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segunda-feira, 21 de outubro de 2024

PRECE FUNCIONA?; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 “-Fui induzida a contemplar o que podemos chamar de aura da Terra. Meu guia exclamou: - Busca ver como a Humanidade se une pelo pensamento aos Planos Invisíveis. O teu golpe de vista abrangeu a paisagem, procure agora os detalhes. Fixando atentamente o quadro, notei que filamentos estranhos, em posição vertical, se entrelaçavam nas vastidões sem se confundirem. Não havia dois iguais e suas cores variavam do escuro ao claro mais brilhante. Alguns se apagavam, outros se acendiam em extraordinária sucessão e todos eram possuídos de movimento natural, sem uniformidade em suas particularidades. ‘-Esses filamentos – disse com bondade -, são os pensamentos emitidos pelas personalidades encarnadas. Esses raros que aí vês, e que se caracterizam pela sua alvura fulgurante, são os emitidos pela virtude e quando nos colocamos em imediata relação com uma dessas manifestações, que nos chegam dos Espíritos da Terra, o contato direto se verifica entre nós e a individualidade que nos interessa’. Aguçada minha curiosidade, quis entrar em relação com um pensamento luminoso que me seduzia, abandonando todos os outros, que nos circundavam, para só fixar a atenção sobre ele. Afigurou-se-me que os demais desapareciam, enquanto me envolvia nas irradiações simpáticas daquele traço de luz clara e brilhante. Ouvi comovedora prece, vendo igualmente uma figura de mulher ajoelhada e banhada em pranto. Num átimo de tempo, por intermédio de extraordinária interfluência de pensamentos, pude saber qual a razão das suas lágrimas, das suas preocupações e como eram amargos seus sofrimentos. Sensibilizada, instintivamente enviei-lhe pensamentos consoladores. Como se houvera pressentido, via-a meditar por instante com o olhar cheio de estranho brilho, levantando-se reconfortada para enfrentar a luta, sentindo grande alívio”. O curioso depoimento pertence ao Espírito Maria João de Deus que possibilitou a reencarnação a Chico Xavier, na condição de mãe, e que, em 1935, atendendo-lhe pedido começou a escrever CARTAS DE UMA MORTA (lake), concluído no ano seguinte. Pesquisando a prece, Allan Kardec, entrevistando os Espíritos que o auxiliaram a viabilizar a obra O LIVRO DOS ESPÍRITOS, obteve, entre outras, a informação na questão 662 que “pela prece aquele que ora, atrai os bons Espíritos que se associam ao Bem que deseja fazer”, comentando que “possuímos em nós mesmos, pelo pensamento e a vontade, um poder de ação que se estende muito além dos limites de nossa esfera corpórea”. N’ O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO, Kardec escreveu que “a prece é uma invocação: por ela nos pomos em relação mental com o Ser a que nos dirigimos(...). As dirigidas a Deus são ouvidas pelo Espíritos encarregados da execução dos seus desígnios(...). O Espiritismo nos faz compreender a ação da prece, ao explicar a forma de transmissão do pensamento (...). Para se compreender o que ocorre nesse caso, é necessário imaginar todos os seres, encarnados e desencarnados, mergulhados no Fluido Universal que preenche o espaço, assim como na Terra estamos envolvidos pela atmosfera. Esse fluido é impulsionado pela vontade, pois é o veículo do pensamento, como o ar é o veículo do som, com a diferença de que as vibrações do ar são circunscritas, enquanto as do Fluido Universal se ampliam ao Infinito. Quando, pois, o pensamento se dirige para algum Ser, na Terra ou no Espaço, de encarnado para desencarnado, ou vice-versa, uma corrente fluídica se estabelece de um a outro, transmitindo o pensamento, como o ar transmite o som. É assim que “a prece é ouvida pelos Espíritos, onde quer que eles se encontrem, que então nos transmitem suas inspirações”. Abordando o poder da prece diz que “está no pensamento, e não depende das palavras, do lugar, nem do momento em que é feita, podendo-se orar em qualquer lugar e a qualquer hora, a sós ou em conjunto”. Afirma que a “prece em comum tem ação mais poderosa”. Nas “reportagens” escritas através de Chico Xavier pelo Espírito conhecido como André Luiz, encontramos inúmeros ensinos a propósito da prece. No ENTRE A TERRA E O CÉU (feb), o Ministro Clarêncio afirma que a “prece, qualquer que ela seja, é ação provocando reação. Conforme sua natureza, paira na região em que foi emitida ou eleva-se mais, ou menos, recebendo a resposta imediata ou remota, segundo a finalidade a que se destina.”. André aprende existir a oração refratada, ou seja, aquela cujo impulso luminoso teve sua direção desviada, passando a outro objetivo”. Tal prece, no livro, fora formulada por adolescente órfã, 15 anos, rogando auxílio à mãe desencarnada, supondo que ela se encontrasse junto a Deus, quando na verdade, inconformada e atormentada, ela se mantinha na invisibilidade do próprio lar que deixara compulsoriamente pelo fenômeno da morte física. Mais à frente, ouve que “a oração é o meio mais seguro para obter-se a influência espiritual que se faz através do pensamento, no canal da intuição”, sendo ainda “o remédio eficaz de nossas moléstias íntimas”, abrindo um caminho de reajuste para o que ora.



Recebemos uma mensagem muito interessante da ouvinte de iniciais L.H., que diz o seguinte: “Fiquei encantada com os primeiros livros espíritas e ,agora, ouvindo o programa de vocês, me interessei mais. Desde pequena aprendi coisas boas sobre religião, mas sempre fiquei curiosa sobre o que acontece depois da morte, principalmente porque vi pessoas morrerem na minha família. Mas, minha religião não fala disso. Percebi, então, que as religiões não querem que a gente pergunte muito, porque para elas é um mistério de Deus. Aprendi que religião é só para acreditar e que ciência é para estudar e raciocinar. Mas o Espiritismo está me ensinando uma coisa maravilhosa: juntar a religião e a ciência, porque tudo é de Deus. Achei legal isso.”

Primeiro, agradecemos a ouvinte pela mensagem, que revela o seu despertar para um conhecimento novo e, além do mais, nos dá mais uma oportunidade de discorrer sobre esse importante tema. Pela forma como escreveu, julgamos que você seja uma jovem a procura de respostas. Quando esse despertar ocorre cedo, mais cedo a pessoa tem condições de se situar diante da própria vida e amadurecer espiritualmente. E fato, as religiões, de um modo geral, sempre colocaram uma barreira entre esta vida e a outra.

Aliás, essa barreira, que nos impede o conhecimento da verdade sobre determinada coisa, ficou conhecida, no campo das Ciências Sociais, como “tabu”. Tabu é a coisa proibida, intocável, que ninguém pode mexer; é a coisa sagrada para os povos primitivos, que acreditavam que a ação do homem devia ter um limite, além do qual ele estaria cometendo um sacrilégio. Essa concepção do que é proibido veio para o mundo civilizado como uma herança do passado remoto da humanidade, mas foi a religião que mais absorveu os “tabus”.

Na tradição judaico-cristã, por exemplo, buscar entender a vida depois da morte ou se comunicar com os que já se foram desta vida é um desses “tabus”, que só o pensamento científico ou racional é capaz de romper. Como o Espiritismo tem um aspecto científico – ou seja, como o Espiritismo procura investigar, estudar e compreender como se dão os fenômenos – ele teve a ousadia de ingressar nesse mundo desconhecido e descobrir o que existe lá, há mais de 160 anos, surpreendendo o mundo ( e principalmente as religiões) quando da publicação de O LIVRO DOS ESPÍRITOS, que caiu na sociedade francesa como uma bomba.

A descoberta do mundo espiritual – quer dizer, dessa dimensão do universo onde despertamos depois da morte – nos abre uma visão mais ampla e mais profunda da vida, pois, com isso, percebemos o seguinte: 1º) que somos Espíritos encarnados; 2º) que já vivemos antes e viveremos depois: 3º) que estamos destinados ao aperfeiçoamento constante: 3º) que os desencarnados podem se comunicar conosco e geralmente o fazem; 4º) que eles interferem mais em nossa vida do que podemos imaginar; 5º) que esses conhecimentos, de uma forma mais simples, já foram transmitidos ao longo da História da Humanidade pelos grandes mestres.

