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sexta-feira, 24 de setembro de 2021

UMA VOZ INTIMA; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Alcançada a fase em que a responsabilidade de viver é atingida pelo Espírito em seu processo evolutivo, a consciência pessoal passa a comandar o mecanismo da Lei de Ação e Reação no próprio indivíduo. Encarnado ou desencarnado, o Ser passa a experimentar com mais frequência sensação de arrependimento e remorso, buscando sua reabilitação perante si mesmo, por saber que a dor e o sofrimento experimentados são culpa sua. Chico Xavier, por sinal, afirmou que o remorso é uma das mais difíceias experiências vividas pelo Ser humano. Como se o relógio parasse dentro a gente. Allan Kardec no número de agosto de 1867, da REVISTA ESPÍRITA, reproduz e comenta interessante mensagem assinada Um Espírito ampliando nossa compreensão sobre o tema. Diz ele: -“Não é somente no Mundo Invisível que a visão da vítima vem atormentar o assassino para o forçar ao arrependimento; lá onde a justiça dos homens não começou a expiação, a Justiça Divina faz começar, à revelia de todos, o mais lento e o mais terrível dos suplícios, o mais temível castigo. Há certas pessoas que dizem que a punição infligida ao criminoso no Mundo dos Espíritos, e que consiste na visão contínua de seu crime, não pode ser muito eficaz, e que em nenhum caso não é esta punição que, por si só, determina o arrependimento. Dizem que um naturalmente perverso, como é um criminoso, não pode senão amargurar-se cada vez mais por essa visão, e assim se tornando pior. Os que assim falam não fazem ideia do que pode tornar-se um tal castigo; não sabem quanto é cruel esse espetáculo contínuo de uma ação que jamais se queria haver cometido. Certamente vemos alguns criminosos empedernidos, mas muitas vezes é só por orgulho e por quererem parecer mais fortes que a mão que os castiga; é para fazer crer que não se deixam abater pela visão de imagens vãs; mas essa falsa coragem não tem longa duração, pois logo os vemos fraquejar em presença desse suplício, que deve muito de seus efeitos à sua lentidão e persistência. Não há orgulho que possa resistir a esta ação, semelhante à da gota d’água sobre a rocha; por mais dura que possa ser a pedra, é inevitavelmente atacada, desagregada, reduzida a pó. É assim que o orgulho, que faz com que esses infelizes se obstinem contra seu soberano senhor, mais cedo ou mais tarde é abatido, e que o arrependimento, enfim, pode ter acesso à sua alma. Como sabem que a origem de seus sofrimentos está em sua falta, pedem para repará-la, a fim de trazer um abrandamento a seus males. Pondera Allan Kardec: --“Sem ir buscar aplicações do remorso nos grandes criminosos, que são exceções na sociedade, nós as encontramos nas mais corriqueiras circunstâncias da vida. É esse sentimento que leva todo indivíduo a afastar-se daqueles contra os quais sente que tem censuras a se fazer; em presença deles sente-se mal; se a falta não for conhecida, ele teme ser adivinhado; parece-lhe que um olhar pode penetrar o fundo de sua consciência; vê em toda palavra, em todo gesto uma alusão à sua pessoa, razão por que, desde que se sente desmascarado, retira-se. O ingrato também foge de seu benfeitor, já que sua visão é uma censura incessante, da qual em vão procura desembaraçar-se, pois uma voz íntima lhe grita no fundo da consciência que ele é culpado. Se o remorso já é um suplício na Terra, quão maior não será esse suplício no Mundo dos Espíritos, onde não é possível subtrair-se à vista daqueles a quem se ofendeu! Felizes os que, tendo reparado já nesta vida, poderão sem receio enfrentar todos os olhares no mundo onde nada é oculto. O remorso é uma consequência do desenvolvimento do senso moral; não existe onde o senso moral ainda se acha em estado latente. É por isto que os povos selvagens e bárbaros cometem sem remorsos as piores ações. Aquele, pois, que se pretendesse inacessível ao remorso, assimilar-se-ia ao bruto. À medida que o homem progride, o senso moral torna-se mais apurado; ofusca-se ao menor desvio do reto caminho. Daí o remorso, que é o primeiro passo para o retorno ao Bem”.

O que a gente deve fazer quando está sofrendo ofensa de uma pessoa, que a gente está querendo amar, mas não consegue, porque ela não deixa? ( A)

Se você já se preocupa em amar essa pessoa – que você dizer lhe ofender, com certeza, já deu um grande passo no seu crescimento espiritual, cara ouvinte. Mas você sabe que só querer não é o bastante. O “querer” é uma porta que você abre. Depois de abri-la, é preciso adentrar. E é aí que vem o problema... Não é fácil. E, se fosse, que mérito teria? “Não fazem assim também os gentios? – disse Jesus. Jesus pediu que fossemos especiais.

Que mérito há em amar a quem nos ama? ( Foi Jesus que levantou esta questão!) Isso, de fato, é fácil: “amar a quem nos ama” não vai exigir nenhum esforço e, muito menos sacrifício. O desafio é amar o inimigo, como Jesus colocou. Este, sim, é um verdadeiro desafio. Em assim fazendo, vamos demonstrar que somos realmente discípulos do Mestre.

Muitos subestimam o amor, porque não refletiram mais a fundo sobre que tipo de amor Jesus recomendou. Tornam o amor uma coisa banal. E, constantemente, estão dizendo que amam, estão declarando seu amor por alguém. Mas isso, quando a situação está fácil, confortável.

quinta-feira, 23 de setembro de 2021

EVIDENCIAS; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Dos 20 CASOS SUGESTIVOS DE REENCARNAÇÃO (Nova Cultural,1971) reunidos em 1966 no livro do mesmo título, pelo psiquiatra canadense Ian Stevenson, dois foram coletados no Brasil. Curiosamente numa mesma família, residente em Dom Feliciano, Estado do Rio Grande do Sul. Um deles, o da jovem Maria Januária de Oliveira que, na véspera de sua morte por tuberculose contraída pelo desinteresse pela vida ao ver frustrados seus sonhos afetivos por intransigência do pai, prometeu à amiga Ida Lorenz que retornaria e renasceria como sua filha, predizendo ainda que quando começasse novamente a falar, contaria muitas coisas sobre a vida que estava abandonando voluntariamente. Dez meses após sua morte, Ida deu à luz a uma menina batizada Marta, que, efetivamente, ao atingir os dois anos e meio, começou, para espanto dos familiares, a falar sobre fatos da vida de Sinhá. O outro caso é de Paulo que, como destaca o Dr Stevenson, responsável pela cadeira de Psiquiatria na Universidade da Virgínia, nos Estados Unidos da América do Norte, ilustra, primeiro “uma diferença de sexo nas duas personalidades”; segundo, “uma personificação altamente desenvolvida da primeira, por parte da segunda pessoa”; e, terceiro, “a manifestação, nas segunda personalidade, de um talento especial para a costura que, embora nada tendo em si de incomum, foi nesta família, na verdade, grande e quase especificamente desenvolvido nestes dois filhos, em mais nenhum outro, numa família de 13 filhos”. Paulo seria a reencarnação de Emília, a segunda filha do casal Ida e Francisco Valdomiro Lorenz. Apurou o professor Stevenson que “Emília em sua curta existência foi uma pessoa profundamente infeliz, sentindo-se constrangida como menina e, alguns anos antes de sua morte, disse, a vários de seus irmãos e irmãs, mas não aos pais, que se existisse reencarnação, ela retornaria como homem. Disse também que desejava morrer solteira, e, embora tenha tido várias propostas de casamento, recusou todos os pretendentes. Cometeu várias tentativas de suicídio. Em uma delas, tomou arsênico, cuja ação foi neutralizada pela grande quantidade de leite que a fizeram tomar. Afinal tomou cianureto, em consequência do que morreu aos 19 anos, em 12 de outubro de 1921”. Na época da morte de Emília, Ida Lorenz já tinha tido doze filhos, e, embora não esperasse engravidar novamente, o fato se repetiu e, pouco mais de uma ano e meio depois da morte de Emília, deu à luz a um menino a que deram o nome Emílio, tratado na intimidade familiar de Paulo. Nos primeiros quatro ou cinco anos de vida, Paulo recusou resolutamente usar roupas de menino. Usava de menina ou nenhuma. Brincava com meninas e bonecas. Quando tinha quatro ou cinco anos, fizeram-lhe um par de calças de uma saia que havia sido de Emília, o que agradou-lhe, consentindo, desde então, em usar roupas de menino. Fez vários comentários, confirmando sua identidade com Emília, tendo também em comum vários outros traços ou interesses como Emília. Na personalidade de Emília, demonstrava talento para costura, ultrapassando muito em competência suas irmãs mais novas e a própria mãe, Ida, que não gostava de coser, nunca tendo usado uma máquina de costura, que compraram para Emília que a usou bastante. Depois da morte de Emília, fracassaram as tentativas de ter uma sucessora para ela e, mesmo as que aprenderam, não demonstraram a mesma habilidade da irmã. Ao contrário, Paulo manifestou real habilidade antes de ter recebido qualquer instrução, quando tinha menos de 5 anos, pois após a mudança no sentido do desenvolvimento mais masculino, não prosseguiu demonstrando a perícia em costurar, praticamente esquecida na fase adulta. Segundo Stevenson, aos 39 anos, quando o conheceu, Paulo conservava uma tendência mais feminina que muitos homens de sua idade, não tendo se casado e lidando pouco com mulheres, exceto suas irmãs. Submetido a teste específicos, o Dr Stevenson concluiu que, “embora Paulo estivesse com menos tendência à feminilidade do que quando criança, persistia nele um grau definitivamente maior de tal tendência do que em homens de sua idade”.



