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segunda-feira, 20 de setembro de 2021

AQUI QUE É COMO LÁ; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 “-Estamos num parque-cidade-jardim, se posso definir com estas três palavras o grande centro de recuperação e cultura em que presentemente nos achamos. O vovô Engelberto e o vovô Eugênio entabularam entendimentos para que fôssemos admitidas num grande instituto de reformulação espiritual e tivemos permissão para desfrutar a companhia e a proteção da mãezinha Custódia que nos serve de governanta maternal. Penso que ficarão satisfeitos se lhes contar que fomos admitidas pela Diretora, a Irmã Frida, da lista de amizades do vovô Engelberto, com a maior distinção. Naturalmente, éramos neófitas e o receio nos marcava a presença. O vovô dirigiu-se a ela, em alemão, e ambos conversaram animadamente. Voltando-se cortesmente para nós, se bem me lembro, a Irmã Frida nos disse sorrindo: -“Brech Gut. Es wird mich scher freuen ihnen nutzlich zun sein”. Compreendo que não guardei de cor a antepenúltima expressão dela, mas o vovô solicitou-me a troca de ideias em português e a nossa Diretora, sem pestanejar, se exprimiu em português – brasileiro com tal mestria que nos sentimos à vontade para a instalação em perspectiva. A cidade é grande e especializada”. A informação é dada aos pais na segunda mensagem psicografada por Jane Furtado Koerich pelo médium Chico Xavier, dezessete meses após ela, sua irmã Rosemari e a amiga Sonia, em meio a quase cinquenta pessoas, perecerem em acidente aéreo de grandes proporções aos procedimentos de aterrisagem em Florianópolis (SC), em 12 de abril de 1980. Sua carta, soam-se a dezenas de outras recebidas pelo médium mineiro oferecendo detalhes da organização do chamado Mundo Espiritual, em suas formatações nos diferentes Planos e Sub-planos. Se considerarmos a cogitação da Teoria das Supercordas da Física Quântica que, além de propor matematicamente dos chamados Universos Paralelos, afirma que “mesmo que as dimensões ocultas do espaço sejam imperceptíveis, são elas que determinam a realidade física em que vivemos”, consideraremos real o relato de Jane. Do momento em que Allan Kardec, obteve da Espiritualidade a resposta de que entre o Mundo Espiritual e o Físico o mais importante é o Espiritual, pois de lá tudo procede e para lá tudo volta ao da descrição da jovem sobrevivente espiritualmente ao acidente e daí ao comentário do físico materialista e ateu Marcelo Gleiser citado em seu livro CRIAÇÃO IMPERFEITA (2011, record), fatias diferentes de tempo transcorreram. Em artigo publicado na REVISTA ESPÍRITA de janeiro de 1863, a visão do Mundo Espiritual oferecida pelo Espiritismo, representa “uma força nova, uma nova energia, uma nova lei, numa palavra, que foi revelada. É realmente inconcebível que a incredulidade repila mesmo a ideia, por isso que esta ideia supõe em nós uma alma, um princípio inteligente que sobrevive ao corpo. Segundo ele, “vivemos num oceano fluídico, incessantemente a braços com correntes contrárias, que atraímos, ou repelimos, e às quais nos abandonamos, conforme nossas qualidades pessoais, mas em cujo meio o homem sempre conserva seu livre arbítrio, atributo essencial de sua natureza, em virtude do qual pode sempre escolher o caminho”. Acrescenta que esse Mundo Espiritual “é a réplica ou o reflexo do Mundo corpóreo, com suas paixões, vícios ou suas virtudes, mais virtudes do que nossa natureza material dificilmente permite compreendermos. Tal é esse mundo oculto, que povoa os espaços, que nos cerca, no meio do qual vivemos sem o suspeitar, como vivemos entre miríades do Mundo Microscópico”. Alerta-nos que “o Mundo Invisível que nos circunda reage constantemente sobre o Mundo Visível; nô-lo mostram como uma das forças da Natureza. Conhecer os efeitos dessa força oculta, que nos domina e subjuga contra nossa vontade, não será ter a chave de mais um problema, as explicações de uma porção de fatos que passam desapercebidos?”.



A Igreja estabeleceu 7 pecados capitais, que são aqueles que ferem a lei de Deus: a gula, a avareza, a inveja, a ira, a soberba, a luxúria e a preguiça. Gostaria de saber qual é a posição do Espiritismo sobre esses 7 pecados? (M.C.F.)

Apenas, a título de esclarecimento, devemos dizer que o Espiritismo procura não usar as palavras “pecado” e “pecador”, pelo sentido depreciativo que essas palavras vieram adquirindo com o tempo. No entanto, reconhece que os ‘pecados’ apontados pela Igreja Católica, a partir do papa Gregório Magno, no século VI, de fato, comprometem a nossa vida, tanto esta vida como a vida espiritual, na medida em que acabam por provocar ou agravar enfermidades na alma e no corpo.

A gula, que é o excesso de comida (ou seja, comer além do necessário), na verdade, fere frontalmente uma lei natural. Aqui precisamos distinguir que uma coisa é ter fome e outra é a vontade de comer. Reconhecemos a gula pelo fato de comermos além daquilo que o corpo está pedindo. Se é verdade que o corpo precisa do alimento para sobreviver, também é verdade que o comer demasiado, além do necessário, concorre para o surgimento de graves enfermidades, em decorrência da obesidade, que hoje é uma doença ameaçadora em todo o mundo.

A avareza, do mesmo modo, só prejudica o próprio avarento, que se torna vítima de um distúrbio de comportamento, prendendo-o demasiado ao dinheiro e às coisas materiais, distanciando-se, consequentemente, dos valores do espírito. Desse modo, o avarento é alguém que sofre nesta vida os efeitos nocivos de seu transtorno psíquico ( tanto no que se refere ao seu bem-estar, como às suas angústias decorrentes das perdas). E o pior é que esse sofrimento se prolonga na vida espiritual, porque, com certeza, o avarento encontrará dificuldades para desencarnar e se desembaraçar dos bens que deixou na Terra.

A inveja é o sofrimento causado por um espírito de inconformação e revolta, quanto aos atributos, status e posses de outra pessoa, com o que ela não se conforma, levando-se a um estado deplorável de autodesvalorização e de autoagressão, por não conseguir ter o que o outro tem, ou não conseguir ser o que o outro é. Se o invejoso soubesse do mal, que está causando a si mesmo, matando-se dia-a-dia, decidiria se libertar de uma vez por todas desse sentimento.

Hoje já reconhecido pela medicina – área que estuda a estrutura e a dinâmica do sistema nervoso – tanto quanto pela Psicologia e ciências afins, a ira pode ser fator desencadeante de problemas psicológicos e neurológicos graves, que tem influencia nociva ou deletéria na vida das pessoas, acarretando-lhes enfermidades de efeito irreversível. O ódio, ao contrário do amor, além de nada construir, funciona como um poderoso veneno que vai matando a pessoa aos poucos, por meio de várias enfermidades fatais (inclusive o câncer), quando não, desencadeando morte repentina.

A soberba é uma manifestação do orgulho que, ao lado do egoísmo, é o mais poderoso inimigo da paz interior. Quem se acha superior aos outros – e assim procura se comportar – vive sofrendo todos os dias, como fiscal implacável de si próprio, na ânsia incontida de se manter numa posição de completa superioridade e independência em relação às pessoas que o cercam.

A luxúria é o demasiado apego aos prazeres do sexo, que faz com que a pessoa, homem ou mulher, viva exclusivamente para isso, transformando suas necessidades sexuais numa verdadeira perseguição obsessiva, que acaba atraindo para junto de si outros Espíritos envolvidos pelo mesmo processo doentio. É claro que, se o ato sexual é o auge de sua vida, e que nada nesta vida supera os prazeres do sexo, essa pessoa vai fazer de tudo para ter uma vida promíscua, caindo invariavelmente na perversão sexual, causa de várias doenças.

