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segunda-feira, 21 de agosto de 2023

CRIANÇAS NO PLANO ESPIRITUAL ; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR


Estima a ONU que seis mil crianças morrem diariamente na Terra, a maioria por causas derivadas da precariedade do saneamento ambiental (falta de água, saneamento básico, fome). A esses sintomas nascidos na visão imediatista dos políticos, em sua maioria sem maiores comprometimentos com o povo pelo qual deveria trabalhar, deve-se acrescer, segundo autoridade espiritual o “infanticídio inconsciente e indireto largamente praticado no mundo, havendo mulheres cujo coração ainda se encontra em plena sombra, mais fêmeas que mães, obcecadas pela ideia do prazer e da posse. De um ângulo mais abrangente, Allan Kardec ouviu daqueles que o auxiliaram na elaboração d’ O LIVRO DOS ESPIRITOS, questão 199, que “a duração da vida de uma criança pode ser, para o seu Espírito, o complemento de uma vida interrompida antes do termo devido, e sua morte é frequentemente uma prova ou uma expiação para os pais”. A propósito, comentário sobre a dor de pais diante dessas perdas inesperadas, no livro AÇÃO E REAÇÃO, encontramos que “as entidades que necessitam de tais lutas expiatórias, são encaminhadas aos corações que se acumpliciaram com elas em delitos lamentáveis, no pretérito distante ou recente, ou, ainda, aos pais que faliram junto dos filhos, em outras épocas, a fim de que aprendam na saudade cruel e na angústia inominável o respeito e o devotamento, a honorabilidade e o carinho que todos devemos na Terra ao instituto da família”. O que acontece, porém com esses Espíritos, em sua maioria, praticamente expulsos da vida física recentemente iniciada? “- Antigamente, na Terra, conforme a teologia clássica, supúnhamos que os inocentes, depois da morte, permaneciam recolhidos ao descanso do limbo, sem a glória do Céu e sem o tormento do inferno e, com as novas concepções do Espiritualismo, acreditávamos que o menino reencarnado retomasse, de imediato, a sua personalidade de adulto. Em muitas situações, é o que acontece quando o Espírito já alcançou elevada classe evolutiva”. (...) “Contudo, para a grande maioria das crianças que desencarnam, o caminho não é o mesmo”. Através de Chico Xavier, não só o assunto ganhou conteúdo mais dilatado, como objetivo. Já em NOSSO LAR (feb,1943), encontramos referências a educandário para jovens e crianças. No ENTRE A TERRA E O CÉU (feb,1954), André Luiz ouve explicações sobre o Lar da Bênção, parte de vasto estabelecimento de assistência e educação, com capacidade para atender duas mil crianças, distribuídas em grande conjunto de lares abrigando até doze assistidos, quase todos destinados ao retorno à nossa Dimensão para a reintegração no aprendizado que lhes compete”. Um manancial de informações do ponto de vista quantitativo desprende-se das centenas de cartas psicografadas pelo médium nas reuniões públicas de Uberaba, entre os anos 70 e 90. Nelas, muitos elementos para reflexões. Numa das escritas por Moacyr Stella aos pais dos quais se separou aos 32 anos, em consequência de um câncer de cabeça, formado recentemente em Medicina, especialização em pediatria, conta que, ultrapassados os difíceis primeiros tempos após sua desencarnação, integrara-se ao serviço em um berçário, que o prendia a duzentos pequeninos, crianças desterradas do lar em que nasceram. Há, todavia, interessante livro publicado em 1988, assinado por Cláudia Pinheiro Galasse, desencarnada, seis anos antes, aos 18 de idade, em tratamento de recuperação, só em princípios de 1983, conseguiu equilibrar-se à custa de persistente esforço mental. Admitida em 1984, em um dos vários Institutos de apoio à infância no Além, promovida a professora em 1985. No livro intitulado ESCOLA NO ALÉM (ideal,1988), Claudia revela dedicar-se com amigas durante o dia a uma espécie de creche onde as crianças são separadas por faixa etária ( no seu caso, de meses até dois anos), sendo substituídas à noite, por mães desencarnadas. Explica serem as crianças enviadas pela Direção Geral, com instruções e avisos referentes a cada uma, que as abrigadas onde trabalha em sua maioria são de São Paulo, que trabalha com mais de cem, aplicando-se programas educativos recebidos semanalmente de Departamento Superior. Disciplina, horários específicos, passeios e hora de recreio fazem parte dessas atividades. Afirma ainda, entre inúmeras informações, não existir nenhuma desamparada e que muitas mães, durante o repouso físico, são levadas a visitar os filhos já domiciliados no Plano Espiritual . 



- Certa vez eu fui levado a um trabalho espírita onde vi uma pessoa ser batizada pelo orixá. Mas, depois, nunca mais vi isso, mesmo participando de algumas sessões. Gostaria de saber por que nem todos os espíritas aceitam o batismo.(PJS)

Na primeira vez você deve ter participado de algum trabalho mediúnico espiritualista, mas não-espírita. Nem todas as práticas, que muitas vezes se ostentam o nome de Espiritismo, são na verdade espíritas.

Espíritas, no sentido verdadeiro e estrito da palavra, são os grupos mediúnicos que seguem as diretrizes doutrinárias das obras de Allan Kardec, codificador da Doutrina Espírita.

Foi Kardec que propôs a doutrina, nos meados do século XIX, de uma forma clara e inconfundível, estabelecendo, desde então, que na prática espírita não existem rituais ou qualquer tipo de cerimônia ou de sacerdote.

Isso porque o Espiritismo não é uma religião no sentido comum em que se emprega essa palavra e, por isso, um dos aspectos em que difere das religiões é a ausência de rituais, vestes especiais e altares.

O batismo, por outro lado, é um ritual de iniciação muito antigo, que data dos mais distantes anos da antiguidade.

Do ponto de vista religioso, ele sempre foi visto como uma cerimônia de purificação e de consagração com que a pessoa se iniciava num caminho religioso;

Antes de ser conhecido na Judeia e antes de ser utilizado por João Batista, esse cerimonial do batismo, sob diversas formas, já era utilizado na Índia e em outras nações do Oriente.

João Batista, porém, resolveu adotá-lo na Judeia como forma de converter as pessoas para um caminho novo, adotando a prática da imersão nas águas do Rio Jordão.

O propósito de João Batista era louvável e ele acreditava que, assim, poderia obter a fidelidade do convertido a uma nova ordem moral que vinha pregando.

Jesus soube do esforço de João e fez questão de se submeter àquele ritual, demonstrando que concordava com a nova ordem moral que João defendia.

Contudo, morto João e vendo a necessidade de prosseguir lutando por uma nova moral, Jesus não adotou o batismo e nenhum outro cerimonial em sua atividade missionária.

Não porque Jesus discordasse de João, mas porque julgou desnecessárias as práticas religiosas comuns para converter as pessoas à compreensão da nova ordem de ideias.

Aliás, na sua curta missão, Jesus não utilizou de nenhuma ritualística.

Ao contrário, em algumas ocasiões até criticou os fariseus, devotados às práticas religiosas convencionais, ressaltando que nem todos os que dizem “Senhor! Senhor!”, entrarão no reino dos céus.

A doutrina de Jesus diferia, assim, das religiões, embora não combatesse nenhuma. O problema não era a religião em si, mas a conduta dos religiosos.

O Espiritismo, doutrina que surgiu há pouco mais de 1 século e meio, também não quer ser confundido com as práticas religiosas comuns.

