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domingo, 23 de junho de 2013

Sugestiva Amostragem

Considerando a prevalência do Plano Espiritual ou dos Universos Paralelos sobre nossa realidade, interessante ampliarmos  conhecimentos a respeito dos habitantes dessas Dimensões. Pioneiro nas prospecções sobre o assunto, Allan Kardec deixou-nos um legado disponibilizando elementos importantes para cogitações e reflexões sobre a influência que deles recebemos. Abrindo a segunda parte d’ O LIVRO DOS ESPÍRITOS, em que aborda o Mundo Espírita ou dos Espíritos, desenvolve alguns raciocínios sobre uma Escala Espírita, resultante de classificação fundamentada no grau de desenvolvimento dos Espíritos, nas qualidades por eles adquiridas e nas imperfeições de que ainda não se livraram. Ressalva, contudo que "nada tem de absoluta, podendo-se formar um número maior ou menor de classes, conforme o modo porque se considerar o tema". Salienta que os Espíritos não pertencem para sempre e exclusivamente a esta ou àquela classe, realizando seu progresso gradualmente e como muitas vezes se efetua mais num sentido que noutro, eles podem reunir as características de várias categorias. Numa visão mais abrangente, na edição de outubro de 1858 da REVISTA ESPÍRITA, na matéria em que aborda o tema OBSEDADOS E SUBJUGADOS, alinha alguns pontos importantes para entendermos como eles agem em nossas vidas: 1) Os Espíritos não são iguais nem em poder, nem em conhecimento, nem em sabedoria. Como não passam de almas desembaraçadas de seu invólucro corporal, ainda apresentam uma variedade maior que a que encontramos entre os homens da Terra, por isso que vem de todos os mundos, e porque entre os mundos a Terra nem é o mais atrasado, nem o mais adiantado. Há, pois, Espíritos muito superiores, como os há muito inferiores; muitos bons e maus; muitos sábios e muitos ignorantes; há os levianos, mentirosos, astutos, hipócritas, etc. 2) Estamos incessantemente cercados por uma nuvem de Espíritos que, nem por serem invisíveis aos nossos olhos materiais, deixam de estar no espaço, em redor de nós, ao lado, espiando nossos atos, lendo nossos pensamentos, uns para nos fazer bem, outros para nos fazer mal, segundo os Espíritos bons ou maus. 3) Pela inferioridade física e moral de nossos Globo na hierarquia dos mundos, os Espíritos inferiores aqui são mais numerosos que os superiores. 4) Entre os Espíritos que nos cercam, há os que se ligam a nós, que agem mais particularmente sobre o nosso pensamento, aconselham-nos, e cujo impulso seguimos sem nos apercebermos. 5)  Ligam-se os Espíritos inferiores àqueles que os ouvem, junto aos quais tem acesso e aos quais se agarram. Se conseguirem estabelecer domínio sobre alguém, identificam-se com o seu próprio Espírito, fascinam-no, obsediam-no, subjugam-no e o conduzem como se fosse uma criança. Aprofundando mais o tema, elucida que a obsessão jamais se dá senão por Espíritos inferiores. Os bons Espíritos não produzem nenhum constrangimento: aconselham, combatem a influência dos maus que afastam-se, desde que não sejam ouvidos”. No que tange ao grau de constrangimento e a natureza dos efeitos que produz, ele é que marca a diferença entre a obsessão simples, a subjugação e a fascinação. A obsessão, elucida, é a ação quase permanente de um Espírito estranho, que leva a pessoa a ser solicitada por uma necessidade incessante de agir desta ou daquela maneira e de fazer isto ou aquilo”. A fascinação, “é uma espécie de ilusão produzida ora pela ação direta de um Espírito estranho, ora por seus raciocínios capciosos; e esta ilusão produz um logro sobre as coisas morais, falseia o julgamento e leva a toma-se o mal pelo Bem.  A subjugação “é uma ligação moral que paralisa a vontade de quem a sofre, impelindo a pessoa às mais desarrazoadas ações e, por vezes, às mais contrárias ao seu próprio interesse”. Considera Kardec que “por sua vontade, a pessoa pode sempre neutralizar a influência dos Espíritos imperfeitos, porque em virtude de seu livre arbítrio, há escolha entre o Bem e o mal. Se o constrangimento chegou a ponto de paralisar a vontade e se a fascinação é tão grande que oblitera a razão, então a vontade de uma terceira pessoa pode substituí-la”.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

O Ponto de Partida, pois, Não Existem Milagres

-“Seria conhecer bem pouco os homens, pensar que uma causa qualquer pudesse transformá-los por encanto. As ideias se modificam pouco a pouco, com os indivíduos, e são necessárias gerações para que se apaguem completamente os traços dos velhos hábitos. A transformação, portanto, não pode operar-se a não ser com o tempo, gradualmente, pouco a pouco. Em cada geração uma parte do véu se dissipa”, responderam os Espíritos a Allan Kardec quando questionados (pergunta 800) sobre a possibilidade, por exemplo, do Espiritismo “vencer a indiferença dos homens e seu apego às coisas materiais”. Vivia-se apenas metade do século 19 e o materialismo já se constituía no grande obstáculo ao progresso da paz e da felicidade na sociedade humana. Sua destruição, aliada à destruição dos preconceitos de seita, de casta e de cor, conduziriam naturalmente os homens à grande solidariedade que os deve unir como irmãos. Ponderando que “nem o próprio Cristo convenceu seus contemporâneos com os prodígios que realizou”, apontaram a razão, a lógica, como o meio através do qual as mudanças se operariam. O próprio Jesus disse ser necessário “a ocorrência do escândalo” para - quem sabe - sair-se da inércia, da acomodação, da zona de conforto, em que parcela menor da sociedade se mantem.  Porque a maioria sofre apenas os efeitos do descaso resultante da sede de poder e riquezas dos egoístas e orgulhosos. Necessário, porém, dar o primeiro passo. Inteligências astutas e dissimuladas, em nome de ideologias pessoais, certamente estudam o movimento das massas no sentido de encontrar a melhor forma de manobrá-las na direção de conhecidos interesses. Provavelmente vençam mais uma vez.  A Educação Moral não é nem cogitada por aqueles cujos gritos acordam os letárgicos, liderando-os não se sabe em que direção. Em comentário à questão 685 d’O LIVRO DOS ESPÍRITOS, Kardec escreve: -“ Quando se pensa na massa de indivíduos diariamente lançados na corrente da população, sem princípios, sem freios, entregues aos próprios instintos, deve-se admirar das consequências desastrosas desse fato?”. Linhas antes, ele ponderara: “Não basta dizer ao homem que ele deve trabalhar., é necessário também que o que vive do seu trabalho encontre ocupação, e isso nem sempre acontece. Quando a falta de trabalho se generaliza, toma as proporções de um flagelo, como a escassez. A ciência econômica procura o remédio no equilíbrio entre a produção e o consumo, mas esse equilíbrio, supondo-se que seja possível, sofrerá intermitências e durante essas fases o trabalhador tem necessidade de viver. Há um elemento que não se ponderou bastante, e sem o qual a ciência econômica não passa de teoria: a educação. Não a educação intelectual, mas a moral, e nem ainda a educação moral pelos livros, mas a que consiste na arte de formar caracteres, aquela que cria hábitos, porque educação é conjunto de hábitos adquiridos”. Concluindo suas ilações, Kardec diz: “-Quando essa arte for conhecida, compreendida e praticada, o homem seguirá no mundo os hábitos de ordem e previdência para si e para os seus, de respeito pelo que é respeitável, hábitos que lhe permitirão atravessar de maneira menos penosa os maus dias inevitáveis. A desordem e a imprevidência são duas chagas que somente uma educação bem compreendida pode curar. Nisso está o ponto de partida, o elemento real do bem estar, a garantia da segurança de todos”. Como se vê não é tarefa de um governante durante seu mandato, nem de uma geração. Resultados a médio e longo prazo. Será que o imediatismo derivado da ambição permitirá  que se trabalhe para o futuro, no agora?   



