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quinta-feira, 20 de julho de 2023

MEDIUNIDADE CURADORA- UMA PROFISSÃO; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Na edição de abril de 1865 da REVISTA ESPÍRITA, Allan Kardec se posiciona diante de uma dúvida nascida diante do fato de médiuns – ou pretensos médiuns – se valerem do trabalho dos Espíritos desencarnados como meio de vida, ou mesmo desenvolverem trabalhos paralelos como a comercialização de medicamentos complementares à assistência espiritual para obter resultados econômicos. Afinal, pode-se transformar a mediunidade curadora em profissão? Explica Allan Kardec: - Por vezes os Espíritos se servem de médiuns especiais, como condutores de seu fluido. São esses os médiuns curadores propriamente ditos, cuja faculdade apresenta graus muito diversos de energia, conforme sua aptidão pessoal e a natureza dos Espíritos que os assistem. Conhecemos em Paris uma pessoa acometida há oito meses de exostoses no quadril e no joelho, que lhe causam grandes sofrimentos e a obrigam a ficar acamada. Um de seus amigos, rapaz dotado desta preciosa faculdade, prodigalizou-lhe cuidados pela simples imposição das mãos sobre a cabeça, durante alguns minutos, e pela prece, que o doente acompanhava com fervor edificante. No momento este último apresentava uma crise muito dolorosa, (...) logo seguida de uma calma perfeita. Então ele sentia a impressão de várias mãos, que massageavam e estiravam a perna, que se via alongar-se de 10 a 12 centímetros. Nele já há uma melhora muito sensível, pois começa a andar; mas a antiguidade e a gravidade do mal necessariamente tornam a cura mais difícil e mais demorada que a de uma simples entorse. Faremos observar que a mediunidade curadora ainda não se apresentou, ao que saibamos, com caracteres de generalidade e de universalidade, mas, ao contrário, restrita como aplicação, isto é, o médium tem uma ação mais poderosa sobre certos indivíduos do que sobre outros, e não cura todas as doenças. Compreende-se que assim deva ser, quando se conhece o papel capital que representam as afinidades fluídicas em todos os fenômenos mediúnicos. Algumas pessoas somente o gozam acidentalmente e para um determinado caso. Seria, pois, um erro acreditar que, pelo fato de se ter obtido uma cura, mesmo difícil, podem ser obtidas todas, em virtude do fluido próprio de certos doentes ser refratário ao fluido do médium; a cura é tanto mais fácil quanto mais naturalmente se opera a assimilação dos fluidos. Também é surpreendente ver algumas pessoas, frágeis e delicadas, exercerem uma ação poderosa sobre indivíduos fortes e robustos. É que, então, essas pessoas são bons condutores do fluido espiritual, ao passo que homens vigorosos podem ser péssimos condutores. Têm apenas o seu fluido pessoal, fluido humano, que jamais tem a pureza e o poder reparador do fluido depurado dos Espíritos bons. De acordo com isto, compreendem-se as causas maiores que se opõem a que a mediunidade curadora se torne uma profissão. Para que isso ocorra, seria preciso ser dotado de uma faculdade universal. Ora, só os Espíritos encarnados da mais elevada ordem poderiam possuí-la nesse grau. Ter essa presunção, mesmo exercendo-a com desinteresse e por pura filantropia, seria uma prova de orgulho que, por si só, seria um sinal de inferioridade moral. A verdadeira superioridade é modesta; faz o bem sem ostentação e apaga-se, em vez de procurar o brilho; o famoso vai buscá-la e a descobre, ao passo que o presunçoso corre atrás da fama que muitas vezes lhe escapa. Jesus dizia aos que havia curado: “Ide, dai graças a Deus e não faleis disto a ninguém.” É uma grande lição para os médiuns curadores. Lembraremos aqui que a mediunidade curadora está exclusivamente na ação fluídica mais ou menos instantânea; que não se deve confundi-la nem com o magnetismo humano, nem com a faculdade que têm certos médiuns de receber dos Espíritos a indicação de remédios. Estes últimos são apenas médiuns receitistas, como outros são médiuns poetas ou desenhistas.


O que Jesus quis dizer quando afirmou: “Aquele que perseverar até o fim será salvo”?


A perseverança é uma das grandes virtudes da alma. Perseverar é prosseguir sempre, mesmo entre dificuldades. Há pessoas que, tendo escolhido um bom caminho, desistem logo que encontram o primeiro obstáculo. Falta-lhes maturidade e senso de percepção, no sentido de que só conseguem perceber o que está bem perto, nunca o que está mais distante; por isso, fogem às dificuldades ao invés de enfrentá-las. Contudo, o bom senso nos diz que os caminhos mais fáceis são também os mais perigosos, enquanto que o bem é sempre difícil e trabalhoso.


Ao dizer que “quem perseverar será salvo”, Jesus estava se referindo, em particular, aos seus seguidores ( discípulos e apóstolos), pois os preveniu de que não seria nada fácil vivenciar e espalhar os princípios do evangelho; mas, de um modo geral, ele estava corroborando essa idéia de que só vence quem não desiste, ainda que o caminho seja espinhoso e o desconforto muito grande. O Espírito reencarna para progredir, mas, com certeza, não atingirá seus objetivos sem muito esforço e sacrifícios, pois aqueles que lutam são os que mais se fortalecem.


Para quem aceita a reencarnação, as dificuldades da vida são testes para o Espírito, que almeja uma condição melhor de paz e felicidade no futuro. Estamos todos de passagem por este planeta, e se, tivermos fé em Deus, saberemos enfrentar os problemas com a certeza da vitória – talvez, não de uma vitória completa aqui e agora – mas, um dia, quando estivermos mais bem preparados para compreender nossas próprias necessidades e limitações. A perseverança, portanto, é própria de quem acredita que vai atingir sua meta. Neste sentido, ele está salvo da desesperança e do fracasso e se faz vitorioso pela sua fé.

