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terça-feira, 19 de junho de 2012

Papo de Religião?

Em recente reunião em que a interação se faz através da dinâmica pergunta/resposta, uma participante pediu-nos a opinião sobre avaliação de um dos expositores da RIO+20 que o crescimento dos níveis populacionais da Planeta vão  tornando cada vez mais difícil a sobrevivência da espécie humana pela escassez de alimentos. Na verdade, esse prognóstico acompanha a Humanidade desde o século passado. Os estudiosos da Economia, de forma recorrente, retomam essa tese. O que acontece é que o aceleramento das mudanças típicas das épocas de transição pela qual passa o Planeta periodicamente - ao que parece a cada 20 séculos -, precipitaram nossa sociedade nessa dimensão, aos mesmos problemas observados, por exemplo, no tempo em que se iniciou a Era Cristã. Corrupção, inversão de valores, opressão, exploração do homem pelo homem, guerras, etc... Todas as análises que eventualmente façamos, revelam que se baseiam apenas em efeitos, preferindo-se ignorar as causas. Se observarmos o mapa da Terra, por exemplo, perceberemos que o hemisfério sul que abrange os continentes sul-americano, africano e Oceania, possui inúmeras áreas desabitadas e ociosas, compreendendo imensas extensões territoriais. Isso sem considerar aquelas   que vem sendo aceleradamente desmatadas. Através de Chico Xavier, em 1956, o Espírito Emmanuel, em interessante entrevista resgatada pelo querido  amigo Eduardo Carvalho Monteiro e preservada na obra SALA DE VISITAS DE CHICO XAVIER (eme), comentou: “-(...) A Europa, superalfabetizada, se encontra num carma de débitos clamorosos, à frente da Lei (de Causa e Efeito), em dolorosa expectação, para o reajuste moral que lhe é necessária. Aqui mesmo, no Brasil, uma nação com  capacidade de asilar 900 milhões de habitantes, em quatrocentos e alguns anos de evolução ( lembramos, dito em 1956), mal estamos, os Espíritos reencarnados na terra em que temos a bênção de aprender, de recapitular a lição do Evangelho, mal estamos passando das faixas litorâneas, serviços imensos esperam por nossas almas no futuro próximo”. Pouco mais de meio século nos separam do dia em que tal comentário/prognóstico foi enunciado, a colonização do Brasil se interiorizou e a Europa efetivamente mergulha cada dia mais num processo político/social/econômico de desfecho imprevisível. Curiosamente, quando o jornalista Clementino de Alencar, enviado pelo jornal ‘O Globo’ a Pedro Leopoldo (MG), para investigar “o tal” Chico Xavier e a possível “farsa” por traz das crônicas mediúnicas do renomado escritor Humberto de Campos, morto meses antes, bem como, das poesias assinadas por importantes nomes do nosso mundo literário, enfeixadas no livro PARNASO D’ALÉM TÚMULO (feb), entre as reportagens com que alimentou o diário durante dois meses, incluiu na edição de 19 de junho, três respostas à perguntas formuladas por um estudioso em assuntos financeiros radicado na cidade de Sete Lagoas, MG. Vale ressaltar que Chico era um jovem de 25 anos, repetente do quarto ano primário, sempre vivera no remoto lugarejo onde renascera, trabalhava como balconista num boteco, muito longe dos meios intelectuais e culturais que lhe permitissem elaborar argumentos com tanta propriedade. Tais opiniões, surpreendentemente, foram dadas pelo Espírito chamado em sua mais recente encarnação Joaquim Pedro d’Oliveira Martins (Lisboa,1845/1894), político e cientista social português. No conteúdo das mesmas, um diagnóstico perfeitamente aplicável aos problemas atuais, não só no nosso País, como em várias nações. Entre outros pontos, o citado escritor, considerava que “todos os obstáculos à normalidade da vida econômica dos povos são oriundos da ausência de senso administrativo dos governos, que enveredam pelo terreno da política facciosa, prevalecendo as diretrizes pessoais de personalidades ou grupos em evidência”.  Sugerindo a união de esforços, conclui que “quando a economia for dirigida por esse corpo de mentalidades proficientes e conscienciosas, que deverão permanecer alheias aos conciliábulos de individualidades que transformam, às vezes, os recintos parlamentares em verdadeiros palcos de teatro jurídico onde se exibem os profissionais da palavra, constatar-se-a que a economia deve ser dirigida com superioridade”. Complementando sua resposta, o intelectual, disse: “-Fugindo dos temas temporários da política, o homem necessita convencer-se de que a única coisa real da vida é a sua alma. Tudo o mais que o rodeia reveste-se de caráter de transitoriedade”. Exatamente por isso, reafirmamos que as avaliações fixam-se sempre mais na superfície que na profundidade. O planeta é um grande condomínio, onde somos aqueles inquilinos que não respeitam o patrimônio alheio. Dias atrás, por sinal, assistindo a inteligente programa de televisão, ao encerramento,   diante da mensagem final dos entrevistados, dois especialista no tema criminalidade juvenil, que sugeria uma flexibilização da postura social – doar uma hora que fosse, por semana para causas sociais - das classes economicamente mais favorecidas, enclausuradas geralmente nos shoppings e condomínios de luxo, a experiente entrevistadora, habitualmente  impassível, deixou  transparecer certa indignação ante tal sugestão. Por traz da inesperada reação, comum, por sinal, à maioria, a origem do problema identificável em todos os seres humanos: o egoísmo, sempre acompanhado do orgulho que nos impede enxergar ou admitir o primeiro. A raiz do ‘cada um com seus problemas’. Ninguém quer deixar ou abrir mão de sua zona de conforto, reagindo contra quem ameaça-lo ou coloca-lo em risco. Se, por extensão, buscarmos tentar entender por que alguém persegue cargos eletivos; no exercício do poder público cede aos corruptores; porque os meios de comunicação de massa manipulam a informação atendendo a interesses econômicos ou políticos; porque uns acham seus familiares ou filhos melhores ou superiores aos dos outros; porque acho minha carreira, cargo, formação merecedora de reconhecimento financeiro maior que o do meu colega de trabalho; porque digo que a solução do problema social é problema do governo, etc, encontraremos sempre a mesma resposta: o binômio egoísmo/orgulho. O equivocado infrator da lei, num sentido profundo, é nosso irmão. Seu comportamento de hoje, talvez tenha sido o nosso ontem, admitida e reencarnação. Ou venha a ser amanhã. Afinal, quem “pode atirar a primeira pedra?”. No que se refere a nossa morada no Sistema Solar (assista ao documentário francês Home - A Terra é a Nossa Casa/2009), parafraseando, importante estadista, no discurso de posse que, certamente alguém escreveu para ele: não devemos perguntar o que nosso planeta ainda deve fazer por nós, mas o que nós devemos fazer por ele”. Retórica bonita, contendo profunda mensagem. Especialmente neste crucial momento vivido pela Humanidade da Terra que nos últimos duzentos anos, sofreu todo tipo de exploração de seus recursos naturais a ponto de muitas regiões não se dispor mais nem de água para a sobrevivência dos seus habitantes . A tecnologia cria, a todo momento, possuindo meios inimagináveis outrora ( veja o documentário alemão Zeitgeist, primeira versão/2007), capazes de melhorar não só a vida de alguns, mas dos milhões que passam (ou morrem) de fome, moram mal, vestem-se precariamente, vivendo em condições sub-humanas. Por que? Embora não queiramos enxergar ou admitir, pela mesma resposta: egoísmo e orgulho. E, nesse aspecto, não se trata da visão religiosa do tema, apesar de muitos nestes tempos de capitalismo insano, acreditarem ser preferível pagar a religiosos astutos e ambiciosos pelos ‘favores’ de Deus ou Jesus. A questão é  dos seres  humanos acordarem para a própria espiritualidade lidando com a intuição e trabalhando para ampliá-la. Não apenas na postura contemplativa, mas na dinâmica do relacionamento e convivência com o próximo, seja qual for o papel por ele desempenhado em suas vidas. Saber viver, tendo auto estima, autenticidade, amadurecimento, respeito, amor próprio, gratidão, plenitude. Sorrir mais, abraçar mais, apertar mais vibrantemente a mão que se lhe estende, criticar menos, elogiar mais, enfim, esforçando-se para ser hoje melhor que ontem, amanhã melhor que hoje. Paulo,o Apóstolo, falando de si numa de suas cartas, sintetizou, indiretamente, o roteiro para alcançarmos a felicidade: “Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. E ainda que tivesse o dom de profecia e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria. E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria. O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca interesses, não se irrita, não suspeita mal; não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor nunca falha”. E,no século 19, através da mediunidade prognosticou: Fora da Caridade Não Há Salvação". Por fim, em alguns comentários, Chico Xavier nos deixou grandes ensinamentos: “- O exemplo é uma força que repercute, de maneira imediata, longe ou perto de nós.(...) Sobre a Terra, tudo é ilusão, tudo passa, tudo se transforma de um instante para outro. O que conta é o que guardamos dentro de nós; tudo o mais há de ficar com o corpo, que se desfará em pó”.  (...) Infelizmente, muitos daqueles que nos dirigem não querem se enriquecer apenas para esta vida: acumulam indevidamente tanto dinheiro, que nos dão a impressão de que querem ser milionários para a eternidade”. (...) “Ainda com o desvio de verbas públicas, se nos deixássemos inspirar pelo amor que nos devemos uns aos outros, ser-nos-ia possível erradicar a miséria e combater a ignorância”. (...) “Tudo passa, mas o remorso faz com que o tempo pare dentro da gente. O relógio não espera ninguém, mas a consciência culpada se recusa a avançar. Muitos espíritos, do ponto de vista mental, permanecem presos ao passado”.       

