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quarta-feira, 5 de outubro de 2022

CHICO XAVIER E DOIS EX-PRESIDENTES; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Embora poucos saibam, no incrível acervo de mensagens recebidas pelo médium Chico Xavier, consta a de dois ex-Presidentes do Brasil. A primeira delas, quando Chico não era a figura pública de décadas depois. Era um rapaz de apenas 25 anos, muito tímido e pobre, baixa escolaridade, vivendo na sua terra natal e trabalhando como atendendo no modesto estabelecimento comercial do senhor Zé Felizardo. Corria o ano de 1935, nosso País vivia o período conhecido como Estado Novo, sob a direção de Getúlio Vargas, acaloradas discussões centralizadas sobre se o melhor sistema de governo da pátria seria a democracia, o facismo ou comunismo. O rapazola de Pedro Leopoldo, já atraia o interesse dos que liam um dos importantes jornais da capital da República pelos textos assinados pelo Espírito do famoso e querido escritor Humberto de Campos, que morrera em fins de 1934, bem como do livro PARNASO DO ALÉM TÚMULO (feb,1932), publicado em 1932 contendo poemas de autoria de grandes personalidades da Academia Brasileira de Letras como Olavo Bilac, Castro Alves, Augusto dos Anjos, Cruz e Souza, entre outros. Uma editora recém-fundada na capital paulista publicava o que seria o segundo livro da bibliografia de Chico, PALAVRAS DO INFINITO (lake, 1935), uma coletânea reunindo as primeiras mensagens de Humberto de Campos, fragmentos da série de matérias publicadas naquele ano pelo jornal O GLOBO – hoje preservadas na obra NOTÁVEIS REPORTAGENS COM CHICO XAVIER (ide, 2010) -, e duas extensas mensagens do Espírito do sétimo presidente do Brasil, Nilo Peçanha, psicografadas em 31 de julho de 1935. Surpreende o teor das mesmas, como se os dias de hoje ali estivessem retratados no aspecto político, como os trechos seguintes: “País essencialmente agrícola, o Brasil tem de voltar suas vistas para sua imensa extensão territorial, multiplicando os conselhos técnicos da agricultura, velando carinhosamente pelos seus problemas”(...)“Não bastam conciliabulos da política administrativa para a criação de leis exequíveis e benfeitoras da coletividade.(...)Esses problemas grandiosos tem sido relegados a um plano inferior pelos nossos administradores (1935), os quais, infelizmente, arraigados aos sentimentos de personalismo vivem apenas para as grandes oportunidades”.(...)“Faz-se necessário melhorar as condições das classes operárias antes que elas se recordem de o fazer, segundo suas próprias deliberações, entregando-se à sanha de malfeitores que, sob as máscaras da demagogia e a pretexto de reivindicações, vivem no seu seio para explorar os entusiasmos vibrantes que se exteriorizam sem objeto definido”.(...) “Infelizmente tivemos a fraqueza de nos apaixonarmos pelas teorias sonoras, acalentando os homens palavrosos, conduzindo-os aos poderes públicos; endeusando-os, incensando-os com a nossa injustificável admiração, olvidando homens de ação, de energia, que aí vivem isolados, corridos dos gabinetes da administração nacional, em virtude de sua inadaptabilidade às lutas da política do oportunismo e das longas fileiras do afilhadismo que vem constituindo a mais dolorosa das calamidades públicas do Brasil”.(...) No Brasil sobram as regalias politicas e as liberdades públicas. Tudo requer ordem e método”.(...).Onde se conservam essas criaturas do sentimento e do raciocínio que as melhores capacidades caracterizam? Justamente, quase todos, por nossa infelicidade, se conservam afastados da paixão política que empolga a generalidade dos nossos homens públicos; com algumas exceções, a nossa política administrativa, infelizmente, está cheia daqueles que apenas se aproveitam da situação, para os favores pessoais e para as condenáveis pretensões dos indivíduos. O sentimento de solidariedade das classes, do amparo social, que deveriam constituir as vigas mestras de um instituto de governo, são relegados para um plano superior, a fim de que se saliente o partido, a pretensão, o chefe, a figura centralizadora de cada um, em desprestígio de todos” O outro Presidente que se manifestou através de Chico foi justamente o primeiro, Deodoro da Fonseca, registro preservado nas páginas do livro FALANDO Á TERRA (feb, 1951). Também muito curioso o teor de suas palavras: -“Proclamada a República e lançada a Carta Magna de 1891, é que reparamos a enorme população ruralizada, a disparidade dos climas, a extensão do deserto verde, as tragédias do sertão, o problema da seca, a necessidade de uma consciência sanitária na massa popular, os imperativos da alfabetização, a incultura da liberdade, a escassez de sentimento cívico, a excentricidade das comunas municipais, e o espírito ainda estrito de numerosas regiões.(...).O programa compulsório do País não poderia afastar-se da educação nos mínimos pontos; entretanto, teceramos precioso manto constitucional com frases e textos de fina polpa democrática, quase impraticáveis além dos subúrbios do Rio de Janeiro.(...)Cabe-nos confessar hoje (1951), honestamente, , que ignorávamos nossa condição de povo juvenil, com idiossincrasias que não pudéramos perceber”. Como percebemos, o calendário avançou mas os problemas humanos continuam os mesmos....


Cristiano, da cidade de Vera Cruz, nos trouxe por Whatsaap a seguinte questão: “Existe lei de ação e reação no caso de homicídio cometido em legítima defesa? Qual a opinião do Espiritismo?”

Primeiramente, Cristiano, permita-nos explicar o que é “homicídio por legítima defesa” para o entendimento dos demais ouvintes. Homicídio é ato de tirar a vida um ser humano – ou seja, matar uma pessoa - um crime hoje tipificado no código penal de todos os países. O homicídio, praticado desde as épocas mais remotas da humanidade, de uma maneira geral, foi sempre condenado como crime grave contra a sociedade, haja vista que consta dos 10 mandamentos do povo hebreu, “não matarás”.

Em geral, como acontece no código penal brasileiro, só há uma justificativa para o homicídio: quando se trata do último recurso de que a pessoa se utiliza para defender a própria vida. Explicamos melhor: uma pessoa investe contra outra pessoa com uma arma mortífera (um revolver ou uma faca, por exemplo) e, diante dessa circunstância, a vítima não vê outra saída, naquele momento, senão atacar o agressor que, em consequência, vem perder a vida. Neste caso, aquele que queria matar acabou morrendo e a vítima se tornou um homicida.

Em tese, o que se considera legítima defesa é, portanto, o único meio pelo qual a vítima da agressão pôde se livrar da morte, tirando a vida do agressor. Caso não o matasse, ela teria morrido. O código penal é muito claro quanto a restringir a legítima defesa à única e exclusiva chance do indivíduo se livrar de alguém que quer mata-lo, porque, se se descobrir que havia outro meio que não fosse a morte do agressor e a vítima dele não se utilizou, o ato que cometeu não caracteriza a legítima defesa.

Como podemos perceber, às vezes não é tão fácil caracterizar um ato de homicídio por legítima defesa, até porque a justiça humana não reúne meios capazes de penetrar na verdadeira intensão do homicida. A prova da legítima defesa deve ser feita em juízo, reunindo possíveis elementos de convicção – geralmente testemunhas – para que o juiz pronuncie a sentença da forma mais segura possível. Evidentemente, a sentença de absolvição ou condenação do homicida da justiça humana pode ser diferente do entendimento da Justiça Divina.

