-(....) Você teve quatro enfartes ? “- Dois. Tive foram quatro operações, com hemorragias inacreditáveis. Uma de úlcera. Outra de aneurisma abdominal...” – Ficou em estado de coma?.. “- Fiquei em coma perto de quinze dias. Uma experiência terrível. Lembro que eram pessoas que já haviam morrido. Parentes mortos, estou vendo, eles se assentam no canto do quarto, e ficam me olhando...Ouvi o Lacerda fazendo discurso. Ouvi-o falando. Ele estava morto. Muita gente que morrera apareceu no quarto. Era um quarto de um sofrimento incrível. Eu sofri barbaramente.” – E quando voltou a si, que sensação? “-Espanto, surpresa, clarividência. Eu enxergava mais que normalmente. Porque eu estava do outro lado. Eu estava muito mais pra lá do que pra cá...” Este é um fragmento de entrevista feita pelo jornalista e cronista Lourenço Diaféria para a seção que assinava no suplemento Folhetim do jornal Folha de São Paulo, edição de 5 de agosto de 1979. O entrevistado, ninguém menos que o grande escritor e dramaturgo Nelson Rodrigues, alguns meses antes de morrer. Sua transcrição objetiva demonstrar, no período em que esteve em coma, sua lucidez diante dos fatos que o cercavam onde se encontrava hospitalizado. A propósito, o resultado de pesquisas levadas a efeito e tornadas públicas nos Estados Unidos da América do Norte, a partir dos anos 70, pelos médicos Raymond Moody Junior e Elizabeth Kubler Ross, no campo de investigações que se tornaria conhecido como EQM (Experiências de Quase Morte) com pessoas que, por determinantes diferentes - inclusive comas prolongados -, relatam, em muitos casos, terem atravessado tais transes lúcidas, embora inconscientes fisicamente. Se considerarmos que o estado de coma, sob determinado aspecto, corresponde a certa imobilização do corpo determinada pela manifestação de desarranjos ou avarias havidas em componentes ou sistemas integrantes da máquina física, ocorre-nos uma dúvida: se o Espírito jamais está inativo (questão 401, O LIVRO DOS ESPÍRITOS), durante os processos comatosos, onde se encontra o corpo espiritual? Na obra EVOLUÇÃO EM DOIS MUNDOS (feb), André Luiz através do médium Chico Xavier, disse que “ seu aprisionamento ou a parcial liberação do arcabouço físico, depende da situação mental do enfermo”. Posteriormente, o orientador espiritual Emmanuel, no livro PLANTÃO DE RESPOSTAS (ceu), perguntado sobre o que se passa com os espíritos encarnados cujos corpos ficam meses, até mesmo anos, no estado vegetativo do coma, respondeu que “seu estado será de acordo com sua situação mental, havendo casos em que o Espírito permanece como aprisionado ao corpo, dele não se afastando até que permita receber auxílio dos Benfeitores Espirituais”. Esses, avalia, “são pessoas, em geral, muito apegadas à vida material e que não se conformam com a situação”. “Em outros casos’, diz ele, ‘os Espíritos, apesar de manterem uma ligação com o corpo físico, por intermédio do períspirito, dispõem de uma relativa liberdade”. Salienta que “em muitas ocasiões, pessoas saídas do coma descrevem as paisagens e os contatos com seres que já os precederam na passagem para a Vida Espiritual. É comum que após essas experiências elas passem a ver a vida com novos olhos, reavaliando seus valores íntimos”. Corresponde à informação contida no depoimento de Nelson Rodrigues. Concluindo sua resposta, Emmanuel afirma: “- Em qualquer das circunstâncias, o Plano Espiritual sempre estende seus esforços na tentativa de auxílio. Daí a importância da prece, do equilíbrio, da palavra amiga e fraterna, da transmissão de paz, das conversações edificantes para que haja maiores condições ao trabalho do Bem que se direciona, nessas horas, tanto ao enfermo como aos encarnados, familiares e médicos”. Buscando elementos para nossas reflexões, acompanhemos sintetizadamente, o depoimento de uma testemunha da etapa comatosa precedente ao processo de falecimento de um ângulo quase somente acessível para experimentados médiuns videntes. Diz o narrador: “Chegamos à residência do enfermo, cujo estado era gravíssimo. Alguns amigos desencarnados velavam, atentos”. Avaliando a situação o especialista designado para promover a liberação espiritual disse: “Ele permanece agora sob agitações psíquicas muito forte. Conhece o fim próximo do aparelho carnal, mas não pode esquivar-se, de súbito, às algemas domésticas. Teme o futuro dos seus, conserva-se em total descontrole dos nervos e enlaça-se nas emissões de inquietude da esposa e dos filhos”. Após alguns outros registros, nosso comentarista prossegue: “- O transe era, sem duvida, melindroso. A esposa, ao pé dele, não obstante prolongadas vigílias e sacrifícios estafantes, que a expressão fisionômica denunciava, mantinha-se firme a seu lado, olhos vermelhos de chorar, emitindo forças de retenção amorosa que prendiam o moribundo em vasto emaranhado de fios cinzentos, dando-nos a impressão de peixe encarcerado em rede caprichosa”. Apontando-a, o técnico acompanhado, explicou: “Nossa pobre amiga é o primeiro empecilho a remover. Improvisemos temporária melhora para o agonizante, a fim de sossegar-lhe a mente aflita. Somente depois de semelhante medida conseguiremos retirá-lo, sem maior impedimento. As correntes de força, exteriorizadas por ela, infundem vida aparente aos centros de energia vital, já em adiantado processo de desintegração”. Orientando a dois assistentes que se mantivessem ao lado da senhora modificando-lhe as vibrações mentais através da influenciação, o especialista manteve as mãos coladas ao cérebro do doente, propiciando-lhe a renovação das forças gerais, aplicando-lhe passes longitudinais, desfazendo os fios magnéticos que se entrecruzavam sobre o corpo abatido. Analisando o moribundo em condição privilegiada, nosso observador reparou que o mesmo se encontrava já em dolorosas condições. Médico que fora na nossa dimensão, após fazer uma avaliação da falência progressiva do organismo físico, disse que o que mais o impressionou, porém, “era a movimentação da fauna microscópica. Corpúsculos das mais variadas espécies nadavam nos líquidos acumulados no ventre, concentrando-se particularmente no ângulo hepático, como a buscarem alguma coisa, com avidez, nas vizinhanças da vesícula”. O dirigente das atividades que ali se realizavam asseverou ser preciso fornecer ao enfermo melhoras fictícias, tranquilizando-lhe os parentes aflitos, já que o quarto estava repleto de substâncias mentais torturantes. Exercendo sobre ele intensiva atuação magnética, infundiu-lhe sensação de calma, levando-o a respirar em ritmo quase normal, abrir, por fim os olhos e exclamar: “Graças a Deus! Louvado seja Deus!”. Seguiu-se animador diálogo entre pai, filhos e esposa, que aliviados, solicitaram a presença do médico encarnado que o assistia, o qual, por sua vez, estranhou a surpreendente melhora, contrariando prognósticos que sugeriam ser a morte questão de horas. Recomendou repouso absoluto ao doente, sugerindo deixa-lo só para que tivesse sono reparador. Não sabia que, ao fazê-lo, atendia a sugestões dos trabalhadores desencarnados, a fim de que tivessem melhores condições de executar o serviço pelo qual aquela equipe se mobilizara até ali. Esse conteúdo que prossegue rico de informações, faz parte do capítulo 13, d’ OBREIROS DA VIDA ETERNA (feb), quarto livro da série escrita por André Luiz, através de Chico Xavier.
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sábado, 7 de julho de 2012
quinta-feira, 5 de julho de 2012
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“Creio que nesta sala ninguém poderá compreender o que seja a longa tortura dos navegantes do ar. O que se sofre na expectativa da queda do veículo que nos serve à condução é indescritível. O que será? Como será? Ninguém sabe. A máquina sob a orientação do piloto, baila na atmosfera agressiva, e dentro dela somos pigmeus suplicando um socorro que sabemos não se faz possível”. Esta ponderação/comentário é feita pelo empresário Celso Maeda na extensa carta que escreveu em reunião publica aos familiares, através do médium Chico Xavier, pouco mais de cinco meses após o acidente aéreo - causado por inesperado fenômeno atmosférico - de que foi vitima juntamente com seu irmão, o piloto e o co-piloto da aeronave em que voavam de Itumbiara (Go) para o sul do País, no dia 18 de agosto de 1992. Diretores de importante grupo mundial ligado ao setor algodoeiro deslocavam-se a negócios, quando no espaço aéreo de Santa Catarina, na altura da cidade de Navegantes, acabaram tendo um "desvio" de rota, pois, com certeza, concluíam dessa forma sua passagem por nossa Dimensão. Em sua mensagem aos entes queridos - admitida por eles como autêntica -, confirma sua sobrevivência em outra Dimensão de Vida, revivendo detalhes de seus últimos momentos em nossa Dimensão: “-Viajávamos tranquilos sob a perícia do nosso amigo Hélio, quando nos aproximamos mais propriamente do Sul. Começou, porém, uma ventania fantástica que nos movimentava no ar, qual se fôssemos crianças desajeitadas à frente de um perigo. Francisco, meu irmão, olhava para mim ansiosamente. Para trás haviam ficado nossos pais, nossas esposas e nossos filhos... Aqueles olhares de meu irmão gelavam minh’alma. O que fazer, não sabiamos. Telepaticamente, nos entendemos que a oração aprendida em nossa casa era o derradeiro recurso, enquanto o avião parecia um gigante pensante a fazer reviravoltas que nos apavoravam. O Hélio nos pedia calma. Entretanto, de que modo resguardar a própria serenidade se a saudade dos momentos queridos começou a fustigar-nos, obrigando-nos a pensar no pior que nos poderia acontecer?”. Importante se observar que o nome do piloto não havia sido citado ao médium que, antes de psicografar a carta, o desconhecia. Percebe-se também no conteúdo da narrativa de Celso, as tumultuadas emoções que se apoderaram dos ocupantes da aeronave. Prosseguindo, diz: “- Meu Deus, haverá suplício maior para as criaturas da Terra? Não Sei. Estávamos à mercê dos acontecimentos que o furacão nos impunha. O piloto e o companheiro que o assessorava estavam pálidos, agravando-nos as dúvidas e o desconforto de que nos sentíamos possuídos. Debalde procurávamos alguma nesga de céu azul. Achávamo-nos como que trancados por dentro de uma nuvem que parecia guardar o vento furioso que não encontrava uma saída a fim de expandir-se. Instantes de pavorosa angústia exerceram sobre a nossa ansiedade quando o Hélio fez um sinal para o aeroporto mais próximo. Pedíamos pouso, no entanto, debalde a máquina se inclinou para baixo, como se procurasse conscientemente algum lugar para agasalhar-nos. O meu coração batia apressado. Você, querida Silvia, e nossas crianças, nossos queridos Milton, Marcelo e a irmãzinha pareciam vivos dentro de mim. Eu daria tudo o que possuíamos na vida material para que o avião pudesse encontrar o apoio desejado. Nossas esperanças, porém, foram frustradas. A aterrisagem não se fazia possível. O aeroporto de Curitiba não tinha condições para receber-nos. Devíamos buscar algum processo de arremeter-nos de novo, para cima, o que foi feito com muita segurança dentro de nossa própria insegurança, por nosso Hélio que tentou a manobra ante a impossibilidade de pousar. Subimos céus acima ou tentamos subir... Não era fácil raciocinar ante o perigo maior que se aproximava. Tentou-se a elevação da ma´quina, mas o vento prosseguia implacável qual se fosse um conjunto de forças maléficas interessadas em derrubar-nos. Meu irmão devia estar pensando no mesmo angustiso problema que principiava a suforcar-nos. Havíamos