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domingo, 13 de novembro de 2022

COMO O ESPIRITISMO PODE AJUDAR (final); EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Os anos 70 do século 20, revelam uma intensificação do número de mortes acidentais, individuais e coletivas, curiosamente no momento em que o Espiritismo saia do segregacionismo em que socialmente era mantido, para a popularização a partir das memoráveis aparições de Chico Xavier, no programa PINGA-FOGO, da extinta TV TUPI, de São Paulo. Uberaba (MG), tornou-se ponto de referência dos que atingidos pela superlativa dor da perda de entes queridos, buscavam na Espiritualidade a informação, o consolo, a esperança, a certeza da continuidade da vida. E o ‘correio mediúnico’, transformou Chico Xavier, no “carteiro” com que Deus permitia a chegada de tão aguardadas notícias. Centenas de recém-desencarnados, atendendo a intensivo programa de despertamento e conforto espiritual, sob a coordenação e supervisão do Orientador Espiritual Emmanuel, marcaram presença nas memoráveis reuniões publicas das sextas e sábados ao longo de vários anos. O próprio Benfeitor psicografou várias mensagens. Publicadas em 1973, estão À FRENTE DA MORTE, inserida no livro ESCRÍNIO DE LUZ (clarim), onde diz: “-Não olvides que, além da morte, continua vivendo e lutando o Espírito amado que partiu(...).Nada perece. Tudo se transforma na direção do Infinito Bem”; e, MORTOS AMADOS, integrante do NA ERA DO ESPÍRITO (geem), em que aconselha: “-Lembra a criatura querida que não mais te compartilha as experiências no Plano Físico, não por pessoa que desapareceu para sempre e sim à feião de criatura invisível mas não de todo distante”, frisando: “Se te deixas vencer pela angústia, ao recordar-lhes a imagem, sempre que se vejam em sintonia mental contigo, ei-los que suportam angústia maior, de vez que passam a carregar as próprias aflições sobretaxadas com as tuas”. Em 1974, começaram a surgir os primeiros livros com tais cartas, destacando-se JOVENS NO ALÉM e SOMOS SEIS (geem), contendo mensagens de jovens desencarnados no incêndio do edifício Joelma na capital paulista. Em 1975, ELES ESTÃO VIVOS, presente no livro CAMINHOS DA VOLTA (geem), afirmando: “-Ainda quando não reconheças, de pronto, semelhante verdade, eles te veem e te escutam!. Quanto possível, seguem-te os passos compartilhando-te problemas e aflições!(...) Não estão mortos. Entraram em novas Dimensões de existência, mas prosseguem de coração vinculado ao teu coração”. Uma das mais conhecidas e confortadoras é ELES VIVEM, contida no livro RETORNARAM CONTANDO (ide), onde o Benfeitor diz: “-Ante os que partira, precedendo-te na Grande Mudança, não permitas que o desespero te ensombre o coração. Eles não morreram. Estão vivos. Compartilham-te as aflições, quando te lastimas sem consolo. Inquietam-se com a tua rendição aos desafios da angústia quando te afaste da confiança em Deus. Eles sabem igualmente quanto dói a separação. Conhecem-te o pranto da despedida e te recordam as mãos trementes no adeus, conservando na acústica do Espírito as palavras que pronunciaste, quando não mais conseguiam responder às interpelações que articulaste no auge da amargura. Não admitas estejam eles indiferentes ao teu caminho ou à tua dor. Eles percebem quanto te custa a readaptação ao mundo e à existência terrestre sem eles e quase sempre se transformam em cireneus de ternura incessante, amparando-te o trabalho de renovação ou enxugando-te as lágrimas quando tateias a lousa ou lhes enfeitas a memória perguntando porque...Pensa neles com saudade convertida em oração. As tuas preces de amor representam acordes de esperança e devotamento, despertando-os para visões mais altas da vida. Quando puderes, realiza as tarefas em que estimariam prosseguir e te-los-ás contigo por infatigáveis zeladores de teus dias. Se muitos deles são teu refúgio e inspiração nas atividades a que te prendes no mundo, para muitos outros deles és o apoio e o incentivo para a elevação que se lhes faz necessária. Quando te disponhas a buscar o sentes queridos domiciliados no Mais Além, não te detenhas na terra que lhes resguarda as últimas relíquias da experiência no Plano Material....Contempla os céus em que Mundos inumeráveis nos falam da união sem adeus e ouvirás a voz deles no próprio coração, a dizer-te que não caminharam na direção da noite, mas sim ao encontro de Novo Despertar”. 

Uma mãe, sem se identificar, nos telefonou para dizer o seguinte: “Eu temo por meu filho que agora anda dizendo que é ateu. Gostaria de saber que culpa ele tem de não acreditar em Deus, embora não tenha sido que lhe ensinamos. Que conseqüências ele poderá sofrer depois desta vida?”