quarta-feira, 19 de julho de 2023

VISÃO SOMBRIA; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 O primeiro registro sobre o fenômeno foi feito por Albert De Rochas, engenheiro e diretor da Escola Politécnica de Paris, no livro VIDAS SUCESSIVAS (lachatrê), publicado em Paris no início do século 20. Na verdade, ocorreu meio que por acidente em experiências que realizava com duas voluntárias objetivando ver se no estado alterado de consciência chamado transe, ocorre algum tipo de liberação de estruturas mais sutis do corpo físico. Aliás, tão acidental quanto as regressões de memória ocorridas. Os novos registros, contudo, revelavam detalhes de acontecimentos pessoais a serem vividos futuramente pelas duas mulheres pesquisadas. No caso de uma delas, as revelações foram constatadas, enquanto que no da outra, não foi possível por de Rochas ter perdido contato com ela. O tempo avançou e, a partir dos anos 80, a Psicóloga, norte-americana Hellen Wambach que, quase vinte anos antes, iniciara uma cruzada para através de experimentos – segundo ela – provar a inexistência da reencarnação, concluindo, por fim, através de significativa amostragem concluir ser impossível não acreditar nas vidas sucessivas como relata no livro REVIVENDO VIDAS PASSADAS (pensamento ), resolveu ousar e encarar novo desafio: se é possível voltar no passado através da reencarnação, será possível ir ao futuro? Selecionou a princípio, entre muitos voluntários, três que lhe pareceram emocionalmente estáveis e, entre 1980 e 1985, realizou 2500 experimentos entre regressões progressões no tempo, apurando que apenas 5% destes americanos, se via reencarnado por volta do ano 2100. Os dados, considerados consistentes, revelaram que, em torno de 2300, a percentagem subia para 13 ou 15%, que parece indicar uma retomada do crescimento populacional, após drástico decréscimo. Tendo morrido em 1985, suas prospecções no futuro foram continuadas pelo amigo e também Psicólogo, o Dr Chet Snow, que vivendo à época na França, retorna ao seu país. Tabulando dados recolhidos de 133 pessoas sobre as expectativas para o ano 2100, o Dr Snow encontrou 35 vivendo no espaço, em viagens constantes ou colônias orbitando a Terra, o que sugere que o intercâmbio espacial ter-se-á tornado rotina no ano citado. O segundo grupo, composto de 24 pessoas, seria constituído de gente vivendo em pequenas comunidades terrenas, basicamente rurais ou pelo menos, afastadas dos grandes centros, e que, apesar da ausência de confortos e sofisticações tecnológicas, seriam autossuficientes e até felizes, revelando-se bem informada a respeito da realidade espiritual e familiarizada com os conceitos de reencarnação, sobrevivência do Ser, comunicabilidade entre vivos e mortos, entre outros. O terceiro grupo, compreendendo 41 pessoas, vivia em comunidades fechadas, altamente sofisticadas em termos tecnológicos, implantadas em espaços protegidos por cúpulas imensas que as mantinham isoladas do ambiente externo, usualmente árido e hostil. Ao contrário do segundo grupo feliz e descontraído, os habitantes do grupo fechado mostravam-se descontentes e indiferentes, como se a vida fosse desagradável imposição rotineira e não um privilégio e oportunidade valiosa, levando uma existência algo artificial, subsistindo à base de alimentos industrializados, muitos deles sintetizados em laboratórios, ao que parece, mantendo ativo intercâmbio com seres espaciais, só se aventurando fora de suas redomas coletivas por pouco tempo, protegidas por vestimentas e capacetes especiais que, em alguns casos, desarranjam-se, acarretando a morte do usuário. O quarto e último grupo, na classificação proposta pelo Dr Snow, é constituído por pessoas que ele considera como sobreviventes, seres marginalizados pelas catástrofes, vivendo, a duras penas, em regiões desoladas, usualmente em ruínas das grandes cidades do passado, como que regredidos a condições de vida mais precárias que do século 19, ainda dependentes de transporte animal, sem recursos que permitam um mínimo de conforto e segurança. Os depoimentos coligidos não sugerem ter havido nenhum apocalipse nuclear no período, tendo o desastre que impôs diminuição drástica da população planetária, de agressões ecológicas sofridas desde os últimos séculos do Segundo Milênio. O cenário descrito pelo prospectados é desolador, mostrando um planeta devastado também pela arrasadora ação combinada de erupções vulcânicas, enchentes e abalos sísmicos, impondo o desaparecimento de regiões inteiras sob as águas dos oceanos, e, o ressurgimento de outras do fundo dos mares. Avançando no tempo, entretanto, as progressões ao período 2300/2500, revelam a população mundial maior, comunidades mais espiritualizadas, parecendo consolidadas e em expansão, longevidade maior que as anteriores, diminuição dos marginalizados, apesar da persistência da violência em variadas formas.


Vocês falaram que o passe depende muito da pessoa que o recebe e, por isso, é importante que ela faça uma oração naquele momento, para receber. Mas, quando o passe é numa criança, e não no adulto – num bebê, por exemplo – como é que funciona, como é que ele recebe, pois, nós sabemos que bebê não faz oração. (Cristina Ananias Silva)


O passe, como já dissemos, é uma manipulação de energias ou fluidos espirituais através do pensamento de quem dá e de quem recebe. Quando se trata de atender a um adulto, a maior dificuldade na recepção do passe está no seu campo mental, ou seja, no seu padrão de pensamento, que muitas vezes pode ser refratário a energias superiores, pode oferecer resistência. Explicamos melhor: um clima emocional de raiva, mágoa, inveja, ciúme, por exemplo, é sempre um obstáculo para receber bons fluídos.


Tentamos romper essas barreiras ( a barreira dos maus sentimentos), convidando o paciente à prece, e a pensar em coisas boas, a ocupar seus sentimentos com valores elevados, como os princípios morais ensinados por Jesus. Por isso, a necessidade e a importância desse preparo de alguns minutos para que, em seguida, ele esteja receptivo às correntes fluídicas positivas. É o que fazemos no centro espírita, antes do passe. Logo, as pessoas, que vão ao centro tomar passe, precisam necessariamente passar por esse processo de desobstrução de barreiras negativas, que é acompanhar atentamente a exposição do Evangelho.


Falamos do adulto, porque precisamos falar sobre a criança. É claro que o bebê pode receber passe. Entretanto, nesse caso, é diferente do adulto, pois o bebê é um Espírito ainda em processo de reencarnação. Nesta vida, ele ainda não pensou negativamente, não teve tempo de se magoar, de desenvolver um sentimento de rejeição ou de ódio contra ninguém. Seu campo mental está livre e tal condição lhe faculta uma defesa natural contra forças negativas e, ao mesmo tempo, uma receptividade muito maior que o adulto quando se trata de passe. Isso, sem considerar ainda que o bebê tem seu Espírito protetor, que consegue agir com mais eficácia sobre ele do que sobre um adulto.


terça-feira, 18 de julho de 2023

PROVAS DA VERDADE DO ESPIRITISMO; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

-“Todos os que de Deus receberam a missão de ensinar a verdade aos homens tem provado sua missão por meio de milagres. Por quais meios o senhor prova a verdade de seu ensino?”. A pergunta foi formulada por um sacerdote e originou matéria inserida na edição de fevereiro de 1862, da REVISTA ESPÍRITA. Em meio aos argumentos apresentados por Allan Kardec, destacamos: -“O Espiritismo não se apoia em nenhum fato miraculoso; seus adeptos não fizeram, nem tem a pretensão de fazer qualquer milagre; não se julgam bastante dignos para que à sua voz, Deus mude a ordem eterna das coisas. O Espiritismo constata um fato material – o da manifestação das almas ou Espíritos. Tal fato é ou não é real? Eis a questão. Ora, nesse fato, admitido como verdadeiro, nada há de miraculoso. Como as manifestações desse gênero – tais como as visões, as aparições e outras – ocorreram em todos os tempos, como bem o atestam os historiadores sacros e profanos e os livros de todas as religiões, aquelas de outrora passaram como sobrenaturais. Hoje, porém, que se lhes conhece a causa, que se sabe são produzidas em virtude de certas leis, sabe-se, também, que lhes falta o caráter essencial dos fatos miraculosos – o da exceção à lei comum. Observadas em nossos dias com mais cuidado que na Antiguidade; observadas sobretudo sem prevenções e com o auxílio de investigações tão minuciosas quanto as que são feitas nos estudos científicos, tais manifestações tem como consequência provar, de modo irrecusável, a existência de um princípio inteligente fora da matéria, a sua sobrevivência ao corpo, a sua individualidade após a morte, a sua imortalidade, o seu futuro feliz ou infeliz – por conseguinte, a base de todas as religiões.(...). Voltemos às provas da verdade do Espiritismo. Há duas coisas no Espiritismo: o fato da existência dos Espíritos e de suas manifestações; e a doutrina daí decorrente. O primeiro ponto não pode ser posto em dúvida senão pelos que não viram ou não quiseram ver. Quanto ao segundo a questão é de saber se essa Doutrina é justa ou falsa. É uma questão de apreciação. Se os Espíritos só manifestassem sua presença por meio de ruídos, movimentos e, numa palavra, por efeitos físicos, isto não provaria grande coisa, pois não saberíamos se são bons ou maus. O que, sobretudo, é característico neste fenômeno, o que é de natureza a convencer os incrédulos, é o poder de reconhecer parentes e amigos entre os Espíritos. Mas, como podem os Espíritos atestar a sua presença, a sua individualidade e permitir o julgamento de suas qualidades, senão falando? Sabe-se que a escrita pelos médiuns é um dos meios que eles empregam. Desde que tem um meio de exprimir suas ideias, podem dizer o que quiserem. Conforme o seu adiantamento, dirão coisas, mais ou menos, boas, justas e profundas. Ao deixar a Terra, não abdicaram do livre arbítrio: como todos os seres pensantes, tem suas opiniões; como entre os homens, os mais adiantados dão ensinamentos de alta moralidade, conselhos marcados de profunda sabedoria. São esses ensinamentos e esses conselhos que, recolhidos e ordenados, constituem a Doutrina Espírita, ou dos Espíritos. Se quiserdes, considerai essa doutrina não como uma revelação divina, mas como a expressão de uma opinião pessoal deste ou daquele Espírito. A questão é de saber se é boa ou má, justa ou falsa, racional ou ilógica. A quem procurar para isto? O julgamento de um indivíduo? Mesmo de alguns indivíduos? Não. Porque, dominados pelos preconceitos, ideias preestabelecidas ou interesses pessoais, eles podem enganar-se. O único e verdadeiro juiz é o público, porque aí não há interesse de camarilha, e porque nas massas há um bom senso inato, que se não equivoca. Diz a lógica sadia que a adoção de uma ideia ou princípio pela opinião geral é prova de que repousa sobre um fundo de verdade. Os Espíritas não dizem: ‘-Eis uma doutrina saída da boca do próprio Deus, revelada a um só homem por meios prodigiosos e que deve ser imposta ao gênero humano’. Ao contrário, dizem: -“Eis uma doutrina que não é nossa, cujo mérito não reivindicamos. Adotamo-la porque a achamos racional’. Atribuí sua origem a quem quiserdes.: a Deus, aos Espíritos, aos homens. Examinai-a. Se vos convier, adotai-a. Caso contrário, pode-a de lado”. Não se pode ser menos absoluto. O Espiritismo não vem usurpar a religião; ele não se impõe; não vem forçar as consciências (...). O Espiritismo não quer constituir-se num grupo à parte: pelos meios que lhe são próprios, ele reconduz os que se afastam.



