Compartilhamento de informações reveladoras disponibilizadas pelo Espiritismo ampliando nosso nivel cultural
faça sua pesquisa
segunda-feira, 7 de maio de 2018
domingo, 6 de maio de 2018
ATUALISSIMO
Abrindo a pauta da REVISTA ESPÍRITA de novembro de 1859, Allan Kardec apresenta
interessante matéria intitulada “DEVEMOS
PUBLICAR TUDO QUANTO OS ESPÍRITOS DIZEM?” que se mostra atualíssima,
especialmente diante da profusão de títulos que disputam lugar nos expositores
das livrarias ou catálogos de editoras e distribuidoras, demonstrando acirrada
disputa por qual apresenta “revelações”
ou “novidades” mais originais. Como
livros espíritas se tornaram até meio de vida, revisões doutrinárias ou
fundamentadas no bom senso, inexistem. O alvo é um público ávido por conteudos
que chegam a ser estapafúrdios. As ponderações de Kardec sugerem reflexões. Diz
ele: “- Esta pergunta nos foi dirigida por um dos nossos correspondentes.
Respondemo-la da maneira seguinte: Seria bom publicar tudo quanto dizem e
pensam os homens? Quem quer que possua uma noção do Espiritismo, por
superficial que seja, sabe que o mundo invisível é composto de todos aqueles
que deixaram na Terra o envoltório visível. Despojando-se, porém, do homem
carnal, nem todos se revestiram, por isso mesmo, da túnica dos anjos. Há
Espíritos de todos os graus de conhecimento e de ignorância, de moralidade e de
imoralidade – eis o que não devemos perder de vista. Não esqueçamos que entre
os Espíritos, assim como na Terra, há seres levianos, desatentos e brincalhões;
falsos sábios, vãos e orgulhosos, de um saber incompleto; hipócritas, malévolos
e, o que nos parecia inexplicável, se de algum modo não conhecêssemos a
fisiologia desse mundo, há sensuais, vilões e crapulosos que se arrastam na
lama. Ao lado disto, sempre como na Terra, temos seres bons, humanos,
benevolentes, esclarecidos, de sublimes virtudes. Como, entretanto, nosso mundo
não está na primeira nem na última posição, embora mais vizinho da última que
da primeira, disso resulta que o mundo dos Espíritos abrange seres mais
avançados intelectual e moralmente que nossos homens mais esclarecidos, e
outros que ainda estão abaixo dos homens mais inferiores. Desde que esses seres
têm um meio patente de comunicar-se com os homens, de exprimir seus pensamentos
por sinais inteligíveis, suas comunicações devem ser um reflexo de seus
sentimentos, de suas qualidades ou de seus vícios. Serão levianas, triviais,
grosseiras, mesmo obscenas, sábias, científicas o sublimes, conforme seus
caráter e sua elevação. Revelam-se por sua própria linguagem. Daí a
necessidade de não aceitar cegamente tudo quanto vem do mundo oculto, e
submetê-lo a controle severo. Com as comunicações de certos Espíritos, do
mesmo modo que com os discursos de certos homens, poder-se-ia fazer uma
coletânea muito pouco edificante(...). Ao lado dessas comunicações francamente
más, e que chocam qualquer ouvido um pouco delicado, outras há que são
simplesmente triviais ou ridículas (...). O mal é dar como sérias, coisas que
chocam o bom senso, a razão e as conveniências. Nesse caso, o perigo é maior do
que se pensa. Para começar, tais publicações tem o inconveniente de induzir em
erro as pessoas que não estão em condições de examiná-las e discernir entre o
verdadeiro e o falso, principalmente numa questão tão nova como o Espiritismo.
