faça sua pesquisa

quinta-feira, 7 de setembro de 2023

UMA SURPREENDENTE COMUNICAÇÃO COLETIVA; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Integrantes da Sociedade Espírita de Paris encontravam-se reunidos na noite de primeiro de novembro de 1866 para reverenciar o Dia dos Mortos, convencionalmente comemorado no dia dois do mesmo mês, conforme instituído no calendário da predominante no lado Ocidental da Terra. Um fenômeno interessante marcaria aquela reunião, revelando mais um aspecto do instigante processo de intercâmbio entre os dois mundos. Deu-se através do médium Sr Bertrand, conforme relatado por Allan Kardec na REVISTA ESPÍRITA, número de março de 1867. Foi a comunicação de vinte Espíritos cujas vidas, em nossa Dimensão, marcaram importantes momentos da História da Humanidade. Mesmer, General Brune, Luiz XVI, Lafayette, Arago, Napoleão, entre outros. O mais curioso é que a partir do tema proposto por um, outros contra pontuavam ampliando a compreensão do mesmo, encadeando, por fim, uma mensagem de conteúdo de grande elevação. Um trecho que bem exemplifica isto: o Espírito Meyerbeer escreveu: -“Três coisas devem progredir: a música, a poesia e a pintura. A música transporta a alma ferindo o ouvido”; Casemir Delavigne acrescentou: -“A poesia transporta a alma abrindo o coração”; seguido por Flandrin: -“A pintura transporta a alma acariciando os olhos”, enquanto Alfred de Musset: -“ Então a poesia, a música e a pintura são irmãs e se dão as mãos: uma para abrandar o coração, outra para suavizar os costumes e a última para abrir a alma: as três para vos elevar ao Criador; ao que São Luiz, encerrando a comunicação em nome de todos, aditou: -“ Mas nada, nada deve progredir mais momentaneamente do que a Filosofia; ela deve dar um passo imenso, deixando estacionar a ciência e as artes, mas para as elevar tão alto, quando for tempo, que essa elevação será muito mais súbita para vós hoje”. Kardec acrescenta que no dia 6 de dezembro, o mesmo Sr Bertrand, no grupo do Sr. Desliens, psicografou uma comunicação do mesmo gênero que, de certo modo, é continuação da precedente, desta vez com vinte e nove manifestantes, desenvolvendo raciocínios rápidos em torno do amor, da sabedoria, ciência, reencarnação, a Doutrina de Jesus, além de outros temas. Considerando que o estudo da mediunidade evidencia a necessidade da identidade de fluidos entre o Espírito comunicante e o médium, Kardec levantou a duvida no seguinte questionamento: -“Como os fluidos de tão grande número de Espíritos podem assimilar-se quase instantaneamente com o fluido do médium, para lhe transmitir seu pensamento, quando tal assimilação por vezes é difícil da parte de um só Espírito, e geralmente só se estabelece com vagar?”. Conta o Codificador que, Slener,“o guia espiritual do médium parece o ter previsto, porque dois dias depois lhe deu a seguinte explicação”:-“A comunicação que obtiveste no Dia de Todos os Santos, como a última, que é o seu complemento, posto nesta haja nomes repetidos, foram obtidas da seguinte maneira: como sou teu Espírito protetor, meu fluido é similar ao teu. Coloquei-me acima de ti, transmitindo-te o mais exatamente possível os pensamentos e os nomes dos Espíritos que desejavam manifestar-se. Estes formaram em torno de mim uma assembleia cujos membros, cada um por sua vez, ditava os seus pensamentos, que eu te transmitia. Isso foi espontâneo e o que naquele dia tornava as comunicações mais fáceis é que os Espíritos presentes tinham saturado a sala com seus fluidos. Quando um Espírito se comunica com um médium, fá-lo com tanto mais facilidade quanto melhor estabelecidas entre si as relações fluídicas, sem o que o Espírito, para comunicar seu fluido ao médium, é obrigado a estabelecer uma espécie de corrente magnética, que atinge o cérebro deste. “E, se em razão de sua inferioridade, ou por qualquer outra causa, o Espírito não pôde estabelecer esta corrente, ele próprio, então recorre à assistência do guia do médium, e as relações se estabelecem como acabo de indicar”. As informações suscitaram outra pergunta: -“No número destes Espíritos não há alguns encarnados, neste ou noutro mundo e, neste caso, como se podem comunicar?”. Eis a resposta que foi dada: “- Os Espíritos de um certo grau de adiantamento tem uma radiação que lhes permite comunicar-se simultaneamente em vários pontos. Nuns, o estado de encarnação não amortece essa radiação de maneira completa para os impedir de se manifestarem, mesmo em vigília. Quanto mais avançado o Espírito, mais fracos os laços que o unem à matéria do corpo; está num estado de quase constante despendimento e pode dizer-se que está onde está seu pensamento”.



Algumas religiões ainda pregam o temor a Deus como forma de trazer mais fiéis para o seu rebanho. Mas, Jesus não ensinou o contrário, o amor a Deus? Como essas religiões podem ser cristãs?

Você está certo quando fala que Jesus ensinou o amor a Deus. Aliás, esse amor já está expresso no seu mandamento, “amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”.

O medo de Deus estava presente nos ensinamentos de Moisés, mas não nos ensinos de Jesus, porque no tempo de Moisés, vários séculos antes de Cristo, foi num clima de temor que ele conseguiu intimidar e conduzir seu povo.

Assim, se você consultar os primeiros livros da Bíblia, vai perceber o que se chamava “a ira de Deus” contra os homens que, segundo a tradição, se manifestara das várias formas pelas quais Deus resolvera castigar a humanidade.

Cerca de 1.300 anos depois, treze séculos, Jesus substituiu o “medo de Deus” pelo “amor a Deus”, conforme o novo mandamento.

Lá no passado distante, segundo Moisés, Deus tratava os homens com severidade, mandando castiga-los sem piedade, caso desobedecessem suas ordens.

Moisés precisa estabelecer uma severa disciplina, temendo que seu povo passasse a adorar deuses de outros povos.

Vamos um exemplo claro dessa situação no episódio do bezerro de ouro que Moisés destruiu por ocasião dos mandamentos.

Quando se tratava dos inimigos do povo, como era o caso dos filisteus, por exemplo, Deus, segundo Moisés, mandava massacrá-los de forma impiedosa e cruel. Há vários episódios de massacre na Bíblia.

É claro que, para Jesus, isso era um absurdo, porque o Pai ama todos os seus filhos, sejam eles quem forem, e quer que seus filhos se amem uns aos outros.

Os ensinamentos de Jesus, portanto, vieram dar outra versão de Deus, mostrando-o não mais como um rei severo e cheio de ódio que mandava matar os inimigos, mas como um Pai compreensivo, bom e amoroso.

