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segunda-feira, 24 de junho de 2024

O ESPIRITISMO E O SEXO; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 

Polemicas e discussões acaloradas em torno da cura das chamadas inversões na área da sexualidade circunscrevem-se mais aos efeitos que as prováveis causas. O Espiritismo já na sua origem oferece bases para pelo menos reflexões mais objetivas sobre a questão. Na sequencia alguns pontos para embasar estudos mais aprofundados em torno da questão:1- Os Espíritos encarnam nos diferentes sexos; aquele que foi homem, poderá renascer mulher e aquele que foi mulher poderá renascer homem, a fim de realizar os deveres de cada uma dessas posições, e sofrer-lhes as provas. 2- Sofrendo o Espírito encarnado a influência do organismo, seu caráter se modifica conforme as circunstâncias e se dobra às necessidades e exigências impostas pelo mesmo organismo. Esta influência não se apaga imediatamente após a destruição do invólucro material, assim como não perde instantaneamente os gostos e hábitos terrenos. 3- Percorrendo uma série de existências no mesmo sexo, conserva durante muito tempo, no estado de Espirito, o caráter de homem ou de mulher, cuja marca nele ficou impressa. 4- Se esta influência se repercute da vida corporal para a espiritual, o mesmo se dá quando o Espírito passa da vida espiritual para a corporal. Numa nova encarnação trará o caráter e as inclinações que tinha como Espírito. Se for avançado, será um homem avançado; se for atrasado, será um homem atrasado. Mudando de sexo, poderá então, sob essa impressão e em sua encarnação, conservar os gostos, inclinações e o caráter inerente ao sexo que acaba de deixar. Assim se explicam certas anomalias aparentes, notadas no caráter de certos homens e de certas mulheres. 5- Não existe diferença entre o homem e a mulher, senão no organismo material, que se aniquila com a morte do corpo. Mas, quanto ao Espírito, à alma, o Ser essencial, imperecível, ela não existe, porque não há duas espécies de almas. 6- A sede real do sexo não se acha, no veículo físico, mas sim na entidade espiritual em sua estrutura complexa. 7- O sexo é mental em seus impulsos e manifestações. 8- Além da trama de recursos somáticos, a alma guarda a sua individualidade sexual intrínseca, a definir-se na feminilidade ou masculinidade, conforme os característicos acentuadamente passivos ou claramente ativos que lhe sejam próprios. 9- A energia natural do sexo, inerente à própria vida em si, gera cargas magnéticas em todos os seres, pela função criadora de que se reveste, caracterizadas com potenciais nítidos de atração no sistema psíquico de cada um. 10- O instinto sexual não é apenas agente de reprodução, mas reconstituinte de forças espirituais, pelo qual as criaturas encarnadas ou desencarnadas se alimentam mutuamente, na permuta de raios psíquico-magnéticos necessários ao seu progresso. 11- O Espírito reencarna em regime de inversão sexual, como pode renascer em condições transitórias de mutilação ou cegueira. Isso não quer dizer que homossexuais ou intersexos estejam em posição, endereçados ao escândalo ou à viciação, como aleijados e cegos não se encontram na inibição ou na sombra para serem delinquentes. 12- O conceito de normalidade ou anormalidade são relativos. Se a cegueira fosse a condição da maioria dos Espíritos reencarnados na Terra, o homem que pudesse enxergar seria positivamente minoria e exceção. 13- Ações praticadas contra pessoas do sexo oposto na busca de prazer a qualquer preço, impõem além da morte a desorganização mental do causador manifestada através da alienação mental exigindo para seu reequilíbrio muitas vezes pela intervenção os Agentes da Lei Divina, reencarnações compulsórias renascendo em corpo inversos às suas características momentâneas de masculinidades ou feminilidade, para que no corpo inverso, no extremo desconforto íntimo, aprenda a respeitar o semelhante lesado. 14- A inversão também ocorre por iniciativa daqueles que, valendo-se da renúncia construtiva para acelerar o passo no entendimento da vida e do progresso espiritual no intuito de operarem com mais segurança e valor o acrisolamento moral de si mesmos ou na execução de tarefas especializadas, através de estágio perigosos de solidão, em favor do campo social da Terra 15- Masculinidade ou feminilidade totais são inexistentes na personalidade humana, do ponto de vista psicológico, visto que homens e mulheres, em Espírito, apresentam certa percentagem de característicos viris ou feminis em cada indivíduo, o que não assegura possibilidades de comportamento íntimo normal para todos, segundo a conceituação de normalidade que a maioria dos homens estabeleceu para o meio social. 16- Homens e mulheres podem nascer homossexuais ou intersexos, seja como expiação ou em obediência a tarefas específicas –, como são suscetíveis de tomar o veículo físico na condição de mutilados ou inibidos em certos campos de manifestação para melhorar-se e nunca sob a destinação do mal. 17- A Terra, pouco a pouco, renovará princípios e conceitos, diretriz e legislação, em matéria de sexo, sob a inspiração da ciência, que situará o problema das relações sexuais no lugar que lhe é próprio .



Se todo Espírito tende à perfeição e todos serão perfeitos um dia, isso significa que todos seremos iguais a Jesus?

Todas as pessoas, que alimentam um ideal superior, vê em Jesus um guia e modelo e, se ela acredita na lei da evolução, com certeza aspira a uma condição semelhante a de Jesus.

No entanto, temos que considerar que, se Jesus já era um Espírito Superior há dois mil anos atrás, hoje sua condição espiritual ainda é mais elevada, porque o processo evolutivo não para.

Além disso, caro ouvinte, a Lei de Deus é tão perfeita que a perfeição, que aspiramos a alcançar, é própria de cada um, é exclusiva. Isso quer dizer que não existem duas perfeições iguais.

É o mesmo que se dá entre nós, aqui na Terra. Por mais que uma pessoa se aperfeiçoe numa determinada área de ação, a perfeição eu ela atingir será sempre dela e não de outro.

Isso por conta das diferenças individuais. Não existem duas pessoas iguais, não existem duas almas iguais, por mais que se assemelhem, porque cada um, na Lei de Deus, é dono exclusivo de sua própria perfeição.

