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quinta-feira, 19 de maio de 2022

SOBRE O ABORTO; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 -"A paciente, no entanto, ficou irredutível. E, com assombro nosso, ante a genitora desencarnada, em pranto, a operação começou, com sinistros prognósticos para nós, que observamos a cena, sensibilizadíssimos. A desordem do cosmo fisiológico acentuou-se, instante a instante. Penosamente surpreendido, prossegui no exame da situação, verificando com espanto que o embrião reagia ao ser violentado, como que aderindo, desesperadamente, às paredes placentárias’. A descrição reproduz os instantes que marcam as ações objetivando a consumação de um aborto clandestino. Pratica que denota a condição de atraso dos habitantes do Planeta volta ao debate depois do retrocesso causado por decisão de um juiz brasileiro recentemente. A leitura do relato do Espírito André Luiz através do médium Chico Xavier no livro NO MUNDO MAIOR (feb), pelo menos a titulo de hipótese merece reflexões. Prossegue o narrador: -“A mente do filhinho imaturo começou a despertar à medida que aumentava o esforço de extração. Os raios escuros não partiam agora só do encéfalo materno; eram igualmente emitidos pela organização embrionária, estabelecendo maior desarmonia. Depois de longo e laborioso trabalho, o entezinho foi retirado afinal... Assombrado, reparei, todavia, que a ginecologista improvisada subtraia ao vaso feminino somente pequena porção de carne inânime, porque a entidade reencarnante, como se a mantivessem atraída ao corpo materno forças vigorosas e indefiníveis, oferecia condições especialíssimas, adesa ao campo celular que a expulsava. Semidesperta, num atro pesadelo de sofrimento, refletia extremo desespero; lamentava-se com gritos aflitivos; expedia vibrações mortíferas; balbuciava frases desconexas. Não estaríamos, ali, perante duas feras terrivelmente algemadas uma à outra? O filhinho que não chegara a nascer transformara- se em perigoso verdugo do psiquismo materno. Premindo com impulsos involuntários o ninho de vasos do útero, precisamente na região onde se efetua a permuta dos sangues materno e fetal, provocou ele o processo hemorrágico, violento e abundante. Observei mais. Deslocado indebitamente e mantido ali por forças incoercíveis, o organismo perispirítico da entidade, que não chegara a renascer, alcançou em movimentos espontâneos a zona do coração. Envolvendo os nódulos da aurícula direita, perturbou as vias do estímulo, determinando choques tremendos no sistema nervosocentral. Tal situação agravou o fluxo hemorrágico, que assumiu intensidade imprevista, compelindo a enfermeira a pedir socorros imediatos, depois de delir, como pôde, os vestígios de sua falta. – Odeio-o! odeio-o! – clamava a mente materna em delírio, sentindo ainda a presença do filho na intimidade orgânica (...) Ambos, mãe e filho, pareciam agora, por dizer mais exatamente, sintonizados na onda de ódio, porque a mente dele, exibindo estranha forma de apresentação aos meus olhos, respondia, no auge da ira: – Vingar-me-ei! Pagarás ceitil por ceitil! Não te perdoarei!... Não me deixaste retomar a luta terrena, onde a dor, que nos seria comum, me ensinaria a desculpar-te pelo passado delituoso e a esquecer minhas cruciantes mágoas... (...) Negas-me o recurso da purificação, mas estamos agora novamente unidos e arrastar-te-ei para o abismo... Condenaste-me à morte e, por isso, minha sentença é igual. Não me deste o descanso, impediste meu retorno à paz da consciência, mas não ficarás por mais tempo na Terra... (...) Vingar-me-ei! Seguirás comigo! Os raios mentais destruidores cruzavam-se, em horrendo quadro, de espírito a espírito. Enquanto observava a intensificação das toxinas, ao longo de toda a trama celular, Calderaro orava, em silêncio, invocando o auxilio exterior, ao que me pareceu. Efetivamente, daí a instantes, pequena turma de trabalhadores espirituais penetrou o recinto. O orientador ministrou instruções. Deveriam ajudar a desventurada mãe, que permaneceria junto da filha infeliz, até à consumação da experiência. Em seguida, o Assistente convidou-me a sair, acrescentando: – Verificar-se-á a desencarnação dentro de algumas horas. O ódio, André, diariamente extermina criaturas no mundo, com intensidade e eficiência mais arrasadoras que as de todos os canhões da Terra troando a uma vez. É mais poderoso, entre os homens, para complicar os problemas e destruir a paz, que todas as guerras conhecidas pela Humanidade no transcurso dos séculos.


Vendo o mundo de hoje, fico pensando por que será que as pessoas’ estão mais egoístas do que há 30 ou 40 anos atrás? (Maurício)


Não temos dúvida de que nestas últimas décadas o mundo mudou muito, Maurício – e mudou muito rapidamente. Em certos aspectos para melhor ( como, por exemplo, o conforto material), mas em outros aspectos, como na convivência, de forma preocupante. Na verdade, há uma relação inversa – e você já deve ter notado isso - entre o conforto e a solidariedade: quanto menos conforto entre as pessoas, mais solidariedade existe entre elas, porque, na hora da necessidade, a solidariedade é uma forma de diminuir a necessidade de todos. Se um barco está afundando, todos se unem para evitar o naufrágio; mas, quando o barco navega tranquilamente, eles começam a se desentender.


Em certas comunidades rurais, onde o desenvolvimento material ainda é muito precário, existe bem mais solidariedade do que nas cidades. Essa é uma condição atual da humanidade. Isso acontece em nosso estágio de desenvolvimento espiritual. Somos Espíritos ainda muito egoístas: pensamos muito em nossas necessidades e interesses, mas muito pouco ou quase nada na necessidade do próximo. Por isso aproveitamos para nos beneficiar ao máximo com a presença das outras pessoas, mas ainda fazemos muito pouco em benefício delas. Ainda não aprendemos a desenvolver o sentimento de coletividade, que Allan Kardec caracterizou como “a mais elevada expressão da caridade”.


Não é difícil entender a psicologia humana. Quando só tínhamos um televisor em casa, toda a família era obrigada se reunir na sala e estudar uma forma para que todos pudessem desfrutar do aparelho, ver seu programa e respeitando o direito do outro de ver o seu. Essa contingência obrigava o pessoal a se reunir, a trocar idéias, a discutir e a dividir – mas todos se mantinham juntos. A partir do momento em que cada um passou a ter a sua própria televisão no seu quarto, acabou o encontro familiar, desfez-se o relacionamento, houve um afastamento e um esfriamento nas relações. E desse modo fica bem mais difícil as pessoas aprenderem a conviver.


O distanciamento entre as pessoas ( que hoje podem dispor de televisão própria, de carro, de moto, de celular, etc.) desenvolveu uma espécie de auto-suficiência e, portanto, de individualismo e egoísmo, onde cada um passa a resolver o seu próprio problema da forma mais cômoda possível, sem precisar recorrer aos demais. Trata-se de um estágio de aparente retroação, em que tivemos de voltar para uma fase anterior de relacionamento, para podermos aprender novamente como repartir e como compartilhar nossas experiências em situações mais confortáveis.


