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segunda-feira, 7 de maio de 2018

SOBREVIVERAM E FILHOS ADOTIVOS




domingo, 6 de maio de 2018

ATUALISSIMO


Abrindo a pauta da REVISTA ESPÍRITA de novembro de 1859, Allan Kardec apresenta interessante matéria intitulada “DEVEMOS PUBLICAR TUDO QUANTO OS ESPÍRITOS DIZEM?” que se mostra atualíssima, especialmente diante da profusão de títulos que disputam lugar nos expositores das livrarias ou catálogos de editoras e distribuidoras, demonstrando acirrada disputa por qual apresenta “revelações” ou “novidades” mais originais. Como livros espíritas se tornaram até meio de vida, revisões doutrinárias ou fundamentadas no bom senso, inexistem. O alvo é um público ávido por conteudos que chegam a ser estapafúrdios. As ponderações de Kardec sugerem reflexões. Diz ele: “- Esta pergunta nos foi dirigida por um dos nossos correspondentes. Respondemo-la da maneira seguinte: Seria bom publicar tudo quanto dizem e pensam os homens? Quem quer que possua uma noção do Espiritismo, por superficial que seja, sabe que o mundo invisível é composto de todos aqueles que deixaram na Terra o envoltório visível. Despojando-se, porém, do homem carnal, nem todos se revestiram, por isso mesmo, da túnica dos anjos. Há Espíritos de todos os graus de conhecimento e de ignorância, de moralidade e de imoralidade – eis o que não devemos perder de vista. Não esqueçamos que entre os Espíritos, assim como na Terra, há seres levianos, desatentos e brincalhões; falsos sábios, vãos e orgulhosos, de um saber incompleto; hipócritas, malévolos e, o que nos parecia inexplicável, se de algum modo não conhecêssemos a fisiologia desse mundo, há sensuais, vilões e crapulosos que se arrastam na lama. Ao lado disto, sempre como na Terra, temos seres bons, humanos, benevolentes, esclarecidos, de sublimes virtudes. Como, entretanto, nosso mundo não está na primeira nem na última posição, embora mais vizinho da última que da primeira, disso resulta que o mundo dos Espíritos abrange seres mais avançados intelectual e moralmente que nossos homens mais esclarecidos, e outros que ainda estão abaixo dos homens mais inferiores. Desde que esses seres têm um meio patente de comunicar-se com os homens, de exprimir seus pensamentos por sinais inteligíveis, suas comunicações devem ser um reflexo de seus sentimentos, de suas qualidades ou de seus vícios. Serão levianas, triviais, grosseiras, mesmo obscenas, sábias, científicas o sublimes, conforme seus caráter e sua elevação. Revelam-se por sua própria linguagem. Daí a necessidade de não aceitar cegamente tudo quanto vem do mundo oculto, e submetê-lo a controle severo. Com as comunicações de certos Espíritos, do mesmo modo que com os discursos de certos homens, poder-se-ia fazer uma coletânea muito pouco edificante(...). Ao lado dessas comunicações francamente más, e que chocam qualquer ouvido um pouco delicado, outras há que são simplesmente triviais ou ridículas (...). O mal é dar como sérias, coisas que chocam o bom senso, a razão e as conveniências. Nesse caso, o perigo é maior do que se pensa. Para começar, tais publicações tem o inconveniente de induzir em erro as pessoas que não estão em condições de examiná-las e discernir entre o verdadeiro e o falso, principalmente numa questão tão nova como o Espiritismo. Em segundo lugar, são armas fornecidas aos adversários que não perdem a oportunidade para tirar deste fato argumentos contra a alta moralidade do ensino espírita; porque, diga-se mais uma vez, o mal está em apresentar seriamente coisas que são notórios absurdos (...). As pessoas que estudaram a fundo a ciência espírita sabem qual a atitude que convêm a este respeito. Sabem que os Espíritos zombeteiros não tem o menor escrúpulo de enfeitar-se com nomes respeitáveis. Mas sabem também que esses Espíritos só abusam daqueles que gostam de se deixar abusar, que não sabem ou não querem esclarecidas suas astúcias pelos meios já conhecidos (...). Os Espíritos vão aonde acham simpatia e onde sabem que serão ouvidos (...).Publicar sem exame, ou sem correção, tudo quanto vem dessa fonte, seria, em nossa opinião, dar prova de pouco discernimento