De religião, ele tem apenas o aspecto moral – ou seja, de conduta humana – mas não prescreve nenhum cerimonial.

Portanto, caro ouvinte, respeitamos os trabalhos espirituais de todos os grupos religiosos, mas repetimos que a prática espírita é simples e sem nenhum ritual, porque, como Jesus, o Espiritismo se dirige diretamente à prática do bem e à transformação moral do ser humano.


domingo, 20 de agosto de 2023

OUSADIA E CORAGEM DE ALLAN KARDEC; EM BUSCA DA VERDADE COM KARDEC

 Embora experimentos em países da chamada Cortina de Ferro com a chamada máquina Kirliam nos anos 50/60 tenham provado a ação das chamadas energizações e mais recentemente no Brasil um estudo realizado em 2003, pelo Dr Ricardo Monezzi, à época Mestrando em Ciências médicas em conceituada Universidade paulista sobre efeitos da prática de impostação de mãos sobre os sistemas hematológico e imunológico de camundongos machos em que tinham sido inoculadas células cancerígenas tenha constatado uma diferença significativa entre os grupos na contagem do número de monócitos, a verdade é que nas páginas da REVISTA ESPÍRITA que fundou e dirigiu no período1858/1869, Allan Kardec noticiou e comentou inúmeros casos em que a Teoria dos Fluidos operou prodigiosas curas. Sem dúvida uma ousadia para o momento em que os estudos da Medicina se fixavam na visão mecanicista, desdenhando a visão vitalista apresentada, entre outros, pelos médicos Franz Anton Mesmer (TEORIA DO MAGNETISMO ANIMAL) ou Samuel Hanneman (HOMEOPATIA). Mas Kardec foi além como documentado em artigo incluído na edição de março de 1868, intitulado Ensaio Teórico das Curas Instantâneas. Explica basear-se em deduções das indicações obtidas por um médium em sonambulismo espontâneo, umas das facetas dos estados alterados de consciência conhecidos como transe, tendo sido dada como resposta a uma pessoa atingida por grave enfermidade que queria saber se um tratamento fluídico poderia ser-lhe salutar. Observa, contudo, que “por mais racional que nos apareça esta explicação, não a damos como absoluta, mas a título de hipótese e como tema de estudo”. Chama a atenção para o fato de que “na medicação terapêutica são necessários remédios apropriados ao mal, não podendo o mesmo remédio ter virtudes contrárias, sendo ao mesmo tempo estimulante e calmante, aquecer e esfriar, não convindo a todos os casos, sendo esta a razão de não existir um remédio universal”. Comenta “da-se o mesmo com o fluido curador, verdadeiro agente terapêutico, cujas qualidades variam conforme o temperamento físico e moral dos indivíduos que o transmitem, havendo fluidos que superexcitam e outros que acalmam, fluidos fortes e outros suaves e de muitas outras nuanças, podendo, conforme suas qualidades, o mesmo fluido, como o mesmo remédio, ser salutar em certos casos, ineficaz e até prejudiciais em outros, donde se segue depender a cura, em princípio da adequação das qualidades do fluido à natureza e à causa do mal”. Destaca também que, conforme o Espiritismo, “a maioria das moléstias, como todas as misérias humanas são expiação do presente ou do passado, ou provações para o futuro; dívidas contraídas, cujas consequências devem ser sofridas, até que tenham sido resgatadas, não podendo ser curado aquele que deve suportar sua provação até o fim”. Mais à frente em seu artigo, a original proposição de Kardec: -“Certas afecções, mesmo muito graves e passadas ao estado crônico, não tem como causa primeira a alteração das moléculas orgânicas, mas a presença de um mau fluido, que as desagrega, por assim dizer, e perturba a sua economia”. Afirma ser “o caso de grande número de doenças, cuja origem é devida a fluidos perniciosos, dos quais é penetrado o organismo, obtendo-se a cura não pela substituição de moléculas deterioradas, mas pela expulsão de um corpo estranho”. Nesse caso, a “medicação alopática destinada a agir sobre a matéria é inoperante em todas as doenças causadas por fluidos viciados, por sinal, numerosas”. Desse modo, considera que “duas afecções, na aparência apresentando sintomas idênticos, podem ter causas diferentes; uma pode ser determinada pela alteração das moléculas orgânicas e, outra, pela infiltração nos órgãos sãos, de um fluido mau, que perturba suas funções”. Entende que “esses dois casos requerem, no fluido curador, qualidades diferentes. No primeiro, é preciso um fluido mais suave que violento, sobretudo rido em princípios reparadores; no segundo, um fluido enérgico, mais próprio à expulsão do que a reparação”. Destaca ainda que “não podendo os maus fluidos provir senão de maus Espíritos, sua introdução na economia se liga muitas vezes à obsessão. Daí resulta que, para obter a cura, é preciso tratar ao mesmo tempo, o doente e o Espírito obsessor”. Finaliza dizendo que “estas considerações mostram quantas coisas há que levar em conta no tratamento das moléstias, e quanto ainda resta a aprender a tal respeito. Além disso, vem confirmar a aliança do Espiritismo e da Ciência. O Espiritismo marcha no mesmo terreno que a ciência, até os limites da matéria tangível; mas, ao passo que a ciência se detém nesse ponto, o Espiritismo continua seu caminho e procede suas investigações nos fenômenos da natureza com o auxílio dos elementos que colhe no mundo extra material; só aí está a solução das dificuldades contra as quais se choca a ciência”.



Dizem que o presépio, que representa o nascimento de Jesus, foi criado por S. Francisco de Assis que amava muito os animais. Por isso, ele colocou vários animais em torno do berço do menino Jesus, como que saudando a sua chegada ao mundo. Quem ama os animais sabe o quanto eles sofrem também, sofrimento que muitas vezes doe em nós, seres humanos. Por que os animais sofrem, se eles não cometem pecado perante Deus?

Em primeiro lugar, há um ponto importante que devemos deixar bem claro: ao contrário do que muita gente pensa, nós – seres humanos - não sofremos apenas e tão somente porque pecamos, porque erramos ou porque temos dívidas morais.

A lei divina não é tão simples assim. Esse sofrimento, que decorre de erros do passado, é o que no Espiritismo chamamos “expiação”. Alguns chamam isso de “carma”.

No meio espírita, dá-se muita ênfase à expiação, até por que nós poderíamos evitar muitos sofrimentos, se soubéssemos viver melhor – ou seja, se cometêssemos menos erros ou corrigíssemos de imediato os erros que cometemos.

Entretanto, que fique bem claro: não sofremos apenas porque erramos. Sofremos por causas anteriores a esta vida e por causas da vida atual, mas há um tipo de sofrimento que é comum a todos os seres vivos – tanto ao homem quanto aos animais e – até mesmo – aos vegetais: é o que André Luiz (Espírito) chama de dor-evolução.

Que é a dor-evolução? O autor espiritual explica isso em suas obras. Dor-evolução é o preço do nosso aprendizado, é o que causa a nossa transformação física e espiritual.

Evolução é aperfeiçoamento, é progresso: por isso, sofremos porque estamos evoluindo, porque estamos nos transformando para melhor.

Para entendermos esse processo de aperfeiçoamento, os Espíritos geralmente nos compara a pedras brutas que precisam sofrer o processo da lapidação para se tornarem preciosas. Assim é o Espírito.