Em segundo lugar, são armas fornecidas aos adversários que não perdem a
oportunidade para tirar deste fato argumentos contra a alta moralidade do
ensino espírita; porque, diga-se mais uma vez, o mal está em apresentar
seriamente coisas que são notórios absurdos (...). As pessoas que estudaram a
fundo a ciência espírita sabem qual a atitude que convêm a este respeito. Sabem
que os Espíritos zombeteiros não tem o menor escrúpulo de enfeitar-se com nomes
respeitáveis. Mas sabem também que esses Espíritos só abusam daqueles que
gostam de se deixar abusar, que não sabem ou não querem esclarecidas suas
astúcias pelos meios já conhecidos (...). Os Espíritos vão aonde acham
simpatia e onde sabem que serão ouvidos (...).Publicar sem exame, ou sem
correção, tudo quanto vem dessa fonte, seria, em nossa opinião, dar prova de
pouco discernimento
sábado, 5 de maio de 2018
REINO DOS CÉUS E CULPA
O professor José
Benevides Cavalcante (FUNDAMENTOS DA DOUTRINA ESPÍRITA, eme) esclarece
as dúvidas de dois leitores: REINO DOS
CÉUS Li na Bíblia que certa vez, Jesus falou que as
meretrizes e os publicanos entrariam primeiro no Reino dos Céus. Neste caso,
Jesus não está aprovando o pecado em lugar de combatê-lo? Podemos ler os
Evangelhos de várias maneiras. O Espiritismo nos recomenda uma leitura crítica,
ou seja, uma leitura atenta e racional, pela qual possamos examinar o texto sob
os mais diversos ângulos, considerando a doutrina moral de Jesus, o povo a que
pertencia e a cultura de seu tempo. Esse tipo de leitura nos leva a ver Jesus
como um “demolidor de preconceitos”. Se você já leu todos os Evangelhos,
certamente pode verificar que Jesus importunou os fariseus com as suas
colocações e o fez de maneira acintosa e muito bem pensada. Ele combatia,
sobretudo, a hipocrisia, pois as pessoas que se diziam religiosas achavam que
“fazer a vontade de Deus” era simplesmente cumprir com as obrigações do
“culto”, satisfazer as exigências dos sacerdotes, frequentar as sinagogas e o
templo, guardar o sábado, observar o jejum , oferecer sacrifícios – essas
coisas, que as religiões, de um modo geral, costumam estabelecer para os seus
adeptos, Jesus no entanto, não vê essa prática liturgica como a verdadeira religião
ou seja, como religação do homem com Deus. Para ele, religiosidade é pensar,
falar e agir com amor em relação ao próximo, ou seja, praticando o Bem,
exercitando a caridade, com o fez o samaritano da parábola. A prática religiosa
convencional é mero formalismo. Por isso, insistia em chocar os fariseus com as
suas atitudes e afirmações, curando no sábado, defendendo a prostituta,
protegendo os doentes e mendigos, deixando-se levar pela meretriz, exaltando o
publicano e o samaritano, porque esses eram os discriminados daquela sociedade,
os pecadores, contra quem recaiam toda condenação do farisaísmo dominante e
opressor. Com isso demostrava que não tinha preconceito contra quem quer que
fosse e que o essencial na vida das pessoas não como elas se apresentam por
fora e como são vistas pela sociedade, mas como elas são por dentro, ante a
própria consciência. Daí o “não julgueis”, porque só Deus conhece o intimo de
cada um e de seus filhos e o Ser Perfeito pode fazer sobre eles o verdadeiro e
único julgamento CULPA Por que muitos
Espíritos, talvez a maioria, se sentem culpados, depois da desencarnação? Porque
sentem que não fizeram o que deviam ter feito em vida ou fizeram o que fazer
não deviam. A desencarnação nos desveste não só da roupagem física, mas pode
nos desvestir também de alguns valores menos dignos que alimentavamos na Terra.
Muitas pessoas só vão valorizar seus familiares, seus amigos, sua coletividade,
quando se veem do outro lado da vida, quando sentem que perderam a oportunidade
de conviver bem e de desfrutar da companhia daqueles que lhe são caros. Nunca
lhes dirigiram uma palavra de aprovação ou de carinho, nunca lhes estendeu a
mão ou lhes deu um abraço, nunca os apoiaram ou os ajudaram em algum empreendimento.
