na vida física, dentro de nós. Não nos poupemos, diante da verdade, para que a verdade nos corrija. Não basta que o discípulo tenha um mestre digno para senhorear disciplina determinada. É necessário que ele se informe quanto às lições e se aplique a elas. (SA; 50)


domingo, 8 de outubro de 2017

MORTE E RESIGNAÇÃO, TEORIA E PRÁTICA, MORTE PREMATURA...

Esclarecendo outras dúvidas, a visão do professor José Benevides Cavalcante (FUNDAMENTOS DA DOUTRINA ESPÍRITA eme), marca presença na sequência. MORTE E RESIGNAÇÃO Os espíritas pregam a resignação diante do sofrimento e da morte. Quando aceitamos a morte com resignação não estamos nos declarando impotentes diante da vida? Somos impotentes diante de muita coisa e precisamos aprender a aceitar os nossos limites, sabendo que não podemos tudo. Quem de nós poderá evitar a morte? Quem poderá dominar as leis da vida? Se não aceitarmos a existência de Deus, o Supremo Poder, estaremos menosprezando o valor da vida e o valor do homem, uma vez que ele nada mais será do que mera obra do acaso. Assim, a nossa impotência maior é aquela que surge da incapacidade de conceber Deus e a continuidade da vida, porque, aceitando a morte como o fim e a vida sem um sentido divino, na verdade, nada mais nos restará que lamentar nossa triste sorte, chorar ou nos desesperar, uma vez que o nosso tudo redundará em nada. A resignação é uma forma de nos adaptar momentaneamente às condições que não podemos mudar, mas o conhecimento espírita que embasa essa resignação nos dá a certeza de que a vida não termina com a morte do corpo e que, portanto, aí não existe mero conformismo, mas compreensão de que a experiência da desencarnação é necessária para alcançarmos uma situação melhor. TEORIA E PRÁTICA Se o conhecimento valesse, médico não fumava. No entanto, muitos médicos fumam, demonstrando que o fato de que o saber não muda o comportamento humano. A partir daí, podemos concluir que o Ser humano é assim em tudo. Não basta saber, é preciso mudar. O que fazer? O conhecimento é, sem dúvida, o primeiro passo para a transformação do homem, mas, incontestavelmente, não é o último. Sabemos muitas coisas boas, mas bem poucas praticamos, porque temos dificuldade de transformar esses conhecimentos em valores efetivos de vida. Foi por isso que Jesus, mui apropriadamente, antecipava às suas afirmativas a seguinte expressão, " Veja quem tem olhos de ver, ouça quem tem ouvidos de ouvir", ou seja, nem todos os olhos e ouvidos que vêem e ouvem estão preparados para se apropriar do conteúdo moral da Verdade; apenas constatam, mas não aplicam. Percebendo essa natural dificuldade do aprendiz, Jesus, como um bom Mestre, conduziu seus discípulos à prática do Bem, quer dizer, ao exercício pleno dos princípios que ensinava. De que valeria Jesus falar em amor ao próximo, se ele mesmo não desse conta disso? De que valeria recomendar aos discípulos que amassem seus semelhantes, se não lhes pusessem às mãos a oportunidade do trabalho em favor do próximo, para se modificarem. Jesus não concebia a teoria sem a prática, nem a prática sem a teoria. Em razão disso, estimulava os discípulos a fazer o Bem, a vivenciarem o que estavam aprendendo e o que iriam ensinar. Esta é a forma pela qual cada um de nós pode se melhorar moralmente, alimentando-nos de conhecimento e aplicando-o imediatamente à prática da vida, começando aqui e agora, desde as relações familiares ao contato com os mais estranhos. Assim, o primeiro degrau para a transformação se chama convencimento ( confiança plena naquilo que está aprendendo), ao que se segue a aplicação da teoria e a sua repetição constante, para que se formem novos esquemas de comportamento em nosso modo de conviver. MORTE PREMATURA Por que pessoas boas morrem cedo? Será porque Deus precisa delas do lado de lá? É possível que exista alguma relação entre a bondade e a duração da vida na Terra. No Velho Testamento da Bíblia, Iavé, o deus hebreu, assim mandava: "Honra vosso pai e vossa mãe para que longos sejam os vossos dias na Terra". No entanto, vemos pessoas boníssimas, que amam seus pais, que honram seus familiares, partirem cedo desta vida e outras, que até desprezam ou abandonam aos pais, sem nenhuma consideração ou respeito por eles, terem uma vida longa neste mundo, prova de que o mandamento de Moisés não estava muito bem formulado, pois, ele não sabia conceber uma vida além desta. Pela lógica, quanto mais elevado moralmente o Espírito menos precisa da encarnação. Mas, na verdade, cada caso é um caso e precisa ser analisado individualmente: não devemos generalizar. O que existe atrás desse mecanismo encarnação/desencarnação é o currículo anterior do Espírito que, sendo bom, deve ter planejado a sua vida na Terra para poucos anos, mesmo porque o Espírito mais avançado não mede suas experiências pela extensão no tempo, mas pela profundidade com que elas são vividas. Difícil para os familiares e os amigos, que lamentam a sua desencarnação precoce, muitas vezes, inconformados! Mas, geralmente, quando encarnados, não sabemos aquilatar o que está atrás de tudo isso, de modo que a nossa tristeza se justifica apenas porque o queremos fisicamente perto de nós e não levamos em consideração que, mesmo dolorosa, essa inesperada partida foi de inestimável valor para sua evolução espiritual.

