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sábado, 9 de outubro de 2021

MAUS ESPÍRITOS; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 “Os Espíritos constituem todo um mundo, toda uma população que enche o espaço, circula ao nosso lado, mistura-se a tudo quanto fazemos. Se o véu que nô-los oculta viesse a ser levantado, nós os veríamos à nossa volta, indo e vindo, seguindo-nos ou nos evitando, conforme o grau de simpatia; uns indiferentes, verdadeiros desocupados do mundo oculto, outros muito ocupados, quer consigo mesmos, quer com os homens aos quais se ligam, com um propósito mais ou menos louvável, segundo as qualidades que os distinguem”. O comentário de Allan Kardec é amplamente autenticado por outro, o do físico Marcelo Gleiser no seu livro CRIAÇÃO IMPERFEITA (record) ao se referir visão da Teoria das Supercordas ao considerar que diz, “mesmo que as dimensões do espaço sejam imperceptíveis, são elas que determinam a realidade física em que vivemos”. Se pensarmos o nível de exposição às influências possíveis na atualidade pela desconexão que as pessoas vivem pelo afastamento dos assuntos da Espiritualidade, bem como, o desconhecimento sobre a realidade da revelação oferecida pelo Espiritismo, vale a pena avaliarmos o exposto no artigo que abre a edição de setembro de 1859 da REVISTA ESPÍRITA. Entre outras coisas, escreveu o autor da matéria sobre essas influências recíprocas do Mundo Espiritual ao Material e vice-versa: -“uma cópia perfeita do gênero humano, com suas boas e más qualidades, com suas virtudes e vícios. Esse envolvimento, ao qual não podemos escapar, já que não há recantos por demais ocultos que sejam inacessíveis aos Espíritos, exerce sobre nós e à nossa revelia, uma influência permanente. Uns nos impelem ao bem, outros ao mal; muitas vezes as nossas determinações resultam de suas sugestões; felizes daqueles que têm juízo suficiente para discernir o bom ou o mau caminho por onde nos procuram arrastar. Considerando-se que os Espíritos nada mais são que os próprios homens despojados de sua indumentária grosseira, ou almas que sobrevivem aos corpos, segue-se que há Espíritos desde que há seres humanos no Universo”. Tratando do fator desencadeador de qualquer processo de envolvimento e influencia observa: -“Antes de tudo podemos estabelecer como princípio que os Espíritos maus não aparecem senão onde alguma coisa os atrai. Portanto, quando se intrometem nas comunicações, é que encontram simpatias no meio onde se apresentam ou, pelo menos, lados fracos que esperam aproveitar; em todo caso, porque não encontram uma força moral suficiente para os repelir. Entre as causas que os atraem, é preciso colocar em primeira linha as imperfeições morais de qualquer natureza, porque o mal simpatiza sempre com o mal”. Como orientação para nos precavermos contra as más influências, devemos refletir sobre o seguinte: -“A primeira coisa é não os atrair e evitar tudo quanto lhes possa dar acesso. Como vimos, as disposições morais são uma causa preponderante. Todavia, abstração feita dessa causa, o modo empregado não deixa de ter influência. (...). Ora, se nos recordarmos do que já dissemos sobre a variada e numerosa população dos Espíritos que nos cercam, compreenderemos sem dificuldade que isso seria colocar-nos à mercê do primeiro que viesse, bom ou mau. E como nessa multidão há mais Espíritos maus do que bons, existe mais oportunidade para os maus, exatamente como se abríssemos a porta a todos os passantes da rua”., (...) Os bons chegam mesmo a permiti-lo para exercitar a nossa sagacidade em reconhecê-los, mas não terão nenhuma influência”.



Como é possível, no mundo espiritual, existirem florestas, animais, água e tudo o mais que André Luiz descreve em seus livros? Onde estão essas paisagens, que nós não vemos? Entre a Terra e o céu? No espaço?


Não é fácil explicar como é o mundo espiritual, justamente porque nós, seres humanos, na condição de Espíritos encarnados, não o percebemos. Nossos sentidos - a visão, a audição, o tato, o olfato e o paladar – não foram feitos para isso: eles existem para que percebamos apenas o mundo material mais próximo, ou seja, esta parte material do mundo em que vivemos. Assim mesmo, por mais aguçado sejam esses sentidos, hoje está provado que também não percebemos muita coisa e muitos fenômenos que ocorrem neste mundo físico. Por exemplo: nossos olhos não vêem a cor ultravioleta e nossos ouvidos não registram os chamados infra-sons e ultra-sons, que os cães ( por exemplo) percebem.


Assim, também, não é fácil descrever o que é um sentimento, como a tristeza, por exemplo. Sabemos que a tristeza existe, que está em nós, mas como dizer o que ela é. Nós a transmitimos através de nossas expressões, de nossos gestos, mas como vamos dizer exatamente o que ela é? É que os sentimentos não coisas materiais – que podemos ver, ouvir, tocar ou cheirar. Só podemos senti-los. Eles apenas podem se expressar através de nossos gestos, atitudes e comportamento. Do mesmo modo, até mesmo um médium que possa visualizar uma cena do mundo espiritual, ele só poderá dizer o que está vendo, mas não saberá dizer sobre a natureza daquele mundo.


Uma pessoa, que nasceu cega , afirma Kardec, não tem a noção do que seja a luz. Por mais que possamos dizer o que a luz é, ela, no máximo, poderá fazer uma pálida idéia do que estamos falando, de acordo com seus outros sentidos e o que passo ser criado em sua mente, através da imaginação. Igualmente nos acontece em relação ao mundo espiritual, que não vemos. André Luiz, ao descrever o que existe do outro lado da vida, diz encontrar muita dificuldade para expressar o que realmente vê; por isso ele descreve por comparações. Nós só vamos ter uma noção mais precisa do mundo espiritual quando estivermos nele e, assim mesmo, depois de certo tempo de adaptação às novas condições desse mundo..


Entretanto, os Espíritos orientadores têm feito de tudo para nos transmitir noções da Espiritualidade, das quais podemos ter, apenas, pálidas noções. Sabemos, no entanto, que o mundo espiritual para os Espíritos é tão concreto e real como o mundo material para nós. Praticamente tudo o que existe aqui existe lá. Logo, a natureza, que percebemos, não é toda a natureza que realmente existe. Do mesmo modo que, ao descrevermos uma pessoa, apontamos apenas os seus dotes físicos e não sua alma, assim também só apreciamos um aspecto da natureza, que é o aspecto material. Se você reler com mais atenção as obras de André Luiz, vai entender com mais profundidade de que estamos falando.


André Luiz, o notável repórter espiritual, deixa claro que o mundo dos Espíritos – ou seja, a dimensão do mundo que não vemos – é semelhante ao nosso, ou melhor, está integrado no nosso como um único mundo. Por isso, quando o Espírito desencarna – deixando os sentidos físicos e passando a usar seus sentidos espirituais – ele percebe um mundo semelhante ao que via quando encarnado. E é até comum que muitos, que já desencarnaram, nem percebam que já estão do outro lado, tal a semelhança entre um mundo e outro.