De repente, percebem que perderam tudo e aí vêm o remorso, o sentimento de
culpa, a ideia de Deus, a concepção de uma vida eterna e um julgamento
implacável desfere de sua consciência contra elas mesmas. Então explode o
desespero, muitas vezes, por sentirem que já entraram na eternidade das penas,
pois começam a sofrer e não sabem quando tudo termina. A desencarnação, quer
queiramos ou não, reserva-nos algumas surpresas desagradáveis. Por isso, seria
bom que começássemos a nos reformular ainda hoje, passando a pôr em prática
tudo aquilo que a nossa consciência moral nos tem mandado fazer, malgrado a
nossa desobediência. Os recém-desencarnados costumam ser educados e dóceis para
com os seus, porque, cientes da grande oportunidade que deixaram escapar,
querem fazer agora por eles tudo o que não fizeram quando estavam na Terra.
quarta-feira, 2 de maio de 2018
terça-feira, 1 de maio de 2018
domingo, 29 de abril de 2018
AS QUESTÕES DA FAMILIA
As aceleradas mudanças pelas quais passa o Planeta
e a sociedade humana provoca crises em todos os setores, entre os quais a
família. Distanciada progressivamente do seu lado espiritual, entregue às
influências do materialismo e consumismo, efeitos como o suicídio se acentuam
inclusive entre adolescentes. Na sequência alguns pontos sob a ótica do
Espiritismo para reflexões. Partimos d’ O LIVRO DOS
ESPÍRITOS ampliando com uma avaliação do Espírito Emmanuel
através de Chico Xavier: Qual
seria, para a sociedade, o resultado do relaxamento dos laços de família? – Uma recrudescência do egoísmo. (LE,775) Será contrário à lei da Natureza o casamento, isto é, a união
permanente de dois seres? - É um progresso na marcha
da Humanidade. (LE,695) Que efeito teria
sobre a sociedade humana a abolição do casamento? - Seria uma regressão à vida dos animais. (LE,
696) O
estado de natureza é o da união livre e fortuita dos sexos. O casamento constitui
um dos primeiros atos de progresso nas sociedades humanas, porque estabelece a
solidariedade fraterna e se observa entre todos os povos, se bem que em
condições diversas. A abolição do casamento seria, pois, regredir à infância da
Humanidade e colocaria o homem abaixo mesmo de certos animais que lhe dão o
exemplo de uniões constantes. (696;
nota) Os
laços de sangue não determinam necessariamente os laços espirituais. O corpo
gera o corpo, porém o Espírito não é gerado pelo Espírito, porque já existia
antes da gestação do corpo. Não foram os pais que geraram o Espírito de seu
filho, eles apenas forneceram-lhe um corpo carnal. Além disso, devem ajudá-lo
no seu desenvolvimento intelectual e moral para fazê-lo progredir. Frequentemente,
o Espírito renasce no mesmo meio em que já viveu, estabelecendo de novo
relações com as mesmas pessoas, a fim de reparar o mal que lhes haja feito. Se
reconhecesse nelas os a quem odiara, quiçá o ódio lhe despertaria outra vez no
íntimo. De todo modo, ele sentiria humilhado em presença daquelas a quem
houvesse ofendido. (ESE;5:11) Relacionamentos iniciados pela
atração visual/sexual geralmente resultam complicados. Como explicar isso? Todos os problemas da vida afetiva serão
devidamente aclarados quando o conhecimento da reencarnação for concebido na
base da regra áurea. Faremos a outrem, nos domínios
afetivos, aquilo que desejamos se nos faça. Isso porque de tudo o
que doarmos ao coração alheio recolheremos de volta. O amor em
sua luminosa liberdade é independente em suas escolhas e manifestações; no
entanto, obedece igualmente ao princípio: “Livre na sementeira e escravo na
colheita”. Em muitas ocasiões, o rival que abatemos, de um modo
ou de outro, induzindo-o a desencarnação, é o filho que a vida e o tempo nos
colocam nos braços, a cobrar-nos em abnegação e renúncia a assistência e a
proteção que lhe devemos; o jovem ou a jovem que furtamos dos braços de nossos
filhos, considerando-os indignos de nossa equipe doméstica, impondo-lhes,
direta ou indiretamente, a morte do corpo físico, voltam na condição de netos,
em muitas circunstâncias, compartilhando-nos o leito e a vida; a criança
nascitura que arrojamos à vala do aborto desnecessário e que deveria nascer e
crescer para o desenvolvimento da afetividade pacífica, entre os nossos
descendentes, costuma encontrar novo berço em nosso clima social, reaparecendo
na condição do homem ou da mulher que, mais tarde, nos aborda a organização
familiar exigindo-nos pesados tributos de aflição; as criaturas que enganamos,
no terreno do afeto, em outras estâncias, habitualmente retornam até nós por
filhos--problemas, reclamando-nos atenção e carinho constantes para o reajuste emocional
que demandam. Frustrações, conflitos, vinculações extremadas e aversões
congênitas de hoje são frutos dos desequilíbrios afetivos de ontem a nos
pedirem trabalho e restauração. É possível haja longa demora na
aceitação geral da verdade por parte dos agrupamentos humanos, em nos
reportando ao mundo genésico. Dia virá, porém, no qual todas as
criaturas compreenderão que o Espírito, onde estiver, conforme aquilo que
plante, em matéria de afetividade, isso também colherá.
