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segunda-feira, 8 de maio de 2023

UM CASO COMO MUITOS; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

Como as estatísticas demonstram, a violência resultante do consumo de drogas foi ganhando proporções epidêmicas na sociedade no final do século 20. Muitas vidas físicas foram interrompidas marcando dolorosamente a dos que remanesceram em nossa Dimensão. A história contada a seguir ilustra isso, embora a mediunidade tenha mostrado aos envolvidos um aspecto ignorado da fato, provocando reações até certo ponto positivas. Para entender por que vamos voltar à noite de 5 de junho de 1984, em São Paulo, capital. O dia terminava para a família Sorrentino, todos já haviam se recolhido, o casal e dois de seus filhos, faltando apenas Renato, um jovem que apesar dos seus 22 anos já trabalhava como analista de sistemas da Bolsa de Valores de São Paulo e cursava o quarto ano da Faculdade de Economia e Administração da USP. Um telefonema por volta da meia noite, porém, provoca um alvoroço naquele lar, até aquele momento tranquilo e feliz. A voz era de um policial que informava que Renato havia sido vítima de um assalto seguido de roubo da moto, que utilizava para os deslocamentos de casa para o trabalho e deste para a Faculdade. Como consequência de tiros recebidos, não resistira e viera a falecer no próprio local da ocorrência. Perplexidade, dor, revolta, inconformação, ódio, misturaram-se no coração e mente de seus pais e irmãos nos cinco meses que se seguiram. A aceitação somente começaria a ser experimentada no dia 9 de novembro, na cidade de Uberaba, Minas Gerais. Naquela noite, em meio às cartas psicografadas pelo médium Francisco Cândido Xavier, encontrava-se a de Renato, esclarecendo e envolvendo seus entes queridos no reconforto conforme depoimento de sua mãe, que “admitiu que passaram todos a experimentar um novo alento e muita vontade de trabalhar pelos companheiros necessitados”. Em sua mensagem, Renato conta: -“Lembro-me da última frase que o jovem desconhecido me endereçou com a voz suplicante: – “Oi, companheiro, dê-me por favor uma carona. Sou seu colega sem nica no bolso...” O pedido me alcançou o coração e parei a moto. Estava de saída da USP e devia a meu ver prestar um gesto de solidariedade ao amigo anônimo. Coloquei-lhe a garupa ao dispor e seguimos juntos. Não houve tempo para muito diálogo. Passados alguns minutos, o rapaz pediu parada e deixou o pedal que eu lhe havia cedido. Mal nos defrontamos e ele sacou um revólver e os projéteis me atingiram com violência. Compreendi que era o fim. Fixei o infeliz que me prostrara sem comiseração e roguei a Deus em silêncio que me fizesse entender aquele estranho assalto, em que os meus melhores sentimentos haviam sido cruelmente explorados... O desventurado amigo ou inimigo (ainda não sei bem) procurou ganhar distância, mas foi reconhecido. A sangria desatada não me permitia qualquer movimento. Recordo-me de que alguns desconhecidos se abeiraram de mim, no entanto, meu cérebro como que se apagara. Nada mais vi nem ouvi, porque um torpor, que nunca imaginei pudesse ser assim tão forte, se me apoderou do corpo e da mente. Quanto tempo permaneci naquele desmaio sofrido de profunda inconsciência, ainda não sei. Acordei num aposento confortável, assistido por uma senhora em cuja presença adivinhava uma enfermeira prestimosa. Não pude articular a palavra logo após retomar a própria consciência, abrindo os olhos. Notei que uma grande dificuldade me tomara a garganta e, entre pensamentos enfileirando orações, esperei o momento no qual me foi permitido falar. Então, perguntei à protetora diligente sobre o meu próprio destino, já que a minha triste cena final me voltava à memória. Estaria em algum recanto de tratamento na Terra mesmo ou me achava em algum lugar fora do plano físico? O corpo estava quebrado, dolorido... A senhora me informou que a minha presença, fosse onde fosse, lhe seria muito grata ao coração e me recomendou chamá-la por vovó Josefina. Vovó Josefina era um nome que, muitas vezes, ouvi como sendo alguém de nossa família que a morte arrebatara, e ainda estávamos naquele início de conversação, que me espantava, quando outra senhora veio até nós, abraçou-me afetuosamente e me solicitou nomeá-la por vovó Benedita. Então, não tive mais dúvida. Chorei ali mesmo, refletindo em meus queridos pais, em meus irmãos e em nossa querida Sílvia, a quem prometera casamento. Vovó Josefina consolou-me e, qual se fizesse de mim um menino de volta à infância, me fez rememorar preces do tempo de criança que eu desde muito havia esquecido... Entendi, no entanto, que não estava numa universidade e sim num santuário. O santuário do lar em cujo clima de amor formara o coração. Minhas avós me recomendaram pedir à Divina Providência bastante força para perdoar ao jovem que me despojara da vida física. E quando fiz isso, com todo o meu coração, pois, repeti as petições por vários dias consecutivos até que conseguisse repeti-las com sinceridade, pensei no infeliz companheiro qual se fosse ele meu próprio irmão do lar e, desde essa hora, um calor diferente me animou por dentro da própria alma”.



Por que deixamos que o preconceito tome conta de nós? Mesmo sabendo que uma atitude está errada, assim mesmo não conseguimos evitá-la.

Um pouco é por causa do ambiente onde fomos educados; outra provém dos impulsos que herdamos do passado.

O que é certo? O que é errado? A sociedade costuma estabelecer os critérios para que possamos diferenciar uma situação da outra.

Quando falamos sociedade, estamos nos referindo aos setores que representam a sociedade, como as leis vigentes no país e os agentes de educação - sobretudo a família, a religião e a mídia.

Mas, independente do que se considera certo ou errado, cada um de nós, no mais íntimo da alma, é estimulado pelos próprios impulsos.

No entanto, se temos conosco que uma atitude é preconceituosa e que pode prejudicar pessoas e nós mesmos, muitas vezes não conseguimos conter os impulsos que partem do inconsciente.

Deveríamos nos preocupar mais em nos conhecer a nós mesmos e nos esforçar para paulatinamente ir corrigindo nossos erros para vivermos em paz com a consciência.

Muitas vezes alimentamos esse interesse de mudar, mas nos falta a vontade, que é quase sempre dirigida pelo orgulho e pelo egoísmo.

Se temos que encarar o preconceito, realmente precisamos nos conhecer, a fim de sabermos por onde começar.

Não devemos esquecer, porém, que mudanças de atitude e comportamento só vão ocorrer de fato, se insistirmos em pôr em prática o que queremos mudar.

É por isso que algumas mudanças, que podem ocorrer em nós, acontecem sempre depois de uma experiência mais difícil.

As experiências fáceis não costumam influenciar em nossa conduta ou em nossa maneira de ver as pessoas.

