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terça-feira, 16 de maio de 2023

A FRATERNIDADE REAL NUMA PASSAGEM EMOCIONANTE ; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Os exemplos falam mesmo mais numerosas palavras. E a vida do cidadão Chico Xavier precisa ser lembrada também por isso. Marcada por grandes dificuldades familiares, econômicas e sociais, serve de inspiração para muitas reflexões sobre ângulos geralmente esquecidos por nós em meio às tribulações em que nos vemos. A passagem a seguir demonstra isso. Conta ele: -“Em 1939, desencarnou um de meus irmãos, José Cândido Xavier, deixando sob nossa responsabilidade, a viúva com dois filhinhos. Em 1941 ela foi acometida de grave distúrbio mental. Depois de alguns meses o caso agravou-se requerendo internação numa casa de saúde mental em Belo Horizonte. Voltei para casa com o coração muito abatido. Era noite. O segundo filho de minha cunhada, com meu irmão, era uma criança paralítica, cega e surda-muda. A criança chorava e me enterneci muito ao ver o pequenino sem a presença materna. Sentei-me e comecei a orar. As lágrimas vieram-me aos olhos, ao lembrar meu irmão desencarnado muito moço ainda, a viúva tão cedo numa prova tão difícil! Na incapacidade de dar a ela a assistência precisa, senti que minha dor era muito grande! Achegou-se, então, a mim, o Espírito de nosso amigo Emmanuel. Perguntou-me porque chorava. Contei-lhe que, naquela hora eu me enternecia muito por ver minha cunhada numa casa de saúde mental em condições assim precárias. – Não! disse ele – você está chorando por seu orgulho ferido; você, aqui, tem sido instrumento para cura de alguns casos de obsessão, para a melhoria de muitos desequilibrados. Quando aprouve ao Senhor, que a provação viesse debaixo de seu teto, você está com o coração amargurado, ferido, porque foi obrigado a recorrer à assistência médica o que, aliás, é muito natural. Uma casa de saúde mental, um sanatório, um hospício, é uma casa de Deus. Você não deve ficar assim. Disse-lhe, então, que concordava e pedi-lhe como Espírito Benfeitor, que trouxesse a minha cunhada de volta ao lar, pois a criança, o seu segundo filho era paralítico e aquele choro atestava a falta que o pequenino sentia dela. Ela voltaria – afirmou-me. Mas aquele “Ela voltaria” poderia ser depois de muito tempo – o que de fato aconteceu só depois de dois anos. – Eu queria que ela voltasse depressa – disse a ele impaciente. – Imaginemos a Terra – respondeu-me – como sendo o Palácio da Justiça, e ela como sendo uma pessoa incursa em determinada sentença da Justiça. Eu sou seu advogado e você é serventuário no Palácio da Justiça. Nós estamos aqui para rasgar ou cumprir o processo? Para cumprir – respondi. Continuei, porém, chorando por observar o assunto ser mais grave do que pensava. – Por que você continua chorando? – disse ele. Querendo me agastar, diante de um Amigo Espiritual tão grande e tão generoso, disse-lhe: – Estou chorando porque, afinal de contas, o senhor precisa saber que ela é minha irmã! – Eu me admiro muito – respondeu-me – porque, antes dela, você tinha lá dentro naquela casa, trezentas irmãs e nunca vi você ir lá chorar por nenhuma. A dor Xavier não é maior que a dor Almeida, do que a dor Pires, do que a dor Soares, a dor de toda a família que tem um doente. Se você quer mesmo seguir a Doutrina que professa, ao invés de chorar por sua cunhada, tome o seu lugar ao lado da criança que está doente, precisando de calor humano. Substitua nossa irmã, exercendo, assim, a fraternidade.


Não posso me conformar com a ideia de que devemos sofrer calados e sem revolta. Para mim esse tipo de atitude vai contra o princípio da dignidade humana, além de favorecer aqueles que exploram os mais fracos.

Respeitamos seu ponto de vista, caro ouvinte, mas, diante do que Jesus ensinou através de sua própria vida, não podemos concordar com você.

De fato, saber se conduzir com equilíbrio e serenidade é próprio dos Espíritos Puros como Jesus.

Nós, aqui, encarnados na Terra, estamos apenas ensaiando para um dia, muito distante, talvez atingirmos essa meta.

Disseram os Espíritos a Kardec que as pessoas mais felizes neste mundo são aquelas que têm menos necessidade.

O problema, portanto, está no conceito de sofrimento. Alguém já disse que “a dor é a mesma para todos; porém, o sofrimento é próprio de cada um”.

Ao que tudo indica, somos nós que criamos nossos sofrimentos, e os criamos pela forma como encaramos a dor.

Por isso mesmo, o que faz o sofrimento de uma pessoa pode não ser suficiente para causar o sofrimento em outra.

Em palavras mais simples: Há pessoas que, por pouco, sofrem muito; há outras que, por muito, sofrem menos”.

Existe uma lenda que fala de um eremita, que se isolou da sociedade, pensando venerar o Senhor.

Vivendo num lugar ermo em constantes orações, ele dizia em suas preces: “Senhor, como eu sofro neste lugar, mas aqui estou penitente para venerá-lo, alimentando-me somente de uma fruta por dia”.

Dias depois, descendo pela margem do riacho, ele conheceu outro monge penitente que se alimentava apenas e tão somente das cascas da fruta que ele jogava fora.

Ao contrário do que muita gente pode pensar, o Espiritismo não prega o conformismo ou o comodismo.

O conformista é aquele que, mesmo diante das piores situações, costuma deixar tudo como está para ver como é que fica.

Não, não é esse tipo de conduta que o Espiritismo ensina. Muito ao contrário, o Espiritismo nos estimula a buscar o melhor para nós, desde que essa busca não redunde em prejuízo dos outros.

A resignação de que fala a doutrina é aquela que alguém muito esclarecido soube resumir na seguinte prece:

"Senhor, concedei-me a serenidade necessária para eu aceitar as coisas que não posso modificar, coragem para modificar aquelas que posso e sabedoria para distinguir umas das outras".

Quem se entrega à dor, sem nada fazer para se aliviar, está descumprindo com a responsabilidade que assumiu diante de si mesmo.

No entanto, quem se revolta contra o desconforto, sem perceber está potencializando seu sofrimento e sofrendo inutilmente.

Não foi por outra razão que Jesus recomendou que amássemos o próximo como amamos a nós mesmos.