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

APENAS MAIS UMA OPÇÃO?

Surgido em meados do século 19, o Espiritismo foi seguido no século 20 por grande quantidade de alternativas espiritualistas que por sua vez atendem anseios e necessidades de grande número de pessoas em várias regiões do Planeta. Diante disso, surge naturalmente a pergunta: qual o real papel a ser cumprido pela Doutrina Espírita. Allan Kardec na edição de agosto de 1865, da REVISTA ESPÍRITA oferece alguns elementos para reflexões. Diz ele: -O Espiritismo contribui para a regeneração da Humanidade: isto é um fato constatado. Ora, não podendo essa regeneração operar-se senão pelo progresso moral, resulta que seu objetivo essencial, providencial, é o melhoramento de cada um; os mistérios que pode nos revelar são a parte acessória, porquanto, ao nos abrir o santuario de todos os conhecimentos só estaremos mais adiantados para o nosso estado futuro se formos melhores. Para nos admitir no banquete da suprema felicidade, Deus não pergunta o que sabemos, nem o que possuímos, mas o que valemos e o bem que fizemos. Portanto, é acima de tudo pelo seu melhoramento individual que todo espírita sincero deve trabalhar. Só aquele que dominou suas más tendências aproveitou realmente o Espiritismo e receberá a sua recompensa. É por isto que os Espíritos bons, por ordem de Deus, multiplicam suas instruções e as repetem até à saciedade; só um orgulho insensato pode dizer: não preciso de mais. Só Deus sabe quando serão inúteis, e só a ele cabe dirigir o ensino de suas mensagens e de o proporcionar ao nosso adiantamento. Contudo, vejamos se, fora do ensinamento puramente moral, os resultados do Espiritismo são tão estéreis quanto pretendem alguns. 1– Antes de mais ele dá, como todos sabem, a prova patente da existência e da imortalidade da alma. Não é uma descoberta, é verdade, mas é por falta de provas sobre este ponto que há tantos incrédulos ou indiferentes quanto ao futuro; é provando o que não passava de teoria que ele triunfa sobre o materialismo e previne suas funestas consequências para a sociedade. Tendo mudado em certeza a dúvida quanto ao futuro, o Espiritismo opera toda uma revolução nas ideias, cujos resultados são incalculáveis. Se aí se limitasse exclusivamente o resultado das manifestações, quão imensos seriam esses resultados! 2 – Pela firme crença que desenvolve, exerce poderosa ação sobre o moral do homem; impele-o ao bem, consola-o nas aflições, dá-lhe força e coragem nas provações da vida e lhe desvia do pensamento o suicídio. 3– Retifica todas as ideias falsas que se tivessem sobre o futuro da alma, sobre o céu, o inferno, as penas e recompensas; destrói radicalmente, pela irresistível lógica dos fatos, os dogmas das penas eternas e dos demônios; numa palavra, descobre-nos a vida futura e no-la mostra racional e conforme à justiça de Deus. É ainda uma coisa que tem muito valor. 4 – Dá a conhecer o que se passa no momento da morte; este fenômeno, até hoje insondável, não mais tem mistérios; as menores particularidades dessa passagem tão temível são hoje conhecidas. Ora, como todos morrem, este conhecimento interessa a todo o mundo. 5 – Pela lei da pluralidade das existências, abre um novo campo à filosofia; o homem sabe de onde vem, para onde vai e com que objetivo está na Terra. Explica a causa de todas as misérias humanas, de todas as desigualdades sociais; dá as próprias leis da Natureza como base dos princípios de solidariedade universal, de fraternidade, de igualdade e de liberdade, que só se assentavam na teoria. Enfim, projeta luz sobre as mais árduas questões da metafísica, da psicologia e da moral. 6 – Pela teoria dos fluidos perispirituais, torna conhecido o mecanismo das sensações e das percepções da alma; explica os fenômenos da dupla vista, da vista a distância, do sonambulismo, do êxtase, dos sonhos, das visões, das aparições, etc.; abre novo campo à Fisiologia e à Patologia. 7 – Provando as relações existentes entre o mundo corporal e o mundo espiritual, mostra neste último uma das forças ativas da Natureza, um poder inteligente e dá a razão de uma porção de efeitos atribuídos a causas sobrenaturais, e que alimentaram a maior parte das idéias supersticiosas. 8 – Revelando o fato das obsessões, faz conhecer a causa, até aqui desconhecida, das numerosas afecções, sobre as quais a Ciência se havia enganado em prejuízo dos doentes, e dá os meios de os curar. 9 – Dando-nos a conhecer as verdadeiras condições da prece e seu modo de ação; revelando-nos a influência recíproca dos Espíritos encarnados e desencarnados, ensina-nos o poder do homem sobre os Espíritos imperfeitos para os moralizar e os arrancar aos sofrimentos inerentes à sua inferioridade. 10 – Tornando conhecida a magnetização espiritual, que era desconhecida, abre novo caminho ao magnetismo e lhe traz um novo e poderoso elemento de cura. O mérito de uma invenção não está na descoberta de um princípio, quase sempre conhecido anteriormente, mas na aplicação desse princípio. Sem dúvida a reencarnação não é uma ideia nova, como o perispírito descrito por São Paulo sob o nome de corpo espiritual também não o é, e nem mesmo a comunicação com os Espíritos.