E, finalmente, a preguiça, que seria a aversão a qualquer tipo de trabalho, a inatividade, a acomodação. Talvez ninguém se sinta tão atormentado pelos apelos da própria consciência do que aquela pessoa que não se adapta a qualquer trabalho e sinta que o tempo passa e ela nada constrói de bom – nem para si e tampouco para os outros. Essa patologia é um dos maiores obstáculos ao progresso material e espiritual do ser humano.




domingo, 19 de setembro de 2021

IMPORTANTE POSICIONAMENTO; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Num dos artigos da REVISTA ESPÍRITA de janeiro de 1863, uma questionamento interessante é dirigido ao editor é levantado: -“Li numa de vossas obras: ‘O Espiritismo não se dirige àqueles que têm uma fé religiosa qualquer, com vista a dissuadi-los, e aos quais essa fé basta à sua razão e à sua consciência, mas à numerosa categoria dos indecisos, dos incrédulos, etc.’ “E por que não? O Espiritismo, que é a verdade, não deveria dirigir-se a todos? a todos os que estão em erro? Ora, os que creem numa religião qualquer, protestante, judaica, católica ou outra qualquer, não estão em erro? Indubitavelmente, porque as diversas religiões hoje professadas apregoam verdades incontestáveis e nos obrigam a crer em coisas completamente falsas ou, pelo menos, em coisas que podem até vir de fontes verdadeiras, mas falseadas em sua interpretação. Se está provado que as penas são apenas temporárias – e Deus sabe se é um leve erro confundir o temporário com o eterno – que o fogo do inferno é uma ficção e que, se em vez de uma criação em seis dias, trata-se de milhões de séculos, etc.; se tudo isto está provado, digo eu, partindo do princípio de que a verdade é una, as crenças oriundas de uma interpretação tão falsa desses dogmas não são nem mais nem menos do que falsas, pois uma coisa é ou não é; não há meio termo. “Por que, então, o Espiritismo não se dirige também a todos os que acreditam em absurdos, para os dissuadir, como aos que em nada creem ou que duvidam, etc?” Avaliando o questionamento, Allan Kardec argumenta: -“Aproveitamos a oportunidade da carta, da qual extraímos as passagens acima, para lembrar, uma vez mais, o objetivo essencial do Espiritismo, sobre o qual o autor da carta não parece bastante edificado. Pelas provas patentes que dá da existência da alma e da vida futura, base de todas as religiões, o Espiritismo é a negação do materialismo e, por conseguinte, se dirige aos que negam ou duvidam. É bem evidente que os que não creem em Deus e na alma não são católicos, nem judeus, nem protestantes, seja qual for a religião em que tiverem nascido; não seriam, sequer, maometanos ou budistas. Ora, pela evidência dos fatos, são levados a crer na vida futura, com todas as suas consequências morais; são livres para adotar, mais tarde, o culto que melhor lhes convenha à razão ou à consciência. Mas aí se detém o papel do Espiritismo; ele é o responsável por três quartos do caminho; ajuda a transpor o passo mais difícil – o da incredulidade. Compete aos outros fazer o resto. “Mas” – poderá dizer o autor da carta – “e se nenhum culto me convier?” Muito bem! ficai então como estais. Aí o Espiritismo nada pode. Ele não se encarrega de vos fazer abraçar um culto à força, nem de discutir para vós o valor intrínseco dos dogmas de cada um: deixa isto à vossa consciência. Se o que o Espiritismo dá não vos basta, buscai, entre todas as filosofias existentes, uma doutrina que melhor satisfaça às vossas aspirações. Os incrédulos e os indecisos formam uma categoria muito numerosa. Quando o Espiritismo diz que não se dirige aos que têm uma fé qualquer, e aos quais esta é bastante, quer significar que não se impõe a ninguém e não violenta consciência alguma. Dirigindo-se aos incrédulos, chega a convencê-los por meios próprios, pelos raciocínios que sabe terem acesso à sua razão, porquanto os outros foram impotentes. Numa palavra, tem o seu método, com o qual obtém, diariamente, belíssimos resultados; mas não tem uma doutrina secreta. Não diz a uns: abri os ouvidos, e a outros: fechai-os. A todos fala pelos seus escritos e cada um é livre de adotar ou rejeitar sua maneira de encarar as coisas. Desse modo, faz crentes fervorosos dos que eram incrédulos. É tudo o que ele quer.




Dias atrás, um colega fez um comentário sobre a tristeza que envolvia certa família que, na ocasião, perdera uma garota ainda adolescente, que já vinha sofrendo desde o nascimento. Na verdade, a menina já nascera comprometida por grave enfermidade e, enquanto viveu, a família buscou todos os meios possíveis para curá-la, até o desfecho final e inevitável. Pesaroso, porque havia acompanhado a sofrida jornada da garota, esse colega dizia-nos seguinte: “Vocês, espíritas, devem ter uma explicação para isso!...”

De fato. Sem o mecanismo da reencarnação não é possível conceber a bondade e a perfeição de Deus. Se há Espíritos que nascem nas melhores condições de saúde e conforto material, cercados por todos os cuidados, há outros que vêm ao mundo experimentando dificuldades e sofrimento, desde o nascimento. Isso não acontece simplesmente porque é vontade de Deus, mas, sim, mas para o cumprimento da lei do nosso progresso espiritual.

Ninguém está neste mundo pela primeira vez. Já vivemos antes e, seguramente, ainda voltaremos para outras jornadas na Terra. Não sabemos exatamente por que temos de passar por este ou por aquele problema mais grave, mas sabemos que nada acontece por acaso. Ao que tudo indica, essa garota, pela descrição que dela fizeram – e, principalmente, pela forma resignada de aceitar as próprias limitações - veio apenas e tão somente para uma vida curta, mesmo assim, submetida a uma condição de sofrimento que ela própria poderia ter escolhido para superar uma etapa mais difícil de seu progresso espiritual.

Infelizmente, ainda não aceitamos bem tais situações- e muitos até se revoltam contra a vida e contra Deus – porque ainda não são tão espiritualizados, a ponto de entender o mecanismo da Justiça Divina. Somos, sim, muito apegados à vida material, muito céticos em relação ao nosso futuro espiritual. Quando o indivíduo alcança uma convicção firme e inabalável na imortalidade e na reencarnação, ele não se deixa facilmente intimidar com o sofrimento e com a morte, porque sabe que a vida nem começa e nem termina na Terra.

Quantas famílias estão chorando, neste momento, a perda de seus filhos, que deixam este mundo ainda na condição de criança, sem terem sequer a oportunidade de conhecer a vida!... Quantos pais lamentam que seus filhos tenham nascido com alguma deficiência ou comprometimento orgânico grave, com pouca ou quase nenhuma chance de sobrevivência!... Como é que eles vão conceber Deus, se não entenderem que tudo isso acontece, não só para o cumprimento de suas leis, mas principalmente para a felicidade de seus filhos.

Temos no centro espírita uma palestra de um médico carioca, o Dr. Américo de Oliveira, que trata muito bem desse tema. Ele mostra fotografias vários casos de bebês que nascem no hospital onde trabalha, no Rio de Janeiro. Esses bebês nascem com comprometimentos graves e irreversíveis – alguns com aspectos estranhos e desagradáveis, vítimas de terríveis aleijões (atribuídos a problemas genéticos ou congênitos), de tal maneira deformados e irreconhecíveis, que chegam a causar repugnância nos próprios pais. Alguns nem chegam a nascer, pois morrem no ventre materno. São Espíritos, numa condição difícil, que vieram para uma vida muito curta. Eles não sobrevivem. 


sábado, 18 de setembro de 2021

A RESPOSTA; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Algumas pessoas contestam a doutrina da reencarnação, como contrária aos dogmas da Igreja, concluindo que a mesma não existe. Que é que se pode responder? Allan Kardec inclui interessante comentário em sua REVISTA ESPÍRITA sobre questão similar. Escreve: -“A resposta é muito simples. A reencarnação não é um sistema que dependa dos homens adotar ou não, como se faz com um sistema político; é uma lei inerente à Humanidade, como comer, beber e dormir; uma alternativa da vida da alma como a vigília e o sono são alternativas da vida do corpo. Se é uma lei da natureza, não é uma opinião contrária que se a possa impedir de ser. A Terra não gira ao redor do Sol porque se o acredite, mas porque obedece a uma lei; e os anátemas que foram lançados contra esta lei não impediram que a Terra girasse. Assim, como a reencarnação: não será a opinião de alguns homens que os impedirá de renascerem, se tiverem que renascer. Admitido que a reencarnação é uma lei da natureza, suponhamos que ela não possa acomodar-se com um dogma: trata-se de saber se a razão está como dogma ou com a lei. Ora, quem é o autor da lei da natureza, senão Deus? No caso, direi que não é a lei que contraria o dogma, mas o dogma que contraria a lei, desde que qualquer lei da natureza é anterior ao dogma e os homens renasciam antes que o dogma fosse estabelecido. A questão é saber se existe ou não a reencarnação. Para os espíritas há milhares de provas contra uma que é inútil repetir. Direi apenas que o Espiritismo demonstra que a pluralidade de existências não só é possível, mas necessária, indispensável; e ele encontra a sua prova, sem falar da revelação dos Espíritos, numa incalculável multidão de fenômenos de ordem moral, psicológica e antropológica. Tais fenômenos são efeitos que tem uma causa. Buscando-se a causa, encontramo-la na reencarnação, posta em evidência pela observação daqueles fenômenos, como a presença do Sol, embora oculto pelas nuvens, é posta em evidência pela luz do dia. Para provar que está errada, ou que não existe, seria preciso explicar melhor, por outros meios, tudo o que ele explica o que ninguém ainda fez. Antes da descoberta das propriedades da eletricidade, se alguém tivesse anunciado que poderia em cinco minutos corresponder-se a quinhentos quilômetros, não teriam faltado cientistas que lhe provassem cientificamente, pelas leis da mecânica, que a coisa era materialmente impossível, pois não, pois não conheciam outras leis. Para tanto havia necessidade da revelação de uma nova força. Assim com a reencarnação. É uma nova lei, que vem lançar luz sobre uma porção de questões obscuras e modificará profundamente todas as ideias quando for reconhecida. Assim, não é a opinião de alguns homens que prova a existência da lei: são os fatos. Se invocamos o seu testemunho, é para demonstrar que ela tinha sido entrevista e suspeitada por outros, antes do Espiritismo, que não é seu inventor, mas a desenvolveu e lhe deduziu as consequências”.