trabalhado tanto para erguer um edifício econômico que nos assegurasse a paz no futuro, no entanto, a ventania nos furtava qualquer possibilidade de escape. Vendo o sofrimento no rosto de nosso Hélio que tudo fazia para salvar-nos, confesso à mãezinha Delfina e à querida Silvia, que chorei prevendo a queda próxima. O ciclone prosseguia avançando sobre nós, até que depois do esforço supremo do piloto e do companheiro, tendo conseguido voar até pequena distância, vimos o mar que se nos afigurava um outro inimigo a vigiar-nos. Um sopro de esperança nos aqueceu por dentro, durante alguns instantes e o piloto julgou que a praia nos ofereceria refúgio, mas ao invés de descer, caímos sobre as águas...Por dentro éramos a aflição de quem não eximia-se da morte compulsória e por fora de nós vimos claramente que um enorme banco de areia nos aguardava, asfixiando-nos a todos. Sei apenas que pude endereçar uma prece ansiosa, implorando a proteção de Deus e de nossos Maiores e mais nada”. Já tivemos a oportunidade de citar em outra abordagem, observação feita em cartas recebidas mediunicamente por Chico Xavier, segundo a qual, acontecimentos imprevisíveis na Terra, estão marcados para acontecer no Plano Espiritual, bem como a resposta (questão 160) obtida por Allan Kardec junto às Entidades que o auxiliaram a compor O LIVRO DOS ESPÍRITOS dando conta que familiares ou amigos espirituais, por ocasião do temido fenômeno chamado morte, nos prestam assistência junto aos técnicos especializados designados para as operações comuns nos processos de desligamento corpo espiritual / corpo físico. Esta a confirmação que Celso Maeda nos dá na sequência de seu depoimento: “- A água marinha encharcada de areia penetrava-nos os pulmões e quando me vi totalmente esmagado, nada sabendo de meu irmão e dos companheiros que nos guardavam a viagem, no auge do meu desespero íntimo, vi que uma senhora caminhava naturalmente sobre as águas e, ao abraçar-me, solicitou-me concentrar na fé em Deus e me disse: “- Meu filho, você está conosco. Sou a sua avó Ai, que venho retirá-lo da areia. Seu avô Tsunezaemon retirará seu irmão. Haverá socorro para vocês todos. O piloto e o co-piloto serão resguardados”. Depois de pronunciar estas palavras, aquela mulher que me parecia tão frágil me carregou nos braços, colocando-me em terra firme. Francisco chegou depois ao mesmo local em companhia do avô. Os dois companheiros da orientação estavam amparados por parentes que não cheguei a conhecer. Em seguida, conduzidos nos braços dos queridos avós, não sei ainda por quais processos, fomos transportados por outro avião mais complexo até um abrigo hospitalar que nos recebeu com espírito de inesperada beneficência, onde estamos até hoje em reajustamento, mas com a possibilidade de visitar as nossas famílias e confortar nossos entes amados”. A carta, inserida no livro DÁDIVAS ESPIRITUAIS (ide), oferece outras importantes informações, dados e nomes do conhecimento dos familiares, levando-nos a pensar: teria sido tudo imaginado por Chico Xavier?
terça-feira, 3 de julho de 2012
Sono e Sonhos - Uma Visão Original
Três situações: PRIMEIRA - Quarto confortável, onde dormia um homem idoso fazendo ruído singular. Via-se-lhe, perfeitamente, o corpo espiritual unido à forma física, embora parcialmente desligados entre si. Ao seu lado permanecia uma entidade, trajando vestes absolutamente negras. Notei que o companheiro adormecido permanecia sob impressões de doloroso pavor. Gritos agudos escapavam-lhe da garganta. Sufocava-se, angustiadamente, enquanto a entidade escura fazia gestos que eu não conseguia compreender. Sertório acercou-se de mim e observou: - Vieira está sofrendo um pesadelo cruel. Creio que ele terá atraído até aqui o visitante que o espanta”. SEGUNDA – “Daí a dois minutos, penetrávamos outro apartamento privado; todavia o quadro agora era muito triste e constrangedor. Marcondes estava, de fato, ali mesmo, parcialmente desligado do corpo físico, que descansava com bonita aparência, sob as colchas rendadas. Não se encontrava ele sob impressões de pavor, como acontecia ao primeiro visitado; entretanto revelava a posição de relaxamento, característica dos viciados do ópio. Ao seu lado, três entidades femininas de galhofeira expressão permaneciam em atitude menos edificante. (...) – Ele mesmo nos chamou para a noite de hoje – exclamou a segunda atrevidamente – e não se afastará de modo algum. (...) – Também temos um curso de prazer. Marcondes não se afastará”. TERCEIRA - Madrugada. “Concentrei minha atenção numa dupla feminina que conversava, rente à grade. Certa mulher já desencarnada dizia para a companheira, ainda presa à experiência física, parcialmente liberta nas asas do sono. – Notamos que você ultimamente, anda mais fraca, mais serviçal... Estará desencantada, quanto aos compromissos assumidos? A interpelada explicou um tanto confundida: - Acontece que João (o marido) se filiou a um circulo de preces, o que, de alguma sorte, nos vem alterando a vida. A outra deu um salto à retaguarda, ao modo de um animal surpreendido e gritou: - Orações? Você está cega quanto ao perigo que isso significa? Quem reza cai na mansidão. É necessário espezinhá-lo, torturá-lo, ferí-lo, a fim de que a revolta o mantenha em nosso círculo. Se ganhar piedade, estragar-nos-á o plano, deixando de ser nosso instrumento na fábrica”. Desde que Freud deu um caráter científico ao estudo sobre os sonhos com a publicação, em 1900, do livro INTERPRETAÇÃO DOS SONHOS, avançou-se muito. Jung, seu discípulo rebelde ampliou a visão do Mestre propondo a divisão deles em dois tipos: comuns e arquetípicos, estes revestidos de grande poder revelador para quem sonha. A visão mecanicista da Medicina que entende o corpo apenas como uma máquina também evoluiu bastante, dividindo o sono em cinco estágios, descobrindo no quinto, o Movimento Rápido dos Olhos (REM), que as ondas cerebrais aumentam sua intensidade a nível semelhante ao do estado de vigília, provocando segundo os pesquisadores, o fenômeno chamado sonho. Apurou-se que até os bebes no útero apresentam o tal Movimento Rápido dos Olhos. Descobriu-se também que as células nervosas chamadas neurônios, secretam substâncias químicas chamadas neurotransmissores, identificando-se até agora 70, responsáveis por atividades como a memória, atenção, aprendizagem (acetilcolina); excitação física/mental e bom humor (noradrenalina); modulação da dor, redução de estresse (endorfina); sensação de prazer ( dopamina),entre outras. Meio século antes do pai da Psicanálise começar a se ocupar do tema, Allan Kardec já o fizera nas abordagens com os Espíritos que o auxiliaram a compor a base do Espiritismo, na obra O LIVRO DOS ESPÍRITOS. Dedicou doze perguntas ( 400 a 412) sobre o tema, obtendo respostas muito esclarecedoras para aqueles que não veem no sonho uma atividade meramente fisiológica. Entre elas, que “o Espírito jamais está inativo quando seu corpo repousa; que o sono o liberta parcialmente; que pelo efeito do sono os encarnados estão sempre em relação com o Mundo Espiritual ; que o sono influi mais em nossas vidas que pensamos; que os sonhos são indicadores dessa liberdade; possibilitando lembranças do passado e, às vezes, a previsão do futuro; propiciando contato com outros Espíritos; fixando a lembrança de lugares e coisas relacionadas a acontecimentos remotos ou futuros; permitindo aos maus Espíritos atormentar as almas fracas e pusilamines; não sendo necessário o sono completo e profundo para a emancipação do Espírito, bastando o entorpecimento dos sentidos num simples cochilo; que a atividade do Espírito, durante o repouso ou o sono do corpo, pode fatigar a este, estando o Espírito ligado a ele, como o balão cativo ao poste, abalado pelas sacudidas do balão ante o vento forte”. Racionalizando as informações, Gabriel Dellane dividiu os sonhos em quatro tipos: fisiológico (resultando das necessidades biológicas); psicológico (determinado pelas emoções e preocupações); anímico ( destravando da memória profunda lembranças do passado remoto ou recente) e espiritual (como nos exemplo com que iniciamos esses comentários) . Através de Chico Xavier, Emmanuel explicaria na questão 49 d’O CONSOLADOR (1940,feb), que na maioria das vezes, o sonho constitui atividade reflexa das situações psicológicas do homem no mecanismo das lutas de cada dia, quando as forças orgânicas entregam-se ao repouso necessário. André Luiz (espírito), na obra MISSIONÁRIOS DA LUZ (1945,feb), reproduziu considerações do Instrutor Alexandre explicando que “ o cérebro de carne, pelas injunções da luta a que o Espírito foi chamado a viver, é aparelho de potencial reduzido, dependendo muito da iluminação de seu detentor, no que se refere à fixação de determinadas bênçãos divinas. O arquivo de semelhantes reminiscências, no livro temporário das células cerebrais, é muito diferente nos discípulos entre si, variando de alma para alma”. Alguns estudiosos de nossa Dimensão afirmam que o homem utiliza ínfima porcentagem do próprio cérebro. A maioria nem cinco porcento, um Einstein, talvez dez. Nisso, talvez, a explicação do porque não nos lembrarmos da íntegra dessas vivências, enquanto alguns afirmam não sonhar nunca. Engano, pois a ciência garante que todos os mamíferos sonham, até a girafa que dorme apenas duas horas por noite. Posteriormente, no livro LIBERTAÇÃO, André ouve Gubio considerando que “ a determinadas horas da noite, três quartas partes da população de cada um dos hemisférios da Crosta Terrestre se acham nas zonas de contato conosco (Plano Espiritual) e a maior percentagem desses semi - libertos do corpo, pela influência natural do sono, permanecem detidos nos círculos de baixa vibração (...). Por aqui, muitas vezes se forjam dolorosos dramas que se desenrolam nos campos da carne. Grandes crimes têm nestes sítios as respectivas nascentes”. Há, portanto, muitos elementos para aprofundarmos conhecimentos no campo dos sonhos, considerando o repertório oferecido pelo Espiritismo. A propósito, se você quer saber os desdobramentos das cenas mostradas no início, os encontrará no capítulo 8 de MISSIONÁRIOS DA LUZ e 6 de LIBERTAÇÃO, citados ao longo deste texto
domingo, 1 de julho de 2012
Gente Famosa e a Reencarnação
