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domingo, 13 de agosto de 2023

EVIDÊNCIAS; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Dos 20 CASOS SUGESTIVOS DE REENCARNAÇÃO (Nova Cultural,1971) reunidos em 1966 no livro do mesmo título, pelo psiquiatra canadense Ian Stevenson, dois foram coletados no Brasil. Curiosamente numa mesma família, residente em Dom Feliciano, Estado do Rio Grande do Sul. Um deles, o da jovem Maria Januária de Oliveira que, na véspera de sua morte por tuberculose contraída pelo desinteresse pela vida ao ver frustrados seus sonhos afetivos por intransigência do pai, prometeu à amiga Ida Lorenz que retornaria e renasceria como sua filha, predizendo ainda que quando começasse novamente a falar, contaria muitas coisas sobre a vida que estava abandonando voluntariamente. Dez meses após sua morte, Ida deu à luz a uma menina batizada Marta, que, efetivamente, ao atingir os dois anos e meio, começou, para espanto dos familiares, a falar sobre fatos da vida de Sinhá. O outro caso é de Paulo que, como destaca o Dr Stevenson, responsável pela cadeira de Psiquiatria na Universidade da Virgínia, nos Estados Unidos da América do Norte, ilustra, primeiro “uma diferença de sexo nas duas personalidades”; segundo, “uma personificação altamente desenvolvida da primeira, por parte da segunda pessoa”; e, terceiro, “a manifestação, nas segunda personalidade, de um talento especial para a costura que, embora nada tendo em si de incomum, foi nesta família, na verdade, grande e quase especificamente desenvolvido nestes dois filhos, em mais nenhum outro, numa família de 13 filhos”. Paulo seria a reencarnação de Emília, a segunda filha do casal Ida e Francisco Valdomiro Lorenz. Apurou o professor Stevenson que “Emília em sua curta existência foi uma pessoa profundamente infeliz, sentindo-se constrangida como menina e, alguns anos antes de sua morte, disse, a vários de seus irmãos e irmãs, mas não aos pais, que se existisse reencarnação, ela retornaria como homem. Disse também que desejava morrer solteira, e, embora tenha tido várias propostas de casamento, recusou todos os pretendentes. Cometeu várias tentativas de suicídio. Em uma delas, tomou arsênico, cuja ação foi neutralizada pela grande quantidade de leite que a fizeram tomar. Afinal tomou cianureto, em consequência do que morreu aos 19 anos, em 12 de outubro de 1921”. Na época da morte de Emília, Ida Lorenz já tinha tido doze filhos, e, embora não esperasse engravidar novamente, o fato se repetiu e, pouco mais de uma ano e meio depois da morte de Emília, deu à luz a um menino a que deram o nome Emílio, tratado na intimidade familiar de Paulo. Nos primeiros quatro ou cinco anos de vida, Paulo recusou resolutamente usar roupas de menino. Usava de menina ou nenhuma. Brincava com meninas e bonecas. Quando tinha quatro ou cinco anos, fizeram-lhe um par de calças de uma saia que havia sido de Emília, o que agradou-lhe, consentindo, desde então, em usar roupas de menino. Fez vários comentários, confirmando sua identidade com Emília, tendo também em comum vários outros traços ou interesses como Emília. Na personalidade de Emília, demonstrava talento para costura, ultrapassando muito em competência suas irmãs mais novas e a própria mãe, Ida, que não gostava de coser, nunca tendo usado uma máquina de costura, que compraram para Emília que a usou bastante. Depois da morte de Emília, fracassaram as tentativas de ter uma sucessora para ela e, mesmo as que aprenderam, não demonstraram a mesma habilidade da irmã. Ao contrário, Paulo manifestou real habilidade antes de ter recebido qualquer instrução, quando tinha menos de 5 anos, pois após a mudança no sentido do desenvolvimento mais masculino, não prosseguiu demonstrando a perícia em costurar, praticamente esquecida na fase adulta. Segundo Stevenson, aos 39 anos, quando o conheceu, Paulo conservava uma tendência mais feminina que muitos homens de sua idade, não tendo se casado e lidando pouco com mulheres, exceto suas irmãs. Submetido a teste específicos, o Dr Stevenson concluiu que, “embora Paulo estivesse com menos tendência à feminilidade do que quando criança, persistia nele um grau definitivamente maior de tal tendência do que em homens de sua idade”.



Está assim na Bíblia, “conhecereis a verdade a verdade vos fará livres”. Cada religião diz que tem a verdade. Que verdade? O Espiritismo também diz estar com a verdade. Será que ele tem resposta para todas as perguntas? (Anônimo)


Sua observação é valida, caro ouvinte, e é muito oportuna para nossa reflexão de hoje. Todos dizem estar do lado da verdade. Mas será que realmente amamos a verdade? Será que amamos a verdade que vem contra os nossos interesses? Será que queremos a verdade que nos traz, por exemplo, um prejuízo material? ou aquela que nos causa uma decepção ou sofrimento? A maioria das pessoas dizemos estar com a verdade, mas, com certeza, como seres humanos falíveis, queremos a verdade que nos é conveniente, mas não queremos aquela que possa ferir nossos interesses.


A condição humana, por melhor possamos imaginar, é de Espíritos volúveis, que ainda estão lutando para aceitar a verdade, mesmo porque a verdade, geralmente, é dura e, por vezes, nos parece muito cruel. Desse modo, é muito difícil para todos nós aceitar a verdade nua e crua, quando nem sempre estamos preparados para isso. Vamos dar um exemplo. De uma maneira geral, aceitamos bem um elogio que alguém nos faça, mesmo que esse elogio seja falso; e, por outro lado, refutamos imediatamente uma crítica, mesmo que essa critica seja a verdade. Não é o que acontece comumente? Pra você ver como é difícil!...


No entanto, cada um quer a verdade para si, principalmente quando surgem os conflitos, em que todos têm razão e ninguém quer perder. Cada um quer que a sua verdade seja a única. Isso acontece todos os dias dentro nos lares, no ambiente de trabalho, nas relações sociais em geral. Jesus nos chama atenção sobre a fraqueza de nossa conduta e sobre a necessidade de prestarmos contas para a nossa própria consciência. Na Doutrina Espírita, dizemos que as Leis de Deus estão em nossa consciência, porque, independente de estarmos ou não do lado da verdade em nossas atitudes, quem vai nos dizer isso é essa consciência.


Todas as doutrinas e religiões têm a sua verdade. Nenhuma delas é plena, perfeita, pois o homem não consegue atingir a verdade verdadeira na sua plenitude. A Doutrina Espírita entende isso muito bem e diz que também não tem e nem pode ter toda a verdade e, por isso, não pode responder a todas as perguntas de uma forma integral e perfeita. Por quê? Porque somos imperfeitos, estamos evoluindo e, a cada passo da evolução, vamos nos aproximando da verdade, sem atingi-la integralmente.


A verdade de hoje é mais verdade que a ontem, e a de amanhã, com certeza, será ainda mais perfeita. A Bíblia conta que Josué fez o Sol parar; naquele tempo ( 3 mil anos atrás) acreditava-se que isso fosse verdade. Hoje sabemos que não é, que tal proeza é impossível, pois não é o Sol que gira em torno da Terra, mas a Terra que gira em torno do Sol. Mas naquele tempo não se sabia disso, nem se sabia que a Terra é um planeta, que o Sol é uma estrela e que o nosso mundo não é o único no universo. Com certeza, a Terra e o Sol não mudaram em sua essência e continuam os mesmos desde a época de Josué, mas nós – seres humanos, Espíritos em evolução – mudamos muito de 3 mil anos para cá, e hoje já sabemos muito mais sobre o Sol e a Terra que os hebreus da antiguidade.


