faça sua pesquisa

sábado, 9 de abril de 2022

OPINIÕES POUCO CONHECIDAS; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 No final dos anos 80, o Espírito Luiz Sergio (Carvalho), escreveria CONSCIÊNCIA, o primeiro dos livros em que revelava sua integração a um grupo dedicado a tarefas de auxílio a dependentes químicos. Estudante de Engenharia, desencarnado aos 24 anos, em acidente de carro, na madrugada de 12 de fevereiro de 1973, imediações da cidade de Cravinhos (SP), quando regressava com amigos a Brasília onde residia, procedentes de São Paulo, onde tinha estado com três amigos para assistir a primeira corrida de Formula UM que se realizaria na capital paulista, passou a se comunicar mediunicamente apenas quatro meses após sua morte. Servindo-se, desde então de vários médiuns, construiu um acervo de mais de duas dezenas de obras, extremamente interessantes e importantes, especialmente para jovens que se iniciam no conhecimento das realidades espirituais a que nos ligamos. Liderado pelo Espírito Enoque, vivencia experiências ricas de ensinamentos e esclarecimentos sobre temas atualíssimos. Dois anos depois da obra citada, ressurgiria em DRIBLANDO A DOR, também registrando situações vividas entre vitimados pelo consumo de drogas, que a equipe de Espíritos de jovens desencarnados tentava auxiliar nos Dois Planos da vida. Deste excelente trabalho, destacamos alguns comentários que auxiliam uma análise mais precisa do avassalador problema enfrentado pela sociedade humana: SOBRE A ORIGEM DO PROBLEMA1º- O dependente de drogas é um doente psíquico, tem em seu inconsciente um trauma. Quem consome droga deseja driblar a dor. 2º- O jovem quando busca o tóxico, o faz por alguma causa. Se buscarmos a origem, encontraremos primeiramente a fraqueza familiar, ou seja, pais inseguros; lar desequilibrado, filhos negligenciados ou superprotegidos; dinheiro fácil; excesso de liberdade. SOBRE O TRATAMENTOPREVENTIVO - 1º- O tratamento se inicia no lar; é nele que o jovem aprende a viver em sociedade. Um Lar sem disciplina leva o jovem a afundar-se no ócio e nos vícios. Os pais devem desenvolver no jovem o senso de responsabilidade com relação à própria vida. 2º- Desde tenra idade oferecer ao filho educação firme e disciplinada, dando-lhe exemplos de ética, longe das mentiras e fraquezas. 3º- Ao presentear a criança ensiná-lo a amar seus brinquedos e não destruí-los, sentindo que os pais desembolsaram certa quantia para adquirir os brinquedos, mostrando-lhe que os brinquedos também gostam de carinho. 4º- Lembrar que com oito, dez ou doze anos a criança já está colocando para fora as suas neuroses. 5º- Procurar ajuda psicológica se notarem que há algo de errado no comportamento dos filhos, se mente demais, se é ápero com os irmãos, se agride a propriedade alheia, se é péssimo aluno, se destrói o que é seu ou dos outros, se apresenta mudanças de humor.6º- Respeitar o mundo da criança, lembrando que ela não é um brinquedo. 7º- Ser coerente entre o que diz para a criança e o que faz. CORRETIVO 1º- O que se deve fazer é levar a pessoa a interessar-se por si mesma, a se gostar, mostrar-lhe o quanto a sociedade perde por tê-la tão distante, agonizante mesmo. 2º- Fazer o dependente compreender o valor da vida. 3º- Entender que o jovem procura agredir a família ou se autodestruir. 4º- Entender que ele é por demais orgulhoso, tímido ou complexado. 5º- Lembrar que não importa sua idade, mas que ele se julgue útil e amado por todos. 6º- Que se os pais derem ao filho a certeza de um amor equilibrado, ele voltará atrás e abandonará o vício. 7º- Que se os pais continuarem apenas desejando que ele seja um homem de bem, sem a família ter um procedimento elevado, ele continuará a agredir. 8º- Que ao descobrir que o filho é viciado, tudo deve ser feito para mudar o ambiente familiar, o pai voltando a ser o herói da época infantil, a mãe o ninho de amor que o aconchega nas horas de tormenta. Apesar das duas décadas que nos separam da publicação do livro, seu conteúdo permanece extremamente atual não somente na avaliação do grave problema, mas também na elaboração de programas e estratégias tentando enfrentar e solucionar o mesmo.


Gostaria de saber por que, na Bíblia, a gente vê a descrição de tantos milagres, que aconteciam antigamente, e hoje não acontecem mais? (Márcia Divanir)


Prezada Márcia, quando se lê uma obra antiga, como a Bíblia, a gente vai deparar com uma realidade muito diferente da realidade que vivemos atualmente. Além de se tratar de uma época muito recuada na história, milhares de anos atrás, o povo hebreu tinha uma cultura muito diferente da nossa, com usos, costumes e crenças muito próprios. A maneira como o homem via o mundo era diferente da de hoje, embora o mundo de hoje seja o mesmo. Como, naquela época, pouco se conhecia das leis da natureza, todos os fatos desconhecidos e inexplicáveis eram tidos por milagres.


O mundo, em si, não mudou; o que mudou foi a forma de entender o mundo, de interpretar os fatos, devido ao progresso do conhecimento. Fatos, outrora tidos como miraculosos - como a abertura do Mar Vermelho por Moisés para a passagem de seu povo, o Sol que Josué parou para dilatar o dia, ou mesmo a destruição das cidades de Sodoma e Gomorra - hoje são vistos de outra forma. Foram fenômenos, não muito bem observados, que podem ter ocorrido na época e, como não foram compreendidos, receberam interpretação miraculosa.


Todos os acontecimentos do mundo – não só da Terra, mas de todo o Universo, cujos limites desconhecemos – atendem plenamente às leis da natureza ( ou, se você preferir, às leis de Deus). Essas leis são tão perfeitas, que não mudam, justamente porque não precisam mudar. Muda-se o que é imperfeito, mas não aquilo que já atingiu a perfeição. Portanto, essas leis perfeitas funcionam tão regularmente e de forma tão extraordinária, que a ciência humana pode descobri-las, estudá-las e aplicá-las em na vida, como vem acontecendo hoje. Se existe milagre, ele está no funcionamento perfeito dessas leis e não na sua derrogação.


Deus, na sua Perfeição Absoluta, não tem necessidade de mudar suas leis, apenas para provar seu poder. Nada disso. Seu poder está justamente no cumprimento das leis, que gera tudo que existe em qualquer parte do universo. Nós, humanos, é que somos imperfeitos e entendemos muito pouco da Lei de Deus, embora tenhamos a tola pretensão de querer saber tudo. Mas, não sabemos. Ninguém sabe. Estamos buscando conhecimento para poder entender o funcionamento dessas leis.


Moisés trouxe um código de leis morais – ou seja, regras para a vida e para a convivência humana naquela época. Mais de mil anos depois, Jesus reformulou em parte esse código, atualizando essas leis, ao recomendar o Amor, a mais elevada expressão da espiritualidade. Ele não estava interessado nem em defender e nem tampouco em atacar religião alguma, mas, sim, em conduta, no cultivo da fraternidade, lembrando que Deus é um só, é o nosso Pai Maior, e todos, aqui na Terra – quer queiramos ou não, somos seus filhos e, portanto, irmãos. Jesus demonstrou que o maior poder do mundo é o amor, o único caminho para a nossa real felicidade.


