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segunda-feira, 18 de abril de 2022

A PREVENÇÃO TALVEZ EVITASSE; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Passava das 20:30 horas quando o interfone tocou. Do outro lado, o porteiro do edifício, visivelmente alterado, perguntava se o filho da dona do apartamento estava em casa. Ante a resposta afirmativa e a informação que havia beijado os pais, minutos antes, desejando boa noite para ir dormir, a insistência do interlocutor, por via das dúvidas, fez a mãe dirigir-se ao quarto para confirmar. Encontrando o quarto vazio, voltou ao interfone, ouvindo a sugestão para que descesse ao térreo, para, em meio à aflição e ansiedade, a terrível constatação: o rapaz atirara-se do decimo oitavo andar do prédio, estatelando-se no solo. Único filho de um casal bem sucedido e estável profissionalmente, o adolescente, deixara um bilhete aos pais expressando seu amor por eles, acrescentando que este mundo” não era para ele. Investigações encontraram em seu computador, mensagens trocadas com integrantes de um grupo social, com conteúdo assustador dentro do que se poderia considerar normal. O pior é que no decorrer da semana que se seguiu, outros três suicídios na mesma faixa etária foram registrados na maior das metrópoles da América do Sul. Tais acontecimentos, por sinal, tem aumentado sua incidência nos últimos meses, segundo estatísticas nem sempre divulgadas. O interessante é que no numero de outubro de 1866, da REVISTA ESPÍRITA, Allan Kardec reproduziu uma mensagem obtida pelo método de sonambulismo, em abril daquele ano, através de dois médiuns identificados apenas por iniciais, em que foi feita uma projeção e prognóstico dos acontecimentos que marcariam os desdobramentos futuros da etapa de transição pela qual passa o Planeta e seus habitantes. Em meio às previsões, dizem: “- E como se a destruição não marchasse bastante depressa, ver-se-ão os suicídios multiplicando-se numa proporção incrível, inclusive em crianças”. Tentando entender esse fato causador de tão lancinante dor moral no organismo social, encontramos n’ O LIVRO DOS ESPÍRITOS, na nota à questão 685, uma pergunta lançada por Kardec, cuja resposta pode ajudar a entender a razão destes acontecimentos: “-Quando se pensa na massa de indivíduos, diariamente lançados na corrente da população, sem princípios, sem freios, entregues aos próprios instintos, deve-se admirar das consequências desastrosas desse fato?”. A predominância do materialismo, a voracidade da sociedade de consumo; a falência, o descrédito e a falta de espiritualidade das religiões, criaram a crise observável na estrutura fundamental dos agrupamentos humanos: a família. Mesmo os seguidores do Espiritismo, desconhecem o conteúdo específico de sua obra fundamental a respeito de questões relacionadas à paternidade, maternidade, os elementos que não podem ser esquecidos na formação das personalidades entregues a seus cuidados, na condição de filhos. As Casas Espíritas e seus dirigentes enfatizam muito mais temas distantes da educação moral fundamentadas na lógica dos ensinos de Jesus, ele mesmo apontado como o guia e modelo mais perfeito para nos inspirar os passos. Sem investimentos na infância, não se terá um futuro melhor. Como escreveu o Espírito da Verdade, na resposta à questão 800 d’ O LIVRO DOS ESPÍRITOS, “as ideias se modificam pouco a pouco, com os indivíduos, e são necessárias gerações para que se apaguem completamente os traços dos velhos hábitos”. Evidente que o poder de influenciação dos meios – circunscritos aos Centros Espíritas e algumas publicações - de divulgação espiritas ainda é incipiente, em grande parte pelas dissimuladas disputas internas entre lideranças que se outorgam a ilusória ideia de serem os detentores dos conhecimentos mais precisos e acertados. Enquanto isso, campeiam avassaladoramente a violência e a dor, que poderiam ser atenuadas ou evitadas, não fosse a ignorância sobre conteúdos específicos da Terceira Revelação. E, nesse sentido, a propagação do Espiritismo seria importante preventivo.


Existe algum lugar na Bíblia que fala de reencarnação?


Evidentemente, Você não vai encontrar a palavra “reencarnação” na Bíblia, até porque naquele tempo – e tampouco naquele povo – existia essa palavra. O termo “reencarnação”, na verdade – em que pese o fato de que a concepção de reencarnação ( e não a palavra “reencarnação”) já existia muitos séculos antes de Cristo – surge com o Espiritismo somente no século 19, com Allan Kardec. Contudo, ao tempo de Jesus, havia uma idéia muito vaga e confusa da possibilidade de o Espírito voltar a renascer na Terra.


Isso a gente vê no episódio do menino cego de nascença, em que os discípulos perguntam a Jesus se o menino nasceu cego por causa do pecado de seus pais ou por causa de seus próprios pecados. Se Jesus descartasse a idéia da reencarnação, teria mostrado ser impossível que o menino tivesse pecado antes de nascer; mas nada disse a respeito. Na verdade, nessa época o povo acreditava na ressurreição, aliás, uma das concepções que aprendeu com os persas, sob cujo domínio político esteve por muito tempo.


A religião persa era dualista, acreditava na existência de um deus do bem e de um deus do mal (daí a concepção que se seguiu de Deus e do demônio), e em vários outros artigos de fé adotado pelos judeus, como a ressurreição dos mortos e o juízo final. Os persas tiveram uma grande influencia na crença dos hebreus, introduzindo muitos conceitos que nunca foram conhecidos no tempo de Moisés.


Nos evangelhos, contudo, há dois momentos em que Jesus toca diretamente na reencarnação, mas não aprofunda na questão e nem menciona a palavra. Com certeza, ele considerou fora de cogitação para aquele momento, uma vez que a idéia da reencarnação não fazia parte da tradição do povo hebreu. Uma delas – Mateus-17 e Marcos-18 - foi após o episódio da transfiguração no Monte Tabor – quando, ao lado de Jesus, aparecem materializados os espíritos de Moisés e Elias – e Jesus afirma que Elias já havia voltado á Terra e ninguém percebeu. Os discípulos, então, entenderam de que ele se referia a João Batista – ou seja, João Batista fora a reencarnação de Elias.


Um outro episódio, referindo-se ao mesmo Espírito, está no capítulo11 de Mateus. Jesus diz o seguinte: “Desde os tempos de João Batista até agora, o Reino dos Céus é tomado pela violência e os que usam da violência são aqueles que o arrebatam. Porque todos os profetas e a lei, até João, profetizaram”. E acrescenta de forma enfática, dizendo claramente: “E se vós quereis saber, ele mesmo é o Elias que há de vir. Os que têm ouvidos para ouvir, ouçam.” Não é preciso dizer mais nada. Nesta passagem, Jesus afirma categoricamente que João Batista e Elias eram o mesmo Espírito – ou seja, o mesmo Espírito em encarnações diferentes.