terça-feira, 18 de junho de 2013

Bastante Lógico

-“O Mundo Espiritual preexiste e sobrevive a tudo”, disseram os Espíritos a Allan Kardec quando indagados sobre qual dos dois, o Mundo Espiritual ou o Mundo Material, é o principal na ordem das coisas. “Mesmo que as Dimensões do Espaço sejam imperceptíveis, são elas que determinam a realidade física em que vivemos”,  escreveu o Físico e Astrônomo Marcelo Gleiser em seu livro CRIAÇÃO IMPERFEITA (record, 2010), baseado em conclusões recentes da Física Quântica. Num intervalo de mais de um século e meio, um respeitado representante do pensamento científico revela que a comunidade da qual faz parte demonstra que, embora ignorando o revelado pelo Espiritismo, avança-se na direção da concordância quanto àquelas informações. Sendo assim, nosso mundo que é o virtual e não aquele que decorre do fim de nossa jornada por aqui. Somos um Espírito que carrega um corpo e não um corpo que carrega um Espírito que se desprenderá após a morte do corpo físico. Diante disso, as surpresas do médico oculto por traz do pseudônimo André Luiz, relatadas no capítulo 12 do livro MISSIONÁRIOS DA LUZ (feb,1945), assumem um caráter bastante lógico. Narra o autor espiritual que, após testemunhar interessante diálogo do Instrutor Alexandre - a nós apresentado no referido livro como um especialista em mediunidade e reencarnação – é encaminhado por ele a visitar instituto dedicado ao Planejamento de Reencarnações, localizada na própria Colônia em que trabalhavam. Descreve o mesmo como sendo movimentado centro de serviço de vários prédios e numerosas instalações. Árvores acolhedoras enfileiravam-se através de extensos jardins. Entidades em grupo ou sós, produziam intenso movimento de entrada e saída dos edifícios imponentes.  Segundo Alexandre, ali ele via Espíritos interessados em reencarnações próximas. Nem todos, disse ele, estão diretamente ligados a semelhante propósito, visto que conforme o grau de adiantamento do futuro reencarnante e de acordo com o serviço que lhe é designado no corpo carnal, é necessário estabelecer planos adequados aos fins essenciais. Isto explicava os rolos brancos que portavam: eram pequenos mapas de formas orgânicas, elaborados por orientadores da Dimensão em que se encontravam, especializados em conhecimentos biológicos da existência terrena. Indagado sobre a herediteriedade fisiológica, ouviu que funciona com inalienável domínio sobre todos os seres em evolução, sofrendo, naturalmente, a influência de todos aqueles que alcançam qualidades superiores ao ambiente geral, os chamados “serviços intercessórios”,  o que, possibilita “às forças mais elevadas imprimir certas modificações à matéria, desde as atividades embriológicas, determinando alterações favoráveis ao trabalho de redenção”. André descobre o que não poderia imaginar existir nos bastidores da nossa realidade: vê protótipos luminosos (hologramas?) de corpos masculino e feminino perfeitos em sua anatomia; uma área inteira consagrada aos serviços de desenho onde pequenas telas, demonstravam peças do organismo humano, tendo a impressão fiel de que se encontrava num grande centro de anatomistas, cercados de auxiliares competentes e operosos, produzindo desenhos de membros, tecidos, glândulas, fibras, órgãos de todos os feitios e para todos os gostos. Inteira-se serem técnicos em questões de Embriologia e Biologia em geral, aptos a orientar futuras experiências individuais. A visita o leva a se inteirar de quatro casos em que os envolvidos deveriam renascer, para conviver com situações na visão que no nosso Plano representam falhas genéticas ou fatalidades sociais: 1- um, deveria renascer com defeito na perna, o que o ajudaria a prevenir reincidências na vaidade; 2-outra, em meio a grandes restrições sociais, receberia de volta os filhos de outra vida em que na função de mãe os desviou dos propósitos de crescimentos espiritual, sendo que dois – pelo erros cometidos – na condição de paralíticos, outro deficiente mental e uma filha portadora de prementes necessidades de retificação. 3- outra, por solicitação dela, com problemas na tiroide e paratiróides que evitariam quedas em erros em que incorrera em outras vidas. 4-Indivíduo que, na maioridade física, sofrerá – por escolha dele - com a manifestação de úlcera de importância na região gástrica, que o auxiliará a apagar de sua memória registros feitos há mais de cem anos, em  que cometera revoltante crime, assassinando um pobre homem a facadas. Em meio a instigantes informações aprende que na busca da evolução em nossa Dimensão existem quatro potenciais riscos para a queda do Espírito nas armadilhas de suas próprias imperfeições: inteligência, poder, beleza e autoridade









domingo, 16 de junho de 2013

Em Média 50 horas

Verdade ou mentira? Fantasia ou realidade? Uma amiga comentou há poucos dias que, embora não goste de ir a funerais, atendeu ao pedido de colega para darem uma passada no de pessoa de seu relacionamento visto estar próximo do horário do enterro. Acedendo, embora não tenha entrado no recinto onde   se dava o velório, enquanto aguardava o retorno da amiga, médium que é, começou a ouvir os pedidos de socorro da entidade desperta ainda ligada ao corpo do qual estava em processo de desencarnação, gritando estar viva, perguntando por que não a atendiam ou ouviam. Apesar de intimamente guardarmos a certeza de que a vida continua, mesmo, por vezes, seguidores do Espiritismo, preferimos ignorar o conteúdo substancial oferecido pela Doutrina que, ao contrário, de inúmeras outras, fala de forma clara e objetiva sobre os detalhes dessa transição de nossa Dimensão para aquela para a qual nos dirigiremos. O Espírito Emmanuel, respondendo a uma das inúmeras questões a ele dirigidas pelo jornalista Clementino de Alencar para o jornal O GLOBO – ver o livro NOTÁVEIS REPORTAGENS COM CHICO XAVIER (ide)-, enquanto opinava a respeito da cremação, esclareceu que em condições normais, o desligamento do corpo espiritual do corpo físico a ser abandonado pelo fenômeno da morte, demanda em média 50 horas. O próprio Emmanuel havia dito na obra O CONSOLADOR (feb,1940), que “a situação de surpresa ante os acontecimentos supremos e irremediáveis que determinam a morte física, proporcionam sensações muito desconfortáveis à alma desencarnada” e o Espírito Abel Gomes, em mensagem contida na obra FALANDO Á TERRA (feb,1954), pondera que “somente alguns poucos Espíritos treinados no conhecimento superior conseguem evitar as deprimentes crises de medo que, em muitos casos, perduram por longo tempo”. Chico Xavier, em comentário registrado na obra INESQUECÍVEL CHICO XAVIER (geem), “revela que oitenta porcento das criaturas que desencarnam, voltam-se para a retaguarda sem condições de ascenderem a Planos Elevados. Apenas vinte porcento gravitam para Esferas mais altas”. Isso nos lembra depoimento de um empresário desencarnado  através do próprio médium, na noite de 14 de junho de 1955. Disse, entre outras coisas: -“Industrial, administrador e homem público, em atividade intensa e incessante, não admitia que o sepulcro me requisitasse tão apressadamente à meditação. A angina, porém, espreitava-me, vigilante, e fulminou-me sem que eu pudesse lutar. Recordo-me de haver sido arremessado a uma espécie de sono que me não furtava a consciência e a lucidez, embora me aniquilasse os movimentos. Incapaz de falar, ouvi gritos dos meus e senti que mãos amigas me tateavam o peito, tentando debalde restituir-me a respiração. Não posso precisar quantos minutos gastei na vertigem que me tomara de assalto, até que, em minha aflição por despertar, notei que a forma inerte me retomava a si, que minhalma entontecida regressava ao corpo pesado; no entanto, espessa cortina de sombra parecia interpor-se entre os meus afeiçoados e a minha palavra ressoante, que ninguém atendia...Inexplicavelmente, assombrado, em vão pedia socorro, mas acabei por resignar-me à ideia de que estava sendo vítima de estranho pesadelo, prestes a terminar. Ainda assim, amedrontava-me a ausência de vitalidade e calor a que me via sentenciado. Após alguns minutos de pavoroso conflito, que a palavra terrestre não consegue determinar, tive a impressão de que me aplicavam sacos de gelo aos pés. Por mais verberasse contra semelhante medicação, o frio alcançava-me todo o corpo, até que não pude mais...Aquilo valia por expulsão em regra. Procurei libertar-me e vi-me fora do leito, leve e ágil, pensando, ouvindo e vendo...Contudo, buscando afastar-me, reparei que um fio tênue de névoa branquicenta ligava minha cabeça móvel à minha cabeça inerte. Indiscutivelmente delirava – dizia de mim para comigo-, no entanto aquele sonho me dividia em duas personalidade distintas, não obstante guardar a noção perfeita de minha identidade. Apavorado, não conseguia maior afastamento da câmara íntima, reconhecendo, inquieto, que me vestiam caprichosamente a estátua de carne, a enregelar-se. Dominava-me indizível receio. Sensações de terror neutralizavam-me o raciocínio. Mesmo assim, concentrei minhas forças na resistência. Retomaria o corpo. Lutaria por reaver-me. O delíquio inesperado teria fim. Contudo, escoavam-se as horas e, não obstante contrariado, vi-me exposto à visitação publica”...Depois de detalhar interessantes lances da exposição publica do seu velório, o Doutor G, acrescentou: -“Estava inegavelmente morto e vivo (...). Curtia dolorosas indagações, quando, em dado instante arrebataram-me o corpo. Achava-me livre para pensar, mas preso aos despojos hirtos pelo cordão que eu não podia compreender e, em razão disso, acompanhei o cortejo triste, cauteloso e desapontado (...). A vizinhança do cemitério abalava a escassa confiança que passara a sustentar em mim mesmo. O largo portão aberto, a contemplação dos túmulos à entrada e a multidão que me seguia, compacta, faziam-me estarrecer. Tentei apoiar-me em velhos companheiros de ideal e de luta, mas o ambiente repleto de palavras vazias e orações pagas como que me acentuava a aflição e o desespero. Senti-me fraquejar. Chamei debalde por socorro, até que, com os primeiros punhados de terra atirados sobre o esquife, caí na sepultura acolhedora, sem qualquer noção de mim mesmo (...). Por vários dias repousei, até que, ao clarão da verdade, reconheci que as tarefas do industrial e político haviam terminado (...). Antigas afeições surgiram, amparando-me a luta nova”.   







