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terça-feira, 31 de março de 2026

AFOGADOS; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 

O fim de semana prometia ser de muita alegria para o casal Angélica e Alberto Fortunato e seus três filhos adolescentes José, Osmar e Jair, pois, por algumas horas, se afastariam da ainda não tão agitada capital paulista para a Fazenda Bela Vista, arrendada por um amigo e ex-vizinho japonês, na cidade de Mogi das Cruzes. O momento tornava-se mais especial porque Jair, o mais novo dos rapazes aniversariava naquele quatro de dezembro de 1961. O que era para ser apenas felicidade, porém, converteu-se em aflitivos, dolorosos e traumatizantes momentos. Isto porque, enquanto os casais se entretinham em conversas na sede da propriedade, os três jovens acompanhados pelo filho pequeno do anfitrião, se deslocaram para a piscina situada ao lado para brincar. Jair, o aniversariante, em meio às brincadeiras caiu na água, principiando a se afogar, pois não sabia nadar. Logo, seus dois irmãos, mergulharam para salvá-lo, debatendo-se desesperadamente, e, apesar da tentativa do garotinho japonês em ajuda-los com uma vara de bambu, os três acabaram morrendo. O choque emocional para as duas famílias foi violento, pela transformação do encontro festivo em terrível tragédia. Vinte e um anos se passaram, os desafortunados pais voltaram a morar em Ibitinga, interior de São Paulo, de onde saíram um dia para tentar a vida na cidade grande e, no dia 19 de fevereiro de 1982, estavam presentes à reunião do Grupo Espírita da Prece, em Uberaba (MG), na tentativa de, quem sabe, acalmar a profunda dor que não mais deixaram de sentir, desde aquele triste dia em Mogi. Horas antes, mantiveram rápido diálogo com Chico Xavier, ocasião em que, para surpresa e alegria de ambos, o médium visualizou ao lado deles, três entidades espirituais: Maria Justina, avó do senhor Alberto; Angélica, avó da senhora Angelina e, um senhor japonês, identificado como o anfitrião naquele fatídico dia. Vale comentar que, após o acidente, as duas famílias não mais tiveram contato, apesar da compreensão mútua do ocorrido. Mais tarde, os Fortunato souberam que o amigo que os hospedava, faleceu um ano após a fatalidade com os rapazes, ignorando, portanto, que tivesse sofrido tanto, não resistindo às consequências daquele impacto emocional. Sua presença espiritual no encontro de Uberaba, detectada por Chico, foi muito confortadora para eles. Na fase da reunião noturna consagrada à psicografia, José, o filho mais velho, escreveu pelo médium, elucidativa carta, contendo incríveis revelações das causas profundas do acidente coletivo que colocou os três irmãos no caminho da libertação de culpas trazidas do passado. Em relação ao derradeiros instantes que construíram a fatalidade, José explica: “- Nada posso detalhar quanto ao fim do corpo de que nos desvencilhamos, como quem se vê na contingência de trocar a veste estragada e de reajuste impossível. O sono compulsivo que nos empolgou foi algo inexplicável de que voltamos à forma da consciência, dias após o estranho desenlace”. A propósito do irresistível sono, Allan Kardec tratou no extraordinário O CÉU E O INFERNOou a Justiça Divina Segundo o Espiritismo, no capítulo referente ao PASSAMENTO. Revela ser etapa natural no início do processo de desligamento corpo espiritual / corpo físico. Trata-se, muitas vezes, de medida providencial a proteger o que desencarna, já que morrer e desencarnar é coisa diferente. Morrer consiste na interrupção da atividade dos órgãos vitais. Desencarnar implica no desligamento de todos os pontos que ligam ambos os corpos, consumindo, segundo Emmanuel, pelo menos 50 horas. O referido sono como que anestesia a consciência para que não se experimente os desconfortos, por exemplo, do acelerado processo de decomposição, iniciado logo após a cessação das atividades cerebrais. Seguindo em sua narrativa, José conta: “– Estávamos os três alarmados e infelizes no hospital a que fomos transportados, quando duas senhoras se destacaram dos serviços de enfermagem para nos endereçarem a palavra”. A referência a “hospitais” onde despertam os que se desligaram de nossa Dimensão é recorrente em inúmeras cartas psicografadas, confirmando a informação de que o chamado Mundo Espiritual é, em tudo, semelhante ao Mundo Material, onde nos achamos. Na verdade, o Material é que  uma réplica imperfeita do Espiritual. Recordando o momento difícil, José diz: “- No fundo, queríamos apenas regressar a casa e retornar ao cotidiano, porque aquele debate com as águas fora de nós, naquele despertar parecia uma brincadeira de mau gosto, na qual supúnhamos haver desmaiado. As duas senhoras se declararam nossas avós Maria Justina e Angélica, e nos informaram, com naturalidade e sem qualquer inflexão de voz agressiva, que havíamos voltado ao Lar, ao Grande Lar de nossa família Espiritual. Os irmãos e eu choramos, como não podia deixar de acontecer”. Comenta na sequência, que foram levados várias vezes a visitar os pais e, entre outras, a mais surpreendente e espantosa das revelações: “- Dois anos passados, fomos visitados por um amigo de nossa família que se deu a conhecer por Miguel Pereira Landim, respeitado e admirado por nossos familiares da Espiritualidade. Nossa avó Maria Justina nos permitiu endereçar-lhe perguntas e todos indagamos da causa do sucedido em nossa ida a Mogi das Cruzes. Ele sorriu e marcou o dia em que nos facultaria o conhecimento do acontecido em suas causas primordiais. Na ocasião prevista, conduziu-nos os três à Matriz do Senhor Bom Jesus, em Ibitinga. Entramos curiosos e inquietos. A Igreja estava repleta de militares desencarnados. Muitos traziam as medalhas conquistadas, outros ostentavam bandeiras. Em meu coração passou a surgir a recordação que eu não estava conseguindo esconder. De repente, vi-me na farda de que não me lembrava, junto de irmãos igualmente transformados em homens de guerra e o nosso olhar se voltou inexplicavelmente para as cenas que se nos desenrolaram diante dos olhos. Envergonho-me de confessar, mas a consciência não me permite recuos. Vi-me com os dois irmãos numa batalha naval, na Guerra do Paraguai, quando, na condição de brasileiros, lutamos com os irmãos de República vizinha. Afundamos criaturas sem nenhuma ligação com as ordens belicistas nas águas do grande rio, criaturas que, em vão, nos pediam misericórdia e vida. Replicávamos que em guerra, tudo resulta em guerra...Trazendo-nos à realidade, o Chefe Landim apontou para uma antiga imagem de Jesus, do Senhor Bom Jesus, e falou em voz alta que aquela figura do Cristo viera do Forte de Itapura com destino à nossa cidade e que, perante Jesus, havíamos os três resgatado uma dívida que nos atormentava, desde muito tempo(...). O que choramos, num misto de alegria e sofrimento, não sabemos contar”...

EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR JOSÉ BENEVIDES CAVALCANTE

É certo dizer que, quando os pais têm filhos que dão muito trabalho e às vezes se perdem no mau caminho, que esses pais estão resgatando culpas do passado por terem abandonado esses filhos?

Embora essa seja uma possibilidade, isso não quer dizer que se aplica a todos os casos, porque várias são as causas que levam os pais a tal situação. Além do mais, quem somos nós para fazer esse ajuizamento.

Entre os espíritas, devemos tomar muito cuidado para não fazer diagnósticos precipitados. No geral, devemos considerar que mãe e pai são detentores da mais nobre missão, a de educarem seus filhos.

  Os Espíritos que renascem numa família são nossos irmãos, que vieram para ser orientados no bom caminho. Essa missão cabe aos pais.

Algumas vezes, os esforços dos pais não são suficientes para ajuda-los nesse sentido. De outras vezes, os pais ignoram a importância da sua missão. E, de outras ainda, são relapsos no cumprimento de sua tarefa.

Mesmo assim, essas experiências não deixam de ser válidas, não só para despertá-los ou ensiná-los a lidar com filhos rebeldes, mas, algumas vezes, para dar um impulso na vida desses Espíritos.

  Logo, os pais não devem perguntar se são eles devedores dos filhos, mas devem empregar seus esforços no sentido de ajudá-los a compreender as leis da vida, a respeitar e amar o próximo.

O problema, portanto, não está em se indagar se são devedores ou não, mas de se entregarem à divina missão de educar, que é inadiável e imperiosa.

Para tanto, os pais sempre devem lembrar que o fator que mais influi na educação dos seus filhos é o exemplo de vida que eles próprios podem dar, cultivando o bem e evitando o mal.

Não basta a religião, não bastam as orações, não são suficientes os bons conselhos; é preciso que os pais se esforcem para dar o melhor exemplo e que sejam sinceros para com seus filhos.