sábado, 5 de maio de 2018

COMPLEXO DE CULPA E O MUNDO ESPIRITUAL




FLUIDOS E SEUS EFEITOS




REINO DOS CÉUS E CULPA


O professor José Benevides Cavalcante (FUNDAMENTOS DA DOUTRINA ESPÍRITA, eme) esclarece as dúvidas de dois leitores: REINO DOS CÉUS Li na Bíblia que certa vez, Jesus falou que as meretrizes e os publicanos entrariam primeiro no Reino dos Céus. Neste caso, Jesus não está aprovando o pecado em lugar de combatê-lo? Podemos ler os Evangelhos de várias maneiras. O Espiritismo nos recomenda uma leitura crítica, ou seja, uma leitura atenta e racional, pela qual possamos examinar o texto sob os mais diversos ângulos, considerando a doutrina moral de Jesus, o povo a que pertencia e a cultura de seu tempo. Esse tipo de leitura nos leva a ver Jesus como um “demolidor de preconceitos”. Se você já leu todos os Evangelhos, certamente pode verificar que Jesus importunou os fariseus com as suas colocações e o fez de maneira acintosa e muito bem pensada. Ele combatia, sobretudo, a hipocrisia, pois as pessoas que se diziam religiosas achavam que “fazer a vontade de Deus” era simplesmente cumprir com as obrigações do “culto”, satisfazer as exigências dos sacerdotes, frequentar as sinagogas e o templo, guardar o sábado, observar o jejum , oferecer sacrifícios – essas coisas, que as religiões, de um modo geral, costumam estabelecer para os seus adeptos, Jesus no entanto, não vê essa prática liturgica como a verdadeira religião ou seja, como religação do homem com Deus. Para ele, religiosidade é pensar, falar e agir com amor em relação ao próximo, ou seja, praticando o Bem, exercitando a caridade, com o fez o samaritano da parábola. A prática religiosa convencional é mero formalismo. Por isso, insistia em chocar os fariseus com as suas atitudes e afirmações, curando no sábado, defendendo a prostituta, protegendo os doentes e mendigos, deixando-se levar pela meretriz, exaltando o publicano e o samaritano, porque esses eram os discriminados daquela sociedade, os pecadores, contra quem recaiam toda condenação do farisaísmo dominante e opressor. Com isso demostrava que não tinha preconceito contra quem quer que fosse e que o essencial na vida das pessoas não como elas se apresentam por fora e como são vistas pela sociedade, mas como elas são por dentro, ante a própria consciência. Daí o “não julgueis”, porque só Deus conhece o intimo de cada um e de seus filhos e o Ser Perfeito pode fazer sobre eles o verdadeiro e único julgamento CULPA Por que muitos Espíritos, talvez a maioria, se sentem culpados, depois da desencarnação? Porque sentem que não fizeram o que deviam ter feito em vida ou fizeram o que fazer não deviam. A desencarnação nos desveste não só da roupagem física, mas pode nos desvestir também de alguns valores menos dignos que alimentavamos na Terra. Muitas pessoas só vão valorizar seus familiares, seus amigos, sua coletividade, quando se veem do outro lado da vida, quando sentem que perderam a oportunidade de conviver bem e de desfrutar da companhia daqueles que lhe são caros. Nunca lhes dirigiram uma palavra de aprovação ou de carinho, nunca lhes estendeu a mão ou lhes deu um abraço, nunca os apoiaram ou os ajudaram em algum empreendimento. De repente, percebem que perderam tudo e aí vêm o remorso, o sentimento de culpa, a ideia de Deus, a concepção de uma vida eterna e um julgamento implacável desfere de sua consciência contra elas mesmas. Então explode o desespero, muitas vezes, por sentirem que já entraram na eternidade das penas, pois começam a sofrer e não sabem quando tudo termina. A desencarnação, quer queiramos ou não, reserva-nos algumas surpresas desagradáveis. Por isso, seria bom que começássemos a nos reformular ainda hoje, passando a pôr em prática tudo aquilo que a nossa consciência moral nos tem mandado fazer, malgrado a nossa desobediência. Os recém-desencarnados costumam ser educados e dóceis para com os seus, porque, cientes da grande oportunidade que deixaram escapar, querem fazer agora por eles tudo o que não fizeram quando estavam na Terra.