Portanto, quando no Espiritismo falamos que caminhamos para a perfeição, que a perfeição é nossa meta, não queremos dizer que, ao final, todos seremos perfeitamente iguais. Não. As diferenças sempre existirão, porque são essas diferenças que fazem com que cada um seja ele mesmo com sua individualidade, diferente de todos os demais.

Perfeição absoluta é só Deus, prezado ouvinte. E, por isso mesmo, por ser absoluta é a única, inalcançável, mas sempre aspirada por todos nós.

Logo, a condição espiritual que Jesus alcançou é só dele. Ele é perfeito à sua maneira de ser. Ele nos ama e nos acolhe à sua maneira e foi dessa forma que ele reencarnou na Terra com a finalidade de nos ajudar a caminhar mais depressa rumo à nossa própria perfeição. “Sede perfeito como vosso Pai Celestial é perfeito”.

domingo, 23 de junho de 2024

A VOLTA DA FORTUNA; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 

Confirmando através de inúmeros exemplos e testemunhos obtidos via mediunidade que a Lei de Causa e Efeito leva sempre o Espírito ao encontro dos resultados de suas ações, o Espiritismo afirma também que a família consanguínea deriva de uma família espiritual derivada das relações interpessoais mal sucedidas nas encarnações que temos. O caso analisado por Allan Kardec no número de outubro de 1864 da REVISTA ESPÍRITA, ilustra isso. Parte de fato noticiado no jornal no SIÈCLE de 5 de junho daquele ano: “O Sr. X..., berlinense, possuía imensa fortuna. Seu pai, ao contrário, em consequência de vários reveses, tinha caído em extrema miséria e se vira forçado a recorrer à generosidade do filho. Este repeliu duramente a súplica do ancião que, para não morrer de fome, teve de recorrer à intervenção da justiça. O Sr. X... foi condenado a fornecer ao pai uma pensão alimentar. Mas, antes, havia tomado suas precauções: prevendo que parte de seus rendimentos poderia ser confiscada, caso se recusasse a pagar a pensão, resolveu ceder a fortuna a um tio paterno. “O infeliz pai viu-se privado de sua última esperança. Protestou que a cessão era fictícia e que o filho tinha recorrido a ela para escapar à execução da sentença. Mas teria que o provar; o velho, porém, não dispunha de condições para intentar um processo custoso, já que lhe faltavam as coisas essenciais à vida. “Um acontecimento imprevisto veio mudar tudo. O tio morreu subitamente, sem deixar testamento. Como não tivesse família, a fortuna reverteu, de direito, ao parente mais próximo, isto é, ao seu irmão. “Compreende-se o resto. Hoje os papéis estão invertidos. O pai está rico e o filho pobre. O que, sobretudo, deve aumentar o desespero deste último é que não pode invocar o fato de uma cessão fictícia, pois a lei interdita formalmente esse gênero de transação”. Comenta Kardec: Dir-se-ia que se sempre fosse assim com o mal, melhor seria compreendida a justiça do castigo; sabendo o culpado por que é punido, saberia do que se deve corrigir. Os exemplos de castigos imediatos são menos raros do que se pensa. Se se remontasse à fonte de todas as vicissitudes da vida, ver-se-ia, aí, quase sempre, a consequência natural de alguma falta cometida. A cada instante recebe o homem terríveis lições, das quais, infelizmente, bem poucos tiram proveito. Enceguecido pela paixão, não vê a mão de Deus, que o fere; longe de acusar-se por seus próprios infortúnios, põe a culpa na fatalidade e na má sorte; irrita-as muito mais do que se arrepende. Aliás, não nos surpreenderíamos se o filho, do qual se fala acima, em vez de ter reconhecido seus erros para com o pai, em lugar de lhe ter dispensado melhores sentimentos, passasse a lhe devotar maior animosidade. Ora, o que pede Deus ao culpado? O arrependimento e a reparação voluntária. Para o animar a isto multiplica à sua volta, durante a vida inteira, todas as formas de advertências: desgraças, decepções, perigos iminentes; numa palavra, tudo o que é próprio a fazê-lo refletir. Se, a despeito disto, seu orgulho resiste, não é justo que seja punido mais tarde? É grave erro pensar que o mal possa ficar impune, uma ou outra vez, na vida atual. Se se soubesse tudo quanto acontece ao mau, aparentemente o mais próspero, ficar-se-ia convencido da verdade de que não há uma única falta nesta vida, uma só inclinação má, dizemos mais, um só mau pensamento que não tenha sua contrapartida. Daí a consequência que, se o homem aproveitasse os avisos que recebe, se se arrependesse e reparasse desde esta vida, teria satisfeito à justiça de Deus e não mais teria de expiar, nem de reparar, seja no mundo dos Espíritos, seja em nova existência. Se há, pois, os que nesta vida sofrem o passado de sua precedente existência, é que devem pagar uma dívida que não saldaram



Na Bíblia vemos Jesus se referir ao inferno mais de uma vez. Parece que todo mundo ali acreditava no inferno e Jesus também. Porém, os espíritas continuam dizendo que o inferno não existe. Não é uma contradição?

A leitura que as religiões fazem do evangelho – ou seja, a interpretação que elas dão aos textos – é diferente da forma como o Espiritismo os interpreta. Vamos tomar um exemplo da fala de Jesus, utilizando uma tradução católica, a do padre Matos Soares.

Ouvistes o que foi dito aos antigos: “não matarás” e quem matar será submetido ao juízo do tribunal. Pois eu vos digo que todo aquele que irar contra seu irmão será submetido ao juízo do tribunal. O que chamar “raca” a seu irmão será condenado no conselho. O que lhe chamar louco será condenado ao fogo da geena”.

Essa passagem, aliás muito conhecida, fala em “juízo do tribunal”, fala em “conselho” e fala em “geena”. Jesus , aqui, está comparando a aplicação das leis humanas à lei de Deus.

Ao falar em “tribunal” e em “conselho” ele está se referindo ao Sinédrio, que era o tribunal dos judeus, onde as pessoas eram julgadas pelos seus crimes.

Ao falar em “geena”- palavra que acabou sendo substituída pela palavra “inferno” nos textos bíblicos - ele está referindo ao vale de Hinom, fora das muralhas de Jerusalém. Nesse vale a população jogava o lixo da cidade, restos de animais, cadáveres de pessoas consideradas indignas e toda espécie de imundície.

