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domingo, 14 de julho de 2024

RISCOS; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Em artigo com que abre o número de fevereiro de 1863, Allan Kardec oferece-nos excelentes elementos para nos orientar diante de uma prática polêmica para muitos praticantes da mediunidade: a evocação de Espíritos. Parte de um fato relatado pelo médico Dr. Chaigneau correspondente da Sociedade Espírita de Paris, ligado à instituição congênere do interior da França. Conta sobre “uma família que fazia evocações com um ardor desenfreado, arrastada por um Espírito que se mostrou muito perigoso. Era um de seus parentes, morto depois de uma vida desregrada, terminada por vários anos de alienação mental. Sob nome suposto, por surpreendentes provas mecânicas, belas promessas e conselhos de uma moralidade sem reservas. Tinha conseguido de tal modo fascinar aquela gente muito crédula, que submetia todos às suas exigências e os obrigava aos atos mais excêntricos. Não podendo mais satisfazer todos os seus desejos, pediram nosso conselho e tivemos muito trabalho para os dissuadir e lhes provar que tratavam com um Espírito da pior espécie. Conseguimo-lo, entretanto, e pudemos obter que, ao menos por algum tempo se abstivessem. Desde então a obsessão tomou outro caráter: o Espírito se apoderava completamente do filho mais moço, de quatorze anos, o reduzia ao estado de catalepsia e, por sua boca, solicitava entretenimentos, dava ordens, fazia ameaças. Aconselhamos o mais completo mutismo, que foi observado rigorosamente. Os pais entregaram-se às preces e vinham procurar um de nós para os assistir(...) Praticamente, hoje, tudo cessou. Esperamos que na casa a ordem dê lugar à desordem. Longe de se desgostarem do Espiritismo, creem mais do que nunca, mas creem mais seriamente. Agora compreendem seu fim e as consequências morais; todos compreendem que receberam uma lição; alguns uma punição, talvez merecida”. Comenta Kardec:-“Este exemplo prova, mais uma vez, o inconveniente de nos entregarmos às evocações sem conhecimento de causa e sem objetivo sério. Graças aos conselhos da experiência, que aquelas pessoas escutaram, puderam desembaraçar-se de um inimigo, talvez terrível. Ressalta outro ensinamento não menos importante. Aos olhos dos desconhecedores do Espiritismo, o rapaz teria passado por um louco; não deixariam de lhe dar o tratamento correspondente e talvez desenvolvendo uma loucura real. Com a assistência de um médico espírita, o mal foi atacado em sua verdadeira causa e não teve consequências. Já o mesmo não se deu no fato seguinte. Um senhor de nosso conhecimento, residente numa cidade provinciana muito hostil às ideias espíritas, de súbito foi tomado de uma espécie de delírio, no qual dizia coisas absurdas. Como se ocupasse de Espiritismo, naturalmente falava de Espíritos. Sem aprofundar as coisas, e alarmados, os que o cercavam trataram de chamar médicos, que o declararam atacado de loucura, com muita satisfação dos inimigos do Espiritismo., e já falavam em interna-lo numa casa de saúde. Tudo quanto coligimos em relação àquele senhor prova que ele se achou, de repente, sob o império de uma subjugação momentânea, talvez favorecida por certas condições físicas. Foi a ideia que ele teve. Escreveu-nos e nós lhe respondemos. Infelizmente nossa carta não lhe chegou a tempo e dela só teve conhecimento muito mais tarde”. Lamentando o ocorrido, o destinatário, relatou o fato a Kardec, dizendo do quanto teria sido importante receber suas palavras que confirmaria suas suspeitas de “estar sendo joguete de uma obsessão, tranquilizando-o, pois de tanto ouvir que estava louco, acabou acreditando, ideia que o torturava a ponto que se o fato tivesse continuado não sabe o que teria acontecido”. Acrescenta Kardec: -“Consultado a respeito, um Espírito respondeu: -‘Esse senhor não é louco; mas a maneira por que o tratam poderá torna-lo louco. Mais ainda: poderiam mata-lo. O remédio para o seu mal está no próprio Espiritismo, e o consideram erroneamente’. Perguntado se seria possível, à distância, agir sobre ele, afirmou que “sem dúvida, sim; mas sua ação é paralisada pela má vontade dos que o cercam”. Conclui Kardec dizendo que “casos análogos ocorreram em todas as épocas; e muitos foram presos como loucos, sem o serem. Só um observador experimentado nestes assuntos os pode apreciar. E como hoje se encontram muitos médicos espíritas, em casos semelhantes convém a estes recorrer. Um dia a obsessão será colocada entre as causas patológicas, como o é hoje a ação de animais microscópicos, de cuja existência não se suspeitava antes da invenção do microscópio. Mas então reconhecer-se-á que nem as duchas nem as sangrias poderão curá-la. O médico que não admite nem busca senão causas puramente materiais é tão impróprio a compreender e tratar tais afecções, quanto um cego o é para distinguir cores”.




Fui a uma igreja, e o pastor me disse que eu estava para sofrer um acidente, mas porque fui à igreja, Deus me livrou desse acidente. Confesso que não pude acreditar no que ele disse. Acho que ele me fez essa revelação para mostrar que tem poder. Depois disso, cheguei a conversar com uma amiga, que me orientou que ouvisse este programa. O que vocês pensam sobre isso? (Ouvinte anônima)


Nós achamos que você foi muito prudente. E, além disso, revela uma grande capacidade de controle emocional. Muita gente, diante de uma “revelação” inesperada como essa, ficaria extremamente comovida e a emoção, quando fragilizada, bloqueia o raciocínio e aceita tudo como verdade. Portanto, seu desempenho foi de muito equilíbrio, ainda mais que, depois do fato, você ainda discutiu essa situação com pessoas de sua confiança, procurando ouvir outras opiniões a respeito.


Infelizmente, hoje em dia, há muita gente, que usa o nome de Deus e até mesmo de Satanás, para envolver e impressionar pessoas emocionalmente fragilizadas. Qualquer um de nós - você ou eu - quando estamos passando por uma situação difícil na vida, por um problema que nos pareça impossível resolver, ficamos emocionalmente fracos e impressionáveis e, é nessas ocasiões, em que devemos tomar cuidado para não nos deixarmos levar facilmente por aqueles, que querem tirar uma vantagem da nossa condição.


Precisamos, acima tudo, cultivar a fé em Deus, mas conceber Deus não como uma propriedade exclusiva desta ou daquela religião, desta ou daquela igreja, - que estaria comprometido com interesses particulares para favorecer unicamente alguns poucos escolhidos e privilegiados. Imaginar que Deus esteja confinado a uma crença particular é desmerecer a sua grandeza e a sua bondade. Deus é deus de toda a humanidade, dos homens e mulheres de todas as crenças e também daqueles que não professam religião alguma.


