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domingo, 6 de outubro de 2019

ESQUECIMENTO DO PASSADO E KARDEC - HOJE E SEMPRE 392


Vencida a resistência quanto a aceitação da ideia da reencarnação, Allan Kardec lançou-se a desenvolver reflexões que cercassem os questionamentos naturalmente feitos pelos negadores ou contraditores do Princípio que, segundo o Codificador, constitui-se na chave capaz de explicar a maioria dos complexos processos humanos. Um dos aspectos é o esquecimento do passado. Já n’O LIVRO DOS ESPÍRITOS a Espiritualidade adverte que “a recordação das passadas existências teria inconvenientes maiores do que imaginais”. (LE, 286ª) Num dos números da REVISTA ESPÍRITA de 1861, Kardec pondera que “é evidente que a lembrança de nossas existências precedentes causaria lamentável confusão em nossas ideias, sem falar de todos os outros inconvenientes já assinalados a respeito”. (RE; 1861) Na obra ENTRE A TERRA E O CÉU (feb, 1954), André Luiz repassa-nos a informação de que “as recordações do pretérito não devem ser totalmente despertadas para que ansiedades inúteis não nos dilacerem o presente. A Verdade para a alma é como o pão para o corpo que não pode exorbitar da quota necessária a cada dia. Toda precipitação gera desastres” (ETC, 26), prognosticando que “no grande futuro, o médico terrestre desentranhará um labirinto mental, com a mesma facilidade com que atualmente extrai um apêndice condenado”. (ETC,12), Na sequência a resposta para duas das dúvidas mais comuns sobre o tema:1- Como o Espiritismo justifica o chamado esquecimento do passado? Não pode o homem, nem deve, saber tudo. Deus assim o quer em sua sabedoria. Sem o véu que lhe oculta certas coisas, ficaria ofuscado, como quem, sem transição, saísse do escuro para o claro. Esquecido de seu passado ele é mais senhor de si. (LE, 392) Os Espíritos encarnados tão logo se realize a consolidação dos laços físicos, ficam submetidos a imperiosas leis dominantes na Crosta. Entre eles e o Plano Espiritual existe um espesso véu. É a muralha das vibrações.  Sem a obliteração temporária da memória, não se renovaria a oportunidade.  Se o Mundo Espiritual fora francamente aberto, olvidariam as obrigações imediatas, estimariam o parasitismo, prejudicando a própria evolução. (M,38) Os nervos, o córtex motor e os lobos frontais, constituem apenas regulares pontos de contato entre a organização perispiritual e o aparelho físico, indispensáveis, uma e outro, ao trabalho de enriquecimento e de crescimento do Ser eterno. Em linguagem mais simples, são respiradouros dos impulsos, experiências e noções elevadas da personalidade real que não se extingue no túmulo e que não suportariam a carga de uma dupla vida. Em razão disto, e atendendo aos deveres impostos à consciência de vigília para os serviços de cada dia, desempenham função amortecedora: são quebra-luzes, atuando beneficamente para que a alma encarnada trabalhe e evolva.  (NMM;4) 2-Avançando em seu processo de Evolução, mesmo com o esquecimento das experiências passadas a reencarnação resulta sempre num acréscimo no desenvolvimento do Espírito?  Se, em cada existência, é lançado um véu sobre o passado, o Espírito nada perde do que adquiriu no passado: só esquece a maneira como o adquiriu.  Se compararmos a um estudante, pouco lhe importa saber onde, como, e com quais professores fez o terceiro ano, se chegando ao quarto sabe o que se ensinou no terceiro.  É assim que, ao reencarnar, o homem traz, por intuição e como ideias inatas, o que adquiriu em ciência e moralidade. Digo em moralidade, pois se, durante uma existência ele melhorou, se aproveitou as lições da experiência, quando voltar será instintivamente melhor.  Seu Espírito, amadurecido na escola do sofrimento e do trabalho, terá mais solidez.  Longe de ter tudo a recomeçar, ele possui um capital cada vez mais rico, sobre o qual se apoia para adquirir mais.  O esquecimento temporário é um benefício da Providência.  A experiência é muitas vezes adquirida por rudes provas e terríveis expiações, cuja lembrança seria muito penosa e viria somar-se às angústias das tribulações da vida presente.  (OQE)









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