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sábado, 9 de novembro de 2024

O QUE OS HISTORIADORES NÃO CONTAM; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 A Historia oficial dos líderes, povos, países, governantes, ao longo de grande parte da evolução da Humanidade, foi sempre escrita sob encomenda, registrando dados e passagens que nem sempre expressam os fatos integralmente. Num país, por exemplo, apenas as ocorrências desenroladas no centro do poder, envolvendo personagens mais diretamente a ele ligados, são preservados. O que acontece no interior, raramente é contado. O Antigo Testamento, em vários de seus escritos, mostra a dependência de Reis, Faraós e Soberanos de oráculos e pitonisas que lhes decifravam sonhos, pressentimentos ou até mesmo a influência dos Astros, diante de decisões a serem tomadas. O tempo foi, aparentemente, afastando uns e outros, minimizando essa influência. Allan Kardec na edição de março de 1864 da REVISTA ESPIRITA, incluiu interessante matéria intitulada UMA RAINHA MÉDIUM, construída a partir de notícias veiculadas em vários jornais da época como Opinion Nationale e Siècle, veiculados em 22 de fevereiro do mesmo ano. Tais escritos fazem referência à fatos envolvendo a Rainha Vitória, que durante sessenta e quatro anos esteve à frente do trono da Inglaterra. Ela, cujo nome completo era Alexandrina Vitória Regina, era erudita, amante das letras, apreciava as artes, tocava piano e praticava a pintura. Marcou a historia daquele país de tal forma que seu reinado é denominado Era Vitoriana, por uma série de ações na área sócia,l como a abolição da escravatura no Império Britânico; redução da jornada de trabalho para dez horas; instalação do direito ao voto para todos os trabalhadores; expansão das Colônias; grande ascensão da burguesia industrial, entre outros feitos. Assumindo o trono aos 18 anos, teve nove filhos com o primo e Príncipe Alberto, com quem, por um amor profundo casou aos 21. Enviuvou aos 42 anos, conservando luto até sua morte, quatro décadas depois. Comentando a citada notícia, diz Kardec: “Uma carta de pessoa bem informada revela que, recentemente, num conselho privado, onde fora discutida a questão dinamarquesa, a Rainha Vitória declarou que nada faria sem consultar o príncipe Alberto( morrera). E com efeito, tendo-se retirado por um pouco para seu gabinete, voltou dizendo que o “príncipe se pronunciava contra guerra. Esse fato e outros semelhantes transpiraram e originaram a ideia de que seria oportuno estabelecer uma regência”. Seguindo o Codificador acrescenta: “-Tínhamos razão ao escrever que o Espiritismo tem adeptos até nos degraus dos tronos. Poderíamos ter dito: até nos tronos. Vê-se, porém, que os próprios soberanos não escapam à qualificação dada aos que acreditam nas comunicações de Além-túmulo(...). O Journal de Poitiers, que relata o mesmo caso, o acompanha desta reflexão: Cair assim no domínio dos Espíritos não é abandonar o das únicas realidades que tem de conduzir o mundo?”. Até certo ponto concordamos com a opinião do jornal, mas de outro ponto de vista. Para ele os Espíritos não são realidades, porque, segundo certas pessoas, só há realidade no que se vê e se toca. Ora, assim, Deus não seria uma realidade e, contudo, quem ousaria dizer que ele não conduz o mundo? Que não há acontecimentos providenciais para levar a um determinado resultado? Então, os Espíritos são instrumentos de sua vontade; inspiram os homens, solicitam-nos, mau grado seu, a fazer isto ou aquilo, a agir neste sentido e não naquele, e isto tanto nas grandes resoluções quanto nas circunstâncias da vida privada. Assim, a esse respeito, não somos da opinião do jornal. Se os Espíritos inspiram de maneira oculta, é para deixar ao homem o livre-arbítrio e a responsabilidade de seus atos. Se receber inspiração de um mau Espírito, pode estar certo de receber, ao mesmo tempo, a de um bom, pois Deus jamais deixa o homem sem defesa contra as más sugestões. Cabe-lhe pesar e decidir conforme a sua consciência. Nas comunicações ostensivas, por via mediúnica, não deve mais o homem abnegar o seu livre-arbítrio: seria erro regular cegamente todos os passos e movimentos pelo conselho dos Espíritos, por que há os que ainda podem ter ideias e preconceitos da vida. Só os Espíritos Superiores disso estão isentos(...). Em princípio os Espíritos não nos vem conduzir; o objetivo de suas instruções é tornar-nos melhores, dar fé aos que não a tem e não o de nos poupar o trabalho de pensar por nós mesmos”.



É muito fácil dar conselhos e dizer aos outros como devem resolver seus problemas. Difícil é encarar os próprios problemas e encontrar um meio de resolvê-los. (Anônimo)

Concordamos em gênero, número e grau com você, caro ouvinte. Nunca dissemos a alguém que é fácil resolver seu problema. Pelo contrário, na grande maioria das vezes, mostramos como é difícil subir e como é fácil descer. Descer não exige nenhum esforço; basta não fazer nada. Subir exige vontade, esforço, determinação e coragem.

Quem está fora do problema, por mais difícil que o problema lhe pareça, não se sente constrangido ou acuado por ele. Não estando envolvido emocionalmente com o problema, e por isso as coisas se lhe mostram mais claras e as soluções mais viáveis. Por isso que o aconselhamento é importante e., muitas vezes, providencial. A pessoa, que está no centro do problema, pelo fato de se encontrar emocionalmente envolvida por um redemoinho de emoções, não consegue raciocinar com clareza.

Às vezes, não consegue nem mesmo fazer uma prece. Mas o outro pode ajudá-la. Emmanuel através do médium Chico Xavier, recomenda, por precaução, que nunca se deve tomar uma decisão num momento de nervosismo ou descontrole emocional, pois nesse momento a emoção fala mais alto, desarmando o raciocínio. Quando tivermos de tomar decisões, devemos fazê-lo na hora mais calma, quando os ânimos estão serenados, porque, então, o raciocínio aflora e passa a funcionar.

Desse modo, é possível que uma pessoa que deu um bom conselho para um amigo, ajudando-o a resolver um problema, ela mesma não consiga se sair bem quando o problema for dela própria o problema. Só quem está fora pode ver com calma e serenidade o que está dentro; quem está dentro do problema é como quem está no meio de um furacão, não consegue divisar com clareza e objetividade uma saída.

Logo o recomendável é que nunca dispensemos um bom conselho, assim como nunca devemos nos recusar a ajudar alguém diante de uma situação difícil. Muitas vezes, a simples presença de um amigo ou de uma pessoa de confiança ao nosso lado é suficiente para nos devolver a calma e nos enveredar por um caminho mais eficaz de solução. Aproximar-se e se solidarizar com quem está sofrendo é uma das formas mais elevadas de caridade.




