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terça-feira, 23 de agosto de 2022

ANTROPOFAGIA ; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Vez ou outra circulam pela mídia impressa e eletrônica, noticias sobre a descoberta de crimes cometidos por serial-killers que além da violência imposta a suas vítimas, acabam devorando parte dos seus corpos por eles fragmentados. Muitas possíveis explicações são cogitadas para gestos tão extremos. O Espiritismo tem sua visão própria sobre tais fatos e, na REVISTA ESPÍRITA de fevereiro de 1866, encontramos comentário de Allan Kardec sobre o que se poderia chamar de recrudescimento da prática nalgumas ilhas do Oceano Pacífico, mais especificamente pertencentes à Oceania. A informação, publicada no jornal Le Monde, dá conta que em um ano toda a tripulação de quatro navios foram devorados pelos antropófagos das Novas Híbridas (hoje, Arquipélago das Vanuatu), da baia de Jérvis ou da Nova Caledônia, obrigando o almirantado inglês expedir às cidades marítimas que fazem armamentos para a Oceania uma circular aconselhando aos capitães de navios mercantes a tomar todas as precauções necessárias para evitar que suas tripulações sejam vítimas desse horroroso costume. Como explicar o comportamento de seres humanos capazes de devorar seus semelhantes? Segundo Allan Kardec, o “Espiritismo lhe encontra a mais simples solução, e a mais racional, na LEI DA PLURALIDADE DAS EXISTÊNCIAS, a que todos os seres estão submetidos, e, em virtude da qual progridem. Assim a alma dos antropófagos ainda estão próximas de sua origem, as faculdades intelectuais e orais são obtusas e pouco desenvolvidas e nelas, por isso mesmo, dominam os instintos animais. Allan Kardec observa, porém, que “essas almas não estão destinadas a ficar perpetuamente nesse estado inferior, que as privaria para sempre da felicidade das almas mais adiantadas. Crescem em raciocínio; esclarecem-se, depuram-se, melhoram, instruem-se em existências sucessivas. Revivem nas raças selvagens, enquanto não ultrapassarem os limites da selvageria. Chegadas a certo grau, deixam esse meio para encarnar-se numa raça um pouco mais adiantada; desta a uma outra e assim por diante, sobem em grau, em razão dos méritos que adquirem e das imperfeições de que se despojam, até atingirem o grau de perfeição de que é suscetível a criatura. Segundo ele, “a via do progresso a nenhuma está fechada; de tal sorte que a mais atrasada das almas pode pretender a suprema felicidade. Mas uma, em virtude do seu livre arbítrio, que é o apanágio da Humanidade, trabalham com ardor por sua depuração e sua instrução, em se despojar dos instintos materiais e dos cueiros da origem, porque a cada passo que dão para a perfeição veem mais claro, compreendem melhor e são mais felizes. Essas avançam mais prontamente, gozam mais cedo: eis a sua recompensa. Outras, sempre em virtude de seu livre arbítrio, demoram-se em caminho, como estudantes preguiçosos e de má vontade, ou como operários negligentes; chegam mais tarde, sofrem mais tempo; eis a punição ou, se se quiser, o seu inferno. Assim se confirma, pela pluralidade das existências progressivas, a admirável Lei da Unidade e de Justiça, que caracteriza todas as obras da Criação. Comparai esta Doutrina com outras, sobre o passado e o futuro das almas e vede qual a mais racional, mais conforme a Justiça Divina e que melhor explica as desigualdades sociais. Seguramente a antropofagia é um dos mais baixos degraus da escala humana na Terra, porque o selvagem que não mais come o seu semelhante já está em progresso. Mas de onde vem a recrudescência desse instinto bestial? É de notar, de saída, que é apenas local e que, em suma, o canibalismo desapareceu em grande parte da Terra. É inexplicável sem o conhecimento do Mundo Invisível e de suas relações com o Mundo Visível. Pelas mortes e nascimentos, alimentam-se um do outro, se derramam um no outro. Ora, os homens imperfeitos não podem fornecer no Mundo Invisível almas perfeitas e as almas perversas, encarnando-se, não podem fazer senão homens maus. Quando as catástrofes, os flagelos atingem de uma vez grande número de homens, há uma chegada em massa no mundo dos Espíritos. Devendo essas almas reviver, em virtude da lei da natureza, e para o seu adiantamento, as circunstâncias podem igualmente trazê-los em massa de volta para a Terra. O fenômeno de que se trata depende, pois, simplesmente da encarnação acidental, nos meios ínfimos, de um maior número de almas atrasadas, e não da malícia de Satã, nem da palavra de ordem dada ao povo da Oceania. Ajudando o desenvolvimento do senso moral dessas almas, durante a vida terrena, o que é missão dos homens civilizados, elas melhoram. E quando retomarem uma nova existência corpórea para progredir ainda, serão homens menos maus do que foram, mas esclarecidos, de instintos menos ferozes, porque o progresso realizado não se perde nunca. É assim que gradualmente se realiza o progresso da Humanidade.

Pergunta enviada pelo Cristiano, da cidade de Vera Cruz: “Existe lei de ação e reação no caso de homicídio cometido em estado de necessidade”

Bem, a questão que o Cristiano propõe é semelhante à anterior que nos enviou; isto é, é semelhante ao caso de homicídio por legítima defesa, no que se refere às suas consequências morais, de conformidade com a lei de causa e efeito. É bom esclarecer os ouvintes que, no Direito Penal, estado de necessidade é uma situação em que o indivíduo, para sobreviver, precisa investir contra o outro e até tirar-lhe a vida,

Um caso típico de estado de necessidade, sempre lembrado pelos manuais de direito penal, é aquele em que, após o barco afundar em alto mar, dois dos ocupantes percebem uma única tábua boiando sobre as águas que pode servir de salvação. Mas a tábua é suficiente para salvar apenas uma pessoa. Nesse caso, os dois partem desesperadamente para agarrar a tábua. Aquele que dela se apossar será salvo. Numa situação como essa, um deles investe-se contra o outro e o mata, agarrando-se, assim, à tábua e se salvando.

Um caso como esse caracteriza bem o que chamamos de homicídio por estado de necessidade. O direito penal entende que se trata de um crime exculpável, ou seja, a pessoa que praticou o homicídio não responderá por crime diante da lei, levando-se em consideração que a sua vida é o bem maior que ele teve o direito de defender. O Cristiano quer saber se, diante da Lei Divina, num caso como esse, aquele que matou fica livre de qualquer culpa e, portanto, não vai responder por isso.

É claro que a Lei Divina é perfeita, enquanto a lei humana é imperfeita, por mais bem elaborada que seja. É que a lei divina conta com instrumentos precisos de captar a verdade – não apenas em relação ao ato em si (no caso, o homicídio), mas em relação ao que se passa na intimidade de cada uma das partes envolvidas. Contudo, a lei humana, por mais que faça, jamais desvendará o verdadeiro sentimento dessas pessoas. Por essa razão, todo ato, por mais insignificante nos pareça, sempre terá uma repercussão na vida moral de quem o praticou, fazendo funcionar o lei de ação e reação.

No caso dos náufragos, que estamos usando para ilustrar, aquele que matou para sobreviver tem, de fato, um grande motivo a seu favor, a garantia de sua própria sobrevivência. Mas o fato de ter assassinado o outro lhe causará um sofrimento íntimo, ao qual estará ligado por tempo ou menos longo, nesta ou em outra vida, dependendo do desenvolvimento de sua consciência moral. A consciência moral é o nosso tribunal implacável. Mesmo fazendo o que achou que devia fazer, mesmo considerando que não podia fazer melhor, o fato de ter tirado uma vida terá repercussão na sua consciência com o passar o tempo.

É claro que não se tratou de um crime comum, mas de uma situação causada pelas circunstâncias, e isso vai lhe servir de conforto. Por isso mesmo, ele ficará com dois sentimentos conflitantes na consciência moral: o primeiro, que ele fez o que deveria ter feito para se salvar; o segundo, que tirou uma vida humana, talvez infelicitando outras pessoas. Geralmente, o Espírito diante desse conflito íntimo, em outra encarnação, procurará se aproximar daquele que foi sua vítima, para compensar de alguma maneira o mal que lhe causou.

Ainda assim, Cristiano, o problema pode não ficar definitivamente resolvido para ambos, pois depende também da condição espiritual da vítima. Se a vítima dessa disputa compreendeu e perdoou seu algoz, tudo tende a resolver mais depressa e com mais facilidade. Mas, se a vítima é um Espírito endurecido, não quer compreender e continua alimentando ódio contra seu agressor, ela poderá partir para a vingança.