domingo, 17 de abril de 2022

MUDANDO O FOCO; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Professor de Filosofia, italiano, Ernesto Bozzano está intimamente associado à pesquisa dos fenômenos inabituais na espécie humana, invariavelmente, associados por isso mesmo ao misticismo. Nessa área organizou cerca de 52 livros, alguns dos quais póstumos, de conteúdo extremamente interessante demonstrando que entre o final do século 19 e o fim da primeira metade do século 20, muitos pesquisadores igualmente se interessavam pelo assunto. O Espiritismo conforme apresentado por Allan Kardec não parece ter sido sua principal preocupação, tendo se influenciado mais intensamente pela Metapsíquica do fisiologista francês Charles Richet. Seu nome, curiosamente ainda é lembrado porque espíritas brasileiros procuraram traduzir alguns dos principais títulos por ele assinados. Num deles, PENSAMENTO E VONTADE (feb),encontramos importante contribuição a respeito de assunto tratado por Allan Kardec em artigo reproduzido n’ OBRAS POSTUMAS sob o título FOTOGRAFIA DO PENSAMENTO. No trabalho de Bozzano, ele satisfaz a dúvida dos que ouvem falar das FORMAS PENSAMENTO. Destacamos alguns pontos para reflexão:- “Já os magnetizadores da primeira metade do século passado haviam notado que os sonâmbulos não só percebiam o pensamento das pessoas com quem se punham em relação, sob a forma de imagens geralmente localizadas no cérebro,, com também, eventualmente, fora dele, e mais ou menos imersos na aura da pessoa que, na ocasião, tinha na mente o pensamento correspondente à imagem. (...). Os teósofos, que têm sempre muitas observações a respeito das formas do pensamento, afirmam, apoiados em declarações de seus videntes - entre eles Annie Besant e Charles Leadbeater - que as ditas formas do pensamento não se restringem às imagens de pessoas e coisas, mas atingem as concepções abstratas, as aspirações do sentimento, os desejos passionais, que revestem formas características e estranhamente simbólicas . A este respeito, importa acentuar que as descrições teosóficas desse simbolismo do pensamento estão em surpreendente concordância com as dos clarividentes sensitivos. Vamos aqui resumir o trecho de um livro (THOUGHT-FORMES) de Annie Besant e Leadbeater, para compará-lo depois a uma outra passagem tomada às declarações de um sensitivo clarividente. Eis o que a respeito diz esses autores: Todo pensamento cria uma série de vibrações na substância do corpo mental, correspondentes à natureza do mesmo pensamento, e que ai combinam em maravilhoso jogo de cores, tal como se dá com as gotículas de água desprendidas de uma cascata, quando atravessadas pelo raio solar, apenas com a diferença de maior vivacidade e delicadeza de tona. O corpo mental, graças ao impulso do pensamento, exterioriza uma fração de si mesmo, que toma forma correspondente à intensidade vibratória, tal como o pó de licopódio que, colocado sobre um disco sonante, dispõe-se em figuras geométricas, sempre uniformes em relação com as notas musicais emitidas. Ora, este estado vibratório da fração exteriorizada do corpo mental, tem a propriedade de atrair ai, no meio etéreo, substância sublimada análoga à sua. Assim é que se produz uma forma pensamento, que é, de certo modo, uma entidade animada de intensa atividade, a gravitar em torno do pensamento gerador... Se este pensamento implica uma aspiração pessoal de quem o formulou - tal como se dá com a maioria dos pensamentos - volteia, então, ao derredor do seu criador, pronto sempre a reagir benéfica ou maleficamente, cada vez que o sinta em condições passivas. Estranhamente simbólicas as formas do pensamento, algumas delas representam graficamente os sentimentos que as originaram. A usura, a ambição, a avidez, produzem formas retorcidas, como que dispostas a apreender o cobiçado objeto. O pensamento, preocupado com a resolução de um problema, produz filamentos espirais. Os sentimentos endereçados a outrem, sejam de ódio ou de afeição, originam formas-pensamentos semelhantes aos projéteis. A cólera, por exemplo, assemelha-se ao ziguezague do raio, o medo provoca jactos de substância pardacenta, quais salpicos de lama.



Se a reencarnação serve para o Espírito evoluir, como é que muitos Espíritos nascem em famílias desorganizadas e acabam abandonados. rebeldes e violentos?


A reencarnação, de fato, serve para dar um impulso na evolução do Espírito. Entretanto, por pior que seja o ambiente em que renasce, sempre alguma coisa ele terá de aprender, mesmo que aquele ambiente ainda não seja o ideal para aprender tudo quanto precisa. Assim, a condição em que o Espírito reencarna depende tanto de suas possibilidades, quanto das necessidades que ele criou para si mesmo. De fato, a rebeldia, que o individuo manifesta, geralmente na juventude, decorre em parte das tendências que traz do passado e em parte da falta de condições para sua educação.


A reencarnação para os Espíritos refratários funciona como uma escola difícil ou como um tratamento mais ou menos penoso, conforme as condições de cada um. Ninguém gosta de uma vida rigorosa, ainda que ela seja útil. Entretanto, há Espíritos que, pelas suas necessidades de aprendizado, por serem rebeldes e endurecidos, precisam passar por experiências mais ou menos difíceis, a fim de poderem despertar para determinados valores. Mas há outros que já podem usufruir de condições melhores por já terem superado essa etapa de maior rigor.


Nada é inútil ou desperdiçado na natureza. A reencarnação é uma lei natural; portanto, inserida nos fenômenos gerais da natureza, que tem por meta a evolução. Mesmo quando as condições do ambiente são desfavoráveis, o Espírito, por mais rebelde, não deixa de aprender alguma coisa. Contudo, o nosso planeta ainda está longe de oferecer condições ideais de vida para todos os que aqui reencarnam. Mesmo assim, quando as condições são muito adversas, os Espíritos rebeldes reencarnam mais para enfrentarem dificuldades do que para terem seus problemas resolvidos.


Quando a Terra estiver mais preparada para cuidar das necessidades e direitos humanos, quando imperarem entre nós mais justiça social e sentimento de solidariedade, então teremos, certamente, melhores condições de atender aos Espíritos que aqui renascem. Enquanto isso, estamos lutando para alcançar uma etapa de maior desenvolvimento moral e social, que possa contribuir tanto para a evolução individual como para a evolução coletiva da humanidade.











sábado, 16 de abril de 2022

O ESPIRITISMO É OU NÃO UMA RELIGIÃO; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Má fé, ignorância, intolerância são alguns dos aspectos relacionados à resposta ouvidas das pessoas comuns sobre a pergunta: -“O Espiritismo é ou não uma religião? No número de dezembro de 1868, da REVISTA ESPÍRITA, Allan Kardec oferece elementos para reflexões a respeito. Argumenta ele: -“O verdadeiro objetivo das assembleias religiosas deve ser a comunhão de pensamentos; é que, com efeito, a palavra religião quer dizer laço. Uma religião, em sua acepção larga e verdadeira, é um laço que religa os homens numa comunhão de sentimentos, de princípios e de crenças; consecutivamente, esse nome foi dado a esses mesmos princípios codificados e formulados em dogmas ou artigos de fé. (...). Se é assim, perguntarão, então o Espiritismo é uma religião? Ora, sim, sem dúvida, senhores! No sentido filosófico, o Espiritismo é uma religião, e nós nos vangloriamos por isto, porque é a Doutrina que funda os vínculos da fraternidade e da comunhão de pensamentos, não sobre uma simples convenção, mas sobre bases mais sólidas: as próprias leis da Natureza. Por que, então, temos declarado que o Espiritismo não é uma religião? Em razão de não haver senão uma palavra para exprimir duas ideias diferentes, e que, na opinião geral, a palavra religião é inseparável da de culto; porque desperta exclusivamente uma ideia de forma, que o Espiritismo não tem. Se o Espiritismo se dissesse uma religião, o público não veria aí mais que uma nova edição, uma variante, se se quiser, dos princípios absolutos em matéria de fé; uma casta sacerdotal com seu cortejo de hierarquias, de cerimônias e de privilégios; não o separaria das ideias de misticismo e dos abusos contra os quais tantas vezes a opinião se levantou. Não tendo o Espiritismo nenhum dos caracteres de uma religião, na acepção usual da palavra, não podia nem devia enfeitar-se com um título sobre cujo valor inevitavelmente se teria equivocado. Eis por que simplesmente se diz: doutrina filosófica e moral. As reuniões espíritas podem, pois, ser feitas religiosamente, isto é, com o recolhimento e o respeito que comporta a natureza grave dos assuntos de que se ocupa; pode-se mesmo, na ocasião, aí fazer preces que, em vez de serem ditas em particular, são ditas em comum, sem que, por isto, sejam tomadas por assembleias religiosas. Não se pense que isto seja um jogo de palavras; a nuança é perfeitamente clara, e a aparente confusão não provém senão da falta de uma palavra para cada ideia. Qual é, pois, o laço que deve existir entre os espíritas? Eles não estão unidos entre si por nenhum contrato material, por nenhuma prática obrigatória. Qual o sentimento no qual se deve confundir todos os pensamentos? É um sentimento todo moral, todo espiritual, todo humanitário: o da caridade para com todos ou, em outras palavras: o amor do próximo, que compreende os vivos e os mortos, pois sabemos que os mortos sempre fazem parte da Humanidade. A caridade é a alma do Espiritismo; ela resume todos os deveres do homem para consigo mesmo e para com os seus semelhantes, razão por que se pode dizer que não há verdadeiro espírita sem caridade.