Sobre a verdade há muita coisa a dizer e muitos pontos a refletir. Mas queremos lembrar uma frase de Chico Xavier. Quando lhe perguntaram sobre “dizer a verdade”, ele respondeu: “Eu tenho medo das pessoas que só dizem verdades”. Parece um paradoxo, mas não é. Dizer a verdade pode, até mesmo ser uma questão de conveniência ou de prudência, de responsabilidade ou de amor. Às vezes, conforme o caso, a verdade pode ser usada como um remédio e salvar; mas, de outras, ela pode ser usada como arma... e matar. Reflita sobre isso.


sábado, 12 de agosto de 2023

ESQUECIMENTOS DO PASSADO- RECURSO PROVIDENCIAL; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Uma das heresias cometidas pelo Espiritismo em sua apresentação à sociedade humana foi afirmar a Pluralidade dos Mundos Habitados, afirmando que as fascinantes imagens capturadas pelo nosso acanhado sentido da visão e aprofundadas pela evolução dos instrumentos óticos desde então que a Terra não é único planeta habitado. Tudo tem sua utilidade na Criação Divina. Ousa afirmar que há uma hierarquização dentro das construções do Cosmos, variando essa classificação conforme o estágio evolutivo da maioria predominante. No caso do Sistema Solar o Planeta Júpiter estaria enquadrado como um Mundo Superior. O advento da Teoria das Cordas e suas evoluções a partir dos anos 70 sugerem que as afirmações dos Espíritos que auxiliaram Allan Kardec a compor as bases da Terceira Revelação podem ter fundamento, como que ressoando vida além dos limites da matéria como definida e estruturada. Esses comentários surgem a propósito da seção QUESTÕES E PROBLEMAS DIVERSOS da edição de fevereiro de 1861 da REVISTA ESPÍRITA, onde três questões sobre o esquecimento do passado são levantadas e respondidas pelo dirigente espiritual das reuniões da Sociedade Espírita de Paris: 1. Em um Mundo Superior, como Júpiter ou outro, tem o Espírito encarnado a lembrança de suas existências passadas, assim como a do seu estado errante? - Não; desde que o Espírito se reveste do envoltório material, perde a lembrança de suas existências anteriores. 2-Entretanto, sendo rarefeito em Júpiter o envoltório corporal, ali o Espírito não seria mais livre? – Sim, mas ainda suficientemente denso para extinguir, no Espírito, a lembrança do passado. 3- Então os Espíritos que habitam Júpiter e que se comunicaram conosco encontravam-se mergulhados no sono? – Certamente. Naquele mundo, sendo o Espírito muito mais elevado, melhor compreende Deus e o Universo; mas o seu passado se apaga por enquanto, sem o que se obscureceria a sua inteligência. Ele mesmo não se compreenderia; seria o homem da África, o da Europa ou da América? o da Terra, de Marte ou de Vênus? Não se recordando mais, é ele mesmo, o homem de Júpiter, inteligente, superior, compreendendo a Deus; eis tudo. Em observação adicional, o Editor Allan Kardec pondera: – Se o esquecimento do passado é necessário num mundo adiantado como Júpiter, com mais forte razão deve sê-lo em nosso mundo material. É evidente que a lembrança de nossas existências precedentes causaria lamentável confusão em nossas ideias, sem falar de todos os outros inconvenientes já assinalados a respeito. Tudo quanto Deus faz leva o selo de sua sabedoria e de sua bondade; não nos cabe criticar, ainda mesmo quando não compreendamos o objetivo. A questão do esquecimento do passado serve de argumento para muitos dos que tentam justificar as ações possibilitadas pelo livre arbítrio que caracteriza as individualidades em processo de evolução. Os homens que no século 20 aprofundaram alguns estudos em torno da veracidade ou não da reencarnação, concluíram que o intervalo curto entre reencarnações denominado por eles de intermissão seria o responsável pelo aflorar de lembranças de vida passada, sobretudo na infância, bem como a genialidade demonstrada por instrumentistas, conhecedores de física, matemática, aspectos científicos de maneira geral. A lógica confirma a exatidão das revelações espirituais segundo as quais o esquecimento tem fins terapêuticos, visto que seria muito difícil alguém que tivesse conhecimento de que o filho rebelde oculta o rival ou desafeto do passado conseguir conviver com ele sem reincidir em antigos atos extremos. Assim sendo, a reencarnação como instrumento de aperfeiçoamento através da educação do Espírito somente dará certo se durante a permanência no corpo físico, seja por limitações deste, seja por medidas providenciais, esquecermos quem é quem no novo enredo que vamos construindo dia após dia.

Eu tive um sonho, que me deixou impressionada. Sonhei com meu falecido pai me dando um conselho sobre um problema que estou enfrentando. De fato, estou em dúvida sobre a melhor decisão a tomar, mas o sonho me deu uma dica. Gostaria de saber como faço para saber se foi apenas um sonho, porque eu estava muito preocupada com o problema, ou se foi um encontro verdadeiro com meu pai. (Fernanda L. )


A Doutrina Espírita nos diz, Fernanda, que realmente podemos encontrar com nossos entes queridos desencarnados, quando estamos dormindo, e até receber conselhos deles. O sono, sendo um estado de repouso físico, em que todas as funções orgânicas funcionam num ritmo mais lento, favorece o desprendimento parcial do espírito. Logo, o encontro real com entes queridos desencarnados é uma possibilidade que devemos considerar, principalmente num caso específico como o seu. No entanto, a doutrina considera que não devemos crer facilmente em tudo que vemos no sonho como fatos reais, pois um de seus princípios básicos é que devemos examinar tudo e submeter ao critério da razão.


Cabe a você examinar detidamente esse sonho e procurar tirar dele aquilo que ele tem de bom e proveitoso. Não sonhamos por acaso e os nossos entes queridos, depois da morte, podem nos ajudar, embora eles não costumam se manifestar claramente para nós. Por outro lado, até mesmo o sonho, quando ele é apenas fruto de nosso inconsciente, tem sempre uma mensagem muito séria a nos dar. À propósito, sobre isso leia o livro “Sonhos, Mensagem da Alma”, de Adenauer Novaes. Quando à situação ter sido real ou apenas simbólica, é você ( e só você) que poderá dizer, avaliando a sua vida e vendo se nela você pode empregar o conteúdo desse sonho.