sexta-feira, 8 de novembro de 2024

SEMPRE ATUAL; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

  No ano de 1964, o Instituto de Difusão Espírita, de Araras, São Paulo, lançou importante documento sobre as atividades registradas no meio espírita naquele ano. Trata-se do ANUÁRIO ESPÍRITA, que resiste ao tempo, veiculando a cada final de ano as principais notícias do ocorrido no período findo, entre outros temas. No primeiro número, uma grata surpresa: uma entrevista com o Espírito André Luiz, através dos médiuns Chico Xavier e Waldo Vieira. Do conjunto de questões, destacamos algumas bastante elucidativas. 1- A quantidade de espíritos que vivem nas diversas esferas do nosso planeta tende, atualmente, a aumentar ou a diminuir? -“Qual acontece na crosta planetária, as esferas de trabalho e evolução que rodeiam a Terra estão muito longe de quaisquer perspectivas de saturação, em matéria de povoamento. 2- Espíritos originários da Terra, têm emigrado, nos últimos séculos, para outros orbes? -“Seja de modo coletivo ou individual, em todos os tempos, Espíritos superiores têm saído da Terra no rumo de esferas enobrecidas, compatíveis com a elevação que alcançaram. Quanto a companheiros de evolução retardada, principalmente os que se fizeram necessitados de corretivo doloroso por delitos conscientemente praticados, em muitos casos, sofrem temporária segregação em planos regenerativos. 3- Os Espíritos, em seu desenvolvimento evolutivo, ligam-se, necessariamente, a determinados orbes? Em seu desenvolvimento, sim, qual acontece com a pessoa que em determinada fase de experiência física se vincula, transitoriamente, a certa raça ou família. 4- Onde começa o Umbral? A rigor, o Umbral, expressando região inferior da espiritualidade, pelos vínculos que possui com a ignorância e com a delinquência, começa em nós mesmos. 5- As funções reprodutoras do sexo se destinam, somente, da vida na Terra? Em muitos outros orbes, compreendendo-se, porém, que mundos existem, nos quais as funções reprodutoras não são compreensíveis, por enquanto, na terminologia terrestre. 7- Os perispiritos das entidades espirituais que se localizam nas vizinhanças da Terra conservam o órgão do aparelho sexual humano? Sim, e por que não? O órgão sexual é tão digno quanto os olhos e como não se deve atribuir aos olhos os horrores da guerra o órgão sexual não pode ser responsável pelo vício. 7- Como explicar os homossexuais? Devemos considerar que o espírito reencarna, em regime de inversão sexual, como pode renascer em condições transitórias de mutilação ou cegueira. Isso não quer dizer que homossexuais ou intersexos estejam nessa posição, endereçados ao escândalo e à viciação, como aleijados e cegos não se encontram na inibição ou na sombra para ser delinquentes. Compete-nos entender que cada personalidade humana permanece em determinada experiência merecendo o respeito geral no trabalho ou na provação em que estagia, importando anotar, ainda, que o conceito de normalidade e anormalidade são relativos. Lembremo-nos de que se a cegueira fosse a condição da maioria dos espíritos reencarnados na Terra, o homem que pudesse enxergar seria positivamente considerado minoria e exceção. 8- O Espírito desencarnado também está sujeito a crises prolongadas de ciúme? Como não? A desencarnação é um acidente no trabalho evolutivo, sem constituir por si qualquer solução aos problemas da alma. 9- O adultério é, sempre, causa de conflitos quando da volta dos cúmplices ao plano espiritual? Sim. 10- A duração média de vida dos encarnados racionais de outros orbes corresponde à terrena? Não. Essas etapas de tempo variam de mundo a mundo.



É muito fácil dar conselhos e dizer aos outros como devem resolver seus problemas. Difícil é encarar os próprios problemas e encontrar um meio de resolvê-los. (Anônimo)

Concordamos em gênero, número e grau com você, caro ouvinte. Nunca dissemos a alguém que é fácil resolver seu problema. Pelo contrário, na grande maioria das vezes, mostramos como é difícil subir e como é fácil descer. Descer não exige nenhum esforço; basta não fazer nada. Subir exige vontade, esforço, determinação e coragem.

Quem está fora do problema, por mais difícil que o problema lhe pareça, não se sente constrangido ou acuado por ele. Não estando envolvido emocionalmente com o problema, e por isso as coisas se lhe mostram mais claras e as soluções mais viáveis. Por isso que o aconselhamento é importante e., muitas vezes, providencial. A pessoa, que está no centro do problema, pelo fato de se encontrar emocionalmente envolvida por um redemoinho de emoções, não consegue raciocinar com clareza.

Às vezes, não consegue nem mesmo fazer uma prece. Mas o outro pode ajudá-la. Emmanuel através do médium Chico Xavier, recomenda, por precaução, que nunca se deve tomar uma decisão num momento de nervosismo ou descontrole emocional, pois nesse momento a emoção fala mais alto, desarmando o raciocínio. Quando tivermos de tomar decisões, devemos fazê-lo na hora mais calma, quando os ânimos estão serenados, porque, então, o raciocínio aflora e passa a funcionar.

Desse modo, é possível que uma pessoa que deu um bom conselho para um amigo, ajudando-o a resolver um problema, ela mesma não consiga se sair bem quando o problema for dela própria o problema. Só quem está fora pode ver com calma e serenidade o que está dentro; quem está dentro do problema é como quem está no meio de um furacão, não consegue divisar com clareza e objetividade uma saída.

Logo, cara ouvinte, o recomendável é que nunca dispensemos um bom conselho, assim como nunca devemos nos recusar a ajudar alguém diante de uma situação difícil. Muitas vezes, a simples presença de um amigo ou de uma pessoa de confiança ao nosso lado é suficiente para nos devolver a calma e nos enveredar por um caminho mais eficaz de solução. Aproximar-se e se solidarizar com quem está sofrendo é uma das formas mais elevadas de caridade.

quinta-feira, 7 de novembro de 2024

FORMANDO UMA BASE DE DADOS; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 O laboratório de pesquisas em que se transformou a Sociedade Espírita de Paris, no sentido de obter uma amostragem significativa de informações sobre as realidades encontradas por aqueles que retornam ao Mundo Espiritual após o transe da chamada morte, não se prendia às evocações de personalidades destacadas da comunidade intelectual da França ou outros países. Servindo-se de diferentes médiuns – o equivalente ao microscópio para a realidade dos invisíveis do plano material, segundo Allan Kardec -, o dirigente das reuniões atendia também a pedidos a ele enviados por pessoas das mais diferentes regiões ou condições sociais. A propósito, na edição de junho de 1861 da REVISTA ESPÍRITA ele comenta que “é um erro supor que não haja nada a ganhar nas palestras com os Espíritos de homens comuns e que homens ilustres sejam os únicos dos quais podem sair ensinos proveitosos. Entre eles certamente há os muito insignificantes, mas, por vezes, também, daqueles dos quais menos se espera, saem revelações de grande importância para o observador sério. Há, aliás, um ponto que nos interessa muitíssimo, porque nos toca mais de perto: a passagem, a transição da vida atual à vida futura, passagem tão temida, que só o Espiritismo nos faz encarar sem pavor, e que não podemos conhecer senão estudando as suas atualidades, isto é, nos que acabam de a transpor, quer sejam ilustres, que não”. Após tal observação, Kardec reproduz o resultado de uma dessas evocações, ocorrida na reunião de 16 de maio de 1861, do Marques de Saint-Paul, que fora membro da Sociedade, morto em 1860. Atendia solicitação de sua irmã que, embora médium, não se sentia suficientemente treinada e segura para fazê-lo.Informando que “tentaria responder do melhor modo possível”, o Espírito satisfazendo a curiosidade da irmã, explica ainda “sentir-se sob os efeitos da recente condição de errante, estado transitório que nunca traz felicidade nem o castigo absolutos”. Indagado se demorara para reconhecer-se na condição de desencarnado, disse “ter estado muito tempo em perturbação, da qual só saiu para agradecer a piedade dos que não o esqueciam e oravam por ele”, acrescentando “não ter condição de avaliar a duração dessa perturbação”. Revelou que os parentes que logo reconheceu foram “sua mãe e seu pai, que o receberam ao despertar, iniciando-o na nova vida”. Sobre o fato de, no fim da doença de que se via envolvido, parecer conversar com entes amados, explicou que isso se dera “porque, antes de morrer, teve a revelação do mundo que ia habitar, tornara-se vidente antes de morrer e seus olhos se velaram na passagem, na separação definitiva do corpo, porque os laços carnais ainda eram muito fortes”. A propósito, Kardec observa que “o fenômeno do antecipado desprendimento da alma é muito frequente; antes de morrer muitas pessoas entrevem o mundo dos Espíritos; é, sem dúvida, a fim de suavizar pela esperança o pesar de deixar a vida. Mas o Espírito acrescenta que seus olhos se velaram na passagem da separação. É um efeito que ocorre sempre. Nesse momento o Espírito perde a consciência de si mesmo, jamais testemunha o último suspiro do corpo e a separação se opera sem que a suspeite. As próprias convulsões da agonia são um efeito puramente físico, cuja sensação o Espírito quase nunca experimenta. Dizemos “quase”, porque pode acontecer que essas últimas dores lhe sejam infligidas como punição”. Confirma na sequência se lembrar de ter “revisto os anos jovens e puros da existência” que se encerrava –, detalhe observado por Kardec como, provavelmente, por um motivo providencial” -.Questionado sobre o porque nas referências a seu corpo, falava sempre na terceira pessoa, esclareceu que “o fato de ser vidente, como dissera, sentia nitidamente as diferenças existentes entre o físico e o espiritual. Essas diferenças, ligadas entre si pelo fluido da vida, tornam-se bem distintas aos olhos dos agonizantes videntes”. Kardec chama a atenção para essa particularidade apresentada pela morte desse senhor:-“ Nos seus últimos momentos dizia sempre: -“Ele tem sede”; “é preciso dar-lhe de beber”; “ele tem frio”; “é preciso aquecê-lo”; “ele sofre em tal parte”,etc. E quando lhe diziam: -“Mas sois vós que tendes sede, ele respondia: -“Não, é ele”. Aqui se desenham perfeitamente as duas existências; o EU pensante está no Espírito e não no corpo; já em parte despendido, o Espírito considerava seu corpo como uma outra individualidade, que, a bem dizer, não era ele. Era, pois, ao seu corpo que deviam dar de beber, e não a ele Espírito”. Finalizando, novamente perguntado sobre a ideia que passava de não estar feliz, ele elucida: -“Eu estou num estado transitório; as virtudes humanas aqui adquirem seu verdadeiro preço. Sem dúvida meu estado é mil vezes preferível ao da encarnação terrena”...