Segundo Jesus, o Pai quer que amemos não só os amigos, mas até os inimigos, porque todos os homens da Terra são irmãos e filhos de Deus.

Logo o medo, a intimidação, não combinam com o amor: ou você teme ou você ama. Você teme quem pode lhe castigar e você ama quem o perdoa. Deus o perdoa.

Se vós, que sois maus e imperfeitos, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, quanto não nos dará o Pai celestial, que é bom e perfeito”?

Logo, é incompatível pensar no Deus-Pai de Jesus odiando e castigando os homens, mas sim em um Pai de bondade e misericórdia que compreende os nossos limites e sempre nos dá oportunidade de reabilitação.


quarta-feira, 6 de setembro de 2023

DUVIDA COMUM; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

Porque o Espiritismo, apesar de ter nascido na França, após a morte de Allan Kardec perdeu paulatinamente a força inicial até seu quase desaparecimento ganhando intensidade apenas no Brasil? A dúvida que é de muitos encontrou resposta entre os meses de junho e agosto de 1965, quando os médiuns Chico Xavier e Waldo Vieira, atendendo convite de amigos radicados nos Estados Unidos da América do Norte e alguns países europeus, cumpriram roteiro de visitas por várias cidades dos dois continentes, visando não apenas conhecer o movimento espiritualista lá existente, mas, também apresentar alguns dos seus trabalhos traduzidos para o idioma inglês. O mais interessante é que um grupo dos Espíritos desencarnados que desenvolviam trabalhos junto a eles os acompanhou, a fim de estreitar relações com líderes espirituais lá atuantes no amplo movimento espiritualista que, nos bastidores da evolução trabalham direta e indiretamente pelo despertar dos que lá vivem. Os Benfeitores Espirituais Emmanuel, André Luiz, Hilário Silva, Kelvin Van Dine e Irmão X estavam com a dupla, registrando com conteúdos psicografados sua passagem por localidades como Nova Iorque (NI), Silver Spring (Maryland), Washington (D.C.) neste lado da Atlântico, e, Londres (Inglaterra) e Paris (França), material posteriormente reunido no livro – ENTRE IRMÃOS DE OUTRAS TERRAS (feb,1965) -, com que se reverenciou o centenário da primeira entidade espírita do Brasil, o Grupo Familiar do Espiritismo, nascido em 17 de setembro de 1865, em Salvador (BA). Alguns Espíritos ligados ao movimento espiritualista local aproveitaram a presença dos médiuns brasileiros para transmitir interessantes mensagens como Ernest O´Brien e Anderson que as escreveram no idioma inglês inseridas no livro conforme o original, traduzidas para o português pelo erudito Hermínio Correia de Miranda. Outro detalhe curioso é que dos dois textos do prefácio, um é uma prece do Espírito André Luiz antes do embarque. Algumas entrevistas interessantes foram desenvolvidas pelo Irmão X e por André Luiz com personalidades locais. Uma delas já tema de postagem no início deste BLOG com a célebre atriz Marilyn Monroe que abordada pelo Irmão X, forneceu detalhes de sua intrigante desencarnação anos antes. Quando da passagem do grupo por Paris, no dia 20 de agosto de 1965, André Luiz teve a oportunidade de conversar com um dos destacados continuadores de Allan Kardec, o engenheiro e escritor Gabriel Delanne. O autor de A REENCARNAÇÃO, A EVOLUÇÃO ANÍMICA, A ALMA É IMORTAL (feb), filho de médiuns que serviram à Kardec na Sociedade Espírita de Paris, inteligência precoce para sua idade, respondeu a 20 questões formuladas pelo autor da série NOSSO LAR. Informando que, “apesar de residir agora além da Terra, prossegue dentro das possibilidades sua ação espírita de outro tempo”, considera que o “Espiritismo não alcançou o nível ideal”. Em se tratando do berço de Kardec, diz que “não podemos esquecer que a França nos últimos vinte lustros sofreu a carga de três grandes guerras que lhe impuseram sofrimentos e provas terríveis, o que, contudo, não atrasou a marcha do Espiritismo, visto que legiões de companheiros da obra de Allan Kardec reencarnaram, não só na França, mas igualmente em outros países, notadamente no Brasil, para a sustentação do edifício kardequiano”. Não vê como “lenta a expansão dos princípios espíritas no mundo, visto que, as atividades espíritas contam pouco mais de um século e um século é período demasiado curto em assuntos do Espírito”. Sobre se a Europa eventualmente retomará a direção do movimento espírita, avalia que “antes de tudo, devemos considerar que a Europa assemelha-se, atualmente, a vasto campo de guerra ideológica, que está muito longe de terminar”. Sobre se fenômenos de efeitos físicos não deveriam ser mais usados no processo de despertamento dos homens, diz que “essa modalidade serve à convicção, mas, não adianta ao serviço indispensável da renovação espiritual, estando certos os Espíritos Superiores na poda dos surtos e motivações que surgem”. Questionado sobre qual a direção mais indicada para pesquisa científica, respondeu que “devemos estimular os estudos em torno da matéria e da reencarnação, analisar o reino maravilhoso da mente e situar no exercício da mediunidade as obras de fraternidade, orientação, consolo e alívio às múltiplas enfermidades das criaturas terrestres, melhorando a individualidade por dentro”. Solicitado a apontar onde os percalços maiores para a expansão da Doutrina Espírita, afirmou que, em sua opinião, “procedem da atuação daqueles que reencarnam, prometendo servi-la, seja através da mediunidade direta ou indireta, no campo da inspiração e da inteligência, e se transviam nas seduções da esfera física, convertendo-se em médiuns autênticos das regiões inferiores, de vez que não negam as verdades do Espiritismo, mas estão prontos a ridicularizá-las, através de escritos sarcásticos ou da arte histriônica, junto dos quais encontramos as demonstrações improdutivas, as histórias fantásticas, o anedotário deprimente e os filmes de terror, sendo impossível negar que os milhões de Espíritos inferiores que cercam a Humanidade possuem seus médiuns”. “Educação” é o único modo de vencer no labirinto gigantesco em que opera a influência das sombras, “explicando, tanto nos sistemas religiosos do Ocidente quanto do Oriente que a pessoa, em qualquer lugar e tempo somente possui o que ela fez de si própria”.






Gostaria de uma explicação sobre aquela passagem em que a mãe vai pedir a Deus que reserve lugares para seus dois filhos no reino de Deus. Isso me faz lembrar das pessoas que querem obter privilégios para seus familiares, o tal do nepotismo no mundo político.