Quando vejo alguém sofrendo muito e por muito tempo, e os espíritas dizem que é uma prova, fico pensando se não é absurdo ele mesma ter escolhido uma vida com tantos problemas. Qualquer um de nós ia querer uma vida mais fácil, é claro!... (Comentário de um ouvinte anônimo).


Sua conclusão é lógica, mas não retrata a realidade. A vida não é tão simples assim. Nem mesmo esta que estamos vivendo hoje sobre a face da Terra. Há pessoas que podem escolher o caminho mais cômodo, menos trabalhoso, mais fácil – e resolver não fazer nada de útil na vida, nem para os outros, em para si mesmas. Mas, depois elas irão se arrepender, ao colher frutos amargos, pois, no fundo, elas sabem que, sem esforço, sem luta e sem sacrifício, ninguém pode aspirar a nada de bom.


Se o progresso da humanidade dependesse dos acomodados, dos preguiçosos e dos covardes, ainda estaríamos vivendo nas cavernas; isso se já não tivéssemos desaparecido do planeta. No entanto, foi graças ao sacrifício dos mais ousados, dos mais corajosos e empreendedores, que o mundo progrediu. Mas, se, ao invés de se sacrificarem, eles tivessem pensado primeiramente na própria comodidade, a história da humanidade seria outra. Por isso, não estranhe que um Espírito, na ânsia de crescer e buscar a própria felicidade, não queira se expor a uma situação de desconforto e dificuldade, até porque, do ponto de vista espiritual, esta vida é muito curta.


Ademais, precisamos considerar que, em qualquer questão, sempre há dois lados e, quando estamos encarnados aqui na Terra, geralmente só vemos um – o lado que nos interessa. Quando o individuo é empregado, ele não se interessa muito pelos motivos do patrão; quando patrão, não vê os do empregado. Num caso de briga de casal, o marido acha que está sempre certo e a mulher também. Em geral, temos dificuldade de olhar o conjunto da situação, de entender um lado e outro da questão; e, por isso, as nossas decisões, quase sempre, são equivocadas, pois só vemos as vantagens imediatas, esquecendo de avaliar o futuro.


Uma coisa é o Espírito, quando encarnado; outra, quando já desencarnou. Se estamos aqui, neste mundo, só vemos os interesses imediatos deste mundo. Muitos Espíritos, mesmo depois de desencarnados, estão tão apegados à vida terrena, que ainda não conseguem superar tais interesses. Mas aqueles que já sabem se autoanalisar, que sabem avaliar as conseqüências de uma vida, reúnem o discernimento necessário para fazer a melhor escolha, não se importando, nem mesmo, de se sacrificar – se preciso for – para alcançar uma condição espiritual melhor.


Vemos tantas mães que se sacrificam pelos filhos, mulheres que se sacrificam pelos maridos, pessoas abnegadas que não se importam em doar seus esforços pela coletividade - que não podemos duvidar que, atrás de tudo isso, há um plano de vida – anteriormente elaborado por esses Espíritos mais esclarecidos - no sentido de dar a sua contribuição pelo bem do próximo, seja por uma prova que escolheram, seja por uma missão que lhes foi confiada.


Há Espíritos que, sabendo de suas más tendências e querendo corrigi-las no exercício da vida, pedem para nascer com certas limitações, deficiências ou enfermidades, porque sabem que – se as condições lhe forem muito fáceis – eles acabarão recaindo nos mesmos erros que cometeram em vidas anteriores e que só serviram para lhes trazer dissabores. Tudo, portanto, é uma questão do ponto de vista, e os mais esclarecidos, com certeza, quando no plano espiritual, dotados de maior lucidez, podem escolher obstáculos muito difíceis, à semelhança do atleta olímpico que se entrega exaustivamente aos treinamentos, na certeza de que vai superar a própria marca.


quarta-feira, 22 de setembro de 2021

CONEXÕES; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

Vinte e quatro anos após o Psiquiatra Brian Weiss surpreender-se com as revelações de uma paciente de nome Catherine a ele encaminhada por colegas de trabalho no Hospital onde respondia pela direção do Departamento de Psiquiatria, na cidade de Miami, nos Estados Unidos da América do Norte, demonstrou o quanto havia aprendido através dos 4 mil pacientes que se sucederam em seu consultório. E, embora ignorando as informações e conteúdos oferecidos pelo Espiritismo, a verdade é que suas pesquisas conduzidas com isenção de preconceitos mostram-se perfeitamente identificadas com a original proposta apresentada mais de um século antes pelo intelectual e educador francês oculto no pseudônimo Allan Kardec. Uma das constatações é a de que “as pessoas importantes em nossa vida presente foram importantes em vidas passadas e permanecem conosco”. Tanto n’O LIVRO DOS ESPÍRITOS quanto em OBRAS PÓSTUMAS, encontram-se afirmações de Allan Kardec sobre essa interligação entre os Seres na sua caminha da evolutiva. Segundo ele, “muitas vezes um indivíduo renasce na mesma família, ou, pelo menos, os membros de uma família renascem juntos para constituir uma família noutra posição social, a fim de apertarem os laços de afeição entre si, ou reparar agravos recíprocos”. E, acrescenta: -“Por considerações de ordem mais geral, a criatura renasce no mesmo meio, na mesma nação, na mesma raça, quer por simpatia, quer para continuar, com os elementos já elaborados, estudos começados, para se aperfeiçoar, prosseguir trabalhos encetados e que a brevidade da vida não lhe permitiu acabar”. Outra constatação do Dr Weiss: -“A forma mais provável de reencarnar num grupo de pessoas específico, definido por religião, raça, nacionalidade ou cultura, é odiar essas pessoas numa vida pregressa, ter preconceito ou praticar violência contra esse grupo”. Exemplo disso foi oferecido pelo Espírito Emmanuel, o orientador das tarefas mediúnicas de Chico Xavier, que rememorando existências passadas, no livro HÁ DOIS MIL ANOS, identifica-se como um Senador romano que, como se sabe alimentava ódio pelos dominados judeus e, após sua morte, reencarna como personagem central do livro 50 ANOS DEPOIS, na condição de um escravo judeu reconhecido pelos profundos conhecimentos a respeito da história de Roma. Dentre as experiências do psiquiatra americano, encontra-se a com bem sucedida profissional de pouco mais de trinta anos, mergulhada numa depressão pela recente separação do marido logo após os ataques suicidas de 11 de setembro no World Trade Center, em Nova Iorque. Um sentimento de profunda e obsessiva solidariedade aos judeus e aversão aos árabes. Já na primeira regressão buscando entender seu comportamento atual, viu-se na Segunda Guerra Mundial, como um oficial nazista, membro da S.S., apaixonado por seu trabalho de supervisor do embarque de judeus a quem considera “vermes” nos vagões que vão levá-los a Dachau, para morrer, não sentido nada pelas pessoas que matara durante tentativas de fuga. Quando de sua morte na referida vida, revisando-a sentiu remorso e culpa intensa, o que a trouxe a nova encarnação para confirmar seu aprendizado e recompensar aqueles a que ferira em sua vida germânica. Outra constatação derivada das regressões de vários pacientes por ele tratados: A alternância da condição masculina para a feminina e vice versa. A revelação inclui-se entre as respostas dadas a Allan Kardec nas questões 200 a 202 d’O LIVRO DOS ESPÍRITOS, publicado em 1857. Ali, numa nota de rodapé, derivada dos esclarecimentos das Entidades Superiores, descobre-se que “os Espíritos se encarnam homens ou mulheres porque não tem sexo como o entendemos. Como devem progredir em tudo, cada sexo, como cada posição social, lhe oferece provas à deveres especiais, além da oportunidade de adquirir experiência. Aqueles que fosse sempre homem não saberia senão o que sabem os homens”. 



