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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

DURA REALIDADE; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR


Durante a reunião formatada para esclarecer dúvidas com base nas informações disponibilizadas pelo Espiritismo, a senhora identificada como Psiquiatra, solicita comentário em torno do crescente número de pacientes infanto-juvenis por ela atendidos com tendências suicidas, geralmente ignoradas pelos próprios pais. Ante a exposição do fato, irrompe na memória, prognóstico feito pela Espiritualidade a Allan Kardec em manifestação de abril de 1866 e incluída na REVISTA ESPÍRITA, edição de outubro daquele ano, dizendo, entre outras coisas: -“E como se a destruição não marchasse bastante depressa, ver-se-ão os suicídios multiplicando-se numa proporção incrível, até entre crianças”. No comentário tratando das mudanças coletivas previstas para o planeta Terra, traçam um perfil dos Espíritos atrasados: “negadores da Providência Divina e de todo poder superior à Humanidade; depois, a propensão instintiva às paixões degradantes, aos sentimentos anti-fraternais do egoísmo, do orgulho, do ódio, do ciúme, da cupidez, enfim, a predominância do apego a tudo o que é material ”. Preveem que “persistirão em sua cegueira e sua resistência marcará o fim de seu reino por lutas terríveis. Em seu desvario, eles próprios correrão para a sua perda: impelirão à destruição, que gerará uma multidão de flagelos e calamidades, de sorte que, sem o querer, apressarão a chegada da era da renovação”. Questionando a Espiritualidade sobre aspectos da educação, Kardec foi lembrado que a predominância dos que reencarnam, são desconhecidos em sua procedência, missão e destinação, com históricos de grandes comprometimentos perante a Lei do Progresso; que cerca-los de cuidados e facilidades não basta, sendo necessário observar-lhes as tendências, procurando corrigi-las, direcionando-as para um aspecto mais construtivista. Observaram que a fase mais propícia é a infância, pois ao atingir a adolescência, características do passado se misturam aos registros do presente, tornando o jovem refratário a qualquer orientação. O que se vê na atualidade, contudo, é o contrário. Reforçam-se as tendências negativas, permite-se a vivência da indisciplina, mantem-se o Ser à margem dos assuntos da espiritualidade, esperando-se na mocidade um comportamento improvável com as condições oferecidas ao tutelado, considerando que o papel de pais e filhos é meramente circunstancial. Não se avalia também o impacto negativo da exposição excessiva às imagens de violência veiculadas pela televisão, a disponibilização de conteúdos nocivos na rede mundial conhecida como Internet, ou, simplesmente, a testemunhada no próprio lar. E nesse ambiente, o fator mais marcante: a ausência do amor. Cremos que os Espíritos reencarnados nas últimas décadas refletem considerável desenvolvimento intelectual. Esse aspecto,  desenvolvem e demonstram com facilidade. O que os traz de volta, então? Justamente a necessidade de crescimento no campo do amor. Como devolvemos à vida o que recebemos e aprendemos, consistindo o aprendizado existencial, na observação e vivência, pode-se perguntar: qual o tipo de registros predominantemente acumulados pela criança de nossos dias? Diz um axioma popular que “ninguém dá o que não tem”. Ideais suicidas em crianças e adolescentes resultam da dificuldade de compreensão e aceitação da dura realidade em meio à qual vivem. A tarefa da paternidade parece desfocada na percepção dos que a assumem. Há milhares de “órfãos de pais vivos” vivendo sob o mesmo teto. Crianças rejeitadas, abandonadas, agredidas, violentadas, exploradas sexualmente, comercializadas em vários países, expõem uma dura realidade: a Humanidade precipita-se num vazio cujos limites imprevisíveis, comprometem o seu próprio futuro. Afinal, a ignorância a respeito da significação daquilo que o Espiritismo define como educação moral (nada a ver com religião), recrudesce o egoísmo e o orgulho individual, projetando-se sobre o coletivo de forma avassaladora. E mais uma vez, ecoa a pergunta de Allan Kardec em comentário n’ O LIVRO DOS ESPÍRITOS: “- Quando se pensa na massa de indivíduos diariamente lançados na corrente da população, sem princípios, sem freios, entregues aos próprios instintos, deve-se admirar das consequências desastrosas desse fato?




