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terça-feira, 15 de outubro de 2019

O MAL DO MEDO E KARDEC - HOJE E SEMPRE 401


Relata Allan Kardec no número de outubro de 1858 da REVISTA ESPÍRITA, que na reunião de 14 de setembro passado, foi proposta ao dirigente Espiritual dos trabalhos, uma questão derivada de notícia publicada no periódico Moniteur, de 26 de novembro de 1857, muito ilustrativa. Segundo a nota, o Dr F. voltara para casa depois de ter feito algumas visitas aos seus doentes. Numa destas havia, ganho uma garrafa de excelente rum, importado diretamente da Jamaica. O médico esqueceu no carro a garrafa precisa. Lembrando-se um pouco mais tarde, foi procura-la e declarou ao chefe do estacionamento, que havia deixado num dos veículos uma garrafa de um veneno muito violento e o aconselhou a prevenir aos cocheiros que tivessem o maior cuidado em não fazer uso daquele líquido mortal. Mal retornara ao seu apartamento, vieram chama-lo apressadamente, pois três cocheiros do vizinho estacionamento sofriam dores abdominais horríveis. Foi com muita dificuldade que os convenceu de que tinham bebido excelente rum e que sua indelicadeza não poderia ter tido mais consequências que aquele castigo imediato aos culpados”. Kardec pediu à Espiritualidade uma explicação fisiológica desta transformação das propriedades de uma substância inofensiva, já que sabemos que, pela ação magnética, pode ocorrer tal transformação; mas no caso vertente não houve emissão de fluido magnético agindo apenas a imaginação e não a vontade. O Espírito São Luiz disse que o raciocínio sobre a imaginação estava correto, contudo, “os Espíritos maus, que induziram aqueles homens a cometer um ato indelicado, se serviram de outro procedimento: fizeram passar pela corrente sanguínea, na matéria, um ‘arrepio de medo’, que bem poderia ser chamado de ‘arrepio magnético’. Este distende o sistema nervoso e produz um esfriamento em certas partes do corpo. Na região abdominal pode ocasionar cólicas”. Acrescenta que “é, pois, um meio de punição que diverte os Espíritos que fizeram cometer o furto, ao mesmo tempo que os faz rir à custa daqueles a quem fizeram errar. Em todo caso não seria verificada a morte: é simples lição para os culpados e divertimento para os Espíritos levianos. Assim procedem, sempre que se lhes oferece oportunidade, que até procuram, para sua satisfação. Podemos evitar isso – e falo para vós – elevando-nos a Deus por pensamentos menos materiais que os ocupavam o Espírito daqueles homens. Os Espíritos maus gostam de se divertir. Cuidado com eles. Aquele que julga dizer uma frase agradável às pessoas que o cercam e que diverte uma sociedade com piadas e atos, por vezes se engana e, mesmo muitas vezes, quando pensa que tudo isso vem de si próprio. Os Espíritos levianos, que o cercam, com ele de tal modo se identificam, que pouco a pouco o enganam a respeito de seus pensamentos, enganando também àqueles que o ouvem. Neste caso pensais estar tratando com um homem de Espírito que não passa de um ignorante. Observai-vos e julgai minhas palavras. Nem por isso são os Espíritos Superiores inimigos da alegria: por vezes gostam de rir para se vos tornarem agradáveis. Todavia, cada coisa tem o seu momento oportuno”. Refletindo sobre o que foi dito, Kardec amplia a análise feita, considerando outra possibilidade: -“Dizer que no caso vertente não havia emissão de fluidos magnéticos talvez não fossemos muito exatos. Aqui aventuramos uma suposição. Como o dissemos, sabe-se que transformações das propriedades da matéria se podem operar sob a ação do fluido magnético, dirigido pelo pensamento. Ora, não é possível admitir que, pelo pensamento do médico, que queria fazer crer na existência de um tóxico e dar aos ladrões as angústias do envenenamento, tivesse havido à distância uma espécie de magnetização do líquido que, assim, teria adquirido novas propriedades, cuja ação teria sido corroborada pelo estado moral dos indivíduos, a quem o mêdo tornara impressionaveis? Esta teoria não destruiria a de São Luiz sobre a intervenção dos Espíritos levianos em semelhantes circunstâncias. Sabemos que os Espíritos agem fisicamente por meios físicos; podem, pois, a fim de realizar certos desígnios, servir-se daqueles que eles mesmos provocam e que nós lhes fornecemos inadvertidamente.