quarta-feira, 4 de outubro de 2017

PRESENÇA DE DEUS

Genericamente repetindo informações plantadas na memória por escolas religiosas tradicionais, afirmam muitos a presença e ação de Deus em momentos cruciais das próprias existências. Allan Kardec nas páginas da REVISTA ESPÍRITA oferece alguns conteúdos interessantes para nossas reflexões. 1- Como acreditar que Deus pode atender aos rogos da criatura humana?  As flutuações que sua vontade pode imprimir aos acontecimentos da própria vida de modo algum perturbam a harmonia universal, pois essas mesmas flutuações faziam parte das provas que incumbem ao homem na Terra.  No limite das coisas que dependem da vontade do homem, Deus pode, pois, sem derrogar suas leis, anuir a uma prece, quando é justa, e cuja realização pode ser útil; mas acontece muitas vezes que ele julga a sua utilidade e a sua oportunidade de modo diverso que nós, razão por que nem sempre aquiesce.  Se lhe aprouver atendê-la, não é modificando seus decretos soberanos que o fará, mas por meios que não saem da ordem geral, se assim nos podemos exprimir.  Os Espíritos, executores de sua vontade, são então encarregados de provocar as circunstâncias que devem levar ao resultado desejado.  Quase sempre esse resultado requer o concurso de algum encarnado; é, pois, esse concurso que os Espíritos preparam, inspirando os que devem nele cooperar o pensamento de uma ação, incitando-os a ir a um ponto e não a um outro, provocando encontros propícios que parecem devidos ao acaso.  Ora, o acaso não existe nem na assistência que se recebe, nem nas desgraças que se experimenta.  Nas aflições, a prece não só é uma prova de confiança e de submissão à vontade de Deus, que a escuta, se for pura e desinteressada, mas ainda tem por efeito, como sabeis, estabelecer uma corrente fluídica que leva longe, no espaço, o pensamento do aflito, como o ar leva os acentos de sua voz.  Este pensamento repercute nos corações simpáticos ao sofrimento e estes, por um movimento inconsciente e como atraídos por um poder magnético, dirigem-se para o lugar onde sua presença pode ser útil.  Deus, que quer socorrer aquele que o implora, sem dúvida poderia fazê-lo por si mesmo, instantaneamente, mas, como eu disse, ele não faz milagres, e as coisas devem seguir seu curso natural; ele quer que os homens pratiquem a caridade, socorrendo-se uns aos outros.  Por seus mensageiros, o lamento que encontra eco é levado até ele e lá os Espíritos bons insuflam um pensamento benévolo.  Embora provocado, este pensamento deixa ao homem toda a sua liberdade, por isto mesmo que sua fonte é desconhecida; nada o constrange; ele tem, por conseguinte, todo o mérito da espontaneidade, se ceder à voz íntima que nele faz apelo ao sentimento do dever, e todo o demérito se resistir, porque dominado por uma indiferença egoísta. (RE; 5/1865) Num perigo iminente, em que a assistência deve ser imediata, como pode o socorro de Deus chegar em tempo hábil ?  Não deveis esquecer que os Anjos-da-Guarda, os Espíritos Protetores, cuja missão é velar pelos que lhes são confiados, os seguem, a bem dizer, passo a passo.  Não lhes podem poupar as apreensões dos perigos, que fazem parte de suas provações; mas se as consequências do perigo podem ser evitadas, como o previram antes, não esperam o último momento para preparar o socorro.  Se, por vezes, dirigem-se aos homens de má vontade, é visando procurar despertar neles bons sentimentos, mas não contam com eles.  Quando, numa posição crítica, uma pessoa se acha, como que de propósito, para vos assistir, e exclamais que “é a Providência que a envia”, dizeis uma verdade bem maior do que muitas vezes supondes.  Se há casos prementes, outros que o são menos exigem certo tempo para trazer um concurso de circunstâncias favoráveis, sobretudo quando é preciso que os Espíritos triunfem, pela inspiração, da apatia das pessoas cuja cooperação é necessária para o resultado a obter.  Essas demoras na realização do desejo são provas para a paciência e a resignação; depois, quando chega a realização do que se desejou, é quase sempre por um encadeamento de circunstâncias tão naturais que absolutamente nada denuncia uma intervenção oculta, nada afeta a mais leve aparência de maravilhoso; as coisas parecem arranjar-se por si mesmas.  Isto deve ser assim pelo duplo motivo de que os meios de ação não se afastam das leis gerais e, em segundo lugar, que se a assistência dos Espíritos fosse muito evidente, o homem se fiaria neles e habituar-se-ia a não contar consigo mesmo.  Essa assistência deve ser compreendida por ele por pensamento, pelo senso moral, e não pelos sentidos materiais; sua crença deve ser o resultado de sua fé e de sua confiança na bondade de Deus. Infelizmente, porque não viu o dedo de Deus fazer um milagre para ele, muitas vezes esquece aquele a quem deve sua salvação para glorificar o acaso. (RE; 5/1866)