quarta-feira, 12 de junho de 2013

A Verdade

Uma análise fria dos fatos demonstra que nos 156 anos passados desde que o Espiritismo foi apresentado publicamente através da primeira edição d’O LIVRO DOS ESPÍRITOS, sua influência ficou restrita mesmo aos seus seguidores, por vezes perturbados em meio ao emaranhado de interpretações pessoais que, muitos creem serem mais acertadas que a de outros estudiosos. É verdade que fenômenos despertaram a atenção de respeitados homens da chamada ciência, sem contudo serem associados publicamente ao Espiritismo, em suas explicações e conceituações. O ingles William Crookes, o italiano Ernesto Bozzano, o francês Charles Richet, o russo Alexandre Aksakof, o alemão Zollner, debruçaram-se sobre a evidência dos fenômenos, sem estabelecerem conexões com a proposição de Allan Kardec e dos Espíritos que lhe auxiliaram a formular sua proposta. No século XX, Rhine e sua Parapsicologia, a escola soviética da Psicotrônica; o canadense Ian Stevenson, o indiano Hemendra Banerjee, aprofundaram-se na questão do corpo energético, da transmissão das ondas mentais, da reencarnação, sem que tenham prestado maior atenção ao conteúdo do Espiritismo. O século XX ficou no passado, esses vultos foram alcançados pela inevitável morte, caíram no esquecimento, bem como, seus trabalhos, muitos dos quais, por sinal, nem seriam lembrados não fosse o esforço de editoras, expositores e renomados palestrantes espíritas que os usam como referência ou publicam seus livros. O meio acadêmico - do qual muitos fizeram parte - os ignorou, bem como, aos seus trabalhos. Acontecimentos que alcançaram diminuta parcela da sociedade humana ocorreram no Brasil, onde respeitáveis indivíduos identificados como operosos médiuns como Chico Xavier e Divaldo Pereira Franco ocuparam a mídia por quem foram solicitados e, de forma competente, realçaram aspectos importantes do intercâmbio entre o mundo dos chamados vivos e mortos, da reencarnação, das influências mútuas, das repercussões das nossas emoções, pensamentos e atos na saúde física e mental, familiar e social. O social, aplacou dores, canalizou, cresceu e se multiplicou, assumindo um papel que talvez não existisse se a conscientização sobre o “porquê da vida”, da necessidade de erradicação do egoísmo e do orgulho em cada um, fosse a dominante numa sociedade cada vez mais materialista. Kardec, todavia, continua disponível para percebermos como o Espiritismo antecipou conhecimentos e conceitos que vão - numa estrada paralela - gradativa e paulatinamente sendo acessados pelo pensamento científico. Vamos a alguns exemplos, sempre partindo de afirmações contidas nas obras publicadas com conteúdos originados no pensamento de Kardec: 1- 1857: -“Nada é vazio. O que é vazio para ti, está ocupado por uma matéria que escapa aos teus sentidos e instrumentos” (LE, questão 36)     e, “O mundo espiritual é o principal na ordem das coisas; ele preexiste e sobrevive a tudo” (LE, questão 85)  Século XX: - TEORIA DAS SUPERCORDAS: “mesmo que as dimensões do espaço sejam imperceptíveis, são elas que determinam a realidade física em que vivemos”. 2- BIOLOGIA - “O corpo físico, não passa de um envoltório destinado a receber o Espírito./  Pouco importam sua origem e os materiais que entraram em sua construção(..). Tem a formá-lo os mesmos elementos que o dos animais(...) Abstraindo o Espírito, o homem nada tem que o distinga do animal. Tudo, porém, muda de aspecto, logo que se estabelece distinção entre a habitação e o habitante”.(G, cap 11, item 14)  SÉCULO XXI: - 13/6/2012 – Divulgado que Cientistas constataram que o DNA do macaco Bonobo é igual ao dos humanos em 98,7%.  A descoberta concluiu que Bonobos e homens têm o mesmo mapa genético compartilhado entre os Chimpanzés e humanos. Já entre esses macacos, a semelhança no DNA é de 99,6%.  3- 1857  PENSAMENTO - é uma força real; atributo do espírito, tendo o cérebro apenas como um instrumento; propaga-se impregnado de fluido perispiritual que o transmite em ondas e irradiações ao infinito, sem que se consiga isolá-lo, sem obstáculos, sem se confundir; atuante sobre os fluidos ambientes que perturba ou harmoniza como o som sobre o ar; se negativo, emite uma corrente fluídica que causa penosa impressão e, se positivo, um eflúvio agradável se reflete no envoltório perispiritual como num espelho – SÉCULO XXI: -  4/7/2012 / VEJA / iBrain - dispositivo portátil desenvolvido pelo neurocientista Phillip Low para decodificar e  mapear  ondas eletromagnéticas produzidas pelo ato de pensar  analisadas por um computador  Funciona assim: O indivíduo  pensa, o aparelho detecta e capta a  onda eletromagnética específica, a qual contem a palavra codificada. que captada permite a comunicação com os outros, via computador. Outra novidade é o Exoesqueleto, que é uma veste robótica controlada pelo pensamento que vem sendo desenvolvida para possibilitar que lesionados de medula voltem a andar.



 


 



quarta-feira, 5 de junho de 2013

Lucidez

As questões de ordem mental não estavam entre as prioridades da Medicina em meados do século 19. Os portadores de distúrbios nesta área eram, por sinal, tratados de forma desumana. N’ O LIVRO DOS ESPÍRITOS, questões 371 a 374, Allan Kardec argui a Espiritualidade sobre o assunto, obtendo informações interessantes a respeito da chamada idiotia, hoje classificada pela Psiquiatria como tríade oligofrênica que é caracterizada pelo menor grau de desenvolvimento intelectual, sendo incapaz de articular palavras; assimilar noções de higiene ou mesmo desenvolver pudor. O século 20 abriu campo para evoluções no conhecimento e tratamento dos portadores do chamado - durante bom tempo - excepcional, substituído hoje, pelo termo especial.  Mas, por traz do corpo limitado por várias restrições, nem sempre somente mentais, como se encontra o Espírito dele prisioneiro? Está inconsciente? Na REVISTA ESPÍRITA de junho de 1860, seu editor Allan Kardec incluiu interessante material em torno de uma abordagem  havida na reunião da Sociedade Espírita de Paris, de 25 de maio passado.  Como campo de estudo, Charles de Saint-G..., um jovem idiota de treze anos, encarnado, e cujas faculdades intelectuais eram tais que nem conhecia os pais e apenas podia alimentar-se. Havia nele uma parada completa do desenvolvimento em todo o sistema orgânico. Pensou-se que poderia ser assunto interessante de estudo psicológico. Consultado, o Espírito São Luiz, responsável pelas atividades da Sociedade Espírita de Paris, respondeu afirmativamente, explicando que isso “poderia ser feito a qualquer momento, pelo fato de sua alma se ligar ao corpo por laços materiais, mas não espirituais, podendo sempre desprender-se”. Cumpridos os procedimentos habituais, o comunicante começou sua manifestação dizendo ser “um pobre Espírito ligado a Terra, como uma ave por um pé”. Indagado se tinha consciência de sua nulidade no mundo, responde: -“Certamente: sinto bem meu cativeiro”. Perguntado se quando seu corpo dormia e seu Espírito se desprendia, tinha ideias tão lúcidas quanto se estivesse em estado normal, informou que “estava um pouco mais livre para se elevar ao Céu a que aspirava”. Questionado se como Espírito experimentava um sentimento penoso quanto ao seu estado corporal, respondeu que sim, “por se tratar de uma punição”. Quanto a se lembrar de sua existência anterior, disse que “sim, por ser ela a causa de seu exílio atual”. Revelou na entrevista conduzida por Allan Kardec que a encarnação onde se desencadeou sua desventura na presente existência, ocorreu ao tempo em que reinava Henrique III; que a forma como se processava seu reajuste não resultara de uma decisão sua, mas uma imposição como forma de punição; que embora parecesse nula pelas limitações em que vivia, tal existência perante as Leis de Deus tem sua utilidade; que não viveria muitos anos mais; que da existência em que  gerou a desarmonia atual trezentos anos antes até a reencarnação recém-terminada, permaneceu no Plano Espiritual. Sobre se no estado de vigília tinha consciência do que se passava ao seu redor, a despeito da imperfeição dos órgãos de seu corpo físico, disse: -“Vejo, entendo, mas o corpo não compreende nem vê”. Se algo de útil poderia ser-lhe feito, afirmou que “nada”. Finalizando a entrevista, Kardec procurou ouvir de São Luiz se as preces poderiam ter a mesma eficácia que por um Espírito errante, que explicou: -“As preces são sempre boas e agradáveis a Deus. Na posição deste pobre Espírito, elas não lhe podem servir; servirão mais tarde”. Comentando a experiência daquela reunião, Kardec acrescentou: -“Ninguém desconhecerá o alto ensinamento moral que decorre desta evocação. Além disso, ela confirma o que sempre foi dito sobre os idiotas. Sua nulidade moral não significa nulidade do Espírito, que, abstração feita dos órgãos, goza de todas as faculdades. A imperfeição dos órgãos é apenas um obstáculo à livre manifestação das faculdades; não as aniquila. É o caso de um homem vigoroso, cujos membros fossem comprimidos por laços. Sabe-se que, em certas regiões, longe de serem objeto de desprezo, os cretinos são cercados de cuidados benevolentes. Este sentimento não brotaria de uma intuição do verdadeiro estado desses infelizes, tanto mais dignos de atenções quanto seu Espírito, que compreende sua posição, deve sofrer por se ver como um refugo da sociedade?”.



















segunda-feira, 3 de junho de 2013

Homossexualismo na Visão de Emmanuel (Espírito)