sexta-feira, 11 de agosto de 2023

VAMPIRISMO; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Você come exageradamente, tem um rápido cochilo despertando com a sensação de esgotamento e fome. Vai dormir ao final de um dia normal, atravessa uma noite aparentemente sem sonhos e, ao acordar, inicia o novo dia sentindo-se como se estivesse de ressaca. Adentra recintos repletos de pessoas e, afastando-se, sente-se exaurido, sem forças. O cinema partindo de literatura comercialmente consagrada, faturou muito nos últimos anos com uma fórmula bem sucedida: juventude, romance e vampirismo. O assunto acompanhando a evolução da invenção dos irmãos Lumière, transpôs em várias versões o celebre sucesso literário DRACULA, do autor irlandes Bram Stoker. O assunto, contudo, vem de muito mais longe, pois, o filosofo e teólogo católico Aurélius Agostinho, conhecido hoje como Santo Agostinho, já emitira seu parecer a respeito das entidades capazes de nos “sugar” energias através de entidades chamadas por ele Íncubus(masculinas) e Súcubus (femininas), associadas à sexualidade reprimida. Abrindo caminho para o conhecimento da realidade da continuidade da vida além da morte do corpo físico, o Espiritismo revela as interações entre os habitantes dos dois Mundos ou das duas Dimensões. Provando através de inúmeros depoimentos reproduzidos nos números da REVISTA ESPÍRITA durante o período em que a dirigiu, Allan Kardec ateve-se às influências mentais, individuais e coletivas, sustentadas por Espíritos desencarnados, através dos curiosos mecanismos da mediunidade, ignorada pela cultura prevalente do Plano em que vivemos esse curto período conhecido como existência física. O século 20, ampliou muito nosso raio de visão sobre a realidade em meio à qual nos movemos e existimos. Das fontes reconhecidamente confiáveis, o material produzido pelo médico desencarnado oculto no pseudônimo André Luiz, servindo-se do médium Chico Xavier, através do qual transmitiu a série de obras conhecida como NOSSO LAR (feb), perfazendo treze livros, nos quais descreve suas surpresas ante a realidade ignorada pela maioria das criaturas humanas. Reconhece em interessante diálogo com o Instrutor Alexandre em MISSIONÁRIOS DA LUZ(feb), que “a ideia de que muita gente na Terra vive à mercê de vampiros invisíveis é francamente desagradável e inquietante”, indagando sobre a proteção das Esferas mais altas e ouvindo que “por não podermos “atirar a primeira pedra” em relação aos que nos são inferiores e que competiria proteger, como exigir o amparo de superiores benevolentes e sábios, cujas instruções mais simples são para nós difíceis de suportar, pela nossa lastimável condição de infratores da lei de auxílios mútuos?”. Aprende ainda que na dinâmica do processo de “roubo” de nossa energia vital, “bastará ao desencarnado agarrar-se aos companheiros de ignorância, ainda encarnados, qual erva daninha aos galhos das árvores, e sugar-lhes a substância vital”; que “vampiro - espiritual – é toda entidade ociosa que se vale, indebitamente, das possibilidades alheias e, em se tratando de vampiros que visitam os encarnados, é necessário reconhecer que eles atendem aos sinistros propósitos a qualquer hora, desde que encontrem guarida no estojo de carne dos homens”. Em outro momento de sua narrativa, descobre que os que desencarnaram “em condições de excessivo apego aos que deixaram na Crosta, nele encontrando as mesmas algemas, quase sempre se mantem ligados à casa, às situações domésticas e aos fluidos vitais da família. Alimentam-se com a parentela e dormem nos mesmos aposentos onde se desligaram do corpo físico”. Observa, espantado, “a satisfação das entidades congregadas ali, absorvendo gostosamente as emanações dos pratos fumegantes numa residência visitada à hora das refeições, colhendo a informação do Benfeitor que acompanhava que os que desencarnam viciados nas sensações fisiológicas, encontram nos elementos desintegrados – pelo cozimento -, o mesmo sabor que experimentavam quando em uso do envoltório carnal” (fenômenos típicos de vampirização já foram tratados na postagens DEPENDÊNCIAS QUIMICAS ALÉM DA VIDA (álcool,fumo e tóxicos), SEXO ALÉM DA VIDA e SONHOS:UMA VISÃO ORIGINAL). Numa operação socorrista em favor de um recém-desencarnado, acompanha uma equipe a um abatedouro bovino, percebendo um quadro estarrecedor: “grande número de desencarnados, atirando-se aos borbotões de sangue vivo, como se procurassem beber o líquido em sede devoradora (...), sugando as forças do plasma sanguíneo dos animais”. Tentando entender o por que do Espírito buscado estar naquele ambiente, aprende que os infelizes que ali o retinham incluíam-se entre os que “abusam de recém-desencarnados sem qualquer defesa(...), nos primeiros dias que se sucedem à morte física, subtraindo-lhes as forças vitais, depois de lhes explorarem o corpo grosseiro”. N’ OBREIROS DA VIDA ETERNA (feb), André acompanha equipe que assiste o desencarne de doente terminal acomodado em ala hospitalar, impressionando-se com o que vê: “-A enfermaria estava repleta de cenas deploráveis. Entidades inferiores, retidas pelos próprios enfermos, em grande viciação da mente, postavam-se em leitos diversos, inflingindo-lhes padecimentos atrozes, sugando-lhes vampirescamente preciosas forças, bem como atormentando-os e perseguindo-os”. Consultando o líder do grupo de trabalho, ouve “ser inútil qualquer esforço extraordinário, pois os próprios enfermos, em face da ausência de educação mental, se incumbiriam de chamar novamente os verdugos, atraindo-os para as suas mazelas orgânicas, só competindo irradiar boa-vontade e praticar o Bem, tanto quanto possível, sem, contudo, violar as posições de cada um”. Inúmeras outras situações sobre o processo de dependência energética dos desencarnados em relação aos encarnados são alinhadas por André Luiz no conjunto de obras que materializou em nosso Plano. Numa delas, porém, analisa de forma minuciosa o problema do vampirismo espiritual. É no EVOLUÇÃO EM DOIS MUNDOS (feb), onde fala sobre a ação deliberada dos que se separaram do corpo pelo fenômeno da morte, comparando-os no fenômeno aqui tratado, com os parasitas que agem sobre os hospedeiros(encarnados). Alguns, “à semelhança dos mosquitos e ácaros, absorvem as emanações vitais dos encarnados que com eles se harmonizam”. Outros, “vivem no clima pessoal da vítima, em perfeita simbiose mórbida, absorvendo-lhe as forças psíquicas”. Há como se pode ver, muito material para estudo. A terapêutica, avalia André, “não se resume à palavra que ajude e a oração que ilumina. O hospedeiro de influências inquietantes que, por suas aflições na existência carnal, pode avaliar da qualidade e extensão das próprias dívidas, precisará do próprio exemplo, no serviço do amor puro aos semelhantes, com educação e sublimação de si mesmo, porque só o exemplo é suficientemente forte para renovar e ajustar”.






Quando a gente sonha muito com uma pessoa que já morreu, o que quer dizer isso? Será que ela está querendo dizer alguma coisa?


Já falamos aqui que os sonhos, segundo o psicólogo Adenauer Novaes, são mensagens da alma. Eles sempre querem dizer alguma coisa para nós, ainda que ele saia apenas e tão somente de nosso mundo inconsciente. Por isso, os sonhos geralmente são simbólicos e projetam os nossos sentimentos. Segundo André Luiz, existem sonhos comuns, que são aqueles que retratam a nossa vida íntima nesta mesma encarnação; sonhos reflexivos, que trazem imagens relativas a vidas anteriores e, por último, os sonhos espíritas, que revelam encontros no mundo espiritual.


