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segunda-feira, 16 de julho de 2018

FAMÍLIA, MEMÓRIA E CORPO ESPIRITUAL


DOENÇAS E HEREDITARIEDADE



sábado, 14 de julho de 2018

REFLEXÕES IMPORTANTES


Um tema instigante. Tratado por Freud pai da Psicanálise na sua primeira obra INTERPRETAÇÃO DOS SONHOS, já tinha merecido atenção de Allan Kardec no livro fundamental do Espiritismo. No século XX, o Espírito André Luiz, através de Chico Xavier, ampliaria nosso entendimento nas obras da coleção denominada NOSSO LAR. Na sequencia algumas respostas que o Espiritismo dá. Por que não conseguimos lembrar com clareza dos sonhos? O cérebro de carne, pelas injunções da luta a que o Espírito foi chamado a viver, é aparelho de potencial reduzido, dependendo muito da iluminação de seu detentor, no que se refere à fixação de determinadas bênçãos divinas.  O arquivo de semelhantes reminiscências, no livro temporário das células cerebrais, é muito diferente, variando de alma para alma. Entretanto, na memória permanecerá, de qualquer modo, o benefício, ainda mesmo que eles, no período de vigília, não consigam positivar a origem..  Não podem reviver os pormenores, mas guardarão a essência, sentindo-se revigorados, de inexplicável maneira para eles, não só a retomar a luta diária no corpo físico, mas também a beneficiar o próximo e combater, com êxito, as próprias imperfeições.  O não lembrar claramente embora as impressões de bem estar ou não que as pessoas conservam após o corpo ter retornado às atividades normais sugerem desse modo a vivência de experiências reais? Sonhos inconscientes proporcionam essas sensações indefiníveis de contentamento e felicidade, de que não nos damos conta, e que são um antegozo daquilo de que desfrutam os Espíritos felizes.  Deduz-se daí que o Espírito encarnado pode sofrer transformações que modificam suas aptidões.  Um fato que talvez não tenha sido suficientemente observado vem em apoio da teoria acima.  Do primeiro grau de lucidez o Espírito passa, por vezes, a um grau mais elevado, no qual adquire novas ideias e percepções mais sutis.  Saindo deste segundo grau para voltar ao primeiro, não se lembrará do que disse, nem do que viu; depois, passando deste grau para o estado de vigília, há um novo esquecimento.  Uma coisa a notar é que há lembrança do grau superior ao grau inferior, enquanto há esquecimento do grau inferior para o superior.  O que se passa influi sobre as faculdades e as aptidões do Espírito.  Dir-se-ia que do estado de vigília ao primeiro grau o Espírito é despojado de um véu; que do primeiro ao segundo grau é despojado de um segundo véu. (ondas beta / 14cps / VIGILIA – alpha/7 a 14 cps / PRÉ SONO – Theta/ 4 a 7 cps – SONO / Delta 4 ou menos cps / SONO PROFUNDO) Não mais existindo esses véus nos graus superiores, o Espírito vê o que está abaixo e se lembra; descendo a escala, os véus se refazem sucessivamente e lhe ocultam o que está acima, fazendo que deles perca a lembrança.   (RE,7/1865) De que servem essas ideias ou esses conselhos, se a sua recordação se perde e não se pode aproveitá-los? Essas ideias pertencem, algumas vezes, mais ao Mundo dos Espíritos que. ao Mundo corpóreo, mas o mais frequente é que, se o corpo as esquece, o Espírito as lembra, e a ideia volta no momento necessário, como uma inspiração do momento. O Espírito encarnado, nos momentos em que se desprende da matéria e age como Espírito, conhece a época de sua morte? Muitas vezes a pressente, e às vezes tem dela uma consciência bastante clara, o que lhe dá, no estado de vigília, a sua intuição. É por isso que algumas pessoas preveem, às vezes, a própria morte com grande exatidão. A atividade do Espírito, durante o repouso ou o sono do corpo, pode fatigar a este?  Sim, porque o Espírito está ligado ao corpo, como o balão cativo ao poste. Ora, da mesma maneira que as sacudidas do balão abalam o poste, a atividade do Espírito reage sobre o corpo, e pode produzir-lhe fadiga. (LE)