É muito natural que, diante de uma situação difícil, procuremos Deus nas igrejas. Não temos nada contra isso. Pelo contrário; muitas vezes, só lembramos de Deus na hora da dificuldade. Muitas vezes, é diante do sofrimento que acordamos para as leis da vida. Mas, precisamos nos conscientizar que, mais do que procurar Deus neste ou naquele templo, é necessário que vivamos Deus em nosso coração – ou seja, em nossos sentimentos do dia-a-dia, na convivência com as pessoas que nos cercam, no trabalho, nas obrigações comuns da vida e no trato com todos, sejam quem forem.


Por outro lado, precisamos ter muito cuidado com as chamadas “revelações divinas”. Em todos os meios há pessoas bem intencionadas e verdadeiramente cristãs, que podem ser facilmente reconhecidas. Mas isso não impede que haja também quem explore a boa fé do povo, até mesmo em nome do Espiritismo. No evangelho encontramos Jesus se referindo ao que ele chamou de “falsos profetas”- que já existiam no seu tempo – e continuam existindo até hoje, em qualquer religião. A esse respeito, ele recomendou examinássemos a árvore, dizendo que a boa árvore dá bons frutos e a má árvore dá maus frutos.


Conhece-se a boa árvore pelo bem que ela faz, pela fome que sacia, pelas lágrimas que seca. Conhece-se o homem de bem pela sua conduta, pelo seu caráter, pelo modo de conviver, pela sua sensibilidade às necessidades e sofrimento do próximo. Pergunte numa comunidade quem é homem de bem e todo mundo apontará. O homem de bem é sempre pessoa que se coloca do lado do amor, da justiça e da caridade; que é capaz de atos de generosidade para com todos indistintamente, independente de estar atendendo alguém da sua crença ou não. O homem de bem é afável, generoso, compreensivo, e é por isso que ele impõe respeito e admiração; não por causa de seu título ou do cargo que ocupa.


O homem de bem atende a quem necessita, sem exigir recompensa, nem mesmo reconhecimento ou gratidão. Não pergunta ao necessitado qual a sua religião e tampouco dele exige que ele mude de religião, apenas para atender a seu interesse. Não impõe condições. Ele faz como o samaritano da parábola: atende ao desconhecido, sem questionar sua vida..


Ele não intimida com ameaças, nem seduz com falsas promessas. Não exalta as próprias qualidades e nem quer parecer superior a ninguém, tampouco se diz detentor de algum privilégio diante de Deus. Não fere com palavras e nem suscita medo ou insegurança em quem o procura. Esforça-se por fazer como Jesus, amar a todos, aconselhar, orientar, mas jamais exigir fidelidade, pois ele sabe que devemos amar incondicionalmente, até mesmo os inimigos. As qualidades de um homem de bem você pode encontrar n’O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO de Allan Kardec.


sábado, 13 de julho de 2024

FATOR DETERMINANTE DE PATOLOGIAS MENTAIS E FÍSICAS; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 A integração de forma mais intensa entre diferentes Dimensões Existenciais nesse período de mudanças radicais e profundas na condição evolutiva da Terra evidencia cada vez mais a presença dos processos obsessivos na sociedade humana. Felizmente, a preocupação objetiva com os transtornos mentais vai, com certeza, conduzir a ciência a conclusões relacionando comportamentos enquadrados na ampla escala dos mesmos, às influências espirituais, reconhecidas, por sinal, na versão mais recente da Classificação Internacional de Doenças (CID), da OMS – Organização Mundial de Saúde, mais especificamente a CID 10, item F.44.3 em que define estado de transe e possessão como a perda transitória da identidade com manutenção de consciência do meio ambiente, fazendo a distinção entre normais, ou seja, os que acontecem por incorporação ou atuação dos Espíritos e patológicos, provocados por doenças. O Espiritismo tem substancial contribuição a dar sobre o tema quando diz que “o problema da obsessão tem no Pensamento sua base, explicando que além dos pensamentos comuns (experiência rotineira), emitimos com mais frequência os pensamentos nascidos do “desejo-central” que nos caracteriza, pensamentos esses que passam a constituir o reflexo dominante de nossa personalidade”. Explica que seja por questões de vingança por prejuízos causados em outras vidas pela potencial vítima de agora, seja razões como as dependências químicas, os chamados obsessores “procuram conhecer a natureza da pessoa que objetivam prejudicar, em qualquer plano, através das ocupações e posições em que prefira viver. Identificado o reflexo da criatura, superalimentam-na com excitações constantes, robustecendo impulsos e quadros já existentes na imaginação, criando outros que se lhes superponham, nutrindo-lhes, dessa forma, a fixação mental”. Esclarecem que “semelhante processo cria e mantem facilmente o “delírio psíquico” ou a “obsessão”, que não passa de um estado anormal da mente, subjugada pelo excesso de suas próprias criações a pressionarem o campo sensorial, infinitamente acrescidas de influência direta ou indireta de outras mentes, desencarnadas ou não, atraídas por seu próprio reflexo”. No extraordinário livro AÇÃO E REAÇÃO escrito pelo Espírito André Luiz através do médium Chico Xavier, aprendemos que “somos (seres humanos) fulcros geradores de vida, com qualidades específicas de emissão e recepção. Obsessão é um processo semelhante ao da hipnose. O campo mental do obsessor, cria no mundo da própria imaginação as formas-pensamento que deseja exteriorizar. Plasmando a imagem da qual se propõe extrair o melhor efeito, usando as forças positivas da vontade, colore-os com recursos de concentração de sua própria mente, e, aproveitando a poderosa energia mental, projeta-as, como um hipnotizador, sobre o campo mental da vítima. Esta transforma as impressões recebidas, reconstituindo as formas-pensamento plasmadas, nos centros cerebrais, por intermédio dos nervos que desempenham o papel de antenas específicas, a lhes fixarem as particularidades na esfera dos sentidos, num perfeito jogo alucinatório, em que o som e imagem se entrosam harmoniosamente”. Alerta que quando, por falta de tempo, não possam criar as telas pretendidas com os fins visados por intermédio da determinação hipnótica, situam no convívio da criatura, entidades que se lhe adaptem ao modo de sentir e ser”. Destaca que “cada um é tentado exteriormente pela tentação que alimenta em si próprio”, ou seja, “cada qual de nós vive e respira nos reflexos mentais de si mesmo”. De outras obras do mesmo Espírito, destacamos três casos para reflexão: 1- CARACTERÍSTICA- Mulher, 25 anos, cabelos em desalinho, semblante torturado, expressão de inquietação e pavor nos olhos escuros CAUSA – Ação de entidade feminina que lhe controla as impressões nervosas, obliterando os núcleos de força, através de fios cinzentos que lhe fluem da cabeça, envolvendo-lhe o centro coronário, movida pelo ciúme da encarnada por tê-la substituído na condição de segunda esposa do seu ex-marido, além do desejo de vingança por sabê-la intencionalmente negligente no caso do afogamento de seu enteado Marcos. (ETC,3) 2-CARACTERISTICA – Mulher, idade avançada, cabelos grisalhos, corpo magro, rosto enrugado, aparentando senilidade mental nas falas aparentemente desconexas proferidas com voz alterada. CAUSA – Presença espiritual mediunicamente registrada ao seu lado, na cama que ocupava, o qual ali se instalara desde muitos anos logo após sua morte aparentemente acidental durante caçada esportiva com amigos. (EVC) 3 - CARACTERÍSTICA - Homem, com Espírito parcialmente desligado do corpo físico pela hipnose do sono, que descansava com bonita aparência, sob cobertas quentes, revelando posição de relaxamento, semelhante aos viciados em entorpecentes. CAUSA – Presença de três entidades femininas em atitudes menos edificantes, atraídas para a atmosfera pessoal do encarnado através de mentalizações na área da sexualidade desequilibrada. (ML)

Ouvi dizer que já tivemos perto de 7 mil encarnações na Terra. Se a gente considerar quanto tempo leva o Espírito para reencarnar e quanto tempo vive neste mundo para, depois, voltar para o outro, quantos anos temos então? (K.F.M.)


