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domingo, 5 de julho de 2026

PARA COMPREENDERMOS A FUNÇÃO DO EGOÍSMO ; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 

Um dos principais intelectuais do Espiritismo no Brasil ao longo do século 20, Herculano Pires é pouco conhecido pelos estudiosos contemporâneos. Olhar crítico sobre o comportamento daqueles que fundaram e dirigiam Obras Sociais em nome da Doutrina Espírita, pelo conhecimento adquirido fez análises precisas sobre os desvios revelados nas ações observadas. Na obra CURSO DINÂMICO DE ESPIRITISMO – o grande desconhecido (paidéia,1979), várias dessas análises. Numa delas, sentimos a profundidade e racionalidade de seus raciocínios.-“Tudo tem a sua utilidade na Natureza. O Universo é teleológico, finalista, busca sempre e em tudo uma finalidade. Os filósofos ante finalistas apoiam suas teorias no erro humano, de todos os tempos, que interpreta a Natureza como criada especialmente para o homem. Esse erro surgiu nas selvas, permaneceu nas civilizações primitivas e projetou-se nas civilizações posteriores. Os próprios deuses e demônios de toda a Antiguidade foram postos ao serviço do homem, que embora os reverenciando, pretendiam utilizá-los como seus auxiliares. O Universo tem, naturalmente, uma finalidade única e superior, em que todas as finalidades se conjugam num resultado único. Mas esse resultado escapa às nossas possibilidades de pesquisa, de compreensão e mesmo de imaginação. A mais inútil das coisas e os mais prejudiciais dos seres são necessários. E ser necessário é ser indispensável, é pertencer a um elo da cadeia inimaginável que Kardec nos apresenta nesta frase tantas vezes repetida no Livro dos Espíritos: Tudo se encadeia no Universo. (...) O egoísmo, a vaidade, o orgulho, a pretensão, a ambição representam elementos negativos da constituição do ser humano, que devem ser eliminados. Mas essa eliminação não se dá pelos métodos antigos das corporações religiosas, até hoje empregados, apesar dos terríveis malefícios causados. Kardec e os Espíritos Superiores, em suas comunicações, consideraram o egoísmo como verdadeira praga que impediu .o desenvolvimento real do Cristianismo na Terra. Mas jamais aconselharam métodos artificiais para o combate ao egoísmo. (...) Todos nós carregamos ainda as marcas profundas e dolorosas, deformantes, do relacionamento humano na Terra. Com a caridade os homens vão aprendendo a sair do egoísmo para o altruísmo, a não pensar, apenas nos seus problemas particulares, a não dividir o seu tempo e bem-estar apenas com os familiares, mas levar um pouco de si mesmos e dos seus recursos para a família maior que sofre lá fora. É essa a finalidade do princípio cristão da caridade no Espiritismo. Por isso a caridade espírita não pode cercar-se de barreiras e dificuldades, de exigências e desconfianças. Deve ser ampla e generosa, acessível a todos, evitando constranger ou humilhar os que a recebem. O ego é como uma flor que primeiro se fecha no botão para depois desabrochar na corola e por fim doar-se nos frutos.  Tentemos visualizar o processo de formação do ego, para compreendermos a função do egoísmo. A dialética espírita nos ensina que o espírito (não individualizado, mas como o elemento espiritual catalisador, capaz de atrair e aglutinar a matéria esparsa no espaço) liga-se à matéria para lhe dar forma, estrutura. Podemos seguir esse processo no caso humano, em que o ego aparece como um pivô da personalidade em formação, desde a infância. A criança é egocêntrica, é um pivô em torno do qual giram as atenções e as afeições da família. Ela se torna, naturalmente, no centro do mundo. Porque esse é o meio de consolidação da sua individualidade. Tudo quanto ela atrai e absorve do ambiente, do exemplo familial, das relações progressivas na escola e nos brinquedos, é automaticamente centralizado no ego, que é o seu ponto interior de segurança ante a dispersividade do mundo. O botão fechado centraliza as suas energias, preparando o momento de abrir-se na corola colorida e perfumada. Essa a primeira função do ego, e essa função não é egoísta, mas centralizadora por necessidade de estruturação interna. Quando essa estruturação se define como tal, a criança se abre timidamente para oferecer ao mundo a sua contribuição inicial de beleza e ternura. E um novo ser que surge no mundo, vestido com a roupagem da inocência, como diz Kardec, e ao mesmo tempo trazendo a incógnita de um passado que se revelava pouco a pouco no esquema de um destino com ideias e hábitos negativos que nos foram impostos à força milênios de brutalidade civilizadora. Por isso o nosso tempo, em que tomamos consciência do absurdo desse massacre universal realizado em nome de Deus, mostra-se dominado por inquietações e desesperos, revolta e loucura, psicopatias e obsessões que levam a espécie humana a todos os desvarios e ao suicídio individual e coletivo. Temos de examinar essa situação à luz do Evangelho desfigurado e mal interpretado, muitas vezes contraditado frontalmente pelas teologias do absurdo.

EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR JOSÉ BENEVIDES CAVALCANTE

Ele pergunta, inicialmente, “Como é a intervenção ou a ação dos Espíritos inferiores no mundo corporal no caso do vício em pornografia na internet?” e, em seguida,  “como é a intervenção ou ação dos Espíritos inferiores no caso do vício  em drogas ilegais?”

As duas questões podem se resumir numa só, porque a dúvida aqui é sobre a ação dos chamados “Espíritos obsessores”, tanto em relação à pornografia que é veiculada pelas redes sociais, como em relação aos vícios por utilização de drogas proibidas por lei.

O Espiritismo nos esclarece que, mais do que podemos imaginar, a população encarnada e a população desencarnada relacionam-se entre si pelo pensamento. São as ondas mentais que se constituem no ponto de contado entre nós e os Espíritos.

É claro que isso não acontece aleatoriamente, porque essas relações obedecem ao princípio da sintonia, ou seja, identificação de padrões de pensamento. De uma maneira bem simples, poderiam generalizar dizendo: os bons atraem os bons e os maus atraem os maus.

Assim, não devemos atribuir todos os nossos males aos Espíritos, como não devemos atribuir a eles todo o bem que as pessoas venham a praticar. Os desencarnados viciados no sexo devem se aproximar das pessoas que têm essa mesma tendência, porque elas oferecem campo mental com que se identificam.

Desse modo não é difícil concluir que tanto os viciados em pornografia quanto os dependentes de drogas certamente recebem influencia espiritual negativa, que vem reforçar seu comportamento, mas a causa principal que os leva a tal condição neles mesmos.

Como dissemos os Espíritos desencarnados dificilmente criam novas disposições em nós, principalmente se essas disposições forem negativas, mas frequentemente eles aproveitam para reforçar em nós as nossas próprias disposições ou tendências, positivas ou negativas.

 

 