O mais importante de tudo isso é que existe uma “inteligência suprema, causa primária de todas as coisas”, que é Deus, em direção do qual todos estamos caminhando ao longo do processo evolutivo, porque tudo que saiu de Deus para Ele volta, porquanto Ele é perfeito. A evolução – ou seja, o progresso de cada um e da própria humanidade – só acontece por causa das reencarnações, e que o progresso mais difícil não é o intelectual, mas o progresso moral. Só com o progresso moral da humanidade é que vamos conhecendo dias melhores na marcha ascensional do planeta.

Isso explica porque Jesus, no Sermão da Montanha, disse: “Bem-aventurados os pacíficos, porque eles herdarão a Terra”. Isso significa que realmente há um progresso e que o nosso planeta ainda será um mundo de paz, quando os seres humanos compreenderem e viverem a fraternidade ensinada por Jesus. Talvez demore muito para acontecer isso, mas vai acontecer. Neste aspecto é que entra o sentido religioso do Espiritismo, quer dizer, a prática do bem, que é o caminho da felicidade humana, conforme os ensinamentos do próprio Cristo. Com estas rápidas pinceladas, acreditamos ter resumido para você o significado da Doutrina Espírita.


domingo, 20 de outubro de 2024

KARDEC, A FATALIDADE E A NUMEROLOGIA; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Questionado sobre o numero sete e sua recorrência no ensino das tradições sagradas do Cristianismo, o Espírito Emmanuel, através de Chico Xavier disse na resposta à pergunta 142 do livro O CONSOLADOR (1940, feb), “uma opinião isolada nos conduzirá a muitas análises nos domínios da chamada numerologia, fugindo ao escopo de nossas cogitações espirituais. Os números, como as vibrações, possuem a sua mística natural, mas, em face de nossos imperativos de educação, temos de convir que todos os números, como todas as vibrações, serão sagrados para nós, quando houvermos santificado o coração para Deus, sendo justo, nesse particular, copiarmos a antiga observação do Cristo sobre o sábado, esclarecendo que os números foram feitos para os homens, porém, os homens não foram criados para os números”. A propósito, Allan Kardec já havia se pronunciado a respeito, em longo artigo incluído na REVISTA ESPÍRITA, edição de julho de 1868, intitulado A CIÊNCIA DA CONCORDÂNCIA DOS NÚMEROS E A FATALIDADE. Dizendo não ter ainda se dedicado mais demoradamente sobre o assunto, reconhecendo existirem casos sugestivos sobre concordâncias singulares e as datas de certos acontecimentos, não ver razão para tal coincidência e que, “porque não se compreende uma coisa, não é motivo para que ela não exista”, visto “o que hoje é utopia, poderá ser verdade amanhã”. Considerando a proporcionalidade da Lei das Probabilidades, em suas considerações finais, acrescenta: “-Tendo o homem o livre arbítrio, em nada entra a fatalidade em suas ações individuais; quanto aos acontecimentos da vida privada, que por vezes parecem atingi-lo fatalmente, tem duas fontes bem distintas: uns são consequência direta de sua conduta na existência presente; muitas pessoas são infelizes, doentes, enfermas por sua falta; muitos acidentes são resultado da imprevidência; ele não pode queixar-se senão de si mesmo e não da fatalidade ou, como se diz, de sua má estrela. Os outros são inteiramente independentes da vida presente e parecem, por isto mesmo, devidos a uma certa fatalidade. Mas, ainda aqui o Espiritismo nos demonstra que essa fatalidade é apenas aparente, e que certas posições penosas da vida tem sua razão de ser na pluralidade das existências. O Espírito as escolheu voluntariamente na erraticidade, antes de sua encarnação, como provações para o seu adiantamento. Elas são, pois, produto do livre arbítrio, e não da fatalidade. Se algumas vezes são impostas, como expiação, por uma vontade superior, é ainda por força das más ações voluntariamente cometidas pelo homem em existência precedente, e não como consequência de uma lei fatal, pois que ele poderia ter evitado, agindo de outro modo. A fatalidade é o freio imposto por uma vontade superior à sua, e mais sábia que ele, em tudo o que não é deixado à sua iniciativa. Mas ela jamais é um entrave no exercício de seu livre arbítrio, no que toca as suas ações pessoais. Ela não pode impor-lhe nem o mal, nem bem; desculpar uma ação má qualquer pela fatalidade ou, como se diz muitas vezes, pelo destino, seria abdicar o julgamento de Deus, que lhe deu, para pesar o pró e o contra, a oportunidade ou inoportunidade, as vantagens e os inconvenientes de cada coisa. Se um acontecimento está no destino de um homem, realizar-se-á a despeito de sua vontade, e será sempre para o seu bem; mas as circunstâncias da realização, dependem do emprego que ele faça de seu livre arbítrio, e muitas vezes ele pode voltar em seu prejuízo o que poderia ser um bem, se agir com imprevidência, e se se deixar arrastar por suas paixões. Ele se engana mais ainda se toma o seu desejo ou os desvios de sua imaginação por seu destino”.


Esta pergunta, que vamos responder agora, vem da cidade de Gália (SP), e diz o seguinte: “ O que acontece com o Espírito quando o corpo é cremado? Não seria melhor que ele fosse sepultado? Será que o Espírito, já desencarnado, pode sofrer os efeitos do fogo?”

Esta é uma dúvida muito comum. Sobre isso, há duas posições radicais: a daqueles que são totalmente contra a cremação e os que se manifestam abertamente a favor. Mas o problema não é tão simples assim. Cada caso é um caso. A cremação de cadáveres é um dos processos mais antigos praticados pelo homem. Em algumas sociedades este costume era considerado corriqueiro e fazia parte do cotidiano da população, por se tratar de uma medida prática e higiênica.

Alguns povos utilizavam a cremação para rituais fúnebres: os gregos, por exemplo, cremavam seus cadáveres por volta de 1.000 A.C. e os romanos, seguindo a mesma lista de tradição, adotaram a prática por volta do ano 750 A.C. Nessas civilizações, como a cremação era considerada um destino nobre aos mortos, o sepultamento era reservado aos criminosos, assassinos, suicidas e aos fulminados por raios (considerada até então uma "maldição" de Júpiter). As crianças falecidas mesmo antes de nascerem os dentes também eram enterradas.

No Japão, a cremação foi adotada com o advento do Budismo, em 552 D.C, importado da China. Como em outras localidades, ela foi aceita primeiramente pela aristocracia e a seguir pelo povo. Incentivados pela falta de lugares para sepultamento, pois o Japão possui pouquíssimo espaço territorial, os japoneses incrementaram significativamente a prática. Em 1867, foi promulgada uma lei que tornava obrigatório incinerar as pessoas mortas por doenças contagiosas para um controle sanitário eficaz e eficiente, bem como para racionalizar e obter melhor uso da terra. Os cidadãos passaram a considerar normal cremar todos os mortos e todas as religiões passaram a recomendá-la.

Na verdade, somos um povo que temos por tradição o sepultamento de cadáveres, diferentemente desses outros povos. O que pesa muito nessa decisão são os valores religiosos. Já, no Espiritismo – que é uma doutrina racional - pensamos primeiramente se o fato de o corpo ser incinerado não traria consequências desagradáveis para o Espírito. Isso realmente pode acontecer, quando o Espírito é dema0siado apegado ao corpo e se recusa a desencarnar.

Mas, como pode acontecer isso? Quem é muito apegado a valores materiais, no sentido de que não admite a idéia de que possa ter de deixar todos os seus bens materiais, evidentemente sofre para desencarnar. É a consequência do apego. Mas não sofre apenas porque terá o corpo cremado (e poderá se apavorar diante dessa perspectiva), mas sofre também porque terá seu corpo enterrado, decomposto ou devorado pelos vermes. Trata-se de uma reação natural a quem não consegue se desligar com facilidade daquilo que acha que lhe pertence. Aliás, o apego sempre é um obstáculo no momento de qualquer separação.

Na verdade, o períspirito – formado de uma matéria muito sútil e, portanto, invulnerável aos agentes físicos, como o fogo - não sofre diretamente seus efeitos. O que pode acontecer, em certos casos, é o Espírito, tendo consciência do que está acontecendo, guardar a impressão de que está sendo queimado, e ficar apavorado. Não se tem notícia, na literatura espírita, de que uma cremação possa ter provocado algum problema mais grave ao espírito. O que se sabe é que o apego demasiado à matéria – seja ao corpo, seja a qualquer outro bem passageiro – sempre será um obstáculo à desencarnação.