Esforçar-se, portanto, em conviver com os diferentes e saber respeitá-los, tanto quanto queremos que eles nos respeitem, é a forma mais prática de acabar com o preconceito que ainda alimentamos na alma.


domingo, 7 de maio de 2023

ORIENTAÇÃO SOBRE AS REVELAÇOES ESPIRITUAIS; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 O interesse pelos assuntos relacionados aos temas espiritualistas transformou o mercado do livro em algo extremamente rentável quando bem administrado. Somente na área espírita mais de seis centenas de editoras. Esbarram, porém, na questão da distribuição. Os que dominam conhecimentos mercadológicos são poucos, transformando inúmeros títulos em publicações de uma, no máximo duas edições, oferecidos geralmente a amigos e conhecidos, fadados ao esquecimento e desaparecimento. Na verdadeira avalanche de obras editadas, observa-se pouca preocupação com o aspecto qualidade doutrinária, apesar do esmero gráfico com que chegam às prateleiras de livrarias, displays de Shoppings, lojas de autosserviço, paginas de catálogos. Atraem, muitas vezes, pelas inusitadas novidades de que se fazem veículo. Deparando-se com o problema já na fase inicial do Espiritismo, Allan Kardec analisou, de forma isenta e sóbria, o assunto. Atendia nas páginas da REVISTA ESPÍRITA, de abril de 1860, a consulta a respeito de artigo apreciando opiniões de certos Espíritos através de médiuns desconhecidos uns dos outros a respeito da Formação da Terra, expressa em edição anterior. Em suas considerações, escreveu Kardec: -“Os Espíritos tem duas maneiras de instruir os homens. Podem fazê-lo tanto se comunicando diretamente, o que ocorreu em todos os tempos, como o provam todas as histórias sagradas e profanas, quanto se encarnando entre eles, para o desempenho das missões de progresso. Tais são esses homens de Bem e geniais, que aparecem de tempos em tempos, como fachos para a Humanidade, fazendo-a avançar alguns passos. Vede o que acontece, quando esses mesmos homens vem através da Era propícia para as ideias que devem espalhar: são desconhecidos em vida, mas seu ensino não se perde. Depositado nos arquivos do mundo, como precioso grão de reserva, um belo dia sai do pó, no momento em que pode frutificar. Desde então se compreende que, se não tiver chegado o tempo necessário para disseminar certas ideias, será em vão que interrogaremos os Espíritos: eles não podem dizer senão o que lhes é permitido. Há, porém, outra razão, que compreendem perfeitamente todos os que têm alguma experiência do mundo espiritual. Não basta ser Espírito para possuir a Ciência universal, pois assim a morte nos faria quase iguais a Deus. Aliás, o simples bom senso se recusa a admitir que o Espírito de um selvagem, de um ignorante ou de um malvado, desde que separado da matéria, esteja no nível do cientista ou do homem de Bem. Isso não seria racional. Há, pois, Espíritos adiantados, e outros mais ou menos atrasados, que devem superar várias etapas, passar por numerosas peneiras antes de se despojarem de todas as imperfeições. Disso resulta que, no mundo dos Espíritos, são encontradas todas as variedades morais e intelectuais existentes entre os homens e outras mais. Ora, a experiência prova que os maus se comunicam tanto quanto os bons. Os que são francamente maus, são facilmente reconhecíveis; mas há também os meio sábios, falsos sábios presunçosos, sistemáticos e até hipócritas. Estes são os mais perigosos, porque transparecem uma aparência séria, de ciência e de sabedoria, em favor da qual proclamam, em meio a algumas verdades e boas máximas, as mais absurdas coisas. E para melhor enganar, não receiam enfeitar-se com os mais respeitáveis nomes. Separar o verdadeiro do falso, descobrir a trapaça oculta numa cascata de palavras bonitas, desmascarar os impostores, eis, sem contradita, uma das maiores dificuldades da ciência espírita. Para superá-la, faz-se necessária uma longa experiência, conhecer todas as sutilezas de que são capazes os Espíritos de baixa classe, ter muita prudência, ver as coisas com o mais imperturbável sangue frio, e guardar-se principalmente contra o entusiasmo que cega. Com o hábito e um pouco de tato chega se facilmente a ver a ponta da orelha, mesmo sob a ênfase da mais pretensiosa linguagem. Mas infeliz do médium que se julga infalível, que se ilude com as comunicações que recebe: o Espírito que o domina pode fasciná-lo a ponto de fazê-lo achar sublime aquilo que, por vezes, é apenas absurdo e salta aos olhos de todos, menos os seus (...). Temos muitos motivos para não aceitar levianamente todas as teorias dadas pelos Espíritos. Quando surge uma, fechamo-nos no papel de observador. Fazemos abstração de sua origem espiritual, sem nos deixar ofuscar pelo brilho de nomes pomposos. Examinamo-la como se emanasse de um simples mortal e vemos se é racional, se dá conta de tudo, se resolve todas as dificuldades. Foi assim que procedemos com a doutrina da reencarnação, que não adotamos, embora vinda dos Espíritos, senão depois de havermos reconhecido que ela só e só ela, podia resolver aquilo que nenhuma filosofia jamais havia resolvido”.



Todas as pessoas sofrem neste mundo. Sofrem tanto aquelas que oram, como as que não costumam orar. Não parece que haja diferença entre a vida de uns e de outros. Então pergunto: que importância tem a oração?

Você tem razão em afirmar que todos nós sofremos ou, por outra, que todos passamos praticamente pelas mesmas dificuldades ou por dificuldades muito semelhantes.

Isso é porque – como Espíritos - estamos neste mundo para aprender - para aprender e evoluir.

Podemos dizer, seguramente, que a vida na Terra é uma espécie de estágio de aprendizado, onde podemos pôr em prática o que vamos aprendendo.

Nesse sentido, você há de convir conosco que se a vida na Terra fosse “um mar de rosas”, tranquila e sem maiores problemas, não acrescentaríamos nada à nossa evolução espiritual.

Quando aqui estamos, encarnados – ou seja, vivendo num corpo de carne - não percebemos isso, porque a nossa capacidade de percepção fica restrita a esta vida.

Mas, quando o Espírito passa para o outro lado da vida – desencarna, na linguagem espírita – ele fica livre deste corpo limitado, e vai perceber que a vida é bem mais do que imaginava.

Contudo, Deus nos deu o livre arbítrio, ou a capacidade de escolher o próprio caminho, a partir de cada existência na Terra.

O fato de não lembrarmos de vidas anteriores nos dá toda liberdade de decidir, como se nada tivesse acontecido antes.

Todavia, nossas escolhas vão depender do caminho espiritual que fizemos no passado, do ambiente onde nascemos, da educação que recebemos.

Esquecendo o passado, somos livres para viver o presente da forma como escolhermos.

Mas a vida não é fácil para ninguém. Ela geralmente está cheia de obstáculos, que nos causam desconforto e vão exigir esforço e até sacrifícios de nossa parte.

Crer em Deus, portanto, é uma opção para cada um, que vai nos ajudar a buscar mais depressa nosso desenvolvimento espiritual, facilitando nosso caminho.

Quando a pessoa crê em Deus, ela praticamente vive em constante oração, porque sabe que esta vida é apenas uma etapa muito curta de uma longa caminhada espiritual.

Toda vez que pensamos em Deus, na verdade estamos orando.

Os que se ocupam mais com Deus recebem o conforto da oração e, por isso mesmo, atenuam suas dores e desconforto, porque aprendem a esperar pelo melhor.

Os descrentes, não vendo senão esta vida, maldizem a vida ou maldizem a própria sorte, não raro se revoltando ou se desesperando.

A prece, para quem sofre, é um alívio ou uma forma menos sofrida de encarar seus piores momentos.

Além de ser uma rogativa ou um agradecimento, a prece é uma forma de busca interior, de despertar de bons sentimentos e de encontrar paz no seu mundo íntimo.

Certa vez, Cezar Carneiro perguntou ao Chico Xavier se ele estava bem de saúde.

