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terça-feira, 16 de janeiro de 2018

ESPIRITISMO E A BÍBLIA E BENZIMENTO DE ROUPAS

Falta de informação pode ser o motivo pelo qual a Doutrina Espírita é desconsiderada por muitas das pessoas como algo místico, elemento de que se valem os inimigos da Verdade para discriminar a proposta e seus seguidores. O professor José Benevides Cavalcante ( FUNDAMENTOS DA DOUTRINA ESPÍRITA, eme) oferece a seguir alguns esclarecimentos importantes a partir de dúvidas levantadas por leitores.ESPIRITISMO E A BÍBLIA - Não posso entender como o Espiritismo fala de Jesus, se os espíritas não aceitam a Bíblia como a palavra de Deus. Nesse caso, os espíritas só procuram na Bíblia aquilo que lhes interessa e, portanto, não podem criticar as outras religiões dizendo que elas fazem a mesma coisa Primeiramente, queremos dizer que o Espiritismo não tem a pretensão de promover guerra religiosa, nem tampouco discriminar ninguém que pensa de maneira diferente . A Doutrina Espírita, desde a sua constituição, em abril de 1857, é muito clara quanto ao respeito que tem em relação a toda e qualquer religião responsável, de pessoas sinceras e crentes. Apenas que o Espiritismo tem a sua própria maneira de ver e interpretar o mundo, a partir das verdades que já pôde auferir de suas observações e pesquisas. E como respeita a todas as crenças sinceras, também quer que a sua Doutrina seja igualmente respeitada. Assim, os espíritas - aqueles que conhecem a Doutrina e não os outros - respeitam e se interessam pela Bíblia, mas não fazem a mesma leitura da Bíblia que o comum das religiões, porque tudo que compulsa e examina, sem exceção, o faz primeiramente pelo critério da lógica e do bom senso. As religiões bíblicas partem de um princípio de fé, segundo o qual a Bíblia é a palavra de Deus e, portanto, não pode ser contestada, enquanto que o Espiritismo parte do princípio de que tudo, absolutamente tudo - e nisso estão igualmente as obras espírita - deve ser visto, examinado e passado sob o crivo da razão, e só, depois de compreendido, se tornar objeto de fé. Portanto, são formas bem diferentes de tratamento, do que resulta visões diferentes dos conteúdos bíblicos. BENZIMENTO DE ROUPAS É errado benzer roupa no Centro? Eu freqüentava um Centro que fazia isso. Muita gente levava roupas de parentes e pessoas doentes para receber bons fluidos. Depois, que passei a freqüentar outro Centro, fiquei sabendo que aquilo não é Espiritismo. Não vejo nenhum mal em benzer roupas Não se trata de estar certo ou errado, de ser um bem ou um mal. Existem, no mundo, as mais diversas práticas religiosas, cada qual derivada de um sistema de crenças. O Espiritismo respeita todas elas, porque a fé não se impõe a ninguém, mas a Doutrina tem seus próprios princípios e suas próprias práticas, que considera eficazes na busca de soluções possíveis para os problemas humanos. Os ritos religiosos, em geral, estão presos a concepções bem diferentes das que o Espiritismo tem a respeito das leis que regem os fenômenos da natureza, particularmente os que estão ligados à questão da cura. Para a Doutrina Espírita, o pensamento é o esteio de todos os fenômenos que diz respeito ao Ser humano, razão pela qual não adota nenhuma forma cerimoniosa, nenhuma prática mística, assentada sobre o pensamento mágico, por considerá-las inteiramente dispensáveis. Mesmo o passe, em si, não deveria se restringir a uma simples imposição de mãos, em que o paciente permanece inerte, a espera de uma doação miraculosa. Não é recomendável que acreditemos no poder mágico das coisas (dos objetos e das palavras), mas que procuremos participar do fenômeno como agentes impulsionadores de seus mecanismos naturais. Mesmo que impregnássemos um tecido de bons fluidos com nossas vibrações de amor, que efeito teria na pessoa que vai usá-lo, se essa pessoa está ausente desse processo, se ela não toma conhecimento do que lhe está acontecendo e não sabe buscar as razões pelas quais estão passando por determinado problema? Não terá, pelo menos, o efeito mais importante, que é de conscientizá-la a respeito de suas necessidades íntimas e de ajudá-la a resolver os seus mais intricados problemas existenciais. O pensamento é tudo - diz Kardec - porque ele é catalizador desses fenômenos. Por isso, a utilização de velas, amuletos, bentinhos, talismãs, incenso e todo arsenal de coisas "mágicas" não encontra acolhida no meio espírita. Ademais, a chamada "cura espiritual" nos é um tanto controvertida, não podendo ser confundida com a prática das inúmeras igrejas dedicadas a esse mister, nele se apoiando para proclamarem suas princípios e se arvorarem como únicas detentoras da Verdade. No Espiritismo, a cura real não é a do corpo, mas a da alma; por isso, o resultado imediato não é o mais importante, mas, sim, o processo pelo qual o necessitado é envolvido no conhecimento das leis da vida, para compreender as suas próprias necessidades de transformação moral e buscar supri-las através de um esforço consciente. Realmente, o Espiritismo não adota e não pode adotar esse expediente, pois ele não encontra respaldo nas bases da Codificação e reduziria a Doutrina a práticas que ela veio combater por significar um retrocesso à superstição e ao misticism

