Procedimento largamente usado em praticantes do
Espiritismo, a transfusão de fluidos denominada passe começa a merecer estudos
e discussões que certamente ampliam os conhecimentos a respeito da sua
utilidade e eficiência. Allan Kardec em seus escritos e ponderações antevira a
evolução do tema dizendo que a Teoria do Fluido Cósmico Individualizado
em cada Ser sob o nome de fluido perispiritual, abre campo inteiramente novo
para a solução de uma imensidade de problemas até agora insolúveis. Em
outro momento escreveu que o Espiritismo,
esclarecendo-nos sobre as propriedades dos fluidos que são os agentes e meios
de ação do Mundo Invisível e constituem uma das forças e um dos poderes da
Natureza, nos dá a chave de uma multidão de coisas inexplicadas e inexplicáveis
por qualquer outro meio, e que puderam, nos tempos recuados, passar por
prodígios ou engendrando a superstição. Partindo
da sua visão a respeito do FLUIDO COSMICO UNIVERSAL, considera que os FLUIDOS
ESPIRITUAIS são a matéria do Mundo Espiritual; É a atmosfera dos
Seres Espirituais; Está para as necessidades do Espírito como a atmosfera para
as dos encarnados; Manipulados pelos Espíritos através do Pensamento e da
Vontade, são o que a mão é para o homem. Tendo convivido com os
experimentos e das evoluções em torno dos conceitos do médico Franz Anton
Mesmer na questão 71 d’O LIVRO DOS ESPÍRITOS apresenta as
características do FLUIDO VITAL também chamado fluido elétrico
animalizado, fluido magnético, fluido nervoso é uma modificação do fluido
Cósmico Universal.; É a matéria sutil e etérea, imponderável para nós, sendo
princípio de nossa matéria pesada; Dá movimento e atividade aos seres
orgânicos; A quantidade de fluido vital se esgota.; O fluido vital se transmite
de um indivíduo para outro; Os órgãos do
corpo estão, por assim dizer, impregnados de fluido vital, o qual dá a todas as
partes do organismo uma atividade que as une em certas lesões e restabelece as
funções momentaneamente suspensas. A quantidade de fluido vital não é fator
absoluto para todos os seres orgânicos. Varia segundo as espécies e não é fator
constante, seja no mesmo indivíduo, seja nos indivíduos da mesma espécie;
Quando os seres orgânicos morrem, o fluido vital remanescente retorna à massa. Revela
a existência do FLUIDO PERISPIRITUAL que é a expansão do
fluido perispiritual , uma espécie de fio condutor do pensamento; que projeta
raios pela vontade do Espírito, servindo à transmissão do pensamento; insensível, que transmite a sensação ao centro
sensitivo do Espírito; o que faz com que pelo sentido espiritual ou psíquico, as
sensações se generalizam esclarecendo que o Espírito vê, ouve e
sente por todo seu SER, tudo o que se encontra na esfera de irradiação do seu
fluido perispirítico. Oferece
inúmeros esclarecimentos sobre FLUIDO E PENSAMENTO, entre os
quais que pensamentos modificam propriedades dos fluidos, os quais são
veículos do pensamento e que o pensamento do encarnado atua sobre
os fluidos espirituais como o dos desencarnados, e se transmite de Espírito a
Espírito pelas mesmas vias, saneando ou viciando os FLUIDOS ambientes, conforme
seja bom ou mau; FLUIDO E CORPO FISICO dizendo que o corpo é, ao
mesmo tempo, o envoltório e o instrumento do Espírito; a diversidade na maneira
de sentir resulta de uma lei física: a da assimilação e da repulsão de fluidos e
que cada ente humano carrega consigo sua atmosfera fluídica, como o
caracol carrega sua concha deixando essa traços de sua passagem; como uma
esteira luminosa, inacessível aos nossos sentidos no estado de vigília,
servindo contudo aos videntes e aos Espíritos desencarnados, para reconstituírem
os fatos realizados e analisar o motivo que os fez executar. No tópico FLUIDO
E CURA afirma que todo efeito mediúnico, é o resultado da
combinação dos fluidos emitidos por um Espírito e pelo médium; por essa
associação, esses fluidos adquirem propriedades novas que não teriam separadamente,
ou pelo menos não teriam no mesmo grau acrescentando que a
substância fluídica produz um efeito análogo ao da substância medicamentosa,
com a diferença que, sendo maior a sua penetração, em razão da tenuidade de
seus princípios constitutivos, age mais diretamente sobre as moléculas
primeiras do organismo do que o podem fazer as moléculas mais grosseiras das
substâncias materiais; previne que a ação fluídica é
poderosamente secundada pela confiança do doente. No item FLUIDOS
E PASSE elucida que a faculdade de curar pela imposição das mãos
tem, evidentemente, seu princípio numa força excepcional de expansão, mas é
aumentada por diversas causas, entre as quais é necessário colocar em primeira
linha: a pureza de sentimentos, o desinteresse, a benevolência, o ardente
desejo de aliviar, a prece fervorosa e a confiança em Deus, em uma palavra,
todas as qualidades morais.