Discussões à parte, a lógica sugere que a única possível explicação para as diferenças humanas, a problemática social, as tendências inatas demonstradas num mesmo grupo familiar, as deficiências mentais ou físicas, residem na ideia da reencarnação regulada pela Lei de Causa e Efeito, induzindo a individualidade à evolução espiritual, como afirma a Doutrina Espírita. Apesar do pouco espaço nas diferentes mídias, do esfriamento dos centros de estudo que se ocupavam com investigações nessa área, após a morte dos seus dedicados e interessados idealizadores, o fato é que pesquisas realizadas por respeitados institutos de pesquisa pelo mundo, indicam expressiva parcela da sociedade acreditando na reencarnação. Grandes inteligências empenhadas a entender a criatura humana em sua intimidade, deixaram importantes opiniões sobre a questão. O famoso psicanalista Carl Gustav Jung, por exemplo, em seu livro MEMÓRIAS, SONHOS E REFLEXÕES, escreveu que “o inconsciente é antes de tudo uma forma de conhecimento, ficando reprimido pela impossibilidade de adaptar-se aos princípios da lógica fundada nas noções de espaço e tempo, não havendo no plano do inconsciente essa dimensões, tudo se processando simultaneamente no presente, no passado e no futuro”. Entende ele que, “se o processo psíquico pode funcionar fora das noções de tempo e de espaço, essas nossa concepções, e, consequentemente as de casualidade, são incompletas. Acrescenta que um retrato completo do mundo exigiria o acréscimo de mais uma dimensão; só então a totalidade dos fenômenos se explicaria de forma unificada. Tal ordem de coisas precederia e sucederia a vida terrena”. Alguns compositores populares, inseriram em canções consagradas, a ideia da reencarnação. Roberto Carlos, na belíssima letra de O HOMEM, apresentando-nos um dos retratos de Jesus feito através de suas letras, cantou: “- Subiu as montanhas e falou do amor maior/ fez a luz brilhar na escuridão/ o sol nascer em cada coração / que compreendeu que além da vida que se tem / existe uma outra vida além / e assim, o renascer / morrer não é o fim”. Zé Rodrix, da inesquecível CASA NO CAMPO, na letra de COISAS PEQUENAS, sublinhou: “-As outras vidas que nós dois vivemos / foram treinamento e preparação / pr’esses momentos de felicidade”. No mundo do cinema, um dos celebres atores das décadas 50/60, Gleen Ford, passou a crer na reencarnação após ser convencido pelo médico Dr. Maurice Benjamim a ser hipnotizado. Em transe, revelou para surpresa própria duas existências anteriores. Uma das personalidades foi a de um professor de música chamado Charles Stewart, nascido na Escócia, em 1774. Apesar do seu treinamento musical, Stewart não abandonou sua paixão por cavalos que, ao que parece, tem sido uma constante em suas vidas. Embora sem saber tocar piano, Gleen, sob hipnose foi capaz de tocar peças difíceis de Beethoven e Mozart. Recuando mais no tempo, o Dr. Benjamim conseguiu que Ford se recordasse de outra existência, desta vez na França, sob o nome de Launvaux. Era então um parisiense, vivendo ao tempo de Luiz XIV, que reinou de 1643 a 1715. Ao que contou Ford, em transe, Launvaux, que não era grande admirador da aristocracia da época apaixonou-se por uma dama da nobreza. O marido ofendido contratou os serviços de um espadachim famoso para provocar Launvaux e desafiá-lo para um duelo, o que foi feito com grande eficiência. Gleen nasceu na existência atual com uma cicatriz no peito, na altura do coração, no ponto onde teria penetrado a espada do adversário. Detalhe curioso é que Peter, filho de Ford, nasceu com marca idêntica. Assim como toca piano ao recordar-se da vida de Charles Stewart, Gleen Ford fala francês corretamente quando rememorando a existência de Launvaux. Na existência atual, contudo, fala em francês, somente algumas frases corriqueiras. Também na sua existência na França, sua grande paixão eram os cavalos tal como agora, quando fez vários filmes de cow-boy. Outros artistas também mostraram-se convictos sobre suas próprias possíveis encarnações anteriores. Sylvester Stallone, o famoso Rambo, pouco depois de ler sobre a Revolução Francesa, teve certeza de que havia sido guilhotinado pelos jacobinos. Stallone acha que alguns de seus talentos tem a ver com vidas passadas. Relata saber dançar como os índios americanos, por exemplo, a dança da águia, sem tê-la aprendido na vida atual. A atriz Shirley MacLaine também crê ter sido decapitada em existência pregressa e o conhecimento deste fato a fez perder o medo de subir ao palco. Autora do best-seller MINHAS VIDAS, entrou em contato com médiuns da Califórnia, da Suécia e do Peru, obtendo a confirmação através deles dos mesmos fatos. Afirma não ter dúvida nenhuma, ter sido uma prostituta em outra vida, não tendo sido por acaso que interpretou tantos papéis nesta função. Acha ainda que, sua filha Sachi, já foi sua irmã, numa vida, e sua mãe em outra. Lee Curreri, da telessérie “Fama”, no Muro das Lamentações, em Jerusalém, sentiu-se quase certo de que já estivera ali. Audrey Landers, da primeira versão da telessérie “Dallas”, ao sair às compras em Nova Iorque, em busca de antiguidades, deparou com uma caixa de marfim do século 18, quase idêntica à que ela acabara de fabricar – de madeira – para sua mãe. A caixa vinha da França, e Landers sonhava constantemente ter vivido numa cidade francesa, há muito tempo. Yoko Ono falando de sua ligação com John Lennon, comentou: “- Nós dois achamos que nos encontramos previamente em outras vidas e novamente nos encontramos agora”. O famoso herói americano da Segunda Guerra, General George Patton Jr, durante operações militares no norte da África, acompanhado por outro General, Bradley, seguia de jipe por determinada rodovia. Ao aproximarem-se de uma bifurcação do caminho, observando que o motorista começava a entrar pela esquerda, determinou que fosse pela direita, obedecendo, por fim, apesar de insistir que o campo de batalha era mesmo à esquerda. Alcançaram as ruínas de Cartago, onde Patton desceu do veículo, andou de um lado para o outro, explicando então aos acompanhantes surpreendidos: “- Foi aqui. O campo de batalha foi aqui. Os cartagineses que defendiam a cidade foram atacados por três legiões romanas. Eram corajosos mas acabaram sendo massacrados. Mulheres árabes desnudas pelas espadas e lanças. Os soldados jaziam, nus, ao Sol. Dois mil anos atrás. Eu estava aqui. Vocês não acreditam em mim, não é? Sabem o que disse o poeta?, perguntou ao general Bradley, e declamou: ‘- Através dos séculos / No esplendor e na labuta das guerras / Lutei, me empenhei e pereci incontáveis vezes./ Como que, através de um espelho, / vejo a antiga contenda / Lutei com nomes e identidades diversas / Mas sempre era eu mesmo. “- Sabem quem é o poeta?” – perguntou a Bradley, respondendo a seguir: “-Eu!”
sexta-feira, 29 de junho de 2012
Obrigado, Chico !...
Exatamente como gostaria, no dia 30 de junho de 2002, enquanto o povo brasileiro respirava num clima de intensa alegria pela conquista do pentacampeonato mundial de futebol, concluía sua passagem por nossa dimensão Francisco Cândido Xavier, ou melhor, Chico Xavier. Foram 92 anos de dificuldades e lutas pessoais que resultaram na construção de inestimável contribuição para a consolidação e divulgação do Espiritismo. Observando-o por diferentes prismas, iremos recordar a seguir essa figura tão cara aos que direta ou indiretamente tomaram contato com sua história como homem, médium, sua obra, seu orientador espiritual Emmanuel e algumas lições inesquecíveis por ele deixadas para nossas reflexões. O HOMEM - Foi no sábado do outono brasileiro, dois de abril de 1910, que o casal Maria João de Deus e João Cândido Xavier, se alegrou com o nascimento do sexto dos nove filhos resultantes de sua união: Francisco Cândido Xavier. A vida, porém, começaria a marcar desde cedo a história do pequeno Chico, pois, aos 5 anos vê sua mãe partir(na verdade levada pela morte), prevenindo-o horas antes que não acreditasse quando dissessem que ela não voltaria ; foi em seguida entregue aos cuidados de uma madrinha que lhe imporia dura disciplina de trabalho, severos castigos físicos diários, chegando a usá-lo para lamber por três sextas- feiras uma ferida da perna do próprio filho seguindo a prescrição de amiga benzedeira, negando-se a devolvê-lo quando seu pai casou-se novamente e a esposa Cidália Batista estabeleceu como condição para aceitar-lhe o pedido o reagrupamento dos nove filhos dispersos. Encontrou na madrasta, uma segunda mãe e protetora, que, para criar condições para que alguns enteados (inclusive ele) pudessem estudar, organizou uma horta no amplo quintal da casa em que residiam, cujos cuidados dividia com os filhos pequenos de Maria João de Deus. Conseguiu chegar aos 12 anos até o final do antigo quarto anos primário (o qual repetiu),embora a avaliação do seu examinador no final da terceira e quarta série(na época alguém proeminente na cidade era indicado para fazê-lo),o considerasse uma criança de grandes possibilidades intelectuais, inteligência muito lúcida, superior à normal, excelente memória, grande poder de assimilação e presença de espírito, observando apenas que a instrução mantinha-se em nível baixo ,em relação às suas faculdades. Bom que se diga que, nos dois anos referidos, Chico trabalhava das 15 às 24 horas, acumulando a vida de estudante no período da manhã. O menino começara a trabalhar aos 10 de idade na Tecelagem da cidade, por imposição do pai que cogitava sua internação numa instituição para tratamentos mentais pela sua insistência em afirmar ver o que ninguém enxergava, mantendo-se na dura atividade por quatro anos até que o ambiente insalubre e o ritmo além das possibilidades de uma criança começasse a impor prejuízos à sua saúde. Transferiu-se a seguir para o bar do Dove como auxiliar de cozinha, posteriormente, para a venda do senhor José Felizardo, atuando como auxiliar de balcão e porta e, por fim, na Fazenda Modelo, como Auxiliar de Serviços Gerais, mais tarde, Escriturário, função em que se aposentaria 30 anos depois. Experimentou constrangimentos e frustrações como o indiretamente causado por intelectual de Belo Horizonte que, impressionado com as dificuldades materiais da numerosa família que ajudava a sustentar (àquela altura 15 irmãos) que ajudava a sustentar, propôs-se a arrumar-lhe emprego na capital mineira, hospedando-o por três meses, sem que lograsse êxito, em suas intenções, embora amigos dele tenham se oferecido para ajuda-lo desde que Chico assumisse a autoria dos poemas assinados por vários autores consagrados e incluídos na primeira edição do PARNASO DO ALÉM TUMULO. Sua saúde foi outro aspecto capaz de levar qualquer outro à desistência dos compromissos em função do ideal que abraçou a partir de determinado ponto de sua existência. Os primeiros problemas surgiram nos anos de exposição à umidade e esforços na Tecelagem; aos 15 anos, durante meses conviveu com os sintomas da Coreia (mal de São Guido) ; aos 21,por estranho amolecimento do globo ocular, não mais enxergou pelo olho esquerdo ; aos 30,um quadro agudo de uremia, quase o leva à morte ; aos 36,a tuberculose o surpreenderia ; aos 52,foi operado de uma hérnia estrangulada ; aos 58,da próstata ; aos 66 ,teve um enfarto do qual resultou a angina que o acompanharia até o fim impondo-lhe dores constantes no peito. Em 1939, trabalhando na Fazenda Modelo, teve de mudar de nome, visto a implicância de autoridade religiosa de Belo Horizonte, o qual passou a pressionar seu chefe, o senhor Romulo Joviano, a dispensá-lo, certamente pela projeção que as obras mediúnicas publicadas com seu nome alcançavam. Inspirado, o senhor Rômulo propôs que se registrasse novamente aproveitando decreto do então Presidente Getúlio Vargas que possibilitava gratuitamente a todo brasileiro que não tivesse registro de nascimento o fizesse e, observando ser 2 de abril consagrado à São Francisco de Paula, mudasse para Francisco de Paula Cândido. Assim, não perdeu o emprego, acalmando a autoridade religiosa. Sobre não ter namorado nem se casado, disse certa vez que se tivesse insistido nesse problema, talvez tivesse se definido, porém com a morte de sua madrasta em 1931(contava 21 anos),ficou tomando conta dos seis filhos dela. Confessou que por muito que o sexo o requisitasse não pode se decidir, resistindo aos impulsos, embora não tivesse sido fácil. Foi vítima das mais torpes calúnias a respeito de sua conduta sexual, não só pela condição de celibatário, mas pelo seu modo de falar e a maneira delicada de seus gestos. Contam que, certa vez nos anos 80,ante o olhar fixo e insistente de uma moça, sem que tivessem trocado qualquer palavra, dirigiu-se a ela repentina e incisivamente, embora de maneira cortês, dizendo: “-o que você está pensando de mim não procede. Nunca tive relações