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sexta-feira, 14 de novembro de 2025

SURREAL, MAS RACIONALMENTE POSSÍVEL; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR.

 Diferentemente do Espírito identificado como André Luiz, Manoel Philomeno de Miranda a partir da própria cura de um processo obsessivo, passou a trabalhar enquanto encarnado em Centro Espírita na cidade de Salvador, na Bahia, para onde se mudara com trabalhos neles desenvolvidos, voltados para atendimento a pessoas acometidas por quadros da obsessão. Desencarnado em 1942, psicografou através de Chico Xavier uma mensagem dirigida ao também médium Divaldo Pereira Franco e, a partir de 1970, através do mesmo começou a transferir para nossa Dimensão obras abordando suas experiências do outro lado da vida mostrando a intensa interação existente entre os diferentes Planos Existenciais e a gravidade dos processos de obsessão através de casos que, segundo ele, atingem proporções inimagináveis. Mais de uma dezena de obras marcadas por extremo bom senso foi surgindo desde NOS BASTIDORES DA OBSESSÃO, o primeiro da série. Livros excelentes contendo instigantes revelações como TRANSIÇÃO PLANETÁRIA (2010), revelando as ações preparatórias para o grande evento de dezembro de 2004, que impôs em alguns minutos a morte de aproximadamente quatrocentas mil pessoas, no Tsunami resultante de um violento terromoto ocorrido em alto mar, a quilômetros de distancia das áreas continentais atingidas em vários Países situados no Oceano Índico. Ou ainda NAS FRONTEIRAS DA LOUCURA (1982), abordando os efeitos espirituais e materiais do carnaval nas estruturas sociais encarnadas e desencarnadas. Um deles, TORMENTOS DA OBSESSÃO (2001), apresenta um caso extremamente interessante, retratando personagem que, alcoolizado, teria, certa noite, adentrado um Centro logo após o termino das suas atividades. Superado o constrangimento inicial dos remanescentes presentes, foi convencido por um dos dirigentes a submeter-se a tratamento ali oferecido, o que o fez voltar ainda algumas vezes, até que não mais apareceu. O próprio Manoel, testemunha do fato, prossegue resgatando detalhes do sucedido na sequência: -“Não passaram duas semanas, e fomos informados da tragédia em que se envolvera o pobre Ludgério, tendo fim a consumida existência física. Discutindo com outro companheiro embriagado, comparsa habitual das extravagâncias alcoólicas, num dos bares em que se homiziavam, foi acometido de grande loucura e, totalmente alucinado, tomou de uma faca exposta no balcão da espelunca, cravando-a, repetidas vezes, no antagonista, mesmo após tê-lo abatido e morto. A cena de sangue, odienta e ultrajante, provocou a ira dos passantes e comensais do repelente recinto que, inspirados por perversos e indigitados Espíritos vampirizadores, se atiraram contra o alcoólatra, linchando-o sem qualquer sentimento de humanidade, antes que a polícia que frequentava o local pudesse ou quisesse interferir. Todo linchamento demonstra o primarismo em que ainda permanece o Ser humano, e resulta da explosão do ódio que acomete aos imprevidentes, que passam a servir de instrumentos inconscientes de hordas espirituais perversas, que dão vasa aos sentimentos vis através das paixões desordenadas (...). Os jornais fizeram estardalhaço sobre o inditoso acontecimento, que a nós outros que o conhecíamos, muito nos compungiu, deixando-nos material espiritual para demoradas reflexões e interrogações que somente após a morte nos foi possível compreender. Naquela ocasião, indagamo-nos, se teria falhado a ajuda espiritual que se estava iniciando com futuras perspectivas de atenuar o processo obsessivo. Por que os desafetos conseguiram atingir as metas estabelecidas? (...) Após a morte física, ainda interessado no caso Ludgério, tentamos encontrá-Lo, sem o conseguir. (...) Soubemos, por fim, que aquele, que lhe fora vítima do homicídio infame, era um dos comparsas de vidas anteriores, que se desaviera quando da partilha de terras que haviam sido espoliadas de camponeses humildes que lhes sofriam a dominação arbitrária, tornando-se-lhe igualmente adversário. Desde então, unidos pelos crimes, uma ponte de animosidade fora distendida entre eles. Como os adversários espirituais se vinculavam a ambos, encontraram campo vibratório propício para o assassinato de cunho espiritual”.




 Um ouvinte, que não quer revelar o nome,  pergunta se o estudo da Revista Espírita é obrigatório.

Evidentemente, o ouvinte está querendo dizer se, para se conhecer o Espiritismo, o estudo da Revista Espírita é indispensável.

É claro que, na sua pergunta,  o ouvinte está usando o termo obrigatório no sentido de obrigação moral.

Em primeiro lugar, devemos esclarecer em geral, a título de informação, que Allan Kardec fundou a Revista Espírita em 1º de janeiro de 1858, no ano seguinte ao lançamento de O LIVRO DOS ESPÍRITOS. A revista passou a ser editada mensalmente.

Isso quer dizer que o Espiritismo ainda não tinha completado um ano quando isso aconteceu e que Allan Kardec, diante das repercussões positivas de O LIVRO DOS ESPÍRITOS, sentiu a necessidade de se colocar mais perto dos leitores para as orientações devidas e informações gerais através desse período mensal.

  De fato, a revista chamou a atenção dos espíritas, muitos dos quais passaram a corresponder com Kardec através da revista enviando perguntas, sugestões e até material colhido em manifestações mediúnicas. Kardec fazia comentários sobre o material colhido, cartas e propostas que os leitores enviavam.

Em 1859, Kardec publicou O QUE É O ESPIRITISMO, uma obra menor, onde ele responde questões fundamentais por meio de entrevistas.

  A segunda principal obra de Allan Kardec, O LIVRO DOS MÉDIUNS só viria a lume em 15 de janeiro de 1861, três anos depois do lançamento da Revista Espírita.

  Ainda, para facilitar mais o entendimento dos leitores, ele publicou em 1862, o livro O ESPIRITISMO NA SUA EXPRESSAO MAIS SIMPLES. Nesse mesmo ano, reuniu palestras que fez em viagem no livro VIAGEM ESPÍRITA EM 1862.

  Depois vieram O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO  (em 1864), O CÉU E O INFERNO OU A JUSTIÇA DIVINA SEGUNDO O ESPIRITISMO ( em 1865) e A GÊNESE, OS MILAGRES E AS PREDIÇÕES em 1868, citando apenas as principais.

A REVISTA ESPÍRITA prosseguiu sob o comando de Kardec e ao lado dessas publicações até o início de 1869, quando Kardec desencarnou em 31 de março, e foi mais além, mas os espíritas brasileiros costumam considerar para efeito de estudo as edições publicadas até Kardec.

Por isso mesmo, editoras espíritas do Brasil têm enfeixado suas edições em volumes, sendo que cada volume corresponde a um ano. São, portanto, 12 volumes, de janeiro de 1858 a março de 1869.

Como dissemos, a revista dava oportunidade de diálogo com os espíritas e, ao mesmo tempo, era uma fonte de informação sobre notícias do momento e novidades que os Espíritos Superiores tinham a oferecer. Na revista encontramos muito material que, posteriormente, foi incorporado à doutrina nas obras subsequentes.

Logo, podemos perceber que a REVISTA ESPÍRITA é importante para o conhecimento da doutrina. Ela contém muito da opinião do próprio Kardec sobre temas controversos, mas, sem dúvida, é recomendável que os interessados em conhecer o Espiritismo conheçam também a revista.

Um ouvinte, que não quer revelar o nome,  pergunta se o estudo da Revista Espírita é obrigatório.

Evidentemente, o ouvinte está querendo dizer se, para se conhecer o Espiritismo, o estudo da Revista Espírita é indispensável.

É claro que, na sua pergunta,  o ouvinte está usando o termo obrigatório no sentido de obrigação moral.

Em primeiro lugar, devemos esclarecer em geral, a título de informação, que Allan Kardec fundou a Revista Espírita em 1º de janeiro de 1858, no ano seguinte ao lançamento de O LIVRO DOS ESPÍRITOS. A revista passou a ser editada mensalmente.

