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quinta-feira, 22 de abril de 2021

A OBSESSÃO SOB ANGULOS INUSITADOS; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Um encontro casual após um esbarrão no final da tarde de 22 de outubro de 1946, numa das principais avenidas de Belo Horizonte, resultou numa amizade e convivência quase diária pelos próximos doze anos, até que as circunstancias obrigassem Chico Xavier a mudar-se para Uberaba, no Triângulo Mineiro. Assim explica Arnaldo Rocha sua ligação com o médium mineiro, que já na primeira oportunidade, surpreendeu o ateu e materialista Arnaldo, ainda abalado com a morte da querida esposa 21 dias antes. Após as apresentações, Chico, sem nunca tê-lo visto nesta existência, comenta sobre a beleza da jovem falecida, pedindo para ver a foto guardada no bolso traseiro de sua calça. A jovem chamara-se na existência recem terminada, Irma de Castro, apelidada Meimei, forma carinhosa com que o apaixonado esposo a tratava.. No início dos anos 50, Chico assoberbado pelo grande número de necessitados que o cercavam insistiu na importância de reativar de forma regular os trabalhos de desobsessão a que se consagrou até a morte de seu irmão José Xavier, em 1939. Assim , em 31 de julho de 1952, começava a funcionar o Grupo Meimei, sob a coordenação em nosso Plano de Arnaldo, apesar de não se reconhecer com o preparo necessário. Mergulhou numa confusão mental, como escreveria no livro MANDATO DE AMOR (uem), derivada do entristecimento pela “vivência e participação em situações tão infelizes”. Ocorreu-lhe a ideia de, através de Chico, pedir ao orientador espiritual Emmanuel, fornecesse maiores esclarecimentos sobre a obsessão. Instantes depois, o médium disse-lhe: “- Nosso Benfeitor pede para inteirar-lhe que no momento acha-se ocupado em determinados setores de serviço, que o impedem de atender-nos, como seria de seu desejo. Mas solicitará a um amigo a cooperação fraterna de sua experiência nesse mister”.  Semanas depois, nos instantes finais das reuniões do Grupo Meimei, após modificações significativas na fisionomia de Chico, apresentou-se o Espírito do Dr. Francisco Menezes Dias da Cruz. Era a noite de 15 de julho de 1954, e o médico desencarnado, explicou estar atendendo às solicitações de Emmanuel, desdobrando desde então um ciclo de sete explanações sobre o assunto solicitado. Na primeira intitulada ALERGIA E OBSESSÃO, estabelece interessante proposição afirmando que “a obsessão é um processo alérgico, interessando o equilíbrio da mente”. Didaticamente explica: “- Recordemos que as radiações mentais, que podemos classificar por agentes “R”, na maioria das vezes se apresentam, na base de formação da substância “H”, desempenhando importante papel em quase todas as perturbações neuropsíquicas e usando o cérebro como órgão de choque. Todos os nossos pensamentos definidos por vibrações, palavras ou atos, arrojam de nós raios específicos. Assim sendo, é indispensável cuidar de nossas próprias atitudes, na autodefesa e no amparo aos semelhantes”. Na abordagem seguinte, PARASITOSE MENTAL, aprecia o vampirismo, figurando-o como sendo inquietante fenômeno de parasitose mental. Considera que “pelo imã do pensamento doentio e descontrolado, o homem provoca sobre si a contaminação fluídica de entidades em desequilíbrio, capazes de conduzí-lo à escabiose e à ulceração, à dispsomania e à loucura, à cirrose e aos tumores benignos ou malignos de variada procedência, tanto quanto aos vícios que corroem a vida moral, e, através do próprio pensamento desgovernado, pode fabricar para si mesmo as mais graves eclosões de alienação mental, como sejam as psicoses de angústia e ódio, vaidade e orgulho, usura e delinquência, desânimo e egocentrismo, impondo ao veículo orgânico processos patogênicos indefiníveis, que lhe favorecem a derrocada ou a morte”. Na terceira manifestação, tratou do DOMÍNIO MAGNÉTICO, serve-se do hipnotismo, comparando o estado de sujeição da vontade do hipnotizado ao do obsediado. Diz que “o processo se assemelha ao utilizado pelos desencarnados de condição inferior, consciente ou inconscientemente, na cultura do vampirismo. Justapõem-se à aura das criaturas que lhes oferecem passividade e, sugando-lhes as energias, senhoreiam-lhes as zonas motoras e sensórias, inclusive os centros cerebrais, em que o espírito conserva as suas conquistas de linguagem e sensibilidade, memória e percepção, dominando-as à maneira do artista que controla as teclas de um piano, criando assim as doenças-fantasmas de todos os tipos que, em se alongando no tempo, operam a degenerescência dos tecidos orgânicos, estabelecendo o império de moléstias reais, que persistem até a morte”. Seguindo, o Dr. Dias da Cruz, comentou a FIXAÇÃO MENTAL, dizendo que “as reações contínuas, hauridas pelos nervos da organização sensorial, determinando a compulsória movimentação do cérebro, associadas aos múltiplos serviços da alimentação, da higiene e da preservação orgânica, estabelecem todo um conjunto vibratório de emoções e sensações sobre as cordas sensíveis da memória. Na visita seguinte, o assunto foi A TERAPEUTICA DA PRECE, em que ele considera que “no tratamento da obsessão, é necessário salientá-la como elemento valioso na introdução à cura”. As duas últimas abordagens seriam dedicadas à AUTOFLAGELAÇÃO, em que lembra que “toda violência praticada por nós, contra os outros, significa dilaceração em nós mesmos”. Concluindo, o comentário dedicou-se à OBSESSÃO OCULTA, salientando o “impositivo de nossa vigilância em todos os estados passivos de nossa alma, porque, através da meditação e do sono, nos identificamos, muita vez de modo imperceptível, com os pensamentos que nos são sugeridos pelas inteligências desencarnadas ou não, que se afinam conosco e, se não nos guardamos na fortaleza das obrigações retamente cumpridas, caímos sem dificuldade nas malhas da obsessão oculta”.



Os espíritas costumam dizer que o mundo está progredindo espiritualmente, que além do progresso material, as leis também vêm ficando cada vez humanas. Porém, temos aí a lei do aborto, que o Espiritismo condena, mas que vem se ampliando cada vez mais pelos vários países do mundo. A Argentina acabou de aprovar o aborto. O que vocês têm a dizer sobre isso?

De fato, é n’O LIVRO DOS ESPÍRITOS,  a partir da questão 794, que vamos encontrar este título, “Progresso da Legislação Humana”. São quatro questões e uma nota de Allan Kardec sobre este tema. Com isso, os Espíritos querem chamar a atenção para o caminhar vagaroso e difícil da humanidade, cuja vida social começou de uma forma bruta, violenta, quase selvagem, há milhões de anos.

 Se imaginarmos a forma como os homens primitivos conviviam, quando da formação das primeiras tribos, onde a lei era ditada pelos mais fortes, e compararmos com as leis atuais de todos os países, vamos perceber que o avanço da vida social foi significativo e muitas das grandes conquistas foram alcançadas no último século, especialmente nos últimos 70 anos. É que o homem, Espírito em evolução, vem buscando ao longo do tempo uma condição de vida cada vez melhor, aproximando-se das leis naturais.

  No livro OBRAS PÓSTUMAS, de Allan Kardec, encontramos um tema relacionado diretamente com esta questão, num capítulo que tem por título “As aristocracias”, que merece ser lido com muita atenção por todos nós. Nesse capítulo das aristocracias, o autor mostra, em linhas gerais, como a sociedade humana veio evoluindo em termos de liderança ou de forma de governo, começando pela lei da força física e da intimidação no passado remoto, para chegar hoje à força da lei.

 Nós todos sabemos que a finalidade das leis é proteger a sociedade, e elas protegem a sociedade contra a ação de seus próprios membros ou de nós mesmos, pois se a população passar a não obedecer as leis, a sociedade logo se desorganizará e se autodestruirá. Se cada um de nós quisesse fazer a sua própria lei, desconhecendo os direitos dos outros, voltaríamos à vida primitiva e passaríamos a viver como nossos ancestrais humanos mais distantes, num conflito generalizado.