Minha avó foi uma pessoa muito franca e determinada. Ficou viúva cedo, trabalhou e lutou muito para criar os filhos. Não é perfeita, é claro, como ninguém é, mas conseguiu na vida o que muitos casais não conseguem. Agora, na fase final da vida, ela ficou doente e não consegue mais andar. Está revoltada com Deus e diz que não merecia isso. Não adianta falar em reencarnação, que ela não aceita, mas, para mim, não há outra explicação. Ela deve ter dívidas do passado. Vocês concordam comigo? O que posso fazer para ajudá-la? (Ouvinte anônima)

Concordamos com você em termos, cara ouvinte: a sua tese é de que, apesar de todas as coisas boas que sua avó fez nesta vida, a razão de seu sofrimento deve vir de outra existência. Não descartamos essa possibilidade. No entanto, acreditamos que, numa avaliação mais ponderada, deveríamos somar os erros do passado com os do presente, para chegar à situação de desconforto que ela chegou.

Você mesma afirmou que ninguém é perfeito. Logo, não é difícil concluir que muito do que sofremos nesta vida advêm de nossa imperfeição. Não seria diferente para sua querida avó. Erros ou excessos nesta mesma vida é o que não falta, e muito de nosso sofrimento advém deles. Por outro lado, há uma tendência generalizada de se atribuir todo sofrimento aos erros cometidos. Não é só isso.

Segundo os Espíritos orientadores – como Emmanuel e André Luiz, por exemplo - existem variadas causas para o sofrimento, mas talvez o que mais pesa é a nossa própria imperfeição, tanto as do corpo como as da alma. . Além disso, o sofrimento pode ter sido uma escolha ( no caso, é o que chamamos de prova), pode advir de uma necessidade imperiosa de desenvolver uma determinada virtude, a resignação ou a paciência, por exemplo. Se estivéssemos mais preparados para viver ( e principalmente para conviver), com certeza, sofreríamos bem menos.

Mas não estamos. André Luiz, estudando mais detalhadamente a questão, fala em dor-evolução e em dor-auxílio. A primeira faz parte do processo evolutivo do próprio espírito, que precisa aprender a superar certas situações. A dor auxílio é quando o Espírito pede certo tipo de sofrimento para evitar cometer certos erros ou abusos. Quase todo sofrimento, que experimentamos aqui na Terra, tem algum componente de dor-evolução e dor-auxílio ao mesmo tempo.

Contudo, cara ouvinte, não podemos esquecer que a maioria dos problemas da presente existência tem causa nesta mesma existência. O próprio Kardec, codificador do Espiritismo, foi advertido pelos seus Espíritos instrutores que a dureza de sua jornada lhe afetaria diretamente a a saúde e reduziria sua vida na Terra. No entanto, para Kardec, o ganho espiritual de sua luta valia muito mais do que ter apenas ter uma vida mais longa.

Devemos considerar, ainda, que a evolução individual se dá nas múltiplas facetas de nossa personalidade. Por exemplo: um Espírito reencarna para exercitar a honestidade, embora ainda deixe a desejar muito em matéria de convivência; ou seja, ele consegue ser honesto, mas ainda não é uma pessoa polida. Trata os outros com muita rispidez e até com agressividade. Por causa disso, acaba criando inimizades, o que repercute na sua saúde física e mental.

Outro exemplo: o Espírito reencarna para desenvolver a capacidade de trabalho ( e, neste aspecto, ele consegue alcançar seu objetivo), mas ainda se mostra muito negligente com relação à sua saúde, razão pela qual adquire uma doença muito cedo, que o faz sofrer a vida toda. Como você pode perceber, não podemos analisar uma vida, baseando-nos apenas num aspecto da personalidade – nem apenas num vício e nem apenas numa virtude.

No capítulo 5 d’O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO, Kardec mostra as causas atuais e as causas anteriores das aflições, dando ênfase às causas atuais, que são as mais comuns. Se pensarmos que todo sofrimento vem do passado, cara ouvinte, acabamos negligenciando o presente, o único tempo em que podemos mudar alguma coisa em nosso destino. Logo, o nosso problema é o hoje, esquecendo-nos do ontem.

Se sua avó não aceita a reencarnação – pela vida que teve e pela experiência que já acumulou – não é agora que ela vai mudar de idéia. Fale a ela que Deus é bom e que os problemas da vida não decorrem do bem que fizemos, mas de erros inconscientes que cometemos; que tudo será melhor se ela se acalmar e aceitar os problemas como os desafios que Deus nos propõe para alcançarmos uma condição espiritual melhor – se não for nesta vida, será na outra. Ore por ela e, mais do que isso, ore com ela. Isso lhe fará bem.


quarta-feira, 6 de novembro de 2024

A VOLTA DE FREDERIC CHOPIN ; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 “Declarou que, salvo resoluções posteriores, pretende reencarnar no Brasil, país que futuramente muito auxiliará o triunfo moral das criaturas necessitadas de progresso, mas que tal acontecimento só se verificará do ano 2000 em diante, quando descerá à Terra brilhante falange com o compromisso de levantar, moralizar e sublimar as Artes. Não podia precisar a época exata. Só sabia que será depois do ano 2000, e que a dita falange será como que capitaneada por Vitor Hugo, Espírito experiente e orientador, a quem se acha ligado por afinidades espirituais seculares, capaz de executar missões dessa natureza”. A curiosa revelação foi feita à respeitada médium Yvonne do Amaral Pereira, no final dos anos 50 pelo próprio Espírito do celebre compositor que com ela mantinha contato desde 1931, quando o viu pela primeira vez, na noite de 31 de junho, acompanhando seu Espírito guia Charles. Chopin, como registrado pela história, era polonês e morreu aos 39 anos, vítima da tuberculose em face da fragilidade de sua saúde. Por sinal, no número da REVISTA ESPÍRITA de maio de 1859, dez anos após sua morte, respondeu a doze perguntas formuladas por Kardec em reunião da SOCIEDADE ESPÍRITA DE PARIS, quando acompanhava o Espírito Mozart que ditara recentemente o fragmento de uma sonata através de um médium chamado Bryon-Dorgeval, que, por sua vez, havia submetido o trecho a vários artistas - sem declinar sua autoria -, os quais reconheceram na peça o estilo de Mozart. Entre as questões respondidas por Chopin, explica sua melancolia no Plano Espiritual como sendo consequência da não realização da prova pela qual renascera no início do Século 19, reconhecendo que com sua inteligência poderia ter avançado mais do que avançou. Curioso notar que nas oportunidades que pode estar espontaneamente diante dele transcorrido mais de um século, a médium dona Yvonne, o via “pouco expansivo e, geralmente, entristecido, embora afetuoso e discreto”. “-Uma única vez vimo-lo sorrir”, conta ela no capítulo três do livro DEVASSANDO O INVISÍVEL (feb), de sua autoria. Através de Charles, dona Yvonne soube que Frederic Chopin “seria a reencarnação do poeta romano Ovídio ( Públio Ovídio Naso, poeta latino, fácil e brilhante, amigo de Vergílio e de Horácio, por volta de 43 A.C.) e do pintor italiano Rafael Sânzio ( pintor, escultor e arquiteto italiano, 1483-1520, cuja genialidade reunia todas as qualidades: perfeição do desenho, vivacidade dos movimentos, harmonia das linhas, delicadeza do colorido, tendo deixado grande número de obras primas o que lhe valeu o reconhecimento como o poeta da Pintura, assim como Ovídio foi considerado o músico da Poesia e Chopin, o poeta da Musica). Por depoimento do próprio Espírito de Chopin, à época de um dos encontros havidos, ele, na Espiritualidade, se ocupava de um curso de Medicina Psíquica, o que a impedia de visitar a Terra com mais frequência. Sobre se, na próxima existência, não voltaria como artista, animado, perguntou “porque não poderia aliar as duas qualidades, se os artistas, muitas vezes, não passam de médiuns?”. O fato de não ter profanado as Artes nem cometido quaisquer deslizes nesse setor, “não o impediriam”, acrescentado que, “no momento, o que o preocupava mais era o desejo de servir aos pequeninos e sofredores, aos quais nunca protegera, já que em suas passadas existências, apenas servira aos grandes da Terra e, na nova encarnação, “não desejava nem mesmo auferir proventos monetários, pessoais, da Música”. Quanto à confiabilidade das informações de Dona Yvonne, lembramos que o também médium Chico Xavier a considerava uma das mais autênticas servidoras da causa da iluminação humana com base no Espiritismo.