sexta-feira, 8 de outubro de 2021

MEDO; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Medo de crescer, medo do castigo dos pais, medo do resultado da prova para qual não se estudou, medo do vestibular, medo de viver, medo de morrer, medo da solidão, medo da separação, medo da perda de alguém querido, medo do desemprego, medo, medo, medo... Embora nem sempre verbalizado, sensações como as elencadas, ocorrem na vida da maioria das pessoas. Fatores os mais variados podem ser apontados como determinantes de tais vivencias. Trata-se, naturalmente, de repercussões exteriores dos conflitos interiores que refletem a condição momentânea dos Espíritos em evolução. O problema ultrapassa as barreiras vibratórias que delimitam o chamado Plano Material. Tanto que na obra NOSSO LAR, o médico identificado como André Luiz espanta-se quando a Benfeitora Narcisa fala no capítulo 42, sobre organizar programas com exercícios adequados contra o medo a serem utilizados nas novas escolas de assistência no Auxílio e núcleos de adestramento na Regeneração. O objetivo era o adestramento coletivo de trinta mil trabalhadores adestrados no serviço defensivo da Colônia que contava à época (1939) cerca de um milhão de abrigados. Em comentário específico, Narcisa explicou ser “elevada a porcentagem de existências humanas estranguladas simplesmente pelas vibrações destrutivas do terror, tão contagioso como qualquer moléstia de perigosa propagação. Classificamos o medo como dos piores inimigos da criatura, por alojar-se na cidadela da alma, atacando as forças mais profundas”. A preparação urgente de tão grande número de colaboradores para proteger a Colônia devia-se às ameaças decorrentes dos efeitos da grande Guerra que se iniciava em nossa Dimensão, gerando vibrações mento-emocionais de insegurança e intranquilidade dos encarnados e desencarnados atingidos direta ou indiretamente pelas mesmas. O problema do medo também se manifesta entre os que se preparam para voltar para o Plano em que nos encontramos, como revelado na abordagem do caso incluído no livro MISSIONÁRIOS DA LUZ (feb,1945). Vencidas dificuldades operacionais para possibilitar a reencarnação de um personagem apresentado como Segismundo, o mesmo mergulha num clima de medo diante do programa que preparado para que ele se liberasse de comprometimentos assumidos passionalmente num relacionamento afetivo com mulher comprometida um século antes, exigindo a assistência terapêutica do Instrutor Alexandre a fim de não frustrar os planos em andamento. Em outras abordagens André Luiz expõe situações de medo resultante de desequilíbrios causados por processos de influenciação espiritual conhecidos entre os estudiosos da mediunidade como obsessão, causada pela presença e influência de desencarnados ligados a encarnados com eles comprometidos em outras encarnações, o que facilita até certo ponto a ação dissimulada pelo sem fio do pensamento invariavelmente vulnerável pela falta de postura mental mais equilibrada por parte da “vítima”. O Espírito Emmanuel através de Chico Xavier faz apreciações curiosas sobre a origem do medo em nós. Tecendo algumas reflexões sobre a o versículo dez do capítulo dois do APOCALIPSE do Apóstolo João“Nada temas das coisas que hás de padecer” -, diz que o sofrimento de muitos homens, na essência, é muito semelhante ao do menino que perdeu seus brinquedos. Numerosas criaturas sentem-se eminentemente sofredoras, por não lhes ser possível a prática do mal; revoltam-se outras porque Deus não lhes atendeu aos caprichos perniciosos”, concluindo: -“Não temamos, pois, o que possamos vir a sofrer. Deus é o Pai magnânimo e justo. Um pai não distribui padecimentos. Dá corrigendas e toda corrigenda aperfeiçoa”.


A gente vê que os políticos só estão interessados neles mesmos e é isso que acarreta tão sofrimento para o povo. Até quanto vamos ter de agüentar tudo isso? Será que os Espíritos Superiores não podem fazer alguma coisa para mudar essa situação? (Alexandre)


Recentemente, respondemos uma pergunta parecida com esta. Dissemos, na ocasião, que a vida política de uma nação reflete os problemas da própria nação, as dificuldades e limitações que o povo ou cada um de nós traz em si mesmo. Assim, não podemos eleger políticos que não existem, mas somente aqueles que temos e que certamente fazem parte do povo. Contudo, temos de convir que, entre os políticos, como entre todos os segmentos da sociedade, existem pessoas bem e mau intencionadas, mas infelizmente o mal ainda predomina no seio da humanidade.


O progresso moral é muito mais espinhoso e demorado do que o progresso intelectual, pois reflete a realidade de cada um de nós. Temos imensa dificuldade de amar e, portanto, de participar na solução dos problemas da coletividade. Sem essa prática, demoramos muito para melhorar; e a sociedade mais ainda, pois a sociedade é o conjunto dos indivíduos. Os mais afoitos, e nem sempre os mais bem intencionados, procuram soluções e criam associações, como forma de ação organizada. Daí as instituições sociais, inclusive os partidos políticos. Mas essas instituições, como cada um de nós, estão eivadas de imperfeições e acabam refletindo, na prática, a fraqueza e a limitação de cada cidadão.


De um modo geral, as instituições - família, escola, igreja, partido político, clubes, associações, sindicatos, etc. – embora devessem servir de meio para defender a causa de todos, elas acabam tendo fim em si mesmas, e só trabalham em torno de interesses próprios. Mas isso por causa do egoísmo humano, ainda predominante no seio dessas instituições. Damos demasiado valor a nós próprios e somente ao que é nosso, contribuindo para que a sociedade seja mais competitiva do que cooperativa, mais egoísta do que solidária. Do mesmo modo, os partidos vivem se digladiando entre si para a conquista e manutenção do poder, deixando de trabalhar seriamente pelo interesse dos cidadãos, que deveria ser a meta maior.


Por outro lado, os Espíritos, que são os seres humanos desencarnados, também fazem parte da humanidade e, invariavelmente, estão envolvidos nos mesmos interesses. Os mais esclarecidos e moralmente superiores também encontram as mesmas dificuldades que os bons cidadãos e os bons políticos encontram aqui na Terra, para romper com as barreiras do egoísmo e os males da corrupção. Eles não têm poderes mágicos para transformar as pessoas, mas, com certeza, estão fazendo o máximo para influenciar a sociedade, no sentido de que uma concepção mais elevada1 de vida – onde predominem o amor e a solidariedade – possa se instalar um dia na Terra.


quinta-feira, 7 de outubro de 2021

VALIDO REVER PARA REFLETIR; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

Descortinando o desconhecido Mundo Espiritual e suas interações com este em que vivemos momentaneamente, Allan Kardec identifica e define a mediunidade como o instrumento que possibilita as influências recíprocas entre as diferentes Dimensões. Esclarece também que as relações entre os Espíritos encarnados e desencarnados pode se transformar nas perturbações chamadas obsessão que podem ser individuais ou verdadeiras epidemias coletivas atingindo desde famílias até parte da população de cidades como o caso de Morzine, na Alta Saboia. Na edição de fevereiro de 1865 da REVISTA ESPÍRITA, encontra-se interessante matéria explicando o fenômeno denominado Ramanenjana que se abateu sobre parte da população do País conhecido como Madagascar, que culminou no atentado que matou o príncipe Radama II. Ramanenjana significa tensão, exprime uma estranha doença que, de início, se manifestou ao sul de Emirne. A princípio era apenas um vago rumor que circulava entre o povo. Noticiava-se que numerosos grupos de homens e mulheres, acometidos por uma afecção misteriosa, subiam do sul para a capital, para falar ao rei, da parte de sua mãe (o Espírito da Rainha). Dizia-se que tais grupos se encaminhavam em pequenas jornadas, acampando cada noite nos vilarejos e engrossando, ao longo do caminho, com todos os recrutas que fazia na sua passagem. (...). Esta doença age especialmente sobre os nervos, neles exercendo uma pressão tal que logo provoca convulsões e alucinações, das quais apenas se dá conta do ponto de vista da ciência. Os que são atingidos sentem, inicialmente, violentas dores na cabeça, na nuca e depois no estômago. Ao cabo de algum tempo começam os acidentes convulsivos; é então que os vivos entram em comunicação com os mortos: veem a rainha Ranavalona, Radama I, Andrian Ampoinemerina e outros, que lhes falam e lhes dão incumbências. A maior parte dessas mensagens é dirigida a Radama II. Os Ramanenjana parecem especialmente enviados para a velha Ranavalona, para dar a entender a Radama que ele deve voltar ao antigo regime, fazer cessar a prece, expulsar os brancos, interditar os porcos na cidade santa, etc., etc; caso contrário, grandes desgraças o ameaçam, e que ela o renegará como seu filho. Pronunciando-se a respeito Allan Kardec escreve:- “Esses fenômenos são o resultado de uma obsessão, ou possessão coletiva, verdadeira epidemia de Espíritos maus, como se produziu ao tempo do Cristo e em muitas outras épocas. Cada população deve fornecer ao Mundo Invisível ambiente Espíritos similares que, do espaço, reagem sobre essas mesmas populações, das quais, devido à sua inferioridade, conservaram os hábitos, as inclinações e os preconceitos. Os povos selvagens e bárbaros estão, pois, cercados por uma massa de Espíritos ainda selvagens e bárbaros, até que o progresso os tenha levado a se encarnarem num meio mais adiantado”. Referenda seu parecer reproduzindo uma comunicação espiritual psicografada pela médium Sra Delanne, na sequencia da reunião de 12 de janeiro de 1865, assinado por entidade presente que acompanhou a leitura e debates em torno do fato. Entre outras coisas diz: -“Essas alucinações, não passam de uma obsessão, embora de caráter diferente do das que conheceis. Aqui é uma obsessão coletiva, produzida por uma plêiade de Espíritos atrasados que, tendo conservado suas antigas opiniões políticas, vêm tentar perturbar os seus compatriotas, por meio dessas manifestações, a fim de que estes últimos, tomados de pavor, não ousem apoiar as ideias de civilização que começam a implantar-se nesses países onde o progresso começa a despontar. Os Espíritos obsessores que impelem essa pobre gente a tantas manifestações ridículas são os dos antigos malgaxes, furiosos, repito, por verem os habitantes dessas regiões admitindo as ideias de civilização, que alguns Espíritos adiantados, encarnados, têm a missão de implantar entre eles. (...) É toda uma população de antigos Espíritos atrasados, que veem com despeito sua pátria sofrer a influência do progresso. Não tendo progredido, eles próprios buscam entravar a marcha da Providência”. 