Quero saber se existe diferença entre passe e benzimento. ( Vera Cristina Ananias da Silva)


Na essência, não, porque tanto num quanto outro há transfusão de energias. Mas existe diferença na forma como cada um é utilizado. O benzimento mantém uma formula ritualística que utiliza gestos, objetos, ramos de plantas e orações. É uma prática mágica milenar, que provém das culturas mais antigas da humanidade. Através dos tempos e com a influência das diversas religiões, ele chegou até nós e ainda hoje é utilizado.


O passe é entendido, no Espiritismo, como uma transfusão de energia e dispensa qualquer formula ou ritual. O máximo recomendável é a imposição das mãos, como fazia Jesus ante as pessoas doentes, pois a eficácia do passe depende do clima mental do ambiente, ou seja, do pensamento e do sentimento, tanto daquele que o aplica, como daquele que o recebe. É, portanto, uma postura mental de ambos, que permite estabelecer um vínculo de doação e recepção de fluidos energéticos, ajudado por Espíritos. Portanto, esses fluidos não provêm só do passista, mas de outras pessoas presentes, do plano espiritual e da natureza em geral. O passista funciona mais como um canalizador desses recursos.


Toda oração, quando feita com espírito fraterno, com vontade de auxiliar e proferida com fé, é sempre benéfica, principalmente se o paciente colaborar com sua própria prece. No meio espírita utilizamos o passe, por ser uma forma simples e sem aparato, que se baseia no campo mental criado pelas pessoas e, de preferência, num local apropriado, devido ás energias reinantes. Por isso, há sempre uma preparação para o passe, que é aquele momento em que lemos e comentamos alguma lição do evangelho. O preparo mental facilita o fluxo de energia do doador, ou através dele para quem recebe.



segunda-feira, 17 de julho de 2023

AS MORTES PREMATURAS; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Revelado no livro LÉON DENIS NA INTIMIDADE de Claire Baumard (clarim) como a reencarnação de John Wycliffe precursor da Reforma, o contemporâneo de Allan Kardec desde a cidade de Tours, na França, se transformou um dos melhores interpretes do aspecto filosófico do Espiritismo através de livros maravilhosos. Um deles O PROBLEMA DO SER, DO DESTINO E DA DOR (feb). Nele encontramos um comentário que amplia nosso entendimento sobre a questão da perda de entes queridos precocemente. Diz Léon: -“Pergunta-se às vezes o que se deve pensar das mortes prematuras, das mortes acidentais, das catástrofes que, de um golpe, destroem numerosas existências humanas. Como conciliar esses fatos com a ideia de plano, de providência, de harmonia universal? E se deixa voluntariamente a vida por um ato de desespero, que sucede? Qual é a sorte dos suicidas? As existências interrompidas prematuramente por causa de acidentes chegaram ao seu termo previsto. São, em geral, complementares de existências anteriores, truncadas por causa de abusos ou excessos. Quando, em consequência de hábitos desregrados, se gastaram os recursos vitais antes da hora marcada pela Natureza, tem-se de voltar a perfazer, numa existência mais curta, o lapso de tempo que a existência precedente devia ter normalmente preenchido. Sucede que os seres humanos, que devem dar esta reparação, se reúnem num ponto pela força do destino, para sofrerem, numa morte trágica, as consequências de atos que têm relação com o passado anterior ao nascimento. Daí, as mortes coletivas, as catástrofes que lançam no mundo um aviso. Aqueles que assim partem, acabaram o tempo que tinham de viver e vão preparar-se para existências melhores. Quanto aos suicidas, a perturbação em que a morte os imerge é profunda, penosa, dolorosa. A angústia os agrilhoa e segue até à sua reencarnação ulterior. O seu gesto criminoso causa ao corpo fluídico um abalo violento e prolongado que se transmitirá ao organismo carnal pelo renascimento. A maior parte deles volta enferma à Terra. Estando no suicida, em toda a sua força, a vida, o ato brutal que a despedaça produzirá longas repercussões no seu estado vibratório e determinará as nas suas futuras vidas terrestres. O suicida procura o Nada e o esquecimento de todas as coisas; mas vai, ao contrário, encontrar-se em face de sua consciência, na qual fica gravada, para todo o sempre, a recordação lamentável da sua deserção do combate da vida. A prova mais dura, o sofrimento mais cruel que haja na Terra é preferível a recriminação perpétua da alma, à vergonha de já não se poder prezar. A destruição violenta de recursos físicos que podiam ser-lhe úteis ainda, e até fecundos, não livra o suicida das provações a que quis fugir, porque lhe será necessário reatar a cadeia quebrada das suas existências e com ela tornar a achar a série inevitável das provas, agravadas por atos e consequências que ele mesmo causou. Os motivos de suicídio são de ordem passageira e humana; as razões de viver são de ordem eterna e sobre-humana. A vida, resultado de um passado completo, instrumento de futuro, é, para cada um de nós, o que deve ser na balança infalível do destino. Aceitemos com coragem suas vicissitudes, que são outros tantos remédios para as nossas imperfeições, e saibamos esperar com paciência a hora fixada pela Lei equitativa para termo da nossa permanência na Terra”.



Na Igreja, quando uma criança é batizada, não é a mesma coisa de um passe que ela recebe? ( Ivone)


O passe espírita não tem nenhum ritual, Ivone. O fato de o passista impor as mãos sobre a cabeça do paciente é apenas para facilitar o fluxo de energias através dos membros, mas não deve ser complicado com gestos afetados ou ruídos. Uma simples oração ou um abraço carinhoso pode ser um passe. Consta que Jesus simplesmente colocava as mãos sobre a cabeça da pessoa e a convidava crer e a orar com ele. O mecanismo é invisível aos nossos olhos.


- Logo, o passe deve ser visto como uma aplicação simples e pura de recursos energéticos, sem necessitar do aparato místico de celebração ritualística. No entanto, fora das fileiras espíritas, temos o benzimento e as demais práticas religiosas, inclusive o batismo, que podem ter efeito semelhante ao do passe, quando as pessoas envolvidas estiverem realmente imbuídas das mais nobres intenções. Sempre, que queremos ajudar, podemos ser úteis.