Existe alguma comprovação científica, apresentada por algum pesquisador idôneo, que prove a existência do Espírito? Quem teria feito essa prova? Allan Kardec?


A questão não é tão simples assim. O saudoso professor Henrique Rodrigues, espírita e parapsicólogo, costumava dizer que “se prova convencesse, médico não fumava”. Quem pode saber mais que o médico dos efeitos nocivos do fumo? No entanto, muitos médicos ainda fumam.. A prova só convence quem quer se convencer: o resto depende do tempo, do amadurecimento da idéia e o desenrolar dos fatos. Não são poucos os pesquisadores que se detiveram em estudos com médiuns e fenômenos mediúnicos, demonstrando a existência do Espírito. Poderíamos citar dezenas deles – e isso desde meados do século XIX.


Mas esses homens jamais foram ouvidos pela maioria materialista que, além de discordarem das conclusões a que esses chegaram, também se negaram a realizar qualquer estudo sério a respeito. Contudo, nós sabemos que a verdade não é algo tão simples de se alcançar. Ela tem um preço – às vezes, muito alto, pois a verdade costuma ir contra os interesses dos poderosos e, nesse caso, eles são capazes de entravar qualquer marcha para desvendá-la. Muitas das verdades científicas, que hoje proclamamos, já tinham sido anunciadas há séculos, mas seus anunciadores, além de não serem ouvidos na época, foram criticados, quando não, perseguidos, difamados, caindo em descrédito.

Veja um parco exemplo, o de Robert Hooke. Quem foi Robert Hooke? Foi o primeiro cientista que, em pleno século 17 ( portanto, há mais de 400 anos atrás), anunciou a descoberta da célula, como unidade fundamental na formação dos tecidos vivos, tanto animal como vegetal. Acreditaram no Hooke? Certamente, não. Ele não só foi desacreditado, como passou a ser ridicularizado. Entretanto, meu caro, só muito depois de sua morte é que uma nova pesquisa confirmou o que Hooke estava com a razão e seus detratores, errados.


O mesmo aconteceu no século XIX com Grégor Mendel, um monge agostiniano, o pai da Genética, que morreu desacreditado e decepcionado – e mais do que isso, tomado por uma insidiosa depressão - duramente criticado por religiosos e cientistas, depois de ver todo o seu trabalho de anos e anos de dedicação, relegado e jogado ao lixo. Só anos depois de sua morte é que dois biólogos, percebendo o que Mendel descobrira, redescobriram as leis da hereditariedade e, então, com muita honestidade, resolveram reconhecê-lo como o verdadeiro autor da idéia. A história está cheio disso. Galileu quase foi executado porque defendia que a Terra não era o centro do universo, que havia montanhas na Lua e manchas no Sol. A Igreja só recentemente reconheceu o erro que cometeu contra Galileu - 400 anos depois.


No mundo atual existe um número considerável pesquisadores em todo o mundo, buscando evidenciar a realidade do Espírito. Basta entrar na “internet” e você vai ver. No entanto, quase sempre, eles são deliberadamente ignorados pelos meios acadêmicos, porque não professam a mesma crença materialista predominante. Todavia, esses estudiosos não são alvo de interesse dos grupos econômicos, que investem milhões de dólares apenas em pesquisas que dão retorno financeiro. Então, esses abnegados idealistas pesquisam por conta própria e, é claro, sem as condições ideais de trabalho. A verdade é assim, sempre difícil. Ela não se expõe facilmente e depende, sobretudo, do amadurecimento da humanidade.



sexta-feira, 15 de abril de 2022

MENTE,CORPO,DOENÇAS; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

Avançando a passos largos na direção de respostas substanciais e lógicas, numero crescente de pesquisadores vão constatando a cada dia a evidência de algo denominado mente ou Espírito a determinar os acontecimentos intrigantes da vida. Não se rendem mais às evasivas argumentações de que “é porque Deus quer”. Há fatores causais para o chamado mundo dos efeitos. Do trabalho MENTE-CORPO-DOENÇAS: AS RESPOSTAS QUE O ESPIRITISMO DÁ, derivado de obras de Allan Kardec e de André Luiz pelo médium Chico Xavier, destacamos três conteúdos para suas reflexões. Vamos a eles: 1- A Teoria Evolucionista amplia-se sobremaneira considerando que o Princípio Inteligente desenvolve rudimentos da memória no Reino Mineral; da sensibilidade no Reino Vegetal e o Instinto com ideias fragmentárias no Reino Animal Irracional dos asselvajados aos domesticáveis. O pensamento contínuo é, então, um divisor entre uma etapa e outra, ou melhor, fator determinante no processo evolutivo a partir da fase humana? O pensamento é uma força, é o atributo característico do Ser Espiritual; é ele que distingue o Espírito da matéria; sem o pensamento o Espírito não seria Espírito. O pensamento, força viva e atuante, cuja velocidade supera a da luz, emitido por nós, volta inevitavelmente a nós mesmos, compelindo-nos a viver, de maneira espontânea, em sua onda de formas criadoras, que naturalmente se nos fixam no Espirito quando alimentadas pelo combustível de nosso desejo ou de nossa atenção. O pensamento, qualquer que seja a sua natureza, é uma energia, tendo, conseguintemente, seus efeitos. 2- Instrumento de trabalho do Espírito no processo evolutivo em nossa Dimensão existencial, como surgiu o corpo físico? O corpo de carne é criação mental no caminho evolutivo. O prodigioso corpo do homem na Crosta Terrestre foi erigido pacientemente, no curso dos séculos, e o delicado veículo do Espírito, nos planos mais elevados, vem sendo construído, célula a célula, na esteira dos milênios incessantes. O Espírito preside à formação e à sustentação do corpo físico, consciente ou inconscientemente, desde a hora primeira da organização fetal. O corpo físico é mantido pelo corpo espiritual (perispírito) a cujos moldes se ajusta e, desse modo, a influência sobre o organismo sutil é decisiva para o envoltório de carne, em que a mente se manifesta.. O períspirito, para a mente, é uma capsula mais delicada, mais suscetível de refletir-lhe a glória ou a viciação, em virtude dos tecidos rarefeitos de que se constitui. Nossa atividade mental nos marca o períspirito. 3- Como sob o prisma do Mundo Espiritual entender a falta de saúde ou a manifestação das doenças? A saúde é questão de equilíbrio vibracional, de conformação de frequências. Naturalmente, enquanto na Terra, esse problema implica uma equação de vários parâmetros, quais sejam a respiração e a atividade, o banho e o alimento. Forçoso é, todavia, convir que as raízes morais são sempre os fatores de maior importância, não somente na vida normal, senão também, e em particular, nas horas conturbadas. A extrema vibratilidade do Espírito produz estados de hipersensibilidade, os quais em muitas circunstâncias se fazem sentir por verdadeiros desastres organopsíquicos. Energias atraem energias da mesma natureza, e, quando estacionários na viciação ou na sombra, as forças mentais que exteriorizamos retornam ao nosso Espírito, reanimadas e intensificadas pelos elementos que com elas se harmonizam, engrossando, dessa forma, as grades da prisão em que nos detemos irrefletidamente, convertendo-se-nos a alma num mundo fechado, em que as vozes e os quadros de nossos próprios pensamentos, acrescidos pelas sugestões daqueles que se ajustam ao nosso modo de ser, nos impõem reiteradas alucinações. Durante a reencarnação, a criatura elege, automaticamente, para si mesmo, grande parte das doenças que se lhe incorporam às preocupações. Rende-se, habitualmente, às sugestões do mal, criando em si não apenas condições favoráveis à instalação de determinadas moléstias no cosmo orgânico, mas também ligações aptas a funcionarem como pontos de apoio para as influências perniciosas interessadas em vampirizar-lhe a vida.