Independente disso, o uso da cremação está se generalizando no mundo e, também, no Brasil, considerado como uma medida de higiene pública. Quando a pessoa se sente bem com a idéia de que seu cadáver será cremado e aceita isso com naturalidade, ela deve comunicar à família que prefere a cremação; mas quando isso não acontecer, por cautela, ainda é preferível que se faça uso do sepultamento comum. Todavia, Emmanuel recomenda, no livro “O CONSOLADOR”, que se aguarde 72 horas do óbito para o procedimento da cremação.




sábado, 19 de outubro de 2024

O QUE TODOS QUEREM SABER; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Convivendo com fatos relacionados ao Mundo Espiritual, natural que se queira mais informações sobre essa realidade invisível ao sentido da visão de que somos dotados. Paulatinamente, desde o surgimento do Espiritismo várias entidades desencarnadas, através de inúmeros médiuns, tem transferido para nossa Dimensão informes tão precisos quanto possível, até pelas restrições de nosso vocabulário para definir e explicar coisas para que ainda não temos palavras. Um deles operoso trabalhador na seara espírita de Belo Horizonte (MG), desencarnado em 1953. Pouco depois, manifestou-se por intermédio de Chico Xavier durante reunião havida no Centro Espírita Luiz Gonzaga, na noite de 7 de outubro de 1954. Seu nome Efigênio Victor que, enquanto encarnado, funcionou como médium em duas Casas Espíritas da capital mineira. Comentando que alimentou por anos tal curiosidade, recém chegado ao outro Plano, sua primeira comunicação mediúnica não poderia falar de outra coisa que não fosse suas impressões sobre a Vida no chamado Além. Tentando explicar o que fosse possível, diz o Espírito: -“Operamos aqui em bases de matéria noutra modalidade vibratória. Possuímos nossa sede de trabalho em Cidade Espiritual, que se localiza nas regiões superiores da Terra ou, mais propriamente, nas regiões inferiores do Céu. Gradativamente, a Humanidade compreenderá, com dados científicos e positivos, que há no Planeta outras faixas de vida. Na elucidativa mensagem repassada psicofonicamente através de Chico Xavier, Efigênio, a certo trecho diz: -“Acima da crosta terrestre comum, temos uma cinta atmosférica que classificamos por ‘cinta densa’, com a profundidade aproximada de 50 quilômetros e, além dela, possuímos a ‘cinta leve’, com a profundidade aproximada de 950 quilômetros, somando 1000 quilômetros acima da Esfera em que os encarnados respiram. Nesse grande mundo aéreo, encontramos múltiplos exemplares de almas desencarnadas, junto de variadas espécies de criaturas sub-humanas, em desenvolvimento mental no rumo da Humanidade.”. Quase vinte anos antes, o Espírito daquela que foi mãe de Chico Xavier, Maria João de Deus no livro CARTAS DE UMA MORTA (lake), revelou: -““A Terra é o centro, isto é, a sede de grande número de Esferas Espirituais que a rodeiam de maneira concêntrica. Não posso precisar o número dessas esferas, porque elas se alongam até um limite que a minha compreensão, por enquanto, não pode alcançar”. Acrescentou também: -“Quanto mais evoluído o Ser, mais elevada será sua habitação, até alcançar o ponto em que essas Esferas se interpenetram com as de outros mundos mais perfeitos”. (...). “Temos casas, pássaros, animais, reuniões, institutos como os das famílias terrenas, onde se agrupam os Espíritos através das mais santas afinidades”. Mais à frente, o Espírito André Luiz reproduz no livro OS MENSAGEIROS (1944; feb), uma informação do Instrutor Aniceto de que “há, porém, outros Mundos Sutis, dentro dos mundos grosseiros, maravilhosas Esferas que se interpenetram.  Cada uma dessas divisões compreende outras, conforme asseguram os Espíritos, distinguindo-se por vibrações distintas que se apuram à medida que se afastam do núcleo. Os que estão acima podem transitar pelas esferas que lhe estão abaixo; os que estão nas Esferas Inferiores não podem, sozinhos, passar para as Esferas Superiores”. “Se cortarmos uma cebola ao meio, teremos uma ideia de como se superpõem e interpenetram essas Esferas, Planos e Sub-Planos”.


Vi na televisão o caso de uma criança que nasceu com múltiplas deficiências e, com o tratamento à base de exercícios físicos, ela está conseguindo muitos movimentos que uma criança, sem o tratamento, jamais conseguiria. Minha dúvida é a seguinte: se quem comanda o corpo é o Espírito e o Espírito reencarnou com essas deficiências, como que fazendo exercícios físicos, sem o comando do espírito, ela pode se recuperar? (D.A.M.)

As descobertas da ciência, cada vez mais, estão reforçando a tese espírita da reencarnação. E este é um caso em que podemos perceber a estreita relação entre o desenvolvimento do corpo e o espírito. O corpo não é apenas um instrumento passivo ou um veículo para conduzir o Espírito nesta vida. Ele é bem mais que isso. Na medida em que ele agasalha o espírito, ele também ajuda a ativá-lo, a recuperar perdas ou a desenvolver potencialidades.

Por exemplo, a inteligência. Em várias de suas obras, André Luiz, pelo médium Chico Xavier, mostra que são as necessidades do corpo que estimulam o Espírito ao seu desenvolvimento, a começar das necessidades básicas ligadas diretamente ao instinto: como a respiração, a fome, a sede, o sexo. Neste particular, no livro NO MUNDO MAIOR, o autor faz uma síntese da evolução do Espírito, desde seu estágio mais primitivo, quando diz o seguinte:

... “o princípio espiritual, desde o obscuro momento da criação, caminha sem parar para a frente. Afastou-se do leito oceânico, atingiu a superfície das águas protetoras, movendo-se em direção à lama das margens, debateu-se no charco, chegou à terra firme, experimentou na floresta copioso material de formas representativas, ergueu-se do solo, contemplou os céus e, depois de longos milênios, durante os quais aprendeu a procriar, alimentar-se, escolher, lembrar e sentir, conquistou a inteligência...”

E continua falando da jornada do Espírito na Terra: “ Viajou do simples impulso à irritabilidade, da irritabilidade para a sensação, da sensação para o instinto, do instinto para a razão. Nessa penosa romagem, inúmeros milênios decorreram sobre nós. Estamos em todas as épocas, abandonando esferas inferiores, a fim de escalar as superiores. O cérebro é o órgão sagrado de manifestação da mente, em trânsito da animalidade primitiva para a espiritualidade humana.”

Com isso, André Luiz deixa claro que todas as aquisições do ser humano, depois de milhões de anos de vida sobre a Terra, decorrem de suas experiências ante as agruras da natureza. Assim, todo esforço de adaptação às mais diferentes e difíceis situações – para obter abrigo, comida e satisfação - em que o corpo foi colocado à frente para suportar e se transformar, foi no sentido de aperfeiçoar cada vez mais o próprio Espírito na sua escalada de progresso.

Ora, caro ouvinte, se isso aconteceu no passado por injunção da natureza, que veio exigindo transformações do corpo e do espírito, hoje isso acontece, inclusive, com a intervenção da ciência – seja através da medicina, da fisioterapia ou de qualquer outro campo de atendimento à saúde humana. Todo melhoramento que conseguirmos do corpo, no sentido de lhe dar melhores de condições de se adaptar à vida e desenvolver suas capacidades, refletirá diretamente no Espírito e o ajudará a percorrer mais depressa seu trajeto evolutivo.