O Espiritismo não nega que toda prece sincera – parta de quem partir, seja de qualquer religião ou mesmo de quem não tem religião alguma – sempre tem um efeito espiritual importante, e pode ajudar muito; não pelo ritual em si, mas o sentimento que domina as pessoas que dão e as pessoas que recebem. Aliás, como temos falado, Jesus ensinou que, sempre que quisermos receber um benefício de Deus, devemos nos recolher no silêncio de nosso quarto e falar em segredo com Ele. Só isso. Jesus era avesso a cerimônias.



domingo, 16 de julho de 2023

IMAGENS NÃO VISTAS, EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Confirmando a sobrevivência após a morte do corpo físico, o Espiritismo sustenta que os que partiram exercem maior ou menor influência sobre os que deixaram na retaguarda do Plano Material. Todavia, como se originam as chamadas influências espirituais? A resposta é oferecida pelo próprio Allan Kardec, sendo seguida por seis exemplos muito interessantes sobre as variações dessa ação do Mundo Invisível sobre o Visível: - O Mundo Invisível é composto dos que deixaram seu envoltório corporal ou, por outras palavras, das almas que viveram na Terra. Estas almas ou Espíritos, o que é a mesma coisa, povoam o Espaço, estão em toda parte, ao nosso lado, como nas regiões mais afastadas. A experiência prova que podem vir ao nosso apelo; mas vem mais ou menos de boa vontade, com maior ou menor prazer, conforme a intenção, como bem se compreende. (RE; 12/1859) Vejamos os exemplos: 1- NA VIA PÚBLICA - No longo percurso, através de ruas movimentadas, surpreendia-me, sobremaneira, por se me depararem quadros totalmente novos. Identificava, agora, a presença de muitos desencarnados de ordem inferior, seguindo os passos de transeuntes vários, ou colados a eles, em abraço singular. Muitos se dependuravam a veículos, contemplavam-nos outros, das sacadas distantes. Alguns, em grupos, vagavam pelas ruas, formando verdadeiras nuvens escuras que houvessem baixado repentinamente ao solo. Assustei-me. Não havia notado tais ocorrências nas excursões anteriores ao círculo carnal. (...) Não dissimulava, entretanto, minha surpresa. As sombras sucediam-se umas às outras e posso assegurar que o número de entidades inferiores, invisíveis ao homem comum, não era menor, nas ruas, ao de pessoas encarnadas, em continuo vaivém (...). Tinha a impressão nítida de havermos mergulhado num oceano de vibrações muito diferentes, onde respirávamos com certa dificuldade. (M; 34) 2- NUMA RESIDÊNCIA COMUM - A família, constituída da viúva, três filhos e um casal de velhos, permanecia à mesa de refeições, no almoço muito simples. Entretanto, um fato, até então inédito para mim, feriu-me a observação: seis entidades envolvidas em círculos escuros acompanhavam-nos ao repasto, como se estivassem tomando alimentos por absorção. (...) Os que desencarnam em condições de excessivo apego aos que deixaram na Crosta, neles encontrando as mesmas algemas, quase sempre se mantém ligados à casa, às situações domésticas e aos fluidos vitais da família. Alimentam-se com a parentela e dormem nos mesmos aposentos onde se desligaram do corpo físico.(...) 3 - FALTA DE IMUNIDADE - Os quadros de viciação mental, ignorância e sofrimento nos lares sem equilíbrio religioso, são muito grandes. Onde não existe organização espiritual, não há defesas de paz de espírito. Isto é intuitivo para todos os que estimem o reto pensamento. (ML,11) 4- ENFERMARIA DE UM HOSPITAL - A enfermaria estava repleta de cenas deploráveis. Entidades inferiores, retidas pelos próprios enfermos, em grande viciação da mente, postavam-se em leitos diversos, inflingindo-lhes padecimentos atrozes, sugando-lhes vampirescamente preciosas forças, bem como atormentando-os e perseguindo-os. Seria inútil qualquer esforço extraordinário, pois os próprios enfermos, em face da ausência de educação mental, se incumbiriam de chamar novamente os verdugos, atraindo-os para suas mazelas orgânicas, competindo-nos apenas irradiar boa vontade e praticar o Bem, tanto quanto fosse possível, sem, contudo, violar as posições de cada um. (OVE; 185 5- NUM RESTAURANTE - Transpusemos a entrada. As emanações do ambiente produziam em nós indefinível mal estar. Junto de fumantes e bebedores inveterados, criaturas desencarnadas de triste feição se demoravam expectantes. Algumas sorviam as baforadas de fumo arremessadas ao ar, ainda aquecidas pelo calor dos pulmões que as expulsavam, nisso encontrando alegria e alimento. Outras aspiravam o hálito de alcóolatras impenitentes. Informou o Orientador: - Muitos de nossos irmãos, que já se desvencilharam do vaso carnal, se apegam com tamanho desvario às sensações da experiência física, que se cosem àqueles nossos amigos terrestres temporariamente desequilibrados nos desagradáveis costumes por que se deixam influenciar.(NDM, 138)



Quando alguém morre em nossa casa, para onde vai seu espírito? Uns dizem que ele fica em casa mesmo, outros que vai para o espaço, outros que vai para o umbral ou para o purgatório, outras que fica dormindo até o dia do juízo. Onde ela fica?


- O Espiritismo nos ensina que é pela morte do corpo que o Espírito se liberta e que esse desprendimento do corpo, que chamamos de desencarnação, não se dá da mesma maneira com todos. Alguns, que se encontram em melhor situação, desprendem logo, outros podem demorar. É comum acontecer que o desligamento se dê durante o velório; por isso, devemos fazer de tudo para manter o velório num clima de respeito e paz, evitando que se transforme num ambiente tumultuado onde se trata e se fala de tudo.


Após o desligamento do Espírito é a sua condição espiritual, como dissemos, que vai determinar seu destino imediato. Geralmente, há uma assistência dos Espíritos familiares, amigos e protetores, nesse momento. O desencarnante pode estar consciente ou inconsciente: é mais comum que esteja inconsciente, ou seja, que ele não saiba o que está se passando. Neste caso, o processo de desencarnação é dirigido pelos benfeitores, que lhe prestam atendimento imediato, considerando que a desencarnação, na maior parte das vezes, demora cerca de 12 horas para ser concluída.


A recepção do Espírito, depois da morte, depende de suas tendências e do tipo de vida que levou na Terra. Por isso, alguns podem ser arrastados para antros de malfeitores – quando essa é sua tendência e essa foi sua prática costumeira – outros para hospitais ou escolas no plano espiritual, quando merecedores; outros, inseguros ou atormentados por problemas familiares e sentimentos de culpa, podem ficar casa com seus familiares, e outros, ainda, podem ser guindados a condições espirituais mais elevadas. Há Espíritos que dormem, até por longo tempo, mas isso depende até mesmo de suas expectativas diante da morte, de suas crenças ou das circunstâncias, muitas vezes violentas, da desencarnação.


Se você ler as obras de André Luiz, especialmente OBREIROS DA VIDA ETERNA, vai encontrar vários casos de desencarnação, que poderão lhe ajudar a entender melhor o assunto, bem como a questão do destino dos Espíritos. Devemos compreender, porém, que não há uma condição definitiva para ninguém, porque a vida continua e tudo vai depender de como o Espírito se encaminhará no futuro. As atitudes da família – de respeito, resignação e prece - podem ajudar muito o ente desencarnado, especialmente se ele não conseguiu ainda se desprender do ambiente da casa.