O livro, pouco conhecido hoje, nasceu no caminho da década de 70, ante a “agitação que os problemas do sexo, incontestavelmente, já impunha a vastos setores da vida humana”, explica seu autor no prefácio. Respondia a indagação sobre “de que forma, as teses do sexo são tratadas do Plano Espiritual para o Plano Terrestre?”. Nada mais pretendia, que “reformular o pensamento e a definição dos Mensageiros Espirituais que orientaram Allan Kardec, nos primórdios da Doutrina Espírita, em sua função de Consolador Prometido ao mundo pelo Cristo”. Demonstra que já no século 19, “previa-se o choque de opiniões, em matéria afetiva, que a Humanidade enfrenta”. E, em suas abordagens, o Espírito Emmanuel, através do médium Chico Xavier, inseriu entre os capítulos de LEIS DE AMOR (feb), Homossexualidade, com a qual concluiremos a série de postagens sobre o assunto:-“A homossexualidade, também hoje chamada transexualidade, em alguns círculos de ciência, definindo-se, no conjunto de suas características, por tendência da criatura para a comunhão afetiva com uma outra criatura do mesmo sexo, não encontra explicação fundamental nos estudos psicológicos que tratam do assunto em bases materialistas, mas é perfeitamente compreensível, à luz da reencarnação. Observada a ocorrência, mais com os preconceitos da sociedade, constituída na Terra pela maioria heterossexual, que com as verdades simples da vida, essa mesma ocorrência vai crescendo de intensidade e de extensão, com  o próprio desenvolvimento da Humanidade ( dito em 1970), e o mundo vê, na atualidade, em todos os países, extensas comunidades de irmãos em experiência dessa espécie, somando milhões de homens e mulheres, solicitando atenção e respeito, em pé de igualdade ao respeito e à atenção devidos às criaturas heterossexuais. A coletividade humana aprenderá, gradativamente, a compreender que os conceitos de normalidade e de anormalidade deixam a desejar quando se trate simplesmente de sinais morfológicos, para se erguerem agentes mais elevados de definição da dignidade humana, de vez que a individualidade, em si, exalta a vida comunitária pelo próprio comportamento na sustentação do Bem de todos ou a deprime pelo mal que causa com a parte que assume no jogo da delinquência. A vida espiritual pura e simples se rege por afinidades eletivas essenciais; no entanto, através de milênios e milênios, o Espírito passa por fileira imensa de reencarnações, ora em posição feminina, ora em condições de masculinidade, o que sedimenta o fenômeno da bissexualidade, mais ou menos pronunciado, em quase todas as criaturas. O homem e a mulher serão, desse modo, de maneira respectiva, acentuadamente masculino ou acentuadamente feminina, sem especificação psicológica absoluta. À face disso, a individualidade em trânsito, da experiência feminina para a masculina ou vice-versa, ao envergar o casulo físico, demonstrará fatalmente os traços da feminilidade em que terá estagiado por muitos séculos, em que pese ao corpo de formação masculina que o segregue, verificando-se análogo processo com referência à mulher nas mesmas circunstâncias. Obviamente compreensível, em vista do exposto, que o Espírito no renascimento, entre os homens, pode tomar um corpo feminino ou masculino, não apenas atendendo-se ao imperativo de encargos em determinado setor de ação, como também no que concerne a obrigações regenerativas. O homem que abusou das faculdades genésicas, arruinando a existência de outras pessoas com a destruição de uniões construtivas e lares diversos, em muitos casos é induzido a buscar nova posição, no renascimento físico, em corpo morfologicamente feminino, aprendendo, em regime de prisão, a reajustar os próprios sentimentos, e a mulher que agiu de igual modo é impulsionada à reencarnação em corpo morfologicamente masculino, com idênticos fins. E, ainda, em muitos outros casos, Espíritos cultos e sensíveis, aspirando a realizar tarefas específicas na elevação de agrupamentos humanos e, consequentemente, na elevação de si próprios, rogam dos Instrutores da Vida Maior que os assistem a própria internação no campo físico, em vestimenta carnal oposta à estrutura psicológica pela qual transitoriamente se definem. Escolhem com isso viver temporariamente ocultos na armadura carnal, com o que se garantem contra arrastamentos irreversíveis, no mundo afetivo, de maneira a perseverarem, sem maiores dificuldades, nos objetivos que abraçam. Observadas as tendências homossexuais dos companheiros reencarnados nessa faixa de prova ou de experiência, é forçoso se lhes dê o amparo educativo adequado, tanto quanto se administra instrução à maneira heterossexual. E para que isso se verifique em linhas de justiça e compreensão, caminha o mundo de hoje para mais alto entendimento dos problemas do amor e do sexo, porquanto, à frente da Vida Eterna, os erros e acertos dos irmãos de qualquer procedência, nos domínios do sexo e do amor, são analisados pelo mesmo elevado gabarito da Justiça e Misericórdia .Isso porque todos os assuntos nessa área da evolução e da vida se especificam na intimidade da consciência de cada um”.

sábado, 1 de junho de 2013

Homossexualismo na Obra de André Luiz (Espírito)

Comportamento presente em todas as etapas da evolução social humana, o tema homossexualismo foi objeto de questionamentos em reuniões relatadas pelo Espírito do médico que através do médium Chico Xavier construiu a excepcional obra conhecida como Série NOSSO LAR. A primeira abordagem encontra-se no livro AÇÃO E REAÇÃO (feb,1957), que minudencia aspectos da LEI DE CAUSA E EFEITO. Deu-se em reunião de André Luiz e Hilário Silva com o Instrutor Espiritual Silas que oferecendo esclarecimentos sobre o tema diz: -“Considerando-se que o sexo, na essência, é a soma das qualidades passivas ou positivas do campo mental do Ser, é natural que o Espírito acentuadamente feminino se demore séculos e séculos nas linhas evolutivas da mulher, e que o Espírito marcadamente masculino se detenha por longo tempo nas experiências do homem. Contudo em muitas ocasiões, quando o homem tiraniza a mulher, furtando-lhe os direitos e cometendo abusos, em nome de sua pretensa superioridade, desorganiza-se ele próprio a tal ponto que, inconsciente e desequilibrado, é conduzido pelos agentes da Lei Divina a renascimento doloroso, em corpo feminino, para que, no extremo desconforto íntimo, aprenda a venerar na mulher sua irmã e companheira, filha e mãe, diante de Deus, ocorrendo idêntica situação à mulher criminosa que, depois de arrastar o homem à devassidão e à delinquência, cria para si mesma terrível alienação mental para além do sepulcro, requisitando, quase sempre, a internação em corpo masculino, a fim de que, nas teias do infortúnio de sua emotividade, saiba edificar no seu Ser o respeito que deve ao homem, perante o Senhor. Nessa definição, porém, não incluímos os grandes corações e os belos carateres que, em muitas circunstâncias, reencarnam em corpos que lhes não correspondem aos mais recônditos sentimentos, posição solicitada por eles próprios, no intuito de operarem com mais segurança e valor, não só o acrisolamento moral de si mesmos, como também a execução de tarefas especializadas, através de estágios perigosos de solidão, em favor do campo social terrestre que se lhes vale da renúncia construtiva para acelerar o passo no entendimento da vida e no progresso espiritual”. Em 1963, no livro SEXO E DESTINO (feb), André Luiz incluiria resposta do Instrutor Espiritual Felix a pergunta que lhe foi formulada sobre o tema: -“ Inúmeros Espíritos reencarnam em condições inversivas, seja no domínio de lides expiatórias ou em obediência a tarefas específicas, que exigem duras disciplinas por parte daqueles que as solicitam ou que as aceitam. Homens e mulheres podem nascer homossexuais ou intersexos, como são suscetíveis de retomar o veículo físico na condição de mutilados ou inibidos em certos campos de manifestação. A alma reencarna, nessa ou naquela circunstância, para melhorar e aperfeiçoar-se e nunca sob a destinação do mal, o que nos constrange a reconhecer que os delitos, sejam quais sejam, em quaisquer posições, correm por nossa conta. Nos foros da Justiça Divina, em todos os distritos da Espiritualidade Superior, as personalidades humanas tachadas por anormais são consideradas tão carentes de proteção quanto as outras que desfrutam a existência garantida pelas regalias da normalidade, segundo a opinião dos homens, observando-se que as faltas cometidas pelas pessoas de psiquismo julgado anormal são examinadas no mesmo critério aplicado às culpas de pessoas tidas por normais, notando-se, ainda, que, em muitos casos, os desatinos das pessoas supostas normais são consideravelmente agravados, por menos justificáveis perante acomodações e primazias que usufruem, no clima estável da maioria (...). No tocante aos preceitos e preconceitos vigentes na Terra, os homens não podem efetivamente alterar, de chofre, as leis morais em que se regem (...). No mundo vindouro (foi dito em 1963), os irmãos reencarnados, tanto em condições normais quanto em condições julgadas anormais, serão tratados em pé de igualdade, no mesmo nível de dignidade humana, reparando-se as injustiças assacadas, há séculos, contra aqueles que renascem sofrendo particularidades anômalas, porquanto a perseguição e a crueldade com que são batidos pela sociedade humana lhes impedem ou dificultam a execução dos encargos que trazem à existência física, quando não fazem deles criaturas hipócritas, com necessidade de mentir incessantemente para viver, sob o Sol que a Bondade Divina acendeu em benefício de todos”.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Allan Kardec e Os Serviços de Cura