Chico respondeu que tinha vários problemas de saúde, mas ele mesmo se sentia muito bem e muito grato a Deus pela vida.


sábado, 6 de maio de 2023

- A DURA CONSTATAÇÃO DE QUE A VIDA CONTINUA; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Decisão possível nas diferentes encarnações ou vidas das criaturas humanas, o suicídio encontra nas revelações oferecidas pelo Espiritismo, uma visão mais ampla. Segundo Allan Kardec um dos motivos do aparecimento do Instinto de Conservação é evitar que desistamos de viver ante quaisquer revezes que enfrentemos. O corpo físico, revestimento que envolve ou de que se serve o Espírito no trabalho da própria evolução é frágil e embora programado para viver determinado número de anos considerando a herança genética ou os programas de reabilitação da consciência, surge a possibilidade do suicídio indireto como revelado pelo Espírito conhecido como André Luiz ao ouvir a avaliação médica feita quando de sua admissão no Hospital da Colônia Espiritual a que foi acolhido após – segundo Chico Xavier – 8 anos de padecimentos na região denominada por ele Umbral, uma extensão da Dimensão em que vivemos enquanto encarnado, situada numa das milhares de faixas vibratórias em que se compõem os Universos Paralelos ou Planos Espirituais. A Doutrina Espírita acrescenta que no caso do suicídio, além dos transtornos psicológicos e psiquiátricos que arrastam o Ser desequilibrado por esses fatores, há ainda as induções causadas através das influências espirituais a que todos estamos sujeitos. Depois da extraordinária obra MEMÓRIAS DE UM SUICIDA assinada através da médium Yvonne do Amaral Pereira pelo escritor português Camilo Castelo Branco que recorreu ao suicídio para fugir das perspectivas da perda da visão na continuidade de sua vida física expondo toda a dramaticidade decorrente do seu infeliz gesto, através de Chico Xavier no acervo resultante das cartas que psicografou por quase duas décadas em reuniões publicas na cidade de Uberaba (MG), várias foram as manifestações de jovens, sobretudo que dirigiram-se aos pais tentando se desculpar pela atitude extrema ante a vida, deixando para trás um rastro de dor e sofrimento moral. Selecionamos trechos de algumas confirmando a sobrevivência após a morte física, as influências espirituais que os levaram a ação extrema e os transtornos consciênciais enfrentados após a equivocada opção: 1- Tudo se me refez na memória. Um telefonema que me deixou indisposta e a ideia que eu nunca deveria ter alimentado chegando, aos poucos, a me repletar o cérebro de resoluções lamentáveis. Dez minutos para as três horas da tarde, procurei certificar-me de que poderia agir sem a presença de quem quer que fosse e, como que amedrontada, diante de mim mesma, consegui a chave que me daria acesso à arma com a qual me anulei no quarto. Não sei até hoje que forças desumanas teriam possuído o meu ser... Recordo-me que chegava a sentir pesada mão sobre a minha para que o gatilho não falhasse. Cai, descontrolada, mas ainda escutava os rumores de casa, quando ouvi as vozes da Mônica...Claudia Pinheiro Galassi, 18 anos 2- Ainda não sei que força me tornou naquela quarta-feira. Tive a ideia de que uma ventania me abraçava e me atirava fora pela janela. Certamente devia mobilizar minha vontade e impedir que o absurdo daquele momento me enlouquecesse. Obedecia maquinalmente àquela voz que me ordenava projetar-me no vácuo. Quis recuar, mudar o sentido da situação, não consegui. Nunca imaginaria que tanto sofrimento se seguiria ao meu gesto. Renata Zacaro, 18 anos. 3- Creia que amanheci naquela terça-feira, quatro de maio, pensando em descobrir como iria encontrar um presente para o seu carinho no Dia das Mães. Pensava nas aulas, em minha professora Juvercídia e procurava concentrar-me nos livros para estudar; entretanto, quando vi o veneno, a força estranha me tomou o pensamento. Avancei para o suicídio quase sem conhecimento, embora muitas vezes não ocultasse o desejo de morrer. Tudo sem motivo, sem base.(...) A princípio, me vi numa nuvem com a garganta em fogo e uma dor que não parecia ter fim. Talvez exagerasse as coisas que eu sentia, talvez guardasse impressões da vida que eu não devia guardar. O que é mais doloroso é que provoquei a morte do corpo, sem razão. Lucia Ferreira, 16 anos


O que acontece com os políticos quando chegam ao mundo espiritual?

Isso depende de cada um. Em tese, sabemos que o político é a pessoa que optou por atuar exclusivamente pelo interesse do povo, pelos interesses coletivos.

Se o seu verdadeiro objetivo é realmente esse e, dentro de suas possibilidades, sempre procurou ser útil à sociedade, é claro que se sentirá em paz consigo mesmo depois desta vida.

Caso contrário, se desviou suas metas para atender a interesses próprios ou qualquer outro interesse que não seja o bem do povo, terá que prestar contas primeiramente à própria consciência.

Por outro lado, sabemos o quanto é difícil atuar pelo bem da coletividade, quando muitos interesses estão em jogo e o político, quer queira ou não, sempre estará sujeito a pressões de todos os lados.

Se escolher o caminho mais fácil e deixar levar por interesses escusos que tentarão envolve-lo, espiritualmente será um fracassado.

B - Mas seu comportamento no mundo espiritual dependerá de seu nível de consciência política ou, melhor dizendo, de sua consciência moral.

Não existe um tribunal tão exigente e tão implacável quanto o tribunal de nossa própria consciência.

E não existe neste mundo uma tentação tão envolvente e tão ilusória do que aquela que nos proporciona vantagens materiais imediatas.

Este, seguramente, é o maior teste para o político. E se ele se considera cristão, deverá lembrar-se de como Jesus reagiu as tentações do mal em troca de sua missão na Terra.

O político, que tem consciência da dimensão espiritual de sua tarefa, deve lembrar-se sempre de que está imbuído de uma missão divina.

Atuar em benefício do povo exige muito de cada um, exige que muitas vezes ele abra mão de seus próprios interesses.

Eis porque o político autêntico é aquele que vê primeiro o interesse da população e só depois o seu.

Desse modo, se ele considera a política como seu ideal, ao chegar à espiritualidade, poderá prosseguir trabalhando em favor da boa causa.

Caso contrário – ou seja, se falhou por desvio de atuação, passará a amargar um sentimento de culpa – se foi bem intencionado – ou, então, buscará ambientes espirituais comprometidos com a corrupção.

Há Espíritos, enfronhados no meio político, que procuram ajudar os políticos honestos, como há os que estimulam a vaidade e a desonestidade.

Mas, não podemos deixar de considerar que político, acima de tudo, é um ser humano, sujeito a erros e com compromissos consigo mesmo, com a família e com a sociedade.

Em cada um desses níveis de compromisso, ele pode se sair bem ou agir por interesses mesquinhos.

Logo, seu destino no mundo espiritual (bom ou mau, de ´paz ou se aflição) dependerá do caminho que veio construído ao longo de sua carreira na política terrena.