quinta-feira, 12 de julho de 2018

OBSESSÕES E REDUÇÃO PERISPIRITUAL



ALERTA


Na edição de março de 1859 da REVISTA ESPÍRITA, Allan Kardec incluiu um artigo comentando a atitude daqueles que se beneficiam de sua condição de canal de comunicação entre diferentes Dimensões intitulado MEDIUNS INTERESSEIROS. O Codificador, logo no início, considera esse “defeito como um dos que podem dar acesso aos Espíritos imperfeitos”. Analisando essas considerações, observamos sua atualidade, não só diante dos médiuns por trás daqueles panfletos que prometem “soluções” e “revelações” sobre problemas existenciais como relacionamento afetivo e trabalho, mas também dos transformam livros mediúnicos em meios de vida. Vejamos a opinião de Kardec: “-Na primeira linha dos médiuns interesseiros devem colocar-se aqueles que poderiam fazer de sua faculdade uma profissão, dando o que se costuma chamar de sessões ou consultas remuneradas (..). Como, porém, tudo pode tornar-se objeto de exploração, não seria de admirar que um dia quisessem explorar os Espíritos. Resta saber como eles encarariam o fato, se acaso se tentasse introduzir uma tal especulação. Mesmo sem iniciação ao Espiritismo, compreende-se quanto isso representa de aviltante; mas quem quer que conheça um pouco o quanto é difícil aos bons Espíritos virem comunicar-se conosco e quão pouco é preciso para os afastar, bem como  sua repulsa por tudo quanto represente interesse egoístico, jamais poderá admitir que os Espíritos superiores sirvam ao capricho do primeiro que os evocasse a tanto por hora. O simples bom senso repele  tal suposição. Não será ainda uma profanação evocar pai, mãe, filhos e amigos por semelhante meio? Sem dúvida que dessa maneira se podem ter comunicações; mas só Deus sabe de que fonte! Os Espíritos levianos, mentirosos, travessos, zombeteiros e toda a caterva de Espíritos inferiores vem sempre: estão sempre prontos a tudo responder.  São Luiz nos dizia outro dia, na Sociedade: Evocai um rochedo, e ele vos responderá. Quem quiser comunicações sérias deve antes de tudo informar-se quanto às simpatias do médium com os seres do Plano Espiritual; aquelas que são dadas pela ambição do lucro só podem inspirar uma confiança falsa e precária. Médiuns interesseiros não são apenas os que poderiam exigir uma determinada importância: o interesse nem sempre se traduz na esperança de um lucro material, mas também nos pontos de vista ambiciosos de qualquer natureza, sobre os quais pode fundar-se a esperança pessoal. É ainda um tropeço que os Espíritos zombadores sabem utilizar muito bem, e de que se aproveitam com uma destreza e com uma desfaçatez verdadeiramente notáveis, acalentando enganadoras ilusões naqueles que assim se colocam sob sua dependência. Em resumo, a mediunidade é uma faculdade dada para o Bem e os bons Espíritos se afastam de quem quer que pretenda transformá-la em escada para alcançar seja o que for que não corresponda aos desígnios da Providência. O egoísmo é a chaga da sociedade; os Bons Espíritos o combatem e, portanto, não é possível supor que venham servi-lo. Isto é tão racional, que sobre tal ponto seria inútil insistir. Os médiuns de efeitos físicos não estão nas mesmas condições: seus efeitos sendo produzidos por Espíritos inferiores, pouco escrupulosos quanto aos sentimentos morais, um médium dessa natureza, que quisesse explorar sua faculdade, poderia encontrar os que o assistissem sem muita repugnância. Mas teríamos ainda outro inconveniente. Assim como o médium de comunicações inteligentes, o de efeitos físicos não recebeu sua faculdade para seu prazer; esta lhe foi dada com a condição de usá-la bem e, se abusar, ela lhe pode ser retirada ou revertida em seu prejuízo porque, afinal de contas, os Espíritos inferiores estão às ordens dos Espíritos Superiores. Os inferiores gostam de mistificar, mas não gostam de ser mistificados; se de boa vontade se prestam às brincadeiras e questões de curiosidade, como os demais, não gostam de ser explorados e, a cada momento, provam que tem vontade própria, que agem quando e como bem entendem, o que faz com que o médium de efeitos físicos esteja ainda menos seguro da regularidade das manifestações que os médiuns escreventes. Pretender as produzir em dias e horas predeterminados seria dar mostras de profunda ignorância. Que fazer então para ganhar o seu dinheiro? Simular os fenômenos. Eis o que pode acontecer, não só aos que disso fizessem uma profissão declarada, como também às criaturas aparentemente simples, que se limitam a receber uma retribuição qualquer dos visitantes. Se o Espírito nada produz, elas produzem: a imaginação é muito fecunda quando se trata de ganhar dinheiro”.    

