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sexta-feira, 1 de junho de 2012

O Voo 168

O relógio mostrava ser pouco mais de 2 e meia da madrugada do dia 8 de junho de 1982, quando o comandante do Boing 727 – Super 200, anunciou pelo sistema de som interno do avião que iniciava o procedimento para a aterrisagem no Aeroporto Pinto Martins, em Fortaleza(CE). Solicitou que os passageiros fechassem o cinto de segurança, as luzes internas se apagaram e poucos minutos depois uma colossal explosão mudaria a história dos 137  ocupantes da aeronave que morreram após o choque violento da aeronave contra uma das elevações da Serra de Aratanha, no município de Pacatuba, a poucos quilômetros da capital cearense. Procedente de São Paulo, com escala no Rio de Janeiro, o voo 168 caiu sem que conseguisse explicações para o fato, pois era conduzido por um dos mais experientes pilotos da companhia aérea, e, além do escuro da noite, a aproximação visual enfrentava leve garoa que caia sobre a região. Vários empresários encontravam-se naquele voo, procedentes de importante feira têxtil que se encerrara na capital paulista e, entre eles, à época o segundo homem mais rico daquele estado, dono de poderoso grupo que opera na área de comunicação e exploração de derivado de petróleo. A dor que se abateu sobre todos os familiares que ficaram na retaguarda de nossa dimensão foi imensa, muitos mergulhando em profundo desespero pela inesperada tragédia, com a qual geralmente ninguém conta. Entre eles, porém, duas histórias tomariam rumo diferente tempos depois, com a confirmação de que seus entes queridos não haviam morrido, mas, apenas, perdido o corpo físico, tendo se transferido para outro Plano existencial, onde, em quase tudo, a vida segue em frente como aqui. A primeira delas, dona Ana Maria Temporal, mãe da passageira Rosana Maria Temporal Lara, jovem de apenas 18 anos, a qual viajava com o marido Renato, com quem se casara recentemente, acompanhada do irmão Afonso e do cunhado Júlio. A dor de dona Ana Maria, não se restringiu à perda dos filhos, do genro e do irmão deste, pois 10 meses após o acidente, seu marido José Temporal, vencido por depressão profunda, desencadeou processo degenerativo em seu corpo, o que determinou também sua morte. Dezessete meses depois da morte de Rosana, Dona Ana Maria, ganharia de presente de um irmão radicado em Brasília (DF), uma visita à Chico Xavier, em Uberaba, (MG), onde encontrou-se com o casal Lara, pais do genro Renato e Júlio, que igualmente pereceram na queda do avião. Ali no recinto do Grupo Espírita da Prece, misturados à compacta multidão que sempre se fazia presente no local, ouviram, ao final da reunião pública daquela noite/madrugada, Chico Xavier ler, entre outras, a longa, esclarecedora e confortadora carta de Rosana, acrescentando importantes detalhes à sua história que, como se vê, não terminou com o desastre. Para quem não teve a oportunidade de testemunhar como transcorriam essas reuniões, começavam pelas 20 horas, Chico em sala contígua à cabeceira da mesa em torno da qual se mantinham vários expositores comentando trechos do Evangelho, psicografava até às 22 horas, centenas de orientações do Dr Bezerra de Menezes para pessoas que as solicitavam, colocando no canto superior de uma folha de papel em branco, apenas seus nomes e idade. Em retornando ao seu lugar no salão principal em que caberiam no máximo umas 200 pessoas comprimidas, iniciava o recebimento das famosas cartas - às vezes uma,  outras até dez-, destinadas a pessoas presentes, em sua maioria desconhecidas por Chico, surpreendendo, muitas vezes, até os destinatários a riqueza de detalhes, nomes, apelidos e situações contidas no texto.  Entre as informações interessantes escritas por Rosana, relembra que ela e o marido Renato trocavam “ideias pela noite adentro enquanto o irmão e o cunhado descansavam. Se estivessem numa paisagem de guerra, não seriam tomados de tamanho assombro. O primeiro estampido no choque da máquina com o corpo da Serra me pareceu o grito lancinante de alguém anunciando-nos a morte. Renato abraçou-se a mim evidentemente com a ideia de proteger-me contra qualquer eventualidade, no entanto, esse gesto dele perdurou por um instante só. Outros brados do avião se fizeram seguidos por uma dispersão de tudo que éramos nós e toda bagagem de mão que havíamos acomodado no interior. Tive a ideia de que a velocidade do avião era tamanha que o contato indescritível do aparelho com a dureza da terra imprimia um estranho movimento a nós todos e a tudo o que nos cercava. Explico-me assim por que a ligeireza daquele engenho enorme passou a comandar-nos, atirando-nos à distância e nada mais vi senão a queda ao longe, na qual me senti esfacelada, a princípio, para depois reconstituir-me”. O orientador espiritual Emmanuel, através do médium que o servia, explicou  ao jornalista Clementino de Alencar, do jornal O GLOBO, em entrevista publicada em 1935( ver NOTÁVEIS REPORTAGENS COM CHICO XAVIER(ide) e PALAVRAS DO INFINITO(lake),  que o processo de desligamento do corpo espiritual do físico, em condições normais, consome no mínimo 50 horas para se consumar. Numa situação como a descrita por Rosana, a morte violenta, podemos presumir, deve