Mais do que nunca, precisamos parar para refletir sobre isso, como você está fazendo. A família, a escola, a religião e as demais instituições sociais, que tem capacidade de organização, precisam envolver as pessoas para discutirem seus relacionamentos. A crise maior está dentro de casa: quando, em casa, as coisas não vão bem, o reflexo acontece bem maior na sociedade. No passado, a que você se refere, só as famílias muito pobres e necessitadas, tinham sérios problemas de relacionamento; hoje, essa situação generalizou, principalmente por causa desse fator conforto. Os primeiros a errar são os pais que, de um modo geral, estão dando muita coisa a seus filhos, sem lhes ensinar a necessidade e a importância de compartilhar.



quarta-feira, 18 de maio de 2022

OPINIÕES IMPORTANTES; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Nos números da REVISTA ESPÍRITA de agosto de 1865 e fevereiro de 1867, Allan Kardec incluiu mensagens do Espírito Lacordaire, que em sua encarnação terminada em 1861, deixou importante obra no âmbito da escola religiosa que servira como sacerdote dominicano. Diante dos textos selecionados para as edições citadas, simulamos uma entrevista virtual sobre temas muito oportunos. Vamos a ela: Como entender a religiosidade de superfície ou o convencionalismo religioso? - “Geralmente os homens são despreocupados e não creem numa religião senão por desencargo de consciência e para não rejeitar completamente suas boas e suaves preces que lhe embalaram a juventude, e que sua mãe lhes ensinou ao pé do fogo, quando a noite trazia consigo a hora de sono. Mas se esta lembrança por vezes se apresenta ao seu espírito, é, na maioria das vezes, com um sentimento de pesar que retornam a esse passado, onde as preocupações da idade madura ainda estavam enterradas na noite do futuro (..). Nem sempre se deve rejeitar como fundamentalmente mau tudo quanto parece manchado de abusos, composto de erros e sobretudo inventado à vontade, para a glória dos orgulhosos e para benefício dos interessados (...). Cabe-vos bem refletir antes de formular o vosso julgamento (...). É possível que numerosos trabalhos dos tempos antigos sejam obras vossas, realizada numa existência anterior. E a sempre presente intolerância religiosa? “A fé cega é o pior de todos os princípios! Crer com fervor num dogma qualquer, quando a sã razão se recusa aceita-lo como uma verdade, é fazer ato de nulidade e privar-se voluntariamente do mais belo de todos os dons que nos concedeu o Criador; é renunciar à liberdade de julgar, ao livre arbítrio que deve presidir a todas as coisas na medida da justiça e da razão”. O que pensar sobre os espíritas e a intolerância religiosa? – “Os Espíritas, antes de tudo, devem ser lógicos com seu ensino e não atirar pedras às instituições e às crenças de outras épocas, apenas porque são de outra época. A sociedade atual necessitou, para ser o que é, que Deus lhe concedesse, pouco a pouco a luz do saber. Não vos cabe, pois, julgar se os meios por ele empregados eram bons ou maus. Não aceitais senão o que vos parece racional e lógico”. Como nos posicionarmos diante da legenda “fora da caridade não há salvação” adotada pelo Espiritismo? – “A caridade é o ato de nossa submissão à Lei de Deus; é o sinal de nossa grandeza moral; é a chave do Céu (...). As coisas do Espírito ou do coração, tem-se dito, tendo um preço infinitamente superior ao das coisas materiais, segue-se que consolar aflições, por boas palavras ou por sábios conselhos, vale infinitamente mais que consolar por socorros materiais (...). Tendes razão se a aflição de que falais tem uma causa moral, se encontra sua razão numa ferida do coração; mas se for a fome, o frio, uma doença, se, numa palavra, são causas materiais que foram provocadas, vossas sábias opiniões chegarão a curá-las? (...). A impossibilidade vos detém. Então como? A caridade não tem limites; é infinita como Deus, de quem emana, e não admite qualquer impossibilidade! Qual a razão das omissões ante as oportunidades de praticar a caridade? - É o egoísmo (...). Podeis enganar o mundo, conseguireis enganar momentaneamente vossa consciência, mas nunca enganareis a Deus. Em cem anos, em mil anos, aparecerás novamente na Terra; sem dúvida aí vivereis, despojados de vossa opulência presente e curvados ao peso da indigência”. Considera válido sacrificar a família em nome da caridade? – “A família, que será dela? Estamos quites com ela desde que socorremos o que se chama pobre? (...). Do momento em que reconheceis a necessidade de vos despojar pelos pobres, trata-se de fazer uma escolha e estabelecer uma hierarquia. Ora, vossas mulheres e vossos filhos são os vossos primeiros pobres; a eles deveis, pois, dar as vossas primeiras esmolas. Numa escala de valores, como ficam os filhos? - “Velais pelo futuro de vossos filhos (...). Mas não lhes ensineis jamais a viver egoisticamente e a olhar como deles tudo o que é de todos. Antes e depois deles, os autores de vossos dias, os que vos alimentaram e guardaram, os que protegeram vossos primeiros passos e guiaram vossa adolescência, vosso pai e vossa mãe, tem direito à vossa solicitude. Depois vem as almas que Deus vos deu em vossos irmãos segundo a carne; depois os amigos do coração; depois todos os pobres, a começar pelos mais miseráveis(...). Evitai sempre favorecer demasiado a uns, com exclusão dos outros. É pela partilha equitativa, ainda, que cumprireis a lei de Deus em relação aos vossos irmãos, que é a lei da solidariedade”.

Recebemos e agradecemos carta de Encarnação Lorite, residente no Bairro Palmital, em Marília. Ela relata o drama comovente de sua vida, as dificuldades pelas quais tem passado e a luta que vem empreendendo por uma vida melhor.


De fato todos nós temos um caminho a percorrer e admiramos o seu. Um poeta espanhol, chamado José Machado, tem um poema chamado “Caminhante”, que começa assim: “Caminhante, não há caminhos; o caminho se faz ao caminhar....” Ele quer dizer que os caminhos da vida não estão previamente traçados; nós é que os traçamos. É como penetrar numa mata virgem, onde vamos abrindo uma picada e andando em frente. Cada um tem um jeito de abrir esse caminho - metas a alcançar, maneira de viver, e escolhe o rumo que lhe parece mais promissor. Alguns caminham mais depressa e fazem grandes progressos; outros rodam em círculos e parecem não sair do lugar.


Às vezes, enquanto estamos abrindo a picada no meio da mata, (como você, Encarnação) encontramos alguém, que nos dá uma notícia sobre o que podemos encontrar mais adiante, ou seja, no futuro. Esse alguém é aquela pessoa, que já subiu numa árvore, que lá de cima percebeu o que está logo à frente: nós não vemos, mas ela foi capaz de divisar alguma coisa mais à frente. Quando avançamos, para nossa surpresa, vamos perceber que ela tinha razão; de fato encontramos algo que ela havia visto. Mas isso só aconteceu porque caminhamos no mesmo rumo que ela indicou; se tivéssemos tomado um rumo diferente, por certo, isso não teria acontecido.


Os fatos de nossa vida não estão determinados, Encarnação, a não ser que não mudemos a maneira de viver; quando mudamos, tudo muda. Se estivermos indo bem e continuarmos assim, vai melhorar mais; porém, se estivermos errando muito e prosseguirmos do mesmo jeito, tudo vai piorar. O que é isso? - é o funcionamento da chamada Lei de Causa e Efeito. N´O EVANGELHO SEGUNDO ESPIRITISMO, capítulo “Bem-Aventurados os Aflitos”, vamos encontrar Kardec comentando sobre as causas de nossas aflições.


Primeiramente, Kardec fala das causas atuais de nossos sofrimentos, ou seja, daquelas que têm origem nesta mesma vida, que decorrem de dificuldades e erros que estamos cometendo atualmente. O segundo tipo de causa é o que decorre de vidas anteriores, de outras encarnações. Repare que Kardec valoriza mais as causas atuais do que as de vidas anteriores? Por quê? Porque as atuais nós podemos modificar; as anteriores, não. Na maioria das vezes não sofremos porque estamos abrindo a picada, mas porque não estamos sabendo como abri-la.