domingo, 8 de julho de 2018

CENTROS DE FORÇA E DEUS E MATÉRIA



O professor José Benevides Cavalcante responde a novas questões apresentadas por leitores. CENTROS DE FORÇA "Os centros de forças ( chakras) secundários ( cardíaco, laríngeo, frontal, umbilical e do baço) são considerados também como vórtices de energia fluídica, recebendo influência direta do meio físico, como pontos de troca de energia ou são todos interligados ao centro de força coronário, recebendo estímulo somente desse polo energético?"  É André Luiz que, na obra "ENTRE A TERRA E O CÉU", psicografia de Francisco Cândido Xavier, capítulo XX, edição FEB, põe na boca do instrutor Clarêncio esclarecimentos a respeito dos sete campos de força do perispírito "que, vibrando em sintonia uns com os outros, ao influxo do poder diretriz da mente, estabelecem , para nosso uso, um veículo de células elétricas, que podemos definir como sendo um campo eletromagnético, no qual o pensamento, vibra em circuito fechado". Refere-se, ato contínuo, a cada um desses centros, classificando o "coronário" - segundo a filosofia hindu - como "o mais significativo em razão de seu alto potencial de radiações", por receber, "em primeiro lugar, os estímulos do espírito, comandando os demais, vibrando todavia com eles em justo regime de interdependência". Em "EVOLUÇÃO EM DOIS MUNDOS", capítulo II, afirma que o centro coronário é "o ponto de interação entre as forças determinantes do espírito e as forças fisiopsicossomáticas organizadas". Tudo leva a crer, pelo exposto, que esse centro de força é a sede da organização fisiológica do perispírito, exercendo papel preponderante no controle e assimilação de recursos superiores de conformidade com as criações mentais do espírito; mas cada um dos demais centros, ainda que comandado por ele e interdependente com todos os demais, é captador e transformador de recursos naturais afetos ao seu próprio campo de atuação no que interessa à economia perispiritual. DEUS E MATÉRIA  A questão 21 de O LIVRO DOS ESPÍRITOS me parece contraditória: "A matéria existe desde o princípio, como Deus, ou foi criada por ele em determinado momento? Só Deus o sabe. Entretanto, há uma coisa que a vossa razão deve indicar: Deus, modelo de amor e de caridade, jamais esteve inativo. Por mais distante que se consiga imaginar o início da sua ação, poder-seá compreendê-lo um segundo sequer na ociosidade?" Parece-me que a concepção de Deus, como Ser Perfeito, já é o suficiente para se inferir que ele criou a matéria num determinado momento, porque, se a matéria sempre existiu, ela poderia não ter sido criada por Deus, pois seria eterna como ele e inteligente. Esses primeiros capítulos de O LIVRO DOS ESPÍRITOS cuidam dos temas mais complexos e mais difíceis para o entendimento humano: Deus, o espírito e a matéria. Kardec procurou cercar a questão de todos os lados, segundo os conhecimentos da época, mas nem por isso conseguiu deixar tudo tão claro, a ponto de não restar dúvidas a ninguém. Seria impossível ensinar a complexidade da atomística a uma criança de pré-escola; somos como crianças, desvendando os mistérios do Universo. Aliás, os próprios Espíritos alertam Kardec sobre a impossibilidade de o homem, nesta etapa de evolução, adentrar conhecimentos mais profundos sobre a natureza de Deus e a origem do Universo, conforme lemos na resposta à questão 14 . Hoje, mais do que antes, com o desenvolvimento da física quântica, a própria ciência está reconhecendo sua impotência para desvendar os mistérios que envolvem a matéria, por causa da alta complexidade dos fenômenos que ocorrem no mundo intra-atômico. Na época de Kardec, matéria era uma coisa; hoje é outra, segundo as novas concepções: o conhecimento nada mais é do que a interpretação que o homem dá ao que julga ser realidade. A questão de matéria e espírito é tão intricada que André Luiz, em "NO MUNDO MAIOR", discutindo o assunto afirma: "Quase impossível é determinar-lhes a fronteira divisória, porquanto o espírito mais sábio não se animaria a localizar, com afirmações dogmáticas, o ponto onde termina a matéria e começa o espírito" (cap.4, 5ª ed., FEB, p.51). Em razão disso, ainda é impossível caminhar com segurança nesse terreno. Contudo, a continuarmos estabelecendo a antiga dicotomia espírito-matéria, nos termos da metafísica aristotélica, a sua conclusão é verdadeira.