Evidentemente, os filhos, com o passar dos anos, vão descobrir que seus pais não são perfeitos, que eles também erram, mas eles saberão respeitá-los pelo esforço que fazem e pela sinceridade de seus ensinos.

segunda-feira, 30 de março de 2026

AVERSÕES INEXPLICÁVEIS, EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Quinze dias após ter sido internado para se submeter a desintoxicação alcóolica que já provocava delírio e alucinações, restabelecido, foi possível conhecer parte da história daquele caboclo forte, disposto, trabalhador, dedicado a conduzir gado pelas estradas. Casado, pai de seis filhos, dois dos quais, àquela altura, casados, dizia-se um homem econômico que jamais deixou faltar nada para os seus, inclusive educação primária, ofício para os rapazes e todas as prendas domésticas para as filhas, como era habitual na época. Durante a formação dos filhos, jamais procurou corrigi-los com castigos corporais, tampouco se lembrava de ter proporcionado à esposa momentos reprováveis pela sua conduta. Lutou enquanto os filhos cresciam para proporcionar-lhes conforto para o presente, e, se possível, evitar-lhes preocupações financeiras para o futuro. Entre as inúmeras viagens que no exercício de sua profissão, todavia, apesar da ausência, ao retornar ao lar, era tratado com frieza por todos, situação agravada nos últimos três anos, considerando suas permanências em casa serem mais frequentes. Ouvida, sua esposa não só confirmou tudo como disse sofrer muito com as atitudes dos filhos, dos quais se tornara confidente, revelando que o temiam e detestavam, a ponto de desaparecerem de casa, quando estivesse presente. O quadro se assemelha ao observado na vida de muitas famílias. O conhecimento do Espiritismo, contudo, pode auxiliar na avaliação de fatos semelhantes. Isto porque, segundo Allan Kardec em observação n’ O LIVRO DOS ESPÍRITOS, nos programas reencarnatórios objetivando o progresso das individualidades, “o Espírito renasce frequentemente no mesmo meio em que viveu, se relaçionando com as mesmas pessoas, a fim de reparar o mal que lhes tenha feito. Explica ainda que a “sucessão das existências corporais estabelece entre os Espíritos laços que remontam às vidas anteriores, donde decorrem as causas da simpatia entre os envolvidos e outros que parecem estranhos”. Já no século 20, através do médium Chico Xavier, o Espírito conhecido como André Luiz transferiu para nossa Dimensão, OBREIROS DA VIDA ETERNA (1946; feb), obra onde encontramos interessante ponderação de um Assistente de nome Barcelos que, entre outras coisas,diz que “em obediência às lembranças vagas e inatas, os homens e as mulheres, jungidos uns aos outros pelos laços de consanguinidade ou dos compromissos morais, se transformam em perseguidores e verdugos inconscientes entre si. Os antagonismos domésticos, os temperamentos aparentemente irreconciliáveis entre pais e filhos, esposas e esposos, parentes e irmãos, resultam de recapitulações retificadoras do pretérito distante (...). Sentem e veem na tela mental, dentro de si mesmos, situações complicadas e escabrosas de outra época, malgrado os contornos obscuros da reminiscência, carregando consigo fardos pesados de incompreensão”. E o caso apresentado no início, destacado do livro A PSIQUIATRIA EM FACE DA REENCARNAÇÃO (feesp) do médico Inácio Ferreira, diretor do Sanatório Espírita de Uberaba desde sua fundação até desencarnar nos anos 80, bem ilustra a dinâmica revelada pela Doutrina Espírita. Através da excepcional médium Maria Modesto Cravo que não apenas ajudou a construir e fundar a casa de saúde citada como era aproveitada em suas faculdades mediúnicas no socorro a muitas criaturas nela internadas. Buscando entender o fator causal do drama do paciente, viram-se diante de uma entidade espiritual ligada aos envolvidos no drama atual. Apontava a vitima de agora como um assassino e ladrão em existência pregressa na cidade Ilhéus, na Bahia. Segundo o comunicante ele pretendia casar-se com uma das filhas do doente em tratamento, intenção frustrada, a princípio por falta de recursos por não encontrar serviço compensador. O homem focalizado matou cruelmente um indivíduo, fugiu à Justiça e integrou-se a um dos muitos bandos existentes na região, dedicados a saquear e arrasar lugarejos, espalhando o terror. Retornando esporadicamente às escondidas ao seu lar, geralmente maltratando esposa e filhos, tomando conhecimento do seu interesse por sua filha, levou-a, uma noite, entregando-a a um dos componentes do seu bando, impondo a morte à esposa. O Espírito manifestante, contou ainda que conseguiu empregar-se num convento, e, diante de terrível seca que se abatia sobre a região, foi encarregado com outro funcionário de fazer compras pelas redondezas, tendo sido vitima de assalto praticado pelo bando. Seu amigo escapou, mas ele foi morto pelo “monstro” do qual queriam informações, tendo sido amarrado pelos pés e arrastado pelo cavalo que ele montava, por ter ouvido ser seu desejo vê-lo um dia, amarrado no pelourinho existente em frente ao convento. Revelou, por fim que, sua esposa, filhos e filhas atuais, são os mesmos daquela vida passada.

EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR JOSÉ BENEVIDES CAVALCANTE

Por que, em matéria de fé, as pessoas titubeiam. Elas têm sua religião – aliás, nasceram e viveram sempre com ela –mas quando são adultas e se veem diante de problemas, buscam o Espiritismo, depois voltam para sua religião, mas nunca se definem, e acabam usando o Espiritismo apenas como tábua de salvação para resolver seus problemas?

É muito interessante esta questão. E ela define uma realidade muito conhecida em nosso país. Muitos, que chegam ao Espiritismo, vêm para resolver algum problema imediato e não por outro motivo.

Desse modo, se a pessoa é católica por exemplo – a maioria é católica – com muito custo, depois de todas as tentativas, ela acaba concordando em ir ao centro espírita pedir socorro. Muitos chegam muito cautelosas.

Mas ela não vem ao centro com a intenção de conhecer o Espiritismo e muito menos de ser espírita. Ela vem ao Espiritismo como último recurso, como tábua de salvação.

Conhecemos vários casos que se enquadram nessa situação, e até de pessoas que não vieram apenas uma vez, mas muitas vezes. De Espiritismo elas não sabem nada e nem lhes interessa saber.

Por que o Espiritismo? Elas acreditam que o Espiritismo trata de questões espirituais mais profundas e que tem condições de ver o problema de outra forma e encontrar uma fórmula capaz de resolvê-lo.

Acontece que o Espiritismo é mal conhecido; quer dizer, muita gente acredita que, tendo contato com os mortos, ele é uma prática religiosa cheia de mistérios e que, por isso, mesmo pode oferecer fórmulas mágicas e eficazes.

  Mas, ao mesmo tempo há os que acreditam que o Espiritismo não é uma religião e por isso é um campo aberto para pessoas de outras religiões nele buscarem solução imediatas para seus problemas.

  Por outro lado, o Espiritismo não se empenha em fazer adeptos a qualquer custo. Os que chegam têm oportunidade de começar a conhece-lo e, se quiserem, de conhecê-lo de verdade.

Algumas poucas, ao iniciar no conhecimento espírita, se encantam com a doutrina e resolvem ficar, muitas vezes desagradando a própria família, que se empenha em convencê-la do contrário.

Como a maioria das pessoas não se sentem convocadas para a doutrina, elas se ficam à vontade para permanecer ou não, ou voltarem em outras ocasiões.

A doutrina espírita preocupa-se primordialmente com o bem-estar das pessoas e procura servi-las sempre que pode, sem perguntar a religião e sem exigir nada de ninguém. Quando essas péssoas tiverem suficientemente amadurecidas, perceberão que se trata de um caminho seguro para seguir.

A grande diferença do Espiritismo com as religiões em geral é que no Espiritismo as pessoas são convidadas a compreender as leis da vida, lendo, ouvindo palestras e participando de estudo.

Assim elas vão aprender a usar o conhecimento como instrumento de vida, exercitando seu raciocínio, pois um dos pilares fundamentais da doutrina é a fé raciocinada.