 

sexta-feira, 5 de maio de 2023

KARDEC EXPLICA PORQUE O ESPIRITISMO É IMPAR ; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

No número de abril de 1864, o mesmo em que anunciava o lançamento d’O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO, Allan Kardec incluiu na pauta da REVISTA ESPÍRITA interessante artigo de sua autoria, intitulado Autoridade da Doutrina Espírita, ressaltando as diferenças entre ela e as demais propostas filosófico/religiosas existentes à época. E, os que o leem acabam concluindo: atualíssima. Dos raciocínios nele desenvolvidos, destacamos 6 para sua avaliação: 1- Se a Doutrina Espírita fosse uma concepção puramente humana, não teria como garantia senão as luzes de quem a tivesse concebida. Ora, ninguém poderia ter a pretensão fundada de possuir, ele só, a verdade absoluta. Se os Espíritos que a revelaram se tivessem manifestado a um homem só, nada garantiria sua origem, pois seria preciso crer, sob palavra, naquele que dissesse ter recebido seu ensino. Admitindo de sua parte uma perfeita sinceridade, ao menos poderia convencer as pessoas de seu ambiente; poderia ter sectários, mas não conseguiria jamais atrair todo mundo. 2- Quis Deus que a nova revelação chegasse aos homens por uma via mais rápida e mais autêntica. Eis porque encarregou os Espíritos de leva-la de um a outro polo, manifestando-se por toda parte, sem dar a ninguém o privilégio exclusivo de ouvir sua palavra. Um homem pode ser enganado, pode mesmo enganar-se; assim não poderia ser quando milhões de homens veem e ouvem a mesma coisa; é uma garantia para cada um e para todos. Aliás, pode fazer-se um homem desaparecer, mas não desaparecem as massas; podem queimar-se livros, mas não os Espíritos. Ora, se se queimassem todos os livros, a fonte da Doutrina não seria emudecida, por isso que não está na Terra: surge por toda parte e cada um pode aproveitá-la. Em falta de homens para espalhá-la, haverá sempre Espíritos que atingem todo o mundo e ninguém pode atingi-los. 3- Na realidade, são os próprios Espíritos que fazem a propaganda, auxiliados por inumeráveis médiuns que suscitam por todos os lados. Se tivessem um intérprete único, por mais favorecido que fosse, o Espiritismo seria apenas conhecido; esse mesmo interprete, fosse de que classe fosse, teria sido objeto de prevenções por parte de muita gente; nem todas as Nações o teriam aceitado, ao passo que os Espíritos se comunicam por toda parte, a todos os povos, a todas as seitas e partidos, sendo aceitos por todos. O ESPIRITISMO NÃO TEM NACIONALIDADE; está por fora de todos os cultos particulares; não é imposto por nenhuma classe da sociedade, pois cada um pode receber instruções de parentes e amigos de além-túmulo. Era preciso que assim fosse, para que pudesse chamar todos os homens à fraternidade. Se se não tivesse colocado em terreno neutro, teria mantido dissenções, em vez de apaziguá-las. 4- Essa universalidade do ensino dos Espíritos constitui a força do Espiritismo. Aí, também, está a causa de sua propagação tão rápida. Ao passo que a voz de um só homem, mesmo com o auxílio da imprensa, teria levado séculos antes de chegar a todos os ouvidos, eis que milhares de vozes se fazem ouvir simultaneamente em todos os pontos da Terra, para proclamar os mesmos princípios, e os transmitir aos mais ignorantes, como aos mais sábios, a fim de que ninguém fique deserdado. É uma vantagem de que não gozou nenhuma das doutrinas até hoje aparecidas. Se, pois, o Espiritismo é uma verdade, nem teme a má vontade dos homens, nem as revoluções morais, nem os desmoronamentos físicos do Globo, porque nenhuma dessas coisas pode atingir os Espíritos. 5- Sabe-se que os Espíritos por força da diferença existente em suas capacidades, estão longe de estar individualmente na posse de toda Verdade; que nem a todos é dado penetrar certos mistérios; que seu saber é proporcional à sua depuração; que os Espíritos vulgares não sabem mais que os homens e até menos que certos homens; que entre eles, como entre estes, há presunçosos e pseudo-sábios, que creem saber o que não sabem, sistemáticos que tomam suas ideias como verdades; enfim, que os Espíritos de ordem mais elevada, os que estão completamente desmaterializados, são os únicos despojados das ideias e preconceitos terrenos. Mas, sabe-se também, que os Espíritos enganadores não têm escrúpulos em esconder-se sob nomes de empréstimo, para fazerem aceitas suas utopias. Disso resulta que, para tudo quanto esteja fora do ensino exclusivamente moral, as revelações que cada um pode obter tem um caráter individual sem autenticidade; que devem ser consideradas como opinião pessoal de tal ou qual Espírito, e que seria imprudente aceita-las e promulga-las levianamente como Verdades absolutas. 6- O primeiro controle é, sem sombra de dúvida, o da razão, à qual é preciso submeter, sem exceção, tudo quanto vem dos Espíritos. 


Quando um pobre é acometido de uma doença, buscar ajuda médica e hospitalar é sempre difícil e, para certos casos, até impossível, de modo que muitos morrem sem assistência. Já, com o rico, a coisa é diferente e, nesse particular, geralmente ele não tem maiores problemas. De modo que as chances do pobre de se curar são bem menores que a do rico. Será que no mundo espiritual acontece o mesmo. Quais são as chances do pobre e do rico no mundo espiritual, já que o rico sempre teve aqui do bom e do melhor, enquanto o pobre sofre a vida inteira, até para morrer?

Interessante a colocação. Na verdade, todos sabemos que a condição social das pessoas neste mundo geralmente lhe dá alguma vantagem de ordem material, mas não no mundo espiritual.

Jesus falou sobre isso quando contou a parábola do rico e do mendigo, conforme lemos no evangelho.

 Havia um homem rico que se, vestia de púrpura e de linho finíssimo, e vivia todos os dias regalada e esplendidamente.  

Havia também um certo mendigo, chamado Lázaro, que jazia cheio de chagas à porta do rico. 

Desejava alimentar-se com as migalhas que caíam da mesa do rico; e os próprios cães vinham lamber suas feridas. 

E aconteceu que o mendigo morreu e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão ( isto é, no céu) ; e morreu também o rico e foi sepultado.  

No Hades (quer dizer, no mundo espiritual), o rico ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu ao longe Abraão e Lázaro, no seu seio.  

Clamando, disse: “Abraão, meu pai, tem misericórdia de mim e manda a Lázaro que molhe na água a ponta do seu dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama”.

O rico insiste e, por fim, pede que Abraão mande alguém avisar seus irmãos na Terra, para que não lhes aconteça o mesmo.

Esta parábola, por si só, mostra que a condição material de uma pessoa pode ser muito diferente de sua condição no mundo espiritual.

A questão não está propriamente na riqueza ou na miséria, mas nos sentimentos e principalmente nas ações que cada um praticou em relação ao próximo, enquanto encarnado.

Na parábola que Jesus contou percebe-se que o rico era um egoísta, sovina, orgulhoso, enquanto o pobre era uma pessoa humilde do ponto de vista moral.