Eu gostaria de saber se o Espírito, quando vai reencarnar, ele sabe exatamente quanto tempo vai viver na Terra, que dia vai morrer e de que modo vai morrer.

Isso depende de cada um, mas, em se tratando da vida humana, não há nada que se possa antever com precisão absoluta. Cada um tem sua história, cada Espírito está num estágio de desenvolvimento e, portanto, tem suas próprias necessidades. Quando ele já se acha num estágio em que é capaz de programar a própria vida, de assumir certas responsabilidades e de ter consciência de suas necessidades, então ele pode traçar suas metas de vida e saber quanto tempo, mais ou menos, ele pode viver na Terra.

Não há um determinismo, um destino traçado e irrevogável. Cada um escolhe o caminho, que deve trilhar, mas a forma como vai fazer isso depende muito dele, de suas decisões e principalmente de seus atos. O que depende de apenas sua vontade não pode ser previsto, pois a vontade é uma decisão do momento. Ele pode ter previsto uma vida mais ou menos longa, mas, como abusou demais da saúde na juventude, acaba antecipando a própria morte.

Logo, o nosso caminhar nesta existência obedece às lei das probabilidades, como quase tudo na vida. Há certos acontecimentos que são mais prováveis na vida de uma pessoa do que de outra, pela forma como cada uma se conduz, pelo seu caráter e pelo seu estilo de vida. Mas não existe uma previsão absoluta em termos de duração de vida, até porque uma pessoa pode recorrer ao suicídio, e o suicídio nunca está na programação de ninguém.






terça-feira, 21 de setembro de 2021

MÉDIUNS OSTENSIVOS SÃO ESSENCIAIS ÀS REUNIÕES; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Argumento sustentado por muitos interessados no conhecimento e prática do Espiritismo é que na ausência de médiuns, as reuniões tornam-se desinteressantes e inúteis. No número de fevereiro de 1861, da REVISTA ESPÍRITA, Allan Kardec escreve matéria que não apenas responde a esta questão como orienta os que desejam conhecer a posição do Codificador a respeito. Explica ele: -“Um médium, sobretudo um bom médium, é incontestavelmente um dos elementos essenciais de toda assembleia que se ocupa do Espiritismo; mas seria erro pensar que, em sua falta, nada mais resta a fazer senão cruzar os braços ou suspender a sessão. Não compartilhamos absolutamente a opinião de uma pessoa que comparava uma sessão espírita sem médiuns a um concerto sem músicos. (...). Vai-se a um concerto para ouvir música. É, pois, evidente que se os músicos estiverem ausentes, o objetivo falhou. Mas numa reunião espírita vamos, ou pelo menos deveríamos ir, para nos instruirmos. A questão agora é saber se se pode fazê-la sem médium. Seguramente, para os que vão a essas reuniões com o único objetivo de ver efeitos, o médium é tão indispensável quanto o músico no concerto; mas para os que, acima de tudo, buscam instruir-se, que querem aprofundar as diversas partes da ciência, em falta de um instrumento de experimentação terão mais de um meio de o obter. É o que tentaremos explicar Inicialmente diremos que se os médiuns são comuns, os bons médiuns, na verdadeira acepção da palavra, são raros. A experiência prova diariamente que não basta possuir a faculdade mediúnica para obter boas comunicações. É preferível privar-se de um instrumento do que o ter defeituoso. Certamente para os que buscam, nas comunicações, mais o fato que a qualidade, que as assistem mais por distração do que para esclarecimento, a escolha do médium é completamente indiferente. Mas falamos dos que têm um objetivo mais sério e veem mais longe. É a eles que nos dirigimos, porque estamos certos de que nos compreendem. Por outro lado, os melhores médiuns estão sujeitos a intermitências mais ou menos longas, durante as quais há suspensão parcial ou total da faculdade mediúnica, sem falar das numerosas causas acidentais que podem privar-nos momentaneamente de seu concurso. Acrescentemos também que os médiuns inteiramente flexíveis, os que se prestam a todos os gêneros de comunicações, são ainda mais raros. Geralmente possuem aptidões especiais, das quais importa não os desviar. Vê- se, pois, que se não houver provisão de reserva, podemos ficar desprevenidos quando menos o esperamos, e seria desagradável que em tal caso fôssemos obrigados a interromper os trabalhos. O ensino fundamental que se vem buscar nas reuniões espíritas sérias é, sem dúvida, dado pelos Espíritos. Mas que frutos tiraria um aluno das lições dadas pelo mais hábil professor se, por seu lado, ele também não trabalhasse? Se não meditasse sobre aquilo que ouviu? Que progresso faria a sua inteligência se tivesse constantemente o mestre ao seu lado para lhe mastigar a tarefa e lhe poupar o esforço de pensar? Nas assembleias espíritas os Espíritos preenchem dois papéis; uns são professores que desenvolvem os princípios da ciência, elucidam os pontos duvidosos e, sobretudo, ensinam as leis da verdadeira moral; outros são materiais de observação e de estudo, que servem de aplicação. Dada a lição, sua tarefa está acabada, enquanto a nossa começa: a de trabalhar sobre aquilo que nos foi ensinado, a fim de melhor compreender, de melhor captar o sentido e o alcance. É com vistas a nos deixar tempo livre para cumprirmos o nosso dever – que nos permitam essa expressão clássica – que os Espíritos suspendem algumas vezes as suas comunicações. Bem que eles querem nos instruir, mas com uma condição: a de lhes secundarmos os esforços. Cansam-se de repetir sem cessar e inutilmente a mesma coisa. Advertem; contudo, se não são ouvidos, retiram-se, a fim de que tenhamos tempo para refletir. Na ausência de médiuns, uma reunião que se propõe algo mais que ver manejar um lápis tem mil e um meios de utilizar o tempo de maneira proveitosa”.


Uma de nossas ouvintes relatou um caso que a deixou intrigada. Ela ganhou de presente de pessoa muito querida a imagem de uma santa. Embora não seja católica, com muito respeito, colocou a imagem do lado de sua cama sobre um criado-mudo. Estava um dia no quarto, sozinha, quando um estalo ensurdecedor, como se fosse um tiro, aconteceu ao seu lado. A cabeça da santa explodiu, espalhando cacos pelo quarto. O ruído foi tão intenso que outras pessoas da casa acorreram imediatamente para ver o que havia acontecido. Ela pede nossa opinião a respeito.

Primeiramente, queremos dizer que temos o maior respeito pelos nossos irmãos católicos e, portanto, a nossa análise sobre o caso será apenas descritiva, sem qualquer crítica ou conotação religiosa. Evidentemente, o susto foi grande e nem poderia ser diferente. Entretanto, só um exame técnico apurado seria capaz de apontar as causas da explosão. Queremos crer que vários fatores podem ter contribuído para isso, inclusive o de ordem paranormal. Este, contudo, não estaria alcance da ciência analisar.