Certo dia, uma jovem perguntou à quase centenária, Cora Coralina: “Você, que já viveu tanto e que também já sofreu tanto, o que acha da vida?” E a simpática poetisa goiana respondeu: “A vida é boa, minha jovem; o importante é saber viver.” Em seguida, ela mostrou quanto é necessário para todos nós aprender com as próprias dificuldades. As pessoas, que só vivem, mas não tiram lições de sua vida, sofrem muito - e sofrem inutilmente. Elas não crescem, não se aperfeiçoam e, por isso mesmo, estão sempre cometendo os mesmos erros e recaindo nos mesmos problemas. Vamos pensar sobre isso. Obrigado, Encarnação, pela sua cartinha. Escreva mais.


Recebemos e agradecemos carta de Encarnação Lorite, residente no Bairro Palmital, em Marília. Ela relata o drama comovente de sua vida, as dificuldades pelas quais tem passado e a luta que vem empreendendo por uma vida melhor.


De fato todos nós temos um caminho a percorrer e admiramos o seu. Um poeta espanhol, chamado José Machado, tem um poema chamado “Caminhante”, que começa assim: “Caminhante, não há caminhos; o caminho se faz ao caminhar....” Ele quer dizer que os caminhos da vida não estão previamente traçados; nós é que os traçamos. É como penetrar numa mata virgem, onde vamos abrindo uma picada e andando em frente. Cada um tem um jeito de abrir esse caminho - metas a alcançar, maneira de viver, e escolhe o rumo que lhe parece mais promissor. Alguns caminham mais depressa e fazem grandes progressos; outros rodam em círculos e parecem não sair do lugar.


Às vezes, enquanto estamos abrindo a picada no meio da mata, (como você, Encarnação) encontramos alguém, que nos dá uma notícia sobre o que podemos encontrar mais adiante, ou seja, no futuro. Esse alguém é aquela pessoa, que já subiu numa árvore, que lá de cima percebeu o que está logo à frente: nós não vemos, mas ela foi capaz de divisar alguma coisa mais à frente. Quando avançamos, para nossa surpresa, vamos perceber que ela tinha razão; de fato encontramos algo que ela havia visto. Mas isso só aconteceu porque caminhamos no mesmo rumo que ela indicou; se tivéssemos tomado um rumo diferente, por certo, isso não teria acontecido.


Os fatos de nossa vida não estão determinados, Encarnação, a não ser que não mudemos a maneira de viver; quando mudamos, tudo muda. Se estivermos indo bem e continuarmos assim, vai melhorar mais; porém, se estivermos errando muito e prosseguirmos do mesmo jeito, tudo vai piorar. O que é isso? - é o funcionamento da chamada Lei de Causa e Efeito. N´O EVANGELHO SEGUNDO ESPIRITISMO, capítulo “Bem-Aventurados os Aflitos”, vamos encontrar Kardec comentando sobre as causas de nossas aflições.


Primeiramente, Kardec fala das causas atuais de nossos sofrimentos, ou seja, daquelas que têm origem nesta mesma vida, que decorrem de dificuldades e erros que estamos cometendo atualmente. O segundo tipo de causa é o que decorre de vidas anteriores, de outras encarnações. Repare que Kardec valoriza mais as causas atuais do que as de vidas anteriores? Por quê? Porque as atuais nós podemos modificar; as anteriores, não. Na maioria das vezes não sofremos porque estamos abrindo a picada, mas porque não estamos sabendo como abri-la.


Certo dia, uma jovem perguntou à quase centenária, Cora Coralina: “Você, que já viveu tanto e que também já sofreu tanto, o que acha da vida?” E a simpática poetisa goiana respondeu: “A vida é boa, minha jovem; o importante é saber viver.” Em seguida, ela mostrou quanto é necessário para todos nós aprender com as próprias dificuldades. As pessoas, que só vivem, mas não tiram lições de sua vida, sofrem muito - e sofrem inutilmente. Elas não crescem, não se aperfeiçoam e, por isso mesmo, estão sempre cometendo os mesmos erros e recaindo nos mesmos problemas. Vamos pensar sobre isso. Obrigado, Encarnação, pela sua cartinha. Escreva mais.



terça-feira, 17 de maio de 2022

SEDUÇÃO FACILITADA PELA CONDIÇÃO EVOLUTIVA; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 - “Muitas vezes, os próprios Espíritos que escolhemos para determinados labores terrestres não resistem à sedução do dinheiro e da autoridade. Sentem-se traídos em suas próprias forças e se entregam, sem resistência, ao inimigo oculto que lhes envenena o coração”. O comentário incluído no importante livro BRASIL, CORAÇÃO DO MUNDO PÁTRIA DO EVANGELHO do Espírito Humberto de Campos, através do médium Chico Xavier, nos auxilia a entender em parte, a razão pela qual grandes personagens do mundo político e social se distanciam dos deveres que a posição ostentada lhes deveria impor socialmente. O fato em questão envolvia na segunda metade do século 18, personalidade ligada à Coroa Portuguesa responsável por decisão que resultou na extinção de importante trabalho social conhecido como Missões desenvolvido no sul do Brasil, levando Espíritos desencarnados ligados à causa a questionar Ismael, líder espiritual da nação brasileira, sobre a drástica decisão. (...) A história da Humanidade registra ascensões espantosas somente explicáveis por ascendentes espirituais, como de Napoleão Bonaparte que, de figura comum, quase inexpressiva no exercito francês, tornou-se Imperador do País ao qual servia. “Um predestinado”, dirão alguns, contudo, a sucessão dos fatos que marcou tal acesso, nos leva a crer ter sido pela interferência e influência de um poder invisível e superior. O caso, por exemplo, da camponesa analfabeta Joana d’Arc que ainda nem bem alcançara a vida adulta, tornou-se líder do exercito francês na luta contra o domínio inglês, na Guerra dos Cem Anos, inspirada e induzida por aqueles que, dos bastidores da evolução cuidavam do desenvolvimento das matrizes genéticas necessárias para o renascimento, séculos depois, dos Espíritos responsáveis pelo Iluminismo, conforme revelação de Chico Xavier, no livro CHICO DE FRANCISCO de Adelino Silveira. Detalhes como estes nos convidam a refletir numa possível orientação da evolução da Humanidade presente no planeta Terra, emanar de outros Planos de Vida. Observando a extraordinária descrição contida no primeiro capítulo do Evangelho do Apóstolo João percebe-se pistas importantes. No versículo três, em se referindo a Jesus, diz que “todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez”, tendo frisado no anterior que “Ele estava no princípio com Deus”, dirimindo dúvidas sobre Jesus e Deus serem os mesmos. Mais à frente no versículo 10, anota que “estava no mundo, o mundo foi feito por ele, e o mundo não o conheceu”. O “mundo” a que se refere deve ser a Terra que se “feito por ele”, portanto, antes do Planeta começar há quatro bilhões e meio de anos a formar-se fisicamente em nossa Dimensão, o coloca num outro Plano existencial, ou se preferirmos, Universo Paralelo. No substancial livro A CAMINHO DA LUZ (feb,1938) do Espírito Emmanuel, recebido mediunicamente nos primeiros lances da chamada Segunda Guerra Mundial, essas cogitações encontram respaldo quando o Benfeitor Espiritual revela resumidamente do ponto de vista do Mundo Espiritual a evolução planetária e de seus habitantes desde os fenômenos que culminaram em sua formação. Nos dados por ele coligidos está explicitada a presença de Jesus como membro àquela época de uma Comunidade de Espíritos Puros, perante os quais assumiu a responsabilidade de orientar e conduzir uma legião de Espíritos capazes de operar a construção de mais uma habitação entre “as muitas moradas da Casa do nosso Pai”. Como, de acordo com a lógica “nada nasce do nada”, bilhões de anos foram necessários para que a espécie humana se viabilizasse no Planeta há apenas duzentos mi anos. Como perante o relógio do Cosmos “um século é um relâmpago na Eternidade” de acordo com afirmação do Espírito da Verdade n’ O LIVRO DOS ESPÍRITOS, os milênios que se seguiram testemunharam as transições de Mundo Primitivo para de Expiação e Provas e, no tempo presente, para de Regeneração.


