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sexta-feira, 2 de dezembro de 2022

BEM JUNTO DE NÓS; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

A certa distância, surgia a Terra, não na forma esférica, porque nos achávamos não longe da Crosta, mas como paisagem além, a interpenetra-se nas extensas regiões espirituais. O Sol resplandecia, rumo ao poente, como enorme lâmpada de ouro (...). Indiferentes à nossa presença, os transeuntes passavam apressados, de mente chumbada aos problemas de ordem material. Buzinavam ônibus repletos(...). No longo percurso, através de ruas movimentadas, surpreendia-me, sobremaneira, por se me depararem quadros totalmente novos. Identificava, agora, a presença de muitos desencarnados de ordem inferior, seguindo os passos de transeuntes vários, ou colados a eles, em abraço singular. Muitos dependuravam-se a veículos, contemplavam-nos outros, das sacadas distantes. Alguns, em grupos, vagavam pelas ruas, formando verdadeiras nuvens escuras que houvessem baixado repentinamente ao solo. Assustei-me. Não havia anotado tais ocorrências nas excursões anteriores ao círculo carnal (...). Não dissilumalava, entretanto, minha surpresa. As sombras sucediam-se umas às outras e posso assegurar que o número de entidades inferiores, invisíveis ao homem comum, não era menor, nas ruas, ao de pessoas encarnadas, em contínuo vaivém(...). Receios imprevistos instalavam-se-me nalma, desagradáveis choques íntimos assaltavam-me o coração, sem que lhes pudesse localizar a procedência. Tinha a impressão nítida de havermos mergulhado num oceano de vibrações muito diferentes, onde respirávamos com certa dificuldade”. O relato pertence ao Espírito André Luiz e descreve no livro OS MENSAGEIROS (feb,1944), sua primeira incursão em nossa Dimensão com fins de observação e aprendizado. Propicia-nos uma ideia da intensa influência do Plano dos desencarnados sobre todos nós, momentânea e circunstancialmente encarnados. Como revelado a Allan Kardec e, ele a nós, n’ O LIVROS DOS ESPÍRITOS. Mais informações interessantes nos fornece o médico Waldo Vieira que no período 1959/1966, desenvolveu profícuas atividades no campo da mediunidade na cidade de Uberaba (MG), construindo importantes obras juntamente com Chico Xavier. Em 1980, após anos de silenciosa ausência, ressurgiu com a publicação do livro PROJEÇÕES DA CONSCIÊNCIA – diário de experiência fora do corpo físico (lake), com que lançava as bases da PROJECIOLOGIA, técnica da pratica de desprendimentos do corpo físico com lucidez. Mais de 60 experiências efetuadas ao longo de um semestre são relatadas, mostrando a interatividade entre os diferentes Planos Existenciais. Destacamos um que exemplifica como é forte a presença espiritual em nossas vidas. Relata ele: “- 28/11/79, quarta-feira(..). O Espírito José Grosso avisou-me categoricamente que haveria uma projeção consciente relatável assim que me deitasse(...). Ao deixar o corpo físico, a minha consciência despertou de imediato junto de uma entidade desencarnada que informou que iríamos dar um giro aqui no Rio mesmo. Em momentos, deixávamos o edifício do apartamento e saiamos observando as ocorrências na rua e no trânsito. Estava ainda claro. Pela primeira vez percebi diversos espíritos desencarnados andando nos carros junto com os encarnados, perto do motorista, inclusive num posto de gasolina e dentro de um bugre com jovem casal dentro. Alguns encarnados transitavam acompanhados por um ou mais Espíritos desencarnados intimamente relacionados, formando na verdade “pessoas conjugadas” nos processos visíveis de obsessão. Um rapaz falava alto dentro de um automóvel aberto, impulsionado por uma entidade aderida à ele. Impressionante assistir ao fenômeno da influenciação às claras, friamente, sem quaisquer subterfúgios ou envolvimento da matéria. Meu Deus, como as pessoas podem ser influencidas. Que coisa inverossímil! Isso é pior do que sempre pensei. O obsessor é um verdadeiro dreno vibratório. Incrível o fato, só vendo a interrelação “interpessoal”, justaposição perfeita ou imantação da entidade humana e da desencarnada. Um verdadeiro assalto corpo-a-corpo, vivo e atuante, fazendo lembrar a coexistência ou coincidência existente entre o psicossoma do encarnado e o seu próprio físico. Não sei se foi a possibilidade de visualização ampliada fora do físico, mas estava distinguindo tudo entre as duas criaturas ‘soldadas’ uma na outra. Na psicosfera do rapaz, o desencarnado era um homem de meia idade alimentando-se com a mente desprotegida do jovem encarnado dos seus 25 anos, louro, forte, espadaúdo, queimado de praia, falando, ou sendo ‘falado’ pelos pensamentos inoculados, em altos gritos e gesticulando muito com os braços erguidos nas brincadeiras aparentemente naturais com os amigos em outros carros, ao ar livre. Até que ponto haveria a influência dos tóxicos nesse caso de obsessão? Dali deslizamos para outros locais, e muitas minúcias associadas à projeção(...) foram prejudicadas na minha memória, pela poderosa reação emocional causada pelo fato de presenciar o processo íntimo da obsessão declarada em plena atividade”. 