Helvécio de Carvalho, da Avenida Presidente Vargas, Garça/SP questiona sobre o conceito que as religiões vieram fazendo de Deus, ao longo dos séculos. Segundo ele, o deus, que a religião sempre ensinou ( e até hoje ensina), não é a do Deus que criou o homem, mas a de um deus que foi criado pelo homem, à imagem e semelhança do próprio homem.

Não resta dúvida, Helvécio. Isso fez parte da História de Humanidade. Não dá para entender a evolução do pensamento religioso, sem consultar a experiência e a história. Cada fase da História - cada cultura, cada povo - projetou no seu mundo a sua própria concepção de Deus. É por isso que os povos mais antigos tinham vários deuses. Eles viam o mundo dividido em variadas formas de manifestação da natureza, e deduziam que elas proviam de vários poderes diferentes.

A idéia de um deus único veio com o progresso do pensamento, com a evolução do conhecimento da natureza. Se consultarmos a Bíblia, por exemplo, que conta a saga do povo hebreu, vamos perceber que cerca de 18 séculos antes de Cristo, quando Abraão se instalou com sua tribo às margens do Jordão, na busca de uma região fértil para a agricultura e criação de animais, ali ele se deparou com diversos outros povos, todos disputando aquelas terras, e cada um cultuando seus próprios deuses.

Mais tarde, enfrentando a poderosa influência da religião egípcia, Moisés precisou ameaçar seu próprio povo a não cultuar deuses que não pertencessem às suas tradições religiosas. Quando ele coloca na boca de Iavé a frase “não terá outros deuses diante de mim” ou quando proíbia as “imagens de escultura, semelhantes ao que está no céu”, ele declarava uma guerra de morte àqueles que não reconheciam como verdadeiro apenas e tão somente o deus que adorava. A gente percebe que a violência estava sempre presente na imposição da fé.

Somente com Jesus, muitos séculos depois, é que reconheceu um deus universal, até porque o homem foi entendendo que existe uma ordem no mundo e que essa ordem não pode advir senão de um único comando. Jesus, percebendo a aflição por que passava seu povo, principalmente as camadas mais humildes, deu-lhes como consolo a existência de um Pai de Amor e Misericórdia, que tocava muito mais o coração dos sofredores do que a de um rei insensível, autoritário e violento, que era a forma como Deus vinha sendo visto, até então.

Hoje, cerca de mil anos depois, quando os conhecimentos humanos já deram um grande salto, não podemos permanecer presos mais a uma idéia antiga de Deus, porque Deus cresce na concepção do homem à medida que o homem evolui. Mas, na verdade, cada religião tem a sua própria imagem de Deus e cada pessoa, independente da religião que professa, no seu íntimo, sente Deus de uma forma peculiar, que mais atende à suas necessidades íntimas, até porque um Poder Supremo e Absoluto não poderia se mostrar para todos da mesma forma.

O fato é que não podemos viver sem Deus. É a concepção de sua existência e de sua presença nos dá o sentido para a vida, a razão de nossa presença no mundo e as aspirações para o futuro. Sem Deus, o homem se degradaria, perderíamos as referências, os valores de conduta, o ideal supremo e, principalmente, a esperança e o conforto nas horas difíceis da vida. Esse fato levou um grande pensador francês, Voltaire, a afirmar que “se Deus não existisse, seria preciso inventá-lo”.


sexta-feira, 17 de setembro de 2021

DEUS ESTÁ EM TODA PARTE; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Abrindo a edição de maio de 1866 da REVISTA ESPÍRITA, Allan Kardec publica interessante matéria com que procura responder a pergunta feita por muitos: Como é que Deus, tão grande, tão poderoso, tão superior a tudo, pode imiscuir-se em detalhes ínfimos, preocupar-se com os menores atos e os menores pensamentos de cada indivíduo? Como sempre, o pesquisador e educador oculto no pseudônimo Allan Kardec desenvolve uma série de argumentos extremamente sensatos e lógicos. Escreve: -“Em seu estado atual de inferioridade, só dificilmente os homens podem compreender Deus infinito, porque eles próprios são finitos, limitados, razão por que o imaginam finito e limitado como eles mesmos; representando-o como um ser circunscrito, dele fazem uma imagem à sua semelhança. Pintando-o com traços humanos, nossos quadros não contribuem pouco para alimentar este erro no espírito das massas, que nele mais adoram a forma que o pensamento. É para o maior número um soberano poderoso, sobre um trono inacessível, perdido na imensidade dos céus, e porque suas faculdades e percepções são restritas não compreendem que Deus possa ou haja por bem intervir diretamente nas menores coisas. Na incapacidade em que se acha o homem de compreender a essência mesma da Divindade, desta não pode fazer senão uma ideia aproximada, auxiliado por comparações necessariamente muito imperfeitas, mas que podem, ao menos, mostrar-lhe a possibilidade do que, à primeira vista, lhe parece impossível. Suponhamos um fluido bastante sutil para penetrar todos os corpos. É evidente que cada molécula desse fluido produzirá sobre cada molécula da matéria com a qual está em contato uma ação idêntica à que produziria a totalidade do fluido. É o que a Química nos mostra a cada passo. Sendo ininteligente, esse fluido age mecanicamente apenas pelas forças materiais. Mas se supusermos esse fluido dotado de inteligência, de faculdades perceptivas e sensitivas, ele agirá, não mais cegamente, mas com discernimento, com vontade e liberdade; verá, ouvirá e sentirá. As propriedades do fluido perispiritual dele podem dar-nos uma ideia. Ele não é inteligente por si mesmo, desde que é matéria, mas é o veículo do pensamento, das sensações e das percepções do Espírito. É em consequência da sutileza desse fluido que os Espíritos penetram em toda parte, perscrutam os nossos pensamentos, veem e agem a distância; é a esse fluido, chegado a um certo grau de depuração, que os Espíritos superiores devem o dom da ubiquidade; basta um raio de seu pensamento dirigido para diversos pontos para que eles possam aí manifestar sua presença simultaneamente. A extensão dessa faculdade está subordinada ao grau de elevação e de depuração do Espírito. Mas sendo os Espíritos, por mais elevados que sejam, criaturas limitadas em suas faculdades, seu poder e a extensão de suas percepções não poderiam, sob esse aspecto, aproximar-se de Deus. Contudo, eles nos podem servir de ponto de comparação. O que o Espírito não pode realizar senão num limite restrito, Deus, que é infinito, o realiza em proporções infinitas. Há, ainda, esta diferença: a ação do Espírito é momentânea e subordinada às circunstâncias, enquanto a de Deus é permanente; o pensamento do Espírito só abarca um tempo e um espaço circunscritos, ao passo que o de Deus abarca o Universo e a eternidade. Numa palavra, entre os Espíritos e Deus há a distância do finito ao infinito. O fluido perispiritual não é o pensamento do Espírito, mas o agente e o intermediário desse pensamento. Como é o fluido que o transmite, dele está, de certo modo, impregnado; e na impossibilidade em que nos achamos de isolar o pensamento, ele não parece fazer senão um com o fluido, assim como o som parece ser um com o ar, de sorte que podemos, a bem dizer, materializa-lo. Do mesmo modo que dizemos que o ar se torna sonoro, poderíamos, tomando o efeito pela causa, dizer que o fluido torna-se inteligente. Seja ou não seja assim o pensamento de Deus, isto é, quer ele aja diretamente ou por intermédio de um fluido, para facilitar a nossa compreensão vamos representar este pensamento sob a forma concreta de um fluido inteligente, enchendo o Universo infinito, penetrando todas as partes da Criação: a Natureza inteira está mergulhada no fluido divino; tudo está submetido à sua ação inteligente, à sua Previdência, à sua solicitude; nenhum Ser, por mais ínfimo que seja, que dele não esteja, de certo modo, saturado. Assim, estamos constantemente em presença da Divindade. Não há uma só de nossas ações que possamos subtrair ao seu olhar; nosso pensamento está em contato com o seu pensamento e é com razão que se diz que Deus lê nos mais profundos recônditos do nosso coração; estamos nele como ele está em nós, segundo a palavra do Cristo. Para entender sua solicitude sobre as menores criaturas, ele não tem necessidade de mergulhar seu olhar do alto da imensidade, nem deixar sua morada de glória, pois essa morada está em toda parte. Para serem ouvidas por ele, nossas preces não precisam transpor o espaço, nem serem ditas com voz retumbante, porque, incessantemente penetrados por ele, nossos pensamentos nele repercutem. A imagem de um fluido inteligente universal evidentemente não passa de uma comparação, mais própria a dar uma ideia mais justa de Deus que os quadros que o representam sob a figura de um velho de longas barbas, envolto num manto”.