O que diz o Espiritismo sobre aquele que mata em legítima defesa? Na questão 747 de O LIVRO DOS ESPÍRITOS lemos o seguinte: O homicídio tem sempre o mesmo grau de culpabilidade? Resposta: “Já o dissemos: Deus é justo e julga a intenção mais do que o ato.” Questão 748 – Deus escusa o homicídio no caso de legítima defesa? Resposta: “Só a necessidade pode escusá-lo, mas se puder preservar a vida sem atingir a do agressor, deve fazê-lo”. Fica claro, portanto, que ante a questão da culpabilidade, o Espiritismo dá o mesmo tratamento ao caso que as leis penais humanas.

A única diferença, entretanto, está na apuração da verdade, pois o aparato judicial humano nem sempre é capaz de auscultar as verdadeiras intenções do homicida que são secretas, o que não acontece na lei de Deus. Precisamos deixar bem claro que ninguém além de você sabe de suas próprias intenções, pois, em última instância, quem vai nos julgar pelo ato cometido é a chamada consciência moral. E este é apenas um dos aspectos da lei de causa e efeito ou lei da ação e reação.

A questão do sentimento de culpa do agente do crime é inteiramente pessoal, de onde decorre que uma pessoa que matou outra por legítima defesa, pode não se sentir totalmente livre desse sentimento, dependendo de suas mais íntimas intenções, e isso pode acarretar-lhe sofrimento. Este é o aspecto mais importante da questão, pois não há sofrimento maior do que aquele que nós impingimos contra nós mesmos. Podemos até nos livrar da perseguição do inimigo, mas não temos como nos livrar da acusação da própria consciência.

É claro, portanto, que a Lei de Causa e Efeito, está presente em todos os nossos atos com consequências mais ou menos desagradáveis quando erramos, mas os piores sofrimentos que decorrem de erros cometidos serão forjados por nós mesmos e não pelos nossos pretensos perseguidores. Por isso, os Espíritos, respondendo a Kardec, deixaram claro que o que vale na Lei de Deus são nossas intenções, mais do que nossos próprios atos.

terça-feira, 4 de outubro de 2022

AS MULHERRES TEM ALMA? EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

A pergunta parece piada, mas, era coisa séria há apenas 149 anos na França, considerada o berço do Iluminismo. A confirmação está no número de janeiro de 1866 da REVISTA ESPÍRITA, em matéria em que Allan Kardec registra que “lia-se nos jornais que uma jovem senhorita de vinte anos acabava de defender o bacharelado com pleno sucesso perante a faculdade de Montpellier. Dizia-se que era o quarto diploma concedido a uma mulher. Ainda não faz muito tempo foi agitada a questão de saber se o grau de bacharel podia ser conferido a uma mulher. Embora a alguns isto parecesse uma monstruosa anomalia, reconheceu-se que os regulamentos sobre a matéria não faziam menção às mulheres e, assim, elas não se achavam excluídas legalmente. Depois de terem reconhecido que elas tinham alma, lhes reconheceram o direito à conquista dos graus da Ciência, o que já é alguma coisa. Mas a sua libertação parcial é apenas resultado do desenvolvimento da urbanidade, do abrandamento dos costumes ou, se quiserem, de um sentimento mais exato da justiça; é uma espécie de concessão que lhes fazem e, é preciso se diga, que lhes regateiam o mais possível”. Comenta também saber-se quea coisa nem sempre foi tida por certa, pois, ao que se diz, foi posta em deliberação num concílio. A negação ainda é um princípio de fé em certos povos. Sabe-se a que grau de aviltamento essa crença as reduziu na maior parte dos países do Oriente. Embora hoje, nos povos civilizados, a questão esteja resolvida em seu favor, o preconceito de sua inferioridade moral perpetuou-se a tal ponto que um escritor do século passado, cujo nome não nos vem à memória, assim definia a mulher: “Instrumento de prazer do homem”, definição mais muçulmana que cristã. Desse preconceito nasceu a sua inferioridade legal, ainda não apagada de nossos códigos. Durante muito tempo elas aceitaram essa submissão como uma coisa natural, tão poderosa é a força do hábito. Dá-se o mesmo com os que, votados à servidão de pai a filho, acabam por se julgar de natureza diversa da dos seus senhores”. Apresentando, entre outros argumentos, a posição do Espiritismo pondera o sábio pensador: -“Os sexos só existem no organismo; são necessários à reprodução dos seres materiais. Mas os Espíritos, sendo criação de Deus, não se reproduzem uns pelos outros, razão pela qual os sexos seriam inúteis no mundo espiritual. Os Espíritos progridem pelos trabalhos que realizam e pelas provas que devem sofrer, como o operário se aperfeiçoa em sua arte pelo trabalho que faz. Essas provas e esses trabalhos variam conforme sua posição social. Devendo os Espíritos progredir em tudo e adquirir todos os conhecimentos, cada um é chamado a concorrer aos diversos trabalhos e a sujeitar-se aos diferentes gêneros de provas. É por isso que, alternadamente, nascem ricos ou pobres, senhores ou servos, operários do pensamento ou da matéria. Assim se acha fundado, sobre as próprias leis da Natureza, o princípio da igualdade, pois o grande da véspera pode ser o pequeno do dia seguinte e reciprocamente. Desse princípio decorre o da fraternidade, visto que, em nossas relações sociais, reencontramos antigos conhecimentos, e no infeliz que nos estende a mão pode encontrar-se um parente ou um amigo. É com o mesmo objetivo que os Espíritos se encarnam nos diferentes sexos; aquele que foi homem poderá renascer mulher, e aquele que foi mulher poderá nascer homem, a fim de realizar os deveres de cada uma dessas posições, e sofrer-lhes as provas.



Uma ouvinte, que não quer se identificar, telefonou dias atrás para dizer que ela tem TOC e que esse TOC atualmente está bem acentuado, embora ela não tenha especificado que tipo de TOC ela tem. Quer saber se esse TOC pode ser resultado de alguma influência espiritual.

Há pessoas que costumam apresentar certas manias ou certos rituais no seu comportamento e que geralmente chamam a atenção. Um exemplo comum de TOC é a obsessão por mãos limpas: neste caso a pessoa se vê compelida a lavar as mãos muitas vezes durante o dia. Na maioria das vezes, ela têm consciência de que se trata de um distúrbio de comportamento e que seu comportamento é ridículo e, por isso, se perturbam com isso, mas não conseguem controlá-lo. A esse distúrbio a psiquiatria dá o nome de Transtorno Obsessivo Compulsivo, conhecido pela sigla TOC. Os psiquiatras atribuem o TOC a pensamentos compulsivos que geram ansiedade, causando desconforto à pessoa.

Não temos como afirmar com segurança se, no seu caso, existe algum componente original de ordem espiritual, cara ouvinte. Mas isso é possível. No entanto, devemos considerar que a ansiedade em grau avançado pode realmente levar a pessoa a um comportamento compulsivo, uma vez que nossa mente pode agir automaticamente a cada impulso de ansiedade, como se estivesse programada para isso. No caso de ter origem espiritual, a causa pode estar em encarnação anterior, problemas do próprio Espírito, aliada a sentimentos de culpa que o mantém ligado a adversários ou comparsas do passado.

Neste caso, o TOC pode melhorar com aplicação do passe no centro espírita, mas, mesmo assim, se se trata de um processo obsessivo mais profundo, deveria haver de sua parte um tratamento intensivo, tudo indicando a necessidade da troca de certos hábitos nocivos. Desse modo, podemos dizer que o tratamento espiritual é sempre benéfico, mas ele, de forma nenhuma, substitui o tratamento psiquiátrico. Mesmo que seja de origem obsessiva, o TOC com o tempo acaba condicionando o cérebro a dar respostas repetitivas a determinadas situações, de maneira que a intervenção médica será sempre necessária, enquanto que a terapia espiritual pode funcionar como adjuvante e complementar.