Vejam, por exemplo, a gestação e o parto. Não há dúvida de a mulher passa por grande desconforto durante a gravidez até que chegue o parto. Mas será que ter um filho é um castigo?

Sabemos que não. A alegria da chegada de um filho é tão grande que o sacrifício da gravidez e do parto ficam esquecidos.

Esse processo natural da gravidez, portanto, não pode ser uma expiação para a mulher. Bem ao contrário, é um sacrifício que lhe rende enorme recompensa.

Mas ele é necessário por fazer parte do processo evolutivo. Então, não podemos classifica-lo como expiação, mas, sim. como dor-evolução na linguagem de André Luiz.

Um outro exemplo de dor-evolução é a dor do crescimento - do nosso crescimento, do nosso desenvolvimento enquanto pessoa.

Assim, todos nós sofremos para aprender a andar, para aprender a falar, sofremos para aprender a ler, para aprender a dirigir um veículo ou manejar uma máquina. Enfim, sofremos para nos integrar na vida, para lutar pelas nossas metas e objetivos.

Tudo isso é evolução e tudo implica em esforço, trabalho e desconforto, em dificuldades e em sofrimento.

A dor-evolução é um processo natural da vida, mas, quando se trata do ser humano – que somos nós - ela é agravada pelos abusos, pelos erros que cometemos – porque é ai que começa a dor-expiação.

E os animais? – vocês perguntam. Os animais não têm dor-expiação (que são as mais penosas, é claro!...); eles têm apenas e tão somente a dor-evolução, porque os animais não têm consciência do bem e do mal e, portanto, não têm senso de responsabilidade.

As doenças, as deformações, os acidentes, a luta pela sobrevivência que eles experimentam – tudo isso faz parte de suas necessidades de transformação, pois é assim que evoluem.

É por isso que os animais sofrem. Entretanto, o sofrimento do animal está muito longe de ter as implicações e as dificuldades do sofrimento humano, pois os animais não têm dor-moral; eles não nem mesmo consciência do papel que a dor representa em suas vidas.

Nós, seres humanos, sofremos bem mais que eles, sofremos até mesmo antes de o problema chegar e continuamos sofrendo ininterruptamente com as nossas frustrações, nossos desejos insatisfeitos, nossas angústias, nossas decepções.

Sofremos mais moralmente do que fisicamente. Podemos dizer, seguramente, que o sofrimento dos animais quase que se restringe à dor física, enquanto no ser humano ele tem muitas outras implicações, que vão do simples desconforto físico às mais desastrosas e prolongadas angústias da alma.


sábado, 19 de agosto de 2023

O JUIZ POETA E A LEI DE CAUSA E EFEITO; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Sobre ele pouco se tem sabe, a não ser que era do Ceará, onde, em diferentes localidades, teria exercido o cargo de Juiz; publicado, em 1924, um livro com suas criações poéticas, intitulado ESCADA DE JACÓ, não se tendo notícia que tenha conhecido o Espiritismo enquanto encarnado. De volta ao Plano Espiritual, nos processos de aprendizado possíveis ao seu nível evolutivo, aprofundou-se no estudo da Justiça Divina, mais especificamente a Lei de Causa e Efeito. Nas décadas de 60 e 70, serviu-se do médium Chico Xavier para oferecer-nos em doze poesias, os resultados de suas pesquisas, revelando em versos belíssimos a situação de muitos Espíritos com os quais se envolveu em múltiplas encarnações anteriores à terminada no século 20. Seu nome Epiphanio Leite e, atendendo às limitações de espaço, exporemos parte de seu trabalho apresentando os Efeitos de agora, seguido da Causa determinante de outrora. O primeiro deles, por sinal, sobre um Espírito que lhe fora filho em vida passada. CASO 1 – Efeito: homem cego e surdo vivendo de esmolas obtidas na mendicância Causa: Existência em que, embora exortado a amar, construir e ensinar, armou-se de ouro e lança, transformando o mando em presença assassina, deixando uma trilha de fogo nas vidas e regiões por onde passou (Meu Filho) CASO 2 – Efeito: mulher, vivendo em extrema penúria entre humildes choupanas, trazendo nos braços um filhinho sem fala, mutilado ao nascer Causa: Existência em que, mulher ligada à nobreza, induz jovem por ela apaixonado ao suicídio durante festa que promovia em sala de seu castelo (Santa Maternidade) CASO 3 – Efeito: Homem confinado a hospício em função da insanidade mental Causa: Soberano que, em excursões bizarras, ordena invasões, ferindo, vencendo, dominando e deixando um rastro de dor, castelos em ruínas, agonia e pavor (Renascença da Alma) CASO 4 - Efeito: Mulher insana mentalmente vivendo na mendicância, carregando um boneco nos braços, o que lhe valeu a alcunha de Maria Boneca Causa: Dama da nobreza que na ânsia de continuar a desfrutar dos prazeres da vida, três séculos antes, livra-se do filho consanguíneo, atira-o à fossa do castelo em que vivia (Maria Boneca) CASO 5 – Efeito: Mulher, anônima e solitária, presa à prova da hanseníase, confinada em Hospital/Colônia para Leprosos Causa: Existência em que na condição de conhecida rainha europeia, quatrocentos anos antes, cria dominações, ordena, expandindo penúria e lágrimas, enquanto suas arcas repletavam-se. ( Fim de Prova) CASO 6 – Efeito: menino morador de aldeia remota, em corpo limitado pela idiotia e a mudez. Causa: intelectual que, pela palavra falada e escrita, na última década do século 18, espalhou ateísmo e violência, suscitando rebeldia e delinquência (Gênio Enfermo) CASO 7 – Efeito: Morador de rua, vivendo da caridade alheia, preso ao estigma da hanseníase Causa: Existência há quatro séculos, em que, à custa de mortes, destruição, violência, conquista o poder, tornando-se, por fim, chefe e Rei, pouco antes de morrer (Dor Bendita) CASO 8 – Efeito: Mulher carregando a dura prova da cegueira, obcecada por encontrar a origem de sua limitação nos estudos reencarnacionistas. Causa: Soberana feudal que, seiscentos anos antes, através de hordas assassinas espalhou fogo e lama, oprimindo o povo dominado (Cegueira) CASO 9 – Efeito: Mulher cumprindo o papel da maternidade, triste, entre penúria e pó, chagas, sombras, ruínas Causa: Existência em que, há quatro séculos, exercendo o poder, amada e desumana, destrói lares, gasta a vida insana, humilhando os homens que avassalava (Prova e Libertação) CASO 10 – Efeito: Homem, morador de rua, enfermo, relegado à via pública, sobrevivendo da caridade alheia Causa: Existência seiscentos anos antes em que, de conquista em conquista, abusa do amor, arrastando filhas, esposas, mães, seduzidas egoisticamente (Mendigo) CASO 11 – Efeito: Mulher enferma, vivendo da mendicância em praça pública Causa: Existência no século 19, em que exibindo riqueza e beleza perturbadora, por ciúmes de alguém, mata a própria filha preservando os domínios do prazer em que se comprazia. Os livros em que podem ser consultados os documentos aqui citados, são respectivamente LUZ NO LAR (feb,1968); POETAS REDIVIVOS (feb,1969); CAMINHOS DE VOLTA (geem, 1975) e ALGO MAIS (ideal, 1979).


No capítulo 14, versículo 26, do Evangelho de Lucas, encontramos esta fala de Jesus, que me deixa confuso. Dirigindo-se aos discípulos, ele disse: “Se alguém deseja seguir-me e ama a seu pai, sua mãe, sua esposa, seus filhos, seus irmãos e irmãs, e até mesmo a sua própria vida, mais do que a mim, não pode ser meu discípulo”. Parece que Jesus está subestimando a família.