Vamos levantar algumas hipóteses. A primeira, que poderíamos chamar de material, é a mais simples: a explosão se deu a partir de algum fenômeno físico-químico. Calor, aumento da pressão interna da imagem, microrrachaduras na região da cabeça, teriam ocasionado o fato. A segunda hipótese poderíamos chamar de paranormal: se Sigmund Freud, o criador da Psicanálise, acreditasse em fenômeno paranormal ( mas ele não acreditava), poderia dizer que o fato de uma pessoa não-católica ter uma imagem de santa ao seu lado estaria lhe causando um incômodo inconsciente. E esse inconsciente, incomodado, poderia ter acionado ectoplasma que aumentaria a pressão interna da imagem, rompendo sua parte mais vulnerável, a cabeça.

A terceira hipótese seria de ordem espiritual. Trata-se de um fenômeno de efeitos físicos, envolvendo uma ou mais entidades desencarnadas brincalhonas o mal intencionadas, que teriam aproveitado a situação para assustar a nossa ouvinte, causando-lhe mal-estar e apreensão. Entretanto, não poderíamos deixar de considerar, também, uma quarta hipótese, que seria a reunião das três hipóteses anteriores, um conjunto de fatores atuando ao mesmo tempo e provocando o estranho efeito; ou seja, o fenômeno teria tanto aspectos físicos, psicológicos, como espirituais.







segunda-feira, 20 de setembro de 2021

AQUI QUE É COMO LÁ; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 “-Estamos num parque-cidade-jardim, se posso definir com estas três palavras o grande centro de recuperação e cultura em que presentemente nos achamos. O vovô Engelberto e o vovô Eugênio entabularam entendimentos para que fôssemos admitidas num grande instituto de reformulação espiritual e tivemos permissão para desfrutar a companhia e a proteção da mãezinha Custódia que nos serve de governanta maternal. Penso que ficarão satisfeitos se lhes contar que fomos admitidas pela Diretora, a Irmã Frida, da lista de amizades do vovô Engelberto, com a maior distinção. Naturalmente, éramos neófitas e o receio nos marcava a presença. O vovô dirigiu-se a ela, em alemão, e ambos conversaram animadamente. Voltando-se cortesmente para nós, se bem me lembro, a Irmã Frida nos disse sorrindo: -“Brech Gut. Es wird mich scher freuen ihnen nutzlich zun sein”. Compreendo que não guardei de cor a antepenúltima expressão dela, mas o vovô solicitou-me a troca de ideias em português e a nossa Diretora, sem pestanejar, se exprimiu em português – brasileiro com tal mestria que nos sentimos à vontade para a instalação em perspectiva. A cidade é grande e especializada”. A informação é dada aos pais na segunda mensagem psicografada por Jane Furtado Koerich pelo médium Chico Xavier, dezessete meses após ela, sua irmã Rosemari e a amiga Sonia, em meio a quase cinquenta pessoas, perecerem em acidente aéreo de grandes proporções aos procedimentos de aterrisagem em Florianópolis (SC), em 12 de abril de 1980. Sua carta, soam-se a dezenas de outras recebidas pelo médium mineiro oferecendo detalhes da organização do chamado Mundo Espiritual, em suas formatações nos diferentes Planos e Sub-planos. Se considerarmos a cogitação da Teoria das Supercordas da Física Quântica que, além de propor matematicamente dos chamados Universos Paralelos, afirma que “mesmo que as dimensões ocultas do espaço sejam imperceptíveis, são elas que determinam a realidade física em que vivemos”, consideraremos real o relato de Jane. Do momento em que Allan Kardec, obteve da Espiritualidade a resposta de que entre o Mundo Espiritual e o Físico o mais importante é o Espiritual, pois de lá tudo procede e para lá tudo volta ao da descrição da jovem sobrevivente espiritualmente ao acidente e daí ao comentário do físico materialista e ateu Marcelo Gleiser citado em seu livro CRIAÇÃO IMPERFEITA (2011, record), fatias diferentes de tempo transcorreram. Em artigo publicado na REVISTA ESPÍRITA de janeiro de 1863, a visão do Mundo Espiritual oferecida pelo Espiritismo, representa “uma força nova, uma nova energia, uma nova lei, numa palavra, que foi revelada. É realmente inconcebível que a incredulidade repila mesmo a ideia, por isso que esta ideia supõe em nós uma alma, um princípio inteligente que sobrevive ao corpo. Segundo ele, “vivemos num oceano fluídico, incessantemente a braços com correntes contrárias, que atraímos, ou repelimos, e às quais nos abandonamos, conforme nossas qualidades pessoais, mas em cujo meio o homem sempre conserva seu livre arbítrio, atributo essencial de sua natureza, em virtude do qual pode sempre escolher o caminho”. Acrescenta que esse Mundo Espiritual “é a réplica ou o reflexo do Mundo corpóreo, com suas paixões, vícios ou suas virtudes, mais virtudes do que nossa natureza material dificilmente permite compreendermos. Tal é esse mundo oculto, que povoa os espaços, que nos cerca, no meio do qual vivemos sem o suspeitar, como vivemos entre miríades do Mundo Microscópico”. Alerta-nos que “o Mundo Invisível que nos circunda reage constantemente sobre o Mundo Visível; nô-lo mostram como uma das forças da Natureza. Conhecer os efeitos dessa força oculta, que nos domina e subjuga contra nossa vontade, não será ter a chave de mais um problema, as explicações de uma porção de fatos que passam desapercebidos?”.



A Igreja estabeleceu 7 pecados capitais, que são aqueles que ferem a lei de Deus: a gula, a avareza, a inveja, a ira, a soberba, a luxúria e a preguiça. Gostaria de saber qual é a posição do Espiritismo sobre esses 7 pecados? (M.C.F.)

Apenas, a título de esclarecimento, devemos dizer que o Espiritismo procura não usar as palavras “pecado” e “pecador”, pelo sentido depreciativo que essas palavras vieram adquirindo com o tempo. No entanto, reconhece que os ‘pecados’ apontados pela Igreja Católica, a partir do papa Gregório Magno, no século VI, de fato, comprometem a nossa vida, tanto esta vida como a vida espiritual, na medida em que acabam por provocar ou agravar enfermidades na alma e no corpo.

A gula, que é o excesso de comida (ou seja, comer além do necessário), na verdade, fere frontalmente uma lei natural. Aqui precisamos distinguir que uma coisa é ter fome e outra é a vontade de comer. Reconhecemos a gula pelo fato de comermos além daquilo que o corpo está pedindo. Se é verdade que o corpo precisa do alimento para sobreviver, também é verdade que o comer demasiado, além do necessário, concorre para o surgimento de graves enfermidades, em decorrência da obesidade, que hoje é uma doença ameaçadora em todo o mundo.

A avareza, do mesmo modo, só prejudica o próprio avarento, que se torna vítima de um distúrbio de comportamento, prendendo-o demasiado ao dinheiro e às coisas materiais, distanciando-se, consequentemente, dos valores do espírito. Desse modo, o avarento é alguém que sofre nesta vida os efeitos nocivos de seu transtorno psíquico ( tanto no que se refere ao seu bem-estar, como às suas angústias decorrentes das perdas). E o pior é que esse sofrimento se prolonga na vida espiritual, porque, com certeza, o avarento encontrará dificuldades para desencarnar e se desembaraçar dos bens que deixou na Terra.

A inveja é o sofrimento causado por um espírito de inconformação e revolta, quanto aos atributos, status e posses de outra pessoa, com o que ela não se conforma, levando-se a um estado deplorável de autodesvalorização e de autoagressão, por não conseguir ter o que o outro tem, ou não conseguir ser o que o outro é. Se o invejoso soubesse do mal, que está causando a si mesmo, matando-se dia-a-dia, decidiria se libertar de uma vez por todas desse sentimento.

Hoje já reconhecido pela medicina – área que estuda a estrutura e a dinâmica do sistema nervoso – tanto quanto pela Psicologia e ciências afins, a ira pode ser fator desencadeante de problemas psicológicos e neurológicos graves, que tem influencia nociva ou deletéria na vida das pessoas, acarretando-lhes enfermidades de efeito irreversível. O ódio, ao contrário do amor, além de nada construir, funciona como um poderoso veneno que vai matando a pessoa aos poucos, por meio de várias enfermidades fatais (inclusive o câncer), quando não, desencadeando morte repentina.