Porém, o seu intento será bem ou mal sucedido – ou seja, ela conseguirá ou não se vingar - dependendo da atual condição espiritual de seu agressor, que poderá se encontrar ou não ao seu alcance. Fatos dessa natureza, Cristiano, devem ter acontecido com muita frequência ao tempo do Império Romano, quando escravos gladiadores eram treinados para matar uns aos outros em lutas corporais de espetáculos sangrentos nos circos romanos.


segunda-feira, 22 de agosto de 2022

TENTANDO ENTENDER; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Em famoso programa de televisão dos anos 70, Chico Xavier confirmou a um de seus entrevistadores que, segundo o Orientador Espiritual Emmanuel, “o Mundo Espiritual era dividido em muitos Planos e Sub-Planos. A informação não apenas torna, de certo modo, mais concreta a resposta à questão 35 d’ O LIVRO DOS ESPÍRITOS – “o vazio absoluto não existe, nada é vazio, estando ocupado por uma matéria que nos escapa aos sentidos” , bem como, a 85 quando diz que “Mundo Espiritual preexiste e sobrevive a tudo”, hoje, mais de século e meio depois admitida por estudiosos da Física Quântica - a partir da Teoria das Supercordas-, quando afirmam que, “mesmo que as dimensões do espaço sejam imperceptíveis, são elas que determinam a realidade física em que vivemos”. Anos depois da resposta do médium mineiro, ele mesmo haveria de induzir-nos a mais amplas reflexões ao dizer que “as observações humanas, mesmo ampliada por instrumentação de alta potência, apenas atingem a faixa de matéria em que nos situamos no Plano Terrestre”. A lente humana é o olho humano ampliado. Os que leram o livro OS MENSAGEIROS (feb,1944), devem se lembrar que o Instrutor Espiritual Aniceto em certo diálogo mantido com André Luiz e Vicente, ponderara: “-Há, porém André, outros mundos sutis, dentro dos mundos grosseiros, maravilhosas esferas que se interpenetram. O olho humano sofre variadas limitações e todas as lentes físicas reunidas não conseguiriam surpreender o campo da alma, que exige o desenvolvimento das faculdades espirituais para tornar-se perceptível(...). É da Lei, que não devemos ver senão o que possamos observar com proveito”. Já nos anos 60, em entrevista publicada no ANUÁRIO ESPIRITA 1964(ide), o Espírito André Luiz, ofereceria outros elementos merecedores de nossa atenção”. 1 - “-Será lícito calcular a população de criaturas desencarnadas em idade racional, nos círculos de trabalho, em tono da Terra, para mais de vinte bilhões, observando-se que alta percentagem ainda se encontra nos estágios primários da razão, sendo esse número passível de alterações constantes pelas correntes migratórias de Espíritos em trânsito nas regiões do Planeta”. 2 - “-Qual acontece na Crosta Planetária, as esferas de trabalho e evolução que rodeiam a Terra estão muito longe de quaisquer perspectivas de saturação, em matéria de povoamento”. 3 - “-Seja de modo coletivo ou individual, em todos os tempos, Espíritos Superiores tem saído da Terra, no rumo de esferas enobrecidas, compatíveis com a evolução que alcançaram. Quanto a companheiros de evolução retardada, principalmente os que se fizeram necessitados de corretivo doloroso por delitos conscientemente praticados, em muitos casos, sofrem segregação em planos regenerativos”. 4 – “-Espíritos originários de outras plagas costumam estagiar na Terra com frequência, de vez que muitos Espíritos Superiores se reencarnam no planeta terrestre a fim de colaborarem na educação da Humanidade e criaturas inferiores costumam nele sofrer curtos ou longos períodos de exílio das elevadas comunidades a que pertencem, pela cultura e pelo sentimento, porquanto, a queda moral de alguém tanto se verifica na Terra quanto em outros domicílios do Universo”. 5 – “Os Espíritos, em seu desenvolvimento evolutivo, ligam-se, necessariamente, a determinados orbes, qual acontece com a pessoa que em determinada fase da experiência física se vincula, transitoriamente, a certa raça ou família”. 6 – “-Na imensidão dos espaços que separam dois ou mais corpos celestes vivem, também, inteligências individuais, o que é perfeitamente compreensível; basta lembrar os milhares de criaturas que atendem aos interesses de um país ou de outro nas extensões do oceano”. 7 – “-Os processos de locomoção utilizados nas migrações interplanetárias, no Plano Espiritual, são numerosos. A técnica não se relaciona a moral. Os maiores criminosos do mundo podem viajar num jato sem que isso ofenda os preceitos científicos”. 8 – “-O Umbral, expressando região inferior da Espiritualidade, pelos vínculos que possui com a ignorância e com a delinquência, começa em nós mesmos”. Questões importantes da realidade espiritual de que fazemos parte, encontram-se implícitas nesses informes. Menos a resposta sobre os Planos e Sub-Planos Espirituais. Hamilton Prado, cuja rica experiência revelamos recentemente, com base em suas vivencias, escreveu na sua obra NO LIMIAR DO MISTÉRIO DA SOBREVIVÊNCIA: “- No Universo, para mim, os mundos se escalonam em Planos Sucessivos, que se estratificam pela densidade, de tal forma que os mais atrasados, mais impregnados de eflúvios materiais, grosseiros, se acomodam mais baixo, enquanto os mais puros, mais delicados, mais etéreos se superpõem aos primeiros sucessivamente. Quando dormem os corpos ou estes se acham mortos ou inanimados por qualquer circunstância, os Espíritos deslizam para o Plano que lhes é próprio, não só porque os atraem as afinidades desse Plano, como também porque os repelem os Planos com que não se identificam seus pensamentos, emoções e tendências. É como o gás que sobe até o limite da sua densidade ou a substância mais densa que mergulha no líquido até o nível que lhe compete, ainda de acordo com a mesma Lei. Assim, da superfície do mundo, sobem para o espaço e se estratificam também para a Crosta adentro, os Planos sucessivos pelos quais o Espírito passa quando desembaraçado do corpo, até que, livre, em definitivo, pelo seu progresso, pela sua evolução moral, das gangas materiais que o revestem e imantam a substância constitutiva do seu corpo ao Plano que lhe é afim(...), possa, em definitivo, fugir das superfícies dos mundos atrasados e alçar-se a regiões mais sutis, cheias de luz, onde se inicia no estudo e compreensão metódicos da grande organização do Universo, para que se sirva depois como guia seguro das multidões de almas que se prendem ainda às regiões inferiores do Espaço”. Um eloquente exemplo – acreditamos -, de como funciona esse mecanismo deduzido e explicitado neste comentário, destacamos de farto documentário construído através de Chico Xavier, a história resumida de um Espírito identificado apenas como Josefina, constante do livro VOZES DO GRANDE ALÉM (feb). Conta ela: “-Jovem ainda, abandonada grávida pelo homem que lhe traíra a confiança, sem coragem de enfrentar a maternidade, entre o ódio e a desconfiança, soube guardar seu segredo até o nascimento de criança, que asfixiou com as próprias mãos, improvisando lhe o túmulo, vindo a desencarnar em seguida em consequência da inestancável hemorragia de que se viu acometida. Sem noção de quanto tempo se passara, desperta do torpor característico do processo de desencarne, descobrindo-se dentro da urna funerária, percebendo-se disforme, notando o sangue a fluir-lhe do baixo ventre. Reerguendo-se horrorizada, grita, aloucada, pelo socorro de parentes, clama por auxílio, até que uma voz igualmente chorosa lhe respondeu. Era outra mulher, que aos seus olhos trazia uma criança nos braços ( imagem que, na verdade, era uma forma-pensamento plasmada pelo remorso da também mãe delinquente que a transportava, desolada e infeliz), visão que a fez começar a ouvir os gemidos do bebe assassinado. Gritando estentoricamente, fugiram encontrando uma terceira mulher, não muito longe, clamando por socorro. Mais alguns passos, uma quarta companheira e, pelas ruas a fora, dentro da noite, na cidade dormente, outras mulheres em iguais condições se juntaram a elas. Alucinadas, foram conduzidas por faunos desnudos a uma casa de meretrício, onde permaneceram aprisionadas. Não sabe quanto tempo depois, foi libertada do rebanho sinistro, sendo internada num manicômio, visto que o inferno interior em que se manteve, a levou à alienação mental”. A sintonia dessas entidades pela Lei da Afinidade reunidas pelo quadro mental em que se mantinham aprisionadas pela culpa que carregavam, cremos, compunha um Sub-Plano Espiritual, circunscrito num dos Planos maiores peculiares ao Planeta em que vivemos.