Isso quer dizer que o Espiritismo ainda não tinha completado um ano quando isso aconteceu e que Allan Kardec, diante das repercussões positivas de O LIVRO DOS ESPÍRITOS, sentiu a necessidade de se colocar mais perto dos leitores para as orientações devidas e informações gerais através desse período mensal.

  De fato, a revista chamou a atenção dos espíritas, muitos dos quais passaram a corresponder com Kardec através da revista enviando perguntas, sugestões e até material colhido em manifestações mediúnicas. Kardec fazia comentários sobre o material colhido, cartas e propostas que os leitores enviavam.

Em 1859, Kardec publicou O QUE É O ESPIRITISMO, uma obra menor, onde ele responde questões fundamentais por meio de entrevistas.

  A segunda principal obra de Allan Kardec, O LIVRO DOS MÉDIUNS só viria a lume em 15 de janeiro de 1861, três anos depois do lançamento da Revista Espírita.

  Ainda, para facilitar mais o entendimento dos leitores, ele publicou em 1862, o livro O ESPIRITISMO NA SUA EXPRESSAO MAIS SIMPLES. Nesse mesmo ano, reuniu palestras que fez em viagem no livro VIAGEM ESPÍRITA EM 1862.

  Depois vieram O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO  (em 1864), O CÉU E O INFERNO OU A JUSTIÇA DIVINA SEGUNDO O ESPIRITISMO ( em 1865) e A GÊNESE, OS MILAGRES E AS PREDIÇÕES em 1868, citando apenas as principais.

A REVISTA ESPÍRITA prosseguiu sob o comando de Kardec e ao lado dessas publicações até o início de 1869, quando Kardec desencarnou em 31 de março, e foi mais além, mas os espíritas brasileiros costumam considerar para efeito de estudo as edições publicadas até Kardec.

Por isso mesmo, editoras espíritas do Brasil têm enfeixado suas edições em volumes, sendo que cada volume corresponde a um ano. São, portanto, 12 volumes, de janeiro de 1858 a março de 1869.

Como dissemos, a revista dava oportunidade de diálogo com os espíritas e, ao mesmo tempo, era uma fonte de informação sobre notícias do momento e novidades que os Espíritos Superiores tinham a oferecer. Na revista encontramos muito material que, posteriormente, foi incorporado à doutrina nas obras subsequentes.

Logo, podemos perceber que a REVISTA ESPÍRITA é importante para o conhecimento da doutrina. Ela contém muito da opinião do próprio Kardec sobre temas controversos, mas, sem dúvida, é recomendável que os interessados em conhecer o Espiritismo conheçam também a revista.

quinta-feira, 13 de novembro de 2025

CHICO XAVIER E AS MENSAGENS EM OUTROS IDIOMAS; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Allan Kardec, desenvolvendo uma classificação inicial da variedade dos médiuns escreventes no excelente compêndio intitulado O LIVRO DOS MÉDIUNS, chamou de médium poliglota, “o que tem a faculdade de falar ou escrever em línguas que não conhecem”, acrescentando, contudo, serem “muito raros”. Uma dentre as hipóteses alinhadas na referida compilação é que o fenômeno só seria possível pela existência, no inconsciente da individualidade de registros arquivados em encarnações em que se serviu desse idioma para se expressar e comunicar na região, raça ou pátria em que renascera. Chico Xavier, entre as múltiplas formas em que sua mediunidade foi utilizada foi para a recepção de mensagens, está a em outros idiomas. Vários, em sua longa jornada a serviço dos Espíritos. Sabe-se que Chico não teve formação além do antigo primário, tendo repetido duas vezes a quarta série, O primeiro a fazer referências a esse tipo de mensagem foi o repórter Clementino de Alencar, enviado especial do jornal O Globo, para investigar Chico Xavier, a origem dos escritos pós-morte do escritor Humberto de Campos e dos vários poetas do PARNASO DE ALEM TÚMULO. Surpreso com o que encontrou - um jovem humilde, pobre, cultura incipiente -, permaneceu em Pedro Leopoldo, MG, por dois meses testando o objeto de sua pesquisa, obtendo da Espiritualidade inúmeras demonstrações de sua ação junto ao médium. Um dos fatos que o surpreendeu foram relatos que davam conta da recepção por ele de mensagens em inglês e italiano, cujo aprendizado, à época, somente era acessível nos grandes centros. E Chico, pelos rudes labores e carga de trabalho remunerado na venda do “seu” Zé Felizardo, não permitiam tais “luxos”. Numa de suas matérias, de doze de maio de 1935 – Chico contava 25 anos de idade -, Alencar faz referências a algumas dirigidas em inglês ao doutor Romulo Joviano. Formara-se ele em Zootecnia pela Universidade de Edimburgo, na Escócia, sendo seu autor Alexander Seggie, colega de estudos e amigo íntimo durante os anos de formação, desencarnado na França, durante a Primeira Guerra Mundial. Nas referidas páginas, Alexander, cuja existência o jovem médium ignorava, referia-se ao amigo, num trocadilho, “Jove”,alusão ao sobrenome Joviano. Ainda no texto enviado ao diário carioca, o repórter reproduz mensagem recebida na reunião de 23 de novembro de 1933, assinada por Emmanuel escrita em ingles com as letras enfileiradas ao inverso. Ao reescrevê-la no sentido correto, o destinatário, profundo conhecedor do inglês, identificou um erro na colocação de um artigo e um pronome. Resolve, em inglês, interpelar Emmanuel, recebendo dele extensa resposta no mesmo idioma, entre outras coisas desculpando-se pelos erros cometidos, dizendo-se, apenas um aluno inábil e não um mestre na utilização da língua. Alencar inclui ainda uma mensagem em italiano, grafada da mesma maneira curiosa que a precedente. Objetivando testar se por trás daquele jovem ingênuo havia algo mais, quando solicitado a encerrar aqueles dois meses de experiência, formulou quatro perguntas em inglês, a última das quais mentalmente, obtendo dezoito linhas de resposta a esta, também em inglês. Mais ou menos na mesma época, o médium psicografou mensagem em inglês ao Consul da Inglaterra, em Belo Horizonte, Minas Gerais, Senhor Harold Walter. Anos depois, presente à solenidade levada a efeito no Teatro Municipal de São Paulo, Chico psicografaria perante numeroso público, entre outras, uma mensagem/ saudação de Emmanuel aos presentes, em inglês, escrita de trás para frente, a chamada especular, somente possível de ser lida diante de um espelho.  Testemunha de muitos desses momentos, o doutor Rômulo Joviano, contou ao amigo Clóvis Tavares que, por força do trabalho, “em visita, certa vez, a uma fazenda do Doutor Louis Ensch, engenheiro luxemburguês, fundador da Usina de Monlevade da Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira, em Monlevade, MG, Chico recebeu mensagem, endereçada ao mesmo, em idioma luxemburguês. Maravilhado, o destinatário declarou que as páginas foram escritas no melhor estilo da língua nacional de sua pátria, o Grão Ducado de Luxemburgo”. Noutra ocasião, em visita a uma parenta sua residente em Barbacena, MG, a escritora Maria Lacerda de Moura, assistindo uma reunião de estudos orientalistas, após esta ter escrito no quadro-negro algumas palavras em português, possivelmente um “mantra”, para meditação dos presentes, “Chico recebe, através da psicofonia sonambúlica, uma mensagem em idioma hindu, havendo a entidade comunicante, conduzido o médium até o mesmo quadro-negro, traçando diversas expressões ininteligíveis para os presentes, posteriormente reconhecidas como mantras grafados em caracteres sânscritos”.  Inúmeras mensagens particulares foram recebidas ao longo dos anos, em vários idiomas, que o médium também ignorava completamente: alemão, árabe e grego. Perderam-se, no entanto, pelo seu caráter estritamente pessoal dos destinatários.



 

O ouvinte que perguntou sobre a Revista Espírita, ainda pergunta: “Se na Revista Espírita dizem que aconteciam reuniões mediúnicas nas casas, porque hoje essas reuniões são proibidas nas casas?