Na condição espiritual, em que nos encontramos hoje, impossível estimar o número de encarnações que já tivemos, até porque o Espírito tem uma história tão longa, que remonta aos tempos em que ainda não era sequer um ser humano. Acreditamos na Lei de Evolução, que os Espíritos foram criados simples e ignorantes, ou seja, na sua condição mais primitiva, mas com capacidade de se aperfeiçoar.


Naturalmente, quem fala em 7 mil encarnações, deve estar se referindo ao Espírito, a partir de sua fase de humanidade. Mesmo assim, não dá para precisar. Tudo leva a crer que as encarnações do homem primitivo - o homem pré-histórico - eram geralmente muito rápidas, por causa das condições desfavoráveis que enfrentava neste planeta: ambiente inóspito, ataque de animais, doenças epidêmicas e as intempéries da natureza. A grande maioria dos Espíritos reencarnava e desencarnava em seguida, verificando-se elevado numero de abortos, mortes prematuras de bebês e de crianças.


Com os conhecimentos científicos de hoje, dá para avaliar a trajetória difícil que a humanidade veio fazendo ao longo dos milênios. E, por tais conhecimentos, concluir que toda essa trajetória de dificuldade nada mais foi do que uma experiência necessária para que o Espírito viesse construindo seu próprio caminho em busca de uma condição espiritual cada vez melhor, o que está acontecendo neste momento. Ao lado da evolução do corpo, houve a evolução do Espírito, ambos se adequando a novas necessidades e aspirações.


O importante é saber que hoje – depois de cerca de 10 mil anos de civilização – estamos adentrando um período de grandes e profundas mudanças, que deve direcionar a humanidade para uma etapa nova de seu desenvolvimento. Já não somos mais Espíritos primitivos, já superamos a fase da completa ignorância e já podemos ter aspirações para um futuro de paz e amor, o que nos faz capazes de lutar por esse ideal.


Sem arriscar qualquer número, no entanto, André Luiz, no livro EVOLUÇÃO EM DOIS MUNDOS – pela psicografia de Chico Xavier - conta a trajetória do Espírito desde o início da vida na Terra. Indicamos este livro para sua consulta: EVOLUÇÃO EM DOIS MUNDOS, André Luiz.





 

 

sexta-feira, 12 de julho de 2024

O ESPÍRITO NA EXPERIÊNCIA HUMANA; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 

A surpreendente resposta à questão 607ª d’ O LIVRO DOS ESPÍRITOS indica que a Individualidade em que nos tornamos é uma versão avançada do chamado Princípio Inteligente do Universo. E o também surpreendente Allan Kardec nas páginas de suas OBRAS BÁSICAS, particularmente da REVISTA ESPÍRITA preservou material instigante para nossas reflexões. Na sequência alguns pontos para pensarmos. Como teria se operado o início da fase Humanidade? Ignoramos absolutamente em que condições se dão as primeiras encarnações do Espírito; é um desses princípios das coisas que estão nos segredos de Deus. Apenas sabemos que são criados simples e ignorantes, tendo todos, assim, o mesmo ponto de partida, o que é conforme à justiça; o que sabemos ainda é que o livre-arbítrio só se desenvolve pouco a pouco e após numerosas evoluções na vida corpórea. Não é, pois, nem após a primeira, nem depois da segunda encarnação que o Espírito tem consciência bastante clara de si mesmo, para ser responsável por seus atos; não é senão após a centésima, talvez após a milésima. Dá-se o mesmo com a criança, que não goza da plenitude de suas faculdades, nem um, nem dois dias após o nascimento, mas depois de anos. (RE, 1864) O armazenamento do registro de percepções, sensações e experiências se dá naturalmente através da memória cujos rudimentos podem ser observados no Reino Mineral. Como o Espiritismo a explica? A memória pode ser comparada a placa sensível que, ao influxo da luz, guarda para sempre as imagens recolhidas pelo Espírito, no curso de seus inumeráveis aprendizados, dentro da vida. Cada existência de nossa alma, em determinada expressão da forma, é uma adição de experiência, conservada em prodigioso arquivo de imagens que, em se superpondo umas às outras, jamais se confundem. (ETC, 12) Que é a memória, senão uma espécie de álbum mais ou menos volumoso, que se folheia para encontrar de novo as ideias apagadas e reconstituir os acontecimentos que se foram? Esse álbum tem marcas nos pontos capitais. De alguns fatos o indivíduo imediatamente se recorda; para recordar-se de outros, é-lhe necessário folhear por longo tempo o álbum.(OP) A memória é como um livro! Aquele em que lemos algumas passagens facilmente no-las apresenta aos olhos; as folhas virgens ou raramente perlustradas têm que ser folheadas uma a uma, para que consigamos reconstituir um fato sobre o qual pouco tenhamos demorado a atenção. Quando o Espírito encarnado se lembra, sua memória lhe apresenta, de certo modo, a fotografia do fato que ele procura. A memória é um disco vivo e milagroso. Fotografa as imagens de nossas ações e recolhe o som de quanto falamos e ouvimos. Por intermédio dela, somos condenados ou absolvidos, dentro de nós mesmos. (LI, 11) O aprofundamento das pesquisas levadas a efeito por diferentes ramos da ciência permitiu concluir-se que o recurso chamado mente acompanha a evolução da nossa espécie. O Biólogo Bruce Lipton no livro BIOLOGIA DA CRENÇA (butterfly, 2006) explica essa evolução. O que diz? A evolução dos mamíferos mais desenvolvidos, incluindo os chimpanzés, os cetáceos e os humanos, criou um novo nível de consciência chamado "autoconsciência" ou mente consciente. Foi um passo muito importante em termos de desenvolvimento. A mente anterior, predominantemente subconsciente, é nosso "piloto automático"; já a mente consciente é nosso controle manual. Por exemplo: se uma bola é jogada em direção ao seu rosto, a mente consciente, mais lenta, pode não reagir em tempo de evitar a ameaça. Mas a mente inconsciente, capaz de processar cerca de 20 milhões de estímulos ambientais por segundo versus 40 estímulos interpretados pela mente consciente no mesmo segundo, nos fará piscar e nos desviar. A mente subconsciente, um dos processadores de informações mais poderosos de que se tem notícia até hoje, observa o mundo ao nosso redor e a consciência interna do corpo, interpreta os estímulos do ambiente e entra imediatamente em um processo de comportamento previamente adquirido (aprendido). Tudo isso sem ajuda ou supervisão da mente consciente. O subconsciente é um grande centro de dados e programas desprovido de emoção, cuja função é simplesmente ler os sinais do ambiente e seguir uma programação estabelecida sem nenhum tipo de questionamento ou julgamento prévio.