Embora, seja recomendado a aplicação regular de passe, nada substitui a tomada de consciência do paciente quanto aos cuidados que deve ter para aprender e o esforço a empreender para controlar suas emoções. A reeducação da mente o colocará ao alcance de seu Espírito protetor, que o ajudará a encontrar paz e harmonia dentro de si mesmo. Na literatura espírita é possível encontrar referências diretas aos transtornos compulsivos, bem como indicação de tratamento. Uma obra, que nos vem à memória agora, é o livro ASPECTOS PSIQUIÁTRICOS E ESPIRITUAIS NOS TRANSTORNOS EMOCIONAIS de Joanna de Angelis, recebido pelo médium Divaldo Franco.  


segunda-feira, 3 de outubro de 2022

SEMRE VALIDO REVER ; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 O monitoramento das causas de morte nos países cobertos pela OMS- Organização Mundial de Saúde indicam ser o suicídio uma das que mais crescem nas estatísticas. Inclusive suicídios juvenis, o que havia sido previsto pela Espiritualidade Superior nas mensagens reproduzidas e analisadas por Allan Kardec em números da REVISTA ESPÍRITA, ano 1866. Decisão e ação condenada por todas as Escolas Religiosas, através do Espiritismo encontra um posicionamento racional inclusive nascido do depoimento de vários Espíritos que recorreram a tão radical expediente. Ao longo do século 20, o médium Chico Xavier foi abordado em mais de uma vez sobre a questão, acrescentando elementos uteis para nossas reflexões. Destacamos a seguir dois deles: 1- O suicídio é consequência de fatores psicológicos em desagregação ou de influências espirituais em evolução? Chico XavierCada Espírito é senhor de seu próprio mundo individual. Quando perpetramos a deserção voluntária dos nossos deveres, diante das leis que nos governam, decerto que imprimimos determinadas deformidades no corpo espiritual. Essas deformidades resultam das causas cármicas estabelecidas por nós mesmos, pelas quais sempre recebemos de volta os efeitos das próprias ações. Cometido o suicídio, nessa ou naquela circunstância, geramos lesões e problemas psicológicos na própria alma, dificuldades essas que seremos chamados a debelar na próxima existência, ou nas próximas existências, segundo as possibilidades ao nosso alcance. Assim, formamos, com um suicídio, muitas tentações a suicídio no futuro, porque em nos reencarnando, carregamos conosco tendências e inclinações, como é óbvio, na recapitulação de nossas experiências na Terra. 2- Os Espíritos acham que os sofrimentos dos suicidas decorrem de um castigo e Deus? Chico XavierNão. Não decorrem de um castigo de Deus, porque Deus é a Misericórdia Infinita, a Justiça Perfeita. Emmanuel sempre me explica que, quando atentamos contra o nosso corpo, na Terra, ferimos as estruturas do nosso corpo espiritual. Infringimos a nós mesmos essas punições. Permanecemos no Além com os resultados do suicídio para depois, ao reencarnarmos na Terra, trazermos as consequências em nosso próprio corpo. O suicídio, para aqueles que conhecem a importância da vida, impõe um complexo culposo muito grande nas consciências. O problema está dentro de nós e, na hora de voltar à Terra, pedimos para assumir as dificuldades inerentes às nossas culpas. Se a bala atravessou o centro da fala, naturalmente vamos retomar o corpo físico em condições de mudez. Se atravessa o centro da visão, vamos renascer com processo de cegueira. Se nos precipitamos de alturas e aniquilamos o equilíbrio de nossas estruturas espirituais, vamos voltar com determinadas moléstias que afetam o nosso equilíbrio. Quando nos envenenamos, quando envenenamos as nossas vísceras, somos candidatos, quando voltamos à Terra, ao câncer nos primeiros dias de infância, ao problema de fluidos comburentes que criam desequilíbrio no campo celular. Muitas vezes encontramos numa criança recentemente nascida um processo canceroso que nós não sabemos justificar, senão pela reencarnação, porque o espírito traz consigo aquela angústia, aquele desequilíbrio que se instala dentro de si próprio. Pelo enforcamento, nós trazemos determinados problemas de coluna e caímos logo nos processos de paraplegia. Somos crianças ligadas, parafusadas ao leito durante determinado tempo, em luta de auto corrigenda, de autopunição, de reestruturação de peças de nosso corpo espiritual.



Numa situação inesperada como a da pandemia da covid 19, o mundo todo com medo do coronavirus, muita gente ficou doente, outros morreram, como que os bons Espíritos podem nos ajudar?

Há dois pontos que podemos destacar nesta questão. O primeiro é que nada acontece por acaso e que, portanto, esse surpreendente aparecimento do novo vírus – seja qual for a sua origem – deve ter acontecido num momento em que a humanidade está precisando refazer seus planos e sua forma de se conduzir. Em todo fato natural há dois lados: aquele que traz sofrimento e aquele que ensina. Preferimos valorizar mais o que ensina, até porque tudo que é bom exige esforço e até sacrifício.

Os Espíritos responsáveis pelo avanço da humanidade, certamente liderados por Jesus, devem saber o porquê estamos passando por esta dificuldade neste momento. E eles veem o lado bom do fato, embora entendendo o sofrimento a que estamos expostos. Como bons professores que se interessam pelos alunos, o que eles querem do homem?... seriedade, estudo, trabalho, ação. Mas eles querem, sobretudo, que essa experiência ajude o homem a se transformar, tornando-se mais fraterno e mais solidário.

Os Espíritos Superiores estão interessados, agora, em que o ser humano aprenda a lutar e a romper contra a grande barreira do ódio e do preconceito. Logo, o ponto de vista da Espiritualidade difere do nosso, porque os Espíritos benfeitores veem a necessidade do nosso progresso moral e nós, por aqui, queremos apenas sair do sufoco. Oxalá saibamos aproveitar essa oportunidade para crescer moral e intelectualmente, mas, sobretudo, para compreender que nós, humanidade, somos uma família e precisamos aprender a nos tratar uns aos outros como irmãos.

O segundo ponto, que podemos destacar, é que os Benfeitores da Humanidade sabem de nossas necessidades e, mesmo reconhecendo que precisamos passar por esta difícil experiência, eles nos ajudam. Eles fazem o papel do professor, quando dá um problema difícil para o aluno resolver, mas, ao mesmo tempo, coloca-se ao seu lado para ajudá-lo a descobrir o caminho da solução, mas não faz pelo aluno o que só o aluno deve fazer.