domingo, 29 de março de 2026

IMPORTANTE DOCUMENTO ; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

O acervo constituído pelas cartas psicografadas por Chico Xavier em reuniões públicas contém informações extremamente interessantes, representando importantes documentos confirmatórios da sobrevivência após a morte do corpo físico. Uma delas começa no sábado 19 de março de 1977. Os principais jornais daquela  manhã estampavam em destaque, a notícia sobre a queda de um avião de pequeno porte na tarde do dia anterior, a poucos quilômetros de São Paulo, na região de Mairiporã. O acontecimento ganhou evidência ainda maior pelo fato dos três tripulantes serem personalidades conhecidas no automobilismo mundial. Marivaldo Fernandes, campeão das pistas brasileiras; José Carlos Pace (o Moco), que vencera no início daquele ano, o Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1, em Interlagos, e o amigo Carlos Roberto de Oliveira, apelido Nenê.  Haviam levantado voo do campo de Marte, em São Paulo, na tarde da sexta feira, num avião modelo Sertanejo, pilotado por Marivaldo, e, a poucos quilômetros da Capital, se depararam com uma forte tempestade. Com a visibilidade muito prejudicada, Marivaldo pensou em retornar ao ponto de origem, todavia a intensidade do aguaceiro que se projetava, ocasionou a choque da aeronave com a densa mata da Serra da Mantiqueira. Observado o desaparecimento do avião pelo Centro de controle do Tráfego Aéreo, foram iniciadas as buscas e, quase ao anoitecer, as equipes de resgate localizaram os destroços do aparelho para a dura constatação: não havia sobreviventes. Sem que aparentemente houvesse conexão com o acontecimento, no dia 10 de maio, o médium Francisco Cândido Xavier, se fazia presente no Guarujá, litoral paulista, atendendo a convite de amigos para prestigiar a festa de inauguração da Comunidade Espírita Cristã, instituição fundada objetivando a difusão e assistência social com base nos princípios do Espiritismo. Ao final das comemorações, como não poderia deixar de ser, os organizadores solicitaram a Chico tentasse receber alguma mensagem do Plano Espiritual, sugestão acatada pelo médium. Concluída a psicografia e efetuada a leitura da carta, o espanto tomou conta de todos os presentes no local: era de Marivaldo Fernandes, o piloto do avião caído quase dois meses antes. Alguns familiares dele, espíritas convictos, estavam entre a compacta multidão atraída à sede da instituição pela presença do médium, e, com a carta, abrandaram a inevitável dor da separação. Rememorando os lances derradeiros de sua existência física, conta na mensagem:-“Fiz tudo para que o Sertanejo pousasse equilibrado. Ele era, no entanto, um pássaro pesado demais para se aninhar naquelas árvores da Serra de Mairiporã. O estouro foi inevitável e, depois, o indescritível. Não houve tempo para conversar com o nosso caro Pace, nem com o Carlos Nenê. A mente estava superconcentrada no esforço imenso de controlar aquele pequeno gigante de metal e de estruturas que se arrebentavam sobre nós. Não posso descrever o que se passou. Um desmaio leve, pelo menos é o que julgo me tenha sucedido, não me consentia fixar detalhes. Não tive dores. Vi-me no matagal com o Moco ao meu lado, vendo o Carlos deitado no chão. Sinceramente, julgamos nos primeiros minutos, que havíamos escapado ilesos, trocando afirmativas de espanto. Mas de improviso, um homem apareceu e abraçou o Pace demoradamente, abraçando-me em seguida. - Caramba! É meu pai Angelo!, exclamou o companheiro. Quase no mesmo instante a madrinha Conceição, a enlaçar-me com o carinho da mamãe e depois outros amigos principalmente alguns das corridas de Kart, surgiam aos nossos olhos. Empalideci-me de assombro e vi que o Pace estava amarelo de espanto. Somente então, sem que ninguém pronunciasse a palavra "morte", reconhecemos tudo. Havíamos passado de uma vida para outra. O Pace, o pai, nos disse sorrindo: ─ Não se assustem, agora a corrida foi vertical. Essa foi a diferença... Por mais que quiséssemos fazer humor, não seria possível para nós facear sem medo, aquela página nova e desconhecida no livro da vida.

EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR JOSÉ BENEVIDES CAVALCANTE

Que Jesus quis dizer quando falou, no evangelho de Mateus 10:16: “Sede prudentes como as serpentes e simples como as pombas? Se ele afirmou, em Marcos 2:17, “não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes; eu não vim para chamar os justos, mas os pecadores”- e em Mateus, 7:6, “não deis aos cães as coisas santas, nem deiteis aos porcos as vossas pérolas, para que não aconteça que eles pisem com os pé e, voltando-se, vos despedacem, PERGUNTO : como conciliar esses ensinamentos”?

Não resta dúvida que a vida de Jesus foi um exemplo de amor, e o amor foi o principal foco de seus ensinamentos. Logo, tudo que possa, de algumas formas, contrariar esse princípio, não veio de Jesus: ou foi mal compreendido, mal interpretado ou foi mal escrito, ou mal traduzido.

O papel do Espiritismo foi o de trazer luz à compreensão do evangelho, pois sabemos que os textos, que chegaram até nós, sofreram distorções ao longo do tempo, sem considerar que os originais foram escritos em grego muitos anos depois dos fatos, enquanto que Jesus, ele mesmo, falara em aramaico, uma variante mais simples do hebraico.

A compreensão que buscamos procura conciliar todas as falas de Jesus com o magno princípio da fraternidade, sempre chamando atenção para o amor que devemos dispensar aos mais humildes.

As falas que você selecionou foram ditas em diversas ocasiões e interpretadas pelos ouvintes que eram judeus. Ao referir-se às serpentes, Jesus estava prevenindo seus apóstolos quanto a possíveis armadilhas de que poderiam ser vítimas, se não estivessem sempre alertas.

Ele próprio, Jesus, inúmeras vezes teve que buscar saídas para não ser vítimas de ciladas, que tentavam barrar seu trabalho. Há dois exemplos típicos dessas situações: a do tributo que deveria ou não ser pago a Cesar, e a da mulher adúltera que deveria ou não ser lapidada.

Nessas duas situações Jesus foi bastante perspicaz para perceber que resposta deveria dar, a fim de poder dar continuidade à sua missão e não é preciso dizer que, em ambas, ele se saiu muito bem.

Cuidar dos doentes, principalmente dos doentes da alma, era sua missão. Logo, ele podia perder tempo com os que o renegavam, mas atuar decisivamente pelos que a ele recorriam, levando palavras de esclarecimento e conforto. “São os doentes que precisam de médico, não os sãos”.

“Dar pérolas aos porcos” é o mesmo que desperdiçar tempo com quem não quer aprender. Ele não odiava os que não queriam ouvi-lo; pelo contrário, amava-os tanto quanto amava seus verdadeiros ouvintes. Mas ele não podia perder tempo com eles, porque seu tempo era curto e havia muitos que ansiavam ouvir seus ensinos.

Allan Kardec, aprendendo com Jesus, fala o mesmo em relação ao Espiritismo, até porque, no seu tempo, muitos tentaram barrar ou dificultar seu trabalho, fazendo-lhes pesadas críticas e acusações. Mas ele não podia se deter muito tempo apenas na defesa de suas ideias, quando havia muita gente ansiando por elas.

 

sábado, 28 de março de 2026

O UNIVERSO E A DOUTRINA ESPÍRITA ; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

O Espiritismo bem antes de muitos dos avanços da chamada Ciência ofereceu, através dos conteúdos apresentados por Allan Kardec em suas obras, uma visão avançada considerando os conhecimentos disponíveis na época. A ideia da realidade espiritual anteceder e determinar em vários pontos a em que nós vivemos é uma delas, visto que, como se sabe a Física Quântica através da Teoria das Supercordas, além de afirmar a existência de Universos Paralelos em outras Dimensões, diz que “mesmo que as dimensões ocultas do Espaço sejam imperceptíveis, são elas que determinam a realidade física em que vivemos”.  Na sequência, destacamos alguns pontos interessantes para nossas reflexões: 1- O Universo é ao mesmo tempo um mecanismo incomensurável, acionado por um número incontável de inteligências, e, um imenso governo, no qual cada Ser inteligente tem a sua parte de ação sob as vistas do soberano Senhor, cuja vontade única mantém por toda a parte a unidade. Sob o império dessa vasta potência reguladora, tudo se move, tudo funciona em perfeita ordem”. (G,18:4) 2-  O véu do mistério das coisas ocultas ao homem se ergue na medida em que ele  evolui, necessitando, porém, para a compreensão de certas coisas, de faculdades que não possui.(LE,18) 4- ESPAÇO - Espaço é o infinito. 5- VAZIO ABSOLUTO - Não existe, nada é vazio. O que é vazio segundo nossas concepções, está ocupado por uma matéria que nos escapa aos nossos sentidos e instrumentos (LE, 36) 6- TEMPO - O tempo é a sucessão das coisas, estando ligado à Eternidade, do mesmo modo que as coisas estão ligadas ao Infinito. Apenas uma medida relativa da sucessão das coisas transitórias. 7- MATÉRIA - Segundo a Espiritualidade, existe em estados que não percebemos, podendo ser tão etérea e sutil que não produza impressão nos nossos sentidos, sendo sempre matéria, embora não o seja para nós. 8- ESPÍRITO - É o princípio inteligente do Universo. 9- AS LEIS E AS FORÇAS - “Há um fluido etéreo – fluido cósmico universal - que enche o espaço e penetra os corpos. Esse fluido é o éter ou matéria cósmica primitiva, geradora do mundo e dos seres. Os movimentos vibratórios do agente são conhecidos sob os nomes de som, calor, luz, etc.  Em outros mundos, ela se presentam sob outros aspectos, revelam outros caracteres desconhecidos na Terra e, na imensa amplidão dos céus, forças em número infinito se tem desenvolvido numa escala inimaginável, cuja grandeza tão incapazes somos de avaliar, como o é o crustáceo, no fundo do oceano, para apreender a universalidade dos fenômenos terrestres”. (G; 6:10) NAS OBRAS DO ESPÍRITO ANDRÉ LUIZ – 1- “O Universo, a estender-se no Infinito, por milhões e milhões de sóis, é a exteriorização do Pensamento Divino, de cuja essência partilhamos, em nossa condição de raios conscientes da Eterna Sabedoria, dentro do limite de nossa evolução espiritual” (NDM) 2- “O Universo enquadra-se na ordem absoluta. Aves livre em limitados céus, interferimos no Plano Divino, criando para nós prisões e liames, libertação e enriquecimento. (NMM). 4-“A nossa Terra, com todas as esferas de substância ultra-física que a circundam, pode ser considerada qual laranja minúscula, perante o Himalaia, e nós outros, confrontados com a excelsitude dos Espíritos Superiores (...), não passamos, por enquanto, de bactérias, controlados pelo impulso da fome e pelo magnetismo do amor”.(L)

EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR JOSÉ BENEVIDES CAVALCANTE

Um Espírito, que cometeu desatinos no passado e nasce com um grave defeito nesta vida; por exemplo. Sem uma perna. Mas, devido ao progresso científico, ele obtém uma perna mecânica, produto hoje muito avançado, e então via pode ter uma vida quase perfeita. Pergunto: o que foi feito da expiação? Ele não teria que sofrer essa deficiência a vida toda?