sexta-feira, 27 de abril de 2018
quarta-feira, 25 de abril de 2018
terça-feira, 24 de abril de 2018
RELIGIÃO E POLÍTICA
O tema é sempre
atual e o professor José Benevides Cavalcante (FUNDAMENTOS
DA DOUTRINA ESPÍRITA,eme) apresenta a seguir sua
visão sobre o mesmo a partir do questionamento de um leitor::“Porque a religião
e a política se parecem tanto? Há guerra entre os partidos e como as guerras
entre as diversas religiões, cheia de paixão e ódio e acusações...” Porque elas têm praticamente a mesma origem e sempre
estiveram lutando pelo poder. Aliás numa retrospectiva da História, vamos
perceber que a religião antecedeu em muito a política. Na pré-história, o poder
está nas mãos do “feiticeiro”, o homem que fala com os Espíritos ou Deuses e
que pode ter acesso ao conhecimento do sobrenatural, que conhece o futuro das
pessoas e da própria tribo, os métodos de cura e os ministérios da natureza:
ele tem o poder (porque tem o conhecimento) e por isso, é sempre ouvido
respeitado e temido, mesmo pelo chefe que lhe atende as mais absurdas
recomendações. As grandes nações da História antiga são teocracias, visto que
governadas por homens que se intitulam Deuses ou se arvoram em detentores da
ordenação divina, como os faraós do Egito rodeados pelos sacerdotes. Ou mesmo
Moisés, o chefe dos hebreus, escolhido pelo seu deus Iavé. O absolutismo, poder
político concentrado na vontade do homem, o rei, por largo tempo passa a noção
de que o soberano representa a própria vontade de Deus. A Igreja Católica desde
a oficialização do Cristianismo como religião do Estado Romano no século IV,
sempre exerceu esse poder de forma opressora, tendo nas mãos soberanos QUE LHE
PRESTAM CEGA OBEDIÊNCIA. O triste episódio da Santa Inquisição, verdadeiro
holocausto em nome da fé, mostra quanto foi opressor o poder da religião
intolerante, que perseguiu torturou e matou durante séculos, milhares de
pessoas que discordavam de sua linha de pensamento ou ousavam desagradar o
clero. Tão forte é o poder político da religião que ainda hoje, ano 2000, temos
estados governados por chefes religiosos, caso do Irã (governado pelo Aiatolá),
onde a intolerância é marca indispensável desse poder, promovendo verdadeiro
regime do terror. O Brasil até antes da república tinha como religião oficial o
Catolicismo Romano (como Portugal o tem até hoje), onde uma religião gozava de
todos os privilégios em prejuízo das outras, exercendo sozinha decisiva
influência em todas as questões de interesse social. Mesmo em nosso dias,
quando a Constituição Federal nos caracteriza como um País democrático, onde há
lugar para todas as crenças e cultos, por causa desse atavismo religioso
arraigado em nossas estruturas arcaicas, o Brasil ainda depende muito da
posição da Igreja para resolver seus mais graves problemas. Kardec, em OBRAS PÓSTUMAS, tem um artigo
intitulado “AS ARISTOCRACIAS”, em que faz rápido comentário sobre o caminhar da
Humanidade em matéria do poder político, assinalando as conquistas democráticas
que vem sendo alcançadas ao longo do tempo para a solução dos problemas
humanos. Desse modo, você percebe que a política é filha das religiões e
instituições humanas que sempre se impuseram por meios escusos e métodos
opressores, sonegando a verdade, esclarecendo conflitos e promovendo guerras de
conquistas em torno de interesses exclusivamente materiais, tudo em nome de Deus,
do Bem e da Verdade. As religiões do presente herdam esse triste caráter da