A soberba é uma manifestação do orgulho que, ao lado do egoísmo, é o mais poderoso inimigo da paz interior. Quem se acha superior aos outros – e assim procura se comportar – vive sofrendo todos os dias, como fiscal implacável de si próprio, na ânsia incontida de se manter numa posição de completa superioridade e independência em relação às pessoas que o cercam.

A luxúria é o demasiado apego aos prazeres do sexo, que faz com que a pessoa, homem ou mulher, viva exclusivamente para isso, transformando suas necessidades sexuais numa verdadeira perseguição obsessiva, que acaba atraindo para junto de si outros Espíritos envolvidos pelo mesmo processo doentio. É claro que, se o ato sexual é o auge de sua vida, e que nada nesta vida supera os prazeres do sexo, essa pessoa vai fazer de tudo para ter uma vida promíscua, caindo invariavelmente na perversão sexual, causa de várias doenças.

E, finalmente, a preguiça, que seria a aversão a qualquer tipo de trabalho, a inatividade, a acomodação. Talvez ninguém se sinta tão atormentado pelos apelos da própria consciência do que aquela pessoa que não se adapta a qualquer trabalho e sinta que o tempo passa e ela nada constrói de bom – nem para si e tampouco para os outros. Essa patologia é um dos maiores obstáculos ao progresso material e espiritual do ser humano.




domingo, 19 de setembro de 2021

IMPORTANTE POSICIONAMENTO; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Num dos artigos da REVISTA ESPÍRITA de janeiro de 1863, uma questionamento interessante é dirigido ao editor é levantado: -“Li numa de vossas obras: ‘O Espiritismo não se dirige àqueles que têm uma fé religiosa qualquer, com vista a dissuadi-los, e aos quais essa fé basta à sua razão e à sua consciência, mas à numerosa categoria dos indecisos, dos incrédulos, etc.’ “E por que não? O Espiritismo, que é a verdade, não deveria dirigir-se a todos? a todos os que estão em erro? Ora, os que creem numa religião qualquer, protestante, judaica, católica ou outra qualquer, não estão em erro? Indubitavelmente, porque as diversas religiões hoje professadas apregoam verdades incontestáveis e nos obrigam a crer em coisas completamente falsas ou, pelo menos, em coisas que podem até vir de fontes verdadeiras, mas falseadas em sua interpretação. Se está provado que as penas são apenas temporárias – e Deus sabe se é um leve erro confundir o temporário com o eterno – que o fogo do inferno é uma ficção e que, se em vez de uma criação em seis dias, trata-se de milhões de séculos, etc.; se tudo isto está provado, digo eu, partindo do princípio de que a verdade é una, as crenças oriundas de uma interpretação tão falsa desses dogmas não são nem mais nem menos do que falsas, pois uma coisa é ou não é; não há meio termo. “Por que, então, o Espiritismo não se dirige também a todos os que acreditam em absurdos, para os dissuadir, como aos que em nada creem ou que duvidam, etc?” Avaliando o questionamento, Allan Kardec argumenta: -“Aproveitamos a oportunidade da carta, da qual extraímos as passagens acima, para lembrar, uma vez mais, o objetivo essencial do Espiritismo, sobre o qual o autor da carta não parece bastante edificado. Pelas provas patentes que dá da existência da alma e da vida futura, base de todas as religiões, o Espiritismo é a negação do materialismo e, por conseguinte, se dirige aos que negam ou duvidam. É bem evidente que os que não creem em Deus e na alma não são católicos, nem judeus, nem protestantes, seja qual for a religião em que tiverem nascido; não seriam, sequer, maometanos ou budistas. Ora, pela evidência dos fatos, são levados a crer na vida futura, com todas as suas consequências morais; são livres para adotar, mais tarde, o culto que melhor lhes convenha à razão ou à consciência. Mas aí se detém o papel do Espiritismo; ele é o responsável por três quartos do caminho; ajuda a transpor o passo mais difícil – o da incredulidade. Compete aos outros fazer o resto. “Mas” – poderá dizer o autor da carta – “e se nenhum culto me convier?” Muito bem! ficai então como estais. Aí o Espiritismo nada pode. Ele não se encarrega de vos fazer abraçar um culto à força, nem de discutir para vós o valor intrínseco dos dogmas de cada um: deixa isto à vossa consciência. Se o que o Espiritismo dá não vos basta, buscai, entre todas as filosofias existentes, uma doutrina que melhor satisfaça às vossas aspirações. Os incrédulos e os indecisos formam uma categoria muito numerosa. Quando o Espiritismo diz que não se dirige aos que têm uma fé qualquer, e aos quais esta é bastante, quer significar que não se impõe a ninguém e não violenta consciência alguma. Dirigindo-se aos incrédulos, chega a convencê-los por meios próprios, pelos raciocínios que sabe terem acesso à sua razão, porquanto os outros foram impotentes. Numa palavra, tem o seu método, com o qual obtém, diariamente, belíssimos resultados; mas não tem uma doutrina secreta. Não diz a uns: abri os ouvidos, e a outros: fechai-os. A todos fala pelos seus escritos e cada um é livre de adotar ou rejeitar sua maneira de encarar as coisas. Desse modo, faz crentes fervorosos dos que eram incrédulos. É tudo o que ele quer.




Dias atrás, um colega fez um comentário sobre a tristeza que envolvia certa família que, na ocasião, perdera uma garota ainda adolescente, que já vinha sofrendo desde o nascimento. Na verdade, a menina já nascera comprometida por grave enfermidade e, enquanto viveu, a família buscou todos os meios possíveis para curá-la, até o desfecho final e inevitável. Pesaroso, porque havia acompanhado a sofrida jornada da garota, esse colega dizia-nos seguinte: “Vocês, espíritas, devem ter uma explicação para isso!...”

De fato. Sem o mecanismo da reencarnação não é possível conceber a bondade e a perfeição de Deus. Se há Espíritos que nascem nas melhores condições de saúde e conforto material, cercados por todos os cuidados, há outros que vêm ao mundo experimentando dificuldades e sofrimento, desde o nascimento. Isso não acontece simplesmente porque é vontade de Deus, mas, sim, mas para o cumprimento da lei do nosso progresso espiritual.

Ninguém está neste mundo pela primeira vez. Já vivemos antes e, seguramente, ainda voltaremos para outras jornadas na Terra. Não sabemos exatamente por que temos de passar por este ou por aquele problema mais grave, mas sabemos que nada acontece por acaso. Ao que tudo indica, essa garota, pela descrição que dela fizeram – e, principalmente, pela forma resignada de aceitar as próprias limitações - veio apenas e tão somente para uma vida curta, mesmo assim, submetida a uma condição de sofrimento que ela própria poderia ter escolhido para superar uma etapa mais difícil de seu progresso espiritual.

Infelizmente, ainda não aceitamos bem tais situações- e muitos até se revoltam contra a vida e contra Deus – porque ainda não são tão espiritualizados, a ponto de entender o mecanismo da Justiça Divina. Somos, sim, muito apegados à vida material, muito céticos em relação ao nosso futuro espiritual. Quando o indivíduo alcança uma convicção firme e inabalável na imortalidade e na reencarnação, ele não se deixa facilmente intimidar com o sofrimento e com a morte, porque sabe que a vida nem começa e nem termina na Terra.

Quantas famílias estão chorando, neste momento, a perda de seus filhos, que deixam este mundo ainda na condição de criança, sem terem sequer a oportunidade de conhecer a vida!... Quantos pais lamentam que seus filhos tenham nascido com alguma deficiência ou comprometimento orgânico grave, com pouca ou quase nenhuma chance de sobrevivência!... Como é que eles vão conceber Deus, se não entenderem que tudo isso acontece, não só para o cumprimento de suas leis, mas principalmente para a felicidade de seus filhos.