SONHOS E SOBREVIVERAM




quinta-feira, 5 de julho de 2018

PROBLEMAS MENTAIS FÍSICOS E OBSESSIVOS

Transtornos mentais mantem-se em níveis crescentes no mundo contemporâneo. Quando do surgimento do Espiritismo quando o assunto não era tão pesquisado quanto hoje – Freud acabava de nascer -, Allan Kardec estabeleceu a diferença entre os de ordem física e obsessiva.  Hoje, a própria OMS – Organização Mundial de Saúde já reconhece na sua Classificação Internacional de Doenças uma diferença entre problemas de origem física e mental. Na sequência três questões abrindo nosso entendimento sobre a contribuição da Doutrina Espírita na avaliação da questão. 1 - Na REVISTA ESPÍRITA de dezembro de 1864, Allan Kardec escreve que “sem o pensamento o Espírito não seria Espírito, sendo o atributo característico do Ser Espiritual que, por sua vez, distingue o Espírito da matéria”, acrescentando que Vontade “é o pensamento chegado a certo grau de energia, é o pensamento transformado em força motriz”. Então o pensamento não é uma reação fisiológica? O pensamento não está no cérebro, como não está na caixa craniana.  O cérebro é o instrumento do pensamento, como o olho é o instrumento da visão, e o crânio é a superfície sólida que se molda aos movimentos do instrumento.  Se o instrumento for danificado, não se dá a manifestação, exatamente como, quando se perdeu um olho, não se pode mais ver. (RE; 7/1860) O pensamento  é... preexistente e sobrevivente ao organismo. Este ponto é capital. (RE;3/1867) força viva, em toda parte; atmosfera criadora que envolve tudo e todos. (NL, 37) força criadora de nossa própria alma; a continuação de nós mesmos, através da qual, atuamos no meio em que vivemos e agimos, estabelecendo o padrão de nossa influência, no bem ou no mal. (L; 17) matéria, a matéria mental, compondo maravilhoso mar de energia sutil em que todos nos achamos submersos”. (MM;4) fluxo energético do campo espiritual dos seres criados, se graduando nos mais diferentes tipos de onda, passando  pelas oscilações curtas, médias e longas em que se exterioriza a mente humana, até as ondas fragmentárias dos animais, cuja vida psíquica ainda em germe, somente arroja de si determinados pensamentos ou raios descontínuos. (MM;4) vibração e transmite-se por onda, que só excita as vibrações de ondas afins. (GS;145) 2 - Em mensagem reproduzida por Allan Kardec na REVISTA ESPÍRITA de fevereiro de 1867, assinada por entidade identificada como Dr Morel Lavalee, entre outras coisas, ele afirma que “se, a doença procede da mente, do Espírito, o perispírito e o corpo, postos sob sua dependência, serão entravados em suas funções, e nem será cuidando de um nem de outro que se fará desaparecer”.  Afinal o que é a Mente? As palavras Mente (latina); Psique (grega); Espírito e Alma tem o mesmo significado. Mente x corpo  físico são indissociáveis. Como campo da consciência, a mente reflete a personalidade e o estágio de evolução espiritual do indivíduo, podendo ser analisada  em dois níveis que atuam um sobre o outro: consciente e inconsciente. Surgido simples e ignorante, a experiência vai formando o conhecimento do Espírito, ou seja,  o conhecimento é o produto das experiências desenvolvidas pela individualidade (Espírito) nas sucessivas vivências  seja no Mundo Físico, seja no Mundo Espiritual. Tais experiências ficam registradas no nível inconsciente da mente exercendo influência sobre o comportamento do indivíduo expressando-se nas características da sua personalidade. Essa dinâmica resulta na formação da Consciência,  núcleo da mente e atributo essencial do Espírito, sendo a  consciência desperta, nivel de desenvolvimento da consciência alcançado pelo Espírito ao longo desse processo, refletindo seu estágio evolutivo. 3 - Onde se forma o pensamento ? As fontes do pensamento procedem de origens excessivamente complexas.  E, nesse sentido, cada criatura humana, nos serviços comuns, reflete o núcleo de vida invisível a que se encontra ligada de mente e coração.  Assim, as esferas dos encarnados e desencarnados se interpenetram em toda a parte. (PC) Observa, pois, os próprios impulsos.  Desejando, sentes. Sentindo, pensas. Pensando, realizas. Realizando, atrais. Atraindo, refletes.  E refletindo, estendes a própria influência, acrescida, dos fatores de indução do grupo com que te afinas. O pensamento, é, portanto, nosso cartão de visita. (SM,2) Todo Espírito, na condição evolutiva em que nos encontramos, é governado essencialmente por três fatores específicos, ou, mais propriamente, a experiência (conjunto de nossos próprios pensamentos); o estímulo (circunstância que nos impele a pensar) e a inspiração (conjunto dos pensamentos alheios que aceitamos e procuramos). (SM,38)