Para compreender melhor o tema procure ler “EVOLUÇÃO EM DOIS MUNDOS”, de André Luiz, recebido pelos médiuns Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira.






sexta-feira, 18 de outubro de 2024

COMO GARANTIR A PAZ DO AMANHÃ; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Em programa de debates de um dos canais de notícia da TV paga, um Desembargador e um Promotor de Justiça ligado à área da Infância e Juventude discutiam sobre a necessidade de se reduzir a maioridade penal em face do crescente aumento da violência garantida pela impunidade em nossa sociedade. O Promotor, favorável à mudança da diminuição do limite vigente, defendendo seu ponto de vista, disse ter ouvido jovens afirmarem que “atiram em suas vitimas somente para vê-las cair”, não demonstrando nenhum tipo de constrangimento em relação à vida humana. Sua observação nos fez lembrar a atualidade de questionamento no comentário de Allan Kardec à resposta da pergunta 685 d’ O LIVRO DOS ESPÍRITOS, quando diz “quando se pensa na massa de indivíduos diariamente lançados na corrente da população, sem princípios, sem freios, entregues aos próprios instintos, deve-se admirar das consequências desastrosas desse fato?”. E, nesse aspecto, o Espiritismo tem importantes considerações a fazer. Aponta a educação da criança como preocupação essencial na formação de indivíduos, durante o período em que a personalidade construída em existências anteriores encontra-se bloqueada pela “anestesia” do esquecimento do passado, resgate que se dá por volta dos quinze anos de idade. Em comunicação espiritual espontânea lida na reunião de 14 de janeiro de 1859, publicada no número de fevereiro da REVISTA ESPÍRITA, recolhemos alguns tópicos importantes. 1- Não conheceis o segredo que, em sua inocência, ocultam as crianças; não sabeis o que são, nem o que foram, nem o que hão de ser. Entretanto vós as amais, vós as prezais como se fossem uma parte de vós mesmos e de tal modo que o amor da mãe pelos filhos é considerado como o maior amor que um Ser possa ter a outro Ser. 2- As crianças são os seres que Deus envia a novas existências; e para que elas não possam queixar-se de sua grande severidade, dá-lhes toda a aparência da inocência; mesmo numa criança naturalmente má, os defeitos são cobertos pela inconsciência de seus atos. Esta inocência não é uma superioridade real sobre aquilo que foram antes. Não: é a imagem do que deveriam ser; e se não o são, a culpa cairá sobre elas unicamente. 3- Mas não foi apenas por elas que Deus lhes deu tal aspecto; foi também – e, sobretudo – por seus pais, cujo amor é necessário à sua fraqueza; e este amor ficaria singularmente enfraquecido à vista de um caráter impertinente e intratável, ao passo que, supondo os filhos bons e meigos, lhes dão toda a sua afeição e os cercam das atenções mais delicadas. 4- Quando, entretanto, as crianças não mais necessitam dessa proteção, dessa assistência, que lhes foi dada durante quinze ou vinte anos, seu caráter real e individual aparece em toda a sua nudez: permanece bom, se for fundamentalmente bom, mas se irisa sempre de nuanças que estavam ocultas pela primeira infância. 5- A infância tem ainda outra utilidade. Os Espíritos só entram na vida corpórea para o seu aperfeiçoamento, para sua melhora; a fraqueza da infância os torna flexiveis, acessíveis aos conselhos da experiência e daqueles que tem o encargo de seu progresso. É então que seu caráter pode ser reformado, pela repressão de suas más inclinações. Tal o dever que Deus confiou aos pais, missão sagrada pela qual hão de responder”. Diante de tais ponderações, perguntamos: na atualidade, o exercício da paternidade e da maternidade, tem algum tipo de orientação nesse sentido? A questão da espiritualidade é cogitada pelos responsáveis pelo Espírito a ele vinculado pela consanguinidade? O comportamento social do jovem e da criança hoje, aproxima-se da civilidade ou do primitivo? Goethe, poeta e pensador alemão escreveu que “só é possível ensinar uma criança a amar, amando-a”. Seu caso ou dos exemplos que observa ao redor, incluem no currículo de matérias a serem ministradas na convivência com os filhos o amor?



 “Li na internet que o beatle, Paul McCartney, revelou a uma revista que, quando está compondo suas músicas, conversa com seu ex-parceiro, John Lennon. Ora, todo mundo sabe que John Lennon morreu há mais de 30 anos. Mas Paul diz que a conversa com ele fica mais interessante, quando precisa de uma opinião sobre a música que está compondo; então, ele pergunta ao John o que deveria fazer e o John responde. Será que McCartney conversa mesmo com o Espírito de John Lennon, ou tudo não passa de imaginação”? Esta pergunta foi passada pela ouvinte Elma Suzete de Almeida.

Elma, n’O LIVRO DOS ESPÍRITOS encontramos uma resposta muito interessante a Kardec, quando ele pergunta se os Espíritos desencarnados influem em nossa vida. A resposta é esta: “Muito mais do que podeis imaginar, pois, de ordinário, eles vos comandam”. Há pessoas, mesmo entre os espíritas, que acham exagerada essa afirmação; mas, na verdade, poucos realmente atinaram para o significado mais profundo dessa resposta.

A influência dos Espíritos em nossa vida é tão comum quanto natural, de modo que estamos habituados a ela e, por causa disso, dificilmente percebemos, a não ser quando temos uma sensibilidade mediúnica muito apurada, que são casos mais raros. Nós, os encarnados, não percebemos os Espíritos, que se acham numa dimensão espacial acima da nossa: podem ver-nos, mas nós não os vemos; podem ouvir-nos, mas nós não os ouvimos.

Contudo, Elma, todos somos médiuns, pois todos estamos sujeitos a influências sutis dos Espíritos. Às vezes, uma ideia que nos ocorre de relance, sem que tenhamos atinado para isso, pode vir de uma entidade Espiritual: é assim que nossos protetores entram em contato conosco e é assim, também, que os obsessores, por vezes, nos perturbam. Mas, devido à vida agitada de hoje, a mente humana está muitíssimo envolvida com muitas preocupações ao mesmo tempo, o que lhe causa sérios transtornos emocionais e dificulta mais ainda qualquer percepção espiritual.

Isso porque, no torvelinho da vida moderna, cada vez mais solicitados a pensar em várias coisas simultaneamente, não achamos espaço para meditar, para nos entregar (ainda que por poucos minutos) a uma viagem interior, onde vamos nos encontrar e onde podemos encontrar também pensamentos que não nossos, idéias que não são nossas e até sentimentos que não nos pertencem.

Desse modo, devido aos laços de simpatia que Lennon e McCartney, desde a adolescência, é possível que eles possam trocar idéias a respeito de músicas que estão sendo compostas, uma vez esta é uma atividade de que Lennon também gosta muito de se ocupar. Se Paul tem consciência disso – como ele diz que tem - e se esforça para estar em contato com o ex-parceiro, com certeza, dele deve receber alguma intuição que o ajudam na elaboração de suas produções, uma vez que oferece condições favoráveis a esse tipo de influência espiritual.