domingo, 17 de junho de 2012

História Confirma: Questão de Tempo


Quando, em 1976, foram divulgadas as primeiras fotos obtidas pelas naves espaciais Viking 1 e 2, enviadas a  Marte para fazer prospecções sobre aquele planeta, uma das revistas da época publicou com destaque em sua edição de 29 de agosto, uma matéria intitulada  “A Nasa não sabe de nada...”, expondo grande foto de  paisagem marciana muito semelhante a alguns desertos da Terra, aproveitando para ironizar  mensagem psicografada pelo médium Chico Xavier, em 1939, onde Humberto de Campos,  o ainda famoso cronista desencarnado em dezembro de 1934, revela, que, a exemplo das excursões comuns entre nossos continentes e cidades, teria participado como Espírito de uma que o levara ao vizinho do sistema solar. Lá, segundo ele, além de uma atmosfera que permitia aos visitantes uma sensação de extrema leveza, divisou cidades fantásticas pela sua beleza inaudita, cujos edifícios, de algum modo recordavam a Torre Eiffel ou os mais ousados arranha-céus de Nova Yorque. O relato contido no livro NOVAS MENSAGENS (feb,1938), é extenso, minucioso em vários sentidos, “terminando pelo testemunho de uma palestra em praça pública onde após a visualização da Terra, observada de lá como uma estrela cuja claridade se percebia em meio a reflexos trêmulos e tristes através de potentes equipamentos, um dos expositores exortou todos os presentes a vibrarem e orarem em favor dos seres que a  habitam ( à época iniciava-se a Segunda Guerra Mundial), cuja ciência estava longe de entender as vibrações mais elevadas do Espírito; nos quais os vícios de uma falsa cultura casavam-se aos vícios das religiões convencionalistas, que não cogitam das causas profundas, provocando desequilíbrios na personalidade terrestre”. Ouvido sobre a reportagem pelo jornalista Fernando Worm, Chico comentou que “é possível que as teses apresentadas pela Ciência venham a prevalecer, até mesmo por muito tempo, quanto ao assunto, considerando as mensagens psicografadas por obras de ficção. Isso, porém, não invalida a realidade de que possuímos vida espiritual intensa em regiões que o homem físico designe como despovoadas. E isso acontece porque, por enquanto, as observações humanas, mesmo ampliadas por instrumentação de alta potência, apenas atingem a faixa de matéria em que nos achamos situados no Plano terrestre”. Disse ainda que, “em 1943, quando iniciou a psicografia dos livros do Espírito André Luiz, teve que ser levado no desdobramento natural do sono pelo autor e pelo orientador Emmanuel a visitar uma área periférica da Colônia Espiritual para que não criasse tanta dificuldade em repassar para o papel o conteúdo da narrativa. Passou então a reconhecer que a matéria se caracterizava por diferentes gradações e compreendeu que, em torno de paisagens cósmicas, sejam elas quais sejam, podem existir cidades e vida comunitária, em condições que nos escapam, por enquanto, ao conhecimento condicionado de espíritos temporariamente encarnados na existência física”. Acrescentou que Nosso Lar, situa-se no Plano Espiritual, sobre o norte do Rio de Janeiro; as regiões descritas no E A VIDA CONTINUA (feb), sobre o lado norte da cidade de Santos, indagando, por fim,  quais os aparelhos que as registram? A lente humana é o olho humano ampliado”. E, este  limitado ao nosso campo mental ajustado às impressões que somos capazes de perceber”. A propósito, Allan Kardec quando perguntou à Espiritualidade se existiria vazio  absoluto em alguma parte do espaço Universal, obteve como resposta que “não, nada é vazio. O que é vazio para ti, está ocupado por uma matéria que escapa aos teus sentidos e aos teus instrumentos”, conforme registrado na questão 36 d’ O LIVRO DOS ESPÍRITOS e, na 85, onde indagando sobre, na ordem das coisas entre o Mundo Espiritual e o Mundo Corporal, qual seria o principal, ouve que “ o mundo espiritual; ele preexiste e sobrevive a tudo”.  Quando da recepção da mensagem de Humberto, a Física Quântica nascia; por ocasião da reportagem da década de 70, a Teoria da Cordas que, matematicamente e por experiências em laboratórios de alta energia, confirma a existência de Universos Paralelos - os Multiversos -, mantinha-se restrita a alguns meios acadêmicos e, agora no século 21, considera na avaliação de alguns de seus seguidores, ser nossa realidade virtual, estando a original, num Universo Paralelo. E, a história, aliada ao tempo, perseverança e trabalho, confirmou que o "irônicos" que desdenharam as teses de Colombo, Copérnico, Fleming, Pasteur, Marconi, dos que idealizaram o computador, o telefone celular, o telescópio Huble, entre outras revolucionárias ideias, foram levados pela esteira do tempo para o lugar merecido: o esquecimento, enquanto os ‘ridicularizados’ mudaram a existência na Terra. Sobre a vida em outros Planetas, André Luiz, nas obras da serie NOSSO LAR (feb), nos repassaria várias informações, como em OS MENSAGEIROS (feb), onde, o Instrutor Aniceto comenta que “em visita à Colônia Alvorada Nova, situada em esferas vibratórias mais altas, ficou sabendo que avançados núcleos de Espiritualidade Superior, dos planetas vizinhos, desde as primeiras declarações da Segunda Guerra, determinaram providências de máxima vigilância, nas fronteiras vibratórias mantidas com a Terra”; n’ OBREIROS DA VIDA ETERNA (feb), que “um Espírito de nome Asclépios que se manifesta numa reunião à que André estava presente através de equipamento especial considerando sua condição evolutiva superior, e, apesar disso, ansiava por integrar-se no quadro de representantes de nosso orbe, junto às comunidades que habitam, por exemplo, Jupiter e Saturno”; n’ ENTRE A TERRA E O CÉU (feb,),  que cada degrau da vida está superlotado por milhões de criaturas” e, que “a Humanidade Universal, nos infinitos mundos da grandeza cósmica, está constituída por criaturas, em diversas idades e posições”; em entrevista no ANUARIO ESPIRITA 1964 (ide), que “Espíritos muito superiores originários de outros Planetas, com frequência reencarnam na Terra a fim de colaborarem na educação da Humanidade, enquanto outros inferiores costumam nela sofrer curtos ou longos períodos de exílio das comunidades a que pertencem, pela cultura e pelo sentimento, porquanto, a queda moral de alguém tanto se verifica na Terra quanto em outros domicílios do Universo”. Os jornalistas citados, talvez não soubessem, mas alguns anos antes das revelações de Humberto de Campos, discretamente a mãe biológica de Chico Xavier na atual existência, Maria João de Deus, detalha n’ CARTAS DE UMA MORTA (lake,1935), uma visita que teria feito a Saturno e Marte guiada por Benfeitor que a acompanhava, fazendo uso do recurso da volitação, processo descrito por André Luiz no EVOLUÇÃO EM DOIS MUNDOS (feb,1958), como possibilidade de condução e movimento efetivamente não sonhados, já que o pensamento contínuo e a atração,(...) não mais encontram certas resistências peculiares ao envoltório físico”. Embora não fosse foco principal das reuniões do verdadeiro laboratório em que se converteu a Sociedade Espírita de Paris, fundada em 1858, por Kardec, permitindo a observação e pesquisa continuada do fenômeno mediúnico, bem como a manifestação de centenas de Espíritos aos longo dos doze anos sob a direção do Codificador do Espiritismo, surpreenderam manifestações como do Espírito conhecidos por nós como o grande compositor Mozart, habitante à época de Jupiter, cuja casa chegou a ser desenhada pelo Espírito Bernard Palissy, através do médium Victorien Sardou; de outra entidade de nome Georges que falou sobre a vida em Vênus; ou mesmo, do grande cientista e explorador alemão Alexandre Von Humboldt, evocado nas reuniões de 13 e 20 de maio de 1859, dias após sua morte em Berlim, Alemanha, e trazido pelo dirigente espiritual do grupo que se reunia na Sociedade, revelando dados instigantes como “ter sido escolhido entre numerosos candidatos à missão que desempenhou na Terra”( Humboldt percorreu a América e Ásia, fazendo estudos filosófico-naturalísticos do Globo, resumidos em sua obra COSMOS, caracterizada pela beleza das descrições e perfeição da linguagem, além de haver aplicado o método cartográfico ao estudo da distribuição dos fenômenos  geográficos e climáticos), além de dizer que antes de aqui reencarnar vivia em mundo superior à Terra, distante, embora pertencente ao nosso Sistema Planetário, desconhecido e invisível para nossos instrumentos de observação por não ser luminoso nem refletir a luz dos sóis que o rodeiam, possuindo uma densidade comparada ao nosso globo de um para cem” . Talvez parte de um Universo Paralelo. Quem sabe?...  

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Todas as Vítimas de Tragédias Estão Anulando Carmas?

Acidentes de Trânsito, queda de aviões, terremotos, inundações, tsunamis, furacões, como a mídia estampa, a todo o momento, resultam na morte de algumas a centenas de pessoas diariamente na Terra. Será que todos os que perecem estavam marcados para se tornar vítimas? Buscando respostas, com a mente aberta, livre de preconceitos, podemos encontra-las a partir da informação contida na questão 853 d’ O LIVRO DOS ESPÍRITOS, segundo a qual “não há de fatal, no verdadeiro sentido da palavra, senão o instante da morte. Quando esse momento chega, seja por um meio ou por outro, não podeis dele vos livrar”, complementada pela seguinte, se ante qualquer perigo que nos ameace, não morreremos se nossa hora não chegou: “-Não, não morrerás, e tens disso milhares de exemplos. Mas quando chegar a tua hora de partir, nada te livrará”. Mas, e no caso de mortes coletivas? Essa lógica prevaleceria? Respondendo à pergunta formulada por algumas dezenas de presentes na reunião pública de 28 de fevereiro de 1972, em Uberaba (MG), sobre “porque Deus, sendo a Bondade Infinita, permite a morte aflitiva de tantas pessoas enclausuradas e indefesas, como nos grandes incêndios”, o Espirito Emmanuel esclareceu: “-Realmente reconhecemos em Deus o Perfeito Amor aliado à Justiça Perfeita. E o homem, filho de Deus, crescendo em amor, traz consigo a Justiça imanente, convertendo-se, em razão disso, em qualquer situação, no mais severo julgador de si próprio. Quando retornamos da Terra para o Mundo Espiritual, conscientizados nas responsabilidades próprias, operamos o levantamento dos nossos débitos passados e rogamos os meios precisos a fim de resgatá-los devidamente. É assim que, muitas vezes, renascemos no Planeta em grupos compromissados para a redenção múltipla”. Exemplificando, traça alguns dos perfis que agrupam várias pessoas nos processos de morte coletivas: “-Invasores ilaqueados pela própria ambição, que esmagávamos coletividades na volúpia do saque, tornamos à Terra com encargos diferentes, mas em regime de encontro marcado para a desencarnação conjunta em acidentes públicos. Exploradores da comunidade, quando lhe exauríamos as forças em proveito pessoal, pedimos  a volta ao corpo denso para facearmos unidos o ápice de epidemias arrasadoras. Promotores de guerras manejadas para assalto e crueldade pela megalomania do ouro e do poder, em nos fortalecendo para a regeneração, pleiteamos o Plano Físico a fim de sofrermos a morte de partilha, aparentemente imerecida, em acontecimentos de sangue e lágrimas. Corsários que ateávamos fogo a embarcações e cidades na conquista de presas fáceis, em nos observando no Além com os problemas da culpa, solicitamos o retorno à Terra para a desencarnação coletiva em dolorosos incêndios, inexplicáveis sem a reencarnação”. Analisando do coletivo para o individual, sintetiza: “- Criamos a culpa e nós mesmos engenhamos os processos destinados a extinguir lhe as consequências”. Observando-se rapidamente o cenário mundial atual, encontramos os mesmos comportamentos sociais: Invasores ambiciosos, exploradores da comunidade, promotores de guerras, corsários incendiando cidades, subjugando grupos humanos indefesos, pretextando a luta contra o terrorismo, cedendo à corrupção no exercício de cargos públicos, resistindo a pressões para não abandonar o poder, nos conflitos raciais, nos grupos paramilitares dos países subdesenvolvidos da África, Américas Central e do Sul. Comentando estas explicações vertidas através de Chico Xavier, incluídas no livro CHICO XAVIER PEDE LICENÇA (geem), o filósofo e escritor José Herculano Pires acrescentou que “as leis da Justiça Divina estão escritas na consciência humana. Caim matou Abel por inveja e a sua própria consciência o acusou do crime. Ele não teve a coragem heroica de pedir a reparação equivalente, mas Deus o marcou e puniu. Faltava-lhe crescer em amor para punir-se a si mesmo. O símbolo bíblico nos revela a mecânica da autopunição cumprindo-se compulsoriamente. Mas, nas almas evoluídas, a compulsão é substituída pela compaixão”. Pondera ainda: “- Para a boa compreensão desse problema precisamos de uma visão clara do processo evolutivo do homem. Como selvagem ele ainda se sujeita mais aos instintos do que à consciência. Por isso não é inteiramente responsável pelos seus atos. Como civilizado ele se investe do livre-arbítrio que o torna responsável. Mas o amor ainda não o ilumina com a devida intensidade. As Civilizações Antigas (como o demonstra a própria Bíblia), são cenários de apavorantes crimes coletivos, porque o homem amava mais a si mesmo do que aos semelhantes e a Deus. Nas civilizações modernas, tocadas pela luz do Cristianismo, os processos de autopunição se intensificam”. Sem ter relação direta com as considerações feitas, uma carta psicografada, entre outras, pelo médium Chico Xavier, em reunião pública no dia 15 de setembro de 1984, amplia nosso entendimento sobre o tema. Na verdade, era a segunda mensagem – a primeira transmitida quarenta e sete dias após sua morte - assinada pelo Espírito Luiz Roberto Estuqui Junior, desencarnado em quatro de janeiro daquele ano após o capotamento do carro que dirigia retornando da capital paulista para São José do Rio Preto (SP). Nela, o jovem tenta esclarecer indagações da mãe sobre porque motivo teria ele, seu único filho, sido chamado à Vida Espiritual, dizendo que seu tio João Fausto Estuqui, desencarnado oito anos antes em acidente aviatório, nas imediações de Votuporanga (SP, explicou que, “por amigos daqui, veio a saber que milhões de pessoas estão passando pela desencarnação no tempo áureo da existência, porque nos achamos numa fase de muitas mudanças na Terra ( TRANSIÇÃO PLANETÁRIA). E aqueles Espíritos retardatários em caminho, quando induzidos a considerar a extensão das próprias dívidas, aceitam a prova da desencarnação mais cedo do que o tempo razoável para a partida, e são atendidos com a separação de pais e afetos outros, no período em que mais desejariam continuar vivendo, em razão do tempo que perderam com frivolidades nas vidas que usufruíram. São muitos os companheiros que se retiram da Terra, compulsoriamente, das comodidades humanas em que repousavam, de modo a rematarem o resgate de certos débitos que os obrigavam a sofrer no âmago da própria consciência”. Num dos interessantes estudos contidos n’ OBRAS PÓTUMAS, Kardec, questionando a Espiritualidade sobre AS EXPIAÇÕES COLETIVAS, obtém do Espírito Claire Duplantier a informação que o estudo das Leis que o Espiritismo nos revela,  mostra que “podem aplicar-se, sem medo de errar, as Leis que regem o indivíduo à família, à nação, às raças, ao conjunto dos habitantes dos mundos, os quais formam individualidades coletivas. Há  as faltas do indivíduo, as da família, as da nação; e cada uma, qualquer que seja o seu caráter, se expia em virtude da mesma Lei. O algoz, relativamente à sua vítima, quer   encontrar-se em sua presença no espaço, quer vivendo em  contato com ela numa ou em muitas existências sucessivas, até a reparação do mal praticado. O mesmo sucede quando se trata de crimes cometidos solidariamente por um certo número de pessoas. As expiações também são solidárias, o que não suprime a expiação simultânea das faltas individuais”. Comentando a resposta, Kardec diz a certo trecho de suas ponderações: “- Quem matou com a espada perecerá pela espada”, são palavras do Cristo, palavras que se podem traduzir assim: aquele que fez correr sangue verá o seu também derramado; aquele que levou o facho do incêndio ao que era de outrem, verá o incêndio ateado no que lhe pertence; aquele que despojou será despojado; aquele que escraviza e maltrata o fraco será a seu turno escravizado e maltratado, quer se trate de um indivíduo, quer de uma nação, ou de uma raça, por que os membros de uma individualidade coletiva são solidários assim no bem como no mal que em comum praticaram”. Como isso se processa, Emmanuel explica através de Chico Xavier na obra O CONSOLADOR, questão 250: “- Na provação coletiva verifica-se a convocação dos Espíritos encarnados, participantes do mesmo débito, com referência ao passado delituoso e obscuro. O mecanismo da justiça, na lei das compensações, funciona então espontaneamente, através dos prepostos do Cristo, que convocam os comparsas na dívida do pretérito para os resgates em comum, razão por que, muitas vezes, intitulais ‘doloroso acaso’, às circunstâncias que reúnem as criaturas mais díspares no mesmo acidente, que lhes ocasiona a morte do corpo físico ou as mais variadas mutilações, no quadro dos seus compromissos individuais”. Mas, não podem haver erros, estando a pessoas no lugar errado, na hora certa do acontecimento? A palavra final, pertence ao Espírito da Verdade nas questões 738 (a/b) d’O LIVRO DOS ESPÍRITOS: “- Durante a vida o homem relaciona tudo a seu corpo, mas após a morte pensa de outra maneira. Como já dissemos, a vida do corpo é um quase nada; um século de vosso mundo é um relâmpago na Eternidade. Os sofrimentos que duram alguns dos vossos meses ou dias, nada são. Apenas um ensinamento que vos servirá no futuro. Os Espíritos que preexistem e sobrevivem a tudo, eis o mundo real. (...) Os corpos não são mais que disfarces sob os quais aparecem no mundo. (...) Se considerássemos a vida no que ela é, quão insignificante em relação ao infinito, menos importância lhe daríamos. “Essas vítimas terão noutra existência uma larga compensação para os seus sofrimentos, se souberem suportá-los sem lamentar”.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Tudo Está Marcado Para Acontecer?