Se nós já tivemos outras encarnações, por que não lembramos dessas vidas? (Heraldo Coelho – e-mail)


Há várias razões para isso Heraldo. A primeira, de ordem filosófica, baseia-se no fato de que lembrar desse passado pode prejudicar o presente, ou seja, pode trazer transtornos psicológicos para o espírito, que está tentando reerguer-se nesta nova encarnação. O passado, quase sempre, envolve cometimentos graves e sofrimentos que não merecem ser lembrados, sob pena de comprometer os planos da vida atual. O rompimento com o passado, na maioria das vezes, é a melhor forma de começar uma vida nova.


Quando o passado distante está marcado por condutas delituosas graves – casos em que o individuo praticou violência contra os outros - é natural que, com o passar do tempo, tomando consciência da gravidade do mal que cometeu, esse Espírito venha a desenvolver um sentimento de culpa, um espécie de remorso, que pode levá-lo a atitudes de punição contra si mesmo. Lembrar do passado, manchado de cruéis delitos, é entrar em conflito com a própria consciência moral que está em crescimento, e até decidir pela autodestruição, ou seja, pelo suicídio, o que certamente cria um grave transtorno no seu processo evolutivo.


Por outro lado, quando o Espírito foi vítima da violência e da crueldade de outros, ele pode reencontrar, na nova encarnação, com seus algozes, até mesmo no seio da própria família. Imagine, por exemplo, um individuo que na vida anterior foi assassinado pelo Espírito que, agora, é seu pai, o qual veio justamente nesta encarnação para reparar o mal que lhe praticou - tendo-o como filho querido, a quem dedica proteção. Se esse filho lembrasse do mal que sofreu, com certeza, não teria condições de ter contato com seu pai, em hipótese alguma – talvez dominado pelo medo, talvez pelo ódio e pela revolta.


Desse modo, o papel do esquecimento, Heraldo, é fundamental para a continuidade da vida e para o longo processo de evolução, que se dá através das reencarnações. Quando Jesus, no evangelho, recomenda a reconciliação com o adversário e o amor aos inimigos, é nesse sentido, pois, de encarnação em encarnação, vamos tendo a oportunidade de nos reaproximar daqueles que rejeitamos. Novas experiências, novas oportunidades de convivência, em situações diferentes, fazem com que espíritos inimigos aprendam a se amar. É assim que a Lei de Deus funciona, aperfeiçoando cada um no caminho da perfeição.


Por outro lado, do ponto de vista científico, podemos explicar esse esquecimento pelo fato de que, em cada encarnação, o Espírito tem um novo cérebro, que só vai ser utilizado com as impressões que recebe das experiências desta encarnação. Não há passado para esse cérebro, porque ele não existiu antes. Mas para o Espírito, sim, pois ele guarda na sua memória profunda, no inconsciente de seu perispírito as informações do passado, que geralmente não afloram à mente, a não ser em casos muito excepcionais.


quinta-feira, 11 de julho de 2024

PROVA E EXPIAÇÃO; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 A seção Questões e Problemas da REVISTA ESPÍRITA de setembro de 1863, ocupou--se em esclarecer dúvida levantada por pequeno grupo espírita da cidade francesa de Moullins, a respeito da diferença e em que Plano existencial ocorre a chamada expiação e a prova para o Espírito em processo de evolução. Respondendo-a, Allan Kardec escreveu: “A expiação implica necessariamente a ideia de um castigo mais ou menos penoso resultante de uma falta cometida; a prova implica sempre a de uma inferioridade real ou presumível, porque o que chegou ao ponto culminante a que aspira, não mais necessita de provas. Em certos casos, a prova se confunde com a expiação, isto é, a expiação pode servir de prova, e reciprocamente (...). Como todo efeito tem uma causa, as misérias humanas são efeitos que devem ter a sua; se esta não estiver na vida atual, deve estar numa vida anterior. Além disso, admitindo a Justiça de Deus, tais efeitos devem ter uma relação mais ou menos íntima com os atos precedentes, dos quais são, ao mesmo tempo, castigo para o passado e prova para o futuro. São expiações no sentido de que são consequência de uma falta e provas em relação ao proveito delas tirado. Diz-nos a razão que Deus não pode ferir um inocente. Assim, se formos feridos e se não somos inocentes: o mal que sentimos é o castigo, a maneira por que o suportamos é a prova. Mas acontece, por vezes, que a falta não se acha nesta vida. Então acusa-se a Justiça de Deus, nega-se a sua bondade, duvida-se, até, de sua existência. Aí, precisamente, está a prova mais escabrosa: a dúvida sobre a Divindade. Quem quer que admita um Deus soberanamente justo e bom deve dizer que só agirá com sabedoria, mesmo naquilo que não compreendemos; e que se sofremos uma pena, é porque o merecemos; é, pois, uma expiação. Pela grande Lei da Pluralidade das Existências, o Espiritismo levanta completamente o véu sob o qual esta questão deixava obscuridade. Ele nos ensina que se falta não tiver sido cometida nesta vida, tê-lo-á sido em outra; e, assim, a Justiça de Deus segue seu curso, punindo-nos por onde havíamos errado. Vem a seguir a grave questão do esquecimento que, segundo nosso correspondente, tira aos males da vida o caráter de expiação. É um erro. Dai-lhe o nome que quiserdes: não fareis que não sejam a consequência de uma falta (...). A lembrança precisa dessas faltas teria inconvenientes extremamente graves, por isso que nos perturbaria, nos humilharia aos nossos próprios olhos e aos do próximo; trariam uma perturbação nas relações sociais e, por isto mesmo, travaria nosso livre-arbítrio. Por outro lado, o esquecimento não é tão absoluto quanto o supõem. Ele só se dá na vida exterior de relação (...). Tanto na erraticidade, quanto nos momentos de emancipação, o Espírito se lembra perfeitamente e essa lembrança lhe deixa uma intuição que se traduz na voz da consciência, que o adverte do que deve, ou não deve, fazer. Se não a escuta, então é culpa sua (...). Das tribulações que suporta, das expiações e provas deve concluir que foi culpado; da natureza dessas tribulações, ajudado pelo estudo de suas tendências instintivas, apoiando-se no princípio que a mais justa punição é a consequência da falta, pode deduzir seu passado moral. Suas tendências más lhe ensinam o que resta de imperfeito a corrigir em si. A vida atual é para ele um novo ponto de partida: aí chega rico ou pobre de boas qualidades; basta-lhe, pois, estudar-se a si mesmo para ver o que lhe falta dizer: “Se sou punido, é porque errei”. E a mesma punição lhe dirá o que fez (...). É erro pensar que o caráter essencial da expiação seja o de ser imposta. Vemos diariamente na vida expiações voluntárias, sem falar dos monges que se maceram e se fustigam com a disciplina e o cilício. Assim, nada há de irracional em admitir que um Espírito, na Erraticidade, escolha ou solicite uma existência terrena que o leve a reparar seus erros passados (...). As misérias daqui são, pois, expiação, por seu lado efetivo e material, e provas, por suas consequências morais. Seja qual for o nome que se lhes dê, o resultado deve ser o mesmo: o aperfeiçoamento”.