sexuais, muito menos com homem”. Viveu como nasceu, pobre, com o fruto do próprio trabalho que lhe permitia proventos modestos, inclusive da aposentadoria requerida no início dos anos 60, por tempo de serviço e problemas de saúde. Estima-se que os direitos autorais dos milhões de exemplares dos livros publicados com seu nome, lhe garantiriam uma vida tranquila. Abdicou, contudo, deles em favor de inúmeras obras assistenciais e de divulgação do Espiritismo. Abriu várias vezes mão de doações de expressivas somas, propriedades (até um carro) a ele oferecidas por amigos e admiradores. Afinal, como dizia, o trabalho que lhe dava notoriedade não era dele mas, dos Espíritos a quem servia. Sem dúvida, um homem como poucos. O MÉDIUM - Hoje se sabe que o Espírito que conhecemos como Chico Xavier, em vidas passadas vivenciou a mediunidade, ignorada então, já que sua definição e denominação somente ocorreria em 1861, com a publicação d’O LIVRO DOS MÉDIUNS. Preparou-se para exercê-la na presente encarnação, subentendendo-se à orientação da Espiritualidade Superior que inclusive lhe frustraram a intenção de renascer novamente mulher, conforme revelaria a amigos ainda na década de 40. As manifestações da mediunidade começaram já aos 4 anos de idade quando assustou o próprio pai, intervindo certa noite ,em exaltados comentário que fazia à esposa sobre aborto cometido por uma vizinha, dizendo, enquanto aparentemente distraído brincava no chão, que ele estava enganado em sua avaliação pois o que se dera “ foi um problema de nidação do óvulo, de forma que o feto assumiu posição ectópica”. Meses depois do falecimento da mãe, abalado ante o tormento que se transformara a vida do menino, sob os cuidados da madrinha a que fora confiado, começa a avistar e conversar com o Espírito da mãe que ressurge como prometera no leito de morte, animando-o, insuflando-lhe esperança e prometendo que o socorro chegaria, como de fato ocorreu com o segundo casamento do pai e a reaproximação dos irmãos por imposição da madrasta. Aos dez anos, as visões que afirmava ter, levam seu pai a cogitar-lhe a internação para tratamento no que foi dissuadido pelo pároco da igreja local, Sebastião Scarzelli. Aos 12 anos, em 1922,em que se celebrava o centenário da Independência do Brasil, quando se preparava para escrever a redação solicitada sobre o importante fato, viu um homem a seu lado, ditando-lhe o que deveria escrever. Assustado, indagou ao companheiro de banco se ele também o via, e, ante a negativa, aproximando-se da professora, após ser autorizada por ela, disse, em voz baixa o que ocorria, sendo aconselhado pela mesma a sentar-se na cadeira e concluir a prova. Semanas depois, a Secretaria da Educação de Minas, divulgava o resultado do concurso disputado por milhares de estudantes de todo Estado: a de Chico ganhara Menção Honrosa.
Aos 17 anos, o encontro com Dona Carmem e seu marido José Hermínio Perácio, que restabeleceram com o esclarecimento do Espírito que a obssediava, o equilíbrio da irmã mais nova de Chico, Maria da Conceição. Nessa ocasião, o jovem é esclarecido pela bondosa senhora que seu problema das visões era apenas mediunidade que lhe cumpria educar e exercer. Revela José Jacintho de Alcantra, que José Hermínio Perácio, amigo íntimo do médium Paschoal Comanducci, de Belo Horizonte, logo após o episódio envolvendo a família Xavier, em maio de 1927,ouviu deste: “A principal missão de vocês agora é ajudar o Chico Xavier. Ele possui recursos mediúnicos múltiplos. Está cercado por falanges tão poderosas como as que assistiam Jesus. Esse menino assombrará o mundo. Escreverá mediunicamente centenas de livros e será intransigente defensor e divulgador do Espiritismo codificado por Allan Kardec. Viverá muito. Desencarnado, não terá substitutos”. Isso explica a mudança do casal Perácio de Curvelo (100 quilômetros distante) para Pedro Leopoldo, onde viveriam por seis anos, fundando o Centro Espirita Luiz Gonzaga, orientando os primeiros passos de Chico na longa estada da mediunidade, repassando a ele, na noite de oito de julho de 1927, a recomendação para apanhar papel e lápis em que foram escritas as 17 páginas da primeira mensagem por ele psicografada, assinada por Um Espírito Amigo(soube-se depois, o próprio Emmanuel). Dois dias depois desse fato, Chico, em meio às orações om que precedia o sono, viu seu quarto subitamente, se iluminar com a presença de uma entidade que se identificou como Izabel de Aragão, concitando-o ao trabalho em favor dos pobres que, apesar das dificuldades econômicas, o rapaz iniciaria no sábado seguinte, com a distribuição de oito pães a pessoas que moravam sob uma ponte muito pobre de Pedro Leopoldo, atividade que, com os anos se ampliaria e manteria ininterruptamente até 1958,quando de sua mudança para Uberaba, onde seguiria até os últimos anos de vida. Quatro anos após sua iniciação, milhares de páginas psicografadas, Chico vê pela primeira vez o Espírito Emmanuel que informa acompanha-lo desde muito e consultando-o sobre se ele estava resolvido a utilizar sua mediunidade na difusão do Evangelho de Jesus e, embora assentindo, perguntou ao Benfeitor se o achava em condições, ouvindo como resposta: “ Perfeitamente, desde que você procure respeitar os três pontos básicos para o serviço: 1-Disciplina; 2 – Disciplina e, 3- Disciplina. Como médium, Chico mostrou-se exuberante não só nas variações dos EFEITOS INTELIGENTES (clarividência,clariaudiência,incorporação,psicometria,psicografia,entre outras),mas também nos de EFEITOS FÍSICOS(transporte,materialização,clarividência,ectoplasmia,etc), existindo inúmeros testemunhos sobre ocorrências verificadas através dele. O ORIENTADOR ESPIRITUAL EMMANUEL - As figuras de Chico e Emmanuel são indissociáveis. Certamente, a obra construída pelos dois consumou programa traçado ainda na Espiritualidade, antes do reencarne de Chico. Acordados em relação aos requisitos apresentados por Emmanuel naquela tarde de domingo de 1931, o disciplina, disciplina, disciplina foi incorporado pelo jovem de 21 anos que o transformou em norma de conduta no que se refere ao trabalho da mediunidade até o fim dos seus dias na presente existência. O Instrutor Espiritual foi duro em muitos momentos e, não fosse a humildade de Chico, o trabalho grandioso por ele produzido não seria uma realidade. Muitos são os exemplos, representando lições para todos nós. Logo no início da caminhada em comum, certa noite em que a reunião do Luiz Gonzaga havia terminado por volta da uma da manhã, ao retornar à sua casa, Chico foi surpreendido pela sujeira que dois gatos muito queridos haviam produzido na sala, com desarranjos intestinais. Sentindo as emanações, lembrou automaticamente da moça que ajudava na limpeza da moradia, pensando em chama-la para resolver o problema. No mesmo instante, vê Emmanuel praticamente materializado ao seu lado, dizendo: “-Mas, você, que vem de uma reunião espírita cristã, que tratou do Espiritismo em nome de Jesus Cristo, em nome e Allan Kardec, está fugindo da sua obrigação, exigindo que uma pobre menina fatigada por haver trabalhado om panelas, no tanque, para que não te faltasse comida, roupa lavada à sua família, vai exigir que ela venha a limpar esta casa, quando é sua obrigação limpar este chão e restituir esta sala tão limpa à família como você ensina no Centro Espírita? Você vai pegar um pano, trazer agua, sabão e vamos lavar. Cumprindo o recomendado, via Emmanuel perto dele observando. Quando pensava ter concluído a tarefa, ele dizia:”- Não, a sala tem odores desagradáveis, tem que lavar direitinho, de maneira que ninguém nem saiba o que os gatos fizeram. Então, teve de deixar a sala bem limpa, porque ele disse (o que serve, por sinal, para nós): “-No Espiritismo a pessoa tem que começar estudando nos grandes livros e começar também lavando as privadas, trabalhando fazendo sopa, ajudando os que estão com fome, lavando as feridas de nossos irmãos e distribuindo aquilo que for possível, porque se nós não tivermos coragem de ajudar na limpeza de uma banheiro, de uma privada, estaremos estudando os grandes livros da nossa Doutrina em vão”....Abalado e abatido ante as críticas e ironias ouvidas pouco depois da publicação do PARNASO DO ALEM TÚMULO, comentando sua luta íntima, ouviu: “- Escute. Se Jesus que era Jesus, saiu da Terra pelos braços da cruz, você é que está esperando uma carruagem para viver entre os homens?”... Quando, em 1940, sofreu um ataque agudo de uremia, ouvindo do médico que, se em 24 horas o problema perdurasse, Chico entraria em colapso e desencarnaria, crendo-se à beira da morte, pediu em sentida prece a Emmanuel o recebesse na Espiritualidade, ouviu dele: “-Não posso auxiliá-lo. Tenho muito que fazer. Mas se você sentir que a hora chegou, recorra aos amigos do LUIZ GONZAGA. Você não é melhor que os outros”. Noutra ocasião, ante sua insistência em saber o que fazer para que a mediunidade se lhe desenvolvesse de maneira mais ampla, ouviu: “-Chico, você está me obrigando a lhe dizer que é trabalhar mais e perguntar menos”. Lembrava Chico que por ocasião do rumoroso processo movido pela esposa por causa mensagens por ele recebidas de Humberto de Campos, pensou em desistir do compromisso com a mediunidade e, ao comentar com Emmanuel, este lhe disse: “-Se você quer parar pare. Nós continuaremos. Encontraremos outro médium e iremos em frente”... Outra vez em que ele se entretinha por mais de seis horas em conversa com amigos, lembrado por Emmanuel sobre a tarefa do livro, tendo respondido que tinha visitas e estava conversando, registrou o Guia lhe dizendo: “-Sem duvida compreendemos a oportunidade de uma a duas horas de entendimento fraterno para atender aos irmãos sem objetivo, porque, às vezes, através da banalidade, podemos algo fazer na sementeira de luz... Mas, não entendo, seis horas a fio de conversação sem proveito”. Ante a indecisão de alguns minutos, o Instrutor arrematou: “-Bem, eu não disponho de mais tempo. Você decide. Converse ou trabalhe”... Nos anos 50, ante sua natural aflição pelo trepidar resultante de turbulência enfrentada pelo avião em que viajava de Uberaba para Belo Horizonte, viu Emmanuel entrar no avião, perguntando-lhe o porque da cena propiciada por ele no meio dos demais passageiros e, obtendo como resposta que estavam em perigo, indagando se tinha chegado a hora dele morrer, ouviu do Guia Espiritual: “- Não posso saber se o senhor resolveu determinar sua desencarnação. Mas, se julga que vai morrer, procure pelo menos morrer com educação, sem aumentar a aflição dos outros”.. Quando em 1969, cumpriu-se com a publicação de POETAS REDIVIVOS cumpriu-se a terceira etapa do programa traçado por Emmanuel para a produção de livros por seu intermédio, imaginando ter terminado sua tarefa, Emmanuel lhe informou que a Espiritualidade havia “desapropriado” seu corpo, que iriam utilizar como bem entendessem. Perguntando por seu livre arbítrio, ouviu que estava cassado embora continuasse respondendo pelos seus atos. Indagando se ele recusasse e recuasse, escutou: “-Então, nós o jogaremos debaixo das rodas de um carro”. LIÇÕES INESQUECÍVEIS - A continuada convivência com a Espiritualidade, os anos vividos, as dificuldades superadas desenvolveram em Chico, uma percepção e capacidade de análise dos problemas da vida pautadas por profunda e incomum sabedoria. Na sequência, algumas destas joias. Com a palavra o inesquecível Chico:
Tudo passa; só não passa o que deixamos passar... A crítica não sobrevive ao silêncio de quem trabalha. O mal age sem convicção”...