Sonhar insistentemente com uma pessoa, que já faleceu, se for um sonho comum, pode revelar algum sentimento que você tem por essa pessoa ou por alguém que faz lembrá-la: um bom sentimento, se o sonho revelar situações agradáveis; um sentimento de aversão ou de culpa, se for desagradável. Você deve examinar melhor seus sonhos, analisando que sentimentos suas cenas despertam em você e que relação você pode fazer com seus problemas atuais.


Se for um sonho espírita – e este costuma ser mais nítido e deixar uma impressão muito forte – é possível que o Espírito esteja tentando comunicar com você, mas esteja com dificuldades de sintonia. Se ele estiver revelando alguma coisa, você deve procurar saber do que se trata. Entretanto, não se esqueça de orar por ele, mesmo porque a prece é um canal importante de comunicação. Já tivemos notícias de vários casos semelhantes em que realmente havia um recado importante. Leia “Sonhos, Mensagens da Alma” de Adenauer Novaes.


quinta-feira, 10 de agosto de 2023

NÃO ERA UM SONHO; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

-“Que sonho singular!... Sinto-me arrastado por um turbilhão, cuja duração não compreendo.... Alguns amigos que julgava mortos, convidaram-me para um passeio, e eis-nos arrastados. Para onde vamos?... Olha! Brincadeira esquisita! A um grupo espírita!.... Ah!. Que farsa engraçada, ver essa boa gente conscienciosamente reunida!... Eu conhecia uma dessas figuras... Onde a vi? Não sei (...). Eu vos ouvi, senhores e senhoras e vos apresento meus profundos respeitos. Escreveis. Ao que me parece, e vossas mãos ágeis sem dúvida vão transcrever o pensamento dos invisíveis!... Espetáculo inocente!...Sonho insensato este meu.! Eis um que escreve o que digo a mim mesmo... Mas absolutamente não sois divertidos, nem também meus amigos, que tem rostos compassivos como os vossos – Espíritos dos que haviam morrido antes dele, e que julga ver em sonho - (...). Ei-los em busca de um problema insolúvel, condenado pela Ciência, pelos pensadores, pelos trabalhadores!... Falta-lhes instrução... A ignorância é a lei de Loyola largamente aplicada.(...) Ah!.. Se na verdade houvesse um grão de verdade em vossas elocubrações! Haveria para o materialista matéria para o suicídio!... Olhai!. Eu vivi largamente; desprezei a carne, revoltei-a; ri dos deveres da família, de amizade. Apaixonado, usei e abusei de todas as volúpias, e isto com a convicção que obedecia às atrações da matéria, única lei verdadeira em vossa Terra, e isto eu renovarei ao meu despertar, com a mesma fúria, o mesmo ardor, a mesma habilidade. Tomarei a um amigo, a um vizinho, sua mulher, sua filha ou sua pupila, pouco importa, desde que, estando mergulhado nas delícias da matéria, rendo homenagem a essa divindade, senhora de todas as ações humanas. Mas, se me tivesse enganado?... Se tivesse deixado passar a verdade?... Se, realmente, houvesse outras vidas anteriores e existências sucessivas após a morte? Se o Espírito fosse uma personalidade vivaz, eterna, progressiva, rindo da morte, retemperando-se no que chamamos provação?... Então haveria um Deus de justiça e de bondade?(...). Oh! Então se estivésseis com a verdade, eu queimaria o cérebro ao despertar, tão certo quanto me chamo...O relato pertence, na verdade, a um Espírito identificado como Luiz, que se manifestou imaginando que sonhava quando, na verdade havia desencarnado dois meses antes, em Paris, conforme exposto por Allan Kardec em matéria inserida na REVISTA ESPÍRITA, edição de fevereiro de 1869. Descrito por Kardec como um homem muito inteligente, escritor, assistira anos antes a reunião da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, testemunhando diversos casos de mediunidade. Viu, principalmente, “um sonâmbulo, que lhe deu evidentes provas de lucidez, em coisas que lhe eram absolutamente pessoais, mas nem por isto se convenceu da existência de um princípio espiritual”. Em reunião posterior, através de outro médium, pela fala e não pela escrita, como da primeira vez, também espontaneamente, ou seja, sem ter sido evocado, discorreu durante uma hora, reproduzindo na manifestação sua atitude, gestos, a voz e a linguagem, a ponto de ser facilmente reconhecido pelos que o conheceram. A todas as perguntas e objeções que lhe foram feitas, pretendeu explicar tudo pelo estado de sonho, embaraçando-se muito a uma pergunta a ele feita, da qual se esquivou várias vezes: -“O corpo pelo qual nos falais não é o vosso, pois é magro e o vosso era gordo. Onde está o vosso verdadeiro corpo? Não está aqui, pois não estais em vossa casa. Quando se sonha, está-se em seu leito. Ide, pois, ver em vosso leito se o vosso corpo lá está e dizei-nos como podeis aqui estar sem o vosso corpo?”. Ponderando sobre o caso, Kardec em observação ao final da matéria diz: -“Como se viu, era um tipo de materialista sensualista; jamais teria aceitado o Espiritismo. Os homens dessa categoria buscam as consolações da vida nos prazeres materiais; (...). Para eles o Espiritismo não é um benefício, mas um estorvo; não há provas que possam triunfar de sua obstinação: repelem-nas, menos por convicção do que por medo de que seja uma verdade”. 






Por que temos de sofrer tanto? Na vida, tudo é sofrimento, desde que a gente nasce até quando a gente morre. Para cada problema que resolve, surgem três. E o pior sofrimento está na ingratidão dos filhos... (Benedita, Araceli)


De todos os sofrimentos, Benedita, o maior que podemos experimentar na vida é a inconformação e a revolta diante de nossos problemas . Nenhum problema é fácil de resolver; por isso é que o chamamos de “problema”. No entanto, ter de enfrentar um problema com revolta no coração só vai complicar mais ainda o problema e trazer mais sofrimento. Emmanuel, orientador espiritual de Chico Xavier, no livro “PENSAMENTO E VIDA”, afirma que não é o problema que nos faz sofrer, mas, sim, a nossa reação diante dele. Preste atenção nisso!


Nessa mesma linha de pensamento, alguns autores costumam dizer que, na vida, existem a dor e o sofrimento. A dor é inevitável, mas o sofrimento somos nós que o fazemos. É que o sofrimento é a projeção de nossas angústias, de nosso mundo interior. Por isso é que vemos pessoas, que não demonstram estar passando por uma dificuldade, embora estejam sofrendo. Mas é que essas pessoas sabem como encarar a situação e não se entregam ao desespero; confiam em Deus e em si mesmas.


Outras, porém, diante de um problema, que não achamos assim tão grave, parecem que vão morrer, desesperam-se, pois toda dificuldade lhe parece pesada demais para seus ombros. Cada um vê o mundo conforme o que traz no espírito: há os que dramatizam a dor de tal forma, que sua reação se transforma num problema mais complicado que o próprio problema. Precisamos confiar em Deus e, mais do que isso, compreender que cada um de nós tem um programa de vida adequado às nossas próprias necessidades evolutivas.


Assim, todos, invariavelmente, passamos por dificuldades. Quem não passa? Não há uma só pessoa no mundo que não esteja, neste preciso momento, passando por uma ou mais, pois a dinâmica da vida não nos dá trégua: temos de estar pensando e agindo sempre. É a lei da evolução. Quando procuramos entender como essa lei funciona e como Deus é bondoso conosco ao nos dar essa oportunidade de crescimento, sofremos menos, pois vamos aceitar os revezes com naturalidade, sabendo aproveitá-los como experiência de vida.