Ariovaldo D’Nicolai, do Jardim Mondrian, faz a seguinte pergunta: “Existe alguma relação entre o Espiritismo e a Maçonaria?”

Ariovaldo, nos dicionários em geral encontramos o termo Maçonaria definido como uma sociedade discreta, onde suas ações são reservadas e interessam apenas aos que dela participam, ou seja, aos seus membros. A maçonaria é uma sociedade universal, cujos membros cultivam o aclassismohumanidade, os princípios  liberdadedemocraciaigualdadefraternidade aperfeiçoamento intelectual.

Como a Maçonaria está voltada para a defesa dos direitos humanos e cultivo de princípios humanitários, é nesse ponto que ela se encontra com o Espiritismo, uma vez que a Doutrina Espírita, desde a sua constituição. também proclama esses valores. No entanto, a maçonaria, firmada sobre a crença em Deus, abriga membros das mais diferentes religiões, inclusive espíritas ( é claro!), o que veio acontecendo desde que o Espiritismo chegou ao Brasil, ainda no século XIX, pois muitos espíritas e maçons estiveram, lado a lado, na luta contra a escravidão e a favor da república.

O Espiritismo é uma doutrina de bases científicas, filosóficas e de consequências morais, também chamadas religiosas. A Doutrina Espírita tem suas próprias concepções de Deus, do Universo, do Espírito, do Bem e do Mal, da imortalidade da alma e da reencarnação. A Maçonaria, que admite entre seus seguidores pessoas de todas as religiões, não se prende a concepções particulares de nenhuma religião, mas apenas na ideia de um Deus universal, capaz de abrir todas as crenças espiritualistas.

O Espiritismo chegou ao Brasil na última fase do Império, antes da proclamação da República, quando aqui havia movimentos em favor da abolição dos escravos, da separação entre Igreja e Estado (pois, até então, o Catolicismo era a religião oficial do país) e também do fim do império e proclamação da República. Como os ideais espíritas contemplam a liberdade e a participação de todos na construção do bem-comum, e a maçonaria também buscava esses ideais libertários, espiritas e maçons se uniram em determinados momentos para que a nação brasileira caminhasse em direção a essas metas.

Por isso, nessa importante fase da história brasileira, maçons, espíritas e outros movimentos sociais e políticos estiveram em ação para definir os rumos do país, sem contar que existiam maçons que também eram espíritas. Contudo, em nenhum momento Espiritismo e Maçonaria se confundiram: o Espiritismo continuou a ser Espiritismo e a Maçonaria a ser Maçonaria. Estiveram juntos, portanto, em vários momentos e em várias frentes de luta: como dissemos, pela abolição dos escravos, pela separação entre Religião e Estado e pela proclamação da República. Por essa razão, talvez, criou-se um elo de simpatia entre maçons e espíritas, mas – repetimos – o que há de comum entre as duas doutrinas são as questões de ordem social. 



sexta-feira, 19 de agosto de 2022

PRECE FUNCIONA; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

-Fui induzida a contemplar o que podemos chamar de aura da Terra. Meu guia exclamou: - Busca ver como a Humanidade se une pelo pensamento aos Planos Invisíveis. O teu golpe de vista abrangeu a paisagem, procure agora os detalhes. Fixando atentamente o quadro, notei que filamentos estranhos, em posição vertical, se entrelaçavam nas vastidões sem se confundirem. Não havia dois iguais e suas cores variavam do escuro ao claro mais brilhante. Alguns se apagavam, outros se acendiam em extraordinária sucessão e todos eram possuídos de movimento natural, sem uniformidade em suas particularidades. ‘-Esses filamentosdisse com bondade -, são os pensamentos emitidos pelas personalidades encarnadas; são reflexos cheios de vida, através dos quais podemos avaliar os cérebros que os transmitem. Aos poucos conhecerás quais são os da concupiscência, da maldade, da pureza, do amor ao próximo. Esses raros que aí vês, e que se caracterizam pela sua alvura fulgurante, são os emitidos pela virtude e quando nos colocamos em imediata relação com uma dessas manifestações, que nos chegam dos Espíritos da Terra, o contato direto se verifica entre nós e a individualidade que nos interessa’. Aguçada minha curiosidade, quis entrar em relação com um pensamento luminoso que me seduzia, abandonando todos os outros, que nos circundavam, para só fixar a atenção sobre ele. Afigurou-se-me que os demais desapareciam, enquanto me envolvia nas irradiações simpáticas daquele traço de luz clara e brilhante. Ouvi comovedora prece, vendo igualmente uma figura de mulher ajoelhada e banhada em pranto. Num átimo de tempo, por intermédio de extraordinária interfluência de pensamentos, pude saber qual a razão das suas lágrimas, das suas preocupações e como eram amargos seus sofrimentos. Sensibilizada, instintivamente enviei-lhe pensamentos consoladores, pronunciando palavras de fé e esperança. Como se houvera pressentido, via-a meditar por instante com o olhar cheio de estranho brilho, levantando-se reconfortada para enfrentar a luta, sentindo grande alívio”. O curioso depoimento pertence ao Espírito Maria João de Deus que possibilitou a reencarnação a Chico Xavier, na condição de mãe, e que, em 1935, atendendo-lhe pedido começou a escrever CARTAS DE UMA MORTA (lake), concluído no ano seguinte. Pesquisando a prece, Allan Kardec, entrevistando os Espíritos que o auxiliaram a viabilizar a obra O LIVRO DOS ESPÍRITOS, obteve, entre outras, a informação na questão 662 que “pela prece aquele que ora, atrai os bons Espíritos que se associam ao Bem que deseja fazer”, comentando que “possuímos em nós mesmos, pelo pensamento e a vontade, um poder de ação que se estende muito além dos limites de nossa esfera corpórea”. Desenvolvendo, anos depois, mais amplos raciocínios sobre a ação da prece no capítulo vinte e sete d’ O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO, Kardec escreveu que “a prece é uma invocação: por ela nos pomos em relação mental com o Ser a que nos dirigimos(...). As dirigidas a Deus são ouvidas pelo Espíritos encarregados da execução dos seus desígnios(...). O Espiritismo nos faz compreender a ação da prece, ao explicar a forma de transmissão do pensamento (...). Para se compreender o que ocorre nesse caso, é necessário imaginar todos os seres, encarnados e desencarnados, mergulhados no Fluido Universal que preenche o espaço, assim como na Terra estamos envolvidos pela atmosfera. Esse fluido é impulsionado pela vontade, pois é o veículo do pensamento, como o ar é o veículo do som, com a diferença de que as vibrações do ar são circunscritas, enquanto as do Fluido Universal se ampliam ao Infinito. Quando, pois, o pensamento se dirige para algum Ser, na Terra ou no Espaço, de encarnado para desencarnado, ou vice-versa, uma corrente fluídica se estabelece de um a outro, transmitindo o pensamento, como o ar transmite o som. A energia da corrente está na razão direta da energia do pensamento e da vontade. É assim que “a prece é ouvida pelos Espíritos, onde quer que eles se encontrem, que os Espíritos se comunicam entre si, que nos transmitem suas inspirações, e que as relações se estabelecem à distância entre os próprios encarnados”. Abordando o poder da prece diz que “está no pensamento, e não depende nem das palavras, nem do lugar, nem do momento em que é feita, podendo-se orar em qualquer lugar e a qualquer hora, a sós ou em conjunto”. Afirma que a “prece em comum tem ação mais poderosa, quando todos os que a fazem se associam de coração num mesmo pensamento e tem a mesma finalidade, porque então é como se muitos clamassem juntos e em uníssono”. Nas “reportagens” escritas através de Chico Xavier pelo Espírito conhecido como André Luiz, encontramos inúmeros ensinos a propósito da prece. Em NOSSO LAR (feb), por exemplo, quando ele vai conhecer na Colônia, a zona sob a supervisão do Ministério do Auxílio, toma conhecimento que ali, além de outras tarefas, “ouvem-se rogativas e selecionam-se preces”. Já no ENTRE A TERRA E O CÉU (feb), o Ministro Clarêncio afirma que a “prece, qualquer que ela seja, é ação provocando reação. Conforme sua natureza, paira na região em que foi emitida ou eleva-se mais, ou menos, recebendo a resposta imediata ou remota, segundo a finalidade a que se destina(...). Cada prece, tanto quanto cada emissão de força, se caracteriza por determinado potencial de frequência e todos estamos cercados por Inteligências capazes de sintonizar com nosso apelo, à maneira de estações receptoras”. André aprende existir a oração refratada, ou seja, aquela cujo impulso luminoso teve sua direção desviada, passando a outro objetivo”. Descobre existirem gráficos registrando tal emissão, captada no Templo do Socorro, existente na Colônia a nós apresentada por ele. Tal prece fora formulada por adolescente órfã, 15 anos, rogando auxílio à mãe desencarnada, supondo que ela se encontrasse junto a Deus, quando na verdade, inconformada e atormentada, ela se mantinha na invisibilidade do próprio lar que deixara compulsoriamente pelo fenômeno da morte física. Mais à frente, ouve que “a oração é o meio mais seguro para obter-se a influência espiritual que se faz através do pensamento, no canal da intuição”, sendo ainda “o remédio eficaz de nossas moléstias íntimas”, abrindo um caminho de reajuste para o que ora. A entidade cujo depoimento abriu esta postagem, no livro que escreveu, falando sobre suas atividades, revela trabalhar em distrito espiritual em que “sua especialidade é examinar as preces de encarnados, acudindo às casas de oração ou a qualquer lugar onde há um Espírito que pede e que sofre. As rogativas de cada um são anotadas e examinadas, procurando-se estabelecer a natureza da prece, seus méritos e deméritos, sua elevação ou inferioridade para poder-se determinar os socorros necessários. Até orações das crianças são tomadas em consideração: qualquer pedido, qualquer súplica, tem sua anotação particular”. 