Este foi um comentário que ouvimos esta semana de uma pessoa, que embora afirme seguir uma religião, revelou-se naquele momento descrente. Ela disse o seguinte: “por mais que as religiões procurem dar uma esperança de que haverá uma vida depois desta, a morte é algo que não aceitamos e nos revoltamos contra ela, porque, afinal, ninguém tem certeza de que vai sobreviver.”

Na verdade, o que sentimos nessa declaração, foi uma explosão de sinceridade. Há momentos, na vida, quando não estamos conformados com uma situação, em que pomos pra fora o que realmente pensamos e não aquilo que costumeiramente dizemos que pensamos. É provável que a maioria das pessoas, que diz ter uma religião ou mesmo que aparentemente leve sua religião a sério, titubeie diante da realidade incontestável da morte, quando esta atinge seus entes queridos.

Nesse sentido, não descartamos nem mesmo muitos que se dizem espíritas e que estão no Espiritismo mais por acomodação, do que por uma efetiva busca da verdade. A morte sempre foi a grande ameaça e, portanto, o maior medo do ser humano. E, embora o papel da religião devesse ser o de colocar nas mãos das pessoas um instrumento para vencer esse medo, ela acabou contribuindo, de um modo geral, mais ainda para que o medo aumentasse.

As doutrinas religiosas, de um modo geral, além de serem contraditórias com relação ao futuro espiritual do homem, ainda o ameaçam com a condenação eterna, e isso acaba sendo pior do que a perspectiva do nada.. Já, o Espíritismo apresenta uma explicação racional, de que não estamos nesta vida pela primeira vez, nem pela última. Há uma sequência natural de existências, através das quais vamos colhendo experiências, que nos ajudam a progredir espiritualmente, em busca de um futuro glorioso.

Quem, de fato, tem essa convicção, não pode ver a morte como algo apavorante, embora, é claro, ninguém deseje morrer? O Espiritismo afirma plica que devemos ter um medo natural da morte, mas no sentido de que devemos preservar no máximo a nossa vida, por ser importante e fundamental para nossa evolução. Mas, desde que a morte aconteça – por exemplo, no seio de nossa família – devemos aceitá-la, não como um castigo, mas como uma bênção, porque ela faz parte da ordem natural das coisas; ela assinala um importante momento de transição na escalada evolutiva do Espírito.

Allan Kardec trata muito bem dessa questão no livro “O CÉU E O INFERNO, OU A JUSTIÇA DE DEUS SEGUNDO O ESPIRITISMO”. Nos dois primeiros capítulos desse livro, ele mostra que o espírita convicto não tem apenas uma esperança da vida futura; na verdade, ele sabe que a vida continua e, portanto, não se impressiona com os acontecimentos desta vida, por piores lhe pareçam, inclusive com a morte. Mas, para que adquira essa segurança e essa serenidade, ele precisa conhecer de fato o Espiritismo; e quanto mais conhecer, melhor.

As pessoas, na sua maioria, no entanto, estão à espera de milagres. Elas não querem explicação lógica e racional para os fatos da vida; preocupam-se em buscar apenas respostas prontas de conteúdo mágico para aquilo que ainda não conseguiram entender. E quanto menos entender, melhor. A Doutrina Espírita, por outro lado, encara a vida e a morte com naturalidade e com realismo. O problema não são os fatos em si – que reputamos bons ou maus - mas como nós encaramos esses fatos e como reagimos diante deles.

É por isso que o Espiritismo não exige que ninguém o siga e nem quer ser aceito cegamente. Apenas se apresenta com sua proposta de vida. Ouve-o quem quiser. Segue-o quem encontrar nele uma base explicativa da vida e se firme, por livre convicção, em seus princípios. Eis a grande conquista de que falou Kardec. As convicções, na verdade, formam-se naqueles que, por si mesmos, buscam a verdade e não naqueles que esperam que a verdade os procure, razão pela qual Jesus afirmou “conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”.

Aliás, foi Jesus quem deu o mais eficaz testemunho da imortalidade. Lendo os evangelhos, percebemos que, apesar do que ele ensinou e mostrou aos seus seguidores por argumentos lógicos e racionais, quando, em vida, quase não conseguiu convencer ninguém. Só depois da morte, quando passou a aparecer, é que despertou a atenção para sua doutrina, até porque não haveria sentido em ensinar o amor ao próximo, a abnegação e o sacrifício pela boa causa, se a vida simplesmente terminasse no túmulo.













quinta-feira, 16 de setembro de 2021

AINDA FALTA INFORMAÇÃO; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Os números não mentem: o Brasil já ostenta o oitavo lugar em casos de suicídio entre os países monitorados pela OMS – Organização Mundial de Saúde. A Associação Brasileira de Psiquiatria considera que 17% da população do nosso País, já pensou, em algum momento, em cometer o suicídio. Fatores como perda financeira ou de emprego, dor crônica ou doença, falta de esperança, histórico familiar, abuso de álcool ou outras substâncias viciantes, distúrbios de humor, esquizofrenia, distúrbios de personalidade, estão entre mais considerados na análise do problema. Acredita-se atualmente que alterações no funcionamento do cérebro determinados pelo “stress” ou outros processos de mudanças epigenéticas nos genes e na regulação da emoção e do comportamento causadas por mudanças no sistema de neurotransmissores, podem originar ideias ou impulsos suicidas. Naturalmente nenhumas das publicações oficiais consideram a hipótese da anterioridade da vida do indivíduo. Talvez somente aqueles que se dedicam à restauração da saúde mental usando os caminhos das Terapias de Vidas Passadas, consideram elementos transcendentes para explicar ou justificar compulsões na área da autodestruição. O Espiritismo, revela que o traumatismo derivado de suicídio em outras vidas, mantém-se latente na memória integral do indivíduo, ressurgindo na mesma idade cronológica em que tal atitude foi levada a termo no passado, tentando-o a repetir a tentativa de fuga aos problemas existenciais. Mostra ainda a ação de entidades desencarnadas, influenciando progressivamente o individuo no fluxo inestancável de sua atividade mental, até o ponto de subjugá-lo na execução do ato extremo. Cartas psicografadas pelo médium Chico Xavier, demonstram a coautoria de Espíritos obsessores nas ações dramáticas do encarnado vitimado Os estudiosos concordam que os suicidas estão passando invariavelmente por uma doença mental que altera, de forma radical, sua percepção da realidade, interferindo em seu livre arbítrio. Estão certos. Afinal, construímos permanentemente nossa realidade, sendo perseguidos pelos efeitos que nós mesmos causamos na nossa caminhada evolutiva. E, pelo que observa a Doutrina Espírita, tais efeitos são atenuados pelas circunstâncias, visto que o impacto daquilo a que fazemos jus pelas opções equivocadas do passado, dificilmente seria suportado se recaísse sobre nós de uma vez. Limitações físicas, mentais, deformações, membros superiores ou inferiores atrofiados ou mutilados desde a vida intrauterina, são explicáveis pelos tipos de suicídio escolhidos outrora, como respondido pelo médium Chico Xavier em programa de entrevista de que participou. O Espírito Emmanuel, no livro RELIGIÃO DOS ESPÍRITOS (1961;feb), na mensagem SUICÍDIO, apresenta uma série de associações bastante lógicas diante das dificuldades de entender-se muitos dos enigmáticos problemas estampados em corpos físicos por nós observados. Por sinal, amplia nosso entendimento, comentando: -“Segundo o tipo de suicídio, direto ou indireto (alimentação, temperamento, sobrecarga causada por dependências químicas, etc), surgem as distonias orgânicas derivadas, que correspondem a diversas calamidades congênitas, inclusive a mutilação e o câncer, a surdez e a mudez, a cegueira e a loucura, a representarem terapêutica providencial na cura da alma”. A médium Yvonne do Amaral Pereira, se fez instrumento para a construção de obras importantíssimas para entendermos os mecanismos utilizados pela Providência Divina nos inevitáveis programas de reabilitação de Espíritos de suicidas. Entre elas, o clássico MEMÓRIAS DE UM SUICIDA do Espírito Camilo Carlos Botelho (na verdade, Camilo Castelo Branco), o atualíssimo DRAMAS DA OBSESSÃO; escrito pelo médico Adolfo Bezerra de Menezes. Buscando ouvir a Espiritualidade das questões 943 a 957 n’ O LIVRO DOS ESPÍRITOS, Allan Kardec obtém informações do tipo “as tribulações da vida são provas ou expiações. Felizes os que as suportam sem se queixar, porque serão recompensados! Infelizes, ao contrário, os que esperam uma saída nisso que, na sua impiedade, chamam de sorte ou acaso. Creditam o suicídio, “a efeito da ociosidade, da falta de fé e geralmente da saciedade. Para aqueles que exercem suas faculdades com um fim útil e segundo as suas aptidões naturais, o trabalho nada tem de árido e a vida se escoa mais rapidamente; suportam suas vicissitudes com tanto mais paciência quanto mais agem tendo em vista a felicidade mais sólida e mais durável que os espera”.