Vocês não acham que as redes sociais, disseminadas pela internet, vieram ajudar a espalhar mentiras, confundindo mais ainda o povo? Como combater as “fake news”?

Todas as grandes causas da humanidade têm sido prejudicadas por falsas notícias que, geralmente, nascem da ignorância ou da maldade de pessoas interessadas em distorcer a verdade. No seu tempo, há 2 mil anos atrás, Jesus de Nazaré teve que lidar com ideias que pretendiam confundir seus seguidores e destruir seu ideal.

Há, inclusive, uma passagem no evangelho em que Jesus pede cautela para separar o que ele chamou “o joio do trigo”. O trigo é o produto verdadeiro, o cereal com se faz o pão e que se desenvolve pelo trabalho e até pelo sacrifício do agricultor. O joio é a erva daninha que nasce sorrateiramente em meio à plantação para contaminar e destruir a plantação.

Em tudo deve haver prudência, disse Jesus, para não prejudicar a lavoura. Por isso, ele aconselhou que se não atacasse o joio logo no início, quando ele ainda tenro se confunde com trigo, porque é possível que, ao tentar extrair o joio, o agricultor afoito também destrua o trigo.

Em tudo, quando pretendemos semear a boa semente, devemos agir com cautela. Allan Kardec, na fase de codificação da doutrina espírita, também enfrentou o mesmo problema, até porque ideias nocivas procuravam contaminar o Espiritismo, procurando atingi-lo em seus princípios fundamentais.

No Espiritismo, como todos sabem, não existem hierarquia e nem chefes. Kardec se considerava apenas um instrumento dos bons espíritas e também um aprendiz da doutrina e não um chefe como muitos supunham, principalmente nos primeiros passos da doutrina.

O Espiritismo é livre, ninguém tem autoridade para dizer o que está certo ou errado, porque a verdade nasce das comunicações dos bons Espíritos que, aos poucos, foram se assentando harmoniosamente formando a doutrina.

A verdade, portanto, vem das revelações espirituais. Quem mantém a doutrina una e coesa são as suas bases doutrinárias, que nasceram com O LIVRO DOS ESPÍRITOS.

E no meio de tantas falsidades que surgiam aqui e ali, quando pessoas mal intencionadas procuravam solapar a doutrina pela base, Allan Kardec levantou e discutiu a questão da chamada “verdade universal”. Ou seja, a verdade fica consolidada com o apoio da maioria. Quando uma ideia destoa da verdade, ela é logo rechaçada pela maioria, que a ela se opõe.

O mesmo método podemos aplicar em qualquer outro assunto. É o caso, por exemplo, dos que combatem a ideia de que a Terra é redonda - uma teoria conspiratória dos que insistem em dizer que a Terra é plana –aliás, uma postura totalmente absurda e inadequada. Ela já era inadequada para Colombo, no final do século 16 e, hoje, soa como fora de propósito diante das conquistas da ciência, na era da inteligência artificial.

Quando recebemos alguma notícia (que não veio pelas vias normais, ou pela grande imprensa), mas por formas escusas e sorrateiras, de que muito se ocupam os mal-intencionados pelas redes sociais, devemos verificar a origem e tentar entender a razão por que ela não sendo veiculada pelos meios normais de comunicação.

As falsas notícias geralmente se apoiam em teorias conspiratórias ou no negacionismo científico, opondo-se aos princípios universais da ciência e das ideias veiculadas pelos órgãos especializados. A ciência se apoia em dados estatísticos, pois a verdade surge de milhares de observações, estudos e experimentos e não apenas de uma informação isolada de quem está tentando distorcer a verdade.

Evidentemente, as redes sociais devem existir para facilitar e incrementar as informações, mas, em meio a tudo isso, não podemos deixar de reconhecer que quanto maior o número de informações, maior o risco de depararmos com falsidades.

Lembremos Jesus: “Veja quem tem olhos de ver e ouça quem tem ouvidos de ouvir”, querendo dizer com isso que devemos saber diferenciar o falso do verdadeiro, a mentira da verdade, usando sobretudo o raciocínio.