quinta-feira, 17 de outubro de 2024

ESTAVA ESCRITO; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 No ultimo dia 2 de novembro, recebi de um amigo replica de uma carta atribuída a uma médica que trabalha em Munique, na Alemanha, expondo a difícil situação enfrentada pelos alemães com a chegada de mais de um milhão de refugiados, carregados de doenças, fanatismo religioso, agressivos, impondo um clima de grande instabilidade na até bem pouco tempo vida dos moradores da importante nação europeia, fatos e aspectos que a mídia local e internacional não divulga. Aproveitando a presença no Velho Continente de outro amigo que por lá realiza trabalhos jornalísticos encaminhei-lhe o texto, solicitando confirmasse as informações, respondeu: -“Na tive nem terei, acho, contato com os alemães, porém, com franceses e suíços,  isso realmente esta acontecendo. Estão infelizes e horrorizados e - a grande maioria -  revoltados com tudo isso. A informação procede. Estão chegando dessa maneira mesmo e a TV e mídia não estão noticiando. Na França, em Lyon onde estive até hoje, tudo esta um caos”. Revendo o capítulo 18 do livro A GÊNESE, de Allan Kardec, curiosos e atuais comentários podem ser lidos: 1 - A Humanidade tem realizado, até o presente, incontestáveis progressos. Os homens, com a sua inteligência, chegaram a resultados que jamais haviam alcançado, sob o ponto de vista das ciências, das artes e do bem-estar material. Resta-lhes ainda um imenso progresso a realizar: o de fazerem que entre si reinem a caridade, a fraternidade, a solidariedade, que lhes assegurem o bem-estar moral.. Já não é somente de desenvolver a inteligência o de que os homens necessitam, mas de elevar o sentimento e, para isso, faz-se preciso destruir tudo o que superexcite neles o egoísmo e o orgulho. 2 - Não se trata de uma mudança parcial, de uma renovação limitada a certa região, ou a um povo, a uma raça. Trata-se de um movimento universal, a operar-se no sentido do progresso moral. Uma nova ordem de coisas tende a estabelecer-se, e os homens, que mais opostos lhe são, para ela trabalham a seu mau grado. 3 - Uma mudança tão radical como a que se está elaborando não pode realizar-se sem comoções. Há, inevitavelmente, luta de ideias. Desse conflito forçosamente se originarão passageiras perturbações, até que o terreno se ache aplanado e restabelecido o equilíbrio. É, pois, da luta das ideias que surgirão os graves acontecimentos preditos e não de cataclismos ou catástrofes puramente materiais. 4 - A Humanidade se transforma, como já se transformou noutras épocas, e, cada transformação se assinala por uma crise que é, para o gênero humano, o que são, para os indivíduos, as crises de crescimento. Aquelas se tornam, muitas vezes, penosas, dolorosas, e arrebatam consigo as gerações e as instituições, mas, são sempre seguidas de uma fase de progresso material e moral. 5 - A humanidade é um ser coletivo em quem se operam as mesmas revoluções morais por que passa todo ser individual, com a diferença de que umas se realizam de ano em ano e as outras de século em século. 6 - De duas maneiras se opera, como já o dissemos, a marcha progressiva da humanidade: uma, gradual, lenta, imperceptível, se se considerarem as épocas consecutivas, a traduzir-se por sucessivas melhoras nos costumes, nas leis, nos usos, melhoras que só com a continuação se podem perceber, como as mudanças que as correntes de água ocasionam na superfície do globo; a outra, por movimentos relativamente bruscos, semelhantes aos de uma torrente que, rompendo os diques que a continham, transpõe nalguns anos o espaço que levaria séculos a percorrer. É, então, um cataclismo moral que traga em breves instantes as instituições do passado e ao qual sobrevém uma nova ordem de coisas que pouco a pouco se estabiliza, à medida que se restabelece a calma, e que acaba por se tornar definitiva. 7 - O progresso intelectual realizado até o presente, nas mais largas proporções, constitui um grande passo e marca uma primeira fase no avanço geral da humanidade; impotente, porém, ele é para regenerá-la. Enquanto o orgulho e o egoísmo o dominarem, o homem se servirá da sua inteligência e dos seus conhecimentos para satisfazer às suas paixões e aos seus interesses pessoais, razão por que os aplica em aperfeiçoar os meios de prejudicar os seus semelhantes e de os destruir. 8- Somente o progresso moral pode assegurar aos homens a felicidade na Terra, refreando as paixões más; somente esse progresso pode fazer que entre os homens reinem a concórdia, a paz, a fraternidade.


Num artigo publicado no jornal AÇÃO ESPÍRITA, de Marília, Orson Peter Carrara escreveu sobre “Consciência Política”, afirmando que cada um de nós – cidadãos conscientes de seus deveres legais e morais para com a sociedade – deve estar atento na escolha daqueles que vão tomar decisões sobre o futuro da sociedade. A ouvinte, Maristela Balbino quer que falemos a respeito.

Na verdade, Maristela, podemos partir da leitura do capítulo “Lei de Sociedade”, que encontramos na terceira parte de O LIVRO DOS ESPÍRITOS de Allan Kardec. O Espiritismo não é omisso em e nenhuma questão relativa à sociedade humana. No entanto, há pessoas que ainda não compreenderam que nenhum de nós pode viver distante da política. Não estamos falando da política partidária, mas estamos usando o termo “política” no sentido mais amplo da palavra.

Aliás, a palavra “política” , no seu sentido original, quer dizer administração da cidade. No tempo em que essa palavra passou a ser usada, ela se referia às cidades-estados da Grécia Antiga, séculos antes de Cristo Ora, nós sabemos que ninguém vive só; todos os seres humanos vivemos em grupos ou comunidades, que chamamos de sociedade. Sociedade, porque somos todos sócios dessas comunidades e, portanto, todos temos interesse em que elas funcionem bem, atendendo às necessidades da população.

Ser político, portanto, não é apenas ocupar um cargo público ( como prefeito ou governador, vereador, deputado ou senador), mas é ser, acima de tudo, um bom cidadão, uma pessoa de bem, trabalhando não só em função de seus interesses particulares e de sua família, mas também em função dos interesses gerais da sociedade, que tem o dever de nos proteger . Por quê? Porque, se a sociedade somos todos nós. Se ela não estiver bem, seremos atingidos por seus problemas.

É por isso que vivemos em sociedade. Para aprendermos a ser solidários, já que não podemos ser solitários, viver isoladamente. Solidariedade quer dizer “estar ao lado dos outros”, trabalhar pelo interesse comum, pelo bem de todos, a fim de que todos os cidadãos – sejam eles quem forem – possam viver com respeito e dignidade. Nesse capítulo de O LIVROS DOS ESPÍRITOS, lemos exatamente isso.

Quando Jesus nos recomendou a prática do bem ao próximo, foi nesse sentido, pois o próximo são todos aqueles que convivem conosco, na mesma comunidade. Se alguns não conseguem ter uma vida digna, se passam necessidade ou não podem usufruir dos direitos que lhes pertencem – como moradia, educação, saúde, segurança, justiça, etc. – é porque a sociedade não alcançou seu objetivo. Os cidadãos conscientes, sabendo que todos somos iguais perante a Lei de Deus, não poderão se omitir diante dessa injustiça e, ao fazer alguma coisa para ajudar a solucionar o problema, estarão praticando um ato político.

Logo, consciência política é saber conviver dentro de uma sociedade, sabendo sustentar a sua vida e ajudar os que ainda não conseguiram chegar à sua mesma condição. O cidadão, portanto, poderá cumprir com sua obrigação legal e moral, pelo menos, de três maneiras. Primeira: cumprindo com a parte que lhe compete no dia-a-dia de sua vida, junto aos seus familiares. Segunda: fazendo algo pela sociedade em que vive, além de seu próprio dever. E terceira: elegendo seus representantes no governo, além de fiscalizando sua atuação.