Contudo, a condição do Espírito após a desencarnação, por mais problemática que seja, não é definitiva. Nada existe de definitivo e imutável em relação a isso. Ele terá chances de melhorar, especialmente se se decidir por nova encarnação, pois a maior oportunidade que o Espírito tem nesse sentido está em recomeçar a vida, passar novamente pela infância, aprender ou reaprender o caminho do bem, o destino de todos nós. Nisso estão o perdão e a misericórdia de Deus.






sábado, 15 de julho de 2023

EXPIAÇÃO E PROVA-DIRIMINDO DÚVIDAS ; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Expositores, facilitadores, palestrantes costumam comentar o tema Expiação e Provas de uma forma diferente da comentada por Allan Kardec respondendo a indagação de seguidor do Espiritismo nascida em seu grupo de estudos na cidade de Moulllins, interior da França, sobre a Expiação ocorrer ou não durante a encarnação dos Espíritos, apoiando-se na expressão empregada em muitas comunicações. É na seção Questões e Problemas do número de setembro de 1863 da REVISTA ESPÍRITA, que se ocupa dos argumentos do consulente que se vale de “várias comunicações, dadas por Espíritos diferentes, qualificando indistintamente as expiações e as provas, males e tribulações que formam o quinhão de cada um de nós, durante a encarnação na Terra. Resulta - segundo ele -, nesta aplicação de duas palavras, muito diversas da significação, a uma mesma ideia, certa confusão, sem dúvida pouco importante para os Espíritos desmaterializados, mas que, entre os encarnados, dá lugar a discussões, que seria interessante fazer cessar por uma definição clara e precisa e explicações fornecidas pelos Espíritos Superiores, e que fixasse, de modo irrevogável, este ponto da Doutrina”. Opina Allan Kardec: -“A distinção estabelecida pelo autor da nota, entre o caráter da expiação e o das provas é perfeitamente justa. Contudo não poderíamos partilhar de sua opinião no que concerne à aplicação desta teoria à situação do homem na Terra. A expiação implica necessariamente a ideia de um castigo mais ou menos penoso, resultado de uma falta cometida; a prova implica sempre a de uma inferioridade real ou presumível, porque o que chegou ao ponto culminante a que aspira, não mais necessita de provas. Em certos casos, a prova se confunde, com a expiação, isto é, a expiação pode servir de prova, e reciprocamente. O candidato que se apresenta para receber uma graduação, passa por uma prova. Se falhar, terá que recomeçar um trabalho penoso; esse novo trabalho é a punição da negligência no primeiro; a segunda prova é, assim, uma expiação. Para o condenado a quem se faz esperar um abrandamento ou uma comutação, se se conduzir bem, a pena é ao mesmo tempo uma expiação por sua falta, e uma prova para sua sorte futura. Se, à sua saída da prisão, não estiver melhor, sua prova é nula e um novo castigo conduzirá a uma nova prova. Agora, se considerarmos o homem sobre a Terra, vemos que ele aí suporta males de toda sorte e, por vezes, cruéia. Esses matles tem uma causa. Ora, a menos que se os atribua a um capricho do Criador, é-se forçado a admitir que a causa esteja em nós mesmos, e que as misérias que experimentamos não podem ser resultado de nossas virtudes. Então tem sua fonte nas nossas imperfeições. Se um Espírito encarnar-se na Terra em meio à fortuna, as honras e todos os prazeres materiais, poder-se-á dizer que sofre a prova do arrastamento; para o que cai na desgraça por sua conduta ou sua imprevidência, é a expiação de suas faltas atuais e pode-se dizer que é punidopor onde pecou. Mas que dizer daquele que, após o nascimento, está a braços com as necessidades e as privações, que arrasta uma existência miserável e sem esperança de melhora, que sucumbe ao peso de enfermidades congênitas, sem ter ostensivamente nada feito para merecer tal sorte? Quer seja uma prova, quer uma expiação, a posição não é menos penosa e não seria mais justa do ponto de vista do nosso correspondente, porque se o homem não se lembra da falta, também não se lembra de haver escolhido a prova. Assim, há que buscar alhures a solução da questão. Como todo efeito em uma causa, as misérias humanas são efeitos que devem ter a sua; se esta não estiver na vida atual, deve estar numa vida anterior. Além disso, admitindo-se a Justiça de Deus, tais efeitos devem ter uma relação mais ou menos íntima com os atos precedentes, dos quais são, ao mesmo tempo, castigo para o passado e prova para o futuro. São expiações no sentido de que são consequência de uma falta e provas em relação ao proveito delas tirado. Diz-nos a razão que Deus não pode ferir um inocente. Assim, se formos feridos e se não somos inocentes o mal que sentimos é o castigo, a expiação, a maneira porque o suportamos é a prova. (...). Em resumo, se certas situações da vida humana tem, mais particularmente, o caráter de provas, outras, incontestavelmente, tem o de expiação, e toda expiação pode servir de prova”.



Silvana Mendes quer um comentário sobre a oração do “Pai Nosso”, que Jesus ensinou. Ela assistiu a uma palestra sobre oração e achou interessante tratar disso no programa.


Nós encontramos a oração do “Pai Nosso” nos evangelhos de Lucas e de Mateus. Mateus escreveu um “Pai Nosso” com uma frase a mais que Lucas. Trata-se, no entanto, de uma prece muito curta e concisa com, no máximo, seis frases – que está à altura de qualquer pessoa memorizar com facilidade. Jesus não podia ensinar uma oração longa, mesmo porque ele combateu as longas orações e criticou a repetição da mesma oração muitas vezes.


“Nas vossas orações – disse ele – não useis muitas palavras, como fazem os gentios, que julgam que serão ouvidos pelo muito falar. Não o imiteis, portanto, pois vosso Pai sabe do que necessitais, antes mesmo de lhe fazerdes o pedido”. Veja como Jesus encarava a prece: como um ato simples, breve, sem adorno. Com isso, ele combatia a prática, muito comum entre os fariseus, que eram conhecidos por praticarem a religião formal, orarem muito, cantarem hinos e louvores em praça pública.


Jesus queria mostrar que a prece não pode ser um ato apenas exterior. Pelo contrário, ela deve ser um ato interior, que parta de nosso coração, sem necessidade de aparecer, pois, para falarmos com Deus não precisamos, nem mesmo, sair do lugar ou ir ao templo, ou nos enfeitar, ou nos vestir de modo diferente. Nada disso, a prece é um ato íntimo, ela deve estar, sobretudo, em nosso sentimento, antes de estar apenas em nossas palavras. Por isso, ela pode ser feita silenciosamente, secretamente, sem que ninguém o sabia, pois a nossa prece só nos interessa a nós e a Deus.


Ele ensinou o “Pai Nosso”, quando proferia o Sermão da Montanha, e falava ao povo em geral. A multidão o ouvia, atenta. Estava acostumada a ver na adoração um ato mais exterior, cheio de ritos e celebrações. Os judeus oravam nas sinagogas ou nas ruas, mas, pelo menos uma vez ao ano, deviam fazer uma peregrinação até o Templo de Jerusalém - quilômetros de distância a pé ou no lombo de um animal – para prestar homenagem a Iavé ( o nome de Deus). Lá deveriam fazer uma oferenda ( geralmente, um animal, que era sacrificado no altar do templo), a fim de serem reconhecidos, perdoados e abençoados por Deus. Era um cerimonial complicado ao qual se sentiam obrigados pelas regras religiosas.


Jesus não disse que condenava tal adoração, mas não a julgava necessária, principalmente para o povo pobre, que não podia fazer como os fariseus, que orava nas sinagogas e nas praças, e tampouco se deslocar a tão longa distância e sacrificar-se para dar a oferenda de que não podia dispor, já que vivia massacrado pela carga de elevados impostos. Então, o mestre, dispensando esse sacrifício inútil, ensinou ao seu povo o sentido da verdadeira oração: “Quando orais – disse ele – não sejais como os hipócritas, que gostam de orar em pé nas sinagogas e nas praças, a fim de serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo, que eles já receberam a sua recompensa”.