religião do passado instigando-se os adeptos ao desprezo e ao ódio em relação
as outras crenças. Nem mesmo as que se dizem adeptas de Jesus, levam em conta
que o carpinteiro de Nazareth, pregava o amor para com os adversários, porque
isso simplesmente não lhes interessa. Elas querem um Jesus politicamente
agressivo, tão intolerante como elas mesmas, estabelecendo divisões,
preferências, privilégios e condenações, porque isso lhes garante o poder. A
Doutrina Espírita, saída das mãos de Allan Kardec, nos meados do século
passado, veio justamente combater esse estado de coisas recusando-se
terminantemente a ser uma adversá- ria a mais na saturada arena da competição
religiosa, estruturada em conceitos científicos e filosóficos com conseqüências
morais inatacáveis, ela não é uma instituição religiosa salvacionista, nem se
proclama dona exclusiva da Verdade, mas representa a síntese de uma evolução do
pensamento humano, que defende a liberdade de crença como condição para o
próprio progresso da Humanidade. Deve-se colocar acima das questiúnculas que
dividem as pessoas ou os grupos religiosos, para proclamar a verdadeira
religião. Não está nesta ou naquela denominação, na utilização deste ou aquele
culto, na freqüência deste ou daquele tempo, mas na conduta do homem e das
coletividades ante os valores universais do amor e da solidariedade humana
segunda-feira, 23 de abril de 2018
domingo, 22 de abril de 2018
sábado, 21 de abril de 2018
O ESPIRITISMO PERANTE OUTRAS RELIGIÕES
A divulgação do Espiritismo
deve ser intensificada, atraindo seguidores de outras escolas religiosas? Allan
Kardec se pronuncia em artigo incluído na edição de fevereiro
de 1862 da REVISTA ESPÍRITA.
Escreveu: - Há duas coisas no Espiritismo: o fato da existência dos Espíritos e de
suas manifestações, e a doutrina daí resultante. O primeiro ponto não pode ser
posto em dúvida senão pelos que não viram ou não quiseram ver. Quanto ao
segundo, a questão é de saber se essa doutrina é justa ou falsa. É uma questão
de apreciação. Se os Espíritos só manifestassem a sua presença por meio de
ruídos, movimentos, ou seja, por movimentos físicos, isto não provaria grande
coisa, pois não saberíamos se são bons ou maus. O que, sobretudo, é
característico nesse fenômeno, o que é capaz de convencer os incrédulos, é
poder reconhecer parentes e amigos entre os Espíritos. Mas como podem os
Espíritos atestar a sua presença, a sua individualidade e permitir o julgamento
de suas qualidades, senão falando? Sabe-se que a escrita pelos médiuns é um dos
meios que eles empregam. Desde que têm um meio de exprimir suas ideias, podem
dizer tudo o que querem; conforme o seu adiantamento, dirão coisas mais ou
menos boas, justas e profundas. Deixando a Terra, não abdicaram do
livre-arbítrio; como todos os seres pensantes têm suas opiniões; como entre os
homens, os mais adiantados dão ensinamentos de alta moralidade, conselhos
marcados pela mais profunda sabedoria. São esses ensinamentos e conselhos que,
recolhidos e ordenados, constituem a Doutrina Espírita, ou dos Espíritos. Se
quiserdes, considerai essa doutrina não como uma revelação divina, mas como a
expressão de uma opinião pessoal de tal ou qual Espírito; a questão é saber se
é boa ou má, justa ou falsa, racional ou ilógica. A quem recorrer para isto? Ao
julgamento de um indivíduo? Mesmo de alguns indivíduos? Não; porque, dominados