Nós já falamos que, em se tratando de Doutrina Espírita, não há proibições. No Espiritismo, doutrina do bom senso, não existem dogmas ou tabus. Mas existem recomendações.

No tempo de Allan Kardec o Espiritismo estava nascendo. Ainda não existia centros ou instituições espíritas. Não se conhecia nenhum modelo de trabalho, porque a doutrina estava dando seus primeiros passos.

Se não existiam centros, onde se podiam fazer sessões espíritas? As pessoas faziam sessões em suas casas, muitas vezes à maneira delas, onde fosse possível, para se comunicar com os Espíritos. Assim foram aprendendo.

  O próprio Allan Kardec, quando pela primeira vez teve contato com sessões mediúnicas, em 1854, foi na casa da família Baudin (Bodán), onde as médiuns eram duas adolescentes, Júlia de 14 e Carolina de 16 anos. Por muito tempo ele continuou frequentando tais sessões. aqui

Mais tarde, os espíritas fundaram a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, em Paris, onde Kardec e sua equipe passaram a se reunir para realização de estudos e de reuniões mediúnicas.

Logo, os participantes de reuniões que ocorriam em ambiente doméstico estavam começando a aprender como lidar com os Espíritos e como discernir sobre o que deviam ou não deviam aceitar como verdade, inclusive sobre as precauções que deveriam tomar para garantir a veracidade das manifestações.

Por muitos anos essa situação de sessões dentro de casa perdurou, pois tudo era novidade em relação ao Espiritismo, até porque os espíritos se comunicavam em qualquer lugar, desde que houvesse médiuns.

Aqui mesmo aqui, em nossa região da antiga Alta Paulista, quando os primeiros espíritas chegaram, eles faziam reuniões mediúnicas nas casas, até que a própria espiritualidade percebeu não ser conveniente continuar com tais reuniões em ambiente doméstico.

Primeiramente por causa do ambiente espiritual da casa, quase sempre retratando os pensamentos destoantes dos moradores, o entra e sai das pessoas e as discussões que costumam acontecer dentro de casa no dia a dia, gerando um clima mental desfavorável à participação dos bons Espíritos.

Além do mais, a sessão mediúnica em casa atrai Espíritos de toda ordem, principalmente aqueles que se acham em estado de perturbação e que podem permanecer no ambiente caseiro, comprometendo mais ainda o clima espiritual reinante.

Na história do Centro Espírita Paz, Amor e Caridade, em Garça, consta que o centro surgiu por orientação de Espíritos amigos que se comunicavam em reuniões realizadas na casa do Sr. Olegário Ramos. Isso há mais de 80 anos atrás.

Na época, não se cogitava de se reunir noutro lugar que não fosse a casa do Sr. Olegário, mas os orientadores espirituais do trabalho passaram a levantar a necessidade de se ter um lugar apropriado, que fosse utilizado exclusivamente para essa finalidade, e que estivesse longe de um ambiente contaminado por pesadas vibrações. Surgiu assim o centro.

Isso aconteceu em Garça e aconteceu em outras cidades e regiões, no país todo, de modo que a reunião mediúnica realizada no centro espírita se consagrou como a mais segura pelos resultados alcançados, referendado pelos orientadores espirituais.

Desse modo prevalece no meio espírita a recomendação de não se fazer sessões mediúnicas em casa.  No entanto, como você percebe, não se trata de uma proibição.

quarta-feira, 12 de novembro de 2025

PLANOS E SUB-PLANOS; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 

A maneira analógica como interpretamos as informações oriundas do Mundo Espiritual através do relato dos Espíritos desencarnados, funciona em muitas situações como barreira para o entendimento dessas informações. Discorrendo sobre os Diferentes Estados do Espírito na Erraticidade no capítulo Há Muitas Moradas na Casa de Meu Pai n’O EVANGELHO  SEGUNDO O ESPIRITISMO, Allan Kardec diz que “independentemente da variedade dos mundos, estas palavras também podem ser entendidas como o estado feliz ou infeliz do Espírito na erraticidade, conforme seu grau de pureza e se ache liberto dos laços materiais, o ambiente onde se encontre, o aspecto das coisas, as sensações que experimente, as percepções que possua, podendo tudo isso variar ao infinito. Assim é que, se uns não podem se afastar dos locais onde viveram, outros se elevam e percorrem os espaços e os mundos”. Quando o Instrutor Aniceto do livro OS MENSAGEIROS comenta que ... há, outros mundos sutis, dentro dos mundos grosseiros, maravilhosas Esferas que se interpenetram”, explica que “o olho humano sofre variadas limitações e todas as lentes físicas reunidas não conseguiriam surpreender o campo da alma, que rege o desenvolvimento das faculdades espirituais para tornar-se perceptível”. O exemplo oferecido pela história contada a seguir exemplifica bem isso. Surge da mensagem psicografada pelo empresário Hilário Sestini, três meses e meio após a sua morte causada por um enfarto do miocárdio aos 55 anos. Alheio às atividades religiosas, casado, pai de quatro filhos, com destacada atuação na comunidade em que residia, constituindo-se num exemplo de caráter reto e dedicado ao trabalho. Seu irmão Gérson ao ouvir Chico Xavier ler, ao final da reunião pública de 17 de julho de 1976, em Uberaba, MG, a mensagem escrita pelo Sr. Hilário, estranhou a referência a dois estabelecimentos desconhecidos sobre a cidade em que  nasceram e  se criaram no histórico passado de São José do Rio Preto, interior de São Paulo. Desenvolvendo obstinada busca em publicações históricas sobre a existência da farmácia e da Casa de Saúde citadas., localizou registros confirmando suas existências no início do século. Indagando em visita posterior a Chico sobre como era possível o irmão ter morrido na década de 70 e fazer citações sobre estabelecimentos há muito sucedidos por outras construções no local, ouviu dele: -“Os Amigos Espirituais costumam se referir a construções antigas que permanecem na retaguarda de construções atualizadas, até que as entidades ligadas a esses conjuntos habitacionais os abandonem por não mais necessitarem deles nos vínculos mentais que, de certo modo, os retém a determinadas paisagens do seu próprio pretérito”. Detalhando, entre outras coisas, o que se seguiu após o ataque cardíaco, o Sr Hilário conta: - Um mal súbito, sensação de asfixia. E, depois, o corre-corre de tanta gente procurando, debalde, uma solução para o problema que deixara de ser um enigma, a fim de que a resposta da vida aparecesse a mim, acima de qualquer dúvida sobre a morte. Posso dizer-lhes que não vou assim tão bem como desejaria, mas não me sinto, de qualquer modo, tão mal como no acontecimento imprevisto poderia parecer. Fui arrancado da experiência física ao modo de árvore sacudida até às raízes pelo vento forte. A tempestade havia de terminar como se desdobrou, ante os meus olhos assombrados. Estava morto e vivo. Ignoro se vocês entenderão isso na realidade fulminativa com que o assunto ainda me surpreende. Sempre ouvia as referências dos amigos espíritas, escutava avisos e anotações da mamãe e, efetivamente, categorizava os temas e informações que vocês me apresentavam qual se fosse pura alucinação. Faltava-me o pendor para ser um companheiro militante. Acreditava e não acreditava. E porque o tempo surgisse cada vez mais escasso, ia colocando de quarentena as verdades que me descobriram, quando poderia eu haver tido suficiente ponderação para descortiná-las antes do “clique” em que me vi apagado e reaceso. Penso que vocês possuem experiência bastante para imaginar com acerto o itinerário novo a que me vi atirado pelas circunstâncias. Creio-me, porém, na obrigação de afirmar-lhes que um sono pesado me selou as pálpebras, que não mais consegui reabrir. Ouvia as palavras da mamãe e dos familiares outros, mas em vão procurava discernir as vozes da querida Clery e dos nossos filhos. Foi um torpor invencível, como se estivesse repentinamente dopado por agentes de sedação, que me anulavam qualquer impulso para respostas positivas. Compreendi que uma força se me extinguia no corpo e tive a ideia de que os meus órgãos seriam pilhas elétricas que se vissem desligadas, uma por uma, à frente de um poder que não me cabia controlar. (...) Ah! Homem algum, criatura alguma na Terra, que não haja obtido experiências enormes pela meditação ou pela dor, conseguirá calcular o que seja essa energia prodigiosa da fé viva, atuando no coração, em momentos assim, quando nos vimos em trânsito de uma vida para outra! Senti-me novamente menino e lembrei minha mãe colocando-me as mãos postas em prece. Foi, assim, na condição de homem devolvido à condição de criança, que entrei na Vida Espiritual. (...) Era o alvorecer de um novo dia. Rio Preto dos meus primeiros dias, da década de 20, formava uma paisagem que reencontrava, rediviva e palpitante, no sentimento. Um amigo, que conhecia do tempo de garoto, o França, da Pharmacia Nossa Senhora do Carmo, em tempos transcorridos, me abraçou, enquanto meu avô Sestini me amparava. Acusava-me perplexo, doente. Receava fazer perguntas. Guardava o medo de readquirir a dor que me abatera, qual se fosse um calhau pontiagudo no peito, e os amigos me conduziram para a Casa de Saúde Santa Therezinha que reassumia a forma pela qual a conhecera na infância. Um leito alvo e um médico, que me disse ser companheiro de nosso estimado Dr. Marat Descartes Freire Gameiro, me cirurgiou o tórax. Estive alguns dias acamado”. A integra desta e outras mensagens poderá ser lida no livro VIDA NO ALÉM.