EVOLUÇÃO, FLUIDOS E DOENÇAS




segunda-feira, 2 de julho de 2018

PORQUE NÃO?


Porque todas as mães que choram os filhos mortos e ficariam felizes se se comunicassem com eles, muitas vezes não o podem? Porque a visualização deles lhes é recusada, mesmo em sonhos, a despeito de seu desejo e preces ardentes? Naturalmente são duas perguntas que muitos se fazem diante do entusiasmo daqueles que se surpreendem com o conteúdo de informações e detalhes pessoais constantes das cartas mediúnicas, sobretudo as psicografadas por Chico Xavier. Por sinal, o canal de comunicação objetivamente disponibilizado a partir da identificação e definição da mediunidade pelo Espiritismo, revelou-se um instrumento útil para esse fim, utilizado especialmente por aqueles que, vencidos pela dor da separação, superam as barreiras do preconceito e conceitos nascidos nas escolas religiosas tradicionais ou nas sombras da ignorância. Allan Kardec na REVISTA ESPÍRITA, edição de agosto de 1866, teceu interessantes esclarecimentos sobre os “porquês” das perguntas com que iniciamos essas considerações. Pondera ele: “ - Além da falta de aptidão especial que, como se sabe, não é dada a todos, há, por vezes, outros motivos, cuja utilidade a sabedoria da Providência aprecia melhor que nós. Essas comunicações poderiam ter inconvenientes para as naturezas muito impressionáveis; certas pessoas poderiam delas abusar e a elas se entregar com um excesso prejudicial à saúde. Em semelhante caso, sem dúvida a dor é natural e legítima; mas, algumas vezes, é levada a um ponto desarrazoado. Nas pessoas de caráter fraco muitas vezes essas comunicações reavivam a dor, em vez de a acalmar.  Daí  porque nem sempre lhes é permitido receber, mesmo por outros médiuns, até que se tenham tornado mais calmas e bastante senhoras de si para dominar a emoção. A falta de resignação, em casos tais, é quase sempre uma causa do retardamento. Depois, é preciso dizer que a impossibilidade de se comunicar com os Espíritos que mais se ama, quando se o pode com outros, é, muitas vezes, uma prova para a fé e a perseverança e, em certos casos, uma punição. Aquele a quem esse favor é recusado deve, pois, dizer-se que sem dúvida a mereceu. Cabe-lhe procurar a causa em si mesmo, e não atribui-la à indiferença ou ao esquecimento do Ser lamentado. Enfim, há temperamentos que, não obstante a força moral, poderiam experimentar o exercício da mediunidade com certos Espíritas, mesmo simpáticos, conforme as circunstâncias. Admiremos em tudo a solicitude da Providência, que vela pelos menores detalhes e saibamos submeter-nos à sua vontade sem murmúrio, porque ela sabe melhor que nós o que nos é útil e providencial. Ela é para nós como um bom pai, que não dá sempre a seu filho o que ele deseja. As mesmas razões ocorrem no que concerne aos sonhos. Os sonhos são as lembranças do que o Espírito viu em estado de desprendimento, durante o sono. Ora, essa lembrança pode ser bloqueada. Mas aquilo de que a gente não se lembra não está, por isto, perdido para a alma. As sensações experimentadas durante as excursões que ela faz no mundo invisível, deixam, ao despertar, impressões vagas e a gente não cita pensamentos e ideias cuja origem, muitas vezes, não se suspeita. Pode, pois, ter-se visto, durante o sono, os seres aos quais se tem afeição, entreter-se com eles e não guardar a lembrança. Então se diz que não se sonhou. Mas se o Ser lamentado não se pode manifestar de uma maneira extensiva qualquer, nem por isso estará menos junto dos que o atraem por seu pensamento. Ele os vê, ouve suas palavras e, muitas vezes, adivinha-se sua presença por uma espécie de intuição, um sentimento íntimo, e, até mesmo por certas impressões físicas.  A certeza de que não está no nada; de que não está perdido nas profundezas do espaço, nem nos abismos do inferno; de que é mais feliz, agora isento dos sofrimentos corporais e das tribulações da vida; de que o verão, após uma separação momentânea, mais belo, mais resplendente, sob um envoltório etéreo imperecível, e não sob a pesada carapaça carnal; eis a imensa consolação que recusam os que creem que tudo acaba com a vida; eis o que oferece o Espiritismo”.      