segunda-feira, 15 de maio de 2023

UMA DAS UTILIDADES DO ESPIRITISMO, EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 “Não existe sofrimento maior do que a dor de perder um filho” comentou certa ocasião, Chico Xavier, acrescentando que “como médium, essa tarefa das cartas de consolação aos familiares em desespero na Terra foi o que sempre mais me gratificou”. Na edição de junho de 1861 da REVISTA ESPÍRITA, Allan Kardec apresenta interessante artigo de sua autoria intitulado EFEITOS DE DESESPERO em que expõe seu ponto de vista sobre o problema, demonstrando a utilidade que tem as ideias espíritas diante do problema. Começa considerando que “seriam necessários volumes, para registar, de todos os trágicos acidentes causados pelo desespero, só aqueles que chegam ao conhecimento do público. Quantos suicídios, doenças, mortes involuntárias, casos de loucura, atos de vingança e, até, crimes, não produz ele todos os dias! Uma estatística muito instrutiva seria a das causas primeiras que levaram aos desarranjos do cérebro; e ver-se-ia que nela entra o desespero ao menos com oitenta por cento”. Lista para exemplificar três fatos ocorridos meses antes, dois dos quais noticiados pelo conceituado jornal Siècle. O primeiro na edição de 17 de fevereiro comunicando a morte de um homem chamado Laferrière, Inspetor Geral das faculdades de Direito da França e que, apesar de ter sentimentos religiosos, mergulhou em profunda dor pela morte de sua única filha de 21 anos, poucos dias após ser acometida por arrebatadora doença; o segundo, objeto de matéria em 1º de março, falando da morte por suicídio do empresário do ramo de transportes Sr Léon L., de 25 anos, após o falecimento de sua esposa a quem amava apaixonadamente e com quem se casara dois anos antes. O terceiro, enviado por um correspondente da REVISTA, relata o caso de uma mulher que perdeu o marido, morte atribuída à imperícia do médico que o tratara. A viúva tomou-se de tal ressentimento contra ele, que o perseguia incessantemente com ameaças, dizendo-lhe, por toda parte onde o encontrava: - “Carrasco, não morrerás senão por minha mão!”. O conceito de ser muito piedosa e religiosa não a impedia de agir de forma tão perturbada, o que levou o médico a dirigir-se às autoridades, para sua própria segurança. Moradora de cidade que contava com numerosos adeptos do Espiritismo, ouviu de um de seus amigos que era espírita a pergunta: - “Que pensaríeis se um dia pudésseis conversar com vosso marido?”, ouvindo dela que “se tivesse a certeza de não o haver perdido para sempre, consolar-me-ia e esperaria”. Em breve lhe deram a prova. Seu próprio marido lhe veio dar conselhos e consolo e por sua linguagem ela não pôde conservar nenhuma dúvida quanto à sua presença ao seu lado. Desde então uma revolução completa operou-se em seu espírito: a calma sucedeu ao desespero e as ideias de vingança deram lugar à resignação, fazendo com que ela, oito dias depois, fosse à casa do médico, desculpando-se e se reconciliado com ele. Finalizando a matéria escreve Kardec:- “Inútil dizer que o médico aceitou bem a retratação apressando-se em saber a causa misteriosa a que daí em diante devia a sua tranquilidade. Assim, sem o Espiritismo, essa senhora talvez houvesse cometido um crime, apesar de tão religiosa. Isso prova a inutilidade da religião? De modo algum; mas apenas a insuficiência das ideias que ela dá do futuro, apresentando-o tão vago que em muitos deixa uma espécie de incerteza, ao passo que o Espiritismo, fazendo que, por assim dizer, se o toque com o dedo faz nascer na alma uma confiança e uma segurança mais completas. Ao pai que perdeu sua filha, que perdeu seu pai, ao marido que perdeu a esposa adorada, que consolação dá o materialista? Diz ele: Tudo acabou. Do Ser que vos era tão caro nada resta, absolutamente nada além desse corpo que em pouco estará dissolvido. Mas de sua inteligência, de suas qualidades morais, da instrução adquirida, nada; tudo isto é o nada; vós o perdestes para sempre. Diz o Espírita: De tudo isto nada é perdido; tudo existe; só há de menos o invólucro perecível; mas o Espírito desprendido de sua prisão é radiante; está aí, junto de vós, vendo-vos, escutando e esperando. Oh! Quanto mal faz os materialistas, inoculando por seus sofismas o veneno da incredulidade! Jamais amaram. Do contrário poderiam ver com sangue frio os objetos de suas afeições reduzidas a um monte de pó? Assim, parece que para eles é que Deus reservou seus maiores rigores, pois nós os vemos todos reduzidos à mais deplorável posição no Mundo dos Espíritos, e Deus é tanto menos indulgente para com eles quanto mais perto estiveram de se esclarecer”.


No início de cada ano – através da mídia - muita gente recomenda simpatias para garantir um ano de paz e prosperidade. Gostaria de saber se as simpatias, que são ensinadas, têm alguma validade? ( Maria de Lourdes Quinaglia, Morada do Sol)

As simpatias, Maria de Lourdes, nada têm a ver com o Espiritismo. Na verdade, são práticas que provêm das crenças populares e da magia, mais ligadas à vida do campo, à vida rural.

Elas devem ter sido bem mais comuns na infância da humanidade, na fase que conhecemos como “período do pensamento mágico”. Portanto, não existe nada de científico nas simpatias.

Mas a simpatia pode dar certo? Às vezes sim. Mas isso decorre da fé das pessoas que a praticam

Isso porque elas acabam se convencendo de que, realizando certas práticas, obedecendo determinados ritos, podem obter um efeito positivo.

Portanto, as simpatias nascem de experiências bem sucedidas, que algumas pessoas tiveram e passam a contar aos outros.

A partir de suas narrativas, essas outras pessoas se entusiasmaram e passaram a acreditar que, seguindo os mesmos rituais, obteriam os mesmos resultados.

Logo, o que vale na simpatia é a certeza e que vai alcançar o resultado desejado. Neste caso, o que funciona, na verdade, não é o ritual em si, nem os apetrechos utilizados, mas o pensamento positivo da pessoa, sustentado pela prática do ritual.

O ser humano costuma ver encantamento nos rituais e fórmulas mágicas.

Sabemos, no entanto( e isso nos ensina o Espiritismo), que o pensamento influencia em nossas disposições, e podem influir até mesmo em nosso estado de saúde e em nossa capacidade de realização.

Daí porque algumas simpatias, quando levadas às ultimas conseqüências, observados todos os mínimos passos do rito, acabam dando certo, mas só para alguns casos naturalmente e com determinadas pessoas e não para todas as pessoas.

Algumas vezes, temos verificado que certas simpatias, que objetivam cura, aliam a fé a algum elemento terapêutico, como ervas medicinais ou mesmo medicamentos químicos.

É claro que o efeito maior vem mais desses elementos que, eventualmente, podem trazer alívio ou mesmo cura de algum mal passageiro.

Há entretanto, simpatias voltadas para outros objetivos, ligados à vida e interesses das pessoas que, podem parecer eficazes, embora, como dissemos, o efeito não dependa da prática em si, mas da sensibilização das pessoas envolvidas.

As bases do pensamento espírita estão nas obras de Allan Kardec, particularmente em O LIVRO DOS ESPÍRITOS.

Para a Doutrina Espírita nada acontece por acaso e, portanto, não existe mágica ou milagre; existem leis naturais, que são as Leis de Deus.

Tudo, que acontece, obedece a essas leis, de modo que há sempre uma relação direta entre o que acontece o que causou tal acontecimento.

Podemos, muitas vezes, desconhecer essa relação, achar que as coisas se deram por encanto, mas isso só acontece porque ignoramos suas verdadeiras causas.

É claro que ainda conhecemos muito pouco sobre a natureza, apesar do progresso da ciência, mas isso não quer dizer que devamos aceitar que uma lei da natureza possa ser contrariada ou modificada por um simples ritual.