Vi, na televisão, que os pressentimentos acontecem, porque o cérebro tem uma região que prevê acontecimentos futuros. Quando um desses acontecimentos ocorre de verdade – e isso acontece muito raramente – é quando se dá o pressentimento. Neste caso, não se trata de uma faculdade do espírito, mas de uma função cerebral. (Comentário de um ouvinte)


Não é novidade nenhuma que eu, você – todos nós - podemos prever acontecimentos futuros. Trata-se de uma capacidade humana, ligada ao raciocínio e à memória. Aliás, é o que fazemos todos os dias. A grande maioria dos fatos que vão acontecer amanhã, por exemplo, todos nós já sabemos, porque a vida é uma rotina e os fatos se repetem diariamente quase que do mesmo jeito, assim como acontece com os fatos naturais – como o nascer e o pôr do sol todos os dias. O problema está em prever o imprevisto, ou seja, aquilo que está bem longe de qualquer cogitação.


A explicação dos materialistas para o fenômeno chamado pressentimento ou premonição é a de que, diante de uma expectativa, o cérebro é capaz de levantar uma série infindável de possibilidades. Alguns deles, em determinadas ocasiões, podem surgir como forma de intuição e, quando essa intuição se confirma de fato, dizemos que houve premonição. Por exemplo: uma pessoa vai viajar de avião. Ela ou um amigo da família sonha que o avião cai, provocando a morte dos passageiros. Sabendo disso, a pessoa não viaja, e o desastre acontece.


A explicação materialista diz que isso aconteceu porque a pessoa estava com medo de viajar, e aventou em sua mente a possibilidade do acidente, mesmo de forma inconsciente, surgindo logo depois uma forte impressão. Isso fez com que ela desistisse da viagem. O avião poderia não cair, mas como caiu, deu-se a premonição. Entretanto, isso não aconteceria frequentemente; pelo contrário, isso ocorreria raramente, porque se trata de uma possibilidade remota: talvez uma em um milhão. O que, de fato aconteceu?


Do ponto de vista espírita e de estudiosos de fenômenos psiquicos, essa pode ser uma explicação, mas não é para todos os casos: existe também o fato premonitório paranormal, ou seja, extra cerebral, como uma faculdade inerente ao Espírito ou à mente. Um fato simples, como a queda de um avião, até poderia ter uma explicação apenas cerebral, mas o que dizer daquelas premonições que se referem a situações bem complexas, que implicam em vários acontecimentos, totalmente imprevistas ( ou seja, fora de qualquer probabilidade), que não poderia estar nas cogitações ou na preocupação da pessoa? Os anais do Espiritismo tem muito a mostrar nesse sentido.


Contudo, é bom que se diga que existe hoje uma onda de materialismo sendo propagada nos meios científicos e acadêmicos, e na televisão. Dentro de uma universidade, o ateísmo está na moda ( já é “chic” dizer-se ateu); e muitos jovens, que não tiveram a necessária formação religiosa na família, acabam aderindo facilmente a esse tipo de pensamento, antes de estudar com mais profundidade as implicações científicas, tanto dos fenômenos ditos paranormais quanto dos fenômenos espíritas. Se as religiões não tomarem cuidado, elas acabarão sendo devoradas por essa onda materialista. O Espiritismo, no entanto, tem respostas obvias para todas essas questões, e muitas obras a respeito.




 

quinta-feira, 14 de abril de 2022

FALANDO DE REENCARNAÇÃO; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

A edição de março de 1862 da REVISTA ESPÍRITA reproduz uma comunicação transmitida por um Espirito não identificado através de um médium chamado Barão de Kock recebida na cidade de Haia, na Holanda em torno do tema REENCARNAÇÃO. Em nota complementar, Allan Kardec observa que não teve a honra de conhecer o médium, a publicando por concordar com todos os princípios do Espiritismo., não sendo produto de nenhuma influência pessoal. Pelo fato de ser bastante extensa destacamos alguns argumentos importantes destacados pelo Espírito comunicante: A doutrina da reencarnação é uma verdade que não pode ser contestada; desde que o homem só quer pensar no amor, na sabedoria e na justiça de Deus, não pode admitir nenhuma outra doutrina. É verdade que nos livros sagrados só se encontram estas palavras: “Depois da morte, o homem será recompensado segundo suas obras”. Mas não se presta suficiente atenção a uma infinidade de citações, que vos dizem ser absolutamente inadmissível que o homem atual seja punido pelas faltas e pelos crimes dos que viveram antes de Cristo. (...) Se se quiser examinar a questão sem preconceito, refletir sobre a existência do homem nas diferentes condições da sociedade e coordenar essa existência com o amor, a sabedoria e a justiça de Deus, toda a dúvida concernente ao dogma da reencarnação deve logo desaparecer. Efetivamente, como conciliar esta justiça e esse amor com uma existência única, onde todos nascem em posições tão diferentes? Onde um é rico e poderoso, enquanto o outro é pobre e miserável? Em que um goza de saúde, ao passo que o outro é afligido de males de toda a sorte? Aqui se encontram a alegria e a vivacidade; mais longe, tristeza e dor; em uns a inteligência é mais desenvolvida; em outros, apenas se eleva acima dos brutos. Pode-se crer que um Deus todo amor tenha feito nascer criaturas condenadas por toda a vida ao idiotismo e à demência? Que tenha permitido que crianças na primavera da vida fossem arrebatadas à ternura dos pais? Ouso mesmo perguntar se se poderia atribuir a Deus o amor, a sabedoria e a justiça à vista desses povos mergulhados na ignorância e na barbárie, comparados às nações civilizadas, onde imperam as leis, a ordem, onde se cultivam as artes e as ciências? Não basta dizer: “Em sua sabedoria, Deus assim regulou todas as coisas.” Não; a sabedoria de Deus, que antes de tudo é amor, deve tornar-se clara para o entendimento humano. O dogma da reencarnação tudo esclarece. (...) A vida humana é a escola da perfeição espiritual e uma série de provas. É por isso que o Espírito deve conhecer todas as condições da sociedade e, em cada uma delas, aplicar-se em cumprir a vontade divina. O poder e a riqueza, assim a pobreza e a humildade, são provas; dores, idiotismo, demência, etc., são punições pelo mal cometido numa existência anterior. Do mesmo modo que pelo livre-arbítrio o indivíduo se encontra em condições de realizar as provas a que está submetido, também pode falir.