Eu gostaria que vocês me dissessem como que uma pessoa, que diz seguir Cristo, vira a cara para um parente, só porque esse parente tem outra religião e não quer aceitar a sua? Religião não é coisa de Deus? Não deveria unir as pessoas e não separá-las?


Não temos nenhuma dúvida quanto a isso, prezada ouvinte. Ainda mais se tratando de seguir Jesus... Ora, se alguém não reconhece como irmão um seu parente ou familiar, só porque ele tem outra crença, no mínimo, não está sendo coerente com aquilo que sua própria religião ensina ou deveria ensinar. Jesus, que era judeu desde o nascimento, não desprezou e nem amaldiçoou nenhuma forma de crer, nem mesmo a dos fariseus ou dos samaritanos. Ele combateu, sim, as más atitudes, o mau comportamento, mas não por causa da religião, mas pelo fato de essas pessoas não seguirem os preceitos morais da religião.


Jesus, ao contrário, ensinou a linguagem universal do amor, do amor que não conhece fronteiras, que é capaz de ver a todos como irmãos, filhos de Deus. Desse modo, qualquer religioso, que diz seguir Jesus, tem a obrigação moral de seguir os preceitos que ele ensinou, conforme lemos no Sermão da Montanha. Dentro da concepção do Cristo, conforme está bem claro nos evangelhos, nem mesmo os inimigos - que são aqueles que nos querem mal - podem ficar livre do nosso amor, quanto mais aqueles com quem convivemos, no dia-a-dia, e que pertencem o ao circulo mais intimo de nossas relações.


A verdadeira religião é a que está no coração de cada criatura – e não apenas nos seus lábios, conforme disse Jesus – e ela consiste na vivência do amor incondicional, do amor fraterno, que não conhece barreiras, porque Deus é amor. Na parábola do samaritano – nem o sacerdote e nem o levita, que eram fervorosos adoradores – agiram com amor em relação ao desconhecido, que se encontrava ferido na estrada. Só o samaritano, tido como um herege, foi capaz de externar esse amor ao seu semelhante, sem perguntar quem ele era ou que religião tinha. Jesus considerou essa atitude do samaritano como única e verdadeira religião, e não aquela que só existe por fora, na hora do culto, mas não está no interior das pessoas no dia-a-dia.


Portanto, cara ouvinte, nós todos devemos ter muito cuidado para não termos da religião senão o rótulo. Como Jesus ensinou, vale mais um ato de amor de um homem sem religião do que todos os atos de arrogância e preconceito daqueles que se dizem religiosos, mas estão contaminados pelo orgulho e pela presunção de que são donos exclusivos da verdade. Quanto a nós, que já sabemos disso, cabe-nos a humildade de compreender os que ainda não atingiram esse nível de compreensão da vida e saber entender que, um dia, eles chegarão lá.


quarta-feira, 6 de outubro de 2021

MAIORIDADE PENAL- PONTOS A REFLETIR; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 - “Hoje ouvimos falar de muitos crimes cometidos por meninos de 10, 14 anos. Deveríamos tratar de códigos que dessem a maioridade aos 14 anos. A criança é chamada a memorizar as suas vidas passadas muito depressa, motivada pela televisão, etc. Precisávamos da criação de leis que ajudem a criança a não se fazer delinquente nem viciada. O Governo não pode ser responsável por todas as nossas modalidades de penúria; não podemos exigir que nossos ministros venham a fazer intervenções em nossas vidas familiares. O problema da penúria é nosso. (...). Não temos uma disposição muito ativa em torno da criança considerada desvalida. Nós fazemos distribuições anuais, mas nos esquecemos que criança, almoça todo dia, estuda todo dia, toma banho todo dia”. Por incrível que possa parecer a opinião pertence ao médium Chico Xavier, tendo sido expressa ainda nos anos 80 do século 20, portanto, bem antes dele desencarnar, tendo sido preservada como o fragmento 261 do livro O EVANGELHO DE CHICO XAVIER (Didier), organizado por Carlos Antonio Baccelli. Ainda estavam longe os tristes registros de extrema violência praticada pelos chamados menores de idade, especialmente nas últimas semanas. Suas considerações encontram correspondência noutra avaliação expressiva: -“Uma sociedade decadente tem certamente necessidade de leis mais severas; infelizmente essas Leis se destinam antes a punir o mal praticado do que a cortar a raiz do mal. Consolida seu parecer com as seguintes palavras: -“Somente a educação pode reformar os homens, que assim não terão mais necessidade de leis tão rigorosas”. Nos eventos recentes, observa-se que como traço comum além da violência, o sexo e as drogas. Quando Chico Xavier comenta que “a criança é chamada a memorizar as suas vidas passadas muito depressa, motivada pela televisão”, ainda não estavam liberadas as imagens de estupros, mortes gratuitas, prostituição, etc, como ocorre hoje na chamada TV aberta, que através dessas situações disputa avidamente a atenção do publico que lhe rendera dividendos amparados por alguns pontos mais nas pesquisas de opinião publica realizadas continuamente para medir o interesse por este ou aquele assunto. Uma análise do perfil dos envolvidos certamente confirmará a precariedade das relações familiares em meio às quais renasceram e vivem. Educação é palavra desconhecida por aqueles que os trouxeram ao mundo. A Educação pública é tema apenas cogitado nas pretensões eleitoreiras sem se tornar efetivamente prioridade de legisladores e governantes. Sobra a educação das ruas, dos traficantes, dos integrantes de lares onde nada mais são que órfãos de pais vivos. Necessário despertar a consciência dos multiplicadores de opinião iludidos muitas vezes com discursos proferidos por indivíduos astutos que apenas se servem dos exemplos negativos que sempre existiram a fim de tomar-lhes o lugar e se locupletarem de poder e vantagens econômicas. A situação atual confirma o observado pelo intelectual e educador francês Denizard Hippolite Léon Rivail, ou simplesmente Allan Kardec, mais de um século antes, quando escreveu que “quando se pensa na massa de indivíduos diariamente lançados na corrente da população, sem princípios, sem freios, entregues aos próprios instintos, deve-se admirar das consequências desastrosas desse fato? Quando essa arte (EDUCAÇÃO MORAL) for conhecida, compreendida e praticada, o homem seguirá no mundo os hábitos de ordem e previdência para si mesmo e para os seus, de respeito pelo que é respeitável, hábitos que lhe permitirão atravessar de maneira menos penosa os maus dias inevitáveis. A desordem e a imprevidência são duas chagas que somente uma educação bem compreendida pode curar. Nisto está o ponto de partida, o elemento real do bem estar, a garantia da segurança de todos”. Ante essas observações, não é difícil concluir que quaisquer mudanças somente serão alcançadas por políticas de médio prazo. Mais uma vez temos que concordar com Allan Kardec: -“A desordem e a imprevidência são duas chagas que somente uma educação bem compreendida pode curar. Nisto, está o ponto de partida, o elemento real do bem estar, a garantia da segurança de todos”. Suas palavras, contudo continuam ignoradas, perdidas no vazio das teorias e defesas sem real interesse pela solução dos problemas que certamente se multiplicarão e agravarão avassaladoramente. Assim como começamos, terminamos com outro relato depoimento de Chico Xavier baseado nas suas experiências pessoais: -“Às sextas e sábados, ouço habitualmente nas duas noites, 500 a 800 pessoas, sendo que 60 por cento nos trazem problemas perfeitamente evitáveis. Se essas criaturas tivessem tido cuidado de educarem seus filhos, conversando sobre Deus, em respeito a Deus, em trabalho, ensinando o serviço... Quando cercam a criatura aos 28 anos, ela já está perdida”.