quarta-feira, 27 de junho de 2018

GENOMA HUMANO E REVELAÇÕES DO PASSADO

O professor José Benevides Cavalcante (FUNDAMENTOS DA DOUTRINA ESPÍRITA, eme) nos oferece mais esclarecimentos a dúvidas levantadas pelos leitores: GENOMA HUMANO Com relação à encarnação de Espíritos, que precisam passar por determinadas expiações, de acordo com suas necessidades evolutivas, como fica a Espiritualidade diante da engenharia genética que, mais cedo ou mais tarde, poderá conseguir evitar aleijões físicos e mentais, doenças fatais, como o câncer, o mal de Alzeihmer, etc. Vemos dois grandes aspectos nesta questão. O primeiro nos leva afirmar que uma coisa são as necessidades evolutivas do Espírito; outra, as experiências pelas quais ele precisa passar. Na natureza, não há somente uma solução para cada problema, há múltiplas alternativas, de acordo com o lugar e o tempo, com a cultura e o desenvolvimento de cada povo. Na Antiguidade, certamente havia experiências que hoje não mais existem e, atualmente, outras existem que não havia naquela época. Logo, Espíritos, que reencarnam em diferentes momentos da História, vivenciam situações diversas conforme suas necessidades, donde podemos concluir que as novas descobertas da ciência, dando ensejo ao progresso da Medicina, no campo da prevenção e das terapias, não servem de obstáculo às leis naturais, que continuarão a funcionar interminavelmente. Tais realizações humanas, por mais arrojadas nos pareçam, não alteram as Leis da Natureza, que prosseguem comandando todos os fenômenos. O outro aspecto da pergunta refere-se ao progresso científico e tecnológico que, com certeza, não se realiza sem a co-participação da Espiritualidade que, para tudo, tem um objetivo providencial, encaminhando para a Terra Espíritos capazes de revolucionar o conhecimento e sua aplicação com descobertas de impacto. Com certeza, o mapeamento do código genético humano e as posteriores façanhas nesse campo, também vão comprovar o absurdo do racismo e outros meios de discriminação que, até hoje, servem de pretexto para crimes que deveriam envergonhar o homem do Terceiro Milênio. REVELAÇÕES DO PASSADO Como podemos explicar, do ponto de vista espírita, que tantas pessoas, que passaram pela Terapia de Vidas Passadas, talvez a maioria delas, se lembrem de terem sido reis, príncipes, chefes de estado e personalidades importantes da História? Será que elas estão imaginando tudo isso ou, no passado, havia mais gente importante do que pessoas comuns? Vários terapeutas espíritas têm se preocupado com as reportagens que a televisão costuma apresentar ao público leigo, fazendo apologia da TVP, através de exageradas revelações que fluem com muita facilidade da mente dos pacientes para o público. Dizem que, além do exagero promocional da TV, é difícil para o profissional separar o que é a lembrança do real da mera fantasia criada pela mente imaginosa, e que o objetivo da terapia não é a revelação do passado, mas a cura. O terapeuta pode sentir a mente supercriativa, recurso comum para a alimentação do ego, mas dificilmente saberá separar com precisão o real do imaginário. Além disso, TVP não é Espiritismo, não tem por fim verificar a realidade ou não dos relatos apresentados pelo paciente; é apenas uma técnica de tratamento psicológico surgida nos Estados Unidos, há alguns anos atrás. A Doutrina Espírita tem um posicionamento inequívoco a respeito de revelações do passado em O LIVRO DOS ESPÍRITOS , valorizando o fenômeno do esquecimento como meio de defesa da mente encarnada, razão pela qual para ela a regra é não se lembrar de encarnações anteriores. No entanto, mesmo no meio espírita, por ignorância ou vaidade, muitos grupos se utilizam do expediente perigoso da revelação, apresentando aos consulentes histórias que servem para identificá-los com personalidades importantes do passado, sem o mínimo critério crítico de análise. Tal procedimento, além de não se coadunar com a moral espírita, fere frontalmente o princípio lógico do bom senso, defendido por Erasto em O LIVRO DOS MÉDIUNS ( “É preferível rejeitar nove verdades a aceitar uma só falsidade”) e ratificado por Allan Kardec em toda sua obra.