Eu gostaria de saber quando o Ser humano vai ser capaz de encarar a morte com mais serenidade? A morte sempre existiu e até hoje nós não a aceitamos, mesmo sabendo que ela é inevitável. Não é contraditório isso? ( V.M.L.)


De ponto de vista racional, sim. Evidentemente, não podemos evitar a morte, mas podemos prolongar ao máximo a nossa vida. No livro “O CÉU E O INFERNO”, Allan Kardec trata desse tema, logo nos primeiros dois capítulos, que vale a pena ler. A colocação de Kardec, ali, é tão bem feita ( e considere que essa obra foi lançada em 1865), que vamos reproduzir um trecho Do 2º capítulo, onde ele diz o seguinte:


A crença no futuro é intuitiva e muito mais generalizada do que a crença no nada. Entretanto, a maior parte dos que crêem na imortalidade da alma são muito apegados aos bens terrenos e temerosos da morte. Por quê? Esse temor é um efeito da providência divina e uma consequência do instinto de conservação comum a todos os seres vivos. Ele é necessário enquanto não se está suficientemente esclarecido sobre as condições da vida futura, como contrapeso à tendência que, sem esse freio, nos levaria a deixar prematuramente a vida e a negligencia o trabalho que deve servir ao nosso adiantamento.”


Kardec mostra, aqui – como você percebe - que o medo e a repulsa da morte vêm do instinto de conservação, da necessidade de estarmos sempre defendendo a vida e de precisar viver mais possível na Terra. Por isso não queremos morrer e não queremos que nossos entes queridos morram. Contudo, esse temor e essa repulsa vão assumindo outro aspecto à medida que compreendemos melhor o nosso futuro espiritual, tomando consciência de que a morte não é o fim, mas apenas uma passagem de uma condição para outra. Assim, quem realmente acredita na continuidade da vida, na imortalidade da alma, (mas quem tem realmente convicção disso) mesmo não querendo partir e mesmo sofrendo a partida de entes amados, vai, com certeza, absorver melhor essa realidade inevitável.


Para libertar-se do temor da morte – diz Allan Kardec – é necessário encará-la no seu verdadeiro ponto de vista, isto é, ter penetrado no pensamento do mundo espiritual, fazendo dele uma idéia tão exata quanto possível, o que denota da parte do encarnado um tal ou qual desenvolvimento e aptidão para desprender-se da matéria.” E completa: “À medida que o homem compreende melhor a vida futura, o temor da morte diminui, uma vez que, esclarecida a sua missão na Terra, espera por esse momento com calma, resignação e serenidade. A certeza na vida futura lhe dá outro rumo às ideias, outro objetivo ao trabalho...”



segunda-feira, 16 de maio de 2022

KARDEC E AS REVELACOES ESPIRITUAIS; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

Conselhos estapafúrdios, revelações espantosas, opiniões intrigantes tornam-se comum em trabalhos práticos ou literários que circulam no meio espírita ou não atualmente. Abrindo o número de agosto de 1858 da REVISTA ESPIRITA, Allan Kardec reproduziu extenso artigo de sua autoria intitulado “Contradições na Linguagem dos Espíritos”, contendo ponderações do Codificador extremamente importantes em face da grande quantidade de “revelações” contidas em obras mediúnicas publicadas atualmente. Na avaliação exposta, pondera: -“As contradições encontradas tão frequentemente na linguagem dos Espíritos, mesmo sobre questões essenciais, para algumas pessoas foram até aqui uma causa de incerteza quanto ao valor real de suas comunicações, circunstância da qual não deixam os adversários de tirar partido. À primeira vista essas contradições parecem realmente uma das principais pedras de tropeço da Ciência Espírita. Vejamos se tem elas a importância que lhes emprestam. Perguntaremos, de início, qual a Ciência que não teve, em seus primórdios, semelhantes anomalias. Qual o sábio que, nas suas investigações, não foi algumas vezes confundido por fatos que aparentemente contradiziam as regras estabelecidas? Se a Botânica, a Zoologia, a Fisiologia, a Medicina, e a nossa própria língua não nos oferecem milhares de exemplos semelhantes e se suas bases desafiam qualquer contradição? É comparando os fatos, observando as analogias e as dessemelhanças que, pouco a pouco, se chegam a estabelecer as regras, as classificações, os princípios: numa palavra, a constituir a Ciência”. Mais à frente, acrescenta: -“A princípio, fez-se uma ideia absolutamente falsa da natureza dos Espíritos. Foram imaginados como seres à parte, de natureza excepcional, nada possuindo em comum com a matéria e devendo saber tudo. Eram, conforme opinião pessoas, seres benfeitores ou malfeitores, uns com todas as virtudes, outros com todos os vícios e todos, em geral com um saber infinito, superior ao da Humanidade (...). Quem poderia dizer o número dos que sonharam fortuna fácil pela revelação de tesouros ocultos, pelas descobertas industriais ou científicas que não custariam aos inventores mais que o trabalho de fazer uma descrição ditada pelos sábios do outro Mundo! Só Deus sabe quantos fracassos e desilusões. Quantas pretensas receitas, cada qual mais ridícula, não foram dadas pelos charlatões do Mundo Invisível!. Conhecemos alguém que pediu uma receita infalível para pintar os cabelos. Foi-lhe dada uma fórmula de composição cerosa, que reduziu a cabeleira a uma espécie de massa compacta, da qual o paciente teve um trabalho imenso para se livrar (...). A escala espírita, traçada pelos próprios Espíritos e conforme a observação dos fatos, dá-nos a chave de todas as anomalias aparentes da linguagem dos Espíritos. É preciso chegar, pela força do hábito, a conhecê-los, por assim dizer, à primeira vista e poder identificar-lhes a classe conforme a natureza de suas manifestações”. Esclarece que “os Espíritos sérios não se contradizem nunca: sua linguagem é a sempre a mesma com as mesmas pessoas (...). Finalizando o esclarecedor texto, Kardec escreveu: - “As causas das contradições na linguagem dos Espíritos podem, pois, ser assim resumidas: 1- O grau de ignorância ou de saber dos Espíritos aos quais nos dirigimos; 2- O embuste dos Espíritos inferiores que podem, por malícia, ignorância ou malevolência tomando um nome por empréstimo, dizer coisas contrárias às que alhures foram ditas pelo Espírito cujo nome usurparam; 3- As falhas pessoais do médium, que podem influir sobre as comunicações, alterar ou deformar o pensamento do Espírito; 4- A insistência por obter uma resposta que um Espírito recusa dar, e que é dada por um Espírito inferior; 5- A própria vontade do Espírito, que fala conforme o momento, o lugar e as pessoas e pode julgar conveniente nem tudo dizer a toda gente; 6- A insuficiência da linguagem humana para exprimir as coisas do mundo incorpóreo; 7- A interpretação que cada um pode dar a uma palavra ou a uma explicação, de acordo com as suas ideias, os seus preconceitos ou o ponto de vista sob o qual encara o assunto. São outras tantas dificuldades, das quais não se triunfa a não ser por um estudo longo e assíduo. Também nunca dissemos que a Ciência espírita fosse fácil. O observador sério, que tudo aprofunda maduramente, com paciência e perseverança, aprende uma porção de nuanças delicadas, que escapam ao observador superficial. É por tais detalhes íntimos que ele se inicia nos segredos desta ciência. A experiência ensina a conhecer os Espíritos, como nos ensina a conhecer os homens”.