Logo, ajuda não falta, e ela é tanto mais eficaz quanto mais consciente estivermos na realização daquilo que nos compete. Os governos devem estar à frente para as grandes decisões. Os técnicos devem atuar com a maior responsabilidade na condução de seus trabalhos. A sociedade, atingida, precisa se organizar. E o povo deve estar atento e dar o melhor de si nessa batalha. Enfim, todos e cada um de nós, face à exigência da luta, deve estar pronto a fazer rigorosamente a sua parte, observando as regras, mudando seus hábitos e, por fim, descobrindo novas formas de viver e conviver.

domingo, 2 de outubro de 2022

NÃO É PERDA DE TEMPO; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

Conhecido apresentador e humorista da televisão brasileira, em recente programa de entrevistas dedicado a ele, questionado sobre o que pensa sobre a morte, respondeu “que nada, considerando ser uma perda de tempo este tipo de preocupação visto ela representar o fim”. Reconhecido por sua inteligência e cultura, a personalidade tipifica a maior porcentagem da intelectualidade do nosso mundo, focado exclusivamente na realidade material. Na verdade, o interesse pela morte não deve se transformar em prioridade nas cogitações dos seres humanos, mas, sim, o seu significado no contexto da vida, cuja finalidade, por sinal, deveria merecer reflexões mais amplas e profundas em face da multiplicidade de informações a respeito disponíveis na atualidade. Lamentavelmente tal assunto só é pensado quando o afastamento da “zona de conforto” leva as pessoas a tentar entender os “porquês”. O grande educador oculto no pseudônimo Allan Kardec, escreveu interessante texto incluído na edição da REVISTA ESPÍRITA, de julho de 1862, adequado para dissipar a ignorância dominante sobre o sentido da vida, a razão de vivermos, a partir das revelações de que foi Codificador, apresentando a proposta conhecida como Espiritismo. Diz ele: -“A vida corpórea é necessária ao Espírito, ou à alma, o que é a mesma coisa, para que possa realizar neste mundo material as funções que lhe são designadas pela Providência: é uma das engrenagens da harmonia Universal. A atividade que é forçado a desenvolver nas funções que exerce sem o suspeitar, crendo agir por si mesmo, ajuda o desenvolvimento de sua inteligência e lhe facilita o adiantamento. A felicidade do Espírito na vida espiritual é proporcional ao seu progresso e ao bem que pôde fazer como homem, do que resulta que, quanto maior importância adquire a Vida Espiritual aos olhos do homem, mais sente este a necessidade de fazer o que é necessário para se garantir o melhor possível. A experiência dos que viveram vem provar que uma vida terrena inútil ou mal empregada não tem proveito para o futuro, e que aqueles que não buscam aqui senão as satisfações materiais as pagam muito caro, que por sofrimentos no Mundo dos Espíritos, que pela obrigação em que se acham de recomeçar sua tarefa em condições mais penosas que as do passado, e tal é o caso dos que sofrem na Terra. Assim, considerando as coisas deste mundo do ponto de vista extracorpóreo, longe de ser estimulado à despreocupação e à ociosidade, o homem compreende melhor a necessidade do trabalho. Partindo do ponto de vista terreno, essa necessidade é uma injustiça aos seus olhos, quando se compara aos que podem viver sem nada fazer: tem-lhes ciúmes e inveja. Partindo do ponto de vista espiritual, essa necessidade tem uma razão de ser, uma utilidade, e ele a aceita sem murmurar, pois compreende que sem o trabalho ficará indefinidamente na inferioridade e privado da facilidade suprema a que aspira e que não poderá alcançar se se não desenvolver intelectual e moralmente. A esse respeito parece que muitos Monges compreendem mal o objetivo da Vida Terrena e, ainda menos, as condições da vida futura. Pelo isolamento, privam-se dos meios de se tornarem uteis aos seus semelhantes e muitos dos que se acham no Mundo dos Espíritos confessam-nos que se enganaram redondamente e que sofrem as consequências de seu erro. Tal ponto de vista tem para o homem outra enorme consequência imediata: tornar mais suportáveis as tribulações da vida. É muito natural, e ninguém o proíbe de procurar o bem-estar e a sua existência terrena ser o mais agradável possível. Mas, sabendo que aqui está apenas momentaneamente, que um futuro melhor o aguarda, pouco se atormenta com as decepções que experimenta; e, vendo as coisas do alto, recebe os revezes com menor amargor; fica indiferente às embrulhadas de que é vítima, por parte dos ciumentos e invejosos; reduz a seu justo valor os objetos de sua ambição e coloca-se acima das pequenas suscetibilidades do amor-próprio. Liberto das preocupações criadas pelo homem que não sai da esfera estreita, pela perspectiva grandiosa que se desdobra aos seus olhos, é, ao contrário, mais livre para se entregar a um trabalho proveitoso para si próprio, e para os outros. Os vexames, as críticas severas, as maldades de seus inimigos não lhe são mais que nuvens imperceptíveis num imenso horizonte; não se inquieta por elas mais do que pelas moscas que zumbem aos ouvidos, pois sabe que em breve estará livre. Assim, todas as pequenas misérias que lhe suscitam deslizam por ele como água pelo mármore. Colocado do ponto de vista terreno irritar-se-ia e talvez se vingasse; do ponto de vista extraterreno, ele as despreza como os salpicos de lama de um caminhante inadvertido (...). Tal, o resultado da diferença, do ponto de vista sob o qual se encara a vida: um, nos dá balbúrdia e ansiedade; outro, a calma e a serenidade”




Gostaria de fazer uma pergunta que é importante para mim. Um homem viveu o tempo todo, mais de 60 anos, numa religião. Ele acreditava em Deus, no céu e o no inferno, mas não era uma pessoa religiosa. Dizia que fazia suas orações e que isso bastava. Nunca soube que fez mal a ninguém, mas também não se preocupava em fazer o bem. Vivia para ele e para sua família, procurando cumprir suas obrigações. Como todo mundo, acertou e errou: nada mais que isso. Minha pergunta é a seguinte: Será que ele aproveitou alguma coisa desta vida? Como vai ser sua vida no mundo espiritual?

Para a Doutrina Espírita o mais importante não é o fato de a pessoa professar uma determinada religião – seja ela qual for a religião – mas, sim, a sua conduta diante do próximo e de si mesma. É claro que a religião é importante, mas o papel da religião é justamente o de contribuir para melhorar a conduta de seus fiéis, de modo que aqueles que dizem professar uma religião, mas não se esforçam por viver conforme a religião ensina, nada estão acrescentando à sua vida; antes, estão desperdiçando uma grande oportunidade.

Por outro lado, existem pessoas que revelam uma boa conduta, sem estarem filiadas a qualquer religião. São Espíritos, que já gozam de um certo amadurecimento espiritual que trouxeram de outras vidas. Ao invés de precisarem da religião, a religião é que precisam delas, justamente para servirem de exemplo diante dos outros. Desse modo, cara ouvinte, o fato de a pessoa não ser religiosa, mas ter uma boa conduta, é um sinal positivo. Porém, se elas professassem uma religião, com certeza, seriam mais úteis.

No Brasil, especificamente, por ser uma nação historicamente católica, muitas pessoas não-religiosas se declaram católicas quando consultados pelos pesquisadores do censo, talvez a grande maioria, pois os que praticam de fato a religião são bem poucos. Todavia, do ponto de vista espiritual, o que vai pesar de fato em sua vida não é a religião em si – como já dissemos – mas como a pessoa vem de conduzindo moralmente ao longo da vida. O que mais Jesus combateu foi a hipocrisia religiosa.

Há pessoas que fogem da religião para não assumir compromissos de ordem moral; elas preferem continuar como são, pois, na verdade, só acreditam mesmo em vantagens imediatas. Outras têm medo de Deus, querem estar longe da moderação e da disciplina. No fundo, aceitam o que a religião ensina, mas não se propõem a vivenciar seus ensinamentos, porque lhes custaria abrir mão de muita coisa. É claro que é um tipo de conduta nada recomendável, porque, mais cedo ou mais tarde – mais cedo, quando acontece nesta vida e mais tarde quando acontece na outra – elas vão se deparar, não com o dedo de Deus, mas com a própria consciência apontando para o seu comodismo.

Nós não temos o diireito de julgar ninguém, até porque não estamos preparados para nos julgar nem a nós mesmos – mas sabemos o quanto vai pesar para cada um de nós a omissão diante do que poderíamos ter feito e não fizemos, uns diante dos outros. Ao contar a parábola do bom samaritano, que encontramos nos evangelhos, Jesus exaltou a conduta do homem que não frequentava o templo, mas que cultivava a solidariedade.