sexta-feira, 8 de abril de 2022

A QUESTÃO DAS CURAS NA LÓGICA DE ALLAN KARDEC; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

Resultados obtidos na área da saúde por algumas pessoas através da assistência oferecida por alguns médiuns ou Centros Espiritas surpreendem e intrigam os que deles tomam conhecimento. Será verdade ou possível? Na sequencia em texto incluído na edição de março de 1868 da REVISTA ESPÍRITA, o esclarecimento do Espiritismo: Consideradas unicamente do ponto de vista fisiológico, as doenças têm duas causas, que até hoje não foram distinguidas, e que não podiam ser apreciadas antes dos novos conhecimentos trazidos pelo Espiritismo. É da diferença destas duas causas que ressalta a possibilidade das curas instantâneas, em casos especiais, e não em todos. Certas moléstias têm sua causa original na própria alteração dos tecidos orgânicos; é a única que a Ciência admite até hoje. E como, para a remediar, não conhece senão as substâncias medicamentosas tangíveis, não compreende a ação de um fluido impalpável, tendo a vontade como propulsor. Entretanto, aí estão os curadores magnéticos para provar que não é uma ilusão. Na cura das doenças desta natureza, pelo influxo fluídico, há substituição das moléculas orgânicas mórbidas por moléculas sadias. É a história de uma velha casa, cujas pedras carcomidas são substituídas por boas pedras; tem-se sempre a mesma casa, mas restaurada e consolidada. (...) A substância fluídica produz um efeito análogo ao da substância medicamentosa, com esta diferença: sendo maior a sua penetração, em razão da tenuidade de seus princípios constituintes, age mais diretamente sobre as moléculas primeiras do organismo do que o podem fazer as moléculas mais grosseiras das substâncias materiais. Em segundo lugar, sua eficácia é mais geral, sem ser universal, porque suas qualidades são modificáveis pelo pensamento, enquanto as da matéria são fixas e invariáveis e não podem aplicar- se senão em determinados casos. Tal é, em tese geral, o princípio sobre o qual repousam os tratamentos magnéticos. Acrescentemos sumariamente, e de memória, já que não podemos aprofundar aqui o assunto, que a ação dos remédios homeopáticos em doses infinitesimais, é baseada no mesmo princípio; a substância medicamentosa, levada pela divisão ao estado atômico, até certo ponto adquire as propriedades dos fluidos, menos, todavia, o princípio anímico, que existe nos fluidos animalizados e lhes dá qualidades especiais. Em resumo, trata-se de reparar uma desordem orgânica pela introdução, na economia, de materiais sãos, substituindo materiais deteriorados. Esses materiais sãos podem ser fornecidos pelos medicamentos ordinários in natura; por esses mesmos medicamentos em estado de divisão homeopática; enfim, pelo fluido magnético, que não é senão matéria espiritualizada. São três modos de reparação, ou melhor, de introdução e de assimilação dos elementos reparadores; todos os três estão igualmente na Natureza, e têm sua utilidade, conforme os casos especiais, o que explica por que um tem êxito onde outro fracassa, porquanto seria parcialidade negar os serviços prestados pela medicina ordinária. Em nossa opinião, são três ramos da arte de curar, destinados a se suplementarem e a se completarem, conforme as circunstâncias, mas dos quais nenhum tem lastro para se julgar a panacéia universal do gênero humano. Cada um desses meios poderá, pois, ser eficaz, se empregado a propósito e adequado à especialidade do mal.

A primeira participação de hoje vem de uma ouvinte, que não quis se identificar. Ela pergunta o seguinte: “Uma pessoa diz que foi vítima de macumbaria para terminar seu casamento. Ela foi a um centro de umbanda pedir para que desfaçam esse mal feito. Qual a orientação espírita sobre esse caso?”


Esta é uma questão muito freqüente que, não só é levada aos centros espíritas diariamente, como também trazida a este programa. Na verdade, a visão espírita a respeito dos males que nos fazem e dos males que nos atingem é bem mais complexa do que simplesmente desfazer um mal ou afastar possíveis obsessores. Com certeza, sempre há quem nos possa desejar o mal e quem faça alguma coisa para nos prejudicar. O problema é saber de que forma podemos nos colocar a salvo dessas influências.


A resposta é óbvia. Quando Kardec perguntou aos seus orientadores como podemos fazer para nos ver livres da influência dos maus Espíritos, conforme lemos na questão 469 de O LIVRO DOS ESPÍRITOS, eles responderam categórica e taxativamente: “Fazendo o bem e colocando toda a vossa confiança em Deus, rejeitareis a influência de Espíritos inferiores”. No último capítulo de O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO, no prefácio à prece pelos obsidiados, Kardec deixa bem claro a visão espírita a respeito do assédio dos Espíritos mal intencionados. São os bons pensamentos e, principalmente, a nossa forma elevada de conviver e tratar as pessoas que nos defendem das influências espirituais negativas.


Kardec afirma que a obsessão é uma doença da alma. Quando estamos com a alma fragilizada, automaticamente nos colocamos à mercê de influência perniciosas das mais diversas espécies, que podem nos atingir com maior ou menor gravidade, criando perturbações e embaraços em nossa vida. Não é difícil entender esse mecanismo que, aliás, está na própria natureza. Nada acontece por acaso, principalmente quando se trata de influências espirituais nocivas que pululam à nossa volta. Quando alguém se propõe a nos prejudicar, utilizando de Espíritos maus, para atingir seu intento, a probabilidade desse mal nos atingir depende do campo vibracional que oferecemos para isso.


O mecanismo é semelhante ao que acontece com a saúde do corpo. Quando nosso corpo está desguarnecido de defesa - ou seja, quando há um comprometimento no sistema imunológico – podemos ser vítimas de qualquer agente contagioso, vírus ou bactérica. Assim, por exemplo, quando uma gripe se instala no organismo, é porque o vírus causador do mal encontrou condições propícias para se reproduzir e tomar conta do corpo. Do mesmo modo ocorre no plano do Espírito: quando estamos espiritualmente desguarnecidos, podemos ser atingidos facilmente por um leve pensamento contrário, pois nosso campo mental acolhe cargas negativas, sejam do ambiente onde nos encontramos, seja porque nos foram desferidas por alguém mal intencionado.


Existem, sim, processos utilizados para o afastamento imediato de Espíritos maus, mas o que realmente funciona, na vida de todos nós, é a nossa defesa natural, através da maneira como procedemos na vida, de nossas atitudes nas relações de convivência, do respeito que temos por nós mesmos e pelos outros. É o “vigiai e orai” que Jesus ensinou, o u seja, a aplicação pura e simples da Lei de Causa e Efeito para que não sejamos vítimas da própria invigilância. Desse modo, se nos encontramos diante de um problema, que nos pareça de causa espiritual, a melhor maneira de enfrentá-lo é procurar mudar nosso estilo de vida; caso contrário, ainda que tenhamos algum alívio imediato, futuramente acabaremos recaindo na mesma situação.


Entretanto, há um outro aspecto importante que devemos abordar. Muitas vezes, porque sofremos uma grande decepção na vida, somos levados a crer que somos vítimas de algum mal-feito com que alguém nos quis atingir. Precisamos ter cuidado com essas conclusões. O problema não é tão simples assim. Na grande maioria das vezes, o problema que nos surpreendeu e que nos fez sofrer não foi senão conseqüência direta dos deslizes que vínhamos cometendo, por não saber conviver bem, por falta de habilidade na abordagem das situações, nada tendo a ver com supostos males que desferiram contra nós. Precisamos, quase sempre, aprender a assumir as nossas próprias dificuldades, porque é muito fácil atribuir aos Espíritos - ou mesmo ao demônio – a causa de nossos problemas, e muito difícil assumir que cada um de nós é o dono de seu próprio destino.