Observa-se na atualidade, especialmente, na área da abrangência da cidade de São Paulo (SP), a eclosão de inúmeros trabalhos focados na cura de doentes de toda espécie. Embora a finalidade precípua do Espiritismo seja despertar a consciência da individualidade que, na verdade, é a verdadeira responsável pela manifestação das enfermidades, as quais funcionam como filtros ou freios para as tendências viciosas do Espírito ainda ignorante quanto à sua razão de existir, o fato é que tais mecanismos de auxílio podem levar a criatura a se aperceber que a vida não se resume ao tempo de permanência nesta Dimensão. Houve algo antes e haverá um depois. Desse modo os esforços nessa área cumprem um papel igualmente importante. Na REVISTA ESPÍRITA de novembro de 1866, Allan Kardec desenvolve interessante matéria sobre a questão, da qual destacamos alguns pontos para a reflexão de dirigentes, trabalhadores ou mesmo assistidos, para que os processos obsessivos não se constituam na verdade uma realidade por traz dos “fenômenos” observados: 1- Há uma diferença radical entre os médiuns curadores e os que obtêm prescrições médicas da parte dos Espíritos. Estes em nada diferem dos médiuns escreventes ordinários, a não ser pela especialidade das comunicações. Os primeiros curam só pela ação fluídica, em mais ou menos tempo, às vezes, instantaneamente, sem o emprego de qualquer remédio. O poder curativo está todo, inteiro no fluido depurado a que servem de condutores. 2- A Teoria deste fenômeno foi suficientemente explicada para provar que entra na ordem das Leis Naturais e que nada há de miraculoso. É o produto de uma aptidão especial, tão independente da vontade quanto todas as outras faculdades mediúnicas; não é um talento que se possa adquirir; não se faz um médium curador como se faz um médico. 3- A aptidão para curar é inerente ao médium, mas o exercício da faculdade só tem lugar com o concurso dos Espíritos. De onde se segue que se os Espíritos não querem, ou não querem mais servir-se dele, é como um instrumento sem músico, e nada obtém. Pode, pois, perder instantaneamente a sua faculdade, o que exclui a possibilidade de transformá-la em profissão. 4- Um outro ponto a considerar é que sendo esta faculdade fundada em leis naturais, tem limites traçados pelas mesmas. Compreende-se que a ação fluídica possa dar a sensibilidade a um órgão existente, fazer dissolver e desaparecer um obstáculo ao movimento e à percepção, cicatrizar uma ferida, porque então o fluido se torna um verdadeiro agente terapêutico; mas é evidente que não pode remediar a ausência ou a destruição de um órgão, o que seria um verdadeiro milagre. Há, pois, doenças fundamentalmente incuráveis, e seria ilusão crer que a mediunidade curadora vá livrar a Humanidade de todas as suas enfermidades. 5- Há que levar em conta a variedade de nuanças apresentadas por esta faculdade, que está longe de ser uniforme em todos os que a possuem. Ela se apresenta sob aspectos muito diversos. Em razão do grau de desenvolvimento do poder, a ação é mais ou menos rápida, extensa e ou circunscrita. Tal médium triunfa sobre certas moléstias em certas pessoas e, em dadas circunstâncias e falha completamente em casos aparentemente idênticos. 6- Opera-se neste fenômeno uma verdadeira reação química, análoga à produzida por certos medicamentos. Atuando o fluido como agente terapêutico, sua ação varia  conforme as propriedades que recebe das qualidades do fluido pessoal do médium. Ora devido ao temperamento e à constituição deste último, o fluido está impregnado de elementos diversos, que lhe dão propriedades especiais. Daí resulta uma ação diferente, conforme a natureza da desordem orgânica; esta ação pode ser, pois, enérgica, muito poderosa em certos casos e nula em outros. 7- Só a experiência pode dar conhecer a especialidade e a extensão da aptidão; mas, em princípio, pode dizer-se que não há médiuns curadores universais. 8- A mediunidade curadora não vem suplantar a Medicina e os médicos; vem simplesmente provar a estes últimos que há coisas que eles não sabem e os convidar a estuda-las; que a natureza tem leis e recursos que eles ignoram; que o elemento espiritual, que eles desconhecem, não é uma quimera, e que quando o levarem em conta, abrirão novos horizontes à ciência e terão mais êxitos que agora. 9- Há, pois, para o médium curador a necessidade absoluta de se conciliar o concurso dos Espíritos Superiores, se quiser conservar e desenvolver sua faculdade, senão, em vez de crescer ela declina e desaparece pelo afastamento dos bons Espíritos. A primeira condição para isto é trabalhar em sua própria depuração, a fim de não alterar os fluidos salutares que está encarregado de transmitir”. 

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Dr Bezerra de Menezes Fala Sobre Homossexualismo e Sexo

-“Alcança número muito maior de criaturas, na Terra, como no Além, do que se possa imaginar... Contam-se aos milhões, no mundo, padecendo conflitos desta natureza, que ainda não encontraram compreensão adequada, nem estudo conveniente das Doutrinas que lhe investigam as causas, procurando soluções. Por enquanto, travam-se lutas entre a coarctação e a liberação do comportamento daqueles que estagiam nas áreas conflitantes do sexo. Os apologistas da proibição aferram-se a códigos morais caducos e impiedosos, nos quais a pureza é sinônimo de puritanismo, e os outros, que lideram o esforço em favor dos direitos da funcionalidade aberta, primam pela agressão moral, pela alteração de valores, pela imposição da sua conduta, nivelando todos os indivíduos em suas carências afetivas e estruturais, proclamando a hora da promiscuidade e da chalaça. Apresentam-se muitos indivíduos que se deixam conhecer, como motivo de escárnio, ao invés de lutarem pela conquista igualitária de espaço; ou de risota, ostentando deformidades que resultam dos comportamentos alienados, pedindo generalização dos costumes nos quais a conduta enfermiça deveria tornar-se padrão para todos. O respeito e a linha de equilíbrio devem viger no homem, em qualquer compromisso de relacionamento estabelecido. Enquanto, porém, o sexo se mantiver na condição de produto para venda e a criatura permanecer como objeto de prazer, a situação prosseguirá nos seus efeitos crescentes, mais amplos e dolorosos do que aqueles que se digladiam em nossa sociedade consumidora e inquieta. É natural que ressalvemos as exceções valiosas e nobres que há em todos os campos e áreas de ação da Humanidade (...). O sexo, em si mesmo, é instrumento excretor, a serviço da vida. Programado pela Divindade para servir de veículo à “perpetuação da espécie” nos seres pelos quais se expressa, tem sido gerador de incontáveis males, através dos tempos, em face do uso que o homem, em especial, lhe tem dado. Quando respeitado nos seus objetivos pelas criaturas e atendido pelo instinto entre os animais, atinge as finalidades a que se destina, sem outras consequências, qual ocorre também com as plantas...No atual estágio evolutivo do Planeta terrestre, o ato sexual faz-se acompanhar de sensações e emoções, de modo que propiciem prazer, facultando o interesse entre os seres, e assim preenchendo a destinação a que se encontra vinculado. Não obstante, o vício e o abuso sempre lhe seguem, como decorrência da mente que se perverte e o explora, dando origem a capítulos lamentáveis de dor e sombra, que passam a assinalar a conduta daqueles que o perturbam. Simultaneamente, devemos considerar que, em sua realidade intrínseca, o Espírito é assexuado e sem preferência ou psicologia especifica para uma ou outra experiência na organização física. Por esta razão, a própria vida elaborou formas que se completam em favor da função procriativa (...). A própria forma humana vigente hoje na Terra, é transitória (...). Sendo superior o psiquismo na atualidade, portanto, o Espírito, este imprime no corpo o que lhe é mais necessário para a evolução a que se destina, assim elaborando órgão e compleição mais compatíveis com as suas finalidades (...). De permeio, surge no laboratório das transformações, a interferência das mentes, produzindo constituições assinaladas pelos transtornos do comportamento anterior do Ser lúcido, que geram os tipos do hermafroditismo e da bissexualidade, que passam a constituir organismo de reeducação para os seus exploradores antigos, agora submetidos a provas de correção entre fortes conflitos e áspera insegurança interior (...). Correspondendo a tais circunstâncias, sempre do Espírito para o corpo e não deste para aquele, as respostas orgânicas se fazem mediante os genes e cromossomos que estabelecem as formas, sujeitas à ação do Ser reencarnado, de acordo com as suas necessidades evolutivas (...) Seja, porém, qual a forma sob a qual se expresse o sexo na vida, ele é departamento orgânico importante, credor de respeito e consideração, não apenas máquina de satisfação dos instintos egoístas, imediatistas... O seu uso deve ser regulamentado pela consciência dignificada, facultando ao indivíduo o equilíbrio e a harmonia decorrentes da permuta de hormônios e de afeto, sem que a vulgaridade e o barateamento lhe constituam razão predominante. Além da responsabilidade pessoal, diversas implicações se fazem assinalar pelos efeitos do relacionamento que envolve outros parceiros, cuja conduta, muitas vezes, passa a ser o resultado da consideração ou do desprezo a que são relegados por aqueles que os seduzem, enganam ou exploram. À medida que o Espírito se eleva e se enobrece, o uso do sexo passa por significativa alteração”. Nota: a íntegra deste parecer poderá ser lido na obra LOUCURA E OBSESSÃO (feb, 86), do Espírito Manuel Philomeno de Miranda pelo médium Divaldo Pereira Franco.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Homossexualismo : Um Depoimento, Uma Explicação