Por isso, o desfecho da história foi de colocar o mendigo numa condição espiritualmente bem superior ao do rico, a ponto de não haver comunicação entre eles.




quinta-feira, 4 de maio de 2023

A MENTE E O ESPIRITISMO; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

Embora as ideias sejam associadas por muitos, o estudo criterioso das informações oferecidas pelos Espíritos leva a crer que a mente constitui-se num instrumento para que o Espírito trabalhe pela própria evolução. Consideram eles quetoda mente é dínamo gerador de força criativa”. (AR,5) E queo pensamento é uma força, é o atributo característico do Ser Espiritual; é ele que distingue o Espírito da matéria; sem o pensamento o Espírito não seria Espírito. (RE, /1864) Acrescentam ainda que “o pensamento atua à feição de onda, com velocidade superior à da luz. (AR, 5) Objetivando reunir elementos para suscitar maiores e mais profundas reflexões, foi elaborado MENTE, CORPO, DOENÇAS – AS RESPOSTAS QUE O ESPIRITISMO DÁ, disponibilizado no YOUTUBE. Dele destacamos duas questões para sua avaliação: 1- Para se relacionar com a vida, o Espírito se vale do instrumento chamado Mente. O que vem a ser? A mente humana, ainda que indefinível pela conceituação científica limitada, na Terra, é o centro de toda manifestação vital no Planeta. A mente emana do Espírito. É o instrumento criado pelo Espírito para aspirar, canalizar e modelar a energia espiritual extravasando seus impulsos ou aplicando-a para os fins que tem em mira. É a sede do raciocínio que guia nossos atos. A mente é o espelho da vida em toda parte . (PV,1) . É um núcleo de forças inteligentes, gerando plasma sutil (pensamento) que, a exteriorizar-se incessantemente de nós, oferece recursos de objetividade às figuras de nossa imaginação, sob o comando de nossos próprios desígnios. (NDM; 1) Toda mente vibra na onda de estímulos e pensamentos em que se identifica, gerando o Espírito em si mesmo inimaginável potencial de forças mento-eletromagnéticas, exteriorizando nessa corrente psíquica os recursos e valores que acumulou em si próprio. (MM;12) Cada tipo de mente vive na Dimensão com que se harmonize. (FT ) 2- Então ela é o elo entre a realidade interior e a exterior? O reflexo mental vibra em tudo. Nossa alma pode ser comparada a um espelho vivo com qualidades de absorção e exteriorização. Recolhe a força da vida em ondas de sentimento e emite-as em ondas de pensamento a se expressarem através de palavras e atitudes, exemplos e fatos. Refletimos, assim, constantemente, uns nos outros. É pelo reflexo mental que se estabelece o fenômeno da afinidade, desde os reinos mais simples da Natureza. Vemo-lo nos animais que se acasalam, no mesmo tom de simpatia, tanto quanto nas almas que se reúnem na mesma faixa de entendimento. Quando se consolida a amizade entre um homem e um cão, podemos registrar o reflexo da mente superior da criatura humana sobre a mente fragmentária do Ser inferior, que passa então a viver em regime de cativeiro espontâneo para servir ao dono e condutor, cuja projeção mental exerce sobre ele irresistível fascínio. (IP) Procederam acertadamente aqueles que compararam nosso mundo mental a um espelho. Refletimos as imagens que nos cercam e arremessamos na direção dos outros as imagens que criamos. E, como não podemos fugir ao imperativo da atração, somente retrataremos a claridade e a beleza, se instalarmos a beleza e a claridade no espelho de nossa vida íntima. Os reflexos mentais, segundo a sua natureza, favorecem-nos a estagnação ou nos impulsionam a jornada pra frente, porque cada criatura humana vive no céu ou no inferno que edificou para si mesma, nas reentrâncias do coração e da consciência, independentemente do corpo físico, porque, observando a vida apenas como transição entre dois tipos da mesma experiência, no ‘hoje imperecível’. (NDM) 


Depois da morte o que os Espíritos vão fazer no seu mundo, além de se preocupar e se comunicar com as pessoas que deixou na Terra?

- Esta pergunta nos leva ao capítulo “Ocupações e Missões dos Espíritos” d’ O LIVRO DOS ESPÍRITOS. Seria interessante ler com atenção as 26 questões que Kardec levantou sobre este tema, a partir da questão 558.

Nesse capítulo ele não trata somente dos desencarnados, mas também dos encarnados, até porque estar encarnado ou estar desencarnado é uma condição do Espírito ao longo do seu processo evolutivo.

Logo na primeira questão deste capítulo, a questão 358, ficamos sabendo que, na vida espiritual, os Espíritos de um modo geral têm suas ocupações, assim como aqui, a Terra. Entre os encarnados, cada indivíduo é levado a participar da vida social, onde ele busca a sua própria realização como pessoa e como cidadão, além de contribuir para a vida coletiva.

Desse modo, não é difícil concluir que, tanto quanto aqui na Terra, existem os Espíritos mais atuantes, os trabalhadores conscientes de suas obrigações, como existem uns poucos que não querem assumir responsabilidade. Mas, regra geral, todos são chamados ao trabalho e todos trabalham.

Alguns autores espirituais, como é o caso de André Luiz, nos trouxeram muitas informações sobre o que puderam observar ou vivenciar na espiritualidade. A série “Nosso Lar” de André Luiz, por exemplo, composta de 13 volumes, traz interessantes apontamentos que corroboram o que as obras de Kardec revelaram há mais de 160 anos.

Os Espíritos trabalham como nós na Terra. Toda atividade útil é trabalho, toda atividade que concorre tanto para o bem individual como para o bem coletivo - não importa que tipo de atividade. E o trabalho, fruto das habilidades e do esforço de cada um, é que concorre para o seu próprio progresso, para sua evolução.

Logo, a evolução ocorre nos dois planos de vida, neste em que estamos e no plano espiritual para onde vamos. Cada um, porém, tem sua história e seus próprios problemas, mas nem por isso estão isentos dessa grande responsabilidade diante do interesse e necessidade da coletividade.

Se descermos um pouco aos casos particulares, vamos encontrar Espíritos nas mais diferentes condições. Desde os doentes e ignorantes, que precisam de atendimento e orientação, àqueles que têm muito a dar de si mesmos.

Assim como em nosso mundo há pessoas que vivem à margem da sociedade, o mesmo deve ocorrer no mundo espiritual. Desse modo, a vida na Terra é um reflexo da vida espiritual: assim como há os cidadãos engajados na vida social com sua cota de contribuição, na espiritualidade há os que se sobressaem pela sua capacidade de vivenciar os ideais do Cristo.

Contudo, a desencarnação por si só não faz milagres de mudança. Muitos despertam ao passar pela experiência da morte fica, mas há os que nem isso é capaz de reajustá-los. Isso depende do histórico de cada um ao longo das encarnações e, sobretudo, de como se conduzia nesta última existência.

Quanto ao contato com os encarnados, o mais frequente e aqueles que menos lembramos, é o que acontece durante o sono. O afrouxamento dos laços espirituais do corpo durante o sono favorece o que Allan Kardec chamou de emancipação da alma.

Nessas condições, podemos encontrar Espíritos familiares e amigos; até mesmo nossos protetores ou nossos inimigos, constituindo-se na forma mais comum de contato com o mundo espiritual.

É claro que não trazemos esses fatos, a não ser muito raramente, para a nossa memória cerebral, de forma que lembramos muito pouco e, muitas vezes, de forma distorcida o que se passou no plano espiritual.

As comunicações mediúnicas são bem mais raras, seja pela falta de médiuns que sirvam a essa causa, seja pelas próprias condições dos Espíritos.

