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quarta-feira, 4 de outubro de 2017

PRESENÇA DE DEUS

Genericamente repetindo informações plantadas na memória por escolas religiosas tradicionais, afirmam muitos a presença e ação de Deus em momentos cruciais das próprias existências. Allan Kardec nas páginas da REVISTA ESPÍRITA oferece alguns conteúdos interessantes para nossas reflexões. 1- Como acreditar que Deus pode atender aos rogos da criatura humana?  As flutuações que sua vontade pode imprimir aos acontecimentos da própria vida de modo algum perturbam a harmonia universal, pois essas mesmas flutuações faziam parte das provas que incumbem ao homem na Terra.  No limite das coisas que dependem da vontade do homem, Deus pode, pois, sem derrogar suas leis, anuir a uma prece, quando é justa, e cuja realização pode ser útil; mas acontece muitas vezes que ele julga a sua utilidade e a sua oportunidade de modo diverso que nós, razão por que nem sempre aquiesce.  Se lhe aprouver atendê-la, não é modificando seus decretos soberanos que o fará, mas por meios que não saem da ordem geral, se assim nos podemos exprimir.  Os Espíritos, executores de sua vontade, são então encarregados de provocar as circunstâncias que devem levar ao resultado desejado.  Quase sempre esse resultado requer o concurso de algum encarnado; é, pois, esse concurso que os Espíritos preparam, inspirando os que devem nele cooperar o pensamento de uma ação, incitando-os a ir a um ponto e não a um outro, provocando encontros propícios que parecem devidos ao acaso.  Ora, o acaso não existe nem na assistência que se recebe, nem nas desgraças que se experimenta.  Nas aflições, a prece não só é uma prova de confiança e de submissão à vontade de Deus, que a escuta, se for pura e desinteressada, mas ainda tem por efeito, como sabeis, estabelecer uma corrente fluídica que leva longe, no espaço, o pensamento do aflito, como o ar leva os acentos de sua voz.  Este pensamento repercute nos corações simpáticos ao sofrimento e estes, por um movimento inconsciente e como atraídos por um poder magnético, dirigem-se para o lugar onde sua presença pode ser útil.  Deus, que quer socorrer aquele que o implora, sem dúvida poderia fazê-lo por si mesmo, instantaneamente, mas, como eu disse, ele não faz milagres, e as coisas devem seguir seu curso natural; ele quer que os homens pratiquem a caridade, socorrendo-se uns aos outros.  Por seus mensageiros, o lamento que encontra eco é levado até ele e lá os Espíritos bons insuflam um pensamento benévolo.  Embora provocado, este pensamento deixa ao homem toda a sua liberdade, por isto mesmo que sua fonte é desconhecida; nada o constrange; ele tem, por conseguinte, todo o mérito da espontaneidade, se ceder à voz íntima que nele faz apelo ao sentimento do dever, e todo o demérito se resistir, porque dominado por uma indiferença egoísta. (RE; 5/1865) Num perigo iminente, em que a assistência deve ser imediata, como pode o socorro de Deus chegar em tempo hábil ?  Não deveis esquecer que os Anjos-da-Guarda, os Espíritos Protetores, cuja missão é velar pelos que lhes são confiados, os seguem, a bem dizer, passo a passo.  Não lhes podem poupar as apreensões dos perigos, que fazem parte de suas provações; mas se as consequências do perigo podem ser evitadas, como o previram antes, não esperam o último momento para preparar o socorro.  Se, por vezes, dirigem-se aos homens de má vontade, é visando procurar despertar neles bons sentimentos, mas não contam com eles.  Quando, numa posição crítica, uma pessoa se acha, como que de propósito, para vos assistir, e exclamais que “é a Providência que a envia”, dizeis uma verdade bem maior do que muitas vezes supondes.  Se há casos prementes, outros que o são menos exigem certo tempo para trazer um concurso de circunstâncias favoráveis, sobretudo quando é preciso que os Espíritos triunfem, pela inspiração, da apatia das pessoas cuja cooperação é necessária para o resultado a obter.  Essas demoras na realização do desejo são provas para a paciência e a resignação; depois, quando chega a realização do que se desejou, é quase sempre por um encadeamento de circunstâncias tão naturais que absolutamente nada denuncia uma intervenção oculta, nada afeta a mais leve aparência de maravilhoso; as coisas parecem arranjar-se por si mesmas.  Isto deve ser assim pelo duplo motivo de que os meios de ação não se afastam das leis gerais e, em segundo lugar, que se a assistência dos Espíritos fosse muito evidente, o homem se fiaria neles e habituar-se-ia a não contar consigo mesmo.  Essa assistência deve ser compreendida por ele por pensamento, pelo senso moral, e não pelos sentidos materiais; sua crença deve ser o resultado de sua fé e de sua confiança na bondade de Deus. Infelizmente, porque não viu o dedo de Deus fazer um milagre para ele, muitas vezes esquece aquele a quem deve sua salvação para glorificar o acaso. (RE; 5/1866)



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