Gostaria que me dissessem como que uma pessoa, que diz seguir Cristo, vira a cara para um parente, só porque esse parente tem outra religião e não quer aceitar a sua? Religião não é coisa de Deus? Não deveria unir as pessoas E NÃO separá-las?


Não temos nenhuma dúvida quanto a isso, prezada ouvinte. Ainda mais se tratando de seguir Jesus... Ora, se alguém não reconhece como irmão um seu parente ou familiar, só porque ele tem outra crença, no mínimo, não está sendo coerente com aquilo que sua própria religião ensina ou deveria ensinar. Jesus, que era judeu desde o nascimento, não desprezou e nem amaldiçoou nenhuma forma de crer, nem mesmo a dos fariseus ou dos samaritanos. Ele combateu, sim, as más atitudes, o mau comportamento, mas não por causa da religião, mas pelo fato de essas pessoas não seguirem os preceitos morais da religião.


Jesus, ao contrário, ensinou a linguagem universal do amor, do amor que não conhece fronteiras, que é capaz de ver a todos como seus irmãos, filhos de Deus. Desse modo, qualquer religioso, que diz seguir Jesus, tem a obrigação moral de seguir os preceitos que ele ensinou, conforme lemos no Sermão da Montanha. Dentro da concepção do Cristo, conforme está bem claro nos evangelhos, nem mesmo os inimigos - que são aqueles que nos querem mal - podem ficar livre do nosso amor, quanto mais aqueles com quem convivemos, no dia-a-dia, e que pertencem o ao circulo mais intimo de nossas relações.


A verdadeira religião é a que está no coração de cada criatura – e não apenas nos seus lábios, conforme disse Jesus – e ela consiste na vivência do amor incondicional, do amor fraterno, que não conhece barreiras, porque Deus é amor. Na parábola do samaritano – nem o sacerdote e nem o levita, que eram fervorosos adoradores – agiram com amor em relação ao desconhecido, que se encontrava ferido na estrada. Só o samaritano, tido como um herege, foi capaz de externar esse amor ao seu semelhante, sem perguntar quem ele era ou que religião tinha. Jesus considerou essa atitude do samaritano como única e verdadeira religião, e não aquela que só existe por fora, na hora do culto, mas não está no interior das pessoas no dia-a-dia.


Portanto, nós todos, inclusive os espíritas, devemos ter muito cuidado para não termos da religião senão o rótulo. Como Jesus ensinou, vale mais um ato de amor de um homem sem religião do que todos os atos de arrogância e preconceito daqueles que se dizem religiosos, mas estão contaminados pelo orgulho e pela presunção de que são donos exclusivos da verdade. Quanto a nós, que já sabemos disso, cabe-nos a humildade de compreender os que ainda não atingiram esse nível de compreensão da vida e saber entender que, um dia, eles chegarão lá.







 

quarta-feira, 13 de abril de 2022

INFLUENCIA ATRAVÉS DE FLUIDOS ESPIRITUAIS; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

A questão da influência através de fluidos espirituais é um assunto que, no avassalador momento vivido pela Humanidade da Terra, não só vai progressivamente despertando interesse, mas, revelando nuances fascinantes. Da grande obra vertida do Plano Espiritual pelo Espírito conhecido como André Luiz, através do médium Chico Xavier, destacamos alguns exemplos para reflexão: 1- MEDIDA PROVIDENCIAL - “Silas emitiu forte jato de energia fluídica sobre o córtex encefálico dela, e a moça, sem conseguir explicar a si mesma a razão do torpor que lhe invadia o campo nervoso, deixou-se adormecer pesadamente, qual se houvera sorvido violento narcótico”. (AR) 2- CONTAMINAÇÃO DE ALIMENTOS - “Aqui, não trazemos à mesa qualquer pessoa que se manifeste perturbada ou desgostosa. A neurastenia e a inquietação emitem fluidos pesados e venenosos, que se misturam automaticamente às substâncias alimentares”. (NL) 3- IMUNIZAÇÃO - Quanto aos fluidos de natureza deletéria, não precisamos temê-los. Recuam instintivamente ante a luz espiritual que os fustiga ou desintegra. (NDM) 4- ATMOSFERA INTERNA E EXTERNA DE UM TEMPLO RELIGIOSO - “Notava a diferenciação do ambiente. Para nós, os desencarnados, a atmosfera interior (Centro Espírita) impregnava-se de elementos balsâmicos, regeneradores. Cá fora, porém, o ar pesava. Acentuara-se-me, sobremaneira, a hipersensibilidade, diante das emanações grosseiras da rua. As lâmpadas elétricas semelhavam-se a globos pequeninos, de luz muito pobre, isolados em sombra espessa. (...). O Instrutor, explicando as diferenças entre as vibrações internas e externas disse: - “O pensamento elevado santifica a atmosfera em torno e possui propriedades elétricas que o homem está longe de imaginar. A rua, no entanto, é aventalhado repositório de vibrações antagônicas, em meio de sombrios materiais psíquicos e perigosas bactérias de variada procedência, em vista da maioria dos transeuntes lançar em circulação, incessantemente, não só colônias imensas de micróbios diversos, mas também os maus pensamentos de toda ordem”. (ML) 5- IMPREGNAÇÃO FLUIDICA - “Assim como o corpo físico pode ingerir alimentos venenosos que lhe intoxicam os tecidos, também o organismo perispiritual pode absorver elementos de degradação que lhe corroem os centros de força, com reflexos sobre as células materiais. Se a mente da criatura encarnada ainda não atingiu a disciplina das emoções, se alimenta paixões que a desarmonizam com a realidade, pode, a qualquer momento, intoxicar-se com as emissões mentais daqueles com quem convive e que se encontrem no mesmo estado de desequilíbrio. (...) Em muitos casos, são suscetíveis de ocasionar perigosos desastres orgânicos. Isso acontece, mormente quando os interessados não tem vida de oração, cuja influência benéfica pode anular inúmeros males”. (ML) 6- OPERAÇÃO DE SALVAMENTO DA MORTE -Observei que estávamos diante de uma trombose perigosíssima, por localizar-se numa das artérias que irrigam o córtex motor do cérebro. A apoplexia não se fizera esperar. Mais alguns instantes e a vítima estaria desencarnada. (...) Alexandre assumiu atitude de profunda concentração de pensamento. Não passou mais dum minuto e pequena expedição de oito entidades, penetrou o recinto doméstico, em religioso silêncio. Saudamo-nos todos , ligeiramente e o Instrutor dirigiu-se, atencioso, à entidade que guardava atribuições de chefia: -Francisco, precisamos aqui das emanações de alguns dos nossos amigos encarnados, cujo veículo material esteja agora em repouso equilibrado. Conforme observa, estamos diante dum caso gravíssimo. É preciso muito critério na escolha do doador de fluidos”. (ML) 7- CLIMA EM AMBIENTE DE PRECE -- “Era belo sentir-lhes a vibração particular. Cada qual emitia raios luminosos, muito diferentes entre si, na intensidade e na cor. Esses raios confundiam-se à distância aproximada de sessenta centímetros dos corpos físicos e estabeleciam uma corrente de força, bastante diversa das energias de nossa esfera. (...). As energias dos encarnados casavam-se aos fluidos vigorosos dos trabalhadores de nosso plano de ação, (ML)



