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segunda-feira, 19 de julho de 2021

CONECTANDO COM FORÇAS SUPERIORES; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 O iluminado Paulo de Tarso escreveu aos Corintios na primeira das cartas a ele dirigidas: - “Se eu, pois, ignorar a significação das palavras, serei estrangeiro para aquele que fala; e ele, estrangeiro para mim. – Porque, se eu orar em outra língua, o meu espírito ora de fato, mas a minha mente fica infrutífera. – E se tu bendisseres apenas em espírito, como dirá o indouto o amém depois da tua ação de graças? visto que não entende o que dizes. – Porque tu, de fato, dás bem as graças, mas o outro não é edificado”. O trecho foi resgatado por Allan Kardec em artigo reproduzido no número de agosto de 1864 da REVISTA ESPÍRITA, que  ele procura esclarecer duvidas sobre o conteúdo do último capítulo do livro O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO que se constitui numa coletânea de preces sugeridas aos leitores da obra. Explica que “elas fazem parte das comunicações dadas pelos Espíritos; nós as reunimos no capítulo consagrado ao exame da prece, como agregamos a cada um dos outros capítulos as comunicações que lhes diziam respeito”. Sobre a enunciação de preces em idiomas diferentes do profitente, pondera que “todas as religiões antigas e pagãs tiveram sua língua sagrada, língua misteriosa, inteligível apenas aos iniciados, mas cujo sentido verdadeiro era oculto ao vulgo, que a respeitava tanto mais quanto menos a compreendia. Isto podia ser aceito na época da infância intelectual das massas; mas hoje, que estão espiritualmente emancipadas, as línguas místicas não têm mais razão de ser e constituem um anacronismo; querem ver tão claro nas coisas da religião quanto nas da vida civil; não se pede mais para crer e orar, mas se quer saber por que se crê e o que se pede orando”. Embora as gerações atuais ignorem, o fato é que até pouco depois da metade do século 20, as orações publicas nos templos da escola religiosa dominante no Ocidente, “o latim, de uso habitual nos primeiros tempos do Cristianismo, tornou-se para a Igreja a língua sagrada, e é por um resquício do antigo prestígio ligado a essas línguas, que a maioria dos que não o sabem recitam a oração dominical nessa língua, em vez de na sua própria. Dir-se-ia que ligam a isto tanto mais virtude quanto menos a compreendem. Por certo, não foi essa a intenção de Jesus quando a ditou, e tal não foi, igualmente, a de São Paulo, quando disse: “Se eu orar em outra língua, o meu Espírito ora de fato, mas a minha mente fica infrutífera”. Ressaltamos, prossegue Allan Kardec “a necessidade das preces inteligíveis. Aquele que ora sem compreender o que diz, habitua-se a ligar mais valor às palavras do que aos pensamentos; para ele as palavras é que são eficazes, mesmo que o coração em nada tome parte. Assim, muitos se julgam desobrigados depois de recitarem algumas palavras que os dispensam de se reformarem. É fazer da Divindade uma ideia estranha acreditar que ela se deixe pagar por palavras em vez de atos, que atestam uma melhora moral” Orienta, por fim, que “a principal qualidade da prece é ser clara, simples e concisa, sem fraseologia inútil, nem luxo de epítetos, que não passam de falsos adereços; cada palavra deve ter o seu alcance, despertar um pensamento, agitar uma fibra; numa palavra, deve fazer refletir; só com esta condição a prece pode atingir o seu objetivo, do contrário não passa de ruído”.



No caso da mulher iraniana, que foi condenada por adultério, para ser apedrejada, vi uma notícia de que ela não será mais apedrejada. Agora será enforcada. Isso muda alguma coisa. O que vocês podem dizer? (João Carlos)

 Na verdade, João Carlos, a questão em si não muda muita coisa. De início, a notícia é de que ela tinha sido condenada por adultério – aliás, pelo que os iranianos consideram adultério. Agora, afirmam que a condenação tomou esse vulto por causa de um assassinato em que ela teria culpa. Não sabemos do que se trata. No entanto, somos contra a pena de morte, seja qual for o motivo da condenação Consideramos que a pena de morte, talvez  a mais antiga que existe no mundo – e que nunca foi capaz de evitar o crime -  não deveria existir mais neste século, quando a humanidade já é capaz de compreender o significado dos direitos humanos..

 O Espiritismo é taxativamente contra a pena de morte. O Estado não tem o direito de matar, mas apenas e tão somente de defender a vida e educar seus cidadãos. Toda pena, assim como a lei de execução brasileira dispõe, deveria ser no sentido de reeducar o condenado e não de eliminá-lo. O Estado não pode se igualar ao malfeitor e usar da mesma arma e dos mesmos métodos que ele usa contra suas vítimas. Fazer isso, é colocar-se moralmente no mesmo nível do criminoso, agindo com a mesma violência e incorrendo no mesmo erro de matar quem matou.

 Além do mais, muitos executados ao longo da história, morreram inocentes. Basta lembrar o mal que esse tipo de pena já causou ao mundo. Muita gente se esquece de que Jesus foi uma de suas vítimas: ele foi condenado à execução na cruz, embora tal condenação não passasse de uma deslavada injustiça, atendendo tão somente aos interesses de grupos religiosos contrários às suas idéias. Neste caso, também, há um fundamento religioso por trás dessa condenação; todo mundo sabe disso.  Aliás, muitos homens e mulheres, que deixaram expressivos legados para o mundo, seja no campo religioso ou político, foram executados, sem chance de provar a própria  inocência.

 Ainda bem que a justiça, nos últimos 200 anos, vem passando por profundas reformas nos códigos penais da maioria de países de  todo o mundo! As execuções que se deram antes disso, em nome da Justiça, foram vergonhosas, como a de Jesus e a de Sócrates, por exemplo. Aqui, no Brasil, tivemos a execução de Tiradentes, no final do século 18 – tudo em nome da Justiça. Nos últimos anos  do império, o Brasil executou um homem à forca no Rio de Janeiro, condenado por uma chacina. Dom Pedro 2º lhe negara indulto, apesar de sua insistência e em dizer-se inocente. E somente após a execução foi que se descobriu que esse homem, de fato,  era inocente, tratando-se, portanto, de um grande erro do judiciário.

Além do mais, o Espírito não morre. Ainda que um perigoso malfeitor, o Espírito sobrevive à morte para se juntar a outros malfeitores na espiritualidade, onde formam bandos que vão atuar sobre a sociedade, estimulando o crime. A violência com que o executado parte deste mundo reforça mais ainda a sua ira e seu instinto de destruição. Daí porque é importante as condições das prisões, que deveriam se transformar em escolas de regime severo, mas, sobretudo, de esperança para aqueles que, ainda nesta vida, querem e têm a chance de se recuperar. Tudo é uma questão de tempo, João, mas chegaremos lá, se Deus quiser.

 

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