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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

SUICÍDIO; SEXO E KARDEC - HOJE E SEMPRE 173


quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

RECORDAÇÃO DE UMA VIDA ANTERIOR E KARDEC - HOJE E SEMPRE 171



 A REVISTA ESPÍRITA de julho de 1860, incluiu em sua pauta uma matéria resultante de uma evocação havida na reunião da Sociedade Espírita de Paris, motivada por uma carta enviada à publicação por um dos assinantes que, por sua vez, questionava Allan Kardec sobre as informações de um amigo que lhe escrevera expressando sua opinião sobre sua convicção sobre “a presença ou não, junto à nós, das almas dos que amamos”. Para justificá-la, expõem: -“Por mais ridículos que pareça, direi que minha convicção sincera é a de ter sido assassinado durante os massacres de São Bartolomeu. Eu era muito criança quando tal lembrança veio ferir-me a imaginação. Mais tarde, quando li essa triste página de nossa História, pareceu que muitos detalhes me eram conhecidos, e ainda creio que se a velha Paris fosse reconstruída eu reconheceria essa velha aleia sombria onde, fugindo, senti o frio de três punhaladas dadas pelas costas. Há detalhes desta cena sangrenta em minha memória e jamais desapareceram. Porque tinha eu essa convicção antes de saber o que tinha sido o São Bartolomeu? Porque, lendo o relato desse massacre eu me perguntei: é sonho, esse sonho desagradável que tive em criança, cuja lembrança me ficou tão viva? Por que, quando quis consultar a memória, forçar o pensamento, fiquei como um pobre louco ao qual surge e que parece lutar para lhe descobrir a razão? Porque? Nada sei. Certo me achareis ridículo, mas nem por isso guardarei menos lembrança, a convicção. Se dissesse que tinha sete anos quando tive um sonho assim: Eu tinha vinte anos, era um rapaz bem posto, parece que rico. Vim bater-me em duelo e fui morto (...). Às vezes me parece que um clarão atravessa essa névoa e tenho a convicção de que a lembrança do passado se restabelece em minh’alma”. O missivista “reafirma sua certeza da ligação entre pessoas simpáticas, a despeito da distância e relata uma experiência ocorrida com ele nas imediações de Lima, no Peru, em que em determinada hora e dia, foi acometido de forte dor no peito, a mesma hora em um seu irmão, na França, teve um ataque de apoplexia que lhe comprometeu gravemente a vida”. Oficial da Marinha, constantemente viajando, o autor das experiências, teve seu anjo da guarda evocado na reunião daquele dia, oferecendo entre as respostas por ele dadas, ponderações interessantes: Primeiro, que o motivo de sua evocação “não se tratava de satisfazer uma vã curiosidade, mas de constatar, se possível, um fato interessante para a ciência espírita, o da recordação de sua vida anterior ; segundo que a lembrança de sua morte em vida anterior, não era uma ilusão mas uma intuição real; terceiro que embora essa lembranças sejam muito raras, se devem um pouco ao gênero de morte que de tal modo o impressionou que está, por assim dizer, gravado em sua alma; quarto que depois dessa morte no São Bartolomeu não teve outras existências; quinto que tinha 30 anos quando de sua morte; sexto, que era ligado à casa de Coligny; sétimo, ter ocorrido seu homicídio no cruzamento de Bucy; oitavo, que a casa onde morreu não existe mais; nono, que não era personagem conhecido na história por ter sido um simples soldado de nome Gaston Vincent e, finalmente, décimo, que o comunicante foi àquela época seu anjo da guarda e continuava a sê-lo”. Em observação sobre o caso, Kardec acrescenta:-“ Céticos, mais trocistas que sérios, poderiam dizer que o anjo da guarda o guardou mal e perguntar por que não desviou a mão que o feriu. Embora tal pergunta mereça apenas uma resposta, talvez algumas palavras sejam úteis. Para começar diremos que, se o morrer pertence à natureza humana, nenhum anjo da guarda tem o poder de opor-se ao curso das Leis da Natureza. Do contrário, razão não haveria para que não impedissem a morte natural, tanto quanto a acidental. Em segundo lugar, estando o momento e o gênero de morte no destino de cada um, é preciso que se cumpra. Diremos, por fim, que os Espíritos não encaram a morte como nós: a verdadeira vida é a do Espírito, da qual as várias existências corpóreas não passam de episódios. O corpo é um invólucro que o Espírito reveste momentaneamente e deixa como uma roupa usada ou rasgada. Pouco importa pois, que se morra um pouco mais cedo ou mais tarde, de uma ou de outra maneira, pois que, em definitivo, sempre é preciso chegar à morte, que longe de prejudicar o Espírito, pode ser-lhe útil, conforme a maneira porque se realiza. É o prisioneiro que deixa a prisão temporária pela liberdade eterna. Pode ser que o fim trágico de Gaston Vincent lhe tenha sido uma coisa útil como Espírito, o que o seu anjo da guarda compreende melhor que ele, porque um só vê o presente, ao passo que o outro vê o futuro”.