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

NOVAS POSSIBILIDADES OFERECIDAS PELO ESPIRITISMO

O jornal SIÈCLE, de 4 de julho de 1861, noticiou a morte de um soldado, chamava-se Pierre Valin, ferido na cabeça na batalha de Solferino. Que mesmo tendo a ferida completamente cicatrizada, se julgava morto.  Quando lhe pediam notícias da saúde, respondia: ‘Quereis saber como vai Pierre Valin? Pobre rapaz! Foi morto com um tiro na cabeça em Solferino. O que vedes aqui não é Valin; é uma máquina que fizeram à sua semelhança, mas muito malfeita. Deveríeis pedir para que fizessem outra.’ “Ao falar de si mesmo, jamais dizia eu ou a mim, mas este. Frequentemente caía em completo estado de imobilidade e de insensibilidade, que durava vários dias. Aplicados contra essa afecção, os cataplasmas e vesicatórios jamais produziram o menor sinal de dor. Muitas vezes exploraram a sensibilidade da pele desse homem, beliscando-lhe os braços e pernas, sem que manifestasse o mais leve sofrimento. “Para assegurar-se de que não dissimulava, o médico mandava picá-lo nas costas, enquanto conversavam com ele. O doente nada percebia. Muitas vezes, Pierre Valin recusava alimentar-se, dizendo que isto não era necessário; que, aliás, isto não tinha ventre, etc. A publicação se refere a casos semelhantes. No número de agosto de 1861 da REVISTA ESPÍRITA, Allan Kardec analisa o fato a partir de uma evocação ocorrida na Sociedade Espírita de Paris. Diz ele: - Narramos um fato semelhante na REVISTA de junho de 1861, a propósito da evocação do marquês de Saint-Paul. Em seus últimos momentos ele dizia sempre: “Ele tem sede; é preciso dar-lhe de beber. Ele tem frio; é preciso aquecê-lo. Ele sente dor em tal local, etc.” Mas quando lhe diziam: Mas sois vós que tendes sede, ele respondia: Não, é ele. “É que o eu pensante está no Espírito, e não no corpo. Já em parte desprendido, o Espírito considerava seu corpo como uma outra individualidade que, propriamente falando, não era ele. Era, pois, ao seu corpo, a esse outro indivíduo que era preciso dar de beber, e não a ele Espírito. Assim, quando na evocação lhe fizeram esta pergunta: Por que faláveis sempre na terceira pessoa? ele respondia: “Porque, como vos dissera, estava vendo e sentia nitidamente as diferenças que existem entre o físico e o moral. Essas diferenças, ligadas entre si pelo fluido da vida, tornam-se muito distintas aos olhos dos moribundos clarividentes. (...) Todos os magnetizadores sabem que é muito comum aos sonâmbulos falarem na terceira pessoa, fazendo ainda a distinção entre a personalidade de sua alma, ou Espírito, e o corpo. Em estado normal as duas individualidades se confundem e sua perfeita assimilação é necessária à harmonia dos atos da vida. Mas o princípio inteligente é como esses gases, que não se prendem a certos corpos sólidos senão por uma coesão efêmera, escapando ao primeiro sopro. Há sempre uma tendência de se desembaraçar de seu fardo corpóreo, desde que deixa de agir, por uma causa qualquer, a força que mantém o equilíbrio. Só a atividade harmônica dos órgãos mantém a união íntima completa da alma e do corpo; mas, à menor suspensão dessa atividade, a alma levanta vôo. É o que acontece no sono, no quase sono, no mero entorpecimento dos sentidos, na catalepsia, na letargia, no sonambulismo natural ou magnético, no êxtase, no que se chama sonho acordado, ou segunda vista, nas inspirações do gênio e em todas as grandes tensões do Espírito, que muitas vezes tornam o corpo insensível. É, enfim, o que pode ocorrer como consequência de certos estados patológicos. Uma porção de fenômenos morais não tem por causa senão a emancipação da alma. A Medicina bem que admite a influência das causas morais, mas não aceita o elemento moral como princípio ativo. Daí por que confunde esses fenômenos com a loucura orgânica, razão por que lhes aplica um tratamento puramente físico que, com muita frequência, determina a verdadeira loucura, onde desta só havia a aparência.