domingo, 29 de abril de 2018

AS QUESTÕES DA FAMILIA


As aceleradas mudanças pelas quais passa o Planeta e a sociedade humana provoca crises em todos os setores, entre os quais a família. Distanciada progressivamente do seu lado espiritual, entregue às influências do materialismo e consumismo, efeitos como o suicídio se acentuam inclusive entre adolescentes. Na sequência alguns pontos sob a ótica do Espiritismo para reflexões. Partimos d’ O LIVRO DOS ESPÍRITOS ampliando com uma avaliação do Espírito Emmanuel através de Chico Xavier: Qual seria, para a sociedade, o resultado do relaxamento dos laços de família? – Uma recrudescência do egoísmo. (LE,775) Será contrário à lei da Natureza o casamento, isto é, a união permanente de dois seres? - É um progresso na marcha da Humanidade. (LE,695)  Que efeito teria sobre a sociedade humana a abolição do casamento? - Seria uma regressão à vida dos animais. (LE, 696) O estado de natureza é o da união livre e fortuita dos sexos. O casamento constitui um dos primeiros atos de progresso nas sociedades humanas, porque estabelece a solidariedade fraterna e se observa entre todos os povos, se bem que em condições diversas. A abolição do casamento seria, pois, regredir à infância da Humanidade e colocaria o homem abaixo mesmo de certos animais que lhe dão o exemplo de uniões constantes. (696; nota) Os laços de sangue não determinam necessariamente os laços espirituais. O corpo gera o corpo, porém o Espírito não é gerado pelo Espírito, porque já existia antes da gestação do corpo. Não foram os pais que geraram o Espírito de seu filho, eles apenas forneceram-lhe um corpo carnal. Além disso, devem ajudá-lo no seu desenvolvimento intelectual e moral para fazê-lo progredir. Frequentemente, o Espírito renasce no mesmo meio em que já viveu, estabelecendo de novo relações com as mesmas pessoas, a fim de reparar o mal que lhes haja feito. Se reconhecesse nelas os a quem odiara, quiçá o ódio lhe despertaria outra vez no íntimo. De todo modo, ele sentiria humilhado em presença daquelas a quem houvesse ofendido. (ESE;5:11) Relacionamentos iniciados pela atração visual/sexual geralmente resultam complicados. Como explicar isso? Todos os problemas da vida afetiva serão devidamente aclarados quando o conhecimento da reencarnação for concebido na base da regra áurea. Faremos a outrem, nos domínios afetivos, aquilo que desejamos se nos faça. Isso porque de tudo o que doarmos ao coração alheio recolheremos de volta. O amor em sua luminosa liberdade é independente em suas escolhas e manifestações; no entanto, obedece igualmente ao princípio: “Livre na sementeira e escravo na colheita”. Em muitas ocasiões, o rival que abatemos, de um modo ou de outro, induzindo-o a desencarnação, é o filho que a vida e o tempo nos colocam nos braços, a cobrar-nos em abnegação e renúncia a assistência e a proteção que lhe devemos; o jovem ou a jovem que furtamos dos braços de nossos filhos, considerando-os indignos de nossa equipe doméstica, impondo-lhes, direta ou indiretamente, a morte do corpo físico, voltam na condição de netos, em muitas circunstâncias, compartilhando-nos o leito e a vida; a criança nascitura que arrojamos à vala do aborto desnecessário e que deveria nascer e crescer para o desenvolvimento da afetividade pacífica, entre os nossos descendentes, costuma encontrar novo berço em nosso clima social, reaparecendo na condição do homem ou da mulher que, mais tarde, nos aborda a organização familiar exigindo-nos pesados tributos de aflição; as criaturas que enganamos, no terreno do afeto, em outras estâncias, habitualmente retornam até nós por filhos--problemas, reclamando-nos atenção e carinho constantes para o reajuste emocional que demandam. Frustrações, conflitos, vinculações extremadas e aversões congênitas de hoje são frutos dos desequilíbrios afetivos de ontem a nos pedirem trabalho e restauração. É possível haja longa demora na aceitação geral da verdade por parte dos agrupamentos humanos, em nos reportando ao mundo genésico. Dia virá, porém, no qual todas as criaturas compreenderão que o Espírito, onde estiver, conforme aquilo que plante, em matéria de afetividade, isso também colherá.