Vi, na televisão, que os pressentimentos acontecem, porque o cérebro tem uma região que prevê acontecimentos futuros. Quando um desses acontecimentos ocorre de verdade – e isso acontece muito raramente – é quando se dá o pressentimento. Neste caso, não se trata de uma faculdade do espírito, mas de uma função cerebral. (Comentário de um ouvinte)


Não é novidade nenhuma que eu, você – todos nós - podemos prever acontecimentos futuros. Trata-se de uma capacidade humana, ligada ao raciocínio e à memória. Aliás, é o que fazemos todos os dias. A grande maioria dos fatos que vão acontecer amanhã, por exemplo, todos nós já sabemos, porque a vida é uma rotina e os fatos se repetem diariamente quase que do mesmo jeito, assim como acontece com os fatos naturais – como o nascer e o pôr do sol todos os dias. O problema está em prever o imprevisto, ou seja, aquilo que está bem longe de qualquer cogitação.


A explicação dos materialistas para o fenômeno chamado pressentimento ou premonição é a de que, diante de uma expectativa, o cérebro é capaz de levantar uma série infindável de possibilidades. Alguns deles, em determinadas ocasiões, podem surgir como forma de intuição e, quando essa intuição se confirma de fato, dizemos que houve premonição. Por exemplo: uma pessoa vai viajar de avião. Ela ou um amigo da família sonha que o avião cai, provocando a morte dos passageiros. Sabendo disso, a pessoa não viaja, e o desastre acontece.


A explicação materialista diz que isso aconteceu porque a pessoa estava com medo de viajar, e aventou em sua mente a possibilidade do acidente, mesmo de forma inconsciente, surgindo logo depois uma forte impressão. Isso fez com que ela desistisse da viagem. O avião poderia não cair, mas como caiu, deu-se a premonição. Entretanto, isso não aconteceria frequentemente; pelo contrário, isso ocorreria raramente, porque se trata de uma possibilidade remota: talvez uma em um milhão. O que, de fato aconteceu?


Do ponto de vista espírita e da própria Parapsicologia, essa pode ser uma explicação, mas não para todos os casos: existe também o fato premonitório paranormal, ou seja, extra-cerebral, como uma faculdade inerente ao Espírito ou à mente. Um fato simples, como a queda de um avião, até poderia ter uma explicação apenas cerebral, mas o que dizer daquelas premonições que se referem a situações bem complexas, que implicam em vários acontecimentos, totalmente imprevistas ( ou seja, fora de qualquer probabilidade), que não poderia estar nas cogitações ou na preocupação da pessoa? Os anais do Espiritismo tem muito a mostrar nesse sentido.


Contudo, é bom que se diga que existe hoje uma onda de materialismo sendo propagada nos meios científicos e acadêmicos, e na televisão. Dentro de uma universidade, o ateísmo está na moda ( já é “chic” dizer-se ateu); e muitos jovens, que não tiveram a necessária formação religiosa na família, acabam aderindo facilmente a esse tipo de pensamento, antes de estudar com mais profundidade as implicações científicas, tanto dos fenômenos ditos paranormais quanto dos fenômenos espíritas. Se as religiões não tomarem cuidado, elas acabarão sendo devoradas por essa onda materialista. O Espiritismo, no entanto, tem respostas obvias para todas essas questões, e muitas obras a respeito.






terça-feira, 5 de outubro de 2021

INFORMAÇÕES QUE SE COMPLETAM; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 O legado cultural deixado por Hermínio Correia de Miranda é de valor incalculável. Pesquisador criterioso, escritor competente, construiu obras com conteúdo inigualável. Uma delas, AS DUAS FACES DA VIDA (lachâtre), prefaciada no Natal de 2004, reúne, entre outros, artigo dividido em duas partes intitulado O MÉDIUM DO ANTICRISTO. O foco principal é uma das figuras mais representativas do período de mudanças espirituais pelo qual passa a Terra: Adolf Hitler. Parte, como era sua característica, de livros com conteúdo confiável. Um deles, O jovem Hitler – a História de nossa amizade de August Kubizek, que como sugerido pelo título foi muito próximo do polêmico líder alemão. Outro, A Lança do Destino, do escritor inglês Trevor Ravenscroft, amigo pessoal do Dr Walter Johannes Stein, cientista e doutor em Filosofia, que emigrou durante a Segunda Guerra para a Inglaterra, onde exerceu o cargo de assessor-especial de Winston Churchill para assuntos relacionados à personalidade de Hitler. Vasculhando e “garimpando” tais obras Hermínio destaca informações como: aos 15 anos, Hitler, de pé, agarra emocionado as mãos de Kubizek, com olhos esbugalhados e fulminantes, pronunciando uma enxurrada de palavras excitadas, desordenadamente, invocando em grandiosos e inspirados quadros, o seu próprio futuro e de seu povo, falando sobre um mandato que, um dia receberia do povo para lidera-lo da servidão aos píncaros da liberdade, missão especial que em futuro seria confiada a ele; que ele cria-se reencarnação de Tibério, um dos mais sinistros dos Césares; que por indução de um místico, descobriu em visões fantásticas ser reencarnação de Landulf de Cápua, um príncipe medieval que teria passado muitos anos no Egito, estudando magia negra e astrologia, considerado a figura mais infame do século 9, a terceira pessoa do reino do Imperador Luís II; que Goering dizia com orgulho, que sempre se encarnou ao lado do Fuhrer; que Goebbels, o ministro da propagando nazista, acreditava ter sido Eckbert de Meran, bispo de Bamberg, no século 13, que teria apresentado Klingsor,( outra encarnação anterior de Hitler) ao rei André da Hungria; que um dos orientadores da carreira construída por Hitler foi um oficial do exército chamado Dietrich Eckhart, um dos sete fundadores do Partido Nazista, adepto das artes e rituais da magia negra e figura central de um poderoso a amplo círculo de ocultistas : o Grupo Thule, que o Kaiser costumava dizer “não ter vindo ao mundo para tornar o homem melhor, mas para utilizar-me de suas fraquezas” e que, determinado a cumprir sua missão a qualquer preço, afirmou que “jamais capitularemos. Poderemos ser destruídos, mas se o formos, arrastaremos o mundo conosco – um mundo em chamas”. Hermínio, conclui que “estudando, hoje a história secreta do nazismo, não nos resta dúvida de que Adolf Hitler e vários de seus principais companheiros desempenharam importante papel na estratégia geral de implantação do reino das trevas na Terra, num trabalho gigantesco que, obviamente, tem a marca inconfundível do Anticristo”. Em 1982, o Espírito Miramez, através do médium João Nunes Maia concluía o livro FRANCISCO DE ASSIS (fonte viva), narrando importantes fatos envolvendo o importante líder cristão da Itália. No capítulo 2, revela ter sido o jovem Bernardone, reencarnação do Apóstolo João, recambiado à nosso Dimensão na tentativa de recolocar o Cristianismo no foco da espiritualização das criaturas humanas. E conta que, em desdobramento, João teria tido a visão dos acontecimentos no Mundo Espiritual, antes que ele mesmo nascesse, preparando a psicosfera planetária para a prevista reencarnação de Jesus. Soube que cerca de dois bilhões de Espíritos inferiores, cuja animalização atingia até as raias do impossível, foram paulatinamente afastados para região onde suas vibrações e ações causassem menor perturbação na atmosfera espiritual do Planeta. Ali, por determinações superiores, ficariam contidos, por mil anos, como dito no APOCALIPSE, após o que seriam liberados.