Esta questão foi proposta por uma senhora, que nos procurou dias atrás, pedindo para não pode ser identificada no programa, por causa de algumas restrições da família. Parecendo preocupada, ela fez a seguinte colocação: “Ultimamente, venho sonhando com pessoas que já morreram. Algumas são parentes, pessoas conhecidas, outras não. Essas pessoas falam comigo, mas eu não consigo entender o que elas falam. Gostaria de saber o que isso significa: se é bom, se é ruim e,se for ruim, o que devo fazer para não ter mais esses sonhos; e, se for bom, no que posso ajudar.”

Primeiramente, prezada senhora, nós podemos dizer o que você já sabe: sonhos são lembranças de situações que ocorrem em nível mental quando estamos dormindo. Durante o sono, segundo o espírito André Luiz, há, pelo menos, duas situações que podem ocorrer e, às vezes, as duas ocorrem ao mesmo tempo: ou penetramos mais fundo em nosso mundo íntimo, buscando saída para os nossos problemas; ou, então, nos desligamos parcialmente do corpo e vamos ter contato com o mundo espiritual.

No primeiro caso, estão os chamados “sonhos reflexivos”, ou seja, aqueles que refletem a nossa vida mental, os nossos desejos, os nossos anseios, os nossos problemas, medos e preocupações. Neste caso, o sonho funciona como uma espécie de busca de solução, ou mesmo de fuga, através do qual queremos remover as dificuldades íntimas que nos incomodam. Os sonhos reflexivos geralmente mostram os problemas e anseios desse mundo interior, onde certamente procuramos respostas e soluções.

O outro tipo de sonho, mais profundo, é o que chamamos de “sonho espírita”; é aquele que nos revela facetas do mundo espiritual. O espírito, parcialmente, se liberta do corpo e pode perceber outro mundo à sua volta, onde podem se encontrar, inclusive, pessoas já desencarnadas – familiares, amigos ou até mesmo inimigos. Mas isso não acontece por acaso: ou o sonhador está a procura de ajuda, de respostas e soluções, ou ele está sendo procurado por Espíritos, geralmente familiares, por algum motivo.

Apenas com as informações, que você nos passa, não podemos afirmar com absoluta convicção que tipo de sonho você teve. Mas, pela sua descrição – de que tem visto pessoas, que já morreram, e de forma indiscriminada, isto é, qualquer pessoa – é bem possível que você esteja procurando respostas para a vida. E, como você sabe, a principal pergunta que fazemos neste mundo é se a vida continua, se vamos continuar existindo depois da morte. Ao que tudo indica, você está procurando essa resposta, até porque você não sonha apenas com determinado Espírito, mas com muitas pessoas –até desconhecidas – que já desencarnaram.

Além do mais, não se trata da visão de um Espírito em particular, de um mesmo familiar ou amigo, que pareça necessitar de alguma coisa. São várias pessoas que falam com você, mas você não se lembra do que elas falam. Isso pode mostrar que todas elas têm a mesma resposta, mas você ainda não está suficientemente preparada para ouvir. Neste caso, o mais recomendável é que você procure alguma orientação espírita com pessoas confiáveis, que leia alguma coisa sobre o Espiritismo, algum livro mais simples que lhe passe as informações básicas sobre a continuidade da vida além da morte.

O que pode estar acontecendo - esta é uma hipótese que levantamos – é que você continua com sérias dúvidas sobre a imortalidade, com muita insegurança quanto ao futuro, talvez não de forma consciente, mas inconscientemente. A via mais eficaz para que a gente possa se convencer da continuidade da vida não é o fenômeno em si, nem mesmo os sonhos com os mortos, mas a via do raciocínio, da razão, que podemos adquirir através da busca de informações, do conhecimento. Procure um centro idôneo e uma orientação, mas, acima de tudo, comece a ler alguma coisa para se esclarecer de forma segura.



quarta-feira, 15 de setembro de 2021

ADVERTÊNCIA ATUALÍSSIMA; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 As comunicações procedentes do Plano Espiritual são totalmente confiáveis? A dúvida é procedente, constituindo-se a resposta em argumento importante para aqueles que se esforçam em desacreditar a realidade da influência espiritual em nossa Dimensão. No número de maio de 1865 da REVISTA ESPÍRITA, Allan Kardec reproduz três manifestações do Espírito Pascal, recebidas por um médium de Lyon, identificado apenas como Sr. X, uma das quais posicionando-se sobre o tema. Diz o celebre matemático do século 17: –“Temos-vos dito muitas vezes que investiguem as comunicações que vos são dadas, submetendo-as à análise da razão, e que não tomeis sem exame as inspirações que vêm agitar o vosso Espírito, sob a influência de causas por vezes muito difíceis de constatar pelos encarnados, entregues a distrações sem-número. As ideias puras que, por assim dizer, flutuam no espaço (segundo a ideia platônica), levadas pelos Espíritos, nem sempre podem alojar-se sozinhas e isoladas no cérebro dos vossos médiuns. Muitas vezes encontram o lugar ocupado por ideias preconcebidas, que se espalham com o jacto da inspiração, perturbando-o e transformando-o de maneira inconsciente, é verdade, mas algumas vezes de maneira bastante profunda para que a ideia espiritual se ache, assim, inteiramente desnaturada. A inspiração encerra dois elementos: o pensamento e o calor fluídico destinado a excitar o Espírito do médium, dando-lhe o que chamais a verve da composição. Se a inspiração encontrar o lugar ocupado por uma ideia preconcebida, da qual o médium não pode ou não quer desligar-se, nosso pensamento fica sem intérprete e o calor fluídico se gasta em estimular uma ideia que não é nossa. Quantas vezes em vosso mundo egoísta e apaixonado temos trazido o calor e a ideia! Desdenhais a ideia, que vossa consciência deveria fazer-vos reconhecer e vos apoderais do calor, em benefício de vossas paixões terrenas, por vezes dilapidando o bem de Deus em proveito do mal. Assim, quantas contas terão de prestar um dia todos os advogados das causas equivocadas! Sem dúvida seria desejável que as boas inspirações pudessem sempre dominar as ideias preconcebidas. Mas, então, entravaríamos o livre-arbítrio da vontade do homem e, assim, este último escaparia à responsabilidade que lhe pertence. Mas se somos apenas os conselheiros auxiliares da Humanidade, quantas vezes nos devemos felicitar, quando nossa ideia, batendo à porta de uma consciência estreita, triunfa da ideia preconcebida e modifica a convicção do inspirado! Entretanto, não se deveria crer que nosso auxílio mal-empregado não traísse um pouco o mau uso que dele podem fazer. A convicção sincera encontra acentos que, partidos do coração, chegam ao coração; a convicção simulada pode satisfazer as convicções apaixonadas, vibrando em uníssono com a primeira, mas traz um frio particular que deixa a consciência malsatisfeita e revela uma origem duvidosa. Quereis saber de onde vêm os dois elementos da inspiração mediúnica? A resposta é fácil: a ideia vem do mundo extraterrestre – é a inspiração própria do Espírito. Quanto ao calor fluídico da inspiração, nós o encontramos e o tomamos em vós mesmos; é a parte quintessenciada do fluido vital em emanação; algumas vezes nós a tomamos do próprio inspirado, quando este é dotado de certo poder fluídico, ou mediúnico, como dizeis; na maioria das vezes nós o tomamos em seu ambiente, na emanação de benevolência, de que está mais ou menos cercado. É por isto que se pode dizer com razão que a simpatia torna eloquente. Se refletirdes atentamente nestas causas, encontrareis a explicação de muitos fatos que a princípio causam admiração, mas dos quais cada qual possui uma certa intuição. Só a ideia não bastaria ao homem, se não se lhe desse o poder de exprimi-la. O calor é para a ideia o que o perispírito é para o Espírito, o que o vosso corpo é para a alma. Sem o corpo a alma seria impotente para agitar a matéria; sem o calor, a ideia seria impotente para comover os corações. A conclusão desta comunicação é que jamais deveis abdicar de vossa razão, ao examinardes as inspirações que vos são submetidas. Quanto mais o médium tem ideias adquiridas, mas é ele susceptível de ideias preconcebidas, mais deve fazer tábula rasa de seus próprios pensamentos, abandonar as influências que o agitam e dar à sua consciência a abnegação necessária a uma boa comunicação”.