quinta-feira, 7 de abril de 2022

ILUSÃO DAS APARÊNCIAS; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

As chamadas reuniões de tratamento da obsessão poderão se constituir em fonte inesgotável de confirmação dos Princípios da Reencarnação, bem como dos mecanismos do instrumento que os regula que é a Lei de Causa e Efeito. Excetuando-se os casos preservados pelos excelentes livros NOVOS RUMOS A MEDICINA e A PSIQUIATRIA EM FACE DA REENCARNAÇÃO, organizados pelo médico Inácio Ferreira que, ao longo de cinquenta anos, dirigiu o pioneiro Sanatório Espirita de Uberaba (MG), inexistem outros estudos associando os transtornos mentais patológicos e obsessivos – como proposto por Allan Kardec -, e, os equívocos do passado dos envolvidos. Um incalculável desperdício, pois, nos tratamentos desenvolvidos em função desses trabalhos, surpreendentes revelações surgem. O caso do Espírito Joaquim tratado no Centro Espírita Luiz Gonzaga, em Pedro Leopoldo (MG), enquadra-se na situação. Segundo o dirigente encarnado dos trabalhos ali realizados em favor da desobsessão, a entidade manifestou-se numa das reuniões através do médium Chico Xavier, revoltada e infeliz. Dizia-se molestado por fortes jatos de água fria, alegando estar sendo dissecado vivo numa aula de anatomia numa Faculdade de Medicina. Afirmava sentir pavoroso sofrimento, repetindo, a cada passo, entre lágrimas: -“Como é possível aplicar semelhante procedimento a um homem vivo? Não há justiça na Terra?”. Meses depois, retornaria, segundo ele, para trazer ao grupo notícias suas. Na comunicação preservada em um gravador disponibilizado por admirador daquelas tarefas e depois transcrita, Joaquim conta o seguinte: -“Minha derradeira máscara física era a de um pobre homem, que tombou na via pública, num insulto cataléptico. Tão pobre que ninguém lhe reclamou o suposto cadáver. Conduzido à laje úmida, não consegui falar e nem var, contudo, não obstante a inércia, meus sentidos da audição e do olfato, tanto quanto a noção de mim mesmo, estavam vigilante. Impossível para mim descrever-nos o que significa o pavor de um morto-vivo. Depois de muitas horas de expectação e agonia moral, carregaram-me seminu para a câmara fria. Suportei o ar gelado, gritando intimamente sem que a minha boca hirta obedecesse. Não posso enumerar as horas de aflição que me pareceram intermináveis. Após algum tempo, fui transportado para certo recinto, em que grande turma de jovens me cercou, em animada conversação que primava pela indiferença à minha dor. Inutilmente procurei reagir. Achava-me cego, mudo, paralítico... Assinalava, porém, as frases irreverentes em torno e conseguia ajuizar, quanto à posição dos grupos a se dispersarem junto de mim... Mais alguns minutos de espera ansiosa e senti que lâmina afiada me rasgava o abdômen. Protestei com mais força, no imo de minha alma, no entanto, minha língua jazia imóvel. Tolerando padecimentos inenarráveis, observei que me abriam o tórax e me arrebatavam o coração para estudo. Em seguida, um choque no crânio para a trepanação fez-me perder a noção de mim mesmo e desprendi-me, enfim, daquele fardo de carne viva e inerte, fugindo horrorizado qual se fora um cão hidrófobo, sem rumo... (...) Trazido, porém, à vossa casa, suave calor me requentou o corpo frio. Escutei vossas advertências e orações. E braços piedosos de enfermeiros abnegados conduziram-me de maca a um hospital que funciona como santa retaguarda, além do campo em que sustentais abençoada luta. Banhado em águas balsâmicas, aliviaram-se-me as dores. (...) Um de vossos amigos, que considero agora também por meus amigos e benfeitores -, numa simples operação magnética, mergulhou-me no conhecimento da realidade e vi-me, em tempo recuado, envergando o chapéu de um mandarim principal. O rubi simbólico investia-me na posse de larga autoridade. Revi-me, numa noite de festa, determinando que um de meus companheiros, por mero capricho de meu orgulho, fosse lançado em plena nudez num pátio gelado. Ao amanhecer, recomendei lhe furtassem os olhos. Mandei algemá-lo qual se fora um potro selvagem, embora clamasse compaixão. Impassível, ordenei fosse ele esfolado vivo. Depois, quando o infeliz se debatia nas vascas da morte, decidi fosse o seu crânio aberto, antes de entregue aos abutres, em pleno campo. Exigi, ainda, lhe abrissem o abdômen e o tórax. Reclamei-lhe o coração numa bandeja de prata. O toque magnético impusera-me o conhecimento de minha dívida”. 




Lendo os livros de Kardec, O LIVRO DOS ESPÍRITOS, por exemplo, a gente não encontra nenhuma informação que fale com detalhes sobre como é a vida no mundo espiritual – como os Espíritos vivem, como as casas, as cidades, a alimentação, as paisagens, etc. - mas a gente encontra isso tudo e muito mais nos livros de André Luiz, recebidos por Chico Xavier. Por que será que os livros de Kardec não dizem que existem colônias espirituais, como Nosso Lar?


De fato, você tem razão em dizer que, na obra de Kardec, só encontramos referencias gerais a respeito do mundo espiritual; já, em André Luiz, temos um farto material informativo em mais de uma dezena de obras, não apenas informações de como vive uma comunidade espiritual ( aliás, muito parecido com as comunidades humanas), como também temos relatos pormenorizados a respeito dos processos de obsessão, encarnação e desencarnação dos Espíritos, que vieram dar uma visão mais atualizada da vida espiritual, aplicando os conhecimentos científicos alcançados no século XX.


Do ponto de vista espírita, não é para se estranhar que isso tenha acontecido. Kardec foi quem lançou o Espiritismo em 1857; em suas obras encontramos as bases fundamentais e os princípios da Doutrina Espírita. Mas não temos nas obras de Kardec resposta pronta e conclusiva para todas as questões humanas, até por que o próprio Kardec disse que isso seria impossível. No entanto, ele deixou claro que o Espiritismo é uma doutrina progressista, que apenas estava iniciando naquele momento, mas não que terminaria com ele; avançaria sempre mais. Ela teria de progredir com o progresso da humanidade, principalmente com o progresso do conhecimento humano.


Com certeza, descrições como as que André Luiz faz da vida espiritual Kardec também deve ter recebido no seu tempo, mas ele deliberadamente não colocou em suas obras, por uma questão de cautela, pois sentiu que aquele não seria o momento apropriado para adiantar outras informações, pois poderia causar um impacto muito grande nos leitores e fazer muita gente desacreditar do Espiritismo. Na verdade, todas as informações que recebeu dos Espíritos passou por um crivo muito rigoroso, uma vez que um princípio da doutrina é que cada verdade deve vir a seu tempo. Além disso, Erasto, que era seu Espírito orientador, disse-lhe que era preferível rejeitar nove verdades a aceitar uma só falsidade.


Interessante, porém, é notar que descrições da vida espiritual, como as de André Luiz, já existiam até antes mesmo de Allan Kardec, e ele sabia disso. Podemos citar, por exemplo, as descrições do vidente sueco Emmanuel Swedenborg, do americano Andrew Jackson Davis, do filho desencarnado de Sir Oliver Lodge e do reverendo Owen . Todas elas, muito parecidas, revelavam muita coisa do que André Luiz veio apresentar somente a partir da década de 1940, ou seja, 100 anos depois. Allan Kardec, porém, muito cauteloso, não duvidou, mas também não endossou tais descrições de imediato, seguindo os preceitos estabelecidos pela equipe do Espírito de Verdade.


Quando “Nosso Lar” foi lançado pela Federação Espírita Brasileira, em 1944, até que pudesse ser aceito pela unanimidade dos espíritas, houve uma reação contrária de muitos espíritas e uma resistência natural em nosso meio, própria de quem ainda não tem as idéias espíritas amadurecidas. Esse fato vem comprovar a razão pela qual Kardec, no seu tempo, achou muito prematuro adiantar certas informações, deixando que o tempo se encarregasse de amadurecer os Espíritos para poder recebê-las com mais tranquilidade.