Desse modo, Maria de Lourdes, quando pretendemos alcançar algum objetivo, que nos parece muito difícil ou até im


domingo, 14 de maio de 2023

VASTO IMPÉRIO ESPIRITUAL; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Se você já admite a influência espiritual e a existência dos Planos invisíveis ou Universos Paralelos onde nascem as interferências em nossa realidade, precisa conhecer essas informações. No livro OS MENSAGEIROS (feb, 1944), o segundo dos transmitidos para nossa Dimensão por André Luiz através de Chico Xavier, um apontamento interessante: -“Na Crosta, nossos irmãos menos felizes lutam pela dominação econômica, pelas paixões desordenadas, pela hegemonia de falsos princípios. Nestas zonas espirituais imediatas à mente terrestre, temos tudo isso em identidade de condições. Entre as entidades perversas e ignorantes, há cooperativas para o mal, sistemas econômicos de natureza feudalista, baixa exploração de certas forças da Natureza, vaidades tirânicas, difusão de mentiras, escravização dos que se enfraquecem pela invigilância, doloroso cativeiro dos Espíritos falidos e imprevidentes, paixões talvez mais desordenadas que as da Terra, inquietações sentimentais, terríveis desequilíbrios da mente, angustiosos desvios do sentimento. Em todo o lugar, as quedas espirituais, perante o Senhor, são sempre as mesmas, embora variem de intensidade e coloração”. Já as imagens a seguir fazem parte do pronunciamento feito por um Instrutor Espiritual reproduzido no livro LIBERTAÇÃO (feb, 1949): -“Além do principado humano, para lá das fronteiras sensoriais que guardam ciosamente a alma encarnada, amparando-a com limitada visão e benéfico esquecimento, começa vasto império espiritual, vizinho dos homens. Aí se agitam milhões de Espíritos imperfeitos que partilham, com as criaturas terrenas, as condições de habitabilidade da Crosta do Mundo. Seres humanos, situados noutra faixa vibratória, apoiam-se na mente encarnada, através de falanges incontáveis, tão semiconscientes na responsabilidade e tão incompletas na virtude, quanto os próprios homens (...). Frustrados em suas aspirações de vaidoso domínio no domicílio celestial, homens e mulheres de todos os climas e de todas as Civilizações, depois da morte, esbarram nessa região em que se prolongam as atividades terrenas e elegem o instinto de soberania sobre a Terra por única felicidade digna do impulso de conquistar. Rebelados filhos da Providência, tentam desacreditar a grandeza divina, estimulando o poder autocrático da inteligência insubmissa e orgulhosa e buscam preservar os círculos terrestres para a dilatação indefinida do ódio e da revolta, da vaidade e da criminalidade, como se o Planeta, em sua expressão inferior, lhes fosse paraíso único, ainda não integralmente submetido a seus caprichos, em vista da permanente discórdia reinante entre eles mesmos. É que, confinados ao berço escabroso da ignorância em que o medo e a maldade, com inquietudes e perseguições recíprocas, lhes consomem as forças e lhes inutilizam o tempo, não se apercebem da situação dolorosa em que se acham.(...). Incapacitados de prosseguir além do túmulo, a caminho do Céu que não souberam conquistar, os filhos do desespero organizam- se em vastas colônias de ódio e miséria moral, disputando, entre si, a dominação da Terra. Conservam, igualmente, quanto ocorre a nós mesmos, largos e valiosos patrimônios intelectuais e, anjos decaídos da Ciência, buscam, acima de tudo, a perversão dos processos divinos que orientam a evolução planetária. Mentes cristalizadas na rebeldia tentam solapar, em vão, a Sabedoria Eterna, criando quistos de vida inferior, na organização terrestre, entrincheiradas nas paixões escuras que lhes vergastam as consciências. Conhecem inumeráveis recursos de perturbar e ferir, obscurecer e aniquilar. Escravizam o serviço benéfico da reencarnação em grandes setores expiatórios e dispõem de agentes da discórdia contra todas as manifestações dos sublimes propósitos que o Senhor nos traçou às ações. Os homens terrenos que, semi-libertos do corpo, lhes conseguiram identificar, de algum modo, a existência, recuaram, tímidos e espavoridos, espalhando entre os contemporâneos as noções de um inferno punitivo e infindável, encravado em tenebrosas regiões além da morte. A mente infantil da Terra, embalada pela ternura paternal da Providência, através da teologia comum, nunca pôde apreender, mais intensivamente, a realidade espiritual que nos governa os destinos. Raros compreendem na morte simples modificação de envoltório, e escasso número de pessoas, ainda mesmo em se tratando dos religiosos mais avançados, guardam a prudência de viver, no vaso físico, de conformidade com os princípios superiores que esposam”.


Se as religiões tivessem cumprido seu papel, a esta altura não haveria mais maldade no mundo, pois religião existe desde os tempos mais antigos.

De fato, esta é uma boa conclusão: a religião de um modo geral não vem cumprindo seu papel, mas é mais sensato dizer que os religiosos é que não perceberam a finalidade da religião.

Qual foi a missão de Jesus senão despertar a consciência do homem para a vivência do amor? No entanto, o que veio acontecendo com o cristianismo?

Religião, como diz Kardec, é a religação do homem com Deus. E é essa religação que deve promover a mudança de conduta de cada um.

Nesse sentido, Jesus chamou a atenção dos que se diziam religiosos, mas, na vida prática, agiam em conflito com os princípios religiosos.

Essa recomendação, por incrível que pareça, ainda é válida nos dias atuais. Há muito de religião e muito pouco de boa conduta.

Ou seja, há mais religião nos lábios, mas muito pouco no coração – como observou Jesus em relação aos fariseus.

De um modo geral, a religião continua sendo apenas uma máscara social, que esconde os defeitos das pessoas: túmulos belos por fora, mas cheios de podridão por dentro, no dizer de Jesus.

Portanto, não basta uma religião, esta ou aquela. É preciso muito mais. Muito mais mesmo. É preciso que nos esforcemos para vivenciar os verdadeiros princípios do evangelho.

E ninguém faz isso, se não mudar de atitude; se não chamar para si a responsabilidade de agir com amor diante do próximo.

A religião precisa deixar de ser apenas um rótulo para ser, de fato, um guia de conduta.

E a verdadeira conduta cristã se revela pela forma como tratamos as pessoas, a começar aquelas que compartilham conosco da mesma família.

Sobre isso, gostaríamos de lembrar uma chamada de alerta, que encontramos n’O LIVRO DOS MÉDIUNS – e esta se referindo especificamente aos espíritas.

Que importa acreditar na existência dos Espíritos – diz Allan Kardec – se essa crença não torna a pessoa melhor, mais benevolente e mais indulgentes para seus semelhantes, mais humilde e mais paciente na adversidade?”

De que serve ao avarento ser espírita, se continua avarento; ao orgulhoso, se é sempre cheio de si, ao invejoso se é sempre invejoso?”

E conclui Kardec: “Todos os homens poderiam acreditar nas manifestações e a humanidade ficar estacionada; mas tais não são os desígnios de Deus”.