Para o Espiritismo não existem inferno nem sofrimento eterno, mas existem outras oportunidades de reabilitação, expressão da justiça e da misericórdia de Deus. Quando o desencarnado toma consciência de seu estado na vida espiritual, dependendo de seu nível de discernimento, ele pode se decepcionar consigo mesmo, pelo que fez e pelo que deixou de fazer. Mas, certamente, se for um Espírito que aprecia os bons princípios, ele terá ao seu lado amigos que o ajudarão a se recompor e a assumir outros compromissos que o ajudarão a superar-se espiritualmente.




sábado, 1 de outubro de 2022

SURPREENDENTE; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

Acompanhando dia destes a conversa entre jovens na faixa dos trinta anos, observei o interesse demonstrado por todos a respeito de série veiculadas por canais de televisão pagos abordando as aventuras de vampiros, de zumbis, entre outros personagens surreais, acompanhadas com interesse crescente nos capítulos semanais que os levam a realisticamente percorrer os cenários semelhantes aos da nossa realidade, criados, muitas vezes, pela prodigiosa computação gráfica. Uma verdadeira “doutrinação” que leva todos a se sintonizarem com os Seres que inspiraram seus “criadores”. Assim, o “desembarcar” no Mundo Espiritual ao final da viagem chamada morte não significará realmente uma surpresa. Mesmo para os que dispõem de alguma informação resultante dos estudos feitos em torno das supostas realidades consideradas pelas principais escolas religiosas do passado e do presente. O médium Chico Xavier que se notabilizou pelo impressionante acervo construído por seu intermédio, num grupo de pessoas que lhe perguntaram sobre a posição ocupada no Além pelas criaturas desencarnadas que não foram más e que também não se interessaram pelo conhecimento das coisas espirituais durante a vida, respondeu que “oitenta por cento das pessoas, que desencarnam, voltam-se para a retaguarda sem condições de ascenderem aos planos elevados. Apenas vinte por cento gravitam para os Planos mais altos. A maioria delas, portanto, fica vinculada aos familiares e amigos”. Como Allan Kardec afirma em um de seus comentários, varia ao infinito o estado feliz ou infeliz dos que chegam ao Plano Invisível, dependendo de sua maior ou menor ligação com as questões materiais, o meio de onde procede, o aspecto das coisas, as sensações que experimentar, as percepções que possuir”. Planos e sub planos se estruturam dentro das grandes Esferas que circundam o Planeta. Verdadeiros Universos Paralelos como vai desvendando a Física Quântica. O médium Efigênio Vitor que prestou importantes serviços na seara compreendida pelos trabalhos inspirados pelo Espiritismo, através de Chico Xavier, relata que “acima da crosta terrestre, temos um cinta atmosférica que classificamos por ‘cinta densa’, com a profundidade aproximada de 50 quilômetros, e, além dela, possuímos a ‘cinta leve’, com a profundidade aproximada de 950 quilômetros, somando 1000 quilômetros acima da Esfera em que respiramos”, acrescentando que “nesse grande mundo aéreo, encontramos múltiplos exemplares de almas desencarnadas, junto de variadas espécies de criaturas sub-humanas, em desenvolvimento mental no rumo da Humanidade”, possibilitando assim “milhões de Espíritos alimentam-se da atmosfera terrestre, demorando-se, por vezes, muito tempo, na contemplação íntima de suas próprias visões e criações, nas quais habitualmente se imobilizam, à maneira da alga marinha que nutre a si mesma, absorvendo os princípios do mar”. Numa impactante narrativa do Espírito André Luiz, através de Chico Xavier, no livro MISSIONÁRIOS DA LUZ (1945,feb), descrevendo uma atividade socorrista por ele acompanhada, conta:“-Pelas vibrações ambientes, reconheci que o lugar era dos mais desagradáveis que conhecera, até então, em minha nova fase de esforço espiritual. (...). Via numerosos grupos de entidades francamente inferiores que se alojavam aqui e ali. Diante do local em que se processava a matança dos bovinos, percebi um quadro estarrecedor. Grande número de desencarnados, em lastimáveis condições, atiravam-se aos borbotões de sangue vivo, como se procurassem beber o líquido em sede devoradora. (...) Pela deplorável situação de embrutecimento e inferioridade, estão sugando as forças do plasma sanguíneo dos animais”. Noutro momento do mesmo livro, encontramos comentário: -“Os criminosos de vários matizes, os fracos de vontade, os aleijados do caráter, os doentes voluntários, os teimosos e recalcitrantes de todas as situações e de todos os tempos integram comunidades de sofredores e penitentes do mesmo padrão, arrastando-se, pesadamente, nas regiões invisíveis ao olhar humano. Todos eles, segregam forças detestáveis e criam formas horripilantes, porque toda matéria mental está revestida de força plasmadora e exteriorizante”. 


Antonio da Silva, residente no Jardim Paulista pergunta se existe alguma relação entre Espiritismo e Maçonaria.

Agradecemos sua atenção, Antonio. Ficamos felizes em tê-lo como nosso ouvinte, representando tão bem os amigos do Jardim Paulista. Vamos, então, à resposta de sua pergunta.

A maçonaria é uma sociedade muito antiga que demonstra interesse em colaborar na solução de questões sociais e humanitárias; pelo menos, a maçonaria que vemos no Brasil. Só nesse sentido ela tem algo em comum com o Espiritismo, como tem com outra qualquer doutrina filosófica ou religiosa que também interessadas por tais questões.

Diretamente a maçonaria não tem qualquer ligação histórica com o Espiritismo, pois o que mais caracteriza o Espiritismo é a sua visão ampla de vida, mostrando que somos seres espirituais em passagem pela Terra para novas experiências futuras com vistas à nossa perfeição. Essa visão de anterioridade e de continuidade da vida dá ao Espiritismo uma concepção toda especial de quem somos, de onde vimos e para onde vamos depois desta vida. Não é, evidentemente, uma visão da maçonaria.

Contudo, pelo fato de também buscar objetivos sociais e humanitários a que muitas vezes maçonaria se lança, é que alguns espíritas também se ligaram à maçonaria e nela encontraram campo de atuação. No entanto, Antonio, a maçonaria tem suas fileiras pessoas das mais diferentes religiões, inclusive espíritas, pois admite a existência de Deus – a quem chama de Grande Arquiteto do Universo - ponto comum de todas as crenças religiosas.