quarta-feira, 6 de abril de 2022

O QUE FAZ A DIFERENÇA ; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 -“Não existe dor maior do que a perda de um filho”, afirmou certa vez o médium Chico Xavier que de forma intensiva conviveu com milhares de pessoas que subitamente se viram privadas do convívio de seus entes queridos causada pela morte natural e predominantemente acidente desde os anos 70 do século passado. Mensagens psicografadas durante esses anos, mostraram que o que retornou ao Plano Espiritual também tem dificuldades de aceitar a dura realidade. Tanto maior quanto for a fixação do que ficou nos detalhes da partida e na inconformação, visto que através do sem fio do pensamento as ligações persistem fazendo com que as imagens mentalizadas incidam sobre aquele que precisa de paz a fim de se restabelecer e reintegrar à realidade espiritual. A original visão oferecida pelo Espiritismo sobre o tema morrer pode ajudar nesse traumático momento? Allan Kardec, na REVISTA ESPÍRITA, número de novembro de 1865 pondera o seguinte: - “Enquanto em presença da morte o incrédulo só vê o nada, ou pergunta o que vai ser de si, o espírita sabe que, se morrer, apenas será despojado de um invólucro material, sujeito aos sofrimentos e às vicissitudes da vida, mas será sempre ele, com um corpo etéreo, inacessível à dor; que gozará de percepções novas e de maiores faculdades; que vai encontrar aqueles a quem amou e que o esperam no limiar da verdadeira vida, da vida imperecível. Quanto aos bens materiais, sabe que deles não mais necessitará, e que os prazeres que proporcionam serão substituídos por outros mais puros e mais invejáveis, que não deixam em seu rasto nem amarguras nem pesares. Assim, abandona-os sem dificuldade e com alegria, lamentando os que, ficando na Terra, ainda irão precisar deles. (...) Quem quer que tenha lido e meditado nossa obra O CÉU E O INFERNO segundo o Espiritismo e, sobretudo, o capítulo sobre o temor da morte, compreenderá a força moral que os espíritas haurem em sua crença, diante do flagelo que dizima as populações. (...) Consideram como um dever velar pela saúde do corpo, porque a saúde é necessária para a realização dos deveres sociais. Se buscam prolongar a vida corporal, não é por apego à Terra, mas para ter mais tempo para progredir, melhorar-se, depurar-se, despojar-se do velho homem e adquirir mais soma de méritos para a Vida Espiritual. Mas, se a despeito de todos os cuidados, devem sucumbir, tomam o seu partido sem queixa, sabendo que todo progresso traz os seus frutos, que nada do que se adquire em moralidade e em inteligência fica perdido, e que se não desmereceram aos olhos de Deus, serão sempre melhores no outro mundo do que neste, ainda mesmo que ali não ocupem o primeiro lugar. Apenas dizem: Vamos um pouco mais cedo aonde iríamos um pouco mais tarde. Crê-se que com tais pensamentos não se esteja nas melhores condições de tranquilidade de espírito recomendada pela Ciência? Para o incrédulo ou para o que duvida, a morte tem todos os seus terrores, porque perde tudo e nada espera.



Quero saber o seguinte: se ninguém deve julgar o próximo, como diz o evangelho, então devemos aceitar toda injustiça, crimes e roubalheira que existem, essa corrupção dos políticos e das pessoas importantes? (Cynthia)


Vamos refletir sobre esta difícil questão, Cynthia. A nossa grande fraqueza moral está na facilidade com que apontamos os erros dos outros e, imediatamente, fazemos um julgamento. Contudo, se alguém nos julga ou faz um comentário negativo a nosso respeito, ficamos inconformados e até revoltados. E, quando somos chamados a fazer um autojulgamento então, caímos fora. Desse modo, usamos uma medida bem grande para medir os erros dos outros (que acreditamos que sejam muitos) e uma medida minúscula para medir os próprios erros (que consideramos mínimos ou inexistentes).


Você se lembra daquela recomendação de Jesus? “Não julgueis para que não sejais julgados, porque com a medida com que julgardes vos julgarão também”? ou aquela outra, que diz, “ Hipócrita, tirai primeiro a trave que está em vosso olho, para depois tirares o cisco que está no olho de teu irmão!”. Pois é. Jesus fala do julgamento moral, desse péssimo hábito de estarmos apontando e comentando os erros alheios por um lado e, por outro, escondendo os nossos erros, com se eles não existissem. A Psicologia costuma dizer que “apontar o erro alheio”é uma forma de dar as costas aos próprios erros ou, então, de projetar nos outros os defeitos que são nossos.


Assim, quando um erro de alguém é revelado e vem a público – principalmente nos noticiários de televisão – o que é que logo nos vem ao pensamento? Que a pessoa apontada é cheio de falhas, não merece crédito, é um ser inferior e assim por diante. Nossa tendência é sempre acreditar nas críticas e duvidar dos elogios. Por isso, é mais fácil criticar que elogiar. Quando criticamos parece que nos valorizamos diante daquele que é alvo da crítica. Entretanto, temos dificuldade de elogiar para que a pessoa elogiada não pareça superior a nós.


É claro que, com isso, não queremos dizer que devemos concordar com o erro ou com aqueles que cometem erros, causando prejuízo aos outros e à sociedade. É claro que não. Muitas vezes, denunciar um erro é um dever do cidadão, quando esse erro representa um perigo maior, que pode fazer muitas vítimas. Contudo, na vida comum do dia-a-dia, devemos ser indulgentes para com as pessoas com quem convivemos, principalmente os familiares e colegas de trabalho, porque são aqueles com quem compartilhamos mais de perto nossas experiências de vida. Indulgentes quer dizer “compreensivos” em relação às falhas do dia-a-dia, que todos nós, indistintamente, cometemos ou podemos cometer.


Não existe perfeição na Terra. Logo, não existe quem possa se dizer superior a ninguém; Jesus, que era puro, não julgou a mulher adúltera. Cada pessoa deve responder pelos seus próprios atos, mas não vamos nos arvorar de juízes implacáveis ante as falhas dos outros, pois é o que não queremos que os outros nos façam. André Luiz, muito judiciosamente, afirma numa de suas mensagens que não devemos nos preocupar com a vida dos outros, a não ser que possamos ajudá-los.





terça-feira, 5 de abril de 2022

GUERRAS E A LEI DE CAUSA E EFEITO ; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

Incluída por Allan Kardec n’ O LIVRO DOS ESPÍRITOS na abordagem sobre a Lei da Destruição, uma das LEIS MORAIS analisadas conjuntamente com a equipe responsável pelas originais propostas do Espiritismo, nas cinco perguntas feitas, alguns esclarecedores pontos para refletirmos: 1- A ocorrência da guerra na Terra “resulta da predominância da natureza animal sobre a espiritual e a satisfação das paixões entre os habitantes do Planeta, se tornando menos frequente à medida que o homem progride, porque ele evita suas causas e quando ela se faz necessária ele sabe adicionar-lhe humanidade”; 2- Que ela desaparecerá quando os homens compreenderem a justiça e praticarem a Lei de Deus, sentindo todos os povos como irmãos; 3- O objetivo da Providência Divina em tornar a guerra necessária é o desenvolvimento do senso de liberdade e progresso, resultando a subjugação observada da necessidade de fazer os povos andar mais depressa na caminhada evolutiva; 4- Aquele que suscita a guerra em proveito próprio é o verdadeiro culpado da sua eclosão, necessitando de muitas existências para expiar todos os assassínios de que foi causa. Episódios violentos e cruéis resultantes das atitudes observadas nas batalhas e invasões sofisticadas da atualidade em relação às manobras da Idade Média, por exemplo, demonstram que a evolução foi apenas foi apenas tecnológica. Operações onde o autodenominado EI – Estado Islâmico promove extermínio de mulheres, crianças e homens por questões raciais e religiosas, evidenciam o deplorável estado evolutivo desses seres. Nada, porém, passa desapercebido perante Leis que nos governam. Individual e coletivamente. A seguir, exemplos que dão uma ideia de como tudo funciona perante a Lei de Ação e Reação: Caso 1- EFEITO - Nascimento em massa, a partir da segunda metade da década de 50, em várias partes da Terra, embora em maior número, em determinado País europeu, de crianças apresentando má-formação congênita como braços ou pernas mirradas, a maioria como resultado da ingestão por suas mães de anticoncepcionais que continham em sua fórmula uma substância chamada talidomida, ainda em fase de testes na época. CAUSA -Ações praticadas entre 1939/1943, em determinado país europeu por soldados nazistas (vítimas de hoje), contra judeus cujas residências eram invadidas para que anéis, brincos e joias fossem subtraídos em meio a golpes rápidos que resultavam em decepções cruéis de mãos, braços, orelhas, dedos ou na mutilação de pernas daqueles que tentassem socorrer os indefesos. Entre 1949/1953, em vale escuro do Plano Espiritual, centenas de seres humanos podiam ser vistos lastimando a ausência dos pés, braços ou mãos em seus corpos espirituais. Eram os mesmos infelizes, agentes do furto ou da morte, à margem da guerra, que desencarnando, se supliciavam no remorso incrustado na consciência, carregando a mente vincada pelas atrocidades de que foram autores, plasmando em si, nos órgãos e membros profundamente sensíveis do perispirito, as deformidades que infringiram aos indefesos irmãos israelitas, necessitando da reencarnação para se refazerem, nos fluídos anestesiantes do corpo físico. Caso 2 EFEITO - Jovem, sexo masculino, 19 anos, desencarna em 1998, dois meses após ter sido vítima do primeiro de dois aneurismas cerebrais, embora não tivesse desenvolvido vícios, desfrutando invejável saúde. CAUSA - Ação praticada em existência anterior na qual, em operação militar, não hesitou em atirar contra a cabeça de um prisioneiro, apesar dos pedidos de clemência do mesmo, impondo-lhe morte imediata. Caso 3 - EFEITO - Jovem diagnosticado com quadro de esquizofrenia após uma vida aparente normal até então, levando-o a internação em hospital especializado ,tornando-o dependente de medicações de uso contínuo. CAUSA - Ações levadas a efeito em experiências com seres humanos nos centros de pesquisa mantidos pelo exercito Nazista durante a Segunda Guerra Mundial, impondo sofrimentos cruéis às cobaias selecionadas entre prisioneiros confinados em campos de concentração.





