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sexta-feira, 12 de agosto de 2022

O CORPO É UM INVÓLUCRO; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Madrugada de 24 de agosto de 1572, Paris, França. Os sinos de uma das catedrais da cidade anunciam o início de um dos mais tristes episódios escritos pela intolerância religiosa: a matança de seguidores do protestantismo, chamados pejorativamente de huguenotes. Autorizados pelo Rei Carlos IX, influenciado e pressionado por sua mãe Catarina de Médicis, cerca de dois mil na capital francesa, a princípio, e, nos próximos dias estimados setenta mil por todo País. Noite de 25 de maio de 1860, recinto da Sociedade Espírita de Paris. Allan Kardec lê para os participantes da reunião realizada naquele dia, a carta de um assinante da REVISTA ESPÍRITA registrando “curioso relato a ele feito por um amigo a quem perguntara em carta, a opinião sobre a presença ou não, junto a nós, das almas que amamos, e, sua convicção de que nossas almas mudam de envoltório muito rapidamente após a morte. Oficial da Marinha francesa, navegava a trabalho em algum lugar do mundo, quando respondeu a missiva recebida, afirmando não ter lido nada a respeito o que faria quando de seu retorno, revela, contudo, que desde quando tinha sete anos, começou a experimentar a convicção de ter sido assassinado durante os massacres da Noite de São Bartolomeu, embora não tivesse lido qualquer coisa a respeito. Guardava na memória detalhes desta cena sangrenta que jamais desapareceram. Desde a infância, via-se como um rapaz de vinte anos, rico, participando em um duelo, no qual foi morto. Sobre as ligações entre os que se amam, relatou uma experiência na qual encontrando a quilômetros de Lima, Peru, após vinte e cinco dias de viagem, despertou em lágrimas, com verdadeira dor no coração, sentindo-se possuído por profunda tristeza, fato registrado em seu diário. Àquela hora, saberia depois, seu irmão tinha sido atingido por um ataque de apoplexia, que comprometeu gravemente sua vida. Confrontando, posteriormente, dia e hora, tudo exato”. A exemplo de outros experimentos envolvendo pessoas vivas - ou encarnadas -, Allan Kardec cogitou de evocá-lo, sendo prevenindo da impossibilidade à vista de seu trabalho, considerando não estar, talvez, num momento propício, desperto em função de suas atividades se realizarem em variados fuso-horários. Sugeriram chamassem seu anjo da guarda, o qual diria se poderiam evocar seu protegido. Assim foi feito e nas doze perguntas feitas, apurou-se: 1- Realmente a evocação de seu protegido era inviável no momento, por vivenciar uma inquietude moral que o impedia de repousar fisicamente; 2 – Estava em terra; 3- Suas tormentosas lembranças eram verdadeiras, uma intuição real; 4- Realmente era um caso raro, presente nas suas visões, um pouco pelo gênero de morte que o impressionou fortemente naquela vida; 5- Não tivera outras existências depois daquela; 6- Morreu com uns trinta anos, era ligado à casa de Coligny, chamara-se Gaston Vincent, fora um simples soldado, morrera no cruzamento de Bucy; 7- Ainda não recebera cartas posteriores do amigo que levantara o problema; 8- Continuava atualmente seu anjo da guarda, função exercida naquela vida também. Em nota complementar, Allan Kardec observa: - “Céticos, antes gozadores que sérios, poderiam dizer que o anjo da guarda o guardou mal e perguntar por que não desviou a mão que o feriu. Posto que tal pergunta mereça apenas uma resposta, talvez algumas palavras a respeito fossem úteis. Para começar diremos que, se o morrer pertence à natureza humana, nenhum anjo da guarda tem o poder de opor-se ao curso das leis da Natureza. Do contrário, razão não haveria para que não impedissem a morte natural, tanto quanto a acidental. Em segundo lugar, estando o momento e o gênero de morte no destino de cada um, é preciso que se cumpra o destino. Diremos, por fim, que os Espíritos não encaram a morte como nós: a verdadeira vida é a do Espírito, da qual as várias existências corpóreas não passam de episódios. O corpo é um invólucro que o Espírito reveste momentaneamente e deixa como uma roupa usada ou “rasgada”. Pouco importa, pois, que se morra um pouco mais cedo ou tarde, de uma ou de outra maneira, pois que, em definitivo, sempre é preciso chegar à morte, que longe de prejudicar o Espírito, pode ser-lhe útil, conforme a maneira porque se realiza. É o prisioneiro que deixa a prisão temporária pela liberdade eterna. Pode ser que o fim trágico de Gaston Vincent lhe tenha sido útil, como Espírito, o que o seu anjo da guarda compreende melhor que ele, porque um só vê o presente, ao passo que o outro vê o futuro. Espíritos retirados deste mundo por uma morte prematura, na flor da idade, por vezes, nos responderam que era um favor de Deus, que assim os havia preservado dos males aos quais, sem isto, estariam expostos”.