“Mas vós, porém, quando orardes – continuou – entrai no vosso quarto e, fechada a porta, orai a vosso Pai em segredo e vosso Pai, que sabe o que se passa em segredo, vos atenderá”. E em seguida, para que seus ouvintes tivessem uma idéia de como é simples, e informal uma oração, ele disse. “Orai assim. Pai Nosso que estás no céu, santificado seja o teu nome. Venha o teu reino. Seja feita a tua vontade, assim na Terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dá hoje. Perdoa as nossas ofensas, assim como perdoamos aqueles que nos ofendem. Não nos deixes cair em tentação e livra-nos de todo o mal”.


sexta-feira, 14 de julho de 2023

CREMAÇÃO; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Pratica milenar na Oriente, a cremação ressurgiu no Mundo Ocidental no início do século XX. O Espiritismo ampliando nossa visão sobre a inevitável experiência da morte, tem muito a dizer sobre o assunto, especialmente ao afirmar que ela como diz o Psiquiatra norte-americano Brian Weiss é “abrir uma porta e passar para outra sala”. Em 1935, jornalista Clementino de Alencar a serviço do jornal O GLOBO, ouviu através do médium Chico Xavier, o Orientador Espiritual Emmanuel sobre variadas questões extremamente importantes. Uma delas, ‘sobre qual a impressão do homem no instante da morte?’, ouvindo dele: – A impressão da alma no momento da morte varia com os estados de consciência dos indivíduos. Para todas as criaturas, porém, manifesta-se nesses instantes a bondade divina. Têm invariavelmente a assistência dos seus protetores, e amigos invisíveis que os auxiliam a se libertar das cadeias que os prendem à vida material. Entre os homens não existe a necessidade de alguém que auxilie os recém-nascidos a se desvencilharem do cordão umbilical? As sensações penosas do corpo são mais ou menos acordes com a moléstia manifestada. Elas, porém, passam e nos primeiros tempos, no Plano Espiritual, vai a alma colher os frutos de suas boas ou más obras na superfície do mundo.’. Na época, no Brasil, começava-se a falar sobre uma legislação visando a cremação de corpos e o enviado especial a Pedro Leopoldo, MG; aproveitou para indagar: ―Sentem os desencarnados os efeitos da cremação de seus despojos mortais? Emmanuel esclareceu: ―Geralmente, nas primeiras horas do ‘post-mortem’, ainda se sente o Espírito ligado aos elementos cadavéricos. Laços fluídicos, imperceptíveis ao vosso poder visual, ainda, se conservam unindo a alma recém-liberta ao corpo exausto; esses elos impedem a decomposição imediata da matéria. E, por esta razão, na maioria dos casos o Espírito pode experimentar os sofrimentos horríveis oriundos da cremação, a qual NUNCA DEVERÁ SER LEVADA A EFEITO ANTES DO PRAZO DE CINQUENTA HORAS APÓS O DESENLACE. A cremação imediata ao chamado instante da morte é, portanto, nociva e desumana. As vezes, segundo a natureza das moléstias que precedem a desencarnação, existem ainda no cadáver inúmeros elementos de vida: daí nasce a possibilidade de, usando de recursos vários e reagentes, a ciência fazer um morto voltar à vida. Vê-se, pois, que o Espírito desencarnado, nas primeiras horas do Além-Túmulo, pode sentir dentro do quadro de suas impressões físicas, todas as ações a que seu corpo abandonado seja submetido. O Espírito do escritor e cronista Humberto de Campos, noutra ocasião se manifestou sobre o assunto também através de Chico Xavier dizendo: -“Há muito caminho por andar antes que o homem comum se beneficie com a verdadeira morte. A cessação dos movimentos do corpo nem sempre é o fim do expressivo transe. O túmulo é uma passagem especial, a cujas portas muitos dormem, por tempo indeterminado, criando forças para atravessa-la com o preciso valor. Morrer não é libertar-se facilmente. Para quem varou a existência na Terra entre abstinência e sacrifícios, a arte de dizer adeus é alguma coisa da felicidade ansiosamente saboreada pelo Espírito, mas para o comum dos mortais, afeitos aos “comes e bebes” de cada dia, para os senhores da posse física, para os campeões do conforto material e para os exemplares felizes do prazer humano, na mocidade ou na madureza, a cadaverização não é serviço de algumas horas... Demanda tempo, esforço, auxílio e boa vontade. Por trás da máscara mortuária, muitas vezes, esconde-se a alma, inquieta e dolorida, sob estranhas indagações, na vigília torturada ou no sono repleto de angústia. Para semelhantes viajores da grande jornada, a cremação imediata do comboio fisiológico será pesadelo terrível e doloroso. Eis porque, se pudéssemos, pediríamos tempo para os mortos. Se a Lei Divina fornece um prazo de nove meses para que a alma possa nascer ou renascer no mundo com a dignidade necessária, e se a legislação humana já favorece os empregados com o benefício do aviso prévio, porque razão o morto deve ser reduzido à cinza com a carne ainda quente?



Às vezes, fico pensando como deve ser o mundo da pessoa que se entregou ao crime, que só age contra a lei que vive prejudicando os outros. O que ela pode esperar da vida? Será que ela acredita em Deus? ( Jorgina Ferreira –Araceli)


A mente criminosa é aquela que vive em função do crime e para o crime. Necessariamente, ou se trata de pessoa mentalmente doente ou de alguém que se deixou arrastar pela revolta e se perdeu de si mesma. Seu rompimento com tudo que aprendeu de bom e com as regras sociais só podem se enquadrar em tais situações. Na maioria das vezes, são Espíritos recalcitrantes, que já trazem do passado experiências nesse caminho.


A Sociologia e Psicologia procuram explicações próprias: a Psicologia voltando-se mais aos problemas e traumas de infância, e a Sociologia às causas sociais, como miséria e abandono. A medicina fala, ainda, de causas genéticas, ou seja, tendências herdadas de ascendentes – pais, avós, bisavós, etc. É claro que não podemos descartar nenhum desses fatores, pois todos eles podem influir no desenvolvimento de uma personalidade desajustada. Mas, a elas acrescentamos as causas espirituais, que as antecedem e que, de certa forma, as reúne todas num feixe de causas entrelaçadas.


Felizmente, a grande maioria dos Espíritos não tem esse problema. Mas, numa e noutra família, mesmo aquela que se considerar uma boa família, pode vir um Espírito com problemas dessa ordem, principalmente, hoje, com a vulgarização das drogas. As drogas, por terem substâncias que afetam diretamente o sistema nervoso central, podem despertar antigas tendências no indivíduo, reavivando sua agressividade de uma maneira incontrolável.


Acreditamos que a pessoa, que cai no mundo do crime, quando não tem um comprometimento mental sério, é vitima de si mesma, embora outros (como familiares, amigos ou mesmo a sociedade) também podem ter concorrido para isso. Vive em conflito consigo mesma. Sabe a extensão e a profundidade do mal que pratica, mas entrega-se a ele, de uma maneira apaixonada, assim como quem se entrega a um amor proibido, fechando os olhos às suas conseqüências. Por isso, por ser infeliz, dada à sua condição de desarmonia íntima e ao fato de não se amar, pois tem consciência do mal que está fazendo a si própria. Disso resulta que vive exclusivamente pára o presente e prefere não acreditar em Deus, pois isso lhe traria transtornos íntimos ainda mais graves.