De fato, é um momento interessante que uma mãe amorosa intercede junto a Jesus em favor de seus dois filhos, os jovens João e Tiago que estavam entre os seus apóstolos.

Mateus narra assim esse fato: “Aproximou-se de Jesus a mãe dos filhos de Zebedeu com seus filhos, prostrando-se para lhe fazer um pedido. Jesus disse: que queres?

Ela respondeu: Ordena que estes meus dois filhos se sentem no teu reino, um à sua direita e outro à sua esquerda.

Jesus respondendo, disse: Não sabeis o que pedis. Podeis vos beber o cálice que hei de beber? Eles responderam: Podemos.

Disse-lhes Jesus: Efetivamente haveis de beber o meu cálice, mas quanto a estardes sentados à minha direita e à minha esquerda, não pertence a mim conceder-lhes, mas será para aqueles para quem está reservado por meu Pai.

É fácil perceber que, como toda mãe, aquela mulher queria o melhor para seus filhos. Como ouvira Jesus falar sobre o reino de Deus, ela achava que se tratava de um reino material como os da Terra, em que o rei sempre tem seus protegidos.

Mas Jesus não falava de um reino material, mas sim de um reino espiritual, do qual participariam aqueles que fazem a vontade de Deus.



Nesse reino, portanto, o mérito está em ser bom e, principalmente, em amar o próximo como a si mesmo. Só quem cumprisse a lei do Amor, que é a lei de Deus, poderia participar desse reino.

Aliás, esse reino de que fala Jesus não é conseguido a partir de pedidos, mas, sim, pelo mérito que a pessoa reúne, pois é uma concessão de Deus.

Muitos não entendiam Jesus, mesmo quando usava de uma linguagem figurada, como é o caso da palavra “reino”.

Jesus procurou explicar que o reino de Deus é a conquista da paz íntima e, portanto, o maior bem espiritual.

O reino de Deus está entre vós”- explicou certa ocasião.

Mas, ele percebeu que aquela mãe, ansiosa em proteger os filhos, não adquirira esse entendimento e, portanto, lhe pedia algo que não competia a ele resolver.

Quando Jesus , voltando-se para os rapazes, perguntou se eles podiam beber do cálice que ele (Jesus) bebia, ingenuamente os dois responderam que sim, porque certamente pensaram se tratar de um cálice material.

No entanto, Jesus se referia ao cálice das provações e sofrimentos que ele haveria de passar.

Infelizmente, até hoje, muita gente leva ao pé da letra o que Jesus falava por metáforas, ou seja, por comparação. Essa falta de entendimento das palavras de Jesus, muitas vezes, acaba por desvirtuar o verdadeiro sentido de seus ensinamentos.

Jesus evitou discutir com a mulher sobre o pedido que ela havia feito, e apenas explicou que só a Deus competia tal resolução.

De que Jesus estava falando? Estava falando da lei de Deus, porque é assim que a lei funciona.

Como dissemos, segundo a lei, só ganha um lugar especial diante de Deus aquele que faz a sua vontade; quer dizer, aquele que procura amar o próximo como a si mesmo.

A mãe dos jovens, ao ouvir a resposta de Jesus, deve ter saído decepcionada, mas também pode ter acontecido que ela tenha entendido que seus filhos deveriam permanecer mais tempo com Jesus.

Que mãe não quer o melhor para seus filhos? Mesmo que tenha filhos trabalhosos – e, principalmente, nesses casos – as mães são um presente que Deus deu aos filhos para que por ela se sintam amados.


terça-feira, 5 de setembro de 2023

UNICA EXPLICAÇÃO PLAUSÍVEL; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Artigo publicado por jornal inglês especializado em assuntos médicos foi tema da reunião da Sociedade Espírita de Paris de 9 de outubro de 1868 por sua originalidade, resultando em matéria inserida na edição de novembro da REVISTA ESPÍRITA. Enfocava o caso de uma menina que, sem ter pronunciado palavras até os três anos, começou com os habituais “papai” e “mamãe” e quando se aproximou dos quatro, a língua se desatou de repente, falando a partir daí com toda a facilidade e volubilidade de sua idade. Um problema apenas se observava: nenhuma das palavras era em inglês, tampouco tinham relação com a corruptela de palavras de que se serviam as crianças que brincavam com ela. Sem ter jamais ouvido francês, incluía no seu singular idioma, diversos termos do mesmo. Os pais, desolados, insistiam em ensinar-lhe o inglês, inclusive afastando-a de crianças de sua idade, pondo-a em contato com gente idosa, falando o idioma pátrio e ignorando seu comportamento. Em contato com pessoas que não tinha o hábito de ver, punha-se a ensinar-lhes sua língua, o que, por sinal, já havia feito com um irmão mais velho que ela dezoito meses. Debatido o fato entre os participantes da reunião da Sociedade, manifestou-se através de um médium um Espírito de nome Nivard observando que “fatos surpreendentes ocorreram em todos os tempos, em todas as épocas, causando admiração aos homens, mas tinham similares ou parecidos. Isto certamente não os explicava, mas eram vistos com menos surpresa. Este de que se trata é, talvez, único no seu gênero. A explicação que se pode dar nem é mais fácil, nem mais difícil que as outras, mas sua singularidade é chocante: eis o essencial”. E prossegue:“-Quanto à causa, vou tentar vô-la dizer: o Espírito encarnado no corpo dessa menina conheceu a língua, ou antes, as línguas que fala, pois faz uma mistura. Não obstante, a mistura é feita conscientemente e constitui uma língua, cujas diversas expressões são tomadas das que esse Espírito conheceu em outras encarnações. Em sua última existência ele tinha tido a ideia de criar uma língua universal, a fim de permitir aos homens de todas as nações entender-se e assim aumentar a facilidade das relações e o progresso humano. Para esse efeito ele tinha começado a compor essa língua, que constituía fragmentos de várias que conhecia e mais gostava. A língua inglesa lhe era desconhecida; tinha ouvido ingleses falar, mas achava sua língua desagradável e a detestava. Uma vez no Plano Espiritual, o objetivo que se tinha proposto em vida aí continuou; pôs-se à tarefa e compôs um vocabulário que lhe é particular. Encarnou-se entre os ingleses, com o desprezo que tinha por sua língua, e com a determinação bem firme de não a falar. Tomou posse de um corpo, cujo organismo flexível lhe permite manter a palavra. Os laços que o prendem a esse corpo são bastante elásticos, para o manter num estado de semi-desprendimento, que lhe deixa a lembrança bastante distinta de seu passado, e o mantém em sua resolução. Por outro lado, é ajudado, e o mantém em sua resolução. Por ouro lado, é ajudado por seu guia espiritual, que vela para que o fenômeno tenha lugar com regularidade e perseverança, a fim de chamar a atenção dos homens. Aliás, o Espírito encarnado estava consentindo na produção do fato. Ao mesmo tempo em que demonstra o desprezo pela língua inglesa, cumpre a missão de provocar as pesquisas psicológicas”. Comentando a mensagem, Allan Kardec acrescenta: -“Se a explicação não pode ser demonstrada, ao menos tem por si a racionalidade e a probabilidade. Um inglês que não admite o princípio da pluralidade das existências e que não tinha conhecimento da comunicação acima, arrastado pela lógica irresistível, disse, falando desse caso, que ele não poderia explicar senão pela reencarnação, se fosse certo a gente reviver na Terra. Eis, pois, um fenômeno que, por sua estranheza, cativando a atenção, provoca a ideia da reencarnação, como a única razão plausível que se lhe possa dar. Antes que este princípio estivesse na ordem do dia, ter-se-ia simplesmente achado o caso bizarro e, sem duvida, em tempos ainda mais remotos, teriam olhado essa menina como enfeitiçada. Nós nem mesmo diríamos que hoje não fosse esta a opinião de certas pessoas. O que não é menos digno de nota é que este fato se produz precisamente num País ainda refratário à ideia da reencarnação, mas que será arrastado pela força das coisas”.