sexta-feira, 3 de julho de 2026

O MUNDO INVISÍVEL E A GUERRA SEGUNDO O ESPIRITISMO; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 

-“O Mundo Invisível é composto dos que deixaram seu envoltório corporal ou, por outras palavras, das almas que viveram na Terra. Estas almas ou Espíritos, o que é a mesma coisa, povoam o Espaço, estão em toda parte, ao nosso lado, como nas regiões mais afastadas”. O comentário pode ser lido na edição de dezembro de 1859 da REVISTA ESPÍRITA, publicação mensal financiada pelo próprio Allan Kardec para manter atualizados os seguidores do Espiritismo em várias partes da Europa. Quando do lançamento do livro A GÊNESE, no ultimo capítulo, encontra-se reproduzida uma mensagem assinada por um Espírito identificado como Dr Barry em que, entre outras coisas, diz: -“Uma coisa que vos parecerá estranhável, mas que por isso não deixa de ser rigorosa verdade, é que o Mundo dos Espíritos, mundo que vos rodeia, experimenta o contrachoque de todas as comoções que abalam o mundo dos encarnados. Digo mesmo que aquele toma parte ativa nessas comoções. Nada tem isto de surpreendente, para quem sabe que os Espíritos fazem corpo com a Humanidade; que eles saem dela e a ela têm de voltar, sendo, pois, natural se interessem pelos movimentos que se operam entre os homens. Ficai, portanto, certos de que, quando uma revolução social se produz na Terra, abala igualmente o mundo invisível, onde todas as paixões, boas e más, se exacerbam, como entre vós. Indizível efervescência entra a reinar na coletividade dos Espíritos que ainda pertencem ao vosso mundo e que aguardam o momento de a ele volver”. Em meados do século 20, o Orientador Espiritual Emmanuel através do médium Chico Xavier, transmitiu um interessante livro intitulado ROTEIRO (feb, 1951) em que revela: - Mais de vinte bilhões de almas conscientes, desencarnadas, sem nos reportarmos aos bilhões de inteligências sub-humanas que são aproveitadas nos múltiplos serviços do progresso planetário, cercam o domicílio terrestre, demorando-se noutras faixas de evolução. Tal dado até então inédito permite-nos avaliar a discrepante população invisível em relação à visível. No que tange às guerras, um série de questões merecem consideração. E, elas surgem das páginas d’O LIVRO DOS ESPÍRITOS, onde Allan Kardec  obtem os seguintes esclarecimentos: 1 Durante uma batalha, há Espíritos assistindo e amparando cada um dos exércitos? Sim, e que lhes estimulam a coragem.” Os antigos figuravam os deuses tomando o partido deste ou daquele povo. Esses deuses eram simplesmente Espíritos representados por alegorias. 2- Estando, numa guerra, a justiça sempre de um dos lados, como pode haver Espíritos que tomem o partido dos que se batem por uma causa injusta? “Bem sabeis haver Espíritos que só se comprazem na discórdia e na destruição. Para esses, a guerra é a guerra. A justiça da causa pouco os preocupa.” 3- Podem alguns Espíritos influenciar o general na concepção de seus planos de campanha?  “Sem dúvida alguma. Podem influenciá-lo nesse sentido, como com relação a todas as concepções.” 4- Poderiam maus Espíritos suscitar-lhe planos errôneos com o fim de levá-lo à derrota? “Podem; mas, não tem ele o livre-arbítrio? Se não tiver critério bastante para distinguir uma ideia falsa, sofrerá as consequências e melhor faria se obedecesse, em vez de comandar.” 5- Pode, alguma vez, o general ser guiado por uma espécie de dupla vista, por uma visão intuitiva, que lhe mostre de antemão o resultado de seus planos? “Isso se dá amiúde com o homem de gênio. É o que ele chama inspiração e o que faz que obre com uma espécie de certeza. Essa inspiração lhe vem dos Espíritos que o dirigem, os quais se aproveitam das faculdades de que o veem dotado.” 6- No tumulto dos combates, que se passa com os Espíritos dos que sucumbem? Continuam, após a morte, a interessar-se pela batalha? “Alguns continuam a interessar-se, outros se afastam.” Dá-se, nos combates, o que ocorre em todos os casos de morte violenta: no primeiro momento, o Espírito fica surpreendido e como que atordoado. Julga não estar morto. Parece-lhe que ainda toma parte na ação. Só pouco a pouco a realidade lhe surge. 7- Após a morte, os Espíritos, que como vivos se guerreavam, continuam a considerar-se inimigos e se conservam encarniçados uns contra os outros? “Nessas ocasiões, o Espírito nunca está calmo. Pode acontecer que nos primeiros instantes depois da morte ainda odeie o seu inimigo e mesmo o persiga. Quando, porém, se lhe restabelece a serenidade nas ideias, vê que nenhum fundamento há mais para sua animosidade. Contudo, não é impossível que dela guarde vestígios mais ou menos fortes, conforme o seu caráter.” 8-Continua a ouvir o rumor da batalha? “Perfeitamente.” 9- O Espírito que, como espectador, assiste calmamente a um combate observa o ato de separar-se a alma dom corpo? Como é que esse fenômeno se lhe apresenta à observação? “Raras são as mortes verdadeiramente instantâneas. Na maioria dos casos, o Espírito, cujo corpo acaba de ser mortalmente ferido, não tem consciência imediata desse fato. Somente quando ele começa a reconhecer a nova condição em que se acha, é que os assistentes podem distingui- lo, a mover-se ao lado do cadáver. Parece isso tão natural, que nenhum efeito desagradável lhe causa a vista do corpo morto. Tendo a vida toda se concentrado no Espírito, só ele prende a atenção dos outros. É com ele que estes conversam, ou a ele é que fazem determinações.”

EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR JOSÉ BENEVIDES CAVALCANTE

Se um homem é condenado a uma pena de 100 anos, por exemplo, é claro que ele não vai cumprir toda essa pena aqui na Terra? Será que ele volta numa próxima encarnação para cumpri-la?

Na lei divina, cada um responde pelo mal que fez, assim como colhe as benesses pelo bem que praticou. Esta ideia de justiça está no homem, mas nós ainda temos muita dificuldade de fazer a verdadeira justiça por causas das parcas condições morais que nos rodeiam.

Como a nossa justiça é limitada, ainda que seja feita com o maior rigor, existe a justiça divina que não falha em hipótese alguma. Apenas que se dá de uma forma diferente da nossa.