Diante da Entidade espiritual incorporada no médium, o jovem extravasou: -“Sou uma alma em frangalhos! Se continuo nesta marcha, nesta dubiedade de comportamento, vivendo duas formas de ser, enlouquecerei, se é que já não me encontro transpondo o portal do desvario. Há momentos em que não tenho discernimento para saber o que é certo ou o que se encontra errado, o que devo ou não fazer (...). Será que sou um Espírito feminino domiciliado num corpo masculino? Toda a minha vida até aqui é um permanente delírio. A minha psicologia difere da minha fisiologia, minhas aspirações entram em choque com a minha forma. Desde criança, eu preferia que me chamassem Lícia, a Lício, que é o meu nome. A última forma me chocava, enquanto a primeira me produzia deleite. Ao espelho, despido, sempre me estranhei, passando a detestar o que eu apresentava sem sentir, anelando pelo que experimentava emocionalmente, sem possuir. As formas do corpo produziam-me estranheza... Foi, porém, na puberdade que os meus sofrimentos se agravaram, na escola, no lar, em toda parte. Eu era uma pessoa dupla: a real, era interior, enquanto que a aparente, era a visível (...). Quando eu contava dez anos, um irmão de minha mãe, que morava no interior, portanto, meu tio, veio fazer Faculdade, em nossa cidade, e nosso lar foi-lhe aberto, confiante, hospitaleiro. Eu o conhecera rapidamente, desde quando muito antes, fora visitar meus avós, levado por meus pais e em companhia dos meus irmãos maiores: um menino e uma menina(...). Agora, porém, fora um choque reencontrá-lo, embora minha pouca idade (...). Um dia, com palavras dóceis, que eu não alcançava, levou-me à sedução, à ação nefasta devastadora que me prossegue afetando. Sem saber discernir, era uma brincadeira, um segredo de amor, que manteríamos, conforme deu-me instrução para uso pessoal e junto à família. Com o tempo adaptei-me e, envergonho-me de confessá-lo, passei a amá-lo, se é que um adolescente, naquele período, sabe o que é o amor(...). Por mais de três nãos vivemos essa terrível aventura, que se interrompeu, quando ele concluiu o curso e foi exercer a profissão em outra cidade(...). Ele encontrou uma jovem, a quem passou a amar realmente, deu-me ciência do fato e casou-se com ela (...). Após noites indormidas, e lutas tenazes contra a ideia do suicídio que se me fixava como única solução, tombei em novas, frustrantes e arrasadoras experiências que me magoaram profundamente, dilacerando-me o coração e a dignidade interior”.  Após alguns minutos de profundo recolhimento, o Espírito respondeu: -“Você tem razão ao afirmar que se trata de uma alma feminina encarcerada num corpo masculino. Tal ocorrência, no entanto, não é fruto de um sortilégio divino, mas dos códigos soberanos da vida, que estabelecem diretrizes que, desrespeitadas, produzem resultados concordes com a gravidade da rebeldia (...). A forma, numa como noutra área, é oportunidade para aquisição de Particulares conquistas de acordo com os padrões éticos que facultam a uma ou à outra (...). Quando, porém, o indivíduo se utiliza da função genésica para o prazer continuado sem responsabilidade, derivando para os estímulos que as aberrações da luxúria o convidam, incide em gravame que é convidado a corrigir, na próxima oportunidade da reencarnação, sob lesões da alma enferma, que se exteriorizam em disfunções genésicas, em anomalias e doenças do aparelho genital ou na área moral, mediante os dolorosos conflitos que maceram, nos quais o ser íntimo difere in totum do ser físico (...). Pelo menos, nas três últimas reencarnações, você, Lício, viveu experiências femininas, utilizando-se de corpos desse gênero. Na antepenúltima, enredou-se numa trama que a paixão insensata fez enlouquecer (...). Não há muito, utilizou de toda a força que a atração física lhe emprestava, para usufruir e malsinar vidas que se lhe enroscam, perturbando-lhe a marcha. Os efeitos emocionais lhe dilaceraram as fibras sensíveis da aparelhagem espiritual que modelaram um corpo-presídio, no qual a forma sofre o tormento da essência e vice-versa (...). Como é normal, infelizmente, aqueles que lhe padeceram a arrogância e a insensibilidade retornaram ao seu convívio físico e psíquico, tanto quanto os que foram corrompidos e lhe propuseram degradação ora renteiam ao seu lado. O tio pervertido é lhe companhia antiga, do mesmo grupo de perversão, que não lhe teve resistências morais para vencer os impulsos físicos, que provinham dos refolhes do ser viciado, e soube identificar, embora sem compreender, a antiga companheira de alucinação. Todavia, no seu desvario, ele esteve inspirado por adversário de ambos, domiciliado em nossa esfera de ação, que aguarda ensejo de vingar-se, na condição de esposo traído e vilipendiado pelos dois(....). Esta situação, todavia, existe porque os vínculos com o bem ou o mal permanecem conforme a força dos atos praticados, até que novas ações rompam a geratriz deles, por eliminação do seu efeito, fortalecendo as correntes do dever, que permanecerão para sempre”.A íntegra da consulta espiritual pode ser lida na obra LOUCURA E OBSESSÃO (feb, 86), do Espírito Manuel Philomeno de Miranda pelo médium Divaldo Pereira Franco.
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sexta-feira, 24 de maio de 2013

Ceitil Por Ceitil

A manhã daquele domingo, sete de julho de 1975, surgia como excitante perspectiva de dias de refazimento e lazer para o professor Oswaldo Peixoto Martins que partia da sua querida Campos (RJ), juntamente com a esposa Ruth Maria, os três filhos (Analice, Luciana e André Luiz) e a ama deles, na direção das férias escolares do meio de ano. Quilômetros após, contudo, um acidente no trecho recém-inaugurado da BR 101, entre Campos-Rio, nas imediações de Casimiro de Abreu (RJ), alteraria, para ele e a pajem Eliceia de Souza Batista, o destino anteriormente estabelecido, poupando a esposa e suas crianças. No capotamento ocorrido numa perambeira fora da estrada, o Professor Oswaldo foi projetado fora do veículo, sendo encontrado pela esposa caído numa região de brejo, com água que teria sido suficiente para mata-lo por afogamento, caso não houvesse sido retirado por ela para um lugar mais seco. Profissional do magistério que prestava serviços em três estabelecimentos de ensino da cidade em que vivia, o professor Oswaldo viveria ainda por quatro horas, desencarnando no Hospital da cidade de Macaé (RJ), para onde foi removido do local do acidente. Sua desencarnação repercutiu em toda Campos, pela sua reconhecida contribuição na formação de tantos talentos ao longo dos anos.  Sua esposa, tanto quanto ele, atuante no movimento espírita, particularmente na Escola Jesus Cristo, de Campos (RJ), recebeu notícias do marido através de uma mensagem psicografada na noite de 5 de agosto de 1974, pelo médium Chico Xavier, em reunião na cidade de Peirópolis  (MG), endereçada à Dona Hilda Mussa Tavares, dirigente da instituição a que serviam , presente no local da comunicação espiritual. Assinava-a Lenora, filha do casal, desencarnada sete anos antes. Na esclarecedora e confortadora carta, a menina pede à mãe não chorar mais à noite chamando o papai, porque isso vai até ele “sem que nós possamos saber como evitar-lhe a dor de querer dar resposta sem as forças precisas”. Afirma: -“Papai não está morto. Ele e a nossa companheira estão hospitalizados. Muitos amigos estão velando por nós”. O médium Chico Xavier, no tocante à linha da carta – estávamos com o papai Oswaldo no dia 7 -, revelou à dona Hilda, a destinatária da carta, que seu filho Carlinhos (Carlos Vítor Mussa Tavares), também desencarnado, contou que “na véspera do desastre que vitimara o Prof. Oswaldo, ele, em companhia de outros Amigos Espirituais, conduzira o Espírito das meninas Analaura( desencarnada com apenas dois meses onze anos antes) e Lenora até junto de seu pai Oswaldo, que se encontrava em uma reunião de professores na Escola Técnica Federal, ficando as duas meninas, desde aquele momento, em companhia do papai, a fim de ajuda-lo espiritualmente para a dolorosa provação da manhã do dia 7. Outro detalhe – aqui foi sono aplicado – confirmado por sua esposa, era a sonolência dizia estar sentindo momentos antes do acidente, comentando com a  esposa estar se sentindo muito cansado, desejando interromper por isso a viagem, o que acabou não fazendo. Na verdade, eram providências da Espiritualidade para que não sentisse dores motivadas pelos impactos que seu corpo sofreria ao ser arremessado violentamente à distância. Oito anos depois, no dia 4 de setembro de 1982, o Professor Oswaldo, psicografaria através de Chico uma extensa e emocionada carta à esposa onde, a certa altura, relata que “após despertar na vida nova, começou a perguntar a si mesmo qual a motivação daquela prova, incomodando a tantos amigos, recorreu a tantos mentores para conhecer a causa do acidente que, parecia vir até nós, através do nada, que um orientador, embora conhecendo a sua incapacidade para suportar mergulhos prolongados nos domínios das recordações mais recônditas, relativamente a mim mesmo, conduziu- me a certo instituo em que a hipnose é examinada e praticada nos alicerces de profunda veneração pelos valores humanos e, em minutos, mostrou-me um quadro que ele mesmo desarquivara de passado recente, no qual me vi tutelado por ama generosa, na qual reconheci nossa estimada Elicéia. Em exposição rápida vi-me, ao lado dela combinando a precipitação de um adversário num pântano, desalojando-o da carruagem na qual processaria viagem longa. Não posso dizer o que se passou em mim. Pedi o adiamento para qualquer nova revelação, que me pudesse advir, ante a qual, se surgisse, não me sentiria preparado e continuo a esperar por mim mesmo, no sentido de retomar a experiência”. 