Aquele trágico acidente amplamente noticiado estaria previsto na vida de suas vítimas?  E a morte resultante do furto que surpreendeu a pessoa? Alguns dizem que sim, outros que não. No vasto acervo oferecido pelo Espiritismo para nossa reflexão, existem diversos pontos relacionados a este assunto. O primeiro, na resposta à abordagem sobre ESCOLHA DAS PROVAS, questão 259 de O LIVRO DOS ESPÍRITOS, na qual Allan Kardec indaga às Entidades que o auxiliavam na composição do conteúdo da nova proposta que surgia, se “todas as tribulações da vida foram previstas e escolhidas por nós”, obtendo como resposta que “não se pode dizer que escolhestes e previstes tudo o que vos acontece no mundo, até as menores coisas. Escolhestes o gênero de provas; os detalhes são consequência de vossas próprias ações. (...) Os detalhes nascem das circunstâncias e da força das coisas. Só os grandes acontecimentos, que influem no destino, estão previstos. (...) Se ao passar por uma rua, uma telha te cair na cabeça, não penses que estava escrito, como vulgarmente se diz”. O complemento desta resposta talvez esteja nas questões 843 e 844, da mesma obra, onde tratando do LIVRE ARBÍTRIO, Kardec ouve dos Espíritos que “tendo a liberdade de pensar, o homem tem a de agir. Sem o livre arbítrio seria uma máquina”, ressalvando, porém, que “há a liberdade de agir, desde que haja liberdade de fazer”. Anos depois, desenvolvendo raciocínios n’O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO em torno da afirmação BEM AVENTURADOS OS AFLITOS, contida no belíssimo SERMÃO DA MONTANHA, proferido por Jesus em Cafarnaum e preservado no capítulo 5,6 e 7 do Evangelho de Matheus, Kardec explica existirem aflições derivadas de causas da vida atual e, as de vidas anteriores. Sobre as recentes, expõem em seu comentário: “- Quantas uniões infelizes, porque resultaram dos cálculos do interesse ou da vaidade, nada tendo isso com o coração! (...) Quantos pais infelizes com os filhos, por não terem combatido as suas más tendências desde o princípio. Por fraqueza ou indiferença, deixaram que se desenvolvessem neles os germes do orgulho, do egoísmo e da tola vaidade, que ressecam o coração. Mais tarde colhendo o que semearam, admiram-se e afligem-se com a sua falta de respeito e ingratidão. (...) A quem, portanto devem todas essas aflições, senão a si mesmos? O homem é, assim, num grande número de casos, o autor de seus próprios infortúnios”. Já no Século XX, o Espírito Emmanuel, através de Chico Xavier, ofereceria maiores subsídios ao jornalista Clementino de Alencar, enviado a Pedro Leopoldo, em 1935, pelo jornal O Globo, para saber quem era o “autor” das crônicas atribuídas ao famoso e querido escritor Humberto de Campos (morto em 12/1934), bem como daqueles poemas assinados por grandes intelectuais da literatura brasileira como Casto Alves, Olavo Bilac, Guerra Junqueiro, Cruz e Souza, entre outros. O repórter, indagando ao Instrutor de Chico se o homem está subordinado ao livre arbítrio ou à fatalidade, obteve como resposta que “o homem está subordinado ao seu livre arbítrio; mas sua existência está também submetida a determinadas circunstâncias de acordo com o mapa de seus serviços e provações na Terra, delineado pela individualidade em harmonia com as opiniões dos seus guias espirituais antes da reencarnação. As condições sociais, as doenças, os ambientes viciosos, o cerco das tentações, os dissabores, são circunstâncias da existência do homem. Entre elas, porém, está a sua vontade soberana. Pode nascer num ambiente de humildade e modéstia, procurando vencer pela perseverança no trabalho e triunfando das deficiências encontradas; pode suportar as enfermidades com serenidade de ânimo e resignação; pode ser tentado de todas as maneiras. Mas só se tornará um criminoso se quiser. Na esfera individual o livre arbítrio é, pois, o único elemento dominante. A existência de cada homem é resultante de seus atos e pensamentos. O que se faz necessário é intensificar cada um sua educação pessoal. Um dos grandes erros do homem é não se conformar com sua situação de simples hóspede de um mundo que não lhe pertence. Se reconhecesse o quanto é passageira sua permanência na Terra, evitaria a influência nefasta do egoísmo e não agrilhoaria o seu coração ao cárcere de desejos inconcebíveis, causas naturais de muitos de seus maiores sofrimentos”.  Posteriormente, no livro O CONSOLADOR (feb), Emmanuel diria  que determinismo e livre arbítrio coexistem na vida, entrosando-se na estrada dos destinos, para a elevação e redenção dos Espíritos, sendo que o primeiro é  absoluto nas mais baixas camadas evolutivas e o segundo amplia-se com os valores da educação (espiritual, naturalmente), reafirmando a resposta à questão 262, d’ O LIVRO DOS ESPÍRITOS, segundo a qual “à medida que seu livre arbítrio se desenvolve, o Espírito conquista maior liberdade de escolher”. Mais tarde, o Espírito André Luiz nos repassaria na obra NOSSO LAR, ponderações de sua mãe quando esta lhe explica o porque de ter pedido para  reencarnar brevemente,   dizendo que, “o devedor é escravo do compromisso assumido. Deus criou o livre arbítrio, nós criamos a fatalidade. É preciso quebrar, portanto, as algemas que fundimos para nós mesmos”. Posteriormente, aprofundando-se na questão, em conversa com o Ministro Druso em AÇÃO E REAÇÃO (Feb), aprende que “ cada alma cria na própria consciência os créditos e os débitos que lhe atrairão inelutavelmente as alegrias e as dores, as facilidades e os obstáculos do caminho. Quanto mais amplitude em nossos conhecimentos, mais responsabilidade em nossas ações. Através de nossos pensamentos, palavras e atos, que nos fluem, invariáveis, do coração, gastamos e transformamos constantemente as energias do Senhor, em nossa viagem evolutiva, nos setores da experiência, e, do quilate de nossas intenções e aplicações, nos sentimentos e práticas da marcha, a vida organiza, em nós mesmos, a nossa conta agradável ou desagradável ante as Leis do Destino”. Estabelecendo um paralelo entre a escalada da violência e os sofrimentos dela derivados, em entrevista coletiva concedida, em 1982, quando de sua indicação para o Premio Nobel da Paz, Chico Xavier disse que “a violência é qual se fosse a nossa agressividade exagerada trazida ao nosso consciente, quando estamos em carência de amor. Ela lavra, por isso, o desamor coletivo da atualidade. Se doarmos mais um tanto, se repartirmos um tanto mais, se houver um entendimento maior, estaremos contribuindo para a diminuição desta onda crescente de agressividade. À medida que a riqueza material aumenta, o conforto e a aquisição de bens também cresce. Com isso retornaremos à autodefesa exagerada, isolando-nos das criaturas humanas. A vacina é o amor de uns pelos outros, programa que Jesus nos deixou há dois mil anos”. Uma analise comparativa entre essa avaliação e as três décadas que se passaram do dia em foi emitida, talvez explique os elevados índices de violência observados na atualidade. Sobre se a ideia do “carma” não seria uma fórmula ‘masoquista’ considerando o ‘sofrer para aprender’, esclareceu que “temos necessidade de resgatar o carma ou a dívida que assumimos perante a Lei de Causa e Efeito. Temos de compreender o sofrimento e procurar aliviá-lo. Entendo o sofrimento como a didática da própria vida. (...) Desconhecedores voluntários de uma Lei que é benéfica, somos compelidos a aprender através do sofrimento, a fim de adquirirmos a paciência. Não falo do conformismo preguiçoso, mas devemos aceitar com resignação nossas provas. O sofrimento é sempre uma bênção. Não deve ser visto como um drama diante do qual devemos perder as forças ou desconfiar de Deus. Antes, devemos disciplinar o nosso livre arbítrio. Emmanuel considera que “há um trajeto enorme entre a sede do pensamento e os lábios e que intimamente somos livres para construir, através das palavras e de nossos atos, mas depois que exteriorizamos essas ações somos dependentes delas”. Se  aquele que, aparentemente, não sofre estaria desprotegido, contrapôs uma pergunta: “Se uma pessoa está sensibilizada por anestésicos, por exemplo, nos processos obsessivos, como ela vai sofrer se está inconsciente?”. Na ocasião, presente, o médium Divaldo Pereira Franco acrescentou que “a pessoa nessa condição já estaria enferma porque o sofrimento das outras pessoas deve nos sensibilizar. O drama da miséria, da fome, das enfermidades diversas, a dor do próximo nos leva a sofrer. A pessoa que não sente deve estar doente”.    Finalizando, destacamos parecer incluso no livro EMMANUEL (feb), o primeiro dos inúmeros que o Benfeitor Espiritual publicaria pelo médium Chico Xavier,  nas décadas em que trabalharam juntos. Expondo seu ponto de vista, diz que “o porvir, sem estar rigorosamente determinado, está previsto nas suas linhas gerais. Imaginai um homem que fosse efetuar uma viagem. Todo o seu trajeto está previsto: dia de partida, caminhos, etapas, dia de chegada. Todas as atividades, contudo, no transcurso da viagem, estão afetas ao viajante, que se pode desviar ou não do roteiro traçado, segundo os ditames da sua vontade. Daí se infere que o livre arbítrio é lei irrevogável na esfera individual, perfeitamente separável das questões do destino, anteriormente preparados”.  


