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terça-feira, 10 de março de 2026

CRIANÇAS NO PLANO ESPIRITUAL ; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

Estima a ONU que seis mil crianças morrem diariamente na Terra, a maioria por causas derivadas da precariedade do saneamento ambiental (falta de água, saneamento básico, fome). A esses sintomas nascidos na visão imediatista dos políticos, em sua maioria sem maiores comprometimentos com o povo pelo qual deveria trabalhar, deve-se acrescer, segundo autoridade espiritual o “infanticídio inconsciente e indireto largamente praticado no mundo, havendo mulheres cujo coração ainda se encontra em plena sombra, mais fêmeas que mães, obcecadas pela ideia do prazer e da posse. De um ângulo mais abrangente, Allan Kardec ouviu daqueles que o auxiliaram na elaboração d’ O LIVRO DOS ESPIRITOS, questão 199, que “a duração da vida de uma criança pode ser, para o seu Espírito, o complemento de uma vida interrompida antes do termo devido, e sua morte é frequentemente uma prova ou uma expiação para os pais”. A propósito, comentário sobre a dor de pais diante dessas perdas inesperadas, no livro AÇÃO E REAÇÃO, encontramos que “as entidades que necessitam de tais lutas expiatórias, são encaminhadas aos corações que se acumpliciaram com elas em delitos lamentáveis, no pretérito distante ou recente, ou, ainda, aos pais que faliram junto dos filhos, em outras épocas, a fim de que aprendam na saudade cruel e na angústia inominável o respeito e o devotamento, a honorabilidade e o carinho que todos devemos na Terra ao instituto da família”. O que acontece, porém com esses Espíritos, em sua maioria, praticamente expulsos da vida física recentemente iniciada? “- Antigamente, na Terra, conforme a teologia clássica, supúnhamos que os inocentes, depois da morte, permaneciam recolhidos ao descanso do limbo, sem a glória do Céu e sem o tormento do inferno e, com as novas concepções do Espiritualismo, acreditávamos que o menino reencarnado retomasse, de imediato, a sua personalidade de adulto. Em muitas situações, é o que acontece quando o Espírito já alcançou elevada classe evolutiva”. (...) “Contudo, para a grande maioria das crianças que desencarnam, o caminho não é o mesmo”. Através de Chico Xavier, não só o assunto ganhou conteúdo mais dilatado, como objetivo. Já em NOSSO LAR (feb,1943), encontramos referências a educandário para jovens e crianças. No ENTRE A TERRA E O CÉU (feb,1954), André Luiz ouve explicações sobre o Lar da Bênção,  parte de vasto estabelecimento de assistência e educação, com capacidade para atender  duas mil crianças, distribuídas em grande conjunto de lares abrigando até doze assistidos, quase todos destinados ao retorno à nossa Dimensão para a reintegração no aprendizado que lhes compete”. Um manancial de informações do ponto de vista quantitativo desprende-se das centenas de cartas psicografadas pelo médium nas reuniões públicas de Uberaba, entre os anos 70 e 90. Nelas, muitos elementos para reflexões. Numa das escritas por Moacyr Stella aos pais dos quais se separou aos 32 anos, em consequência de um câncer de cabeça, formado recentemente em Medicina, especialização em pediatria, conta que, ultrapassados os difíceis primeiros tempos após sua desencarnação, integrara-se ao serviço em um berçário, que o prendia a duzentos pequeninos, crianças desterradas do lar em que nasceram. Há, todavia, interessante livro publicado em 1988, assinado por Cláudia Pinheiro Galasse, desencarnada, seis anos antes, aos 18 de idade, em tratamento de recuperação, só em princípios de 1983, conseguiu equilibrar-se à custa de persistente esforço mental. Admitida em 1984, em um dos vários Institutos de apoio à infância no Além, promovida a professora em 1985. No livro intitulado ESCOLA NO ALÉM (ideal,1988), Claudia revela dedicar-se com amigas durante o dia a uma espécie de creche onde as crianças são separadas por faixa etária ( no seu caso, de meses até dois anos), sendo substituídas à noite, por mães desencarnadas. Explica serem as crianças enviadas pela Direção Geral, com instruções e avisos referentes a cada uma, que as abrigadas onde trabalha em sua maioria são de São Paulo, que trabalha com mais de cem, aplicando-se programas educativos recebidos semanalmente de Departamento Superior. Disciplina, horários específicos, passeios e hora de recreio fazem parte dessas atividades. Afirma ainda, entre inúmeras informações, não existir nenhuma desamparada e que muitas mães, durante o repouso físico, são levadas a visitar os filhos já domiciliados no Plano Espiritual .

EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR JOSÉ BENEVIDES CAVALCANTE

 

 “No livro A GÊNESE, OS MILAGRES E AS PREDIÇÕES SEGUNDO O ESPIRITISMO, de Allan Kardec, Capítulo I, Caracteres da Revelação Espírita, lemos: ‘O Espiritismo, caminhando com o progresso, não será jamais ultrapassado porque, se novas descobertas demonstrarem que está em erro sobre um ponto, se uma nova verdade se revelar, ele a aceitará”.  Esse entendimento pode-se aplicar aos artigos da REVISTA ESPÍRITA de abril de 1862, intitulado Frenologia Espiritualista e Espírita –Perfectibilidade da Raça Negra” e da revista de agosto de 1864, Questões e Problemas – Destruição dos Aborígenes do México”?

Esses artigos, escritos respectivamente em 1862 e 1864, foram inseridos por Allan Kardec na REVISTA ESPÍRITA com a finalidade de mostrar, primeiramente, que não existe uma verdade pronta e acabada sobre todas as coisas.

Em segundo lugar, que a ciência é uma fonte confiável de estudo, embora caminhe de conformidade com o progresso do pensamento humano.

Em terceiro lugar, que o Espiritismo deve andar ao lado da ciência, mesmo que a ciência valorize apenas os aspectos materiais, sem descortinar a verdade espiritual que está por trás de todos os fenômenos.

Ora, se o Espiritismo segue de certo modo a ciência, respeitando suas descobertas, ele não pode se arvorar igualmente como dono da verdade e, até porque as verdades científicas mudam com o tempo.

Desse modo, lendo sobretudo a REVISTA ESPÍRITA, podemos perceber que muita coisa mudou dos meados do século XIX para os nossos dias em termos de verdade científica.

A Frenologia, citada na REVISTA ESPÍRITA, que no século XX foi completamente descartada pela ciência, era mais materialista que a nova ciência que passou a investigar o cérebro (a neurociência) e na época era ela que pretendia ditar o caminhar da evolução do que chamava “raça”.

No tempo de Kardec, o que predominava, segundo os conceitos dessa ciência e da antropologia, é o conceito de raças humanas, que hoje não é mais concebível no meio científico, sendo substituído pelo conceito de etnia, que considera sobretudo os valores culturais de cada povo.

Ao afirmar que o Espiritismo jamais será ultrapassado, conforme a citação da GÊNESE, Allan Kardec queria dizer que a doutrina sempre estará disposta a se amoldar às novas verdades ou às novas descobertas.

Logo, o que o autor escreveu sobre a perfectibilidade da raça negra, no momento atual, tem que ser reinterpretado à luz do caminhar progressivo do conhecimento humano, embora Kardec estivesse mais interessado na evolução espiritual do que na evolução biológica.

  André Luiz, um século após Kardec, deu luz a vários conceitos que ainda não se mostravam tão claros no Espiritismo quando examinados à luz da ciência atual.

Falando do tema “aborígenes do México”, Kardec ratifica o que pensa a doutrina até hoje nos seus princípios filosóficos.

A filosofia é mais abrangente que a ciência e é a filosofia espírita que dá sustentação à doutrina.

Embora o Espiritismo seja declaradamente contra a violência, temos que reconhecer que o caminho da evolução, que a humanidade escolheu, não dispensa os conflitos e a guerra e em muitos casos, nem mesmo o extermínio.

Desse modo, não é difícil concluir que os temas científicos tratados na REVISTA ESPÍRITA devam ser interpretados à luz dos princípios filosóficos do Espiritismo.

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