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Pressentimentos e Prognósticos


Apoiando-se em fatos que envolveram algumas personalidades importantes do passado da França, Allan Kardec escreve na edição de novembro de 1867 da REVISTA ESPÍRITA um artigo em que procura explicar a diferença entre as duas situações propostas pelos termos pressentimentos e prognósticos. Cita o livro Memórias De Madame Chapman em que é relatado que na época em que tinha sido concebida a ideia de unir Maria Antonieta, a filha da Imperatriz Maria Tereza, ao filho de Luiz XV, esta buscou ouvir o Cura Gassner  - reconhecido pelos seus à época chamados dons - a quem consultava muitas vezes, que ante a pergunta se sua “Antonieta seria feliz?”, após longa reflexão, empalideceu estranhamente e, apesar de manter enigmático silêncio, premido pela Imperatriz, disse: -“Senhora, há cruzes para todos os ombros”. A História registrou que desde o dia do casamento ocorrido em 16 de maio de 1770, uma sucessão de acontecimentos inclusive atmosféricos assinalaram essa pagina da vida de tanta gente famosa. O próprio Luiz XV, ouvira em 1757, de um astrólogo levado à sua presença pela Madame Pompadour, depois de ter feitos cálculos a partir da sua data de nascimento, disse-lhe:-“ Senhor, vosso reino é celebre por grandes acontecimentos; o que se seguirá sê-lo-á por grandes desastres”. Voltando à Maria Antonieta, após 8 anos de esterilidade, concebeu a uma menina e, três anos depois, ao  que deveria ser o herdeiro da Coroa, acontecimento comemorado em festa por toda Paris, em 21 de janeiro de 1782, onze anos antes da morte do Rei e do aprisionamento da Rainha para ser  guilhotinada, em 1793, um ano após o marido, acusada de traição pelos que fizeram a Revolução Francesa. Analisando a questão Allan Kardec pondera: -“Nestes fatos, há que considerar duas coisas bem distintas: os pressentimentos e os fenômenos considerados como prognósticos de acontecimentos futuros. Não se poderiam negar os pressentimentos, dos quais há poucas pessoas que não tenham tido exemplos. É um desses fenômenos cuja explicação a matéria só é impotente para dar, porque se a matéria não pensa, também não pode pressentir. É assim que o materialismo a cada momento se choca contra as coisas vulgares que o vem desmentir. Para ser advertido de maneira oculta daquilo que se passa ao longe e de que não podemos ter conhecimento senão num futuro mais ou menos próximo pelos meios comuns é preciso que algo se desprenda de nós, veja e entenda o que não podemos perceber pelo olhos e pelos ouvidos, para referir a sua intuição ao nosso cérebro. Esse algo deve ser inteligente, desde que compreende e, muitas vezes, de um fato atual, prevê consequências futuras. É assim que por vezes temos o pressentimento do futuro. Esse algo não é outra coisa senão nós mesmos, nosso Ser espiritual, que não está confinado no corpo, como um pássaro numa gaiola, mas que, semelhante a um balão cativo, afasta-se momentaneamente da Terra, sem cessar de a ela estar ligado. É sobretudo nos momentos em que o corpo repousa, durante o sono, que o Espírito, aproveitando o descanso que lhe deixa o cuidado de seu invólucro, em parte recobra a liberdade e vai colher no espaço, entre outros Espíritos, encarnados como ele, ou desencarnados, e no que vê, ideias cuja intuição traz ao despertar. Essa emancipação da alma por vezes se dá no estado de vigília, nos momentos de absorção, de meditação e de devaneio, em que a alma parece não mais preocupada com a Terra. Ocorre, sobretudo de maneira mais efetiva e mais ostensiva nas pessoas dotadas do que se chama a dupla vista ou visão espiritual. Ao lado das intuições pessoais do Espírito, há que colocar as que lhe são sugeridas por outros Espíritos, quer em vigília, quer no sono, pela transmissão de pensamentos de alma a alma. ´É assim que muitas vezes se é advertido de um perigo, solicitado a tomar tal ou qual direção, sem que por isto o Espírito cesse de ter o seu livre arbítrio. São conselhos e não ordens, porque sempre fica livre de agir à sua vontade. Os pressentimentos tem, pois, a sua razão de ser e encontram a sua explicação natural na vida espiritual, que não cessamos um instante de viver, porque é a vida normal.  Já não é o mesmo com os fenômenos físicos, considerados como prognósticos de acontecimentos felizes ou infelizes. Em geral esses fenômenos não tem nenhuma ligação com as coisas que parecem pressagiar. Podem ser precursores de efeitos físicos que são sua consequência, com um ponto negro no horizonte pode ao marinheiro pressagiar uma tempestade, ou certas nuvens anunciar o granizo, mas, a significação desses fenômenos para as coisas de ordem moral deve ser posta entre as crenças supersticiosas”.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

A Ultima Palavra


“O LIVRO DOS ESPÍRITOS não é um tratado completo de Espiritismo; apenas apresenta as bases e os pontos fundamentais, que se devem desenvolver sucessivamente pelo estudo e pela observação”.escreveu Allan Kardec em artigo incluso na REVISTA ESPIRITA de outubro de 1866. Transcorridos 156 anos após a publicação da versão original da obra fundamental da Doutrina Espírita, muitos pontos e dúvidas vieram a ser acrescentados às informações originalmente compiladas pelo Codificador. Uma delas tem sua origem em mensagem psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier, na reunião pública de 17 de maio de 1979. Escreveu-a a senhora Maria das Graças Ayres Gregh, desencarnada por volta das 22:30 horas de 16 de dezembro de 1975, quando o carro em que se encontrava com seu marido, duas filhas, um casal de amigos e o recém-nascido filho destes foi literalmente , foi esmagado por um caminhão que transportava refrigerantes, na estrada que liga as cidades de Jardinópolis a Ribeirão Preto, ambas no Estado de São Paulo. Todos morreram no local. Trinta e nove meses depois, a mãe de Dona Maria das Graças, recebeu das mãos do médium um pequeno bilhete em que a filha, informava estar ainda hospitalizada num tratamento rigoroso, com os demais familiares, prometendo voltar posteriormente, o que acabaria acontecendo na data já referida. Sua carta se soma à de centenas de Espíritos que voltaram através de Chico para testemunhar e documentar sua sobrevivência, não fosse por um detalhe inusitado. Rememorando os fatos derradeiros de sua recente encarnação, Dona Maria que estava a poucos dias de dar à luz ao terceiro filho, conta: -“Descrever, Mamãe, o que foi o choque dos veículos, quando nos aproximávamos daquele Natal que se desfez em lágrimas, é muito difícil para a sua filha. Creia que o Waldir tudo fez para que pudéssemos fugir ao caminhão enorme que se abeirava de nós. Acredito que a senhora terá sabido que até mesmo nos retiramos da estrada para o chão que a marginalizava, ignorando a que perigo nos expúnhamos, entretanto, a grande máquina parecia visar-nos”. A perícia policial sobre o acidente mostrou que o marido de Dona Maria, tentou fugir do inevitável choque desviando, sem sucesso, para o acostamento. Mais à frente, ela recorda: -“Todos os movimentos de fuga manobrados por Waldir pareciam seguidos pela máquina enorme, até que fomos esmagados. De momento, não tive muita certeza do que acontecia. Pensava nas crianças. Acredito que cheguei a gritar e a chamar por Deus, mas tudo foi questão de um pedacinho de minuto. Ana Paula, Alessandra e o resto, desapareceu de meus olhos. Não mais vi o esposo, porque uma energia esquisita me selou as pálpebras para um sono que não poderia evitar. Foi um sono indescritível, porque me vi, como num pesadelo, arrastada para fora de um turbilhão de destroços e acomodada em grande maca, na ideia de que continuava em meu corpo físico, a caminho de um hospital. Por mais estranho que possa parecer, o meu pesadelo-realidade era feito de impressões e dores condicionadas de um parto prematuro. Achava-me dopada por medicamentos ou forças que até hoje não sei explicar, e senti perfeitamente que uma cesariana se processava. Sentia-me fora do desastre, entre o reconforto de ser mãe novamente e a dor da dúvida sobre o Waldir e sobre as crianças que ficavam na retaguarda. Depois disso, veio o sono de verdade, do qual acordei perplexa, perguntando pelos meus. A criança repousava junto de mim. O aspecto do quarto que me abrigava era idêntico ao de uma enfermaria espaçosa e arejada, que se reservasse apenas para o meu problema. Chorei e implorei pela vinda do Waldir e da senhora, até que alguém se aproximou de mim e falou-me com carinho de toda a extensão da ocorrência, esclarecendo-me que em meu caso a criança em Espírito já se achava perfeitamente formada e que não poderíamos exigir uma eliminação sumária do companheirinho a nascer. O espanto me tomou de todo o coração”.  O espanto de Dona Maria, obviamente, não é apenas dela. Para os que admitem ser o corpo físico uma réplica do corpo perispiritual, o modelo organizador biológico, fica mais fácil de admitir e aceitar. A propósito Chico Xavier,  em comentário feito a Heigorina Cunha, reproduzido no livro IMAGENS NO ALÉM (ide, 1994) afirmou que “quer seja a senhora ou a mãe solteira, se não tiver no ventre materno o sêmem espiritual, não há fecundação pelo espematozóide. Há a concepção espiritual e a material”. A observação, seguida de outros detalhes, requer, naturalmente, maiores reflexões para formar-se uma ideia mais clara sobre o assunto.