A Doutrina Espírita, Benedita, nos dá uma compreensão ampla desse processo evolutivo, ensinando que todos passamos por inúmeras existências justamente para irmos burilando o espírito. Desse modo, cada um de nós, Benedita, está no lugar que deveria estar, passando por situações que – ou decorrem de nossas necessidades evolutivas ou são conseqüências de erros que cometemos. A vida é sempre um desafio, que nos pede entendimento do que está se passando, para podermos viver melhor cada momento.


Quase sempre nos esquecemos de que Deus é a perfeição absoluta e de que nada acontece por acaso; tudo está interligado à lei do progresso. Nunca estamos sozinhos em nossa luta. E, como você sabe, não há progresso sem esforço, sem luta, sem trabalho, sem sacrifício. Desse modo, muitas vezes não conseguimos evitar a dor, mas podemos evitar ou diminuir nosso sofrimento, se soubermos compreender o que está acontecendo conosco. Na literatura espírita, principalmente nos romances, você vai encontrar muitas histórias de dor e sofrimento, e vai verificar que vencem mais depressa aqueles que compreendem esse processo e que estão mais dispostos a dar mais de si mesmos.



quarta-feira, 9 de agosto de 2023

PRECE FUNCIONA; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 “-Fui induzida a contemplar o que podemos chamar de aura da Terra. Meu guia exclamou: - Busca ver como a Humanidade se une pelo pensamento aos Planos Invisíveis. O teu golpe de vista abrangeu a paisagem, procure agora os detalhes. Fixando atentamente o quadro, notei que filamentos estranhos, em posição vertical, se entrelaçavam nas vastidões sem se confundirem. Não havia dois iguais e suas cores variavam do escuro ao claro mais brilhante. Alguns se apagavam, outros se acendiam em extraordinária sucessão e todos eram possuídos de movimento natural, sem uniformidade em suas particularidades. ‘-Esses filamentos – disse com bondade -, são os pensamentos emitidos pelas personalidades encarnadas. Esses raros que aí vês, e que se caracterizam pela sua alvura fulgurante, são os emitidos pela virtude e quando nos colocamos em imediata relação com uma dessas manifestações, que nos chegam dos Espíritos da Terra, o contato direto se verifica entre nós e a individualidade que nos interessa’. Aguçada minha curiosidade, quis entrar em relação com um pensamento luminoso que me seduzia, abandonando todos os outros, que nos circundavam, para só fixar a atenção sobre ele. Afigurou-se-me que os demais desapareciam, enquanto me envolvia nas irradiações simpáticas daquele traço de luz clara e brilhante. Ouvi comovedora prece, vendo igualmente uma figura de mulher ajoelhada e banhada em pranto. Num átimo de tempo, por intermédio de extraordinária interfluência de pensamentos, pude saber qual a razão das suas lágrimas, das suas preocupações e como eram amargos seus sofrimentos. Sensibilizada, instintivamente enviei-lhe pensamentos consoladores. Como se houvera pressentido, via-a meditar por instante com o olhar cheio de estranho brilho, levantando-se reconfortada para enfrentar a luta, sentindo grande alívio”. O curioso depoimento pertence ao Espírito Maria João de Deus que possibilitou a reencarnação a Chico Xavier, na condição de mãe, e que, em 1935, atendendo-lhe pedido começou a escrever CARTAS DE UMA MORTA (lake), concluído no ano seguinte. Pesquisando a prece, Allan Kardec, entrevistando os Espíritos que o auxiliaram a viabilizar a obra O LIVRO DOS ESPÍRITOS, obteve, entre outras, a informação na questão 662 que “pela prece aquele que ora, atrai os bons Espíritos que se associam ao Bem que deseja fazer”, comentando que “possuímos em nós mesmos, pelo pensamento e a vontade, um poder de ação que se estende muito além dos limites de nossa esfera corpórea”. N’ O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO, Kardec escreveu que “a prece é uma invocação: por ela nos pomos em relação mental com o Ser a que nos dirigimos(...). As dirigidas a Deus são ouvidas pelo Espíritos encarregados da execução dos seus desígnios(...). O Espiritismo nos faz compreender a ação da prece, ao explicar a forma de transmissão do pensamento (...). Para se compreender o que ocorre nesse caso, é necessário imaginar todos os seres, encarnados e desencarnados, mergulhados no Fluido Universal que preenche o espaço, assim como na Terra estamos envolvidos pela atmosfera. Esse fluido é impulsionado pela vontade, pois é o veículo do pensamento, como o ar é o veículo do som, com a diferença de que as vibrações do ar são circunscritas, enquanto as do Fluido Universal se ampliam ao Infinito. Quando, pois, o pensamento se dirige para algum Ser, na Terra ou no Espaço, de encarnado para desencarnado, ou vice-versa, uma corrente fluídica se estabelece de um a outro, transmitindo o pensamento, como o ar transmite o som. É assim que “a prece é ouvida pelos Espíritos, onde quer que eles se encontrem, que então nos transmitem suas inspirações”. Abordando o poder da prece diz que “está no pensamento, e não depende das palavras, do lugar, nem do momento em que é feita, podendo-se orar em qualquer lugar e a qualquer hora, a sós ou em conjunto”. Afirma que a “prece em comum tem ação mais poderosa”. Nas “reportagens” escritas através de Chico Xavier pelo Espírito conhecido como André Luiz, encontramos inúmeros ensinos a propósito da prece. No ENTRE A TERRA E O CÉU (feb), o Ministro Clarêncio afirma que a “prece, qualquer que ela seja, é ação provocando reação. Conforme sua natureza, paira na região em que foi emitida ou eleva-se mais, ou menos, recebendo a resposta imediata ou remota, segundo a finalidade a que se destina.”. André aprende existir a oração refratada, ou seja, aquela cujo impulso luminoso teve sua direção desviada, passando a outro objetivo”. Tal prece, no livro, fora formulada por adolescente órfã, 15 anos, rogando auxílio à mãe desencarnada, supondo que ela se encontrasse junto a Deus, quando na verdade, inconformada e atormentada, ela se mantinha na invisibilidade do próprio lar que deixara compulsoriamente pelo fenômeno da morte física. Mais à frente, ouve que “a oração é o meio mais seguro para obter-se a influência espiritual que se faz através do pensamento, no canal da intuição”, sendo ainda “o remédio eficaz de nossas moléstias íntimas”, abrindo um caminho de reajuste para o que ora.




Não posso aceitar que Deus, sendo bom, deixa o homem sofrer. É essa condição humana, a do sofrimento, que leva muita gente ao ateísmo.


Quando Jesus disse a seu povo que Deus é Pai, ele procurava melhorar a idéia que o homem fazia de Deus há séculos; ou seja, ele pretendia mostrar que a bondade do Pai é infinita e que tudo Ele faz é para o nosso bem Jesus chegou a dizer: “se vós, que sois maus e imperfeitos, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, o que não vos dará o Pai Celestial, que é bom e perfeito”.