Pergunta um ouvinte: por que os espíritas não acreditam no inferno?

Os espíritas não acreditam no inferno teológico, ou seja, o inferno que foi instituído pela Igreja e para onde iriam as almas dos pecadores que não conseguissem o perdão de Deus.

A ideia do inferno, como um lugar de sofrimento eterno, conforme pintam as religiões, contraria a concepção de um Pai perfeito, bom e misericordioso, como Jesus ensinou.

Aliás, a onisciência ( ou seja, o conhecimento do presente, do passado e do futuro) é um atributo de Deus. Sem isso, Deus não seria Deus.

Pois bem, se Deus, que é o Pai eterno, conhece o futuro, ele conheceria o futuro de cada um de seus filhos desde o momento que o criou.

É de se perguntar então que, se Deus é bom e misericordioso e ama igualmente todos seus filhos, como é que Ele foi criar alguém para ser condenado ao inferno. Isso não é uma contradição?

Que pai humano, que é mau e imperfeito, pensaria em criar um filho que fosse condenado para a eternidade?

Ora, se o pai humano, com todas as suas limitações e defeitos, não quer ter um filho condenado, imagine Deus...

Logo, a ideia de um inferno de sofrimento eterno uma contradição ante a ideia perfeita que fazemos de Deus.

Concebendo o inferno, estamos negando o poder e o amor de Deus; estamos afirmando que Deus não é capaz de ter para si tudo que criou. Isso não é uma contradição?

Veja, portanto, caro ouvinte, como as pessoas podem acreditar em algo que contraria os ensinos de Jesus, que disse que nosso Pai é bom e perfeito.

Se vós, que sois maus e imperfeitos, disse o mestre, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, quando estes vos pedem, quando não vos dará o Pai Celestial que é bom e perfeito”.

Imagine, agora, a seguinte situação, caro ouvinte. Uma mãe boa e amorosa tem um filho, que se desviou do bom caminho e que, morrendo, foi para o inferno.

Quando essa mãe desencarna, ela vai para o céu, porque reúne todos os méritos para isso.

Você acha que essa mãe vai ser feliz no céu, sabendo que seu filho está sofrendo no inferno?

Que céu é esse que não lhe dá felicidade – mas, pelo contrário, lhe dá tristeza e decepção, pois seu filho foi condenado para toda a eternidade?

Não quererá essa boa mãe deixar o céu e ir para o inferno também, para poder ficar ao lado do filho? Onde as mães gostam de estar?

Veja, portantocomo é contraditória essa concepção de inferno, como ela não está de acordo com o amor, a bondade e a perfeição de Deus.


segunda-feira, 4 de setembro de 2023

VISÃO RETROSPECTIVA ; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 O erudito Hermínio Correia de Miranda num dos últimos trabalhos publicados sob o título AS DUAS FACES DA VIDA (lachatre, 2005) informa no capítulo PSIQUISMO BIOLÓGICO haver quando do transe da morte ou mesmo na iminência dele uma transcrição dos arquivos biológicos para os perispirituais, do que resulta um belo e curioso espetáculo de replay da vida, para o qual, por sinal, propôs o nome recapitulação, após o que o corpo estaria liberado para o processo de decomposição. No substancial documentário intitulado O CÉU E O INFERNO organizado por Allan Kardec, em sua segunda parte, entre os 62 depoimentos de Espíritos entrevistados na Sociedade Espírita de Paris, o médico J. Sanson revelando detalhes do momento de sua morte, diz ter conservado suas ideias até o ultimo momento, que não via mais, mas pressentia e “toda sua vida se desenrolou diante de sua lembrança”, enquanto o sr M. Jobard, outro intelectual ligado ao Espiritismo nascente, relatou através de um médium que ‘após um abalo estranho, lembrou-se de repente, seu nascimento, juventude, idade madura, enfim, toda sua vida se retratou nitidamente em sua lembrança’. Analisando o início do processo chamado desencarnação que principia a volta do Espírito à sua condição normal, Allan Kardec destaca na mesma obra o torpor, uma espécie de desmaio e essa revisão que o Ser enceta neste momento. A partir dos anos 70 do século 20, o médico Raymond Moody Jr começa a revelar suas constatações sobretudo no que ele denominaria EQM – Experiências de Quase Morte, ou seja, daqueles que vitimados por situações naturais ou acidentais resolvidos expontaneamente ou mecanimente pela Medicina, retornaram à vida relatando suas impressões durante o breve tempo em que estiveram mortos clinicamente, incluindo entre as sensações a da revisão de suas próprias vidas. No Brasil, a mediunidade de Chico Xavier com a intensificação da recepção de cartas de inúmeros Espíritos que mortos ‘precocemente’ afirmavam aos entes queridos sua sobrevivência após a chamada morte, muitos deles contaram ter vivenciado a etapa da recapitulação. Dentre os vários depoimentos, Ivan Sergio de Athaíde Vicente contou que teve ‘a idéia de rever toda a minha existência, como num sonho que estivemos vivendo acordado, até que as minhas lembranças se condensaram na rememoração do acidente que me transtornava a cabeça, enquanto Luiz Antonio Biazzio escreveu: -“Rememorei meus estudos de medicina, revisei os meus doentes e os meus apuros na psiquiatria para definir-lhe as emoções e, em seguida, querida mãezinha, as recordações da infância e do lar desfilaram diante da minha visão íntima. de tudo me lembrei”. Entre todas essas contribuições para nosso esclarecimento sobre o que é ‘morrer’, o pesquisador italiano Ernesto Bozzano, em uma de suas substancias obras, A MORTE E SEUS MISTÉRIOS, dedica a terceira parte para apresentar casos de VISÃO PANORÂMICA OU MEMÓRIA SINTÉTICA NA IMINÊNCIA DA MORTE. Separa em três categorias casos de visão panorâmica na iminência da morte ou em perigo de vida; casos acontecidos com pessoas sãs, sem a ocorrência de perigo de morte e, casos de comunicantes que por via mediúnbica afirmam ter passado pela experiência da ‘visão panorâmica’. Na primeira situação, por exemplo, turistas que sofreram quedas de montanhas e viram a morte de perto, permitiram estabelecer um padrão mais ou menos constantes nesta espécie de acidentes, desde o momento em que se perdeu o pé até ao em que se produziu o choque na queda física: 1.° - um sentimento de beatitude; 2.° - a anestesia do tato e do sentido da dor, a vista e o ouvido conservando a sua acuidade normal; 3 ° - extrema rapidez do pensamento e da imaginação; e, 4.° - em inúmeros casos, a alma revê todo o curso de sua vida passada: " vislumbrei todos os fatos de minha vida terrena que se desenrolaram diante de meus olhos em imagens inumeráveis”. Conclui-se, por fim, tratar-se de ocorrência natural a ser enfrentada por todos no fim da jornada no corpo físico.