segunda-feira, 11 de junho de 2012

Doação de Órgãos Para Transplantes: Para Refletir


“- Graças a Deus, melhorei da hemorragia incessante que me enlouquecia. Depois de algumas semanas de aflição, um médico apareceu com uma boa nova. Ele me disse que as preces de uma pessoa que se beneficiara com a córnea que doei ao Banco de Olhos se haviam transformado para mim num pequeno tampão que, colocado sobre o meu peito no lugar que o projétil atingira, fez cessar o fluxo do sangue imediatamente. Eu, que não fizera bem aos outros, que me omiti sempre na hora de servir, compreendi que o Bem mesmo feito involuntariamente por uma pessoa morta é capaz de revigorar-nos as forças da existência”. O depoimento inserido na longa carta que Wladimir Cezar Ranieri escreveu aos pais meses após sua desencarnação, através do médium Chico Xavier em reunião pública no Grupo Espírita da Prece, em Uberaba (MG), nos oferece importante informação sobre outro significado dos transplantes. Wladimir, à época com 25 anos, dominado por obsessiva hipnose imposta por parte de criaturas desencarnadas que o seguiam, cujos convites injustos escutava e as quais poderia rechaçar fazendo uso do livre-arbítrio se não tivesse sido fraco, tentou fugir da vida recorrendo a um tiro de revolver no próprio peito, fazendo uso de uma arma que seu pai mantinha em gaveta do escritório de seu estabelecimento comercial, ao qual fora para substituir o irmão, convalescendo de uma cirurgia nos olhos de transplante de córnea. Enfrentando dificuldades para empregar-se, atendeu solicitação da mãe para auxiliar o pai naquele doze de maio de 1985 que mudaria traumaticamente a vida da família a que pertencia. Em sua carta psicografada incluída no livro AMOR E SAUDADE (ideal), isenta a mãe da sensação de culpa pelo pedido que lhe fizera, confessando o sofrimento experimentado ao ver o pai desesperado correndo na direção de seu corpo caído, tentando a respiração boca-a-boca que o fez sorver o sangue resultante da intensa hemorragia que se processava, gesto que lhe mostrou o quanto de amor seu genitor dispunha em seu coração em relação a ele, desejando, em vão levantar os braços para ser um menino de novo naquele colo paternal de homem bom que não vacilava em livrá-lo de qualquer sufocação, trazendo para a boca que o beijara tantas vezes em criança, o sangue do filho crescido que se fizera ingrato perante aqueles que mais o queriam na Terra”. No episódio relacionado ao benefício que resultou na cessação da sensação da perda continuada de sangue pelo orifício aberto em seu corpo físico e que persistiu no corpo espiritual (períspirito), necessário destacar que ele, motivado pelo sucesso do transplante de córnea em seu irmão Wagner, doou voluntariamente suas córneas ao Banco de Olhos de São Paulo. No acervo construído com as centenas de cartas mediúnicas recebidas por Chico Xavier, existe outra envolvendo o jovem Roberto Igor Porto Silva, que, por sinal, resultou no primeiro transplante cardíaco bem sucedido no Rio Grande do Sul. Roberto, desencarnou aos 25 anos, no dia primeiro de junho de 1984, em consequência das múltiplas fraturas resultantes de acidente com a moto que dirigia em alta velocidade a caminho da empresa onde trabalhava. Declarada sua morte cerebral, sua irmã autorizou a retirada de seu coração atendendo à solicitação dos médicos do Hospital que o assistiam. Recordando seus derradeiros momentos em nossa Dimensão, na mensagem recebida na reunião pública de cinco de abril de 1985, nove meses depois da sua morte física e incluída na obra VOZES DA OUTRA MARGEM (ide), conta : “- Mãe, deixei o meu corpo, como quem se afastava de uma roupa que se fizera imprestável, e, logo de saída, conquanto me sentisse privado da visão, senti uma dor muito grande no tórax. Os amigos de meu pai (seu pai desencarnara em 19/12/1976), me solicitaram esquecesse o vigor daquela agulhada que me transtornava todo o Ser; no entanto, eles se apressaram em me auxiliar com o magnetismo e a dor desapareceu. Soube mais tarde de que naquele momento eu tivera o coração do corpo físico arrancado para servir ao transplante que favoreceria um homem que se avizinhava da morte. Meu pai me informou que a medida fora autorizada por minha irmã e deu-me a conhecer a utilidade da providência, de vez que eu não mais recuperaria o corpo quebrado até a medula. Explicou-me que era justo o trabalho que se fez, entregando-se o meu coração, que ainda pulsava, ao irmão doente que, com isso, poderia continuar vivendo, e esclareceu-me com tanta lógica que acabei aderindo, reconhecendo que a Magali (sua irmã), vendo-me quase morto, do ponto de vista físico, permitira que o meu coração servisse para alguém que necessitava dele. Logo que me confessei agradecido e satisfeito com a medida, notei que o coração em meu corpo espiritual pulsava forte e robusto. Conto-lhe a minha experiência para que não se impressione com o que aconteceu, porquanto da queda de que fora vítima não mais levantaria. (...)Segundo   pode o seu generoso coração concluir, seu filho está feliz por ter encontrado o ensejo de cooperar em auxílio de alguém na hora da liberação que se achava prestes a se consumar”. Comparando os dois exemplos, encontramos três pontos que merecem ser comentados. Primeiro,  Wladimir chegara ao Hospital morto e Roberto Igor no estado de morte cerebral. Segundo, Wladimir doara espontaneamente as córneas e Roberto Igor, cedeu seu músculo cardíaco à revelia, por decisão de sua irmã. Vemos que situações são bem diferentes. Terceiro, a assistência dos técnicos que operavam no processo de desligamento se fez rapida, reduzindo os desconfortos por ele experimentados. A propósito, o Benfeitor Emmanuel, na obra PLANTÃO DE RESPOSTAS (ceu), confirma isso dizendo que “ mesmo que a separação entre o Espírito e o corpo não tenha se completado, a Espiritualidade dispõe de recursos para impedir impressões penosas e sofrimentos aos doadores”. Pronunciando-se em entrevista de televisão, em 1968, preservada no livro ENTREVISTAS (ide), Chico Xavier, disse que a “situação do doador de órgãos, no momento da morte, é o mesmo que sucede com uma criatura que cede seus recursos orgânicos a um estudo anatômico, sem qualquer repercussão no Espírito que se afasta – vamos dizer, de sua capsula material. Nosso amigo André Luiz considera que, excetuando-se determinados casos de mortes em acidentes e outros casos excepcionais, em que a criatura necessita daquela provação, ou seja, o sofrimento intenso no momento da morte, esta de um modo geral não traz dor alguma porque a demasiada concentração do dióxido de carbono no organismo determina anestesia do sistema nervoso central, provocando um fenômeno que eles chamam de acidose. Com a acidose vem a insensibilidade e a criatura não tem estes fenômenos de sofrimento que imaginamos. O doador, naturalmente, não tem, em absoluto, sofrimento algum".    Respondendo a questão sobre como a Espiritualidade encara o problema dos transplantes, diz que, “assim, como nós utilizamos o motor de um carro, com os demais implementos estragados, num outro carro que esteja com seus implementos perfeitos mas com o motor inutilizado. Não podemos comparar o homem com o automóvel, mas podemos adotar o símile para compreender que o transplante de órgãos é muito natural”. Sobre a doação, dizem o Amigos Espirituais que “assim como aproveitamos uma peça de roupa, que não tem utilidade para determinado grupo, e esse amigo, considerando a nossa penúria material, nos cede tal peça, é muito natural, ao nos desvencilharmos do corpo físico, venhamos a doar os órgãos prestantes a companheiros necessitados deles que possam utilizá-los com segurança e proveito”. Sobre um possível choque entre o órgão que permaneceu no corpo espiritual e o que foi substituído no corpo físico, explicou, na época, que André Luiz considerava como um problema claramente compreensível, pois o coração do corpo espiritual está realmente presente no receptor, provocando os elementos da defensiva do corpo físico, o que os recursos imunológicos aperfeiçoados pelas pesquisas farmacêuticas, vão sustar ou coibir”. Na referida entrevista, Chico revelou ainda que “os Espíritos auxiliam e muito a doadores, receptores, bem como, equipes cirúrgicas, complementado que a Espiritualidade Superior considera, que a missão do médico se reveste de tamanha importância que, ainda mesmo o médico absolutamente materialista está amparado, pelas forças do Mundo Superior, a benefício da saude humana”.  Chico Xavier em opinião preservada no obra LIÇÕES DE SABEDORIA ( Fe),  considerava que “quando o doador é pessoa habituada ao desprendimento da posse de quaisquer objetos e desinteressada desse ou daquele domínio sobre pessoas e situações, a doação prévia de órgãos que lhe pertençam, por ocasião da morte física, não afeta o corpo espiritual desse doador. Entretanto, se estamos à frente de alguém que não atingiu o desprendimento que mencionamos, será importante pensar que esse alguém não se encontra com a precisa habilitação para doar recursos além da desencarnação”. 