quarta-feira, 10 de julho de 2024

EVOLUÇÃO; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

A surpreendente resposta à questão 607ª d’ O LIVRO DOS ESPÍRITOS indica que a Individualidade em que nos tornamos é uma versão avançada do chamado Princípio Inteligente do Universo. E o também surpreendente Allan Kardec nas páginas de suas OBRAS BÁSICAS, particularmente da REVISTA ESPÍRITA preservou material instigante para nossas reflexões. Na sequência alguns pontos para pensarmos. Como teria se operado o início da fase Humanidade? Ignoramos absolutamente em que condições se dão as primeiras encarnações do Espírito; é um desses princípios das coisas que estão nos segredos de Deus. Apenas sabemos que são criados simples e ignorantes, tendo todos, assim, o mesmo ponto de partida, o que é conforme à justiça; o que sabemos ainda é que o livre-arbítrio só se desenvolve pouco a pouco e após numerosas evoluções na vida corpórea. Não é, pois, nem após a primeira, nem depois da segunda encarnação que o Espírito tem consciência bastante clara de si mesmo, para ser responsável por seus atos; não é senão após a centésima, talvez após a milésima. Dá-se o mesmo com a criança, que não goza da plenitude de suas faculdades, nem um, nem dois dias após o nascimento, mas depois de anos. (RE, 1864) O armazenamento do registro de percepções, sensações e experiências se dá naturalmente através da memória cujos rudimentos podem ser observados no Reino Mineral. Como o Espiritismo a explica? A memória pode ser comparada a placa sensível que, ao influxo da luz, guarda para sempre as imagens recolhidas pelo Espírito, no curso de seus inumeráveis aprendizados, dentro da vida. Cada existência de nossa alma, em determinada expressão da forma, é uma adição de experiência, conservada em prodigioso arquivo de imagens que, em se superpondo umas às outras, jamais se confundem. (ETC, 12) Que é a memória, senão uma espécie de álbum mais ou menos volumoso, que se folheia para encontrar de novo as ideias apagadas e reconstituir os acontecimentos que se foram? Esse álbum tem marcas nos pontos capitais. De alguns fatos o indivíduo imediatamente se recorda; para recordar-se de outros, é-lhe necessário folhear por longo tempo o álbum.(OP) A memória é como um livro! Aquele em que lemos algumas passagens facilmente no-las apresenta aos olhos; as folhas virgens ou raramente perlustradas têm que ser folheadas uma a uma, para que consigamos reconstituir um fato sobre o qual pouco tenhamos demorado a atenção. Quando o Espírito encarnado se lembra, sua memória lhe apresenta, de certo modo, a fotografia do fato que ele procura. A memória é um disco vivo e milagroso. Fotografa as imagens de nossas ações e recolhe o som de quanto falamos e ouvimos. Por intermédio dela, somos condenados ou absolvidos, dentro de nós mesmos. (LI, 11) O aprofundamento das pesquisas levadas a efeito por diferentes ramos da ciência permitiu concluir-se que o recurso chamado mente acompanha a evolução da nossa espécie. O Biólogo Bruce Lipton no livro BIOLOGIA DA CRENÇA (butterfly, 2006) explica essa evolução. O que diz? A evolução dos mamíferos mais desenvolvidos, incluindo os chimpanzés, os cetáceos e os humanos, criou um novo nível de consciência chamado "autoconsciência" ou mente consciente. Foi um passo muito importante em termos de desenvolvimento. A mente anterior, predominantemente subconsciente, é nosso "piloto automático"; já a mente consciente é nosso controle manual. Por exemplo: se uma bola é jogada em direção ao seu rosto, a mente consciente, mais lenta, pode não reagir em tempo de evitar a ameaça. Mas a mente inconsciente, capaz de processar cerca de 20 milhões de estímulos ambientais por segundo versus 40 estímulos interpretados pela mente consciente no mesmo segundo, nos fará piscar e nos desviar. A mente subconsciente, um dos processadores de informações mais poderosos de que se tem notícia até hoje, observa o mundo ao nosso redor e a consciência interna do corpo, interpreta os estímulos do ambiente e entra imediatamente em um processo de comportamento previamente adquirido (aprendido). Tudo isso sem ajuda ou supervisão da mente consciente. O subconsciente é um grande centro de dados e programas desprovido de emoção, cuja função é simplesmente ler os sinais do ambiente e seguir uma programação estabelecida sem nenhum tipo de questionamento ou julgamento prévio. 


Por que nosso anjo da guarda não avisa, quando vamos sofrer um acidente? Por exemplo: a pessoa sai de casa para o trabalho e no trajeto é atropelada. (Jairo)


Em primeiro lugar, Eduardo, precisamos definir o que seja anjo da guarda. Há uma idéia vigente na crença popular de que anjo da guarda é uma entidade celestial, que sempre está ao nosso lado, para nos alertar contra o mal e nos prevenir dos perigos. Mas, a Doutrina Espírita, conforme podemos ler n’O LIVRO DOS ESPÍRITOS, considera o anjo da guarda como um Espírito protetor, assim como um pai em relação aos filhos.


O protetor não é necessariamente um Espírito muito elevado e muito menos perfeito ou celestial. Geralmente, ele está numa condição um pouco acima de seu protegido, mas não pode estar espiritualmente ser muito superior a ele, pois, se o fosse, encontraria dificuldades para dele se aproximar. Trata-se de um Espírito que assumiu um compromisso com seu protegido, assim como um amigo, que quer ajudá-lo no caminho do bem.


Convém ressaltar que o Espiritismo não concebe a presença do “anjo mau”, que a crença popular costuma colocar ao lado do “anjo bom”. Na verdade, as más tendências estão em nós próprios, e elas podem ser reforçadas por adversários ou inimigos, que querem nos prejudicar, que são aqueles que chamamos de obsessores. Mas o protetor, como dissemos, é alguém que quer nos ajudar sempre, principalmente se houver algum perigo por perto.


Por outro lado, há registro de muitos relatos de pessoas que foram alertadas contra perigos iminentes. Possivelmente pelos seus protetores. No entanto, isso não acontece sempre; talvez aconteça raramente. E vamos dizer por quê. Primeiramente, porque há situações difíceis e, às vezes, doloridas, pelas quais temos de passar, para aprender. Elas fazem parte de nosso currículo de vida: precisamos de algumas experiências amargas para superar nossos limites. Portanto, se aprender for o objetivo da experiência dolorosa, o protetor, com certeza, não vai interferir, pois sabe que aquela experiência será benéfica para seu protegido.


Pode acontecer, também, que o protetor ignora o que vai acontecer. Isso é muito comum. Ele não é um Espírito perfeito, como dissemos; portanto, não sabe tudo. Ele não sabe, por exemplo, que decisão vamos tomar daqui a cinco minutos; e muito menos se essa decisão nos levará a uma situação de perigo, de modo que ele também será surpreendido pelo que poderá acontecer.


Devemos considerar, ainda, que o Espírito protetor não fica as 24 horas ao lado de seu protegido. Isso está bem explicado n’O LIVRO DOS ESPÍRITOS. Seu papel é nos acompanhar-lo nos principais lances da vida, procurando intuí-lo nos momentos mais delicados, embora nem sempre consiga se fazer ouvir, por causa de nossas condições espirituais, nem sempre favoráveis. Desse modo, o protetor, quase sempre, nos espreita à distância.


Assim como um pai ou uma mãe, que protege seus filhos na infância, mas, aos poucos, deixa que eles vão assumindo suas decisões e atos, o protetor também não pode permanecer colado ao seu protegido, em todo momento ou em qualquer situação, até porque, se assim fizesse, tirar-lhe-ia a liberdade de caminhar com as próprias pernas, de aprender com seus erros e acertos, e de evoluir espiritualmente Leia, reflita e discuta, d’O LIVRO DOS ESPÍRITOS, as questões de 489 a 521.