Eis um questionamento que nos fizeram esta semana. Se o Espiritismo já tem 166 anos e só diz a verdade sobre a vida espiritual do homem, antes e depois desta vida e, se nós precisamos da verdade para tomar boas decisões e seguir em frente, por que os Espíritos não se encarregam de revelar tudo de uma vez? Muitos erros seriam evitados e a humanidade caminharia com mais segurança.

Não é tão simples assim. O Espiritismo nos informa que cada verdade vem a seu tempo, mas essa verdade não satisfaz todos os homens de uma só vez, porque nós, habitantes da Terra, estamos em diferentes níveis de compreensão da realidade. Quando a doutrina surgiu, há 160 anos, foi um número muito reduzido de pessoas que pôde captar a profundidade e a amplitude de sua mensagem; os demais não estavam preparados para isso: ou ficaram indiferentes ou combateram a doutrina, como muitos fazem até hoje.

Moisés falou para seu povo há cerca de 2.300 anos atrás, mas ele falou da forma que o povo podia entender e de acordo com os conhecimentos e a cultura da época. Só 13 séculos depois é que Jesus veio no mesmo povo trazendo uma nova revelação, assim mesmo sabendo que apenas uma minoria aceitaria de pronto sua mensagem. Não deu outra; ele foi perseguido e executado. Mas Jesus, também, não disse tudo ( e nem tinha como dizer), pois a assimilação da verdade é um processo lento e sofrido, como lenta e sofrida é a forma como aprendemos a viver. Afinal, estamos prendemos a vida toda.

Conforme Kardec explica na sua última obra, A GÊNESE, a verdade é um caminho e não uma meta definida onde vamos chegar e tudo estará esclarecido. Não. Ela vai se configurando ao longo dos séculos através das experiências dos Espíritos, porque a compreensão da verdade depende da vivência, da assimilação de conhecimentos e do aprimoramento dos sentimentos humanos. Por isso temos inúmeras encarnações. Tanto assim que ao ser indagado sobre a verdade por Pilatos, Jesus se calou. Pilatos não estava em condições de compreender a sua verdade.

Há uma teoria interessante do pesquisador suíço, Jean Piaget, que se notabilizou pelos estudos sobre aprendizagem. Ele dedicou sua vida para pesquisar como a criança aprende e percebeu que o processo de aprendizagem é semelhante ao processo do metabolismo dos alimentos pelo corpo. É por isso que não se pode dar um alimento sólido ao bebê; ele não tem condições de digerir o alimento e muito menos de assimilar seus nutrientes. Cada faixa de idade tem seus próprios alimentos e suas próprias necessidades.

O conhecimento também é assim. Há verdades para as quais nós, cidadãos do século XXI, não estamos espiritualmente preparados. Mesmo que elas nos fossem ditas hoje, não teríamos como compreendê-las e muito menos como aceitá-las. No entanto, o caminho da evolução ( Evolução é uma lei da natureza) nos leva a isso um dia – num dia que pode estar próximo, que pode estar mais ou menos distante ou muito distante, dependo do crescimento espiritual de cada um de nós. Isso também acontece com a humanidade como um todo. Há pessoas que, até hoje, acreditam que a Terra é plana; outras se acham muito além da crença comum da população.

Além do mais, precisamos analisar, do ponto de vista da verdade, os interesses que prevalecem no mundo. A humanidade terrestre, de uma maneira geral, ainda está presa aos interesses materiais e, portanto, tem dificuldade de compreender o que é espiritual. Quem fabrica armas não tem motivos para compreender a necessidade da paz. Nicodemus, por exemplo, não entendeu quando Jesus falou que é necessário nascer de novo e muitos, ainda hoje, não entendem.

Nós,Humanidade, ainda palmilhamos apenas sobre o terreno material. Aceitamos verdades práticas – ou seja, aquelas que dão resultados e vantagens imediatas, mas temos imensa dificuldade de compreender as verdades amplas e eternas, por estarmos plantados no presente. Logo, mesmo que a Espiritualidade se propusesse a promover uma revelação em massa de uma verdade, não obteria êxito, por causa dos interesses que prevalecem no mundo. É preciso esperar que a humanidade amadureça para muitas verdades, que estão ditas hoje, possam ser assimiladas.




quarta-feira, 17 de agosto de 2022

DUVIDA DE MUITOS; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Deus, Jeová, Alá, Supremo Arquiteto do Universo, Consciência Cósmica são palavras utilizadas para identificar uma única coisa: o Criador. Para não dificultar as coisas um dos maiores líderes espirituais conhecidos sugeriu chama-lo apenas Pai. Numa das edições da REVISTA ESPÍRITA, ano 1864, Allan Kardec escreveu: O Espírito no início de sua fase humana, estupido e bruto, sente a centelha divina em si, pois, adora um Deus, que materializa conforme sua materialidade”. Refletindo sobre o assunto sob esse prisma, conclui-se qual a razão de existirem tantas escolas religiosas na sociedade humana. Condicionados ao processo evolutivo, natural os homens irem criando sistemas a partir da própria percepção das possíveis explicações sobre a origem de tudo, visto cada um refletir o mundo conforme sua capacidade de entendimento. Desse modo, tudo está certo, constituindo-se as diferentes visões da Divindade, apenas degraus de acesso a uma compreensão cada vez mais aprofundada e ampla do tema. Na edição de maio de 1861, da REVISTA ESPÍRITA, numa nota de rodapé, Allan Kardec inclui uma observação em que procura responder duas questões naturais entre os que consideram a ideia de Deus uma grande mentira. A primeira delas: Como os Espíritos novos, que Deus cria, e que se destinam a um dia tornar-se Espíritos puros, depois de ter passado pela peneira de uma porção de existências e provas, saem tão imperfeitos das mãos do Criador, que é a fonte de toda perfeição e não se melhoram gradativamente senão se afastando da origem? - “Digamos para começar que a solução pode ser deduzida facilmente do que está dito, com desenvolvimento, n’ O LIVRO DOS ESPÍRITOS, sobre a progressão dos Espíritos, questões 114 e seguintes. Teremos pouco a acrescentar. Os Espíritos saem das mãos do Criador simples e ignorantes, mas nem são bons, nem maus, pois do contrário, desde a sua origem, Deus teria votado uns ao Bem e à felicidade, e outros ao mal e à desgraça, o que nem concordaria com a sua bondade, nem com a sua justiça. No momento de sua criação, os Espíritos não são imperfeitos senão do ponto de vista de desenvolvimento intelectual e moral, como a criança ao nascer, como o germe contido no grão da árvore. Mas não são maus por natureza. Ao mesmo tempo que neles se desenvolve a razão, o livre arbítrio, em virtude do qual escolhem, uns, o bom caminho, outros, o mau, faz que uns cheguem ao objetivo mais cedo que outros. Mas todos, sem exceção, devem passar pelas vicissitudes da vida corpórea, a fim de adquirir experiência e ter o mérito da luta. Ora, nessa luta uns triunfam , outros sucumbem; mas os vencidos podem sempre erguer-se e resgatar as suas derrotas. Esta questão levanta outra, mais grave, que várias vezes nos foi apresentada. É a seguinte: Deus, que tudo sabe, o passado, o presente e o futuro, deve saber que tal Espírito tomará o mau caminho, sucumbirá e será infeliz. Neste caso, por que o criou? Sim. Certamente Deus sabe muito bem a linha que seguirá um Espírito, do contrário não teria a ciência soberana; se o mau caminho a que se atira o Espírito devesse fatalmente conduzi-lo a uma eternidade absoluta de penas e sofrimentos; se, porque tivesse falido lhe fosse para sempre vedado reabilitar-se, a objeção acima teria uma força de lógica incontestável e talvez aí estivesse o mais poderoso argumento contra a dogma dos suplícios eternos; porque, neste caso, impossível é sair do dilema: ou Deus não conhece a sorte reservada à sua criatura e então não tem a soberana ciência; se a conhece, então a criou para ser eternamente infeliz e, então, não tem Soberana Bondade. Com a Doutrina Espírita, tudo concorda perfeitamente, e não há contradição: Deus sabe que um Espírito tomará um mau caminho; conhece todos os perigos de que está este semeado, mas, também, sabe que dele sairá e que apenas terá um atraso; e, na sua bondade e para lhe facilitar, multiplica em sua rota as advertências salutares, dos quais infelizmente nem sempre se aproveita. É a história de dois viajantes que querem chegar a uma bela região onde viverão felizes. Um sabe evitar os obstáculos, as tentações, que o fariam parar no caminho; o outro, por imprudência, choca-se nos mesmo obstáculo, dá quedas que o atrasam, mas chegará por sua vez. Se, em caminho, pessoas caridosas o previnem dos perigos que corre e, se por presunção, não as escuta, não será mais repreensível”.