sábado, 9 de junho de 2012

Dependências Químicas Além da Vida: Os Tóxicos


Discorrendo sobre o uso das drogas, o Espírito Bezerra de Menezes, explicava em palestra que proferia, ser ele muito antigo, variando as justificativas de acordo com o estágio da evolução de cada povo, sempre, porém, de resultados negativos. Religiosos e ascetas, guerreiros e filósofos, pobres e ricos em variados períodos da História utilizaram-se de substâncias vegetais e emanações químicas, de resinas e raízes para alcançar os desejos emocionais que não conseguiam pelos métodos normais ou para abrir as comportas do entendimento, para as viagens místicas, o aumento da coragem, o esquecimento. No Mundo Ocidental da atualidade é indiscriminado o uso de substâncias e vegetais tóxicos, em caráter quase generalizado. Ora para fins terapêuticos, sob controle  competente, ora para misteres injustificáveis sob direção dos infelizes manipuladores mafiosos da conduta das massas. Em razão da franquia de informações que a todos alcançam, encontrem-se preparados ou não, os meios de comunicação têm estereotipado as linhas da conduta moral e social de que todos tomam conhecimento e seguem com precipitação. Após, especialmente, a Segunda Guerra Mundial e, mais recentemente, as lamentáveis lutas no sudeste asiático, o consumo de drogas tomou conta do Ocidente, em particular, da imatura juventude”. Em meio às suas valiosas ponderações, acrescenta que “invariavelmente, defrontamos nas panorâmicas da toxicomania, da sexolatria, dos vícios em geral a sutil presença de obsessões, como causa remota ou como efeito do comportamento que o homem se permite, sintonizando com mentes irresponsáveis e enfermas desembaraçadas do corpo”. As considerações estão registradas no livro NAS FRONTEIRAS DA LOUCURA (leal),de autoria do Espírito Manoel Philomeno de Miranda, através do médium Divaldo Pereira Franco, o qual descreve ocorrências envolvendo um Posto de Assistência à vitimados por ocasião do período de Carnaval, no Rio de Janeiro, no início da década de 80. Antecedem ações em favor de cinco jovens entorpecidos e eufóricos, ocupantes de um veículo  dirigido em alta velocidade  por um deles,  que, ao tentar se desviar de outro que freia subitamente à sua frente, desgoverna-se, sobe ao passeio, choca-se contra a balaustrada que se rompe, fazendo com que se precipite nas águas lodosas de mangue, determinando a morte física de todos. Na Dimensão vibratória fronteiriça a essa em que nos encontramos, uma treva densa pairava, dissipando-se após prece proferida pelo Benfeitor Bezerra, revelando um cenário semelhante aos descritos por Dante Aleghieri em sua famosa DIVINA COMÉDIA. Eram vagabundos e seres fesceninos, animalescos, lupinos e simiescos, enquanto os que preservavam, com anomalias, embora, as formas estavam andrajosos e sujos, formando um quadro dantesco, realmente apavorante. Cooperadores do Bem, atraídos pela prece formulada minutos antes, adestrados em diversos tipos de salvamento, inclusive, naquele gênero de acidentes. Munidos de uma rede especial, instados todos à concentração, desceram ao fundo do mangue repleto de resíduos negros, densamente pastosos, no qual pereceram asfixiados, os moços. Quatro cooperadores distenderam a rede que se fez luminosa, à medida em que descia suavemente, sobre os despojos, superando a escuridão compacta. Os corpos, alguns deles lacerados, com fraturas internas e externas, estampavam no rosto as marcas dos últimos momentos físicos. Fortemente imantados aos corpos, os Espíritos lutavam, em desespero frenético, em tentativas inúteis de sobrevivência. Morriam e ressuscitavam, remorrendo em contínuos estertores. Se gritavam por socorro, experimentavam a agua pútrida dominar-lhes as vias respiratórias, desmaiando, em angustias lancinantes. Sob comando seguro, os lidadores destrinçaram os laços mais vigorosos, enquanto colocavam os Espíritos na rede protetora, que foi erguida à superfície do mangue, donde foram transferidos para as padiolas que já os aguardavam, enquanto a equipe de salvamento prosseguiu liberando os condutos que mantiveram os corpos vivos sob a energia vital do Espírito, interrompendo a comunicação física, embora permanecendo poderosos liames que se desfaziam somente a medida em que evoluía o processo de decomposição cadavérica. Mais à frente, um dos vitimados revelava no exame a que foi submetido no Hospital do Plano Espiritual, bloqueio na área dos reflexos e ações motoras, resultado da excitação provocada pelas anfetaminas usadas, em alta dosagem. As drogas, explicou o especialista que o assistia, liberam componentes tóxicos que impregnam as delicadas engrenagens do períspirito, atingindo-o por largo tempo. Muitas vezes, esse modelador de formas imprime nas futuras organizações fisiológicas lesões e mutilações que são o resultado dos tóxicos de que se encharcou em existência pregressa. De ação prolongada, a dependência que gera, desarticula o discernimento e interrompe os comandos do centro da vontade, tornando os seus usuários verdadeiro farrapos humanos, que abdicam de tudo por uma dose, até a consumação total, que prossegue, entretanto, depois da morte. Além de facilitar obsessões cruéis, atingem os mecanismos da memória, bloqueando seus arquivos e se imiscuem nas sinapses cerebrais, respondendo por danos irreparáveis. A seu turno, o Espírito registra suas emanações, através da organização perispiritual, dementando-se sob sua ação corrosiva. Quando isso ocorre, somente através de futuras reencarnações consegue restabelecer, a contributo de dores acerbas e alucinações demoradas, o equilíbrio que malbaratou”. A obra é de 1982 e  condensamos a narrativa para mostrar a dimensão do trabalho gerado por atitudes insensatas. O problema do consumo dos alucinógenos não era tão divulgado e explícito quanto hoje. Naquela década, Luiz Sergio, jovem desencarnado em acidente de trânsito quando se deslocava de Brasília(DF) para a capital paulista, seguia com sua contribuição na divulgação da realidade que encontrou na continuidade da vida. O meio, a médium Irene Pacheco Machado, através da qual verteu para nossa Dimensão inúmeros livros. Um deles, publicado em 1984, narrava a integração e atividades de Luiz num grupo liderado por Espírito chamado Enoque, empenhado na assistência daqueles que se deixavam seduzir, envolver e dominar  pelas sensações provocadas pelas substâncias  entorpecentes. As descrições são impactantes, especialmente em se referindo ao que ninguém vê com os sentidos normais: a realidade do Plano chamado Invisível. Logo no início, dando detalhes de uma ‘balada’, revela esse outro lado: Espíritos dementados, aspirando as emanações daqueles corpos doentes e intoxicados. (...) Desvairados, disputavam, aos tapas, o contato com os dependentes. Em cada um deles podiam ser vistos grudados cerca de até seis desencarnados”. No capítulo 2, o caso de uma jovem de 16 anos, habituada à maconha pesada, cujo namorado a convence à primeira picada de heroína que a faz sentir como se tudo houvesse escurecido, seu corpo entorpecer, tudo desaparecendo à sua volta, inclusive o namorado. A heroína transformou-se naquele corpo, em sobrecarga aniquiladora para todas as células nervosas, o baço crescendo de tal forma que parecia ir se romper a qualquer momento. No capítulo 5, uma usuária de cocaína, desencarna em meio a contorções de seu corpo projetando seu corpo espiritual adormecido na outra dimensão, porém encolhido pelo impacto da dose excessiva, ganhando aspecto diferente da forma humana”. No capítulo 21, durante uma operação de auxílio em lugar de nossa Dimensão, na verdade uma pocilga para desencarnados. Luiz vê o Espírito de uma jovem de 14 anos, viciada em pico, em crise pela falta da droga, muitos outros Espíritos alienados, um senhor de seus 50 anos, sentado no chão de cabeça baixa.  Acabara de receber uma dose de morfina através do braço de um encarnado. Testemunhando a cena, conta que a adesão do Espírito ao períspirito do dependente  encarnado que este, ao tomar a dose acha pouco, aumentando a quantidade, sobrecarregando, muitas vezes, o coração que não aguenta. Geralmente, revela  Luiz, que um dependente encarnado sustenta fisicamente dez desencarnados. O livro intitulado CONSCIÊNCIA, seria sucedido por outro, DRIBLANDO A DOR, mostrando, entre inúmeras informações importantes e interessantes, que a prevenção, começa no lar, por ser nele que o jovem aprende a viver em sociedade. Um lar sem disciplina leva a criança e, consequentemente o jovem a afundar-se no ócio e nos vícios. Os pais devem desenvolver desde cedo na criança, o senso de responsabilidade com relação à própria vida. Com oito, dez ou doze anos, a criança já está colocando para fora suas neuroses. O certo é, desde tenra idade, oferecer ao filho, uma educação firme e disciplinada, dando-lhe exemplos edificantes, longe das mentiras e fraquezas. Para finalizar, destacamos importante comentário de Chico Xavier sobre a questão das drogas. Diz ele:   - O tóxico é o irmão mais sofisticado da cachaça, através da qual também nós temos perdido muita gente. A fascinação pelo tóxico é a necessidade de amor que o jovem tem. Mesadas grandes que não são acompanhadas de carinho e de calor humano paterno geram conflitos muito grandes. Muitas vezes a privação do dinheiro, o trabalho digno e o afeto vão construir uma vida feliz.




quinta-feira, 7 de junho de 2012

Dependências Químicas Além da Vida: O Cigarro

“O restaurante barato regurgitava. Muita alegria, muita gente. (...) Transpusemos a entrada. As emanações do ambiente produziam em nós    indefinível mal estar. Junto de fumantes e bebedores inveterados, criaturas desencarnadas de triste feição se demoravam expectantes. Algumas sorviam baforadas de fumo arremessadas ao ar, ainda aquecidas pelo calor dos pulmões que as expulsavam, nisso encontrando alegria e alimento. Outras aspiravam o hálito de alcoólatras impenitentes. Indicando-as, informou o Orientador: ‘- Muitos de nossos irmãos, que já se desvencilharam do seu vaso carnal, se apegam com tamanho desvario às sensações da experiência física, que se cosem àqueles nossos amigos terrestres temporariamente desequilibrados nos desagradáveis costumes por que se deixam influenciar. O que a vida começou, a morte continua”. A cena e o comentário inseridos no livro NOS DOMÍNIOS DA MEDIUNIDADE (feb), por seu autor André Luiz, através da  mediunidade de Chico Xavier, surpreende, porém não é novidade. Tecendo considerações sobre comunicação havida na Sociedade Espírita de Paris, Allan Kardec disse que um dia, apresentou-se a um médium vidente, um Espírito morto recentemente com um cachimbo na boca, fumando. À observação que lhe fizeram, de que aquilo não era conveniente, respondeu: “- Que quereis! Tenho um tal hábito de fumar que não me posso privar do cachimbo”. O que era mais singular, acrescenta Kardec , é que o cachimbo dava fumaça, bem entendido, para o vidente e não para os assistentes. Segundo a revista The Economist, “os cigarros estão entre os produtos de consumo mais lucrativos do mundo. O único produto legal que vicia a maioria dos consumidores e muitas vezes os matam”. Compradores leais, fabricantes satisfeitos, lucros impressionantes. E, como comprovado, um minuto a menos de vida a cada minuto gasto a fumar. A revista Newsweek, revela que “o fumo causa 50 vezes mais mortes que as causadas pelas drogas ilegais”. E a dependência não se extingue com a morte do corpo físico. Assim como vimos na abordagem sobre o álcool, o Espírito, através do corpo espiritual ou períspirito, mantém-se preso às necessidades de sensação, buscando lugares ou pessoas onde, protegidos pela invisibilidade, possam nutrir as ilusões que lhe são peculiares, já que as Leis Cósmicas que nos controlam a caminhada existencial determinam que recebamos sempre conforme nosso estágio evolutivo. No ano de 1979, o jornalista Fernando Worm realizou interessante entrevista com o Instrutor Espiritual Emmanuel, pelo médium Chico Xavier,  que indagado se o fumante, tendo desencarnado, tão logo desperte do letargo da morte física, sente desde aí o prosseguimento da vontade de fumar, disse que “quando o Espírito não conseguiu desvencilhar-se de hábitos determinados, enquanto no corpo físico, é compreensível que esses mesmos hábitos não o deixem tão logo se veja desencarnado”. Explica que a ação negativa do cigarro se mantém no períspirito ( corpo espiritual), continuando  o problema da dependência até que a impregnação dos agentes tóxicos nos tecidos sutis do corpo espiritual ceda lugar à normalidade do envoltório perispiritico, o que, na maioria das vezes, tem a duração do tempo correspondente ao tempo em que o hábito perdurou na existência física do fumante. Quando a vontade do interessado não está suficientemente desenvolvida para arredar de si o costume inconveniente, o tratamento dele, no Mundo Espiritual, ainda exige quotas diárias de sucedâneos dos cigarros comuns, com ingredientes análogos aos dos cigarros terrestres, cuja administração ao paciente diminui gradativamente, até que consiga viver sem qualquer dependência do fumo”. Tentando nos auxiliar a entender algo sobre esses cigarros etéricos, acrescenta que “o fumo, decorrente de recursos condensados para a sustentação de hábitos humanos, em derredor do Plano Físico, é constituído por agentes químicos semelhantes àqueles que integram o fumo, no campo dos homens já que, em se tratando de costume nocivo da entidade espiritual, tanto encarnada quanto desencarnada,  a erradicação do hábito de fumar nos círculos de atividade espiritual, no que tange às sensações de ordem espiritual, é tão difícil quanto na Terra”. Naturalmente essa situação alcança somente aqueles que, por méritos ou necessidades, já se encontram em áreas onde o tratamento lhe possa ser oferecido. Descrevendo a ação dos componentes do cigarro no períspirito de quem morre, diz que “as sensações do fumante inveterado, no mais Além, são naturalmente as da angustiosa sede de recursos tóxicos a que se habituou no Plano Físico, de tal modo obsedante que as melhores lições e surpresas da Vida Maior lhe passam quase despercebidas, até que se lhe normalizem as percepções”.  Considera, que “no capítulo da saúde corpórea, o assunto deveria ser estudado na Terra mais atenciosamente, de vez que a resistência orgânica decresce consideravelmente com o hábito de fumar, favorecendo a instalação de moléstias que poderiam ser claramente evitáveis. A necrópsia do corpo cadaverizado de um fumante em confronto com o de uma pessoa sem esse hábito estabelece clara diferença”.  Salienta que “não apenas quanto ao fumo, mas igualmente quanto a outros hábitos prejudiciais, somos compelidos na Espiritualidade a esquecê-los, se nos propomos a seguir para diante, no capítulo da própria sublimação. O tratamento na Vida Maior para que nos desvencilhemos de costumes  nocivos perdura pelo tempo em que nossa vontade não se mostre tão ativa e decidida, quanto necessário, para a liberação precisa, de vez que nos planos extrafisicos, nas vizinhanças da Terra propriamente dita, as reincidências ocorrem com irmãos numerosos que ainda se acomodam com  a indecisão e a insegurança”. Mais de um século antes, Allan Kardec obtivera dos Instrutores que o auxiliaram a compor O LIVRO DOS ESPÍRITOS que o homem pode vencer sempre as suas más tendências pelos próprios esforços, e, às vezes, com pouco esforço; o que lhe falta é vontade. Poucos são os que se esforçam (questão 909),e, na resposta à pergunta 911, que não  existem paixões de tal maneira vivas e irresistíveis que a vontade seja impotente para as superar, havendo “muitas pessoas que dizem: ‘Eu quero.’  mas a vontade está apenas nos seus lábios. Elas querem, mas, estão bem contentes que assim não seja. Quando se crê não poder vencer suas paixões, é que o Espírito nele se compraz em consequência de sua própria inferioridade. Aquele que procura reprimí-las compreende a sua natureza espiritual; vencê-las é para ele um triunfo de Espírito sobre a matéria”. Dando-nos uma idéia da amplitude do problema, Emmanuel diz que “muitas vezes os filhos ou netos de fumantes e dispsônamos inveterados, são aqueles mesmos Espíritos afins que já fumavam ou usavam agentes alcóolicos em companhia deles mesmos, antes do retorno à reencarnação. Compreensível, assim, que muitas crianças (Espíritos extremamente ligados aos hábitos e idiossincrasias dos pais e dos avós), apresentem, desde muito cedo,    tendências compulsivas para o fumo ou para o álcool, reclamando trabalho persistente e amoroso de reeducação”. Opinando sobre a alegação de pessoas que afirmam não poder deixar de fumar porque o cigarro é uma companhia contra a solidão, diz que, “embora não desejando imprimir censura ou condenação a ninguém, considera que o melhor dissolvente da solidão , é o trabalho em favor do próximo, através do qual se forma, de imediato, uma família espiritual em torno do servidor”. A respeito de pesquisas médicas que revelam que a dependência física dos fumantes, sua ‘fome’ de nicotina e derivados do fumo, costuma ser mais compulsiva que a dependência orgânica dos viciados em narcóticos, afirma acreditar que “ambos os tipos de dependência se equiparam na feição compulsiva com que se apresentam, cabendo-nos uma observação: é que o fumo prejudica, de modo especial, apenas ao seu consumidor, quando os narcóticos de variada natureza são suscetíveis de induzir seus usuários a perigosas alucinações que, por vezes, lhes situam a mente em graves delitos, comprometendo a vida comunitária”.  Por ocasião dessa entrevista, reproduzida na obra JANELA PARA A VIDA(fergs), Worm ouviu também Chico Xavier sobre outros pontos igualmente importantes. O primeiro, se considerava o hábito de fumar um suicídio em câmara lenta, obtendo dele a seguinte resposta: -“ Creio que o hábito de fumar não pode ser definido por suicídio conscientemente considerado. Será um prejuízo que o fumante causa a si mesmo, sem a intenção de se destruir, mas prejuízo que se deve estudar com discernimento, sem condenação, para que a pessoa se conscientize quanto às consequências do fumo, no campo da vida, de maneira a fazer suas próprias opções”. Indagado se teria alcançado condições de desempenho do seu mandato mediúnico, se fosse dependente da nicotina, afirmou crer que “não, com referência ao tempo de trabalho, de vez que a ingestão de nicotina agravaria as doenças de que sou portador”. Se teria um conselho aos fumantes enfraquecidos por derrotas sucessivas na luta para vencer a dependência física e mental criada pela nicotina,disse: “ A prece e o trabalho, em meu entendimento, sempre os melhores recursos para defender-nos contra qualquer desequilíbrio”.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Dependências Químicas Além da Vida: O Alcool