sábado, 23 de junho de 2018

O PLANO ESPIRITUAL


- “É preciso poder encarar a morte sob o seu verdadeiro ponto de vista, quer dizer, penetrar, pelo pensamento, no Mundo Espiritual, e dele fazer uma ideia tão exata quanto possível, o que denota, no Espírito encarnado, um certo desenvolvimento e uma certa aptidão para se desligar da matéria. Entre os que não estão suficientemente avançados, a vida material domina, ainda sobre a Vida Espiritual”. A afirmação é de Allan Kardec e das escolas religiosas existentes não há nenhuma que forneça maiores elementos para reflexão do que a derivada do Espiritismo. Na continuidade algumas contribuições para reflexões dos interessados. Estruturalmente, o que compõem as chamadas Esferas Espirituais reveladas no livro NOSSO LAR ? Sua área de abrangência se inicia no Centro do Planeta, a primeira, comportando o Umbral “Grosso” (Núcleo Interno ou Abismo), mais materializado, de regiões purgatoriais mais dolorosas e de cujas organizações comunitárias, conquanto estejam tão próximas, temos poucas notícias; a segunda abriga o Umbral mais ameno (Núcleo Externo ou Trevas), onde os Espíritos do Bem localizam, com mais amplitude, sua assistência, referida por André Luiz como Trevas ou regiões sub-Crostais; a terceira é nossa morada provisória, chamada Crosta Terrestre; a quarta começa na Crosta, constituindo-se em zona obscura chamada Umbral destinada ao esgotamento dos resíduos mentais. Aí se agitam milhões de Espíritos imperfeitos que partilham com as criaturas terrenas as condições de habitabilidade da Crosta do Mundo; a quinta é habitada por Espíritos que têm como escopo unicamente o Bem, as Artes e as Ciências, após várias existências sacrificiais na Crosta; a sexta; destaca-se pelos que já vivem o Amor Fraterno Universal, sendo região das mais elevadas da Zona Espiritual da Terra, muito acima de nossas noções de forma, em condições inapreciáveis à nossa atual conceituação de vida, habitada por comunidades redimidas dos Planos Espirituais; e, por fim, a sétima é de onde emanam as Diretrizes do Planeta.. Essas Esferas coexistem integradas? As camadas espirituais não tem fronteiras, sendo seus limites regulados pelo teor vibratório dos seus habitantes, indo das mais grosseiras às mais sutis, liberando os Espíritos a migrarem de uma para outra conforme sua ascensão moral. Cada uma dessas divisões compreende outras, conforme asseguram os Espíritos, distinguindo-se por vibrações distintas que se apuram à medida que se afastam do núcleo. Os que estão acima podem transitar pelas Esferas que lhe estão abaixo; os que estão nas Esferas Inferiores não podem sozinhos passar para as Esferas Superiores. Há vastas Colônias representativas de Civilizações há muito tempo extintas para a observação terrestre. Costumes, artes e fenômenos linguísticos podem ser estudados, com admiráveis minudências nas raízes que os produziram no Tempo. Cada individualidade vive no mundo que lhe é peculiar, isto é, cada mente vive o tipo de vida compatível com seu estado, avançado ou atrasado, na marcha evolutivaAs inteligências se agrupam segundo os impositivos da afinidade consoante à onda ou frequência vibratória em que se encontram. Espacialmente como se organizaria, por exemplo, a Esfera compreendida pela Crosta e seu Plano Espiritual? Um Espírito chamado Efigênio Victor que conviveu e exerceu a mediunidade na encarnação concluída em 1953, retornou através de Chico Xavier para repassar para os que, como ele, demonstram curiosidade sobre essa realidade ainda não percebida queacima da Crosta terrestre comum, temos uma cinta atmosférica que classificamos por cinta densa, com a profundidade aproximada de 50 quilômetros, e, além dela, possuímos a cinta leve, com a profundidade aproximada de 950 quilômetros, somando 1000 quilômetros acima da Esfera em que respiramos. Nesse grande mundo aéreo, encontramos múltiplos exemplares de almas desencarnadas, junto de variadas espécies de criaturas sub-humanas, em desenvolvimento mental rumo à Humanidade.