Alguns fatos, que ocorreram durante a História do Brasil, particularmente no período colonial, aproximaram espíritas e maçons num esforço comum, como no caso da campanha pela abolição dos escravos, pela proclamação da República e pela separação da religião do Estado. Por isso mesmo, criaram-se laços de simpatia entre espíritas e maçons, mas isso não faz com que as doutrinas se confundam.


sexta-feira, 30 de setembro de 2022

É POSSÍVEL PREVER O FUTURO; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 A resposta Allan Kardec apresentou em curioso artigo na edição de maio de 1864 da REVISTA ESPÍRITA. Escreveu ele: -“Diz-se que as coisas futuras não existem; que ainda estão no nada. Então como saber se acontecerão? Contudo são muito numerosos os exemplos de predições realizadas, de onde concluir-se que aí se passa um fenômeno cuja chave não se tem, pois não há efeito sem causa. Essa causa, que tentaremos achar, ainda é o Espiritismo, também chave de tantos mistérios, que nô-la fornecerá e, além disso, mostrar-nos-á que o próprio fato das predições não sai das Leis Naturais. Como comparação, tomemos um exemplo nas coisas usuais e que auxiliará a compreender o princípio que temos de desenvolver. Suponhamos um homem colocado no alto de uma montanha, considerando a vasta extensão da planície. Nessa situação pouco será o espaço de um quilometro, e facilmente poderá ele abarcar de um golpe de vista todos os acidentes do terreno, do começo ao fim da estrada. O viajante que, pela primeira vez, percorre essa estrada, sabe que marchando chegará ao fim. Isso é simples previsão da consequência de sua marcha. Mas os acidentes do terreno, as subidas e descidas, os riachos a transpor, as matas a atravessar, os precipícios onde pode cair, os ladrões postados para o assalto, as hospedarias onde poderá descansar, tudo isto independe de sua pessoa: é para ele desconhecido o futuro, porque sua vista não vai além do pequeno círculo que o envolve. Quanto a duração, mede-a pelo tempo consumido em percorrer o caminho. Tirai-lhes os pontos de referência e apaga-se a duração. Para o homem que está na montanha e que acompanha o viajante com o olhar, tudo isto é presente. Suponhamos esse homem descendo e que diga ao viajante: -“Em tal momento encontrareis essa coisa; sereis atacado e socorrido”. Ele predirá o futuro. O futuro é para o viajante; para o homem da montanha é o presente. Agora se sairmos do circulo das cosas puramente materiais e, por pensamento, entrarmos no domicílio da Vida Espiritual, veremos esse fenômeno reproduzir-se em escala muito maior. Os Espíritos desmaterializados são como o homem da montanha; para ele apagam-se espaço e tempo. Mas a extensão e a penetração de sua vista são proporcionais à sua depuração e à sua elevação na hierarquia espiritual; em relação aos Espíritos inferiores, são como o homem armado de poderoso telescópio, ao lado do que tem os olhos nus. Nestes últimos a vista é circunscrita, não só porque dificilmente podem afastar-se do Globo a que estão ligados, mas porque a grossura de seu períspirito vela as coisas afastadas, como a garoa para os olhos do corpo. Compreende-se, pois, que, conforme o grau de perfeição, um Espírito possa abarcar um período de alguns anos, alguns séculos e, até, de milhares de anos, porque o que é um século ante a Eternidade? Ante ele os acontecimentos não se desenrolam sucessivamente, como os incidentes da estrada do viajante; vê simultaneamente o começo e o fim do período; todos os acontecimentos que, nesse período são o futuro para o homem da Terra, para ele são presente. Poderia ele, pois, vir dizer-nos com certeza: Tal coisa acontecerá em tal momento, porque vê essa coisa como o homem da montanha vê o que espera o viajor na estrada. Se não o diz, é porque o conhecimento do futuro seria nocivo ao homem; entravaria o seu livre arbítrio; paralisá-lo-ia no trabalho que deve realizar para o seu progresso. Sendo-lhe desconhecidos o Bem e o mal que o esperam, o são para a sua provação. Se uma faculdade, mesmo restrita, pode estar nos atributos da criatura, a que grau de poder deve ela elevar-se no Criador, que abarca o Infinito? Para ele o tempo não existe; o começo e o fim do mundo são o presente. Nesse imenso panorama, que é a duração da vida de um homem, de uma geração, de um povo? Contudo, como deve o homem concorrer para o progresso geral, e certos acontecimentos devem resultar de sua cooperação, em certos casos pode ser útil que pressinta esses acontecimentos, a fim de lhes preparar o caminho e estar pronto a agir quando chegar o momento. Eis porque, às vezes, Deus permite seja levantada a ponta do véu; mas é sempre com um fim útil e jamais para satisfazer uma vã curiosidade. Assim, essa missão pode ser dada, não a todos os Espíritos, pois alguns não conhecem o futuro melhor que os homens, mas a alguns Espíritos suficientemente adiantados para isto. Ora, é de notar que essas espécies de revelações sempre são feitas espontaneamente e jamais ou, pelo menos, muito raramente, em resposta a uma pergunta direta”.


Gostaria de entender a fala de Jesus ao homem rico que o procurou, quando disse: “Vende tudo o que tem, dê aos pobres e siga-me.” Acho que foi essa frase que leva muita gente a se isolar do mundo, como os eremitas que foram morar no deserto, porque é impossível viver neste mundo sem nada e, além disso, aqueles que têm pouco ou nada, pouco ou nada podem dar a quem precisa.

Primeiramente, precisamos entender que a fala usada por Jesus é cheia de figuras de linguagem ou comparações. Muito comum nas suas afirmações as metáforas e alegorias, como, por exemplo, quando ele diz: “eu sou a luz do mundo” (referindo aos seus ensinamentos) ou, então, “este é o meu corpo” (mostrando o pão), “este é o meu sangue” (mostrando vinho). Esta forma de ensinar era comum na época, pois tornava seu ensino mais concreto e facilitava a memorização dos ouvintes.

Um outro aspecto que ressalta na sua forma de falar é o uso de figuras fortes, figuras de impacto, chegando ao exagero, e que servem para chamar a atenção dos ouvintes e provocar questionamentos, admiração e até contestações: “Quem é minha mãe? Quem são meus irmãos? Minha mãe e meus irmãos são todos os que fazem a vontade de meu Pai.” Pai, aqui, é Deus – também uma figura de linguagem, para que seus ouvintes aprendessem por comparação entre Pai celestial e pai humano.

Na passagem do homem rico, a quem Jesus recomendou vendesse o que tinha e desse aos pobres, também precisamos buscar o sentido mais profundo dos seus ensinos. Ao que tudo indica, ele estava testando o homem quando à sua capacidade de se desapegar dos bens terrenos, pois, sendo rico, com certeza, sempre colocava o interesse econômico acima de tudo. Neste caso, Jesus quis mostrar que, acima dos bens materiais, estão os bens espirituais.

Hoje em dia, nenhum de nós faria o que Jesus propôs. Primeiro porque não estamos vivendo no seu tempo e tampouco numa missão de tamanha envergadura espiritual como a dele e seus apóstolos. Em segundo lugar, conforme sustenta Kardec, a vida era extremamente simples e, portanto, era possível a pessoa viver com tão pouco ou quase nada, principalmente quando se entregava a uma missão espiritual. Por último, porque já é possível agir com caridade (com benevolência, indulgência e perdão), sem abrir mão do mínimo necessário.

A grande lição que Jesus quis transmitir naquela ocasião foi, portanto, a do desapego aos bens materiais, e isso é perfeitamente válido – seja naquela época, seja hoje em dia. Embora a sociedade nos empurre, cada vez mais, para um regime consumista ( onde ter é mais importante que ser, onde as pessoas mais consideradas são as que têm mais posses), para vivenciar o espírito da caridade temos que colocar o interesse espiritual acima do interesse material, as pessoas acima das coisas, o interesse social acima do interesse pessoal.

O capitalismo que hoje vivemos não impede que o poder econômico se coloque a serviço do bem social – ou seja, aquele que mais tem, que sabe administrar seus bens com responsabilidade, além de contribuir para o progresso da sociedade, pode muito bem atuar em regime de cooperação com as classes menos favorecidas, impedindo a pobreza e a miséria. O problema da ambição desenfreada e da ganância está no homem, que precisa descobrir a felicidade não propriamente no prazer de possuir muitos bens e de ostentar poder, mas o de ser útil e colaborar para a felicidade de todos.