A professora Leninha, pergunta por que é tão difícil demover pessoas de uma determinada crença, mesmo que essa crença seja ilógica e absurda e fere o mais elementar princípio de razão. Parece que, quanto mais você procura demonstrar que 1 + 1 são 2, mais ela se fecha na sua maneira de crer.

No segundo capítulo d’O LIVRO DOS MÉDIUNS, Allan Kardec trata justamente deste assunto. O capítulo tem por título “Do método”. Ele está se referindo às formas como podemos abordar conhecimentos espíritas para pessoas não-espíritas, considerando que todos nós, seres humanos, quando chegamos a um nível de conhecimento mais elaborado – como filosofia e ciência – temos uma tendência natural que querer convencer os outros de nossas verdades.

Isso acontece muito mais quando se trata de religião, pois a fé é um sentimento dos mais enraizados na alma humana, não apenas por causa da educação que recebemos nesta vida, mas muito mais pelo tipo de crença que viemos cultivando ao longo de muitas encarnações. Logo, querer demover uma pessoa de sua crença e trazê-la para a nossa é muito sério. Allan Kardec aconselha que não devemos jamais tentar fazer algo nesse sentido, quando a pessoa está bem com a sua maneira crer, quando a sua religião atende plenamente aos seus anseios e necessidades.

O Espiritismo não veio para competir com as religiões e muito menos para criar polêmicas em torno da fé. Ele veio para ajudar e não para confundir o coração das pessoas. A fé é um valor sagrado, sempre deve ser respeitada, quando se trata de uma religião respeitável e que contribui para o bem da humanidade. A Doutrina Espírita, segundo Allan Kardec, veio, sim, para aqueles que têm dúvidas quanto às suas crenças ou para aqueles que não estão satisfeitos com o caminho religioso em que foram educados e estão à procura de respostas para o sentido e os problemas da vida.

Por isso, Kardec aconselha que o espírita nunca deve tentar fazer a cabeça de ninguém. Seu papel é de informar quem quer ser esclarecido, é o de assistir àqueles que o procuram, sem cobrar ou exigir conversão religiosa de ninguém. E, desde que essas pessoas se mostrem abertas a ampliar seus conhecimentos, apresentar-lhe então a doutrina que, poderá ou não ser por elas acolhida. O espírita, em último caso, só participaria de uma polêmica, se provocado; se alguém fizer uma afirmação absurda ou injuriosa contra o Espiritismo. Neste caso, seu dever é defender seu ponto de vista e o ideal que abraça.

Logo depois do sucesso do programa Pinga Fogo na década de 1970, assistido por milhões de brasileiros, Chico Xavier foi levado a um outro programa de TV para uma entrevista. E a primeira pergunta que o entrevistador fez a ele, em tom de provocação, foi a seguinte: “Senhor Chico Xavier, muitos intelectuais e homens eminentes do mundo não acreditam no Espiritismo. O que o senhor tem a dizer sobre isso?” Com muita calma Chico esboçou um sorriso, característico de sua pessoa, e simplesmente respondeu: “É um direito que eles têm”. Não houve discussão.

Assim, Leninha, se uma pessoa nos pergunta sobre o Espiritismo, devemos responder, mas baseando-nos naquilo que ela já sabe. Neste sentido, Allan Kardec diz que se uma certa pessoa, que vem a nós, não acredita nem mesmo que tem uma alma, vamos perder tempo em falar a ela sobre Espírito. Mas, se ela já acredita na alma, fica mais fácil, partirmos da ideia que ela tem para chegar ao conceito do Espiritismo. Dependendo da pergunta que faz, podemos perceber onde ela quer chegar.

Assim, há perguntas sérias e bem intencionadas dos que realmente querem saber, mas há aqueles que escondem uma segunda intenção, apenas para provocar polêmica. Ora, o Espiritismo não acredita neste último tipo de pergunta, porque ela não tem por objetivo o esclarecimento, mas apenas o debate. E o debate em si não leva a nada, porque não contribui para as pessoas se modificarem. Quanto mais ela é contrariada, mais ela se firma em suas convicções, principalmente em matéria de fé religiosa, cujo sentimento já está cristalizado na sua alma.