Realmente, não deixa de ser contraditório esse versículo, se quisermos entendê-lo ao pé da letra – ou seja, como está escrito.

O certo, porém, é que muitas afirmações dos evangelhos parecem contraditórias – ou porque não procuramos um sentido mais profundo das palavras atribuídas a Jesus, ou porque o texto não foi bem escrito ou não foi bem traduzido.

Kardec, na introdução d’O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO – que é um texto que muito pouca gente leu – refere-se a essas dificuldades de entendimento.

Na verdade, ao lermos os evangelhos, precisamos levar em conta que o mais importante não são os detalhes, mas o contexto – ou seja, como que cada afirmação se ajusta à finalidade da doutrina de Jesus.

Precisamos ver se o versículo, que lemos, está de acordo com a filosofia de Jesus, que é a filosofia do amor incondicional ou do amor fraterno.

Logo, tudo que pareça fugir ou contrariar ao conceito de amor, que Jesus ensinou, não pode ser entendido ao pé da letra.

Todos sabemos – e não há quem duvide disso – que Jesus ensinou o amor ao próximo como único caminho de salvação da humanidade e o próximo mais próximo são as pessoas da família.

Portanto, para Jesus o amor deve ser vivenciado em todos os momentos e lugares onde estivermos, seja na família ou fora dela.

Logo, quando não encontrarmos coerência entre uma afirmação e a doutrina do amor, devemos ficar com o amor e desprezar qualquer outra interpretação.

Devido ao grande impacto de seus ensinamentos que questionavam crenças, usos e costumes antigos, incomodando ele acabou por incomodar os líderes religiosos da época em assim, passou a ser vítima de insidiosa perseguição.

A missão de Jesus foi muito curta - cerca de três anos apenas. Como mestre do povo, ele não dispunha de muito tempo para ensinar.

Sem perder tempo, escolheu aqueles que deveriam dar continuidade aos a seus ensinos, conhecidos por apóstolos.

Requisitou-os o máximo que pôde para que se inteirassem em pouco tempo do significado e da importância de sua missão.

Deixou claro que a verdadeira família é universal, quando de seus questionamentos: “quem é minha mãe? quem são meus irmãos?”

Certamente, não para desvalorizar a família consanguínea, mas para mostrar o compromisso que cada um de nós tem para com a humanidade.

O Espírito Clélia Duplantier disse a Kardec, conforme lemos em OBRAS PÓSTUMAS, que todos nós, quando reencarnamos, assumimos três níveis de compromisso: primeiro, consigo mesmo; em segundo lugar, com a família e, por último, com a humanidade.

Portanto, naquela fala, Jesus está se referido ao compromisso de cada apóstolo tinha para com a humanidade e para o qual devia preparar-se.

Explicamos melhor: os propagadores do evangelho estavam compromissados com a humanidade e isso significava que, naquele momento, eles precisam se distanciar mais da família para trabalharem pela causa urgente do evangelho.

Desse modo, Jesus procurou fazer com que seus apóstolos sentissem o peso da responsabilidade para com a nova doutrina, malgrado os compromissos familiares.

Em nosso entendimento, ao dizer que não podia ser seu discípulo quem amasse mais a família do que a ele, Jesus se referia ao desapego com que os verdadeiros missionários se lançam à sua missão.

Naquele momento, diante da meta que buscava atingir, não havia mais tempo para hesitações: era necessário se lançar à tarefa.

Jesus queria dizer, enfim, que quando o ideal é bom, vale a pena se desprender de certas coisas e até de pessoas, para se dedicar exclusivamente à missão.

É assim que fazem e sempre fizeram os missionários que trouxeram grandes benefícios à humanidade.


sexta-feira, 18 de agosto de 2023

ESPIRITISMO, HOMEOPATIA E INTERESSANTES REVELACÕES; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Tão desdenhado pela comunidade científica do século 19 quanto o magnetismo e o Espiritismo, a Homeopatia encontrou entre os adeptos da proposta espírita, campo fértil para sua expansão – embora paulatina -, no século 20, agora, no 21. Na edição de agosto de 1863 da REVISTA ESPÍRITA, no artigo de abertura daquele número, entre outras considerações Kardec afirma: -“Provando o poder de ação da matéria espiritualizada, a Homeopatia se liga ao papel importante que representa o períspirito em certas afecções; ataca o mal em sua própria fonte, que está fora do organismo, cuja alteração é apenas consecutiva. Tal a razão pela qual a Homeopatia triunfa numa porção de casos em que falha a Medicina ordinária: mais que esta, ela leva em conta o elemento espiritual, tão preponderante na economia, o que explica a facilidade com que os médicos homeopatas aceitam o Espiritismo e porque a maioria dos médicos espíritas pertencem à escola de Hahnemann”. Em março de 1867, analisando e discordando da possibilidade dos medicamentos Homeopáticos modificarem disposições morais, escreve: -“Os medicamentos homeopáticos, por sua natureza etérea, tem uma ação de certa forma molecular; sem contradita podem, mais que outros, agir sobre certas partes elementares e fluídicas dos órgãos e lhes modificar a constituição íntima (...). Não se pode agir sobre o Ser espiritual senão por meios espirituais (...). Nos embalaríamos em ilusões se esperássemos de uma medicação qualquer um resultado definitivo e durável”. No mesmo ano, em junho, retornaria ao tema, contestando comentário do médico Charles Grégory, dizendo: -“Os medicamentos homeopáticos podem ter uma ação sobre o moral, agindo sobre os órgãos de sua manifestação, o que pode ter sua utilidade em certos casos, mas não sobre o Espírito; que as qualidades boas ou más e as aptidões são inerentes ao grau de adiantamento ou de inferioridade do Espírito, e que não é com um medicamento qualquer que se pode fazê-lo avançar mais depressa, nem lhe dar as qualidades que não pode adquirir senão sucessivamente e pelo trabalho”. Mais de um século depois, o Espírito Carlos Eduardo Frankenfeld de Mendonça, desencarnado em 22 de novembro de 1980, na cidade de Niterói (RJ) revelaria aspectos interessantes envolvendo a Homeopatia. Carlos, um dos três filhos de um Engenheiro e de uma Médica, foi vitima de um ataque cardíaco durante a madrugada, enquanto dormia. Onze meses depois, confirmaria sua sobrevivência em emocionante carta psicografada por Chico Xavier, em Uberaba (MG). A partir daí, serviu-se do médium mineiro ao longo de toda a década de 80, fornecendo detalhes extremamente curiosos sobre suas atividades no Plano Espiritual. Uma delas motivou sua mãe a se especializar em Homeopatia para atender os necessitados assistidos pelo Grupo Espírita Regeneração ao qual ela e o marido serviam como voluntários desde antes da inesperada morte do filho. Uma delas relacionada à AIDS – Sindrome de Imunodeficiência Adquirida, contida na mensagem de 22 de junho de 1989, informa ter se filiado com o avô materno João Antonio, a uma escola de combate ao vírus psicogênico, estando na esperança de que muito em breve haverá recursos para a preparação da vacina adequada. A certa altura, poderá: -“Não sei se esse agente negativo foi produto do desequilíbrio dos pensamentos”. Noutra, recebida em 30 de novembro de 1989, relata: -“Quando possível, vou ao encontro da Mãezinha Edda, tomar informes sobre os que pedem auxílio na casa da “Regeneração”. Estas primeiras notas do dia seguem comigo para a sede de nossas atividades, que se acham sob a orientação e revisão de assessores do Dr Dias da Cruz, que se encarregam de visitar a moradia e ver as condições do enfermo que precisa ser medicado. Os membros da família são examinados e o ambiente doméstico é rigorosamente observado pelo colega que foi então designado para anotar os elementos de que o doente faz “inalação”. Se há entidades em processo obsessivo no lar visitado, esses Espíritos necessitados de luz espiritual são vistoriados e com esses ingredientes informativos, faz-se a ficha do irmão ou da irmã enferma, a fim de que qualquer irregularidade seja sanada. Se há obsessores no caso, a instituição do Dr Dias da Cruz já possui turmas de Entidades mais ou menos semelhantes a eles, para afastá-los da casa que está sendo socorrida. O tratamento do enfermo começa com a limpeza do ambiente em que o irmão doente se encontra e, só depois da residência libertada, os agentes medicamentosos da Homeopatia passam a funcionar. Se a moradia está excessivamente carregada de pensamentos infelizes, o tratamento é mais difícil e mais longo, entretanto, se o recinto doméstico se mostra limpo e isento de quaisquer influências nocivas, tratamento encontra facilidade para se revelar”. O rapaz que pela familiaridade e interesse nos assuntos relacionados à saúde mental e física sugere ter atuado nesse campo em outra vida, fornece muitos outros informes na obra PORTO DE ALEGRIA, publicado pelo IDE – Instituto de Difusão Espírita de Araras (SP).