Existe alguma comprovação científica, apresentada por algum pesquisador idôneo, que prove a existência do Espírito? Quem teria feito essa prova? Allan Kardec?


A questão não é tão simples assim, caro ouvinte. O saudoso professor Henrique Rodrigues, espírita e parapsicólogo, costumava dizer que “se prova convencesse, médico não fumava”. Quem pode saber mais que o médico dos efeitos nocivos do fumo? No entanto, muitos médicos ainda fumam.. A prova só convence quem quer se convencer; o resto depende do tempo, do amadurecimento da idéia e o desenrolar dos fatos. Não são poucos os pesquisadores que se detiveram em estudos com médiuns e fenômenos mediúnicos, demonstrando a existência do Espírito. Poderíamos citar dezenas deles – e isso desde meados do século XIX.


Mas esses homens jamais foram ouvidos pela maioria materialista que, além de discordarem das conclusões a que esses chegaram, também se negaram a realizar qualquer estudo sério a respeito. Contudo, nós sabemos que a verdade não é algo tão simples de se alcançar. Ela tem um preço – às vezes, muito alto, pois a verdade costuma ir contra os interesses dos poderosos e, nesse caso, eles são capazes de entravar qualquer marcha para desvendá-la. Muitas das verdades científicas, que hoje proclamamos, já tinham sido anunciadas há séculos, mas seus anunciadores, além de não serem ouvidos na época, foram criticados, quando não, perseguidos, difamados, caindo em descrédito.


Veja um parco exemplo, o de Robert Hooke. Quem foi Robert Hooke? Foi o primeiro cientista que, em pleno século 17 ( portanto, há mais de 400 anos atrás), anunciou a descoberta da célula, como unidade fundamental na formação dos tecidos vivos, tanto animal como vegetal. Acreditaram no Hooke? Certamente, não. Ele não só foi desacreditado, como passou a ser ridicularizado por isso. Entretanto, meu caro, só muito depois de sua morte é que uma nova pesquisa confirmou o que Hooke estava com a razão e seus detratores, errados.


O mesmo aconteceu no século XIX com Grégor Mendel, um monge agostiniano, o pai da Genética, que morreu desacreditado e decepcionado – e mais do que isso, tomado por uma insidiosa depressão - duramente criticado por religiosos e cientistas, depois de ver todo o seu trabalho de anos e anos de dedicação, relegado e jogado ao lixo. Só anos depois de sua morte é que dois biólogos, percebendo o que Mendel descobrira, redescobriram as leis da hereditariedade e, então, com muita honestidade, resolveram reconhecê-lo como o verdadeiro autor da idéia. A história está cheio disso. Galileu quase foi executado porque defendia que a Terra não era o centro do universo, que havia montanhas na Lua e manchas no Sol. A Igreja só recentemente reconheceu o erro que cometeu contra Galileu - 400 anos depois.


No mundo atual existe um número considerável pesquisadores em todo o mundo, buscando evidenciar a realidade do Espírito. Basta entrar na “internet” e você vai ver. No entanto, quase sempre, eles são deliberadamente ignorados pelos meios acadêmicos, porque não professam a mesma crença materialista predominante. Todavia, esses estudiosos não são alvo de interesse dos grupos econômicos, que investem milhões de dólares apenas em pesquisas que dão retorno financeiro. Então, esses abnegados idealistas pesquisam por conta própria e, é claro, sem as condições ideais de trabalho. A verdade é assim, sempre difícil. Ela não se expõe facilmente e depende, sobretudo, do amadurecimento da humanidade.


segunda-feira, 4 de outubro de 2021

PROBLEMA DIFÍCIL DE RESOLVER; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Em entrevista concedida ao Espírito André Luiz em Paris em 20 de agosto de 1965, reproduzida no livro ENTRE IRMÃOSDE OUTRAS TERRAS (feb, 1965), o pioneiro Gabriel Dellane ao ser questionado sobre onde estariam os percalços maiores para a expansão da Doutrina Espírita?, respondeu: - Em nossa opinião, os maiores embaraços para o Espiritismo procedem da atuação daqueles que reencarnam, prometendo servi-lo, seja através da mediunidade direta ou da mediunidade indireta, no campo da inspiração e da inteligência, e se transviam nas seduções da esfera física, convertendo-se em médiuns autênticos das regiões inferiores, de vez que não negam as verdades do Espiritismo, mas estão prontos a ridiculariza-las, através de escritos sarcásticos ou da arte histriônica, junto dos quais encontramos as demonstrações fenomênicas improdutivas, as histórias fantásticas, o anedotário deprimente e os filmes de terror. Analisando o problema que já se verificava apenas sete anos após o surgimento d’ O LIVRO DOS ESPÍRITOS, Allan Kardec na edição de março de 1863 da REVISTA ESPÍRITA, escreveu:- “Nunca seria demais recomendar aos espíritas que refletissem maduramente antes de agir. Em tais casos manda a prudência não confiar em sua opinião pessoal. Hoje, que de todos os lados se formam grupos ou sociedades, nada mais simples que se pôr de acordo antes de agir. Não tendo em vista senão o bem da causa, o verdadeiro espírita sabe fazer abnegação do amor-próprio. Crer em sua própria infalibilidade, recusar o conselho da maioria e persistir num caminho que se demonstra mau e comprometedor, não é a atitude de um verdadeiro espírita. Seria dar prova de orgulho, se não de obsessão. Entre as inabilidades é preciso colocar em primeira linha as publicações intempestivas ou excêntricas, por serem os fatos de maior repercussão. Nenhum espírita ignora que os Espíritos estão longe de possuir a soberana ciência; muitos dentre eles sabem menos que certos homens e, como certos homens também, têm a pretensão de tudo saber. Sobre todas as coisas têm sua opinião pessoal, que pode ser justa ou falsa. Ora, ainda como os homens, em geral os que têm ideias mais falsas são os mais obstinados. Esses pseudo-sábios falam de tudo, constroem sistemas, criam utopias ou ditam as coisas mais excêntricas, sentindo-se felizes quando encontram intérpretes complacentes e crédulos que lhes aceitam as elucubrações de olhos fechados. Esse tipo de publicação tem grave inconveniente, pois o médium, iludido e muitas vezes seduzido por um nome apócrifo, tem-na como coisa séria, de que se apodera a crítica prontamente para denegrir o Espiritismo, ao passo que, com menos presunção, bastaria que se tivesse aconselhado com os colegas para ser esclarecido. É muito raro, neste caso, que o médium não ceda às injunções de um Espírito que, ainda como certos homens, quer ser publicado a qualquer preço. Com mais experiência ele saberia que os Espíritos verdadeiramente superiores aconselham, mas não impõem nem adulam jamais, e que toda prescrição imperiosa é um sinal suspeito. Quando o Espiritismo estiver completamente implantado e conhecido, as publicações desta natureza não terão mais inconvenientes que os maus tratados de Ciência em nossos dias. Mas, repetimos, no começo elas incomodam muito. Em matéria de publicidade, portanto, toda circunspeção é pouca e não se calcularia com bastante cuidado o efeito que talvez produzisse sobre o leitor. Em resumo, é um grave erro crer-se obrigado a publicar tudo quanto ditam os Espíritos, porque, se os há bons e esclarecidos, também os há maus e ignorantes. Importa fazer uma escolha muito rigorosa de suas comunicações e suprimir tudo quanto for inútil, insignificante, falso ou susceptível de produzir má impressão. É preciso semear, sem dúvida, mas semear a boa semente e em tempo oportuno”.