 “Jesus disse: honrai pai e mãe.” Sobre isso, Cristiano Ricardo Alves, de Vera Cruz, faz a seguinte pergunta: o que dizer de um filho, que depende dos pais, que foi beneficiado por eles, e que os critica construtivamente de maneira enérgica? “


Disseram os Espíritos a Kardec que “o bem é sempre o bem e o mal é sempre o mal”. Nada impede que um filho critique seus pais, quando esses não estão pautando por uma conduta reta, principalmente se pode ajudá-los a não cometer erros e se comprometerem moralmente. Uma coisa é a dependência e a outra é o respeito.


O fato de o filho ser dependente financeiramente dos pais não quer dizer que ele não possa falar em nome da verdade e da justiça, ainda que desagradando os pais. Além disso, é melhor ser repreendido pelo filho do que por estranhos. O que o filho não deveria fazer é faltar com respeito e muito menos fazer algo que possa prejudicá-los.


Honrar pai e mãe não é simplesmente agradá-los, mas é fazer de tudo para dignificá-los e defendê-los moralmente. Assim como os pais devem agir com energia em relação aos filhos, sempre que esses estiverem errados, também os filhos ( que podem ser Espíritos até mais esclarecidos que os pais) podem ajudá-los no caminho do bem, da verdade e da justiça.


domingo, 15 de maio de 2022

QUEM SABE AJUDASSE NO DIAGNÓSTICO, EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

–“Como as individualidades as Pátrias surgem no cenário das Civilizações, com funções definidas (...). Também às Nações é conferido, do Alto, o direito de agir, no caminho das decisões de natureza coletiva”. As revelações fazem parte de uma mensagem escrita pelo Espírito Emmanuel através de Chico Xavier e incluída no livro hoje quase desconhecido intitulado COLETÂNEA DO ALÉM (lake, 1945). E disse mais: -“Com o advento do Cristo, um roteiro novo e definitivo: O Evangelho, com a simplificação de todas as estradas das criaturas humanas (...). Mas a Civilização Ocidental não soube guardar as valorosas virtudes de seus antepassados (...). Novas missões coletivas foram dadas às nacionalidades do Globo que se entregaram à sinistra embriaguez do imperialismo e da ambição, fazendo jus às mais dolorosas expiações”, aditando: -“ É por isso que, multiplicando-se em atividades, o Mundo Espiritual, sob a determinação do Divino Mestre, transplantou para a América a árvore maravilhosa da Fraternidade e da Paz, a cuja sombra cariciosa e divina, vamos encontrar o Brasil, sob a luz do Cruzeiro, desempenhando a tarefa santificadora de Pátria do Evangelho”. Setenta anos se passaram e os céticos com razão encontram muitos argumentos contrários ao afirmado pelo Orientador Espiritual. No quase desacreditado livro BRASIL, CORAÇÃO DO MUNDO PÁTRIA DO EVANGELHO (feb, 1938), numa resposta dada pelo Espírito responsável pela evolução espiritual do País a lideres religiosos que o procuraram no Plano Espiritual em busca de explicações sobre as decisões que culminaram na destruição do projeto conhecido como Missões que procurava auxiliar a população indígena a se tornar autossuficiente, alguns elementos para mais reflexões: -“Muitas vezes, os próprios Espíritos que escolhemos para determinados labores terrestres não resistem à sedução do dinheiro e da autoridade. Sentem-se traídos em suas próprias forças e se entregam, sem resistência, ao inimigo oculto que lhes envenena o coração. Deixai aos déspotas da Terra a liberdade de agir sob o império da sua prepotência. Por mais que operem dentro de suas possibilidades no Plano Físico, a vitória pertencerá sempre a Jesus”. A situação observada na atualidade não nasceu recentemente. Em 1935, em pleno período ditatorial conhecido como Estado Novo, o Espírito do ex-presidente, Nilo Peçanha, em duas mensagens psicografadas pelo médium Chico Xavier e inseridas na coletânea transformada no livro PALAVRAS DO INFINITO (lake, 1936), comentaria: -“País essencialmente agrícola, o Brasil tem de voltar suas vistas para sua imensa extensão territorial, multiplicando os conselhos técnicos da agricultura, velando carinhosamente pelos seus problemas”. lamentando: -“Esses problemas grandiosos tem sido relegados a um plano inferior pelos nossos administradores (1935), os quais, infelizmente, arraigados aos sentimentos de personalismo vivem apenas para as grandes oportunidades”, e, prognosticando:-“Faz-se necessário melhorar as condições das classes operárias antes que elas se recordem de o fazer, segundo suas próprias deliberações, entregando-se à sanha de malfeitores que, sob as máscaras da demagogia e a pretexto de reivindicações, vivem no seu seio para explorar os entusiasmos vibrantes que se exteriorizam sem objeto definido”. Das observações feitas há 80 anos, servem-nos ainda: -“Seria preciso criarmos um largo movimento de brasilidade, não para a arte balofa dos dias atuais que aí correm de bandeirolas ao vento (...), um sentimento essencialmente brasileiro, saturado de nossas realidade e necessidades inadiáveis” .(...).“Infelizmente tivemos a fraqueza de nos apaixonarmos pelas teorias sonoras, acalentando os homens palavrosos, conduzindo-os aos poderes públicos; endeusando-os, incensando-os com a nossa injustificável admiração, olvidando homens de ação, de energia, que aí vivem isolados, corridos dos gabinetes da administração nacional, em virtude de sua inadaptabilidade às lutas da política do oportunismo e das longas fileiras do afilhadismo que vem constituindo a mais dolorosa das calamidades públicas do Brasil. (...) E embora se referindo à terceira década do século passado, encontramos ressonância no presente: -“No Brasil sobram as regalias politicas e as liberdades públicas.


Nós somos em três irmãs e eu sou a mais velha. Não vou à casa de meus pais, sem que haja discussão, principalmente com minha mãe. Quando eu era adolescente, eles me vigiavam passo a passo. Por isso, casei cedo e muito cedo tive filhos e nem pude gozar direito minha adolescência. Não é o que acontece com minha irmã mais nova; ela faz o que quer e, por isso só dá problema. Mas meus pais não se cansam de defendê-la... ( Anônima, por e-mail)


Não é difícil entender a sua situação. Embora você não nos tenha passado mais dados, pressupomos que, entre você e sua irmã mais nova, há um bom espaço de anos. Por isso, o que vamos dizer aqui não é novidade, mas fica como ponto de reflexão. Nestes últimos anos houve uma profunda mudança no comportamento dos jovens e, com certeza, também nas atitudes dos pais e nas relações familiares em geral. Não sabemos sua idade, mas tudo nos leva a crer que, quando você estava na adolescência, ainda vivíamos num regime mais fechado, muito mais exigente em relação aos filhos.


Não são apenas as crianças e os jovens que mudam; os adultos também mudam e, com certeza, você também pode mudar seu ponto de vista em relação a este problema. Com as grandes transformações sociais, decorrentes do progresso tecnológico, principalmente, a família vem sendo forçada a mudar sua postura em relação ao controle dos filhos, apesar de oferecer resistência. Seus pais, quando você era adolescência, não são os mesmos hoje, e nem poderiam ser. Não queremos dizer que eles não tenham cometido erros ( erros, todos cometemos), mas certamente tiveram que ir cedendo à pressão social, razão por que a forma como procuram cuidar de sua irmã não é tão rígida como no seu tempo. Você, que tem filhos, sabe de que estamos falando... e se tiver filha adolescente saberá mais ainda.