O julgamento daquele rapaz – que matou pai e madrasta – decepcionou a população. Ele agora vai poder recorrer em liberdade e, mesmo que condenado, ficará, não ficará nem 6 anos na cadeia. Como fica essa situação diante da Justiça Divina? ( Bruna Irani Nasselai)


Não podemos esquecer, Bruna, que a justiça humana, por melhor que funcione, é imperfeita. No caso, que você cita, como em outros que mais recentemente chamaram atenção do público, buscamos nos orientar pelo que a imprensa divulga, enquanto que o papel da justiça, como reguladora da ordem social, é o de chegar o mais perto possível da verdade, através das provas reunidas nos autos do processo. Dessa maneira, o réu foi condenado segundo as provas colhidas, a participação da acusação e da defesa, o convencimento do juiz e do corpo de jurados, mas, mesmo condenado, ele se prevalecerá dos benefícios que a lei lhe concede.


Está certo ou está errado o que a justiça decidiu? Vemos de longe o problema e queremos acreditar que o julgamento tenha sido o melhor possível. Mas só quem pode fazer uma idéia melhor dos fatos ocorridos em torno da morte do pai e da madrasta é o próprio acusado. Culpado ou inocente, é sua consciência que vai trabalhar daqui em diante, segundo o conhecimento de si mesmo e o seu nível de entendimento das leis da vida, os sentimentos que o ligam ao caso. Dizemos isso, porque, em última instância, segundo as Leis de Deus, quem vai proferir a sentença final é sua própria consciência.


Com certeza, você replicará dizendo: mas ele negou o crime e, com certeza, vai continuar se defendendo. Não temos dúvida que, por enquanto, é o que vai acontecer. Mas a Justiça Divina não tem pressa e nem tem necessidade de nos dar satisfação sobre isso. A lei de causa e efeito funciona dentro da mais perfeita regularidade para todos, indistintamente. Quer queira, quer não, o Espírito passa por transformações ao longo de sua experiência evolutiva. Cedo ou tarde, agora ou depois, nesta ou em outra vida, um dia a consciência despertará para a realidade, e vai perceber que ela não pode se enganar. É nessa consciência que está a Lei de Deus.


Na obra de André Luiz – nos livros que fazem parte da série “Nosso Lar” - encontramos vários casos que envolvem crimes de morte dentro da família, notadamente por causa de herança. Vários desses crimes nunca foram desvendados, de modo que seus autores, frios e calculistas, passaram incólumes aos olhos da lei humana, terminando seus dias na Terra sem sofrer qualquer sanção em razão dos delitos praticados. No entanto, depois, quando na Espiritualidade, passaram sentir a acusação implacável da própria consciência, fazendo com que tivessem que redirecionar seus caminhos.


No livro “AÇÃO E REAÇÃO”, por exemplo, Antonio Olimpio provocou a morte de dois irmãos por causa de herança. Mais tarde, depois de muito sofrimento moral no plano espiritual, incomodado pela dor do remorso que o assaltou de forma cruel, teve que retornar ao mundo em nova encarnação, desta feita para receber por filhos os irmãos a quem havia tirado a vida de forma premeditada e covarde. Ele não só se tornou um pai protetor, sofrendo a resistência natural dos filhos que o rejeitavam, como teve que deixar para eles, como herdeiros necessários, as terras que tinham sido objeto de sua cobiça em vida anterior e que haviam motivado o crime contra os irmãos.


Sendo assim, Bruna, quanto ao funcionamento da Justiça de Deus, podemos ficar tranquilos. Ela não fica na superfície, vai bem mais fundo no individuo, tocando sentimentos e gerando transformações. Na Justiça Divina a meta é sempre a reconciliação e o amor. É claro que a justiça humana tem um papel muito importante e precisamos lutar para que ela se aperfeiçoe cada vez mais. No entanto, o aperfeiçoamento de nossa justiça vai depender do progresso moral da humanidade.