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quinta-feira, 16 de novembro de 2017

COMUNICAÇÃO IMEDIATA E DIVERGÊNCIA ENTRE OS ESPÍRITAS

É razoável esperar-se uma manifestação do Espírito de alguém que desencarnou recentemente? E as divergências e rivalidades observadas entre espíritas? São os dois temas propostos ao professor José Benevides Cavalcante ( FUNDAMENTOS DA DOUTRINA ESPÍRITA, eme) na postagem de hoje: Como é possível uma pessoa, que faleceu há algumas horas, dar uma comunicação no Centro?... Não conhecemos de perto o caso a que você se refere, mas, pela forma como você relata a situação, parece-nos, no mínimo, suspeita a comunicação. Não estamos afirmando que não existe essa possibilidade: dependendo do caso, pode até haver uma comunicação imediata do Espírito recém-desencarnado, mas, como conhecedores da obra de Kardec, precisamos ser mais exigentes em relação a esses fatos, para não nos enganarmos, não enganarmos os outros e não cairmos no ridículo, comprometendo o nome da Casa Espírita.. Sem indícios veementes de que é mesmo aquela pessoa que está comunicando, não podemos reconhecer a autenticidade da mensagem e sair proclamando publicamente que fulano se comunicou. Erasto, Espírito orientador de Kardec na questão das comunicações mediúnicas (principalmente aquelas que chegam ao conhecimento público), traz uma recomendação importante em O LIVRO DOS MÉDIUNS, afirmando ser preferível rejeitar 9 verdades que aceitar uma só falsidade. Logo, o crivo da razão se faz necessário, antes que a emoção tome conta. Há grupos mediúnicos muito emotivos e pouco racionais, que aceitam qualquer comunicação como autêntica; não procuram investigar melhor a sua procedência, pelo próprio teor da mensagem e pelo parecer dos familiares do desencarnado, que o conhecem na intimidade. Não atendem, assim , a um preceito básico da Doutrina em relação às atividades mediúnicas e vão afirmando precipitadamente que a comunicação é autêntica, como se fossem os donos da verdade. Isso não pode ser Espiritismo. Sabemos que todas as comunicações geralmente sofrem a influência do médium, mas existem também as mistificações, tanto do médium como de Espíritos interessados em provocar situações embaraçosas para o pessoal do Centro e para os espíritas em geral.  DIVERGÊNCIA ENTRE OS ESPÍRITAS Haverá um dia em que os espíritas se entenderão sobre todos os pontos da Doutrina, de modo que desapareçam todas essas discussões que vêm ocorrendo desde o tempo de Allan Kardec? É difícil responder objetivamente sua pergunta, porque nós, espíritas, também somos Espíritos em evolução e, necessariamente, pelo fato de cada qual estar num degrau de desenvolvimento, as concepções a respeito de um mesmo ponto sempre tendem a se diferenciar. Ademais, existem fatores e condições culturais da atual existência que implicam em diversidade de entendimento. Se todos fossemos iguais, clones ou cópias autenticadas uns dos outros, certamente não haveria tal discrepância, mas a Lei de Evolução estaria comprometida, pois a evolução implica em riqueza de opções e, portanto, em diferenciação. Precisamos compreender que não temos a verdade absoluta a respeito de nada, pois somos imperfeitos: só Deus, sendo a Inteligência Suprema, o tem. Desse modo, a nossa visão sobre um mesmo ponto dependerá sempre de nossa posição relativa nessa escala evolutiva, que não é tão simples assim. Mas não devemos ver nesse fenômeno uma condição apenas negativa: pelo contrário, a diversidade de visão, embora nos seja um problema, é o que nos tira do comodismo e da estagnação, uma vez que, se todo espírita pensasse da mesma maneira sobre todos os pontos da doutrina, ninguém se sentiria estimulado a pesquisar, a estudar, a aprender mais profundamente o Espiritismo. As divergências de interpretação, o pluralismo de ideias, portanto, são um fator positivo em nossa Doutrina, mas jamais deveria ser um fator de distanciamento moral do espíritas, que precisam estar unidos uns aos outros pelo ideal comum da fraternidade, através do qual somos capazes de conviver respeitosamente com as nossas divergências, conforme nos concita Allan Kardec, em O LIVRO DOS MÉDIUNS, ítem 350.

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