Além disso, usava-se o enxofre para manter o fogo aceso e queimar o lixo, de modo que da “geena” exalava mau cheiro que ninguém queria suportar. A geena, portanto, representava o extremo do sofrimento, o insuportável.

Nas traduções subsequentes dos evangelhos o termo, como dissemos, acabou ganhando a conotação de inferno, em que os judeus acreditavam, por influência da religião persa. Mas o importante, aqui, é que Jesus costumava usar comparações muito fortes para sensibilizar seus ouvintes e isso está em toda a sua fala.

Tais colocações, no entanto, não quer dizer que Jesus acreditava no inferno como seus conterrâneos concebiam. Até porque, para Jesus, Deus era a manifestação do amor e não era concebível que um só de seus filhos amados se perdesse e fosse condenado para sempre, sem o perdão e a misericórdia do Pai.

Mesmo que existissem demônios ou espíritos malignos, como se dizia entre os judeus, esses demônios também eram filhos de Deus, porque foram por Ele criados e amados.

Seria contraditório, sim, conceber o inferno de perdição e eterna e, ao mesmo tempo, a sublimidade do amor que Jesus recomendava até mesmo aos piores inimigos, porque esse amor significava, antes de tudo, que todos são filhos do mesmo Pai e que, portanto, o Pai os ama a todos igualmente.

sábado, 22 de junho de 2024

O ESPÍRITO NA EXPERIÊNCIA HUMANA; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 

A surpreendente resposta à questão 607ª d’ O LIVRO DOS ESPÍRITOS indica que a Individualidade em que nos tornamos é uma versão avançada do chamado Princípio Inteligente do Universo. E o também surpreendente Allan Kardec nas páginas de suas OBRAS BÁSICAS, particularmente da REVISTA ESPÍRITA preservou material instigante para nossas reflexões. Na sequência alguns pontos para pensarmos. Como teria se operado o início da fase Humanidade? Ignoramos absolutamente em que condições se dão as primeiras encarnações do Espírito; é um desses princípios das coisas que estão nos segredos de Deus. Apenas sabemos que são criados simples e ignorantes, tendo todos, assim, o mesmo ponto de partida, o que é conforme à justiça; o que sabemos ainda é que o livre-arbítrio só se desenvolve pouco a pouco e após numerosas evoluções na vida corpórea. Não é, pois, nem após a primeira, nem depois da segunda encarnação que o Espírito tem consciência bastante clara de si mesmo, para ser responsável por seus atos; não é senão após a centésima, talvez após a milésima. Dá-se o mesmo com a criança, que não goza da plenitude de suas faculdades, nem um, nem dois dias após o nascimento, mas depois de anos. (RE, 1864) O armazenamento do registro de percepções, sensações e experiências se dá naturalmente através da memória cujos rudimentos podem ser observados no Reino Mineral. Como o Espiritismo a explica? A memória pode ser comparada a placa sensível que, ao influxo da luz, guarda para sempre as imagens recolhidas pelo Espírito, no curso de seus inumeráveis aprendizados, dentro da vida. Cada existência de nossa alma, em determinada expressão da forma, é uma adição de experiência, conservada em prodigioso arquivo de imagens que, em se superpondo umas às outras, jamais se confundem. (ETC, 12) Que é a memória, senão uma espécie de álbum mais ou menos volumoso, que se folheia para encontrar de novo as ideias apagadas e reconstituir os acontecimentos que se foram? Esse álbum tem marcas nos pontos capitais. De alguns fatos o indivíduo imediatamente se recorda; para recordar-se de outros, é-lhe necessário folhear por longo tempo o álbum.(OP) A memória é como um livro! Aquele em que lemos algumas passagens facilmente no-las apresenta aos olhos; as folhas virgens ou raramente perlustradas têm que ser folheadas uma a uma, para que consigamos reconstituir um fato sobre o qual pouco tenhamos demorado a atenção. Quando o Espírito encarnado se lembra, sua memória lhe apresenta, de certo modo, a fotografia do fato que ele procura. A memória é um disco vivo e milagroso. Fotografa as imagens de nossas ações e recolhe o som de quanto falamos e ouvimos. Por intermédio dela, somos condenados ou absolvidos, dentro de nós mesmos. (LI, 11) O aprofundamento das pesquisas levadas a efeito por diferentes ramos da ciência permitiu concluir-se que o recurso chamado mente acompanha a evolução da nossa espécie. O Biólogo Bruce Lipton no livro BIOLOGIA DA CRENÇA (butterfly, 2006) explica essa evolução. O que diz? A evolução dos mamíferos mais desenvolvidos, incluindo os chimpanzés, os cetáceos e os humanos, criou um novo nível de consciência chamado "autoconsciência" ou mente consciente. Foi um passo muito importante em termos de desenvolvimento. A mente anterior, predominantemente subconsciente, é nosso "piloto automático"; já a mente consciente é nosso controle manual. Por exemplo: se uma bola é jogada em direção ao seu rosto, a mente consciente, mais lenta, pode não reagir em tempo de evitar a ameaça. Mas a mente inconsciente, capaz de processar cerca de 20 milhões de estímulos ambientais por segundo versus 40 estímulos interpretados pela mente consciente no mesmo segundo, nos fará piscar e nos desviar. A mente subconsciente, um dos processadores de informações mais poderosos de que se tem notícia até hoje, observa o mundo ao nosso redor e a consciência interna do corpo, interpreta os estímulos do ambiente e entra imediatamente em um processo de comportamento previamente adquirido (aprendido). Tudo isso sem ajuda ou supervisão da mente consciente. O subconsciente é um grande centro de dados e programas desprovido de emoção, cuja função é simplesmente ler os sinais do ambiente e seguir uma programação estabelecida sem nenhum tipo de questionamento ou julgamento prévio.





Lendo o Gênese – o primeiro livro da Bíblia - quando fala da criação, fico pensando como foi importante criar essa imagem do paraíso e criar o homem à imagem e semelhança de Deus, porque, não fossem assim, seria difícil ou quase impossível imaginar como Deus é?

Você tem razão. Como que as pessoas, no mundo antigo podiam imaginar Deus?

Não é difícil deduzir porque os povos da época acabaram por dar aos seus deuses certas formas, que brotavam de sua imaginação.