quarta-feira, 16 de outubro de 2024

RISCOS; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Em artigo com que abre o número de fevereiro de 1863, Allan Kardec oferece-nos excelentes elementos para nos orientar diante de uma prática polêmica para muitos praticantes da mediunidade: a evocação de Espíritos. Parte de um fato relatado pelo médico Dr. Chaigneau correspondente da Sociedade Espírita de Paris, ligado à instituição congênere do interior da França. Conta sobre “uma família que fazia evocações com um ardor desenfreado, arrastada por um Espírito que se mostrou muito perigoso. Era um de seus parentes, morto depois de uma vida desregrada, terminada por vários anos de alienação mental. Sob nome suposto, por surpreendentes provas mecânicas, belas promessas e conselhos de uma moralidade sem reservas. Tinha conseguido de tal modo fascinar aquela gente muito crédula, que submetia todos às suas exigências e os obrigava aos atos mais excêntricos. Não podendo mais satisfazer todos os seus desejos, pediram nosso conselho e tivemos muito trabalho para os dissuadir e lhes provar que tratavam com um Espírito da pior espécie. Conseguimo-lo, entretanto, e pudemos obter que, ao menos por algum tempo se abstivessem. Desde então a obsessão tomou outro caráter: o Espírito se apoderava completamente do filho mais moço, de quatorze anos, o reduzia ao estado de catalepsia e, por sua boca, solicitava entretenimentos, dava ordens, fazia ameaças. Aconselhamos o mais completo mutismo, que foi observado rigorosamente. Os pais entregaram-se às preces e vinham procurar um de nós para os assistir(...) Praticamente, hoje, tudo cessou. Esperamos que na casa a ordem dê lugar à desordem. Longe de se desgostarem do Espiritismo, creem mais do que nunca, mas creem mais seriamente. Agora compreendem seu fim e as consequências morais; todos compreendem que receberam uma lição; alguns uma punição, talvez merecida”. Comenta Kardec:-“Este exemplo prova, mais uma vez, o inconveniente de nos entregarmos às evocações sem conhecimento de causa e sem objetivo sério. Graças aos conselhos da experiência, que aquelas pessoas escutaram, puderam desembaraçar-se de um inimigo, talvez terrível. Ressalta outro ensinamento não menos importante. Aos olhos dos desconhecedores do Espiritismo, o rapaz teria passado por um louco; não deixariam de lhe dar o tratamento correspondente e talvez desenvolvendo uma loucura real. Com a assistência de um médico espírita, o mal foi atacado em sua verdadeira causa e não teve consequências. Já o mesmo não se deu no fato seguinte. Um senhor de nosso conhecimento, residente numa cidade provinciana muito hostil às ideias espíritas, de súbito foi tomado de uma espécie de delírio, no qual dizia coisas absurdas. Como se ocupasse de Espiritismo, naturalmente falava de Espíritos. Sem aprofundar as coisas, e alarmados, os que o cercavam trataram de chamar médicos, que o declararam atacado de loucura, com muita satisfação dos inimigos do Espiritismo., e já falavam em interna-lo numa casa de saúde. Tudo quanto coligimos em relação àquele senhor prova que ele se achou, de repente, sob o império de uma subjugação momentânea, talvez favorecida por certas condições físicas. Foi a ideia que ele teve. Escreveu-nos e nós lhe respondemos. Infelizmente nossa carta não lhe chegou a tempo e dela só teve conhecimento muito mais tarde”. Lamentando o ocorrido, o destinatário, relatou o fato a Kardec, dizendo do quanto teria sido importante receber suas palavras que confirmaria suas suspeitas de “estar sendo joguete de uma obsessão, tranquilizando-o, pois de tanto ouvir que estava louco, acabou acreditando, ideia que o torturava a ponto que se o fato tivesse continuado não sabe o que teria acontecido”. Acrescenta Kardec: -“Consultado a respeito, um Espírito respondeu: -‘Esse senhor não é louco; mas a maneira por que o tratam poderá torna-lo louco. Mais ainda: poderiam mata-lo. O remédio para o seu mal está no próprio Espiritismo, e o consideram erroneamente’. Perguntado se seria possível, à distância, agir sobre ele, afirmou que “sem dúvida, sim; mas sua ação é paralisada pela má vontade dos que o cercam”. Conclui Kardec dizendo que “casos análogos ocorreram em todas as épocas; e muitos foram presos como loucos, sem o serem. Só um observador experimentado nestes assuntos os pode apreciar. E como hoje se encontram muitos médicos espíritas, em casos semelhantes convém a estes recorrer. Um dia a obsessão será colocada entre as causas patológicas, como o é hoje a ação de animais microscópicos, de cuja existência não se suspeitava antes da invenção do microscópio. Mas então reconhecer-se-á que nem as duchas nem as sangrias poderão curá-la. O médico que não admite nem busca senão causas puramente materiais é tão impróprio a compreender e tratar tais afecções, quanto um cego o é para distinguir cores”.



No Espiritismo sempre ouvimos falar de Espíritos que vem nos prejudicar. Então eu pergunto: por que Deus permite isso? (Cassia Helena Rodrigues)

Temos o mau costume de atribuir a Deus o mal que nos acontece, Cássia, como se Deus pudesse ser a causa de nosso sofrimento. Aliás, nós humanos somos ágeis para apontar culpados, de tal modo que a culpa sempre é dos outros,...ou de Deus. Por outro lado, nós nos eximimos de qualquer responsabilidade. Com certeza, não é uma boa maneira de encarar a vida. Jesus disse que Deus é amor. Ora, se Deus é amor, nada de mal que nos aconteça pode provir de Deus. E, se não vem de Deus, vem de onde? – você pergunta.

Nesse ponto entra o Espiritismo para dizer que o mal vem de nós mesmos. Quem são os Espíritos senão seres humanos desencarnados, pessoas que, até há algum tempo, estavam vivendo na Terra como nós? Nessa questão, precisamos considerar a chamada Lei de Atração: o bem atrai o bem, o mal atrai o mal. As abelhas são atraídas pelo perfume e pelo colorido da flor, enquanto que ratos e baratas são atraídos pelo odor fétido do lixo e do esgoto.

E nós, o que atraímos? Você deve conhecer aquele provérbio popular que diz: “Diga com quem andas e eu direi quem és.” Mas o contrário também é verdadeiro: “Diga quem és e eu te direi com quem andas”. Então, perguntamos: quem são as nossas companhias? Que tipo de vida levam nossos amigos? Veja, portanto, que tudo é uma questão de sintonia e que, portanto, aqueles que nos acompanham dependem de nós.

No Espiritismo não temos aquela visão simplória de que o obsedado é uma vítima inocente , enquanto o obsessor seria um algoz implacável. Não, não é tão simples assim. Há várias implicações que fazem com que um esteja ligado ao outro. Há um livro muito interessante que explica bem essas relações, e que você deve ler: trata-se da obra “A OBSESSÃO E SUAS MÁSCARAS”, da Dra. Marlene Nobre. Nossas companhias espirituais são aqueles que estão ligados a nós por fatos do presente e do passado, assim como nossos amigos encarnados.

Vamos dar um exemplo: se uma pessoa tem o péssimo hábito de reclamar da vida, se ela vivemos se queixando disso aquilo, deixando no caminho um rastro de descrença e derrotismo, certamente ela não pode ter ao seu lado Espíritos bons. À medida que ela vai se atolando no lamaçal da descrença e do derrotismo, criticando tudo e todos, seus laços com as péssimas companhias espirituais vão se fortalecendo, abrindo um caminho para a obsessão e para a doença. É a lei da vida. O que queremos mais? Temos o que buscamos.

Ao contrário, uma pessoa que se mostra alegre e disposta, que sabe enfrentar uma situação difícil com serenidade e coragem (ainda que sofrendo), só pode trazer para seu lado pessoas e Amigos Espirituais que queiram ajudá-la e fortalecê-la ainda mais. Com o você sabe, nem mesmo o mais pessimista se sente bem na companhia de outro pessimista. Queremos conosco aqueles que nos transmitem boas sensações, bons sentimentos, pois sua companhia sempre nos proporciona alegria e bem-estar.

Portanto, Cássia, não se trata de Deus permitir ou não a ação de obsessores sobre os encarnados, uma vez que a obsessão sempre começa no espírito de cada um, por seus sentimentos, atitudes e conduta. É um caminho que escolhemos, ainda que de forma involuntária ou inconsciente. De modo que, se estivermos mais atentos à maneira como vivemos e convivemos, se nos conhecermos melhor, com certeza, teremos melhores condições de corrigir certos vícios que nos amarram a processos obsessivos e doentios, tornando-nos pessoas mais saudáveis e felizes.

Aí vem a outra questão: e Deus ajuda a nos livrar de obsessores? Claro que sim; nem poderia ser diferente. Ele nos ajuda tanto por intermédio de nossos protetores – tanto os encarnados quanto os desencarnados. Protetor sempre é alguém com mais conhecimento, com mais juízo, com mais bom senso, que quer nos ajudar. Mas, convenhamos, Cássia: os bons nunca nos violentam. Quando não conseguem se aproximar, quando percebem que nós próprios recusamos ajuda, eles se afastam e, nessas ocasiões, acabamos sozinhos – ou melhor, acabamos nos compactuando com aqueles que nos prejudicam.

Então, você pergunta: e para que servem as sessões mediúnicas de desobsessão do centro espírita? Essas sessões, na verdade, não constituem um recurso exclusivo para curar a obsessão. Obsessão só se cura com a permissão do obsidiado – mais do que isso, com o seu convencimento e o seu esforço em melhorar-se. Por isso, não basta a sessão. Na sessão você fala com o desencarnado. Mas é preciso mais que isso. É preciso conversar muito com o encarnado, para que ele aprenda e tome uma decisão importante na vida: a de melhorar-se como pessoa. Assim como não se consegue a cura de uma doença apenas com remédio, da mesma forma não se obtém a cura da obsessão apenas com algumas sessões mediúnicas.