Lendo o livro, EXILADOS DA CAPELA, onde diz que muitos capelinos vieram para a Terra, por terem se tornado incompatíveis com o padrão de vida moral daquele planeta, gostaria de um comentário a respeito. A questão foi proposta pela nossa habitual ouvinte Antonia Rodrigues, da Rua José Rosário.


Esse tema, que se refere à vinda de Espíritos de outros mundos, Antonia, ainda carece de mais estudos pela ciência espírita. Isso quer dizer que sabemos muito pouco a respeito e as informações, oferecidas por obras como EXILADOS DA CAPELA, tanto quanto algumas poucas referências de Emmanuel, ainda são insuficientes para chegarmos a uma resposta conclusiva. Sabemos, no entanto, que N’O LIVRO DOS ESPÍRITOS, de Allan Kardec, a fonte mais segura, há referência a grandes alterações planetárias, que culminam na transferência de Espíritos de um para outro planeta.


No que pese o esforço do autor da obra EXILADOS DA CAPELA, não há um consenso no meio espírita em relação a todas as informações nela contidas, mas, assim mesmo, essa obra precisa ser considerada uma discussão mais aprofundada sobre o assunto. Como sabemos, as obras mais credenciadas no meio espírita, como as de Emmanuel e André Luiz, que vieram da mediunidade de Chico Xavier, não se preocupam especificamente com essa questão; apenas Emmanuel, no livro A CAMINHO DA LUZ (uma das primeiras obras de Chico Xavier, lançado há 75 anos), faz breve referência a respeito.


Capela, segundo a descrição de Emmanuel nesse livro, não é um planeta, como muitos podem pensar. Capela é uma estrela, situado na Constelação de Cocheiro que, como o nosso Sol, é acompanhada por um grupo de planetas que giram ao seu redor, e que estaria a cerca de 42 anos luz da Terra. Esses planetas habitados, que giram em torno de Capela, teriam passado por um período de grande transformação moral – talvez há 9 ou 10 mil anos atrás – provocando um fenômeno de emigração de Espíritos que não mais se adaptavam à sua condição moral, Muitos teriam vindo reencarnar na Terra que, na época, encontrava-se no início da civilização.


Os Espíritos, que habitam nosso planeta, achavam-se ainda numa fase inferior aos que vieram da Capela, mas com eles tiveram um grande impulso no seu desenvolvimento, principalmente nos campos da arte, da religião, da filosofia e da ciência ainda incipiente. Grandes obras erguidas na antiguidade, como as pirâmides do Egito, por exemplo, são atribuídas a essas inteligências que reencarnaram na Terra. Embora eles tivessem uma inteligência superior aos habitantes de nosso planeta, não tinham suficiente desenvolvimento moral para permanecer nos mundos de origem, razão pela qual vieram para cá.


Logo, Antonia, a ideia central de EXILADOS DE CAPELA está assentada sobre a tese espírita de que, quando um mundo passa por uma grande transformação moral, os Espíritos – que não acompanharam a mudança – não conseguem mais encarnar nesse mundo e, portanto, renascem em outro mais atrasado moralmente. Esses Espíritos exilados em nosso planeta teriam sido homens notáveis, que fizeram grandes descobertas, realizaram grandes obras, dando expressivo impulso às civilizações do passado. Não sabemos se ainda estão entre nós, mas o mais provável é que muitos tenham se integrado em nossa humanidade.


terça-feira, 5 de novembro de 2024

REENCARNAÇÃO -AVALIAÇÃO RACIONAL; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 No número de janeiro de 1861 da REVISTA ESPÍRITA, Allan Kardec reproduz a primeira parte de um interessante e extenso texto por ele intitulado CARTA DA INCREDULIDADE. Explica que o fez após ter sido solicitado a apreciá-lo pelo amigo Sr. Canu, que o elaborara com a intenção de reparar os prejuízos causados a muitas pessoas que influenciara com suas ideias materialistas. O teor do documento mostrava-se tão bem fundamentado que Allan Kardec considerara oportuno publicar após obter autorização do autor. Dos vários aspectos por ele abordados, destacamos alguns relacionados ao tema reencarnação que dão uma perfeita ideia da sua dinâmica. Diz o seguinte: 1- A Humanidade, considerada coletivamente é comparável ao indivíduo; ignorante na infância, ela se esclarece à medida que avança em idade; o que se explica naturalmente pelo próprio estado de imperfeição em que estão os Espíritos para o adiantamento dos quais essa Humanidade foi feita; 2- Quanto ao Espírito considerado individualmente, não é numa só existência que ele pode adquirir a soma de progresso que está chamado a cumprir; é porque um maior ou menor número de existências corpóreas lhe são necessárias, segundo o uso que fará de cada uma delas. Mais ele tenha trabalhado para o seu adiantamento em cada existência, menos terá que sofrê-las. 3- Como cada existência corpórea é uma prova, uma expiação, um verdadeiro purgatório, tem interesse em progredir o mais prontamente possível, para ter a sofrer menos provas, porque o Espírito não retrograda; cada progresso cumprido por ele é uma conquista assegurada que nada poderia lhe tirar. 4- Segundo este princípio, hoje averiguado, é evidente que quanto mais ele caminhar depressa, mais cedo chegará ao objetivo. Resulta do que precede que cada um de nós, hoje, não estamos em nossa primeira existência corpórea, muito longe disso, estamos mais distante ainda de última; 5- As nossas existências primitivas devem se passar em mundos bem inferiores à Terra, sobre a qual não chegamos senão quando o nosso Espírito chegou a um estado de perfeição em relação com este astro; 6- À medida que progredirmos, passaremos para Mundos mais avançados do que a Terra sob todos os aspectos, e isso, de degrau em degrau, avançando sempre para o melhor. Mas, antes de deixar um Globo, parece que se deve cumprir nele geralmente várias existências, cujo número, todavia, não é limitado, mas subordinado à soma do progresso que se terá adquirido.7- Tudo isso, pode ser verdadeiro, mas muitos podem argumentar: como não me lembro de nada, ocorrendo o mesmo com cada um de nós, tudo o que se passou em nossas existências precedentes é para nós como nulo; e se ocorre o mesmo em cada existência, pouco importa ao meu Espírito ser imortal ou morrer com o corpo, se, conservando a individualidade, não tem consciência de sua identidade. Com efeito, isso seria para nós a mesma coisa, mas não ocorre assim; não perdemos a lembrança do passado senão durante a vida corpórea, para reencontrá-la na morte, quer dizer, no despertar do Espírito, cuja verdadeira existência é a do Espírito livre, e para a qual as existências corpóreas podem ser comparadas ao sono para o corpo. 8- Em que se tornam as almas dos mortos enquanto esperam uma nova reencarnação? (...). Em geral, pouco se afastam dos vivos e, sobretudo, daqueles a quem são afeiçoados, quando se tem afeição por alguém.