Quando um homem é condenado por um crime, de duas uma: ou ele é realmente culpado ou pode ser até inocente. A lei humana pode errar. Ele pode estar respondendo por crimes praticados anteriormente, mas isso não é uma regra.

Se for culpado e condenado a uma longa pena de prisão, ele poderá cumprir essa pena e até alcançar a liberdade.

Diante da lei divina, contudo, o crime nem sempre é visto da mesma forma que vemos aqui na Terra. Existem muitas implicações de ordem espiritual que a nossa justiça não conhece e nem pode levar em consideração, sejam elas a em favor ou em desfavor do réu.

Portanto, o fato de ele cumprir totalmente a pena, ou até mesmo de não a cumprir, não quer dizer que está quite perante a lei de Deus. Sendo assim, não é possível igualar a lei humana com a lei divina.

Diante do código divino – vamos dizer assim – todos nós respondemos pelos nossos erros, agora ou depois, de um jeito ou de outro. Se não for nesta vida, será depois. O tempo, do lado de lá, não funciona como aqui.

Desse modo, para o caso específico de homem que foi condenado a 100 anos de prisão e não a cumpriu totalmente, até é possível que ele seja condenado numa vida posterior, embora inocente, mas isso é apenas uma probabilidade.

Depende muito da consciência moral desse Espírito.  Pode ser que ele mesmo pediu essa situação para se sentir em paz consigo mesmo.



 

quarta-feira, 1 de julho de 2026

O UNICO CAMINHO; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 

“-Quando se pensa na massa de indivíduos diariamente lançados na corrente da população, sem princípios, sem freios, entregues aos próprios instintos, deve-se admirar das consequências desastrosas desse fato? Quando essa arte (educação moral) for conhecida, compreendida e praticada, o homem seguirá no mundo os hábitos de ordem e previdência para si mesmo e para os seus, de respeito pelo que é respeitável, hábitos que lhe permitirão atravessar de maneira menos penosa os maus dias inevitáveis. A desordem e a imprevidência são duas chagas que somente uma educação bem compreendida pode curar. Nisto está o ponto de partida, o elemento real do bem estar, a garantia da segurança de todos”. A analise feita por Allan Kardec em meados do século 19, continua sendo atual no século 21. No século 20, o Espírito Emmanuel, através do médium Chico Xavier, manifestou-se ao final do primeiro livro escrito por ele dentro do programa a ser cumprido com o médium mineiro, enfatizando o ponto que, segundo ele é realmente o caminho para a construção de uma sociedade melhor. Diz ele: -“Todas as reformas sociais, necessárias em vossos tempos de indecisão espiritual, têm de processar-se sobre a base do Evangelho. Como? – podereis objetar-nos. Pela educação, replicaremos. O plano pedagógico que implica esse grandioso problema tem de partir ainda do simples para o complexo. Ele abrange atividades multiformes e imensas, mas não é impossível. Primeiramente, o trabalho de vulgarização deverá intensificar-se, lançando, através da palavra falada ou escrita do ensinamento, as diminutas raízes do futuro. Toda essa demagogia filosófico-doutrinária, que vedes nas fileiras do Espiritismo, tem sua razão de ser. As almas humanas se preparam para o bom caminho. A missão do Cristianismo na Terra não era a de mancomunar-se com as forças políticas que lhe desviassem a profunda significação espiritual para os homens. O Cristo não teria vindo ao mundo para instituir castas sacerdotais e nem impor dogmatismos absurdos. Sua ação dirigiu-se, justamente, para a necessidade de se remodelar a sociedade humana, eliminando-se os preconceitos religiosos, constituindo isso a causa da sua cruz e do seu martírio, sem se desviar, contudo, do terreno das profecias que o anunciavam. Todas essas atividades bélicas, todas as lutas antifraternas no seio dos povos irmãos, quase a totalidade dos absurdos, que complicam a vida do homem, vieram da escravização da consciência ao conglomerado de preceitos dogmáticos das Igrejas que se levantaram sobre a doutrina do Divino Mestre, contrariando as suas bases, digladiando-se mutuamente, condenando-se umas às outras em nome de Deus. Aliado ao Estado, o Cristianismo deturpou-se, perdendo as suas características divinas. Sabemos todos que a Humanidade terrena atinge, atualmente, as cumeadas de um dos mais importantes ciclos evolutivos. Nessas transformações, há sempre necessidade do pensamento religioso para manter-se a espiritualidade das criaturas em momentos tão críticos. A ideia cristã se encontrava afeto o trabalho de sustentar essa coesão dos sentimentos de confiança e de fé das criaturas humanas nos seus elevados destinos; todavia, encarcerada nas grades dos dogmas, a doutrina de Jesus não poderia, de modo algum, amparar o espírito humano nessas dolorosas transições. Todas as exterioridades da Igreja deixam nas almas atuais, sedentas de progresso, um vazio muito amargo. (...) As atividades pedagógicas do presente e do futuro terão de se caracterizar pela sua feição evangélica e espiritista, se quiserem colaborar no grandioso edifício do progresso humano. Os estudiosos do materialismo não sabem que todos os seus estudos se baseiam na transição e na morte. Todas as realidades da vida se conservam inapreensíveis às suas faculdades sensoriais. Suas análises objetivam somente a carne perecível. O corpo que estudam, a célula que examinam, o corpo químico submetido à sua crítica minuciosa, são acidentais e passageiros. Os materiais humanos postos sob os seus olhos pertencem ao domínio das transformações, através do suposto aniquilamento. Como poderá, pois, esse movimento de extravagância do espírito humano presidir à formação da mentalidade geral que o futuro requer, para a consecução dos seus projetos grandiosos de fraternidade e de paz? A intelectualidade acadêmica está fechada no circulo da opinião dos catedráticos, como a ideia religiosa está presa no cárcere dos dogmas absurdos. Os continuadores do Cristo, nos tempos modernos, terão de marchar contra esses gigantes, com a liberdade dos seus atos e das suas ideias. Por enquanto, todo o nosso trabalho objetiva a formação da mentalidade cristã, por excelência, mentalidade purificada, livre dos preceitos e preconceitos que impedem a marcha da Humanidade. (...)  Toda a tarefa, no momento, é formar o espírito genuinamente cristão; terminado esse trabalho, os homens terão atingido o dia luminoso da paz universal e da concórdia de todos os corações.

EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR JOSÉ BENEVIDES CAVALCANTE

   Estou vendo novamente a novela A VIAGEM e acho um tanto exagerado um Espírito obsidiar toda a família, mostrando que ele tem um grande poder de manipular as pessoas. Será que é assim mesmo que funciona?

Em primeiro lugar, devemos dizer que os Espíritos, sejam bons ou maus, não fazem o que querem, mas o que eles podem. Nem sempre eles têm o que necessitam para atingir suas metas da mesma que nós, os encarnados, temos as nossas limitações.

Filmes e novelas, no entanto, quando tratam dessas questões espirituais, procuram carregar com grande dose de violência e realismo as obsessões para que elas se mostrem perigosas e assustadoras.

Assim, eles podem exagerar as cenas para melhor sensibilizar o público, de modo que o importante é mostrarem como pode ser a realidade; no caso de obsessão, para que possamos aprender como nos prevenir.

Em tese, a ação do Espírito sobre o encarnado é de ordem mental e, portanto, depende da sintonia de pensamentos entre eles. Depende também do grau de mediunidade das pessoas envolvidas. Assim, o Espírito pode obter êxito ao obsidiar alguém e não conseguir o mesmo efeito com outro.

É possível ocorrer algum fenômeno de efeitos físicos – como deslocamento de objetos e alteração de temperatura – mas isso acontece por conta da mediunidade da pessoa assediada.

As sensações de presença estranha também ocorrem por via mental. É o cérebro do encarnado que trabalha para dar a impressão de alguém presente.

Mas, uma coisa é certa. O obsessor, por pior que seja, não vai conseguir mudar os valores morais de uma pessoa de boa índole como, por exemplo, não podem fazer com que um homem honesto passe a praticar atos de desonestidade.

Os autores de filmes e novelas nem sempre observam esse aspecto, de modo que passam por cima de muita coisa que o Espiritismo ensina. A ação obsessiva, seja de quem for, apenas aproveita as disposições que o encarnado já traz consigo, para que essas disposições se manifestem com mais intensidade ou com mais frequência.

Assim, uma pessoa intransigente, quando envolvida pelo pensamento do obsessor, vai desenvolver mais ainda a sua intransigência e uma pessoa maldosa vai demonstrar ainda mais a sua maldade.

A obsessão depende muito da capacidade que o obsessor tem de manipular as pessoas, de modo que, de uma maneira geral, ele potencializa as más tendências das pessoas obsidiadas.

Mas o obsidiado pode jogar um contra o outro, aproveitando as disposições de um deles e, assim de forma indireta, atingir outras pessoas da família.