domingo, 1 de outubro de 2017

PASSE - OUTRAS INFORMAÇÕES

Evoluindo do Espiritismo à moda brasileira para o Espiritismo embasado nas informações de Allan Kardec, ou seja, menos empírico, as informações disponibilizadas atualmente permitem uma analise e reflexão nos procedimentos. Na sequência alguns subsídios para avaliação. Resultam de perguntas respondidas por Chico Xavier quando ainda encarnado:1 – O passe precisa ser transmitido em pé ou sentado? Constituindo-se o passe no Grupo Espírita Evangélico, em recursos administrados pelos Benfeitores da Vida Maior, através dos instrumentos humanos, a posição dos medianeiros, qualquer que seja, é sempre digna, desde que seja digna a atitude íntima desses mesmos medianeiros. Ainda assim, a postura de pé será sempre a mais recomendável pelo respeito geral que inspira.  2 - Qual o tempo que se deve utilizar na aplicação do passe? O tempo que se deve gastar para a aplicação de um passe magnético deve ser mais ou menos o mesmo que utilizamos para fazer uma prece, o PAI NOSSO.  3 - Como nos posicionarmos ante as explicações que dividem o passe em passe magnético, passe espiritual e outras modalidades desse tratamento fluídico? Quando estender as mãos sobre a cabeça do paciente, movimentando-as de alto a baixo, não precisa se preocupar. O que for preciso, os Espíritos farão. 4 – O passe mediúnico é possível através da incorporação ou é viável sob a influência do guia? O passe é transfusão de forças magnéticas de variado teor e pode ser administrado sob a influência dos desencarnados que se devotam à caridade, sem necessidade absoluta de incorporação total da instrumentação mediúnica. 5 - Nos embaraços mensais, a mulher pode frequentar os trabalhos mediúnicos? No caso de nossas irmãs as mulheres, tão somente nas ocasiões de gravidez, apó s o terceiro mês de gestação do nascituro, devem abster-se da ação mediúnica, podendo permanecer, porém, na equipe de serviço espiritual para receberem auxílio.  6 - Como saber quando o médium está preparado para integrar se e cooperar nas tarefas em andamento? Sempre que o trabalhador estiver sinceramente decidido a cooperar no Bem dos outros, estará preparado para servir. 7 - Nas sessões públicas, é necessário, enquanto se realizam os passes, alguém continuar falando, mesmo com o barulho? Sim, ainda mesmo que os ruídos desnecessários existam e devam ser podados pouco a pouco, as explanações doutrinárias devem continuar, de vez que são elas as necessárias luzes para a renovação geral dos ouvintes?  8 - Adianta alguém tomar passes no lugar do outro? Alguém não pode substituir alguém, de maneira total, na recepção do passe, mas a mentalização do necessitado de socorro espiritual por parte de quem recebe semelhante auxílio magnético é apoio e assistência de grande valor para quem pede a intervenção da Vida Maior. 9 - Como agir com as pessoas que nos procuram nas horas mais impróprias? Devemos atender a todos em qualquer hora? Todo trabalho para expressar-se em eficiência e segurança reclama disciplina. Aprendamos a controlar os horários de ação espiritual, a fim de que a perturbação não venha aparecer, em nossas tarefas, sob o nome de caridade. Peçamos a Jesus nos inspire e nos abençoe para isso.  A ordem preside o progresso e, por isso mesmo não podemos perder a ordem de vista, sob pena de desequilibrar, embora sem querer, o nosso próprio trabalho. 