terça-feira, 16 de agosto de 2022

PERIGO; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 “O que se verificou foi a hipnose por parte de criaturas desencarnadas que me seguiam e junto das quais não me furto às responsabilidades do meu gesto infeliz. A minha vontade era uma alavanca de Deus em minhas mãos(...). Ideias lamentáveis pareciam maribondos em meu cérebro, sugerindo-me pusesse termo à existência de rapaz errante, em busca de um emprego que não aparecia. Deixei-me invadir por aqueles pensamentos amargos, quando me falaram de almoço. Antes que me retirasse do trabalho, alvejei o meu próprio coração com um tiro certo”.(Wladimir Cezar Ranieri,25) / “...me via insuflada pelas inteligências sombrias...mão pesada que comandava os meus dedos. Sentia-me possuída por uma vontade que não era minha vontade e um constrangimento imbatível para a minha fraqueza com o que me hipnotizava, mostrando-me o pessimismo de quem fracassara por dentro de si mesma”.( Claudia Pinheiro Galasse, 18) / “Seu filho lhe pede perdão pelo que fez, conquanto saiba que agiu sob a pressão de inimigos invisíveis que golpearam a mente...eu fui um simples autômato para aquele ou aqueles que me indicaram o suicídio como sendo o melhor a fazer. Tinha um monte de desculpas dentro de mim”. (Dimas Luiz Zornetta, ) / “Ainda não sei que força me tomou naquela quarta-feira. Tive a ideia de que uma ventania me abraçava e me atirava fora pela janela. Certamente devia mobilizar minha vontade e impedir que o absurdo daquele momento me enlouquecesse. Obedecia maquinalmente àquela voz que me ordenava projetar-me no vácuo. Quis recuar, mudar o sentido da situação, não consegui(...). O que sei é que agi na condição de uma rã que uma serpente atraísse”. (Renata Zaccaro de Queiroz,18). Esses depoimentos fazem parte de algumas das centenas de cartas de jovens, psicografadas pelo médium Chico Xavier, ilustrando grave problema: o suicídio decorrente de influências espirituais. Desemprego, decepções amorosas, cabeça vazia são alguns fatores predisponentes à depressão que, por sua vez, abre espaço para as sugestões mentais de entidades espirituais desequilibradas ou mal intencionadas que arrastam suas vítimas para gestos extremos. O mundo não tomou conhecimento seja pelo preconceito e intolerância religiosa, mas desde meados do século dezenove uma informação altamente reveladora – entre outras -, encontra-se disponível alertando as criaturas humanas sobre os riscos a que vivem permanentemente expostas. Inclui se entre mais de 130 perguntas formuladas sobre o tema INFLUÊNCIA OCULTA DOS ESPÍRITOS SOBRE OS NOSSOS PENSAMENTOS E AÇÕES pelo educador francês conhecido como Allan Kardec aos Espíritos que o auxiliaram a compor O LIVRO DOS ESPÍRITOS. Numa delas, por sinal, a 459, a resposta é enfática: “-A influência dos Espíritos sobre nossos pensamentos e ações é maior que supondes, porque muito frequentemente são eles que vos conduzem”. Diante disso fica evidenciado que podemos ser induzidos a atitudes e comportamentos diante dos quais até nos surpreendemos. Evidente que não se trata de algo ostensivo, declarado. É sutil, discreta, quase imperceptível, já que se mistura ao fluxo inestancável de nossos pensamentos. Em sua incessante busca por respostas, Kardec reuniria outras descobertas n’ O LIVRO DOS MÉDIUNS, publicado quatro anos depois. Nele escreveu: “-Toda pessoa que sente a influência dos Espíritos, em qualquer grau de intensidade, é médium. Essa faculdade é inerente ao homem. Por isso mesmo não constitui privilégio e são raras as pessoas que não a possuem pelo menos em estado rudimentar”. Aprofundando-se no assunto, reproduziu no item 226 da mesma obra afirmação de Instrutor Espiritual segundo a qual “a faculdade propriamente dita é orgânica”. A fisiologia já sabia desde antes de Galeno sobre a existência da diminuta glândula ‘batizada’ Pineal ou Epífise, incrustrada em nossa região cerebral, desconhecendo, todavia, muito do que a Escola Mecanicista descobriria ao longo do Século Vinte. Varias correntes de estudiosos da Antiguidade - especialmente Orientais – atribuíam, porém, ela o papel de conexão com as dimensões extrafísicas hoje consideradas pela Teoria das Supercordas. René Descartes, o grande matemático e filósofo do século 17, afirmava ser a Pineal, o local de atividade da alma. Para que formemos uma ideia do que se sabe atualmente sobre a Pineal ou Epífise, alinhamos algumas de suas características: 1- Localiza-se no centro do cérebro humano; 2- tamanho: equivale a um grão de arroz ou ervilha; 3- Pesa entre 100/180 miligramas; 4- Surge 30 a 36 dias de gestação a partir de duas pequenas massas de células que se juntam; 5- Comum a todos animais vertebrados; 6- Nos répteis e aves, está próximo à pele, não precisando de interação com o olho; 7- Única parte sólida em todo o cérebro; 8- Glândula magneto-sensível; 9- comanda todas as glândulas endócrinas que controla o sistema humoral; 10- controla todo sistema circadiano, ciclos de sono e vigília, retarda processo de envelhecimento; 11- tem efeito estimulante sobre o sistema endócrino; 12- produz uma “farmacopeia” de químicos, psicoativos, regulando todas as demais glândulas e as operações cerebrais; 13- um deles, a serotonina, que como se sabe, tem grande influência no controle da atividade elétrica do cérebro, sendo que as mulheres tem maiores níveis, tendo sua produção inibida em função da luz, agindo no cérebro como indutora do sono, no coração e sistema circulatório, reduzindo formação de coágulos. Entre 1994/96 ficou demonstrada a presença de cristais de magnetita no cérebro humano, mais precisamente na Epífise e, em 2004 foi comprovado que ondas eletromagnéticas transformam-se em estímulos neuroquímicos. Descobriu-se também que cristais de apatita produzidos por sistemas biológicos vibram conforme ondas eletromagnéticas captadas; que o corpo humano está cheio de materiais magnéticos constituindo-se cada célula e átomo do corpo um pequeno dínamo magnético. Bem, sabemos que pensamento é onda e ondas são fenômenos periódicos que transportam energia, sem haver transporte de matéria. Aprendemos que a mente humana é fonte de um campo – o campo mental e que o corpo humano flutua num mar de variados campos magnéticos – da Terra, Lua, Sol e outras áreas da Galáxia. O médico Nubor Facure explica que “a pineal é sensível às irradiações eletromagnéticas, é um sintonizador dos fenômenos de comunicação mental, numa mesma faixa de vibração”. Assim sendo, ela é uma estrutura cerebral capaz de captar ondas eletromagnéticas do pensamento e decodificá-los para as demais partes do cérebro e, portanto, do organismo. Exames neurológicos (tomo/eletro) durante transe mostram que a atividade na epífise a torna uma espécie de antena que capta estímulos da alma de outras pessoas, vivas ou mortas, como se fosse um olho sensível à energia eletromagnética. O Espírito André Luiz, considera queo pensamento do espírito, antes de chegar ao cérebro físico do médium, passa pelo cérebro perispirítico, resultando daí a característica do médium, de fazer ou não o que a entidade pretende(...)A epífise capta o campo eletromagnético, impregnado de informações, sendo interpretadas em áreas cerebraisPrognostica que “é nela, na Epífise, que reside o sentido novo dos homens”... Por tudo isso, fica evidenciado que os depoimentos dos comunicantes com que abrimos esses comentários, fundamentam-se em fatos reais.


Questão apresentada pelo Anderson Lima: “Não posso entender a passagem bíblica em que Jesus matou uma figueira que não deu frutos. Essa história só reforça o egoísmo humano, que quer que a natureza atenda aos seus desejos. Além disso, não era tempo de figos e, portanto, não havia nenhuma razão para condená-la. Pior ainda é o crime ecológico dessa história.”

Lemos no evangelho de Marcos, capítulo 11, uma narrativa que conta que Jesus, juntamente com os discípulos, estando todos com fome depois de longa jornada, encontraram no caminho uma figueira. Procuraram mas não encontraram nenhum figo na árvore, mesmo porque não era tempo de figos. Jesus teria reagido com indignação e pronunciado uma maldição contra a figueira, dizendo: “Nunca jamais coma algum fruto de ti”. No dia seguinte, quando novamente passaram pela figueira, encontraram-na completamente seca.

Indagado por Pedro sobre a estranha maldição, Jesus teria falado sobre o poder da fé em Deus, reforçando a ideia de que a figueira secou em razão da força de seu pensamento ao condená-la à esterilidade. É claro que essa narrativa, se tomada ao pé da letra, não condiz com a postura ético-moral de Jesus. Pelo contrário, ela contraria em tudo seus ensinamentos, o princípio do respeito e do amor à obra de Deus, que é a natureza. Portanto, qualquer pessoa de bom senso, lendo esse trecho do evangelho de Marcos, vai perceber, que não deve se tratar de um caso real.

Possivelmente, o ensinamento nele contido, em que Jesus quis realçar o poder da fé, deve ter sido transmitido em forma de parábola. Parábolas são histórias curtas e simples, que realçam um ensinamento moral. Jesus deve ter contado alguma parábola para ilustrar seus ensinos e que, posteriormente, foi lembrada pelo discípulo como tivesse sido real. Só assim podemos explicar a história da figueira que secou. Jesus, na sua elevação espiritual, jamais poderia agir com tanta violência e impiedade contra uma árvore, dela exigindo o que não poderia dar.

É por isso, Anderson, que devemos ler os textos bíblicos com cautela, usando ao mesmo tempo a razão e o bom senso antes mesmo de usar a fé, pois a fé sem a razão é como andar sem rumo num terreno desconhecido. Jesus foi a mais elevada expressão do amor sobre a Terra. Nada do que disse ou viveu pôde comprometer a grandiosidade espiritual de sua doutrina, pois quem pediu a Deus que perdoasse seus próprios algozes só podia ser um Espírito da mais elevada expressão de amor, que amava profundamente as obras de Deus.

A figueira, dentro da concepção espírita, representa um ensinamento, que é trazido aos homens, e que pode ser bem ou mal assimilado. O fato de não produzir frutos no momento propício – ou seja, no momento em que as pessoas mais precisam – significa que ela não cumpre o seu papel e, portanto, não merece prosperar. Desse modo, as doutrinas que não atendem às necessidades humanas, que não se fazem presentes no momento em que as pessoas mais precisam, embora alardeiem serem donas da verdade, acabarão morrendo como figueira.