A contribuição do médium Chico Xavier para a confirmação da continuidade da vida além da morte do corpo físico, contem importantes informações para nossas reflexões. A principal que o Espírito conserva em si (refletindo-as no corpo espiritual ou períspirito), as desarmonias derivadas das dependências que desenvolvemos com a adoção de comportamentos reconhecidos pelas ciências como altamente prejudiciais ao corpo humano e a vida em sociedade. Um deles, resultado do consumo de bebidas alcóolicas, que por ser de acesso fácil e liberado, estimulado pela pressão exercida pela propaganda maciça, resulta, a médio prazo, na viciação. Conservando além dessa vida o anseio de satisfazer sua necessidade de sensação característica do vicio ,o desencarnado busca se associar a encarnados que igualmente o possuem, em maior ou menor grau.  Como a visão transferida por inúmeros depoimentos, é de que a existência cumprida nessa dimensão é apenas parte de um processo muito mais amplo objetivando nossa evolução, ou seja, o desenvolvimento de nossas potencialidades e atributos (memoria, inteligência, consciência, livre-arbítrio, vontade), o intervalo entre as diferentes encarnações não elimina os prejuízos impostos pela própria criatura no uso desse instrumento de trabalho incrível chamado corpo humano. Dessa forma, natural que as predisposições mórbidas abafadas pelo anestesiar da memória do passado, encontrem campo para se manifestar novamente a partir de estímulos gustativos, visuais ou auditivos. Há no Ser que renasce, a influência da hereditariedade genética, mas também da hereditariedade psicológica que prepondera sobre a primeira já que cada um de nós possui uma vibração característica (como um sinal eletromagnético), impregnado com nossos dados pessoais que, por sua vez, sintonizará a matriz genética da qual resultará a fecundação. Dessa Dimensão sairemos mais dia, menos dia, conservando os condicionamentos viciosos adquiridos (ou reforçados) aos quais deveríamos resistir ou que voltamos para eliminar através da resistência resultante da força de vontade que não conseguimos geralmente sustentar. Como o exemplo vale mais que mil palavras, destacaremos a seguir, três para ilustrar essa situação. Possível? Fantasia? Pense!... O primeiro, registrado "num apartamento no bairro do Flamengo, na cidade do Rio de Janeiro. Na sala principal, vamos encontrar o dono da casa, Claudio Nogueira, lendo um dos jornais do dia com atenção, portando entre os dedos da mão que descansava à beira do sofá em que se acomodava, um cigarro fumegante, quase rente ao móvel sobre o qual um cinzeiro repleto era silenciosa advertência contra o abuso da nicotina. O ambiente, apesar de modesto, denotava bom gosto no mobiliário e decoração, destoando apenas uma garrafa de uísque sobre uma mesa, emanando o aroma que podia ser notado no hálito do personagem descrito. Sem que percebesse, no mesmo ambiente, só que em outra faixa vibratória, dois desencarnados ali faziam sua morada agindo protegidos pela invisibilidade. Um deles tateou - lhe um dos ombros e gritou insolente: - Beber, meu caro, quero beber! Claudio, porém, não registrou o mínimo som, mantendo-se atento à leitura. Inalterável. Contudo, se não possuía tímpanos físicos para qualificar a petição, trazia na cabeça a caixa acústica da mente sintonizada com o apelante. O assessor inconveniente repetiu a solicitação, algumas vezes, na atitude do hipnotizador que insufla o próprio desejo, reasseverando uma ordem. O resultado não demorou. Desviou a atenção do artigo político em que se entretinha, sem que talvez, conseguisse explicar o súbito desinteresse pela matéria, enquanto o outro insistia “- Beber! Beber!”, levando-o a abrigar a sugestão, convicto de que se inclinava para um trago de uísque exclusivamente para si. O pensamento se lhe transmudou, rápido, como a usina cuja corrente se desloca de uma direção para outra, por efeito da nova tomada de força.  “Beber,beber!”, e a sede de aguardente se lhe articulou na ideia, ganhando forma. A mucosa pituitária se lhe aguçou, como que mais fortemente impregnada do cheiro acre que vagueava no ar. O assistente malicioso coçou-lhe os gorgomilos. Indefinível secura constrangiu-lhe a garganta. O amigo sagaz percebeu-lhe a adesão tácita e colou-se a ele. Carícia leve, abraço envolvente, depois associação recíproca. Integraram-se ambos em exótico sucesso de enxertia fluídica. Algo semelhante ao encaixe perfeito. Claudio-homem absorvia o desencarnado, a guisa de sapato que se ajusta ao pé. Fundiram-se os dois, como se morassem eventualmente num só corpo. Altura idêntica. Volume igual. Movimentos sincrônicos. Identificação positiva. Levantaram-se a um tempo e giraram integralmente incorporados um ao outro, na área estreita arrebatando o delgado frasco. Difícil especificar de quem era o impulso inicial, se a Claudio que admitia a instigação ou se ao obsessor que a propunha. A talagada rolou através da garganta, que se exprimia por dualidade singular. Ambos os dispsônamos estalaram a língua de prazer, em ação simultânea. Desmanchou-se a parelha e, Claudio, desembaraçado, se dispunha a sentar, quando o outro colega, que se mantinha a distância, investiu sobre ele e protestou: “- eu também, eu também quero!”. Reavivou-se-lhe no ânimo a sugestão que esmorecia e, absolutamente passivo diante da incitação que o assaltava, reconstituiu mecanicamente, a impressão de insaciedade. Bastou isso e o vampiro, sorridente, apossou-se dele, repetindo o fenômeno da conjugação completa. Encarnado e desencarnado a se justaporem. Duas peças conscientes, reunidas em sistema irrepreensível de compensação mútua. Uma analise sobre até que ponto Claudio sofreria mentalmente com aquele processo de fusão, revelaria que ele continuava livre no íntimo, não experimentando qualquer espécie de tortura, a fim de render-se. Hospedava o outro, simplesmente, aceitava-lhe a direção, entregava-se por deliberação própria, nenhuma simbiose em que se destacasse por vítima. Associação implícita, mistura natural. Apelo e resposta, cordas afinadas no mesmo tom. No desencarnado, o pedido; no encarnado a resposta. Cedendo ao desejo do segundo, Claudio sorveu mais um gole e, desimpedido, estirou-se novamente no divã e retomou o jornal”. A descrição contida na obra SEXO E DESTINO (feb),  reproduzindo informações do Espírito André Luiz, através de Chico Xavier, demonstra na prática a informação obtida por Allan Kardec na questão 459 d’ O LIVRO DOS ESPÍRITOS segundo a qual “os Espíritos nos influenciam os pensamentos e atos muito mais que imaginamos e, invariavelmente, são eles que nos conduzem”. Estudando a revelação, Kardec, anos depois, n’ O LIVRO DOS MÉDIUNS, definiria a obsessão como sendo um fato comum na vida de todos os seres humanos, graças à percepção que denominou mediunidade. No caso citado, enquadrar-se-ia na chamada obsessão simples, sem aparentes raízes no passado remoto. O segundo exemplo, demonstra o nível de obsessão do tipo subjugação. Vamos encontra-lo numa área reservada de uma casa noturna, como narrado por André Luiz, em NO MUNDO MAIOR, através de Chico Xavier. " Deplorável pai de família, 45 anos presumíveis, Antídio refletia no esgotamento, tremores e incapacidade de se manter em pé, sua incapacidade de reagir contra as atrações do vício, que o expôs, inerme, à influência de malfeitores desencarnados, afins com sua posição desequilibrada. Várias tentativas, usando múltiplos recursos ao alcance, foram efetuadas por Benfeitores Espirituais, emergindo de todas elas, mais e mais disposto à perversão dos sentidos, buscando, acima de tudo, a fuga de si mesmo, detestando a responsabilidade e não se animando a conhecer o valor do trabalho. Doente e desventurado, a despeito das condições precárias, reclamava um copinho, sempre mais um copinho, que um rapaz de serviço trazia, obediente. Tremiam-lhe os membros, denunciando-lhe o abatimento.  Álgido suor lhe escorria da fronte e, de vez em quando, desferia gritos de terror. Em derredor, quatro entidades embrutecidas submetiam-no aos seus desejos. Empolgavam-lhe a organização fisiológica, alternadamente, uma a uma, revezando-se para experimentar a absorção de emanações alcóolicas, no que sentiam singular prazer. Apossavam-se particularmente da ‘estrada gástrica’, inalando a bebida a volatizar-se da cárdia ao piloro. Semidesligado do organismo denso pela atuação anestesiante do tóxico, passou a identificar-se mais intimamente com as entidades que o perseguiam”.  Sabe-se hoje que o álcool ingerido em quantidades regulares e, dependendo do limite de tolerância do indivíduo, pelo relaxamento dos sentidos, expõem suas percepções extra-sensoriais à influências correspondentes às suas afinidades e sintonia. Os quatro infelizes desencarnados, a seu turno, tinham a mente invadida por visões terrificantes do sepulcro que haviam atravessado como dispsomaníacos. Sedentos, aflitos, carregavam consigo imagens espectrais de víboras e morcegos dos lugares sombrios onde haviam estacionado. Entrando em sintonia magnética com o psiquismo desiquilibrado dos vampiros, o ébrio começou a rogar, estontéricamente: - Salve-me! Salve-me, por amor a Deus!... E indicando as paredes próximas, bradava sob a impressão de indefinível pavor: - Oh! Os morcegos!...os morcegos!, afugentem-nos, detenham-nos...Piedade!...quem me livrará?1 Socorro!. Socorro!”. As entidades perturbadoras timbravam nas atitudes sarcásticas; gargalhavam de maneira sinistra. Ouvia-as o infeliz, a lhe ecoarem no fundo do Ser, e gritava, tentando investir, embora cambaleante, contra os algozes invisíveis: - Quem zomba de mim? Quem ?! Cerrado os punhos, acrescentava: - Malditos! Malditos sejam !”... O ultimo exemplo nos é oferecido pelo Espírito Manoel Philomeno de Miranda, através do médium Divaldo Pereira Franco. Destaca-se da obra PAINEIS DA OBSESSÃO (leal) e envolve um senhor chamado Egberto que, com sua segunda esposa em adiantado estado de gestação, fora com seu velho caminhão, buscar o irmão Jaime que recebera alta, após quase um ano de internação em Sanatório situado em cidade do Vale do Paraíba, Estado de São Paulo. Feliz pela liberação do irmão, Egberto havia feito uso de algum alcóolico, sem lembrar dos perigos que espreitam os motoristas, particularmente naquela estrada que impunha a descida da Serra da Mantiqueira, com suas curvas fechadas, contínuas, ladeadas por profundos abismos. Esses elementos bastavam para sinistro plano urdido pelo Espírito da primeira esposa do nosso personagem que, enceguecida pelo ciúme e inconformada pela própria morte que considerava injusta, negociara com desencarnados técnicos em desforço moral e obsessões que a auxiliariam na retirada da adversária ao lado do esposo. Excitado pelos vapores do álcool, numa sucessão de curvas, Egberto ouviu a voz da primeira esposa a chamá-lo com vigor, viu-a, apavorando-se com seu aspecto terrível, perdendo o controle do veículo que tombou no despenhadeiro, ante os gritos de desespero dos seus ocupantes que desencarnaram de forma violenta. Como se percebe nesses três casos, influências resultantes do uso do álcool, podem ser responsabilizadas por muitos infortúnios que atingem a Humanidade dos diferentes Planos Existenciais.   