Explica ainda que o encarnado absorve FLUIDOS pelos poros perispiríticos, como absorve pelos poros do corpo doenças contagiosas graves, salientando que a mediunidade curadora não vem suplantar a Medicina e os médicos; vem simplesmente provar a estes últimos que há coisas que eles não sabem e os convidar a estudá-las; que a natureza tem recursos que eles ignoram.
EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR JOSÉ BENEVIDES
Primeiramente
precisamos esclarecer os ouvintes que interpolações seriam textos adicionados ou
inseridos posteriormente aos evangelhos para justificar dogmas religiosos.
É que
os evangelhos só começaram a ser escritos vários anos depois de Jesus, aproveitando
informações dadas por apóstolos que com que conviveram, como são os casos de
Marcos, Lucas, Mateus e João.
Na
época, a escrita era feita em folhas de pergaminho, material preparado a partir
de couro de animais, sobre os quais se grafava os textos com estilete aquecido.
Não
havia livros, e essas folhas eram enroladas e guardadas em vasos de gargalo
alto. Quem quisesse uma cópia de algum texto devia contratar uma pessoa- um
copista - que soubesse ler e escrever, e
dominasse a arte de grafar escritas no pergaminho.
Dependendo
dos copistas e das pessoas que encomendavam o evangelho, esses originais sofreram
alterações com o tempo, ficando sujeitos a acréscimos, supressões e troca de
palavras e expressões.
Muitas
dessas traduções, como é fácil perceber, atendiam ao interesse das pessoas que
procuravam conformar a doutrina de Jesus à sua maneira de pensar, visto que nos
primeiros séculos várias foram as interpretações que se deram aos evangelhos.
Por tal
razão, o nosso ouvinte levanta a questão sobre possíveis acréscimos ou
interpolações, dos quais poderiam ter derivado essas duas passagens citadas nos
evangelhos.
Na
verdade, prezado ouvinte, nada podemos afirmar com absoluta certeza, mas ao que
nos parece algumas narrativas, que constam dos evangelhos, conflitam com os
próprios ensinamentos de Jesus, como essa que conta que Jesus usou de violência
para expulsar os vendilhões do templo.
De
outras vezes, as narrativas deixam dúvida se a situação apresentada foi real ou
não passou de uma parábola, como é o caso do conhecido episódio da tentação de
Jesus.
É claro
que a narrativa da tentação pelo demônio nos deixa um grande ensinamento, mas é
bem possível que ela tenha sido contada por Jesus como as outras parábolas, para ensinar de modo mais fácil e didático as
grandes virtudes cristãs.
Os
judeus tinham o demônio em alta conta, pois o igualava em força ao próprio
Deus, de tal modo que ele (o demônio) poderia disputar com as forças divinas o domínio
sobre o mundo e sobre os homens.
Essa
concepção, os hebreus herdaram dos persas, povo sob o qual ficaram dominados
durante séculos, e que acreditavam na existência do deus do bem sempre em
disputa com o deus do mal.
Além
disso, o confronto entre Jesus e o demônio é simplesmente impossível do ponto
de vista da razão, pois o mal não tem o condão de defrontar com o bem e, ainda
mais, de desafiá-lo como conta a parábola.