No caso de uma obsessão espiritual, o que a pessoa pode fazer?

Primeiramente, para se cientificar de que realmente se trata de uma ação espiritual, ela precisaria ir a um centro espírita e expor seu problema.

Não raro, há pessoas que já vem ao centro com o diagnóstico da obsessão espiritual, apenas porque ouviu alguém dizer. Mas não é tão simples assim.

É preciso ter um bom conhecimento de Espiritismo para se saber se se trata da ação de um Espírito mal- intencionado.

Mas, dependendo dos sintomas que a pessoa vem sentindo, será preciso primeiro consultar um profissional de saúde, médico ou psicólogo.

Isso não quer dizer que ela não deva ir ao centro, até porque mesmo de tratando de um simples transtorno emocional, o tratamento espiritual é sempre recomendável.

De qualquer forma, portanto, se for primeiro ao centro, ela deverá ser orientada no sentido de fazer os dois tratamentos ao mesmo tempo, o médico e o espiritual.

Allan Kardec, numa carta enviada a um tal Chuard, que reclamou de obsessão na época, questionou se o problema que ele estava enfrentando seria realmente de ordem espiritual.

Se fosse, esclareceu Kardec, que ele se procurasse se conhecer de verdade na forma como se relaciona com as pessoas, para melhorar suas atitudes no dia a dia.

Os Espíritos perturbadores só conseguem seu intento, quando encontram brechas morais no encarnado.

Por isso, em qualquer que for o caso, cada um de nós é o melhor defensor de si mesmo.

Kardec fala, n’O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO que, na maioria dos casos de obsessão, a pessoa encontra solução por ela mesma, mudando de conduta.

Além disso, o problema da obsessão seria melhormente resolvido, se ela se interessasse em conhecer a doutrina.


quinta-feira, 17 de agosto de 2023

O UNIVERSO E A DOUTRINA ESPÍRITA; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 O Espiritismo bem antes de muitos dos avanços da chamada Ciência ofereceu, através dos conteúdos apresentados por Allan Kardec em suas obras, uma visão avançada considerando os conhecimentos disponíveis na época. A ideia da realidade espiritual anteceder e determinar em vários pontos a em que nós vivemos é uma delas, visto que, como se sabe a Física Quântica através da Teoria das Supercordas, além de afirmar a existência de Universos Paralelos em outras Dimensões, diz que “mesmo que as dimensões ocultas do Espaço sejam imperceptíveis, são elas que determinam a realidade física em que vivemos”. Na sequência, destacamos alguns pontos interessantes para nossas reflexões: 1- O Universo é ao mesmo tempo um mecanismo incomensurável, acionado por um número incontável de inteligências, e, um imenso governo, no qual cada Ser inteligente tem a sua parte de ação sob as vistas do soberano Senhor, cuja vontade única mantém por toda a parte a unidade. Sob o império dessa vasta potência reguladora, tudo se move, tudo funciona em perfeita ordem”. (G,18:4) 2- O véu do mistério das coisas ocultas ao homem se ergue na medida em que ele evolui, necessitando, porém, para a compreensão de certas coisas, de faculdades que não possui.(LE,18) 4- ESPAÇO - Espaço é o infinito. 5- VAZIO ABSOLUTO - Não existe, nada é vazio. O que é vazio segundo nossas concepções, está ocupado por uma matéria que nos escapa aos nossos sentidos e instrumentos (LE, 36) 6- TEMPO - O tempo é a sucessão das coisas, estando ligado à Eternidade, do mesmo modo que as coisas estão ligadas ao Infinito. Apenas uma medida relativa da sucessão das coisas transitórias. 7- MATÉRIA - Segundo a Espiritualidade, existe em estados que não percebemos, podendo ser tão etérea e sutil que não produza impressão nos nossos sentidos, sendo sempre matéria, embora não o seja para nós. 8- ESPÍRITO - É o princípio inteligente do Universo. 9- AS LEIS E AS FORÇAS - “Há um fluido etéreo – fluido cósmico universal - que enche o espaço e penetra os corpos. Esse fluido é o éter ou matéria cósmica primitiva, geradora do mundo e dos seres. Os movimentos vibratórios do agente são conhecidos sob os nomes de som, calor, luz, etc. Em outros mundos, ela se presentam sob outros aspectos, revelam outros caracteres desconhecidos na Terra e, na imensa amplidão dos céus, forças em número infinito se tem desenvolvido numa escala inimaginável, cuja grandeza tão incapazes somos de avaliar, como o é o crustáceo, no fundo do oceano, para apreender a universalidade dos fenômenos terrestres”. (G; 6:10) NAS OBRAS DO ESPÍRITO ANDRÉ LUIZ – 1- “O Universo, a estender-se no Infinito, por milhões e milhões de sóis, é a exteriorização do Pensamento Divino, de cuja essência partilhamos, em nossa condição de raios conscientes da Eterna Sabedoria, dentro do limite de nossa evolução espiritual” (NDM) 2- “O Universo enquadra-se na ordem absoluta. Aves livre em limitados céus, interferimos no Plano Divino, criando para nós prisões e liames, libertação e enriquecimento. (NMM). 4-“A nossa Terra, com todas as esferas de substância ultra-física que a circundam, pode ser considerada qual laranja minúscula, perante o Himalaia, e nós outros, confrontados com a excelsitude dos Espíritos Superiores (...), não passamos, por enquanto, de bactérias, controlados pelo impulso da fome e pelo magnetismo do amor”. (L)


As campanhas a favor do aborto legal vem crescendo no mundo todo. Hoje já temos vários países que não consideram o aborto como crime. No Brasil, também, esse movimento vem crescendo e a gente vê uma tendência de se adotar o aborto legal em todo o mundo. Eu pergunto: como fica a Doutrina Espírita diante dessa mudança que contraria seus princípios?