Essa chamada de atenção –é claro – não serve somente para os espíritas, mas para os religiosos de todas as religiões, para as pessoas enfim, que dizem acreditar em Deus, mas que na prática em nada mudam, em nada melhoram na sua maneira se conduzir diante do próximo.

sábado, 13 de maio de 2023

O ESPIRITISMO, O SOBRENATURAL E OS MILAGRES; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 A interpretação de muitas pessoas – inclusive religiões e seitas - sobre fatos inabituais na realidade em que vivemos ainda é que se trata de milagres, pertencentes ao campo do sobrenatural. Os fenômenos que deram origem ao Espiritismo não poderiam escapar a essa rotulagem. A Doutrina Espírita, contudo, veio para explicar e desmistificar essa classificação, fruto do desconhecimento ou mesmo da ausência de interesse em análises e investigações mais profundas. A propósito da questão, Allan Kardec emitiu sua opinião no número de janeiro de 1862 da REVISTA ESPÍRITA, analisando artigo incluído na edição anterior de sua publicação, assinada por um intelectual de nome Guizot. Entre outras ponderações, escreveu ele: -“ Sobre este, com sobre outros pontos de vista, importa nos entendamos quanto à palavras. Em sua acepção própria, sobrenatural significa o que está acima da natureza, fora das leis da natureza. O sobrenatural, propriamente dito, não estaria submetido a leis; é uma exceção, uma derrogação das leis que regem a Criação. Numa palavra, é sinônimo de milagre. No sentido próprio esses dois vocábulos passaram à linguagem figurada, servindo para designar tudo quanto seja extraordinário, surpreendente, insólito. De uma coisa que causa admiração diz-se que é miraculosa, como se diz que uma grande extensão é incomensurável, de um grande número que é incalculável ou de uma longa duração que é eterna, muito embora, a rigor, possam ser medidas, calculadas e previsto um termo à última. Pela mesma razão qualifica-se de sobrenatural aquilo que, à primeira vista, parece sair dos limites do possível. O vulgo é sempre levado a tomar o vocábulo ao pé da letra na quilo que não compreende. Se por tal se entende tudo quanto se afaste das causas conhecidas, está bem.; mas então o vocábulo não tem mais sentido preciso, porque aquilo que era sobrenatural ontem já não o é hoje. Quantas coisas, outrora como tal consideradas, não fez a ciência entrar no domínio das leis naturais! Apesar dos progressos que temos feito, podemos vangloriar-nos de conhecer todos os segredos de Deus? Já nos disse a natureza a última palavra sobre todas as coisas? Não temos desmentidos diários a essa pretensão? Se, pois, aquilo que ontem era sobrenatural hoje não o é, podemos inferir que o sobrenatural de hoje deixará de sê-lo amanhã. Para nós, tomamos o vocábulo sobrenatural no seu mais absoluto sentido próprio, isto é, para designar todo fenômeno contrário às leis da natureza. O caráter do fato natural ou miraculoso é de seu excepcional. Desde que se repete é porque está submetido a uma lei, conhecida ou não, e entra na ordem geral. Se restringirmos a natureza ao mundo material visível é evidente que as coisas do Mundo Invisível serão sobrenaturais. Mas estando, também, o Mundo Invisível submetido a leis, parece-nos mais lógico definir a natureza como “o conjunto das obras da Criação, regidas pelas leis imutáveis da Divindade”. Se, como o demonstra o Espiritismo, o Mundo Invisível é uma das forças, um dos poderes reagentes sobre a matéria, representa um papel importante na natureza. Por esta razão os fenômenos espíritas para nós nem são sobrenaturais, nem maravilhosos ou miraculosos. De onde se vê que, longe de ser ampliado o círculo do maravilhoso, o Espiritismo tende a restringi-lo e fazê-lo desaparecer(...). O Sr. Guizot parte do princípio de que todas as religiões se fundam no sobrenatural. Isto é certo se entendermos como tal aquilo que se não compreende. Se, porém, remontarmos ao estado dos conhecimentos humanos na época da fundação de cada religião conhecida, veremos quão limitado era o saber humano em astronomia, física, química, geologia, fisiologia, etc. Se, nos tempos modernos, um bom número de fenômenos já perfeitamente conhecidos e explicados passavam por maravilhosos, com mais forte razão assim deveria ser em tempos remotos. Acrescentemos que a linguagem figurada, simbólica e alegórica, em uso entre os povos do Oriente, naturalmente se prestava às ficções, cujo verdadeiro sentido a ignorância não era capaz de descobrir. Acrescentemos ainda, que os fundadores das religiões, homens superiores à craveira comum, conhecendo muito mais, tiveram que impressionar as massas, cercando-se de um prestigio sobre humano, enquanto certos ambiciosos puderam explorar a credulidade (...). Dirão que a religião se apoia sobre muitos outros fatos que nem são explicados, nem explicáveis. Inexplicados, sim, inexplicáveis, é outra questão. Sabemos que descobertas e que conhecimentos estão reservados ao futuro? (...). O ceticismo de muita gente não tem outra fonte senão a impossibilidade, para eles, de tais fatos excepcionais. Negando a base sobre que se apoiam, negam tudo o mais. Prove-se-lhes a possibilidade e a realidade de tais fatos, reproduzam-nos aos seus olhos – e serão forçados a acreditar”.


Desde o momento em que me dei por gente, passei a observar que a religião serve de muleta para o povo. As pessoas, com seus muitos defeitos, veem na religião uma forma de obter o perdão e consentimento de Deus e continuam sendo o que sempre foram. (Comentário de um ouvinte)

Interessante a sua observação. Não podemos negar que a religião realmente serve de muleta para muita gente que não tem a intenção de se curar dos males morais.

Mas, quando a pessoa está imbuída de bons sentimentos, ela acaba descobrindo, mais cedo ou mais tarde, que a religião é a forma de se aproximar de Deus,

Não porque ela professa essa ou aquela religião, mas porque a religião lhe ensina como viver melhor ou como conviver bem com as pessoas com quem convive.

Infelizmente essa descoberta, na maioria das vezes, costuma acontecer um pouco tarde em nossa vida, na idade madura ou na velhice, quando pessoa já sofremos muito e uma boa parte da vida já transcorreu.

E é em razão disso que o Espiritismo, uma doutrina nova que tem pouco mais de 160 anos, veio relembrar e insistir na tese de que Jesus pediu ação (conduta, atitudes, respeito, amor) e não mera adoração.

Pela mesma razão, Allan Kardec resolveu utilizar como lema da doutrina o “fora da caridade não há salvação”.

Ele não disse “fora da religião”, mas disse “fora da caridade”, e a caridade é um estilo de vida daqueles que aprenderam a amar, tanto quando se amam a si mesmos.

A religião é muleta, sim, para quem se atém tão somente aos atos religiosos, frequentando o templo e participando dos atos consagrados, mas nada fazem para se melhorar como pessoa humana.

Apesar de se declararem religiosos e frequentarem seus templos, eles continuam sendo o que sempre foram, pois se convencem de que são perdoados por todos os erros que cometem.

Po

sexta-feira, 12 de maio de 2023

UMA EXPERIÊNCIA INCRÍVEL DE CHICO XAVIER; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