 Contudo, para fazermos uma avaliação do progresso da legislação humana, como fez Kardec n’O LIVRO DOS ESPÍRITOS, precisamos olhar o panorama geral do mundo e o conjunto das leis que regulam a vida social,  e não apenas uma ou outra lei particular, como a lei do aborto por exemplo, que você cita. É que o avanço evolutivo, como disseram os Espiritos a Kardec,  não se dá em todos seus aspectos ao mesmo tempo, pois ele depende do nível de evolução dos indivíduos que compõem  cada sociedade. Enquanto existirem aqueles que defendem abertamente o aborto e esses representarem uma força social, haverá leis que facilitem a prática do aborto.

 Esse item aborto – a exemplo da eutanásia e do suicídio – exige muito mais do ser humano que o simples conhecimento da vida material: ele exige o conhecimento da realidade espiritual. Os que defendem o uso indiscriminado do aborto têm certeza de que estão apenas defendendo os direitos da mulher, mas eles não sabem ou não estão convencidos que o Espírito é imortal e que a vida gerada no ventre materno representa muito na sua jornada reencarnatória. Os Espíritos também seus direitos, embora a legislação humana só leve em consideração os direitos dos homens.  Eis o cerne da questão.

 Ou seja, por enquanto, por mais que tenhamos evoluído em termos de legislação (e isso é notório e inquestionável ), alguns pontos como esses três que citamos – o aborto, a eutanásia e o suicídio -  ainda são desconhecidos do ponto de vista espiritual pela grande maioria da sociedade,  razão pela qual  a lei humana só leva em consideração os valores ligados ao imediatismo da existência física , desconhecendo a trajetória espiritual de cada indivíduo através das reencarnações.

 Por terem esse conhecimento é que os espiritas, de um modo geral, advogam a favor da vida, compreendendo que, se nada acontece por acaso, pois esta é a Lei de Deus, o simples fato de uma mulher engravidar tem muito a ver com o seu próprio desenvolvimento espiritual e, especialmente, com o progresso do Espírito que está chegando ao mundo  na condição de seu filho  Sem esta abordagem ampla das questões que envolvem a evolução espiritual, os argumentos contra o aborto, por mais que se queira, serão sempre insuficientes para cobrir a série de razões porque devemos combatê-lo.

 

 

quarta-feira, 21 de abril de 2021

TEMA POLEMICO; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 A consulta foi objeto de matéria na REVISTA ESPÍRITA, edição de maio de 1858. Um assinante da mesma expôs duvida originada na comunicação espiritual do Espírito de sua esposa com que manteve harmônico relacionamento ao longo de vários anos, com o qual tivera seis filhos. Aproximando-se de grupo praticante das comunicações interdimensionais, descobrira que sua querida esposa encontrava-se feliz no Plano Espiritual, trabalhando pela felicidade dos que deixara em nossa Dimensão. Ocorre que num dos contatos estabelecidos, ouvira da esposa que a bondade e a honestidade que os caracterizava tinha sido a responsável pela convivência equilibrada, visto nem sempre terem o mesmo ponto de vista nas diversas circunstâncias da vida em comum, não sendo, todavia, metades eternas, união rara na Terra, embora pudessem ser encontradas. Indagada sobre se via sua metade eterna, respondeu que sim, estando encarnado como um pobre diabo na Ásia, devendo se reunir novamente na Terra mesmo, só daí a 175 anos, segundo o calendário terreno. Sugeriu então ouvisse duas entidades de nome Abelardo e Heloísa sobre a questão que afirmaram estar ligados desde Eras remotas, amando-se profundamente, embora conservando sua individualidade, unindo-se pela Lei da Afinidade, sem conotações sexuais, visto que na essência essa característica não existe. Em seus esclarecimentos informaram ainda que não existem almas criadas duplas; ser impossível duas almas reunir-se na Eternidade formando um todo; que ambos desde sua origem eram duas almas perfeitamente distintas, embora sempre unidas; que as criaturas humanas acham-se nas mesmas condições conforme sejam mais ou menos perfeitos; sobre as almas serem destinadas a um dia se unirem a uma outra, que cada Espírito tem a tendência para procurar um outro Espírito que lhe seja semelhante, fenômeno denominado simpatia. O desejo do missivista por maiores esclarecimentos sobre a Teoria das Metades Eternas foi submetido por Allan Kardec ao dirigente espiritual das reuniões da Sociedade Espírita de Paris, através de sete perguntas, respondidas da seguinte forma: 1- Inexiste a figura da metade predestinada desde sua origem a se unir fatalmente. Não existe uma união particular, mas em graus diferentes, segundo a posição que ocupam, isto é, segundo a perfeição adquirida: quanto mais perfeitos, mais unidos. Da discórdia brotam todos os males humanos; da concórdia, a felicidade completa. 2- A expressão metade é inexata. Se um Espírito fosse metade de outro e dele separado, seria incompleto. 3- Todos os Espíritos que chegaram à perfeição, estão unidos entre si. Nas Esferas Inferiores, quando um Espírito se eleva não é mais simpático àqueles que deixou. 4- A simpatia que atrai um Espírito para outro resulta da perfeita concordância de suas inclinações e de seus instintos. Se um devesse completar o outro, perderia sua individualidade. 5- A identidade necessária à simpatia perfeita não consiste na similitude de pensamentos e de sentimentos nem na uniformidade de conhecimentos adquiridos, mas na igualdade do grau de elevação. 6- Os Espíritos que hoje não são simpáticos poderão sê-lo mais tarde. Todos, o serão. Assim, o Espírito que hoje se acha em tal Esfera inferior alcançará, pelo aperfeiçoamento, a Esfera onde reside o outro. Seu encontro dar-se-á mais prontamente se o Espírito mais elevado, suportando mal as provas a que se submeteu, demorou-se no mesmo estado. 7- Dois Espíritos simpáticos poderão deixar de o ser, se um deles for preguiçoso. Comentando o apurado, Allan Kardec acrescenta: -“A Teoria das Metades Eternas é uma figura referente à união de dois Espíritos simpáticos; é uma expressão usada mesmo na linguagem comum, tratando-se dos esposos, e que não se deve tomar ao pé da letra. Os Espíritos que dela se serviram certamente não pertencem a mais alta ordem: a Esfera de seus conhecimentos é necessariamente limitada e eles exprimiram o pensamento em termos de que teriam se servido na vida corpórea. É, pois, necessário rejeitar esta ideia de que dois Espíritos, criados um para o outro, um dia deverão unir-se na Eternidade, depois de terem estado separados durante um lapso de tempo mais ou menos longo”. O resultado obtido com a consulta, está incluído da edição definitiva d’ O LIVRO DOS ESPÍRITOS, das questões 291 a 303a, publicado em 1860. Como se vê, a tese das chamadas “almas gêmeas”, encontra objeção não só nos argumentos apresentados pelos Espíritos Abelardo e Heloísa, como nos de São Luiz, sensata e sobriamente comentados por Allan Kardec. A sustentação de tal teoria naturalmente resulta da falta de um estudo mais aprofundado e meditado do conteúdo do Espiritismo sobre a questão evolutiva do Ser.

 A nossa ouvinte de Ribeirão Preto, Gisleine Maria de Almeida, manda-nos o texto de um livro que comenta aquela assertiva de Jesus, quando se dirigia à multidão, dizendo:  Ninguém há que, depois de ter acendido uma candeia, a cubra com um vaso, ou a ponha debaixo da cama; põe-na sobre o candeeiro, a fim de que os que entrem vejam a luz;  pois, nada há secreto que não haja de ser descoberto, nem nada oculto que não haja de ser conhecido e de aparecer publicamente. “

 No final do comentário que a Gisleine envia, há uma observação interessante, quando diz o seguinte: “Não deixe que a dor e o sofrimento apaguem a sua luz. Saiba, antes de tudo, que é a luz brilhando que vai tirá-lo do sofrimento”.

  Jesus era um mestre. Ele falava ao povo com muito cuidado, a fim de que as pessoas pudessem captar a sua mensagem. Por isso usava  parábolas e metáforas, que são recursos de linguagem que podemos nos valer para fazer as pessoas entenderem melhor o que queremos dizer. Sabemos que a candeia é uma espécie de lampião, de lamparina, que se usava para iluminar à noite. Jesus se valeu dessa imagem, a candeia, comparando a luz que ilumina com o bem e a verdade.

 Ora, o bem e a verdade são valores universais, que devem ser respeitados e difundidos para que todos os vejam. Um dos grandes males da humanidade foi o de manter o povo na ignorância, porque não lhe negavam essa luz. No passado, como agora, sempre houve grandes líderes que manipulavam o povo, negando-lhe o conhecimento do bem e da verdade, tapando-lhe os olhos do espírito para que não os percebesse - quer dizer, escondendo a candeia embaixo de um vaso ou sob a cama.