Não é papel do Espiritismo intrometer-se nos assuntos de Estado e muito menos na legislação dos países.

O papel do Espiritismo é exclusivamente educativo: despertar o ser humano para valores que correspondam a valores ético-morais saudáveis como os ensinamentos de Jesus.

Desse modo, compete a cada indivíduo se inteirar e adotar tais valores em sua vida, à medida que amadurece em compreensão e sentimento.

As leis humanas, quase sempre muito boas, procuram de certa forma conformar os costumes com a moral, mas em alguns pontos elas ainda não conseguiram avançar por causa da dominância do materialismo.

O principal ponto é aceitação da imortalidade e da reencarnação. Nesse sentido, nossos legisladores só vão realizar um bom trabalho em favor do povo, quando em sua maioria souberem apreciar os princípios cristãos.

O mesmo dizemos em relação à população em geral de cada país. Os movimentos que atuam em favor do aborto são de pessoas que carecem de conhecimento espiritual e que, portanto, em grande parte dos casos, elas agem com boa intenção.

Entretanto, até que a concepção espírita de evolução se generalize, a lei continuará reduzida ao ponto de vista acanhado, segundo o qual cada um de nós só tem uma vida.

No entanto, para o Espiritismo, a questão do aborto transcende esta existência, pois o Espírito já existia antes da concepção e vai continuar existindo depois da morte.

Apenas e tão somente com esta compreensão é que será possível perceber que, de uma maneira geral, o aborto será uma forma de interromper ou impedir a jornada do Espírito.

Desse modo, não é difícil compreender que a questão da utilização do aborto fica por conta da mulher, do homem e/ou da família, segundo o seu nível de compreensão das leis da vida.

Isso significa, em última instância que a lei é sempre importante, mas a decisão final de cada caso vai depender do nível de consciência das pessoas envolvidas.


quarta-feira, 16 de agosto de 2023

A IDENTIFICAÇÃO DE ESPÍRITOS; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Allan Kardec gastou 259 palavras para justificar a inclusão no capítulo 31 d’O LIVRO DOS MÉDIUNS de uma mensagem atribuída Jesus de Nazaré demonstrando o critério rigoroso que adotava para selecionar mensagens, terminando suas ponderações com a seguinte recomendação: - Que cada um julgue por si mesmo se aquele de quem ela traz o nome não a renegaria. Na atualidade, não se observa tanto cuidado, tendo-se a impressão que o que importa é o resultado comercial no caso de livros, por exemplo. Outro tema curioso é quanto aos títulos utilizados por alguns Espíritos comunicantes. No número de julho de 1866 da REVISTA ESPÍRITA, Allan Kardec se pronuncia sobre o assunto a partir de questionamento levantado por leitores da publicação. Explica ele: Num grupo de província, tendo-se apresentado um Espírito sob o nome de “São José, santo, três vezes santo”, isto deu ensejo a que se fizesse a seguinte pergunta: Um Espírito, mesmo canonizado em vida, pode dar-se a qualificação de santo, sem faltar à humildade, que é um dos apanágios da verdadeira santidade e, invocando-o, permite que lhe deem esse título? O Espírito que o toma deve, por esse fato, ser tido por suspeito? Outro Espírito respondeu: -Deveis rejeitá-lo imediatamente, pois equivaleria a um grande capitão que se vos apresentasse exibindo pomposamente seus numerosos feitos de armas, antes de declinar o seu, ou a um poeta que começasse por se gabar de seus talentos. Veríeis nessas palavras um orgulho despropositado. Assim deve ser com homens que tiveram algumas virtudes na Terra e que foram julgados dignos de canonização. Se se apresentarem a vós com humildade, crede neles; se vierem se fazendo preceder de sua santidade, agradecei e nada perdereis. O encarnado não é santo porque foi canonizado: só Deus é santo, porque só ele possui todas as perfeições. Vede os Espíritos superiores, que conheceis pela sublimidade de seus ensinamentos: eles não ousam dizer-se santos; qualificam-se simplesmente de Espíritos de verdade. Pronuncia-se Allan Kardec: - Esta resposta demanda algumas retificações. A canonização não implica a santidade no sentido absoluto, mas simplesmente um certo grau de perfeição. Para alguns a qualificação de santo tornou-se uma espécie de título banal, fazendo parte integrante do nome, para os distinguir de seus homônimos, ou que lhes dão por hábito. Santo Agostinho, São Luís, São Tomé, podem, pois, antepor o nome santo à sua assinatura, sem que o façam por um sentimento de orgulho, que seria tanto mais descabido em Espíritos superiores que, melhor que os outros, não fazem nenhum caso das distinções dadas pelos homens. Dar-se-ia o mesmo com os títulos nobiliárquicos ou as patentes militares. Seguramente aquele que foi duque, príncipe ou general na Terra não o é mais no mundo dos Espíritos e, no entanto, assinando, poderão tomar essas qualificações, sem que isto tenha consequência para o seu caráter. Alguns assinam: aquele que, quando vivo na Terra, foi o duque de tal. O sentimento do Espírito se revela pelo conjunto de suas comunicações e por sinais inequívocos em sua linguagem. É assim que não nos podemos enganar sobre aquele que começa por se dizer: “São José, santo, três vezes santo.” Só isto bastaria para revelar um Espírito impostor, adornando-se com o nome de São José. Assim, ele pôde ver, graças ao conhecimento dos princípios da doutrina, que sua velhacaria não encontrou ingênuos no círculo onde quis introduzir-se. O Espírito que ditou a comunicação acima é, pois, muito absoluto no que concerne à qualificação de santo e não está certo quando diz que os Espíritos superiores se dizem simplesmente Espíritos de verdade, qualificação que não passaria de um orgulho disfarçado sob outro nome, e que poderia induzir em erro, se tomado ao pé da letra, porque nenhum se pode vangloriar de possuir a verdade absoluta, nem a santidade absoluta. A qualificação de Espírito de verdade não pertence senão a um só, e pode ser considerada como nome próprio; está especificada no Evangelho. Aliás, esse Espírito se comunica raramente e apenas em circunstâncias especiais. Devemos pôr-nos em guarda contra os que se adornam indevidamente com esse título: são fáceis de reconhecer, pela prolixidade e pela vulgaridade de sua linguagem.


Embora eu não seja espírita, mas tenha outra religião, sempre percebi Espíritos na minha casa, mas nunca consegui me comunicar com eles. Não percebo, assim, com nitidez, mas sei se é homem, mulher ou criança. O que será que eles querem comigo? (M.A.T.)


Com certeza, você tem o que chamamos “mediunidade de vidência”. A mediunidade é uma faculdade que permite à pessoa visualizar Espíritos ou situações que ocorrem fora de nosso plano físico. Ela pode ser mais ou menos nítida. Aliás, trata-se de um tipo de visão, mas essa visão não se dá pelos olhos físicos, mas pelas percepções da alma ou, se quisermos, pelos sentidos espirituais. O fato de se perceber as imagens, com maior ou menor clareza e nitidez, depende da mediunidade de cada um.


A mediunidade, segundo a classificação do professor Herculano Pires, pode ser estática ou dinâmica. Estática é um tipo de mediunidade que acontece eventualmente na vida da pessoa, mas que não se desenvolve para formas mais apuradas. É o que parece acontecer com você. Suas percepções sempre se deram da mesma maneira. Mas, na mediunidade dinâmica, há como que uma intensificação da mediunidade: ele acaba tomando outros aspectos, as visões vão se tornando cada vez mais claras e nítidas. É a mediunidade que precisa ser desenvolvida e colocada a serviço.