sábado, 6 de janeiro de 2018

INFLUÊNCIA ESPIRITUAL

Ao responder na questão 459 d’O LIVRO DOS ESPÍRITOS que a ação dos desencarnados sobre os encarnados é maior do que eles supõem, Allan Kardec abriu campo para o desenvolvimento da realidade da obsessão explicada anos depois n’O LIVRO DOS MÉDIUNS. Na sequencia, algumas respostas de Kardec a perguntas que naturalmente surgem. Os Espíritos desencarnados tomam parte ativa em nossas vidas? Muito comumente os Espíritos são vistos assim pelos videntes: os veem ir, vir, entrar, sair, circular em meio aos vivos, dando a impressão – pelo menos os Espíritos comuns – de tomar parte ativa no que se passa em seu redor e interessar-se conforme o assunto, escutando o que se diz. Por vezes, vê-se que se aproximam das pessoas, soprando-lhes ideias, influenciando-as, consolando-as.  (RE,4/1861) De que forma? Em todos os tempos os bons e os sábios ajudaram os intelectualmente desenvolvidos por inspirações, ao passo que outros se limitam a nos guiar nos atos ordinários da vida; mas essas inspirações, que ocorrem pela transmissão de pensamento a pensamento, são imperceptíveis, discretas e não podem deixar qualquer traço material. Se o Espírito quiser manifestar-se ostensivamente, é preciso que aja sobre a matéria; se quer que seu ensino, em vez de ter o vago e incerto pensamento, tenha precisão e estabilidade, precisa de sinais materiais e para tanto – deixam passar a expressão – serve-se de tudo que lhe cai às mãos, desde que nas condições apropriadas à sua natureza. Serve-se de uma pena, de um lápis, se quiser escrever, de um objeto qualquer, mesa ou panela, se quiser bater, sem que por isso seja humilhado. (RE; 4/1861) Mesmo ignorando a realidade da influência espiritual seremos responsabilizados por efeitos advindos dela? Se sucumbirmos não nos poderemos queixar senão de nós mesmos, porque a ignorância não nos servirá de desculpa. O perigo está no império que os maus Espíritos exercem sobre as pessoas, o que não é apenas uma coisa funesta, do ponto de vista dos erros de princípios que aqueles podem propagar, como ainda do ponto de vista dos interesses da vida material. (RE; 7/1859) Tal influência é constante e permanente ? É preciso não perder de vista que os Espíritos constituem todo um mundo, toda uma população que enche o espaço, circula ao nosso lado, mistura-se em tudo quanto fazemos. Se se viesse a levantar o véu que nô-los oculta, vê-los-íamos em redor de nós, indo e vindo, seguindo-nos, ou nos evitando segundo o grau de simpatia; uns indiferentes, ocultos, outros muito ocupados quer consigo mesmos, quer com os homens, aos quais se ligam, com um propósito mais ou menos louvável, segundo as qualidades que os distinguem. Numa palavra veríamos uma réplica do gênero humano, com suas boas e más qualidades, com suas virtudes e com seus vícios. Este acompanhamento, ao qual não podemos escapar, porque não há recanto bastante oculto para se tornar inacessível aos Espíritos, exerce sobre nós, queiramos ou não, uma influência permanente. Uns nos impelem para o Bem, outros para o mal; muitas vezes as nossas decisões são resultado de sua sugestão; felizes quando temos juízo bastante para discernir o bom e o mau caminho, por onde nos procuram arrastar. (RE; 8/1859) Os Espíritos mal intencionados podem se servir de qualquer encarnado para produzir o mal que intencionam? Quando os Espíritos imperfeitos solicitam alguém a fazer uma coisa má, sabem eles muito bem a quem se dirigem e não vão perder tempo onde veem que serão mal recebidos; eles nos excitam conforme nossas inclinações ou conforme os germens que em nós veem e segundo as nossas disposições para os escutar. Eis porque o homem firme nos princípios do Bem, não lhes dá oportunidade. (RE; 1/1859)



quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

JUSTIÇA DIVINA?