quinta-feira, 13 de julho de 2023

PREMONIÇÃO; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 A carta da senhora Angelina de Ogé, da cidade marítima de Marennes, região sudoeste da França, além de agradecer as preces formuladas em seu favor na Sociedade Espírita de Paris para seu restabelecimento das inexplicáveis e renitentes febres de que fora acometida por meses de forma intermitente, relatava fato curioso que vivenciara. Informada da visita do pai para passar alguns dias em sua casa, reservou e mobiliou um quartinho para ele, desejando que ninguém dormisse ali antes dele. Conta que desde o momento em que manifestou tal pensamento, teve a intuição de que quem se deitasse naquela cama morreria, ideia que passou a persegui-la incessantemente, oprimindo seu coração a ponto de não ousar mais ir àquele quarto. Contudo, na esperança de se desembaraçar dela, foi orar junto ao leito. Julgou ver ali um corpo, e, na intenção de se assegurar tratar-se de uma ilusão, levantou os lençóis, nada mais vendo. Refletindo tratarem-se esses pressentimentos de ilusões ou resultado de obsessões, no mesmo instante ouviu suspiros como de uma pessoa que morre, sentindo sua mão direita apertada fortemente por mão quente e úmida, saindo do quarto para não mais adentrá-lo. Durante seis meses foi atormentada por este triste aviso e, quando finalmente seu pai chegou, caiu doente, morrendo ao cabo de oito dias, emitindo os últimos suspiros da mesma forma que vira, segurando e apertando-lhe a mão direita, do mesmo modo antevisto. Tal perda, evidentemente, causou-lhe intensa dor, tanto maior quando recordava do aviso recebido ao qual não dera crédito. No número de janeiro de 1868 da REVISTA ESPÍRITA, encontramos um artigo escrito por Allan Kardec abordando o interessante fato. Logo no início destaca dois pontos: a importância de se orar pelos doentes, e, segundo, uma nova prova da assistência dos Espíritos pela inspiração. Destaca seja talvez “um dos gêneros mais comuns de mediunidade, e que vem confirmar o princípio que todo mundo é mais ou menos médium sem o suspeitar. Seguramente, se cada um se reportasse às diversas circunstâncias de sua vida, observasse com cuidado os efeitos percebidos em si ou de que foi testemunha, não haveria ninguém que não reconhecesse ter alguns efeitos de mediunidade inconsciente”. Considera, todavia, que “o fato mais saliente é o aviso da morte do pai da senhora de Ogé, e o pressentimento com que foi perseguida durante seis meses. Sem dúvida, quando ela foi orar nesse quarto e acreditou ver um corpo no leito, que constatou estar vazio, poder-se-ia, com alguma verossimilhança admitir o efeito da imaginação. O mesmo poderia ser atribuído a um efeito nervoso, provocado pela superexcitação de seu Espírito. Mas como explicar a coincidência de todos esses fatos com o que se passou quando da morte do pai? Dirá a incredulidade: puro efeito do acaso; diz o Espiritismo: fenômeno natural devido à ação dos fluidos cujas propriedades até hoje foram desconhecidas, submetidos à lei que rege as relações do Mundo Espiritual com o Mundo Corporal. Ligando as leis da natureza a maior parte dos fenômenos reputados sobrenaturais, o Espiritismo vem precisamente combater o fanatismo e o maravilhoso, que o acusam de querer fazer reviver; ele dá dos que são possíveis uma explicação racional, e demonstra a impossibilidade dos que seriam uma derrogação das Leis da Natureza. A causa de uma porção de fenômenos está no princípio espiritual, cuja existência vem provar. Mas como os que negam esse princípio podem admitir suas consequências? Aquele que nega a alma e a vida extracorporal não pode reconhecer seus efeitos. (...). Se o pai da senhora Ogé tivesse morrido sem o que ela o soubesse, na época em que sentiu os efeitos de que falamos, esses efeitos se explicariam da maneira mais simples. Desprendido do corpo, o Espírito teria vindo avisá-la de sua partida deste mundo, e atestar sua presença por uma manifestação sensível, com a ajuda de seu fluido perispiritual. Isto é muito frequente. Compreendemos perfeitamente que aqui o efeito é devido ao mesmo princípio fluídico, isto é, à ação do períspirito. Mas como a ação material do corpo, que ocorreu no momento da morte, pôde produzir-se identicamente seis meses antes dessa morte, quando nada de ostensivo, doença ou outra causa, podia fazê-la pressentir?”. Eis a explicação a respeito, dada na Sociedade de Paris: -“O Espírito do pai dessa senhora, em estado de desprendimento, tinha conhecimento antecipado de sua morte e da maneira por que ela se realizaria. Sua visão espiritual abarcando certo espaço de tempo, lhe mostrou a coisa como presente; embora no estado de vigília não conservasse qualquer lembrança. Foi ele mesmo que se manifestou à filha, seis meses antes, nas condições que deviam se produzir, a fim de que, mais tarde, ela soubesse que era ele e que, estando preparada para uma separação próxima, não ficasse surpresa com sua partida. Ela própria, em Espírito, tinha conhecimento disto, porque os dois Espíritos se comunicavam em seus momentos de liberdade. É o que lhe dava a intuição de que alguém devis morrer naquele quarto. Essa manifestação ocorreu igualmente com o fito de fornecer um ensinamento, tocante ao conhecimento do Mundo Invisível”.



No filme “Ghost”, o rapaz leva um tiro durante o assalto na rua. E. na briga com o assaltante, ele nem percebe que levou um tiro e morreu, e seu espírito sai correndo atrás do ladrão, como estivesse vivo. Só depois, ele vê seu corpo está estendido no chão e aí percebe que está morto. Eu pergunto: isso é fantasia ou pode mesmo acontecer? (Manoel Silveira dos Santos, Bairro Mariana).


Pode acontecer. Aliás, sobre isso vamos encontrar uma referência em O LIVRO DOS ESPÍRITOS, nota à questão 546, que trata dos Espíritos durante as operações de guerra, quando o próprio Kardec faz a seguinte observação: “Nos combates, acontece aquilo que ocorre em todos os casos de morte violenta. No primeiro momento, o Espírito está surpreso e como perturbado, e não acredita estar morto, parecendo-lhe, ainda, tomar parte na ação. Não é senão pouco a pouco que a realidade se mostra.


Essa é uma prova de que é o espírito, que dirige toda a ação, e o corpo é que obedece à sua vontade. Se o corpo cai morto instantaneamente, vítima de um projétil., não há tempo suficiente para o espírito tomar consciência disso, e ele continua agindo por alguns instantes, como se ainda estivesse no corpo. Só depois, por alguma sensação de que é tomado, acaba reconhecendo que não está mais ali com seu corpo, mas, sim, apenas com o perispírito – que é uma réplica do corpo, porém constituído de matéria sutil. A cena mostrada pelo filme, portanto, corrobora o que diz a Doutrina Espírita.


Contudo, há casos bem mais freqüentes, em que o Espírito não percebe que já desencarnou, sobretudo quando se trata de mortes instantâneas. Espíritos existem que permanecem muito tempo alheios ao que se passou e se imiscuem na vida da família, no ambiente de trabalho ou em outros lugares que costumavam freqüentar, pensando que ainda estão encarnados. Essa ilusão ocorre porque eles não percebem quase nenhuma modificação em si mesmo. Alguns se julgam como num sonho. Mas, aos poucos, como não conseguem interagir com as coisas de seu ambiente, nem serem ouvidos ou notados pelas pessoas, acabam percebendo que já não pertencem ao mundo físico.


Geralmente são pessoas que tem muita dificuldade de aceitar a realidade da morte. Maior ilusão, ainda, vivem aqueles que, tendo morte súbita, são encaminhados para hospitais ou escolas na espiritualidade, onde passam a ter uma percepção concreta e real do mundo que os cerca, como se ainda estivessem encarnados. É o caso de Ernesto e Evelina, no livro “E A VIDA CONTINUA”, de André Luiz. Esses personagens demoram para tomar consciência de sua condição no plano espirituaal, desde que são internados num hospital.