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

GUERRA

A mensagem foi recebida na reunião de 23 de setembro de 1859 através de um médium identificado apenas como Sr M.R. e reproduzida na REVISTA ESPÍRITA edição de  dezembro de 1859. O Espírito que a assina é o grande Imperador romano Júlio Cezar (100 AC a 44 AC) que faz uma revelação interessante. Em sua mais recente existência na Terra ostentou o nome de Luiz IX (1240/1270), o 45º Imperador Frances. Um paralelo entre as duas personalidades demonstra - como ele diz - que as várias existências miseráveis e obscuras intermediárias arrefeceram suas imperfeições morais.  O tema de seu comentário: A GUERRA.  Ante os rumores da possibilidade de uma guerra de grandes proporções vale lembrar que o século 20 – bem como a História da Humanidade -, contabilizou dezenas de Guerras de curta ou longa duração, de maior ou porte que resultaram na morte de milhões de pessoas, incalculáveis prejuízos materiais além das duas chamadas Guerras Mundiais. Importante lembrar ainda que na abordagem sobre as LEIS MORAIS em O LIVRO DOS ESPÍRITOS, Allan Kardec indagando do ESPIRITO DA VERDADE ouve que o motivo das guerras é “a predominância da natureza animal sobre a natureza espiritual e satisfação das paixões”, que ela desaparecerá quando os homens compreenderem a justiça e praticarem a Lei de Deus, que o objetivo da Providência tornando a guerra necessária é a liberdade é o progresso, que apesar disso, o que suscita a guerra em seu proveito é o verdadeiro culpado e precisará de muitas existências para expiar todos os homicídios dos quais foi a causa, porque responderá pelo homem, cada um deles, ao qual causou a morte para satisfazer sua ambição”.  Voltando à comunicação do Espírito Júlio Cezar, diz Ele: - Até o presente não encarastes a guerra senão do ponto de vista material; guerras intestinas, guerras de povos contra povos; nela não vistes mais que conquistas, escravidão, sangue, morte e ruínas. É tempo de considerá-la do ponto de vista moralizador e progressivo. A guerra semeia em sua passagem a morte e as ideias. As ideias germinam e crescem. O Espírito vem fazê-las frutificar depois de se haver retemperado na Vida Espiritual. Não sobrecarregueis, pois, com vossas maldições, o diplomata que preparou a luta, nem o capitão que conduziu seus soldados à vitória. Grandes lutas se preparam: lutas do Bem contra o mal, das trevas contra a luz; lutas do Espírito de progresso contra a ignorância estacionária. Esperai com paciência, porquanto nem as vossas maldições, nem os vossos louvores poderão modificar a vontade de DEUS. Ele saberá sempre manter ou afastar seus instrumentos do teatro dos acontecimentos, conforme tenham cumprido a sua missão ou dela abusado, para servir a seus pontos de vista pessoais, do poder que tiverem adquirido por seu sucesso. Tendes o exemplo do César moderno (certamente se refere a Napoleão que de soldado chegou ao Poder máximo na França e que pelo desvirtuamento de sua tarefa enfrentou dois exílios compulsórios e sucessivos) e o meu. Por várias existências miseráveis e obscuras, tive de expiar minhas faltas, tendo vivido pela última vez na Terra sob o nome de Luís IX. Júlio César

