Vários foram os líderes que
surgiram e se projetaram no cenário do Movimento Espírita por influência de Chico
Xavier. Um deles, convertido pela dor da perda de um ente muito
querido, exerceu importante papel na região de Campos (RJ), fundando e
dirigindo uma instituição modelo na área social especialmente na formação e
encaminhamento da infância. Seu nome: Clovis Tavares, autor, entre outros,
de TRINTA ANOS COM CHICO XAVIER (cec).
Contando sobre suas experiências com o incomparável médium mineiro lembra:. “Foram
sem conta as lições, as benesses, as profundas experiências espirituais a mim
concedidas, misericordiosa e ininterruptamente, na querida escola evangélica de
Pedro Leopoldo. Considerando os limites destas singelas memórias, vou
respingando, aqui e ali, de meus queridos arquivos ou de meus rascunhos de
viagem, o trigo bom e farto das bênçãos do Alto. São lembretes, são mensagens,
são observações, são advertências, são carinhos — tudo testificando a inefável
bondade de Deus. Em julho de 1948, como sempre o fazia nas férias, pus-me a
caminho de Pedro Leopoldo. Saí de Campos, na manhã do dia 14, no velho e moroso
trem da Leopoldina. Durante a viagem, recordo-me bem, meu pensamento se fixou
intensamente na personalidade de Santos Dumont: sua vida, suas dedicações, sua
morte dolorosa. Relembrava as páginas de Gondin da Fonseca, depoimentos sobre
seus trabalhos aeronáuticos, observações do seu ‘Dans L’Air”. Mentalmente
recapitulava episódios da vida do Pai da Aviação: a infância extraordinária, o
balãozinho Brasil, o 14-Bis... Cabangu, Saint-Cloud, Guarujá. . . E meditava,
outrossim, na confortadora notícia que o Chico me dera, dois anos antes, de que
Santos Dumont, desde 1936, era um dos mais devotados Amigos Espirituais de
nossa Escola Jesus Cristo. Seis dias depois, na noite de 20 de julho, numa
reunião íntima com nosso Chico, em recordando a data natalícia do genial
brasileiro, pedi aos companheiros do nosso pequeno grupo permissão para
formular uma prece em memória do Benfeitor Espiritual. O querido médium,
havendo percebido a presença de Alberto Santos Dumont em nosso círculo íntimo,
transmite-me suas palavras de carinho e também uma notícia que me provocou
profundo impacto emocional, pois eu guardara, natural e modestamente, completo
silêncio sobre minhas cogitações durante a viagem Campos-Rio. Revela-me, então,
o Chico que Santos Dumont lhe estava dizendo que muito se sensibilizara com
minhas lembranças de sua pessoa, durante a referida viagem e, comovido, me
agradecia as recordações afetuosas, desejando escrever uma página destinada ao
nosso pequeno grupo. E assim o fez. A mensagem do Pai da Aviação, farta de
profundos conceitos, foi inicialmente publicada no jornal campista “A CIDADE”
e, mais tarde no livro TEMPO E AMOR (ide). Diz ela: “Amigos,
Deus vos recompense. A lembrança da prece me comove as fibras mais intimas. O
Espírito liberto esquece o homem prisioneiro. A alvorada entende a sombra.
Tenho hoje dificuldades para compreender a luta que passou e, não fosse a
responsabilidade que me enlaça ainda ao campo humano, em vista das aflições que
me povoaram as últimas vigílias na carne, preferiria que as vossas recordações,
ainda mesmo carinhosas e doces, muito me envolvessem o nome de lutador
insignificante. Descobrir caminhos foi a obsessão do meu pensamento. Reconheço
hoje, porém, que outra deve ser a vocação da altura. Dominar continentes e
subjugar povos, através dos ares, será, talvez, extensão de domínio da
inteligência perversa que se distancia de Deus. Facilitar comunicações às
criaturas que ainda não se entendem, possivelmente será acentuar os processos
de ataque e morte, de surpresa, nas aventuras da guerra. Dolorosa é a situação
do missionário da ciência que se vê confundido nos ideais superiores.
Atormentada vive a cultura que não alcançou o cerne sublime da vida. Terei
errado, buscando rotas diferentes? Certo, não. O mundo e os homens aprenderão
sempre. A evolução é fatal. Todavia, recolhido presentemente à humildade de mim
mesmo, procuro caminhos mais altos e estradas desconhecidas, no aprendizado do
roteiro para o Cristo, Senhor de nossas vidas. Não há vôo mais divino que o da
alma. Não existe mundo mais nobre a conquistar. além do que se localiza na
própria consciência, quando deliberamos converter-nos ao Bem supremo. Sejamos
descobridores de nós mesmos. Alcemos corações e pensamentos ao Cristo.
Aprimoremo-nos para refletir a vontade soberana e divina do Alto por onde
passarmos. Crescimento sem Deus é curso preparatório da queda espetacular.
Humilharmo-nos para servir em nome Dele é o caminho da verdadeira glória. De
qualquer modo, agradeço-vos. O trabalhador que repara as possibilidades para
ser mais util jamais se esquecerá de endereçar reconhecimento às flores que lhe
desabrocham na senda. Crede! Não passo de servidor pequenino. Que o Senhor nos
enriqueça com Sua divina bênção”. Alberto
Santos Dummont
EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR JOSÉ BENEVIDES CAVALCANTE
Vi notícias que diziam que o menino baleado na
cabeça, no Rio de Janeiro, se recuperou e que duas senhoras cegas receberam um
tratamento e voltaram a enxergar. Se esses problemas acontecessem 30 ou 40 anos
atrás, essas pessoas não se recuperariam. Quero saber como o Espiritismo pode
explicar essas situações, tendo em vista a lei de causa e efeito.
As ações humanas não
modificam a lei natural. Considerando que cada um vai responder pelos seus
erros, tudo que lhe acontecer estará de conformidade com a lei.
Se hoje temos melhores condições de atender aos doentes,
porque a ciência progrediu, certamente as consequências do passado podem ser
atenuadas pela ação humana.
É o que chamamos de “misericórdia divina”. Num passado bem
distante, quando um Espírito reencarnava com débitos do passado, ele tinha que
enfrentar situações bem piores que as de hoje.
No entanto, se esse Espírito tiver o mérito de reencarnar bem
depois, talvez conte com o amparo da ciência para atenuar seu sofrimento,
porque a ciência sempre progride e a medicina passa a ter novos recursos.
Com isso, o Espírito não deixa de responder pelos seus erros,
mas o fará de uma forma mais serena (talvez mais demorada), justamente por
conta da misericórdia divina, apoiada nas conquistas da medicina.
Desse modo, uma cura espetacular, como a do menino baleado e
das senhoras cegas, contribuirão para o avanço desses Espíritos, de uma forma
mais atenuada, mas sem deixar de cumprir a lei.
Lembremos Jesus, “se
vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus” ( Jesus está se
referindo à lei de talião – olho por olho, dente por dente) não entrareis no Reino dos Céus.
Quando Jesus assim falava, estava se referindo à misericórdia
de Deus, que não existia na Lei de Talião, mas que ele proclamou, porque faz
parte do processo de evolução dos Espíritos.
Não é cristão, portanto, agir com uma justiça dura e implacável
contra aqueles que erram, mas, na medida do possível, usar de misericórdia para
com eles, como Jesus costumava fazer.
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