É por isso, Cássia, que é difícil curar ar. A pessoa atormentada, em primeiro lugar, precisa se curar interiormente, afastando a causa da atração. Mas se ela continua reincidindo nos mesmos erros que antes, se o seu pensamento vive num mundo comprometido com maus sentimentos – isto é, se apesar de tudo nada mudou - mais ou mais tarde volta a obsessão. Retirar o Espírito, como muita gente diz, sem que o obsidiado se esforce por melhorar a conduta, é como tomar o remédio e continuar abusando da saúde, ou como tomar um banho e se atolar na lama outra vez.


terça-feira, 15 de outubro de 2024

COMENTÁRIOS NO PLANO ESPIRITUAL ; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Já nos anos 80 do século XX, as estatísticas mostravam um crescimento vertiginoso de mortes de jovens de forma natural ou acidental, precipitando familiares, sobretudo mães e pais, no abismo da dor e sofrimento moral nunca imaginado na “zona de conforto” em que viviam. Uma avaliação da evolução desses índices de lá para cá, revelarão um aumento exponencial de tais casos. Claro que o exercício do livre arbítrio continua a produzir vítimas a todo instante neste Planeta, revelado pelo Espiritismo como situado na faixa das Expiações e Provas, impondo de forma inexorável – embora gradual – os efeitos daquilo que causamos com nossas ações, motivadas, invariavelmente, por anseios de projeção ou exploração no meio em que as criaturas se acham inseridas. Naturalmente associada à evolução das densidades demográficas observadas nos diferentes continentes, o fato é que o Espiritismo acrescenta dado sugestivo na análise desses acontecimentos. Uma mensagem psicografada pelo médium Chico Xavier confirma isso. Na verdade era a segunda recebida de um jovem – Luiz Roberto Estuqui Jr -, desencarnado em 4 de janeiro de 1984, num acidente nas imediações de Araraquara (SP), a caminho de São José do Rio Preto (SP), localidade em que residia. A primeira carta, psicografada na reunião publica de 24 de fevereiro, apenas 50 dias após sua trágica morte, revela aspectos curiosos, embora óbvios: quem morre não aceita facilmente o abandono dos projetos perseguidos; o chamado corpo espiritual ou períspirito é submetido a tratamentos específicos; familiares desencarnados há mais tempo geralmente assistem o recém-chegado para numa faixa menor de tempo se readaptar à vida de que se afastou um dia para reencarnar. No caso de Luiz Roberto, um dos seus acompanhantes foi um tio – Fausto João Estuqui – vitima de fatal acidente de avião nas imediações de Votuporanga (SP), oito anos antes. Foi através dele que o jovem comunicante obteve a resposta procurada por muitos, notadamente os que são surpreendidos pelas perdas de entes queridos. E não só esclarece a dúvida acalentada por tantos, como oferece em seguida seu próprio exemplo para os que querem refletir. Relata Luiz Robert em sua carta de 15 de setembro de 1984: - “O tio Joaozinho, a quem levo as suas perquirições para estudo, e por entender melhor a vida, me respondeu que, por amigos daqui, veio a saber que milhões de pessoas estão passando pela desencarnação no tempo áureo da existência, porque nos achamos numa fase de muitas mudanças na Terra. E aqueles Espíritos retardatários em caminho, quando induzidos a considerar a extensão das próprias dívidas, aceitam a prova da desencarnação mais cedo do que o tempo razoável para a partida, e são atendidos com a separação de pais e afetos outros, no período em que mais desejariam continuar vivendo, em razão do tempo que perderam com frivolidades nas vidas que usufruíram. São muitos os companheiros que se retiram da Terra, compulsoriamente, das comodidades humanas em que repousavam, de modo a rematarem o resgate de certos débitos que os obrigavam a sofrer no âmago da própria consciência”. Atendo-se ao caso, do próprio informante, Luiz Roberto escreveu: -“Ele mesmo, o tio Joãozinho, me explicou que tendo pedido exames para saber o motivo pelo qual perdeu o corpo numa queda de avião, foi conduzido, por Menores competentes, junto dos quais pôde ver, num processo de regressão, as causas da desencarnação violenta pelo qual foi obrigado a alcançar. Disse-me que conseguiu observar cenas tristes de que fora protagonista, há mais de trezentos anos, nas quais se via na posição de algoz de vasta comunidade humana, atirando pessoas em poços de tamanho descomunal, por motivos sem maior importância. Assim, ele precipitou muita gente do alto de montes ásperos e empedrados, com o objetivo de conquistar destaque nas posições da finança e do poder. As faltas cometidas permaneceram impunes, por ausência de autoridades nas localidades de sua atuação, mas, perante a Justiça Divina, os disparates levados a efeito foram assinalados para resgate em tempo oportuno. Desse modo, o tio afirmou que tendo arrasado a vida de muita gente, do ápice de montanhas alcantiladas e espinhosas, conseguiu liberar-se com a angústia por ele sofrida na queda da máquina que o resguardava. Disse-me que a morte o liberava de pagamentos quase inexequíveis, já que devia unicamente o remate de débitos contraídos, considerava o acidente aéreo uma solução benigna para ele que se vê agora, sem a mácula de culpa alguma”. Evidencia-se desta forma as sutilezas da Lei de Causa e Efeito, administrando os processos evolutivos dos habitantes da Terra.



Pergunta de Paulete Burneiko Leite, por e-mail: “Gostaria de saber se o fato de se adiantar o nascimento da criança, por meio de cesária, pode prejudicar o Espírito.”

A Associação Médico-Espírita do Brasil, cuja sigla é AME, considera – diante dos conhecimentos médicos e diante do conhecimento espírita – que, embora a utilização da cesariana possa ser uma opção da própria gestante, o melhor para o Espírito reencarnante ( e, na maioria das vezes, para a própria mãe) é o parto normal, e que a técnica da cesariana deveria seria utilizada somente em casos de real necessidade – ou seja, por questão de saúde e sob recomendação médica, e não da forma indiscriminada como tem ocorrido.

Isto porque a cesariana, como todos sabem, é um processo cirúrgico e, como tal, oferece riscos associados à anestesia, infecção e complicações intra e pós-cirúrgicas ( por menor que sejam), tanto para o bebê quanto para mãe, durante e após o parto, enquanto que o parto normal é a forma que a natureza escolheu e preparou para um Espírito vir ao mundo. Afirma, ainda, a Associação Médico-Espírita que as gestantes que, geralmente, optam pela cesariana, são aquelas que têm medo da dor do parto, mas que esse problema pode ser perfeitamente contornável se ela for psicológica e espiritualmente preparada para esse momento.

Dizem os médicos da AME que, na maioria das vezes, a mulher cria uma expectativa negativa sobre parto, quando deveria considera-lo como o momento mais importante de sua vida, onde ela se realiza totalmente na conquista definitiva da condição de mãe. Esse medo resulta de comentários que ouve, de relatos de dramas sofridos em tais situações, muitas vezes exagerados pelas pessoas que contam, e esse fator acaba gerando insegurança e medo na gestante, que não ousa encarar o parto. Num artigo da AME, publicado em 2006, encontramos as seguintes considerações;

Um “... fator que tem colaborado para o aumento das cesarianas é o medo que as gestantes têm de sentir as dores do parto. Um grande defeito que possuímos é o de enfatizar sempre os nossos sofrimentos. Não são poucas as mulheres que buscam valorizar a dor que sentiram nesse momento, e algumas chegam ao cúmulo de utilizar isso como forma de chantagem com seus cônjuges e filhos. E como sabemos, notícia ruim se espalha rápido.

“ Sobre esse assunto – continua o artigo médico - algumas questões sempre me intrigaram: Por que na Sala de Pré-Parto, todas as parturientes passam pelo mesmo processo e reagem de maneiras tão diversas? Se a dor é tão insuportável, por que não são raros os casos de pacientes que tiveram mais de um filho? Bem, sabemos que a forma como respondemos a um mesmo estímulo doloroso é subjetiva, porém trabalhos científicos têm nos brindado com informações muito importantes. Hoje, está claro que a ansiedade e o estresse maternos aumentam o número de receptores para os hormônios relacionados a dor.

E conclui a matéria” “Assim, quanto mais tranquila a paciente, menor será o seu sofrimento. É nesse ponto que gostaria de destacar a importância do apoio, não só por parte do parceiro e da família, mas também do médico obstetra. Deles virão a segurança e a confiança de que a parturiente tanto precisa.”