pelos preconceitos, pelos juízos antecipados ou pelos interesses pessoais, eles
podem enganar-se. O único, o verdadeiro juiz é o público, porque aí não há
interesse de camarilha, e porque nas massas há um bom-senso inato que não se
engana. Diz a lógica sadia que a adoção de uma ideia, ou de um princípio, pela
opinião geral é uma prova de que repousa sobre um fundo de verdade. Os
espíritas nunca dizem: “Eis uma Doutrina saída da boca do próprio Deus,
revelada a um só homem por meios prodigiosos e que deve ser imposta ao gênero
humano.” Ao contrário, dizem: “Eis uma doutrina que não é nossa e cujo mérito
não reivindicamos. Adotamo-la porque a achamos racional. Atribuí-lhe a origem
que quiserdes: de Deus, dos Espíritos, ou dos homens; examinai-a; se ela vos
convier, adotai-a; caso contrário, ponde-a de lado.” Impossível ser menos
absoluto. O Espiritismo, pois, não vem usurpar a religião; ele não se impõe;
não vem forçar as consciências, quer dos católicos, quer dos protestantes ou
dos judeus. Apresenta-se e diz: “Aceitai-me, se me achais bom.” É culpa dos
espíritas se o acham bom? Se nele encontram a solução do que em vão procuravam
alhures? Se dele extraímos consolações que nos tornam felizes, que dissipam os
terrores do futuro, acalmam as angústias da dúvida e dão coragem para o
presente? Ele não se dirige àqueles a quem bastam as crenças católicas, ou
outras, mas àqueles aos quais elas não satisfazem completamente, ou que delas
desertaram. Em vez de não crer mais em nada, ele os leva a crer em alguma
coisa, e a crer com fervor. O Espiritismo não quer ser posto de lado: reconduz,
pelos meios que lhe são próprios, os que se afastam. Se os repelirdes, eles
serão forçados a ficar de fora. No íntimo da vossa alma e da vossa consciência,
dizei se para eles seria preferível serem ateus. Perguntam em que milagre nos
apoiamos para julgarmos boa a Doutrina Espírita. Julgamo-la boa, não só porque
é nossa opinião, mas também a de milhões de outros, que pensam como nós; porque
leva a crença àqueles que não acreditavam; porque torna boas as pessoas que
eram más; porque dá coragem nas misérias da vida. O milagre? É a rapidez de sua
propagação, inaudita nos fastos das doutrinas filosóficas; é ter feito em
poucos anos a volta ao mundo e se haver implantado em todos os países e em
todas as classes da sociedade; é ter progredido, a despeito de tudo quanto foi
feito para detê-la; é ter derrubado as barreiras que lhe opõem e encontrar um
acréscimo de força nessas mesmas barreiras.
quinta-feira, 19 de abril de 2018
quarta-feira, 18 de abril de 2018
terça-feira, 17 de abril de 2018
ESPIRITISMO E A SAÚDE HUMANA
Allan Kardec escreveu em artigo inserido na edição
de novembro de 1866 da REVISTA ESPÍRITA que “a
mediunidade curadora não vem suplantar a Medicina e os médicos; vem
simplesmente provar a estes últimos que há coisas que eles não sabem e os
convidar a estudá-las; que a natureza tem recursos que eles ignoram” e que
“a CIÊNCIA ESPÍRITA nos ensina a causa dos fenômenos devidos às
influências ocultas do Mundo Invisível e nos explica o que, sem isto, nos
parecerá inexplicável”. Na
continuidade três questões para refletirmos sobre o tema saúde: Allan Kardec afirma que grande número de doenças é devido aos
fluidos perniciosos de que é penetrado o organismo. Como entender e explicar
isso? Sendo o períspirito dos encarnados de uma natureza idêntica à dos fluidos
espirituais, assimila-os com facilidade, como uma esponja se embebe de líquido.