quarta-feira, 12 de julho de 2023

REPRODUÇÃO ASSISTIDA - ALGUNS ESCLARECIMENTOS; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Consulta formulada a respeito se ‘quando um embrião é congelado ele já tem automaticamente um espirito acoplado a ele ou esse espirito será definido após a inseminação?’ resultou numa resposta interessante que vale a pena compartilhar: -“Na época da elaboração d'O LIVRO DOS ESPÍRITOS, as experiências de reprodução assistida provavelmente nem eram sonhadas. Nossa ciência progrediu muito nas experiências de fecundação in vitro no final do século 20. Creio que a questão levantada pode ser enquadrada na resposta à questão 336 onde Kardec pergunta: Poderia acontecer que um corpo que deve nascer não encontrasse Espírito para encarnar-se nele? A resposta é surpreendente: Deus proveria a isso.  A criança quando deve nascer para viver, tem sempre uma alma predestinada: nada é criado sem um desígnio. A ela, podemos adiciona a questão 356: Há crianças natimortas que não foram destinadas à encarnação de um Espírito? Resposta: Sim, há as que jamais tiveram um Espírito destinado aos seus corpos: Nada devia cumprir-se nelas. É somente pelos pais que essa criança nasce. Pelo que podemos deduzir, a formação de corpos humanos desde a fecundação é processo mecânico, que pode independer de Espírito a reencarnar. Por sinal, no livro EVOLUÇÃO EM DOIS MUNDOS de André Luiz, em sua Segunda Parte, no capítulo Gestação Frustrada, o Benfeitor complementa a questão 356. Assim sendo, a receita para gerar embriões, embora conte com a Espiritualidade para viabilizar processos reencarnatórios constitui-se, no seu início em exercícios dos nossos cientistas aprimorando os mecanismos de que se serve o Plano Espiritual para, em determinadas circunstâncias, reintroduzir Espíritos em nossa DimensãoChico Xavier em mais de uma vez filtrou o pensamento da Espiritualidade que orientava seus trabalhos sobre o assunto. Dentre as inúmeras respostas, destacamos uma que certamente representa preocupação para muitas pessoas: -“Os Espíritos que devem vir à luz ao nosso Mundo por este caminho são previamente preparados para esta via de nascimento?, respondida dessa forma: -“ -Sim, quando a Ciência na Terra, iluminada pela bênção da fé na Imortalidade puder intervir no auxílio, realmente digno, ao trabalho da genética no campo humano, sem nenhuma disposição para extravagâncias e abusos através de experimentações absolutamente desaconselháveis, a implantação do óvulo fertilizado no claustro da mulher responsável evitará muitos desastres na reencarnação, especialmente os que se referem ao aborto sem justificativas. Certa ocasião, ajudando-nos a entender a questão da impossibilidade da maternidade dentro da naturalidade, contou que “em 1936, conhecemos uma senhora amiga, que praticou diversas vezes o aborto. Não era uma criatura perversa, mas entendia que estava agindo bem. Depois de sua desencarnação, depois de seis abortos, vímo-la no Mundo Espiritual, e ela estava em condições muito lamentáveis, e se lastimava da situação de irresponsabilidade a que ela se entregara nos domínios do aborto inconsequente, do aborto sem orientação médica, de aborto não terapêutico. Em companhia de Amigos Espirituais, então perguntei pelo caso dela, e eles nos disseram que ela se reencarnaria dentro de pouco tempo. Realmente, logo depois de 1942, ela reencarnara, e ultimamente encontramos esta mesma senhora reencarnada no campo de nossas relações, e com grande surpresa, mas com grande motivo para meditação, encontramo-la, numa angústia muito grande, querendo se descartar de uma esterilidade que para ela, nesta encarnação, é irreversível. Perguntei ao nosso amigo André Luiz, e ele então me disse que de fato, nesta vida, ela, pelo anseio de ser mãe, vai reconstituir os seus órgãos genésicos para ser mãe em vida próxima. E ouvindo também um amigo médico, a quem eu perguntei sobre o assunto, ele então me disse que esta criatura podia receber um diagnóstico claramente identificável na patologia comum, e Amigos Espirituais então nos disseram que ela era portadora, segundo os conceitos médicos, de hipertrazia glandular cística do endométrio. Além do mais, com resultados, com derivações muito lamentáveis em seus órgãos femininos.”.



Como que Deus costuma castigar as pessoas más, que matam, estupram, torturam suas vítimas, sem piedade? A pena de morte é muito pouco para elas. (Evanilde Luzia da Silva )


Na Doutrina Espírita, Evanilde, não costumamos usar a expressão “Deus castiga”. O castigo é uma prática humana e não divina, embora os povos antigos entendessem que Deus também castigasse. Era uma visão distorcida de Deus. Mas, assim mesmo, aos poucos, o castigo vem perdendo seu sentido original. Na antiguidade, quando ainda não havia leis para regular o comportamento humano – ou seja, quando a ordem social era estabelecida pela força dos reis e poderosos, de acordo com suas vontades e conveniências – o castigo era a forma mais comum de intimidar as pessoas ou, mesmo, de evitar o crime.


Veja o que aconteceu com Jesus: ele foi acusado de um crime que não praticou, e teve pagar com sua própria vida o que não devia, sofrendo constrangimentos e tortura. Muitos mártires do passado se sacrificaram pela humanidade. Naquela época, o que funcionava mesmo era a “lei do mais forte”. E, quando alguém era agredido ou morto, toda a sua família voltava-se contra o agressor para devolver-lhe a violência em forma de vingança. E.muitas vezes, não se vingava apenas no agressor, mas em toda sua família. Contudo , nem por isso, os crimes deixavam de existir e com muito mais crueldade do que são praticados hoje.


Todavia, a evolução social levou o homem, de uma maneira geral, a perceber que as pessoas não podiam continuar fazendo justiça com as próprias mãos. Foi quando se criou o aparelho jurídico do Estado ( leis, advogados, juízes e tribunais) e, hoje, quando alguém comete um crime, ele é julgado, condenado e apenado pelo Estado, e não pela pessoa da vítima ou familiares. Não deve existir na Justiça humana a concepção de vingança: o Estado é que resolve os problemas, que não podem ser resolvidos pelas vítimas.


O interessante de tudo isso é que as leis que tratam da execução penal – ou seja, as que regulamentam o cumprimento das penas – não visam apenas o castigo do criminoso, mas visam, sobretudo, tirá-lo do convívio social - quando ele representa perigo para a sociedade – ou, até mesmo, ressocializá-lo, ou seja, dar-lhe condição ( que, muitas vezes, não teve) para, após o cumprimento da pena, reintegrar-se na sociedade como um verdadeiro cidadão, disposto a ter uma vida digna e honrada. É claro que este propósito é muito difícil de atingir, mas, infelizmente, até hoje, muito pouco se tem feito nesse sentido, embora a lei preveja.



Ora, se a lei humana, aos poucos vai se tornando cada vez mais humana, procurando a regeneração do preso, por entender que todo ser humano sempre merece mais uma oportunidade, o que não prevê a Suprema Lei de Deus, de Justiça e de Misericórdia? Certo dia, Jesus disse à multidão - “Se vós, que sois maus, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, o que não lhes dará o Pai Celestial, que é bom e perfeito?” – referindo-se à Justiça Divina. Antigamente, quando se falava em justiça, entendia-se logo “castigo”.


Para o Espiritismo, não há castigo ou recompensa na Lei Divina - há simplesmente justiça. Não há um só de nossos atos, por pequenino que pareça, que não tenha alguma repercussão, cedo ou tarde, em nossa vida. È o que chamamos de Lei de Causa e Efeito. Segundo ela, cada um de nós cria o seu próprio destino, porque sempre colhe bons frutos das boas árvores que plantou, e maus frutos das más árvores que plantou – para usar a linguagem poética de Jesus. A forma, como isso vai acontecer varia de caso para caso, se situação para situação. Entretanto, todos somos filhos de Deus – o bom e o mau. Estamos caminhando para uma condição espiritual cada vez melhor.


Alguns já caminharam muito na sua escalada evolutiva – hoje, podem ser bons, mas, no passado, não podemos imaginar o mal que podem ter feito. Outros, ainda são maus, porque não conseguiram atinar para o verdadeiro caminho do bem.Praticam o mal e se tornam escravo dele, ou doentes. Os criminosos natos, com sintomas de perversão, são doentes, sociopatas - que, ainda terão muito tempo para serem tratados e aprender a conviver com seus semelhantes. Entretanto, seja por um motivo ou por outro, seus atos não passam impunes – não porque Deus castiga – mas porque a lei determina “a cada um segundo suas obras”. Se não responderem aqui, nesta encarnação, com certeza, responderão numa outra oportunidade.