terça-feira, 26 de setembro de 2017

UMA VISÃO LOGICA

Tema sempre instigante, afinal todos vivenciam experiências ainda não explicadas de modo satisfatório pelas áreas da ciência que dele se ocupa. A Doutrina Espírita, com meio século de antecedência do surgimento do clássico livro do Psiquiatra austríaco Freud já dava sua contribuição sobre a questão. Na sequência alguns pontos apreciados por Allan Kardec e pelo Espírito André Luiz.. 1-O Espiritismo tem uma visão original sobre o sonho. Qual é? Os sonhos são o resultado da emancipação da alma, que se torna mais independente pela suspensão da vida ativa e de relação. Daí uma espécie de  clarividência indefinida, que se estende aos lugares os mais distantes ou que jamais se viu, e algumas vezes mesmo a outros mundos.  Daí também a lembrança que retraça na memória os acontecimentos verificados na existência presente ou nas existências anteriores.  A extravagância das imagens referentes ao que se passa ou se  passou em mundos desconhecidos entremeadas de coisas do mundo atual formam esses conjuntos bizarros e confusos que parecem não ter senso nem nexo. A incoerência dos sonhos ainda se explica pelas lacunas decorrentes da lembrança incompleta do que nos apareceu no sonho.  Tal como um relato ao qual se tivessem truncado frases ou partes de frases ao acaso: os fragmentos restantes sendo reunidos perderiam toda significação racional. (LE, 402)    2-- O afastamento durante o sono físico é pleno? Durante a encarnação, o Espírito jamais se acha completamente separado do corpo; qualquer que seja a distância a que se transporte, conserva-se preso sempre àquele por um laço fluídico que serve para fazê-lo voltar à prisão corpórea, desde que a sua presença ali se torne necessária. Esse laço só a morte o rompe.  3- É necessário o sono completo, para a emancipação do Espírito? Não. O Espírito recobra a sua liberdade quando os sentidos se entorpecem; ele aproveita para se emancipar, todos os instantes de descanso que o corpo lhe oferece.  Desde que haja prostração das forças vitais, o Espírito se desprende, e quanto mais fraco estiver o corpo, mais o Espírito estará livre. É assim que o cochilar, ou um simples entorpecimento dos sentidos, apresenta muitas vezes as mesmas imagens do sonho. (LE,407) 4-Essa reação é igual para todas as criaturas humanas? Na maioria das situações, a criatura, tem a mente como que voltada para si mesma, em qualquer expressão de descanso, tomando o sono para claustro tranquilo das impressões que lhe são agradáveis, qual criança que, à solta, procura simplesmente o objeto de seus caprichos.  Nesse ensejo, configura na onda mental que lhe é característica as imagens com que se acalenta, sacando da memória a visualização dos próprios desejos, imitando alguém que improvisasse miragens, na antecipação de acontecimentos que aspira a concretizar.  Atreita ao narcisismo, tão logo demande o sono, quase sempre se detém justaposta ao veículo físico, entregando-se à volúpia mental com que alimenta os próprios impulsos afetivos, enquanto a máquina se refaz.  Ensimesmada, a alma, usando os recursos da visão profunda, localizada nos fulcros do diencéfalo, e plenamente desacolchetada do corpo carnal, por temporário desnervamento, não apenas se retempera nas telas mentais com que preliba satisfações distantes, mas experimenta de igual modo o resultado dos próprios abusos, suportando o desconforto das vísceras destratadas por ele mesmo ou a inquietude dos órgãos que desrespeita, quando não padece a presença de remorsos constrangedores, à face dos atos reprováveis que pratica, porquanto ninguém se livra, no próprio pensamento, dos reflexos de si mesmo.  Qual ocorre no animal de evolução superior, no homem de evolução positivamente inferior o desdobramento da individualidade, por intermédio do sono, é quase que absoluto estágio de mero refazimento físico. No primeiro, em que a onda mental é simplesmente fraca emissão de forças fragmentárias, o sonho é puro reflexo das atividades fisiológicas. No segundo, em que a onda mental está em fase iniciante de expansão, o sonho, por muito tempo, será invariável ação reflexa de seu próprio mundo consciencial ou afetivo. Evolui, no entanto, o pensamento na criatura que amadurece, espiritualmente, através da repercussão. (MM )