Esses fluidos tem, sobre o períspirito, uma ação tanto mais direta que, por sua
expansão e sua irradiação, se confunde com eles. Agindo sobre o períspirito,
este, por sua vez, reage sobre o organismo material, com o qual está em contato
molecular. Se os eflúvios são de boa
natureza, o corpo sente uma impressão salutar; se são maus, a impressão é
penosa; se os maus são permanentes e enérgicos eles podem determinar desordens
físicas: certas doenças não tem outra causa. Os meios onde superabundam os maus
Espíritos são, pois, impregnados de maus fluidos, que são absorvidos por todos
os poros perispirituais, como se absorvem, pelos poros do corpo, as emanações
de matérias pútridas causadoras de várias doenças endêmicas. Se, por exemplo,
considerarmos um meio onde predominam pensamentos que reflitam sentimentos
desequilibrados e, consequentemente, a presença dos maus Espíritos, ele estará
impregnado de maus fluidos que o encarnado absorve pelo períspirito, como pode
absorver, pelos poros do corpo, substâncias nocivas ou curativas. Assim se
explicam os efeitos percebidos nos lugares de reunião de pessoas. Uma aglomeração qualquer que seja é um foco de
irradiações de pensamentos diversos. É como uma orquestra, ou coro de
pensamentos, onde cada um emite uma nota. Resulta daí uma multiplicidade de
correntes e eflúvios cuja impressão cada um recebe pelo sentido espiritual,
como num coro musical cada um recebe a impressão dos sons pelo sentido da
audição. Como se
dá a instalação de doenças considerando-se apenas o corpo físico? Os sintomas patológicos na experiência comum,
em maioria esmagadora, decorrem dos reflexos infelizes da mente sobre o veículo
de nossas manifestações, operando desajustes nos implementos que o compõem.
Toda emoção violenta sobre o corpo é semelhante a martelada forte sobre a
engrenagem de máquina sensível, e toda aflição é como ferrugem destruidora,
prejudicando seu funcionamento. Sabe hoje a Medicina que toda tensão mental
acarreta distúrbios de importância no corpo físico. Estabelecido o conflito
espiritual, quase sempre as glândulas salivares paralisam as suas secreções, e
o estômago, entrando em espasmo, se nega à produção de ácido clorídrico, provocando
perturbações digestivas a se expressarem na chamada colite mucosa. Atingido
esse fenômeno primário que, muita vez, abre a porta a temíveis calamidades
orgânicas, os desajustamentos gastrintestinais repetidos acabam arruinando os
processos da nutrição que interessam o estímulo nervoso, determinando variados
sintomas, desde a mais leve irritação da membrana gástrica até a loucura de
abordagem complexa. O pensamento sombrio
adoece o corpo são e agrava os males do corpo enfermo. Se não é aconselhável
envenenar o aparelho fisiológico pela ingestão de substâncias que o aprisionem
ao vício, é imperioso evitar os desregramentos da alma que lhe impõem
desequilíbrios aviltantes, quais sejam aqueles hauridos nas decepções e nos
dissabores que adotamos por flagelo constante do campo íntimo. Cultivar
melindres e desgostos, irritação e mágoa é o mesmo que semear espinheiros
magnéticos e adubá-los no solo emotivo de nossa existência, é intoxicar, por
conta própria, a tessitura da vestimenta corpórea, estragando os centros de
nossa vida profunda e arrasando, consequentemente, sangue e nervos, glândulas e
vísceras do corpo que a Divina Providência nos concede entre os homens, com
vistas ao desenvolvimento de nossas faculdades para a Vida Eterna. (PV), Como o Plano Espiritual vê o trabalho dos médicos? Todos
os médicos, ainda mesmo quando materialistas de mente impermeável à fé
religiosa, contam com Amigos Espirituais que os auxiliam. A saúde humana é dos mais preciosos bens
divinos. Quando a criatura, por relaxamento ou indisciplina, delibera menosprezá-la,
faz-se difícil o socorro aos seus centros de equilíbrio, porque, em todos os
lugares, o pior surdo é aquele que não quer ouvir. Todavia, por parte de quantos ajudam a marcha
humana, da Esfera Espiritual, há sempre medidas de proteção à harmonia
orgânica, para que a saúde das criaturas não seja prejudicada. Claro que há erros tremendos na Medicina e que