terça-feira, 9 de julho de 2024

OS DOIS VOLTAIRE; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

Filósofo iluminista, escritor e ensaísta francês, Francois Marie Arouet nasceu e viveu em Paris entre 1694 e 1778. Conhecido pela sua perspicácia e espirituosidade na defesa das liberdades civis, religiosa e livre comércio foi um dos autores do iluminismo cujas obras e ideias influenciaram tanto na Revolução Francesa quanto na Americana. Autor de 70 obras em variadas formas literárias é reconhecido como um polemista satírico tendo usado suas obras para criticar a Igreja Católica e as instituições francesas de seu tempo. No número de abril de 1862 da REVISTA ESPÍRITA, Allan Kardec inclui uma comunicação obtida pelo Grupo Faucherand na Sociedade Espírita de Paris, através do médium Sr. E. Vézy, assinada justamente pelo Espírito que tanto influenciou mentes e corações através de sua forma de pensar. A mudança de Dimensão existencial, contudo, abriu suas ideias em direções mais amplas como demonstrado em seu texto. Escreveu ele: -“Sou eu mesmo, mas não aquele Espírito trocista e cáustico de outrora; o reizinho do século 18, que dominava pelo pensamento e pelo gênio a tantos soberanos, hoje não mais tem nos lábios aquele sorriso mordaz, que fazia tremer os inimigos e os próprios amigos!. Meu cinismo desapareceu diante da revelação das grandes coisas que eu queria tocar e que só as conheci no Além-túmulo. Pobres cérebros demasiado estreitos para conterem tantas maravilhas!. Humanos, calai-vos, humilhai-vos ante o poder supremo; admirai e contemplai – é o que podeis fazer. Como quereis aprofundar Deus e o seu próprio trabalho? Apesar de todos os seus recursos, a vossa razão não se quebra diante do átomo e do grão de areia, que não pode definir? Eu empreguei a minha vida a procurar conhecer a Deus e seu princípio; minha razão se enfraqueceu e eu cheguei não a negar Deus, mas a sua glória, o seu poder e a sua grandeza. Eu o explicava desenvolvendo-se no tempo. Uma intuição celeste me dizia que rejeitasse tal erro, mas eu não escutava e me fiz apóstolo de uma doutrina mentirosa...Sabeis por que? Porque, no tumulto e na confusão de meus pensamentos, num entrechoque incessante, eu só via uma coisa: meu nome gravado no frontão de um templo de memória das Nações! Só via a glória que me prometia essa juventude universal que me cercava e parecia saborear com suave delícia o suco da doutrina que eu lhe ensinava. Entretanto, empurrado não sei por que remorso de minha consciência, quis parar, mas era tarde. Como toda utopia, todo sistema que abraçamos nos arrasta; a princípio segue a torrente, depois nos arrasta e nos quebra, tão rápida e violenta é por vezes a sua queda. Crêde-me, vós que aqui estais à procura da verdade, encontra-la-eis quando tiverdes destacado de vosso coração o amor às lantejoulas, que um tolo amor-próprio e um falso orgulho fazem brilhar aos vossos olhos. Na nova via por onde marchais, não temais combater o erro e o desafiar, quando se erguer à vossa frente. Não é uma monstruosidade preconizarmos uma mentira, contra a qual ninguém ousa defender-se, pelo fato de saber-se que fizemos discípulos que ultrapassaram as nossas crenças? Vêde, meus amigos. O Voltaire de hoje não é mais aquele do século 18. Eu sou mais cristão, porque venho fazer-nos esquecer a minha glória e vos lembrar o que fui na juventude e o que amava em minha infância. Oh! Como eu gostava de me perder no mundo dos pensamentos! Minha imaginação ardente e viva percorria os vales da Ásia à busca daquele que chamais Redentor.. Eu gostava de percorrer os caminhos que ele tinha percorrido. E como me parecia grande e sublime esse Cristo em meio à multidão!.. Julgava ouvir a sua voz poderosa, instruindo os povos da Galiléia, das bordas do Tiberíades e da Judéia!.. Mais tarde, nas minhas noites de insônia, quantas vezes me ergui para abrir uma velha Bíblia e reler suas páginas santas! Então minha fronte se inclinava diante da cruz, esse sinal eterno da redenção, que une a Terra ao Céu, a criatura ao Criador!... Quantas vezes admirei esse poder de Deus, por assim dizer se subdividindo, e cuja centelha se encarna para fazer-se tão pequena, vindo render a alma no Calvário em expiação!.. Vítima augusta cuja divindade eu negava, e que, entretanto, me fez dizer: -Teu Deus que tu traíste, teu Deus que tu brasfemas, Para ti, para o Universo, morreu nestes lugares!. Sofro, mas espio a resistência que opus a Deus. Tinha a missão de instruir e esclarecer. A princípio o fiz, mas o meu facho se extinguiu nas minhas mãos, na hora marcada para a luz!...Felizes filhos do século 19 e do século 20, a vós é que é dado ver luzir o facho da Verdade. Fazei que vossos olhos vejam bem a sua luz, porque para vós ela terá radiações celestes e sua claridade será Divina!”.





Vocês não acham que esse progresso, que vem acontecendo, com tantas coisas que estão inventando hoje, não está atrapalhando a nossa vida e aumentando mais ainda o egoísmo das pessoas?


Já fizemos várias comentários que abrangem este tema. Tiramos, inclusive, uma conclusão, parecida com a sua – que é a seguinte: quanto mais comodidade, mais individualismo. Não por causa do bem-estar em si ( que, aliás, é sempre bem vindo), mas pelo fato de o homem ter crescido muito intelectualmente, mas o progresso moral ainda está bem atrás de seu desenvolvimento moral.


Isso não quer dizer que somos contra o progresso material. Muito pelo contrário: achamos que o desenvolvimento da tecnologia, trazendo-nos mais conforto e bem-estar físico, é fundamental para a evolução espiritual. O Espírito é, ao mesmo tempo, inteligência e sentimento. Ele precisa crescer nesses dois sentidos, mas a educação do sentimento, infelizmente, ainda deixa muito a desejar.


Não pense você que o homem era melhor antes, quando não havia tanto progresso material na Terra. Só para você fazer uma idéia do que estamos falando, vamos situar, por exemplo, o homem no tempo de Jesus, há 2 mil anos atrás. Naquela época, a vida era muitíssimo mais difícil em todos os sentidos: quase nenhum conforto material, muita ignorância, não havia leis de proteção aos mais fracos, a violência era institucionalizada e os primeiros a praticarem a violência eram os próprios governantes.


Por outro lado, a população humana na época era cerca de um décimo (?) do que é hoje. Pouca gente, menos aglomerações e o único reduto de proteção que havia para as pessoas ( excessivamente pobre na sua expressiva maioria) era o lar, a família... e a fé. A religião era a única instituição que podia prometer alguma recompensa para as almas sofredoras – pelo menos, se não nesta vida, na outra.



 