Não, de modo nenhum.  É onde entra a misericórdia de Deus. Tudo que podemos fazer pelos que sofrem faz parte da lei divina, que permite ao sofredor ser socorrido, diminuindo o peso suas dívidas morais.

Na lei de Deus, a intervenção humana é necessária e muito importante, porque podemos nos ajudar na caminhada evolutiva.

No caso, que você cita, trata-se de um recurso que a tecnologia nos propiciou – a perna mecânica - e, através da qual, podemos servir, auxiliando o beneficiado a entender que a caridade é lei da vida.

Quem hoje recebe está mais preparado para entender que ele também pode ajudar e que a nossa carga de sofrimento moral neste mundo será mais leve e suportável se soubermos nos ajudar uns aos outros.

Não é difícil compreender esse processo. Todos temos visto casos de pessoas que, enfrentando limitações físicas ou enfermidades, após serem atendidas, despertarem para a importância da solidariedade.

 

 

 

 

 

quinta-feira, 26 de março de 2026

AVERSÕES INEXPLICÁVEIS; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Quinze dias após ter sido internado para se submeter a desintoxicação alcóolica que já provocava delírio e alucinações, restabelecido, foi possível conhecer parte da história daquele caboclo forte, disposto, trabalhador, dedicado a conduzir gado pelas estradas. Casado, pai de seis filhos, dois dos quais, àquela altura, casados, dizia-se um homem econômico que jamais deixou faltar nada para os seus, inclusive educação primária, ofício para os rapazes e todas as prendas domésticas para as filhas, como era habitual na época. Durante a formação dos filhos, jamais procurou corrigi-los com castigos corporais, tampouco se lembrava de ter proporcionado à esposa momentos reprováveis pela sua conduta. Lutou enquanto os filhos cresciam para proporcionar-lhes conforto para o presente, e, se possível, evitar-lhes preocupações financeiras para o futuro. Entre as inúmeras viagens que no exercício de sua profissão, todavia, apesar da ausência, ao retornar ao lar, era tratado com frieza por todos, situação agravada nos últimos três anos, considerando suas permanências em casa serem mais frequentes. Ouvida, sua esposa não só confirmou tudo como disse sofrer muito com as atitudes dos filhos, dos quais se tornara confidente, revelando que o temiam e detestavam, a ponto de desaparecerem de casa, quando estivesse presente. O quadro se assemelha ao observado na vida de muitas famílias. O conhecimento do Espiritismo, contudo, pode auxiliar na avaliação de fatos semelhantes. Isto porque, segundo Allan Kardec em observação n’ O LIVRO DOS ESPÍRITOS, nos programas reencarnatórios objetivando o progresso das individualidades, “o Espírito renasce frequentemente no mesmo meio em que viveu, se relaçionando com as mesmas pessoas, a fim de reparar o mal que lhes tenha feito. Explica ainda que a “sucessão das existências corporais estabelece entre os Espíritos laços que remontam às vidas anteriores, donde decorrem as causas da simpatia entre os envolvidos e outros que parecem estranhos”. Já no século 20, através do médium Chico Xavier, o Espírito conhecido como André Luiz transferiu para nossa Dimensão, OBREIROS DA VIDA ETERNA (1946; feb), obra onde encontramos interessante ponderação de um Assistente de nome Barcelos que, entre outras coisas,diz que “em obediência às lembranças vagas e inatas, os homens e as mulheres, jungidos uns aos outros pelos laços de consanguinidade ou dos compromissos morais, se transformam em perseguidores e verdugos inconscientes entre si. Os antagonismos domésticos, os temperamentos aparentemente irreconciliáveis entre pais e filhos, esposas e esposos, parentes e irmãos, resultam de recapitulações retificadoras do pretérito distante (...). Sentem e veem na tela mental, dentro de si mesmos, situações complicadas e escabrosas de outra época, malgrado os contornos obscuros da reminiscência, carregando consigo fardos pesados de incompreensão”. E o caso apresentado no início, destacado do livro A PSIQUIATRIA EM FACE DA REENCARNAÇÃO (feesp) do médico Inácio Ferreira, diretor do Sanatório Espírita de Uberaba desde sua fundação até desencarnar nos anos 80, bem ilustra a dinâmica revelada pela Doutrina Espírita. Através da excepcional médium Maria Modesto Cravo que não apenas ajudou a construir e fundar a casa de saúde citada como era aproveitada em suas faculdades mediúnicas no socorro a muitas criaturas nela internadas. Buscando entender o fator causal do drama do paciente, viram-se diante de uma entidade espiritual ligada aos envolvidos no drama atual. Apontava a vitima de agora como um assassino e ladrão em existência pregressa na cidade Ilhéus, na Bahia. Segundo o comunicante ele pretendia casar-se com uma das filhas do doente em tratamento, intenção frustrada, a princípio por falta de recursos por não encontrar serviço compensador. O homem focalizado matou cruelmente um indivíduo, fugiu à Justiça e integrou-se a um dos muitos bandos existentes na região, dedicados a saquear e arrasar lugarejos, espalhando o terror. Retornando esporadicamente às escondidas ao seu lar, geralmente maltratando esposa e filhos, tomando conhecimento do seu interesse por sua filha, levou-a, uma noite, entregando-a a um dos componentes do seu bando, impondo a morte à esposa. O Espírito manifestante, contou ainda que conseguiu empregar-se num convento, e, diante de terrível seca que se abatia sobre a região, foi encarregado com outro funcionário de fazer compras pelas redondezas, tendo sido vitima de assalto praticado pelo bando. Seu amigo escapou, mas ele foi morto pelo “monstro” do qual queriam informações, tendo sido amarrado pelos pés e arrastado pelo cavalo que ele montava, por ter ouvido ser seu desejo vê-lo um dia, amarrado no pelourinho existente em frente ao convento. Revelou, por fim que, sua esposa, filhos e filhas atuais, são os mesmos daquela vida passada.

EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR JOSÉ BENEVIDES CAVALCANTE

Os Espíritos podem nos revelar o futuro e dizer, por exemplo, se este ano vai ser melhor ou pior que o anterior?

  Allan Kardec fez pergunta semelhante aos Espíritos, conforme lemos na questão 243 de O LIVRO DOS ESPÍRITOS e esse assunto ele volta a tratar na sua última obra A GENESE, OS MILAGRES E AS PROFECIAS SEGUNDO O ESPIRITISMO.

  O que poderíamos dizer é que existe em todos nós uma ânsia de conhecer o futuro. E a razão é simples, queremos que essa revelação sempre ocorra em nosso favor e não contra os nossos interesses.

No fundo, queremos que nos seja revelada uma fórmula para resolver nosso problema e, se isso fosse possível, certamente nos acomodaríamos, porque não precisaríamos mais nos esforçar tanto.

Por tal razão, os instrutores espirituais, que são Espíritos sérios e comprometidos com a verdade, disseram a Allan Kardec que se o homem conhecesse o futuro, ele negligenciaria o presente.

É o que acontece quando uma pessoa consulta uma vidente. Ela quer ouvir da vidente uma boa previsão, uma solução definitiva, caso contrário ela nem iria procurá-la.

Na verdade, se a pessoa anda atormentada com um problema, ela quer se ver livre do problema, mas, ao mesmo tempo, ela fica temerosa se a previsão não for a seu favor.

De qualquer forma, de duas uma:  se a resposta da vidente lhe for favorável, ela vai se acomodar  e, se a resposta for desfavorável ela vai desistir. Por isso, os instrutores preveriam Kardec sobre supostas profecias.

Desse modo, se  a vidente for precavida, ainda que revele uma ou outra coisa desagradável, ela vai prever aquilo que vem ao encontro à vontade de sua consulente. O consulente não pode sair da vidente mais desanimado do que chegou.

Alguém vai perguntar. Mas, se essa vidente for médium, ela não poderá receber informações dos Espíritos. Então, voltamos ao início da pergunta: os Espíritos podem revelar o futuro?

No Espiritismo, quando falamos em Espíritos, estamos nos referindo a seres humanos desencarnados em geral. Logo, não são seres especiais e nem possuem faculdades extraordinárias, como muita gente pode pensar.

  Entre os desencarnados há os que sabem mais do que nós humanos sabemos e há os que sabem menos, há os bem intencionados e os mal intencionados; logo, há os que se preocupam em dizer a verdade e há os que mentem descaradamente.

Logo, como dizia João Evangelista, não devemos acreditar em todos os Espíritos. Precisamos saber se os Espíritos, que se dirigem a nós, são de Deus – ou sejam, se eles são do bem e da verdade.

Como dissemos, a única diferença entre nós e os Espíritos é que eles estão desencarnados, ou seja, não estão limitados à capacidade de percepção do corpo.

Mas, de um modo geral, assim como entre os nós, os Espíritos não sabem muito mais do que nós sabemos. O fato de não terem mais corpo facilita um pouco suas percepções, mas nada de extraordinário.

Portanto,  o Espírito que se põe a fazer revelações extraordinárias, quase sempre, está fantasiando e dizendo aquilo que pode nos impressionar.