terça-feira, 24 de abril de 2018

RELIGIÃO E POLÍTICA


O tema é sempre atual e o professor José Benevides Cavalcante (FUNDAMENTOS DA DOUTRINA ESPÍRITA,eme) apresenta a seguir sua visão sobre o mesmo a partir do questionamento de um leitor::“Porque a religião e a política se parecem tanto? Há guerra entre os partidos e como as guerras entre as diversas religiões, cheia de paixão e ódio e acusações...”  Porque elas têm praticamente a mesma origem e sempre estiveram lutando pelo poder. Aliás numa retrospectiva da História, vamos perceber que a religião antecedeu em muito a política. Na pré-história, o poder está nas mãos do “feiticeiro”, o homem que fala com os Espíritos ou Deuses e que pode ter acesso ao conhecimento do sobrenatural, que conhece o futuro das pessoas e da própria tribo, os métodos de cura e os ministérios da natureza: ele tem o poder (porque tem o conhecimento) e por isso, é sempre ouvido respeitado e temido, mesmo pelo chefe que lhe atende as mais absurdas recomendações. As grandes nações da História antiga são teocracias, visto que governadas por homens que se intitulam Deuses ou se arvoram em detentores da ordenação divina, como os faraós do Egito rodeados pelos sacerdotes. Ou mesmo Moisés, o chefe dos hebreus, escolhido pelo seu deus Iavé. O absolutismo, poder político concentrado na vontade do homem, o rei, por largo tempo passa a noção de que o soberano representa a própria vontade de Deus. A Igreja Católica desde a oficialização do Cristianismo como religião do Estado Romano no século IV, sempre exerceu esse poder de forma opressora, tendo nas mãos soberanos QUE LHE PRESTAM CEGA OBEDIÊNCIA. O triste episódio da Santa Inquisição, verdadeiro holocausto em nome da fé, mostra quanto foi opressor o poder da religião intolerante, que perseguiu torturou e matou durante séculos, milhares de pessoas que discordavam de sua linha de pensamento ou ousavam desagradar o clero. Tão forte é o poder político da religião que ainda hoje, ano 2000, temos estados governados por chefes religiosos, caso do Irã (governado pelo Aiatolá), onde a intolerância é marca indispensável desse poder, promovendo verdadeiro regime do terror. O Brasil até antes da república tinha como religião oficial o Catolicismo Romano (como Portugal o tem até hoje), onde uma religião gozava de todos os privilégios em prejuízo das outras, exercendo sozinha decisiva influência em todas as questões de interesse social. Mesmo em nosso dias, quando a Constituição Federal nos caracteriza como um País democrático, onde há lugar para todas as crenças e cultos, por causa desse atavismo religioso arraigado em nossas estruturas arcaicas, o Brasil ainda depende muito da posição da Igreja para resolver seus mais graves problemas. Kardec, em OBRAS PÓSTUMAS, tem um artigo intitulado “AS ARISTOCRACIAS”, em que faz rápido comentário sobre o caminhar da Humanidade em matéria do poder político, assinalando as conquistas democráticas que vem sendo alcançadas ao longo do tempo para a solução dos problemas humanos. Desse modo, você percebe que a política é filha das religiões e instituições humanas que sempre se impuseram por meios escusos e métodos opressores, sonegando a verdade, esclarecendo conflitos e promovendo guerras de conquistas em torno de interesses exclusivamente materiais, tudo em nome de Deus, do Bem e da Verdade. As religiões do presente herdam esse triste caráter da religião do passado instigando-se os adeptos ao desprezo e ao ódio em relação as outras crenças. Nem mesmo as que se dizem adeptas de Jesus, levam em conta que o carpinteiro de Nazareth, pregava o amor para com os adversários, porque isso simplesmente não lhes interessa. Elas querem um Jesus politicamente agressivo, tão intolerante como elas mesmas, estabelecendo divisões, preferências, privilégios e condenações, porque isso lhes garante o poder. A Doutrina Espírita, saída das mãos de Allan Kardec, nos meados do século passado, veio justamente combater esse estado de coisas recusando-se terminantemente a ser uma adversá- ria a mais na saturada arena da competição religiosa, estruturada em conceitos científicos e filosóficos com conseqüências morais inatacáveis, ela não é uma instituição religiosa salvacionista, nem se proclama dona exclusiva da Verdade, mas representa a síntese de uma evolução do pensamento humano, que defende a liberdade de crença como condição para o próprio progresso da Humanidade. Deve-se colocar acima das questiúnculas que dividem as pessoas ou os grupos religiosos, para proclamar a verdadeira religião. Não está nesta ou naquela denominação, na utilização deste ou aquele culto, na freqüência deste ou daquele tempo, mas na conduta do homem e das coletividades ante os valores universais do amor e da solidariedade humana