Tenho uma amiga que está sofrendo por uma coisa que ela não fez. Ela ficou muito tempo desempregada. Depois que fez uma simpatia, conseguiu um emprego. Mas, logo nos primeiros dias, sumiu um dinheiro do local onde foi trabalhar e começaram a desconfiar dela. Tenho certeza de que ela é inocente; eu a conheço desde criança e sei que é incapaz de pegar qualquer coisa dos outros. Mas ela não agüentou a pressão e saiu do emprego, entrando em depressão, por causa da injustiça que fizeram com ela. Indiquei um livro espírita para ajudá-la a superar esse problema... (ANONIMA)


Se sua amiga é realmente inocente, porque cultiva honestidade, ela deve estar sofrendo muito. Ser acusado de um crime, que não se cometeu, é uma das experiências mais sofridas que se pode passar. É nesses momentos que é preciso ter uma estrutura espiritual sólida, além de apoio moral, para não se deixar levar pelo derrotismo. A fé em Deus e a confiança em si mesmo constituem o alicerce seguro em que mais se deve apoiar para não se render. Se sua amiga pudesse continuar no emprego para provar sua inocência, seria o ideal. Mas, já que saiu, o importante e fundamental é que prove para si mesma, que é capaz de vencer essa adversidade.


Em Doutrina Espírita aprendemos, no entanto, que nada acontece por acaso. Assim, podem ocorrer situações em nossa vida, que funcionam como lições ou testes, que nos permitem analisar melhor as nossas próprias necessidades espirituais. Nesse caso, podemos dizer que, se tais situações não têm causa na vida presente, devem ter causa em vidas anteriores ou na própria necessidade do Espírito em aprender a superar uma humilhação para crescer espiritualmente. Além do mais, Jesus - que foi vítima de uma grande injustiça – ensinou que mais vale ser prejudicado do que prejudicar, é melhor ser acusado injustamente do que praticar alguma injustiça contra alguém. O importante é que estejamos com a nossa consciência limpa de culpa, ou seja, que estejamos bem conosco mesmos.


Há um episódio memorável, que se conta, a respeito de Sócrates, o filósofo grego, que viveu 5 séculos antes de Cristo. Sócrates foi acusado injustamente de tentar corromper a juventude de seu tempo, por causa das idéias que ensinava. Foi preso, julgado e condenado à morte. A execução era feita por envenenamento, através de uma droga chamada cicuta, que devia ser ingerida pelo condenado. Sua esposa e discípulos, porém, não se conformaram com a injustiça de que estava sendo vítima, pois Sócrates era um homem bom, que só ensinava o bem e vivia para isso. Resolveram, então, tirá-lo da prisão a qualquer custo.


Quando chegaram à cela de Sócrates, depois de se livrarem do carcereiro, disseram-lhe que estavam ali para corrigir uma grande injustiça, que ele não podia ser executado por um crime que não praticou e, por isso, ousaram libertá-lo. Sócrates, porém, apesar de sentir amado e protegido pelos seus libertadores, negou-se a fugir da prisão. Foi quando sua mulher questionou: “Mas, Sócrates, como você pode aceitar isso? Você é inocente”. E ele respondeu: “E você queria que eu fosse culpado? Os que me matam estão condenados pelas leis da vida”.


Leve a Doutrina Espírita à sua amiga e colabore para que ela entenda que está sendo convidada a crescer e a descobrir, talvez, novos valores, que a enobrecem. Se ela entender a Lei da Reencarnação, com certeza, saberá situar-se melhor diante do mau julgamento que fizeram a seu respeito. Vai descobrir que não só pode superar esse episódio, mas, sobretudo, valer-se dele para aprender a viver, valorizando mais seu caráter e sua vida, e prosseguir vivendo com dignidade e disposição renovada para buscar novas metas.



 

segunda-feira, 4 de abril de 2022

ESQUECIMENTO DO PASSADO: ONDE A LÓGICA DISTO? EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

-“Não compreendo como o homem pode aproveitar a experiência adquirida em suas experiências anteriores, se não lembra delas, pois, desde que ele não se recorda, cada existência é como se fosse a primeira, e é assim sempre, ao recomeçar. (...) Donde se pode dizer que a nossa mente morre em cada existência para renascer sem consciência do que fomos. Isso é uma espécie de negação”. O argumento bastante lógico foi apresentado a Allan Kardec que, de forma também lógica, disse: -No Espiritismo tudo se encadeia, e quando estudamos o conjunto, vemos que os princípios decorrem uns dos outros, servindo-se mutuamente de apoio. E então o que parecia uma anomalia contrária à justiça e à sabedoria de Deus, parece completamente natural, vindo confirmar esta justiça e esta sabedoria. Tal é o problema do esquecimento, que está ligado a outras questões de igual importância. Eis porque o tratarei apenas superficialmente aqui. Se, em cada existência, é lançado um véu sobre o passado, o Espírito nada perde do que adquiriu no passado: só esquece a maneira como o adquiriu. Para servir-me da comparação do estudante, diria que pouco lhe importa saber onde, como, e com quais professores ele fez o terceiro ano, se chegando ao quarto sabe o que se ensinou no terceiro. Que lhe importa saber se foi castigado por sua preguiça ou sua insubordinação, se esses castigos tornaram-no trabalhador e dócil? É assim que, ao reencarnar, o homem traz, por intuição e como ideias inatas, o que adquiriu em ciência e moralidade. Digo em moralidade, pois se, durante uma existência ele melhorou, se aproveitou as lições da experiência, quando voltar será instintivamente melhor. Seu Espírito, amadurecido na escola do sofrimento e do trabalho, terá mais solidez. Longe de ter tudo a recomeçar, ele possui um capital cada vez mais rido, sobre o qual se apoia para adquirir mais. (...) O esquecimento temporário é um benefício da Providência. A experiência é muitas vezes adquirida por rudes provas e terríveis expiações, cuja lembrança seria muito penosa e viria somar-se às angústias das tribulações da vida presente. Se os sofrimentos da vida parecem longos, o que seria então se sua duração aumentasse com a lembrança dos sofrimentos do passado? O senhor, por exemplo, é hoje um homem honesto, mas o deve talvez a rudes castigos que suportou por crimes que agora repugnariam sua consciência. Ser-lhe-ia agradável recordar-se de haver sido enforcado pelo que fez? Não o perseguiria a vergonha ao pensar que o mundo soubesse o mal que cometeu? Que lhe importa o que tenha podido fazer e sofrer para expiá-lo, se agora é um homem respeitável? Aos olhos do mundo é um novo homem e aos olhos de Deus um Espírito reabilitado. Liberto da lembrança de um passado inoportuno, age com mais facilidade. É um novo ponto de partida; suas dívidas anteriores estão pagas, está em si não contrair novas. (...). Suponhamos ainda um caso muito comum, que nas suas relações, em seu próprio lar, encontra-se um Ser contra o qual tinha queixas, que talvez o tivesse arruinado ou desonrado em outra existência, e que, Espírito arrependido, venha a encarnar em seu meio, unir-se ao senhor por laços de família para reparar seus erros pelo devotamento e a afeição. Não estariam ambos na mais falsa situação, se os dois se recordassem de sua inimizade? Em lugar de se apaziguarem, eternizariam o ódio. Conclua daí que a lembrança do passado traria perturbações às relações sociais e seria um entrave ao progresso.




Esta questão foi colocada por uma ouvinte, que não quer se identificar. Assim, ela expõe seu problema, dizendo: “Quando a gente sofre uma ingratidão, como eu sofri - que partiu de uma pessoa da família que eu muito considerava – parece que o coração da gente fica mais duro e que, daí em diante, a gente não dá mais tanto valor ao sentimento. Eu pergunto: para que serve a ingratidão na vida de uma pessoa, se ela fica assim tão amarga e tão desconfiada dos outros?”