Também não estamos defendendo a excesso de liberdade que os jovens de hoje estão buscando, a despeito da resistência dos pais. Não podemos compactuar com a rresponsabilidade e com a libertinagem. Mas, as coisas mudaram muito. Sua reação é de inconformação diante do que vê hoje e do que viveu ontem, mas nós sabemos, pela Doutrina Espírita, que tudo tem uma razão de ser. Não foi por acaso que você nasceu primeiro que suas irmãs, tampouco foi por acaso que recebeu a educação mais rígida. Do ponto de vista espiritual e, diante dos problemas que você diz estão acontecendo, você levou vantagem. Talvez tenha pedido para vir antes justamente para ter uma educação mais rígida ou, então, com receio de que pudesse se envolver em dificuldades que não teria condições de enfrentar.


Entendemos bem isso, pela lei da reencarnação. No entanto, você não se referiu à irmã do meio; talvez porque ela não tenha os problemas da mais nova – e esse é um caso para ser visto parte. Mas ficou um pouco de indignação de sua parte em relação aos seus pais, coisa que não tem razão ser e que você deveria esquecer, compreendendo também os motivos que eles têm para agir como estão agindo. Você deveria ajudá-los. Os pais – e principalmente as mães – são sempre mais solidários com os filhos que dão mais preocupação, que se envolvem mais em problemas. E isso é natural. Procure no evangelho e leia com muita atenção a Parábola do Filho Pródigo. E veja que conclusão você tirar dessa parábola.


sábado, 14 de maio de 2022

NÃO É PERDA DE TEMPO; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Conhecido apresentador e humorista da televisão brasileira, em recente programa de entrevistas dedicado a ele, questionado sobre o que pensa sobre a morte, respondeu “que nada, considerando ser uma perda de tempo este tipo de preocupação visto ela representar o fim”. Reconhecido por sua inteligência e cultura, a personalidade tipifica a maior porcentagem da intelectualidade do nosso mundo, focado exclusivamente na realidade material. Na verdade, o interesse pela morte não deve se transformar em prioridade nas cogitações dos seres humanos, mas, sim, o seu significado no contexto da vida, cuja finalidade, por sinal, deveria merecer reflexões mais amplas e profundas em face da multiplicidade de informações a respeito disponíveis na atualidade. Lamentavelmente tal assunto só é pensado quando o afastamento da “zona de conforto” leva as pessoas a tentar entender os “porquês”. O grande educador oculto no pseudônimo Allan Kardec, escreveu interessante texto incluído na edição da REVISTA ESPÍRITA, de julho de 1862, adequado para dissipar a ignorância dominante sobre o sentido da vida, a razão de vivermos, a partir das revelações de que foi Codificador, apresentando a proposta conhecida como Espiritismo. Diz ele: -“A vida corpórea é necessária ao Espírito, ou à alma, o que é a mesma coisa, para que possa realizar neste mundo material as funções que lhe são designadas pela Providência: é uma das engrenagens da harmonia Universal. A atividade que é forçado a desenvolver nas funções que exerce sem o suspeitar, crendo agir por si mesmo, ajuda o desenvolvimento de sua inteligência e lhe facilita o adiantamento. A felicidade do Espírito na vida espiritual é proporcional ao seu progresso e ao bem que pôde fazer como homem, do que resulta que, quanto maior importância adquire a Vida Espiritual aos olhos do homem, mais sente este a necessidade de fazer o que é necessário para se garantir o melhor possível. A experiência dos que viveram vem provar que uma vida terrena inútil ou mal empregada não tem proveito para o futuro, e que aqueles que não buscam aqui senão as satisfações materiais as pagam muito caro, que por sofrimentos no Mundo dos Espíritos, que pela obrigação em que se acham de recomeçar sua tarefa em condições mais penosas que as do passado, e tal é o caso dos que sofrem na Terra. Assim, considerando as coisas deste mundo do ponto de vista extracorpóreo, longe de ser estimulado à despreocupação e à ociosidade, o homem compreende melhor a necessidade do trabalho. Partindo do ponto de vista terreno, essa necessidade é uma injustiça aos seus olhos, quando se compara aos que podem viver sem nada fazer: tem-lhes ciúmes e inveja. Partindo do ponto de vista espiritual, essa necessidade tem uma razão de ser, uma utilidade, e ele a aceita sem murmurar, pois compreende que sem o trabalho ficará indefinidamente na inferioridade e privado da facilidade suprema a que aspira e que não poderá alcançar se se não desenvolver intelectual e moralmente. A esse respeito parece que muitos Monges compreendem mal o objetivo da Vida Terrena e, ainda menos, as condições da vida futura. Pelo isolamento, privam-se dos meios de se tornarem uteis aos seus semelhantes e muitos dos que se acham no Mundo dos Espíritos confessam-nos que se enganaram redondamente e que sofrem as consequências de seu erro. Tal ponto de vista tem para o homem outra enorme consequência imediata: tornar mais suportáveis as tribulações da vida. É muito natural, e ninguém o proíbe de procurar o bem-estar e a sua existência terrena ser o mais agradável possível. Mas, sabendo que aqui está apenas momentaneamente, que um futuro melhor o aguarda, pouco se atormenta com as decepções que experimenta; e, vendo as coisas do alto, recebe os revezes com menor amargor; fica indiferente às embrulhadas de que é vítima, por parte dos ciumentos e invejosos; reduz a seu justo valor os objetos de sua ambição e coloca-se acima das pequenas suscetibilidades do amor-próprio.


Quando dou esmola, fico pensando no que os mendigos vão fazer com o dinheiro. Prefiro dar um prato de comida ou um pedaço de pão. Eu não gosto de negar a uma pessoa abandonada, mas quase sempre nego. É que eles sempre dizem que é pra comer, que estão com fome, que foram abandonados. Fazem isso para comover a gente – todo mundo sabe. Mas, na verdade, a maioria deles usa a esmola para beber, porque muitos, quando vêm pedir, já estão bêbados. Como é que a gente deve agir nesse caso? É válido dar dinheiro a uma pessoa que a gente sabe que vai beber? Não estamos prejudicando ao invés de ajudar?


Esse é um quadro bem complicado. A mendicância, infelizmente, faz parte de nosso quadro social, desafiando a sociedade e seus administradores. Nunca houve solução definitiva para isso. Não sabemos o que levou a pessoa a chegar naquela situação. Muitas vezes, a principal causa está nela mesma; de um modo geral, na família e na própria sociedade, quase sempre indiferente à sorte dos abandonados,. Além do que, se fizéssemos um estudo mais aprofundado do problema, descobriríamos que grande parte dessas pessoas ( na grande maioria, homens) são doentes ou deficientes mentais.


Há inúmeras tentativas para administrar o problema, através de iniciativas particulares ou do poder público. Aqui mesmo, em Garça, temos há muito tempo o SAPROMI, que ajuda, mas não resolve. É que o problema é por demais complexo: na verdade; talvez precisasse de toda a coletividade unida, e além disso, de pessoas que se posicionassem em torno de algo que transcende às meras soluções técnicas e administrativas. Sem respeito humano e muita compreensão, não há como atacar o problema.


Dar ou não dar esmola é uma questão pessoal. Os Espíritos disseram a Kardec que a esmola degrada a pessoa; e é verdade... Mas, diante da situação em que vivemos, muitas vezes, não nos resta outra alternativa senão nos render a um pedido... Se você não dá, fica questionando a si mesma se não devia ter dado; se dá, questiona se a esmola vai ser bem empregada ou se não alimentando ainda mais a condição da criatura. Na verdade, quando damos algo a alguém, não deveríamos questionar nada, porque o nosso compromisso moral encerra ali, no ato de dar. O que a pessoa vai fazer com o dinheiro é problema dela, e é ela que cabe decidir.