No Egito, por exemplo, esses deuses eram representados de diversas formas, como seres humanos, como animais e como animais e seres humanos ao mesmo tempo.

Como eles acreditavam que os deuses podiam se manifestar através de animais, com o tempo também passaram a adorar animais.

A deusa Isis, por exemplo, era representada em figura humana, Amon-Ra por um corpo humano e cabeça de animal, o crocodilo Suco representava um dos deuses, e assim por diante.

O homem da antiguidade não conseguia conceber um deus (um ser espiritual) que não coubesse na sua imaginação. Por isso criavam as imagens para representá-los.

Aliás, até hoje, no culto católico por exemplo, as imagens fazem parte dos rituais de adoração.

Por isso, naquela época, adorar animais ou imagens que representavam animais passou a fazer parte dos cultos e cerimoniais egípcios.

Contudo, durante o período em que os hebreus, povo de Abraão, permaneceu no Egito, muitos hebreus passaram a participar dos seus cultos.

Evidentemente, este foi um dos grandes problemas que Moisés teve de enfrentar para atender a um deus extremamente exigente e rigoroso.

Não foi por outra razão que, logo no início do Gênese (livro que foi escrito séculos depois de Moisés) , Deus aparece criando o homem à sua imagem e semelhança.

No capítulo 20 do Gênese, onde encontramos os dez mandamentos, logo de início Deus sinaliza: “Eu sou o senhor vosso Deus que vos tirou do Egito, da terra da servidão...”

E, em seguida Ele estabelece a seguinte proibição: ”Não terás outros deuses diante mim. Não farás para ti imagens de escultura do que está nos céus ou na terra, etc.” (E assim por diante)

Veja que o recado de Deus era direto, dirigido especialmente aos hebreus que ainda estavam envolvidos com os cultos egípcios.

E isso fica confirmado com a manifestação de ira do próprio Moises, quando desce do Monte Sinai com os mandamentos nas mãos e manda destruir o bezerro que estava sendo cultuado pelo povo...

Logo, essa afirmação de que Deus criou o homem “à sua imagem e semelhança” servia para reforçar a ideia de que o deus de Abraão nada tinha a ver com os deuses egípcios ou com deuses de outros povos daquela época.

No antigo testamento, Iavé ou Jeová é deus somente do povo de Israel, o povo que ele próprio escolheu com exclusão de todos os demais, e a quem prometera a Terra de Canaã.

A vinda de Jesus a esse povo foi providencial. Jesus não se prendia totalmente às exigências de Moises e estava pouco importando com a representação de Deus.

Como sentisse que seu povo via Deus sempre distante, que só podia ser atingido pelos rituais da religião, ele comparou Deus a um pai humano.

Essa comparação não se prendia a imagens, mas ao fato de que Deus estava ligado a nós pelo sentimento, como um pai em relação a seus filhos.

Deus era uma presença constante na vida de cada um. Isso fazia com que as pessoas tivessem acesso direto a Deus a qualquer momento, sem precisar de intermediários e nem de rituais.

Essa posição fica claro no Sermão da Montanha, quando Jesus se dirige ao povo para levar uma mensagem de reconforto e fé.

É nesse momento em que ele afirma que, para se falar com Deus, não é preciso nem mesmo sair de casa.

Quando quiserdes orar, entrai em vosso quarto, fechai a porta, e fazei vosso pedido em segredo ao Pai, e o Pai, que sabe o que se passa em segredo, vos atenderá”.

Nesse momento Jesus está dizendo que o Pai é sempre presente, embora não o vejamos.

Jesus ensina, então, que falar com Deus é falar de Espírito para Espírito, sem qualquer cerimonial. Não é preciso vê-lo para pedir, mesmo considerando que Ele está presente.

Veja que Jesus, referindo-se ao Pai, não fala em semelhança, nem em forma. Ele fala em sentimentos, pois só vamos sentir que estamos falando com Deus quando estivermos cultivando bons sentimentos e pudermos sentir Deus no coração.

Não há necessidade de imaginar como Deus é, se tem forma ou cor, mas sentir o seu Amor por meio da nossa prece.

Com certeza, Deus não é nada do que podemos imaginar, mas é tudo o que podemos sentir quando amamos de verdade.



sexta-feira, 21 de junho de 2024

O QUE FAZ A DIFERENÇA; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 

Não existe dor maior do que a perda de um filho”, afirmou certa vez o médium Chico Xavier que de forma intensiva conviveu com milhares de pessoas que subitamente se viram privadas do convívio de seus entes queridos causada pela morte natural e predominantemente acidente desde os anos 70 do século passado. Mensagens psicografadas durante esses anos, mostraram que o que retornou ao Plano Espiritual também tem dificuldades de aceitar a dura realidade. Tanto maior quanto for a fixação do que ficou nos detalhes da partida e na inconformação, visto que através do sem fio do pensamento as ligações persistem fazendo com que as imagens mentalizadas incidam sobre aquele que precisa de paz a fim de se restabelecer e reintegrar à realidade espiritual. A original visão oferecida pelo Espiritismo sobre o tema morrer pode ajudar nesse traumático momento? Allan Kardec, na REVISTA ESPÍRITA, número de novembro de 1865 pondera o seguinte: - “Enquanto em presença da morte o incrédulo só vê o nada, ou pergunta o que vai ser de si, o espírita sabe que, se morrer, apenas será despojado de um invólucro material, sujeito aos sofrimentos e às vicissitudes da vida, mas será sempre ele, com um corpo etéreo, inacessível à dor; que gozará de percepções novas e de maiores faculdades; que vai encontrar aqueles a quem amou e que o esperam no limiar da verdadeira vida, da vida imperecível. Quanto aos bens materiais, sabe que deles não mais necessitará, e que os prazeres que proporcionam serão substituídos por outros mais puros e mais invejáveis, que não deixam em seu rasto nem amarguras nem pesares. Assim, abandona-os sem dificuldade e com alegria, lamentando os que, ficando na Terra, ainda irão precisar deles. (...) Quem quer que tenha lido e meditado nossa obra O CÉU E O INFERNO segundo o Espiritismo e, sobretudo, o capítulo sobre o temor da morte, compreenderá a força moral que os espíritas haurem em sua crença, diante do flagelo que dizima as populações. (...) Consideram como um dever velar pela saúde do corpo, porque a saúde é necessária para a realização dos deveres sociais. Se buscam prolongar a vida corporal, não é por apego à Terra, mas para ter mais tempo para progredir, melhorar-se, depurar-se, despojar-se do velho homem e adquirir mais soma de méritos para a Vida Espiritual. Mas, se a despeito de todos os cuidados, devem sucumbir, tomam o seu partido sem queixa, sabendo que todo progresso traz os seus frutos, que nada do que se adquire em moralidade e em inteligência fica perdido, e que se não desmereceram aos olhos de Deus, serão sempre melhores no outro mundo do que neste, ainda mesmo que ali não ocupem o primeiro lugar. Apenas dizem: Vamos um pouco mais cedo aonde iríamos um pouco mais tarde. Crê-se que com tais pensamentos não se esteja nas melhores condições de tranquilidade de espírito recomendada pela Ciência? Para o incrédulo ou para o que duvida, a morte tem todos os seus terrores, porque perde tudo e nada espera.