A Nilva Rodrigues Costa, também telefonou domingo passado., afirmando que a história que a Bíblia conta sobre a criação da vida e do homem caiu por terra com a teoria científica da Evolução, ela quer saber o que o Espiritismo pensa sobre isso.

Nilva, no passado distante, na infância da humanidade (vamos dizer assim), quando não conhecíamos as leis da natureza, tudo que existia e todos os fenômenos naturais que aconteciam ao eram atribuídos ao sobrenatural. No entanto, a inteligência exigia uma explicação, que estivesse à altura de nossa compreensão. Quem veio responder às nossas indagações foi a religião, pois não havia outro campo de conhecimento. E, naquele tempo, o que a religião dizia era lei; ninguém podia contestar.

Desse modo, o relato bíblico da criação que atendeu aos anseios do povo hebreu, conforme lemos no Gênesis, não foi o único da época. Acontece que conhecemos muito pouco ou quase nada a respeito de outros povos e outras religiões da antiguidade, que também tem relatos milagrosos para explicar a origem do mundo e do homem. Esses relatos apareceram por toda parte: entre os sumérios, entre os chineses, entre os indianos, os maias, os japoneses, os persas, e muitos outros. Cada povo ou cada cultura criou o seu próprio modelo.

Hoje, tais relatos mágicos, miraculosos ou extraordinários são conhecidos como Mitos da Criação. Na verdade, esse esforço para dar uma explicação de tudo que existe tem um valor inestimável, uma vez que não se tratava apenas e tão somente de explicar um fato, mas de sustentá-lo com valores morais e espirituais de que os povos antigos necessitavam. Tanto assim que, ao lermos a criação, conforme o Gênesis Bíblico, dela podemos tirar elevados ensinamentos morais, da mesma forma que Jesus os tirava das parábolas que criava para facilitar o entendimento do povo.

A religião, de um modo geral, é a força mais conservadora que existe; isso significa que é a mais resistente para aceitar uma mudança. Quando muda, ela é sempre a última a mudar. Assim, as religiões vieram trazendo, ao longo dos séculos e milênios alguns ensinamentos que elas não queriam mudar, e de tanto insistir neles as bases desses ensinamentos ficaram cristalizadas na alma do povo e, de tal forma, que ainda hoje há muita gente que fala de Adão e Eva, como se esses personagens tivessem sido reais.

Contudo, não é uma verdade que se possa mais sustentar. Ela serviu até certo ponto, quando não existia ciência e quando o ser humano ainda era muito ingênuo para aceitar verdades sem nenhuma comprovação. Não é mais a realidade de hoje, Nilva. Nem mesmo as religiões mais progressistas tratam do episódio do paraíso como uma verdade inconteste. Dentro das próprias religiões encontramos um posicionamento que entende que os episódios mais antigos da Bíblia são apenas alegorias ou representações, dos quais podemos tirar elevados ensinamentos morais, mas não confundi-los com a realidade.

É assim que o Espiritismo vê. Desde as obras de Kardec, que inauguraram a doutrina, há mais de 160 anos – principalmente no livro intitulado “A GÊNESE”, de 1868 – ficou claro que a Doutrina Espírita aceita a versão da ciência e tem nos textos bíblicos alegorias, que constituíram na mais remota antiguidade as únicas fontes de informação para o conhecimento humano. Embora, Darwin ainda não tivesse apresentado a Teoria da Evolução, antes disso, o Espiritismo já era evolucionista.

Quanto ao fato de as pessoas aceitarem ou não, é um direito que elas têm, Nilva; mas isso não muda nada. A realidade independe de nossa opinião. Podemos estar certos ou errados, a realidade é a mesma. O Sol que iluminou Jesus, 2 mil anos atrás, é o mesmo que nos ilumina hoje: a única diferença que existe é o conhecimento que se tinha naquela época e o conhecimento que se tem hoje a respeito do Sol.

Em 1616, início do século 17, Galileu Galilei – conhecido como Pai da Ciência – já idoso, aos 70 anos de idade, foi condenado à fogueira pelo Tribunal da Inquisição da Igreja porque afirmava que era a Terra que girava em torno do Sol e não o Sol em torno da Terra. Depois de muita insistência, para não morrer queimado, Galileu se retratou publicamente, dizendo que não era o que afirmara. Diante disso, o Tribunal reconsiderou a sentença e libertou Galileu.

Conta-se que, ante os olhares atônitos da plateia que assistia àquela farsa, Galileu ( que teve de mentir para não morrer), saiu cabisbaixo, aparentemente vencido, e os que estavam mais próximo dele, ouvia ele dizer baixinho: “Apesar de tudo isso, é a Terra que gira...” O fato de a Igreja, na época, sentir-se vencedora – e, mais do que isso, temida – jamais mudou a realidade das coisas,... pois a Terra continuou a girar em torno do Sol, conforme a lei da natureza.


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segunda-feira, 4 de novembro de 2024

AS REVELAÇÔES DE HUMBERTO DE CAMPOS, O IRMÃO X; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Nas centenas de páginas psicografadas atraves do médium Chico Xavier – a maior parte enfeixadas em dezenas de livros -,, o escritor e jornalista Humberto de Campos, além de oferecer-nos ensinamentos de rara beleza literária/espiritual, repassou interessantes revelações evidenciando a realidade da reencarnação e sua interrelação com a Lei de Causa e Efeito. No livro CRÔNICAS DE ALÉM TUMULO (feb,1937), no texto em que relata visita a Jerusalém, dialogando com o próprio Espírito conhecido com Judas Iscariotes, por ocasião da Semana Santa de 1935, descobre ter ele resgatado suas dívidas em relação à prisão, julgamento, condenação e morte de Jesus, em “uma fogueira inquisitorial no século XV, onde, imitando o Mestre, foi traído, vendido e usurpado”, na personalidade de Joana D’Arc, a grande missionária que mudou a Historia da França, salvando-a das negociatas políticas que a transformariam em parte do território inglês, preservando as matrizes genéticas que permitiriam a reencarnação séculos depois de grandes pensadores que originaram o movimento conhecido hoje como Iluminismo. No BRASIL, CORAÇÃO DO MUNDO PÁTRIA DO EVANGELHO (feb, 1938), revela, entre outras coisas, que José Bonifácio de Andrada e Silva retornaria, posteriormente, como Rui Barbosa e José de Anchieta como o português João Barbosa, notabilizado como Frei Fabiano de Cristo. No PONTOS E CONTOS (feb, 1950), apresenta o exemplo de “um renomado advogado apelidado nos círculos de convivência comum, de “grande cabeça”. Talento privilegiado, não vacilava na defesa do mal, diante do dinheiro, torturando decretos, ladeando artigos, forçando interpretações, acabando sempre em triunfo espetacular. Sentindo-se a suprema cabeça em seu círculo, com a última palavra nos assuntos legais, encontrou um dia a morte, despertando além dela, envolto em extensa rede de compromissos que lhe deformaram de tal forma a cabeça que não conseguia colocar-se na posição de equilíbrio normal, atormentado pelas vítimas ignorantes e sofredoras”. A forma encontrada para re-harmonizar seus órgãos da ideia atacados pela hipertrofia do amor próprio, foi interná-lo num corpo físico na Dimensão mais material, reencarnado nos tristes quadros da hidrocefalia. No CONTOS E APÓLOGOS (feb, 1957), mostra a origem de um fenômeno teratológico de um único corpo sustentando duas cabeças, ambas unidas por débitos nascidos em encarnação anterior em que uma impediu o renascimento da outra através da infeliz opção do aborto. Na mesma obra, a história “registrada na ante-véspera do Natal de 1956, em que apagada mulher, ao tentar salvar dois filhos de inesperada inundação que lhe submergia o barraco que habitava em Passa Quatro (MG), acaba sendo tragada pelas águas do alagamento que se formara. A pobre infeliz de hoje, era a rica fazendeira que na ante-véspera do Natal de 1856, obrigara escrava de sua propriedade, se lançar nas águas transbordantes do Rio Paraiba, ao ouvir-lhe a confissão de que suas duas “crias”, eram também do filho da Sinhá que retornara de repousante estadia na Corte”. No CONTOS DESTA E DOUTRA VIDA ( feb, 1964), revela que “grande parte dos renascidos a partir de meados da década de 50, ostentando deformidades em braços, pernas, orelhas, mãos, lavraram tal sentença contra si mesmos, nas violentas ações usurpadoras nas áreas de confinamento reservadas para judeus, em países europeus, protegidos pela condição de soldados do exército nazista”. Por fim, no CARTAS E CRÔNICAS (feb, 1966), o esclarecimento sobre a origem da trágica morte coletiva de centenas de pessoas, crianças e adultos, na tarde de 17 de dezembro de 1961, na cidade brasileira de Niterói (RJ), minutos antes do término do espetáculo de estreia do Grand Circo Americano: resultara das lamentáveis das ideias nascidas e implementadas por eles, no ano 177 DC na arena do circo, na cidade de Lião, antiga Gália – hoje, França -, no sentido de entreterem de forma original autoridade ligada ao Imperador Marco Aurélio, vendo queimar em desespero, cristãos, adultos e crianças, aprisionados na madrugada anterior