“Discordar do que os outros dizem é natural, mas porque discordar atirando pedras? A verdade sempre se defendeu de mãos nuas. Temos tanto a fazer e ficamos perdendo tempo!”...
“Nossas imperfeições são como uma onça selvagem. Por ainda não sermos virtuosos, de vez em quando precisamos jogar uma “carninha” para ela. (...) Tenho medo dos puritanos. Mas não esqueçam, é só uma carninha, senão...”.
“A mediunidade nunca impediu o desempenho de minhas obrigações”...
“Aceito o mundo e os homens como eles são, e continuo eu mesmo”...
“Quanto mais os bons espíritos escrevem por nosso intermédio, fazendo luz, mais reconheço a extensão de minha ignorância pessoal”.
“O bem que fazemos tem retorno garantido. Ninguém tem necessidade de praticar a caridade pensando em recompensa”.
“Quem tudo suporta em silêncio – calunia, agressões, injúrias – conquista uma autoridade moral que faz calarem os opositores e transforma aversão em admiração”.
“Depressão se cura à custa de trabalho. às vezes, o remédio necessário, mas o trabalho indispensável sempre”.
“Dos Espíritos desencarnados com os quais tenho tido oportunidade de conversar, nenhum está satisfeito com o que pôde fazer sobre a Terra; todos acreditam que deveriam ter se esforçado por um melhor aproveitamento do tempo”...
“A prece sempre aponta o melhor caminho”...
“Quem pede a Deus pelos seus desafetos, vai quebrando as vibrações negativas daqueles com os quais não se afina e desarmando o espírito para uma futura reconciliação – nem que seja na Outra vida”.
“O menino que cresce longe do trabalho sofrerá sérios danos na formação do caráter”...
“Não suportaríamos ouvir a verdade a nosso respeito”...
“Existem falanges de espíritos interessados no atraso moral da Humanidade. Eles gostariam de fazer da Terra o seu habitat, o seu quartel general no Sistema Solar... São os opositores do Cristo!”.
“As escolas precisam falar de Deus todos os dias. Isto é preciso fazer parte do currículo”.
“Infelizmente, muitos daqueles que nos dirigem não querem enriquecer apenas para esta vida: acumulam indevidamente tanto dinheiro, que nos dão a impressão de que querem ser milionários para a Eternidade”...
“Ainda com o desvio de verbas publicas, se nos deixássemos inspirar pelo amor que nos devemos uns aos outros, ser-nos ia possível erradicar a miséria e combater a ignorância”...
“Sobre a Terra, tudo é ilusão, tudo passa, tudo se transforma de um instante para outro. O que conta é o que guardamos dentro de nós; tudo mais há de ficar com o corpo, que se desfará em pó. Não vale a pena tanta luta por nada! Precisamos crescer interiormente, adquirir valores que sejam eternos. Uma simples célula cancerígena que nos apareça no corpo joga tudo no chão”...
“Os espíritas no Brasil conseguiram uma proeza – tornar-se “inimigos íntimos”.
quarta-feira, 27 de junho de 2012
...Provocaram Desabamentos,Com Plena Consciência...
O relógio marcava trinta minutos depois da meia noite do dia 18 de janeiro de 1974, quando o casal Luzia e Detzi de Oliveira foi despertado por violento estrondo que, praticamente, fez a cama em que dormiam tremer. Levantando apressados, se defrontaram com a indescritível cena de ver o quarto onde dormiam as três filhas e uma sobrinha do Rio de Janeiro que passava férias escolares em sua casa, soterrado por parte da parede de um dos andares do edifício que se construía ao lado de sua casa, na Rua Santos Dumont, 78, em Juiz de Fora (MG), para abrigar um hospital de Oncologia. Desesperadamente, auxiliados por vizinhos e, posteriormente, pelos bombeiros, no escuro da madrugada, lutaram durante algumas horas para remover o entulho, para, um a um, localizarem os corpos, já sem vida, de Ana Paula (9 anos); Jussara Maria (20 anos); Tereza Cristina (22 anos) e Marcia Dias Mattos ( 13 anos). Apesar das convicções espíritas, a dor daqueles pais não se fez menor que a de outros que de forma inesperada e violenta se veem privados da companhia dos filhos, e, sem conseguirem se equilibrar, passados dois anos, após uma viagem cansativa, chegaram a Uberaba (MG), sabedores que Chico estaria na cidade, dando cumprimento ao seu consolador trabalho. Era o dia 9 de fevereiro de 1976, uma sexta-feira, e por volta das 4 horas da tarde, o senhor Detzi abordou Chico, dizendo: “- Estou aqui à sua procura, trazendo minha esposa para você consolá-la um pouco e a mim também, pois perdemos uma filha em um desastre”. Comentaria depois, nem saber por que, disse uma e não três filhas e uma sobrinha. Talvez, pela perturbação em que vivia. O médium, com naturalidade, apenas disse: “- Ah! Meu filho, para obter comunicações é muito difícil, o telefone não toca toda hora para mim”, e, em meio ao diálogo que se seguiu, perguntou: “- Você conheceu Isaltino Dias Moreira, de Juiz de Fora?”. O senhor Detzi ficou surpreso, pois, tratava-se de seu sogro, desencarnado 18 anos antes. Ante a confirmação, Chico continuou: “- Ele está presente, mas, não foram quatro meninas que desencarnaram juntas?”. Minha esposa, já emocionada com a informação da presença do pai, ouvindo Chico falar das quatro meninas, dominada por emoção mais forte, desatou a chorar. Solicitado a outro atendimento, Chico disse: “- Fiquem aí de lado que daqui a pouco vou conversar com vocês”. Instantes depois, procurou no salão por minha senhora para perguntar-lhe: “- A sua filha mais velha chamava-se Tereza Cristina? Era Professora?”. Ante a crescente emoção minha e de minha esposa, continuou: “- Ela está aqui presente, foi trazida pelas mãos de seu pai Isaltino Dias Moreira, segundo me diz Emmanuel ao ouvido. Vocês aguardem aí, poderão obter o que desejam. Vamos aguardar”. Esperamos e, na reunião daquela noite, recebemos das mãos de Chico a ansiada carta, recebida em meio a outras, assinada por Tereza Cristina, surpreendendo-nos ainda mais, com citações de nomes e fatos por nós desconhecidos. Logo no início, a comunicante diz: “- Estou num momento difícil. É verdade que temos estado juntos. De outras vezes separados pelas impressões. Unidos na mesma luz de confiança na prece. Agora, porém, meu avô Izaltino me encoraja a escrever. “- É preciso que sua mãe saiba de tudo, que vocês não morreram, diz ele”. Mais à frente, lembrando os derradeiros momentos em nossa dimensão, conta: “- “Creiam, no entanto, que a dor mesmo, a dor dos acidentes terrestres, como a imaginamos, não sentimos. Um choque como se uma dinamite rebentasse sobre nós, e depois do choque com o anseio inútil de me levantar, um torpor que não sei descrever”. O torpor citado, consiste no estágio comum a todos no fenômeno da morte física citado por Allan Kardec na abordagem sobre O PASSAMENTO no livro O CÉU E O INFERNO. Tereza prossegue: “- Depois de algum tempo, que igualmente não sei calcular, chegaram pessoas. Meu avô Izaltino e meu avô Militão se mostraram a mim, dando-se a conhecer. Um senhor de nome Histórico estava com eles e nos amparava. Outra senhora de nome Ernestina, creio que Milagres, Ernestina Milagres, me acalmava. Deram-nos passes e oraram”. Mais uma vez a mediunidade de Chico confirma a revelação contida na questão 160 d’ O LIVRO DOS ESPÍRITOS, segundo a qual no processo de desencarnação somos amparados por familiares, amigos e acompanhados por técnicos especializados no desligamento corpo espiritual/corpo físico. Continuando, Tereza lembra: “- Acordada, notei que as irmãs dormiam ainda. Fomos removidas e tratadas, e estamos por enquanto no Hospital-Escola, em que aprendemos reajuste e serenidade. A gente aí no mundo toma aulas de matemática, de línguas, disso e daquilo... Pois aqui somos matriculados em paciência, esperança, fé em Deus e em nós mesmos, tantas matérias com as quais no corpo da terra nem mesmo sonhamos. Estamos bem. Não chorem mais. Papai, tudo vai ser feito pelo melhor”. Noutro trecho, um comentário importante: “Agora, depois de alguns meses aqui, já consegui alguns ensinamentos e experiências sobre passado e reencarnação. Não me peça agora qualquer apontamento mais amplo sobre o assunto. Posso, no entanto, dizer que em outros tempos, algumas vezes, pessoas cultas e nobres provocaram desabamentos, com plena ciência de que agiam contra as leis estabelecidas pela Justiça Divina”. Na postagem de 15 de junho, incluímos interessante revelação sobre os “milhões de Espíritos que através da morte violenta na atualidade, buscam livrar-se de registros de mortes violentas impostas a si e a outrem, em encarnações passadas”. Confirmando a presença junto aos familiares remanescentes dos que se ausentaram de nossa dimensão, do ponto de vista físico, noutro ponto de sua mensagem Tereza comenta: “- Mãezinha, o nosso maior receio, a princípio, foi o de que a senhora, viesse para cá por conta própria. Vimos o seu desejo de tudo deixar aí para acompanhar-nos. Reconheço que a formação cristã que a senhora recebeu não lhe permitia pensar no suicídio, mas aquele anseio de reencontro era perigoso. Hoje, ficaremos mais tranquilas. É preciso lutar, mamãe, suportar as nossas provas e abençoar todas elas”. Nessas palavras de Tereza, impressas nas páginas do livro ENXUGANDO LÁGRIMAS (ide), terminamos, propondo uma reflexão sobre “suportar as nossas provas e abençoar todas elas”.