Minha dúvida é a seguinte: a pessoa que faz o bem deve ter mais proteção do que a pessoa que faz o mal. Pelo menos é o que a gente lê nas obras espíritas. Mas essa regra parece que não funciona na prática, porque vejo pessoas boas sofrerem muito e pessoas, que exploram os outros, serem bem sucedidas.  Queria uma explicação. (Jorge Antonio)  Esta questão do Jorge foi bem formulada, mas do ponto de vista de quem considera que a vida é uma única e não existe outra, que nascemos, vivemos, morremos e vamos para o Mundo Espiritual com algum destino definitivo que Deus nos dá, sem precisar voltar à Terra. De fato, se assim consideramos a vida, do ponto de vista da unicidade da existência, não há sentido no fato de uma pessoa de bom caráter, de boa formação, bondosa e generosa, vir a sofrer. É uma conclusão lógica.
 Porém, do ponto de vista espírita, a realidade é outra. Aliás, quem crê numa única vida aqui na Terra jamais explicaria a Justiça de Deus diante do fato de crianças que nascem na miséria ou doentes, que nascem limitadas e deficientes e assim ficam o resto de suas vidas, sendo muitas delas morrem muito cedo. Porque algumas morrem no ventre materno e nem chegam nem mesmo a nascer? Se são Espíritos, criados por Deus – e, portanto, se são igualmente filhos de Deus como nós ( não viveram antes e não têm pecados a expiar) -  por que elas mereceriam tal sorte neste mundo, enquanto outras nascem belas e saudáveis, muitas vezes cercadas de toda atenção e carinho?
 Com certeza, não há um sofrimento tão grande e tão comovente – e os pais que perderam filho criança podem atestar isso com mais conhecimento - quanto o de uma criancinha que só veio a esta vida para sofrer, pois os poucos dias que permaneceu na Terra foram apenas de agonia e dor. Se não aceitarmos a realidade da reencarnação e o fato de que nada nesta vida acontece por acaso – nem a agonia das crianças, nem o sofrimento de seus pais – não há como nos conformar de que Deus seja bom e sábio, amoroso e misericordioso, e nem mesmo que Ele seja justo, pois a justiça consiste em dar um tratamento igualitário a todos.
 Allan Kardec, n’O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO, capítulo 5, cuidando especificamente deste tema, fala das causas atuais e das causas anteriores de nossas aflições, dando a entender, de uma maneira geral, que a maioria dos problemas que conhecemos nesta vida podem decorrer de nossa conduta na presente encarnação. Quando o sofrimento não puder ser explicado por fatos que ocorrem agora é porque eles provém de vidas anteriores. No entanto, uma coisa é certa: como todo efeito tem causa , os bons atos, as boas atitudes sempre concorrem para o nosso bem estar, enquanto os maus atos e atitudes, invariavelmente, vão nos causar sofrimento. Não é preciso ir longe para entender essa lei, pois temos visto e aprendido que a lei de causa e efeito está sempre presente no dia a dia de nossa vida
  O fato de uma pessoa ser honesta, responsável e fraterna – por exemplo – concorre para que ela evite sofrimentos ou atenue os sofrimentos de que já vinha padecendo. Não sabemos, de antemão, o quanto uma pessoa de bem ainda tem para resgatar de seu passado, quantos problemas de vidas anteriores ainda não foram resolvidos, apesar de seu bons atos. Mas sabemos que, neste caso, essa pessoa está a caminho de sua libertação, pois a sua dívida pode ser grande e suas ações atuais funcionam como prestações com o que ela está procurando amortiza-la. Se o sofrimento não chegou ao fim, neste caso, é porque o problema ainda não foi resolvido. Podemos compará-la ao paciente, ainda em tratamento no hospital, mas que ainda não recebeu alta médica.
 Além do mais, Jorge, devemos considerar, ainda, que o desconforto ou o sofrimento pelo qual uma pessoa está passando, principalmente se for uma pessoa de bem, pode não provir apenas de dívidas que contraiu no passado, mas de prova ou missão que escolheu, a fim de conseguir elevar-se espiritualmente. Os Espíritos, que reencarnam na Terra, não passam somente por expiações ( ou pagamento de dívidas morais), eles passam também por provas e missões. Geralmente, os missionários são Espíritos bons que escolheram suas missões, como sacrifícios pessoais, aos quais se entregam para contribuir com a Humanidade.
 André Luiz, com muita propriedade, através de inúmeros relatos de experiências dolorosas, ainda acrescenta a essas causas da dor o que ele chama de dor-evolução. O que seria dor-evolução? É o desconforto que todos passam para aprender ou para vencer etapas de seu desenvolvimento. Neste sentido, todos temos dor-evolução, porque a vida ensina e, quase sempre, aprendemos mais com as situações difíceis ou sofridas do que com os lances mais tranquilos. Aliás, os animais – que não conhecem provas e expiações, porque não têm vida moral – experimentam apenas a dor-evolução, que faz parte de sua jornada evolutiva.
 Portanto, Jorge, na condição espiritual em que se encontra a Humanidade, todos passamos por provas e expiações, por tarefas e missões, de modo que o sofrimento se manifesta em cada um, mas em cada um ele se manifesta de uma forma própria, peculiar, porque os bons – sejam quais forem os obstáculos que enfrentam – seguramente sofrem menos do que os que se revoltam, porque não conseguiram atingir um nível mais elevado de compreensão das leis da vida.
 Quanto aos maus é a mesma coisa.  Eles também sofrem e, para eles, o sofrimento moral é bem maior do que o dos bons, porque os bons não têm o que se lamentar de si. Desse modo, todos os maus sofrem, embora aqueles que se entregam à maldade, que praticam atos de violência no mundo da criminalidade, procuram disfarçar suas angústias e seus conflitos, para não parecerem fracos diante de todos.
 Todos, porém, são filhos de Deus, Jorge, e contam com alguma proteção. Mas como Deus, na sua infinita sabedoria e bondade, nos respeita a todos igualmente, Ele espera que cada um de nós, ao longo de suas experiências reencarnatórias, vá descobrindo por si mesmo que o único caminho que leva à paz e à felicidade é o caminho do amor, para o qual, mais cedo ou mais tarde, todos se voltarão. O bom Pai jamais abandona seus filhos.