A Nilva Rodrigues Costa, ouvinte do Bairro Mariana, também telefonou domingo passado. Afirmando que a história que a Bíblia conta sobre a criação da vida e do homem caiu por terra com a teoria científica da Evolução, ela quer saber o que o Espiritismo pensa sobre isso.

Nilva, no passado distante, na infância da humanidade (vamos dizer assim), quando não conhecíamos as leis da natureza, tudo que existia e todos os fenômenos naturais que aconteciam ao eram atribuídos ao sobrenatural. No entanto, a inteligência exigia uma explicação, que estivesse à altura de nossa compreensão. Quem veio responder às nossas indagações foi a religião, pois não havia outro campo de conhecimento. E, naquele tempo, o que a religião dizia era lei; ninguém podia contestar.

Desse modo, o relato bíblico da criação que atendeu aos anseios do povo hebreu, conforme lemos no Gênesis, não foi o único da época. Acontece que conhecemos muito pouco ou quase nada a respeito de outros povos e outras religiões da antiguidade, que também tem relatos milagrosos para explicar a origem do mundo e do homem. Esses relatos apareceram por toda parte: entre os sumérios, entre os chineses, entre os indianos, os maias, os japoneses, os persas, e muitos outros. Cada povo ou cada cultura criou o seu próprio modelo.

Hoje, tais relatos mágicos, miraculosos ou extraordinários são conhecidos como Mitos da Criação. Na verdade, esse esforço para dar uma explicação de tudo que existe tem um valor inestimável, uma vez que não se tratava apenas e tão somente de explicar um fato, mas de sustentá-lo com valores morais e espirituais de que os povos antigos necessitavam. Tanto assim que, ao lermos a criação, conforme o Gênesis Bíblico, dela podemos tirar elevados ensinamentos morais, da mesma forma que Jesus os tirava das parábolas que criava para facilitar o entendimento do povo.

A religião, de um modo geral, é a força mais conservadora que existe; isso significa que é a mais resistente para aceitar uma mudança. Quando muda, ela é sempre a última a mudar. Assim, as religiões vieram trazendo, ao longo dos séculos e milênios alguns ensinamentos que elas não queriam mudar, e de tanto insistir neles as bases desses ensinamentos ficaram cristalizadas na alma do povo e, de tal forma, que ainda hoje há muita gente que fala de Adão e Eva, como se esses personagens tivessem sido reais.

Contudo, não é uma verdade que se possa mais sustentar. Ela serviu até certo ponto, quando não existia ciência e quando o ser humano ainda era muito ingênuo para aceitar verdades sem nenhuma comprovação. Não é mais a realidade de hoje, Nilva. Nem mesmo as religiões mais progressistas tratam do episódio do paraíso como uma verdade inconteste. Dentro das próprias religiões encontramos um posicionamento que entende que os episódios mais antigos da Bíblia são apenas alegorias ou representações, dos quais podemos tirar elevados ensinamentos morais, mas não confundi-los com a realidade.

É assim que o Espiritismo vê. Desde as obras de Kardec, que inauguraram a doutrina, há mais de 160 anos – principalmente no livro intitulado “A GÊNESE”, de 1868 – ficou claro que a Doutrina Espírita aceita a versão da ciência e tem nos textos bíblicos alegorias, que constituíram na mais remota antiguidade as únicas fontes de informação para o conhecimento humano. Embora, Darwin ainda não tivesse apresentado a Teoria da Evolução, antes disso, o Espiritismo já era evolucionista.

Quanto ao fato de as pessoas aceitarem ou não, é um direito que elas têm, Nilva; mas isso não muda nada. A realidade independe de nossa opinião. Podemos estar certos ou errados, a realidade é a mesma. O Sol que iluminou Jesus, 2 mil anos atrás, é o mesmo que nos ilumina hoje: a única diferença que existe é o conhecimento que se tinha naquela época e o conhecimento que se tem hoje a respeito do Sol.

Em 1616, início do século 17, Galileu Galilei – conhecido como Pai da Ciência – já idoso, aos 70 anos de idade, foi condenado à fogueira pelo Tribunal da Inquisição da Igreja porque afirmava que era a Terra que girava em torno do Sol e não o Sol em torno da Terra. Depois de muita insistência, para não morrer queimado, Galileu se retratou publicamente, dizendo que não era o que afirmara. Diante disso, o Tribunal reconsiderou a sentença e libertou Galileu.

Conta-se que, ante os olhares atônitos da plateia que assistia àquela farsa, Galileu ( que teve de mentir para não morrer), saiu cabisbaixo, aparentemente vencido, e os que estavam mais próximo dele, ouvia ele dizer baixinho: “Apesar de tudo isso, é a Terra que gira...” O fato de a Igreja, na época, sentir-se vencedora – e, mais do que isso, temida – jamais mudou a realidade das coisas,... pois a Terra continuou a girar em torno do Sol, conforme a lei da natureza.