 Nessa passagem, Jesus ensina duas coisas importantes: , primeiro, que toda pessoa tem sua própria luz ( ou seja, a sua parte de bondade e de verdade). Em segundo lugar que ela não deve deixar que essa luz fique escondida ou seja encoberta, mas que apareça, pois esta será a forma como ela vai contribuir para o bem do próximo, mostrando sua própria luz.

  Não existe ninguém neste mundo que não tenha um bom sentimento, uma boa intenção, que não tenha algo de bom para mostrar e ensinar. Todos sentimos que temos coisas valiosas em nosso coração. O que nos falta é coragem para revelar esse bem que existe em nós, para revelar a verdade que existe em nós. Como? Pelas nossas atitudes, pelos nossos atos. Falar em nome do bem e da verdade é uma coisa; esforçar-se para ser bom e verdadeiro no dia a dia é outra bem diferente. Jesus recomenda que façamos o bem, não só para que sejamos bons, mas também para ajudar os outros a seguir o mesmo caminho.

  Problemas e dificuldades, decepções e desenganos, todos temos. Mas essas pedras de nosso caminho não devem ser motivo para que recuemos de nossos bons propósitos. Jesus foi o primeiro a dar o exemplo. Tudo o que ele nos ensinou decorreu dos grandes obstáculos que encontrou pela frente. Aliás, ele só encontrou obstáculos. Mas esses obstáculos não foram suficientes para apagar a sua luz e deixar que ela resplandecesse para todos nós. Ele quer que sigamos esse exemplo.

O caminho da felicidade nunca é fácil. Mas é aí que está o mérito de cada um. Se fosse fácil, não teríamos o que aprender. No entanto, com a nossa luz, podemos descobrir, pouco a pouco, o melhor caminho, sem nos deixar precipitar no abismo das desilusões e do sofrimento. Com toda certeza, nos sentiremos bem melhor conosco mesmos, nos amaremos mais e, com isso, estaremos iluminando, não apenas o nosso caminho, mas o caminho daqueles que estão caminhando ao nosso lado.


terça-feira, 20 de abril de 2021

A HIPÓTESE/CERTEZA DE HERMÍNIO; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Lançado no ano de 1975, o livro VIDA DEPOIS DA VIDA (edibolso), apresenta o resultado de cinco anos de pesquisa conduzida pelo médico Raymond A. Moody Jr, a respeito do que se popularizou como EQM – Experiência de Quase Morte, ou seja, daquelas pessoas que por fatores diversos, foram trazidas de volta à vida por processos naturais ou induzidos. O trabalho prefaciado, antes de ser publicado, por outra médica especialista no assunto, Elizabeth Kubler-Ross, revela informações muito interessantes, como a do paciente moribundo continuar a ter informação consciente do seu ambiente depois de ter sido declarado clinicamente morto; um flutuar para fora de seus corpos físicos;  grande sensação de paz e totalidade; estarem cônscios do auxílio de outra pessoa em sua transição para outro plano de existência; a presença de pessoas amadas que tinham morrido antes, e, uma das mais instigantes é a chamada recapitulação extremamente rápida da própria vida, para alguns em ordem cronológica, enquanto para outros não. Segundo os relatos, instantânea, de uma vez, abrangendo todas as coisas só com um relance, vívida e real, cada imagem sendo percebida e reconhecida, apesar da rapidez. Surpreendentemente, Allan Kardec, nos depoimentos sobre percepções e sensações no instante da morte, selecionados para compor a segunda parte d’ O CÉU E O INFERNO, incluiu dois em que contam que “toda a minha vida se desenrolou diante de minha lembrança” (J. Sanson,) e, “senti um abalo e lembrei-me, de repente, meu nascimento, juventude, minha idade madura, toda a minha vida se retratou nitidamente em minha lembrança” (M. Jobard). Já no início do século 20, o incansável pesquisador Ernesto Bozzano, apresenta na obra A CRISE DA MORTE (feb), casos como o do juiz Peckam, “no momento da morte, revi, como num panorama, os acontecimentos de toda minha existência, todas as cenas, ações que praticara, passaram ante meu olhar”; do Dr. Horace Abraham Ackley, “logo que voltei a mim, todos os acontecimentos de minha vida desfilaram sob as vistas, como num panorama, visões vivas, muito reais, em dimensões naturais, como se meu passado se houvera tornado presente”, ou,  Jim Nolam, “um pouco antes da crise fatal, minha mente se tornara muito ativa; lembrei-me subitamente de todos os acontecimentos da minha vida; vi e ouvi tudo que fizera, dissera, pensara, todas as coisas a a que estivera associado”. Em outro dos seus extraordinários trabalhos, A MORTE E SEUS MISTÉRIOS (eco), Bozzano reúne relatos de pessoas que passando por traumatizantes situações de perigo de vida, também vivenciaram experiências da visão panorâmica. Um grupo de alpinistas e turistas que sofreram quedas das montanhas, vendo a morte de perto, relataram que além de um sentimento de beatitude; ausência do tato e da dor, com a visão e audição conservando acuidade normal; extrema rapidez do pensamento e imaginação; em inúmeros casos, reviram todo o curso de sua vida passada (“vislumbrei todos os fatos de minha vida terrena que se desenrolaram diante de meus olhos em imagens inumeráveis, com extraordinária rapidez e clareza”); Alphonse Bué, vitima de queda que o fez perder a consciência durante dois ou três segundos, conta que “desenrolaram-se, clara e lentamente, no seu Espírito, cenas, brinquedos infantis, vida escolar, curso na escola militar, a vida de soldado na guerra da Itália, etc.”. Bozzano agrupa ainda  casos de pessoas que passaram por asfixia por submersão (1- “vi, num vasto panorama, toda minha existência terrena, desde as recordações infantis até o momento em que nadei para o mar alto”; 2- “diante de minha visão, se sucedia, com a maior rapidez, todo o painel de minha vida, em projeção panorâmica”, 3- “no instante em que desapareci na água, se produziu em minha mente verdadeira revolução, graças à qual as menores particularidades de minha vida terrena se imprimiram em caracteres profundos em minha memória, de acordo com as épocas em que as vivi”). O riquíssimo documentário produzido através do médium Chico Xavier, através das cartas de entes queridos,inclui inúmeras demonstrações dessa recapitulação no instante imediato à morte. O erudito e respeitado Hermínio Correia de Miranda, na obra AS DUAS FACES DA VIDA (lachâtre, 2005), no capítulo Psiquismo Biológico, recordando hipótese formulada no extraordinário A MEMÓRIA E O TEMPO (edicel,1981), de que “ao finalizar-se a existência na carne, ou mesmo ante ameaça mais vigorosa e eminente de que ela está para terminar, dispara um dispositivo de transcrição dos arquivos biológicos para os perispirituais, do que resulta aquele belo e curioso espetáculo de replay da vida, para o qual estamos propondo o nome de recapitulação. Uma vez transcrita a gravação dos tapes espirituais, o corpo físico é liberado para a desintegração celular inevitável”. Quatro décadas depois dessa suposição, conclui: “As pesquisas posteriores(...), me asseguram de que não há, ainda razões para rejeitar a hipótese, havendo, ao contrário, suportes confiáveis para ela, não apenas em textos doutrinários básicos, como em informes trazidos por André Luiz, bem como, no convincente depoimento de um confrade experimentado como Romeu do Amaral Camargo”, acrescentando: “- Assim, o Espírito pode proceder a uma reavaliação das suas vivências, ao mesmo tempo em que se prepara para novas tarefas no Mundo Espiritual e para a eventual retomada da experiência física, em outra etapa reencarnatória”..

O que a gente tem notado nos últimos anos é o aumento de casos de ansiedade e depressão, até mesmo em crianças. Eu pergunto: em que o Espiritismo pode nos ajudar para evitar ou combater esses problemas?

 Consultando médicos e psicólogos, já temos várias indicações sobre algum caminho a seguir num momento crítico este. Cientistas e profissionais da saúde costumam apontar como causas desses problemas, ansiedade e depressão, o próprio estilo de vida que as pessoas e as famílias vem vivendo ultimamente. E o novo estilo de vida decorre do avanço tecnológico, das grandes e profundas mudanças sociais com reflexo direto no emocional das pessoas, crianças e adultos..