sábado, 21 de abril de 2018

O ESPIRITISMO PERANTE OUTRAS RELIGIÕES


A divulgação do Espiritismo deve ser intensificada, atraindo seguidores de outras escolas religiosas? Allan Kardec se pronuncia em artigo incluído na edição de fevereiro de 1862 da REVISTA ESPÍRITA. Escreveu: - Há duas coisas no Espiritismo: o fato da existência dos Espíritos e de suas manifestações, e a doutrina daí resultante. O primeiro ponto não pode ser posto em dúvida senão pelos que não viram ou não quiseram ver. Quanto ao segundo, a questão é de saber se essa doutrina é justa ou falsa. É uma questão de apreciação. Se os Espíritos só manifestassem a sua presença por meio de ruídos, movimentos, ou seja, por movimentos físicos, isto não provaria grande coisa, pois não saberíamos se são bons ou maus. O que, sobretudo, é característico nesse fenômeno, o que é capaz de convencer os incrédulos, é poder reconhecer parentes e amigos entre os Espíritos. Mas como podem os Espíritos atestar a sua presença, a sua individualidade e permitir o julgamento de suas qualidades, senão falando? Sabe-se que a escrita pelos médiuns é um dos meios que eles empregam. Desde que têm um meio de exprimir suas ideias, podem dizer tudo o que querem; conforme o seu adiantamento, dirão coisas mais ou menos boas, justas e profundas. Deixando a Terra, não abdicaram do livre-arbítrio; como todos os seres pensantes têm suas opiniões; como entre os homens, os mais adiantados dão ensinamentos de alta moralidade, conselhos marcados pela mais profunda sabedoria. São esses ensinamentos e conselhos que, recolhidos e ordenados, constituem a Doutrina Espírita, ou dos Espíritos. Se quiserdes, considerai essa doutrina não como uma revelação divina, mas como a expressão de uma opinião pessoal de tal ou qual Espírito; a questão é saber se é boa ou má, justa ou falsa, racional ou ilógica. A quem recorrer para isto? Ao julgamento de um indivíduo? Mesmo de alguns indivíduos? Não; porque, dominados pelos preconceitos, pelos juízos antecipados ou pelos interesses pessoais, eles podem enganar-se. O único, o verdadeiro juiz é o público, porque aí não há interesse de camarilha, e porque nas massas há um bom-senso inato que não se engana. Diz a lógica sadia que a adoção de uma ideia, ou de um princípio, pela opinião geral é uma prova de que repousa sobre um fundo de verdade. Os espíritas nunca dizem: “Eis uma Doutrina saída da boca do próprio Deus, revelada a um só homem por meios prodigiosos e que deve ser imposta ao gênero humano.” Ao contrário, dizem: “Eis uma doutrina que não é nossa e cujo mérito não reivindicamos. Adotamo-la porque a achamos racional. Atribuí-lhe a origem que quiserdes: de Deus, dos Espíritos, ou dos homens; examinai-a; se ela vos convier, adotai-a; caso contrário, ponde-a de lado.” Impossível ser menos absoluto. O Espiritismo, pois, não vem usurpar a religião; ele não se impõe; não vem forçar as consciências, quer dos católicos, quer dos protestantes ou dos judeus. Apresenta-se e diz: “Aceitai-me, se me achais bom.” É culpa dos espíritas se o acham bom? Se nele encontram a solução do que em vão procuravam alhures? Se dele extraímos consolações que nos tornam felizes, que dissipam os terrores do futuro, acalmam as angústias da dúvida e dão coragem para o presente? Ele não se dirige àqueles a quem bastam as crenças católicas, ou outras, mas àqueles aos quais elas não satisfazem completamente, ou que delas desertaram. Em vez de não crer mais em nada, ele os leva a crer em alguma coisa, e a crer com fervor. O Espiritismo não quer ser posto de lado: reconduz, pelos meios que lhe são próprios, os que se afastam. Se os repelirdes, eles serão forçados a ficar de fora. No íntimo da vossa alma e da vossa consciência, dizei se para eles seria preferível serem ateus. Perguntam em que milagre nos apoiamos para julgarmos boa a Doutrina Espírita. Julgamo-la boa, não só porque é nossa opinião, mas também a de milhões de outros, que pensam como nós; porque leva a crença àqueles que não acreditavam; porque torna boas as pessoas que eram más; porque dá coragem nas misérias da vida. O milagre? É a rapidez de sua propagação, inaudita nos fastos das doutrinas filosóficas; é ter feito em poucos anos a volta ao mundo e se haver implantado em todos os países e em todas as classes da sociedade; é ter progredido, a despeito de tudo quanto foi feito para detê-la; é ter derrubado as barreiras que lhe opõem e encontrar um acréscimo de força nessas mesmas barreiras.