Joana pergunta: Onde está escrito na Bíblia que “a fé sem obras é morta”?

Esta afirmação está na carta de Tiago (capítulo 2, versículo 17), carta essa que foi elaborada na época para ser lida nas diferentes igrejas.

Isso ocorreu nos primeiros anos após o episódio da ressurreição de Jesus, quando seus seguidores e outros mais se convenceram da necessidade da importância de se propagar imediatamente o evangelho.

Porém, há vários Tiagos no Novo Testamento; pelo menos, quatro. Mas o Tiago, que escreveu a carta, era o Tiago, irmão de Jesus.

Parecer ter sido ele o único irmão de Jesus, que seguiu e ajudou a propagar seus ensinamentos.

A - Nesta carta Tiago procura deixar claro para o povo as lições que Jesus havia ensinado, mas nessa época ainda não havia nada escrito.

A carta não deixa de ser uma advertência para a maioria dos cristãos, que achavam mais fácil e mais cômodo proclamar o poder da fé e esquecer o valor das obras.

Por isso, dirigindo-se aos seguidores do Cristo, Tiago diz: “Sede fazedores da palavra e não apenas ouvintes, enganando-vos a vós mesmos”.

Porque, se alguém é ouvinte da palavra e não fazedor, será comparado a um homem que contempla seu rosto no espelho – apenas para ser contemplado – e, ao retirar-se, logo ele se esquece de como era”.

Mas, quem se fixar na lei perfeita da liberdade e nela perseverar, não sendo um ouvinte esquecido, mas executor da obra, ele será venturoso no que fizer”.

A religião pura e sem mácula aos olhos de Deus é esta: visitar os enfermos e as viúvas nas suas tribulações e conservar-se puro”.

E continua Tiago: “Que proveito terá se alguém disser que tem fé e não tem obra? Porventura essa fé poderá salvá-lo?”

Se um irmão ou uma irmão estiverem precisando de alimento e alguém disser: ide em paz, aquecei-vos e saciai-vos, mas não lhe der o necessário para comer, de que lhes aproveitará?”

ASSIM TAMBÉM A FÉ; SE NÃO TIVER OBRAS É MORTA EM SI MESMA”.

E concluindo, afirma Tiago: “Alguém poderá dizer tu tens fé e eu tenho as obras. Mostra-me tua fé sem obras e eu mostrarei minha fé pelas minhas obras”.


domingo, 3 de setembro de 2023

POR QUE ESQUECEMOS O PASSADO; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Se vivi outras vidas, sofro em consequência das decisões e ações insensatas delas e essas pessoas às quais estou ligado fazem parte de experiências mal sucedidas delas, por que não lembro de nada? Argumento comum entre aqueles que preferem a lei do mínimo esforço, presos à filosofia do “achismo”. Em artigo do número de agosto de 1863, da REVISTA ESPÍRITA, Allan Kardec ressalta alguns pontos importantes da questão: -“A lembrança precisa dessas faltas teria inconvenientes extremamente graves, pois isso nos perturbaria, nos humilharia aos nossos próprios olhos e aos do próximo; trariam uma perturbação nas relações sociais e, por isto mesmo, travaria nosso livre arbítrio. Por outro lado, o esquecimento não é tão absoluto quanto o supõem. Ele só se dá na vida exterior de relação, no interesse da Humanidade; mas, a vida espiritual não sofre solução de continuidade. Tanto como desencarnados, quanto nos momentos de emancipação, o Espírito se lembra perfeitamente e essa lembrança lhe deixa uma intuição que se traduz na voz da consciência, que o adverte do que deve, ou não deve fazer. Se não a escuta, então é culpa sua. Além disso, o Espiritismo dá ao homem um meio de remontar ao seu passado, se não aos atos precisos, ao menos aos caracteres gerais desses atos que ficaram mais ou menos desbotados na sua vida atual. Das tribulações que suporta, das expiações e provas deve concluir que foi culpado; da natureza dessas tribulações, ajudado pelo estudo de suas tendências instintivas, apoiando-se no princípio que a mais justa punição é a consequência da falta, pode deduzir seu passado moral. Suas tendências más lhe ensinam o que resta de imperfeito a corrigir em si. A vida atual é para ele um novo ponto de partida: aí chega rico ou pobre de boas qualidades; basta-lhe, pois, estudar-se a si mesmo para ver o que lhe falta e dizer: -‘Se sou punido, é porque pequei’. E a mesma punição lhe dirá o que fez. Citemos uma comparação. Suponhamos um homem condenado a tantos anos de prisão, sofrendo um castigo especial, mais ou menos rigoroso conforme sua falta: suponhamos, ainda, que ao entrar na prisão perca a lembrança dos atos que para lá o conduziram. Poderá dizer: -‘Se estou nesta prisão, é que fui culpado, pois não se condena gente virtuosa. Tratemos, pois, de nos tornarmos bons, para não voltarmos quando daqui sairmos’. Quer ele saber o que fêz? Estudando a lei penal, saberá quais os crimes que para ali conduzem, porque não se é posto a ferros por uma maluquice; da duração e severidade da pena, concluirá o gênero do que deve ter cometido. Para ter uma ideia mais exata, terá apenas que estudar os artigos para os quais irá sentir-se instintivamente arrastado. Saberá, então, o que daí em diante deverá evitar para conservar a liberdade e a isso será ainda excitado pelas exortações dos homens de Bem, encarregados de o dirigir e instruir no bom caminho. Se não aproveitar, sofrerá as consequências. Tal a situação do homem na Terra onde, como condenado, não pode ter sido posto por suas perfeições, desde que é infeliz e obrigado a trabalhar. Deus lhe multiplica os ensinamentos proporcionais ao seu adiantamento. Adverte-o incessantemente e o fere, até, para o despertar de seu torpor; e o que permanece no endurecimento não pode desculpar-se com a arrogância”. Através do médium Chico Xavier, o Espírito André Luiz registrou importantes apontamentos sobre o tema: 1: -“O obscurecimento das memórias pregressas, não é senão um fenômeno temporário, mais ou menos curto ou longo, conforme o grau de evolução que tenhamos atingido. Até certo ponto, uma dilatada hipnose. A passagem pelo claustro materno, o novo nome escolhido pelos familiares, os sete anos de semi-inconsciência no ambiente fluídico dos pais, a recapitulação da meninice, o retorno à juventude e os problemas da madureza, com as responsabilidades e compromissos consequentes, estruturam em nós – a individualidade eterna -, uma personalidade nova que incorporamos ao nosso patrimônio de experiências”. 2-Os Espíritos encarnados, tão logo se realize a consolidação dos laços físicos, ficam submetidos a imperiosas leis dominantes na Crosta (...). Sem a obliteração temporária da memória, não se renovaria a oportunidade”. 3 – “Sem o esquecimento transitório, não saberíamos receber no coração o adversário de ontem para regenerar-nos, regenerando-o”.