Eu fico pensando, às vezes: para a gente ser honesto e só fazer o bem, sofre muito. Aqueles que não seguem esse caminho parece que levam mais vantagem. O mundo não é aquela coisa maravilhosa de paz e amor que a gente sonha e por isso quem é bom só tem decepção. Por que tudo isso? (anônima)

Há dois tipos de vantagens, que podemos ter nesta vida. O primeiro, podemos chamar assim, é a vantagem material, aquela que está ali, logo à nossa frente. Essa vantagem, de fato, nos dá uma recompensa imediata. Há pessoas que sentem enorme prazer de enganar os outros, inclusive nos negócios – e, com isso, sentem-se vitoriosas com suas bolsas cheia de dinheiro, pensando que esse tipo de recompensa lhes garantirá a felicidade para sempre.

Elas não sabem a armadilha que estão preparando para si mesmas!... É uma vantagem muito parecida com as pessoas que usam drogas pesadas – como a cocaína, a heroína, o craque. A ingestão dessas drogas pelo organismo produz um prazer imediato, que as levam a um estado de êxtase. Elas só não calcularam que, depois disso, vão se tornar dependentes dessas drogas e que, nas fases seguintes da vida, estarão desesperadas, aflitas, desequilibradas e doentes – profundamente infelizes, como nunca puderam imaginar - porque se tornarão escravas dessas drogas.

O segundo tipo de vantagem é o que podemos chamar de bem espiritual. É a mais difícil, porque, na vantagem material, aprendemos a vencer os outros e, na espiritual, temos de vencer a nós mesmos. Contudo, enquanto a primeira só dá um prazer imediato e depois se transforma numa tortura, a segunda – a mais difícil - nos conduz a uma paz imorredoura, a uma felicidade que supera todas as necessidades humanas. Jesus nos ensinou este tipo de vantagem, quando disse:

Eu não vos dou a paz do mundo. Eu vos dou a paz de Deus, que o mundo não pode dar”. Ou seja, a paz do mundo é o imediato, porém enganoso; a paz de Deus é o difícil, porém permanente. É por isso que há mais felicidade em dar do que em receber, o homem é mais feliz quando sente o prazer de servir do que quando se torna um necessitado dos outros. Trata-se de uma lei da vida: tudo, que você quer construir de bom, exige esforço e até sacrifício. Mas, depois que alcançou a meta, você vai concluir que valeu a pena.

Quando Jesus fala “buscai o Reino de Deus e a sua justiça, e tudo o mais vos será acrescentado”, é nesse sentido. O amor deveria nortear a nossa vida. Para isso, precisamos partir do autoconhecimento. É nos conhecendo a nós mesmos - com as nossas limitações e defeitos - que vamos aprender a nos aceitar como somos, e é aceitando nossas fraquezas, que aprendemos a compreender e amar o próximo, buscando assim o próprio aperfeiçoamento moral na prática da compreensão.

O mundo é sempre bom, caro ouvinte, porque o mundo é uma escola, onde todos estamos aprendendo e ensinando ao mesmo tempo, uns com os outros. Não teríamos a oportunidade de crescer, se a vida fosse fácil. É encarando e enfrentando as dificuldades, principalmente as que estão dentro de nós ( como é o caso do comodismo, da inconformação e da revolta), que vamos sentir o verdadeiro prazer de viver a vida e de sermos úteis para nós e para a humanidade.



terça-feira, 14 de setembro de 2021

A EXPERIÊNCIA DO MÉDICO E O ESPIRITISMO; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 “Minha experiência me mostrou que a morte do corpo e do cérebro não é o fim da consciência, e que a existência humana continua no além-túmulo”, escreveu no Prólogo do seu livro UMA PROVA DO CÉU (2012; sextante), o Dr Eben Alexander III, acrescentando: -“O lugar onde estive era real. Tão real a ponto de fazer a vida no aqui e agora parecer uma ilusão”. Tudo se desdobrou em 2008, ao longo de sete angustiantes dias para seus familiares depois de o virem mergulhar num estado de coma numa madrugada de segunda-feira em que acordou, a princípio, com forte dor nas costas que acabou se pronunciando de forma mais aguda na cabeça, originada, saber-se-ia depois, pela infestação de uma variação bacteriana da meningite. Contrariando prognósticos normais que anteviam lesões graves no cérebro e mesmo a morte, o Dr. Eben, retornou à vida quando os colegas médicos comunicavam aos acompanhantes terem esgotado os recursos conhecidos, com uma única radical e definitiva mudança: a certeza de que a morte como é considerada pela dita ciência não existe. Conclusão baseada numa intensa vivência numa realidade nunca cogitada por ele anteriormente, cético que era. Profissional com 25 anos de experiência na área da neurocirurgia, concluiu que a lógica científica ainda não possui todas as respostas para os enigmas da vida. Explicações oferecidas, por sinal, pelo Espiritismo, como podemos perceber pela resposta em 1971, do Espírito Emmanuel através do médium Chico Xavier, em que se manifestando sobre o estado do paciente considerado em coma diz: -“Será de acordo com sua situação mental. Há casos em que o espírito permanece como aprisionado ao corpo, dele não se afastando até que permita receber auxílio dos Benfeitores Espirituais. São pessoas, em geral, muito apegadas à vida material e que não se conformam com a situação. Em outros casos, os espíritos, apesar de manterem uma ligação com o corpo físico, por intermédio do períspirito, dispõem de uma relativa liberdade. Em muitas ocasiões, pessoas saídas do coma descrevem as paisagens e os contatos com seres que já os precederam na passagem para a Vida Espiritual. É comum que após essas experiências elas passem a ver a vida com novos olhos, reavaliando seus valores íntimos”. Foi o caso do Dr. Eben. Enquanto em nossa Dimensão, amigos especialistas se desdobravam na tentativa de entender e tirá-lo da situação complicada em que se encontrava sua saúde, sentiu-se transitar por regiões antes inimaginadas. No primeiro momento, sem ter noção exata do momento em que começou, viu-se ou sentiu-se, em meio à mais absoluta escuridão, rodeado “de alguns objetos, semelhantes a pequenas raízes, ou a vasos sanguíneos, em um grande útero lamacento. Com uma coloração vermelha, escura e brilhante, eles desciam de algum lugar muito lá em cima em direção a outro lugar igualmente distante lá embaixo, o que o fez de chama-lo de Região do Ponto de Vista da Minhoca”. Um mundo subterrâneo em que “caras grotescas de animais borbulhavam na lama, grunhiam, guinchavam, e desapareciam. Escutava urros medonhos, ora dando lugar a cânticos rítmicos e obscuros, ao mesmo tempo assustadores e curiosamente conhecidos”. A certa altura, atraído por uma luz giratória, passou por uma abertura, penetrando num mundo inteiramente novo, para o qual adjetivos como brilhante, vibrante, arrebatador, maravilhoso, são pobres para descrever. Em meio ao deslumbramento, avista uma menina, bela, com maçãs do rosto salientes e olhos de um azul profundo, que, fitando-o de forma arrebatadora, sem sonorizar palavras, tocou seu interior dizendo: -“Você é amado e valorizado imensamente, para sempre. Não há nada a temer. Não há nada que você possa fazer de errado. Nós lhe mostraremos muitas coisas aqui. Mas, no fim, você irá voltar”. Num estágio seguinte, “num lugar cheio de nuvens, avistou num ponto imensuravelmente mais alto, num aglomerado de esferas transparentes, seres deslumbrantes se deslocando em arco por todo o céu, deixando grandes rastros atrás de si. Seres, intuiu, mais evoluídos, Superiores”. Dúvidas fervilhavam em sua cabeça, contudo, “a cada questão que formulava, a resposta vinha instantaneamente em uma explosão de luz e beleza que o invadia por completo”. Noutro estágio, “viu-se entrando num imenso vazio, escuro, infinito em tamanho, mas também infinitamente prazeroso ao mesmo tempo, repleto de luz, em que se sentiu como que diante do Ser dos Seres”, que, entre outras coisas lhe diz, “não existir apenas um Universo, mas muitos e que o amor está no centro de todos eles”.