 

Segundo a Bíblia, Deus criou o homem e da mulher e da união dos dois nasceram Caim e Abel. Caim matou Abel e o crime passou a fazer parte do cenário do mundo. Apesar do esforço das religiões ele jamais foi extirpado do mundo. Podemos dizer que foi por falha das religiões?

  As religiões são criadas pelo homem e não por Deus. Ela servem mais para separar do que para unir as pessoas. Cada uma interpreta os chamados livros sagrados, como a Bíblia – por exemplo, e dão um sentido à vida, procurando reunir em torno de si o maior número de seguidores, prometendo-lhes vantagens no céu.

É claro que existe muita coisa boa nas religiões em geral, quando elas tratam de Deus, do nosso compromisso com a vida e com os nossos irmãos de humanidade.

A palavra “religião” vem do latim, do verbo “religare”, ou seja, religar, religar o homem a Deus. Essa é a finalidade da religião. Mas para que ocorra essa religação ou essa reaproximação com Deus precisarmos ser bons, ou seja, praticar o bem.

Assim, o ponto alto da religião é a prática do bem. Caso contrário, não é religião; é outra coisa.

Há dois tipos de religião. A religião pessoa, que é aquela que é vivida interiormente; pela religião pessoal, o indivíduo se liga a Deus pelos seus pensamentos, pelos seus atos e pelas suas orações. Ele não precisa de culto.

 O outro tipo de religião é a religião social, aquela que depende de líderes que reúnem pessoas em torno de sua pregação.

É justamente aí que estás a dificuldade das religiões sociais. Elas dependem do caráter e das boas intenções de seus líderes, que podem ser pastores ou sacerdotes. Se não forem líderes bem-intencionados eles desvirtuam o caráter da religião, agindo apenas em interesse próprio.

Por isso, se remontarmos à história da religião no mundo ocidental, vamos perceber a grande contradição, entre ensinar que não se deve matar e, ao mesmo tempo, atentar violentamente contra os que não fazem parte da sua religião.

terça-feira, 11 de novembro de 2025

REENCARNAÇÃO NA VISÃO DE GRANDES ARTISTAS; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

- “Através do vidro escuro / Vejo a luta de muitas Eras / Nomes e corpos, tudo destruído / Mas sempre eu em muitas guerras”, escreveu o General norte americano George Patton, em 1944, em meio às lutas da Segunda Guerra onde foi figura destacada no norte da África. Sua passagem pela cidade francesa de Langres parece ter despertado memórias de existência em que estivera ali como legionário de Cezar, Imperador romano de uma época recuada. Mas não apenas estas foram as lembranças acessadas em estado de lucidez. Afirmava com naturalidade ter estado nos muros de Tiro com Alexandre, o Grande; ter sido membro da falange que encontrou Ciro II, o Conquistador Persa que fundou o Império Grego, 500 anos antes de Cristo; ter lutado na Guerra dos Cem Anos; ter servido à Companhia de Joaquim Murat, uma dos mais brilhantes e famosos militares a serviço de Napoleão. Este, por sinal, uma das figuras mais conhecidas as História, dizia ter a certeza sido o Imperador Carlos Magno, mil anos antes e o Imperador Juliano, o Apóstata, o ultimo a tentar substituir o Cristianismo pelo Paganismo, acreditava ter sido Alexandre, o Grande, Rei da Macedônia. No mundo das artes nos tempos modernos, Shirley MacLaine lembra ter sido escrava no Egito Antigo, modelo de Tolouse-Lautrec e uma Atlante; Sylvester Sttalone  recorda-se ter durante a Revolução Francesa e ter tido uma morte tão brutal que nem mesmo o personagem Rambo evitaria, sendo decapitado na guilhotina; John Travolta crê-se ator de filmes antigos, provavelmente Rodolfo Valentino; Martin Sheen, diz que a própria constituição da família não acontece por acaso, dizendo que “nossos filhos nascem para nos ajudar a corrigir erros do passado, sendo assuntos que não resolvemos em vidas anteriores”. O compositor alemão Richard Wagner que o Conde Rochester coloca como Tadar, um personagens do livro O ROMANCE DE UMA RAINHA, psicografado pela extraordinária médium russa Vera Kryzanovskaia; após estudos criteriosos sobre as vidas sucessivas, escreveu que “comparados os conceitos de reencarnação e carma, todos os outros são insignificantes”, dizendo também: -“Não posso tirar minha própria vida, pois o desejo de completar o objeto de arte me traria de volta novamente até que percebesse qual é exatamente este objeto e enquanto isso eu ficaria indo e vindo em um longo ciclo de lágrimas e sofrimento”. Já Gustav Mahler comentou com um biógrafo: “Todos voltamos. É esta certeza que dá sentido à vida e não faz diferença se lembramos ou não das existências anteriores. O que conta é o indivíduo e sua existência atual, mas a grande aspiração à perfeição e à pureza em cada encarnação”. No mundo empresarial, Henry Ford, o pai da indústria automobilística norte americana, dizia acreditar que “vivemos neste mundo e sempre retornamos, disso tenho certeza. Estamos aqui por um motivo. Ficamos indo e vindo indefinidamente”, acrescentando mais tarde: -“Genialidade é uma questão de experiência. Algumas pessoas imaginam que se trata de um talento, um dom., mas é simplesmente o fruto das experiências de muitas vidas. Algumas são mais antigas que outras e por isso tem mais conhecimento”. Embora os meios de comunicação de massa não destaquem esses pontos de vista e relatos, servem para refletirmos sobre sua lógica, até em nossas vidas. Se analisados sob o foco do Espiritismo então, encontraremos grandes elementos para nos entendermos e o mundo em que vivemos. Sem dúvida, como dizia Allan Kardec, a reencarnação é a chave para deciframos os grandes enigmas da Humanidade.



Porque a religião já errou muito, já fez muitas vítimas no passado, e ainda continua explorando o povo pobre e ingênuo, será que ainda é possível confiar nos líderes religiosos? ( Flávio)

O povo parece acreditar nas religiões, haja vista o resultado das pesquisas do IBGE, edição 2022. A expressiva maioria das pessoas é religiosa, embora, ao longo do tempo, o que se vem observando é o aumento significativo do número de pessoas sem religião.

Mas a expansão da religião funciona, mais ou menos, como campanha política em que o discurso vale mais que o exemplo. Quem fala mais, quem fala melhor e sabe convencer consegue mais seguidores.

Além disso, a grande massa acredita na salvação em um céu de felicidade eterna e de completa ociosidade, para ser alcançado sem muito esforço, confiando apenas no rótulo. Ou seja, quem for desta ou daquela religião já está salvo, e todos proclamam exclusividade.