No entanto, nós não temos nenhuma garantia de que  uma revelação seja verdadeira, mas, quase sempre, ela não condiz com a verdade.

Kardec explica que os bons Espíritos – seja nosso protetor ou outro Espírito amigo  - não adiantam nada que não seja útil, mesmo que eles saibam. Mas, os enganadores ou brincalhões costumam brincar com nossas emoções e afirmam coisas que vão nos impressionar.

Por tais razões, o Espiritismo não se ocupa com esta questão e nos aconselha a seguir a vida com responsabilidade, dando o melhor de nós e procurando pôr em prática o que Jesus ensinou.

quarta-feira, 25 de março de 2026

SITUAÇÃO DIFÍCIL; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR JOSÉ BENEVIDES CAVALCANTE

-“Seria conhecer bem pouco os homens, pensar que uma causa qualquer pudesse transformá-los por encanto. As ideias se modificam pouco a pouco, com os indivíduos, e são necessárias gerações para que se apaguem completamente os traços dos velhos hábitos. A transformação, portanto, não pode operar-se a não ser com o tempo, gradualmente, pouco a pouco. Em cada geração uma parte do véu se dissipa”, responderam os Espíritos a Allan Kardec quando questionados (pergunta 800) sobre a possibilidade, por exemplo, do Espiritismo “vencer a indiferença dos homens e seu apego às coisas materiais”. Vivia-se apenas metade do século 19 e o materialismo já se constituía no grande obstáculo ao progresso da paz e da felicidade na sociedade humana. Sua destruição, aliada à destruição dos preconceitos de seita, de casta e de cor, conduziriam naturalmente os homens à grande solidariedade que os deve unir como irmãos. Ponderando que “nem o próprio Cristo convenceu seus contemporâneos com os prodígios que realizou”, apontaram a razão, a lógica, como o meio através do qual as mudanças se operariam. O próprio Jesus disse ser necessário “a ocorrência do escândalo” para - quem sabe - sair-se da inércia, da acomodação, da zona de conforto, em que parcela menor da sociedade se mantem.  Porque a maioria sofre apenas os efeitos do descaso dos egoístas e orgulhosos. Necessário, porém, dar o primeiro passo. Inteligências astutas e dissimuladas, em nome de ideologias pessoais, certamente estudam o movimento das massas no sentido de encontrar a melhor forma de manobrá-las na direção de conhecidos interesses. Provavelmente vençam mais uma vez.  A Educação Moral não é nem cogitada por aqueles cujos gritos acordam os letárgicos, liderando-os não se sabe em que direção. Em comentário à questão 685 d’O LIVRO DOS ESPÍRITOS, Kardec escreve: -“ Quando se pensa na massa de indivíduos diariamente lançados na corrente da população, sem princípios, em freios, entregues aos próprios instintos, deve-se admirar das consequências desastrosas desse fato?”. Linhas antes, ele ponderara: “Não basta dizer ao homem que ele deve trabalhar., é necessário também que o que vive do seu trabalho encontre ocupação, e isso nem sempre acontece. Quando a falta de trabalho se generaliza, toma as proporções de um flagelo, como a escassez. A ciência econômica procura o remédio no equilíbrio entre a produção e o consumo, mas esse equilíbrio, supondo-se que seja possível, sofrerá intermitências e durante essas fases o trabalhador tem necessidade de viver. Há um elemento que não se ponderou bastante, e sem o qual a ciência econômica não passa de teoria: a educação. Não a educação intelectual, mas a moral, e nem ainda a educação moral pelos livros, mas a que consiste na arte de formar caracteres, aquela que cria hábitos, porque educação é conjunto de hábitos adquiridos”. Concluindo suas ilações, Kardec diz: “-Quando essa arte for conhecida, compreendida e praticada, o homem seguirá no mundo os hábitos de ordem e previdência para si e para os seus, de respeito pelo que é respeitável, hábitos que lhe permitirão atravessar de maneira menos penosa os maus dias inevitáveis. A desordem e a imprevidência são duas chagas que somente uma educação bem compreendida pode curar. Nisso está o ponto de partida, o elemento real do bem estar, a garantia da segurança de todos”. Como se vê não é tarefa de um governante durante seu mandato, nem de uma geração. Resultados a médio e longo prazo. Será que o imediatismo derivado da ambição permitirá  que se trabalhe para o futuro, no agora?   

EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR JOSÉ BENEVIDES CAVALCANTE

Gostaria de saber se,  fazendo o culto do evangelho no lar, uma vez por semana, a gente consegue afastar os maus espíritos que estão em nossa casa.

 

– “O Evangelho no Lar”, cara ouvinte, é uma prática recomendada para todas as famílias, que aceitam os ensinamentos de Jesus, ou seja, que acreditam no amor, na solidariedade, na fraternidade humana. Não é uma sessão espírita, como muitos podem pensar. Trata-se de uma rápida reunião das pessoas da casa, para a leitura de um texto do evangelho ou de um bom livro de orientação cristã, podendo se seguir um pequeno comentário e, ao final,  o encerramento com uma prece.

 

Na verdade, “O Evangelho no Lar”, embora inclua a prece – em geral, para a família e para o ambiente espiritual da casa – ele tem por objetivo imediato quebrar um pouco a rotina da família, as tribulações habituais da casa, e fazer com que as pessoas se reúnam para um momento de refazimento espiritual com uma finalidade superior. Uma dessas finalidades – aliás, a mais importante delas -  é a de as pessoas fazerem uma revisão do próprio comportamento, facilitando o melhoramento das relações no círculo doméstico.

 

Essa pequena interrupção na rotina da família – de 15 a 20 minutos – pode ser um momento de luz, de irradiação de pensamentos e, ao mesmo tempo, de harmonização íntima de cada um e de saneamento espiritual do lar. Portanto, há duas grandes finalidades específicas: ajudar cada um a melhorar seu comportamento e concorrer para a harmonia da família. Naturalmente, se Espíritos mal intencionados estiverem rondando o lar, eles serão os primeiros incomodados e tenderão a se afastar.

 

Entretanto, prezada ouvinte, a prece funciona sempre como um recurso auxiliar de nossa vida. Ela nos ajuda a resolver os problemas – não só aqueles que os Espíritos causam, mas também e principalmente aqueles que nós causamos para nós mesmos. Quando nos deixamos guiar por um bom propósito – como aquele que formulamos intimamente no momento da oração ou do evangelho no lar – seguramente estamos nos reeducando, estamos reaprendendo a viver e a conviver bem com as pessoas que nos rodeiam.

 

O afastamento de qualquer influência negativa – seja dos Espíritos, seja nossa – depende sempre de um esforço maior; quer dizer, da mudança de nossas atitudes, porque, o que atrai os maus é o nosso mal procedimento, o que atrai os bons é o nosso bom procedimento. Na lei moral, semelhante atrai semelhante. Nesse sentido, não há dúvida de que O Evangelho no Lar pode concorrer para isso. Nesse sentido, aquelas pessoas, que estiveram interessadas em instituir em sua casa a prática do Evangelho no Lar, poderá obter maiores informações nos centros espíritas.

 

 