Chico Xavier vivenciou como médium situações proporcionadas pelo Espírito Emmanuel que nos oferecem incríveis ensinamentos sobre variados temas. A relatada por ele a seguir demonstra bem isso: -“Em outubro de 1958, ouvi, pela primeira vez, referência ao ácido lisérgico (...). Perguntei ao Espírito de Emmanuel, se eu poderia ter uma experiência desta com amigos de Belo Horizonte. Ele disse que eu não precisava ter essa experiência e que, me facultaria um ensinamento, nesse sentido, na primeira oportunidade. Quando foi à noite, vi-me no desdobramento fora do corpo. Emmanuel se aproximou informando que iria fazer a experiência desejada. Colocou uma bebida branca num copo – naturalmente em outro estado de matéria – e disse-me que aquele líquido era um alcaloide que iria me facultar experiência semelhante à que se tem com o ácido lisérgico. Depois que bebi aquela bebida, que era um tanto quanto amarga, comecei a me sentir muito mal, senti que estava entrando num pesadelo, vendo animais monstruosos em torno de mim, vendo criaturas de interpretação difícil, cenas muito desagradáveis, e acordei com a impressão de muito mal-estar, passando um dia terrível. Em Outubro, na minha terra, comumente, temos muita bruma seca e vi, então, o Sol como se fosse uma fogueira incendiando o céu e a bruma seca como se fosse a fumaça daquela fogueira. Tudo me irritava, tudo me descontrolava. Ã noite, então, ele me informou que na experiência que estava tendo e desejava, o alcaloide não fez senão aumentar os recursos que estava alimentando na minha mente. A bebida alterou minhas percepções e estava tendo resultado: vendo por fora de mim o que estava acontecendo dentro de mim. Com o espírito aflito, porque a situação era muito desagradável, pedi instruções para readquirir minha tranquilidade. Mandou-me que orasse, procurasse recolher-me ao silêncio e não falasse, e procurasse lugar onde praticar o bem para adquirir vibrações de alegria. Comecei a visitar doentes desamparados; procurar vibrações de simpatia aqui e ali, e durante uns cinco dias estive trabalhando por me desfazer daquele estado terrível da minha mente, que não era um estado muito longe da alienação mental. No sexto dia, melhorou. Aquela nuvem passou e adquire otimismo, compreensão da vida e paz de espírito. À noite, ele informou-me que eu iria ter a mesma experiência, iria beber o mesmo alcaloide do Mundo Espiritual, semelhante ao da Terra. Tornei aquela bebida de gosto amargo e o meu otimismo se transformou numa expressão de alegria profunda, numa embriaguez de felicidade. No outro dia tive sonhos maravilhosos, como se estivesse numa cidade de cristal, como se o céu fosse todo de vidro e qualquer luz se refletia em muitos ângulos. Acordei feliz. Fui para a repartição e o meu chefe de serviço tinha para mim expressão angélica. Os meus companheiros estavam todos nimbados de uma luz que eu não podia explicar. Os livros pareciam encadernados por pedras preciosas. As plantas e os animais tinham luz. Eu me sentia com aquele anseio de comunhão, aquela vontade de abraçar as pessoas, coma se todas fossem minhas e eu pertencesse a elas, sem nenhuma ideia de sexo, mas uma ideia, um desejo de transubstanciação, de transmutação nos outros seres. Durante uns quatro dias estive assim, naquele estado de alegria anormal. Ele, então, me disse: – Você também está vendo seu estado mental aumentado pelo alcaloide. Está vendo seu próprio mundo íntimo fora de você. Quero, então dizer-lhe que é preciso ter muito cuidado, porque o cérebro terrestre está condicionado a guiar a nossa mente para os assuntos alusivos à vida humana. Nós não podemos estar nem muito à frente, nem muito na retaguarda. O cérebro está condicionado para guardar-nos em equilíbrio, a fim de que possamos suportar a carga dos acontecimentos da vida, das provas de que necessitamos. Explicou-me, então, que a criatura, conforme seu estado mental traz para si mesma os próprios reflexos. Se a pessoa está muito triste, muito pessimista e toma ácido lisérgico, cai numa condição temível e não se sabe quais serão as consequências. Se ela está muito otimista, pode cair num problema de irresponsabilidade É um estado de embriaguez incompatível com a nossa necessidade de lutar com os nossos problemas humanos, com os nossos deveres. Nós estamos aqui para cumprir obrigações. Não estamos aqui para gozar de um céu imaginário, nem para fantasiar um inferno que devemos evitar. Chegamos à conclusão de que o acido lisérgico, ou um alcaloide qualquer, ou produto sintético que provoque estas sensações, são de resultados ruinosos se a Ciência não entra no assunto. 


O que a gente mais lê nos livros espíritas são conselhos de como ser um verdadeiro cristão, amando o próximo como a si mesmo. Mas, por mais que a gente tente melhorar, não consegue. Por que tanta dificuldade?

Se você se convencer, de verdade, que precisa melhorar, com certeza, já deu o primeiro grande passo para isso. A maioria das pessoas se mostram indiferentes a essa questão.

Mesmo assim, não basta apenas querer. É preciso que você se esforce no dia a dia. No capítulo sobre “Perfeição Moral” d’O LIVRO DOS ESPÍRITOS há uma orientação prática nesse sentido.

E o segundo passo para a mudança, depois da decisão, é sem dúvida o autoconhecimento ou conhecimento de si mesmo.

Se você tiver coragem de se analisar de verdade, frente a frente com a sua consciência, anotando suas fraquezas ou seus defeitos morais, terá pela frente uma tarefa desafiadora.

Esta fase do autoconhecimento deve ser a mais difícil porque, de uma maneira geral, todos temos muita dificuldade de reconhecer os próprios defeitos, por causa do nosso orgulho.

Quase sempre achamos justificativa para os erros que cometemos, embora não hesitemos em apontar os menores erros dos outros.

Então lembramos daquele alerta de Jesus, quando disse: “Como percebes um cisco no olho de teu irmão, mas não vês a trave que tens no teu próprio olho”?

Por isso, cara ouvinte, é necessário analisar-se, conhecer-se e ouvir os que os outros pensam a seu respeito. Não basta ouvir as opiniões dos amigos. Elas são suspeitas.

O mais urgente é analisar sobre o que seus adversários, ou as pessoas com quem você não se simpatiza, dizem a seu respeito. Chico Xavier afirmava que mais vale a opinião de um inimigo sincero do que a de um amigo bajulador.

Quando Allan Kardec perguntou aos instrutores espirituais ( questão 909 d’O LIVRO DOS ESPÍRITOS) se “o homem pode vencer suas más tendências pelos seus esforços”?, eles responderam:

Sim e, algumas vezes, por pequenos esforços. É a vontade que lhe falta...” - E concluem dizendo: “Ah!...Quão poucos dentre vós fazem esforços!...”

Acreditamos que, a partir de uma lista de defeitos, desde os mais simples até os mais complexos, não devemos atacar todos de uma vez.

Temos pequenos defeitos, que nos comprometem e que estão ao nosso alcance atacá-los de imediato.

Por exemplo: fofocar, participar de conversas que só servem para denegrir a imagem dos outros. Passar a evitar que isso aconteça já é um ganho moral.

Não é muito difícil nos policiar com relação a um defeito por vez e começar fazendo um esforço para superá-lo.

Contudo, devemos ter em mente que para extirpar um defeito é necessário colocar no lugar dele uma virtude. Preste atenção nisso.

Então, mesmo que uma pessoa cometa um erro, procuremos analisar suas virtudes: ou seja, vamos realçar uma qualidade que ela tem ao invés de nos deter apenas no seu defeito.

Isso faz com que passemos a ver nos outros mais suas qualidades e só vamos tratar de seus defeitos quanto for para ajudar. Se não temos nada com isso, é melhor se calar.

Evidentemente, para desenvolver esse novo comportamento, precisamos repeti-lo muitas vezes, até que se torne um hábito em nossa vida. Os hábitos se adquirem através da repetição de atos.