Assim, quando Jesus fala que “é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus”, ele está se referindo à dificuldade que as gananciosos têm em se libertar da escravidão da riqueza, pois, enquanto permanecem vivendo para ela e em função dela, não conseguem se livrar da condenação da consciência culpada, o que equivale a dizer que não podem ser felizes com seu egoísmo e com seu orgulho

quinta-feira, 29 de setembro de 2022

PRECISA SER CONHECIDO; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Segundo Allan Kardec, “a CIÊNCIA ESPÍRITA nos ensina a causa dos fenômenos devidos às influências ocultas do Mundo Invisível e nos explica o que, sem isto, nos parecerá inexplicável. Compreende duas partes: uma experimental, sobre as manifestações em geral, outra filosófica, sobre as manifestações inteligentes”. Nesse sentido, seu campo de pesquisa, engloba temas como MEDIUNIDADE, SOBREVIVÊNCIA ALÉM DA MORTE, INFLUÊNCIA ESPIRITUAL, OBSESSÃO, REENCARNAÇÃO e FLUIDOS. Sobretudo no que se refere ao último campo, não pode ser ignorada a contribuição do médico alemão Franz Anton Mesmer que em 1773, afirma existir uma ação recíproca entre dois seres vivos, por intermédio de um agente especial chamado FLUIDO MAGNÉTICO ANIMALIZADO capaz de causar efeitos similares ao magnetismo mineral, que - como toda ideia nova - encontrou forte oposição dentro dos seguidores da linha organicista derivada da visão mecanicista de Isaac Newton. Vítima de acusações e perseguições durante o resto de sua vida que terminou em 1815, pelo chamado mundo acadêmico, teria sua visão ampliada por um observador e pesquisador das práticas disseminadas por ele na França dos Iluministas que por mais de três décadas testemunhou resultados interessantes nos seguidores das proposições do visionário germânico. Trata-se do intelectual, pesquisador e educador Denizard Hippolite Léon Rivail que, a partir de 1854, aprofundando-se no estudo dos hoje chamados fenômenos paranormais e considerando ser o Magnetismo uma força natural, escreve na REVISTA ESPÍRITA, em seu primeiro número em janeiro de 1858, que “o Magnetismo preparou o caminho do Espiritismo, e o rápido progresso desta última doutrina se deve, incontestavelmente, à vulgarização das ideias sobre a primeira. (...) Impossível falar de um sem falar do outro. Se tivéssemos que ficar fora da ciência magnética, nosso quadro seria incompleto e poderíamos ser comparados a um professor de física que se abstivesse de falar da luz”. Vai além, ampliando o conceito de Mesmer ao afirmar que “os resultados obtidos pelo fluido magnético (fluido vital) se devem, na verdade, à associação das emanações de um corpo fluidico por ele denominado perispírito que, por sua vez, emana o fluido perispiritual”. Anos depois, em 1864, num livro por ele publicado, afirma que, por exemplo, “a prece é uma irradiação mental em forma de pensamento que coloca o emissor em contato com o Ser a que se dirige, propagando-se impregnada de fluidos pessoais resultantes das emoções/sentimentos que inspiram sua formulação”. Ao longo do século 20, a tentativa de dar um embasamento aceito pela comunidade dita científica proposta pelo Prêmio Nobel de Fisiologia Charles Richet com sua Metapsíquica, frustou-se com a morte do corajoso médico, sendo, de certa forma sucedida pelo iniciativa do norte-americano Joseph Banks Rhine que na Universidade de Duke, propõe a Parapsicologia influenciando mais tarde o surgimento de outras versões como a Psicotrônica nos Países Socialistas e a Psicobiofísica do Engenheiro brasileiro Hernani Guimarães Andrade. A publicação em 1970 do livro EXPERIÊNCIAS PSIQUICAS ALÉM DA CORTINA DE FERRO revela, entre outras coisas, diversos estudos desenvolvidos nos países chamados comunistas, confirmando através da chamada Maquina Kyrlian, por exemplo, que a transmissão de energia entre seres humanos proposta por Mesmer é real; que “a energia vital chamada Prana considerada pela Yoga, circula pelo corpo, podendo ser dirigida pelo pensamento”, o qual, efetivamente, se transmite de pessoa a pessoa. Diante disso, imprescindível um aprofundamento nos conceitos formulados pelo Espiritismo.


Nas últimas décadas a gente vê muitos casamentos começarem a acabarem em bem pouco tempo. Fora das causas geralmente apontadas pelos estudiosos do comportamento humano, existem causas espirituais que determinam isso? Quero dizer, esses casamentos aconteceram para não dar certo mesmo?

Temos certeza de que existem causas espirituais atrás de muitas uniões, mas se esses casamentos não deram certo, com certeza, não foi porque assim estava programado, mas porque o casal não soube resolver seus problemas. Neste particular, deveríamos destacar em primeiro lugar as uniões que não se baseiam num verdadeiro sentimento de respeito e de afeto e que, por isso mesmo, não podem durar muito tempo.

A Doutrina Espírita nos mostra que nada acontece por acaso, que os acertos e os erros que cometemos nesse sentido têm ao menos dois tipos principais de causa: as causas anteriores a esta vida, as causas desta mesma vida. “Quantas uniões infelizes – diz Allan Kardec no capítulo 5º d’O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - porque são de interesse calculado ou de vaidade, com as quais o coração nada tem!” Kardec questiona os grandes equívocos que cometemos nesta vida por causa de nosso egoísmo.

Por outro lado, não podemos desconsiderar o fato de que há casamentos mais ou menos programados e que, por falta de habilidade para convivência, também acabam fracassando. Os programados são os que decorrem de escolhas de Espíritos que querem se reencontrar, às vezes reconciliarem-se depois de fracassos anteriores e, de outras, porque um vem para apoiar ou auxiliar o outro na sua jornada evolutiva e, de outras ainda, quando ambos assumem alguma tarefa específica junto à família ou à comunidade.

Todavia, o quadro social hoje é muito instável, o que facilita demasiado a instabilidade da família. Vivemos um momento em que as pessoas, homem e mulher, estão muito interessados em procurar valer seus direitos, muitas vezes não se importando se as consequências de suas atitudes vão comprometer o bem estar dos outros, nem mesmo dos filhos. O apego aos valores materiais, em prejuízo da fé e dos valores espirituais, é o principal responsável pela intensificação do egoísmo dentro de casa e da família.

Na verdade, convivência no lar é questão de valor, e o sentimento religioso, quando bem conduzido, serve justamente para fortalecer os laços afetivos entre os membros da família – além da mulher e do marido, os filhos. É imperiosa a necessidade de se resgatar os valores religiosos, o cultivo da fé em Deus e o esforço por melhorar o nível de convivência dentro de casa. Caso contrário, a tendência é a dispersão, onde cada um sai a procura seus próprios interesses, pois só está interessado em resolver seus próprios problemas.

Logo, é preciso recuperar o verdadeiro sentido de família. A família não são apenas as pessoas do pai, da mãe e dos filhos. A família é o sentimento que deve uni-los num interesse comum, a ponto de lhes proporcionar segurança, confiança, alegria e paz. Sem o amor, nada tem sentido. E o amor, na prática, principal alimento da alma, é a forma pela qual cada um considera o outro, no anseio de ajuda-lo a ser feliz. Um casal, que queira perpetuar suas relações, precisa iniciar a vida em comum com base nessas relações.

Os Espíritos benfeitores têm recomendado aos casais cristãos a introdução do evangelho no lar. Trata-se de uma pequena reunião familiar em torno dos ensinamentos de Jesus, no sentido de envolver os membros da família num tipo de culto cristão, onde cada um pode ler, perguntar, opinar sobre as palavras de Jesus que servem de base para uma vida moral sadia. E isso não depende de religião, mas de um sentimento de religiosidade que pode ser o sustentáculo moral da boa convivência na família.