A primeira pergunta de hoje é sobre SONHOS, e vem da ouvinte, Doralice Breno Pereira: “Gostaria de entender melhor os sonhos. Quase sempre sonho com as coisas que estão acontecendo comigo todos os dias, com meus problemas e com as pessoas que estão comigo. Mas, de vez em quando, tenho um sonho diferente. Já sonhei com minha avó, mãe de minha mãe. No sonho ela me dava bons conselhos, como sempre fez quando viva. Acho que esse sonho tem alguma coisa de real.”

Provavelmente, Doralice. Os sonhos são manifestações da alma. Quando dormimos, entramos em nosso mundo interior e, na maioria das vezes, fazemos uma revisão o dia que passou ou dos dias anteriores – inclusive nossos desejos, medos e preocupações - mas acabamos vendo isso do ponto de vista do inconsciente. Uma coisa é o que realmente vivenciamos no sonho; outra, o que lembramos. Lembramos muito pouco do que sonhamos e quase sempre aos pedaços, de modo que muita coisa, que lembramos, não faz sentido.

Seriam esses os sonhos reflexivos, os mais frequentes – a que André Luiz se refere. Eles exteriorizam as experiências, que estamos vivendo cada dia, mas de uma forma simbólica, que é a forma como o inconsciente se mostra para nós. Por exemplo: quando estamos muito ansiosos diante de um problema para o qual não encontramos solução, podemos sonhar que estamos num labirinto sem saída ou caindo de uma grande altura. Quando escondemos um erro, que cometemos, podemos sonhar que estamos sendo surpreendidos numa situação indesejável.

Há um tipo de sonho que costuma revelar dor ou mal estar do corpo. Geralmente são pesadelos, que mostram de uma maneira exagerada um desconforto que estamos sentindo. Podem os sonhos se misturarem com fatos reais que estão acontecendo, como um barulho, um cheiro, uma música ou uma fala que nossos sentidos percebem enquanto dormimos. Por isso é importante o ambiente em que dormimos, para não sermos perturbados pelos estímulos exteriores.

Mas há os sonhos denominados “espíritas” e que, na verdade, são revelações. É a este tipo de sonho, que você se refere, quando fala do sonho com sua avó. Eles parecem reais – e tão reais que, muitas vezes, ao acordarmos ainda podemos perceber por alguns instantes a presença da pessoa com quem sonhamos, ainda podemos ouvir um pouco de sua voz. São sonhos que nos trazem bem-estar.



segunda-feira, 13 de setembro de 2021

ADVERTÊNCIA ATUALÍSSIMA; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 As comunicações procedentes do Plano Espiritual são totalmente confiáveis? A dúvida é procedente, constituindo-se a resposta em argumento importante para aqueles que se esforçam em desacreditar a realidade da influência espiritual em nossa Dimensão. No número de maio de 1865 da REVISTA ESPÍRITA, Allan Kardec reproduz três manifestações do Espírito Pascal, recebidas por um médium de Lyon, identificado apenas como Sr. X, uma das quais posicionando-se sobre o tema. Diz o celebre matemático do século 17: –“Temos-vos dito muitas vezes que investiguem as comunicações que vos são dadas, submetendo-as à análise da razão, e que não tomeis sem exame as inspirações que vêm agitar o vosso Espírito, sob a influência de causas por vezes muito difíceis de constatar pelos encarnados, entregues a distrações sem-número. As ideias puras que, por assim dizer, flutuam no espaço (segundo a ideia platônica), levadas pelos Espíritos, nem sempre podem alojar-se sozinhas e isoladas no cérebro dos vossos médiuns. Muitas vezes encontram o lugar ocupado por ideias preconcebidas, que se espalham com o jacto da inspiração, perturbando-o e transformando-o de maneira inconsciente, é verdade, mas algumas vezes de maneira bastante profunda para que a ideia espiritual se ache, assim, inteiramente desnaturada. A inspiração encerra dois elementos: o pensamento e o calor fluídico destinado a excitar o Espírito do médium, dando-lhe o que chamais a verve da composição. Se a inspiração encontrar o lugar ocupado por uma ideia preconcebida, da qual o médium não pode ou não quer desligar-se, nosso pensamento fica sem intérprete e o calor fluídico se gasta em estimular uma ideia que não é nossa. Quantas vezes em vosso mundo egoísta e apaixonado temos trazido o calor e a ideia! Desdenhais a ideia, que vossa consciência deveria fazer-vos reconhecer e vos apoderais do calor, em benefício de vossas paixões terrenas, por vezes dilapidando o bem de Deus em proveito do mal. Assim, quantas contas terão de prestar um dia todos os advogados das causas equivocadas! Sem dúvida seria desejável que as boas inspirações pudessem sempre dominar as ideias preconcebidas. Mas, então, entravaríamos o livre-arbítrio da vontade do homem e, assim, este último escaparia à responsabilidade que lhe pertence. Mas se somos apenas os conselheiros auxiliares da Humanidade, quantas vezes nos devemos felicitar, quando nossa ideia, batendo à porta de uma consciência estreita, triunfa da ideia preconcebida e modifica a convicção do inspirado! Entretanto, não se deveria crer que nosso auxílio mal-empregado não traísse um pouco o mau uso que dele podem fazer. A convicção sincera encontra acentos que, partidos do coração, chegam ao coração; a convicção simulada pode satisfazer as convicções apaixonadas, vibrando em uníssono com a primeira, mas traz um frio particular que deixa a consciência malsatisfeita e revela uma origem duvidosa. Quereis saber de onde vêm os dois elementos da inspiração mediúnica? A resposta é fácil: a ideia vem do mundo extraterrestre – é a inspiração própria do Espírito. Quanto ao calor fluídico da inspiração, nós o encontramos e o tomamos em vós mesmos; é a parte quintessenciada do fluido vital em emanação; algumas vezes nós a tomamos do próprio inspirado, quando este é dotado de certo poder fluídico, ou mediúnico, como dizeis; na maioria das vezes nós o tomamos em seu ambiente, na emanação de benevolência, de que está mais ou menos cercado. É por isto que se pode dizer com razão que a simpatia torna eloquente. Se refletirdes atentamente nestas causas, encontrareis a explicação de muitos fatos que a princípio causam admiração, mas dos quais cada qual possui uma certa intuição. Só a ideia não bastaria ao homem, se não se lhe desse o poder de exprimi-la. O calor é para a ideia o que o perispírito é para o Espírito, o que o vosso corpo é para a alma. Sem o corpo a alma seria impotente para agitar a matéria; sem o calor, a ideia seria impotente para comover os corações. A conclusão desta comunicação é que jamais deveis abdicar de vossa razão, ao examinardes as inspirações que vos são submetidas. Quanto mais o médium tem ideias adquiridas, mas é ele susceptível de ideias preconcebidas, mais deve fazer tábula rasa de seus próprios pensamentos, abandonar as influências que o agitam e dar à sua consciência a abnegação necessária a uma boa comunicação”.

Se Deus é bom e criou o homem, como se explica que a gente sempre tenha tendência para o mal. Não falo apenas dos adultos; as próprias crianças, se não forem impedidas, fazem o mal. É fácil fazer o mal; o bem é difícil. Basta que a gente descuide e já está trilhando o caminho errado. Para ser bom, ser correto, a gente precisa se esforçar muito e, assim mesmo, é difícil... Para trilhar o mal caminho, basta relaxar. (COMENTÁRIO DE UM PARTICIPANTE DE UMA REUNIÃO)

O Espiritismo explica esta questão, mostrando que nenhum de nós saiu perfeito das mãos do Criador. Todos fomos criados simples e ignorantes, porém, perfectíveis. Perfectível é aquele que é capaz de atingir a própria perfeição. Aliás, foi Jesus quem disse: “Sede perfeitos como vosso Pai Celestial é Perfeito”. A perfeição, porém, não se obtém por um passe de mágica, mas através de uma jornada longa e trabalhosa. É esse o caminho que estamos trilhando.