Para começar, deixamos esta recomendação que acreditamos servir para você iniciar um processo de melhoria moral.




quinta-feira, 11 de maio de 2023

ALLAN KADEC E A MEDIUNIDADE DE CURA; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Poucos sabem, mas, quando da eclosão dos fenômenos que deram origem ao Espiritismo, um dos que surpreendiam eram os resultantes da mediunidade de cura. Allan Kardec também dedicou atenção aos fatos ligados a essas ocorrências, abstraindo várias conclusões expostas não apenas nas chamadas OBRAS BÁSICAS, mas também em números da REVISTA ESPÍRITA. A propósito das doenças, a explicação da Doutrina Espírita sobre as doenças é quepertencem às provas e às vicissitudes da vida terrena. São inerentes à grosseria da nossa natureza material e à inferioridade do mundo que habitamos. As paixões e os excessos de toda espécie, por sua vez, criam em nossos organismos, condições nocivas, frequentemente transmissíveis pela hereditariedade” e que as “doenças de nascença, sobretudo aquelas que tiram aos infelizes a possibilidade de ganhar a vida pelo trabalho: as deformidades, a idiotia, a imbecilidade, etc (...), são efeitos que devem ter uma causa, em virtude do axioma de que todo efeito tem uma causa, e desde que se admita a existência de um Deus justo, essa causa deve ser justa. A causa sendo sempre anterior ao efeito e, desde que não se encontra na vida atual, é que pertence a uma existência precedente”. A partir da farta documentação disponível, podem ser encontradas informações importantes sobre CASOS DE CURA SEM AUXÍLIO DOS MÉDIUNS, nas edições de fevereiro 1863; abril e setembro 1865 e CASOS DE CURA INSTANTÂNEA nos números de dezembro, outubro e novembro 1866; agosto, outubro e novembro 1867. Adotando um método compreendendo procedimentos simples (1-evocação dos bons Espíritos, 2- recolhimento, 3- braços estendidos, 4- dedos esticados sobre o corpo do paciente) foram registrados resultados surpreendentes para a época, como os relatados nos números de janeiro de 1864: 1- Cura de nevralgia violenta, após 5 minutos de emissão fluídica simples com as mãos; 2-Cura de uma sensibilidade aguda de pele, manifestada 15 anos antes, após emissão fluídica diária de 15 minutos, durante 35 dias e 3- Cura de individuo acometido de epilepsia durante 25 anos, com crises diárias, após 35 dias de emissão de fluido direcionado para estômago e nuca. Dois importantes personagens espirituais da história do Espiritismo em seu início, ofereceram suas opiniões sobre os requisitos imprescindíveis para o êxito nos trabalhos mediúnicos em torno da assistência ao que convive com as doenças. O primeiro, o conhecido médico Franz Anton Mesmer, que em mensagem psicografada alinhou três sugestões aos candidatos a esse trabalho: 1- Vontade de curar desenvolve fluido animalizado e espiritual; 2- Prece e 3- Curas milagrosas, se devem à natureza do fluido derramado pelo médium através da imposição das mãos, graças ao concurso dos bons Espíritos quando há fé sincera e pureza de intenção. O outro, o Espírito Paulo, o Apóstolo que alinha duas recomendações: 1- Fé sincera; desinteresse, humildade e perseverança e 2- A Prece que deve ser guia e ponto de apoio do médium. As observações sobre o tema, permitiu a Allan Kardec formular um conjunto de conclusões estampadas em matéria apresentada em novembro de 1866: 1- Os médiuns curadores curam só pela ação fluídica, em mais ou menos tempo, mas, às vezes, instantaneamente, sem o emprego de qualquer remédio.2- O poder curativo está nos fluidos depurados dos bons Espíritos para os quais os médiuns curadores servem de condutores. 3- O exercício dessa faculdade curadora só tem lugar com o concurso dos Espíritos. 4- A mediunidade curadora pode curar algumas doenças, mas há doenças fundamentalmente incuráveis e seria ilusão crer que a mediunidade curadora vá livrar a Humanidade de todas as suas enfermidades. 5- A mediunidade curadora depende de uma disposição orgânica, de forma que muitas pessoas a possuem ao menos em gérmem, que fica em estado latente, por falta de exercício e desenvolvimento. 6- A mediunidade curadora exige imperiosamente o concurso dos Espíritos depurados. 7- Há, para o médium curador, a necessidade de atrair o concurso dos Espíritos superiores, se quiser conservar e desenvolver sua faculdade. 8- A primeira condição para o médium curador é trabalhar em sua própria depuração, a fim de não alterar os fluidos salutares que está encarregado de transmitir ao doente, com completo desinteresse material e moral. 9- As qualidades do médium curador devem ser o devotamento, a abnegação, a humildade, além do desejo de fazer o Bem e tornar-se útil aos semelhantes. 10- A Mediunidade curadora escapa completamente da lei sobre o exercício legal da Medicina, porque não prescreve qualquer tratamento, é exercida pela influência pessoal do médium. Este último enunciado é passível de revisão, naturalmente, pelos impactantes fenômenos manifestados ao longo do século que se seguiu após ter sido elaborado. De qualquer modo, dispomos de excelente conteúdo para estudos e reflexões.



Nos livros de Kardec vejo contradição. Primeiro ele fala que não existe castigo divino, que o que sofremos é culpa nossa. Porém, encontramos várias referências à punição divina, como nesta frase d’O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO, que diz: “Quando o orgulho atinge os últimos limites, é indicio de uma queda próxima, porque Deus pune sempre os soberbos”, capitulo VII. Queria uma explicação.

De fato, essa frase está no livro que você cita, O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO, que foi lançado há mais de 150 anos atrás. No entanto, primeiramente, precisamos considerar que o autor do texto é o bispo de Argel que, embora desencarnado, ainda trazia alguns resquícios do linguajar católico, como é o caso de se falar em punição de Deus.

Mas, ao ler Kardec, precisamos considerar o contexto, o conjunto das ideias, e não palavras ou frases isoladas, que algumas vezes podem parecer contrariar o sentido geral. Contexto é o sentido amplo, a base de racionalidade em que a doutrina se apoia. Nesse sentido, convém lembrar que a linguagem humana é limitada e está muitas vezes condicionada ao uso e costume das pessoas.

Para o Espiritismo somos Espíritos em constante aprendizado, buscando por meio das reencarnações o nosso aperfeiçoamento. O que impera no universo são as leis de Deus e o que sofremos é decorrente da nossa imperfeição ou das infrações que cometemos contra essas leis.

Allan Kardec, em O LIVRO DOS ESPÍRITOS, dentro do tema “Intervenção de Deus nas Penas e Recompensas”, questão 984, pergunta: “Deus tem necessidade de se ocupar de cada um dos nossos atos para nos recompensar ou punir e a maioria desses atos não são insignificantes para ele?”

Deus tem suas leis que regulam todas as vossas ações; – respondem os instrutores – se as violais é vossa falta. Sem dúvida, quando um homem comete um excesso, Deus não pronuncia um julgamento contra ele para lhe dizer por exemplo: foste guloso e vou te punir. Mas ele traçou um limite: as doenças e frequentemente a morte são a consequência dos excessos – eis a punição. Ela é o resultado da infração à lei. Assim em tudo.”