domingo, 3 de junho de 2012

Ainda Sobre o Voo 168

     Na postagem anterior dissemos que duas histórias tomariam outro rumo tempos depois da queda do Boing737 – Super200, na madrugada de oito de junho de 1982, minutos antes de  aterrar no Aeroporto Pinto Martins, na capital cearense. A primeira delas, a das famílias de Laura Maria Temporal de Lara, seu marido Renato, seu irmão Affonso e de Júlio, seu cunhado, vítimas da tragédia que resultou na morte dos 137 ocupantes da aeronave, graças à carta psicografada por Chico Xavier, Uberaba, MG. A outra, a do casal Olinda e Gerson Feder, que meses depois, em dia diferente daquele em que se fizeram presentes os familiares da primeira comunicante, em circunstâncias semelhantes – reunião pública, misturados à pequena multidão aglomerada no recinto do Grupo Espírita da Prece, a maioria sem contato prévio com o médium...  –, ouviram ao final da reunião daquela noite/ madrugada, a leitura, entre as várias mensagens recebidas por ele, a da filha Olimar Feder  Agosti. Jovem advogada de 30 anos, casada há apenas três meses, saíra de São Paulo a fim de encontrar o marido Geraldo Agosti, com quem passaria alguns dias de férias na bela cidade do Nordeste brasileiro. Filha única, Olimar, como não poderia ser diferente, deixou um imenso vazio no coração dos pais que, meses depois, seguiram o mesmo caminho percorrido ao longo dos anos, por milhares de outros pais, mães, filhos, na esperança de ouvirem algo que os reconfortasse ou esclarecesse na sua desventura. E, a exemplo de muitos outros, tiveram a felicidade de receber das mãos de Chico, a carta por ele psicografada entre inúmeras de autores com históricos diferentes, algo constante em suas atividades de sexta e sábado nos anos 70, 80 e parte de 90. Comentando o acontecido, sua mãe diria: “- A mensagem de Olimar foi uma das maiores emoções da vida, pois com a separação de uma filha jovem, inteligente, bonita por fora e por dentro, de forma repentina e brutal, o equilíbrio somente foi possível pela fé inabalável em Deus e pela ajuda dos amigos iluminados, que nos deram a chance de termos o contato claro, impressionante, autêntico, que fortaleceu nossa crença e nos inspirou a confiar que a vida é eterna para quem ama. Recebemos mais uma prova de que a morte material é patente, porém o nosso espírito continua na trajetória da vida eterna”. Comparando e analisando sua carta e a de Laura Maria, percebe-se claramente como são diferentes as percepções das pessoas, sua capacidade de ver e sentir a realidade, por vezes, comungada por várias outras. Logo no início, Olimar revela: “- Estou ainda sob a impressão difícil de descrever – a impressão dos que passaram pela ocorrência de que partilhei. Ainda assim, estou na condição da filha reconhecida que lhes pede a bênção. Venho trazida, porque, por mim própria, a iniciativa da visita a que me entrego, seria quase impraticável. A vovó Marieta considerou, porém, que seria justo endereçar-lhes alguma notícia e estou pronta para isso”.  Compreensível que, sendo o corpo espiritual ou períspirito o molde do qual o corpo físico é uma réplica, passível de tratamentos variados no Plano Espiritual, o tempo de recuperação emocional, psicológico e estrutural não é rápido estando condicionado às necessidades e méritos de cada um. Recuperando detalhes da viagem interrompida, diz Olimar: “- Lembro-me perfeitamente de nossa despedida natural antes da decolagem do avião, tudo alegria e certeza de paz com a promessa do reencontro com o nosso querido Geraldo em Fortaleza para que a minha alegria fosse completada. A viagem começou se m novidades que mereçam menção especial. Alguns passageiros, creio que veteranos nas travessias aéreas se punham a dormir, tentei fazer o mesmo, no entanto, não conseguia perder-me no repouso desejado. Refletia na vida e montava mentalmente os meus projetos para a excursão iniciada. Guardava a ideia de que alguém velava comigo, sem que eu pudesse identificar qualquer presença espiritual.  Mais tarde é que soube que a vovó Marieta estava ao meu lado”. Nesse ponto da narrativa, importante lembrar o citado no caso anterior, em que recuperamos a informação reiteradas vezes citada em cartas psicografadas por Chico Xavier, onde seus autores afirmavam que “acontecimentos imprevisíveis na Terra, estão marcados para acontecer no Plano Espiritual”, o que explica a presença de familiares e amigos no outro lado da vida preparados para auxiliar as vítimas no transe da morte. Retornemos às reminiscências de Olimar: “-Tudo seguia sem sobressaltos, máquina estável e segurança em tudo. A aeromoça ia e vinha de quando em quando, oferecendo brindes para nosso reconforto e irradiando o sorriso com que parecia desejosa de nos tranquilizar. Consultei o horário e pensava na mãezinha Helena (a sogra, residente em Fortaleza) a esperar-me na alta madrugada, quando o estrondo reuniu a todos na mesma ideia horrível. Num relâmpago de segundo ainda consegui mentaliza-los em companhia do GE, mas o raciocínio desapareceu como por encanto. Dores não senti. Creio hoje que nas calamidades imprevistas qual aquela em que me vi, não há tempo para registro de sofrimento pessoal. Se isso aconteceu deve ter sido um pesadelo que o assombro empalideceu. Nada mais vi nem ouvi. Não sei fazer qualquer comparação para transmitir-lhes essa ou aquela ideia do sucedido”. Ocorrências como a que envolveu os passageiros do voo 168 consomem frações de segundo, certamente impossibilitando qualquer registro preciso ou minucioso. Falando sobre seu despertar, Olimar conta: “Quanto tempo estive largada ao esquecimento de mim ainda ignoro. Primeiramente a amnésia me dominou totalmente, em seguida,  me vi colada a uma apatia sem nome. Vi pessoas em derredor de mim, sabia que um leito acolhedor me aguardava, entretanto, muito vagarosamente passei a interessar-me na busca de minhas próprias recordações. Percebia-me visitada por amigos, escutava - lhes os votos de recuperação tão rápida quanto possível, no entanto falar ainda era algo muito complicado nos mecanismos de relacionamento de que dispunha”. As centenas de mensagens recebidas mediunicamente por Chico Xavier, dos que, através da morte violenta resgatam perante as Leis Soberanas que nos controlam a evolução, confirmam que além dessa vida, tudo se dá como aqui, exigindo  a hospitalização para tratamento, local onde somos, muitas vezes, visitados por amigos, conhecidos ou familiares já transferidos para essa Dimensão vibratória. Seguindo, Olimar escreveu: “Passaram-se dias sobre dias, até que pude interpelar minha querida avó que se identificou para minha tranquilidade. Iniciei meus contatos e, com espanto, vim a saber que já não mais pertencia ao nosso mundo familiar, segundo os vínculos físicos. Aturdia- me saber que me achava num corpo absolutamente igual ao meu e a muito custo aceitei a realidade de que o outro, aquele que eu deixara no avião sinistrado, era uma veste que se me fizera inútil. A transição era violenta demais para que me conformasse sem rebeldia, sentia sim uma certa mágoa contra a vida, porque efetivamente não poderia dizer contra a morte, já que a morte passara a ser inexistente em meu modo de pensar e sentir. Dei largas ao meu pranto de angústia, o que minha avó Marieta considerou normal. Ela não me proibiu qualquer manifestação de tristeza ou desalento, mas me afirmou que seria muito importante superar a crise com minha força de vontade, como se naquelas horas a tivesse. Os conselhos e avisos, porém, valiam por medicações de muito significado para que eu conseguisse refazer energias a fim de revê-los e comecei a extrair do íntimo de meu próprio Ser, a decisão de vencer a mim própria. Reagi com as possibilidades de resistência que não perdera de todo e transferi-me da amargura para a esperança. Era preciso ajustar-me às Leis de Deus que são as Leis da Vida, compreender que os meus anseios de moça deviam ceder lugar a um entendimento melhor, e gradativamente consegui entrar no conhecimento de outros amigos, todos eles familiares queridos que me estimulavam à renovação. Avô Francisco, a nossa querida Dirce, o avô Bruno e tantos corações devotados como que me emprestavam novas forças ao meu cérebro a fim de que eu conseguisse pensar por mim mesma, e pude visita-los pela primeira vez. Reunimos as nossas lágrimas sem que assinalassem a minha presença e reconheci que se me fazia necessário o reerguimento de modo a ser-lhes útil”. Nesse ponto, alguns dados importantes. O primeiro, a menção dos familiares citados desconhecidos para Chico e desencarnados em 1956,1963 e 1976, respectivamente.  O segundo, a confirmação que as ligações mento-afetivas não cessam com a morte, sendo comum visitas, naturalmente respeitadas determinadas condições, entre os que morreram fisicamente e os que permanecem no Plano em que nos encontramos, muitas vezes, até durante o sono, fatos interpretados como sonhos. Segue Olimar: “- Tomei conhecimento de quanto haviam feito em meu auxílio e agradeço as preces e os atos de religião, os anseios de me tocarem inutilmente, as últimas lembranças e as flores que me ofertaram, desconhecendo de que maneira as colocariam ao meu dispor”. À época – 1982 – não se dispunha das técnicas de identificação existentes, obrigando a realização de um sepultamento coletivo, dado recuperado por Olimar numa das visitas aos pais, e ignorado até então pelo médium Xavier. A respeito das homenagens, Olimar considera: “Acontece, pais queridos, que eu não mais precisava de espaço terrestre para receber todas essas lembranças do coração, pois acolhi todos os gestos de amor que me dedicaram, por dentro de mim, qual se trouxesse comigo um imã desconhecido que os atraia. A dor da mamãe e o sofrimento do meu pai, com o pesar de nosso Geraldo e de todos os gestos de amor que me dedicaram, por dentro de mim, qual se trouxesse comigo um imã desconhecido que os atraia”. Essa referência diz respeito das flores que lhe foram ofertadas no cemitério de Fortaleza, onde não havia possibilidade de ser identificado o local dos restos mortais, gesto de carinho só do conhecimento dos parentes mais próximos. A carta da jovem, incluída no livro ESPERANÇA E ALEGRIA (ceu) continua, acrescentando detalhes que atestam que por trás das páginas escritas através do médium Chico Xavier, estava realmente a personalidade que a assinou.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