acelerar essa etapa, elucidando o “me senti esfacelada, a princípio, para depois reconstituir-me”. Prosseguindo, ela recorda que “ouvia vozes de criaturas beneméritas a pedir calma e fé na Divina Providência e, sem que me fosse possível retirar um dedo sob o controle de minha própria vontade, fui deposta em maca tipo banguê no interior da qual entrei num sono longo, do qual despertei num aposento-enfermaria de grandes proporções”. Nas centenas de cartas de mais de 600 autores que pesquisamos do acervo construído pelo trabalho do médium mineiro, encontramos vários registros dizendo que “acontecimentos imprevisíveis na Terra, estão marcados para acontecer no Plano Espiritual”, o que explica a presença no local das “equipes de resgate”  citadas em várias delas e, aqui, por Rosana. O sono mencionado, confirma a etapa comum a todos os processos de “morrer”, do torpor descrito por Allan Kardec n’ O CÉU E O INFERNO”. Lembrando seu despertar, Rosana conta: “- As lágrimas haviam desaparecido de meus olhos, e por mais as procurasse para exprimir o sofrimento que me chegava à sensibilidade, após conscientizar-me, não as encontrei. Tinha a cabeça pesada e ocupada por visões estanhas e naquele mal estar indefiníveis que me possuiu, seria impossível para mim coordenar ideias ou palavras com as quais pudesse me dirigir |às enfermeira que deslizavam ali em silêncio. Tive medo. Quis gemer, no entanto, a minha voz morrera na garganta. Indagava de mim própria o que teria ocorrido, mas não dispunha de meios para qualquer manifestação. Aquelas santas mulheres que iam e vinham perceberam que o medo me ocupara todos os espaços da própria alma e, aos poucos, me ensinaram de novo a balbuciar palavras. Perguntei por meus pais, pela mãe Ivonete(sogra) e pelos nossos entes amados do coração... Eram os primeiros vocábulos que me escapavam da boca e fui informada de que voltáramos todos, os que viajávamos na máquina gigante, à Vida Espiritual. Esforcei-me. Ganhei novas energias e indaguei do Renato. Vim a saber que ele, Affonso e Júlio se encontravam em local diferente. Sofri o que o seu coração maternal coração e a querida mãe Ivonete podem imaginar até que, depois de providências sobre providências, fui transportada para perto dos amigos e do meu irmão, a fim de vê-los. A cena que se desenrolou não pode ser descrita por falta de terminologia que nos corresponda ao espanto. A muito custo, levantei-me, necessitando de alguém que me escorasse e as queridas mãezinhas aqui presentes conseguirão imaginar o sofrimento sem limites que me tomou o coração. Em horas semelhantes apenas a confiança em Deus me renovava as energias para ouvir o que me contavam. Não procurei estender minha visita. O receio de conturbar-me m empolgava a cabeça. Impossível associar ideias e traçar novos rumos, quando estávamos abatidos, sem coisa alguma por preservar ou defender que não fosse as nossas próprias almas transidas de dor. Um amigo nos exortou à paciência de profundidade, convidando-nos a pensar e com esse estímulo, foi possível iniciar nossa conversa. O Affonso e o Júlio falavam em Dulce e Maria do Carmo (respectivas esposas, a última gravida), enquanto o Renato me tomava as mãos. Então, como se as nossas últimas forças se entrelaçassem, conseguimos chorar, qual se o pranto fosse um poder capaz de aliviar-nos os corações. Não mais nos achávamos nas cercanias de Aratanha, porque o refúgio a que fomos conduzidos era um lugar ameno, adequado a se pensar na importância da calma após a tempestade. Saber-nos no corpo real, de que o corpo físico é apenas uma imperfeita exteriorização, espantou-nos, de vez que, em nosso entendimento, conservávamo-nos tais quais éramos. Não nos sentíamos leves porque a dor nos pesava em todo o Ser, entretanto, com os dias a tensão emocional de que nos víamos possuídos cedeu lugar a uma serenidade que atribuo à influência das preces de muitos amigos em nosso novo ambiente”. O corpo real a que Rosana se refere é o espiritual ou períspirito( ver postagem REPENSANDO CONCEITOS), cuja existência foi confirmada nos anos 60 por pesquisadores russos, por eles chamado Modelo Organizador Biológico do qual o corpo físico é apenas uma replica. A longa mensagem de Rosana, incluída na obra ANTE O FUTURO(ideal),  prossegue acrescentando detalhes igualmente surpreendentes mencionando inclusive ter acompanhado os dias finais do pai José, saber da busca da mãe por ensinamentos da vida e da morte, de seu envolvimento em tarefas de beneficência, revelando a profunda ligação mental mantida com ela, detalhe sempre presente nas cartas de vários Espíritos, psicografadas por Chico Xavier ao longo do tempo. A propósito, observa-se sempre que pensamentos desarmônicos de dor, revolta, desespero dos que ficam perturbam muito os que mudaram de dimensão, prejudicando sua readaptação no Plano Espiritual. Considerando-se aspectos como o teor da carta, a menção de inúmeros nomes e minudências relacionadas aos personagens envolvidos e a forma como foi recebida, ou seja, perante numeroso publico, a maior parte desconhecida por Chico, inclusive as duas famílias às quais a mensagem se dirigia, cabe a pergunta: como duvidar de sua autenticidade?   

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