Baseando-nos nessa comparação, podemos inferior que um pai, por mais amoroso que seja, não pode dar tudo de mão beijada aos filhos, não pode permanecer ao lado deles apenas para fazer-lhes a vontade. Na maioria das vezes, os filhos, ainda crianças, não sabem nem mesmo o que é bom si mesmos. Se ignorantes, não querem ir à escola; se doentes, não querem tomar remédio. Essas condições de aprendizagem precisam ser impostas pelo pai; caso contrário, não aprenderão a viver e não terão como construir o próprio destino sobre bases sólidas de aprendizado.


Imagine um pai que só fizesse a vontade de seus filhos. Que filhos incapazes e inúteis ele criaria! Deus, que governa o mundo através de suas leis, coloca-nos sempre na condição de quem precisa aprender para vencer, e aprender com sacrifício. É essa lei que confere à dificuldade um sabor especial. Nenhum atleta aceitaria uma medalha de ouro, sem participar da prova, pois o que há de mais gratificante na premiação é a sensação do mérito conquistado. É esse sentimento de conquista que nos confere a auto-realização. É, portanto, a dificuldade e o sofrimento que se encarregam de nos burilar o Espírito, rumo à nossa felicidade.


Assim, aquilo que chamamos “mal” ou “sofrimento”, só o é do nosso ponto de vista; não para Deus; do mesmo modo que um pai humano aceitaria que se submetesse seu filho a um tratamento severo, a fim de salvar sua vida. Do ponto de vista da criança, que deve passar por esse tratamento, o que estão fazendo com ela é uma monstruosidade; mas, do ponto de vista do pai, o que estão lhe fazendo, é um valioso recurso de salvação.


terça-feira, 8 de agosto de 2023

O PODER DA VONTADE SOBRE AS PAIXÕES ; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 O caso é relatado por Allan Kardec no número de julho de 1863 da REVISTA ESPÍRITA. Conta ele: -“Um rapaz de vinte e três anos, o Sr. A..., de Paris, que se iniciou no Espiritismo dois meses antes, captou o seu alcance com tal rapidez que, sem nada ter visto, o aceitou em todas as suas consequências morais. Dirão que isto não é de admirar da parte de um jovem, e não prova senão uma coisa: a leviandade e um entusiasmo irrefletido. Seja. Mas prossigamos. Esse moço irrefletido, como ele próprio reconhece, tinha um grande número de defeitos, dos quais o mais saliente era uma irresistível predisposição para a cólera, desde a infância. Pela menor contrariedade, pelas causas mais fúteis, quando entrava em casa e não encontrava imediatamente o que queria; se uma coisa não estivesse no seu lugar habitual; se o que tivesse pedido não estivesse pronto em um minuto, enfurecia-se e tudo quebrava. Era a tal ponto que um dia, num paroxismo de cólera, explodindo contra a mãe, disse-lhe: “Vai-te embora, ou eu te mato!” Depois, esgotado pela superexcitação, caía sem consciência. Acrescente-se que nem os conselhos dos pais, nem as exortações da religião tinham podido vencer esse caráter indomável, compensado, aliás, por uma grande inteligência, uma instrução cuidadosa e os mais nobres sentimentos,(...) Bastaram alguns dias para fazer desse jovem um ser meigo e paciente. A certeza adquirida da vida futura, o conhecimento do objetivo da vida terrestre, o sentimento da dignidade do homem, revelada pelo livre-arbítrio, que o coloca acima do animal, a responsabilidade daí decorrente, o pensamento de que a maior parte dos males terrenos são a consequência de nossos atos, todas essas ideias, hauridas num estudo sério do Espiritismo, produziram em seu cérebro uma súbita revolução; pareceu-lhe que um véu foi retirado de seus olhos; a vida se lhe apresentou sob outra face. Então, certo de que tinha em si um ser inteligente, independente da matéria, disse de si para si: “Este ser deve ter uma vontade, ao passo que a matéria não a tem; portanto, ele pode dominar a matéria.” Daí este outro raciocínio: “O resultado de minha cólera foi tornar-me doente e infeliz, e ela não me dá o que me falta; logo é inútil, já que não estou mais adiantado. Ela me produz mal e nenhum bem me dá em compensação; mais ainda: poderia impelir-me a atos repreensíveis, criminosos talvez.” – Ele quis vencer, e venceu. Desde então, mil ocasiões se apresentaram que, antes, o teriam enfurecido e ante as quais ele ficou impassível e indiferente, para grande estupefação de sua mãe. Sentia o sangue ferver e subir à cabeça, mas, por sua vontade, o fazia refluir, forçando-o a descer. Um milagre não teria feito melhor. (...) Seu Espírito era responsável por sua violência, ou apenas sofria a influência da matéria? Eis a nossa resposta: Vosso Espírito é de tal modo responsável que, quando o quisestes seriamente, controlastes o movimento sanguíneo. Assim, se o tivésseis querido antes, os acessos teriam cessado mais cedo e não teríeis ameaçado vossa mãe. Além disso, quem é que se encoleriza? O corpo ou o Espírito? Se os acessos viessem sem motivo, poder-se-ia crer que eram provocados pelo afluxo sanguíneo; mas, fútil ou não, tinham por causa uma contrariedade. Ora, evidentemente não era o corpo que estava contrariado, mas o Espírito, muito suscetível. Contrariado, o Espírito reagia sobre um sistema orgânico irritável, que não teria sido provocado se tivesse ficado em repouso. Façamos uma comparação. Tendes um cavalo fogoso; se souberdes governá-lo, ele se submete; se o maltratardes, ele se enfurece e vos derruba. De quem a falta: vossa ou do cavalo? Para mim, é evidente que vosso Espírito é naturalmente irascível; mas como cada um traz consigo o seu pecado original, isto é, um resto das antigas inclinações, não é menos evidente que, em vossa precedente existência, tivésseis sido um homem de extrema violência, e que provavelmente teríeis pago muito caro, talvez com a própria vida”.


Ailton, de Vila Mariana, por e-mail, diz que leu recentemente uma reportagem sobre o Santo Sudário, e gostaria de saber o que o Espiritismo pensa sobre isso.


O que é conhecido por “Santo Sudário” é um pano de linho puro que, segundo a tradição religiosa, teria sido utilizado para envolver o corpo de Jesus de Nazaré, após sua crucificação, há cerca de 2 mil anos atrás. Essa peça encontra-se, hoje, na Catedral de Turim, norte da Itália. Nos anos de 1998 e 2000, ela foi exibida ao público e, ao que tudo indica, em maio de 2010, voltará a ser objeto de visitação pública. Essa peça tem sido objeto de muita discussão e uma interminável controvérsia entre crentes e descrentes, não se tendo até hoje chegado a um consenso.


De um lado, estão os religiosos, apoiados na mais na fé que na razão, que querem que esse sudário seja realmente autêntico – ou seja, que ele seja a peça que envolveu o corpo de Jesus e que, portanto, traz suas marcas em sangue. Por outro lado, seus opositores – geralmente, pessoas descrentes ou mesmo cientistas ateus e anti-religiosos. Eles vem tentando provar, há 21 anos, que essa peça – que se encontra na Catedral de Turim – é apenas uma mera falsificação, e que, na verdade, ela teria sido confeccionada no século 13, ou seja mais de 1.200 anos depois de Cristo.