domingo, 10 de fevereiro de 2019

CAUSA E EFEITO, CIENTOLOGIA E KARDEC - HOJE E SEMPRE 168


O professor José Benevides Cavalcante (FUNDAMENTOS DA DOUTRINA ESPÍRITA, eme)  responde a seguir a duas dúvidas de nossos leitores: 1- CAUSA E EFEITO -  O Espiritismo diz que aquele que matar um homem com um tiro de revolver no coração, na sua própria existência será portador de um grave problema do coração. Eu pergunto: aquele que fizer o mesmo, porém matar em legítima defesa, também será portador dessa grave doença? Primeiro, vamos fazer um pequeno reparo nessa afirmação. A Doutrina Espírita reafirma o que a ciência sempre disse: existe uma Lei de Causa e Efeito. Mas essa lei, aplicada à nossa vida moral, tanto quanto à vida biológica, não funciona segundo um modelo matemático preciso. Essa relação, que você estabelece, entre matar com um tiro no coração e sofrer uma doença cardíaca na próxima existência, pode acontecer, mas é apenas uma probabilidade, e não um fato certo, inevitável. Existem uma infinidade de efeitos provenientes de uma mesma causa: isso quer dizer que a doença cardíaca é apenas um dos possíveis efeitos daquela causa. Assim, quando falamos que "todo efeito tem uma causa" ou que "toda causa deriva de um efeito", trata-se de uma regra geral, pois, uma causa pode gerar vários efeitos ou vários efeitos podem decorrer de uma única ou de uma série de causas. Cada caso é um caso. Feito o reparo, voltamos a afirmar o seguinte: nenhum de nossos atos escapa à lei natural; bom ou mal, ele sempre tem retorno, que não é o mesmo para todas pessoas ou para todas as situações. Mas, quando praticamos um ato danoso - ou seja, um ato que traz prejuízo para alguém - podemos sofrer dois tipos de consequências para o ato cometido. A primeira consequência deriva da natureza do próprio ato; por exemplo, matar alguém. Claro, que isso tem um custo para nós, uma consequência ou uma repercussão em nossa vida futura - e nem poderia ser de outro modo. A segunda consequência é de ordem moral, ou seja, em que circunstâncias cometemos o ato? O crime foi premeditado? Matamos porque queríamos matar? Ou matamos por mero acidente? ou apenas para nos defender? Esta questão de ordem moral é a mais importante para o nosso mundo íntimo. Como todo ato traz consequência, claro que o simples fato de matar ou provocar a morte de alguém terá consequência em nossa vida. Mas, a consequência será mais drástica se o fizemos com a intenção de matar, se o praticamos consciente e deliberadamente para provocar aquela morte, se matamos porque queríamos matar, porque odiamos a pessoa naquele momento e desejamos a sua morte. No entanto, se o resultado que provocamos, ainda que seja a morte de alguém, não dependeu de nossa vontade; se o fizemos porque não havia outra alternativa, se não pudemos ou não conseguimos evitar porque estava além de nossas forças, com certeza, não ter uma atenuante a nosso favor. O mecanismo responsável pelas chamadas "doenças carmicas" (doenças derivadas de atos praticados em encarnações anteriores) decorre da condição moral do Espírito. É ele que, atormentado pelo ódio ou pelo sentimento de culpa diante do mal que fez, volta-se contra si mesmo, como numa espécie de autopunição, provocando enfermidades ou deficiências no próprio corpo. São as doenças mais difíceis, muitas vezes incuráveis, porque elas emergem do fundo da alma, maculando o perispírito e deixando uma marca profunda na consciência. Portanto, as condições de quem praticou o crime deliberadamente e quem o fez apenas por uma determina circunstância da vida são completamente diferentes. Não podemos saber, evidentemente, quais serão suas consequências, mas podemos assegurar que elas terão consequências diferentes. 2- CIENTOLOGIA E ESPIRITISMO  Existe alguma relação entre o Espiritismo e a Cientologia? O que vem a ser Cientologia? Com certeza, muitos leitores ainda não ouviram falar dessa doutrina, porque ela só surgiu em 1955, nos Estados Unidos; portanto, tem apenas 49 anos. Trata-se de um sistema filosófico-religioso baseado na obra do escritor L.Ron Hubbard, que viveu de 1911 a 1986. A Igreja da Cientologia originou-se de uma psicoterapia chamada dianética. Seus ensinamentos mesclam elementos de psicoterapia com aspectos do cristianismo, do hinduismo e do budismo. A Cientologia ensina a imortalidade da alma e a evolução espiritual através do mecanismo na reencarnação. Neste ponto específico, ela se parece com o Espiritismo. Mas difere em outros pontos que o Espiritismo não aceita. Por exemplo: a fim de descobrir o seu Ser imortal interior, seus adeptos se submetem a um rigoroso processo de entrevistas, que inclui testes com detector de mentira, visando aumentar seu autoconhecimento. A igreja também exige de seus adeptos altas somas como contribuição financeira. Muitos astros do cinema americano pertencem a essa igreja, conforme já tivemos ocasião de constatar pelos seus próprios pronunciamentos. Embora a Cientologia tenha a reencarnação como ponto comum com o Espiritismo, ela nada tem a ver com o Espiritismo e nem o Espiritismo com ela. A Doutrina Espírita não está voltada apenas e tão somente para solução de problemas particulares, mas, sobretudo, para os grandes problemas da Humanidade. Por isso, busca sua base moral na doutrina de Jesus e entende que os problemas humanos serão equacionados, pouco a pouco, à medida que o homem, independente de religião, for se adequando aos padrões de comportamento ensinado por Jesus de Nazaré.