O Voo 168

O relógio mostrava ser pouco mais de 2 e meia da madrugada do dia 8 de junho de 1982, quando o comandante do Boing 727 – Super 200, anunciou pelo sistema de som interno do avião que iniciava o procedimento para a aterrisagem no Aeroporto Pinto Martins, em Fortaleza(CE). Solicitou que os passageiros fechassem o cinto de segurança, as luzes internas se apagaram e poucos minutos depois uma colossal explosão mudaria a história dos 137  ocupantes da aeronave que morreram após o choque violento da aeronave contra uma das elevações da Serra de Aratanha, no município de Pacatuba, a poucos quilômetros da capital cearense. Procedente de São Paulo, com escala no Rio de Janeiro, o voo 168 caiu sem que conseguisse explicações para o fato, pois era conduzido por um dos mais experientes pilotos da companhia aérea, e, além do escuro da noite, a aproximação visual enfrentava leve garoa que caia sobre a região. Vários empresários encontravam-se naquele voo, procedentes de importante feira têxtil que se encerrara na capital paulista e, entre eles, à época o segundo homem mais rico daquele estado, dono de poderoso grupo que opera na área de comunicação e exploração de derivado de petróleo. A dor que se abateu sobre todos os familiares que ficaram na retaguarda de nossa dimensão foi imensa, muitos mergulhando em profundo desespero pela inesperada tragédia, com a qual geralmente ninguém conta. Entre eles, porém, duas histórias tomariam rumo diferente tempos depois, com a confirmação de que seus entes queridos não haviam morrido, mas, apenas, perdido o corpo físico, tendo se transferido para outro Plano existencial, onde, em quase tudo, a vida segue em frente como aqui. A primeira delas, dona Ana Maria Temporal, mãe da passageira Rosana Maria Temporal Lara, jovem de apenas 18 anos, a qual viajava com o marido Renato, com quem se casara recentemente, acompanhada do irmão Afonso e do cunhado Júlio. A dor de dona Ana Maria, não se restringiu à perda dos filhos, do genro e do irmão deste, pois 10 meses após o acidente, seu marido José Temporal, vencido por depressão profunda, desencadeou processo degenerativo em seu corpo, o que determinou também sua morte. Dezessete meses depois da morte de Rosana, Dona Ana Maria, ganharia de presente de um irmão radicado em Brasília (DF), uma visita à Chico Xavier, em Uberaba, (MG), onde encontrou-se com o casal Lara, pais do genro Renato e Júlio, que igualmente pereceram na queda do avião. Ali no recinto do Grupo Espírita da Prece, misturados à compacta multidão que sempre se fazia presente no local, ouviram, ao final da reunião pública daquela noite/madrugada, Chico Xavier ler, entre outras, a longa, esclarecedora e confortadora carta de Rosana, acrescentando importantes detalhes à sua história que, como se vê, não terminou com o desastre. Para quem não teve a oportunidade de testemunhar como transcorriam essas reuniões, começavam pelas 20 horas, Chico em sala contígua à cabeceira da mesa em torno da qual se mantinham vários expositores comentando trechos do Evangelho, psicografava até às 22 horas, centenas de orientações do Dr Bezerra de Menezes para pessoas que as solicitavam, colocando no canto superior de uma folha de papel em branco, apenas seus nomes e idade. Em retornando ao seu lugar no salão principal em que caberiam no máximo umas 200 pessoas comprimidas, iniciava o recebimento das famosas cartas - às vezes uma,  outras até dez-, destinadas a pessoas presentes, em sua maioria desconhecidas por Chico, surpreendendo, muitas vezes, até os destinatários a riqueza de detalhes, nomes, apelidos e situações contidas no texto.  Entre as informações interessantes escritas por Rosana, relembra que ela e o marido Renato trocavam “ideias pela noite adentro enquanto o irmão e o cunhado descansavam. Se estivessem numa paisagem de guerra, não seriam tomados de tamanho assombro. O primeiro estampido no choque da máquina com o corpo da Serra me pareceu o grito lancinante de alguém anunciando-nos a morte. Renato abraçou-se a mim evidentemente com a ideia de proteger-me contra qualquer eventualidade, no entanto, esse gesto dele perdurou por um instante só. Outros brados do avião se fizeram seguidos por uma dispersão de tudo que éramos nós e toda bagagem de mão que havíamos acomodado no interior. Tive a ideia de que a velocidade do avião era tamanha que o contato indescritível do aparelho com a dureza da terra imprimia um estranho movimento a nós todos e a tudo o que nos cercava. Explico-me assim por que a ligeireza daquele engenho enorme passou a comandar-nos, atirando-nos à distância e nada mais vi senão a queda ao longe, na qual me senti esfacelada, a princípio, para depois reconstituir-me”. O orientador espiritual Emmanuel, através do médium que o servia, explicou  ao jornalista Clementino de Alencar, do jornal O GLOBO, em entrevista publicada em 1935( ver NOTÁVEIS REPORTAGENS COM CHICO XAVIER(ide) e PALAVRAS DO INFINITO(lake),  que o processo de desligamento do corpo espiritual do físico, em condições normais, consome no mínimo 50 horas para se consumar. Numa situação como a descrita por Rosana, a morte violenta, podemos presumir, deve acelerar essa etapa, elucidando o “me senti esfacelada, a princípio, para depois reconstituir-me”. Prosseguindo, ela recorda que “ouvia vozes de criaturas beneméritas a pedir calma e fé na Divina Providência e, sem que me fosse possível retirar um dedo sob o controle de minha própria vontade, fui deposta em maca tipo banguê no interior da qual entrei num sono longo, do qual despertei num aposento-enfermaria de grandes proporções”. Nas centenas de cartas de mais de 600 autores que pesquisamos do acervo construído pelo trabalho do médium mineiro, encontramos vários registros dizendo que “acontecimentos imprevisíveis na Terra, estão marcados para acontecer no Plano Espiritual”, o que explica a presença no local das “equipes de resgate”  citadas em várias delas e, aqui, por Rosana. O sono mencionado, confirma a etapa comum a todos os processos de “morrer”, do torpor descrito por Allan Kardec n’ O CÉU E O INFERNO”. Lembrando seu despertar, Rosana conta: “- As lágrimas haviam desaparecido de meus olhos, e por mais as procurasse para exprimir o sofrimento que me chegava à sensibilidade, após conscientizar-me, não as encontrei. Tinha a cabeça pesada e ocupada por visões estanhas e naquele mal estar indefiníveis que me possuiu, seria impossível para mim coordenar ideias ou palavras com as quais pudesse me dirigir |às enfermeira que deslizavam ali em silêncio. Tive medo. Quis gemer, no entanto, a minha voz morrera na garganta. Indagava de mim própria o que teria ocorrido, mas não dispunha de meios para qualquer manifestação. Aquelas santas mulheres que iam e vinham perceberam que o medo me ocupara todos os espaços da própria alma e, aos poucos, me ensinaram de novo a balbuciar palavras. Perguntei por meus pais, pela mãe Ivonete(sogra) e pelos nossos entes amados do coração... Eram os primeiros vocábulos que me escapavam da boca e fui informada de que voltáramos todos, os que viajávamos na máquina gigante, à Vida Espiritual. Esforcei-me. Ganhei novas energias e indaguei do Renato. Vim a saber que ele, Affonso e Júlio se encontravam em local diferente. Sofri o que o seu coração maternal coração e a querida mãe Ivonete podem imaginar até que, depois de providências sobre providências, fui transportada para perto dos amigos e do meu irmão, a fim de vê-los. A cena que se desenrolou não pode ser descrita por falta de terminologia que nos corresponda ao espanto. A muito custo, levantei-me, necessitando de alguém que me escorasse e as queridas mãezinhas aqui presentes conseguirão imaginar o sofrimento sem limites que me tomou o coração. Em horas semelhantes apenas a confiança em Deus me renovava as energias para ouvir o que me contavam. Não procurei estender minha visita. O receio de conturbar-me m empolgava a cabeça. Impossível associar ideias e traçar novos rumos, quando estávamos abatidos, sem coisa alguma por preservar ou defender que não fosse as nossas próprias almas transidas de dor. Um amigo nos exortou à paciência de profundidade, convidando-nos a pensar e com esse estímulo, foi possível iniciar nossa conversa. O Affonso e o Júlio falavam em Dulce e Maria do Carmo (respectivas esposas, a última gravida), enquanto o Renato me tomava as mãos. Então, como se as nossas últimas forças se entrelaçassem, conseguimos chorar, qual se o pranto fosse um poder capaz de aliviar-nos os corações. Não mais nos achávamos nas cercanias de Aratanha, porque o refúgio a que fomos conduzidos era um lugar ameno, adequado a se pensar na importância da calma após a tempestade. Saber-nos no corpo real, de que o corpo físico é apenas uma imperfeita exteriorização, espantou-nos, de vez que, em nosso entendimento, conservávamo-nos tais quais éramos. Não nos sentíamos leves porque a dor nos pesava em todo o Ser, entretanto, com os dias a tensão emocional de que nos víamos possuídos cedeu lugar a uma serenidade que atribuo à influência das preces de muitos amigos em nosso novo ambiente”. O corpo real a que Rosana se refere é o espiritual ou períspirito( ver postagem REPENSANDO CONCEITOS), cuja existência foi confirmada nos anos 60 por pesquisadores russos, por eles chamado Modelo Organizador Biológico do qual o corpo físico é apenas uma replica. A longa mensagem de Rosana, incluída na obra ANTE O FUTURO(ideal),  prossegue acrescentando detalhes igualmente surpreendentes mencionando inclusive ter acompanhado os dias finais do pai José, saber da busca da mãe por ensinamentos da vida e da morte, de seu envolvimento em tarefas de beneficência, revelando a profunda ligação mental mantida com ela, detalhe sempre presente nas cartas de vários Espíritos, psicografadas por Chico Xavier ao longo do tempo. A propósito, observa-se sempre que pensamentos desarmônicos de dor, revolta, desespero dos que ficam perturbam muito os que mudaram de dimensão, prejudicando sua readaptação no Plano Espiritual. Considerando-se aspectos como o teor da carta, a menção de inúmeros nomes e minudências relacionadas aos personagens envolvidos e a forma como foi recebida, ou seja, perante numeroso publico, a maior parte desconhecida por Chico, inclusive as duas famílias às quais a mensagem se dirigia, cabe a pergunta: como duvidar de sua autenticidade?