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sexta-feira, 4 de agosto de 2017

A EXPLICAÇÃO

Por vezes as pessoas se admiram, com aparente razão, quando encontram em indivíduos indignos, faculdades notavelmente desenvolvidas, e que deveriam ser, de preferência, atributo de homens virtuosos e isentos de preconceitos; e, contudo, a história dos séculos passados apresenta, quase que a cada página, exemplos de mediunidades notáveis, possuídas por Espíritos inferiores e impuros, por fanáticos sem raciocínio! Qual pode ser o motivo de tal anomalia? A dúvida bastante compreensível e natural também foi objeto de estudo de Allan Kardec nas páginas da REVISTA ESPÍRITA de outubro de 1867. A resposta havia sido dada pelo Espírito Clélie Duplantier em reunião da Sociedade Espírita de Paris na reunião de 22 de fevereiro daquele ano, como complemento da matéria MÉDICOS-MÉDIUNS. Diz ela: - Aí nada há que possa causar admiração; um estudo um pouco sério e refletido do problema dará a sua chave. Quando fenômenos extraordinários, pertencentes à ordem extracorporal, são produzidos, realmente o que acontece? – É que individualidades encarnadas servem de órgãos de transmissão à manifestação. Elas são instrumentos movidos por uma vontade exterior. Ora, demandariam a um simples instrumento o que se exigiria do artista que o faz vibrar?... Se é evidente que um bom piano é preferível a um defeituoso, não é menos certo que, num como no outro, se distinguirá o toque do artista do de um principiante. Se, pois, o Espírito que intervém na cura encontra um bom instrumento, dele se servirá de bom grado; senão empregará o que lhe oferecerem, por mais defeituoso que seja. Também é preciso considerar, no exercício da faculdade mediúnica, e em particular no exercício da mediunidade curadora, que podem apresentar-se dois casos bem distintos: ou o médium pode ser curador por sua própria iniciativa, ou não passa de um agente, mais ou menos passivo, de um motor excepcional. No primeiro caso, só poderá agir se suas virtudes e sua força moral lho permitirem. Será um exemplo na sua conduta, privada ou pública, um modelo, um missionário vindo para servir de guia ou de sinal de ligação aos homens de boa vontade! O Cristo é a personificação suprema do curador. Quanto àquele que é apenas um médium, sendo instrumento, pode ser mais ou menos defeituoso, e os atos que se operam por seu intermédio de modo algum o impedem de ser imperfeito, egoísta, orgulhoso ou fanático. Membro da grande família humana, da mesma maneira que a generalidade, participa de todas as suas fraquezas. Lembrai-vos destas palavras de Jesus: “Não são os que gozam de saúde que precisam de médico.” Há que se ver, então, um sinal da vontade da Providência nessas faculdades que se desenvolvem em meios e em pessoas imperfeitas. É um meio de lhes dar a fé que, mais cedo ou mais tarde, os conduzirá ao bem; se não for hoje, será amanhã; são sementes que não estão perdidas, porque vós, espíritas, sabeis que nada se perde para o Espírito. Em naturezas moralmente e fisicamente mais rudes, não é raro encontrar faculdades transcendentes, porque essas individualidades, por terem pouca ou nenhuma vontade pessoal, limitam-se a deixar agir a influência que as dirige. Poder-se-ia dizer que agem por instinto, ao passo que uma inteligência mais desenvolvida, querendo se dar conta da causa que a põe em movimento, por vezes se coloca em condições que não permitem uma realização tão fácil dos desígnios providenciais. Por mais bizarros e inexplicáveis que sejam os efeitos que se produzem aos vossos olhos, estudai-os atentamente, antes de considerar um só como infração às leis eternas do Mestre Supremo! Não há uma só que não afirme a sua existência, a sua justiça e a sua sabedoria eternas; se a aparência disser o contrário, crede bem que será apenas uma aparência, que desaparecerá para dar lugar à realidade, com um estudo mais aprofundado das leis conhecidas e o conhecimento daquelas cuja descoberta está reservada ao futuro. 

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