A gente vê que os políticos só estão interessados neles mesmos e é isso que acarreta tão sofrimento para o povo. Até quanto vamos ter de aguentar tudo isso? Será que os Espíritos Superiores não podem fazer alguma coisa para mudar essa situação? (Alexandre)


Recentemente, respondemos uma pergunta parecida com esta. Dissemos, na ocasião, que a vida política de uma nação reflete os problemas da própria nação, as dificuldades e limitações que o povo ou cada um de nós traz em si mesmo. Assim, não podemos eleger políticos que não existem, mas somente aqueles que temos e que certamente fazem parte do povo. Contudo, temos de convir que, entre os políticos, como entre todos os segmentos da sociedade, existem pessoas bem e mal intencionadas, mas infelizmente o mal ainda predomina no seio da humanidade.


O progresso moral é muito mais espinhoso e demorado do que o progresso intelectual, pois reflete a realidade de cada um de nós. Temos imensa dificuldade de amar e, portanto, de participar na solução dos problemas da coletividade. Sem essa prática, demoramos muito para melhorar; e a sociedade mais ainda, pois a sociedade é o conjunto dos indivíduos. Os mais afoitos, e nem sempre os mais bem intencionados, procuram soluções e criam associações, como forma de ação organizada. Daí as instituições sociais, inclusive os partidos políticos. Mas essas instituições, como cada um de nós, estão eivadas de imperfeições e acabam refletindo, na prática, a fraqueza e a limitação de cada cidadão.


De um modo geral, as instituições - família, escola, igreja, partido político, clubes, associações, sindicatos, etc. – embora devessem servir de meio para defender a causa de todos, elas acabam tendo fim em si mesmas, e só trabalham em torno de interesses próprios. Mas isso por causa do egoísmo humano, ainda predominante no seio dessas instituições. Damos demasiado valor a nós próprios e somente ao que é nosso, contribuindo para que a sociedade seja mais competitiva do que cooperativa, mais egoísta do que solidária. Do mesmo modo, os partidos vivem se digladiando entre si para a conquista e manutenção do poder, deixando de trabalhar seriamente pelo interesse dos cidadãos, que deveria ser a meta maior.


Por outro lado, os Espíritos, que são os seres humanos desencarnados, também fazem parte da humanidade e, invariavelmente, estão envolvidos nos mesmos interesses. Os mais esclarecidos e moralmente superiores também encontram as mesmas dificuldades que os bons cidadãos e os bons políticos encontram aqui na Terra, para romper com as barreiras do egoísmo e os males da corrupção. Eles não têm poderes mágicos para transformar as pessoas, mas, com certeza, estão fazendo o máximo para influenciar a sociedade, no sentido de que uma concepção mais elevada1 de vida – onde predominem o amor e a solidariedade – possa se instalar um dia na Terra.



 

terça-feira, 12 de abril de 2022

COMO O FUTURO PODE SER ANTECIPADO; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

Uma dúvida que paira entre os que se aproximam do Espiritismo é quanto à possibilidade demonstrada pelos fatos de acontecimentos serem antecipados nas visões de algumas pessoas. É possível? Allan Kardec desenvolveu uma Teoria da Presciência em que explica isso. Reproduzida na REVISTA ESPÍRITA de maio de 1864, depois seria incluída na obra A GÊNESE lançada em 1868. De seus argumentos, destacamos um trecho para avaliação: - De conformidade com o grau de sua perfeição, pode um Espírito abarcar um período de alguns anos, de alguns séculos, mesmo de muitos milhares de anos, porquanto, que é um século em face do Infinito? Diante dele, os acontecimentos não se desenrolam sucessivamente, como os incidentes da estrada diante do viajor: ele vê simultaneamente o começo e o fim do período; todos os eventos que, nesse período, constituem o futuro para o homem da Terra são o presente para ele, que poderia então vir dizer-nos com certeza: Tal coisa acontecerá em tal época, porque essa coisa ele a vê como o homem da montanha vê o que espera o viajante no curso da viagem. Se assim não procede, é porque poderia ser prejudicial ao homem o conhecimento do futuro, conhecimento que lhe pearia o livre arbítrio, paralisá-lo-ia no trabalho que lhe cumpre executar a bem do seu progresso. O se lhe conservarem desconhecidos o bem e o mal com que topará constitui para o homem uma prova. Se tal faculdade, mesmo restrita, se pode contar entre os atributos da criatura, em que grau de potencialidade não existirá no Criador, que abrange o infinito? Para o Criador, o tempo não existe: o princípio e o fim dos mundos lhe são o presente. Dentro desse panorama imenso, que é a duração da vida de um homem, de uma geração, de um povo? Entretanto, como o homem tem de concorrer para o progresso geral, como certos acontecimentos devem resultar da sua cooperação, pode convir que, em casos especiais, ele pressinta esses acontecimentos, a fim de lhes preparar o encaminhamento e de estar pronto a agir, em chegando a ocasião. Por isso é que Deus, às vezes, permite se levante uma ponta do véu; mas, sempre com fim útil, nunca para satisfação da vã curiosidade. Tal missão pode, pois, ser conferida, não a todos os Espíritos, porquanto muitos há que do futuro não conhecem mais do que os homens, porém a alguns Espíritos bastante adiantados para desempenhá-la. Ora, é de notar-se que as revelações dessa espécie são sempre feitas espontaneamente e jamais, ou, pelo menos, muito raramente, em resposta a uma pergunta direta. Pode também semelhante missão ser confiada a certos homens, desta maneira: Aquele a quem é dado o encargo de revelar uma coisa oculta recebe, à sua revelia e por inspiração dos Espíritos que a conhecem, a revelação dela e a transmite maquinalmente, sem se aperceber do que faz. É sabido, ao demais, que, assim durante o sono, como em estado de vigília, nos êxtases da dupla vista, a alma se desprende e adquire, em grau mais ou menos alto, as faculdades do Espírito livre. 


Tem uma pessoa na minha família, um rapaz, que faz alguns anos foi atacado de crises nervosas. Ele foi levado a um psiquiatra e hoje continua fazendo tratamento mental, tomando medicamentos fortes. Quando a crise ataca, ele tem alucinações, vê coisas que não existem, até mesmo pessoas que querem matá-lo e, muitas vezes, se sente perseguido pelas pessoas da família. Um espírita me disse que ele deve ter uma obsessão muito pesada, porque é médium.que muitos doentes, que hoje estão nos hospitais psiquiatras, são apenas médiuns obsidiados. Como é possível tratar esse caso?