Mas, se você quer outras informações a respeito, leia com atenção o livro NOSSA VIDA NO ALÉM , autoria de Marlene Nobre.


quarta-feira, 3 de maio de 2023

INDICES ALARMANTES ; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 - “E como a destruição não marchasse bastante depressa, ver-se-ão os suicídios multiplicando-se numa proporção incrível, até entre as crianças”, preconizaram os Espíritos em abril de 1866 em extensa comunicação que serviu de base para a elaboração do capítulo 18 do livro A GÊNESE. Allan Kardec a reproduz na íntegra no número de outubro daquele ano da REVISTA ESPÍRITA. Tudo como parte da etapa considerada como transição planetária, a tão proclamada mudança evolutiva, iniciada em meados do século XVIII e, em pleno andamento. A prova do acerto de tal prognóstico está refletida o resultado da pesquisa desenvolvida pela OMS – Organização Mundial de Saúde e divulgada há um mês, apontando o suicídio como terceira maior causa de morte de jovens na faixa dos 10 aos 19 anos. O suicídio, abominado pela maior parte das religiões tradicionais, encontra no Espiritismo uma visão mais racional, causada ou por sérios transtornos psicológicos e psiquiátricos e, segundo depoimentos de Espíritos que cederam à ideia, como induzida por influências espirituais vigorosas. Cogitações sobre o assunto podem ser encontradas em abordagens na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, como as reproduzidas no número de novembro de 1858, na seção Problemas Morais. Na verdade, duas situações foram propostas ao Espírito São Luiz, objetivando conhecer a posição da Espiritualidade e, naturalmente, da Doutrina Espírita sobre elas. A primeira buscava entender a aparente contradição existente entre a atitude do indivíduo que alimenta a ideia do suicídio, mas reage defensivamente diante de uma ameaça de morte pretendida por outra pessoa, no caso de um assalto, por exemplo. Se a pessoa quer morrer, por que se defende? O dirigente espiritual dos trabalhos daquele grupo de pesquisa, explicou que o fato se dá “porque o homem tem sempre medo da morte. Quando se suicida, está superexcitado, com a cabeça transtornada, e realiza esse ato sem a coragem nem medo e, por assim dizer, sem ter conhecimento do que faz; ao passo que se lhe fosse dado raciocinar não verismos tantos suicídios. O instinto do homem o leva a defender a própria vida e, durante o tempo que decorre entre o momento em que o seu semelhante se aproxima para o matar e o momento em que o ato é cometido, tem ele sempre um movimento de repulsa instintiva da morte; e este o leva a repelir esse fantasma, só apavorante para um Espírito culpado. O homem que se suicida não experimenta tal sentimento porque se acha cercado de Espíritos que o impelem, que o ajudam em seus desejos e lhe fazem perder completamente a lembrança do que não seja ele mesmo, isto é, dos pais, daqueles que o amam e de uma outra existência. Nesse momento o homem é todo egoísmo”. Outra duvida, relacionava-se à culpa – ou não -, daquele que sem ter a coragem deliberada de suicidar, expõe-se a riscos e perigos, como os que, por exemplo, se propõe a lutar em guerras ideológico/políticas. Sobre isso, o Orientador Espiritual tal indivíduo “será sempre culpado. O homem deve seguir o impulso que lhe é dado. Seja qual for a vida que leve, é sempre assistido por Espíritos que o conduzem e o dirigem, apesar do seu desconhecimento. Ora, procurar agir contra seus conselhos é um crime, pois que aqueles aí estão para nos dirigir e, quando queremos agir por nós mesmos, esses bons Espíritos estão prontos a ajudar-nos. Entretanto, se o homem, arrastado por seu próprio Espírito, que deixar esta vida, é abandonado; mais tarde reconhece que terá de recomeçar uma outra existência. Para elevar-se, deve o homem ser provado. Parar a sua ação, por um entrave em seu livre arbítrio seria ir contra Deus e, neste caso, as provas tornar-se-iam inúteis, porque os Espíritos não cometeriam faltas. O Espírito foi criado simples e ignorante; então, para chegar às Esferas felizes, é necessário elevar-se em Ciência e sabedoria e, é somente na adversidade que adquire um coração elevado e compreende a Grandeza de Deus”. Demonstrando o aspecto democrático das reuniões, um dos participantes externou sua opinião segundo a qual teria percebido uma contradição nas últimas palavras do Instrutor, ao dizer que o homem pode ser arrastado ao suicídio pelos Espíritos que a isto o excitam, cedendo, portanto a um impulso estranho. Esclarecendo a entidade afirmou “não existir contradição. Quando disse que o homem impelido ao suicídio era cercado de Espíritos que a isto o solicitavam não me referia aos bons Espíritos, que fazem todo esforço para o evitar; isto deveria estar subentendido; sabemos todos que temos um anjo da grada ou, se preferis, um guia familiar. Ora, o homem tem o seu livre arbítrio; se, a despeito dos bons conselhos que lhe são dados, persevera nesta ideia criminosa, ele a realiza, no que é ajudado pelos Espíritos levianos e impuros, que o cercam e que se sentem felizes por ver que ao homem, ou Espírito encarnado, também falta a coragem para seguir conselhos de seu bom guia, por vezes de Espíritos de parentes mortos que o rodeiam, sobretudo em circunstâncias semelhantes”.


Ouvi dizer que, quando acontece um grande acidente em que muitas pessoas vêm a falecer ao mesmo tempo, é porque todas elas no passado participaram de alguma atrocidade que matou muita gente...

De fato, isso pode acontecer. As mortes coletivas não acontecem por acaso. Não é por acaso que aquelas pessoas se reuniram para perecer no mesmo acidente.

Por que isso acontece? Porque, em geral, são Espíritos que estão ligados entre si numa mesma situação do passado - geralmente passado muito distante – em que elas participaram de maneira solidária.

No livro AÇÃO E REAÇÃO, recebido pelo médium Chico Xavier, André Luiz conta um caso de desencarne coletivo em acidente aéreo numa serra.

Catorze vítimas, desencarnadas do desastre, foram assistidas e socorridas por uma equipe de espíritos pertencentes à colônia espiritual “Mansão Paz”.

Oito dessas vítimas permaneceram em choque algemadas ao corpo físico, mutiladas ou não. Quatro das vítimas gemiam ligadas aos próprios restos mortais. Duas das vítimas gritavam em crises de inconsciência ainda ligadas aos corpos físicos.

O instrutor espiritual, Silas - que coordenava a equipe da qual André Luiz participava - explicava o por que das 14 vítimas somente seis eram efetivamente desligadas dos seus corpos físicos e removidas do local

Algumas das vítimas ficariam retidas nos seus corpos físicos por algumas horas ou dias conforme o grau de atração fluídica que as prendiam aos seus respectivos corpos.

Silas explicou que, apesar da assistência espiritual a todos, a morte é diferente para cada um, pois as vítimas eram assistidas de acordo com os seus merecimentos e condições de equilíbrio e desapego em relação aos seus corpos físicos.

Além disso, a morte do corpo não quer dizer emancipação espiritual, ou seja, cada um se desprende do corpo num determinado momento e conforme seu merecimento, ou seja, conforme suas conquistas espirituais.

Silas ainda informou sobre as origens da provação a que se acolheram os acidentados.

Eram delinquentes do passado, que atiraram pessoas indefesas do cimo de torres altíssimas ou que jogaram pessoas no mar ou, ainda, suicidas que se jogaram de grande altura.

Importante, no entanto, é que não atribuamos tais sinistros ao castigo de Deus. Não existe castigo de Deus. O que chamamos de Justiça Divina é apenas e tão somente o funcionamento da lei de causa e efeito.