sábado, 18 de maio de 2013

Outro Caso Raro



O início da manhã de 16 de junho de 1966, marca o fim da atual passagem por nossa Dimensão, de mais um dos extraordinários médiuns de efeitos físicos brasileiros: Francisco Peixoto Lins. Reencarnado 61 anos antes na cidade de Pacatuba, no Estado do Ceará, Peixotinho como era mais conhecido, teve uma infância marcada por dificuldades em face da desencarnação de sua mãe, fato que o levou a ser criado por tios. Encaminhado cedo para um seminário católico, viu-se meio que desorientado ante  questionamentos que não podiam ser respondidos pela proposta religiosa diante de si. Aos quatorze anos, muda-se para o Amazonas, sonhando alto, em face das perspectivas oferecidas pela extração da borracha. Seis meses de trabalho duro, em meio aos perigos naturais, solidão e falta de recursos, o fizeram dar meia volta, acometido de implacável obsessão, que lhe paralisava as pernas sem causa aparente, além de persistente letargia. Seis meses passaram, com o problema atingindo tal ponto que viveu a chamada morte aparente por um dia inteiro, cegando a ser preparado para ser sepultado, o que somente não aconteceu por que seu pai se recusava a crer que ele estava realmente morto. Peixotinho estava com quinze para dezesseis anos quando um seguidor do Espiritismo, o major do Exercito Brasileiro Vianna de Carvalho, o livrou das obsessões e das doenças sem causa aparente, observando, porém, ser o jovem dotado de grande sensibilidade mediúnica. Imigra em 1924, para o Rio de Janeiro, prestando o serviço militar no Tiro de Guerra na Fortaleza de Santa Cruz, ao qual servia seu primo-irmão Raimundo Peixoto, o Peixotão. Contrariando o que seria lógico por ser franzino e portador de insidiosa asma crônica, engaja-se em definitivo no Exercito, transferindo-se em 1928, para Macaé, passando a servir no Forte Marechal Hermes. Casa-se em 1933, nascendo no mesmo ano o primeiro de seus nove filhos, uma das quais, Aracy, desencarnou com pouco menos de dois anos. O acontecimento repercutiu muito nele, o levando a buscar a disciplina necessária para o exercício da mediunidade de efeitos físicos que já despontara, embora não levada muito a sério. Somava ele 33 anos de vida, era o ano de 1938, os fenômenos de ectoplasmia eclodiram, fazendo que amigos se unissem em torno dele, fundando o Grupo Espírita Pedro. Tempos depois, durante uma reunião, numa das paredes da sala, formou-se uma nuvem de cor avermelhada, que foi ganhando forma de um medalhão, surgindo nele o rosto de uma entidade feminina muito bonita sorrindo. Era o Espírito Aracy, a filhinha perdida, que se apresentava em sua forma adulta, pois, como se sabe, os que desencarnam em tenra idade, dependendo de sua evolução, podem reassumir a morfologia adulta que tinham antes de passar pelo processo da reencarnação. Vencidas as dificuldades impostas pelo preconceito da época, em 1945, já transferido para o Rio, participa no ano seguinte, da fundação do Grupo Espírita André Luiz, onde serviria por vários anos. Em dezembro de 1952, acompanha a comitiva que seguiu a Pedro Leopoldo (MG), para se avistar com Chico Xavier. Aconteceu uma reunião especial no Centro Espírita Luiz Gonzaga, ocorrendo fenômenos de materialização incríveis, fotografados, a partir da autorização do Espírito Scheilla, naquele momento, também materializado. Numa das fotos, no meio da massa branca de ectoplasma, expelido pelas narinas, boca e ouvidos do médium, estava bem nítido o rosto de Gugu, o filho de uma das integrantes do grupo visitante, Dona Inaiá, desencarnado tempos antes. A semelhança possível de ser observada pela nitidez da formação, com as fotos do jovem enquanto encarnado, não deixam dúvidas quanto a ser ele mesmo. Diversos fenômenos promovidos pela Espiritualidade através de Peixotinho puderam ser fotografados, muitos dos quais preservados por Rafael Ranieri, na excelente e rara obra MATERIALIZAÇÕES LUMINOSAS.   






quinta-feira, 16 de maio de 2013

Uma Surpreendente Comunicação Coletiva


Integrantes da Sociedade Espírita de Paris encontravam-se reunidos na noite de primeiro de novembro de 1866 para reverenciar o Dia dos Mortos, convencionalmente comemorado no dia dois do mesmo mês, conforme instituído no calendário da predominante no lado Ocidental da Terra. Um fenômeno interessante marcaria aquela reunião, revelando mais um aspecto do instigante processo de intercâmbio entre os dois mundos. Deu-se através do médium Sr Bertrand, conforme relatado por Allan Kardec na REVISTA ESPÍRITA, número de março de 1867.  Foi a comunicação de vinte Espíritos cujas vidas, em nossa Dimensão, marcaram importantes momentos da História da Humanidade. Mesmer, General Brune, Luiz XVI, Lafayette, Arago, Napoleão, entre outros. O mais curioso é que a partir do tema proposto por um, outros contra pontuavam ampliando a compreensão do mesmo, encadeando, por fim, uma mensagem de conteúdo de grande elevação. Um trecho que bem exemplifica isto: o Espírito Meyerbeer escreveu: -“Três coisas devem progredir: a música, a poesia e a pintura. A música transporta a alma ferindo o ouvido”; Casemir Delavigne acrescentou: -“A poesia transporta a alma abrindo o coração”; seguido por Flandrin: -“A pintura transporta a alma acariciando os olhos”, enquanto Alfred de Musset: -“ Então a poesia, a música e a pintura são irmãs e se dão as mãos: uma para abrandar o coração, outra para suavizar os costumes e a última para abrir a alma: as três para vos elevar ao Criador; ao que São Luiz, encerrando a comunicação em nome de todos, aditou: -“ Mas nada, nada deve progredir mais momentaneamente do que a Filosofia; ela deve dar um passo imenso, deixando estacionar a ciência e as artes, mas para as elevar tão alto, quando for tempo, que essa elevação será muito mais súbita quanto para vós hoje”. Kardec acrescenta que no dia 6 de dezembro, o mesmo Sr Bertrand, no grupo do Sr. Desliens, psicografou uma comunicação do mesmo gênero que, de certo modo, é continuação da precedente, desta vez  com vinte e nove manifestantes, desenvolvendo raciocínios rápidos em torno do amor, da sabedoria, ciência, reencarnação, a Doutrina de Jesus, além de outros temas. Considerando que o estudo da mediunidade evidencia a necessidade da identidade de fluidos entre o Espírito comunicante e o médium, Kardec levantou a duvida no seguinte questionamento: -“Como os fluidos de tão grande número de Espíritos podem assimilar-se quase instantaneamente com o fluido do médium, para lhe transmitir seu pensamento, quando tal assimilação por vezes é difícil da parte de um só Espírito, e geralmente só se estabelece com vagar?”. Conta o Codificador que, Slener,“o guia espiritual do médium parece o ter previsto, porque dois dias depois lhe deu a seguinte explicação”:-“A comunicação que obtiveste no Dia de Todos os Santos, como a última, que é o seu complemento, posto nesta haja nomes repetidos, foram obtidas da seguinte maneira: como sou teu Espírito protetor, meu fluido é similar ao teu. Coloquei-me acima de ti, transmitindo-te o mais exatamente possível os pensamentos e os nomes dos Espíritos que desejavam manifestar-se. Estes formaram em torno de mim uma assembleia cujos membros, cada um por sua vez, ditava os seus pensamentos, que eu te transmitia. Isso foi espontâneo e o que naquele dia tornava as comunicações mais fáceis é que os Espíritos presentes tinham saturado a sala com seus fluidos. Quando um Espírito se comunica com um médium, fá-lo com tanto mais facilidade quanto melhor estabelecidas entre si as relações fluídicas, sem o que o Espírito, para comunicar seu fluido ao médium, é obrigado a estabelecer uma espécie de corrente magnética, que atinge o cérebro deste. “E, se em razão de sua inferioridade, ou por qualquer outra causa, o Espírito não pôde estabelecer esta corrente, ele próprio, então recorre à assistência do guia do médium, e as relações se estabelecem como acabo de indicar”. As informações suscitaram outra pergunta: -“No número destes Espíritos não há alguns encarnados, neste ou noutro mundo e, neste caso, como se podem comunicar?”. Eis a resposta que foi dada: “- Os Espíritos de um certo grau de adiantamento tem uma radiação que lhes permite comunicar-se simultaneamente em vários pontos. Nuns, o estado de encarnação não amortece essa radiação de maneira completa para os impedir de se manifestarem, mesmo em vigília. Quanto mais avançado o Espírito, mais fracos os laços que o unem à matéria do corpo; está num estado de quase constante despendimento e pode dizer-se que está onde está seu pensamento”.