No seu caso, a vidência se fixou num determinado patamar de percepção e nunca saiu disso. Portanto, ao que parece, não vai se desenvolver mais, a não ser que você mesma queira estimulá-la; mas, para isso, você teria que participar de um grupo mediúnico num centro espírita. Por outro lado, o fato de esses espíritos, às vezes, se tornarem mais ou menos visíveis para você, significa apenas que eles estão ali. Onde há pessoas há espíritos, mas só os médiuns percebem. Se eles não tentaram outro tipo de comunicação com você, é porque não têm essa necessidade.


Entretanto, essa visualização pode significar que esses espíritos estão ali, porque se sentem bem, se sentem protegidos ou apoiados por você. O mínimo, que você pode fazer por eles, é orar em seu favor.


terça-feira, 15 de agosto de 2023

LÁ COMO AQUI, EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 “-Estamos num parque-cidade-jardim, se posso definir com estas três palavras o grande centro de recuperação e cultura em que presentemente nos achamos. O vovô Engelberto e o vovô Eugênio entabularam entendimentos para que fôssemos admitidas num grande instituto de reformulação espiritual e tivemos permissão para desfrutar a companhia e a proteção da mãezinha Custódia que nos serve de governanta maternal. Penso que ficarão satisfeitos se lhes contar que fomos admitidas pela Diretora, a Irmã Frida, da lista de amizades do vovô Engelberto, com a maior distinção. Naturalmente, éramos neófitas e o receio nos marcava a presença. O vovô dirigiu-se a ela, em alemão, e ambos conversaram animadamente. Voltando-se cortesmente para nós, se bem me lembro, a Irmã Frida nos disse sorrindo: -“Brech Gut. Es wird mich scher freuen ihnen nutzlich zun sein”. Compreendo que não guardei de cor a antepenúltima expressão dela, mas o vovô solicitou-me a troca de ideias em português e a nossa Diretora, sem pestanejar, se exprimiu em português – brasileiro com tal mestria que nos sentimos à vontade para a instalação em perspectiva. A cidade é grande e especializada”. A informação é dada aos pais na segunda mensagem psicografada por Jane Furtado Koerich pelo médium Chico Xavier, dezessete meses após ela, sua irmã Rosemari e a amiga Sonia, em meio a quase cinquenta pessoas, perecerem em acidente aéreo de grandes proporções aos procedimentos de aterrisagem em Florianópolis (SC), em 12 de abril de 1980. Sua carta, soam-se a dezenas de outras recebidas pelo médium mineiro oferecendo detalhes da organização do chamado Mundo Espiritual, em suas formatações nos diferentes Planos e Sub-planos. Se considerarmos a cogitação da Teoria das Supercordas da Física Quântica que, além de propor matematicamente dos chamados Universos Paralelos, afirma que “mesmo que as dimensões ocultas do espaço sejam imperceptíveis, são elas que determinam a realidade física em que vivemos”, consideraremos real o relato de Jane. Do momento em que Allan Kardec, obteve da Espiritualidade a resposta de que entre o Mundo Espiritual e o Físico o mais importante é o Espiritual, pois de lá tudo procede e para lá tudo volta ao da descrição da jovem sobrevivente espiritualmente ao acidente e daí ao comentário do físico materialista e ateu Marcelo Gleiser citado em seu livro CRIAÇÃO IMPERFEITA (2011, record), fatias diferentes de tempo transcorreram. Em artigo publicado na REVISTA ESPÍRITA de janeiro de 1863, a visão do Mundo Espiritual oferecida pelo Espiritismo, representa “uma força nova, uma nova energia, uma nova lei, numa palavra, que foi revelada. É realmente inconcebível que a incredulidade repila mesmo a ideia, por isso que esta ideia supõe em nós uma alma, um princípio inteligente que sobrevive ao corpo. Segundo ele, “vivemos num oceano fluídico, incessantemente a braços com correntes contrárias, que atraímos, ou repelimos, e às quais nos abandonamos, conforme nossas qualidades pessoais, mas em cujo meio o homem sempre conserva seu livre arbítrio, atributo essencial de sua natureza, em virtude do qual pode sempre escolher o caminho”. Acrescenta que esse Mundo Espiritual “é a réplica ou o reflexo do Mundo corpóreo, com suas paixões, vícios ou suas virtudes, mais virtudes do que nossa natureza material dificilmente permite compreendermos. Tal é esse mundo oculto, que povoa os espaços, que nos cerca, no meio do qual vivemos sem o suspeitar, como vivemos entre miríades do Mundo Microscópico”. Alerta-nos que “o Mundo Invisível que nos circunda reage constantemente sobre o Mundo Visível; nô-lo mostram como uma das forças da Natureza. Conhecer os efeitos dessa força oculta, que nos domina e subjuga contra nossa vontade, não será ter a chave de mais um problema, as explicações de uma porção de fatos que passam desapercebidos?”.



Gostaria de vocês falassem sobre a frase de Jesus “Vigiai e orai, para não que não entreis em tentação”. (Lourdes)


Essa recomendação, citada por Mateus, se deu justamente num momento em que Jesus sentiu um grande desânimo em face de sua missão. Para se refazer, convidou os discípulos a orar com ele; precisava reunir forças para não sucumbir à tentação de desistir. É o que acontece com todos nós, quando nos vemos diante de uma dificuldade ou problema que exigem grande esforço e até sacrifício. Precisamos compreender os nossos limites, as nossas fraquezas, mas quando algo realmente precisa ser feito, pedimos a Deus que nos reabasteça de coragem para não fugirmos à obrigação.


“Vigiai e orai” – no entanto – tem um sentido bem amplo. Muita gente pensa que a tentação é algo que vem de fora, quando, na verdade, é justamente o contrário, ela vem de dentro, de nossas tendências, de nossos impulsos interiores. O que vem de fora é apenas o estimulo à tentação, porque a tentação em si está em nossas fraquezas morais. É assim que podemos ser estimulados ao mal, se dermos chance para que isso aconteça. E podemos ser estimulados tanto pelos encarnados quanto pelos desencarnados. Contudo, se fizermos o mal, não devemos culpar senão a nós mesmos, porque não soubemos resistir à tentação.


Em geral, quando se trata de obsessão, a tendência das pessoas é atribuir o mal aos Espíritos, achando que eles são a verdadeira causa do problema. Alguns atribuem as más ações ao demônio. Nada disso. A causa do mal está em nós, em nossa imperfeição ou naquilo que ainda não conseguimos superar em nós. Allan Kardec, no último capítulo de O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO, capítulo 28, no prefácio à prece pelos obsidiados, afirma que a obsessão é uma doença da alma e, portanto, precisa de um remédio para a alma. A doença, a que se refere, é a fraqueza moral a que, muitas vezes, nos entregamos, deixando-nos arrastar pelo mau pensamento que ainda nos domina.