Se a reencarnação serve para o Espírito evoluir, como é que muitos Espíritos nascem em famílias desorganizadas e acabam ficando abandonados e se tornam rebeldes e violentos?


A reencarnação, de fato, serve para dar um impulso na evolução do Espírito. Entretanto, por pior que seja o ambiente em que renasce, sempre alguma coisa ele terá de aprender, mesmo que aquele ambiente ainda não seja o ideal para aprender tudo quanto precisa. Assim, a condição em que o Espírito reencarna depende tanto de suas possibilidades, quanto das necessidades que ele criou para si mesmo. De fato, a rebeldia, que o individuo manifesta, geralmente na juventude, decorre em parte das tendências que traz do passado e em parte da falta de condições para sua educação.


- A reencarnação para os Espíritos refratários funciona como uma escola difícil ou como um tratamento mais ou menos penoso, conforme as condições de cada um. Ninguém gosta de uma vida rigorosa, ainda que ela seja útil. Entretanto, há Espíritos que, pelas suas necessidades de aprendizado, por serem rebeldes e endurecidos, precisam passar por experiências mais ou menos difíceis, a fim de poderem despertar para determinados valores. Mas há outros que já podem usufruir de condições melhores por já terem superado essa etapa de maior rigor.


Nada é inútil ou desperdiçado na natureza. A reencarnação é uma lei natural; portanto, inserida nos fenômenos gerais da natureza, que tem por meta a evolução. Mesmo quando as condições do ambiente são desfavoráveis, o Espírito, por mais rebelde, não deixa de aprender. Contudo, o nosso planeta ainda está longe de oferecer condições ideais de vida para todos aqueles que aqui reencarnam. Mesmo assim, quando as condições são muito adversas, os Espíritos rebeldes reencarnam mais para enfrentarem dificuldades do que para terem seus problemas resolvidos.


Quando a Terra estiver mais preparada para cuidar das necessidades e direitos humanos, quando imperarem entre nós mais justiça social e sentimento de solidariedade, então teremos, certamente, melhores condições de atender aos Espíritos que aqui renascem. Enquanto isso, estamos lutando para alcançar uma etapa de maior desenvolvimento moral e social, que possa contribuir tanto para a evolução individual como para a evolução coletiva da humanidade.


domingo, 3 de outubro de 2021

PROBLEMA DIFÍCIL DE RESOLVER; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Em entrevista concedida ao Espírito André Luiz em Paris em 20 de agosto de 1965, reproduzida no livro ENTRE IRMÃOSDE OUTRAS TERRAS (feb, 1965), o pioneiro Gabriel Dellane ao ser questionado sobre onde estariam os percalços maiores para a expansão da Doutrina Espírita?, respondeu: - Em nossa opinião, os maiores embaraços para o Espiritismo procedem da atuação daqueles que reencarnam, prometendo servi-lo, seja através da mediunidade direta ou da mediunidade indireta, no campo da inspiração e da inteligência, e se transviam nas seduções da esfera física, convertendo-se em médiuns autênticos das regiões inferiores, de vez que não negam as verdades do Espiritismo, mas estão prontos a ridiculariza-las, através de escritos sarcásticos ou da arte histriônica, junto dos quais encontramos as demonstrações fenomênicas improdutivas, as histórias fantásticas, o anedotário deprimente e os filmes de terror. Analisando o problema que já se verificava apenas sete anos após o surgimento d’ O LIVRO DOS ESPÍRITOS, Allan Kardec na edição de março de 1863 da REVISTA ESPÍRITA, escreveu:- “Nunca seria demais recomendar aos espíritas que refletissem maduramente antes de agir. Em tais casos manda a prudência não confiar em sua opinião pessoal. Hoje, que de todos os lados se formam grupos ou sociedades, nada mais simples que se pôr de acordo antes de agir. Não tendo em vista senão o bem da causa, o verdadeiro espírita sabe fazer abnegação do amor-próprio. Crer em sua própria infalibilidade, recusar o conselho da maioria e persistir num caminho que se demonstra mau e comprometedor, não é a atitude de um verdadeiro espírita. Seria dar prova de orgulho, se não de obsessão. Entre as inabilidades é preciso colocar em primeira linha as publicações intempestivas ou excêntricas, por serem os fatos de maior repercussão. Nenhum espírita ignora que os Espíritos estão longe de possuir a soberana ciência; muitos dentre eles sabem menos que certos homens e, como certos homens também, têm a pretensão de tudo saber. Sobre todas as coisas têm sua opinião pessoal, que pode ser justa ou falsa. Ora, ainda como os homens, em geral os que têm ideias mais falsas são os mais obstinados. Esses pseudo-sábios falam de tudo, constroem sistemas, criam utopias ou ditam as coisas mais excêntricas, sentindo-se felizes quando encontram intérpretes complacentes e crédulos que lhes aceitam as elucubrações de olhos fechados. Esse tipo de publicação tem grave inconveniente, pois o médium, iludido e muitas vezes seduzido por um nome apócrifo, tem-na como coisa séria, de que se apodera a crítica prontamente para denegrir o Espiritismo, ao passo que, com menos presunção, bastaria que se tivesse aconselhado com os colegas para ser esclarecido. É muito raro, neste caso, que o médium não ceda às injunções de um Espírito que, ainda como certos homens, quer ser publicado a qualquer preço. Com mais experiência ele saberia que os Espíritos verdadeiramente superiores aconselham, mas não impõem nem adulam jamais, e que toda prescrição imperiosa é um sinal suspeito. Quando o Espiritismo estiver completamente implantado e conhecido, as publicações desta natureza não terão mais inconvenientes que os maus tratados de Ciência em nossos dias. Mas, repetimos, no começo elas incomodam muito. Em matéria de publicidade, portanto, toda circunspeção é pouca e não se calcularia com bastante cuidado o efeito que talvez produzisse sobre o leitor. Em resumo, é um grave erro crer-se obrigado a publicar tudo quanto ditam os Espíritos, porque, se os há bons e esclarecidos, também os há maus e ignorantes. Importa fazer uma escolha muito rigorosa de suas comunicações e suprimir tudo quanto for inútil, insignificante, falso ou susceptível de produzir má impressão. É preciso semear, sem dúvida, mas semear a boa semente e em tempo oportuno”.


Existe algum lugar na Bíblia que fala de reencarnação?


Evidentemente, você não vai encontrar a palavra “reencarnação” na Bíblia, até porque naquele tempo – e tampouco naquele povo – existia essa palavra. O termo “reencarnação”, na verdade – em que pese o fato de que a concepção de reencarnação ( e não a palavra “reencarnação”) já existia muitos séculos antes de Cristo – surge com o Espiritismo somente no século 19, há mais de 160 anos Contudo, ao tempo de Jesus, havia uma idéia muito vaga e confusa da possibilidade do Espírito voltar a renascer na Terra.


Isso a gente vê naquele episódio do menino cego de nascença, em que os discípulos perguntam a Jesus se o menino nasceu cego por causa do pecado de seus pais ou por causa de seus próprios pecados. Se Jesus descartasse a idéia da reencarnação, teria mostrado ser impossível que o menino tivesse pecado antes de nascer; mas nada disse a respeito. Na verdade, nessa época o povo acreditava na ressurreição, aliás, uma das concepções que aprendeu com os persas, sob cujo domínio político esteve por muito tempo.


A religião persa era dualista, acreditava na existência de um deus do bem e de um deus do mal (daí a concepção que se seguiu de Deus e do demônio), tanto quanto na encarnação do deus do bem, que nasceu de uma virgem numa manjedoura, muito parecida com a narrativa de Mateus sobre o nascimento de Jesus. Ensinava, também, a ressurreição dos mortos e o juízo final. Os persas tiveram uma grande influencia na crença dos hebreus, introduzindo muitos conceitos que nunca foram conhecidos no tempo de Moisés.