Outra coisa a que se refere a parábola é o poder da fé. Evidentemente, a fé não é uma força mágica ou milagrosa como muita gente pensa. Ela é um poder irradiador do pensamento, que nos abre um caminho para que possamos alcançar um objetivo. Desde que nos sintamos fortalecidos nessa fé e percorramos esse caminho – que, na maioria das vezes, é espinhoso e difícil – atingiremos nossa meta, razão pela qual a fé é a primeira condição para chegarmos ao ponto que desejamos atingir.


segunda-feira, 15 de agosto de 2022

PORQUE NÃO PRECISA SER MÉDIUM OSTENTIVO; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 A maioria dos seres humanos ignora, mas, como explicado e provado pelas pesquisas desenvolvidas por Allan Kardec, “muitas das situações observadas nos comportamentos da criatura humana tem sua fonte na reação incessante que existe entre o Mundo Visível e o Invisível, que nos cerca, e em cujo meio vivemos, isto é, entre os homens e os Espíritos, que não passam de almas dos que viveram e entre os quis há bons e maus. Esta reação é uma das forças, uma das leis da natureza, e produz uma porção de fenômenos psicológicos e morais incompreendidos, porque a causa era desconhecida. O Espiritismo nos deu a conhecer esta lei, e, desde que os efeitos são submetidos a uma lei da natureza, nada tem de sobrenatural. Vivendo no meio desse mundo, que não é tão imaterial quanto o imaginam, uma vez que esses seres, embora invisíveis, tem corpos fluídicos semelhantes aos nossos, nós sentimos sua influência. A dos bons Espíritos é salutar e benéfica; a dos maus é perniciosa como o contato das criaturas perversas na sociedade”. Em artigo com que abre a edição de janeiro de 1863, da REVISTA ESPÍRITA, Allan Kardec esclarece como é possível aos Espíritos desencarnados exercer influência sobre o indivíduo, sem que este tenha consciência disso ou seja médium desenvolvido. Explica ele: - Pela natureza fluídica e expansiva do períspirito (corpo espiritual), Espírito atinge o indivíduo sobre o qual quer agir, rodeia-o, envolve-o, penetra-o e o magnetiza. O homem que vive em meio ao Mundo Invisível está incessantemente submetido a essas influências, do mesmo modo que às da atmosfera que respira. Elas se traduzem por efeitos morais e fisiológicos, dos quais não se dá conta e que, frequentemente, atribui a causas inteiramente contrárias. Essa influência difere, naturalmente, segundo as boas ou más qualidades do Espírito. Se ele for bom e benevolente, a influência será agradável e salutar; é como as carícias de uma terna mãe, que toma o filho nos braços. Se for mau e perverso, será dura, penosa, de ânsia e por vezes perversa: não abraça, constringe. Vivemos num oceano fluídico, incessantemente a braços com correntes contrárias, que atraímos, ou repelimos, e às quais nos abandonamos, conforme nossas qualidades pessoais, mas em cujo meio o homem sempre conserva seu livre arbítrio, atributo essencial de sua natureza, em virtude do qual pode sempre escolher o caminho. Como se vê, isto é inteiramente independente da faculdade mediúnica, tal qual esta é vulgarmente compreendida. Estando a ação do Mundo Invisível na ordem das coisas naturais, ela se exerce sobre o homem, independentemente de qualquer conhecimento espírita. Estamos a elas submetidos como o estamos à ação da eletricidade atmosférica, mesmo sem saber física, como ficamos doentes, sem conhecer Medicina. Ora, assim como a física nos ensina a causa de certos fenômenos e a Medicina a de certas doenças, o estudo da ciência espírita nos ensina a dos fenômenos devidos às influências ocultas do Mundo Invisível e nos explica o que, sem isto, parecerá inexplicável. A mediunidade é o meio direto de observação. O médium – permitam-nos a comparação – é o instrumento de laboratório pelo qual a ação do Mundo Invisível se traduz de maneira patente. E, pela facilidade oferecida de repetição de experiências, permite-nos estudar o modo e as nuanças desta ação. Destes estudos e observações nasceu a ciência espírita. Todo indivíduo que, desta ou daquela maneira, sofre a influência dos Espíritos, é, por isto mesmo, médium. Por isso mesmo pode dizer-se que todo o mundo é médium. Mas é pela mediunidade efetiva, consciente e facultativa, que se chegou a constatar a existência do Mundo Invisível e, pela diversidade das manifestações obtidas ou provocadas, que foi possível esclarecer a qualidade dos seres que o compõem e o papel que representam na natureza. O médium fez pelo Mundo Invisível o mesmo que o microscópio pelo mundo dos infinitamente pequenos. É, pois, uma força nova, uma nova energia, uma nova lei, numa palavra, que nos foi revelada. É realmente inconcebível que a incredulidade repila mesmo a ideia, por isso que esta ideia supõe em nós uma alma, um princípio inteligente que sobrevivem ao corpo. Se se tratasse da descoberta de uma substância material e não inteligente, seria aceita sem dificuldade. Mas uma ação inteligente fora do homem é para eles superstição. Se, da observação dos fatos produzidos pela mediunidade, remontarmos aos fatos gerais, poderemos, pela similitude dos efeitos, concluir pela similitude das causa”.


Como evitar que nossos filhos se envolvam com drogas? Pergunta Tatiane Duarte Viera, após relatar o caso de uma mãe que está vivendo essa situação, mas que nunca se interessou por religião; somente, agora, quando o grave problema aconteceu na família é que ela se filiou a um grupo religioso.

Como sempre afirmamos, Tatiane, a educação é a missão mais difícil do mundo. Os Espíritos, que reencarnam em nossa casa, vêm para os nossos braços para que assumamos o compromisso de educá-los para a vida. Mas, a princípio, não sabemos quem são, de modo que nosso dever, como país, é iniciar esse processo de educação o mais cedo possível, de preferência até antes que eles nasçam.

Ainda temos muito a aprender nessa área de atuação, mas só vamos aprender mesmo se observamos como a educação da família veio ocorrendo ao longo das gerações anteriores, o que os pais fizeram ou deixaram de fazer, diante dos resultados colhidos. Se os pais de hoje estiverem mais atentos para esta questão tão importante, eles começarão a se educar a si mesmos como pais e como pessoas de bem, mesmo antes que seus filhos venham ao mundo.

Nesse particular, todo cuidado é pouco, Tatiane. Mas, se esses pais estiverem realmente atentos ao velho ditado, “ninguém dá o que não tem”, eles decidirão por se tornarem melhores, mais responsáveis, mais cuidadosas, mais compromissados com a vida, pois saberão que seus filhos tenderão a seguir esse mesmo caminho. É claro que os pais querem sempre o melhor para seus filhos, mas é preciso ver o que eles têm a oferecer nesse sentido.

Mesmo preparados encontrarão dificuldades. Ainda assim, conhecerão muitos tropeços, pois dependendo do Espírito, que precisam educar, poderão encontrar séria resistência e até forte oposição. Talvez se essa mãe, que você menciona, tivesse buscado Deus antes de lhe acontecer o envolvimento do filho com drogas - mas quando ele ainda era criança - ela teria prevenido a situação que hoje sofre para enfrentar. Os ensinamentos morais da religião, quando os pais procuram ser fiéis ao que ensinam, representam importante preventivo contra futuros problemas.

No entanto, Tatiane, as drogas constituem um caso à parte. Elas vieram justamente para desencaminhar nossas crianças e adolescentes, principalmente os adolescentes, porque a adolescência é a idade da rebeldia e é nessa fase que os indivíduos querem fazer de tudo para se sentirem importantes para si mesmos e para os outros, e acabam muitas vezes abraçando o que não devem, acreditando em fórmulas mágicas e ilusórias. Contra isso, precisamos nos precaver com muito cuidado, pois temos um inimigo poderoso à frente.

No âmbito do lar, o que os pais podem fazer é criar um ambiente de entendimento e de paz, onde predomine o diálogo, começando cedo, quando a criança aprende a ouvir histórias de elevado valor moral. Abolir de casa toda espécie de grosseria, de vício e de palavrões, usar uma linguagem sadia, falar de assuntos agradáveis, cantar e festejar momentos de alegria. A criança precisa aprender a amar o seu lar e a sua família, a confiar nos pais, mesmo quando eles lhe ensinam a obedecer limites.

Falávamos o quanto o sentimento religioso pode ser importante, se conduzido com habilidade, para que possa fortalecer na criança a sensação de segurança e de liberdade em direção a Deus . Logo, o exemplo deve vir dos pais. Eles devem estar à frente, na palavra e na conduta. Mas se, por exemplo, eles cultivam o hábito de fumar e de consumir bebidas alcoólicas, que autoridade poderão ter de proibir que os filhos façam o mesmo!