Questão apresentada pelo Anderson Lima: “Não posso entender a passagem bíblica em que Jesus matou uma figueira que não deu frutos. Essa história só reforça o egoísmo humano, que quer que a natureza atenda aos seus desejos. Além disso, não era tempo de figos e, portanto, não havia nenhuma razão para condená-la. Pior ainda é o crime ecológico dessa história.”

Lemos no evangelho de Marcos, capítulo 11, uma narrativa que conta que Jesus, juntamente com os discípulos, estando todos com fome depois de longa jornada, encontraram no caminho uma figueira. Procuraram mas não encontraram nenhum figo na árvore, mesmo porque não era tempo de figos. Jesus teria reagido com indignação e pronunciado uma maldição contra a figueira, dizendo: “Nunca jamais coma algum fruto de ti”. No dia seguinte, quando novamente passaram pela figueira, encontraram-na completamente seca.

Indagado por Pedro sobre a estranha maldição, Jesus teria falado sobre o poder da fé em Deus, reforçando a ideia de que a figueira secou em razão da força de seu pensamento ao condená-la à esterilidade. É claro que essa narrativa, se tomada ao pé da letra, não condiz com a postura ético-moral de Jesus. Pelo contrário, ela contraria em tudo seus ensinamentos, o princípio do respeito e do amor à obra de Deus, que é a natureza. Portanto, qualquer pessoa de bom senso, lendo esse trecho do evangelho de Marcos, vai perceber, que não deve se tratar de um caso real.

Possivelmente, o ensinamento nele contido, em que Jesus quis realçar o poder da fé, deve ter sido transmitido em forma de parábola. Parábolas são histórias curtas e simples, que realçam um ensinamento moral. Jesus deve ter contado alguma parábola para ilustrar seus ensinos e que, posteriormente, foi lembrada pelo discípulo como tivesse sido real. Só assim podemos explicar a história da figueira que secou. Jesus, na sua elevação espiritual, jamais poderia agir com tanta violência e impiedade contra uma árvore, dela exigindo o que não poderia dar.

É por isso, Anderson, que devemos ler os textos bíblicos com cautela, usando ao mesmo tempo a razão e o bom senso antes mesmo de usar a fé, pois a fé sem a razão é como andar sem rumo num terreno desconhecido. Jesus foi a mais elevada expressão do amor sobre a Terra. Nada do que disse ou viveu pôde comprometer a grandiosidade espiritual de sua doutrina, pois quem pediu a Deus que perdoasse seus próprios algozes só podia ser um Espírito da mais elevada expressão de amor, que amava profundamente as obras de Deus.

A figueira, dentro da concepção espírita, representa um ensinamento, que é trazido aos homens, e que pode ser bem ou mal assimilado. O fato de não produzir frutos no momento propício – ou seja, no momento em que as pessoas mais precisam – significa que ela não cumpre o seu papel e, portanto, não merece prosperar. Desse modo, as doutrinas que não atendem às necessidades humanas, que não se fazem presentes no momento em que as pessoas mais precisam, embora alardeiem serem donas da verdade, acabarão morrendo como figueira.

Outra coisa a que se refere a parábola é o poder da fé. Evidentemente, a fé não é uma força mágica ou milagrosa como muita gente pensa. Ela é um poder irradiador do pensamento, que nos abre um caminho para que possamos alcançar um objetivo. Desde que nos sintamos fortalecidos nessa fé e percorramos esse caminho – que, na maioria das vezes, é espinhoso e difícil – atingiremos nossa meta, razão pela qual a fé é a primeira condição para chegarmos ao ponto que desejamos atingir.


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