domingo, 3 de novembro de 2024

QUEM FEZ O ESPIRITISMO; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 A História da Humanidade constitui-se de descobertas ou revelações que requerem anos e até séculos para que possam ser incorporadas pelo inconsciente coletivo. Contando pouco mais de meio século, esbarrando na resistência da intolerância religiosa e da ignorância, nos atavismos individuais, avança em meio às confusões derivadas da falta de maior conhecimento e estudo de suas obras básicas. Allan Kardec no número de abril de 1866 da REVISTA ESPÍRITA, incluiu material de sua autoria que nos ajuda a entender melhor a proposta revolucionária de que foi o grande Codificador. Escreve: - Quem fez o Espiritismo? É uma concepção humana pessoal? O Espiritismo é o resultado do ensino dos Espíritos, de tal sorte que, sem as comunicações dos Espíritos, não haveria Espiritismo. Se a Doutrina Espírita fosse uma simples teoria filosófica nascida de um cérebro humano, não teria senão o valor de uma opinião pessoal; saída da universalidade do ensino dos Espíritos, tem o valor de uma obra coletiva, e é por isto mesmo que em tão pouco tempo ela se propagou por toda a Terra, cada um recebendo por si mesmo, ou por suas relações íntimas, instruções idênticas e a prova da realidade das manifestações. Pois bem! é em presença deste resultado patente, material, que se tenta erigir em sistema a inutilidade das comunicações dos Espíritos. Convenhamos que se elas não tivessem a popularidade que adquiriram, não as atacariam, e que é a prodigiosa vulgarização dessas ideias que suscita tantos adversários ao Espiritismo. Os que hoje rejeitam as comunicações não se assemelham a essas crianças ingratas que negam e desprezam os pais? Não é a ingratidão para com os Espíritos, a quem devem o que sabem? Não é servir-se do que eles ensinaram para os combater, voltar contra eles, contra seus próprios pais, as armas que nos deram? Entre os Espíritos que se manifestam não está o Espírito de um pai, de uma mãe, dos seres que nos são mais caros, dos quais se recebem essas tocantes instruções que vão diretamente ao coração? Não é a eles que devemos ter sido arrancados da incredulidade, das torturas da dúvida sobre o futuro? E é quando se goza do benefício que se desconhece a mão do benfeitor? Que dizer dos que, tomando sua opinião pela de todo o mundo, afirmam seriamente que, agora, não querem comunicações em parte alguma? Estranha ilusão! que um olhar lançado em torno deles baste para fazer desvanecer-se. Por seu lado, que devem pensar os Espíritos que assistem às reuniões onde se discute se se devem condescender em os escutar, ou se se deve, ou não, excepcionalmente, permitir-lhes a palavra para agradar os que têm a fraqueza de se prenderem às suas instruções? Sem dúvida lá se acham Espíritos ante os quais se cairia de joelhos se, nesse momento, eles se apresentassem à vista. Já pensaram no preço que podia ser pago por tal ingratidão? Tendo os Espíritos a liberdade de comunicar-se, independentemente do seu grau de saber, resulta que há uma grande diversidade no valor das comunicações, como nos escritos, num povo onde todo mundo tem a liberdade de escrever e onde, por certo, nem todas as produções literárias são obras-primas. Segundo as qualidades individuais dos Espíritos, há, pois, comunicações boas pelo fundo e pela forma; outras que são boas pelo fundo e más pela forma; outras, enfim, que nada valem, nem pelo fundo, nem pela forma. Cabe-nos escolher. Rejeitá-las em bloco, porque algumas são más, não seria mais racional do que proscrever todas as publicações, só porque há escritores que produzem banalidades? Os melhores escritores, os maiores gênios, não têm partes fracas em suas obras? Não se fazem seleções do que produzem de melhor? Façamos o mesmo em relação às produções dos Espíritos; aproveitemos o que há de bom e rejeitemos o que é mau; mas, para arrancar o joio, não arranquemos o bom grão.



Gostaria de saber por que a ciência, que já progrediu tanto, ainda não descobriu o espírito; por que isso está demorando tanto.

Por várias razões. Mas, antes de responder diretamente sua pergunta, queremos chamar a atenção para o termo “ciência” - o que vem a ser ciência. Na verdade, entende-se por ciência o conjunto de conhecimentos que o homem adquiriu de forma sistemática e já acumulou através de observações, investigações e teorias – inicialmente apenas sobre a natureza e, depois, sobre os demais diversos campos da experiência humana.

A ciência procura descobrir leis para explicar os fenômenos. Mas quem faz ciência são os cientistas. Não existe unanimidade entre os cientistas sobre todos os pontos da ciência. Há diferentes correntes de pensamento, muitas vezes, sobre um mesmo fenômeno. Algumas teorias predominam, por gozarem de mais aceitação. Por exemplo: a Teoria do Big Bang, que procura explicar o surgimento do universo após uma grande explosão, é uma teoria que predomina dentro da astrofísica; mas não é a única.

Logo, quando falamos em ciência, falamos das teorias científicas de um modo geral, modelos explicativos que podem ser revistos, reformulados ou substituídos, como tudo na ciência. A ciência não admite uma verdade única e imutável: verdades de ontem podem não ser mais verdades hoje, e as de hoje poderão não ser verdades amanhã. A ciência precisa ser aberta a tudo, embora nem sempre vamos encontrar cientistas dispostos a encarar qualquer tipo de estudo. Desse modo, existem cientistas que estudam a realidade do Espírito e que, no cenário científico, acabam sendo descartados pela maioria, que nada admite além da matéria.

Logo, não é difícil concluir que a primeira razão pela qual a ciência não se interessa pelo Espírito é de ordem moral: existe um forte preconceito contra tudo que possa parecer religião; e, mais do que isso, existe uma prevenção contra a religião de um modo geral, pois na história da ciência, infelizmente, muitos cientistas acabaram sendo perseguidos pela intolerância religiosa, a começar de Galileu, considerado “o pai da ciência”.

A segunda razão é que os cientistas, de um modo geral, só gostam de estudar fenômenos, que eles possam controlar de alguma maneira, ao passo que os fenômenos espíritas não são passíveis desse tipo de controle. São fenômenos muito sensíveis e instáveis, e não podem ser provocados pela simples vontade ou interesse do pesquisador. O estudo dos fenômenos espíritas exige um novo tipo de postura, uma nova metodologia, já que eles se destacam pela qualidade e muito pouco pela quantidade.

Desse modo, os cientistas que estudam o Espírito não são reconhecidos pois sua metodologia nem sempre seguem exatamente aquilo que prevalece na concepção materialista. Enquanto isso, o estudos que se enquadram na metodologia científica acabam prejudicando a ocorrência do fenômeno. Isso não impediu que muitos pesquisadores de renome se entregassem ao estudo do Espírito.

Poderíamos citar alguns deles: Alfred Russell Wallace e William Crookes (na Inglaterra), Gabriel Delanne e Charles Richet (na França), Ernesto Bozzano e Cesar Lombroso (na Itália), Friedrich Zollner (na Alemanha), Guimarães Andrade (no Brasil), William James e Ian Stevenson (nos Estados Unidos), Alexander Aksakof (na Rússia). Poderíamos citar muito mais.

Um dos motivos mais fortes que impedem os cientistas de estudar a realidade do Espírito é de ordem econômica. Geralmente, as pesquisas – principalmente as grandes pesquisas - elas são patrocinadas por empresas, que visam lucros, como é o caso, por exemplo, das indústrias farmacêuticas. Essas empresas investem milhões de dólares numa pesquisa para descobrir, pore exemplo, determinado medicamento, porque sabem que terão grande lucro com a venda desse produto, antes mesmo de pensar no bem da humanidade. No entanto, em relação à realidade espiritual, não haveria, do ponto de vista econômico, por que investir numa descoberta que, pelo contrário, poderia até mesmo prejudicar o interesse das empresas.

A descoberta da realidade espiritual provocaria uma grande reviravolta nos valores humanos. A partir do momento em que fica patenteada a descoberta da vida após a morte, os grupos econômicos e os homens mais ricos sofreriam o impacto de uma revelação que os tiraria da zona de conforto, pois, tomando consciência da continuidade da vida, a realidade material não teria mais tanto valor para eles e seriam constrangidos a se render ao princípio de amor a Deus e amor ao próximo. Quem quereria isso? Então, enveredar por esse campo de estudo, só mesmo para idealistas, pois, além de não contar com nenhum amparo financeiro, muitas vezes, ainda têm de tirar dinheiro do próprio bolso.

Por último, acreditamos que a realidade do mundo espiritual, caro ouvinte, só será alcançada pela ciência quando a humanidade tiver dado um passo mais significativo no campo das conquistas morais – quer dizer, quando houver mais tolerância no mundo, quando houver mais compreensão e mais fraternidade entre os homens. É muito cedo para buscarmos conhecimentos que, na atual condição do homem, poderiam servir para objetivos egoístas e mesquinhos.