Temos no centro espírita uma palestra de um médico carioca, o Dr. Américo de Oliveira, que trata muito bem desse tema. Ele mostra fotografias vários casos de bebês que nascem no hospital onde trabalha, no Rio de Janeiro. Esses bebês nascem com comprometimentos graves e irreversíveis – alguns com aspectos estranhos e desagradáveis, vítimas de terríveis aleijões (atribuídos a problemas genéticos ou congênitos), de tal maneira deformados e irreconhecíveis, que chegam a causar repugnância nos próprios pais. Alguns nem chegam a nascer, pois morrem no ventre materno. São Espíritos, numa condição difícil, que vieram para uma vida muito curta. Eles não sobrevivem. 


sábado, 18 de setembro de 2021

A RESPOSTA; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Algumas pessoas contestam a doutrina da reencarnação, como contrária aos dogmas da Igreja, concluindo que a mesma não existe. Que é que se pode responder? Allan Kardec inclui interessante comentário em sua REVISTA ESPÍRITA sobre questão similar. Escreve: -“A resposta é muito simples. A reencarnação não é um sistema que dependa dos homens adotar ou não, como se faz com um sistema político; é uma lei inerente à Humanidade, como comer, beber e dormir; uma alternativa da vida da alma como a vigília e o sono são alternativas da vida do corpo. Se é uma lei da natureza, não é uma opinião contrária que se a possa impedir de ser. A Terra não gira ao redor do Sol porque se o acredite, mas porque obedece a uma lei; e os anátemas que foram lançados contra esta lei não impediram que a Terra girasse. Assim, como a reencarnação: não será a opinião de alguns homens que os impedirá de renascerem, se tiverem que renascer. Admitido que a reencarnação é uma lei da natureza, suponhamos que ela não possa acomodar-se com um dogma: trata-se de saber se a razão está como dogma ou com a lei. Ora, quem é o autor da lei da natureza, senão Deus? No caso, direi que não é a lei que contraria o dogma, mas o dogma que contraria a lei, desde que qualquer lei da natureza é anterior ao dogma e os homens renasciam antes que o dogma fosse estabelecido. A questão é saber se existe ou não a reencarnação. Para os espíritas há milhares de provas contra uma que é inútil repetir. Direi apenas que o Espiritismo demonstra que a pluralidade de existências não só é possível, mas necessária, indispensável; e ele encontra a sua prova, sem falar da revelação dos Espíritos, numa incalculável multidão de fenômenos de ordem moral, psicológica e antropológica. Tais fenômenos são efeitos que tem uma causa. Buscando-se a causa, encontramo-la na reencarnação, posta em evidência pela observação daqueles fenômenos, como a presença do Sol, embora oculto pelas nuvens, é posta em evidência pela luz do dia. Para provar que está errada, ou que não existe, seria preciso explicar melhor, por outros meios, tudo o que ele explica o que ninguém ainda fez. Antes da descoberta das propriedades da eletricidade, se alguém tivesse anunciado que poderia em cinco minutos corresponder-se a quinhentos quilômetros, não teriam faltado cientistas que lhe provassem cientificamente, pelas leis da mecânica, que a coisa era materialmente impossível, pois não, pois não conheciam outras leis. Para tanto havia necessidade da revelação de uma nova força. Assim com a reencarnação. É uma nova lei, que vem lançar luz sobre uma porção de questões obscuras e modificará profundamente todas as ideias quando for reconhecida. Assim, não é a opinião de alguns homens que prova a existência da lei: são os fatos. Se invocamos o seu testemunho, é para demonstrar que ela tinha sido entrevista e suspeitada por outros, antes do Espiritismo, que não é seu inventor, mas a desenvolveu e lhe deduziu as consequências”.


Helvécio de Carvalho, da Avenida Presidente Vargas, Garça/SP questiona sobre o conceito que as religiões vieram fazendo de Deus, ao longo dos séculos. Segundo ele, o deus, que a religião sempre ensinou ( e até hoje ensina), não é a do Deus que criou o homem, mas a de um deus que foi criado pelo homem, à imagem e semelhança do próprio homem.

Não resta dúvida, Helvécio. Isso fez parte da História de Humanidade. Não dá para entender a evolução do pensamento religioso, sem consultar a experiência e a história. Cada fase da História - cada cultura, cada povo - projetou no seu mundo a sua própria concepção de Deus. É por isso que os povos mais antigos tinham vários deuses. Eles viam o mundo dividido em variadas formas de manifestação da natureza, e deduziam que elas proviam de vários poderes diferentes.

A idéia de um deus único veio com o progresso do pensamento, com a evolução do conhecimento da natureza. Se consultarmos a Bíblia, por exemplo, que conta a saga do povo hebreu, vamos perceber que cerca de 18 séculos antes de Cristo, quando Abraão se instalou com sua tribo às margens do Jordão, na busca de uma região fértil para a agricultura e criação de animais, ali ele se deparou com diversos outros povos, todos disputando aquelas terras, e cada um cultuando seus próprios deuses.

Mais tarde, enfrentando a poderosa influência da religião egípcia, Moisés precisou ameaçar seu próprio povo a não cultuar deuses que não pertencessem às suas tradições religiosas. Quando ele coloca na boca de Iavé a frase “não terá outros deuses diante de mim” ou quando proíbia as “imagens de escultura, semelhantes ao que está no céu”, ele declarava uma guerra de morte àqueles que não reconheciam como verdadeiro apenas e tão somente o deus que adorava. A gente percebe que a violência estava sempre presente na imposição da fé.

Somente com Jesus, muitos séculos depois, é que reconheceu um deus universal, até porque o homem foi entendendo que existe uma ordem no mundo e que essa ordem não pode advir senão de um único comando. Jesus, percebendo a aflição por que passava seu povo, principalmente as camadas mais humildes, deu-lhes como consolo a existência de um Pai de Amor e Misericórdia, que tocava muito mais o coração dos sofredores do que a de um rei insensível, autoritário e violento, que era a forma como Deus vinha sendo visto, até então.

Hoje, cerca de mil anos depois, quando os conhecimentos humanos já deram um grande salto, não podemos permanecer presos mais a uma idéia antiga de Deus, porque Deus cresce na concepção do homem à medida que o homem evolui. Mas, na verdade, cada religião tem a sua própria imagem de Deus e cada pessoa, independente da religião que professa, no seu íntimo, sente Deus de uma forma peculiar, que mais atende à suas necessidades íntimas, até porque um Poder Supremo e Absoluto não poderia se mostrar para todos da mesma forma.

O fato é que não podemos viver sem Deus. É a concepção de sua existência e de sua presença nos dá o sentido para a vida, a razão de nossa presença no mundo e as aspirações para o futuro. Sem Deus, o homem se degradaria, perderíamos as referências, os valores de conduta, o ideal supremo e, principalmente, a esperança e o conforto nas horas difíceis da vida. Esse fato levou um grande pensador francês, Voltaire, a afirmar que “se Deus não existisse, seria preciso inventá-lo”.