domingo, 24 de setembro de 2017

O ESPIRITISMO E O SEXO

Polemicas e discussões acaloradas em torno da cura das chamadas inversões na área da sexualidade circunscrevem-se mais aos efeitos que as prováveis causas. O Espiritismo já na sua origem oferece bases para pelo menos reflexões mais objetivas sobre a questão. Na sequencia alguns pontos para embasar estudos mais aprofundados em torno da questão:1- Os Espíritos encarnam nos diferentes sexos; aquele que foi homem, poderá renascer mulher e aquele que foi mulher poderá renascer homem, a fim de realizar os deveres de cada uma dessas posições, e sofrer-lhes as provas. 2- Sofrendo o Espírito encarnado a influência do organismo, seu caráter se modifica conforme as circunstâncias e se dobra às necessidades e exigências impostas pelo mesmo organismo. Esta influência não se apaga imediatamente após a destruição do invólucro material, assim como não perde instantaneamente os gostos e hábitos terrenos. 3- Percorrendo uma série de existências no mesmo sexo, conserva durante muito tempo, no estado de Espirito, o caráter de homem ou de mulher, cuja marca nele ficou impressa. 4- Se esta influência se repercute da vida corporal para a espiritual, o mesmo se dá quando o Espírito passa da vida espiritual para a corporal. Numa nova encarnação trará o caráter e as inclinações que tinha como Espírito. Se for avançado, será um homem avançado; se for atrasado, será um homem atrasado. Mudando de sexo, poderá então, sob essa impressão e em sua encarnação, conservar os gostos, inclinações e o caráter inerente ao sexo que acaba de deixar. Assim se explicam certas anomalias aparentes, notadas no caráter de certos homens e de certas mulheres. 5- Não existe diferença entre o homem e a mulher, senão no organismo material, que se aniquila com a morte do corpo. Mas, quanto ao Espírito, à alma, o Ser essencial, imperecível, ela não existe, porque não há duas espécies de almas. 6- A sede real do sexo não se acha, no veículo físico, mas sim na entidade espiritual em sua estrutura complexa. 7- O sexo é mental em seus impulsos e manifestações. 8- Além da trama de recursos somáticos, a alma guarda a sua individualidade sexual intrínseca, a definir-se na feminilidade ou masculinidade, conforme os característicos acentuadamente passivos ou claramente ativos que lhe sejam próprios. 9- A energia natural do sexo, inerente à própria vida em si, gera cargas magnéticas em todos os seres, pela função criadora de que se reveste, caracterizadas com potenciais nítidos de atração no sistema psíquico de cada um. 10- O instinto sexual não é apenas agente de reprodução, mas reconstituinte de forças espirituais, pelo qual as criaturas encarnadas ou desencarnadas se alimentam mutuamente, na permuta de raios psíquico-magnéticos necessários ao seu progresso. 11- O Espírito reencarna em regime de inversão sexual, como pode renascer em condições transitórias de mutilação ou cegueira. Isso não quer dizer que homossexuais ou intersexos estejam em posição, endereçados ao escândalo ou à viciação, como aleijados e cegos não se encontram na inibição ou na sombra para serem delinquentes. 12- O conceito de normalidade ou anormalidade são relativos. Se a cegueira fosse a condição da maioria dos Espíritos reencarnados na Terra, o homem que pudesse enxergar seria positivamente minoria e exceção. 13- Ações praticadas contra pessoas do sexo oposto na busca de prazer a qualquer preço, impõem além da morte a desorganização mental do causador manifestada através da alienação mental exigindo para seu reequilíbrio muitas vezes pela intervenção os Agentes da Lei Divina, reencarnações compulsórias  renascendo em corpo inversos às suas características momentâneas de masculinidades ou feminilidade, para que no corpo inverso, no extremo desconforto íntimo, aprenda a respeitar o semelhante lesado. 14- A inversão também ocorre por iniciativa daqueles que, valendo-se da renúncia construtiva para acelerar o passo no entendimento da vida e do progresso espiritual no intuito de operarem  com mais segurança e valor o acrisolamento moral de si mesmos ou na execução de tarefas especializadas, através de estágio perigosos de solidão, em favor do campo social da Terra 15- Masculinidade ou feminilidade totais são inexistentes na personalidade humana, do ponto de vista psicológico, visto que homens e mulheres, em Espírito, apresentam certa percentagem de característicos viris ou feminis em cada indivíduo, o que não assegura possibilidades de comportamento íntimo normal para todos, segundo a conceituação de normalidade que a maioria dos homens estabeleceu para o meio social. 16- Homens e mulheres podem nascer homossexuais ou intersexos, seja como expiação ou em obediência a tarefas específicas –, como são suscetíveis de tomar o veículo físico na condição de mutilados ou inibidos em certos campos de manifestação para melhorar-se e nunca sob a destinação do mal. 17- A Terra, pouco a pouco, renovará princípios e conceitos, diretriz e legislação, em matéria de sexo, sob a inspiração da ciência, que situará o problema das relações sexuais no lugar que lhe é próprio .