 Concordamos com este argumento, na medida em que, comparando – por exemplo, o século XIX com o século XXI – vamos perceber que houve um vertiginoso aceleramento no ritmo de vida:  comparado com o homem deste século. O homem do século XIX vivia quase na contemplação, tinha menos alternativas a escolher, mais tempo para si mesmo e para os seus, menos realizações, menos metas a atingir, dada à limitação do conhecimento, da ciência e da tecnologia da época e principalmente dos meios de comunicação, que é o ponto forte deste século.

 Estudos realizados, desde a primeira metade do século passado, no campo da psicanálise e mesmo da antropologia – particularmente o desenvolvido pela psicanalista Karen Horney, na sua obra  A PERSONALIDADE NEURÓTICA DE NOSSO TEMPO  de 1937 – mostram o quanto o homem moderno, distanciando-se cada vez do seu meio natural, no anseio de  adequar-se às novas exigências sociais –  desenvolveu certas distonias ou comprometimentos emocionais, desenvolvendo-se acentuadamente seu comportamento neurótico.

-Tudo isso podemos reconhecer, mesmo analisando o ser humano do ponto de vista espírita, mas acrescentaríamos o aspecto fundamental e mais importante de sua vida, que é o aspecto espiritual que a ciência desconhece, até porque as inovações trazidas pela ciência, acabou por fortalecer o materialismo, a busca desenfreada do dinheiro e do poder e das vantagens imediatas, enfraquecendo no homem a consciência de que, mais que um ser humano, ele é um Espírito imortal.

  O recrudescimento do materialismo, principalmente, na segunda metade do século XX, com a supremacia da ciência, que nos cercou de notáveis contribuições tecnológicas, trazendo cada vez mais conforto material, fez com que nos voltássemos mais às comodidades e facilidades da vida. Os bens materiais passaram a exercer poderoso fascínio sobre nós.  Quando nossos anseios não vão além do imediatismo, quando nos apressamos em tirar o maior proveito do momento presente, até mesmo explorando e prejudicando o próximo, na ânsia do gozo egoísta, passamos a ser cada vez mais pressionados pelo medo da morte.

 Morrer, para o materialista, além de extremamente frustrante por não poder alcançar todas as metas pretendidas, é perder  tudo que conseguiu, inclusive a si mesmo. Essa terrível expectativa de que a  morte é o fim, acaba por deixa-lo impotente diante da vida, se ele não tem convicção da imortalidade e ainda traz no íntimo sérias dúvidas a respeito de Deus.

 A ansiedade generalizada e a depressão surgem em decorrência dessas expectativas negativas, do medo do fracasso, da doença e da morte. Eis porque o Espiritismo se apoia na ideia da imortalidade, na continuidade da vida e na reencarnação, demonstrando que a paz e a serenidade só podem ser alcançadas aqui na Terra através da fé em Deus e do cultivo do bom sentimento e, principalmente, da vivência do amor, como recomendou Jesus.


segunda-feira, 19 de abril de 2021

ANTROPOFAGIA; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

Vez ou outra circulam pela mídia impressa e eletrônica, noticias sobre a descoberta de crimes cometidos por serial-killers que além da violência imposta a suas vítimas, acabam devorando parte dos seus corpos por eles  fragmentados. Muitas possíveis explicações são cogitadas para gestos tão extremos. O Espiritismo tem sua visão própria sobre tais fatos e, na REVISTA ESPÍRITA de fevereiro de 1866, encontramos comentário de Allan Kardec sobre o que se poderia chamar de recrudescimento da prática nalgumas ilhas do Oceano Pacífico, mais especificamente pertencentes à Oceania. A informação, publicada no jornal Le Monde, dá conta que em um ano toda a tripulação de quatro navios foram devorados pelos antropófagos das Novas Híbridas (hoje, Arquipélago das Vanuatu), da baia de Jérvis ou da Nova Caledônia, obrigando o almirantado inglês expedir às cidades marítimas que fazem armamentos para a Oceania uma circular aconselhando aos capitães de navios mercantes a tomar todas as precauções necessárias para evitar que suas tripulações sejam vítimas desse horroroso costume. Como explicar o comportamento de seres humanos capazes de devorar seus semelhantes? Segundo Allan Kardec, o “Espiritismo lhe encontra a mais simples solução, e a mais racional, na LEI DA PLURALIDADE DAS EXISTÊNCIAS, a que todos os seres estão submetidos, e, em virtude da qual progridem. Assim a alma dos antropófagos ainda estão próximas de sua origem, as faculdades intelectuais e orais são obtusas e pouco desenvolvidas e nelas, por isso mesmo, dominam os instintos animais. Allan Kardec observa, porém, que “essas almas não estão destinadas a ficar perpetuamente nesse estado inferior, que as privaria para sempre da felicidade das almas mais adiantadas. Crescem em raciocínio; esclarecem-se, depuram-se, melhoram, instruem-se em existências sucessivas. Revivem nas raças selvagens, enquanto não ultrapassarem os limites da selvageria. Chegadas a certo grau, deixam esse meio para encarnar-se numa raça um pouco mais adiantada; desta a uma outra e assim por diante, sobem em grau, em razão dos méritos que adquirem e das imperfeições de que se despojam, até atingirem o grau de perfeição de que é suscetível a criatura. Segundo ele, “a via do progresso a nenhuma está fechada; de tal sorte que a mais atrasada das almas pode pretender a suprema felicidade. Mas uma, em virtude do seu livre arbítrio, que é o apanágio da Humanidade, trabalham com ardor por sua depuração e sua instrução, em se despojar dos instintos materiais e dos cueiros da origem, porque a cada passo que dão para a perfeição veem mais claro, compreendem melhor e são mais felizes. Essas avançam mais prontamente, gozam mais cedo: eis a sua recompensa. Outras, sempre em virtude de seu livre arbítrio, demoram-se em caminho, como estudantes preguiçosos e de má vontade, ou como operários negligentes; chegam mais tarde, sofrem mais tempo; eis a punição ou, se se quiser, o seu inferno. Assim se confirma, pela pluralidade das existências progressivas, a admirável Lei da Unidade e de Justiça, que caracteriza todas as obras da Criação. Comparai esta Doutrina com outras, sobre o passado e o futuro das almas e vede qual a mais racional, mais conforme a Justiça Divina e que melhor explica as desigualdades sociais. Seguramente a antropofagia é um dos mais baixos degraus da escala humana na Terra, porque o selvagem que não mais come o seu semelhante já está em progresso. Mas de onde vem a recrudescência desse instinto bestial? É de notar, de saída, que é apenas local e que, em suma, o canibalismo desapareceu em grande parte da Terra. É inexplicável sem o conhecimento do Mundo Invisível e de suas relações com o Mundo Visível. Pelas mortes e nascimentos, alimentam-se um do outro, se derramam um no outro. Ora, os homens imperfeitos não podem fornecer no Mundo Invisível almas perfeitas e as almas perversas, encarnando-se, não podem fazer senão homens maus. Quando as catástrofes, os flagelos atingem de uma vez grande número de homens, há uma chegada em massa no mundo dos Espíritos. Devendo essas almas reviver, em virtude da lei da natureza, e para o seu adiantamento, as circunstâncias podem igualmente trazê-los em massa de volta para a Terra. O fenômeno de que se trata depende, pois, simplesmente da encarnação acidental, nos meios ínfimos, de um maior número de almas atrasadas, e não da malícia de Satã, nem da palavra de ordem dada ao povo da Oceania. Ajudando o desenvolvimento do senso moral dessas almas, durante a vida terrena, o que é missão dos homens civilizados, elas melhoram. E quando retomarem uma nova existência corpórea para progredir ainda, serão homens menos maus do que foram, mas esclarecidos, de instintos menos ferozes, porque o progresso realizado não se perde nunca. É assim que gradualmente se realiza o progresso da Humanidade.



  Podemos dizer que uma pessoa, que fez muita coisa errada na vida, e que na hora da morte, cercada de cuidados de seus entes queridos, diz arrepender-se  do que fez, dizendo aceitar Jesus, estará salva?

  Há quem entenda que salvação é ir para um céu de felicidade eterna ou para um paraíso de gozo infinito e, nesse caso, acredita que apenas o fato de a pessoa se declarar arrependida, nos seus últimos momentos de vida, prestes a partir, já seria o suficiente para obter esse tipo ideal de salvação.  Do ponto de vista espírita, existe aí um grande equívoco.  O Espiritismo acredita na Justiça Perfeita de Deus e entende que uma simples declaração de arrependimento não é a realização dessa justiça.