Não foi bem isso que Jesus ensinou. O que ele ensinou mesmo é o amor ao próximo e criticou os religiosos de seu tempo (os fariseus) que tinham Deus nos lábios mas não O traziam no coração. Eram bom pregadores e péssimos exemplos.

Ter Deus no coração não é fácil. Requer dedicação e esforço para se modificar e para se tornar uma pessoa melhor. O papel da religião deveria ser esse.

Certa vez, Frei Leonardo Boff (católico) perguntou ao Dalai Lama (Budista) qual é a melhor religião. Ele esperava ouvir do líder budista que as melhores religiões são as orientais.

Mas, se surpreendeu, quando o Dalai respondeu simplesmente que a melhor religião é aquela que nos faz melhor, mais bondosos, mais compassivos e mais fraternos.

Era precisamente o que Boff pensava. Ele só não pensava que um líder budista pudesse pensar como ele.

Para Jesus, o melhor caminho é fazer a vontade do Pai e a vontade do Pai é fazer o bem e evitar o mal. Só assim teremos Deus no coração.

Ter Deus no coração é agir com amor, com bondade, com paciência, com generosidade, superando o egoísmo e o orgulho que costumam comandar a vida das pessoas.

Na verdade, aqui no mundo ocidental, especialmente no Brasil, as pessoas dizem seguir Jesus, cantam hinos, levantam bandeiras, fazem passeatas. Mas convém considerar que seguir Jesus é bem mais que isso.

Diante do mandamento do amor ao próximo, perguntaram a Jesus quem era o próximo e ele contou a parábola do samaritano. Leia novamente essa parábola e analise a qualificação de seus personagens.

Muita gente, porém, não compreendeu a essência dessa parábola. Ela não fala apenas do ato de bondade do samaritano, mas fala do fato do samaritano ter acolhido um simples desconhecido.

Para Jesus, todos somos irmãos, filhos do mesmo Pai, razão pela qual o próximo é qualquer pessoa, até mesmo um inimigo.

A religião, de um modo geral, não explora esta questão e acaba dado mais valor aos atos exteriores, às formalidades litúrgicas, às orações, celebrações doações à igreja, que não têm de religião senão o verniz e não a essência dos ensinos de Jesus.

 

segunda-feira, 10 de novembro de 2025

ÚTEIS À EVOLUÇÃO E À INSTRUÇÃO; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

“Se queimas o dedo, isso é apenas a consequência de tua imprudência e da condição da matéria. Somente as grandes dores, os acontecimentos importantes e capazes de influir na tua evolução estão previstos”, responderam a Allan Kardec na questão 859-a - Há fatos que devem ocorrer forçosamente e que a vontade dos Espíritos não pode evitar?-, os Instrutores Espirituais que ajudaram a construir O LIVRO DOS ESPÍRITOS, a base do Espiritismo. Fatos registrados na vida de muitas histórias de vida confirmam essa informação. Na obra O DESCONHECIDO E OS PROBLEMAS PSÍQUICOS (feb), o autor Camille Flammarion  preserva o de um Juiz e Político de nome Bérard que, obrigado por necessidade a pernoitar numa estalagem de segunda categoria em viagem que empreendia entre montanhas selváticas, presenciou, em sonhos, todos os detalhes de um assassinato que havia de ser cometido, três anos mais tarde, no quarto que ocupava, e de que foi vítima o advogado Victor Arnaud. E, graças à lembrança desse sonho é que o Sr. Bérard ajudou a descobrir os assassinos. Esclarecendo dúvidas sobre o processo pelo qual somos avisados de certos acontecimentos, geralmente importantes e graves, a se realizarem conosco, e que muitas vezes se cumprem como os vimos em sonhos ou em visões, o Orientador Espiritual Charles, explicou à médium Yvonne Pereira, explicou existirem vários processos pelos quais o homem poderá ser informado de um ou outro acontecimento futuro da sua vida, todos, porém condicionados a certo mérito ou desenvolvimento psíquico do que recebe o aviso. Diz que um amigo espiritual, um parente, alguém para isso designado, tentam preparar os envolvidos, para o evento, geralmente grave e doloroso, normalmente em linguagem figurada, seja através de sonhos ou intuitivamente. Pode ocorrer também que o próprio indivíduo recorde acontecimentos delineados no Plano Espiritual entre os preparativos para a reencarnação, objetivando sua reabilitação perante as Leis Divinas. A própria Dona Yvonne conta no seu excelente RECORDAÇÕES DA MEDIUNIDADE (feb, 1966), algumas passagens de sua existência tão marcada por duras provas. Uma delas quando ela contava 39 anos, passando a sonhar ao longo de seis meses de forma frequente, com uma cerimônia de concorrido enterro, com todas as características de realidade, tendo à frente um homem carregando uma linda coroa de flores naturais. Via-se acompanhando o féretro logo após o esquife mortuário, banhada em lágrimas e sentindo o coração angustiado, ignorando a identidade do morto. Médium de desdobramento, contemplava as mesmas cenas, sistematicamente. Certa noite, viu os acompanhantes pararem, apoiando o caixão sobre uma banqueta. Reconheceu o local da cena: certa rua da cidade de Barra do Piraí (RJ), onde residia sua mãe. Aproximando-se, por irresistível automatismo, ao levantarem a tampa do caixão, reconheceu sua mãe. Meses depois, em setembro sua genitora adoeceu gravemente, vindo a desencarnar no dia 18 do mês seguinte, repetindo-se conforme antevira inúmeras vezes as cenas visualizadas de forma minuciosa. Relata também a experiência da amiga Rosa Amélia S.G.,  que residindo no interior fluminense, às vésperas do casamento, sonhara que, ao abrir a caixa entregue pelo correio, contendo o vestido de noiva que encomendara  a conhecida casa de modas da cidade do Rio de Janeiro (RJ), cercada por ansiosos e curiosos familiares, encontra um traje completo de viúva, inclusive com o véu negro em uso à época. Emitindo um grito de horror, acordou chorando convulsivamente. Absorvida pelos preparativos, esqueceu o pesadelo, recebendo a encomenda certa na semana da cerimônia. Dois meses após o casamento, o marido em viagem ao Rio de Janeiro, contraiu uma infecção tífica, morrendo dias após regressar à sua casa, em estado grave. Somente na missa do sétimo dia, Dona Rosa Amélia, ao se reconhecer trajada exatamente como o sonho profetizara, se lembraria do mesmo. Por fim, o caso da senhora N.C, que residente em famosa cidade mineira, fora ao Rio de Janeiro a fim de se submeter a melindrosa cirurgia, deixando para traz a família, inclusive o filho mais moço, então com 15 anos. Três dias após a operação, sem que soubesse os 120 alunos do colégio interno em que o jovem estudava, aproveitando uma bela manhã de domingo, excursionaram à represa de água que abastecia a cidade. Temerariamente, acompanhados pelos professores, ao tentarem em massa atravessar frágil ponte de madeira, esta não resistiu ao peso, ruindo, atirando às águas numerosos alunos, dentre os quais o filho da enferma, que com mais quatro colegas morreu afogado. Temerosos de informarem à enferma, silenciaram sobre a ocorrência, esperando seu restabelecimento. Cinco dias após o desastre, contudo, ainda no quarto do hospital, a convalescente, na penumbra viu formar como que uma cerração, tendo a impressão que ela se elevava do leito de um grande rio, vendo o filho elevar-se do fundo das águas, dizendo, após ter sido reconhecido: -“Mamãe, venho participar à senhora que no domingo, pela manhã, morri afogado na represa de...”.  Revelada a estranha experiência aos familiares, tiveram de confirmar o acontecimento, suportado, ao que parece, pela pobre mãe com resignação. 



 Segundo a doutrina espírita nada acontece por acaso. Os encontros, que parecem casuais, não são casuais. É o caso de amantes, pessoas que se encontram e logo se unem por laços afetivos, assumindo responsabilidade perante a lei divina. Como que esses casos se resolvem?