A peça, segundo a versão dos religiosos, como Marco Tosati, jornalista, que acaba de um lançar um livro sobre o assunto, estamparia marcas impressionantes de sangue do corpo de Jesus, dando-lhe uma configuração extraordinária e uma idéia geral de como Jesus era fisicamente. Nessa obra, Tosati quer provar que os exames realizados pelos cientistas - nos laboratórios de Tucson, Oxford e Zurique - contêm erros de cálculo matemático e que, portanto, não correspondem à verdade. Esses exames, que estão sendo criticados por Tosati, foram feitos com Carbono 14, e tinham levado à conclusão de que a peça, chamada “sudário”, é uma falsificação confeccionada por volta do ano 1.260.


Um dos problemas é saber como que ela pôde resistir tanto tempo e com tais características. Entretanto, ninguém tem a verdade plena e definitiva a respeito, Ailton. Para os cristãos, especialmente para os católicos, essa peça, se provada a sua autenticidade, seria a única prova material da existência de Jesus, já que até hoje não se conhece outra prova, pois a figura do mestre de Nazaré, infelizmente, passou despercebida pela História. A única referência histórica de Jesus é de Flavius Josefus, que foi um historiador judeu do primeiro século, que deu uma única nota, aliás muito breve, a seu respeito. O Espiritismo não tem nenhuma opinião formada a respeito, aguardando apenas o resultado dos estudos, para ver se, em algum dia, vamos chegar a uma conclusão.



segunda-feira, 7 de agosto de 2023

CRIANÇAS NO PLANO ESPIRITUAL; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Estima a ONU que seis mil crianças morrem diariamente na Terra, a maioria por causas derivadas da precariedade do saneamento ambiental (falta de água, saneamento básico, fome). A esses sintomas nascidos na visão imediatista dos políticos, em sua maioria sem maiores comprometimentos com o povo pelo qual deveria trabalhar, deve-se acrescer, segundo autoridade espiritual o “infanticídio inconsciente e indireto largamente praticado no mundo, havendo mulheres cujo coração ainda se encontra em plena sombra, mais fêmeas que mães, obcecadas pela ideia do prazer e da posse. De um ângulo mais abrangente, Allan Kardec ouviu daqueles que o auxiliaram na elaboração d’ O LIVRO DOS ESPIRITOS, questão 199, que “a duração da vida de uma criança pode ser, para o seu Espírito, o complemento de uma vida interrompida antes do termo devido, e sua morte é frequentemente uma prova ou uma expiação para os pais”. A propósito, comentário sobre a dor de pais diante dessas perdas inesperadas, no livro AÇÃO E REAÇÃO, encontramos que “as entidades que necessitam de tais lutas expiatórias, são encaminhadas aos corações que se acumpliciaram com elas em delitos lamentáveis, no pretérito distante ou recente, ou, ainda, aos pais que faliram junto dos filhos, em outras épocas, a fim de que aprendam na saudade cruel e na angústia inominável o respeito e o devotamento, a honorabilidade e o carinho que todos devemos na Terra ao instituto da família”. O que acontece, porém com esses Espíritos, em sua maioria, praticamente expulsos da vida física recentemente iniciada? “- Antigamente, na Terra, conforme a teologia clássica, supúnhamos que os inocentes, depois da morte, permaneciam recolhidos ao descanso do limbo, sem a glória do Céu e sem o tormento do inferno e, com as novas concepções do Espiritualismo, acreditávamos que o menino reencarnado retomasse, de imediato, a sua personalidade de adulto. Em muitas situações, é o que acontece quando o Espírito já alcançou elevada classe evolutiva”. (...) “Contudo, para a grande maioria das crianças que desencarnam, o caminho não é o mesmo”. Através de Chico Xavier, não só o assunto ganhou conteúdo mais dilatado, como objetivo. Já em NOSSO LAR (feb,1943), encontramos referências a educandário para jovens e crianças. No ENTRE A TERRA E O CÉU (feb,1954), André Luiz ouve explicações sobre o Lar da Bênção, parte de vasto estabelecimento de assistência e educação, com capacidade para atender duas mil crianças, distribuídas em grande conjunto de lares abrigando até doze assistidos, quase todos destinados ao retorno à nossa Dimensão para a reintegração no aprendizado que lhes compete”. Um manancial de informações do ponto de vista quantitativo desprende-se das centenas de cartas psicografadas pelo médium nas reuniões públicas de Uberaba, entre os anos 70 e 90. Nelas, muitos elementos para reflexões. Numa das escritas por Moacyr Stella aos pais dos quais se separou aos 32 anos, em consequência de um câncer de cabeça, formado recentemente em Medicina, especialização em pediatria, conta que, ultrapassados os difíceis primeiros tempos após sua desencarnação, integrara-se ao serviço em um berçário, que o prendia a duzentos pequeninos, crianças desterradas do lar em que nasceram. Há, todavia, interessante livro publicado em 1988, assinado por Cláudia Pinheiro Galasse, desencarnada, seis anos antes, aos 18 de idade, em tratamento de recuperação, só em princípios de 1983, conseguiu equilibrar-se à custa de persistente esforço mental. Admitida em 1984, em um dos vários Institutos de apoio à infância no Além, promovida a professora em 1985. No livro intitulado ESCOLA NO ALÉM (ideal,1988), Claudia revela dedicar-se com amigas durante o dia a uma espécie de creche onde as crianças são separadas por faixa etária ( no seu caso, de meses até dois anos), sendo substituídas à noite, por mães desencarnadas. Explica serem as crianças enviadas pela Direção Geral, com instruções e avisos referentes a cada uma, que as abrigadas onde trabalha em sua maioria são de São Paulo, que trabalha com mais de cem, aplicando-se programas educativos recebidos semanalmente de Departamento Superior. Disciplina, horários específicos, passeios e hora de recreio fazem parte dessas atividades. Afirma ainda, entre inúmeras informações, não existir nenhuma desamparada e que muitas mães, durante o repouso físico, são levadas a visitar os filhos já domiciliados no Plano Espiritual .



Eu quero saber se existe salvação pelo Espiritismo. (Um amigo)


Primeiramente, o conceito de salvação é muito amplo. Jesus o usou em muitos sentidos, mas o principal sentido por ele usado é de “libertação do perigo”. E o que é o perigo para Jesus? São nossos defeitos morais, nossos vícios, assim como o egoísmo, o orgulho, o ódio e a violência. O homem, como você sabe, vem desenvolvendo o progresso material do planeta num ritmo vertiginoso e de maneira incrível, mas todo esse rico patrimônio de recursos, de que hoje podemos dispor, não nos deu a paz e o amor de que todos sempre necessitamos. Ao contrário, o apego aos bens materiais, ao invés de unir, divide mais ainda os homens. E´que, geralmente, nós confundimos facilidade com felicidade; e é por isso que todo mundo quer ganhar o céu – para não fazer nada, para viver na ociosidade.


Entretanto, salvar, no sentido que Jesus ensinou, é levar o homem a se libertar dos vícios morais que ainda o prende à estagnação, para que ele possa viver com mais harmonia consigo mesmo e com o próximo. Só o progresso material – esse arsenal de recursos tecnológicos de que hoje podemos dispor - não lhe dá essa condição; é preciso que se esforce no seu progresso moral, e o Espiritismo contribui para isso, na medida em que nos esclarece sobre as leis da vida e convida as pessoas a praticarem a caridade. Daí o lema de Kardec: “fora da caridade não há salvação”. Assim, não temos no Espiritismo esse conceito de “salvação para a vida eterna”. A salvação não é uma meta, mas um caminho que percorremos em busca do progresso espiritual dos indivíduos e da coletividade.