Quanto à mentira, podemos considerar que um mendigo - que já consolidou sua condição de pedinte - com certeza, não convive mais com os nossos valores morais. Verdade ou mentira tem pouca importância para ele. Ele vive num submundo, numa condição sub-humana, onde não há respeito nem por si mesmo, quanto mais pelos outros. Para quem precisa sobreviver aquele dia, o objetivo é a sobrevida, nada mais; não há nenhuma perspectiva de futuro Daí não podermos exigir que uma pessoa, que vive num mundo de degradação, sem auto-estima, esteja em condições de entender a nossa linguagem ou de seguir os preceitos que proclamamos.


Quanto à bebida, cara ouvinte, não há nada mais natural – nem para nós, nem para qualquer outro ser humano – que buscar forças e coragem para enfrentar os problemas da vida. Nós, as pessoas engajadas na sociedade moderna – que temos família, amigos, lideres religiosos, médicos e psicólogos - nos refugiamos nos tranqüilizantes e nos ansiolíticos. Alguns se tornam dependentes do álcool ou de drogas. Mas, eles – os marginalizados à vida social – vão buscar seu refúgio em quê? Como terão condições de encarar a sua própria situação diante de tudo e diante de todos? Onde vão buscar forças, coragem, para continuarem enfrentando a rejeição da sociedade? Não é difícil entender essa triste situação...



As pessoas, que se entregam à mendicância, com certeza, são Espíritos muito necessitados de consideração, de atenção e de afeto. Abandonaram-se a si mesmos, pois não cultivam nossas aspirações, não tem nossos sonhos e tampouco se identificam conosco. O autodesprezo, é a condição mais difícil em que uma pessoa pode chegar: ela precisa aprender novamente a ser humano. Eis a grande dificuldade. Qual seria, então,o nosso papel?



sexta-feira, 13 de maio de 2022

CRISTO - VISÃO AMPLIADA AS RESPOSTAS; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Lacordaire, cujo nome completo é Jean Baptiste-Henri Dominique Lacordaire, é autor de mensagens de conteúdo significativo, incluídas por Allan Kardec em várias edições da REVISTA ESPÍRITA e três n’ O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO. Considerado como um precursor do catolicismo moderno, foi Padre, jornalista, educador, deputado e acadêmico. Advogado aos 22 anos, ordenado Sacerdote aos 26, aos 28 passa a colaborar no jornal diário católico L’AVENIR, periódico que defende a liberdade religiosa e de ensino, defendendo também a separação da Igreja do Estado. Atraído pela Ordem Dominicana suprimida pela Revolução Francesa, Lacordaire assume, em 1830, o projeto de restabelecê-la na França, especialmente pela missão da mesma que era o de pregar e ensinar, bem como pelas regras de funcionamento, visto que todas as autoridades internas dos dominicanos se baseiam em estruturas democraticamente eleitas e com mandatos previamente limitados temporalmente. No mesmo ano, foi eleito, aos 29 de idade, para o parlamento francês, destacando-se pelos discursos inflamados em defesa da liberdade de expressão e de associação, provocando fortes reações entre os adversários. Escolhido para a Academia Francesa, apenas proferiu seu discurso de aceitação, desencarnando pouco depois, em 1861, aos 59 anos. Já no ano de 1862, ressurge em Paris, através da mediunidade, ofertando sua contribuição sobre temas importantes nas obras básicas do nascente Espiritismo. Uma delas curiosamente seria inserida na edição de fevereiro de 1868 da REVISTA ESPÍRITA, numa coletânea com que Kardec compôs a seção Instruções dos Espíritos. Com um conteúdo revelador, Lacordaire diz o seguinte: -“Eis uma pergunta que se repete por toda a parte: O Messias anunciado é a pessoa mesma do Cristo? Perto de Deus estão numerosos Espíritos chegados ao topo da escada dos Espíritos puros, entre eles seus enviados superiores, encarregados de missões especiais. Podeis chama-los Cristos: é a mesma escola; são as mesmas ideias modificadas conforme os tempos. Não fiqueis, pois, admirados de todas as comunicações que vos anunciam a vida de um Espirito poderoso sob o nome do Cristo; é o pensamento de Deus revelado numa certa época, e que é transmitido pelo grupo dos Espíritos Superiores que se aproximam de Deus e recebe as suas emanações para presidir ao futuro dos Mundos que gravitam no Espaço. O que morreu na cruz tinha uma missão a cumprir, e essa missão se renova hoje por outros Espíritos desse grupo divino, que vem, eu vo-lo repito, presidir aos destinos do vosso mundo. Se o Messias de que falam essas comunicações não é a personalidade de Jesus, é o mesmo pensamento. É aquele que Jesus anunciou, quando disse: -‘Eu vos enviarei o Espírito de Verdade, que deve restabelecer todas as coisas’, isto é, reconduzir os homens à sã interpretação de seus ensinamentos, porque previa que os homens se desviariam do caminho que lhes havia traçado. Aliás, era necessário completar o que então não lhes havia dito, porque não teria sido compreendido. Eis porque uma multidão de Espíritos de todas as ordens, sob a direção do Espírito de Verdade, vieram a todas as partes do mundo e a todos os povos, revelar as leis do Mundo Espiritual, cujo ensino Jesus havia adiado e lançar, pelo Espiritismo, os fundamentos da nova ordem social. Quando todas as suas bases estiverem postas, então virá o Messias que deve coroar o edifício e presidir à reorganização com o auxílio dos elementos que tiverem sido preparados. Mas não creiais que esse Messias esteja só; haverá muitos que abraçarão, pela posição que cada um ocupará no Mundo, as grandes partes da ordem social: a politica, a religião, a legislação, a fim de as fazer concordar com o mesmo objetivo. Além dos Messias principais, surgirão Espíritos de escol em todas as partes do detalhe e que, com lugares-tenentes animados da mesma fé e do mesmo desejo, agirão de comum acordo, sob o impulso do pensamento superior. Assim é que, pouco a pouco, estabelecer-se-á a harmonia do conjunto; mas é necessário, previamente, que se realizem certos acontecimentos”.


O Espiritismo tem alguma oração que ajude a achar um emprego? (M.F.L.)


A crença popular espalhou durante milênios que a oração tem um poder mágico, dependendo das palavras que proferimos. Por isso, é comum chegar ao nosso conhecimento certas orações encomendadas que, segundo a crença, teriam efeitos especiais na solução de determinados problemas. Na verdade, prezada ouvinte, toda e qualquer oração tem de fato um poder, mas não por causa das palavras e, sim, por causa do sentimento da pessoa que a profere.


No seu tempo, Jesus já observava com muita atenção o que as pessoas para ter contato com Deus. De preferência, elas jejuavam, submetiam a vários sacrifícios, iam à sinagoga ou ao Templo de Jerusalém, levando suas ofertas para depositá-las ante o altar. Os fariseus, por sua vez, costumavam usar longas vestes, roupas especiais que chamavam a atenção, proferiam longas orações, entoavam hinos e louvores em praça pública. Mas, quando Jesus ensinou a orar, ele não se referiu a nada disso. Pelo contrário, ele simplificou a forma e deu toda importância ao sentimento. Foi quando ensinou o Pai Nosso, uma prece curta e simples, que qualquer pessoa podia fazer, em qualquer momento ou em qualquer lugar.