As inesperadas mudanças que surpreendem muitas famílias com a chamada “perda” de um ente querido além dos sentimentos contraditórios que suscitam, constitui-se em dúvidas sem respostas para o que se deixa dominar pela emoção. O Professor José Benevides Cavalcante (FUNDAMENTOS DA DOUTRINA ESPÍRITA, eme) é acionado por um caso típico. Vamos a ele: "Num acidente que envolveu várias pessoas, que viajavam num veículo, só um jovem morreu, quando estavam indo para um passeio. Seus pais estão inconformados e, ora põem a culpa em um, ora em outro. Dizem que não podem aceitar que Deus tenha reservado essa triste sorte para seu filho..." Fatos como esse acontecem sempre. Suponhamos dois jovens, A e B, viajando num veículo que vem a capotar na rodovia. Com o acidente, o primeiro vem a falecer instantaneamente, o outro jovem se salva com alguns poucos ferimentos. Os pais de B, após o susto, dirão: "Deus foi muito bom conosco; salvou nosso filho. Poderia ter morrido, mas não morreu. Foi a mão de Deus que o amparou naquele momento!" E os pais de A o que vão dizer? Se forem pessoas equilibradas e resignadas, certamente, dirão: "Coitado de nosso filho! Tão bom! Mas Deus o levou. Não podemos fazer mais nada. Temos que respeitar a Sua vontade". Se forem revoltadas, exclamarão: " Por que nosso filho? Por que isso aconteceu justamente conosco? Por que Deus permitiu que isso acontecesse? Que injustiça! era um rapaz tão bom!... Deus não poderia tê-lo amparado? Não amparou o outro?" Momentos de alívio para uns e de grande sofrimento para outros, situação que qualquer um de nós pode ter que enfrentar ainda. Por que só A morreu? Os ateístas explicam que todo acontecimento da vida se deve a causas próximas. Não existe Deus, não existe Espírito. Nascemos e vivemos uma única existência, para nunca mais. No caso, o que determinou a morte foi a alta velocidade do carro, ou a falta de atenção ou de habilidade no volante, ou um defeito mecânico, etc. Mas por que faleceu um e não o outro, se os dois estavam juntos? Bem, obra do acaso - dirão eles - sorte de B e azar de A, a vida tem essas surpresas; poderia ter sido B, mas o acaso determinou que fosse A. Neste caso, como conceituar a vida? Existe justiça? Se a vida não tem um sentido maior que simplesmente viver uma única existência, sem perspectiva do futuro, para que servirá? De que servirá tudo o que passamos, tudo o que ensinamos e aprendemos, todas as afeições conquistadas, todas as realizações, sonhos e ideais, se, num minuto, como diz Kardec, tudo se transforma em nada e tudo se acaba de vez? Todavia, um espiritualista dirá: "Fulano morreu porque esta é a vontade de Deus; da mesma forma se explica porque o outro está vivo. Se Deus quisesse, teria morrido B, mas Ele não quis; por isso foi A quem morreu. Se foi um crente e rendeu seu culto ao Senhor, certamente se salvará; se não teve fé, nem cultuou determinada religião, com certeza vai para o inferno eterno". Que decepção! Deus decide e pronto! Nós, que somos os protagonistas da história, não temos nenhuma participação nisso e temos simplesmente que nos conformar. É quando surge a revolta. Para que tanto esforço, se Deus tem outros planos para nós, planos dos quais não temos a menor ideia, e Ele decide sozinho qual vai ser o nosso destino? Qual é o nosso valor nesse contexto, se estamos fora de todas as decisões? Onde a livre-arbítrio? Entretanto, o espírita, diante do caso em questão, vai dizer: "A não morreu por acaso e nem foi por acaso que B se salvou. Também o que aconteceu não foi simplesmente porque Deus disse ,por mero capricho, "eu quero assim". Existem leis que regem os destinos do homem, segundo as quais, cada um caminha com suas próprias pernas e com seu próprio esforço. Todos temos participação em tudo que nos acontece. Existem causas que determinaram a morte de um e a salvação do outro, causas que podem advir de vidas passadas ou desta mesma existência, mas que, de qualquer forma, atribuem a cada qual a responsabilidade pelo que lhe acontece. Somos nós que conduzimos nossa vida e, por gozarmos de liberdade de decisão, temos méritos e culpas naquilo que nos acontece. O que se passa conosco hoje se explica pelo passado e o nosso futuro". Qual dessas posições é a mais condizente com a justiça e o amor de Deus? Certamente os pais desse jovem, o único que veio a desencarnar no acidente, precisam ser orientados dentro destes postulados, pois a Doutrina Espírita nos apresenta uma concepção perfeita de justiça, que nos ajuda a compreender os obstáculos e os problemas da vida, resignando-nos com aquilo que, presentemente, não podemos mudar. Só uma ampla visão da vida nos pode levar a uma compreensão mais profunda de Deus