terça-feira, 24 de março de 2026

O QUE OS HISTORIADORES NÃO CONTAM; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 A Historia oficial dos líderes, povos, países, governantes, ao longo de grande parte da evolução da Humanidade, foi sempre escrita sob encomenda, registrando dados e passagens que nem sempre expressam os fatos integralmente. Num país, por exemplo, apenas as ocorrências desenroladas no centro do poder, envolvendo personagens mais diretamente a ele ligados, são preservados. O que acontece no interior, raramente é contado. O Antigo Testamento, em vários de seus escritos, mostra a dependência de Reis, Faraós e Soberanos de oráculos e pitonisas que lhes decifravam sonhos, pressentimentos ou até mesmo a influência dos Astros, diante de decisões a serem tomadas. O tempo foi, aparentemente, afastando uns e outros, minimizando essa influência. Allan Kardec na edição de março de 1864 da REVISTA ESPIRITA, incluiu interessante matéria intitulada UMA RAINHA MÉDIUM, construída a partir de notícias veiculadas em vários jornais da época como Opinion Nationale e Siècle, veiculados em 22 de fevereiro do mesmo ano. Tais escritos fazem referência à fatos envolvendo a Rainha Vitória, que durante sessenta e quatro anos esteve à frente do trono da Inglaterra. Ela, cujo nome completo era Alexandrina Vitória Regina, era erudita, amante das letras, apreciava as artes, tocava piano e praticava a pintura. Marcou a historia daquele país de tal forma que seu reinado é denominado Era Vitoriana, por uma série de ações na área sócia,l como a abolição da escravatura no Império Britânico; redução da jornada de trabalho para dez horas; instalação do direito ao voto para todos os trabalhadores; expansão das Colônias; grande ascensão da burguesia industrial, entre outros feitos. Assumindo o trono aos 18 anos, teve nove filhos com o primo e Príncipe Alberto, com quem, por um amor profundo casou aos 21. Enviuvou aos 42 anos, conservando luto até sua morte, quatro décadas depois. Comentando a citada notícia, diz Kardec: “Uma carta de pessoa bem informada revela que, recentemente, num conselho privado, onde fora discutida a questão dinamarquesa, a Rainha Vitória declarou que nada faria sem consultar o príncipe Alberto( morrera). E com efeito, tendo-se retirado por um pouco para seu gabinete, voltou dizendo que o “príncipe se pronunciava contra guerra. Esse fato e outros semelhantes transpiraram e originaram a ideia de que seria oportuno estabelecer uma regência”. Seguindo o Codificador acrescenta: “-Tínhamos razão ao escrever que o Espiritismo tem adeptos até nos degraus dos tronos. Poderíamos ter dito: até nos tronos. Vê-se, porém, que os próprios soberanos não escapam à qualificação dada aos que acreditam nas comunicações de Além-túmulo(...). O Journal de Poitiers, que relata o mesmo caso, o acompanha desta reflexão: Cair assim no domínio dos Espíritos não é abandonar o das únicas realidades que tem de conduzir o mundo?”. Até certo ponto concordamos com a opinião do jornal, mas de outro ponto de vista. Para ele os Espíritos não são realidades, porque, segundo certas pessoas, só há realidade no que se vê e se toca. Ora, assim, Deus não seria uma realidade e, contudo, quem ousaria dizer que ele não conduz o mundo? Que não há acontecimentos providenciais para levar a um determinado resultado? Então, os Espíritos são instrumentos de sua vontade; inspiram os homens, solicitam-nos, mau grado seu, a fazer isto ou aquilo, a agir neste sentido e não naquele, e isto tanto nas grandes resoluções quanto nas circunstâncias da vida privada. Assim, a esse respeito, não somos da opinião do jornal. Se os Espíritos inspiram de maneira oculta, é para deixar ao homem o livre-arbítrio e a responsabilidade de seus atos. Se receber inspiração de um mau Espírito, pode estar certo de receber, ao mesmo tempo, a de um bom, pois Deus jamais deixa o homem sem defesa contra as más sugestões. Cabe-lhe pesar e decidir conforme a sua consciência. Nas comunicações ostensivas, por via mediúnica, não deve mais o homem abnegar o seu livre-arbítrio: seria erro regular cegamente todos os passos e movimentos pelo conselho dos Espíritos, por que há os que ainda podem ter ideias e preconceitos da vida. Só os Espíritos Superiores disso estão isentos(...). Em princípio os Espíritos não nos vem conduzir; o objetivo de suas instruções é tornar-nos melhores, dar fé aos que não a tem e não o de nos poupar o trabalho de  pensar por nós mesmos”. 

EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR JOSÉ BENEVIDES CAVALCANTE

Os Espíritas podem saber o que estamos pensando?

  Se você ler n’O LIVRO DOS ESPÍRITOS a questão 457, encontrará o seguinte: “Os Espíritos podem conhecer nossos mais secretos pensamentos”?

Veja a resposta: ”Frequentemente, eles conhecem aquilo que quereríeis ocultar a vós mesmos; nem atos, nem pensamentos podem lhes ser dissimulados”.

Se você ler apenas esta questão ( e a questão seguinte), poderá tirar uma conclusão errada sobre nossas relações mais íntimas com a espiritualidade.

Mas, se você voltar à questão 456, que pergunta se eles podem ver tudo que fazemos, a resposta será a seguinte:

  “Podem vê-lo, visto que vos rodeiam incessantemente. Todavia, cada um não vê senão as coisas sobre as quais dirige sua atenção, porque com aqueles que lhes são indiferentes, eles não se preocupam”.

Os instrutores espirituais, geralmente falam dos Espíritos em geral e não de determinados Espíritos.

Seria o mesmo que perguntar: “Todos os seres humanos leem”. Na verdade, todos os seres humanos podem ler, mas não poderão ler aqueles que são analfabetos. Esta mesma conotação podemos dar aos Espíritos.

Aliás, todas as questões, que se referem aos Espíritos, portanto, estão entrelaçadas por condições próprias de cada situação e de cada Espírito. Por isso, antes de consultarmos uma questão determinada, precisamos ter conhecimento do todo.

Quando a pessoa não conhece o Espiritismo, elas imaginam que os Espíritos podem estar espalhados aleatoriamente por toda parte, como se fosse uma multidão de curiosos a nos espiar.

Não é assim que acontece. O bom senso nos diz que não. O mundo espiritual próximo à Terra, é povoado por Espíritos humanos, como nós, que se mobilizam conforme suas necessidades e interesses.

Nós, os encarnados, não temos nenhum interesse em saber o que uma pessoa está pensando, a não ser que isso seja do nosso interesse. Além disso, não temos acesso ao pensamento dela, a não ser pelos atos que ela pratica.

Devemos considerar que os desencarnados estão em diferentes níveis de evolução espiritual, e isso faz com que cada um perceba somente o que está a seu alcance.

Embora o pensamento seja um tipo específico de matéria, nós encarnados não o vemos. Da mesma forma nem tudo está ao alcance de um determinado Espírito perceber. Logo suas percepções estão limitadas ao seu grau de desenvolvimento espiritual.

Nas obras de André Luiz encontramos vários relatos das incursões que as equipes de socorro realizavam, muitas vezes em zonas de muito sofrimento.

  Muitas vezes, deparamos com situações em que os próprios integrantes das equipes de socorro nem são percebidos pelos Espíritos que estão sendo socorridos.

Ora, mesmo na espiritualidade, não é qualquer Espírito que percebe tudo. Aliás, só ´perceberiam tudo mesmo aqueles que estiverem num plano mais elevado que o humano.

Desse modo, não é difícil concluir que os Espíritos, que estão conosco, podem perceber nossos pensamentos, primeiro – se estiverem sintonizados na mesma frequência vibratória em que nos encontramos.

O pensamento se propaga em processo semelhante aos das ondas hertzianas, de rádio e televisão, criando em torno de nós um halo mental, que André Luiz chama de psicosfera.

Em segundo lugar, eles podem perceber nossos pensamentos se tiverem interesse nisso – ou seja, se eles estiverem ligados a nós por alguma afeição ou compromisso.

É claro que, geralmente, nos ligamos a Espíritos que comungam com nosso modo de ser e pensar. Eles só podem ter acesso ao que pensamos, se isso lhes interessar.

 

 

 

segunda-feira, 16 de março de 2026

REALISMO FANTÁSTICO OU REALIDADE PROVÁVEL; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 -“A experiência social na Terra vive tão distraída nos jogos de máscara, que a visita da verdade sem mescla, a qualquer agrupamento humano, por muito tempo ainda será francamente inoportuna”, comenta em mensagem psicografada por Chico Xavier, um industrial, administrador e homem público identificado, pela inicial G., por razões compreensíveis. A visão imediatista da vida em nossa realidade existencial certamente é a causadora dessa distorção compartilhada pela maioria das criaturas humanas que habita o planeta Terra. Mas, a, como ele diz, verdade sem mescla, representada pela morte aguarda a todos na esteira do tempo que vai se acumulando no nosso histórico de vida. As marcas do desgaste do revestimento chamado corpo físico se evidenciam na comparação imagem do espelho com a foto de anos atrás. Avaliado pelos critérios de nossa Dimensão como político e administrador de méritos indiscutíveis, G. não se sentia dessa forma após a transposição para outro Plano Existencial. Confessa que “não admitia que o sepulcro o requisitasse tão apressadamente à ‘meditação’. A angina, porém, espreitava-o, vigilante, e fulminou-o sem que pudesse lutar. Recorda-se de haver sido arremessado a uma espécie de sono que não lhe furtava a consciência e a lucidez, embora lhe aniquilasse os movimentos. Incapaz de falar, ouviu os gritos dos seus e sentiu que mãos amigas lhe tateavam o peito, tentando debalde restituir-lhe a respiração. Não saberia precisar quantos minutos gastou na vertigem que lhe tomara de assalto, até que, em sua aflição por despertar, notou que a forma inerte o retomava a si, que sua alma entontecida regressava ao corpo pesado; no entanto, espessa cortina de sombra parecia interpor-se agora entre os seus afeiçoados e a sua palavra ressoante, que ninguém atendia... Inexplicavelmente assombrado, em vão pedia socorro, mas acabou por resignar-se à ideia de que estava sendo vítima de estranho pesadelo, prestes a terminar. Após alguns minutos de pavoroso conflito que a palavra terrestre não consegue determinar, teve a impressão de que lhe aplicavam sacos de gelo aos pés. Por mais verberasse contra semelhante medicação, o frio alcançava-lhe todo o corpo, até que não pude mais...Aquilo valia por expulsão em regra. Procurou libertar-se e viu-se fora do leito, leve e ágil, pensando, ouvindo e vendo. Contudo, buscando afastar-se, reparou que fio tênue de névoa branquicenta ligava sua cabeça móvel à sua cabeça inerte. Indiscutivelmente delirava – dizia de si para consigo -, no entanto, aquele sonho o dividia em duas personalidades distintas, não obstante guardar a noção perfeita de sua identidade. Apavorado, não conseguia maior afastamento da câmara íntima, reconhecendo, inquieto, que o vestiam caprichosamente a estátua de carne, a enregelar-se. Dominava-o indizível receio. Sensações de terror neutralizavam seu raciocínio. Mesmo assim, concentrou suas forças na resistência. Retomaria o corpo. Lutaria para reaver-se. Contudo, escoavam-se as horas e, não obstante contrariado, viu-se exposto à visitação pública. Mas, ele que se sentia singularmente repartido, observou que todas as pessoas com acesso ao recinto, diante dele, revelavam-se divididas em identidade de circunstâncias, porque, sem poder explicar o fenômeno, lhes escutava as palavras faladas e as palavras imaginadas. Muitas diziam aos seus familiares em pranto: - Meus pêsames! Perdemos um grande amigo... E o pensamento se lhes esguichava da cabeça, atingindo-o como inexprimível jato de força elétrica, acentuando: -“Não tenho pesar algum, este homem deveria realmente morrer”. Outras se enlaçavam aos amigos, e diziam com a boca: -“Meus sentimentos! O doutor G morreu moço, muito moço. E acrescentavam, refletindo: -“Morreu tarde...Ainda bem que morreu.. Velhaco! Deixou uma fortuna considerável... Deve ter roubado excessivamente”. Outras ainda, comentavam junto à carcaça morta: -“Homem probo, homem justo!...E falavam de si para consigo: -“Político ladrão e sem palavra! Que aterra lhe seja leve e que o inferno o proteja!”.(...). Humilhado, aguardei paciente as surpresas da nova situação. Estava inegavelmente morto e vivo. O caixão não favorecia qualquer dúvida. Curtia dolorosas indagações, quando, em dado instante, arrebataram-me o corpo. Achava-me livre para pensar, mas preso aos despojos hirtos pelo estranho cordão que eu não podia compreender e, em razão disso, acompanhei o cortejo triste, cauteloso e desapontado. A vizinhança do cemitério abalava a escassa confiança que passara a sustentar em mim mesmo. O largo portão aberto, a contemplação dos túmulos à entrada e a multidão que me seguia, compacta, faziam-me estarrecer. (...). Clamei debalde por socorro, até que, com os primeiros punhados de terra atirados sobre o esquife, caí na sepultura acolhedora, sem qualquer noção de mim mesmo”. Diante de tão minuciosa narrativa deixamos com você a pergunta: - Realismo fantástico ou realidade provável?

 EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR JOSÉ BENEVIDES CAVALCANTE

É verdade que Espíritos maldosos que viveram séculos atrás ainda se comunicam no Centro Espírita? Se, depois de tanto tempo, eles até agora não melhoraram, como se pode explicar que na sessão espírita eles vão se arrepender do que fizeram?

No livro NOS DOMÍNIOS DA MEDIUNIDADE, André Luiz relata o caso de José Maria, um espírito dementado que foi trazido por amigos espirituais para ser recebido pela médium Celina numa sessão espírita.

Ele fora um fazendeiro cruel e desumano que vivera no século XVIII, mas ainda trazia a mente estagnada no seu próprio egoísmo.

Estava tão centrado em si mesmo que só percebia os quadros terríveis de tirania e perversidade contra seus escravos, contra os quais instalou um ambiente de sofrimento e terror.

Quando faleceu, no final daquele século, encontrou muitos de suas vítimas que se converteram em terríveis vingadores, passando a torturar sua mente.

No entanto, nem assim, percebia que já não pertencia mais a este mundo, julgando-se prisioneiro martirizado aqui mesmo na Terra por escravos a quem impingira os maiores sofrimentos.

A – Depois de mais de um século de martírio, chegou o momento em que alguém intercedeu em seu favor e ele foi trazido ao centro espírita para retomar o contato com os encarnados.

Celina foi escolhida para sua médium pelas suas altas qualidades morais e capacidade de doação, pois não seria nada fácil intermediar a comunicação de um Espírito que ainda trazia na alma a marca da maldade.

  De fato, não foi fácil para Celina desempenhar seu papel, pois a diferença de qualidade vibratória era muito grande.

Médium educada e extremamente zelosa de seu papel, Celina se pôs em vigilância, amparada por Espíritos amigos, e não deixou que José Maria extravasasse sua agitação e seu conformismo, fazendo com que ele se contivesse durante o contato mediúnico.

Aliás, a presença do ex-fazendeiro nos trabalhos espíritas era justamente para estabelecer esse primeiro contato com os encarnados, que se tornava necessário para ajudá-lo a compreender sua situação e a conter seus impulsos. 

Após essa manifestação, controlada por Celina e dirigida pelo coordenador dos trabalhos mediúnicos, José Maria pôde ser removido para ser internado numa instituição educativa no plano espiritual.

  Semelhante providência ainda não resolveria de todo a situação, pois, para completar o curso ele teria de reencarnar algumas vezes em condição sofrida, certamente entre vítimas do passado, para valorizar o próximo e compreender melhor as leis da vida.

Desse modo, prezada ouvinte, a sessão mediúnica não traz, como muitos podem pensar, a solução definitiva dos problemas dos Espíritos que ser comunicam.

Trata-se de um instrumento que vai ajudar os Espíritos a encontrarem o caminho de se equilíbrio ou de sua regeneração, que contará com a intervenção de mentores espirituais, mas só se completará de fato em novas experiências reencarnatórias.

sexta-feira, 13 de março de 2026

VIOLÊNCIA; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 O legado cultural deixado por Hermínio Correia de Miranda é de valor incalculável. Pesquisador criterioso, escritor competente, construiu obras com conteúdo inigualável. Uma delas, AS DUAS FACES DA VIDA (lachâtre), prefaciada no Natal de 2004, reúne, entre outros, artigo dividido em duas partes intitulado O MÉDIUM DO ANTICRISTO. O foco principal é uma das figuras mais representativas do período de mudanças espirituais pelo qual passa a Terra: Adolf Hitler. Parte, como era sua característica, de livros com conteúdo confiável. Um deles, O jovem Hitler – a História de nossa amizade de August Kubizek, que como sugerido pelo título foi muito próximo do polêmico líder alemão. Outro, A Lança do Destino, do escritor inglês Trevor Ravenscroft, amigo pessoal do Dr Walter Johannes Stein, cientista e doutor em Filosofia, que emigrou durante a Segunda Guerra para a Inglaterra, onde exerceu o cargo de assessor-especial de Winston Churchill para assuntos relacionados à personalidade de Hitler. Vasculhando e “garimpando” tais obras Hermínio destaca informações como: aos 15 anos, Hitler, de pé, agarra emocionado as mãos de Kubizek, com olhos esbugalhados e fulminantes, pronunciando uma enxurrada de palavras excitadas, desordenadamente, invocando em grandiosos e inspirados quadros, o seu próprio futuro e de seu povo, falando sobre um mandato que, um dia receberia do povo para lidera-lo da servidão aos píncaros da liberdade, missão especial que em futuro seria confiada a ele; que ele cria-se reencarnação de Tibério, um dos mais sinistros dos Césares; que por indução de um místico, descobriu em visões fantásticas ser reencarnação de Landulf de Cápua, um príncipe medieval que teria passado muitos anos no Egito, estudando magia negra e astrologia, considerado a figura mais infame do século 9, a terceira pessoa do reino do Imperador Luís II; que Goering dizia com orgulho, que sempre se encarnou ao lado do Fuhrer; que Goebbels, o ministro da propagando nazista, acreditava ter sido Eckbert de Meran, bispo de Bamberg, no século 13, que teria apresentado Klingsor,( outra encarnação anterior de Hitler) ao rei André da Hungria; que um dos orientadores da carreira construída por Hitler foi um oficial do exército chamado Dietrich Eckhart, um dos sete fundadores do Partido Nazista, adepto das artes e rituais da magia negra e figura central de um poderoso a amplo círculo de ocultistas : o Grupo Thule, que o Kaiser costumava dizer “não ter vindo ao mundo para tornar o homem melhor, mas para utilizar-me de suas fraquezas” e que, determinado a cumprir sua missão a qualquer preço, afirmou que “jamais capitularemos. Poderemos ser destruídos, mas se o formos, arrastaremos o mundo conosco – um mundo em chamas”. Hermínio, conclui que “estudando, hoje a história secreta do nazismo, não nos resta dúvida de que Adolf Hitler e vários de seus principais companheiros desempenharam importante papel na estratégia geral de implantação do reino das trevas na Terra, num trabalho gigantesco que, obviamente, tem a marca inconfundível do Anticristo”. Em 1982, o Espírito Miramez, através do médium João Nunes Maia concluía o livro FRANCISCO DE ASSIS (fonte viva), narrando importantes fatos envolvendo o importante líder cristão da Itália. No capítulo 2, revela ter sido o jovem Bernardone, reencarnação do Apóstolo João, recambiado à nosso Dimensão na tentativa de recolocar o Cristianismo no foco da espiritualização das criaturas humanas. E conta que, em desdobramento, João teria tido a visão dos acontecimentos no Mundo Espiritual, antes que ele mesmo nascesse, preparando a psicosfera planetária para a prevista reencarnação de Jesus. Soube que cerca de dois bilhões de Espíritos inferiores, cuja animalização atingia até as raias do impossível, foram paulatinamente afastados para região onde suas vibrações e ações causassem menor perturbação na atmosfera espiritual do Planeta. Ali, por determinações superiores, ficariam contidos, por mil anos, como dito no APOCALIPSE, após o que seriam liberados.

EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR JOSÉ BENEVIDES CAVALCANTE

Gostaria de saber por que os espíritas falam tanto em dor e sofrimento. Pergunto: será que é isso que Deus quer de nós? Será que se as pessoas se convencerem de que é bom sofrer, elas não serão mais infelizes ainda? (Anônima)

  Existe, de fato, um preconceito contra o sofrimento e a morte, como se tais situações só excepcionalmente acontecessem. Não é verdade: tanto a dor quanto a morte fazem parte da vida de todos nós, sem exceção.