  Quando o sofrimento chega em nossa vida, todos nos arrependemos dos erros cometidos e dos prejuízos que causamos. Isso é natural; por pior tenha sido nossa conduta. Nesses momentos cruciais da vida, nossa consciência moral fala mais alto e nos provoca o  arrependimento. Porém, só o arrependimento não muda o curso de nosso destino depois da morte. Por mais sincero que seja ( pois nessa hora não se costuma brincar), ele não faz da pessoa uma pessoa melhor do que fora até então. Milhões de pessoas no mundo todo estão se arrependendo de erros todos os dias, mas nem por isso elas deixam de cometê-los novamente, sinal de que não mudaram.

  Se a vida na Terra fosse uma única oportunidade de viver e se a salvação eterna dependesse apenas de um pequenino ato de conversão religiosa ou de uma palavra mágica de  arrependimento, a expressiva maioria da humanidade estaria perdida e a injustiça se teria feito para todas as demais. Não faz sentido que a vida seja uma só e, com base nessa única vida, seja decretado o nosso destino espiritual para sempre.  O que seriam dos que morrem ainda criança, dos deficientes e doentes mentais, dos índios e dos bilhões em todo o mundo que jamais tomaram contato com qualquer noção religiosa?

  Segundo a visão espírita, o arrependimento, em qualquer momento de nossa vida na Terra – e não apenas no momento da morte – é um passo necessário para que o Espírito, na sua longa jornada de muitas encarnações, comece a tomar outro rumo, mas o somente o ato de se arrepender, não lhe garante uma mudança real na sua maneira de ser; no máximo, ela demonstra uma boa intenção e talvez uma nova disposição para começar a viver conforme as leis de Deus. Para que a nossa consciência fique bem consigo mesma, após o cometimento de um erro, é necessário corrigi-lo ou repará-lo, sem o que carregaremos para sempre o sentimento da culpa pelo mal que causamos aos outros.

  Contudo, cara ouvinte, como ainda trazemos muitas imperfeições conosco, cometer erros faz parte de nosso cotidiano. Se alguns já conseguiram superar uma boa parte de seus defeitos, arrependendo-se e corrigindo-se, outros ainda não são capazes de reconhecer que precisam melhorar mais, se quiserem ser realmente felizes. Aliás, todos os dias – desde a infância – cada um de nós tem sido solicitado a melhorar e nalguns aspectos até que já conseguimos. Mas o que não conseguirmos superar nesta vida, necessariamente, pela lei da evolução, vamos ter que superar em outras oportunidades.

 O Espiritismo, embora reconheça que em todas as épocas e em todos os povos tivemos grandes mestres espirituais, Jesus é o que mais se destacou entre eles e o que nos deixou de forma simples e direta recomendações que seguir nesta vida para o nosso próprio bem.  Não existe milagre de conversão, não vamos encontrar facilidade em melhorar, como não encontramos facilidade em fazer o bem. Em nosso estágio evolutivo fazer o bem ainda é difícil, mas podemos nos esforçar diariamente, arrependendo-nos de pequenos deslizes para corrigi-los em seguida.

Não é Deus que nos julga, mas a sua a lei, que está na intimidade de nosso ser, manda-nos que nos  amemos uns aos outros para que sejamos felizes. Deveríamos tratar de nos arrepender sempre que cometermos um erro (mesmos o menor erro) e, em seguida, tentar repará-lo. Isso nos aliviaria a consciência da culpa, inclusive, nos ajudaria na hora da partida desta vida, porque estaríamos mais tranquilos e em paz conosco mesmos. No entanto, devemos saber que não será apenas a nossa promessa de melhorar que vai mudar o rumo de nossa existência.

 Depois da morte, vamos nos deparar com a grande realidade e, se estivermos arrependidos de verdade, com certeza nos prepararemos melhor para uma nova existência a fim de corrigir nossas falhas perante aqueles que prejudicamos e aprendermos de fato a amar o semelhante, como Jesus ensinou.

domingo, 18 de abril de 2021

UM OUTRO 18 DE ABRIL; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 -“Peço licença para aditar um apontamento de Emmanuel. Perguntei a ele, em 1965, onde estavam aqueles companheiros de Allan Kardec que vibravam com a Doutrina Espírita na França, onde estava aquele contingente de almas heroicas, sublimes, que aceitaram aquelas ideias e as divulgaram com tanto entusiasmo pelo mundo inteiro. Então ele me disse que do último quartel do século 19 para cá, de 15 a 20 milhões de espíritos da cultura francesa, principalmente simpatizantes da obra de Allan Kardec, se reencarnaram no Brasil, para dar corpo às ideias da Doutrina Espírita e fixarem os valores da reencarnação. Foi assim que, nos últimos 80 anos, desenvolveu-se entre nós tal amor à cultura francesa, que milhares de nós outros sabemos de ponta a ponta a história da revolução francesa e nada conhecemos a respeito do Marquês de Pombal, dos reis de Portugal, que foram os donos da nossa evolução primária. Isso está no conteúdo psicológico de milhões e milhões de brasileiros, que estão fichados – por certidão de Cartório – como brasileiros, mas que psicologicamente são franceses”. O revelador aparte é de Chico Xavier e foi feito aos realizadores do programa radiofônico NO LIMIAR DO AMANHÃ - veiculado na década de 70 por uma emissora paulistana -, que foram a Uberaba (MG) para entrevistar o médium. Na ocasião, o jornalista e professor de Filosofia José Herculano Pires, fez a seguinte observação: - É interessante citar aqui uma coisa muito curiosa, que ainda parece que não foi lembrada. O Brasil é a primeira grande nação do Ocidente que está se tornando basicamente reencarnacionista. A ideia da reencarnação penetrou de tal maneira em nosso país, por influência não só do Espiritismo mas também das religiões africanas que foram trazidas aqui pelo contingente negreiro, que dificilmente encontramos hoje uma pessoa que, se não aceita positivamente a reencarnação, também não a nega, não a combate. Isso é muito curioso porque no Ocidente só houve uma nação reencarnacionista no passado, que foi a França. O Brasil será, dentro em breve, a grande nação reencarnacionista do Ocidente. E o professor lan Stevenson, na sua pesquisa sobre a reencarnação, disse que no Brasil encontrou uma compreensão mais precisa, mais natural da reencarnação”. Tudo isto começou no 18 de abril de 1857, quando Allan Kardec recebeu os primeiros exemplares d’ O LIVRO DOS ESPÍRITOS dos 2 mil que havia encomendado em pequena tipografia a alguns quilômetros de Paris. E esta primeira obra falando do Espiritismo, seria ampliada três anos depois com o lançamento de segunda edição, didaticamente organizada em quatro partes: As Causas Primárias; o Mundo Espírita ou dos Espíritos; As Leis Morais e Esperanças e Consolações, temas abordados em 1018 perguntas e respostas através das quais o organizador da obra procurou cercar todas as questões principais e derivadas dos esclarecimentos possíveis. Sabia e afirmou em artigo na REVISTA ESPÍRITA de julho de 1866 que: -“O LIVRO DOS ESPÍRITOS não é um tratado completo de Espiritismo; apenas apresenta as bases e os pontos fundamentais, que se devem desenvolver sucessivamente pelo estudo e pela observação”. O tempo se incumbiu de mostrar que aquele primeiro passo representava apenas o início do alicerce que no século 21 suporta um grande edifício de conhecimentos sobre essa realidade que noutra via a Física Quântica vem descortinando através da Teoria das Supercordas que afirmam existir Universos Paralelos e, mais recentemente, que “mesmo que as dimensões do espaço sejam imperceptíveis, são elas que determinam a realidade física em que vivemos”. Caminha-se para a constatação da resposta à questão 85 do livro citado de que entre o mundo material e o espiritual, o segundo é o mais importante, pois, de lá tudo vem e para lá tudo volta. Através do mesmo livro que faz 158 anos neste ano, uma das principais indagações do Ser pensante é respondida: --“A vida humana é uma escola de aperfeiçoamento espiritual e uma série de provas. Por isso é que o Espírito deve conhecer todas as condições sociais e, em cada uma delas, aplicar-se em cumprir a vontade divina. O poder e a riqueza, como a pobreza e a humildade, são provas; dores, idiotismo, demência, etc, são punições pelo mal cometido em vida anterior”. Esbarra-se nos mesmos preconceitos e nas mesmas resistências que Copérnico ou Galileu, mas observa Kardec: -“Porque não se compreende uma coisa, não é motivo para que ela não exista, visto que o que hoje é utopia, poderá ser verdade amanhã”.


