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quarta-feira, 6 de março de 2024

QUEM FOI JESUS GONÇALVES? EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 

Certo que a natureza não dá saltos, mas para quem já, aos 27 anos tinha acabado de se tornar viúvo com quatro filhos pequenos, ouvir o diagnóstico que estava com lepra e destinado ao isolamento numa das Colônias existentes no Brasil dos anos 30, era motivo mais que suficiente para não crer em Deus. Pois foi essa a reação de Jésus Gonçalves. Não fosse por um jovem pesquisador e escritor, Eduardo Carvalho Monteiro, talvez nem soubéssemos de sua existência, terminada em 1947, aos 45 anos. Integrando um grupo que, em nome da caridade, iniciou trabalho de assistência no Hospital-Colônia de Pirapitingui, nas imediações de Itu (SP), Eduardo impressionou-se ao encontrar um marco da presença de Jésus naquela instituição: a Sociedade Espírita Santo Agostinho, por ele idealizada e fundada, dois anos antes de morrer. Próximo de Chico Xavier, tomou conhecimento também que Jésus – poeta que tivera seus trabalhos publicados na obra FLORES DE OUTONO (lake) -, desde sua morte, havia psicografado vários poemas e trovas através dele, distribuídos em inúmeros livros do médium. Idealista empolgado, Eduardo partiu para minuciosa pesquisa que resultou em 1980, na obra A ESTRAORDINÁRIA VIDA DE JÉSUS GONÇALVES (correio fraterno) e, 1998, no JÉSUS GONÇALVES, O POETA DAS CHAGAS REDENTORAS (eme). No primeiro, demonstrando grande inspiração, Eduardo encadeia fatos históricos e revelações espirituais, mostrando que o desventurado Jésus de hoje, percorria, na verdade, o caminho de sua libertação de grandes equívocos do passado, onde, ostentando o poder, transformou a própria ambição no tormento de milhares de pessoas, não apenas numa, mas, por várias encarnações Em fevereiro de 1947, no dia 16, por volta das onze da manhã, retorna ao Mundo Espiritual. O médium Chico Xavier não o conheceu pessoalmente, a não ser por correspondência, em que afirmou, muitas vezes, que, “ao partir da Terra, pretendia ir vê-lo em Espírito”. Na última carta recebida, havia uma foto, na qual aparecia com algumas alterações na face e numa das pernas. Semanas passaram sem novas notícias - conforme relatado na obra NO MUNDO DE CHICO XAVIER (ide) -, até que “numa noite do mês de março de 1947, chegaram a Pedro Leopoldo, Francisco de Paula Cardoso, de Santa Cruz do Rio Pardo (SP) e o Doutor Raul Soares, de São Manoel (SP). Era uma terça-feira, dia que não tínhamos tarefa no Centro Espírita Luiz Gonzaga. Junto aos amigos, fomos à sede do grupo, a fim de orarmos juntos. Sentei-me entre os dois, o Doutor Raul fez a prece e, daí a minutos, Emmanuel comunicava-se conosco. Terminada a manifestação, me achando em profunda concentração mental, vi a porta de entrada iluminar-se de suave clarão. Um homem-espírito apareceu aos meus olhos, mas em condições admiráveis. Além da aura de brilho pálido que o circundava, trazia luz não ofuscante, mas clara e bela, a envolver-lhe certa parte do rosto e da cabeça, ao mesmo tempo em que uma das pernas surgia vestida igualmente de luz. Profunda simpatia me ligou o coração à entidade que nos buscava, assim de improviso, e indaguei, mentalmente, se eu podia saber de quem se tratava. O visitante aproximou-se mais de mim, dizendo: “- Chico, eu sou Jésus Gonçalves! Cumpro a minha promessa... Vim ver você!” As lágrimas me subiram do coração aos olhos. Percebi que o inolvidável amigo mostrava mais intensa luz nas regiões em que a moléstia mais o supliciara no corpo físico, e quis dizer-lhe algo de minha admiração e alegria. Entretanto, não pude articular palavra alguma, nem mesmo em pensamento. Ele, porém, continuou: “- Se possível, Chico, quero escrever por você, dar minhas notícias aos irmãos que deixei à distância e agradecer a Deus as dádivas que tenho recebido”. A custo, perguntei, ainda mentalmente, o que pretendia escrever, querendo, de minha parte, falar alguma coisa, porque ignorava que ele houvesse desencarnado e não conseguia esconder meu jubiloso espanto. Ele abraçou-me. Em seguida, colocando-se no meio da pequena sala recitou um poema que eu ouvia, mas não guardava na memória. Ao terminar, pareceu-me mais belo, mais brilhante. Notando a preocupação dos irmãos encarnados presentes ante o pranto que não conseguia conter, indaguei se tinham notícias da morte do companheiro, que, confirmando seu desconhecimento, sugeriram que tomasse o lápis e Jesus debruçando-se sobre meu braço, escreveu em lagrimas os versos que recitara para mim, momentos antes: “- PALAVRAS DO COMPANHEIRO (aos meus irmãos de Pirapitingui) – Irmãos, cheguei contente ao Novo Dia / E ainda em pleno assombro de estrangeiro, / Jubiloso, saltei de meu veleiro / No porto da Verdade e da Harmonia. / Bendizei, com Jesus, a dor sombria / Na romagem de pranto e cativeiro,/ Nele achareis o Doce Companheiro / Para as rudes tormentas da agonia... / Não desdenheis a chaga que depura, / Nossas horas de amarga desventura / São dádivas da Lei que nos governa!... / As escuras feridas torturantes / São adornos nas vestes deslumbrantes / Que envergamos ao sol da Vida Eterna ! / Ave, maravilhosa madrugada / Que desdobras a luz no céu aberto / Além das trevas, longe do deserto / Onde a esperança geme incontentada! / Salve, resplandecente e excelsa estrada / Sobre o mundo brumoso , estranho e incerto / Que acolhe, em paz, o espírito liberto / Na vastidão da abóboda estrelada / Oh! Meu Jesus, que fiz na noite densa, / Por merecer tamanha recompensa / Se confundido e fraco me demoro?! / Recebe, ante a visão do Espaço Eleito, / A alegria que vaza de meu peito / Nas venturosas lágrimas que choro....”