Nos evangelhos, contudo, há dois momentos em que Jesus toca diretamente na reencarnação, mas não aprofunda na questão e nem menciona a palavra. Com certeza, ele considerou fora de cogitação para aquele momento, uma vez que a idéia da reencarnação não fazia parte da tradição do povo hebreu. Uma delas – Mateus-17 e Marcos-18 - foi após o episódio da transfiguração no Monte Tabor – quando, ao lado de Jesus, aparecem materializados os espíritos de Moisés e Elias – e Jesus afirma que Elias já havia voltado á Terra e ninguém percebeu. Os discípulos, então, entenderam de que ele se referia a João Batista – ou seja, João Batista fora a reencarnação de Elias.


Um outro episódio, referindo-se ao mesmo Espírito, está no capítulo11 de Mateus. Jesus diz o seguinte: “Desde os tempos de João Batista até agora, o Reino dos Céus é tomado pela violência e os que usam da violência são aqueles que o arrebatam. Porque todos os profetas e a lei, até João, profetizaram”. E acrescenta de forma enfática, dizendo claramente: “E se vós quereis saber, ele mesmo é o Elias que há de vir. Os que têm ouvidos para ouvir, ouçam.” Não é preciso dizer mais nada. Nesta passagem, Jesus afirma categoricamente que João Batista e Elias eram o mesmo Espírito – ou seja, o mesmo Espírito em encarnações diferentes.




sábado, 2 de outubro de 2021

RESPOSTAS QUE O ESPIRITISMO DÁ; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Servindo-nos do extraordinário volume de materiais disponibilizados por Allan Kardec e pelo Espiritismo sobre temas cruciais, estamos desenvolvendo algumas apresentações que possibilitem a leigos e até mesmo seguidores da Doutrina ter uma visão panorâmica da visão sobre assuntos como a morte e o morrer, a reencarnação, a influência espiritual, a mediunidade, a obsessão. Temas que não encontram mesmo em outras escolas espiritualistas respostas ou explicações condizentes com os níveis de interesse das atualidade. Pela iniciativa inspirada de uma estudiosa do Espiritismo, o resultado dessas pesquisas tem sido gravados e disponibilizados neste incrível instrumento de disseminação de informações que é a INTERNET. Depois da abordagem PENSAMENTO E VIDA, agora está disponível um conteúdo focado na reencarnação de uma forma ampla e substancial. Na sequência, 40 respostas, reproduzimos 5 para se ter uma ideia do interessante conteúdo do trabalho: 1 -Qual o objetivo da encarnação? Os Espíritos não pertencem eternamente à mesma ordem. Todos melhoram, passando pelos diferentes graus da hierarquia espiritual. Esse melhoramento se verifica pela encarnação, que a uns é imposta como uma expiação e a outros como missão. A vida material é uma prova a que devem se submeter repetidas vezes até atingirem a perfeição absoluta; é uma espécie de peneira ou depurador de que eles saem mais ou menos purificados. (...) A encarnação ocorre sempre na espécie humana. Seria erro acreditar que o Espírito ou alma pudesse encarnar no corpo de animal. 2 - Qual o estado do Espírito na primeira encarnação? Criado simples e ignorante, o Espírito está em sua origem, num estado de nulidade moral e intelectual, como a criança que acaba de nascer. Se não fez o mal, também não fez o Bem. Nem é feliz, nem infeliz. Age sem consciência e sem responsabilidade. Desde que nada tem, nada pode perder, como não pode retrogradar. Sua responsabilidade só começa no momento em que se desenvolve seu livre-arbítrio. Seu estado primitivo não é, pois, um estado de inocência inteligente e raciocinada. 3- Todas as reencarnações estão programadas? Em matéria de filhos, no Plano Físico, a lei das afinidades quase pode ser considerada por fator determinante da chamada hereditariedade psicológica. (...) A vida dos companheiros encarnados se conjuga com a vida dos companheiros desencarnados que lhes são afins. O alcoolismo, por exemplo, é um hábito que muito raramente se observa numa pessoa que se embriaga a sós. Geralmente, a criatura se alcooliza em companhia de irmãos desencarnados que, embora desenfaixados da experiência física, ainda não se desvencilharam dessa prática. 4- O que determinaria um corpo perfeito ou com deformações? Os contornos anatômicos da forma física, disformes ou perfeitos, longilíneos ou brevilínios, belos ou feios, fazem parte dos estatutos educativos. Em geral, a reencarnação sistemática é sempre um curso laborioso de trabalho contra os defeitos morais preexistentes nas lições e conflitos presentes. Pormenores anatômicos imperfeitos, circunstâncias adversas, ambientes hostis, constituem, na maioria das vezes, os melhores lugares de aprendizado e redenção para aqueles que renascem.. 5- Como entender as gestações difíceis para a futura mãe? A mulher grávida, além da prestação de serviço orgânico à entidade que se reencarna, é igualmente constrangida a lhe suportar o contato espiritual, sempre sacrificial quando se trata de alguém com escuros débitos de consciência. A organização feminina, durante a gestação, sofre verdadeira enxertia mental. Os pensamentos do Ser que se acolhe ao santuário íntimo, lhe envolvem totalmente, determinando significativas alterações em seu cosmo biológico.

Por que os espíritas não louvam a Deus, diferente de outras religiões que adotam celebrações, cantos de louvor e veneração nos dias consagrados?


Porque o Espiritismo entende que o principal objetivo da religião não é a prática exterior da adoração, mas a ligação espiritual do homem com Deus, e isso ele deve fazê-lo, sobretudo, através de suas atitudes e atos no dia-a-dia de sua vida. Adorar é relativamente fácil; difícil é viver de acordo com o ideal do bem e da convivência fraterna. É claro que o Espiritismo não está condenando as práticas religiosas, que têm por finalidade o louvor, mas ele entende que Jesus valorizou muito mais a conduta das pessoas do que propriamente as práticas exteriores de religiosidade, conforme podemos ler nos evangelhos. Com isso ele quis combater a falsa religiosidade, que costuma se esconder atrás da adoração.


Basta leiamos o Sermão da Montanha, sobretudo os capítulos de 5 a 7 do Evangelho de Mateus, e ali vamos encontrar todas as suas recomendações em relação à prática da verdadeira religião que Jesus ensinou. Ele acabou entrando em conflito com os fariseus justamente por causa da religião exterior que muitos deles costumavam demonstrar; mas essas pessoas, que supervalorizavam a adoração, não tinham a religião interior; isto é, elas não se preocupavam com o próximo, tampouco faziam o bem, mas viviam egoisticamente, pensando apenas na própria salvação. E a religião interior é a consciência no bem, que se manifesta pela caridade – que é a forma prática do amor ao próximo.


Quando contou a parábola do Bom Samaritano, ele colocou três pessoas frente a frente com a necessidade do semelhante (o desconhecido que fora ferido na estrada). Essas três pessoas eram o sacerdote, o levita e o samaritano. Desses três, os mais religiosos – ou seja, os que mais participavam das celebrações do Templo – eram o sacerdote e o levita, justamente aqueles que não se compadeceram o homem caído e passaram sem socorrê-lo. Enquanto isso, o samaritano, que era considerado um herege, foi o único que agiu com amor em relação ao homem ferido. Com isso, Jesus quis dizer que o título religioso ou a forma de adoração não tem valor nenhum, se não estiverem apoiados sobre o verdadeiro sentimento de fraternidade.


Mesmo em relação ao rito da oferta, que o povo costumava fazer diante do altar, Jesus disse o seguinte: “Se estás para fazer a tua oferta diante do altar e te lembrares aí que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa lá a tua oferta diante do altar, vai reconciliar-te primeiro com teu irmão, depois vem fazer a tua oferta”. Ora, com essas palavras, ele deixa claro que mais importante que a oferta é o coração isento de mágoas ou ressentimentos, que mais importante que a adoração é a boa ação, pois é assim que se estabelece a verdadeira relação com Deus.