Evidentemente, Paulete, como você e os demais podem perceber, a questão não é tão grave, porque se escolheu a cesariana no lugar do parto normal. Contudo, do ponto de vista médico e espiritual, é sempre melhor e mais seguro seguir o ritmo da natureza, a não ser quando o parto natural oferece riscos. O nascimento pelo parto normal, além disso, também é uma experiência para o próprio Espírito, que pode ter valor na sua caminhada evolutiva, até porque, ao longo da história humana – de encarnação em encarnação – todos nós precisamos passar e aprender com esse tipo de experiência.


segunda-feira, 14 de outubro de 2024

ESPIRITISMO, HOMEOPATIA E INTERESSANTES REVELACÕES; EM BUSCA DA VERDADE COM O POROFESSOR

 Tão desdenhado pela comunidade científica do século 19 quanto o magnetismo e o Espiritismo, a Homeopatia encontrou entre os adeptos da proposta espírita, campo fértil para sua expansão – embora paulatina -, no século 20, agora, no 21. Na edição de agosto de 1863 da REVISTA ESPÍRITA, no artigo de abertura daquele número, entre outras considerações Kardec afirma: -“Provando o poder de ação da matéria espiritualizada, a Homeopatia se liga ao papel importante que representa o períspirito em certas afecções; ataca o mal em sua própria fonte, que está fora do organismo, cuja alteração é apenas consecutiva. Tal a razão pela qual a Homeopatia triunfa numa porção de casos em que falha a Medicina ordinária: mais que esta, ela leva em conta o elemento espiritual, tão preponderante na economia, o que explica a facilidade com que os médicos homeopatas aceitam o Espiritismo e porque a maioria dos médicos espíritas pertencem à escola de Hahnemann”. Em março de 1867, analisando e discordando da possibilidade dos medicamentos Homeopáticos modificarem disposições morais, escreve: -“Os medicamentos homeopáticos, por sua natureza etérea, tem uma ação de certa forma molecular; sem contradita podem, mais que outros, agir sobre certas partes elementares e fluídicas dos órgãos e lhes modificar a constituição íntima (...). Não se pode agir sobre o Ser espiritual senão por meios espirituais (...). Nos embalaríamos em ilusões se esperássemos de uma medicação qualquer um resultado definitivo e durável”. No mesmo ano, em junho, retornaria ao tema, contestando comentário do médico Charles Grégory, dizendo: -“Os medicamentos homeopáticos podem ter uma ação sobre o moral, agindo sobre os órgãos de sua manifestação, o que pode ter sua utilidade em certos casos, mas não sobre o Espírito; que as qualidades boas ou más e as aptidões são inerentes ao grau de adiantamento ou de inferioridade do Espírito, e que não é com um medicamento qualquer que se pode fazê-lo avançar mais depressa, nem lhe dar as qualidades que não pode adquirir senão sucessivamente e pelo trabalho”. Mais de um século depois, o Espírito Carlos Eduardo Frankenfeld de Mendonça, desencarnado em 22 de novembro de 1980, na cidade de Niterói (RJ) revelaria aspectos interessantes envolvendo a Homeopatia. Carlos, um dos três filhos de um Engenheiro e de uma Médica, foi vitima de um ataque cardíaco durante a madrugada, enquanto dormia. Onze meses depois, confirmaria sua sobrevivência em emocionante carta psicografada por Chico Xavier, em Uberaba (MG). A partir daí, serviu-se do médium mineiro ao longo de toda a década de 80, fornecendo detalhes extremamente curiosos sobre suas atividades no Plano Espiritual. Uma delas motivou sua mãe a se especializar em Homeopatia para atender os necessitados assistidos pelo Grupo Espírita Regeneração ao qual ela e o marido serviam como voluntários desde antes da inesperada morte do filho. Uma delas relacionada à AIDS – Sindrome de Imunodeficiência Adquirida, contida na mensagem de 22 de junho de 1989, informa ter se filiado com o avô materno João Antonio, a uma escola de combate ao vírus psicogênico, estando na esperança de que muito em breve haverá recursos para a preparação da vacina adequada. A certa altura, poderá: -“Não sei se esse agente negativo foi produto do desequilíbrio dos pensamentos”. Noutra, recebida em 30 de novembro de 1989, relata: -“Quando possível, vou ao encontro da Mãezinha Edda, tomar informes sobre os que pedem auxílio na casa da “Regeneração”. Estas primeiras notas do dia seguem comigo para a sede de nossas atividades, que se acham sob a orientação e revisão de assessores do Dr Dias da Cruz, que se encarregam de visitar a moradia e ver as condições do enfermo que precisa ser medicado. Os membros da família são examinados e o ambiente doméstico é rigorosamente observado pelo colega que foi então designado para anotar os elementos de que o doente faz “inalação”. Se há entidades em processo obsessivo no lar visitado, esses Espíritos necessitados de luz espiritual são vistoriados e com esses ingredientes informativos, faz-se a ficha do irmão ou da irmã enferma, a fim de que qualquer irregularidade seja sanada.


Ana Luiza Felix, mandou para MOMENTO ESPIRITA seguinte pergunta: “ Por que existem tantas guerras no mundo? Já não estava no tempo de viver num mundo de paz?”

“Qual é a causa que leva o homem à guerra?” - Eis a pergunta que Kardec fez aos Espíritos. E a resposta está na questão 742 de O LIVRO DOS ESPÍRITOS, onde lemos: “Predominância da natureza animal sobre a natureza espiritual e satisfação das paixões. No estado de barbárie os povos não conhecem senão o direito do mais forte; por isso, a guerra é para eles um estado normal. A medida que o homem progride, ela se torna menos frequente, porque lhe evita as causas e, quando necessária, sabe aliá-la à humanidade”.

A resposta dos Espíritos diz tudo, Ana Luiza . Se, após 2 mil de Jesus, ainda temos guerra no mundo e principalmente nas terras onde Jesus viveu, é porque, de um modo geral, não conseguimos superar a fase de animalidade – ou seja, ainda agimos muito pelo instinto, aliado aos desvarios de nossas paixões. Na verdade, o estado de guerra em âmbito mundial é uma projeção dos conflitos que temos dentro de nós, que vivemos no seio da família ou na comunidade.

Os animais podem se combater entre si, mas se o fazem é por necessidade de sobrevivência. Já o ser humano que, acima de tudo, tem fascínio pelo poder, guerreia para conquistar mais riqueza, mais prestígio e para submeter os outros à sua vontade. A guerra, portanto, advém do preconceito, da intolerância e do ódio, inclusive do ódio religioso, de pessoas que não sabem o que é Deus, revivendo os tempos bíblicos mais recuados.

Entretanto, os próprios Espíritos, prevendo o caminhar progressivo da humanidade, acenam para a possibilidade de a guerra desaparecer um dia da Terra. Mas isso “quando os homens compreenderem a justiça e praticarem a lei de Deus”, que é a lei do amor. Como você pode perceber, ainda estamos longe disso. Primeiro, porque a evolução moral não caminha no mesmo ritmo para todos os indivíduos, e em face disso ainda existem lideranças que incentivam o ódio e dominam a vontade do povo e proclamam a guerra em nome de Deus.

Imagine que disparate, Ana Maria: guerrear em nome de Deus!... Isso já aconteceu muito no passado, quando Deus era conhecido como Senhor dos Exércitos, e ainda continua em determinados pontos de nosso planeta. Mas, se você prestar atenção, perceberá que as religiões também brigam entre si, cada uma querendo ter a primazia de Deus. A chamada intolerância religiosa só não se mostra mais ativa, por causa das leis que coíbem a discriminação. Caso contrário, nós teríamos, mesmo dentro de nosso país, certos grupos incentivando e promovendo a guerra religiosa, infelizmente.

As religiões, que deveriam se abraçar, para proclamar a paz, muitas vezes, são as primeiras que estimulam a guerra. Por outro lado, hoje temos alguns pontos de conflitos bélicos no mundo, que chamam a atenção, preocupam e provocam indignação geral. Basta você acompanhar o noticiário internacional para perceber que o mundo está incomodado com a guerra, que existe muita gente lutando pela paz. Isso já é um sinal de progresso, Ana Maria, pois se trata de um avanço moral, que era completamente desconhecido ao tempo de Jesus e antes dele. Todavia, não podemos esquecer que, na Espiritualidade, também existe um grande esforço nesse sentido.

E nós, daqui da Terra, podemos ajudar, sim. Se não gostamos de guerra, que cada um de nós, no dia a dia de sua vida, procure espalhar a paz, vivendo e convivendo com respeito e compreensão em relação aos outros, a começar do ambiente de sua família. E que nos unamos numa corrente de preces, emitindo pensamentos de compaixão aos povos em guerra, para que a Espiritualidade encontre em nós o apoio necessário para envolver e iluminar as decisões que estão sendo tomadas pelos grandes líderes mundiais.

Eduardo