  Conversando com um companheiro de estudos, ouvimos uma observação interessante e, ao mesmo tempo, importante para esta reflexão. Disse ele que, ao que tudo indica e conforme o Espiritismo tem anunciado, existe um plano evolutivo que encaminha a humanidade para um final feliz. Se não totalmente feliz, pelo menos bem mais próxima do que podemos conceber como felicidade, incluindo o tão aguardado mundo de regeneração. A questão é a seguinte:  diante de todo transtorno que o homem vem causando no mundo e de seu livre arbítrio na escolha dos caminhos que pode seguir, esse plano não poderia falhar e a humanidade retornar a uma fase anterior?

 O Espiritismo tem uma visão otimista sobre o futuro do mundo. Basta ler o capítulo, “Lei do Progresso”  em O LIVRO DOS ESPÍRITOS, e parece que tudo neste planeta  caminha para uma meta ideal, quando os ideais do bem, da justiça e verdade prevalecerem na alma humana e pudermos viver em paz conosco mesmos  e em  harmonia com a vida e com as leis de Deus. Disso resulta que, mesmo as contramarchas, que parecem comprometer o progresso, não serão suficientes para deter o avanço moral da humanidade que, em âmbito coletivo, sempre aconteceu.

 No entanto, o homem tem seu livre arbítrio; por ignorância ou por rebeldia ele pode se insurgir contra as mudanças que levam ao progresso moral. É o que muitas vezes acontece, até porque ainda vivemos uma época em que predominam os interesses imediatistas, materialistas e egoístas de dominação, que demonstram grande força de destruição e causam muito sofrimento.  Uma grande parte das pessoas, mesmo religiosas, não estão conscientes de que Deus tem um plano para humanidade e, por isso, mesmo por omissão, elas acabam mais prejudicando que ajudando.

 Allan Kardec já levantou todas essas questões no seu tempo – conforme podemos ler no capítulo Lei de Progresso de O LIVRO DOS ESPÍRITOS - , mas os instrutores espirituais insistiram na tese de que a marcha do  progresso é inevitável, mesmo que tenha de enfrentar grandes períodos de estagnação ou aparente retrocesso. O problema não está no planeta em si - que é a nossa casa - mas na humanidade que está encarnada nele. Desse modo, a renovação da humanidade depende, como disse Kardec, da renovação dos Espíritos que vêm reencarnando neste planeta e os que ainda vão reencarnar.

 Contudo, possibilidade de retroagir a uma condição, pelo menos, materialmente pior que a de hoje, sempre existe, porque é a vontade do homem que vai determinar seu futuro. É por isso que o processo evolutivo tem fases de avanços e de recuos. Nós, seres humanos encarnados neste planeta, temos muita dificuldade de entender como isso se dá, pois contamos o tempo em anos, enquanto a Espiritualidade contempla o progresso através dos séculos e milênios. Espíritos elevados, a exemplo de Jesus, apesar de torcerem para que a evolução se dê o mais rápido possível, compreendem a necessidade dos recuos que, muitas vezes, acontecem para que, no futuro, ocorra um impulso maior.

sábado, 17 de abril de 2021

DUVIDA DE MUITOS; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Deus, Jeová, Alá, Supremo Arquiteto do Universo, Consciência Cósmica são palavras utilizadas para identificar uma única coisa: o Criador. Para não dificultar as coisas um dos maiores líderes espirituais conhecidos sugeriu chama-lo apenas Pai. Numa das edições da REVISTA ESPÍRITA, ano 1864, Allan Kardec escreveu: O Espírito no início de sua fase humana, estupido e bruto, sente a centelha divina em si, pois, adora um Deus, que materializa conforme sua materialidade”. Refletindo sobre o assunto sob esse prisma, conclui-se qual a razão de existirem tantas escolas religiosas na sociedade humana. Condicionados ao processo evolutivo, natural os homens irem criando sistemas a partir da própria percepção das possíveis explicações sobre a origem de tudo, visto cada um refletir o mundo conforme sua capacidade de entendimento. Desse modo, tudo está certo, constituindo-se as diferentes visões da Divindade, apenas degraus de acesso a uma compreensão cada vez mais aprofundada e ampla do tema. Na edição de maio de 1861, da REVISTA ESPÍRITA, numa nota de rodapé, Allan Kardec inclui uma observação em que procura responder duas questões naturais entre os que consideram a ideia de Deus uma grande mentira. A primeira delas: Como os Espíritos novos, que Deus cria, e que se destinam a um dia tornar-se Espíritos puros, depois de ter passado pela peneira de uma porção de existências e provas, saem tão imperfeitos das mãos do Criador, que é a fonte de toda perfeição e não se melhoram gradativamente senão se afastando da origem- “Digamos para começar que a solução pode ser deduzida facilmente do que está dito, com desenvolvimento, n’ O LIVRO DOS ESPÍRITOS, sobre a progressão dos Espíritos, questões 114 e seguintes. Teremos pouco a acrescentar. Os Espíritos saem das mãos do Criador simples e ignorantes, mas nem são bons, nem maus, pois do contrário, desde a sua origem, Deus teria votado uns ao Bem e à felicidade, e outros ao mal e à desgraça, o que nem concordaria com a sua bondade, nem com a sua justiça. No momento de sua criação, os Espíritos não são imperfeitos senão do ponto de vista de desenvolvimento intelectual e moral, como a criança ao nascer, como o germe contido no grão da árvore. Mas não são maus por natureza. Ao mesmo tempo que neles se desenvolve a razão, o livre arbítrio, em virtude do qual escolhem, uns, o bom caminho, outros, o mau, faz que uns cheguem ao objetivo mais cedo que outros. Mas todos, sem exceção, devem passar pelas vicissitudes da vida corpórea, a fim de adquirir experiência e ter o mérito da luta. Ora, nessa luta uns triunfam , outros sucumbem; mas os vencidos podem sempre erguer-se e resgatar as suas derrotas. Esta questão levanta outra, mais grave, que várias vezes nos foi apresentada. É a seguinte: Deus, que tudo sabe, o passado, o presente e o futuro, deve saber que tal Espírito tomará o mau caminho, sucumbirá e será infeliz. Neste caso, por que o criou? Sim. Certamente Deus sabe muito bem a linha que seguirá um Espírito, do contrário não teria a ciência soberana; se o mau caminho a que se atira o Espírito devesse fatalmente conduzi-lo a uma eternidade absoluta de penas e sofrimentos; se, porque tivesse falido lhe fosse para sempre vedado reabilitar-se, a objeção acima teria uma força de lógica incontestável e talvez aí estivesse o mais poderoso argumento contra a dogma dos suplícios eternos; porque, neste caso, impossível é sair do dilema: ou Deus não conhece a sorte reservada à sua criatura e então não tem a soberana ciência; se a conhece, então a criou para ser eternamente infeliz e, então, não tem Soberana Bondade. Com a Doutrina Espírita, tudo concorda perfeitamente, e não há contradição: Deus sabe que um Espírito tomará um mau caminho; conhece todos os perigos de que está este semeado, mas, também, sabe que dele sairá e que apenas terá um atraso; e, na sua bondade e para lhe facilitar, multiplica em sua rota as advertências salutares, dos quais infelizmente nem sempre se aproveita. É a história de dois viajantes que querem chegar a uma bela região onde viverão felizes. Um sabe evitar os obstáculos, as tentações, que o fariam parar no caminho; o outro, por imprudência, choca-se nos mesmo obstáculo, dá quedas que o atrasam, mas chegará por sua vez. Se, em caminho, pessoas caridosas o previnem dos perigos que corre e, se por presunção, não as escuta, não será mais repreensível". 


O que acontece a uma pessoa que sempre fez questão de se dizer descrente, não acreditar nem mesmo em Deus, quando ela desencarna e chega ao mundo espiritual?  Será que ela vai levar um choque e se arrepender de não ter acreditado em Deus? (Suzana Graciano)

  Utilizando uma imagem criada por Allan Kardec, podemos dizer que uma coisa é você fazer uma viagem e chegar a um lugar desconhecido ou sem o mínimo de informações sobre ele. Outra é você ir preparado, inclusive com sua bagagem, sabendo mais ou menos o que vai encontrar lá. Desse modo, podemos fazer uma ideia geral do que pode acontecer com alguém que negasse a vida após a morte, quando desencarnar.