Um paciente está sendo tratado de esquizofrenia por médico- psiquiatra, porque está muito perturbado, ouve vozes e tem visões assustadoras. Como a doença se prolongasse, um dia, por insistência de um amigo, a família o leva a um centro espírita e lá percebem que ele está sendo vítima de uma perseguição espiritual, que no Espiritismo se dá o nome de obsessão. A pergunta é a seguinte: então, não existe esquizofrenia, mas apenas obsessão?

Conforme Allan Kardec, em O LIVRO DOS ESPÍRITOS, a partir da questão 375, a perturbação espiritual pode ter como causas tanto a loucura (como a esquizofrenia era conhecida na época) como também a obsessão.

Isso quer dizer que podem existir causas psicológicas e fisiológicas para explicar por que e como ocorrem as alucinações.

O Espiritismo nunca descarta a hipótese da obsessão espiritual ao mesmo tempo, ou seja, o fato de um Espírito se valer da enfermidade da pessoa para causar-lhe mais problemas.

É que, em alguns casos, o obsidiado está sendo perseguido por Espíritos a quem teria prejudicado no passado.

Logo, o fato de a pessoa ter problemas relacionados ao mau funcionamento do cérebro pode estar relacionado com conflitos de relacionamento em vidas anteriores.

Daí porque, em determinadas situações, existirem ao mesmo tempo tanto a enfermidade psíquica como a ação de Espíritos inimigos.

Desse modo, por recomendação espírita, mesmo que o paciente apresente sintomas notórios de obsessão espiritual, como manifestações mediúnicas descontroladas, nunca se deve descartar a terapia médica

O mais sensato para casos de perturbação psíquica, portanto, é que o tratamento espírita seja levado em conta de terapia complementar e não como terapia alternativa.

Isso quer dizer, em última instância que, no caso de perturbação psíquica ou mental, nunca se deve descartar nenhuma dessas duas terapias


sábado, 2 de setembro de 2023

PRESSENTIMENTOS E PROGNÓSTICOS; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

Apoiando-se em fatos que envolveram algumas personalidades importantes do passado da França, Allan Kardec escreve na edição de novembro de 1867 da REVISTA ESPÍRITA um artigo em que procura explicar a diferença entre as duas situações propostas pelos termos pressentimentos e prognósticos. Cita o livro Memórias De Madame Chapman em que é relatado que na época em que tinha sido concebida a ideia de unir Maria Antonieta, a filha da Imperatriz Maria Tereza, ao filho de Luiz XV, esta buscou ouvir o Cura Gassner - reconhecido pelos seus à época chamados dons - a quem consultava muitas vezes, que ante a pergunta se sua “Antonieta seria feliz?”, após longa reflexão, empalideceu estranhamente e, apesar de manter enigmático silêncio, premido pela Imperatriz, disse: -“Senhora, há cruzes para todos os ombros”. A História registrou que desde o dia do casamento ocorrido em 16 de maio de 1770, uma sucessão de acontecimentos inclusive atmosféricos assinalaram essa pagina da vida de tanta gente famosa. O próprio Luiz XV, ouvira em 1757, de um astrólogo levado à sua presença pela Madame Pompadour, depois de ter feitos cálculos a partir da sua data de nascimento, disse-lhe:-“ Senhor, vosso reino é celebre por grandes acontecimentos; o que se seguirá sê-lo-á por grandes desastres”. Voltando à Maria Antonieta, após 8 anos de esterilidade, concebeu a uma menina e, três anos depois, ao que seria o herdeiro da Coroa, acontecimento comemorado em festa por toda Paris, em 21 de janeiro de 1782, onze anos antes da morte do Rei e do aprisionamento da Rainha para ser guilhotinada, em 1793, um ano após o marido, acusada de traição pelos que fizeram a Revolução Francesa. Analisando a questão Allan Kardec pondera: -“Nestes fatos, há que considerar duas coisas bem distintas: os pressentimentos e os fenômenos considerados como prognósticos de acontecimentos futuros. Não se poderiam negar os pressentimentos, dos quais há poucas pessoas que não tenham tido exemplos. É um desses fenômenos cuja explicação a matéria só é impotente para dar, porque se a matéria não pensa, também não pode pressentir. É assim que o materialismo a cada momento se choca contra as coisas vulgares que o vem desmentir. Para ser advertido de maneira oculta daquilo que se passa ao longe e de que não podemos ter conhecimento senão num futuro mais ou menos próximo pelos meios comuns é preciso que algo se desprenda de nós, veja e entenda o que não podemos perceber pelo olhos e pelos ouvidos, para referir a sua intuição ao nosso cérebro. Esse algo deve ser inteligente, desde que compreende e, muitas vezes, de um fato atual, prevê consequências futuras. É assim que por vezes temos o pressentimento do futuro. Esse algo não é outra coisa senão nós mesmos, nosso Ser espiritual, que não está confinado no corpo, como um pássaro numa gaiola, mas que, semelhante a um balão cativo, afasta-se momentaneamente da Terra, sem cessar de a ela estar ligado. É sobretudo nos momentos em que o corpo repousa, durante o sono, que o Espírito, aproveitando o descanso que lhe deixa o cuidado de seu invólucro, em parte recobra a liberdade e vai colher no espaço, entre outros Espíritos, encarnados como ele, ou desencarnados, e no que vê, ideias cuja intuição traz ao despertar. Essa emancipação da alma por vezes se dá no estado de vigília, nos momentos de absorção, de meditação e de devaneio, em que a alma parece não mais preocupada com a Terra. Ocorre, sobretudo de maneira mais efetiva e mais ostensiva nas pessoas dotadas do que se chama a dupla vista ou visão espiritual. Ao lado das intuições pessoais do Espírito, há que colocar as que lhe são sugeridas por outros Espíritos, quer em vigília, quer no sono, pela transmissão de pensamentos de alma a alma. ´É assim que muitas vezes se é advertido de um perigo, solicitado a tomar tal ou qual direção, sem que por isto o Espírito cesse de ter o seu livre arbítrio. São conselhos e não ordens, porque sempre fica livre de agir à sua vontade. Os pressentimentos tem, pois, a sua razão de ser e encontram a sua explicação natural na vida espiritual, que não cessamos um instante de viver, porque é a vida normal. Já não é o mesmo com os fenômenos físicos, considerados como prognósticos de acontecimentos felizes ou infelizes. Em geral esses fenômenos não tem nenhuma ligação com as coisas que parecem pressagiar. Podem ser precursores de efeitos físicos que são sua consequência, com um ponto negro no horizonte pode ao marinheiro pressagiar uma tempestade, ou certas nuvens anunciar o granizo, mas, a significação desses fenômenos para as coisas de ordem moral deve ser posta entre as crenças supersticiosas”.