Por isso mesmo, ele completou: “Nem todo o que diz “Senhor! Senhor!” entrará no reino dos céus, mas somente aquele que fizer a vontade de meu Pai, que está nos céus”. A vontade de Deus é que todos se amem uns aos outros. Parece que, com isso, fica clara a posição de Jesus diante da questão da adoração e da ação. Observe que dessa forma ele contrariou a tradição milenar que, desde Moises, priorizava a adoração exterior, mas descuidava do aprimoramento moral do homem,para torná-lo um homem de bem.




sexta-feira, 1 de outubro de 2021

MUITAS VIDAS ; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Grande é o número de pessoas no Mundo Ocidental que atualmente admitem a ideia da reencarnação. Mas uma dúvida que pode ocorre naturalmente naqueles que buscam meditar sobre o assunto é: como isso pode ser útil? Em extenso artigo com que abre a edição de outubro de 1866 da REVISTA ESPÍRITA, Allan Kardec desenvolve alguns argumentos capazes de elucidar a questão. Diz ele:-“ Quem quer que haja meditado sobre o Espiritismo e suas consequências e não o tenha circunscrito à produção de alguns fenômenos, compreende que ele abre à Humanidade uma nova via e lhe desdobra os horizontes do infinito. Iniciando-os nos mistérios do Mundo Invisível, mostra-lhe seu verdadeiro papel na Criação, papel perpetuamente ativo, tanto no estado espiritual quanto no estado corporal. O homem não marcha mais às cegas: sabe de onde vem, para onde vai e por que está na Terra. O futuro se lhe mostra em sua realidade, isento dos preconceitos da ignorância e da superstição; já não é uma vaga esperança: é uma verdade palpável, tão certa para ele quanto a sucessão dos dias e das noites. Sabe que seu Ser não está limitado a alguns instantes de uma existência, cuja duração está submetida ao capricho do acaso; que a Vida Espiritual não é interrompida pela morte; que já viveu, que reviverá ainda e que de tudo que adquire em perfeição pelo trabalho, nada fica perdido; encontra em suas existências anteriores a razão do que é hoje, e do que hoje a si faz, pode concluir o que será um dia. Com o pensamento de que a atividade e a cooperação individuais na obra geral da Civilização são limitadas à vida presente, que nada se foi e nada se será, que interessa ao homem o progresso ulterior da Humanidade? Que lhe importa que no futuro os povos sejam mais bem governados, mais ditosos, mais esclarecidos, melhores uns para os outros? Uma vez que disso não tira nenhum proveito, para ele esse progresso não está perdido? De que lhe serve trabalhar para os que vierem depois, se jamais os deverá conhecer, se são seres novos que, eles também, pouco depois, entrarão no nada? Sob o império da negação do futuro individual, tudo se reduz, forçosamente, às mesquinhas proporções do momento e da personalidade. Mas, ao contrário, que amplitude dá ao pensamento do homem a certeza da perpetuidade de seu ser espiritual! que força, que coragem, não haure ele contra as vicissitudes da vida material! Que de mais racional, de mais grandioso, de mais digno do Criador que esta lei, segundo a qual a Vida Espiritual e a Vida Corporal não passam de dois modos de existência, que se alternam para a realização do progresso! Que de mais justo e mais consolador que a ideia dos mesmos seres progredindo sem cessar, primeiro através das gerações de um mesmo mundo e, depois, de mundo em mundo, até a perfeição, sem solução de continuidade! Assim, todas as ações têm um objetivo, porquanto, trabalhando para todos, trabalha-se para si, e reciprocamente, de tal sorte que o progresso individual e o progresso geral jamais são estéreis; aproveitam às gerações e às individualidades futuras, que outra coisa não são que as gerações e as individualidades passadas, chegadas a um mais alto grau de adiantamento. A Vida Espiritual é a vida normal e eterna do Espírito e a encarnação é apenas uma forma temporária de sua existência. (...) Os homens só viverão felizes na Terra quando esses dois sentimentos tiverem entrado em seus corações e em seus costumes, porque, então, a eles sujeitarão suas leis e suas instituições. Será este um dos principais resultados da transformação que se opera.



Tenho uma amiga que está sofrendo por uma coisa que ela não fez. Ela ficou muito tempo desempregada. Depois que fez uma simpatia, conseguiu um emprego. Mas, logo nos primeiros dias, sumiu um dinheiro do local onde foi trabalhar e começaram a desconfiar dela. Tenho certeza de que ela é inocente; eu a conheço desde criança e sei que é incapaz de pegar qualquer coisa dos outros. Mas ela não agüentou a pressão e saiu do emprego, entrando em depressão, por causa da injustiça que fizeram com ela. Indiquei um livro espírita para ajudá-la a superar esse problema... (ANONIMA)


Se sua amiga é inocente, porque cultiva honestidade, ela deve estar sofrendo muito. Ser acusado de um crime, que não se cometeu, é uma das experiências mais sofridas que se pode passar. É nesses momentos que é preciso ter uma estrutura espiritual sólida, além de apoio moral, para não se deixar levar pelo derrotismo. A fé em Deus e a confiança em si mesmo constituem o alicerce seguro em que mais se deve apoiar para não se render. Se sua amiga pudesse continuar no emprego para provar sua inocência, seria o ideal. Mas, já que ela saiu, o importante e fundamental é que prove para si mesma, que é capaz de vencer essa adversidade.


Em Doutrina Espírita aprendemos, no entanto, que nada acontece por acaso. Assim, podem ocorrer situações em nossa vida, que funcionam como lições ou testes, que nos permitem analisar melhor as nossas próprias necessidades espirituais. Nesse caso, podemos dizer que, se tais situações não têm causa na vida presente, devem ter causa em vidas anteriores ou na própria necessidade do Espírito em aprender a superar uma humilhação para crescer espiritualmente. Além do mais, Jesus - que foi vítima de uma grande injustiça – ensinou que mais vale ser prejudicado do que prejudicar, é melhor ser acusado injustamente do que praticar alguma injustiça contra alguém. O importante é que estejamos com a nossa consciência limpa de culpa, ou seja, que estejamos bem conosco mesmos.


Há um episódio memorável, que se conta, a respeito de Sócrates, o filósofo grego, que viveu 5 séculos antes de Cristo. Sócrates foi acusado injustamente de tentar corromper a juventude de seu tempo, por causa das idéias que ensinava. Foi preso, julgado e condenado à morte. A execução era feita por envenenamento, através de uma droga chamada cicuta, que devia ser ingerida pelo condenado. Sua esposa e discípulos, porém, não se conformaram com a injustiça de que estava sendo vítima, pois Sócrates era um homem bom, que só ensinava o bem e vivia para isso. Resolveram, então, tirá-lo da prisão a qualquer custo.


Quando chegaram à cela Sócrates, depois de se livrarem do carcereiro, disseram-lhe que estavam ali para corrigir uma grande injustiça, que ele não podia ser executado por um crime que não praticou e, por isso, ousaram libertá-lo. Sócrates, porém, apesar de sentir amado e protegido pelos seus libertadores, negou-se a fugir da prisão. Foi quando sua mulher questionou: “Mas, Sócrates, como você pode aceitar isso? Você é inocente”. E ele respondeu: “E você queria que eu fosse culpado? Os que me matam estão condenados pelas leis da vida”.


Leve a Doutrina Espírita à sua amiga e colabore para que ela entenda que está sendo convidada a crescer e a descobrir, talvez, novos valores, que a enobrecem. Se ela entender a Lei da Reencarnação, com certeza, saberá situar-se melhor diante do mau julgamento que fizeram a seu respeito. Vai descobrir que não só pode superar esse episódio, mas, sobretudo, valer-se dele para aprender a viver, valorizando mais seu caráter e sua vida, e prosseguir vivendo com dignidade e disposição renovada para buscar novas metas.