Ele ensinou que o Pai está em todos os lugares, principalmente no coração do homem humilde e sincero. Qualquer pensamento bom, qualquer idéia elevada, qualquer sentimento nobre, qualquer ato de bondade, já é, em si, uma prece. Por isso, o que devemos saber preservar é a pureza de sentimentos e de propósitos. A verdadeira oração, conforme Jesus ensinou, não é reconhecida pela sua forma, pela pompa ou pelo cerimonial com que é conduzida. Ela é reconhecida pelo sentimento de quem a profere. Este sim, o sentimento, é o caminho que nos une a Deus, e faz com que nos sintamos fortalecidos na prece. Do ponto de vista de Jesus, qualquer um pode orar.


Logo, caro ouvinte, o que podemos lhe dizer é que procure alimentar seu coração de confiança: em Deus e em si mesmo. Faça suas preces, como você sabe fazer, mas procure imprimir ao seu pensamento um sentimento elevado, onde o amor seja o principal ingrediente. Sem mágoas ou rancores, deseje o bem para o próximo ( para aquele outro que também está sem emprego), tanto quanto você deseja para si mesmo. Faça o bem que possa e seja humilde para merecer ajuda. Você verá, então, que seu caminho se tornará mais seguro e uma voz anterior lhe indicará os meios pelos quais você vai alcançar sua grande meta.


quinta-feira, 12 de maio de 2022

ESCRAVIDÃO; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 O calendário histórico do Brasil registra o dia 13 de maio como a data da assinatura da Lei que libertou os escravos. No lado Ocidental da Terra, por sinal, foi a última das Nações a fazê-lo (1888) ao lado de Cuba (1886). O monitoramento das atividades humanas em torno do trabalho, contudo, revela que ela ainda existe em várias partes do Planeta, demonstrando o nível de evolução precário dos habitantes da Terra. Existe de várias formas explorando a mão de obra desde crianças até adultos, homens e mulheres. Prostituição infantil, feminina, tráfico de drogas, confecção de roupas e calçados, produtos manufaturados comercializados, em todos os Países, independentemente do seu grau de desenvolvimento econômico. Dados de 2014 estimam que 36 milhões de seres humanos são explorados em sua força de trabalho, mantidos em cativeiro contra sua vontade sem que tais indivíduos tenham condição de se libertar a não ser ocasionalmente através de fugas espetaculares. Calcula-se que o Brasil foi de longe o que mais recebeu escravos trazidos da África: mais de 5 milhões embora pouco mais de 4 milhões tenham chegado vivos durante os três séculos em que a prática perdurou. Quando do surgimento do Espiritismo (1857), a prática ainda resolvia os problemas da mão de obra nas regiões mais desenvolvidas do Planeta, fazendo com que o tema bastante incômodo para os detentores do poder econômico. Nas quatro perguntas (829 a 832) formuladas por Allan Kardec aos Espíritos que o assessoraram na organização d’ O LIVRO DOS ESPÍRITOS oferecem elementos para várias reflexões sobre o problema, infelizmente, ainda não resolvido Confirmemos: 1- Haverá homens que estejam, por natureza, destinados a ser propriedades de outros homens? É contrária à lei de Deus toda sujeição absoluta de um homem a outro homem. A escravidão é um abuso da força. Desaparece com o progresso, como gradativamente desaparecerão todos os abusos. É contrária à Natureza a lei humana que consagra a escravidão, pois que assemelha o homem ao irracional e o degrada física e moralmente. 2- Quando a escravidão faz parte dos costumes de um povo, são censuráveis os que dela aproveitam, embora só o façam conformando-se com um uso que lhes parece natural? O mal é sempre o mal e não há sofisma que faça se torne boa uma ação má. A responsabilidade, porém, do mal é relativa aos meios de que o homem disponha para compreendê-lo. Aquele que tira proveito da lei da escravidão é sempre culpado de violação da lei da Natureza. Mas, aí, como em tudo, a culpabilidade é relativa. Tendo-se a escravidão introduzida nos costumes de certos povos, possível se tornou que, de boa-fé, o homem se aproveitasse dela como de uma coisa que lhe parecia natural. Entretanto, desde que, mais desenvolvida e, sobretudo, esclarecida pelas luzes do Cristianismo, sua razão lhe mostrou que o escravo era um seu igual perante Deus, nenhuma desculpa mais ele tem. 3- A desigualdade natural das aptidões não coloca certas raças humanas sob a dependência das raças mais inteligentes? Sim, mas para que estas as elevem, não para embrutecê-las ainda mais pela escravização. Durante longo tempo, os homens consideram certas raças humanas como animais de trabalho, munidos de braços e mãos, e se julgaram com o direito de vender os dessas raças como bestas de carga. Consideram-se de sangue mais puro os que assim procedem. Insensatos! Nada veem senão a matéria. Mais ou menos puro não é o sangue, porém o Espírito. 4- Há, no entanto, homens que tratam seus escravos com humanidade; que não deixam lhes falte nada e acreditam que a liberdade os exporia a maiores privações. Que dizeis disso? Digo que esses compreendem melhor os seus interesses. Igual cuidado, dispensam aos seus bois e cavalos, para que obtenham bom preço no mercado. Não são tão culpados como os que maltratam os escravos, mas, nem por isso deixam de dispor deles como de uma mercadoria, privando os do direito de se pertencerem a si mesmos.


Por que no centro espírita não se canta, como nas igrejas? A música não faz bem à alma? (Adriana)


A música, com absoluta certeza, faz bem à alma, mas ela tem seu lugar próprio quando se trata de manter atitudes de respeito ou veneração. Os espíritas costumam utilizar a música cantada, individualmente ou em coro, sobretudo nas festas, comemorações e atividades recreativas. Na hora da prece, eles utilizam um fundo musical orquestrado com uma música adequada à meditação. Não, porém, na oração, pois um dos objetivos da doutrina é não utilizar rituais, para que as pessoas não se prendam a eles e fiquem totalmente dependente deles.


A forma mais adequada de orar é o recolhimento íntimo através da concentração do pensamento. É o que fez Jesus: no evangelho, aprendemos com Jesus o modo simples e prático de orar – sem adornos, sem rituais, sem qualquer outro apetrecho. Prece é pensamento. Consulte os evangelhos e veja como Jesus orava e como ele ensinava a orar. No entanto, ele criticou os fariseus, que oravam em voz alta em praça pública, vestindo longas túnicas e fazendo barulho para chamar a atenção.


Jesus, contudo, ao ensinar a oração, fez a seguinte recomendação: “Quando quiseres orar, entra no teu quarto e, fechada a porta, ore a vosso Pai em silêncio e ele, que sabe o que se passa em silêncio, te recompensará”. Do modo como ele destacouou a prece, toda e qualquer pessoa pode orar em qualquer lugar ou a qualquer momento, sem precisar de nada – a não ser de seu pensamento e de sua vontade. Nem mesmo a palavra falada é indispensável na prece. Se você puder orar em pensamento, tanto melhor. Ninguém precisa saber.


O Espiritismo entende que a forma mais simples e fácil de se comunicar com Deus é a prece, quando é sentida e não quando é apenas pronunciada. A prece não precisa ser ruidosa, não precisa ser longa e tampouco precisa de ornamento ou ritual. No entanto, uma música suave e baixa pode favorecer a concentração, pois todos nós somos muito sensíveis à musica, mas devemos usá-la de acordo com as circunstâncias e com o meio onde nos encontramos. O razão pela qual a doutrina não aconselha o ritual na adoração, portanto, é porque, geralmente, as pessoas acabam se apegando somente ao ritual, fazendo dele um fim e não um meio – e com isso desviam totalmente o sentido da oração.