Nenhuma experiência que temos na Terra é inútil, por mais dolorida que seja. Ela sempre serve para alguma coisa, embora – é claro – nenhum de nós queira sofrer. A ingratidão, sem dúvida, é uma das experiências mais sofridas, até porque o ingrato é sempre uma pessoa próxima a quem servimos, quase sempre, nos seus momentos mais difíceis. Fica difícil para nós, ao recebermos uma ingratidão, entender como isso foi possível, como que alguém – a quem beneficiamos na necessidade – teve coragem de se insurgir contra nós, ou nos prejudicando, ou nos ignorando em nossos piores momentos.


Contudo, essa experiência dolorosa, na caminhada do Espírito, sempre tem um papel importante, como o remédio amargo ou a cirurgia de grande risco para a recuperação do paciente. Saber que sofremos por causa de nossas próprias necessidades de crescimento espiritual é, sem dúvida, um grande consolo. Na questão 937 de O LIVRO DOS ESPÍRITOS, ao serem indagados sobre ingratidão, os Espíritos dizem a Kardec que a ingratidão é uma prova para a nossa persistência no bem; ela nos será levada em conta, e aqueles que foram capazes de praticá-la responderão pela gravidade do ato, mais cedo ou mais tarde. É por isso, dizem os Espíritos que o bem deve ser feito apenas pelo bem e nunca esperando retribuição, como disse Jesus, quando afirmou: “Não saiba a vossa mão esquerda o que faz a direita”.


Quando fazemos o bem, esperando recompensa, corremos o risco de nos decepcionarmos com as pessoas a quem ajudamos, razão pela qual, quando fazemos o bem a alguém, nunca devemos contar com nenhuma recompensa ( nem mesmo com o reconhecimento), mesmo se tratando de nossos filhos. A recompensa, que devemos sempre buscar, é a satisfação de podermos ser úteis, de podermos servir os outros na hora da necessidade, de podemos fazer alguém feliz ou menos infeliz. Essa satisfação deve nos acompanhar sempre, agora e depois, nesta e na outra vida, independente do fato de sermos reconhecidos ou não por aqueles a quem ajudamos.


Desse modo, conforme os ensinamentos do grande Mestre da Humanidade, sempre que sofrermos os efeitos de um ato de ingratidão, para não sofrermos demasiado pelo mal que nos atinge, devemos ter como lema que “é melhor ser prejudicado do que prejudicar”, “é melhor ser vítima do que algoz”, “é melhor ter feito o bem e recebido o mal do que ser agente de um ato tão baixo como uma ingratidão”. É melhor para o nosso crescimento, porque todos nós, no longo transcurso de nossa evolução, assim como fez Jesus, precisamos aprender a lidar com nossos sentimentos e, por mais que soframos, devemos saber colocá-los sempre a nosso favor.

domingo, 3 de abril de 2022

A PROPÓSITO DO CORPO ESPIRITUAL; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

O LIVRO DOS ESPÍRITOS não é um tratado completo de Espiritismo; apenas apresenta as bases e os pontos fundamentais, que se devem desenvolver sucessivamente pelo estudo e pela observação”, escreveu Allan Kardec em texto inserido na edição de julho de 1866, da REVISTA ESPÍRITA. O tema períspirito, por exemplo, inclui-se entre os muitos assuntos que ainda precisam ser melhor conhecidos. Explicado por Allan Kardec como “involucro semimaterial do Espírito depois da sua separação do corpo, é organizado pela individualidade a partir dos fluidos do mundo em que se acha, sendo trocado ao passar de um a outro; sendo mais ou menos sutil ou grosseiro, segundo a natureza de cada Globo, podendo tomar todas as formas segundo a vontade do Espírito, geralmente assumindo a imagem que este tinha na sua ultima vida corporal”. Segundo sua avaliação, “embora de natureza etérea, a substância do perispírito é suscetível de certas modificações que a tornam perceptível à nossa vista, como no caso das aparições, onde, por sua união com o fluido de certas pessoas, torna-se temporariamente tangível, ou seja, oferecer ao toque a resistência de um corpo sólido, como se vê nas aparições estereológicas ou palpáveis”. Acrescenta ainda que “a natureza íntima do períspirito não é ainda conhecida; mas poder-se-ia supor que a matéria do corpo é composta de uma parte sólida e grosseira e de uma parte sutil e etérea; que só a primeira sofre a decomposição produzida pela morte, ao passo que a segunda persiste e segue o Espírito. O Espírito teria, assim, um duplo invólucro; a morte o despojaria apenas do mais grosseiro; o segundo que constitui o períspirito, conservaria o tipo e a forma da primeira, da qual ele é como a sombra; mas sua natureza essencialmente vaporosa permite ao Espírito modificar esta forma à sua vontade, torna-la visível, palpável ou impalpável. O períspirito é, para o Espírito, o que o perisperma é para o germe do fruto. A amêndoa, despojada do seu invólucro lenhoso, encerra o germe sob o involucro delicado do perisperma”. No ano de 1994, num comentário inserido no livro IMAGENS DO ALÉM (ide), Chico Xavier analisando um desenho do Pavilhão do Restringimento elaborado pela também médium Heigorina Cunha que, em desdobramento espiritual teria visitado alguns setores da Colônia Nosso Lar, afirma que “na reencarnação compulsória, o processo é mais lento, levando mais de um ano para se completar o chamado restringimento, e que assim que se inicia a fase do sono letárgico, o corpo espiritual vai se despojando da matéria grosseira, ficando o períspirito sutil, sem trazer-lhe prejuízo algum, matéria grosseira que é enterrada em lugar próprio”. A instigante observação levou alguns pesquisadores ao capítulo 12 do livro EVOLUÇÃO EM DOIS MUNDOS (1958,feb), obra que marca a mudança de Chico de Pedro Leopoldo para Uberaba, ambas no Estado de Minas Gerais. No referido capítulo, o Espírito André Luiz minudencia detalhes interessantes da dinâmica dos processos reencarnatório / desencarnatório. Entre outras informações diz ele: -“Assimilando recursos orgânicos com o auxílio da célula feminina, fecundada e fundamentalmente marcada pelo gene paterno, a mente elabora, por si mesma, novo veículo fisiopsicossomático, atraindo para os seus moldes ocultos as células físicas a se reproduzirem por caricionese, de conformidade com a orientação que lhes é imposta, isto é, refletindo as condições em que ela, a mente desencarnada, se encontra. Plasma-se-lhe, desse modo, com a nova forma carnal, novo veículo ao Espírito, que se refaz ou se reconstitui em formação recente, entretecido de células sutis, veiculo este que evoluirá igualmente depois do berço e que persistirá depois do túmulo”. O intrigante da redução do períspirito no início do processo gestacional é esclarecido no capítulo 29 do livro ENTRE A TERRA E O CÉU (1954, feb), em que o Instrutor Clarêncio vincula este efeito “à influência de fortes correntes eletromagnéticas liberadas pela matriz geradora do corpo feminino, impondo a redução automática, liberando para o plano etéreo toda matéria que não sirva ao trabalho fundamental de refundição da forma”.

Eu, que já tenho idade avançada, sempre ouvi falar do castigo eterno, desde criança. Meus pais, como outros pais também - e mais os padres e até as professoras - punham medo nas crianças, quando falavam do capetinha que tentava e que queria levar as almas para o inferno. Hoje não vejo mais essa história de inferno. Será porque as pessoas não mais acreditam nisso? (ouvinte anônima)


Isso se deve à evolução do pensamento humano, cara ouvinte, - principalmente nesses últimos 30 anos. As idéias mudam com o tempo ( é a lei da evolução) e as religiões também são forçadas a isso. A Doutrina Espírita, por exemplo, tem um papel importante nessas mudanças, porque – como você sabe - o Espiritismo não adota essas concepções de céu e inferno, mas a da reencarnação, e suas idéias se expandiram muito nos últimos anos. Mas não podemos ignorar que o pensamento científico tem contribuído muito para isso.