terça-feira, 17 de abril de 2018

ESPIRITISMO E A SAÚDE HUMANA


Allan Kardec escreveu em artigo inserido na edição de novembro de 1866 da REVISTA ESPÍRITA que “a mediunidade curadora não vem suplantar a Medicina e os médicos; vem simplesmente provar a estes últimos que há coisas que eles não sabem e os convidar a estudá-las; que a natureza tem recursos que eles ignoram” e que “a CIÊNCIA ESPÍRITA nos ensina a causa dos fenômenos devidos às influências ocultas do Mundo Invisível e nos explica o que, sem isto, nos parecerá inexplicável”.  Na continuidade três questões para refletirmos sobre o tema saúde: Allan Kardec afirma que grande número de doenças é devido aos fluidos perniciosos de que é penetrado o organismo. Como entender e explicar isso? Sendo o períspirito dos encarnados de uma natureza idêntica à dos fluidos espirituais, assimila-os com facilidade, como uma esponja se embebe de líquido. Esses fluidos tem, sobre o períspirito, uma ação tanto mais direta que, por sua expansão e sua irradiação, se confunde com eles. Agindo sobre o períspirito, este, por sua vez, reage sobre o organismo material, com o qual está em contato molecular.  Se os eflúvios são de boa natureza, o corpo sente uma impressão salutar; se são maus, a impressão é penosa; se os maus são permanentes e enérgicos eles podem determinar desordens físicas: certas doenças não tem outra causa. Os meios onde superabundam os maus Espíritos são, pois, impregnados de maus fluidos, que são absorvidos por todos os poros perispirituais, como se absorvem, pelos poros do corpo, as emanações de matérias pútridas causadoras de várias doenças endêmicas. Se, por exemplo, considerarmos um meio onde predominam pensamentos que reflitam sentimentos desequilibrados e, consequentemente, a presença dos maus Espíritos, ele estará impregnado de maus fluidos que o encarnado absorve pelo períspirito, como pode absorver, pelos poros do corpo, substâncias nocivas ou curativas. Assim se explicam os efeitos percebidos nos lugares de reunião de pessoas.  Uma aglomeração qualquer que seja é um foco de irradiações de pensamentos diversos. É como uma orquestra, ou coro de pensamentos, onde cada um emite uma nota. Resulta daí uma multiplicidade de correntes e eflúvios cuja impressão cada um recebe pelo sentido espiritual, como num coro musical cada um recebe a impressão dos sons pelo sentido da audição.  Como se dá a instalação de doenças considerando-se apenas o corpo físico?  