É verdade que, quando pensamos ou falamos mal de uma pessoa que já morreu, lá no mundo espiritual ela vai se sentir mal?

Precisamos entender que a única via de comunicação entre nós e os Espíritos é o pensamento.

O pensamento é força criadora, explica André Luiz. Enquanto encarnados, ainda não conseguimos perceber nitidamente seus efeitos.

Mas quando o Espírito já desvestido do corpo material, torna-se mais sensível a qualquer manifestação mental, seja a seu favor ou seja contra ele.

Se o nosso pensamento está dirigido a alguém, que já se foi desta vida, é quase certo de que essa pessoa poderá percebê-lo pelo impacto emocional que esse pensamento lhe causará.

Por isso que é importante orar pelos nossos entes queridos que já se foram.

Mas o contrário também funciona. Se pensamos ou falamos dele, nosso pensamento tende a tocá-lo de forma agradável ou desagradável.

Agradável quando lembramos dele com afeto ou com saudade. Desagradável quando o criticamos, ainda que seja apenas em pensamento.

Não é por acaso que a natureza já nos dotou de um sentimento de afetividade pelos desencarnados.

A partir do momento em que a pessoa parte desta vida, nossa tendência é esquecer seus defeitos e destacar suas qualidades.

Essa atitude o ajudará muito no seu controle emocional e, para ele, será como uma prece, trazendo-lhe alívio se estiver sofrendo.

A prece pelos nossos entes queridos, que partiram, é muito importante quando parte de um coração sincero e bem intencionado.

Ao pedir a Deus que o ampare e abençoe estamos mobilizando recursos espirituais preciosos que temos conosco e que serão encaminhados a eles.