segunda-feira, 25 de junho de 2012
Gente Famosa e os Fenômenos Paranormais
Acontecimentos considerados fora da normalidade – por isso, paranormais – marcam a vida de muitas pessoas, por vezes, casual e inesperadamente, outras em momentos críticos de suas vidas, em nossa Dimensão. Um pressentimento, uma intuição, um sonho, súbito mal estar ou o surpreendente comentário de um desconhecido com que cruzamos, levam-nos a refletir ou agradecer pelo alerta com que fomos poupados de acidentes ou até da morte. Questionando as entidades que o auxiliaram na elaboração d’ O LIVRO DOS ESPÍRITOS, Allan Kardec, na questão 522, obteve o esclarecimento de que estes fatos tanto podem representar o conselho íntimo e oculto de um Espírito que nos quer bem, como a conservação em nosso mundo interior de impressão de acontecimentos marcantes pelos quais temos de passar como provas, despertadas quando se aproxima o momento de se efetivarem. Comentando as revelações que incluem outras perguntas, pondera o Codificador: “- Os Espíritos protetores nos ajudam com seus conselhos pela voz da consciência, que fazem falar em nós. Mas, como a isso nós não ligamos sempre a importância necessária, nos dão de maneira direta, servindo-se das pessoas que nos rodeiam. Que cada um examine as diversas circunstâncias, felizes e infelizes, de sua vida e verá que em muitas ocasiões recebeu conselhos que nem sempre aproveitou e que lhe teriam poupado desgostos se os houvesse escutado”. Várias celebridades tem registradas em algumas de suas biografias, passagens muito curiosas. No campo da música erudita, George Frieddrich Haendel, o autor do famoso oratório O MESSIAS, antes de executá-lo pela primeira vez, num impulso irresistível, disse: “- Este trabalho é obra de alguém fora de mim mesmo e eu nunca poderei aceitar um único níquel por ele ou advindo dele, pois não me pertence. Quando vier a render, esse produto deverá sempre ser revertido em benefício dos sentenciados e dos enfermos, pois que eu estava doente e me curei, era um prisioneiro e me libertei”. Efetivamente, os que viviam em sua intimidade contam que Haendel, durante 21 dias, ficara sem sair de seu quarto, praticamente sem se alimentar; erguendo-se ocasionalmente, andando de um lado para o outro; cantando esporadicamente, uma linha melódica, batendo o compasso com as mãos, vendo-se em seu olhar um expressão longínqua e estranha. Perdera totalmente a noção do tempo, não distinguindo o dia da noite, como se tivesse tomado de um poder criativo febril e fervoroso, tal seu arrebatamento, segundo apurou o historiador alemão Stefan Zweig. No mundo da política, no livro REMINISCÊNCIAS DE ABRAHAM LINCOLN, consta um relato do grande presidente norte americano, dizendo: “- Há cerca de três dias atrás, recolhi-me tarde. Não podia ter estado na cama por muito tempo, quando caí num cochilo, pois estava cansado. Logo comecei a sonhar. Parecia haver, ao meu redor, uma quietude semelhante à morte. Então, de repente, ouvi soluços abafados, como se muitas e muitas pessoas estivessem chorando. Pensei que deixava minha cama e vagava lentamente, no andar inferior. Lá o silêncio era quebrado pelos mesmos soluços lamentosos, mas os que pranteavam estavam invisíveis. Fui de sala em sala; nenhuma pessoa viva estava à vista, mas os mesmos sons entristecedores, de sofrimento, seguiram-me enquanto eu ia passando”. Detalhando com minúcias suas impressões, acrescenta que, por fim, “chegou à Sala Leste, onde se deparou com um cadafalco, sobre o qual repousava um cadáver embrulhado em vestes mortuárias, rodeado por soldados e uma multidão de pessoas, algumas olhando tristemente para o cadáver, cuja face estava coberta; outros chorando lastimosamente. Perguntando quem estava morto na Casa Branca, obteve como resposta, “- O Presidente, ele foi morto por um assassino!”., partindo da multidão, uma ruidosa explosão de dor que o acordou do sonho, que alguns dias tornar-se-ia realidade. No meio literário, João Guimaraes Rosa, um dos mais lidos escritores brasileiros, falando sobre suas obras, escreveu: “- Talvez seja correto confessar como tem sido que as estórias que apanho diferem entre si no modo de surgir. À BURITI (NOITES DO SERTÃO), por exemplo, quase inteira assisti, em 1948, num sonho duas noites repetidos. CONVERSA DE BOIS (SAGARANA), recebi-a, em amanhecer de sábado, substituindo-se a penosa versão diversa, apenas também sobre viagem de carro-de-bois e que eu considerava como definitiva ao ir dormir na sexta. A TERCEIRA MARGEM DO RIO ( PRIMEIRAS ESTÓRIAS), veio-me na rua, em inspiração; pronta e brusca, tão ‘de fora’, que instintivamente levantei as mãos para pegá-la, como se fosse uma bola vindo ao gol e eu o goleiro. CAMPO GERAL (MANUELZÃO E MIGUILIM) foi caindo já feita no papel, quando eu brincava com a máquina, por preguiça e receio de começar de fato um conto, para o qual só soubesse um menino morador à borda da mata e duas ou três caçadas de tamanduás e tatus; entretanto, logo me moveu e apertou, e, chegada ao fim, espantou-me a simetria e ligação de suas partes”. No mundo das artes, Elizabeth Taylor, quando filmava Cleópatra foi acometida por agudíssima traqueostenose, sendo internada num hospital, onde passou muito mal, a tal ponto que muitos amigos tinham a impressão de que ela chegara ao fim. A famosa atriz contou ter, nessa ocasião, vivido uma experiência estranha: a de que se separou de seu corpo. “-Eu não estava na cama e nem tampouco presa ao meu corpo, disse ela. “-Olhava a mim mesma como se aquela criatura pálida e de cabelos escuros fosse alguém extremamente parecida comigo. Senti que estava em outro lugar, flutuando e observando os acontecimentos. Havia dois ‘EUs’, a pessoa na cama, que estava morrendo e outra pessoa que se sentia um pouco estranha, porém, muito bem! Esta segunda era muito mais eu mesma. Jamais me esquecerei desta experiência”. No campo da ciência, Albert Einstein, segundo biografia de Dimitri Marianov, escritor russo que acabou se casando com sua filha, conta que “ao ser proclamada à vista das provas a exatidão de suas teorias, afirmou não ter necessidade de provas, revelando que, certa noite, desesperado, em face dos mistérios insondáveis, pretendia abandonar seus trabalhos. Com impressionante precisão, diante de seus olhos espirituais, delineou-se a imagem perfeita do Universo, com sua complexa estrutura, no tempo e no espaço; readquirindo a paz, a convicção, a certeza de que andava em caminho certo. Imediatamente escreveu, explicando essa visão, organizando mapas onde desenhou com a máxima exatidão todas as figuras em suas diferentes movimentações, de maneira que qualquer pessoa pudesse tudo compreender”. Como ocorre com qualquer um de nós, por serem gente como a gente, personalidades públicas vivenciam - ou vivenciaram - ao longo de suas existências neste Plano, experiências que confirmam a influência ou interferência do Mundo Espiritual, fatos logica e racionalmente explicados, até agora, somente pelo Espiritismo, justificado por Allan Kardec, no comentário: -“ Assim como a ciência estuda os fenômenos do mundo material, o Espiritismo tem por objeto o estudo dos fenômenos que se passam no mundo dos Espíritos e na inter-relação entre os dois aspectos de uma realidade única”.