Meu marido bebia muito e por isso morreu de cirrose. Meu filho mais novo que, na época, era ainda criança, agora começou a beber há pouco tempo e parece querer seguir o mesmo rumo do pai. Será que seu pai está encostado nele? Como afastar essa influência?

Até é possível que o rapaz sofra alguma influência do pai, porque existe uma relação afetiva entre pai e filho. Mas não acreditamos que somente por isso seu filho esteja buscando a bebida. Deve existir alguma predisposição no rapaz para beber, e o meio onde ele vive também pode contribuir para isso.

Os Espíritos – que costumam chamar de obsessores, porque prejudicam os encarnados – só conseguem atuar sobre a pessoa que já tem uma tendência que favoreça sua atuação. Dificilmente um Espírito criará tal disposição quando ela não existe no encarnado.

Além do mais, dependendo da personalidade de seu filho, ele pode ser influenciado por colegas e, hoje a bebida é comum entre os jovens. Procure cientificar-se disso.

A melhor solução, no momento, é cuidar de seu filho enquanto a dependência alcoólica não instalou, nunca se esquecendo que a educação espiritual ou religiosa é sempre fundamental para direcionar uma pessoa na vida.

Você, que é mãe, procure encaminhá-lo o quanto antes e, de preferência, vá com ele a um centro espírita bem orientado, e comecem você e ele a participar das reuniões de passe e sejam assíduos. Conversem com o pessoal do centro sobre isso. No centro vocês receberão orientação de como enfrentar o problema. 


quinta-feira, 20 de junho de 2024

SEXO ALEM DA MORTE; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 “...seu filho anda partido em dois, tamanho é o meu anseio de realizar-me na condição de homem(...). Muitos rapazes se desligam facilmente desses anseios. Tenho visto centenas que me participam estarem transfigurados pela religião e outros adotam exercícios de ioga com o objetivo de cortarem essas raízes da mocidade com o mundo(...).Meu tio Ivo fala em amor entre jovens apenas usufruindo o magnetismo das mãos dadas, e até já experimentei, mas a pequena não apresentava energias que atraíssem para longos diálogos sobre as maravilhas da vida por aqui. Fiz força e ela também; no entanto, nos separamos espontaneamente, porque não nos alimentávamos espiritualmente um ao outro. Creio que meu caso é uma provação que apenas vencerei com o apoio do tempo(...). Dizem por aqui que os pares certos trocam emoções criativas e maravilhosas no simples toque de mãos; no entanto, estou esperando o milagre”. O desabafo foi feito por Ivo Barros Correia Menezes à mãe, em carta psicografada por Chico Xavier, seis anos após seu desencarne aos 18 de idade, quando o veículo em que se encontrava com amigos foi colhido por ônibus cujo motorista ultrapassou o sinal vermelho. Embora o sexo além da morte não tenha sido objeto de mais aprofundados estudos por Allan Kardec, os Espíritos que auxiliaram no cumprimento do programa desenvolvido através do médium de Pedro Leopoldo, deixaram importantes subsídios para nossas reflexões. André Luiz, por exemplo, acompanhando a benfeitora Narcisa num atendimento num dos pavilhões em que começava a servir na colônia descrita em NOSSO LAR (feb), atraído por gritaria próxima, foi contido por ela, no instintivo movimento de aproximação, ouvindo dela: “- Não prossiga, localizam-se ali os desequilibrados do sexo. O quadro seria extremamente doloroso para seus olhos”. MISSIONÁRIOS DA LUZ (feb), expõem situação verificada com Marcondes que “no desdobramento natural do sono físico deveria estar em palestra proferida durante a madrugada pelo Instrutor Alexandre, em instituição localizada na Crosta e que é localizado em seu quarto de dormir, parcialmente desligado do corpo que descansava com bonita aparência, sob as colchas rendadas (...), revelando posição de relaxamento, característica dos viciados do ópio, tendo a seu lado, três entidades femininas” - definidas por André como da pior espécie de quantas já tinha visto nas regiões das sombras -, em atitude menos edificante, atraídas, segundo disseram pelos pensamentos curtidos pelo encarnado no dia anterior”. O caso de Odila apresentado no ENTRE A TERRA E O CÉU (feb), mostra a situação de mulher desencarnada, evidenciando no corpo espiritual, o centro genésico plenamente descontrolado, não querendo senão o marido, em vista do apego enlouquecedor aos vínculos do sexo, que a paixão nada faz senão desvirtuar”. Segundo análise do Instrutor Clarêncio, embora “possua admiráveis qualidades morais, jazem eclipsadas. Desencarnou em largo vigor de seu idealismo, sem uma fé religiosa capaz de reeducar lhe os impulsos, justificando-se desse modo a superexcitação em que se encontra”. Calderaro, o Benfeitor apresentado em NO MUNDO MAIOR (feb), explica que “a sede do sexo não se acha no corpo grosseiro, mas na alma, em sua sublime organização”. Na mesma obra, acompanhando tarefa socorrista efetuada em recinto reservado de um clube de dança, André observa: “-Algumas dezenas de pares encarnados dançavam, tendo as mentes absorvidas nas baixas vibrações que a atmosfera vigorosamente insuflava. Indefinível e dilacerante impressão dominou-me o Ser. Não provinha da estranheza que a indiferença dos cavalheiros e a leviandade das mulheres me provocaram; o que me enchia de assombro era o quadro que eles não vinham. A multidão de entidades conturbadas e viciosas que aí se movia era enorme. Os dançarinos não bailavam sós, mas, inconscientemente, correspondiam, no ritmo açodado da música inferior, a ridículos gestos dos companheiros irresponsáveis que lhes eram invisíveis”. Comentando a cena, o Orientador diz: “- Observamos, neste recinto, homens e mulheres dotados de alto raciocínio, mas assumindo atitudes de que muitos símios talvez se pejassem(...). Muitos deles são profundamente infelizes, precisando de nossa ajuda e compaixão. Procuram sufocar no vinho ou nos prazeres certas noções de responsabilidade que não logram esquecer”. Finalizando, porém, destacamos um que de certo modo surpreende por sua peculiaridade. Provém do E A VIDA CONTINUA (feb), envolvendo Ernesto Fantini que, vários meses após ter desencarnado, ansioso, retorna ao lar que fora dele defrontando-se com um quadro que jamais poderia imaginar. Conta: “-Elisa – a esposa -, descansava... O corpo magro, o rosto mais profusamente vincado de rugas e os cabelos mais grisalhos. No entanto, junto dela, estirava-se um homem desencarnado”. Tratava-se de colega de infância, cuja amizade conservara adulto e que, embora também casado, pressentia nutrir atração anormal por sua esposa, a qual, a compartilhava. Anos antes, acreditava ter eliminado o rival numa caçada – na verdade atingido por tiro fatal desferido por outro – e, desligado compulsoriamente do corpo, passou a viver a partir de então na casa e na cama com a pretendida que o percebia pela ignorada mediunidade, ao longo do anos que se seguiram até aquele momento de reencontro”.