Contudo, nunca devemos esquecer que cada caso se reveste de uma peculiaridade própria. Não dá para generalizar em se tratando se seres humanos. As reações das pessoas frente ao desconhecido são as mais variadas possíveis. O Espiritismo nos ensina, por outro lado, que a passagem da vida terrena para a vida espiritual representa apenas um passo adiante no caminhar natural da vida. Não há um abismo entre elas, apenas uma continuidade.

 Além disso, cara ouvinte, precisamos considerar o que realmente passa pela cabeça dessas pessoas que dizem não acreditar em Deus ou na continuidade da vida. Não sabemos exatamente o que elas pensam e no acreditam, mas, segundo o nosso ponto de vista, é muito difícil ( talvez impossível) existir algum descrente que não acredite absolutamente em nada. Consideramos que, na verdade, o descrente radical não existe; o que existem são pessoas céticas, que trazem sérias dúvidas sobre isso ou, então, que não querem acreditar por motivos muito íntimos, até porque não querem responsabilidades.

 Allan Kardec já falava sobre a disposição natural que todo ser humano tem de acreditar em Deus e na continuidade da vida. Nunca existiu um povo ateu. Além disso, qualquer que seja o Espírito, ele tem um passado antes desta vida, em que podia estar comprometido até mesmo com uma religião, e isso ele traz registrado no inconsciente. Recentemente, alguns cientistas conseguiram detectar um gene humano responsável por essa disposição de crer em Deus, demonstrando que ela está incrustrada em nosso DNA.  Desse modo, não crer é bem mais difícil do que crer, embora alguns, por motivos particulares, prefiram declarar abertamente sua descrença.

Não é difícil concluir, portanto, que o despertar na vida espiritual para aqueles que se proclamam ateus é apenas uma questão de tempo, se a sua disposição para não crer for renitente e esse despertar vai acontecer mais cedo ou mais tarde. Segundo o nosso ponto de vista, sem maiores problemas porque, como dissemos, crer é natural. Nós não sabemos o que esses Espíritos trouxeram de vidas anteriores. O máximo que poderiam sentir é um desapontamento diante da realidade que passam a enfrentar agora.


sexta-feira, 16 de abril de 2021

COINCIDÊNCIAS? EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Faltavam alguns minutos para o meio-dia da quarta-feira, 30 de janeiro, a primeira depois da tragédia de Santa Maria, quando o telefone tocou. Do outro lado da linha, o senhor Newton, amigo a quem nos ligamos pela admiração mútua, músico aposentado que ajudou a escrever  belas páginas na história da música popular brasileira. Frequentador eventual do Grupo Espírita em que proferimos regularmente palestras, informou estar nos procurando para saber da possibilidade de um fenômeno ocorrido na madrugada de segunda-feira passada (28/1), em sua casa. O que o fez se encorajar a fazer a ligação foi uma notícia veiculada pelo caderno COTIDIANO do jornal FOLHA DE SÃO PAULO, daquele dia em que nos telefonava. Ante minha resposta sobre não haver lido o matutino, disse que matéria incluía o parecer do pesquisador Anthony Wong, diretor médico do Ceatox (Centro de Assistência Toxicológica do Hospital das Clinicas da Faculdade de Medicina da USP, afirmando que junto com a fuligem e o monóxido de carbono resultante da combustão dos materiais usados no revestimento acústico de baixa qualidade da Kiss, apareceu o cianeto, um gás inodoro e incolor, capaz de matar em prazo curtíssimo, de quatro a cinco minutos. Segundo o médico, o mesmo gás usado pelo nazistas nas câmaras de extermínio da Segunda Guerra. Nosso interlocutor ficara impressionado com a notícia porque, ainda na noite de domingo, juntamente com sua esposa fizeram uma prece em favor dos vitimados do acidente, bem como, dos seus familiares, perguntando-se, reencarnacionistas que são, onde a origem daquela triste ocorrência. Dormiram e, em meio ao repouso, ele sonhou que se encontrava numa reunião onde um expositor explicava que os atingidos pela provação, eram pessoas comprometidas com a utilização das câmaras de gás usadas para eliminar judeus, ciganos, negros, homossexuais, deficientes mentais no cruel processo de purificação criado e alimentado pela, segundo entendiam, raça superior. Ao acordar no dia seguinte, impressionado com o sonho, comentando com a esposa sua experiência, ela, mais espantada ainda, disse que sonhara algo parecido, cuja essência era a mesma no que concerne à origem da tragédia atual. Pergunta o Sr. Newton: “-É possível?”. Respondemos que, embora raro, sim. O Espiritismo, das questões 400 a 412 d’ O LIVRO DOS ESPÍRITOS, informa que durante o sono, geralmente nosso Espírito vivencia experiências no Plano Invisível, e, em condições especiais conserva fragmentos ou a essência das mesmas. Foi o que se deu com eles, já que adormeceram mentalmente se perguntando sobre o “por quê?”. Lembramo-nos então do filme AMEM (2002), do diretor Costa Gravas, que denuncia a razão da omissão da religião predominante no continente europeu ante as atrocidades cometidas sob o comando de Hitler. Uma das cenas mais impressionantes recriava a visita de um oficial da SS, personagem principal da película, a um galpão onde eram executados pelo mórbido processo da inalação do cianeto, homens, mulheres, crianças, velhos e jovens, correndo desorientados, no ambiente fechado à procura de ar. Questão de poucos minutos, tal o poder letal da substância química. Muitas coincidências foram relacionadas pelo senhor Newton. Mas uma das que mais impressionam, chegou-nos ao conhecimento na segunda-feira, quatro de fevereiro. Durante visita a um amigo, ele assistia pelo YouTube, pronunciamento do ex-Secretário Geral da ONU, Ban kin Moon,  falando sobre a data escolhida para lembrar o Dia Internacional do Holocausto, a qual coincide com aniversário da libertação dos prisioneiros do campo de concentração de Auschwitz, na Polônia. O dia? 27 de janeiro. O mesmo da ocorrência de Santa Maria.



 AUTENTICIDADE DAS MENSAGENS – Um tema levantado esta semana e que nos chamou a atenção. Podemos resumi-lo na seguinte pergunta: Como saber se uma mensagem sobre a pandemia por exemplo, dita psicografada, disseminada pelas redes sociais, é realmente do Espírito que a subscreve?

 Esta questão é importante porque demonstra interesse e, ao mesmo tempo, espírito crítico por parte das pessoas, que não admitem serem enganadas. Allan Kardec já tratou exaustivamente dessa questão n’O LIVRO DOS MÉDIUNS, obra lançada há 153 anos atrás, onde o leitor vai encontrar vários capítulos que tocam diretamente nesta questão, principalmente os capítulos dedicados à identificação dos Espíritos, mistificação e fraudes. 

 E  Allan Kardec chegou a apresentar como exemplo, no último capítulo dessa obra, uma série de mensagens, assinadas por pessoas que foram famosas na Terra, mas que ele não considerou autênticas. De um modo geral, por recomendação de Kardec, as comunicações mediúnicas devem servir de material de análise e discussão para seu melhor aproveitamento. Logo, os espíritas não podem deixar de estudar O LIVRO DOS MÉDIUNS, porque nele Allan Kardec traçou diretrizes seguras para nos situar diante das comunicações mediúnicas.

  Nas comunicações, que Kardec considerou apócrifas ( ou seja, assinadas por outros que não são seus verdadeiros autores),  ele aponta o que considera inaceitável em relação aos seus supostos autores espirituais, seja por causa do estilo da linguagem, seja em relação à  linha de pensamento pela qual eles se fizeram conhecidos ou, ainda, por causa da existência de contradições com os princípios da lógica e do bom senso.

  Por exemplo:  Allan Kardec considera contradição numa mensagem o fato de o Espírito se meter a fazer profecias, principalmente quando prevê datas para determinados acontecimentos, gerando ansiedade nos leitores;  ou, então,  de Espíritos que usam de muita dramaticidade na sua comunicação, seja falada ou escrita, demonstrando apelar mais para a emoção do que para ao raciocínio.  

Os Espíritos esclarecidos – ou seja, aqueles que estariam um pouco acima da média da condição moral da humanidade – são educadores acima de tudo e, nesta condição, eles não adiantariam nada do que o próprio homem pode descobrir ou descortinar por si mesmo, até porque muitos de nós encarnados somos capazes de prever os caminhos dos acontecimentos e os problemas a que o planeta estará sujeito, usando apenas do nosso conhecimento, do nosso raciocínio e do bom senso.