sábado, 23 de junho de 2012
Interessante Alerta
Desde que, em 1941, o médium Chico Xavier passou a conviver com o espírito que depois passaria a chamar André Luiz, a afinidade entre ambos permitiu que ao iniciarem a tarefa de produzir uma série de livros com a finalidade de despertamento, resultasse, de forma surpreendente e rápida do trabalho, reconhecido hoje, como altamente revelador. Em poucos anos, quatro verdadeiras reportagens nos conduziram para uma realidade até então indefinida e abstrata. NOSSO LAR, OS MENSAGEIROS, MISSIONÁRIOS DA LUZ e OBREIROS DA VIDA ETERNA, obras substanciais, surgindo como uma fonte de agua cristalina, capaz de saciar a sede de todo aquele que se vê perdido no deserto da ignorância espiritual que caracteriza a Humanidade. Detalhes curiosos envolveram algumas delas, bem como o médium, Chico pela dificuldade criada por ele para reproduzir as descrições do autor espiritual, foi levado por este e Emmanuel a visitar área periférica da colônia espiritual; MISSIONÁRIOS DA LUZ teve sua recepção suspensa por vários dias, pois os Instrutores que supervisionavam o trabalho de André consideraram importante se reunir para examinar se ele poderia ou deveria apresentar certas teses no livro, notadamente no capítulo REENCARNAÇAO. E, justamente nesta obra encontramos, entre inúmeras outras, reveladora informação. É justamente no capítulo 12, em que André após se surpreender ouvindo conversa entre o Instrutor Alexandre e um amigo que o solicita intervir no processo que objetivava o reencarne de outro amigo comum de nome Segismundo. Indagando a respeito, depois dos esclarecimentos, Alexandre sugere uma visita ao Instituto especializado no encaminhamento de programas reencarnatórios da Colônia Nosso Lar, em torno da qual giram todas as narrativas de André, exceção da apresentada n’ E A VIDA CONTINUA. Descrevendo-a como imponente instituição, movimentado centro de serviço de vários prédios e numerosas instalações cercadas por árvores acolhedoras e extensos jardins. No interior, outras surpresas o impressionaram como iluminados protótipos de corpos masculino e feminino, as dependências consagradas aos serviços de desenho, onde pequenas telas, demonstrando peças do organismo humano, estavam ordenadas em todos os recantos, a intensa movimentação de pessoas que ali trabalhavam, outras portando pequenos rolos semelhantes a pergaminhos que, saberia depois, eram pequenos mapas de formas orgânicas, elaborados por orientadores do Plano Espiritual, especializados em conhecimentos biológicos da existência terrestre, estabelecendo planos adequados para fins essenciais conforme o graus de adiantamento do futuro reencarnante. Instigantes apontamentos André recolheria do contato com Manasses, um dos técnicos com que conversou sobre as atividades ali desenvolvidas. Manasses, segundo André, era um livro ambulante, cujos pareceres e informes traduziam ensinamentos. Um deles, sobre os determinantes de inúmeras quedas na dimensão em que nos encontramos. Oferecem elementos para reflexões e auto-avaliações. Esses caminhos que, muitas vezes, se constituem em desvios dos objetivos pelos quais voltamos a esse Plano, são a riqueza já que excesso de recursos nos torna acomodados ou distraídos quanto aos objetivos essenciais da vida; a inteligência que nos torna geralmente refratários às ideias de espiritualidade ou Deus; a beleza que nos entorpece sentimentos e o discernimento pela fixação no ‘eu’ inferior e, por fim, a autoridade que nos faz ilusoriamente sentirmo-nos superiores e mais poderosos que os semelhantes. Na visita, André recolhe alguns exemplos importantes como o de Silvério, que após 15 anos de trabalho nas atividades de auxílio mantidas por Nosso Lar, regressaria à nossa Dimensão para a liquidação de determinadas contas assumidas perante as Leis Cósmicas. A insegurança, porém o perturbava, sobretudo pelo esquecimento do passado, bem como pela restrição de um defeito na perna que autorizara no projeto do novo corpo de que se serviria na encarnação prevista em 70 anos, já que precisava de um antídoto à vaidade que lhe competia combater por quedas em vidas anteriores. O outro caso referia-se Anacleta, também reconhecida cooperadora na Colônia Espiritual, que retornaria brevemente à existência física para auxiliar quatro entidades - três rapazes e uma moça -, há mais de quarenta anos presas às regiões abismais das zonas inferiores, na verdade, filhos que não soubera encaminhar bem na existência anterior na condição de mãe. O terceiro caso, o de um Espírito que procura Manasses para que interviesse no projeto físico para ela elaborado pois, desejava alterações no seu sistema endócrino, particularmente que a tiroide e as para-tiroides não estivessem tão perfeitamente delineadas, já que as formas físicas sedutoras a exporiam à quedas em que não queria reincidir. O quarto caso, o de um amigo de Manasses cujo projeto previa algumas anormalidades na região gástrica através das quais, por fim, se liberaria de registros em sua memoria profunda nascidos de homicídio praticado há mais de 100 anos, assassinando um pobre homem a facadas. Pelo retrospecto, a vitima desencarnada logo a seguir, ligou-se fortemente a ele, e da semente do crime, que o infeliz assassino plantou num momento, colheu resultados terríveis por muitos anos. O ódio recíproco operando igualmente vigorosa imantação, favoreceu a vingança dele, todos os dias, devagarinho, através de ataques sistemáticos do pensamento mortífero. Quando o homicida desencarnou, por sua vez, trazia o organismo perispiritual em dolorosas condições, além do remorso natural que a situação lhe impusera. Arrependeu-se do crime, sofreu muito nas regiões purgatoriais e, depois de largos padecimentos purificadores, aproximou-se da vítima, beneficiando-a em louváveis serviços de resgate e penitência. Cresceu moralmente, tornou-se amigo de muitos benfeitores, conquistou a simpatia de vários agrupamentos do Plano Espiritual, obtendo preciosas concessões. Entretanto, a dívida permaneceu. O amor, contudo, transformou o caráter do trabalho de pagamento. Ao voltar à Esfera Física, não precisará desencarnar em espetáculo sangrento, mas onde estiver, durante os tempos de cura completa, experimentará desgostos, em virtude do sofrimento físico pertinaz, lutará incessantemente, desde a eclosão da úlcera até o dia do resgate final no aparelho fisiológico, atingindo, mais tarde, a plena libertação, se se mantiver fiel aos compromissos novos. Pelos casos aqui vistos, percebe-se quanto temos ainda a aprender sobre as variáveis que compõem o tema vida antes da concepção do novo corpo a ser utilizado em nossa Dimensão.
terça-feira, 19 de junho de 2012
Papo de Religião?
Em recente reunião em que a interação se faz através da dinâmica pergunta/resposta, uma participante pediu-nos a opinião sobre avaliação de um dos expositores da RIO+20 que o crescimento dos níveis populacionais da Planeta vão tornando cada vez mais difícil a sobrevivência da espécie humana pela escassez de alimentos. Na verdade, esse prognóstico acompanha a Humanidade desde o século passado. Os estudiosos da Economia, de forma recorrente, retomam essa tese. O que acontece é que o aceleramento das mudanças típicas das épocas de transição pela qual passa o Planeta periodicamente - ao que parece a cada 20 séculos -, precipitaram nossa sociedade nessa dimensão, aos mesmos problemas observados, por exemplo, no tempo em que se iniciou a Era Cristã. Corrupção, inversão de valores, opressão, exploração do homem pelo homem, guerras, etc... Todas as análises que eventualmente façamos, revelam que se baseiam apenas em efeitos, preferindo-se ignorar as causas. Se observarmos o mapa da Terra, por exemplo, perceberemos que o hemisfério sul que abrange os continentes sul-americano, africano e Oceania, possui inúmeras áreas desabitadas e ociosas, compreendendo imensas extensões territoriais. Isso sem considerar aquelas que vem sendo aceleradamente desmatadas. Através de Chico Xavier, em 1956, o Espírito Emmanuel, em interessante entrevista resgatada pelo querido amigo Eduardo Carvalho Monteiro e preservada na obra SALA DE VISITAS DE CHICO XAVIER (eme), comentou: “-(...) A Europa, superalfabetizada, se encontra num carma de débitos clamorosos, à frente da Lei (de Causa e Efeito), em dolorosa expectação, para o reajuste moral que lhe é necessária. Aqui mesmo, no Brasil, uma nação com capacidade de asilar 900 milhões de habitantes, em quatrocentos e alguns anos de evolução ( lembramos, dito em 1956), mal estamos, os Espíritos reencarnados na terra em que temos a bênção de aprender, de recapitular a lição do Evangelho, mal estamos passando das faixas litorâneas, serviços imensos esperam por nossas almas no futuro próximo”. Pouco mais de meio século nos separam do dia em que tal comentário/prognóstico foi enunciado, a colonização do Brasil se interiorizou e a Europa efetivamente mergulha cada dia mais num processo político/social/econômico de desfecho imprevisível. Curiosamente, quando o jornalista Clementino de Alencar, enviado pelo jornal ‘O Globo’ a Pedro Leopoldo (MG), para investigar “o tal” Chico Xavier e a possível “farsa” por traz das crônicas mediúnicas do renomado escritor Humberto de Campos, morto meses antes, bem como, das poesias assinadas por importantes nomes do nosso mundo literário, enfeixadas no livro PARNASO D’ALÉM TÚMULO (feb), entre as reportagens com que alimentou o diário durante dois meses, incluiu na edição de 19 de junho, três respostas à perguntas formuladas por um estudioso em assuntos financeiros radicado na cidade de Sete Lagoas, MG. Vale ressaltar que Chico era um jovem de 25 anos, repetente do quarto ano primário, sempre vivera no remoto lugarejo onde renascera, trabalhava como balconista num boteco, muito longe dos meios intelectuais e culturais que lhe permitissem elaborar argumentos com tanta propriedade. Tais opiniões, surpreendentemente, foram dadas pelo Espírito chamado em sua mais recente encarnação Joaquim Pedro d’Oliveira Martins (Lisboa,1845/1894), político e cientista social português. No conteúdo das mesmas, um diagnóstico perfeitamente aplicável aos problemas atuais, não só no nosso País, como em várias nações. Entre outros pontos, o citado escritor, considerava que “todos os obstáculos à normalidade da vida econômica dos povos são oriundos da ausência de senso administrativo dos governos, que enveredam pelo terreno da política facciosa, prevalecendo as diretrizes pessoais de personalidades ou grupos em evidência”. Sugerindo a união de esforços, conclui que “quando a economia for dirigida por esse corpo de mentalidades proficientes e conscienciosas, que deverão permanecer alheias aos conciliábulos de individualidades que transformam, às vezes, os recintos parlamentares em verdadeiros palcos de teatro jurídico onde se exibem os profissionais da palavra, constatar-se-a que a economia deve ser dirigida com superioridade”. Complementando sua resposta, o intelectual, disse: “-Fugindo dos temas temporários da política, o homem necessita convencer-se de que a única coisa real da vida é a sua alma. Tudo o mais que o rodeia reveste-se de caráter de transitoriedade”. Exatamente por isso, reafirmamos que as avaliações fixam-se sempre mais na superfície que na profundidade. O planeta é um grande condomínio, onde somos aqueles inquilinos que não respeitam o patrimônio alheio. Dias atrás, por sinal, assistindo a inteligente programa de televisão, ao encerramento, diante da mensagem final dos entrevistados, dois especialista no tema criminalidade juvenil, que sugeria uma flexibilização da postura social – doar uma hora que fosse, por semana para causas sociais - das classes economicamente mais favorecidas, enclausuradas geralmente nos shoppings e condomínios de luxo, a experiente entrevistadora, habitualmente impassível, deixou transparecer certa indignação ante tal sugestão. Por traz da inesperada reação, comum, por sinal, à maioria, a origem do problema identificável em todos os seres humanos: o egoísmo, sempre acompanhado do orgulho que nos impede enxergar ou admitir o primeiro. A raiz do ‘cada um com seus problemas’. Ninguém quer deixar ou abrir mão de sua zona de conforto, reagindo contra quem ameaça-lo ou coloca-lo em risco. Se, por extensão, buscarmos tentar entender por que alguém persegue cargos eletivos; no exercício do poder público cede aos corruptores; porque os meios de comunicação de massa manipulam a informação atendendo a interesses econômicos ou políticos; porque uns acham seus familiares ou filhos melhores ou superiores aos dos outros; porque acho minha carreira, cargo, formação merecedora de reconhecimento financeiro maior que o do meu colega de trabalho; porque digo que a solução do problema social é problema do governo, etc, encontraremos sempre a mesma resposta: o binômio egoísmo/orgulho. O equivocado infrator da lei, num sentido profundo, é nosso irmão. Seu comportamento de hoje, talvez tenha sido o nosso ontem, admitida e reencarnação. Ou venha a ser amanhã. Afinal, quem “pode atirar a primeira pedra?”. No que se refere a nossa morada no Sistema Solar (assista ao documentário francês Home - A Terra é a Nossa Casa/2009), parafraseando, importante estadista, no discurso de posse que, certamente alguém escreveu para ele: não devemos perguntar o que nosso planeta ainda deve fazer por nós, mas o que nós devemos fazer por ele”. Retórica bonita, contendo profunda mensagem. Especialmente neste crucial momento vivido pela Humanidade da Terra que nos últimos duzentos anos, sofreu todo tipo de exploração de seus recursos naturais a ponto de muitas regiões não se dispor mais nem de água para a sobrevivência dos seus habitantes . A tecnologia cria, a todo momento, possuindo meios inimagináveis outrora ( veja o documentário alemão Zeitgeist, primeira versão/2007), capazes de melhorar não só a vida de alguns, mas dos milhões que passam (ou morrem) de fome, moram mal, vestem-se precariamente, vivendo em condições sub-humanas. Por que? Embora não queiramos enxergar ou admitir, pela mesma resposta: egoísmo e orgulho. E, nesse aspecto, não se trata da visão religiosa do tema, apesar de muitos nestes tempos de capitalismo insano, acreditarem ser preferível pagar a religiosos astutos e ambiciosos pelos ‘favores’ de Deus ou Jesus. A questão é dos seres humanos acordarem para a própria espiritualidade lidando com a intuição e trabalhando para ampliá-la. Não apenas na postura contemplativa, mas na dinâmica do relacionamento e convivência com o próximo, seja qual for o papel por ele desempenhado em suas vidas. Saber viver, tendo auto estima, autenticidade, amadurecimento, respeito, amor próprio, gratidão, plenitude. Sorrir mais, abraçar mais, apertar mais vibrantemente a mão que se lhe estende, criticar menos, elogiar mais, enfim, esforçando-se para ser hoje melhor que ontem, amanhã melhor que hoje. Paulo,o Apóstolo, falando de si numa de suas cartas, sintetizou, indiretamente, o roteiro para alcançarmos a felicidade: “Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. E ainda que tivesse o dom de profecia e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria. E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria. O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca interesses, não se irrita, não suspeita mal; não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor nunca falha”. E,no século 19, através da mediunidade prognosticou: Fora da Caridade Não Há Salvação". Por fim, em alguns comentários, Chico Xavier nos deixou grandes ensinamentos: “- O exemplo é uma força que repercute, de maneira imediata, longe ou perto de nós.(...) Sobre a Terra, tudo é ilusão, tudo passa, tudo se transforma de um instante para outro. O que conta é o que guardamos dentro de nós; tudo o mais há de ficar com o corpo, que se desfará em pó”. (...) Infelizmente, muitos daqueles que nos dirigem não querem se enriquecer apenas para esta vida: acumulam indevidamente tanto dinheiro, que nos dão a impressão de que querem ser milionários para a eternidade”. (...) “Ainda com o desvio de verbas públicas, se nos deixássemos inspirar pelo amor que nos devemos uns aos outros, ser-nos-ia possível erradicar a miséria e combater a ignorância”. (...) “Tudo passa, mas o remorso faz com que o tempo pare dentro da gente. O relógio não espera ninguém, mas a consciência culpada se recusa a avançar. Muitos espíritos, do ponto de vista mental, permanecem presos ao passado”.