Pela reencarnação, geralmente. Mas o fato de um homem e uma mulher se tornarem amantes, não quer dizer que eles já se conheceram ou que cada um tem um compromisso com o outro do passado.

  Às vezes, a relação se estabelece pela primeira vez na presente existência, mas quando se trata de pessoas casadas, que estão traindo o parceiro e deixando de dar maior atenção aos filhos por exemplo, a situação implica em problemas ainda mais complicados.

Entretanto, o fato de o casal se relacionar, ainda que clandestinamente, quase sempre cria novos vínculos com dependência afetiva, que se torna difícil contornar numa única existência, e que pode se desdobrar em dramas ou tragédias cujas repercussões se estendem às encarnações seguintes.

No livro ENTRE A TERRA E O CÉU, de André Luiz, temos por exemplo o caso da jovem Lina Flores, que se desenrolou no século XIX, durante a Guerra do Paraguai.

  Lina era uma mulher sedutora que acabou casando com José Esteves, mas traiu o marido unindo-se sexualmente ao jovem Júlio. Infelizmente o novo amor ainda não preencheu as necessidades de Lina.

Sentindo-se traído, Júlio, o amante, tentou o suicídio ingerindo um corrosivo, mas só morreu na segunda tentativa, quando se atirou às águas do Rio Paraguai.

  Na encarnação seguinte, Lina voltou com o nome de Zulmira, desposou o viúvo Amaro (que fora anteriormente seu marido José Esteves). Amaro tinha filho de 9 anos, que não era senão o Júlio, amante de Lina na vida anterior.

Logo, reuniram-se novamente na mesma família:  Lina, o marido e o amante.

O garoto Júlio (amante na vida anterior) morreu afogado, quando estava sob os cuidados da madrasta Zulmira ( ou seja, Lina) e esta, sofrendo as dores da culpa pela morte do menino, ainda era obsidiada pelo Espírito da ex-esposa do atual marido. 

Desse modo, Amaro, Lina e Júlio, retornando ao convívio na nova encarnação, passam a sofrer um novo drama, que vai servir de resgate para os três em relação aos erros que cometeram no passado.

Mais tarde, Júlio retorna como filho de Zulmira ( antiga Lina), mas vive apenas um ano. Com a intervenção de uma amiga espírita, depois de sofrer mais este revés, ela e o marido (Amaro da vida anterior) acabam entendendo que a morte do filho foi necessária, para que Júlio se desvincule da culpa do passado e retorne sadio em nova encarnação.

Esse drama narrado por André Luiz mostra que os relacionamentos amorosos fora do casamento têm seu custo, que acaba dificultando o Espírito na sua caminhada para a perfeição, mas mesmo assim cada um responde por sua parte de responsabilidade perante os outros.


sábado, 8 de novembro de 2025

ENTRE OS MAIORES; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Calafrios, fraqueza, visões, desespero, desânimo, obsessões e, a alternativa de apatias profundas, com delírios, seguidos de levitações, transportes vidência, clariaudição, pancadas e outros fenômenos; determinaram a internação do jovem Carmine Mirabelli num Hospício, aos 24 anos, pois a associação de todos os sintomas e efeitos sugeria ser ele portador da doença classificada à época como loucura. Vivia-se a segunda década do século XX e, submetido no Hospital a toda sorte de experimentos pelos seus renomados dirigentes Dr Franco da Rocha e Felipe Aché, ficou comprovada a veracidade dos fenômenos mediúnicos, triunfando sobre os testes da equipe médica, que se viu obrigada a reconhecer que “se o Sr Mirabelli era louco, não deixava de ser uma loucura genial”. De pais imigrantes italianos, ele luterano, ela católica, Carmine nasceu em Botucatu, interior de São Paulo, sendo um dos 28 filhos do casal, tendo sido um menino irrequieto e de invejável inteligência, com grande facilidade de compreender e assimilar rapidamente tudo que lhe era ensinado. Personalidade combativa gostava de polêmicas intelectuais. Aproximando-se da idade adulta, viu seu pai ser arruinado financeiramente pela falência de determinado banco, o que não intimidou o jovem inteligente e ativo. Transferindo-se para a Capital paulista, empregou-se na Companhia de Gás, galgando postos cada vez mais elevados à custa de muito trabalho. Tempos depois, retornando da Alemanha para onde viajara em busca de ampliar seus conhecimentos, ambicionando novas empreitadas, com recursos economizados, investe numa propriedade rural, tornando-se agricultor por encontrar-se cansado da cidade grande, casa-se, volta à São Paulo empregando-se como comprador em uma, depois outra companhia de calçados como cobrador, atividade que teve de abandonar pela eclosão exuberante dos fenômenos mediúnicos que passaram a ocorrer através dele. Liberado do manicômio, após passagens por alguns laboratórios farmacêuticos – sempre epicentro de intrigantes e incríveis fenômenos -, reside algum tempo em Santos (SP), onde inicia suas atividades no campo da assistência social, fundando a Casa de Caridade São Luiz, transfere-se para Niterói(RJ), voltando à São Paulo, aos 47 anos, onde funda o Instituto Psíquico Brasileiro de São Paulo. Caluniado, injuriado, sofrendo toda sorte de perseguições por parte dos inimigos da Verdade, Carmine resistiu e triunfou sobre todos. Acusado de “pratica do Espiritismo” (embora o Espiritismo não esteja associado à suas ações) e “exercício ilegal da Medicina”, unicamente por orientar doentes com a distribuição de água fluidificada e insumos homeopáticos, foi compelido a depoimentos em processos policiais contra ele movidos. Enquanto isso, fenômenos de EFEITOS INTELIGENTES extraordinários eram testemunhados e pesquisados, dentro das possibilidades, como telepatia, previsões, diagnósticos, prognósticos, comunicações psicofônicas, psicográficas, neste campo com mensagens escritas em línguas vivas ou mortas (xenoglóxicas). Na área dos EFEITOS FÍSICOS, materializações, desmaterializações, transportes, transfigurações, escrita direta, moldagens de mãos e esfinges estranhas ao médium, em farinha de trigo, carvão e parafina, de membros perfeitos ou deformados, levitação, raps(pancadas); deslocamentos, entre outros. E o mais incrível é que os fenômenos de ordem física, obtidos com sua energia, realizavam-se, geralmente, à plena luz, e mesmo de dia, dentro e fora de recintos fechados. Em 1929, Espíritos afeitos às artes da pintura começaram a aproximar-se, influenciando-o diariamente e produzindo lindas pinturas a óleo, crayon e aquarelas, perfazendo em dois meses, 46 quadros, reproduzindo retratos, grupos, paisagens, ramos de flores, pássaros, tudo pintado sem original – pelo menos em nossa Dimensão. Carmine nunca estudara pintura e, segundo testemunha, “desde que o Espírito atuante aparece, modifica-se a atitude do médium, que logo se transforma, parecendo outro, pelo cumprimento ou saudação que dirige aos presentes”. Esse exuberante exemplo de que mediunidade e Espiritismo são coisas distintas e independentes, desencarnado de forma trágica aos 62 anos, em 1951, após ter sido atropelado em importante avenida de São Paulo, foi brilhantemente retratado pelo pesquisador Lamartine Palhano Jr, no livro MIRABELLI – UM MÉDIUM EXTRAORDINÁRIO (celd), por sinal reunindo raríssimo acervo de fotografias documentando inúmeros fatos produzidos pela Espiritualidade através dele.




  Meu avô materno faleceu há mais de trinta anos atrás. Ele sempre me tratou com muito carinho e eu, mais do que ninguém, senti muito a sua perda, como sinto até hoje. O Espiritismo ensina que todos os mortos reencarnaram, sem exceção. Então, a esta altura, passado tanto tempo, ele já deve ter reencarnado. Será que, numa sessão espírita, a gente pode saber onde ele reencarnou e quem é ele agora?

 As sessões espíritas não se prestam a esse tipo de revelação, prezados ouvintes, até porque, além de não ter nenhuma utilidade, ele seria prejudicial à pessoa no seu desenvolvimento pessoal e na formação e sua personalidade.