Jesus insistiu muito nesse ponto, ao ensinar o amor ao próximo e, consequente, a prática incondicional do bem. É uma coisa muito simples de entender. Não há complicação alguma. Basta que caminhemos nesse sentido. Se todas as religiões do mundo, ao invés de ficarem preocupadas com o juízo final e com a salvação pela fé, se preocupassem em formar homens de bem e insistissem na vivencia do amor fraterno, com certeza, muita coisa melhoraria em nosso planeta e estaríamos, seguramente, cada vez mais próximo do ideal de Jesus, que também foi o ideal dos grandes mestres da humanidade.


Eu 

domingo, 6 de agosto de 2023

A RESPONSABILIDADE MORAL; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 “Se um homem cometeu um crime, e se o tiver consumado seduzido pelos conselhos perigosos de um homem que sobre aquele exerce muita influência, a Justiça humana saberá reconhece-lo, concedendo-lhe o benefício das circunstâncias atenuantes; irá mais longe: punirá o homem cujos conselhos perniciosos provocaram o crime, e, mesmo sem ter contribuído de outra maneira, este homem será mais severamente punido do que o que foi o instrumento, porque foi seu pensamento que concebeu o crime, e sua influência sobre um Ser fraco, que o fez executar. Se é o que fazem os homens neste caso, diminuindo a responsabilidade do criminoso, e a partilhando com o infame que o impeliu a cometer o crime, como queríeis que Deus, que é a mesma justiça, não fizesse o mesmo, desde que vossa razão vos diz que é justo agir assim?”. A comparação foi utilizada pelo Espírito Louis Nivard em mensagem psicografada em reunião da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas e reproduzida na edição de setembro de 1867, da REVISTA ESPÍRITA. Na verdade, procurava esclarecer ao filho – por sinal o médium de que se serviu -, sobre a responsabilidade assumida por aquele que age sob a influência de Espíritos desencarnados. Nivard explica: -“Assisto a todas as tuas conversas mentais, mas sem as dirigir; teus pensamentos são emitidos em minha presença, mas eu não os provoco. É o pressentimento dos casos, que tem alguma chance de se apresentar, que faz surgir em ti os pensamentos adequados à resolução das dificuldades que poderiam suscitar. Aí está o livre arbítrio; é o exercício do Espírito encarnado, tentando resolver problemas que cria em si mesmo. Efetivamente, se os homens só tivessem as ideias que os Espíritos lhes inspiram, teriam pouca responsabilidade e pouco mérito; só teriam a responsabilidade de haver escutado maus conselhos, ou o mérito de haver seguido os bons. Ora, esta responsabilidade e este mérito evidentemente seriam menores do que se fossem o inteiro resultado do livre-arbítrio, isto é, de atos realizados na plenitude do exercício das faculdades do Espírito que, neste caso, age sem qualquer solicitação. Resulta do que digo que muitas vezes o homem tem pensamentos que lhes são essencialmente próprios, e que os cálculos a que se entregam, os raciocínios que fazem, as conclusões a que chegam são o resultado do exercício intelectual, ao mesmo título que o trabalho manual é o resultado do exercício corporal. Daí não se deveria concluir que o homem não seja assistido em seus pensamentos e em seus atos pelos Espíritos que os cercam; muito ao contrário: os Espíritos, sejam bons ou maus, são sempre a causa provocadora dos vossos atos e pensamentos. Mas ignorais completamente em que circunstâncias se produz essa influência, de sorte que, agindo, julgais fazê-lo em virtude do vosso próprio movimento: vosso livre arbítrio fica intacto; não há diferença entre os atos que realizais sem serdes a eles impelidos, e os que realizais sob a influência dos Espíritos, senão no grau do mérito ou da responsabilidade. Num e noutro caso, a responsabilidade e o mérito existem, mas, repito, não existem no mesmo grau(...). Tentando simplificar ainda mais, Nivard acrescenta: -“Assim, pois, quando te acontece refletir e passear tuas ideias de um a outro assunto; quando discutes mentalmente sobre os fatos que prevês ou que já se realizaram; quando tu analisas, quando raciocinas, quando julgas, não crês que sejam Espíritos que te ditam teus pensamentos ou que te dirigem; eles lá estão, perto de ti, e te escutam; vem com prazer esse exercício intelectual, ao qual te entregas; seu prazer é duplo, quando percebem que tuas conclusões são conforme à verdade. Por vezes lhes acontece, evidentemente, que se misturem nesse exercício quer para facilitá-lo, quer para dar ao Espírito alguns elementos, ou lhe criar certas dificuldades, a fim de tornar essa ginástica intelectual mais proveitosa a quem a pratica. Mas, em geral, o homem que busca, quando entregue às suas reflexões, quase sempre age só, sob o olhar vigilante de seu Espírito Protetor, que intervém se o caso for bastante grave para tornar necessária sua influência”.



Como os pais podem ensinar religião a seus filhos? Hoje em dia, ninguém quer saber de religião. As pessoas vão à igreja por obrigação... ( Alice Maria, Nova Garça)


A vida é uma dádiva que Deus nos dá para que dela façamos um caminho para a nossa felicidade e para a felicidade de todos. Mas a vida não é apenas o lado exterior das coisas - os corpos das pessoas que andam pela rua e os objetos materiais de que podemos dispor. Ela é muito mais que isso. Tanto assim que o lado essencial da vida - o espírito - nós não vemos, nossos sentidos comuns não o alcançam. Contudo, esquecemos disso e achamos que “vencer na vida” é só obter vantagens materiais.


Desse modo, enganam-se os pais que não se preocupam com o desenvolvimento da espiritualidade de seus filhos. Enganam-se aqueles que só se preocupam em desenvolver a inteligência e as habilidades de seus filhos, mas não cuidam de seu lado essencial, o espírito. Desse modo, eles estão, na realidade, formando robôs e não seres humanos. Seja qual for a religião, os pais não podem deixar de ensinar Deus a seus filhos e dar-lhes um rumo na vida, para que cultivem, acima de tudo, valores morais – como o bem, a verdade e a justiça.


O aspecto mais importante da religião não é a frequência aos templos ou a participação em rituais de adoração. Jesus combateu isso nos fariseus, criticando-os porque não punham em prática o lado mais importante da religião, que é a prática do bem. Essa prática é fundamental na formação do caráter dos indivíduos, pois só aprendemos o bem praticando o bem; não há outra maneira de desenvolver a consciência moral, senão exercitando as boas ações. Nesse sentido, os pais conscienciosos deveriam estimular nos filhos o exercício desses sentimentos, combatendo toda espécie de preconceito ou tudo que possa discriminar pessoas.


Todavia, educar é a arte mais difícil do mundo. Dificilmente os pais vão conseguir formar um conceito elevado de Deus em seus filhos, se eles mesmos não dão exemplo do bem que querem ensinar. Se os próprios pais não se esforçam por praticar a religião que professam ( não apenas no seu aspecto ritualístico, mas nas boas ações, no amor ao próximo), terão dificuldades em convencer seus filhos de que a religião é necessária e indispensável na vida. Para darmos educação espiritual aos nossos filhos, precisamos nos esforçar com eles a buscar o caminho da retidão e do amor. Qualquer pessoa pode entender isso.