O problema não é tão simples como essa pessoa informou. Na verdade, segundo o Espiritismo, existem individuos apenas obsidiados e existem pessoas acometidas de doentes mentais. Geralmente uma coisa está associada a outra, porque os adversários do passado aproveitam a fragilidade da vítima para atacar. Todavia, Allan Kardec, desde o início do Espiritismo já chamava atenção para essa diferença, conforme podemos ler n’O LIVRO DOS ESPÍRITOS, questões 374 a 377. Naquela época, os desequilíbrios mentais ou emocionais eram conhecidos como loucura e, nesse capítulo, Kardec trata tanto dos casos de loucura como de deficiência mental, estes conhecidos como idiotismo.


A mediunidade, em regra, todo mundo tem, e é comum, passando por um transtorno emocional, a pessoa pode ter alucinações e até percepções mediúnicas, como ouvir vozes e ver Espíritos. Mas a mediunidade não é a causa da doença. A doença mental – que hoje tem várias denominações – tem outras causas. Quando não surge em virtude de um acidente, que provoca desarranjos no cérebro, ela pode vir de experiências encarnatórias anteriores, que altera o quimismo cerebral. É o que afirma o Espírito André Luiz, na sua série de livros “Nosso Lar”. Esse Espírito, inclusive, descreve a situação de pessoas que passam para o mundo espiritual, ainda acometidos de alienação mental.


A mediunidade não é causa de transtornos mentais ou de obsessão; é apenas uma faculdade humana. Ela pode fazer parte de um conjunto de vários fatores, mas, seguramente, não é causa específica da obsessão ou da enfermidade. O problema é bem anterior: deve-se ao passado e aos comprometimentos morais do individuo no passado, problemas que acabaram por causar certas disfunções cerebrais. Nos casos de esquizofrenia, por exemplo, que parece atingir a maior parte dos pacientes psiquiátricos, André Luiz considera o sentimento de culpa como um fator que é desencadeado desde o processo de reencarnação. A mediunidade mal conduzida pode causar certos transtornos, mas não a este ponto.


O paciente, acometido de um transtorno mental grave, precisa de atendimento médico, após os exames necessários e precisa também de atendimento espiritual. Enquanto os recursos terapêuticos da medicina atenuam a manifestação da doença, ele recebe uma cobertura espiritual que o protege, que lhe confere força moral e o defende de investidas de possíveis inimigos desencarnados, ajudando também a recuperar esses Espíritos.


segunda-feira, 11 de abril de 2022

CURIOSA VISÃO DA LEI DE AÇÃO E REAÇÃO; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Há livros cuja história precisa ser conhecida não só pela utilidade que tem, mas, também pela originalidade que envolveu sua concepção. Assim como O CONSOLADOR (1940, feb) sobre o qual já falamos noutra ocasião. Outro deles pertence ao substancial acervo construído através do médium Chico Xavier. Um dos cinco publicados no ano de 1963, embora, provavelmente, organizado no ano anterior pela data do prefácio: 17 de janeiro. Nasceu da proposição de questões em torno de dez temas propostos por um grupo de companheiros da Federação Espírita do Estado de São Paulo, segundo o autor espiritual Emmanuel, “desejosos de analisar o sofrimento humano em curso ligeiro de esclarecimento, à luz da Doutrina Espírita”. Daí o título LEIS DE AMOR (1963; feesp). Causas Espirituais das Doenças, Parentesco e Filiação, Escolha Social e Profissional, Divórcio, Suicídio, Aborto, Obsessão, Consequências do Passado, O tratamento das Doenças e o Espírito e Redenção, enfeixam um considerável número de perguntas e respostas sempre atuais. Para materializá-las no nosso Plano Existencial, o Orientador das atividades do médium Chico Xavier, aproveitou uma série de reuniões íntimas, convidando também o médico-médium Dr. Waldo Vieira, que responsabilizou pelos capítulos de números impares, neste que seria o décimo terceiro produziria junto ao médium de Pedro Leopoldo, visto que o intelectualizado amigo se afastaria das atividades espíritas tempos depois. Enaltecendo um dos aspectos observáveis na época – a multiplicação de escolas e cursos técnicos, estabelecimentos culturais e anfiteatros de ensino, em que perguntas e respostas sedimentam a renovação do mundo -, Emmanuel considera “natural transportemos igualmente a questão da dor para os recintos de aula, disciplina a examinar em regime de urgência”, certamente, diante não só do crescimento populacional do Planeta, como da multiplicidade de sofrimento enfrentados pelas criaturas humanas. Imaginava, como frisa no final do texto-apresentação do opúsculo, servisse o “obscuro ensaio para a instituição de cursos rápidos ou minuciosos, destinados à elucidação espírita, entre os homens, agora e no futuro”. Pelo que se vê, sua expectativa deve ter se frustrado, nos sugerindo uma reflexão: de que servem as orientações oferecidas pelos Amigos Espirituais? Ao longo de décadas de convivência com manifestações de Espíritos manifestando suas opiniões sobre problemas difíceis enfrentados por pessoas a quem se dirigem, suas palavras apenas sensibilizam superficialmente os mesmos, caindo o conteúdo em esquecimento quase de imediato. Massageiam EGOS. Apenas isso. O remédio para nossas doenças da alma mais eficiente é a dor, em doses contínuas. Alguns exemplos de respostas encontráveis no livro, por capítulo: (1) O erro de uma encarnação passada pode influir na encarnação presente, predispondo o corpo físico às doenças? De que modo?; (2) Qual a conexão entre a consanguinidade e o destino; (3) É a fatalidade que faz a pessoa escolher determinada profissão?; (4) Como interpretar as contrariedades e desgostos domésticos?; Como é encarado o divórcio nos Planos Superiores do Espírito?; Quais os resultados imediatos do aborto para as mães e pais que o praticam?; As criaturas que se suicidam, em razão das desilusões encontradas nas ligações afetivas, agravam os sofrimentos de outrem, além dos sofrimentos que elas próprias encontram? (5) Existe relação entre obsessão e correntes mentais?; (6) Como entender, na essência, as dívidas ou vantagens que trazemos de existências passadas? (7) O Espiritismo pode contribuir para o tratamento das doenças?; (8) Como redimiremos espiritualmente a nós mesmos?. Como se vê, uma obra que não pode permanecer ignorada.




Costumam dizer que a mulher é um Espírito mais evoluído que o homem. Mas como é que as grandes descobertas e realizações da humanidade são sempre feitas por homens e não por mulheres? (Nelson de Carvalho)


Não é difícil responder esta questão. Primeiramente, precisamos entender que tanto o homem quanto a mulher, ambos têm e sempre tiveram um papel importante na sociedade. Mas, historicamente, o que vem predominando no mundo, ao longo dos séculos, é a concepção de que o homem deve estar sempre à frente; isso, praticamente, em todos os povos. Desse modo, a mulher sempre ficou numa ação de retaguarda, sendo vítima de preconceitos, e, portanto, não tendo as oportunidades que o homem sempre teve.


Contudo, mesmo assim, o seu papel não foi menos importante. Além de ser mãe - que é a mais nobre missão que um ser humano pode exercer na Terra - em todas as grandes realizações a mulher sempre esteve presente, mas raramente apareceu. Quando não foi impedida, ela preferiu se calar, satisfeita com o fato de ter contribuído com o homem – filho ou marido - para as suas realizações.


Jesus – pouca gente sabe – foi um dos maiores, senão o mais ardoroso defensor dos direitos da mulher – isso, há 2 mil anos atrás, num povo e numa religião, que relegava a mulher ao último plano. Ele não só a defendeu, nos momentos cruciais, da investida furiosa de seus agressores, como a colocou ao seu lado, na grande jornada da redenção. Tanto assim que o movimento do Cristianismo primitivo – aquele que se seguiu aos seus ensinamentos – caracterizou-se pela presença maciça de mulheres, como nunca acontecera antes.