não se pode evitar. A colaboração não
pode ultrapassar o campo receptivo daquele que se interessa pela cura alheia ou
pelo próprio reajustamento. Entretanto,
realiza-se sempre em favor da saúde geral quanto é possível.. (Li,10)
segunda-feira, 16 de abril de 2018
domingo, 15 de abril de 2018
sábado, 14 de abril de 2018
FENÔMENOS ESPÍRITAS E O INCONSCIENTE
O professor José Benevides Cavalcante (FUNDAMENTOS DA DOUTRINA ESPÍRITA, eme) comparece na sequência elucidando uma dúvida levantada por leitor. Afinal, os fenômenos mediunicas podem ser explicados pelo inconsciente? Escreve o leitor: Críticos das explicações do
Espiritismo através da mediunidade atribuem todos os fenômenos, que chamamos
mediúnicos, ao poder do inconsciente. A pessoa humana seria capaz de produzir
esses fenômenos sem saber que é ela mesma quem os está produzindo. Isso
explicaria muitos fenômenos de comunicação espiritual e até mesmo os casos de
efeitos físicos, estes pela força da mente, uma espécie de magnetismo, creio
eu. Como podemos melhor elucidar essa questão em nosso meio espírita? Para que possamos
compreender a questão, basta nos reportarmos ao Prof. Hippolyte Léon Denizard Rivail
( Allan Kardec) que, a partir de 1854, passou a se interessar e estudar os
fenômenos das mesas girantes. Estas informações podem ser obtidas nas
biografias de Kardec ou em OBRAS PÓSTUMAS
e REVISTA ESPÍRITA. Rivail, de
formação científica, inicialmente, não acreditava na autenticidade dos
fenômenos que lhe relatavam, mas quando os constatou, e viu que não se tratava
de fraude, atribuiu os estranhos movimentos das mesas ao magnetismo das pessoas
que ali se encontravam. Na época, ainda não havia uma concepção de inconsciente,
como a temos hoje, mas o próprio Rivail já vislumbrava algum substrato psíquico
dessa natureza, formulando assim os primeiros conceitos de inconsciente, mais
tarde delineado por Sigmund Freud. Depois de pormenorizados estudos é que
verificou algo mais além das "forças anímicas" das pessoas presentes,
algo que direcionava os fenômenos para uma meta além da vontade humana e o
principal: quando se tratava de fenômenos inteligentes, como responder
perguntas de alto conteúdo filosófico e científico ou prestar informações que
todos desconheciam, se não havia ali quem pudesse fornecê-las, a não ser
supostas entidades desencarnadas? Kardec passa a reconhecer que existem duas
"forças" concorrentes que determinam o fenômeno: a do médium ( poder
inconsciente) e a dos Espíritos. Isto quer dizer que o médium é dotado de uma
capacidade "anímica" que oferece os meios ou os recursos
"materiais" com os quais os desencarnados podem agir, produzindo o
fenômeno. Assim, Kardec já reconhece a transmissão de pensamento e outras faculdades
anímicas inconscientes, hoje chamadas paranormais, e conclui que somente pela
existência dessas faculdades é que se pode chegar à conclusão da existência dos
Espíritos. Todavia, abordagens, em nome da Parapsicologia, sempre revestida de
eloquente teatralidade, não constitui nenhuma novidade, pois os argumentos são
tão antigos quanto o Espiritismo, o que demonstra que não se atualizou; basta
considerar que Alexandre Aksakof, já em 1890, quando lançou "ANIMISMO E
ESPIRITISMO", refutava os mesmos argumentos contra o Espiritismo de uma
obra bem mais consistente do alemão Eduard Von Hartmann, publicada em 1885. Na
verdade, o que muitos tem feito, é combater o Espiritismo por todos os meios
possíveis, utilizando, no entanto, de ideias das escolas materialistas ou anti espiritualistas.
Com isso, tem-se esbarrado desastradamente nos interesses da sua própria
religião, na medida em que põe em xeque os milagres da Igreja, ponto vital da
fé católica. Mas, de certa forma, a sua atuação, ainda que pouco convincente,
não deixa de ter um aspecto positivo, na medida em que desperta a atenção para
a matéria, levantando uma série de questionamentos e dúvidas, tanto dos
espíritas como de seus adversários, obrigando as pessoas a se interessarem e a
estudarem mais a Doutrina Espírita.
Assinar:
Postagens (Atom)














