sexta-feira, 1 de setembro de 2023

DEPENDENCIAS QUÍMICAS ALÉM DA VIDA- O CIGARRO ; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 “O restaurante barato regurgitava. Muita alegria, muita gente. (...) Transpusemos a entrada. As emanações do ambiente produziam em nós indefinível mal estar. Junto de fumantes e bebedores inveterados, criaturas desencarnadas de triste feição se demoravam expectantes. Algumas sorviam baforadas de fumo arremessadas ao ar, ainda aquecidas pelo calor dos pulmões que as expulsavam, nisso encontrando alegria e alimento. Outras aspiravam o hálito de alcoólatras impenitentes. Indicando-as, informou o Orientador: ‘- Muitos de nossos irmãos, que já se desvencilharam do seu vaso carnal, se apegam com tamanho desvario às sensações da experiência física, que se cosem àqueles nossos amigos terrestres temporariamente desequilibrados nos desagradáveis costumes por que se deixam influenciar. O que a vida começou, a morte continua”. A cena e o comentário inseridos no livro NOS DOMÍNIOS DA MEDIUNIDADE (feb), por seu autor André Luiz, através da mediunidade de Chico Xavier, surpreende, porém não é novidade. Tecendo considerações sobre comunicação havida na Sociedade Espírita de Paris, Allan Kardec disse que um dia, apresentou-se a um médium vidente, um Espírito morto recentemente com um cachimbo na boca, fumando. À observação que lhe fizeram, de que aquilo não era conveniente, respondeu: “- Que quereis! Tenho um tal hábito de fumar que não me posso privar do cachimbo”. O que era mais singular, acrescenta Kardec , é que o cachimbo dava fumaça, bem entendido, para o vidente e não para os assistentes. Segundo a revista The Economist, “os cigarros estão entre os produtos de consumo mais lucrativos do mundo. O único produto legal que vicia a maioria dos consumidores e muitas vezes os matam”. Compradores leais, fabricantes satisfeitos, lucros impressionantes. E, como comprovado, um minuto a menos de vida a cada minuto gasto a fumar. A revista Newsweek, revela que “o fumo causa 50 vezes mais mortes que as causadas pelas drogas ilegais”. E a dependência não se extingue com a morte do corpo físico. Assim como vimos na abordagem sobre o álcool, o Espírito, através do corpo espiritual ou períspirito, mantém-se preso às necessidades de sensação, buscando lugares ou pessoas onde, protegidos pela invisibilidade, possam nutrir as ilusões que lhe são peculiares, já que as Leis Cósmicas que nos controlam a caminhada existencial determinam que recebamos sempre conforme nosso estágio evolutivo. No ano de 1979, o jornalista Fernando Worm realizou interessante entrevista com o Instrutor Espiritual Emmanuel, pelo médium Chico Xavier, que indagado se o fumante, tendo desencarnado, tão logo desperte do letargo da morte física, sente desde aí o prosseguimento da vontade de fumar, disse que “quando o Espírito não conseguiu desvencilhar-se de hábitos determinados, enquanto no corpo físico, é compreensível que esses mesmos hábitos não o deixem tão logo se veja desencarnado”. Explica que a ação negativa do cigarro se mantém no períspirito ( corpo espiritual), continuando o problema da dependência até que a impregnação dos agentes tóxicos nos tecidos sutis do corpo espiritual ceda lugar à normalidade do envoltório perispirítico, o que, na maioria das vezes, tem a duração do tempo correspondente ao tempo em que o hábito perdurou na existência física do fumante. Quando a vontade do interessado não está suficientemente desenvolvida para arredar de si o costume inconveniente, o tratamento dele, no Mundo Espiritual, ainda exige quotas diárias de sucedâneos dos cigarros comuns, com ingredientes análogos aos dos cigarros terrestres, cuja administração ao paciente diminui gradativamente, até que consiga viver sem qualquer dependência do fumo”. Naturalmente essa situação alcança somente aqueles que, por méritos ou necessidades, já se encontram em áreas onde o tratamento lhe possa ser oferecido. Descrevendo a ação dos componentes do cigarro no períspirito de quem morre, diz que “as sensações do fumante inveterado, no mais Além, são naturalmente as da angustiosa sede de recursos tóxicos a que se habituou no Plano Físico, de tal modo obsedante que as melhores lições e surpresas da Vida Maior lhe passam quase despercebidas, até que se lhe normalizem as percepções.Dando-nos uma ideia da amplitude do problema, Emmanuel diz que “muitas vezes os filhos ou netos de fumantes e dispsônamos inveterados, são aqueles mesmos Espíritos afins que já fumavam ou usavam agentes alcóolicos em companhia deles mesmos, antes do retorno à reencarnação. Compreensível, assim, que muitas crianças (Espíritos extremamente ligados aos hábitos e idiossincrasias dos pais e dos avós), apresentem, desde muito cedo, tendências compulsivas para o fumo ou para o álcool, reclamando trabalho persistente e amoroso de reeducação”. Opinando sobre a alegação de pessoas que afirmam não poder deixar de fumar porque o cigarro é uma companhia contra a solidão, diz que, “embora não desejando imprimir censura ou condenação a ninguém, considera que o melhor dissolvente da solidão , é o trabalho em favor do próximo, através do qual se forma, de imediato, uma família espiritual em torno do servidor”. A respeito de pesquisas médicas que revelam que a dependência física dos fumantes, sua ‘fome’ de nicotina e derivados do fumo, costuma ser mais compulsiva que a dependência orgânica dos viciados em narcóticos, afirma acreditar que “ambos os tipos de dependência se equiparam na feição compulsiva com que se apresentam, cabendo-nos uma observação: é que o fumo prejudica, de modo especial, apenas ao seu consumidor, quando os narcóticos de variada natureza são suscetíveis de induzir seus usuários a perigosas alucinações que, por vezes, lhes situam a mente em graves delitos, comprometendo a vida comunitária”. Por ocasião dessa entrevista, reproduzida na obra JANELA PARA A VIDA(fergs), Worm ouviu também Chico Xavier sobre outros pontos igualmente importantes. O primeiro, se considerava o hábito de fumar um suicídio em câmara lenta, obtendo dele a seguinte resposta: -“ Creio que o hábito de fumar não pode ser definido por suicídio conscientemente considerado. Será um prejuízo que o fumante causa a si mesmo, sem a intenção de se destruir, mas prejuízo que se deve estudar com discernimento, sem condenação, para que a pessoa se conscientize quanto às consequências do fumo, no campo da vida, de maneira a fazer suas próprias opções”. Indagado se teria alcançado condições de desempenho do seu mandato mediúnico, se fosse dependente da nicotina, afirmou crer que “não, com referência ao tempo de trabalho, de vez que a ingestão de nicotina agravaria as doenças de que sou portador”. Se teria um conselho aos fumantes enfraquecidos por derrotas sucessivas na luta para vencer a dependência física e mental criada pela nicotina,disse: “ A prece e o trabalho, em meu entendimento, sempre os melhores recursos para defender-nos contra qualquer desequilíbrio”.



Vocês falaram no programa que o Espiritismo não é propriamente uma religião, porque a religião no sentido comum da palavra tem sacerdotes, templos, altares e rituais e o Espiritismo não tem nada disso. O que é religião então para o Espiritismo?

Quando você fala em “religião no sentido comum”, você está se referindo conceito sociológico de religião, ou seja, no sentido que geralmente os sociólogos dão à palavra religião.

Esse conceito – como o do sociólogo, Emile Durkheim – realmente não se aplica ao Espiritismo.

Mas ao Espiritismo pode se aplicar o conceito de “religião natural”, usado pelo pensador Jean Jacques Rousseau e pelos filósofos iluministas.

Para eles, a religião natural, como o próprio nome está dizendo, é a forma natural com que cada indivíduo se liga diretamente a Deus, sem precisar de rituais e sem se valer de nenhum intermediário para isso.

No entanto, as religiões, ao longo da História, se transformaram em instituições que deveriam intermediar a relação entre Deus e o homem. Elas sempre se apresentam como taboa de salvação, sem o que a alma estaria perdida.

Por isso, elas instituíram os templos, os altares, os sacerdotes e as celebrações, que seriam os meios pelos quais cada indivíduo estaria mais próximo de Deus.

A religião natural, todavia, não precisa de nada disso e, além disso, ela pode ser professada pelo individuo e não necessariamente por grupos de indivíduos ou por organizações religiosas.

Para você entender melhor, podemos afirmar que a religião natural foi recomendada por Jesus, quando ele ensinou o Pai Nosso.

A oração, que Jesus ensinou no Sermão da Montanha, revela que o encontro entre o homem e Deus pode ser feito em qualquer lugar e em qualquer circunstância.

Antes disso, acreditava-se que o homem só chegava a Deus, quando ele fosse ao templo fazer a sua oferta ou participasse de celebrações religiosas.

Mas Jesus foi claro e enfático quando recomendou a cada individuo de seu povo que, fechada a porta, falasse diretamente com Deus no silêncio de seu quarto.

O que é isso, senão a religião natural, para que cada um se sentisse dono da sua própria relação íntima com o Pai, sem precisar recorrer ao templo ou aos sacerdotes.

Esta, portanto, é a religião natural; a mesma que o Espiritismo recomenda a todos e a cada um de nós, independente de qualquer religião formal.

É nesse tipo de religião – ou seja, na relação direta do homem com Deus – que o Espiritismo se baseia para dizer que tem um aspecto religioso, mas se trata de uma religião natural e não de uma religião formal.

Mas, seguindo ainda os passos de Jesus, a verdadeira prática da religião não se limita à oração. Ela deve se manifestar em todos os momentos de nossa vida.

Ou seja, a verdadeira prática religiosa é amar o próximo como a si mesmo; quer dizer, é fazer o bem e evitar o mal, procurando servir ao mandamento maior ensinado por Jesus.

Concluindo, podemos afirmar que essa é a única e verdadeira religião que, para o Espiritismo, é a prática da caridade, a real expressão do amor fraterno.