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quinta-feira, 28 de abril de 2022

SOBRE AS REALIDADES DO MUNDO ESPIRITUAL; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

Nome pouco conhecido mesmo entre os seguidores do Espiritismo, Abel Gomes em sua ultima encarnação na nossa Dimensão concluída em 1934, foi professor, jornalista, cronista e poeta mineiro. Sua passagem pelo corpo físico foi marcada por dificuldades, sobretudo, no que se refere a progressivas restrições físicas a partir da meia idade, constituindo-se suas reações diante das ocorrências em exemplos de um verdadeiro espírita cristão. Anos depois de sua passagem para o Plano Espiritual, retornou através de Chico Xavier descrevendo a realidade observada no Mundo que nos cerca, acrescentando mais elementos ao trazido pelos Espíritos Maria João de Deus e André Luiz. Entre outras coisas diz: As inteligências aqui se agrupam segundo os impositivos da afinidade, vale dizer, consoante a onda mental, ou frequência vibratória, em que se encontram. Tenho visitado vastas colônias representativas de civilizações há muito tempo extintas para a observação terrestre. Costumes, artes e fenômenos linguísticos podem ser estudados, com admiráveis minudências, nas raízes que os produziram no tempo. A alma liberta adianta-se sem apego à retaguarda, esquecendo antigas fórmulas, como o pinto que estraçalha e olvida o ovo em que nasceu, abandonando o envoltório inútil e construtor em busca do oxigênio livre e do largo horizonte, na consolidação das suas asas; em contraposição, existem milhões de Espíritos, apaixonados pela forma, que se obstinam naquelas colônias, por muito tempo, até que abalos afetivos ou consciências os constranjam à frente ou ao renascimento no campo físico. Cada tipo de mente vive na dimensão com que se harmonize. Não há surpresa para a ciência comum, neste n, porquanto, mesmo na Terra, muitas vezes, numa só área reduzida vivem o cristal e a árvore, a ameba e o pulgão, o peixe e o batráquio, o réptil e a formiga, o cão e a ave, o homem rude e o homem civilizado, respirando o mesmo oxigênio, alimentando-se de elementos químicos idênticos, e cada qual em mundo à parte. Além daqueles que sofrem deformidades psíquicas deploráveis, manifestadas no tecido sutil do corpo espiritual, não é difícil encontrarmos personalidades diversas, sem a capa física, vivendo mentalmente em épocas distanciadas. Habitualmente se reúnem àqueles que lhes comungam as ideias e as lembranças, formando com recordações estagnadas a moldura nevoenta dos quadros íntimos em que vivem, a plasmarem paisagem muito semelhantes às que o grande vidente florentino descreveu na Divina Comédia. Há infernos purgatórios de muitas categorias. Correspondem à forma de pesadelo ou de remorso que a alma criou para si mesma. Tais organizações, que obedecem à densidade mental dos seres que as compõem, são compreensíveis e justas. Onde há milhares de criaturas humanas, clamando contra si mesmas, chocadas pelas imagens e gritos da consciência, criando quadros aflitivos e dolorosos, o pavor e o sofrimento fazem domicílio. Aqui, as leis magnéticas se exprimem de maneira positiva e simples. Aí, no mundo, vemos inúmeras pessoas com presença imaginária nos lugares a que comparecem. Na verdade apenas se encontram em determinada parte sob o ponto de vista físico; a mente, com a quase totalidade de suas forças, vagueia longe. Depois da morte, porém, livre de certos princípios de gravitação que atuam, na experiência carnal, contra a fácil exteriorização do desejo, a criatura alia-se ao objeto de suas paixões. Assim é que surpreendemos entidades fortemente ligadas umas às outras, através de fios magnéticos, nos mais escuros vales de padecimento regenerativo, expiando o ódio que as acumpliciaram no vício ou no crime. Outras, que perseveram no remorso pelos delitos praticados, improvisam, elas mesmas, com as faculdades criadoras da imaginação, os instrumentos de castigo dos quais se sentem merecedoras.


Num filme, que vi recentemente, uma mulher passou a lembrar de uma vida anterior. E ela não conseguia evitar essas lembranças e, no final, acabou desvendando seu passado, encontrando com seus filhos da vida passada. Dizem que o filme se baseou em fatos reais. Eu pergunto: por que isso, que aconteceu com ela, não acontece com todas as pessoas, para que todos acreditem na reencarnação. Por que ela teve esse privilégio?


Na verdade, você está se referindo ao filme “Minha Vida na Outra Vida”, que trouxe para o cinema um episódio da vida de Jenny Cockell, um caso real que aconteceu nos Estados Unidos há alguns anos atrás e que, depois, foi passado num livro, inspirando a produção desse filme. Trata-se de um caso que só acontece raramente. Já dissemos, aqui, que o normal é a gente não ter nenhuma recordação de vidas anteriores, pois tal recordação nos perturbaria e, ao invés de nos ajudar, aumentaria e agravaria nossos problemas.


Que perturbação tais lembranças traria à pessoa? Primeiramente, com relação a ela própria. Problemas íntimos não resolvidos - como conflitos emocionais e medos, por exemplo – que a pessoa deveria esquecer, ao passar pelo crivo da reencarnação, voltariam à tona, desencadeando uma série de transtornos emocionais e desajustamento. O esquecimento, que a reencarnação propicia, muitas vezes, funciona como uma defesa que faz a pessoa se desligar do passado, para ter condições de recomeçar e reconstruir sua vida.


Poderia, também, trazer de volta o ódio e os ressentimentos em relação a familiares ou pessoas próximas, com quem se defrontou na encarnação anterior de forma desastrosa, tornando-se inimigos. Quase sempre, a presença de Espíritos inimigos na mesma família, tem por objetivo a aproximação, a conciliação na presente existência; e isso ficaria prejudicado, se viessem à lembrança fatos passados que mostrassem que um prejudicando o outro.


Não sabemos responder com exatidão por que isso acontece. Sabemos que, em certos casos, realmente ocorrem tais lembranças. Com certeza, deve haver algum sentido na trajetória evolutiva do Espírito. Mas, podemos dizer que tais, lembranças, como no caso de Jenny Cockell, acontecem quando as encarnações são muito próximas uma da outra e quando há um motivo muito forte que imprima no espírito algumas cenas perturbadoras do passado. No caso em questão, a mãe havia assumido um compromisso na encarnação anterior, mas ao mesmo tempo deixou um problema, que ela queria resolver e não conseguia.


Com certeza, ela reencarnou logo depois de sua morte, ainda vivendo a angústia de resolver o problema em relação aos filhos que ficaram órfãos, e os quadros daquela vida permaneceram como “flashes” que vinham do seu inconsciente e passaram a perturbá-la desde a infância. Eles se intensificaram quando ela ficou grávida, pois a gravidez reavivou na memória inconsciente uma situação do passado. Você pode perceber que, na verdade, ela não tinha uma lembrança nítida dos fatos da vida anterior, mas apenas quadros isolados, e só veio a entender isso, quando foi buscar explicações e conseguiu, através de uma visita ao local de origem, reconstituir os principais fatos da última encarnação.



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