 Portanto, em se tratando de mensagens sobre a pandemia (que é o assunto do momento) ou sobre outro assunto de interesse coletivo, devemos sempre usar – como diz Kardec – o critério do bom senso, ou seja, mais raciocínio que emoção. Na verdade, dificilmente podemos comprovar o autor de uma mensagem mediúnica – a não ser quando há um estudo mais aprofundado do caso, como alguns feitos com cartas psicografadas de Chico Xavier  – de modo que, na grande maioria das vezes, devemos nos preocupar mais com o conteúdo ou com a essência da mensagem do que propriamente com seu autor.

 Allan Kardec nos lembra que, regra geral, o importante é o conteúdo que a mensagem nos oferece e não o fato de ser deste ou daquele Espírito. Se a mensagem é de elevado teor moral, se ela está mais direcionada para o conforto dos leitores – e por isso, pode ajudá-los – pouco importa de onde proveio. Ela pode ter vindo até mesmo do próprio médium por inspiração. Por isso, devemos nos precaver contra a assinatura de nomes famosos nas mensagens mediúnicas e considerar sobretudo a mensagem em si.

 

quinta-feira, 15 de abril de 2021

ABRAHAM LINCOLN E O SEU MATADOR ; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

Poucos dias após a posse no início de 1865, para um segundo mandato, Abraham Lincoln, eleito para ser o decimo sexto presidente norte-americano, morreu aos 56 anos, atingido por um tiro na cabeça desferido por um inimigo politico, enquanto assistia a uma peça de teatro. Unificador dos Estados do Norte e do Sul, libertador dos escravos, Lincoln, nascido no Kentucky, de origem humilde, depois de abandonar as rudes tarefas na fazenda do pai aos 21 anos, fixou-se em New Salem, ali vivendo por cinco anos, trabalhando como empregado de fábrica, caixeiro de armazém, agente de correios, até mudar-se para Springfield, onde passou a trabalhar como advogado entrando definitivamente para a politica, que o conduziu ao primeiro mandato de Presidente em 1861. Antevira em sonho premonitório vivido dias antes, seu próprio assassinato. Lincoln e a esposa participaram também de várias sessões com a médium Nettie Colburn Maynard, conforme relatos publicados por ela em 1891, mais tarde recuperados e traduzidos para o português pelo erudito Wallace Leal Rodrigues e publicados sob o título SESSÕES ESPÍRITAS NA CASA BRANCA (clarim). A morte do grande estadista repercutiu no mundo todo, gravando seu nome na História como um exemplo de politico íntegro e honesto. Dois anos depois, Allan Kardec na edição de março de 1867, publicava uma matéria extraída do BANNER OF LIGHT, de Boston, EUA, que, por sua vez, veiculou a análise de uma comunicação de Abraham Lincoln, por um médium chamado Ravenswood. Pelo que se confirma no seu conteúdo, títulos ou posições ocupados na nossa Dimensão, não fazem nenhuma diferença na transição dela para o Plano Espiritual em consequência da morte física. Vamos ao texto: “-Quando Lincoln voltou de seu atordoamento e despertou no Mundo dos Espíritos, ficou surpreendido e perturbado, porque não tinha a menor ideia de que estivesse morto. O tiro que o feriu suspendeu instantaneamente toda sensação e não compreendeu o que lhe havia acontecido. Esta confusão e essa perturbação, contudo, não duraram muito. Ele era bastante espiritualista para compreender o que é a morte e, como muitos outros,  não ficou admirado da nova existência para a qual foi transportado. Viu-se cercado por muitas pessoas que sabia de há muito tempo mortas e logo soube a causa de sua morte. Foi recebido cordialmente por muita gente por quem tinha simpatia. Compreendeu sua afeição por ele e, num olhar, pôde abarcar o mundo feliz no qual tinha entrado. No mesmo instante experimentou um sentimento de angústia pela dor que devia experimentar sua família, e uma grande ansiedade a propósito das consequências que sua morte poderia ter para o País. Seus pensamentos o trouxeram violentamente à Terra. Tendo sabido que William Booth estava mortalmente ferido, veio a ele e curvou-se sobre o seu leito de morte. Nesse momento Lincoln tinha recuperado a perfeita consciência e a tranquilidade de Espírito, e esperou com calma o despertar de Both para a Vida Espiritual. Booth não ficou espantado ao despertar, porque esperava sua morte. O primeiro Espírito que encontrou foi Lincoln; olhou-o com muita afoiteza, como se se glorificasse do ato que havia praticado. O sentimento de Lincoln a seu respeito, entretanto, não alimentava nenhuma ideia de vingança, muito ao contrário; mostrava-se suave e bom e sem a menor animosidade. Booth não pode suportar este estado de coisas, e o deixou cheio de emoção. O ato que cometeu teve vários motivos; primeiro, sua falta de raciocínio, que lho fazia considerar como meritório e, depois, seu amor desregrado aos elogios que o tinham persuadido que seria cumulado deles e olhado como mártir. Depois de ter vagado, sentiu-se de novo atraído  para Lincoln. Às vezes, enchia-se de arrependimento, outras seu orgulho o impedia de emendar-se. Entretanto compreendia quanto seu orgulho era vão, sabendo, sobretudo, que não pode ocultar como em vida, nenhum dos sentimentos que o agitam, e que seus pensamentos de orgulho, vergonha ou remorso são conhecidos pelos que o rodeiam. Sempre em presença de sua vítima e não recebendo dela senão sinais de bondade, eis o seu estado atual e sua punição”. Comentando essas informações Kardec comenta: “-A situação destes dois Espíritos é, em todos os pontos, conforme aquela que diariamente vemos exemplos nos relatos de além-túmulo. É perfeitamente racional e está em relação com o caráter dos dois indivíduos”.



Comentário de uma ouvinte. “Conheci um homem que para todo mundo era uma ótima pessoa -  muito educado e religioso -  até que um dia, sem querer, vi uma cena que me chocou, quando ele, muito descontrolado, maltratava a esposa...”

  Pra você ver como é fácil julgar. As pessoas, em geral, julgam esse homem pelo que ele demonstrava ser fora de casa, quando enverga uma capa de respeitoso e educado para com todos. No entanto, e para sua surpresa – se é que você não se enganou -  viu uma cena que mostrou um lado desse homem que parece que não conhecia. E é com base no seu testemunho, que nós, agora, passamos a julgá-lo. Não seria para nos perguntar até que ponto podemos estar fazendo um julgamento justo apenas pelo que vimos ou ouvimos falar?

 No capítulo “Bem aventurados os brandos e pacíficos” d’O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO, numa de suas mensagens, o Espírito Lázaro, fala sobre a afabilidade e a doçura, um texto curto que merece toda nossa atenção. Fomos buscar justamente esse texto, porque o exemplo que você deu parece se aplicar bem ao caso. O texto, para o qual convidamos os ouvintes a ler ou a reler, fala  sobre pessoas aparentemente educadas no meio social em que vivem, mas que são verdadeiros carrascos dentro da própria casa. Nesse sentido  o Espírito Lázaro afirma:

 “O mundo está cheio dessas pessoas que têm o sorriso nos lábios e o veneno no coração, que são brandas contanto que nada as machuque, mas que mordem à menor contrariedade; cuja língua, dourada quando falam face a face, se transforma em dardo venenado quando estão por detrás.(...) A essa classe – continua Lázaro – pertencem ainda esses homens benignos por fora e que, tiranos domésticos, fazem sofrer sua família e seus subordinados...”

 O apontamento de Lázaro é bem incisivo e pode, até mesmo, envolver muitos de nós, principalmente pelo fato de nem sempre prestarmos a devida atenção na forma como tratamos o próximo mais próximo, nossos familiares.  Precisamos tomar cuidado na arte da convivência, a mais difícil de todas as artes. É fácil lidar com os diferentes que vivem distante de nós e com os quais só esporadicamente temos contato. O difícil mesmo é a convivência diária com as pessoas que estão ao nosso lado e cujos defeitos não queremos suportar.

  Ao recomendar o amor aos inimigos, Jesus se referia também às pessoas que não pensam como nós, especialmente aquelas com quem convivemos no dia a dia. Neste particular, nem sempre prestamos atenção que somos diferentes e que, entre os diferentes, devem existir no mínimo respeito, quando for possível se amarem. O desafio, portanto, é sabermos conviver com elas, sem cair no exagero do desrespeito e da violência. Afabilidade e doçura são virtudes da alma, que só se configuram de verdade, quando a convivência é difícil.