Queremos dizer uma coisa muito importante a respeito desta mensagem. Veja que Jesus não disse “Orai e vigiai” (nesta ordem), mas disse “Vigiai e orai” : ou seja, vigiar primeiro e orar depois. Vigiar é agir, é trabalhar, é rever seus sentimentos, suas limitações, suas dificuldades, e procurar dominar suas emoções, para que elas não tomem conta. Portanto, há aqui uma recomendação muito importante, que deve fazer parte do dinamismo da vida: agir sempre que necessário; omitir-se do dever, jamais. É por isso que ele nos recomendou que a reconciliação deve ir antes da oferta, ou da oração.



segunda-feira, 14 de agosto de 2023

APOIADO NOS FATOS; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 A Revolução Industrial do século 19 sucedida pela Revolução Tecnológica do século 20 aliado à inconsistência de muitos dos argumentos da fé cega sustentada pelas escolas religiosas do século 20 conduziram a expressiva maioria dos integrantes da sociedade humana que habita o Planeta Terra na direção da tentativa de negação do seu lado espiritual ou mesmo a acomodação nos dogmas e princípios dominantes. A ânsia por respostas, contudo e , felizmente, vai provocando o surgimento de inúmeras pesquisas que conduzirão as gerações futuras na direção de uma visão nova do sentido da vida e da forma de se aproveitar a curta passagem do Espírito pelo corpo físico que como demonstra alógica dos fatos de data de validade, sendo abandonado em função do desgaste das peças que o compõem, da sobrecarga a eles impostos pelos exceções da alimentação, dos destemperos emocionais ou da deliberação de ilusoriamente se auto aniquilar pelo suicídio. O Estudo da Doutrina Espírita, contudo, revela serem momentos naturais no processo evolutivo a que todos os matriculados na escola, internados no hospital ou aprisionados nesta das “muitas moradas na Casa de Nosso Pai”, como comentado por Jesus. Em artigo incluído na edição da REVISTA ESPÍRITA, de julho de 1868 , Allan Kardec desenvolve alguns argumentos importantes que prognosticam um fato que vai ganhando cada vez mais autenticação no século 21. Escreve ele: -“O que, até aqui, deu força ao Espiritismo, o que dele fez uma ciência positiva e de futuro, é que jamais avançou levianamente; que não se constituiu sobre nenhum sistema preconcebido; que não estabeleceu nenhum princípio absoluto sobre a opinião pessoal, nem de um homem, nem de um Espírito, mas somente depois que esse princípio recebeu a consagração da experiência e de uma demonstração rigorosa, resolvendo todas as dificuldades da questão. Quando, pois, formulamos um princípio é que, de antemão, estamos certos do assentimento da maioria dos homens e dos Espíritos. Eis por que não temos tido decepções. (...) Não tememos empenhar a responsabilidade da Doutrina, porque a Doutrina a adotará se for justa, e a rejeitará, se for falsa. (...). Deixemos, pois, o materialismo estudar as propriedades da matéria; esse estudo é indispensável, e será feito: o espiritualismo terá apenas que completar o trabalho naquilo que lhe concerne. Aceitemos suas descobertas e não nos inquietemos com suas conclusões absolutas, porquanto, estando demonstrada a sua insuficiência para tudo resolver, as necessidades de uma lógica rigorosa conduzirão forçosamente à espiritualidade; e sendo a própria espiritualidade geral incapaz de resolver os inúmeros problemas da vida presente e da vida futura, será encontrada a única chave possível nos princípios mais positivos do Espiritismo. Já vemos uma porção de homens chegarem por si mesmos às consequências do Espiritismo, sem o conhecer, uns começando pela reencarnação, outros pelo perispírito. Fazem como Pascal, que descobria os elementos da Geometria sem estudo prévio, e sem suspeitar que aquilo que imaginava ter descoberto era uma obra realizada. Dia virá em que pensadores sérios, estudando esta doutrina com a atenção que ela comporta, ficarão muito surpreendidos de aí encontrar o que procuravam, e proclamarão todo feito um trabalho cuja existência não suspeitavam. É assim que tudo se encadeia no mundo; da matéria bruta saíram os seres orgânicos, cada vez mais aperfeiçoados; do materialismo sairão, pela força das coisas e por dedução lógica, o espiritualismo geral, depois o Espiritismo, que não é outra coisa senão o espiritualismo particularizado, apoiado nos fatos”.



Li num livro espírita que o planeta Marte é mais adiantado que a Terra. No entanto, há referencia de Kardec que seria mais atrasado. Como podemos interpretar essa contradição? (Miraide Pacheco Albero)


Em Doutrina Espírita, Miraide, precisamos tomar cuidado com as chamadas “revelações”, que alguns Espíritos costumam trazer, principalmente quando se tratam de revelações de impacto, ou seja, aquelas que são muito desejadas e que suscitam intermináveis discussões. Nesse sentido, todo cuidado é pouco. Todo livro, inclusive o livro espírita, deve ser lido – não apenas com o coração – mas, sobretudo, com a razão, a fim de que o leitor possa aprender a separar “o trigo do joio”, na linguagem evangélica.


É claro que um dos princípios básicos da Doutrina Espírita é a pluralidade dos mundos habitados. Sem a compreensão de que os habitantes da Terra não são os únicos no Universo, fica difícil sustentar outros princípios, como a reencarnação e a evolução espiritual. Todavia, obter informações sobre outros mundos, para nós, é ainda muito prematuro, porquanto o homem ainda não está satisfatoriamente preparado para isso, razão pela qual Espíritos – consagrados pela grande maioria – como Emmanuel e André Luiz, por exemplo, não se aprofundam nessa questão.


É bem verdade que Allan Kardec, em O LIVRO DOS ESPÍRITOS, colocou algumas referências a Marte e Júpiter, que ele obteve em algumas comunicações. Mas o próprio Kardec apenas faz referência, não afirma convictamente de que isso é verdade, mesmo porque há Espíritos que, no afã de quererem adiantar alguma notícia, se propõe a revelar sua verdade, conforme a interpretação que dá dos fatos – o que, às vezes, não corresponde à verdade. Se você consultar O LIVRO DOS ESPÍRITOS, vai verificar que Kardec fez tais referências, a título de exemplificação, apenas em notas de rodapé e não no texto principal.


A verdade, Miraide, é uma conquista do homem, de conformidade com seu nível de evolução, e os mesmos critérios que a ciência utiliza para estabelecer a verdade, são aqueles que o Espiritismo também adota. Tanto assim que, n’O LIVRO DOS MÉDIUNS, Erasto, um Espírito orientador de Kardec, estabeleceu como um dos princípios da VERDADE ESPÍRITA o seguinte lema: “É preferível rejeitar nove verdades a aceitar uma só falsidade, uma só mentira”.


No segundo capítulo de O LIVRO DOS MÉDIUNS, ao arriscar uma classificação dos espíritas, Kardec chama atenção sobre o que ele chama de ESPÍRITAS EXALTADOS – aqueles que aceitam todas as informações dos Espíritos com muita facilidade, não se dispondo a examiná-las ou colocá-las em discussão. Kardec diz que essas pessoas acabam mais prejudicando que ajudando o desenvolvimento da doutrina, pois dão arma aos adversários, que se valem de sua pueril ingenuidade para dizer que o Espiritismo carece de base racional.


Felizmente, não é o seu caso, até porque você está levantando o problema, após ter pensado sobre ele. É assim mesmo que se faz, Miraide. Não devemos aceitar, nem tampouco rejeitar, qualquer verdade, sem primeira submetê-la ao crivo da crítica. É claro, estamos falando de uma crítica séria, sem maldade, sem malícia, mas de um espírito de pesquisa, pois a verdade não vem de graça para ninguém. Nós só a conquistamos, quando nos dispomos a buscá-la, onde estiver. Então, Miraide, vamos estudar e amadurecer o assunto. Com o tempo, ele vai se tornando mais claro e mais compreensível para todos nós.