sexta-feira, 17 de setembro de 2021

DEUS ESTÁ EM TODA PARTE; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Abrindo a edição de maio de 1866 da REVISTA ESPÍRITA, Allan Kardec publica interessante matéria com que procura responder a pergunta feita por muitos: Como é que Deus, tão grande, tão poderoso, tão superior a tudo, pode imiscuir-se em detalhes ínfimos, preocupar-se com os menores atos e os menores pensamentos de cada indivíduo? Como sempre, o pesquisador e educador oculto no pseudônimo Allan Kardec desenvolve uma série de argumentos extremamente sensatos e lógicos. Escreve: -“Em seu estado atual de inferioridade, só dificilmente os homens podem compreender Deus infinito, porque eles próprios são finitos, limitados, razão por que o imaginam finito e limitado como eles mesmos; representando-o como um ser circunscrito, dele fazem uma imagem à sua semelhança. Pintando-o com traços humanos, nossos quadros não contribuem pouco para alimentar este erro no espírito das massas, que nele mais adoram a forma que o pensamento. É para o maior número um soberano poderoso, sobre um trono inacessível, perdido na imensidade dos céus, e porque suas faculdades e percepções são restritas não compreendem que Deus possa ou haja por bem intervir diretamente nas menores coisas. Na incapacidade em que se acha o homem de compreender a essência mesma da Divindade, desta não pode fazer senão uma ideia aproximada, auxiliado por comparações necessariamente muito imperfeitas, mas que podem, ao menos, mostrar-lhe a possibilidade do que, à primeira vista, lhe parece impossível. Suponhamos um fluido bastante sutil para penetrar todos os corpos. É evidente que cada molécula desse fluido produzirá sobre cada molécula da matéria com a qual está em contato uma ação idêntica à que produziria a totalidade do fluido. É o que a Química nos mostra a cada passo. Sendo ininteligente, esse fluido age mecanicamente apenas pelas forças materiais. Mas se supusermos esse fluido dotado de inteligência, de faculdades perceptivas e sensitivas, ele agirá, não mais cegamente, mas com discernimento, com vontade e liberdade; verá, ouvirá e sentirá. As propriedades do fluido perispiritual dele podem dar-nos uma ideia. Ele não é inteligente por si mesmo, desde que é matéria, mas é o veículo do pensamento, das sensações e das percepções do Espírito. É em consequência da sutileza desse fluido que os Espíritos penetram em toda parte, perscrutam os nossos pensamentos, veem e agem a distância; é a esse fluido, chegado a um certo grau de depuração, que os Espíritos superiores devem o dom da ubiquidade; basta um raio de seu pensamento dirigido para diversos pontos para que eles possam aí manifestar sua presença simultaneamente. A extensão dessa faculdade está subordinada ao grau de elevação e de depuração do Espírito. Mas sendo os Espíritos, por mais elevados que sejam, criaturas limitadas em suas faculdades, seu poder e a extensão de suas percepções não poderiam, sob esse aspecto, aproximar-se de Deus. Contudo, eles nos podem servir de ponto de comparação. O que o Espírito não pode realizar senão num limite restrito, Deus, que é infinito, o realiza em proporções infinitas. Há, ainda, esta diferença: a ação do Espírito é momentânea e subordinada às circunstâncias, enquanto a de Deus é permanente; o pensamento do Espírito só abarca um tempo e um espaço circunscritos, ao passo que o de Deus abarca o Universo e a eternidade. Numa palavra, entre os Espíritos e Deus há a distância do finito ao infinito. O fluido perispiritual não é o pensamento do Espírito, mas o agente e o intermediário desse pensamento. Como é o fluido que o transmite, dele está, de certo modo, impregnado; e na impossibilidade em que nos achamos de isolar o pensamento, ele não parece fazer senão um com o fluido, assim como o som parece ser um com o ar, de sorte que podemos, a bem dizer, materializa-lo. Do mesmo modo que dizemos que o ar se torna sonoro, poderíamos, tomando o efeito pela causa, dizer que o fluido torna-se inteligente. Seja ou não seja assim o pensamento de Deus, isto é, quer ele aja diretamente ou por intermédio de um fluido, para facilitar a nossa compreensão vamos representar este pensamento sob a forma concreta de um fluido inteligente, enchendo o Universo infinito, penetrando todas as partes da Criação: a Natureza inteira está mergulhada no fluido divino; tudo está submetido à sua ação inteligente, à sua Previdência, à sua solicitude; nenhum Ser, por mais ínfimo que seja, que dele não esteja, de certo modo, saturado. Assim, estamos constantemente em presença da Divindade. Não há uma só de nossas ações que possamos subtrair ao seu olhar; nosso pensamento está em contato com o seu pensamento e é com razão que se diz que Deus lê nos mais profundos recônditos do nosso coração; estamos nele como ele está em nós, segundo a palavra do Cristo. Para entender sua solicitude sobre as menores criaturas, ele não tem necessidade de mergulhar seu olhar do alto da imensidade, nem deixar sua morada de glória, pois essa morada está em toda parte. Para serem ouvidas por ele, nossas preces não precisam transpor o espaço, nem serem ditas com voz retumbante, porque, incessantemente penetrados por ele, nossos pensamentos nele repercutem. A imagem de um fluido inteligente universal evidentemente não passa de uma comparação, mais própria a dar uma ideia mais justa de Deus que os quadros que o representam sob a figura de um velho de longas barbas, envolto num manto”.


Este foi um comentário que ouvimos esta semana de uma pessoa, que embora afirme seguir uma religião, revelou-se naquele momento descrente. Ela disse o seguinte: “por mais que as religiões procurem dar uma esperança de que haverá uma vida depois desta, a morte é algo que não aceitamos e nos revoltamos contra ela, porque, afinal, ninguém tem certeza de que vai sobreviver.”

Na verdade, o que sentimos nessa declaração, foi uma explosão de sinceridade. Há momentos, na vida, quando não estamos conformados com uma situação, em que pomos pra fora o que realmente pensamos e não aquilo que costumeiramente dizemos que pensamos. É provável que a maioria das pessoas, que diz ter uma religião ou mesmo que aparentemente leve sua religião a sério, titubeie diante da realidade incontestável da morte, quando esta atinge seus entes queridos.

Nesse sentido, não descartamos nem mesmo muitos que se dizem espíritas e que estão no Espiritismo mais por acomodação, do que por uma efetiva busca da verdade. A morte sempre foi a grande ameaça e, portanto, o maior medo do ser humano. E, embora o papel da religião devesse ser o de colocar nas mãos das pessoas um instrumento para vencer esse medo, ela acabou contribuindo, de um modo geral, mais ainda para que o medo aumentasse.

As doutrinas religiosas, de um modo geral, além de serem contraditórias com relação ao futuro espiritual do homem, ainda o ameaçam com a condenação eterna, e isso acaba sendo pior do que a perspectiva do nada.. Já, o Espíritismo apresenta uma explicação racional, de que não estamos nesta vida pela primeira vez, nem pela última. Há uma sequência natural de existências, através das quais vamos colhendo experiências, que nos ajudam a progredir espiritualmente, em busca de um futuro glorioso.

Quem, de fato, tem essa convicção, não pode ver a morte como algo apavorante, embora, é claro, ninguém deseje morrer? O Espiritismo afirma plica que devemos ter um medo natural da morte, mas no sentido de que devemos preservar no máximo a nossa vida, por ser importante e fundamental para nossa evolução. Mas, desde que a morte aconteça – por exemplo, no seio de nossa família – devemos aceitá-la, não como um castigo, mas como uma bênção, porque ela faz parte da ordem natural das coisas; ela assinala um importante momento de transição na escalada evolutiva do Espírito.

Allan Kardec trata muito bem dessa questão no livro “O CÉU E O INFERNO, OU A JUSTIÇA DE DEUS SEGUNDO O ESPIRITISMO”. Nos dois primeiros capítulos desse livro, ele mostra que o espírita convicto não tem apenas uma esperança da vida futura; na verdade, ele sabe que a vida continua e, portanto, não se impressiona com os acontecimentos desta vida, por piores lhe pareçam, inclusive com a morte. Mas, para que adquira essa segurança e essa serenidade, ele precisa conhecer de fato o Espiritismo; e quanto mais conhecer, melhor.

As pessoas, na sua maioria, no entanto, estão à espera de milagres. Elas não querem explicação lógica e racional para os fatos da vida; preocupam-se em buscar apenas respostas prontas de conteúdo mágico para aquilo que ainda não conseguiram entender. E quanto menos entender, melhor. A Doutrina Espírita, por outro lado, encara a vida e a morte com naturalidade e com realismo. O problema não são os fatos em si – que reputamos bons ou maus - mas como nós encaramos esses fatos e como reagimos diante deles.

É por isso que o Espiritismo não exige que ninguém o siga e nem quer ser aceito cegamente. Apenas se apresenta com sua proposta de vida. Ouve-o quem quiser. Segue-o quem encontrar nele uma base explicativa da vida e se firme, por livre convicção, em seus princípios. Eis a grande conquista de que falou Kardec. As convicções, na verdade, formam-se naqueles que, por si mesmos, buscam a verdade e não naqueles que esperam que a verdade os procure, razão pela qual Jesus afirmou “conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”.