Além do mais, não é uma informação fácil de se obter, mesmo no mundo espiritual. Um Espírito esclarecido, que a tivesse, jamais revelaria, mas um Espírito maldoso ou brincalhão teria prazer em atender à curiosidade das pessoas.

 O esquecimento do Espírita em relação à sua encarnação anterior é providencial e, portanto, indispensável. Eis porque a natureza cuidou para essa informação não chegasse ao seu conhecimento.

 Se as pessoas soubessem de suas vidas passadas, na maioria dos casos, não teriam condições de conviver bem no meio em que se encontra, principalmente com familiares, por causa de dificuldades de relacionamento em experiências anteriores.

Um pai ou uma mãe que se certificassem de quem foi seu filho ou filha, seriam influenciados na maneira de tratá-los e poderiam deturpar a forma de educá-los.

A reencarnação é a maneira pela qual os Espíritos que, no passado estiverem em conflito ou tenham dívidas morais um com o outro, retornem em outros papeis, mesma família ou em famílias diferentes e, então, passam a se entender.

 Além do mais, se elas não devem lembrar, se a natureza assim determinou, por que vamos mexer num problema tão delicado por mera curiosidade?

Dizer para a uma pessoa que ela é a reencarnação de fulano ou beltrano é inconveniente e inadequado. Pode influir negativamente em seu comportamento e fortalecer certos traços que, nesta encarnação, deveriam mudar.

 Mesmo que, por um meio qualquer, venhamos a ter essa informação, o bom senso é guardar discrição e nunca revelar a ninguém, principalmente ao próprio interessado.

 

sexta-feira, 7 de novembro de 2025

SEM FRONTEIRAS, SEM DISTÂNCIAS, SEM BARREIRAS; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 A conhecida vila litorânea de Cascais, a meia hora de Lisboa, capital portuguesa, ficou abalada quando se difundiu nos noticiários do dia 15 de fevereiro de 1985, a notícia da morte por acidente com arma de fogo do jovem Carlos Teles Sobral Junior, um dos filhos do casal Yolanda e Carlos Teles Sobral. Aeronauta a serviço de importante companhia aérea, seu pai trabalhava há vários anos na rota Portugal /Brasil /Portugal, o que acabou por fazer que sua filha Mônica fixasse residência na cidade do Rio de Janeiro, o que, por sinal, mantinha na ocasião, sua mãe a seu lado. Seu pai encontrava-se cumprindo folga de sua escala de trabalho, contudo, quando se verificou a tragédia, havia saído para resolver alguns negócios. A perplexidade ante o impacto da ocorrência converteu-se em desespero e dor diante do inexplicável fato. Junior, 25 anos, estudante, trabalhava em loja de artigos musicais montada pelo pai para que ele se mantivesse ocupado. Nada justificava por isso um possível suicídio, nem a existência de qualquer tipo de armamento entre os pertences do filho.  Dolorosos dias tornaram-se semanas quando ouviram falar sobre Chico Xavier e, desesperados, deslocaram-se para Uberaba, Minas Gerais. No Grupo Espírita da Prece, na primeira parte das reuniões públicas, dedicada às consultas respondidas, psicograficamente, receberam o seguinte recado: “- Jesus nos abençoe. Notícias solicitadas serão recebidas oportunamente. Confiemos no amparo de Jesus, hoje e sempre”.  Esperançosos, retornaram no dia 18 de maio e, entre outras, ouviram o médium ler, ao final das páginas recebidas naquela noite/madrugada, a ansiada, esclarecedora e confortadora carta do amado filho. Logo no início da missiva, Junior revela detalhe somente do conhecimento dos familiares: “... o papai Carlos julgou prudente que me demorasse em Portugal, até que pudéssemos decidir detalhes de nosso reencontro, que ainda não sabíamos se no Rio ou em Lisboa”. Mais adiante, expõe um aspecto de sua personalidade e comportamento, absolutamente desconhecido pelos entes mais próximos: “- Em minhas travessuras de rapaz, que deveria ajustar-se aos princípios renovadores cabíveis em minha própria idade, em minhas travessuras, repito, não fui amigo de um que se habituara a passar rente a nossa moradia, suscitando-me o desejo de experimentar lhe a paciência com meus pensamentos de rapaz acriançado que eu era. Se tivesse conhecimento de sua passagem, ao lado de nossas portas, alegrava-me vê-lo atarantado com os sustos que lhe impunha, especialmente em jatos de água a descerem do alto sobre o pobre passante. Certa vez em que ele era seguido de uma criança, esculpi a figura de uma serpente em papelão pintado a caráter, controlando o animal imaginário com uma corda quase invisível para ele. Em dado momento, coloquei a estranha figura rente a ele e tamanha foi a sua reação, ao ver que a criança se tomara de terror, que o amigo, vitima de minhas brincadeira de mau gosto, me chamou às contas e prometeu cobrar-me aquela grande série de emoções descontroladas a que lhe submetia o ânimo enfermiço”. Certamente tais detalhes surpreenderam aos familiares, que ignoravam tais atitudes do filho. Prosseguindo, Junior desvenda o mistério que nem a polícia conseguiu esclarecer: “– Pois, o inconcebível aconteceu. Ele esperou que o pai se ausentasse de casa e, percebendo-me a sós, penetrou o recanto e, ao encontrar-me, despejou o projétil que me estirou no piso do quarto... Estava sob a impressão de meu injustificável espanto, quando, incapaz de mover-me, ainda o vi colocar em minha mão esquerda a arma que somente funcionaria, a rigor, em minha destra, largada à imobilidade da desencarnação. Não consegui chamar por socorro porque a hemorragia fulminante me subtraiu todas as possibilidades de movimento e, caindo no estado comatoso em que me vi, ainda lhe consegui observar a cautela com que se retirara de nossa casa, naturalmente receando qualquer punição aberta. Quem foi? Não sei. E creio que não devo saber, por que seria doloroso agravar as tribulações em que nos vimos todos, de um momento para o outro. Não vi o pai quando fui encontrado inerte. Minha visão física parecia anulada...”.. Junior prossegue: “- Uma senhora, que se me revelou na condição de minha bisavó Maria Pereira Nunes, às pressas, me retirou do quadro de minha provação. Em seus braços fortes e acolhedores consegui o sono que necessitava e, desde então, despertando transformado em meus sentimentos mais íntimos, refleti sobre a ocorrência que a polícia afinal não desvendaria”. A perícia qualificou a ocorrência apenas como um acidente com arma de fogo mostrando a superficialidade com que foi conduzida, pois o detalhe da posição do revolver na mão esquerda quando Junior era destro, deixou de ser observado.



No livro A GÊNESE, OS MILAGRES E AS PREDIÇÕES SEGUNDO O ESPIRITISMO, de Allan Kardec, Capítulo I, Caracteres da Revelação Espírita, lemos: ‘O Espiritismo, caminhando com o progresso, não será jamais ultrapassado porque, se novas descobertas demonstrarem que está em erro sobre um ponto, se uma nova verdade se revelar, ele a aceitará”. Pergunto:  Esse entendimento pode-se aplicar aos artigos da REVISTA ESPÍRITA de abril de 1862, intitulado Frenologia Espiritualista e Espírita –Perfectibilidade da Raça Negra” e da revista de agosto de 1864, Questões e Problemas – Destruição dos Aborígenes do México”?

Esses artigos, escritos respectivamente em 1862 e 1864, foram inseridos por Allan Kardec na REVISTA ESPÍRITA com a finalidade de mostrar, primeiramente, que não existe uma verdade pronta e acabada sobre todas as coisas.

 Em segundo lugar, que a ciência é uma fonte confiável de estudo, embora caminhe de conformidade com o progresso do pensamento humano.

Em terceiro lugar, que o Espiritismo deve andar ao lado da ciência, mesmo que a ciência valorize apenas os aspectos materiais, sem descortinar a verdade espiritual que está por trás de todos os fenômenos.

Ora, se o Espiritismo segue de certo modo a ciência, respeitando suas descobertas, ele não pode se arvorar igualmente como dono da verdade e, até porque as verdades científicas mudam com o tempo.