Aos poucos, vamos saindo de um tipo de mentalidade – que o educador Paulo Freire classifica de “ingênua” – para uma mentalidade, que ele chama de “crítica”. A mentalidade ingênua é a maneira de pensar das pessoas de boa-fé, que aceitam verdades sem analisá-las e sem questioná-las; preferem se acomodar na fé, como se a fé pudesse subsistir sem a razão. Contudo, o ser humano tem sido exigido, cada vez mais, a usar o raciocínio (uma prerrogativa que Deus lhe deu), a compreender antes de aceitar, de modo que essa nova mentalidade vem se implantando aos poucos na sociedade.


Assim, a doutrina das recompensas e das penas eternas, aos poucos, vai caindo em desuso. Pouco lembrada e menos ainda considerada, ela vai se distanciando da concepção de vida do homem do século XXI, até cair no completo esquecimento, porque, hoje em dia, com os conhecimentos que já temos, ela não pode explicar mais a Justiça de Deus, com a reencarnação explica. É claro que ela teve sua época, quando a humanidade era mais atrasada, acreditava mais e questionava menos. Não mais hoje, quando estamos avançando para um conhecimento racional da vida, em plena era científica e tecnológica.


É claro que todos nós também estamos expostos ao materialismo, mas o materialismo surge como uma reação natural ao religiosismo, que prega a fé cega e comete toda espécie de abusos, até mesmo assustando as crianças com a idéia de inferno. Daqui para a frente, no entanto, vamos ter enfrentar uma fase de conflitos – entre o crer e o não-crer, entre os que negam o espírito e os que proclamam o sentido espiritual da vida. Mas esse conflito faz parte do processo natural de nossa evolução e, com certeza, nos levará a uma outra fase, em que o Espiritualismo ( ou seja, as religiões), quando se assentarem sobre valores da razão e da fé, acabarão por prevalecer, construindo uma fé mais sólida e mais vigorosa, capaz de melhorar o comportamento humano.



sábado, 2 de abril de 2022

O QUE FAZ A DIFERENÇA, EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

-“Não existe dor maior do que a perda de um filho”, afirmou certa vez o médium Chico Xavier que de forma intensiva conviveu com milhares de pessoas que subitamente se viram privadas do convívio de seus entes queridos causada pela morte natural e predominantemente acidente desde os anos 70 do século passado. Mensagens psicografadas durante esses anos, mostraram que o que retornou ao Plano Espiritual também tem dificuldades de aceitar a dura realidade. Tanto maior quanto for a fixação do que ficou nos detalhes da partida e na inconformação, visto que através do sem fio do pensamento as ligações persistem fazendo com que as imagens mentalizadas incidam sobre aquele que precisa de paz a fim de se restabelecer e reintegrar à realidade espiritual. A original visão oferecida pelo Espiritismo sobre o tema morrer pode ajudar nesse traumático momento? Allan Kardec, na REVISTA ESPÍRITA, número de novembro de 1865 pondera o seguinte: - “Enquanto em presença da morte o incrédulo só vê o nada, ou pergunta o que vai ser de si, o espírita sabe que, se morrer, apenas será despojado de um invólucro material, sujeito aos sofrimentos e às vicissitudes da vida, mas será sempre ele, com um corpo etéreo, inacessível à dor; que gozará de percepções novas e de maiores faculdades; que vai encontrar aqueles a quem amou e que o esperam no limiar da verdadeira vida, da vida imperecível. Quanto aos bens materiais, sabe que deles não mais necessitará, e que os prazeres que proporcionam serão substituídos por outros mais puros e mais invejáveis, que não deixam em seu rasto nem amarguras nem pesares. Assim, abandona-os sem dificuldade e com alegria, lamentando os que, ficando na Terra, ainda irão precisar deles. (...) Quem quer que tenha lido e meditado nossa obra O CÉU E O INFERNO segundo o Espiritismo e, sobretudo, o capítulo sobre o temor da morte, compreenderá a força moral que os espíritas haurem em sua crença, diante do flagelo que dizima as populações. (...) Consideram como um dever velar pela saúde do corpo, porque a saúde é necessária para a realização dos deveres sociais. Se buscam prolongar a vida corporal, não é por apego à Terra, mas para ter mais tempo para progredir, melhorar-se, depurar-se, despojar-se do velho homem e adquirir mais soma de méritos para a Vida Espiritual. Mas, se a despeito de todos os cuidados, devem sucumbir, tomam o seu partido sem queixa, sabendo que todo progresso traz os seus frutos, que nada do que se adquire em moralidade e em inteligência fica perdido, e que se não desmereceram aos olhos de Deus, serão sempre melhores no outro mundo do que neste, ainda mesmo que ali não ocupem o primeiro lugar. Apenas dizem: Vamos um pouco mais cedo aonde iríamos um pouco mais tarde. Crê-se que com tais pensamentos não se esteja nas melhores condições de tranquilidade de espírito recomendada pela Ciência? Para o incrédulo ou para o que duvida, a morte tem todos os seus terrores, porque perde tudo e nada espera.




Uma ouvinte anônima questionou o seguinte: “Quando a gente tem vontade de esganar uma pessoa, que vive importunando a vida da gente, isso é por causa dos obsessores?”


Não, de forma nenhuma. É muito fácil para qualquer um de nós atribuir as próprias fraquezas morais aos outros, eximindo-se de culpa. No meio espírita, aos obsessores; entre os evangélicos, ao demônio, e assim por diante. Essa forma simplista de querer escapar à responsabilidade pelos próprios atos é conhecida como “escapismo”. Na verdade, ela não contribui em nada para resolver problema algum; pelo contrário, complica mais ainda a situação. O que de melhor temos a fazer é assumir a responsabilidade, olhar-nos de frente e procurar mudar.


Nós todos temos uma idéia aproximada do que trazemos de negativo dentro de nós: egoísmo, orgulho, inveja, revolta, etc. São sentimentos ainda não trabalhados, assim como a pedra bruta, quando é levada ao escultor para ele lhe dar forma e beleza. É o que temos fazer conosco durante a nossa existência aqui na Terra. É claro que não temos a pretensão de ser santos ou de conquistar a perfeição numa só vida!... Mas podemos melhorar muito, se quisermos e se nos esforçarmos para isso. Desse modo, temos de encarar essas condições em nós e verificar por onde é mais fácil começar: geralmente pelo lado que mais nos incomoda.


Os Espíritos orientadores, como Emmanuel por exemplo, costumam dizer que a vida é uma oficina de trabalho espiritual, onde temos de aprender a esculpir a própria alma. O escultor usa ferramentas vigorosas para talhar a pedra, como o buril; nós nos valemos de situações espinhosas e incomodas do dia-a-dia – na família, no trabalho, na vida social - onde somos atingidos por alguns golpes, que devem nos estimular à transformação espiritual, a fim de aprendermos a superar a nós mesmos, compreendendo aqueles que ainda não atingiram o nosso nível de entendimento da vida.


Os desencarnados, que há pouco viviam na Terra, são como nós. Eles têm suas fraquezas de caráter. Quando têm alguma coisa contra nós, eles podem nos influenciar sim e, frequentemente, conseguem fazê-lo, até com certa facilidade. Mas não porque eles são maus e nós somos bons, mas porque nós oferecemos campo para eles agirem, pois temos os mesmos defeitos que eles têm. Nenhum Espírito, por pior que seja, vai criar em nosso coração um sentimento que não temos – como, por exemplo, ódio por alguém. O máximo que ele pode fazer é estimular o mau sentimento que já cultivamos. Assim, querer agredir alguém não é do Espírito, é nosso. Mas, se temos algum obsessor, com certeza, ele nos ajudará a manifestar essa emoção reprimida para fazer o que ele quer.


A ação dos Espíritos sobre nós, portanto, não tem, apenas um comando: tem dois comandos – o nosso e o deles. Os desencarnados não fazem senão aquilo que alguns encarnados – que se passam por nossos amigos – nos estimulam a fazer no caso de recebermos uma ofensa: revidar, agredir o ofensor. E, se quisermos anular esse efeito, precisamos, primeiramente, rever nossos sentimentos, nossas atitudes e atos diante das situações comuns da vida. Kardec diz, no último capítulo de O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO, que a obsessão é uma doença da alma e, nesse caso, precisamos cuidar melhor de nossos valores, ter fé em Deus e aprender a confiar mais em nós mesmos, para nos modificar, antes de cometer algum erro mais grave.