Os sintomas patológicos na experiência comum, em maioria esmagadora, decorrem dos reflexos infelizes da mente sobre o veículo de nossas manifestações, operando desajustes nos implementos que o compõem. Toda emoção violenta sobre o corpo é semelhante a martelada forte sobre a engrenagem de máquina sensível, e toda aflição é como ferrugem destruidora, prejudicando seu funcionamento. Sabe hoje a Medicina que toda tensão mental acarreta distúrbios de importância no corpo físico. Estabelecido o conflito espiritual, quase sempre as glândulas salivares paralisam as suas secreções, e o estômago, entrando em espasmo, se nega à produção de ácido clorídrico, provocando perturbações digestivas a se expressarem na chamada colite mucosa. Atingido esse fenômeno primário que, muita vez, abre a porta a temíveis calamidades orgânicas, os desajustamentos gastrintestinais repetidos acabam arruinando os processos da nutrição que interessam o estímulo nervoso, determinando variados sintomas, desde a mais leve irritação da membrana gástrica até a loucura de abordagem complexa.  O pensamento sombrio adoece o corpo são e agrava os males do corpo enfermo. Se não é aconselhável envenenar o aparelho fisiológico pela ingestão de substâncias que o aprisionem ao vício, é imperioso evitar os desregramentos da alma que lhe impõem desequilíbrios aviltantes, quais sejam aqueles hauridos nas decepções e nos dissabores que adotamos por flagelo constante do campo íntimo. Cultivar melindres e desgostos, irritação e mágoa é o mesmo que semear espinheiros magnéticos e adubá-los no solo emotivo de nossa existência, é intoxicar, por conta própria, a tessitura da vestimenta corpórea, estragando os centros de nossa vida profunda e arrasando, consequentemente, sangue e nervos, glândulas e vísceras do corpo que a Divina Providência nos concede entre os homens, com vistas ao desenvolvimento de nossas faculdades para a Vida Eterna. (PV), Como o Plano Espiritual vê o trabalho dos médicos? Todos os médicos, ainda mesmo quando materialistas de mente impermeável à fé religiosa, contam com Amigos Espirituais que os auxiliam.  A saúde humana é dos mais preciosos bens divinos. Quando a criatura, por relaxamento ou indisciplina, delibera menosprezá-la, faz-se difícil o socorro aos seus centros de equilíbrio, porque, em todos os lugares, o pior surdo é aquele que não quer ouvir.  Todavia, por parte de quantos ajudam a marcha humana, da Esfera Espiritual, há sempre medidas de proteção à harmonia orgânica, para que a saúde das criaturas não seja prejudicada.  Claro que há erros tremendos na Medicina e que não se pode evitar.  A colaboração não pode ultrapassar o campo receptivo daquele que se interessa pela cura alheia ou pelo próprio reajustamento.  Entretanto, realiza-se sempre em favor da saúde geral quanto é possível.. (Li,10)