Se Deus nos fizesse perfeitos, seríamos todos iguais – um igualzinho ao outro. E isso seria terrível, porque não teríamos nem motivo para nos reunir, para conversar e trocar idéias: seríamos, mais ou menos, como robôs, que saem todos iguaizinhos da fábrica e sempre fazem tudo da mesma maneira, conforme uma programação. Ao passo que, pela lei da evolução, cada um se faz a si mesmo e, nesse percurso, da imperfeição para a perfeição, vamos aprendendo com as experiências da vida.

O mal não vem de Deus, vem de nós mesmos. O que chamamos “mal” é uma faceta de nossa imperfeição – ou da dificuldade que temos de nos aperfeiçoar, por que somos seres autoconscientes e gozamos do livre-arbítrio. Assim, não somos maus, somos imperfeitos. E, por sermos imperfeitos, estamos sujeitos a erros e enganos, até que aprendamos a nos dominar a nós mesmos, através de um processo de auto-educação, que dura milênios.

Por isso mesmo, todos estamos destinados ao bem, que é Deus. O mal, como dissemos, é a imperfeição, que aos poucos vai sendo vencido; por cada um de nós (individualmente) e por todos nós (coletivamente), ao longo das inúmeras encarnações. O que chamamos de sofrimento – que é o desconforto que ninguém quer sentir – nada mais é do que resultado desse longo processo de aperfeiçoamento pelo qual estamos passando, na eterna busca de Deus.



domingo, 12 de setembro de 2021

PORQUE ESTÁ TUDO CERTO; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Intolerância religiosa, exploração da ignorância; mercantilização da fé; foco nos aspectos temporais em prejuízo dos espirituais podem parecer atitudes incompreensíveis, inaceitáveis, uma prova da inexistência de Deus para alguns, mas, não são. Especialmente se considerarmos comentário já destacado da edição de fevereiro de 1864 da REVISTA ESPIRITA dizendo que embora “o Espírito já no início de sua fase humana, estupido e bruto, sinta a centelha divina em si, adora um Deus, que materializa conforme sua materialidade”. Os conceitos vão se modificando, portanto, conforme a evolução avança no indivíduo. Assim sendo, as diferentes religiões, muitas vezes, organizadas a partir de revelações espirituais, refletem o progresso dos seus mentores ou organizadores. Considerando algumas informações inseridas n’O LIVRO DOS ESPÍRITOS a proposito da não igualdade dos Espíritos, distribuídos em diferentes ordens em número ilimitado, não existindo nesse sentido, uma linha demarcatória traçada como barreira, se multiplicando em inúmeras divisões, à vontade, podendo, todavia, ser reduzidas a três ordens principais, considerando-se os caracteres gerais. Na primeira ordem, os que já chegaram à perfeição; na segunda, os que do meio da escala, já tendo o desejo do Bem como preocupação, e, na terceira, os espíritos imperfeitos ainda na base da escala, se caracterizando pela ignorância, desejo do mal e todas as más paixões que lhes retardam o desenvolvimento. No caso da Terra, conforme mensagem atribuída ao Espírito Santo Agostinho, há Espíritos apenas saídos da infância evolutiva, se desenvolvendo em contato com Espíritos mais avançados, constituindo o grupo dos chamados selvagens; outros identificados como as raças semicivilizadas, constituída desses mesmos Espíritos em progresso, incluindo os indígenas do Planeta, que cresceram pouco a pouco, depois de longos períodos seculares, atingindo o aperfeiçoamento intelectual de povos mais esclarecidos, e, por fim, Espíritos que já viveram em outros mundos, de onde foram retirados em razão de sua obstinação do mal. Juntando a isso a revelação do Espírito Emmanuel através de Chico Xavier no livro ROTEIRO (1952, feb), calculando a população desencarnada em vinte bilhões de Espíritos conscientes, que se servem do domicílio terrestre para progredir espiritualmente, não é incorreto cogitarmos ser diverso o estado evolutivo dos mesmos, o que resulta nas distorções observadas em todos os tempos, mas, especialmente na atualidade em que tantas contradições chamam a atenção em qualquer análise que se pretenda fazer. Não só nas questões religiosas como pode se deduzir pelo conceito de Deus do inicio. Lembrando entrevista publicada em 1954, do próprio Emmanuel através do médium com o qual trabalhou décadas, de que nos “últimos 64 mil anos tivemos duas raças na Terra, cujos traços se perderam, por causa do seu primitivismo. Logo em seguida, podemos considerar pelos próximos 28 mil anos, a grande raça Lemuriana, como portadora de uma inteligência algo mais avançada, detentora de valores mais altos, nos domínios do Espirito; após a raça Lemuriana – chegamos ao grande período da raça Atlantida, em outros 28 mil anos de grandes trabalhos, no qual a inteligência do mundo se elevou de maneira considerável; achando-nos, agora, nos últimos períodos da grande raça Ariana”, entendemos por que ele compara o Planeta a um Grande Educandário, com seus diferentes graus, séries e alunos com capacidade de aprendizagem compatível com intelecto, realidade familiar, social, etc. Analogia interessante diz que o Planeta se assemelha cinco condomínios (continentes), flutuando sobre os diferentes Oceanos. Nos vários blocos (países), acomodam-se moradores das mais diferentes condições culturais (evolutivas), agindo e reagindo com maior ou menor rapidez aos estímulos sofridos. A hegemonia racial, por exemplo, está se descaracterizando pelo crescente número de refugiados que se abrigam em estruturas milenares como a europeia - muitos retornando através da reencarnação em realidades sociais precárias -, buscando nas áreas em que se instalam uma compensação para a exploração sem compensação de qualquer espécie dos antigos invasores e dominadores conforme demonstra a história pregressa da Humanidade. Absurdo? Para muitos pode parecer. Mas, aqui também pode ser utilizada uma ponderação de Allan Kardec dizendo que “a facilidade com que certas pessoas aceitam as ideias espíritas, das quais, parece, tem intuição, indica terem alcançado certa evolução na escala do progresso espiritual”. Diante de tudo isso, pode-se concluir que as disparidades observadas nos comportamentos individuais ou coletivos são justificadas pela heterogeneidade de internos desta grande escola chamada Terra, ainda Mundo de Expiação e Provas, que navega pelo espaço sem fim. Em outras palavras, sob este ponto de vista, está tudo certo mesmo.

É do nosso ouvinte Flávio a seguinte questão: “Será que o dilúvio, que é narrado na Bíblia, não foi uma situação parecida com o que vem acontecendo em muitas regiões do mundo: muita água acumulada e muitas mortes? “

É uma possibilidade, Flávio. As histórias bíblicas, sobretudo as contidas no Gênesis, provém da tradição, de uma época tão antiga que muito pouco se sabia e nada se registrava. A comunicação era oral e muitas histórias nasciam do imaginário popular e iam crescendo à medida que eram contadas. Tanto assim que os textos, que compõem o chamado Pentateuco de Moisés, os cinco primeiros livros, só foram escritos muitos séculos depois dos fatos a que se referem.

A narrativa do Gênesis é muito simples, porque o homem daquela época – e especificamente o homem hebreu – não fazia a mínima idéia da extensão do nosso planeta. Mas era a forma como ele via o mundo e os fenômenos da natureza que, ao se tornarem ameaçadores e perigosos, eram tidos como castigo divino.

Há um desacordo entre a informação do Gênesis, relativa ao dilúvio, e dados científicos e técnicos hoje disponíveis. Tal desacordo situa-se no volume de água envolvido. Segundo o texto bíblico, choveu durante 40 dias e 40 noites, a terra foi coberta pela água da chuva, incluindo-se os montes. Entretanto, os dados obtidos por medições da água em suspensão na atmosfera e da área que essa água poderia cobrir, é impossível que o nível da água proveniente dessa chuva cobrisse sequer um metro de toda a superfície do planeta.

Contudo, a ciência afirma que já houve inúmeras enchentes e desastres naturais em diversos pontos do planeta e nas mais diferentes épocas da história, como acontecem até hoje. Mas, o fato em si do dilúvio bíblico, pode ser apenas uma alegoria, como tantas outras que os povos antigos contavam, de acordo com o conhecimento e com as crenças que cultivavam, sempre querendo passar algum ensinamento de ordem moral.

Na Epopéia Gilgamesh, dos sumérios, livro anterior à Bíblia, já havia referência a um dilúvio, que talvez fosse o mesmo. De qualquer forma, essa narrativa tem por objetivo mostrar que o homem não é tão poderoso quanto pensa e que está submetido às leis da natureza que, em última análise, são as Leis de Deus.