Na visão dominante na nossa Dimensão, tudo cessou no instante fatal. A mediunidade identificada e explicada pelo Espiritismo, contudo, confirma que não. E a vivenciada pelo médium Chico Xavier produziu um acervo de documentos ainda pouco conhecidos e estudados pelos que buscam respostas para a inesperada, mas inevitável, experiência da morte. A historia a seguir demonstra isso. Para conhecê-la, vamos recuar à 1983, no bairro da Mooca, capital paulista. Naquele ano, o jovem Dialma Coltro Filho, frequentava o segundo ano de direito de uma das faculdades de São Paulo. Dialma, apesar dos seus vinte anos, tinha como hobby colecionar armas de fogo, tendo muita consciência sobre o perigo que representavam. Com a venda de um automóvel, aceitou como parte de pagamento um exemplar de uma Mauser 365. Para processar pequena limpeza na peça, com os cuidados de sempre, desativou a arma, retirando o pente de balas, a fim de guardá-la com as outras colecionadas. Embora a cautela, porém, não percebeu que uma das balas ficara na agulha provocando o disparo acidental que lhe atingiu em cheio a cabeça interrompendo sua ainda curta existência física. Apesar das várias suposições a respeito, Dialma contaria na carta escrita através do médium Chico Xavier, a forma como se deu sua desencarnação. A mensagem foi recebida exatamente no dia em que ele completaria 21 anos, quatro meses e quatro dias após sua morte física. Vejamos alguns trechos: -“Tudo passou com a vertigem das horas e aqui me vejo, sob a proteção do tio Nider Fortunato, a lhes pedir a bênção. Ao contrário do que se afirma, ou do que muita gente possa pensar, estou recuperando as minhas forças, surpreendido com todas as revelações que me cercam. Tenho a considerar a minha inquietação com as lágrimas incessantes da Mãezinha, que me alcançam à maneira de gotas candentes de angústia em brasa. (...) Limpava a arma, com despreocupações, supondo que não houvesse qualquer remanescente nos mecanismos em minhas mãos. Em dado instante, alonguei o braço para ver se a arma estava legalmente limpa, quando, sem querer, detonei a bala única que restava ali, sem que eu soubesse. O tiro escapou sem que de minha parte conseguisse sanar as consequências. Caí, apesar do meu propósito de permanecer atento aos curativos que, decerto, me seriam administrados. Ouvi vozes e gritos abafados, tentando responder, mas, a minha boca jazia selada por uma força que não compreendi. Procurei sustentar o cérebro aceso, a fim de prestar as informações necessárias, no entanto, aquilo foi um achatamento de minha personalidade. Achava-me acordado, observando o que se passou, contudo, a minha força se esgotava rapidamente. A lesão repentina que sofrera no crânio, como que me tomava todas as energias. Era como se meu corpo naquela hora estivesse concentrado na cabeça, sem que me fosse possível externar qualquer impressão. (...) Entrei num sono invencível e perdi-me nas considerações inacabadas que tentava formular... O resto não sei. Não sofri dor alguma porque, onde o impacto do sofrimento é pesado demais, a dor desaparece... Meus últimos pensamentos no corpo foram para a Mãezinha Júlia, cujas lágrimas tive a ideia de que me orvalhavam o rosto. Depois, foi a inconsciência, com uma espécie de ocultação de meu próprio Ser. Quanto tempo estive assim, nem exatamente vivo, nem suficientemente morto, ainda ignoro. Sei que despertei num aposento simples e arejado, com a cabeça dolorida. Julguei-me num local de tratamento para acidentados... Respirei o ar puro, com quem sorve um copo de água refrigerada depois da sede ardente e, ao ver a senhora que me assistia, supus com naturalidade fosse uma enfermeira tão humana quanto eu mesmo.”.
EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR
É
muito difícil para a gente não se revoltar, quando vê o sofrimento e a agonia
de crianças inocentes. Cenas chocantes de criancinhas vítimas da guerra e de
terremotos, banhadas de sangue ou com os olhos estalados de fome, como a
televisão costuma mostrar, são tão violentas e cruéis que mexem com a gente,
deixando a impressão que Deus não se importa com elas ou, até mesmo, que Deus
não existe.
Com certeza, prezados ouvintes, não
existe nada tão chocante aos olhos humanos do que o sofrimento de uma criança.
Se o sofrimento do adulto nos comove, o de uma criança pode até nos revoltar.
Diante dessa realidade, quando vemos o
sofrimento de uma criancinha ensanguentada, macerada, retirada de escombros
quase sem vida, é natural que perguntemos: por que isso, meu Deus?
Que fez uma criança para merecer tamanho
castigo? O que se esconde atrás desse fato terrível, que comove o coração mais
endurecido?
Se nós humanos – que somos maus e
imperfeitos, que choramos diante do inevitável, por que Deus – que é o Pai
poderoso, bom e perfeito – ainda usando as palavras de Jesus – permite que isso
aconteça?
Não
muito tempo atrás, ao visitar o campo de concentração Auschwitz, na Polônia, o Papa Bento
XVI, onde aconteceram as maiores atrocidades contra os judeus, exclamou: “Onde
estava Deus naqueles momentos?”
Seria absurdo pensar que Deus, um Pai
bom e amoroso, não estivesse presente em algum lugar ou mais precisamente no
lugar onde inocentes são sacrificados; que Ele fosse responsável pelos
sofrimentos e atrocidades humanas e nada fizesse para evitar.
Seria mais do que contraditório afirmar
que o sofrimento e a agonia de uma criancinha indefesa acontecesse simplesmente
porque Deus quer que assim seja.
Isso nos faz lembrar um episódio da vida
de um jovem americano que, diante do silêncio da mãe para explicar a morte
cruel e sofrida de um bom amigo, afirmou: “Se
esse Deus quer assim, mãe, melhor que Ele não existisse”.
No entanto, caros ouvintes, podemos afirmar que esse Deus indiferente ou
ausente realmente não existe, e que o Deus que existe, aquele que Jesus chamou
de Pai, não tem nada com isso, porque, de acordo com suas Leis, todos estamos
aprendendo com os próprios erros.
Sem a crença na reencarnação, caros
ouvintes, não há como explicar e tampouco se conformar com os dramas humanos, sejam
de uma criança ou de um adulto. Sem a reencarnação, atribuindo a Deus os males
que nos acontecem no mundo, contradiz frontalmente a ideia de um Pai bom e
misericordioso, conforme Jesus ensinou.
Vendo esta vida como única, não vamos
entender os males que nos acontecem. Mas vendo a vida, pela ótica da
reencarnação, vamos entender que esta vida é apenas um pequeno trecho da longa
jornada do Espírito ao longo de sua caminhada evolutiva.
Logo, a criança que é retirada quase sem
vida dos escombros , aquelas que nascem com deficiências ou experimentam a dor
de uma doença insidiosa, todas elas, na verdade, apenas estão aprendendo a
viver, porque logo se libertarão desses terríveis constrangimentos, mas
continuarem na sua gloriosa jornada.
Isso, porém, não nos deve colocar apenas
na condição de meros espectadores, porque na Lei de Deus todos estamos sendo
convocados para todo momento a agir em favor do próximo para dar-lhe uma melhor
condição de vida.
Todos os males que nos acontecem,
portanto – quer sejamos crianças ou adultos – não procede da vontade de Deus,
mas dos equívocos que já cometemos ou de nossas próprias necessidades
evolutivas.
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