 

sexta-feira, 1 de abril de 2022

REENCARNAR- DIFICULDADES INIMAGINADAS; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

O Espírito André Luiz através do médium Chico Xavier nos repassa informações que dão conta que três linhas orientam os processos reencarnatórios na Dimensão em que nos encontramos: a compulsiva; a assistida e a natural ou mecânica. Entretanto, nem todas as respostas foram dadas, nas “reportagens” iniciadas com o livro NOSSO LAR (feb,1944). Em duas mensagens psicofônicas gravadas ao final da reunião de 27 de maio de 1954, no Centro Espírita Luiz Gonzaga, em Pedro Leopoldo (MG) - tendo como médium Chico Xavier -, podemos recolher detalhes importantes até para reavaliarmos nossa posição diante da não valorização da existência que cumprimos presentemente. Na primeira, o Benfeitor Emmanuel explica: -“Enquanto a Escola Espiritual na Terra prepara as criaturas reencarnadas para o fenômeno da morte, em nosso plano de ação essa mesma Escola prepara as criaturas desencarnadas para o aprendizado da existência no corpo físico”. O Instrutor acrescenta em rápidas considerações que o sucederia na utilização do aparelho mediúnico, o Espírito Cornélio Mylward que enquanto encarnado exerceu a Medicina, a fim de dirigir-se a numeroso grupo de desencarnados presentes ansiando pela oportunidade de voltar às experiências do corpo físico, através da reencarnação. Do falado a eles, destacamos alguns pontos: 1-Para que obtenhamos tal concessão, porém, é indispensável nosso concurso com a Lei Divina, obedecendo-lhe aos regulamentos que definem o Bem Infinito, em todas as suas manifestações. 2-É preciso modificar os nossos “clichês” mentais para que a nossa volta à escola terrestre signifique recomposição e refazimento. 3- Essa transformação, contudo não será levada a efeito apenas à força de preces, meditações e conclusões em torno do passado. Faz-se imprescindível a dinâmica da ação. 4- O serviço será sempre o grande renovador de nossa vida consciencial, habilitando-nos à experiência reconstrutiva, sob a inspiração de nosso Divino Mestre e Senhor. 5- Não conquistaremos o vestuário carnal entre os homens sem aquisição de simpatia entre eles. 6-É necessário gerar no Espírito daqueles nossos associados do pretérito, que se encontram no educandário humano, a atitude favorável à solução dos nossos problemas. 7- Templos religiosos, estabelecimentos hospitalares, círculos de assistência moral, domicílios angustiados, cárceres de sofrimento, palcos de tortura expiatória, eis nosso vasto setor de concurso fraterno. Nessas esferas de regeneração e corrigenda, companheiros encarnados e desencarnados, padecentes e aflitos, expressam o material de nossa preparação. 8- A fim de esquecer velhas provas, aliviemos as provas alheias. Para desobstruir o caminho de nossa consciência culpada, devemos favorecer a libertação dos que suportam fardos mais pesados que os nossos, porque ajudando aos nossos semelhantes angariaremos o auxílio deles, fazendo-nos, ao mesmo tempo, credores do amparo daqueles Irmãos Maiores que nos estendem providos braços da Vida Superior. (...). 9- Somente a atividade em socorro ao próximo conseguirá renovar-nos a fonte do pensamento, traçando-nos seguras diretrizes, pois sob o guante de nossas lembranças constringentes o esforço da reencarnação redundará impraticável, de vez que nossas reminiscências infelizes são fatores desequilibrantes de nosso mundo vibratório, impedindo-nos a formação de novo instrumento fisiológico suscetível de conduzir-nos à reorganização do próprio destino. 10- Expurguemos a mente, apagando recordações indesejáveis e elevando o nível de nossas esperanças, porque, na realidade, somos arquitetos de nossa ascensão. 11- Somente ao preço de uma vontade vigorosa e pertinaz, situada no bem comum, é que lograremos conquistar o interesse dos Grandes Instrutores em prol da concretização de nossas aspirações mais nobres. 12- Regenerando a química de nossos sentimentos, o que decerto nos custará renunciação e sacrifício, atingiremos mais clara visão para reencontrar os laços de nosso pretérito e, então, segundo os dispositivos da hereditariedade, que traduz parentesco de inclinações e compromissos, seremos requisitados pelas criaturas que se afinam conosco, tanto quanto, desde agora, estão elas sendo requisitadas por nossos anseios. 13- Reaproximar-nos-emos, desse modo, de quantos se harmonizam com a experiência em que nos demoramos, e, aderindo-lhes à existência, seremos defrontadas pelas provas condizentes com a nossa natureza inferior, comungando-lhes o pão da luta, indispensável à recuperação de nossa felicidade.


FÉ E DÚVIDAS (29nov2009)


Na verdade, eu não sei se Deus existe ou não. Fui educado no catolicismo; quando criança adorava essa idéia de Deus. Mas, como tempo, me tornei céptico e hoje não posso dizer exatamente o que penso sobre religião. Espero que um dia me defina. Acho que sou muito inseguro, que é preferível não acreditar em nada do que ficar na dúvida. Mas, uma coisa que não me convence: é que as religiões pregam que a fé depende de querer acreditar. Eu posso afirmar por experiência própria que a fé não depende da vontade. Acho que é uma condição interna da pessoa. Gostaria que vocês falassem sobre isso no programa. (ANÔNIMO)


Você tem razão. Fé não depende simplesmente de a gente querer; é uma condição intima, muito ligada às experiências de vida e à vida emocional de cada um. É um campo muito delicado que, se não for bem trabalhado, pode levar a pessoa à total descrença ou, então, ao fanatismo. Entretanto, você está falando especificamente da fé religiosa; mas a fé não é somente religiosa. A fé, no seu sentido amplo, é uma condição indispensável de sobrevivência, necessária em todos os momentos da experiência humana. Enquanto você acredita na vida, você luta por ela. A pior condição do homem, como afirma Meimei, na mensagem “Confia Sempre” é perder a proteção da fé e continuar vivendo.


No capítulo “A Fé Transporta Montanhas” de O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO, Allan Kardec trata da fé nos dois sentidos: o da fé no sentido amplo e o da fé religiosa. Em primeiro lugar, no sentido amplo, com o subtítulo “Poder da Fé”, onde ele afirma: “A fé robusta confere a perseverança, a energia e os recursos necessários para a vitória sobre os obstáculos, tanto nas pequenas quanto nas grandes coisas. A fé vacilante produz a incerteza, a hesitação, de que se aproveitam os adversários que devemos combater: ela nem sequer procura os meios de vencer, porque não crê na possibilidade da vitória”.


E mais adiante, Kardec acrescenta: “A fé sincera e verdadeira é sempre calma. Confere a paciência que sabe esperar, porque estando apoiada na inteligência e na compreensão das coisas, tem a certeza de chegar ao fim. A fé insegura sente a sua própria fraqueza e, quando estimulada pelo interesse, torna-se furiosa e acredita poder suprir a força com a violência. A calma na luta é sempre um sinal de força e de confiança, enquanto a violência, pelo contrário, é prova de fraqueza e de falta de confiança em si mesmo.”


Veja que Kardec, aqui, está tratando do significado amplo da fé, como sustentação para a vida. Eis porque ninguém vive sem ela. E mesmo aquele que diz que não acredita em Deus, acredita em alguma coisa, acredita no valor da vida e, na maioria das vezes, nos ideais do Bem, da Verdade e da Justiça. Ora, acreditar nesses ideais e, mais do que isso, acreditar que humanidade caminha para isso, já é uma grande coisa, porque, para algumas pessoas, como você – que vêem com muita reserva as crenças religiosas – esses ideais são o suficiente para viverem com dignidade e respeito humano, fazendo, às vezes, o que muitos religiosos não fazem.


Houve homens ( como os existem até hoje), que se proclamaram ateus e que só fizeram o bem, que só viveram pelo bem e deixaram para seus descendentes e para a humanidade verdadeiras lições de vida. Eles podiam dizer que não acreditavam em Deus, mas acreditavam no Bem, na Verdade e na Justiça – ideais que, na verdade, representam tudo o que um religioso acredita que Deus é. Portanto, não se agaste por isso. Se seu propósito é bom e se você vive para o bem, sabendo encarar com dignidade e respeito seu semelhante – seja ele quem for, mais cedo ou mais tarde essa questão estará plenamente resolvida em sua consciência.