terça-feira, 19 de junho de 2018

O QUE ENSINA O ESPIRITISMO


Em sua REVISTA ESPIRITA de agosto de 1865, Allan Kardec inicia a pauta com um artigo intitulado O QUE ENSINA O ESPIRITISMO, respondendo às pessoas que perguntam quais as conquistas novas que devemos ao Espiritismo. Num trecho de seus comentários, diz que “é incontestável que o Espiritismo ainda tem muito a nos ensinar. É o que não temos cessado de repetir, pois jamais pretendemos que ele tenha dito a última palavra”. Em outro, que “para alcançar a felicidade, Deus não pergunta o que se sabe, nem o que se possui, mas o que se vale e o bem que se terá feito. É, pois, no seu melhoramento individual que todo espírita sensato deve trabalhar, antes de tudo. Só aquele que dominou suas más inclinações aproveitou realmente o Espiritismo e receberá sua recompensa”. Alinha dez argumentos, demonstrando a lógica de seus raciocínios: 1 – Inicialmente, ele dá, como sabem todos, a prova patente da existência e da imortalidade da alma. É verdade que não é uma descoberta, mas é por falta de provas sobre este ponto que há tantos incrédulos ou indiferentes quanto ao futuro; é provando o que não passava de teoria que ele triunfa sobre o materialismo e evita as funestas consequências deste sobre a sociedade. Tendo mudado em certeza a dúvida sobre o futuro, é toda uma revolução nas ideias, cujas consequências são incalculáveis. Se aí, se limitassem os resultados das manifestações, esses resultados seriam imensos. 2 – Pela firme crença que desenvolve, exerce uma ação poderosa sobre o moral do homem; leva-o ao Bem, consola-o nas aflições, dá-lhe força e coragem nas provações da vida e o desvia do pensamento do suicídio. 3 – Retifica todas as ideias falsas que se tivessem sobre o futuro da alma, sobre o céu, o inferno, as penas e as recompensas; destrói radicalmente, pela irresistível lógica dos fatos, os dogmas das penas eternas e dos demônios; numa palavra, descobre-nos a vida futura e nô-lo mostra racional e conforme à justiça de Deus. É ainda uma coisa de muito valor.  4 – Dá a conhecer o que se passa no momento da morte; este fenômeno, até hoje insondável, não mais tem mistérios; as menores particularidades dessa passagem tão temida são hoje conhecidas; ora, como todo mundo morre, tal conhecimento interessa a todo mundo.  5 – Pela Lei da Pluralidade das existências, abre um novo campo à filosofia; o homem sabe de onde vem, para onde vai; com que objetivo está na Terra. Explica a causa de todas as misérias humanas, de todas as desigualdades sociais; dá as mesmas leis da natureza para base dos princípios de solidariedade universal, de fraternidade, de igualdade e de liberdade, que só se assentavam na teoria. Enfim, lança a luz sobre as questões mais complexas da metafísica, da psicologia e da moral. 6 – Pela teoria dos fluidos perispirituais, dá a conhecer o mecanismo das sensações e das percepções da alma; explica os fenômenos da dupla vista, da visão à distância, do sonambulismo, do êxtase, dos sonhos, das visões, das aparições, etc; abre um novo campo à Fisiologia e à Patologia. 7 – Provando as relações existentes entre os mundos corporal e espiritual, mostra neste último uma das forças ativas da natureza, um poder inteligente e dá a razão de uma porção de efeitos atribuídos a causas sobrenaturais, e que alimentaram a maioria das ideias supersticiosas. 8 – Revelando o fato das obsessões, faz conhecer a causa, até aqui desconhecida, de numerosas afecções, sobre as quais a ciência se havia equivocado, em detrimento dos doentes, e dá os meios de os curar.  9 – Dando-nos a conhecer as verdadeiras condições da prece e seu modo de ação; revelando-nos a influência recíproca dos Espíritos encarnados e desencarnados, ensina-nos o poder do homem sobre os Espíritos imperfeitos para os moralizar e os arrancar aos sofrimentos inerentes à sua inferioridade. 10Dando a conhecer a magnetização espiritual, que era desconhecida, abre ao magnetismo uma via nova e lhe trás um novo e poderoso elemento de cura. Conclui, por fim, que “o Espiritismo deu sucessivamente e em alguns anos todas as bases fundamentais do novo edifício. Cabe agora a seus adeptos por em obra esses materiais, antes de pedir novos. Deus saberá bem lhes  fornecer, quando tiverem completado sua tarefa”.