Em geral, trata-se de Espíritos que, depois de algum tempo dos delitos cometidos, caem em si num processo doloroso de arrependimento e querem, por toda sorte, se libertar do remorso que os assalta.

A essa altura, passados muitos anos ou até séculos, os Espíritos que não conseguiram reparar o mal causado por meio da reencarnação (há muitas formas de reparar o mesmo erro), decidem, eles mesmos, passar por dores semelhantes às que causaram às suas vítimas no pretérito.



terça-feira, 2 de maio de 2023

SURREAL, MAS RACIONALMENTE POSSÍVEL; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Diferentemente do Espírito identificado como André Luiz, Manoel Philomeno de Miranda a partir da própria cura de um processo obsessivo, passou a trabalhar enquanto encarnado em Centro Espírita na cidade de Salvador, na Bahia, para onde se mudara com trabalhos neles desenvolvidos, voltados para atendimento a pessoas acometidas por quadros da obsessão. Desencarnado em 1942, psicografou através de Chico Xavier uma mensagem dirigida ao também médium Divaldo Pereira Franco e, a partir de 1970, através do mesmo começou a transferir para nossa Dimensão obras abordando suas experiências do outro lado da vida mostrando a intensa interação existente entre os diferentes Planos Existenciais e a gravidade dos processos de obsessão através de casos que, segundo ele, atingem proporções inimagináveis. Mais de uma dezena de obras marcadas por extremo bom senso foi surgindo desde NOS BASTIDORES DA OBSESSÃO, o primeiro da série. Livros excelentes contendo instigantes revelações como TRANSIÇÃO PLANETÁRIA (2010), revelando as ações preparatórias para o grande evento de dezembro de 2004, que impôs em alguns minutos a morte de aproximadamente quatrocentas mil pessoas, no Tsunami resultante de um violento terromoto ocorrido em alto mar, a quilômetros de distancia das áreas continentais atingidas em vários Países situados no Oceano Índico. Ou ainda NAS FRONTEIRAS DA LOUCURA (1982), abordando os efeitos espirituais e materiais do carnaval nas estruturas sociais encarnadas e desencarnadas. Um deles, TORMENTOS DA OBSESSÃO (2001), apresenta um caso extremamente interessante, retratando personagem que, alcoolizado, teria, certa noite, adentrado um Centro logo após o termino das suas atividades. Superado o constrangimento inicial dos remanescentes presentes, foi convencido por um dos dirigentes a submeter-se a tratamento ali oferecido, o que o fez voltar ainda algumas vezes, até que não mais apareceu. O próprio Manoel, testemunha do fato, prossegue resgatando detalhes do sucedido na sequência: -“Não passaram duas semanas, e fomos informados da tragédia em que se envolvera o pobre Ludgério, tendo fim a consumida existência física. Discutindo com outro companheiro embriagado, comparsa habitual das extravagâncias alcoólicas, num dos bares em que se homiziavam, foi acometido de grande loucura e, totalmente alucinado, tomou de uma faca exposta no balcão da espelunca, cravando-a, repetidas vezes, no antagonista, mesmo após tê-lo abatido e morto. A cena de sangue, odienta e ultrajante, provocou a ira dos passantes e comensais do repelente recinto que, inspirados por perversos e indigitados Espíritos vampirizadores, se atiraram contra o alcoólatra, linchando-o sem qualquer sentimento de humanidade, antes que a polícia que frequentava o local pudesse ou quisesse interferir. Todo linchamento demonstra o primarismo em que ainda permanece o Ser humano, e resulta da explosão do ódio que acomete aos imprevidentes, que passam a servir de instrumentos inconscientes de hordas espirituais perversas, que dão vasa aos sentimentos vis através das paixões desordenadas (...). Os jornais fizeram estardalhaço sobre o inditoso acontecimento, que a nós outros que o conhecíamos, muito nos compungiu, deixando-nos material espiritual para demoradas reflexões e interrogações que somente após a morte nos foi possível compreender. Naquela ocasião, indagamo-nos, se teria falhado a ajuda espiritual que se estava iniciando com futuras perspectivas de atenuar o processo obsessivo. Por que os desafetos conseguiram atingir as metas estabelecidas? (...) Após a morte física, ainda interessado no caso Ludgério, tentamos encontrá-Lo, sem o conseguir. (...) Soubemos, por fim, que aquele, que lhe fora vítima do homicídio infame, era um dos comparsas de vidas anteriores, que se desaviera quando da partilha de terras que haviam sido espoliadas de camponeses humildes que lhes sofriam a dominação arbitrária, tornando-se-lhe igualmente adversário. Desde então, unidos pelos crimes, uma ponte de animosidade fora distendida entre eles. Como os adversários espirituais se vinculavam a ambos, encontraram campo vibratório propício para o assassinato de cunho espiritual”.


Muito do que antes se chamava milagre (como as chamadas curas espirituais, por exemplo) e do que se atribuía aos Espíritos acabou sendo desvendado pela ciência. Isso explica porque aconteciam muitos milagres no passado da humanidade e hoje não acontece mais. (Comentário)

Não temos dúvida de que muito do que era inexplicável antigamente acabou recebendo explicação com o progresso da ciência, mas isso não quer dizer que a ciência pode explicar tudo.

O Espiritismo considera que todo fenômeno (do mais simples ao mais complexo) que acontece no universo, depende de leis universais, quer se considere milagre ou não.

Os espíritas não gostam de usar a palavra “milagre”, porque milagre, segundo a crença religiosa, seria uma derrogação da lei divina.

Ora, se há algo que podemos considerar milagre são as próprias leis, que são perfeitas porque funcionam sempre. Deus não precisa derrogar sua lei para mostrar seu poder.

O poder, ao contrário, está justamente na perfeição da lei e não na sua derrogação. O que é perfeito não muda.

Quando não conseguimos explicar um fato, mesmo assim, sabemos que ele obedece a uma lei – uma lei que ainda não conhecemos.

Allan Kardec, no seu tempo, sabia que a ciência, mais cedo ou mais tarde, iria desvendar muitos fatos que, no passado, foram considerados milagrosos.

Mesmo assim, a ciência não pode explicar tudo, porque ela não tem alcance nos fenômenos que ocorrem além das dimensões do mundo material.

Mas, até onde a matéria tem domínio, a ciência explica e convence.

Acontece, porém, uma situação interessante, cuja causa está no mundo espiritual e que tem repercussão no mundo material.

Enquanto existem causas no mundo material, a ciência pode explicar. Mas ela não explica o que vem antes disso.

No capítulo intitulado “Intervenção dos Espíritos no Mundo Corporal”, vamos encontrar alguns exemplos esclarecedores.

Um homem, cujo momento da desencarnação está chegando, sobe numa escada, a escada se quebra, ele cai e morre.

A pergunta é se os Espíritos quebraram a escada para ele cair, pois havia chegado o fim de sua vida.

Os Espíritos respondem que a queda do homem e, consequentemente, sua morte se deu por causa natural. Como assim?

Ele tinha sido intuído a subir na escada, cujos degraus já se achavam deteriorados e, por isso, ela não suportou seu peso.

Desse modo, em qualquer situação, sempre se encontrará uma causa material, mesmo que atrás dela exista uma causa espiritual.

O mundo espiritual e o mundo material estão conectados por meio da lei de causa e efeito, e desse modo é possível dar uma explicação material ao fato.