Este foi um comentário, que um dos integrantes de nosso grupo de estudos, fez dias atrás: “Ouvi dizer que as crianças que morrem cedo são Espíritos que se suicidaram na vida anterior e que, agora, eles voltam apenas para cumprir alguns anos que deixaram de viver. Isso é verdade?


Devemos tomar muito cuidado para não generalizar as coisas. As coisas não ocorrem com tanta simplicidade, mas, evidentemente, o fato de um Espírito ter tirado a própria vida pode ser uma causa. Há inúmeras outras causas que podem determinar que um Espírito desencarne ainda criança. É claro que pode haver algum caso que se enquadre nisso que você citou; o livro ENTRE A TERRA E O CÉU conta a história do menino Julio, que desencarnou criança e que, em encarnação anterior, havia cometido suicídio. Entretanto, a maioria dos casos não se trata disso.


A desencarnação precoce, como dissemos, pode ter várias causas. Pode ser explicada, por exemplo, como necessidade do Espírito, que precisa ter mais experiências de infância. Como sabemos, a infância é um período fértil de estímulo e aprendizado. Toda vez que o Espírito passa pela infância, ele tem uma oportunidade de receber com mais facilidade as influências do meio em que vive, principalmente dos pais que, nesse período, são os principais agentes de educação. Em razão disso, é possível que o Espírito tenha escolhido essa curta experiência, apenas para experimentar novamente a ação dos pais.


Se olharmos para o passado remoto da humanidade, nos períodos que antecederam nosso século vamos encontrar um número considerável de óbito na infância. Até mesmo, na primeira metade do século XX, a mortalidade na infância era muito comum. As condições da humanidade ainda eram precárias em relação à saúde, até por causa da miséria e da falta de saneamento básico na maioria das cidades, o que vem sendo resolvido paulatinamente apenas e tão somente nas últimas décadas.


Nesses períodos, em que o número de morte na infância era considerável, as oportunidades dos Espíritos eram limitadas às condições de vida no planeta. No entanto, a morte prematura sempre servia de experiência para maior número de encarnações, uma vez que desencarnando em tenra idade, o Espírito tem mais chance de voltar a encarnar mais depressa. Entretanto, com o desenvolvimento das cidades e as condições mais adequadas à saúde, hoje temos uma taxa decrescente de mortalidade infantil na maior parte dos paises.


Desse modo, devemos analisar cada caso em particular. Ainda existem milhares de crianças no mundo que morrem de subnutrição, vítimas da AIDS ou de doenças epidêmicas que assolam os países pobres. Nesses casos de desencarnação em massa, é possível que as causas espirituais para a morte precoce sejam diferentes das mortes que ocorrem, por exemplo, num país desenvolvido. Entretanto, o fato de uma pessoa se suicidar pode ser uma das causas pelas quais esse Espírito deve retornar para uma existência mais curta, até porque ele traz lesões no perispírito, que vão comprometer a saúde do corpo.

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