Orientações sobre a reunião de evangelho no lar podem ser encontradas, inclusive, na internet ou, quem se interessar, nos centros espíritas. Trata-se de um instrumento de fácil aplicação que tem ajudado muitas famílias a encontrarem um caminho seguro para a recuperação da harmonia dentro de casa e dentro de si mesmo.

terça-feira, 27 de setembro de 2022

AMPLIANDO HORIZONTES ; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 A visão meramente fisiológica do Ser humano muito raras vezes conduz ao equilíbrio da funcionalidade do corpo doente. A ignorada contribuição oferecida pelo Espiritismo a partir da extraordinária pesquisa conduzida por Allan Kardec de 1855 a 1869, tem substancial conteúdo para provocar uma reflexão mais precisa e objetiva naqueles que efetivamente se preocupam com a cura dos seus pacientes. No número de fevereiro de 1867 da REVISTA ESPÍRITA, pode ser encontrada na seção DISSERTAÇÕES ESPÍRITAS, a mensagem assinada pelo Espírito do um médico chamado Dr Morel Lavallée. Sempre oportuno lembrar a observação feita por Allan Kardec num de seus artigos falando sobre a visão propiciada pelo Espiritismo, onde diz que “a mediunidade curadora não vem suplantar a Medicina e os médicos; vem simplesmente provar a estes últimos que há coisas que eles não sabem e os convidar a estudá-las; que a natureza tem recursos que eles ignoram”. Notadamente na atualidade em que se observa a proliferação de trabalhos nessa área como que tentando socorrer aos desventurados do caminho macerados pelos sofrimentos físicos e morais. Mas, vamos ao texto psicografado em Paris, na reunião de 25 de outubro de 1866, através do médium Sr. Desliens: -“Que é o homem?... Um composto de três princípios essenciais: o Espírito, o períspirito e o corpo. A ausência de qualquer um destes três princípios acarretaria necessariamente o aniquilamento do Ser no estado humano. Se o corpo não mais existir, haverá o Espírito e não mais o homem; se o períspirito faltar ou não puder funcionar, não podendo o imaterial agir diretamente sobre a matéria, poderá haver alguma coisa no gênero do cretino ou do idiota, mas jamais um Ser inteligente. Enfim, se o Espírito faltar, ter-se-á um feto vivendo vida animal e não um Espírito encarnado. Se, pois, temos três princípios em presença, esses três princípios devem reagir um sobre o outro, e seguir-se-á a saúde ou a doença, conforme haja entre eles a harmonia perfeita ou desacordo parcial. Se a doença ou desordem orgânica, como se queira chamar, procede do corpo, os medicamentos materiais, sabiamente empregados, bastarão para restabelecer a harmonia geral. Se a perturbação vier do períspirito, se for uma modificação do princípio fluídico que o compõe, que se acha alterado, será preciso uma modificação em relação com a natureza do órgão perturbado, para que as funções possam retomar seu estado normal. Se a doença proceder do Espírito, não se poderia empregar, para a combater, outra coisa senão uma medicação espiritual. Se, enfim, como é o caso mais geral, e, pode mesmo dizer-se, que se e apresenta exclusivamente, se a doença procede do corpo, do períspirito e do Espírito, será preciso que a medicação combata simultaneamente todas as causas da desordem por meios diversos, para obter a cura. Ora, que fazem geralmente os médicos? Cuidam do corpo e o curam; mas curam a doença? Não. Porque? Porque sendo o períspirito um princípio superior à matéria propriamente dita, poderá tornar-se a causa em relação a esta. E, se for entravado, os órgãos materiais, que se acham em relação com ele, serão igualmente atingidos na sua vitalidade. Cuidando do corpo, destruireis o efeito; mas, residindo a causa no períspirito, a doença voltará novamente, quando cessarem os cuidados, até que se percebam que é preciso levar alhures a atenção, eliminando fluidicamente o princípio fluídico mórbido. Se, enfim, a doença proceder da mente, do Espírito, o períspirito e o corpo, postos sob sua dependência, serão entravados em suas funções, e nem é cuidando de um nem do outro que se fará desaparecer a causa. Não é, pois, vestindo a camisa de força num louco, ou lhe dando pílulas ou duchas, que se conseguirá repô-lo no estado normal. Apenas acalmarão seus sentidos revoltados; acalmarão os seus acessos, mas não destruirão o germe senão combatendo por seus semelhantes, fazendo homeopatia espiritual e fluidicamente, como se faz materialmente, dando ao doente, pela prece, uma dose infinitesimal de paciência, de calma, de resignação, conforme o caso, como se lhe dá uma dose infinitesimal de Brucina, de Digitalis ou de Aconitum. Para destruir uma causa mórbida, há que combatê-la em seu terreno”. Uma pesquisa criteriosa na coleção da publicação fundada e mantida por Allan Kardec entre 1858 e sua morte em 31 de março de 1869, revela aspectos importantes e reveladores – nem sempre encontrados nas chamadas OBRAS BÁSICAS -, sobre essa revolucionária visão oferecida pelo Dr Morel.

Quando uma criança nasce de um encontro casual entre dois jovens e, depois que essa criança vem ao mundo, o pai nem quer saber dela, isso é porque eles são Espíritos inimigos?


Não é possível responder com precisão esta pergunta. Podemos apenas levantar hipóteses. Na verdade, existem muitas razões para um Espírito reencarnar, e muitos Espíritos estão aguardando essa oportunidade e, às vezes, é tão grande sua necessidade, que se sujeitam a qualquer condição. Contudo, é possível que uma reencarnação, que ocorre nessas circunstâncias - em que a concepção se deu num encontro fortuito - tenha sido aproveitada por um Espírito que nada tem a ver com o pai, mas não podemos afirmar que isso esteja realmente acontecendo.


Situações como essa – de crianças produtos de relações casuais - têm sido cada vez mais freqüentes, por causa da liberdade sexual a que se entregam jovens adolescentes, hoje em dia, usando o sexo como se fosse um esporte. Neste caso, embora sempre haja algum Espírito para reencarnar, não é assim que elas devem proceder, até porque sua obrigação, enquanto mulher, é sempre acolher bem os filhos que são colocados sob sua responsabilidade. Uma atitude impensada ou mau conduzida pode gerar problemas, tanto para a mulher-mãe, quanto para a criança que vai ser criada em condições quase sempre inadequadas.


A mulher, devido à sua condição natural de mãe, é quem acaba arcando com maior responsabilidade, trabalho e sacrifício nesse caso. Entretanto, o fato de não abortar, até passando por circunstâncias difíceis, já lhe confere um grande mérito, que lhe será recompensado de algum modo. Com certeza, esse Espírito – se não, agora – pelo menos, mais tarde, lhe será grato pela oportunidade de reencarnar. Mas, o nascimento não basta para o Espírito; mais importante do que a sua sobrevivência é o ambiente espiritual que lhe vai propiciar para o seu crescimento e educação para a vida.


Por outro lado, os rapazes que, inadvertidamente, fizeram-se pais, não podem simplesmente ignorar a responsabilidade que assumiram – não apenas perante a lei humana, mas principalmente perante a lei de Deus. Se se tornaram pais, mesmo que não fosse seu objetivo, devem se sentir exigidos perante o filho ou filha, assumindo com honestidade e coragem o papel que lhe está sendo imposto pelas leis naturais. Fugir a essa responsabilidade é criar problemas sérios para o futuro, pois as Leis da Vida costumam nos cobrar caro os gestos que acarretam em sofrimento aos outros.