Na verdade acreditar ou não acreditar em Deus, além de ser um direito da pessoa humana, é uma condição que ela eventualmente pode se encontrar, dependendo muito de como a religião lhe foi ensinada e, mais ainda, que tipo de experiência religiosa ela teve na infância. Temos observado que, na maioria das vezes, o ateu é alguém profundamente decepcionado, não propriamente com Deus ( em que diz não acreditar), mas com a religião, e principalmente, ou com líderes religiosos, que foram muito severos, intransigentes e contraditórios em relação à idéia de Deus que lhes passaram.


Sabemos que a religião, neste lado do planeta, de muitos séculos atrás, deixou muita dor pelo caminho, agindo com extrema intolerância. Apesar de ensinar Deus, mais do que isso, elas valorizaram muito o inferno como castigo divino e a perdição eterna das almas que contrariassem seus princípios. Assim, elas se impuseram mais pela ameaça e pelo medo do que pela autoridade moral de que deveriam estar investidas, se realmente quisessem falar em nome de Jesus. Diante disso, é natural que, mais cedo ou mais tarde, ela teria que colher o que plantou, produzindo, ao invés de crentes, ardorosos adeptos do ateísmo.


Nunca se soube que Jesus agisse dessa forma. Pelo contrário, Jesus veio justamente romper com essa ação nefasta da religião do passado, que invadia e violentava a intimidade das pessoas para deixá-las apavoradas diante da crença num deus vingativo e na perspectiva da condenação ao fogo eterno. E essa postura cruel e autoritária, que Jesus tanto combateu, acabou prevalecendo ao longo dos séculos ( e o que é pior, em seu nome!...), gerando ações e movimentos terroristas, como as cruzadas e a santa inquisição – que deixaram marcas profundas no espírito humano, fomentando a descrença e o ateísmo, notadamente entre os intelectuais, que sempre foram os mais perseguidos.


Porém, cada caso é um caso. Se pudéssemos saber, de verdade, porque determinada pessoa não acredita em Deus, ficaria mais fácil dizer como ela se sente, diante de sua forma de conceber o mundo. Mas, não sabemos. Cada um tem sua história de vida e, portanto, seus motivos mais íntimos ( muitos dos quais remontam a encarnações anteriores, quando elas foram as próprias vítimas da perseguição religiosa) e que a levaram a assumir determinada postura. Muitos podem afirmar que o individuo é ateu por causa de seu orgulho; mas isso é apenas uma opinião. Se a sua condição de ateu surgiu em razão de seu orgulho, o problema é mais complicado para ele, naturalmente, pois as conseqüências de nossos sentimentos podem ser prejudiciais.


Porém, o que nos importa no homem, é o seu caráter e não a sua crença religiosa. E no caráter está o sentimento em relação ao próximo, de tal forma que podemos afirmar que aquele que é solidário e amigo, que sabe ser útil ao semelhante e à coletividade, que não alimenta preconceito de qualquer ordem e que sabe valorizar as pessoas ( sejam elas quem forem), é quem, de fato, está demonstrando sua verdadeira fidelidade a Deus, mesmo que não se revele seguidor de religião alguma; aliás, uma fidelidade maior do que a dos crentes, que só oram, mas não fazem o bem ao próximo. A pessoa religiosa, que não reúne tais qualidades, é, na verdade, um materialista, pois sua conduta nada tem a ver com o rótulo que ostenta.


Se você se lembra da Parábola do Bom Samaritano, vai recordar que, ao contá-la, Jesus quis mostrar pelo menos dois pontos importantes. Primeiro, que não é o rótulo religioso que revela a pessoa diante de Deus, mas seu procedimento: o samaritano era discriminado por ser um herege, mas só ele foi capaz de praticar uma boa ação. E, em segundo lugar, Jesus quis mostrar que a prática do bem não deve se restringir ao círculo daqueles que comungam com nossas idéias, pois o homem ferido e abandonado na estrada podia ser qualquer pessoa, até mesmo um ateu ou um ímpio, segundo a linguagem da época.


Todavia, prezada mãe, precisamos considerar também que, se o crente sofre, o ateu deve sofrer muito mais, pois o crente sofre na esperança da continuidade da vida e de uma recompensa futura, ainda que não tenha grandes compensações nesta vida. Ele acredita em Deus e na vida imortal e pode ser feliz com isso, ao passo que o pobre do ateu nada pode esperar além desta curta existência na Terra. Se a sua vida presente não lhe for favorável - mas, pelo contrário, se ela se constituir numa jornada de decepções e sofrimento - ele, com certeza, nela não verá nenhum sentido e não sentirá nenhuma compensação pelo fato de estar vivendo. Talvez este seja seu maior martírio, seu maior castigo.


Quanto ao mais, se o se procedimento, aqui na Terra, foi o de um homem de bem, com certeza, será recompensado na vida futura por uma condição bem melhor, mas se nada apresentou que justificasse sua presença neste mundo, com certeza, sofrerá grandes decepções.


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