Para a Doutrina Espírita, todavia, o Espírito não é homem ou mulher. Podemos dizer que o Espírito pode estar homem ou mulher, dependendo da encarnação, pois tais condições dependem de suas necessidades de evolução e com as duas condições ele se completa e se realiza de uma forma integral. A mulher, quando predominam as experiências da sensibilidade, o lado mais sentimental e intuitivo da vida ( portanto, o que realmente nos dirige); o homem, quando predominam as ações e a objetividade.


Dizer, portanto, que a mulher esteve ausente do progresso da humanidade é desconhecer a sua participação ativa ao lado do homem, proporcionando-lhe as condições de afetividade e segurança para a conquista de suas metas. É por isso que se costuma dizer que “atrás de todo grande homem, há uma grande mulher”. Alguns, para não serem tão preconceituosos, preferem dizer “ao lado de todo grande homem, sempre há uma grande mulher”.


domingo, 10 de abril de 2022

ALLAN KARDEC E O CRITERIO PARA IDENTIFICAR BONS ESPÍRITOS E MÉDIUNS; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

Observa-se nesses tempos de comunicação rápida e fácil, grande quantidade de mensagens ditas espirituais tratando de posicionamentos diante das turbulências sociais típicas de uma fase de transição, aliás, como previstas no capítulo 18 do livro A GÊNESE, de Allan Kardec. Muitos se empolgam com seus conteúdos geralmente óbvios para os que estudam as crises da Humanidade da Terra sob o ponto de vista do Espiritismo. Fatos desse tipo, não eram incomuns ao tempo do surgimento da Doutrina Espírita. No número de julho de 1860 da REVISTA ESPÍRITA, Kardec analisa um caso, apresentando orientações sobre critérios que ele julga validos e dos quais extraímos algumas orientações sobre os ‘falsos profetas’ e os médiuns que os servem. Diz o Mestre: -“O que ainda é próprio desses Espíritos orgulhosos é a espécie de fascinação que exercem sobre seus médiuns, por meio da qual algumas vezes os fazem compartilhar dos mesmos sentimentos. Dizemos de propósito seus médiuns, porque deles se apoderam e neles querem ter instrumentos que agem de olhos fechados. De maneira alguma se acomodariam a um médium perscrutador ou que visse bem claro. Não se dá também o mesmo entre os homens? Quando o encontram, temendo que lhes escape, lhe inspiram o afastamento de quem quer que o possa esclarecer. Isolam-no de certo modo, a fim de poderem agir com inteira liberdade, ou só o aproximam daqueles de quem nada têm a temer. E, para melhor lhes captar a confiança, se fazem de bons apóstolos, usurpando os nomes de Espíritos venerados, cuja linguagem procuram imitar. Mas, por mais que façam, jamais a ignorância poderá simular o verdadeiro saber, nem uma natureza má a verdadeira virtude. O orgulho sempre se mostrará sob o manto de uma falsa humildade; e porque temem ser desmascarados, evitam a discussão e afastam seus médiuns. Entre os numerosos escritos publicados sobre o Espiritismo, sem dúvida alguns poderiam ensejar uma crítica fundada; mas não os pomos todos na mesma linha; indicamos um meio de os apreciar e cada um fará como entender. (...) A base de nossa apreciação: esta base será a lógica, da qual cada um poderá fazer seu próprio uso, pois não alimentamos a tola pretensão de lhe ter o privilégio. A lógica, com efeito, é o grande critério de toda comunicação espírita, como o é de todos os trabalhos humanos. Sabemos perfeitamente que aquele que raciocina de maneira errada julga ser lógico. Ele o é à sua maneira, mas apenas para si e não para os outros. Quando uma lógica é rigorosa como dois e dois são quatro, e as consequências são deduzidas de axiomas evidentes, o bom-senso geral cedo ou tarde faz justiça a todos esses sofismas. Acreditamos que as proposições seguintes têm este caráter: 1- Os Espíritos bons não podem ensinar e inspirar senão o bem; assim, tudo que não é rigorosamente bem não pode vir de um Espírito bom; 2- Os Espíritos esclarecidos e verdadeiramente superiores não podem ensinar coisas absurdas; assim, toda comunicação eivada de erros manifestos ou contrários aos dados mais vulgares da ciência e da observação, só por isso atesta a inferioridade de sua origem.


 

É verdade que, depois da morte, no mundo espiritual, a gente se arrepende de todos os pecados que cometeu?


Esse fato não acontece do mesmo modo para todo mundo, Elias. Mas existe uma forte possibilidade de sermos tocado por um sentimento de arrependimento, após ou até durante a desencarnação, pelo mal que fizemos ou pelo bem que deixamos de fazer. Essa é uma condição natural do ser humano. Assim como, chegando à idade madura e à velhice, nós costumamos reconsiderar o que fizemos na juventude - mudando, até mesmo, nossas atitudes e hábitos de vida diante das pessoas a quem ofendemos, depois da morte esse fenômeno ocorre ainda com mais intensidade.


Certa vez, em contato com o médium Carlos Baccelli, de Uberaba - médium que costuma receber dezenas de mensagens de entes queridos desencarnados para seus familiares - ele nos falou sobre isso. Disse, na ocasião, que a maioria dos Espíritos, que se comunicam com seus entes queridos, mostram-se arrependidos de muita coisa que fizeram. E, é claro, esses Espíritos sofrem por isso, pois todos nós sabemos que não existe nada tão sofrido quanto a dor moral, como o arrependimento e o sentimento de culpa.


Entretanto, Elias, devemos esclarecer que o arrependimento ou o grau de arrependimento depende da evolução moral de cada um. Assim, pode haver Espíritos, que não se arrependam de imediato pelo mal que praticaram, que demorem muito para se arrepender, mas isso é apenas uma questão de tempo. Cedo ou tarde, todos haveremos de nos enveredar pelo caminho do amor. Quanto mais desenvolvido o senso moral do individuo, mais depressa ele se arrepende dos erros cometidos e, ao contrário, quanto menos desenvolvimento é o senso moral, menos ele se arrepende.


Mas a evolução é uma lei da natureza, de modo que, mais cedo ou mais tarde – como dissemos - todos nós vamos passar pelo crivo do arrependimento. E que é o arrependimento? É o fato de a pessoa lamentar e sofrer pelo erro cometido e querer voltar atrás. Trata-se de uma manifestação de sua consciência moral e um indicio de um passo no seu crescimento espiritual. Assim, todo arrependimento acarreta um sofrimento, mas somente o arrependimento não resolve a situação do Espírito. De que vale a pessoa se arrepender do erro praticado e, depois, voltar a cometê-lo de novo!...


Mais do que arrepender-se, o Espírito precisa reparar o erro cometido, para se sentir quites com sua consciência. Por isso é que existe a reencarnação. Caso contrário, nunca mais teríamos oportunidade de nos reconciliar com a consciência, repondo o prejuízo causado ou desenvolvendo à vítima o que tiramos dela. Na trajetória de todos os Espíritos, estamos constantemente reparando ou tentando reparar o dano causado para nos livrar da culpa. Quando isso não acontece numa mesma encarnação – o que é mais difícil – acontece de uma para outra encarnação. Muitas vezes, aqueles a quem prejudicamos no passado, numa nova encarnação, vêm como nossos filhos ou dependentes, a quem nos dedicamos com especial desvelo.