Se há uma coisa que rejeito e não quero ouvir falar é sobre a morte. Ora, a vida já é tão difícil e para vivê-las temos que ser alegres e felizes. Mas o Espiritismo fala muito em morte e quando ouço isso fico deprimida. Não teria outro caminho para falar sobre as coisas de Deus?

Há dois aspectos nesta questão. O primeiro é referente ao sentimento que você alimenta em relação à vida.

A vida na Terra é uma dádiva de Deus, que devemos tratar com todo cuidado e reverência.

Devemos amar a vida, independente do que nos aconteça. Para o espírito – que antecede e sucede esta vida – ela é uma oportunidade de aprendizado e de aperfeiçoamento.

Não importa quanto tempo o Espírito permaneça aqui: um ano, quinze, vinte ou 80 anos. Cada vida tem o seu significado e o seu próprio aproveitamento.

E, pelo fato de amarmos a vida, sempre devemos alimentar otimismo quanto ao futuro, cultivando e espalhando alegria por onde passamos.

O outro aspecto, no entanto, é a morte que, queiramos ou não, faz parte de nossa experiência como Espíritos em evolução, que passamos muitas vezes por este mundo.

Não devemos fingir que a vida terrena é eterna. Por isso temos que viver com amor e intensidade, cultivando valores que nos dignificam o espírito, fazendo com que nos amemos a nós mesmos e ao próximo.

No entanto, caro ouvinte, não devemos alimentar a ilusão de que estaremos sempre aqui, pois, assim como começou, um dia a vida vai terminar.

O problema é que o ser humano, através dos tempos, vem alimentando um significado terrível para a morte, como se ela fosse a aniquilação total do ser.

Não é, nem tampouco a morte é essa coisa tenebrosa que as histórias costumam nos apresentar, rodeada de fantasmas e assombrações.

A literatura e o cinema exploram a morte com filmes de medo e terror, com ideias diabólicas de ódio e destruição, com o que o Espiritismo não concorda, pois ela só servem para estimular a insegurança o medo diante da vida.

O Espiritismo não vê assim, é claro. Para a Doutrina Espírita a morte, que pode nos ocorrer em qualquer momento, é simplesmente um fenômeno de passagem, do mundo material para o mundo espiritual.

Enquanto muitos, aqui na Terra, lamentam e amaldiçoam a morte, os Espíritos familiares e amigos, do outro lado da vida, aguardam ansiosos a chegada dos que lhes são caros.

Desse modo, com uma ideia elevada e sublime da vida espiritual, que o Espiritismo nos dá, podemos aceitar a morte de um ente querido com naturalidade, mesmo passando a sofrer a dor da saudade.

Por isso, ouvir falar sobre morte e conviver com esse elevado conceito de espiritualidade não nos deixa temerosos ou deprimidos, mas nos ensina a encarar esse fato com serenidade e fé em Deus, como quem se despede de um ente querido que vai fazer uma grande viagem.

Essa postura espírita nos dá mais segurança na vida e evita que sejamos surpreendidos no meio do caminho por algo que nos pareça tenebroso e destruidor, capaz de nos levar à revolta ou ao desespero.