quarta-feira, 10 de maio de 2023

UM CASO IMPRESSIONANTE; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

O caso revela como nos bastidores da invisibilidade os Espíritos desencarnados se desdobram quando possível para auxiliar os que permanecem presos às experiências em nossa Dimensão. O personagem principal, José Roberto Pereira Cassiano, ou simplesmente Shabi, apelido pelo qual gostava de ser chamado, então um jovem de apenas 23 anos, profissional dedicado a desenho de projetos, além de cultor da pintura, fotografia e desenho. No dia 9 de março de 1974, Shabi, que residia com os pais na Alameda Jaú, em São Paulo, rumou para a cidade de Santos, a fim de deixar a namorada, rotina que repetia há alguns meses. Na viagem de retorno, uma fatalidade, só explicável pelas leis de causa e efeito: um acidente fez um que ele caísse do veículo em que estava, tendo morte instantânea. Sem documentos que o pudessem identificar, permaneceu no necrotério de São Bernardo do Campo, e, ante a não procura do corpo, acabou sendo sepultado. Estranhando sua demora em voltar e, depois seu desaparecimento, seus pais iniciaram uma ansiosa, aflitiva e angustiante busca que findaria uma semana depois, de forma traumatizante. Isso depois da exumação do corpo, da dolorosa identificação de Shabi e, por fim, do devido sepultamento. Como não poderia deixar de ser, seus pais de quem era único filho, mergulharam em profunda e infindável tristeza, a ponto de seu pai que já não desfrutava de uma saúde equilibrada, precisar permanecer internado na UTI da Beneficência Portuguesa, por vários dias. Sete meses passados, orientados por Dona Yolanda Cezar, pessoa de quem se aproximaram através de amigos, estiveram em Uberaba, para falar com Chico Xavier. A primeira carta de Shabi, porém, só seria recebida dezoito meses após a sua morte física, onze, portanto, depois do primeiro encontro com o médium. Até então, como lembraria seu pai, “a situação era de total desespero, minha saúde cada vez mais se agravava. As noites indormidas e, quando chovia, nosso desespero aumentava, pois temíamos que nosso Shabi, sepultado, recolhesse os rigores da chuva a encharcar a terra fria”. Saudosos, os pais só encontravam forças nos tranquilizantes. Ainda segundo o pai, “a mensagem representou-nos um bálsamo para a alma e para o corpo. A saúde melhorou e passei, com minha esposa, a sentir o filho presente em tudo o que era dele e que guardávamos com carinho. Compreendemos, então, que o reencontro com ele somente poderia ser um reencontro espiritual. O sono começou a voltar e passamos a ir mais vezes a Uberaba, na esperança de receber novos recados ou, como nós entendíamos, mais uma carta do filho querido. Pelas palavras de nosso filho compreendemos que a morte não existe”. No incrível documento confirmando a sobrevivência de Shabi, revelações surpreendentes. Entre outras coisas escreveu o jovem: -“ A viagem seguia o compasso da Anchieta, entre paradas de trânsito e marchas rápidas para ganho de tempo, quando, ao movimentar-me, caí num impacto de forças que não sei descrever. Quis reagir, gritar por socorro, mas tive a impressão de que um suave anestésico me entorpecia as forças mentais. O pensamento escorria do cérebro, como se fora sangue a derramar-se de outros campos do corpo... Sensação estranha de esvaziamento, compelindo-me a desfalecer, sem recursos de resistência. E dormi. (...) Acordei, queridos pais, numa sala de apresentação muito difícil com as palavras de que conseguiria dispor. Era eu e não era eu quem se achava ali numa dualidade que não podia reconhecer. Ouvi conversações e apontamentos que me espantavam. No entanto, médicos e enfermeiros me administravam agentes sedativos que me impuseram mais descanso. (...) A situação prosseguia, quando o Irmão Cassiano me avisou que traria meus pais para um reencontro.

Daí a instantes, notei-lhes a presença quase rente a mim. Mãezinha e você, papai, pediam notícias minhas.Só então entendi que me achava em São Bernardo, não longe do quilômetro em que havia sofrido a queda. Compreendi mais. Aquele não era um recinto de hospital, mas um refúgio de paz e silêncio, reservado aos que já haviam atravessado as fronteiras, das quais me vejo agora muito aquém... Fiz tudo para fazer-me sentir, a fim de tranquilizá-los. Mas o amigo fiel que me assistia e ainda me protege, em todos os passos da Vida Nova, me sossegou o espírito atribulado, afirmando que estavam dados os primeiros passos para que recebessem minhas notícias. A ideia da despedida, então, tomou corpo em mim e só aí, querida Mamãe, compreendi que seu filho havia deixado a veste física, à feição de alguém que se transfere de estrada ou de carro, a fim de tomar caminhos diferentes. Confesso, meu pai, que as lágrimas me subiram do coração para os olhos, porque não me sentia preparado, quanto agora, para o exame do assunto. Era muito sonho e muita esperança a tombarem do alto de nossas aspirações e projetos. (...) Ainda assim, a pesquisa que efetuavam, as perguntas que ouvi, sem que me fosse possível qualquer manifestação para esclarecê-los, me feriam o coração. Observei que me procuravam com aflições iguais às minhas e percebi que a incerteza era o clima de nossos pensamentos e indagações. Sofri ao vê-los na retirada com as mesmas dúvidas que me pairavam na alma e caí em crise de lágrimas como não podia deixar de ser. Novamente, o benfeitor incansável promoveu os meios de socorro dos quais necessitava e um sono maior abençoou a minha cabeça cansada... 


Lendo o evangelho, vamos encontrar os seguintes dizeres de Jesus: “Eis que vos digo: não vos preocupeis por vossa vida, pelo que comereis, nem por vosso corpo, pelo que vestireis. A vida não é mais do que o alimento e o corpo não é mais que as vestes. Olhai as aves do céu: não semeiam nem ceifam, nem recolhem nos celeiros e vosso Pai celeste as alimenta. Não valeis vós muito mais que elas?(Evangelho de S, Mateus, cap. 6, versículos 25 e 26)” Essa fala de Jesus não faria sentido hoje, pois a vida moderna nos obriga a planejar o futuro para viver bem o presente.O bom senso nos diz que devemos procurar entender a mensagem de Jesus dentro de um contexto, ou dentro da realidade da época.Não há dúvida de que a sociedade mudou muito de Jesus para cá. Naquele tempo a vida era simples, hoje é muito complexa.Para uma simples, de um povo simples, Jesus deixou essa mensagem de confiança, buscando asserenar os ânimos de um povo oprimido.Sua mensagem era toda espiritual. Não se detinha apenas na vida material. Ele queria ensinar a seu povo a confiar no futuro, a partir de uma atitude mais serena no presente.Ao dizer “não vos preocupeis com vossa vida”, ele estava justamente mostrando que a vida é mais do que os poucos anos que passamos na Terra.Se nos devotarmos unicamente à vida material, vamos viver muito apreensivos.Cultivar os valores espirituais é forma de contrabalançar a ansiedade e o medo que a vida material nos impõe.Mas, certamente, Jesus não estava estimulando o desinteresse pela vida; antes, porém, queria que não nos apegássemos aos bens materiais.Logo, ele não estava dizendo que deveríamos esquecer nossas obrigações e deveres, mas apenas encará-los com mais confiança e fé em Deus.Não é difícil perceber que a doutrina de Jesus se voltava para a nossa vida interior, onde caberia a cada um construir o reino de Deus.A vida, hoje, é bem mais assustadora, pois o materialismo tem nos afastado cada vez mais de Deus, estimulando a descrença.Se prestamos atenção na propaganda da mídia, especialmente da televisão, vamos perceber que ela trabalha em dois sentidos.Primeiro, se diz preocupada com os valores morais, como que incentivando o compromisso com o bem, com a verdade e com a justiça.Mas, ao mesmo tempo, ela veicula uma enxurrada de mensagens, programas e novelas enaltecendo o materialismo ao estimular a posse e o prazer fácil.O materialismo – que é a ânsia de possuir bens e concessões materiais – cria muita necessidade no ser humano.Desse modo, ele fica vulnerável aos apelos da mídia, assumindo uma postura materialista