Tanto assim que, nos chamados fenômenos espíritas, entra tanto a participação dos Espíritos (desencarnados) como a dos médiuns (encarnados).


segunda-feira, 1 de maio de 2023

A RESPONSABILIDADE MORAL; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 “Se um homem cometeu um crime, e se o tiver consumado seduzido pelos conselhos perigosos de um homem que sobre aquele exerce muita influência, a Justiça humana saberá reconhece-lo, concedendo-lhe o benefício das circunstâncias atenuantes; irá mais longe: punirá o homem cujos conselhos perniciosos provocaram o crime, e, mesmo sem ter contribuído de outra maneira, este homem será mais severamente punido do que o que foi o instrumento, porque foi seu pensamento que concebeu o crime, e sua influência sobre um Ser fraco, que o fez executar. Se é o que fazem os homens neste caso, diminuindo a responsabilidade do criminoso, e a partilhando com o infame que o impeliu a cometer o crime, como queríeis que Deus, que é a mesma justiça, não fizesse o mesmo, desde que vossa razão vos diz que é justo agir assim?”. A comparação foi utilizada pelo Espírito Louis Nivard em mensagem psicografada em reunião da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas e reproduzida na edição de setembro de 1867, da REVISTA ESPÍRITA. Na verdade, procurava esclarecer ao filho – por sinal o médium de que se serviu -, sobre a responsabilidade assumida por aquele que age sob a influência de Espíritos desencarnados. Nivard explica: -“Assisto a todas as tuas conversas mentais, mas sem as dirigir; teus pensamentos são emitidos em minha presença, mas eu não os provoco. É o pressentimento dos casos, que tem alguma chance de se apresentar, que faz surgir em ti os pensamentos adequados à resolução das dificuldades que poderiam suscitar. Aí está o livre arbítrio; é o exercício do Espírito encarnado, tentando resolver problemas que cria em si mesmo. Efetivamente, se os homens só tivessem as ideias que os Espíritos lhes inspiram, teriam pouca responsabilidade e pouco mérito; só teriam a responsabilidade de haver escutado maus conselhos, ou o mérito de haver seguido os bons. Ora, esta responsabilidade e este mérito evidentemente seriam menores do que se fossem o inteiro resultado do livre-arbítrio, isto é, de atos realizados na plenitude do exercício das faculdades do Espírito que, neste caso, age sem qualquer solicitação. Resulta do que digo que muitas vezes o homem tem pensamentos que lhes são essencialmente próprios, e que os cálculos a que se entregam, os raciocínios que fazem, as conclusões a que chegam são o resultado do exercício intelectual, ao mesmo título que o trabalho manual é o resultado do exercício corporal. Daí não se deveria concluir que o homem não seja assistido em seus pensamentos e em seus atos pelos Espíritos que os cercam; muito ao contrário: os Espíritos, sejam bons ou maus, são sempre a causa provocadora dos vossos atos e pensamentos. Mas ignorais completamente em que circunstâncias se produz essa influência, de sorte que, agindo, julgais fazê-lo em virtude do vosso próprio movimento: vosso livre arbítrio fica intacto; não há diferença entre os atos que realizais sem serdes a eles impelidos, e os que realizais sob a influência dos Espíritos, senão no grau do mérito ou da responsabilidade. Num e noutro caso, a responsabilidade e o mérito existem, mas, repito, não existem no mesmo grau(...). Tentando simplificar ainda mais, Nivard acrescenta: -“Assim, pois, quando te acontece refletir e passear tuas ideias de um a outro assunto; quando discutes mentalmente sobre os fatos que prevês ou que já se realizaram; quando tu analisas, quando raciocinas, quando julgas, não crês que sejam Espíritos que te ditam teus pensamentos ou que te dirigem; eles lá estão, perto de ti, e te escutam; vem com prazer esse exercício intelectual, ao qual te entregas; seu prazer é duplo, quando percebem que tuas conclusões são conforme à verdade. Por vezes lhes acontece, evidentemente, que se misturem nesse exercício quer para facilitá-lo, quer para dar ao Espírito alguns elementos, ou lhe criar certas dificuldades, a fim de tornar essa ginástica intelectual mais proveitosa a quem a pratica. Mas, em geral, o homem que busca, quando entregue às suas reflexões, quase sempre age só, sob o olhar vigilante de seu Espírito Protetor, que intervém se o caso for bastante grave para tornar necessária sua influência”.



Ouvimos da Carol o seguinte comentário. “Acho interessante a questão da reencarnação. Minha dúvida, porém, é porque não posso entender que uma pessoa esteja sofrendo, pagando por uma dívida de que ela não se recorda e nem sabe por que fez.”

Esta é uma questão frequente entre as pessoas que estão se iniciando no conhecimento do Espiritismo e têm dificuldade de entender, talvez porque ainda estão presas aos antigos dogmas religiosos.

Contudo, precisamos levar em conta que um dos princípios da doutrina é a lei de evolução, segundo a qual estamos percorrendo um caminho em busca da perfeição. Portanto, a lei de evolução é que explica os fatos que acontecem conosco, porque estamos passando por este ou por aquele problema e onde estariam suas verdadeiras causas.

Quando as pessoas se referem a dívidas do passado, geralmente elas seguem o pensamento próprio das religiões, em termos de castigo e recompensa.

Mas as “dívidas”, na verdade, são resultado dos equívocos que já cometemos em qualquer situação. Não importa se nesta vida ou em vidas anteriores. No processo evolutivo qualquer equívoco tende a ser corrigido pelas leis da natureza.

Assim, se você abusar da comida – porque comeu mais da conta ou porque comeu o que não devia – com certeza, a natureza lhe dará uma resposta nada agradável, e você sofrerá pelo menos o desconforto de uma má digestão.

Não pense que é Deus que está lhe castigando porque você foi imprudente ou guloso. Não. É a própria natureza que responde automaticamente pela impropriedade de sua conduta: quer queira, quer não, você sofrerá os efeitos desagradáveis do erro cometido.

A - É assim que funciona a lei de Deus, a lei natural, de tal forma que não há um só fenômeno, por mais insignificante nos pareça, que fuja à regra. Na natureza não há exceção.

Suponha, no entanto, que você, quando era criança, caiu de uma árvore e se machucou. Na época, nada grave. Porém, passados muitos e muitos anos, quando você atinge a maturidade, aparece um problema ortopédico crônico com que você terá de conviver o restante de sua vida, se não vier a desencarnar por conta dele.

Você nem se lembra da queda; ninguém se lembra, nem mesmo seus pais, porque eles nem ficaram sabendo que você caiu. Contudo, o problema se originou naquele obscuro acidente, que logo caiu no esquecimento.

Nesse caso a memória daquele acidente apagou. E quando uma lembrança de um fato se apaga da memória é como se esse fato não tivesse acontecido.

Assim, diante da lei da Natureza e independente se você se lembra ou não, o problema aparece como efeito de uma causa remota. O sofrimento por causas anteriores a esta vida também funciona assim.

Você não precisa se lembrar para sofrer os efeitos de seus atos. Será que você poderia dizer que foi um castigo de Deus? É claro que não; Deus nada tem a ver com sua queda; foi você mesmo que disparou uma cadeia de efeitos a partir do momento que praticou o ato.

Assim, cara ouvinte, não é difícil entender que um sofrimento de hoje pode advir de um equívoco da vida anterior de que você não tem a mínima lembrança.