quarta-feira, 19 de junho de 2024

LUMEN; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Camille Flammarion tinha 18 anos quando conheceu Allan Kardec, em 1860. Menino precoce, começou aos 16 de idade, a trabalhar no Observatório de Paris, aos 20 teve publicado A PLURALIDADE DOS MUNDOS HABITADOS, o primeiro de mais de três dezenas de livros de sua autoria entre os abordando Astronomia e os sobre Espiritismo. Participante das reuniões da Sociedade Espírita de Paris, entre os anos de 1862 e 1863, psicografou nelas uma série de mensagens intituladas ESTUDOS URANOGRÁFICOS, assinados pelo Espírito Galileu, incluídos pelo Codificador na obra A GÊNESE sob o título URANOGRAFIA GERAL. Há quem diga que ele seria a reencarnação de Galileu e se ocultado no pseudônimo Lucius, com que prefacia através de Chico Xavier, a obra IMAGENS DO ALÉM (ide), de Heigorina Cunha. Na REVISTA ESPÍRITA de março de 1867, a seção NOTÍCIAS BIBLIOGRÁFICA comenta um artigo de Camille, publicado na REVISTA DO SÉCULO 19, edição de fevereiro, que, segundo a apreciação, “poderia se constituir um livro interessante, e sobretudo, instrutivo, porque seus dados são fornecidos pela ciência positiva e tratados com a clareza e elegância que o jovem sábio põe em todos os seus escritos”. No trabalho, o autor supõe uma dialogo entre um indivíduo encarnado, chamado Sitiens, e o Espírito de um de seus amigos, chamado Lumen, que lhe descreveu seus últimos pensamentos terrenos, as primeiras sensações da Vida Espiritual e as que acompanham o fenômeno da separação. Esse quadro avalia Kardec, está perfeitamente de acordo com o que os Espíritos ensinam a respeito; é o mais exato Espiritismo, menos a palavra, que não é pronunciada. Alguns trechos destacados demonstram isso: 1- A primeira sensação de identidade que se experimenta depois da morte, assemelha-se à que se sente ao despertar durante a vida, quando, voltando pouco a pouco à consciência da manhã, ainda se é atravessado por visões da noite”. Observa Kardec que “nesta situação do Espírito, nada há de admirável que alguns não se julguem mortos”. 2- Não há morte. O fato que designais sob tal nome, a separação entre corpo e alma, a bem dizer, não se efetua sob uma forma material comparável às separações químicas dos elementos dissociados, observadas no mundo físico. Quase não se percebe esta separação definitiva, que nos aparece tão cruel, quando o recém-nascido não percebe o seu nascimento.; nascemos para a vida futura como nascemos para a vida terrena. Apenas a alma, não mais adquire prontamente a noção de seu estado e de sua personalidade. Contudo, essa faculdade de percepção varia essencialmente de alma para alma. Umas há que, durante a vida do corpo, jamais se elevaram para o céu e jamais se sentiram ansiosas por penetrar as Leis da Criação. Estas, ainda dominadas pelos apetites corporais, ficam muito tempo num estado de perturbação inconsciente”. Flammarion relata que “logo depois da libertação o Espírito Lumen transportou-se com a velocidade do pensamento para o grupo de Mundos componentes do sistema da estrela designada em Astronomia sob o nome de Capella ou Cabra”. Dando-nos uma ideia da ampliação de suas percepções após ter abandonado o corpo físico, Lumen diz que “a visão de minha alma tinha um poder incomparavelmente superior ao dos olhos do organismo terrestre, que acabava de deixar; e, observação surpreendente, seu poder me parecia submetido à vontade”. Mais à frente, revela que “no mundo à margem do qual eu acabava de chegar, os seres, não encarnados num invólucro grosseiro como aqui - refere-se à Terra -, mas livres e dotados de faculdades de percepção elevadas a eminente grau de poder, podem perceber distintamente detalhes que, a essa distância, seriam absolutamente subtraídos aos olhos das organizações terrestres”. Explicando melhor acrescenta que tal capacidade “não é exterior a esses seres, pertencem ao próprio organismo de sua vista. Tal construção ótica e poder de visão são naturais nesses mundos e não sobrenaturais. Pensai um pouco nos insetos que gozam da propriedade de contrair ou alongar os olhos, como tubos de uma luneta, encher ou achatar o cristalino para dele fazer uma lente em diferentes graus, ou ainda concentrar no mesmo foco uma porção de olhos assestados como outros tantos microscópios, para captar o infinitamente pequeno, e podeis mais legitimamente admitir a faculdade desses seres extraterrenos”. Enaltecendo o valor do artigo, Kardec considera que “é a primeira vez que o Espiritismo verdadeiro e sério é associado à ciência positiva, e isto por um homem capaz de apreciar uma e outra, e de captar o traço de união que um dia os deverá ligar”.





Como o Espiritismo vê as pessoas que prosperam financeiramente na vida, muitas vezes, saindo da condição de pobreza para obterem sucesso na vida dos negócios? Do ponto de vista espiritual, onde elas estariam classificadas?

Não há nenhum mal no fato de uma pessoa prosperar financeiramente na vida, desde que essa prosperidade venha de seu próprio esforço e não por meio da exploração, do roubo ou de qualquer outro meio ilícito.

Evidentemente, progredir no campo financeiro passa a ser uma missão daqueles Espíritos que realmente sabem lidar com os negócios e almejam uma condição cada vez melhor na vida.

Ademais, devemos entender que o trabalho honesto é um fator de desenvolvimento social, pois passa a envolver outras pessoas e outras famílias que dele se valem para viver, contribuindo enormemente para o bem-estar da sociedade como um todo.

Portanto, caro ouvinte, só temos que reconhecer que certos Espíritos vêm ao mundo justamente para servir de alavanca para o progresso social e sua missão será completa se eles estiverem bem conscientes de seu papel, nunca se esquecendo que a prosperidade deve ser compartilhada.

No entanto, mesmo dotado de uma capacidade especial de lidar com o dinheiro, existem pessoas ( todos nós estamos sujeitos a esta fraqueza) que desviam a finalidade de sua missão, passando a viver egoisticamente em função de si mesmas e, no máximo, de suas famílias, não se importando com a parte mais pobre e mais vulnerável da sociedade.

É claro que, nesses casos, sua missão falhou, porque ninguém vem ao mundo sem uma missão elevada, por menor e mais insignificante ela possa parecer. Se o rico e bem sucedido não se importa com o bem comum, à medida que desfrutam dos benefícios que a sociedade lhes deu, ele passa a ser explorador e devedor da sociedade.

Allan Kardec fez a seguinte pergunta aos Espíritos, conforme questão 899: “De dois homens ricos, um nasceu na opulência e não conheceu jamais a necessidade; o outro deve sua fortuna ao seu trabalho; mas os dois a empregam exclusivamente em sua satisfação pessoal, qual deles é o mais culpável”?

A resposta, que vem em seguida, é clara: “Aquele que conheceu o sofrimento e sabe o que é sofrer. Ele conhece a dor que não alivia, mas muito frequentemente não se lembra mais dela”.

Na questão seguinte d’O LIVRO DOS ESPÍRITOS, Allan Kardec pergunta se aquele que acumula riquezas sem fazer o bem encontra uma desculpa válida no pensamento de que acumula riqueza para deixar para seus herdeiros.

É um compromisso com a má consciência” – respondem os Espíritos. Evidentemente, não podemos agir apenas pelo bem dos nossos. Precisamos perceber que temos um compromisso com a sociedade.