segunda-feira, 8 de julho de 2024

O ESPIRITISMO E A TRANSIÇÃO PLANETÁRIA; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 O comentário foi direto e surpreendente: -“Que evolução é essa que nos coloca diante de tanta violência, corrupção, contradições”? Refletindo um desalentado desabafo de uma dirigente espírita, certamente corresponde ao sentimento de muitos. Daí a necessidade de revermos alguns pontos revelados pelo Espiritismo que encontram confirmação nos estudos, por exemplo, desenvolvidos na linha do denominado Determinismo Histórico que confirma que tudo é cíclico projetando consecutivamente a história em outras fases. Destacamos a seguir alguns pontos para reflexão: 1- A transformação da Humanidade foi predita e chegais a esse momento em que todos os homens progressistas estão se apressando. 2- Ela se realizará pela encarnação de Espíritos melhores que constituirão sobre a Terra uma nova geração. 3- Dizendo que a Humanidade está madura para a regeneração, isto não quer dizer que todos os indivíduos estejam no mesmo grau, mas muitos tem, por intuição, o germe das ideias novas, que as circunstâncias farão brotar; estão eles se mostrarão mais adiantados do que se pensava, e seguirão com o entusiasmo o impulso da matéria. 4- Há, entretanto, os que são fundamentalmente refratários, mesmo entre os mais inteligentes e que, certamente, jamais se ligarão, pelo menos nesta existência, uns de boa fé, por convicção; outros por interesse. Aqueles cujos interesses materiais estão ligados ao presente estado de coisas, e que são bastante adiantados para dele fazer abnegação, que o Bem geral toca menos que o de sua pessoa, não podem ver sem apreensão o menor movimento reformador.  5- Nosso globo, como tudo o que existe, está submetido à Lei do Progresso. 6- Ele progride : 10 - FISICAMENTE, pela transformação dos elementos que o compõem e, 20 - MORALMENTE, pela depuração dos Espíritos encarnados e desencarnados que o povoam. 7- De duas maneiras se executa esse DUPLO PROGRESSO: 10 - uma, lenta, gradual e insensível; 20 – outra, caracterizada por mudanças bruscas. 8 - Não se trata de uma mudança parcial, de uma renovação limitada a certa região ou a um povo, a uma raça. TRATA-SE DE UMA MUDANÇA GLOBAL, a operar-se no sentido do progresso moral. 9 - Uma mudança tão radical como a que está se elaborando NÃO PODE REALIZAR-SE SEM COMOÇÕES. Há, inevitavelmente, luta de ideias. 10- Havendo chegado o tempo, GRANDE EMIGRAÇÃO SE VERIFICA dos que a habitam: a dos que PRATICAM O MAL PELO MAL, ainda não tocados pelo sentimento do Bem, os quais, já não sendo dignos do planeta transformado, SERÃO EXCLUIDOS, porque senão lhe ocasionariam de novo perturbação e confusão e constituiriam obstáculo ao progresso. 11 - Irão expiar o endurecimento de seus corações, 10 - uns EM MUNDOS INFERIORES, 20- outros EM RAÇAS TERRESTRES AINDA ATRASADAS, equivalentes a Mundos daquela ordem, aos quais levarão os conhecimentos que hajam adquirido, tendo por missão fazê-las avançar. 12 - SUBSTITUÍ-LOS-ÃO Espíritos melhores, que farão reinem em seu seio a justiça, a paz e a fraternidade. 13- A NOVA GERAÇÃO se distingue por: 10 -INTELIGÊNCIA E RAZÃO GERALMENTE PRECOCES, 20-SENTIMENTO INATO DO BEM e as CRENÇAS ESPIRITUALISTAS (...) Não se comporá exclusivamente de Espíritos eminentemente superiores, mas dos que já tendo progredido, se acham predispostos a assimilar todas as ideias progressistas e aptos a SECUNDAR o movimento de regeneração. 14 - O que distingue os ESPÍRITOS ATRASADOS é: 10 - REVOLTA CONTRA DEUS, pelo se negarem a reconhecer qualquer poder superior aos poderes humanos; 20- A PROPENSÃO INSTINTIVA ÀS PAIXÕES DEGRADANTES, para os SENTIMENTOS ANTI-FRATERNOS DE EGOÍSMO, DE ORGULHO, DE INVEJA, DE CIÚME; 30 o APEGO A TUDO O QUE É MATERIAL: a sensualidade, ambição, desejo, avidez. 15 - Não se deve entender por meio dessa emigração de Espíritos, sejam expulsos da Terra e relegados para Mundos Inferiores todos os Espíritos retardatários. Muitos, ao contrário, aí voltarão, porquanto HÁ MUITOS QUE O SÃO PORQUE CEDERAM AO ARRASTAMENTO DAS CIRCUNSTÂNCIAS e DO EXEMPLO.  16- As grandes partidas coletivas, entretanto, NÃO TEM POR ÚNICO FIM ativar as saídas; tem igualmente o de TRANSFORMAR MAIS RAPIDAMENTE O ESPIRITO DA MASSA, livrando-o das más influências e o de dar maior ascendente às ideias novas. 17 - Opera-se presentemente um desses movimentos gerais, destinados a realizar uma remodelação da Humanidade. A MULTIPLICIDADE DAS CAUSAS DE DESTRUIÇÃO CONSTITUI SINAL CARACTERISTICO DOS TEMPOS...



Ultimamente venho passando por uma situação muito difícil. Sou viúva, cuido de minha mãe, que é doente, e meus dois filhos estão desempregados. Estou vivendo apenas das aposentadorias, minha e de minha mãe. Já me disseram que sou vitima de malfeito, e que preciso fazer alguma coisa para melhorar minha vida. Quero saber como posso me livrar disso. (anônima)

Não se entregue ao desânimo, prezada irmã. Ninguém está abandonado ou perdido. Todos somos filhos de Deus e Ele nos ama igualmente a todos. Na maioria das vezes, o que nos falta é descobrir dentro de nós esse elo que nos liga ao Pai.

Creia em Deus e em você mesma. E se você tiver dificuldade de se levantar sozinha, procure ajuda. Todos precisamos uns dos outros. A doutrina espírita nos oferece uma grande oportunidade de reabilitação, seja qual for a situação em que nos encontramos, mas pede que creiamos no Bem e não no mal.

Meimei, Espírito amigo, através da mediunidade de Chico Xavier nos trouxe uma página linda e sugestiva para as nossas horas mais difíceis, que diz o seguinte. Preste atenção.

Não percas a tua fé entre as sombras do mundo. Ainda que os teus pés estejam sangrando, segue para a frente, erguendo-a por luz celeste, acima de ti mesmo. Crê e batalha. Esforça-te no bem e espera com paciência.

Tudo passa e tudo se renova na Terra, mas o que vem do céu permanecerá. De todos os infelizes, os mais desditosos são os que perderam a confiança em Deus e em si mesmos, porque o maior infortúnio é sofrer a privação da fé e prosseguir vivendo.

Eleva, pois, o teu olhar e caminha. Luta e serve. Aprende e adianta-te. Brilha a alvorada além da noite. Hoje é possível que a tempestade te amarfanhe o coração e te atormente o ideal, aguilhoando-te com aflição ou ameaçando-te com a morte… Não te esqueças, porém, de que amanhã será outro dia”.

Na condição espiritual em que se encontra a humanidade, todos estamos sujeitos a passar por fases difíceis. Mas não devemos esquecer que cada um de nós, inclusive você, tem um Espírito protetor. Ele merece o nosso crédito.

No entanto, quando uma situação adversa nos surpreende, é preciso fazer alguma coisa para nos fortalecer o ânimo e voltar a acreditar na vida. Sugerimos que procure um centro espírita. Comece indo a reuniões de passe do centro, para ouvir as lições de Jesus e receber energias renovadoras proporcionadas pelo passe.

Todos os dias temos passe às 18 horas no Centro Espírita Caminho de Damasco, menos na quinta-feira. Geralmente, as pessoas nos procuram para falar de seus problemas e nos deixar uma mensagem de paz e reconforto com que reiniciamos nossa marcha.

Cria nos seus protetores. Esqueça obsessores. Creia no bem e esqueça o mal. Quando você entrar em contato conosco, perceberá que o problema não é tão grave como você pensa e, com certeza, retomará seu caminho com mais confiança em si mesma, com mais fé em Deus e energias renovadas.