domingo, 17 de junho de 2012
História Confirma: Questão de Tempo
Quando, em 1976, foram divulgadas as primeiras fotos obtidas pelas naves espaciais Viking 1 e 2, enviadas a Marte para fazer prospecções sobre aquele planeta, uma das revistas da época publicou com destaque em sua edição de 29 de agosto, uma matéria intitulada “A Nasa não sabe de nada...”, expondo grande foto de paisagem marciana muito semelhante a alguns desertos da Terra, aproveitando para ironizar mensagem psicografada pelo médium Chico Xavier, em 1939, onde Humberto de Campos, o ainda famoso cronista desencarnado em dezembro de 1934, revela, que, a exemplo das excursões comuns entre nossos continentes e cidades, teria participado como Espírito de uma que o levara ao vizinho do sistema solar. Lá, segundo ele, além de uma atmosfera que permitia aos visitantes uma sensação de extrema leveza, divisou cidades fantásticas pela sua beleza inaudita, cujos edifícios, de algum modo recordavam a Torre Eiffel ou os mais ousados arranha-céus de Nova Yorque. O relato contido no livro NOVAS MENSAGENS (feb,1938), é extenso, minucioso em vários sentidos, “terminando pelo testemunho de uma palestra em praça pública onde após a visualização da Terra, observada de lá como uma estrela cuja claridade se percebia em meio a reflexos trêmulos e tristes através de potentes equipamentos, um dos expositores exortou todos os presentes a vibrarem e orarem em favor dos seres que a habitam ( à época iniciava-se a Segunda Guerra Mundial), cuja ciência estava longe de entender as vibrações mais elevadas do Espírito; nos quais os vícios de uma falsa cultura casavam-se aos vícios das religiões convencionalistas, que não cogitam das causas profundas, provocando desequilíbrios na personalidade terrestre”. Ouvido sobre a reportagem pelo jornalista Fernando Worm, Chico comentou que “é possível que as teses apresentadas pela Ciência venham a prevalecer, até mesmo por muito tempo, quanto ao assunto, considerando as mensagens psicografadas por obras de ficção. Isso, porém, não invalida a realidade de que possuímos vida espiritual intensa em regiões que o homem físico designe como despovoadas. E isso acontece porque, por enquanto, as observações humanas, mesmo ampliadas por instrumentação de alta potência, apenas atingem a faixa de matéria em que nos achamos situados no Plano terrestre”. Disse ainda que, “em 1943, quando iniciou a psicografia dos livros do Espírito André Luiz, teve que ser levado no desdobramento natural do sono pelo autor e pelo orientador Emmanuel a visitar uma área periférica da Colônia Espiritual para que não criasse tanta dificuldade em repassar para o papel o conteúdo da narrativa. Passou então a reconhecer que a matéria se caracterizava por diferentes gradações e compreendeu que, em torno de paisagens cósmicas, sejam elas quais sejam, podem existir cidades e vida comunitária, em condições que nos escapam, por enquanto, ao conhecimento condicionado de espíritos temporariamente encarnados na existência física”. Acrescentou que “Nosso Lar, situa-se no Plano Espiritual, sobre o norte do Rio de Janeiro; as regiões descritas no E A VIDA CONTINUA (feb), sobre o lado norte da cidade de Santos, indagando, por fim, quais os aparelhos que as registram? A lente humana é o olho humano ampliado”. E, este “limitado ao nosso campo mental ajustado às impressões que somos capazes de perceber”. A propósito, Allan Kardec quando perguntou à Espiritualidade se existiria vazio absoluto em alguma parte do espaço Universal, obteve como resposta que “não, nada é vazio. O que é vazio para ti, está ocupado por uma matéria que escapa aos teus sentidos e aos teus instrumentos”, conforme registrado na questão 36 d’ O LIVRO DOS ESPÍRITOS e, na 85, onde indagando sobre, na ordem das coisas entre o Mundo Espiritual e o Mundo Corporal, qual seria o principal, ouve que “ o mundo espiritual; ele preexiste e sobrevive a tudo”. Quando da recepção da mensagem de Humberto, a Física Quântica nascia; por ocasião da reportagem da década de 70, a Teoria da Cordas que, matematicamente e por experiências em laboratórios de alta energia, confirma a existência de Universos Paralelos - os Multiversos -, mantinha-se restrita a alguns meios acadêmicos e, agora no século 21, considera na avaliação de alguns de seus seguidores, ser nossa realidade virtual, estando a original, num Universo Paralelo. E, a história, aliada ao tempo, perseverança e trabalho, confirmou que o "irônicos" que desdenharam as teses de Colombo, Copérnico, Fleming, Pasteur, Marconi, dos que idealizaram o computador, o telefone celular, o telescópio Huble, entre outras revolucionárias ideias, foram levados pela esteira do tempo para o lugar merecido: o esquecimento, enquanto os ‘ridicularizados’ mudaram a existência na Terra. Sobre a vida em outros Planetas, André Luiz, nas obras da serie NOSSO LAR (feb), nos repassaria várias informações, como em OS MENSAGEIROS (feb), onde, o Instrutor Aniceto comenta que “em visita à Colônia Alvorada Nova, situada em esferas vibratórias mais altas, ficou sabendo que avançados núcleos de Espiritualidade Superior, dos planetas vizinhos, desde as primeiras declarações da Segunda Guerra, determinaram providências de máxima vigilância, nas fronteiras vibratórias mantidas com a Terra”; n’ OBREIROS DA VIDA ETERNA (feb), que “um Espírito de nome Asclépios que se manifesta numa reunião à que André estava presente através de equipamento especial considerando sua condição evolutiva superior, e, apesar disso, ansiava por integrar-se no quadro de representantes de nosso orbe, junto às comunidades que habitam, por exemplo, Jupiter e Saturno”; n’ ENTRE A TERRA E O CÉU (feb,), que “cada degrau da vida está superlotado por milhões de criaturas” e, que “a Humanidade Universal, nos infinitos mundos da grandeza cósmica, está constituída por criaturas, em diversas idades e posições”; em entrevista no ANUARIO ESPIRITA 1964 (ide), que “Espíritos muito superiores originários de outros Planetas, com frequência reencarnam na Terra a fim de colaborarem na educação da Humanidade, enquanto outros inferiores costumam nela sofrer curtos ou longos períodos de exílio das comunidades a que pertencem, pela cultura e pelo sentimento, porquanto, a queda moral de alguém tanto se verifica na Terra quanto em outros domicílios do Universo”. Os jornalistas citados, talvez não soubessem, mas alguns anos antes das revelações de Humberto de Campos, discretamente a mãe biológica de Chico Xavier na atual existência, Maria João de Deus, detalha n’ CARTAS DE UMA MORTA (lake,1935), uma visita que teria feito a Saturno e Marte guiada por Benfeitor que a acompanhava, fazendo uso do recurso da volitação, processo descrito por André Luiz no EVOLUÇÃO EM DOIS MUNDOS (feb,1958), como possibilidade de condução e movimento efetivamente não sonhados, já que o pensamento contínuo e a atração,(...) não mais encontram certas resistências peculiares ao envoltório físico”. Embora não fosse foco principal das reuniões do verdadeiro laboratório em que se converteu a Sociedade Espírita de Paris, fundada em 1858, por Kardec, permitindo a observação e pesquisa continuada do fenômeno mediúnico, bem como a manifestação de centenas de Espíritos aos longo dos doze anos sob a direção do Codificador do Espiritismo, surpreenderam manifestações como do Espírito conhecidos por nós como o grande compositor Mozart, habitante à época de Jupiter, cuja casa chegou a ser desenhada pelo Espírito Bernard Palissy, através do médium Victorien Sardou; de outra entidade de nome Georges que falou sobre a vida em Vênus; ou mesmo, do grande cientista e explorador alemão Alexandre Von Humboldt, evocado nas reuniões de 13 e 20 de maio de 1859, dias após sua morte em Berlim, Alemanha, e trazido pelo dirigente espiritual do grupo que se reunia na Sociedade, revelando dados instigantes como “ter sido escolhido entre numerosos candidatos à missão que desempenhou na Terra”( Humboldt percorreu a América e Ásia, fazendo estudos filosófico-naturalísticos do Globo, resumidos em sua obra COSMOS, caracterizada pela beleza das descrições e perfeição da linguagem, além de haver aplicado o método cartográfico ao estudo da distribuição dos fenômenos geográficos e climáticos), além de dizer que antes de aqui reencarnar vivia em mundo superior à Terra, distante, embora pertencente ao nosso Sistema Planetário, desconhecido e invisível para nossos instrumentos de observação por não ser luminoso nem refletir a luz dos sóis que o rodeiam, possuindo uma densidade comparada ao nosso globo de um para cem” . Talvez parte de um Universo Paralelo. Quem sabe?...
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