Desse modo, lendo sobretudo a REVISTA ESPÍRITA, podemos perceber que muita coisa mudou dos meados do século XIX para os nossos dias em termos de verdade científica.

A Frenologia, citada por Kardec, que no século XX foi completamente descartada pela ciência, era mais materialista que a nova ciência que passou a investigar o cérebro ( a neurociência) e na época era ela que pretendia ditar o caminhar da evolução das raças.

Na época de Kardec, o que predominava, segundo os conceitos dessa ciência e da antropologia, é o conceito de raças humanas, que hoje não é mais concebível no meio científico, sendo substituído pelo conceito de grupos étnicos, que consideram sobretudo os valores culturais de cada povo.

Ao afirmar que o Espiritismo jamais seria ultrapassado, conforme a citação da GÊNESE, Allan Kardec queria dizer que a doutrina sempre estará disposta a se amoldar às novas verdades ou às novas descobertas.

Logo, o que o autor escreveu sobre a perfectibilidade da raça negra, no momento atual, tem que ser reinterpretado à luz do caminhar progressivo do conhecimento humano, embora Kardec estivesse mais interessado na evolução espiritual do que na evolução biológica.

André Luiz, um século após Kardec, deu luz a vários conceitos que ainda não se mostravam tão claros no Espiritismo quando examinados à luz da ciência atual.

Falando do tema “aborígenes do México”, Kardec ratifica o que pensa a doutrina até hoje nos seus princípios filosóficos.

A filosofia é mais abrangente que a ciência e é a filosofia espírita que dá sustentação à doutrina.

Embora o Espiritismo seja declaradamente contra a violência, temos que reconhecer que o caminho da evolução, que a humanidade escolheu, não dispensa os conflitos e a guerra e em muitos casos, nem mesmo o extermínio.

Desse modo, não é difícil concluir que os temas científicos tratados na REVISTA ESPÍRITA devam ser interpretados à luz dos princípios filosóficos do Espiritismo.


APRENDENDO COM CHICO XAVIER; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

Os anos de convívio com a Espiritualidade transformaram o médium Chico Xavier numa fonte extraordinária de aprendizado sobre a Humanidade que se serve da Terra para o trabalho da evolução espiritual. Destacaremos a seguir alguns deles preservados pelo companheiro Adelino da Silveira um dos que desfrutou da intimidade do incomparável médium mineiro nos últimos anos de sua vida. 1- Por que Joanna D’Arc foi considerada santa apesar de ter liderado soldados franceses em batalhas certamente muito sangrentas?  Chico Xavier – “Naquela época, os Espíritos encarregados da evolução do Planeta estavam selecionando os gens que viriam servir na formação do compor da plêiade de entidades nobres que reencarnariam para ampliar o desenvolvimento geral da Terra, através do chamado Iluminismo francês. Era preciso suportar a dinâmica das inteligências que surgiriam. Se a França fosse invadida, perder-se-ia o trabalho de muitos séculos. Então Joanna D’Arc foi convocada para que impedisse a invasão, a fim de que se preservassem as sementes genésicas, para a formação de instrumentalidade destinada aos gênios da cultura e do progresso que renasceriam na França, especialmente em se tratando da França do século 19 que preparou, no mundo, a organização da Era Tecnológica que passou a viver-se no século 20”. 2- Porque jamais uma nação conseguiu invadir o Brasil e tomar parte de nossa Pátria, quando temos uma costa litorânea tão imensa? - Chico Xavier- “Porque toda vez que alguma Nação planejava isso, Jesus determinava que alguns milhares de Espíritos desencarnados e que ainda habitavam esse País, reencarnassem no Brasil e, ao invés de entrarem invadindo-nos pelas fronteiras geográficas faziam-no pelas fronteiras genéticas. As Leis de Segurança Planetária não permitiram, até agora, a invasão deliberada, decerto a fim de reservar determinada tarefa ou missão para os brasileiros do futuro, milhares dos quais filhos do pretenso invasor”. 3- Em 1952, quando Chico psicografava AVE CRISTO, certa noite, visitou-o um Espírito que viveu na época de Moisés. Tentou conversar com o médium mentalmente, mas este olhou para Emmanuel e disse-lhe: - Não entendi nada do que ele quis me dizer. Então, o bondoso guia explicou-lhe: - Ele está dizendo que não vem à Terra aproximadamente há 4 mil anos e que achou as construções um pouco diferentes, mas a evolução moral foi muito pequena”. 4- Francisco de Assis era a reencarnação do Apóstolo João Evangelista? Chico Xavier– “Acreditamos que a elevação de São Francisco de Assis foi a continuidade de João Evangelista na divulgação da obra do Cristo em todo o mundo, especialmente na Vida Ocidental. Creio que o assunto exposto é a expressão da verdade”. 5- Qual o animal mais adiantado? Chico Xavier – “O cão. O cão desperta muito amor e é um modelo de fidelidade. As pessoas que amem e cultivem a convivência com os animais, especialmente os cães ou descendentes das raças caninas, se observarem com atenção, decerto verificarão que os vários espécimes são portadores de qualidade que consideramos quase humanas, raiando pela prudência, paciência, disciplina, obediência, sensibilidade, inteligência, improvisação, espírito de serviço, vigilância e sede de carinho, infundindo-nos a ideia de que, quanto mais perto se encontram das criaturas humanas, mais se lhes assemelham, preparando-se para o estágio mais próximo da hierarquia espiritual”.


–“Podendo cada um ser médium, quem poderá impedir a família no interior do lar, o indivíduo no silêncio de seu gabinete, o prisioneiro entre as grades, de manter comunicação com os Espíritos, apesar de às barbas dos esbirros”?

“Admitamos, no entanto – continua Kardec – que um governo fosse bastante forte para a impedir em seu país. Impedi-la-ia nos países vizinhos, no mundo inteiro, já que não há um único país nos dois continentes em que não há médiuns”?

 “Por outro lado, o Espiritismo não depende dos homens. É obra dos Espíritos, que não podem ser queimados nem encarcerados. Consiste na crença individual e não nas sociedades que, de maneira alguma, são imprescindíveis”.

E conclui Kardec: “E mesmo que se chegasse a destruir todos os livros espíritas (eu creio que os há aos milhares), os Espíritos ditariam outros”.

Ao final desta citação o ouvinte pergunta: ”Existe Espiritismo na Coreia do Norte”?  

Em primeiro lugar, precisamos definir o que é Espiritismo. O comentário de Kardec se refere aos fenômenos espíritas e não propriamente ao Espiritismo.

Ora, fenômenos, manifestações dos espíritas existem por toda parte e sempre existiram. Existiram mesmo quando ainda nem havia Espiritismo.

Quando falamos em Espiritismo estamos nos referindo à Doutrina Espírita, que inclui fenômenos, mas somente os fenômenos não são Espiritismo.

A Doutrina Espírita, que o próprio Kardec codificou, passou a existir a partir de suas obras, abrangendo aspectos filosóficos, científicos e ético-morais.

Ela veio justamente para explicar os fenômenos e dar-lhes uma direção, no sentido de ser aproveitada e utilizada pelo bem da humanidade.

Desse modo, prezado ouvinte, se nos referirmos apenas aos fenômenos, podemos dizer que eles existem e sempre existiram em toda parte, principalmente no meio religioso.

Como diz Kardec, não temos como evitar que existam médiuns e que os Espíritos possam se comunicar de algum modo, mesmo que num meio restrito, como numa casa por exemplo.

Mas, se estivermos falando de Doutrina Espírita, dentro dos moldes codificados por Allan Kardec, o Espiritismo existem em poucos países e, certamente, não existe na Coreia do Norte, onde temos um regime político totalitário, de absoluto controle das ideias, principalmente das ideias de liberdade.

Sabemos, no entanto, que existem centenas de centros espíritas em Cuba, mas não temos acesso direto à forma como o Espiritismo é praticado naquele país, justamente por causa das dificuldades de comunicação com um país ainda fechado a muitas ideias.