Ser pai e mãe é, de alguma forma, sacrificar os próprios impulsos negativos para alcançar um estágio mais elevado de aprimoramento espiritual. Se conseguirem com que seus filhos se sintam bem com os pais que têm, se sintam seguro no âmbito da família, amando e sendo amados, dificilmente serão arrastados para o perigoso mundo da viciação e das drogas.


domingo, 14 de agosto de 2022

A ESCRAVIDÃO NO BRASIL E A LEI DE CAUSA E EFEITO ; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Foram 300 anos de exploração, violência, dores e amores que, certamente, gerou não só dívidas coletivas, mas também individuais para os pioneiros que ajudaram a construir a nação brasileira. Historiadores, por outro lado, consideram que o braço cativo foi o elemento propulsor da nossa economia. Caçados, aprisionados, transportados acorrentados em porões de navios infectos, vendidos em lotes ou individualmente como mercadoria a que se atribuía valor pela dentição ou massa muscular, tratados como animais capazes de gerar crias, castigados cruel e selvagemente, às vezes morriam em função das agressões físicas a que eram submetidos. Fêmeas, como eram tratadas, vítimas de estupros, tinham seus filhotes separados para venda, mal nasciam. Oriundos do Continente Africano estima-se chegassem ao Brasil em torno de 130 mil anualmente, procedentes de Luanda e Benguela, Congo, Guiné Moçambique. Entre seis e nove milhões em três séculos. Como sabemos, a interpretação da Lei de Causa e Efeito explica que além das transgressões cometidas pelo indivíduo, há aquelas que podem ser assumidas por uma família, uma nação, uma raça, ao conjunto de habitantes dos mundos, os quais formam individualidades coletivas.. A mediunidade em nossa Dimensão, tem contribuído para o reequilíbrio de muitas criaturas presas a fatos por elas gerados durante a referida época. Na incalculável legião de necessitados que o abordaram ao longo das décadas em que serviu ao próximo em nome do Espiritismo, Chico Xavier, se fez instrumento para que muitos casos dolorosos e enigmáticos pudessem ser avaliados sob a ótica de Lei de Causa e Efeito. Dentre os que ficaram registrados em livro, selecionamos alguns, que apresentaremos começando pelo Efeito, remontando a Causa. CASO 1 – EFEITO – Menino, 10 anos, mudo, conduzido pela mão pelo pai, acometido por convulsões intermitentes epilépticas. CAUSA – Ações em encarnação anterior, em que ele, senhor de escravos, se comprazia em exercitar sua crueldade na boca dos cativos, aplicando ferro em brasa na boca dos coitados. Os acessos que tem são provocados pelo aflorar das lembranças das surras e castigos impostos aos escravos. CASO 2 – EFEITO – Mulher, cujo corpo era acometido de estranha moléstia que lhe impunha constantes cirurgias pelo aparecimento nos tendões nervosos, vermes, provocando-lhe dores atrozes, até serem extraídos pelas operações. CAUSA - Em vida passada, rica fazendeira, ao perceber a atração de seu marido por escrava moça recem comprada, roída pelo ciúme, a enclausurou num dos quartos da Fazenda, em lugar ermo, deixando-a morrer de fome e sede. Localizado o quarto, dias depois, pelo mau cheiro exalado, aberta a porta, foi encontrado o corpo da bela escrava todo coberto de vermes. CASO 3 – EFEITO – Homem, braço direito deformado com uns babados de carne mole, arroxeada, esquisita, mais parecendo um açoite enrolado, cheio de nós. CAUSA – Ações praticadas em encarnação anterior em que na condição de capataz, açoitou uma infinidade de escravos, levando muitos ao desencarne, por sua impiedade. Na existência atual, traz no braço o que lhe está no Espírito, um eco dos açoites irados que deu, impondo sofrimentos indescritíveis nas suas vítimas, que experimentará com o endurecimento gradual dos tais babados que se converterão num câncer que o ajudará a se livrar da culpa que carrega.CASO 4 – EFEITO - Três moças tratadas nos trabalhos de desobsessão no Centro Espírita Luiz Gonzaga, em Pedro Leopoldo (MG), uma das quais tinha o estranho hábito de mastigar vidros, o que deixava os anfitriões que as hospedavam em sua casa, assustados e preocupados. CAUSA – Tratamento impiedoso aplicado a escravos de sua propriedade em vida anterior. Como ”Sinhás” da fazenda, usavam a força e o poder através de cruéis capatazes. Uma delas, por motivo fútil, fez enterrar um escravo – o Espirito que se manifestava – deixando apenas a cabeça de fora, mandando a besuntassem com mel, a fim de atrair insetos, onde permaneceu sozinho, em intermináveis sofrimentos, até encontrar a morte. Nas horas finais, em desespero ele clamava: “- Sinhá! Se existe alma depois desta vida, eu vou me vingar”, convertendo-se a jura, atualmente, na forte obsessão que acometera as três jovens...


Benê Varonelli, ficou estarrecido com um fato divulgado pela mídia e pede comentário sobre o caso de um casal de americanos que mantiveram seus 13 filhos em cativeiro, e que somente foram descobertas porque a filha de 17 anos conseguiu fugir e avisar a polícia. Segundo essas informações, havia violência contra as crianças (algumas foram encontradas amarradas), falta de higiene, restrição a alimentos, e o estado dos menores era deplorável, prevalecendo casos de subnutrição que comprometeram o desenvolvimento normal dessas crianças, sendo que os pais sempre conseguiram passar para os vizinhos a imagem de uma família normal e feliz.

Trata-se evidentemente de um caso assustador, desses que geralmente vemos em filmes de terror, por excesso de imaginação e sadismo dos autores. Contudo, esse fato, a que o Varonelli se refere, foi real, aconteceu de verdade numa cidade da Califórnia, Estados Unidos. A polícia ainda investiga mais a fundo essa intrigante situação, que tanto abalou os Estados Unidos como o mundo todo. Portanto, Benê, sabe-se ainda muito pouco sobre os motivos que levaram esses pais a agir dessa forma, havendo forte suspeita de que eles devem ser portadores de algum transtorno mental muito grave.

Fala-se também que esses pais são religiosos e que a forma violenta e cruel com que trataram seus filhos tem a ver com alguma revelação divina que eles dizem ter recebido, fato que torna a situação ainda mais complicada. Referindo-se ao fanatismo religioso, Sigmund Freud, o pai da Psicanálise, afirmava que a ilusão religiosa pode levar individuo a delírios psiquiátricos. Tempos atrás a imprensa noticiou que um casal da Colômbia permaneceu com o cadáver do filho em casa por vários dias, na certeza de que ele ressuscitaria por graça de Jesus. O caso foi descoberto quando os vizinhos, sentido o mal cheiro que exalava da casa, estranharam a situação e chamaram a polícia.

Freud, no entanto, não estava com toda a razão. O problema não está propriamente na religião em si que as pessoas abraçam para cultivar a sua fé, mas, sim, na forma como essa religião pode ser vista, sentida e vivenciada – às vezes, mal conduzida pelos seus líderes. Há pessoas, que já trazem propensão para manifestar determinados distúrbios de comportamento que, em alguns casos, podem ser perigosos, desenvolvendo o que chamamos de fanatismo ou fundamentalismo religioso, capaz de praticar crimes e até provocar guerras, como temos percebido ultimamente no cenário mundial.

Voltando ao caso da família americana, Varonelli, tudo faz crer que realmente há algo de muito errado e perigoso no comportamento desse casal americano, como qualquer pessoa de bom senso pode perceber. Mas, alguém poderia perguntar? Será que eles não são vítimas de uma obsessão espiritual ou de um espírito maligno segundo algumas crenças? Essa atuação espiritual, de fato, existiu, até porque tudo o que fazemos de bom na vida tem uma proteção superior ( não temos dúvidas sobre isso) e todo mal que fazemos é estimulado e sustentado por influências espirituais inferiores, que estimulam os maus pendores humanos.

No entanto, é preciso entender que a iniciativa da prática do mal é sempre nossa, dos encarnados, e que os desencarnados mal intencionados apenas aproveitam nossas tendências. Logo, ninguém é vítima inocente.

Este é um ponto importante na Doutrina Espírita: entender o mecanismo das obsessões a partir de nossas decisões e tendências pessoais. Toda obsessão começa com uma auto-obsessão, ou melhor dizendo, os Espíritos mal intencionados só atuam sobre nós se dermos permissão, se facilitarmos a vazão de nossos sentimentos inferiores, entrando em sintonia mental com eles. Caso contrário, seriamos sempre suas vítimas indefesas, o que não é o caso. Desse modo, o mérito ou a culpa dos atos de praticamos é sempre nosso, dos encarnados.



E se esses pais são doentes? – alguém mais perguntaria. E se eles já trazem consigo do passado, de outra encarnação, via código genético por exemplo, esses distúrbios de comportamento, capazes de torná-los frios e insensíveis às necessidades dos filhos? Neste caso, diríamos, também existem causas do passado, onde certamente todos eles (pais e filhos) se comprometeram uns com os outros, a ponto de estimular tais tendências. E o fato desses 13 Espíritos serem filhos desses pais também estaria vinculado a experiências anteriores, onde provavelmente estiveram juntos em situações de conflito e extrema violência.

Entretanto, Benê, rápida e superficial análise poderia tomar outros rumos, a partir de novas informações da situações de que se revestiram o fato. O que estamos afirmando aqui é apenas com base na Lei de Causa e Efeito, e no fato de sabermos que, independente disso, todos somos filhos de Deus e, portanto, todos somos amados pelo Pai que, através de Jesus, nos recomendou que amássemos até mesmo os nossos inimigos.