sábado, 12 de outubro de 2019

SAÚDE E ESPIRITISMO E KARDEC - HOJE E SEMPRE 398


A questão da saúde físico/mental constitui-se num grande impeditivo da qualidade de vida em nossa Dimensão. A Ciência caminha na direção de assumir o papel da emoção nos processos de doenças ou cura a partir de pesquisas e observações realizadas em vários Centros ao redor do Mundo. O Espiritismo vem por sua vez contribuindo para a formação de uma base consistente nessa área. No legado deixado por Allan Kardec através de suas obras podem ser encontrados elementos importantes para concluirmos sobrea autencidade dessa revelação. A visão, naturalmente, parte da amplitude oferecida pela ampla visão resultante do Princípio da Reencarnação. Vivemos num Universo de Causalidade e não de Casualidade. Argumentos como “não há uma só falta, por mais leve que seja, uma única infração à sua Lei (de DEUS), que não tenha consequências forçosas e inevitáveis, mais ou menos desagradáveis”. (ESE, 5,5) Ou “o homem não é, portanto, punido sempre, ou completamente punido, na sua existência presente, mas jamais escapa às consequências de suas faltas”. (ESE,5,7) Kardec afirma que ‘quando nos elevamos, pelo pensamento, de maneira a abranger uma série de existências, compreendemos que a cada um é dado o que merece”. (ESE,5,7), advertindo que ‘se dividirmos os males da vida em duas categorias, sendo UMA a dos males que o homem não pode evitar, e OUTRA a das atribulações que ele mesmo provoca, por sua incúria e seus excessos, veremos que esta última é muito mais numerosa que a primeira”. (ESE) Pondera que ‘se Deus não quisesse que pudéssemos curar ou aliviar os sofrimentos corporais, em certos casos, não teria colocado meios curativos à nossa disposição. (...)  e revela que ‘ao lado da medicação comum, elaborada pela ciência, o magnetismo nos deu a conhecer o poder da ação fluídica, e depois o Espiritismo veio revelar-nos outra força, através da mediunidade curadora e da influência da prece(ESE,28,77) Vejamos algumas informações derivadas do vasto conteúdo oferecido pela Espiritualidade nos últimos séculos através da mediunidade:1- Nossas instabilidades emocionais são fatores desencadeantes de moléstias? As depressões criadas em nós por nós mesmos, nos domínios do abuso de nossas forças, seja (...) pela rendição ao desequilíbrio, seja estabelecendo perturbações em prejuízo dos outros, plasmam, nos tecidos fisiopsicossomáticos que nos constituem o veículo de expressão, determinados campos de ruptura na harmonia celular. Verificada a disfunção, toda a zona atingida pelo desajustamento se torna passível de invasão microbiana (...) Desarticulado, pois, o trabalho sinérgico das células nesse ou naquele tecido, aí se interpõem as unidades mórbidas, quais as do câncer, que, nesta doença, imprimem acelerado ritmo de crescimento a certos agrupamentos celulares, entre as células sãs do órgão em que se instalem, causando tumorações invasoras e metastásicas, compreendendo-se, porém, que a mutação, no início, obedeceu a determinada distonia, originária da mente, cujas vibrações sobre as células desorganizadas tiveram o efeito das projeções de raios X ou de irradiações ultravioleta, em aplicações impróprias. (EDM) 2- Nossas ações e reações no relacionamento com nosso semelhante desencadeiam enfermidades? “Os antagonismos domésticos, os temperamentos aparentemente irreconciliáveis entre pais e filhos, esposos e esposas, parentes e irmãos, resultam dos choques sucessivos da subconsciência, conduzida a recapitulações retificadoras do pretérito recente. Congregados, de novo, na luta expiatória ou reparadora, as personagens dos dramas, que se foram, passam a sentir e ver, na tela mental, dentro de si mesmas, situações complicadas e escabrosas de outra época, malgrado os contornos obscuros da reminiscência, carregando consigo fardos pesados de incompreensão, atualmente definidos por “complexo de inferioridade(...)  Em obediência às lembranças vagas e inatas, os homens e as mulheres, jungidos uns aos outros pelos laços de consanguinidade ou dos compromissos morais, se transformam em perseguidores e verdugos inconscientes entre si” (...) “A extensão do sofrimento humano, nesse sentido, confunde-se com o Infinito”. (OVE) 3-Nossa atitude mental desarmônica pode criar doenças? “Se não é aconselhável envenenar o aparelho fisiológico pela ingestão de substâncias que o aprisionem ao vício, é imperioso evitar os desregramentos da alma que lhe impõem desequilíbrios aviltantes, quais sejam aqueles hauridos nas decepções e nos dissabores que adotamos por flagelo constante do campo íntimo. Cultivar melindres e desgostos, irritação e mágoa é o mesmo que semear espinheiros magnéticos e adubá-los no solo emotivo de nossa existência, é intoxicar, por conta própria, a tessitura da vestimenta corpórea, estragando os centros de nossa vida profunda e arrasando, consequentemente, sangue e nervos, glândulas e vísceras do corpo que a Providência Divina nos concede entre os homens, com vistas ao desenvolvimento de nossas faculdades para a Vida Eterna”.