Sendo assim, por enquanto, as verdades que o Espiritismo hoje proclama – e que ainda não são todas as verdades que precisamos conhecer - devem depender apenas de poucos estudiosos mais corajosos, mais afoitos, que se lançam às suas pesquisas, abrindo caminho para novas conquistas, que só virão com o amadurecimento moral da sociedade humana.



sexta-feira, 1 de novembro de 2024

A LEI DE QUE NINGUÉM CONSEGUE FUGIR ; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Na atualidade, multiplicam-se em toda sociedade humana casos de transtornos comportamentais, surgidos, por vezes, na experiência de indivíduos de vida aparentemente normal. Resgatando e adequando ao entendimento possível de muitas pessoas aspectos da Lei de Causa e Efeito, o Espiritismo vai colecionando exemplos capazes de explicar dramas inimaginados e inesperados na vida dos nele envolvidos. Apesar disso, profissionais da saúde mental, os maiores interessados no assunto, ignoram ou desdenham as possíveis possibilidades para entender as origens dos quadros por eles analisados. Naturalmente, quando a visão da interpretação espírita desses fenômenos, tiverem sido dissipadas pela força do raciocínio lógico, a comunidade científica contará com poderoso para terapias ou práticas que conduzam à solução definitiva das enfermidades. Para sua avaliação, destacamos quatro, exemplos do que falamos. CASO 1 - EFEITO - Mulher, casada, quatro filhos. Toda sua vida foi inimiga acirrada do pai, pessoa socialmente considerada simples, humilde e que sempre a tratou com carinho e bondade, tendo ele tudo feito para reverter tal situação. Ante a aproximação dos dois, notava-se o olhar carregado de ódio da mulher, transtornada pela repulsa e desprezo, com palavras incisivas e duras para o pai, comprazendo-se visivelmente com os tormentos morais estampados no rosto do mesmo. CAUSA - Ações praticadas 120 anos antes, em pequena vila de nome Pedra Grande, em Portugal. Na época, a senhora de hoje, estava encarnada na condição masculina, negociava vinhos, era casado e tinha filhos. Aventureiro, precipitou em quedas morais várias mulheres e jovens, chegando a ser pai de muitos filhos naturais não reconhecidos. Entretendo relações comerciais com um negociante, veio a seduzir a filha deste, a induzindo à prostituição e levando-a ao suicídio. Seu sogro que o auxiliava bastante, tendo sido quem o criara, sabedor dessa aventura, não desejando mais que sua filha suportasse os contínuos escândalos e sofresse mais desgostos, expulsou-o de casa. Fugiu, para nunca mais voltar. Agora, reencarnou como mulher. Seu pai atual era o antigo sogro. Seu marido, o noivo da moça que seduzira e levara ao suicídio e, esta, por sua vez, renasceu como uma de suas filhas. (NRM) CASO 2 - EFEITO - Jovem, treze anos, diagnosticado como portador de idiotia, caracterizada pela nulidade de faculdades intelectuais, alimentado com dificuldade pelos pais que não reconhecia, apresentando desenvolvimento físico reduzido. CAUSA - Encarnação duzentos anos antes, em que fez da “devassidão” seu estilo de vida, gerando desarmonias de toda ordem à sua essência espiritual, impondo-lhe as restrições observadas na existência presente, de curta duração para que alcance o equilíbrio de que se distanciou. Afirmou ver e sentir de forma lúcida o que se passa a seu redor, apesar dos impedimentos de se comunicar pelo corpo limitado a que se acha preso “como uma ave por uma pata”. (CI) CASO 3 – EFEITO - Mulher que, 15 dias após o casamento, passou a sonhar com um vulto masculino que a amarrava totalmente, enrolando-a fortemente em cordas, dos ombros aos tornozelos. Impressionada pela repetência de tais sonhos, passou a experimentar terríveis angústias e crises de medo e, embora medicada por profissional especializado, o mal evoluir, passando a viver retesada, braços colados ao corpo endurecidos, como se cordas invisíveis lhe tolhessem os movimentos. Afirmava estar enrolada pelas ditas cordas; dificilmente se sentando; arrastando os pés ao caminhar, como se tivesse os tornozelos atados; necessitando que alguém lhe colocasse os alimentos à boca e três ou mais pessoas para higienizá-la. CAUSA - Obsessão exercida pela sugestão hipnótica por Espírito visto como jovem elegantemente trajado à moda do século 19, a ela ligada por vingança causada por ter sido vitima de adultério por ela praticado em existência anterior, o qual não soubera perdoar, interpretando o casamento atual como nova traição, submetendo-a à sua obstinada e dominadora influência que a levou a terminar seus dias em estabelecimento espírita dedicado à Saúde Mental. CASO 4 – EFEITO - Homem idade avançada, morador de rua, renitente em aceitar ou buscar acomodação que o poupasse do desconforto da friagem da noite ou a dureza dos pisos duros em que acomodava ao relento, em calçadas, bancos de jardim ou alpendres de construções que lhe permitisse se ajeitar. CAUSA - Ações em existência anterior em que na condição de cruel fazendeiro expulsara impiedosamente muitas famílias de suas terras, deixando-as ao relento, sem rumo, levando-o a enfrentar, após seu desencarne, perturbador complexo de culpa que não lhe permite alojar-se em lugar nenhum. (ICX)



Gostaria que comentassem duas passagens do evangelho. A primeira é aquela da viúva, que deixou uma moeda na vaso do templo e foi elogiada por Jesus, quando disse que muitos davam do que lhes sobrava, mas ela deu do que lhe faltava. A outra passagem é a parábola dos talentos, quando Jesus conclui que “a quem foi muito foi dado muito será pedido”. Acho que existe uma relação muito próximo entre essas duas passagens do evangelho.

Você tem razão. Essas duas passagens se referem ao ato de dar. No primeiro caso, Jesus chamou a atenção dos discípulos para o fato de que geralmente as pessoas contribuíam com o que lhes sobrava – ou seja, elas não precisavam fazer nenhum sacrifício para dar. A viúva, entretanto, era muito pobre, passava necessidade, e mesmo assim, fez questão de contribuir com pouco que tinha. No entanto, esse mínimo lhe exigira um sacrifício, porque lhe faria falta.

Já a parábola dos talentos conta de um rico senhor que, antes de viajar, chamou três de seus servidores e lhes entregou algum dinheiro. Ao primeiro, deu 5 talentos, ao segundo deu dois e ao terceiro apenas um. Quando voltou, pediu que prestassem contas do dinheiro recebido. O que recebeu 5, devolveu-lhe 10; o que recebeu 2, devolveu-lhe 4, mas o que recebeu apenas um devolveu tão somente aquilo que recebeu. Fazendo um balanço, o patrão concluiu que os dois primeiros souberam utilizar bem o dinheiro e multiplicá-lo, enquanto o terceiro não produziu nada.

Talento era uma moeda de expressivo valor correspondente a alguns mil reais de hoje. Nessa história Jesus compara com a capacidade de produção de cada um. Deus nos confia certas condições para sermos úteis ao próximo e à sociedade. A maioria, talvez, não está atenta ao tesouro que Deus lhe confiou e, portanto, não está preocupada em ser útil ao bem comum. Poucos têm consciência de que vivemos em sociedade porque a sociedade nos dá proteção e segurança e que, portanto, todos nós devemos contribuir para o bem estar de todos.

Se todos dessem a sua parcela de contribuição – o mínimo que fosse – mas houve interesse e empenho de cada um, a vida seria melhor para todos. É claro que os que têm mais devem dar mais e os que tem menos devem dar o quanto podem. O valor da contribuição não está propriamente no valor econômico da doação, mas no que ela significa para aquele que deu.

Como ainda somos espíritos atrasados, para que a sociedade possa se manter, com todos os serviços que deve prestar à população, ela precisa instituir impostos. O nome já está dizendo: imposto é uma contribuição imposta, obrigatória, forçada. Se fosse esperar pelo interesse e pela vontade de cada um, será que a sociedade teria condições de se sustentar? Acreditamos que não, pois mesmo com os impostos há os sonegadores, os que procuram se safar dessa obrigação, onerando os outros que pagam regularmente.

se dão conta de que tem por dever moral fazer algo pelo próximo e pela sociedade. Mas, desses poucos, a maioria, talvez, não precisa se sacrificar para fazer o bem, porque leva uma vida relativamente fácil. Somente uma minoria sacrificada é capaz de se sacrificar para dividir o seu pão.

Quem tem maior mérito? perguntamos. Evidentemente, todo ato bom é um bem, que beneficia tanto quem recebe quanto quem dá. Mas, o mérito da realização é proporcional ao tamanho do esforço e do sacrifício empregados. É aí que se aplica a parábola do óbolo da viúva.