Do tempo de Allan Kardec para cá, com o progresso das leis humanas, muita coisa tem mudado no sentido de considerar as empresas como um bem social e que, portanto, elas devem trabalhar pelo bem da sociedade e não focar apenas lucros que beneficiem exclusivamente seus proprietários. Essa compreensão tem demonstrado um grande avanço no campo social e, sem dúvida, tem sido um bem para a humanidade.


terça-feira, 18 de junho de 2024

ESTAR É DIFERENTE DE SER ESPÍRITA; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 

O rótulo de Espírita, a exemplo de qualquer outro, significa quase nada do ponto de vista do aproveitamento da individualidade na sua passagem pela nossa Dimensão. Uma matéria reproduzida na edição de setembro de 1865 da REVISTA ESPÍRITA confirma essa conclusão. O caso foi relatado a Allan Kardec em 10 de janeiro daquele ano por correspondente da cidade de Lyon. Envolvia um indivíduo espírita que sob o domínio dessa crença se melhorou, embora não a tivesse aproveitado tanto quanto poderia tê-lo feito, devido à sua inteligência. Vivia com uma velha tia, que o amava como filho, e que não poupava trabalhos nem sacrifícios por seu caro sobrinho. Por economia era a boa mulher que cuidava da casa. Até aí tudo muito natural; o que o era menos é que o sobrinho, jovem e em boa forma, a deixava fazer trabalhos acima de sua força, sem que jamais lhe acudisse à ideia poupar-lhe marchas penosas para a sua idade, o transporte de fardos e coisas semelhantes. Na casa não mudava um móvel de lugar, como se tivesse criados às suas ordens; e mesmo que previsse algum penoso serviço excepcional, arranjava um pretexto para se abster, temeroso de que lhe pedissem um auxílio, que não poderia recusar. Entretanto, havia recebido várias lições a respeito, poder-se-ia dizer afrontas, capazes de fazer refletir um homem de coração; mas era insensível (...). Era estimado como um homem decente e de boa conduta, (...). Em consequência dos esforços que fazia, a velha senhora foi acometida por uma hérnia muito grave, que a fazia sofrer muito, mas que ela tinha coragem para não se lamentar. Um dia, provavelmente querendo esquivar-se a um trabalho penoso, o sobrinho saiu cedo e não voltou. Ao atravessar uma ponte, foi vitima da queda da viatura em que estava e arrastado por uma encosta, morreu duas horas depois. Informados do fato, quisemos evocá-lo, e ouvimos de um dos nossos guias: “Não poderá comunicar-se antes de algum tempo. Neste momento ele está muito perturbado pelos pensamentos que o agitam. Vê a tia e a doença que ela contraiu em consequência das fadigas corporais e da qual ela morrerá. É isto que o atormenta, pois se considera como o seu assassino. E o é, com efeito, já que lhe podia poupar o trabalho que será a causa de sua morte. Para ele é um remorso pungente que o perseguirá por muito tempo, até que tenha reparado a sua falta. Ele queria fazê-lo; não deixa a tia, mas seus esforços são inúteis e, então, se desespera. É preciso, para o seu castigo, que a veja morrer devido à sua negligência egoísta, porque sua conduta é uma variedade do egoísmo. Orai por ele, a fim de que possa manter o arrependimento, que mais tarde o salvará”. Dirigiram ao Benfeitor Espiritual a seguinte pergunta: - Poderia dizer-nos se não lhe serão levados em conta outros defeitos de que se corrigiu por causa do Espiritismo e se sua posição não se abrandou? Explicou o seguinte: – Sem nenhuma dúvida, essa melhora lhe é levada em conta, pois nada escapa ao olhar perscrutador da Divina Providência. Mas eis de que maneira cada boa ou má ação tem suas consequências naturais, inevitáveis, conforme estas palavras do Cristo: “A cada um segundo as suas obras”. Aquele que se corrigiu de algumas faltas se poupa da punição que elas teriam acarretado e, ao contrário, recebe o prêmio das qualidades que as substituíram; mas não pode escapar às consequências dos defeitos que ainda ficaram. Assim, não é punido senão na proporção e conforme a gravidade destes últimos; quanto menos os tiver, melhor a sua posição.



Há pouco tempo tivemos uma pandemia, que atingiu todo o mundo e fez milhões de vítimas. Agora, a dengue está ameaçando o Brasil, deixando um clima de insegurança. Desse modo, é possível que outras surpresas desagradáveis apareçam complicando mais a nossa vida. Vocês não acham que isso é carma?

Para o Espiritismo nada acontece por acaso. Portanto, por trás dessas enfermidades existem causas naturais, que estão querendo dizer alguma coisa para nós. Podemos dizer, sem medo de errar, que a natureza está nos alertando contra os males que estamos criando para nós mesmos.

No fundo, todos sabemos do que se trata. Não é possível que, hoje, com tantos meios de comunicação, principalmente a televisão, que ocupa várias horas do dia com o tema saúde, não saibamos como viver de acordo com as leis naturais. Os últimos anos vêm nos lembrando que precisamos cuidar da saúde com responsabilidade, até porque essas doenças dependem muito de nossos maus hábitos de vida.

Já estamos no século XXI, em plena era tecnológica. Hoje estamos discutindo até mesmo a Inteligência Artificial, mas a grande parte da população, apesar de todos os avanços da ciência e da tecnologia, não desenvolveu hábitos novos para poder conviver com as novas invenções.

Um exemplo típico dessa situação é a grave situação do clima. Apesar das enchentes e dos problemas delas advindos, continuamos poluindo o meio urbano com muito lixo, por exemplo, e não despertamos para o fato de que o acúmulo dos detritos é um dos fatores das enchentes e das doenças.

O homem inventou o papel, o plástico, toda espécie de recipiente e ferramenta para o nosso uso e consumo diário. Usamos esse excesso de conforto, sem nos preocupar que estamos agredindo a natureza, poluindo o ar, os rios, os mares e o meio urbano em geral sem respeitar limites, transformando tudo em lixo e material nocivo aos vegetais, aos animais e a nós próprios.

O que podemos esperar dessa revolução, onde estamos voltados para a utilização inadequadas dos bens e esquecidos de tudo, absolutamente tudo, depende da natureza. Quando a natureza é agredida ela responde e das mais diferentes formas. E uma delas é a doença. Eis o carma. Eis a lei de causa e efeito.