Os médicos e enfermeiros lidam com tais situações, porque esse é o seu campo de trabalho, mas não é o fato de terem estudado demoradamente essa questão que vão sofrer mais.

Pelo contrário. De uma maneira geral eles estão mais preparados para enfrentar com equilíbrio tais situações, até porque sua missão é de resolver problemas e não de complicar mais a vida.

Deveríamos todos ter mais consciência do que é a vida que estamos vivendo. E, se a dor e a morte fazem parte da vida, com certeza, para conhecer a vida, teremos que ter conhecimentos sobre tais assuntos.

A doutrina espírita nos recomenda ver com naturalidade essa questão, até porque todos, indistintamente, passaremos por elas.

Conhecê-las não só nos estimula a valorizar a vida e o bem-estar, como nos faz lembrar que, nesta vida, estamos de passagem e, é por esta visão, que devemos viver.

Quem acredita na vida após a morte sabe valorizar o lado espiritual da vida, sente-se mais tranquilo e seguro diante das adversidades e pode ajudar muita gente a alcançar tal condição.

terça-feira, 10 de março de 2026

CRIANÇAS NO PLANO ESPIRITUAL ; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

Estima a ONU que seis mil crianças morrem diariamente na Terra, a maioria por causas derivadas da precariedade do saneamento ambiental (falta de água, saneamento básico, fome). A esses sintomas nascidos na visão imediatista dos políticos, em sua maioria sem maiores comprometimentos com o povo pelo qual deveria trabalhar, deve-se acrescer, segundo autoridade espiritual o “infanticídio inconsciente e indireto largamente praticado no mundo, havendo mulheres cujo coração ainda se encontra em plena sombra, mais fêmeas que mães, obcecadas pela ideia do prazer e da posse. De um ângulo mais abrangente, Allan Kardec ouviu daqueles que o auxiliaram na elaboração d’ O LIVRO DOS ESPIRITOS, questão 199, que “a duração da vida de uma criança pode ser, para o seu Espírito, o complemento de uma vida interrompida antes do termo devido, e sua morte é frequentemente uma prova ou uma expiação para os pais”. A propósito, comentário sobre a dor de pais diante dessas perdas inesperadas, no livro AÇÃO E REAÇÃO, encontramos que “as entidades que necessitam de tais lutas expiatórias, são encaminhadas aos corações que se acumpliciaram com elas em delitos lamentáveis, no pretérito distante ou recente, ou, ainda, aos pais que faliram junto dos filhos, em outras épocas, a fim de que aprendam na saudade cruel e na angústia inominável o respeito e o devotamento, a honorabilidade e o carinho que todos devemos na Terra ao instituto da família”. O que acontece, porém com esses Espíritos, em sua maioria, praticamente expulsos da vida física recentemente iniciada? “- Antigamente, na Terra, conforme a teologia clássica, supúnhamos que os inocentes, depois da morte, permaneciam recolhidos ao descanso do limbo, sem a glória do Céu e sem o tormento do inferno e, com as novas concepções do Espiritualismo, acreditávamos que o menino reencarnado retomasse, de imediato, a sua personalidade de adulto. Em muitas situações, é o que acontece quando o Espírito já alcançou elevada classe evolutiva”. (...) “Contudo, para a grande maioria das crianças que desencarnam, o caminho não é o mesmo”. Através de Chico Xavier, não só o assunto ganhou conteúdo mais dilatado, como objetivo. Já em NOSSO LAR (feb,1943), encontramos referências a educandário para jovens e crianças. No ENTRE A TERRA E O CÉU (feb,1954), André Luiz ouve explicações sobre o Lar da Bênção,  parte de vasto estabelecimento de assistência e educação, com capacidade para atender  duas mil crianças, distribuídas em grande conjunto de lares abrigando até doze assistidos, quase todos destinados ao retorno à nossa Dimensão para a reintegração no aprendizado que lhes compete”. Um manancial de informações do ponto de vista quantitativo desprende-se das centenas de cartas psicografadas pelo médium nas reuniões públicas de Uberaba, entre os anos 70 e 90. Nelas, muitos elementos para reflexões. Numa das escritas por Moacyr Stella aos pais dos quais se separou aos 32 anos, em consequência de um câncer de cabeça, formado recentemente em Medicina, especialização em pediatria, conta que, ultrapassados os difíceis primeiros tempos após sua desencarnação, integrara-se ao serviço em um berçário, que o prendia a duzentos pequeninos, crianças desterradas do lar em que nasceram. Há, todavia, interessante livro publicado em 1988, assinado por Cláudia Pinheiro Galasse, desencarnada, seis anos antes, aos 18 de idade, em tratamento de recuperação, só em princípios de 1983, conseguiu equilibrar-se à custa de persistente esforço mental. Admitida em 1984, em um dos vários Institutos de apoio à infância no Além, promovida a professora em 1985. No livro intitulado ESCOLA NO ALÉM (ideal,1988), Claudia revela dedicar-se com amigas durante o dia a uma espécie de creche onde as crianças são separadas por faixa etária ( no seu caso, de meses até dois anos), sendo substituídas à noite, por mães desencarnadas. Explica serem as crianças enviadas pela Direção Geral, com instruções e avisos referentes a cada uma, que as abrigadas onde trabalha em sua maioria são de São Paulo, que trabalha com mais de cem, aplicando-se programas educativos recebidos semanalmente de Departamento Superior. Disciplina, horários específicos, passeios e hora de recreio fazem parte dessas atividades. Afirma ainda, entre inúmeras informações, não existir nenhuma desamparada e que muitas mães, durante o repouso físico, são levadas a visitar os filhos já domiciliados no Plano Espiritual .

EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR JOSÉ BENEVIDES CAVALCANTE

 

 “No livro A GÊNESE, OS MILAGRES E AS PREDIÇÕES SEGUNDO O ESPIRITISMO, de Allan Kardec, Capítulo I, Caracteres da Revelação Espírita, lemos: ‘O Espiritismo, caminhando com o progresso, não será jamais ultrapassado porque, se novas descobertas demonstrarem que está em erro sobre um ponto, se uma nova verdade se revelar, ele a aceitará”.  Esse entendimento pode-se aplicar aos artigos da REVISTA ESPÍRITA de abril de 1862, intitulado Frenologia Espiritualista e Espírita –Perfectibilidade da Raça Negra” e da revista de agosto de 1864, Questões e Problemas – Destruição dos Aborígenes do México”?

Esses artigos, escritos respectivamente em 1862 e 1864, foram inseridos por Allan Kardec na REVISTA ESPÍRITA com a finalidade de mostrar, primeiramente, que não existe uma verdade pronta e acabada sobre todas as coisas.

Em segundo lugar, que a ciência é uma fonte confiável de estudo, embora caminhe de conformidade com o progresso do pensamento humano.

Em terceiro lugar, que o Espiritismo deve andar ao lado da ciência, mesmo que a ciência valorize apenas os aspectos materiais, sem descortinar a verdade espiritual que está por trás de todos os fenômenos.

Ora, se o Espiritismo segue de certo modo a ciência, respeitando suas descobertas, ele não pode se arvorar igualmente como dono da verdade e, até porque as verdades científicas mudam com o tempo.

Desse modo, lendo sobretudo a REVISTA ESPÍRITA, podemos perceber que muita coisa mudou dos meados do século XIX para os nossos dias em termos de verdade científica.

A Frenologia, citada na REVISTA ESPÍRITA, que no século XX foi completamente descartada pela ciência, era mais materialista que a nova ciência que passou a investigar o cérebro (a neurociência) e na época era ela que pretendia ditar o caminhar da evolução do que chamava “raça”.

No tempo de Kardec, o que predominava, segundo os conceitos dessa ciência e da antropologia, é o conceito de raças humanas, que hoje não é mais concebível no meio científico, sendo substituído pelo conceito de etnia, que considera sobretudo os valores culturais de cada povo.

Ao afirmar que o Espiritismo jamais será ultrapassado, conforme a citação da GÊNESE, Allan Kardec queria dizer que a doutrina sempre estará disposta a se amoldar às novas verdades ou às novas descobertas.

Logo, o que o autor escreveu sobre a perfectibilidade da raça negra, no momento atual, tem que ser reinterpretado à luz do caminhar progressivo do conhecimento humano, embora Kardec estivesse mais interessado na evolução espiritual do que na evolução biológica.

  André Luiz, um século após Kardec, deu luz a vários conceitos que ainda não se mostravam tão claros no Espiritismo quando examinados à luz da ciência atual.

Falando do tema “aborígenes do México”, Kardec ratifica o que pensa a doutrina até hoje nos seus princípios filosóficos.

A filosofia é mais abrangente que a ciência e é a filosofia espírita que dá sustentação à doutrina.

Embora o Espiritismo seja declaradamente contra a violência, temos que reconhecer que o caminho da evolução, que a humanidade escolheu, não dispensa os conflitos e a guerra e em muitos casos, nem mesmo o extermínio.

Desse modo, não é difícil concluir que os temas científicos tratados na REVISTA ESPÍRITA devam ser interpretados à luz dos princípios filosóficos do Espiritismo.