sábado, 14 de abril de 2018

FENÔMENOS ESPÍRITAS E O INCONSCIENTE


O professor José Benevides Cavalcante (FUNDAMENTOS DA DOUTRINA ESPÍRITA, eme) comparece na sequência elucidando uma dúvida levantada por leitor. Afinal, os fenômenos mediunicas podem ser explicados pelo inconsciente? Escreve o leitor: Críticos das explicações do Espiritismo através da mediunidade atribuem todos os fenômenos, que chamamos mediúnicos, ao poder do inconsciente. A pessoa humana seria capaz de produzir esses fenômenos sem saber que é ela mesma quem os está produzindo. Isso explicaria muitos fenômenos de comunicação espiritual e até mesmo os casos de efeitos físicos, estes pela força da mente, uma espécie de magnetismo, creio eu. Como podemos melhor elucidar essa questão em nosso meio espírita? Para que possamos compreender a questão, basta nos reportarmos ao Prof. Hippolyte Léon Denizard Rivail ( Allan Kardec) que, a partir de 1854, passou a se interessar e estudar os fenômenos das mesas girantes. Estas informações podem ser obtidas nas biografias de Kardec ou em OBRAS PÓSTUMAS e REVISTA ESPÍRITA. Rivail, de formação científica, inicialmente, não acreditava na autenticidade dos fenômenos que lhe relatavam, mas quando os constatou, e viu que não se tratava de fraude, atribuiu os estranhos movimentos das mesas ao magnetismo das pessoas que ali se encontravam. Na época, ainda não havia uma concepção de inconsciente, como a temos hoje, mas o próprio Rivail já vislumbrava algum substrato psíquico dessa natureza, formulando assim os primeiros conceitos de inconsciente, mais tarde delineado por Sigmund Freud. Depois de pormenorizados estudos é que verificou algo mais além das "forças anímicas" das pessoas presentes, algo que direcionava os fenômenos para uma meta além da vontade humana e o principal: quando se tratava de fenômenos inteligentes, como responder perguntas de alto conteúdo filosófico e científico ou prestar informações que todos desconheciam, se não havia ali quem pudesse fornecê-las, a não ser supostas entidades desencarnadas? Kardec passa a reconhecer que existem duas "forças" concorrentes que determinam o fenômeno: a do médium ( poder inconsciente) e a dos Espíritos. Isto quer dizer que o médium é dotado de uma capacidade "anímica" que oferece os meios ou os recursos "materiais" com os quais os desencarnados podem agir, produzindo o fenômeno. Assim, Kardec já reconhece a transmissão de pensamento e outras faculdades anímicas inconscientes, hoje chamadas paranormais, e conclui que somente pela existência dessas faculdades é que se pode chegar à conclusão da existência dos Espíritos. Todavia, abordagens, em nome da Parapsicologia, sempre revestida de eloquente teatralidade, não constitui nenhuma novidade, pois os argumentos são tão antigos quanto o Espiritismo, o que demonstra que não se atualizou; basta considerar que Alexandre Aksakof, já em 1890, quando lançou "ANIMISMO E ESPIRITISMO", refutava os mesmos argumentos contra o Espiritismo de uma obra bem mais consistente do alemão Eduard Von Hartmann, publicada em 1885. Na verdade, o que muitos tem feito, é combater o Espiritismo por todos os meios possíveis, utilizando, no entanto, de ideias das escolas materialistas ou anti espiritualistas. Com isso, tem-se esbarrado desastradamente nos interesses da sua própria religião, na medida em que põe em xeque os milagres da Igreja, ponto vital da fé católica. Mas, de certa forma, a sua atuação, ainda que pouco convincente, não deixa de ter um aspecto positivo, na medida em que desperta a atenção para a matéria, levantando uma série de questionamentos e dúvidas, tanto dos espíritas como de seus adversários, obrigando as pessoas a se interessarem e a estudarem mais a Doutrina Espírita.