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

A QUESTÃO DAS CURAS NA LÓGICA DE ALLAN KARDEC

Resultados obtidos na área da saúde por algumas pessoas através da assistência oferecida por alguns médiuns ou Centros Espiritas surpreendem e intrigam os que deles tomam conhecimento. Será verdade ou possível? Na sequencia em texto incluído na edição de março de 1868 da REVISTA ESPÍRITA, o esclarecimento do Espiritismo: Consideradas unicamente do ponto de vista fisiológico, as doenças têm duas causas, que até hoje não foram distinguidas, e que não podiam ser apreciadas antes dos novos conhecimentos trazidos pelo Espiritismo. É da diferença destas duas causas que ressalta a possibilidade das curas instantâneas, em casos especiais, e não em todos. Certas moléstias têm sua causa original na própria alteração dos tecidos orgânicos; é a única que a Ciência admite até hoje. E como, para a remediar, não conhece senão as substâncias medicamentosas tangíveis, não compreende a ação de um fluido impalpável, tendo a vontade como propulsor. Entretanto, aí estão os curadores magnéticos para provar que não é uma ilusão. Na cura das doenças desta natureza, pelo influxo fluídico, há substituição das moléculas orgânicas mórbidas por moléculas sadias. É a história de uma velha casa, cujas pedras carcomidas são substituídas por boas pedras; tem-se sempre a mesma casa, mas restaurada e consolidada. (...) A substância fluídica produz um efeito análogo ao da substância medicamentosa, com esta diferença: sendo maior a sua penetração, em razão da tenuidade de seus princípios constituintes, age mais diretamente sobre as moléculas primeiras do organismo do que o podem fazer as moléculas mais grosseiras das substâncias materiais. Em segundo lugar, sua eficácia é mais geral, sem ser universal, porque suas qualidades são modificáveis pelo pensamento, enquanto as da matéria são fixas e invariáveis e não podem aplicar-se senão em determinados casos. Tal é, em tese geral, o princípio sobre o qual repousam os tratamentos magnéticos. Acrescentemos sumariamente, e de memória, já que não podemos aprofundar aqui o assunto, que a ação dos remédios homeopáticos em doses infinitesimais, é baseada no mesmo princípio; a substância medicamentosa, levada pela divisão ao estado atômico, até certo ponto adquire as propriedades dos fluidos, menos, todavia, o princípio anímico, que existe nos fluidos animalizados e lhes dá qualidades especiais. Em resumo, trata-se de reparar uma desordem orgânica pela introdução, na economia, de materiais sãos, substituindo materiais deteriorados. Esses materiais sãos podem ser fornecidos pelos medicamentos ordinários in natura; por esses mesmos medicamentos em estado de divisão homeopática; enfim, pelo fluido magnético, que não é senão matéria espiritualizada. São três modos de reparação, ou melhor, de introdução e de assimilação dos elementos reparadores; todos os três estão igualmente na Natureza, e têm sua utilidade, conforme os casos especiais, o que explica por que um tem êxito onde outro fracassa, porquanto seria parcialidade negar os serviços prestados pela medicina ordinária. Em nossa opinião, são três ramos da arte de curar, destinados a se suplementarem e a se completarem, conforme as circunstâncias, mas dos quais nenhum tem lastro para se julgar a panacéia universal do gênero humano. Cada um desses meios poderá, pois, ser eficaz, se empregado a propósito e adequado à especialidade do mal; mas, seja qual for, compreende-se que a substituição molecular, necessária ao restabelecimento do equilíbrio, não pode operar-se senão gradualmente, e não por encanto e por um golpe de batuta; se possível, a cura só pode ser o resultado de uma ação contínua e perseverante, mais ou menos longa, conforme a gravidade dos casos. Entretanto, as curas instantâneas são um fato, e como não podem ser mais miraculosas que as outras, é preciso que se realizem em circunstâncias especiais. O que o prova é que não se dão indistintamente para todas as doenças, nem para todos os indivíduos. É, pois, um fenômeno natural, cuja lei deve ser buscada. Ora, eis a explicação que se lhe dá; para a compreender, era preciso ter o ponto de comparação que acabamos de estabelecer. Certas afecções, mesmo muito graves e passadas ao estado crônico, não têm como causa primeira a alteração das moléculas orgânicas, mas a presença de um mau fluido que, a bem dizer, as desagrega, perturbando a sua economia. Sucede aqui como num relógio, em que todas as peças estão em bom estado, mas cujo movimento é parado ou desregulado pela poeira; nenhuma peça deve ser substituída e, contudo, ele não funciona; para restabelecer a regularidade do movimento basta expurgar o relógio do obstáculo que o impedia de funcionar. Tal é o caso de grande número de doenças, cuja origem é devida aos fluidos perniciosos de que é penetrado o organismo. Para obter a cura, não são moléculas deterioradas que devem ser substituídas, mas um corpo estranho que se deve expulsar; desaparecida a causa do mal, o equilíbrio se restabelece e as funções retomam seu curso. Concebe-se que em semelhantes casos os medicamentos terapêuticos, destinados, por sua natureza, a agir sobre a matéria, não tenham eficácia sobre um agente fluídico; por isso a medicina ordinária é impotente em todas as moléstias causadas por fluidos viciados, e elas são numerosas. À matéria pode-se opor a matéria, mas a um fluido mau é preciso opor um fluido melhor e mais poderoso. A medicina terapêutica naturalmente falha contra os agentes fluídicos; pela mesma razão, a medicina fluídica falha onde é preciso opor a matéria à matéria; a medicina homeopática nos parece ser o intermediário, o traço de união entre esses dois extremos, e deve particularmente triunfar nas afecções que poderiam chamar-se mistas.