terça-feira, 9 de maio de 2023

QUANDO A CONSCIÊNCIA SE ILUMINA ; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Objetivo final da caminhada do Ser, a evolução espiritual é um processo lento e difícil. Tanto maior quanto, em suas reencarnações, mais próximo está o Espírito das faixas primárias. E, voltar ao corpo sucessivas vezes é uma ideia abominada pela maioria, ignorante quanto a sua finalidade. O próprio Allan Kardec confessa que diante das revelações apresentadas pelos Espíritos sobre a reencarnação, preferiu ser cauteloso. Escreveu ele: -“Foi assim que procedemos com a doutrina da reencarnação, que não adotamos, embora vinda dos Espíritos, senão depois de havermos reconhecido que ela só e só ela, podia resolver aquilo que nenhuma filosofia jamais havia resolvido”. Durante muitas das experiências no corpo físico, prevalecem os instintos, reflexos que nos fazem buscar saciar predominantemente as necessidades de sensações nos campos do estomago e do sexo. A consciência de si mesmo é fruto de inúmeras passagens pelo chamado Plano Material, estágio estimado por Kardec talvez só após a centésima ou milésima encarnação”, analogamente ao que “ se dá com a criança, que não goza da plenitude de suas faculdades nem um, nem dois dias após o nascimento, mas depois de anos. Quando fixados valores mais significativos no âmbito dessa consciência, passa a individualidade a interferir na formatação das existências futuras. Exemplo disso nos é oferecido por matéria incluída na pauta da REVISTA ESPÍRITA de julho de 1863, sob o título Uma Expiação Terrestre. Refere-se a morte em 1850, numa aldeia da Baviera – hoje, um dos Estados da Alemanha -, de um velho quase centenário, conhecido como Pai Max. Ninguém sabia, ao certo, sua origem, pois não tinha família. Durante mais de meio século, abatido por enfermidades que o impossibilitavam de ganhar a vida pelo trabalho, não tinha outro recurso senão a caridade pública, que dissimulava indo vender em fazendas e castelos, almanaques e pequenos objetos. Tinham-lhe dado o apelido de Conde Max e as crianças o chamavam Senhor Conde, com o que sorria sem se formalizar. Por que tal título? Ninguém saberia dizer: já era hábito. Talvez pela sua fisionomia e maneiras, cuja distinção contrastava com seus trapos. Vários anos após sua morte, apareceu em sonho à filha do dono de um dos castelos, onde era hospedado na cavalariça, pois não tinha domicílio. E lhe disse: -“Obrigado por terdes lembrado do pobre Max em sua preces, pois foram ouvidas pelo Senhor. Desejais saber quem sou eu, alma caridosa que vos interessastes pelo infeliz mendigo? Vou satisfazer-vos. Será para todos uma grande instrução”. E contou: “-Um século e meio antes era um rico e poderoso senhor desta região, mas vão, orgulhoso e enfatuado de minha nobreza. Minha imensa fortuna jamais serviu senão para os meus prazeres, e apenas bastava, porque era jogador, debochado e passava a vida em orgias. Meus vassalos, que julgava criados para meu uso como animais de fazenda, eram oprimidos e maltratados para contribuir para as minhas prodigalidades. Ficava surdo às suas lamentações, como às de todos os infelizes e, em minha opinião, deviam sentir-se honrados de servir aos meus caprichos. Morri em idade pouco avançada, esgotado pelos excessos, mas sem haver experimentado nenhuma verdadeira desgraça”. Segue contando que objeto de funerais suntuosos, apesar dos lamentos dos vivedores como ele, nem uma lágrima caiu em sua sepultura, nem uma prece de coração subiu a Deus por ele e sua memória, amaldiçoada por todos aqueles cuja miséria havia agravado. O tempo calculado em vários anos, impôs-lhe padecimentos atrozes, vendo-se à frente de suas ameaçadoras vítimas quando da morte de cada uma delas. Os que se lhe diziam amigos, fugiam, parecendo dizer com desdém: - Não podes mais pagar nossos prazeres. Fatigado, sem ver termo a sua rota, exclamou: Meu Deus tende piedade de mim!”. Então, uma voz, a primeira que ouvia desde que deixou a Terra, lhe disse que seu sofrimento se interromperia quando se arrependesse e humilhasse diante daqueles que humilhou, pedindo que intercedessem por ele, porque a prece do que perdoa é sempre agradável a Deus. Efetivamente, suas ações fizeram com que os rostos de suas vítimas fossem desaparecendo um a um. Alguns anos depois, nasceu de novo, mas desta vez em família de pobres camponeses. Órfão criança, ficou só, sem apoio, ganhando a vida como pode, ora como trabalhador, ora como criado, sempre honestamente. Aos quarenta anos, uma doença o tornou entrevado de todos os membros e teve de mendigar por mais de cinquenta anos nas mesmas terras das quais tinha sido senhor absoluto; que receber um pedaço de pão nas fazendas que tinham sido suas e onde, por amarga ironia, o tinham apelidado Senhor Conde, sentindo-se feliz com um abrigo nas cavalariças do castelo que fora seu, sonhando muitas vezes, percorrendo o castelo, o meio e sua antiga fortuna, visões que lhe deixavam ao despertar, indefinível sentimento de amargura e pesar.


Mesmo com algumas importantes leis em vigor, que condenam o preconceito e a violência, ainda vemos muitos casos de discriminação e intolerância no país. (Comentário)

Apesar de reconhecermos que essas leis são necessárias para preservar a ordem social, elas não têm o condão de mudar os sentimentos das pessoas, mas pode ajudá-las a se reeducarem.

Toda educação é uma autoeducação, ou seja, ela só se consolida a partir do momento em que a pessoa toma consciência de sua necessidade.

Mas, o melhor caminho para educar o conjunto dos indivíduos é partir da educação das novas gerações, pela ação da família, da escola e das demais instituições sociais.

É por isso que sempre dizemos que os pais e os professores têm a mais nobre missão sobre a Terra. Eles são os primeiros e os mais competentes educadores.

O ideal, para a formação de uma sociedade justa e pacífica, é educar a criança com os valores que lhes deem uma visão comprometida com o bem e com a verdade, com a ordem e com a justiça.

Mas, em se tratando dos adultos, a educação se dá por eese processo, mais ou menos lento, que chamamos de autoeducação.

Cada indivíduo educa-se a si mesmo, a partir de suas experiências de vida- principalmente as mais difíceis - e de suas observações sobre valores que a sociedade quer perpetuar.

Quando algo está errado na sociedade – como, por exemplo, o preconceito contra a mulher, que causa inúmeras vítimas – o Estado tem que intervir, criando leis que inibam o mau comportamento.

Neste caso, é a aplicação correta da lei vai, aos poucos, durante muitos anos, despertando em cada consciência a necessidade de se adequar aos valores que a sociedade proclama.

A lei é imperativa, ela exige determinadas posturas de cada um de nós, ante as necessidades da vida social e, por conta de sua aplicação, os indivíduos serão levados a aprender novos comportamentos.

Logo, mesmo com leis específicas para coibir o preconceito, este ainda continuará existindo por um bom tempo por parte de uma minoria mais resistente, que ainda não se despertou para as novas necessidades e aspirações da nação.

Podemos dizer, por conseguinte, que a lei não resolve tudo de uma vez. Quando aplicada, ela leva muitos anos para ser observada de fomra consciente pela maioria dos indivíduos.

Mas a lei, sem dúvida, é um forte agente de educação que vai auxiliar os indivíduos a compreender e aceitar as ideias e os ideais que a sociedade defende.