Aliás, foi Jesus quem deu o mais eficaz testemunho da imortalidade. Lendo os evangelhos, percebemos que, apesar do que ele ensinou e mostrou aos seus seguidores por argumentos lógicos e racionais, quando, em vida, quase não conseguiu convencer ninguém. Só depois da morte, quando passou a aparecer, é que despertou a atenção para sua doutrina, até porque não haveria sentido em ensinar o amor ao próximo, a abnegação e o sacrifício pela boa causa, se a vida simplesmente terminasse no túmulo.













quinta-feira, 16 de setembro de 2021

AINDA FALTA INFORMAÇÃO; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Os números não mentem: o Brasil já ostenta o oitavo lugar em casos de suicídio entre os países monitorados pela OMS – Organização Mundial de Saúde. A Associação Brasileira de Psiquiatria considera que 17% da população do nosso País, já pensou, em algum momento, em cometer o suicídio. Fatores como perda financeira ou de emprego, dor crônica ou doença, falta de esperança, histórico familiar, abuso de álcool ou outras substâncias viciantes, distúrbios de humor, esquizofrenia, distúrbios de personalidade, estão entre mais considerados na análise do problema. Acredita-se atualmente que alterações no funcionamento do cérebro determinados pelo “stress” ou outros processos de mudanças epigenéticas nos genes e na regulação da emoção e do comportamento causadas por mudanças no sistema de neurotransmissores, podem originar ideias ou impulsos suicidas. Naturalmente nenhumas das publicações oficiais consideram a hipótese da anterioridade da vida do indivíduo. Talvez somente aqueles que se dedicam à restauração da saúde mental usando os caminhos das Terapias de Vidas Passadas, consideram elementos transcendentes para explicar ou justificar compulsões na área da autodestruição. O Espiritismo, revela que o traumatismo derivado de suicídio em outras vidas, mantém-se latente na memória integral do indivíduo, ressurgindo na mesma idade cronológica em que tal atitude foi levada a termo no passado, tentando-o a repetir a tentativa de fuga aos problemas existenciais. Mostra ainda a ação de entidades desencarnadas, influenciando progressivamente o individuo no fluxo inestancável de sua atividade mental, até o ponto de subjugá-lo na execução do ato extremo. Cartas psicografadas pelo médium Chico Xavier, demonstram a coautoria de Espíritos obsessores nas ações dramáticas do encarnado vitimado Os estudiosos concordam que os suicidas estão passando invariavelmente por uma doença mental que altera, de forma radical, sua percepção da realidade, interferindo em seu livre arbítrio. Estão certos. Afinal, construímos permanentemente nossa realidade, sendo perseguidos pelos efeitos que nós mesmos causamos na nossa caminhada evolutiva. E, pelo que observa a Doutrina Espírita, tais efeitos são atenuados pelas circunstâncias, visto que o impacto daquilo a que fazemos jus pelas opções equivocadas do passado, dificilmente seria suportado se recaísse sobre nós de uma vez. Limitações físicas, mentais, deformações, membros superiores ou inferiores atrofiados ou mutilados desde a vida intrauterina, são explicáveis pelos tipos de suicídio escolhidos outrora, como respondido pelo médium Chico Xavier em programa de entrevista de que participou. O Espírito Emmanuel, no livro RELIGIÃO DOS ESPÍRITOS (1961;feb), na mensagem SUICÍDIO, apresenta uma série de associações bastante lógicas diante das dificuldades de entender-se muitos dos enigmáticos problemas estampados em corpos físicos por nós observados. Por sinal, amplia nosso entendimento, comentando: -“Segundo o tipo de suicídio, direto ou indireto (alimentação, temperamento, sobrecarga causada por dependências químicas, etc), surgem as distonias orgânicas derivadas, que correspondem a diversas calamidades congênitas, inclusive a mutilação e o câncer, a surdez e a mudez, a cegueira e a loucura, a representarem terapêutica providencial na cura da alma”. A médium Yvonne do Amaral Pereira, se fez instrumento para a construção de obras importantíssimas para entendermos os mecanismos utilizados pela Providência Divina nos inevitáveis programas de reabilitação de Espíritos de suicidas. Entre elas, o clássico MEMÓRIAS DE UM SUICIDA do Espírito Camilo Carlos Botelho (na verdade, Camilo Castelo Branco), o atualíssimo DRAMAS DA OBSESSÃO; escrito pelo médico Adolfo Bezerra de Menezes. Buscando ouvir a Espiritualidade das questões 943 a 957 n’ O LIVRO DOS ESPÍRITOS, Allan Kardec obtém informações do tipo “as tribulações da vida são provas ou expiações. Felizes os que as suportam sem se queixar, porque serão recompensados! Infelizes, ao contrário, os que esperam uma saída nisso que, na sua impiedade, chamam de sorte ou acaso. Creditam o suicídio, “a efeito da ociosidade, da falta de fé e geralmente da saciedade. Para aqueles que exercem suas faculdades com um fim útil e segundo as suas aptidões naturais, o trabalho nada tem de árido e a vida se escoa mais rapidamente; suportam suas vicissitudes com tanto mais paciência quanto mais agem tendo em vista a felicidade mais sólida e mais durável que os espera”.


Esta questão foi proposta por uma senhora, que nos procurou dias atrás, pedindo para não pode ser identificada no programa, por causa de algumas restrições da família. Parecendo preocupada, ela fez a seguinte colocação: “Ultimamente, venho sonhando com pessoas que já morreram. Algumas são parentes, pessoas conhecidas, outras não. Essas pessoas falam comigo, mas eu não consigo entender o que elas falam. Gostaria de saber o que isso significa: se é bom, se é ruim e,se for ruim, o que devo fazer para não ter mais esses sonhos; e, se for bom, no que posso ajudar.”

Primeiramente, prezada senhora, nós podemos dizer o que você já sabe: sonhos são lembranças de situações que ocorrem em nível mental quando estamos dormindo. Durante o sono, segundo o espírito André Luiz, há, pelo menos, duas situações que podem ocorrer e, às vezes, as duas ocorrem ao mesmo tempo: ou penetramos mais fundo em nosso mundo íntimo, buscando saída para os nossos problemas; ou, então, nos desligamos parcialmente do corpo e vamos ter contato com o mundo espiritual.

No primeiro caso, estão os chamados “sonhos reflexivos”, ou seja, aqueles que refletem a nossa vida mental, os nossos desejos, os nossos anseios, os nossos problemas, medos e preocupações. Neste caso, o sonho funciona como uma espécie de busca de solução, ou mesmo de fuga, através do qual queremos remover as dificuldades íntimas que nos incomodam. Os sonhos reflexivos geralmente mostram os problemas e anseios desse mundo interior, onde certamente procuramos respostas e soluções.

O outro tipo de sonho, mais profundo, é o que chamamos de “sonho espírita”; é aquele que nos revela facetas do mundo espiritual. O espírito, parcialmente, se liberta do corpo e pode perceber outro mundo à sua volta, onde podem se encontrar, inclusive, pessoas já desencarnadas – familiares, amigos ou até mesmo inimigos. Mas isso não acontece por acaso: ou o sonhador está a procura de ajuda, de respostas e soluções, ou ele está sendo procurado por Espíritos, geralmente familiares, por algum motivo.

Apenas com as informações, que você nos passa, não podemos afirmar com absoluta convicção que tipo de sonho você teve. Mas, pela sua descrição – de que tem visto pessoas, que já morreram, e de forma indiscriminada, isto é, qualquer pessoa – é bem possível que você esteja procurando respostas para a vida. E, como você sabe, a principal pergunta que fazemos neste mundo é se a vida continua, se vamos continuar existindo depois da morte. Ao que tudo indica, você está procurando essa resposta, até porque você não sonha apenas com determinado Espírito, mas com muitas pessoas –até desconhecidas – que já desencarnaram.

Além do mais, não se trata da visão de um Espírito em particular, de um mesmo familiar ou amigo, que pareça necessitar de alguma coisa. São várias pessoas que falam com você, mas você não se lembra do que elas falam. Isso pode mostrar que todas elas têm a mesma resposta, mas você ainda não está suficientemente preparada para ouvir. Neste caso, o mais recomendável é que você procure alguma orientação espírita com pessoas confiáveis, que leia alguma coisa sobre o Espiritismo, algum livro mais simples que lhe passe as informações básicas sobre a continuidade da vida além da morte.

O que pode estar acontecendo - esta é uma hipótese que levantamos – é que você continua com sérias dúvidas sobre a imortalidade, com muita insegurança quanto ao futuro, talvez não de forma consciente, mas inconscientemente. A via mais eficaz para que a gente possa se convencer da continuidade da vida não é o fenômeno em si, nem mesmo os sonhos com os mortos, mas a via do raciocínio, da razão, que podemos adquirir através da busca de informações, do conhecimento. Procure um centro idôneo e uma orientação, mas, acima de tudo, comece a ler alguma coisa para se esclarecer de forma segura.